EP. 82 - AMOR ROMÂNTICO: É ERRADO QUERER VIVER UMA RELAÇÃO?, Chá de Coragem com Elisama Santos
Como lidar com o desejo de viver uma história de amor? Será que é ultrapassado? Ou coisa de mulheres inseguras e carentes?
Nosso chá de hoje, acolhe a angústia de uma mulher negra, bem-sucedida e feminista que, aos 40 anos, se vê em um conflito profundo: o desejo genuíno de viver um amor romântico versus a pressão social (e de círculos progressistas) para "desconstruir" essa vontade.
Sabemos que o apego é uma necessidade humana fundamental e que mesmo sabendo que o amor romântico é uma construção social, precisamos fazer as pazes com o desejo de ser amada sem se sentir "burra" ou "cafona", aceitando que a busca por conexão e cuidado é um direito de todas, especialmente daquelas a quem esse cuidado foi negado por tanto tempo.
Aceita esse Chá de Coragem?
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Eu sou autora de 8 livros, entre eles 3 Best-Sellers, sabia?
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✦ Créditos ✦
Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo
Cenário e Produção: Natália Araújo
Filmagem e Edição: Natália Araújo
- Amor sem condiçõesPressão social sobre relacionamentos · Não monogamia · Experiência de mulheres negras
- Fraternidade e Amor ao PróximoDesconstrução do amor romântico · Apego como necessidade humana
- Mulheres NegrasRelações e expectativas sociais · Empoderamento feminino
Queria uma relação estável, é cebuba? Sonhar com amor é coisa de gente que já deveria estar em outra. Será que a culpa é nossa? Aceita um chá de coragem?
Cara, eles amam. Acompanho seu trabalho há bastante tempo e estou bem feliz com o Chá de Coragem. Encontro colo e alento nas suas palavras. Resolvi te escrever pela angústia que me atravessa nesse momento da vida. Amor romântico é sempre uma cilada? Eu sou burra por querer um?
Um pouco de contexto. Sou mulher negra, fora do padrão mesmo. Grande. Sou bem alta e sou gorda. Honestamente, eu não me acho feia e sei que sou bastante atraente. Tenho 40 anos, moro num bairro nobre de uma cidade grande. Sou mãe solo de uma adolescente.
Tenho meu próprio negócio. Apesar dos perrengues inerentes da vida adulta, eu tenho uma vida relativamente confortável e um trabalho que eu amo muito. Trabalho na indústria criativa, numa posição que eu sempre lutei muito para conquistar. Sou feliz com o que eu faço e a vida é construir para mim e para minha filha. Eu não casei com o pai dela. Éramos namorados quando engravidei, ainda no início de uma promissora carreira.
Nunca sonhei em ser mãe, mas a ideia de casar sem amor, apenas pelo filho, de atrapalhar meus sonhos em nome da relação, me aterrorizava um tanto que eu realmente preferi ser mãe solo e investir nos meus sonhos. O pai dela e toda a família sempre a apoiaram e, apesar dos desafios, temos uma relação de respeito e ele é um ótimo pai.
Quando a galera já era maiorzinha, namorei e casei na igreja e tudo. Entrei numa de que eu não precisava enfrentar o mundo sozinha, que eu também merecia ser cuidada e amada num relacionamento. Durou seis anos e foi desgastante, abusivo, saí destruída psicológica e financeiramente. E de quebra, perdi amigos e toda uma vida social, afinal, ele era visto como um bom homem. E ninguém me apoiou ou validou. Você já fez uns dois episódios sobre isso.
Essa separação já tem quase 5 anos. Não firmei relacionamento amoroso com mais ninguém. Me culpei muito. Afinal, eu sou uma mulher progressista, feminista, bem informada, bem sucedida financeiramente. O dinheiro sempre foi meu. Como isso me permitia tanta destruição? De lá pra cá, tive muitas fases.
Desde sair com muita gente até me fechar totalmente para homens. Me entendi melhor como uma pessoa não monogâmica também. Acredito muito na descentralização dos afetos e do amor.
E aí também nasce em mim o conflito pelo qual eu escrevo. Não quero nem acredito honestamente que eu devo me fechar numa relação monogâmica, mas eu sinto muita, muita falta de viver um amor, sabe? Eu quero reconstruir uma relação amorosa com alguém, ter um parceiro, fazer planos de programas para fazer juntos, dividir sonhos e conquistas, fazer os próprios pactos e combinados sobre como viver esse afeto de uma forma plena. A não monogamia é também sobre acordos e muito diálogo.
Eu não tenho ilusões sobre viver o amor de dorama. Já tenho 40 anos. Não quero morar com ninguém. Não quero sumir dentro de um relacionamento. Tenho também minhas amizades, minha filha, minha rotina, meu espaço.
Já tenho vários conversantes e até ficantes. E nada se desenrola. Já me envolvi com homens não monogâmicos, mas sempre no papel de terceira, que chega numa relação que já vem consolidada, onde já existe um casal principal. Isso eu não quero mais. Estou escrevendo isso no domingo. Meus fins de semana é onde mais sinto falta. Sim, eu passeio com a minha filha, eu vejo amigos, eu saio sozinha, eu amo cuidar da minha casa, ler, ver série. Mas é também esse vazio grita na minha cara.
Durante a semana eu tenho conversas, papos, risadas, até dates muito bons com troca de intimidades. De sexta pra frente, não. Quando o ficante não é monogâmico, ele tá se dedicando à relação principal. Aquela que tem foto no feed. É tempo de passear, de fazer programas juntos. Quando é o caso do ficante solteiro, é o dia dele curtir. É um tempo nobre demais pra ele gastar com quem não tem um relacionamento sério.
Quando vou conversar das minhas angústias com pessoas no círculo, formado por pessoas progressistas, escuto que eu não deveria acreditar no amor romântico, que é uma ilusão, uma construção social, que eu deveria focar em outros aspectos da minha vida, preencher o tempo com outras coisas. Que é importante desconstruir essa ideia de relacionamento. Detalhe! Muitas e muitos que falam isso têm relacionamentos amorosos, bem estabelecidos. Namoros e casamentos, mono ou não mono?
Quando insistem que eu devo desconstruir a ideia de amor romântico, eu me sinto burra, vazia, cafona e tosca. E aí fico nessa angústia. Ora sinto que eu deveria sufocar isso dentro de mim e aceitar que o romance não é pra mim. Homens ficam me orbitando sem querer realmente construir nem aprofundar em nada. Como fazer as pazes com meu desejo de ser amada sem me sentir tão burra e vulnerável? Grande beijo.
Eita, amiga! Tantas coisas para falar sobre isso.
Eu odeio com todas as minhas forças. Tem um ranço profundo pela galera que acha que basta falar com você. Ai, desconstrua o amor romântico. Perilente e vim. Sumiu a ideia de amor romântico da sua cabeça, da sua vida, dos seus sentimentos. Sumiu tudo que foi construído socialmente. Sumiu tudo de todas as coisas e agora você é somente o que você pensa. Cara, não é assim que funciona.
simplesmente não é assim que funciona, você tem 40 anos gata, você tem uma história. E olha, o amor das amigas, o amor do namorado, o amor da filha, o amor ao trabalho, são amores que não concorrem, são diferentes. E você pode ter um e querer o outro e não tem problema nenhum nisso. Eu acho horrível essa tendência que a gente está agora.
De achar que a gente devia se bastar. A gente não vai se bastar. Apego é algo humano. Apego é algo humano. E querer uma relação é algo muito normal, sobretudo para uma mulher.
E aí, gata, a gente tem algumas coisas nessa história, né? Algumas coisas. Você me fala, Alisama, eu sou não mono porque eu não quero mais sumir numa relação. Amiga, ser não mono e não sumir numa relação são coisas muito diferentes, tá? Você pode ser não mono e ainda assim sumir na relação. E você pode ser mono e viver bem na relação. Uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra. Então, assim, eu sou monogâmica.
Ah, eu, Isaac, Isaac e eu E a gente é bem fechadinho nesse sentido
Eu saio, eu durmo na casa das minhas amigas, eu faço tarde de jogos com as minhas amigas, eu viajo, eu faço tudo, eu tenho a minha individualidade, eu tenho os meus desejos. Isaac vai para os shows dele, Isaac vai para os festivais que ele quer ir, Isaac vai ver os filmes que ele quer ir, Isaac viaja para onde ele quer ir, a gente faz coisas juntos e a gente faz coisas separadas. E ai, que coisinha gostosinha, cada um tem a sua vida. E isso é perfeitamente possível numa relação mono também.
tá? Então, assim, eu tenho um certo ranço quando a pessoa olha pra mim, como se eu fosse assim, ai, coitadinha dela, ela é mono, escravizada dentro de uma relação amorosa, meu Deus do céu, os afetos dela são todos colonizados, ai, gente, me dá um tempo, me dá um tempinho aí, você não tem como saber nada na minha relação, só olhando pra mim.
Então, ninguém tem como saber nada da sua relação só olhando pra você. Não tá nesse lugar. Assim como você pode estar nas relações não mono, que se diz no mono, mas que se mostram bem mono. Porque quando você me fala, ah, no final de semana tá se dedicando à relação principal, não me soou nada no mono nessa história. A Nathia não mono não está fazendo assim pra mim. Fazendo assim. Tem nada de no mono nisso não, tá? E aí a gente tem um problema.
Que existe a teoria do que é o non-mono e existe o que as pessoas estão fazendo e vivendo e dizendo que é non-mono e que nada mais é do que um desdobramento bem violento das relações monogâmicas. Sabe? O quanto as pessoas estão colocando a non-monogamia e o ai não vamos a nome aos nossos afetos e chamando outra só de afeto.
Não é meu namoro, meu namorado, meu marido, meu afeto. O quanto as pessoas que estão fazendo isso, muitas vezes estão fazendo para se desresponsabilizar na relação.
Não é sobre isso. Nem a monogamia, nem a não monogamia. Não vou entrar aqui no mérito de nenhuma das duas coisas, não. O que eu quero entrar no mérito é que você que é uma relação estável, segura, uma relação em que você pode ser você e pode fazer planos para o futuro. Gente, fazer plano para o futuro com marido, com namorada, com namorada, é diferente de fazer plano para o futuro com amiga.
É diferente. A perspectiva é diferente. É diferente. A gente construir socialmente é diferente. E aqui eu não estou falando que é maior ou que é menor. Estou falando que é diferente. Você pode querer falar assim, nossa, eu quero envelhecer com as minhas amigas. Eu quero envelhecer morando com as minhas amigas. Pode. E você pode falar, poxa, eu quero envelhecer com alguém. Eu quero ter alguém. Eu gosto muito do casamento.
Sou muito louca. Mas eu sempre tive certeza. Mesmo quando eu estava com as crises bizarras com o Isaac. Eu tinha certeza que eu casaria de novo. É isso. Eu, Elisama. Tem uma construção enorme social atrás disso. E aí quando você me fala, você me fala. Eu sou uma mulher negra. Amiga. Quantas vezes a gente foi assumida na vida.
Quantas vezes é a nossa mão que dão na rua? Quantas vezes somos nós que somos apresentadas na família? Quantas vezes somos nós que somos as chamadas para o cinema? Somos nós que somos as chamadas para ir para o aniversário do amigo? Quantas vezes? Porque você está me falando das suas relações não-muno?
Mas eu tô vendo o que eu vivi muitas vezes quando eu era solteira e esse negócio de namoro nem era falado. Eu tô vendo a mulher negra ser a segunda colocada em tudo. Como sempre. Independente do nome que dão pra isso.
E tá tudo bem você querer uma relação. E isso não quer dizer que você é boba. Que você já deveria ter ultrapassado essa fase. E é bem interessante porque a maioria das pessoas progressistas que falam isso são pessoas que já foram tão escolhidas na vida, né? É que nem o lance do veganismo.
Sabe, quem sempre comeu carne é tão mais fácil hoje olhar e falar, ai gente, não, vamos comer carne. Quem sempre teve a roupa que quis é tão mais fácil falar, ai gente, vamos ter guarda-roupa cápsula pela natureza. É muito mais fácil, amor. Mas pra gente, você e eu, nunca foi pra gente. Antes de desconstruir o amor romântico, eu quero viver o amor romântico.
E eu quero viver. Sabe? Porque eu nunca tinha vivido. Eu nunca fui a escolhida pra viver. Já desde que eu tava conversando com uma amiga, mulher negra, e aí ela me falando de uma outra amiga, que o cara fazendo o possível e o impossível pra namorar com ela, sabe? E eu lembro de quantas amigas minhas Então eu sao aí
Era fácil arrumar um namorado. Podia não durar, podia ser um cara babaca. Não tô nem entrando no mérito de manter a relação, tá? Mulheres brancas que estão me ouvindo. Mas não era a solidão que a gente vive. Sabe? O jeito que quem chegava na festa pra falar comigo, pra falar com a minha amiga branquinha, baixinha, de cabelo liso, era muito, muito, muito diferente.
E assim, antes de falar, ai, que ridículo, como tratando ela, parecendo que ela é frágil, eu queria de vez em quando ser tratada como se fosse frágil, porque eu tô tão cansada de ser tratada como uma forte o tempo inteiro. E é tão fácil pra quem foi tratada como frágil a vida inteira falar, ai, não, quero ser tratada como forte, independente, você não precisa da rosa, mas a gente nunca recebeu rosas. Eu não gosto de flor, não, tá, gente?
Mas assim, não gosto de ganhar flor, não. Gosto de flor, até gosto de flor. Não pode ir pra eu criar a florzinha.
Acho flores lindas. Mas assim, não foi pra gente. Entendeu? A gente não foi cuidada. Historicamente nós não fomos cuidadas. A gente pode querer ser cuidado. E aí se é uma relação mono, mono, com um, com dois, com cinco, minha filha, não sei, mas... Ter muito claro na sua cabeça que você quer ser cuidada e que você merece e pode ser cuidada é potente demais.
É essencial para você saber o que você vai bancar, o que você não vai bancar numa relação, o que você vai topar, o que você não vai topar numa relação.
Eu acho que é cruel e é perigoso quando a gente acha que eu sou você feliz se eu estiver com alguém. Eu preciso de um homem ao meu lado para que eu saiba quem eu sou. Mas aí a gente parte para o outro extremo. Para o lugar de eu não preciso de ninguém. Gente, dormir de colchinha é gostoso. Tá, noite toda não, mas no começo da noite é bom.
É bom, eu gosto. Eu gosto de chegar em casa e saber que eu tenho ele para conversar sobre a vida, conversar sobre as coisas. Gosto da gente deitar na cama junto e ficar conversando e dividindo cada um com o livro na mão, às vezes, e lendo o livro. Gosto de ter ele para decidir coisas do futuro, para a gente sentar e falar, e o que a gente vai pensar nisso daqui? Eu gosto.
E eu não tive isso na vida inteira. Entende? A gente tá junto há 16 anos, mas... Eu não fui adolescente que tinha um monte de gente querendo me namorar, que era fácil, que dizia não pra namoro. Não foi assim. Eu dizia que eu não ia casar. Dizia mesmo, eu não ia casar. Mas tinha muito também do saber que eu não era escolhida pra casar.
Então era melhor falar que eu nem me interessava mesmo. Você entendeu? E aí querem que agora você olhe pra tua história inteira e finge que as coisas que são importantes não são importantes porque você vai ser uma mulher progressista de verdade se você não quiser isso. Isso é tão neoliberal, gente. Isso é tão individualista.
Isso é tão old school. Tão conservador. Falar te vira aí, fica feliz com quem você é sozinho ou sozinha. É tão conservador. Tem nada de progressista nisso. E falar que a sua felicidade só depende de você. Ai, gente. Como isso é cruel. Como isso é violento. Você não é uma mulher de 40 anos boba, não. Porque você tem uma relação.
Você é uma mulher de 40 anos que vive inserida num tempo. Você é uma mulher de 40 anos que tem história. E por favor, não esqueça a sua cor. Porque você também não é qualquer mulher de 40 anos. Sabe? Eu quero viver coisas, inúmeras coisas, que pra muita gente vai ser uma bobagem.
Mas é que para o meu povo, para as minhas pessoas, para quem vem de onde eu vim, caraca, coisa de outro mundo. Eu elogio minha filha e meu filho todos os dias. Eu falo para minha filha, filha, como você é linda, você parece uma pintura, como seu cabelo é lindo, como seu nariz é lindo, como sua boca é linda. E se ouve muito, ah não, mas não chame as meninas, elogie outra coisa das meninas, é verdade.
Mas a menina negra, ela nunca foi elogiada pela beleza dela, não. Eu sabia que ela era inteligente, todo mundo elogiava a minha inteligência. Era o máximo que eu ia conseguir de elogio. E a minha filha é bonita pra caramba. Bonita pra caramba. E eu quero que ela saiba que ela é bonita pra caramba. Mesmo que venha o mundo várias vezes dizer pra ela que ela não é. Eu quero que ela tenha guardado dentro dela o quanto ela é bonita pra ela saber reconhecer. Então, não. Não serve pra todo mundo.
a premissa de não vamos elogiar as meninas só de bonitas, vamos chamá-las de outras coisas. Para minha filha, chamar de bonita é bem importante. Para as meninas que se parecem com a gente, chamar de bonita é bem importante. Você fala que sou uma mulher grande e gorda. A gente não é a delicada, não é, cara? A gente não se encaixa no padrão da fragilzinha. Quando você é uma mulher grande, as pessoas te tratam diferente.
Eles sempre acham que você vai dar conta, né? Que você não precisa de amparo, que você não precisa de apoio, que você não precisa de colo, que você... E o quanto isso adoece, gente? O quanto eu tenho aprendido a pedir colo, a pedir apoio, a falar, não vou dar conta.
a chorar, a falar das minhas fragilidades. Sabe o que está te faltando nos seus amigos progressistas ou não? Vou mostrar aqui o chamado empatia. Porque quando você está sofrendo por algo, alguém fala, mas você não devia sofrer por isso. A pessoa não está te escutando, não. As teorias, elas são lindas.
Eu falo isso aqui sempre. Mas elas não estão vivas. A teoria não teve pai e mãe, não teve infância. A teoria não paga boleto. A teoria não chega num sábado. E queria alguém pra dar a mãe pro cinema. Pra rir, pra falar do filme, depois comer uma pizza e ir pra casa. A teoria não sente isso.
E a gente não apaga tudo que a gente construiu de imaginação, do que a gente acha que é a vida, a gente não consegue apagar porque a gente está lendo coisas diferentes. A gente não consegue apagar porque a gente devia pensar diferente. Sabe? A gente tem uma história. E é importante, gata.
Que você respeite a sua história. E que as pessoas respeitem a tua história também. É bem importante que você comece, inclusive, a colocar limites. Na hora que você conversa com seus amigos e alguém te falar isso. É bem importante falar, meu amor, ok? Entendo que essa é a tua escolha, a tua possibilidade na tua história e a minha história é outra. E na minha história é isso que eu errei que eu tenho.
Cara, se a gente não pode falar para as amigas, olha a gente sofrendo de novo, a gente sozinha, a gente sendo machucada, caramba, isso é muito brutal, isso é muito cruel, isso é muito violento. Isso é muito violento. A gente não pode assumir. Para a gente, para as nossas. Como pode isso?
Agora a gente vai ser silenciada pelas nossas amigas também? Porque a gente não tá performando o que esperam que a gente performe? Cadê o acolhimento, minha gente? Eu não posso falar o que eu sinto, eu tenho que mudar o que eu sinto pra caber na tua teoria, amor. Eu não vou fazer isso. Pois eis aqui o ser humano. Não é um livro. Não é um story cap no livro.
de teoria, de quem quer que seja, na autora que você quiser trazer, não caiba. E você não tem que caber também. É isso, meu amor, ela tá braba, ela! Como é que eu fico nervosa com essa história, gente?
Eu teria mais pra falar, mas aí eu seria muito cancelada. Aí eu dei uma filtrada aqui. Entendeu? Porque acrescentaria algumas coisas. Que inclusive o esporte-fai podia diminuir o meu alcance. Porque ia ter uns palavrõezinhos também e tal. Então achei. Acho que eu consegui. Consegui, amiga? Ela fez uma cara de conseguir mais ou menos. Tô com um pouco de medo do que eu consegui fazer aqui.
É isso, meu amor. Manda para as suas amigas. Manda no grupo dos seus amigos progressistas, tá? Ó, fogo no parquinho. Manda. Aqui, gente, ó. Pá. Vamos conversar? Vamos conversar? Vamos sair aqui do mundo das ideias e conversar com gente como a gente tem?
Vamos conversar de lugar de gente meio avariadinha, porque nasceu nesse mundo com gente mais avariadinha ainda? Porque não dá, né? Não dá pra gente conversar como se fosse todo mundo perfeito. Mas eu tô vendo eu ficando nervosa de novo. Tenho que encerrar esse episódio, tá, gente? Um beijo pra você. Manda pra todo mundo. Dê seu comentário aí. Se concorda comigo, me curte.
Tá liberado sentir raiva mesmo dessa história, entendeu? Porque mais um peso pra gente, poxa. Não tem peso demais na minha vida mais não? Pra vocês caras que estão me dizendo como eu tenho que sentir? Mais veja um negócio desse. Ó, tchau, meu povo. Deixa o comentário aí, segue, faz aquelas coisas tudo que tem que fazer. Um beijo.