Episódios de Chá de coragem, com Elisama Santos.

Ep. 80 - LUTO E CORAGEM PARA RECOMEÇAR, Chá de Coragem com Elisama Santos

02 de abril de 202624min
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A partir do relato de uma ouvinte que enfrentou a dor avassaladora da perda do marido durante a pandemia percorremos as marcas do luto, a busca por novos relacionamentos e a complexidade de lidar com a rejeição e a quebra de confiança.

Como nossas referências familiares e traumas passados moldam nossas escolhas amorosas? E como lidar com o medo constante de "se perder de si" ao tentar confiar novamente?

Nossa conversa explora a importância de nomear o passado, dividir responsabilidades nas relações e entender que cada encontro desperta uma versão diferente de nós mesmos.

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Eu sou autora de 8 livros, entre eles 3 Best-Sellers, sabia?

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✦ Créditos ✦

Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo

Cenário e Produção: Natália Araújo

Filmagem e Edição: Natália Araújo

Participantes neste episódio1
E

Elisama Santos

HostAutora e apresentadora
Assuntos2
  • Timidez e superaçãoExperiência de luto · Reconstrução de vida · Relacionamentos após perda · Medo de rejeição · Responsabilidade afetiva
  • Dilemas de RelacionamentoConfiança em relacionamentos · Expectativas em relacionamentos · Traição e desconfiança · Culpa nas relações
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Há vidas, às vezes, e dá umas reviravoltas que tiram nosso chão, né? Como é que a gente se levanta depois dessas quedas? E o que é que a gente faz com cicatrizes? Aceita o chá de coragem?

Querida e admirável Elisama, quero começar dizendo que acompanho você desde o início, ainda pelos tempos do Facebook. Comprei seus livros, acompanhei o Café com Cuscuz, sigo suas postagens e escuto seus podcasts. Seu conteúdo transmite sabedoria, sensibilidade e grandeza. Obrigada por compartilhar tanto com o mundo. Obrigada, gente. Minha história é daquelas que dariam um livro, mas vou tentar ser sucinto.

Sou nordestina, filha adutiva e cresci em um lar muito pobre no interior do Maranhão, mas cercada de amor e cuidado. Meu pai faleceu quando tinha apenas 4 anos e infelizmente eu não guardo lembranças dele. Minha mãe se casou novamente e eu cresci ouvindo que o homem não presta, além de muitas visões negativas sobre casamento.

Minha família adotiva era formada majoritariamente por mulheres fortes, ousadas, mas infelizes na vida conjugal, sem nenhuma exceção. Desde cedo, todas as minhas referências reforçam a ideia que casamento não é algo bom. Cresci inconformada com a realidade financeira em que eu vivia e saí de casa muito jovem, em busca de oportunidades. Eu tinha sonhos e duas certezas.

de que de alguma forma mudaria minha história e de que jamais me casaria.

Com o tempo, a vida me apresentou boas oportunidades, que abracei com coragem e determinação. Aos poucos, eu percebi minha trajetória se distanciando do destino que parecia traçado para as mulheres na minha família. Quando minha vida começou a melhorar, eu iniciei a terapia e ali consegui me libertar de amar as emocionais e crenças limitantes. Então, em um desses encontros inesperados, conheci o amor na minha vida. Namoramos?

E, apenas seis meses, fomos morar juntos. A vida parecia generosa. Engravidei e tudo começou a se formar de um jeito diferente do que eu havia planejado. Mas, pela primeira vez, de uma forma muito bonita. Encontrei meu companheiro, um homem íntegro, generoso, inteligente e profundamente comprometido com a família. Existia respeito e eu nunca duvidei que havia respeito e amor na relação.

Conquistamos muito juntos, inclusive financeiramente. Coisas que eu jamais terei imaginado nem em meus sonhos mais ousados de criança.

Mas a vida também surpreende de formas duras. Em 2021, em meio à pandemia, fomos contaminados pelo Covid-19. E ali, vi meus sonhos desmoronarem. Meu esposo faleceu. Vivia um luto intenso, atravessando todas as suas fases. E uma dor profunda e avassaladora. A vida perdeu a cor.

senti medo de tudo. Em muitos momentos, cheguei a acreditar que havia perdido o direito de ser amada. Busquei ajuda psiquiátrica e psicológica e atravessei altos e baixos que hoje mal consigo explicar. Só sei o quanto me marcaram. Depois de algum tempo, me permiti conhecer novas pessoas. Sonhava em reconstruir minha vida e minha família.

Pois eu me sentia só, sem chão e sem rumo. Conheci um homem de todos os tipos. Alguns aproveitadores, outros imaturos, outros desrespeitosos. Muitos sem qualquer responsabilidade afetiva. Em 2023, conheci um rapaz em uma roda de amigos. Ele era leve, engraçado, extrovertido e tinha minha idade.

Me envolvi intensamente no início e me apaixonei profundamente. Com o tempo, eu percebi que embora apaixonada, eu não estava pronta para um relacionamento. E ele tampouco parecia envolvido na mesma medida. Descobri mentiras e cheguei a desconfiar de traição. Foi doloroso e difícil de enfrentar. Entre idas e vindas, tentamos nos ajustar com muitas turbulências.

No ano passado, eu perdi uma grande amiga. Eu era muito próxima da família dela, em especial das crianças que têm idade semelhante da minha filha, e vi o marido dela profundamente perdido em meio ao luto. Por já ter vivido essa experiência, eu quis ajudar, e acabamos nos aproximando mais intimamente às escondidas. Amigos, conhecidos, e até as crianças torciam para que ficássemos juntos.

Eu mesma sonhei algumas vezes com essa possibilidade, mas era estranho. Ele é um homem bonito e financeiramente bem-sucedido. Seu jeito e personalidade muito me lembrava meu falecido esposo. Em um final de semana, acabamos nos envolvendo e eu traí meu então namorado. A consciência pesou. Terminei a relação e passei a alimentar a esperança de viver algo com o viúvo da minha amiga.

Mas a vida não segue nossos roteiros. Talvez eu tenha depositado expectativas demais. Amigos, famílias, familiares e até família da minha amiga demonstravam apoio à ideia. Mas, de repente, ele se afastou e passou a agir com frieza. Como se eu fosse alguém sem importância. Cerca de um mês depois, apareceu namorando com direito a declarações em redes sociais. Senti novamente o gosto amargo da rejeição. E doeu muito.

Com o tempo, me vi mais uma vez só e acabei retomando meu relacionamento com meu ex-namorado. Muitas pessoas próximas acreditam que perco tempo com ele, por causa das mentiras e decepções do início, e ainda por ele não ter o status social e as condições financeiras no meu falecido marido.

Reconheço que sofri bastante no início da relação, mas também entendo que eu mesma não estava pronta em uma relação madura naquele momento. Curiosamente, nenhum dos homens que meus amigos acreditavam ser ideais para mim demonstrou responsabilidade e maturidade afetiva. Já ele, hoje, se mostra arrependido e disposto a fazer diferente.

Atualmente, a vida parece encontrar um novo equilíbrio. Estamos mais leves, com boa sintonia, construindo planos, compartilhando afinidade no dia a dia, com muita conexão emocional e sexual. Ainda assim, carrega o medo de me envolver mais profundamente e, a qualquer momento, descobrir uma nova mentira ou traição. Por tudo isso, Elisama, eu gostaria muito de ouvir um porcelho seu. Diante da sua sensibilidade, sabedoria e lucidez, me pergunto muito se é o medo me bocatando.

Queria entender como confiar sem perder de si. Minha história é feita de forças, quedas, recomeços. E feio, um amor que seja seguro, verdadeiro e gentil. Obrigada por me ler e por existir como referência de humanidade e consciência. Com carinho e respeito. Ai, ai, gente. Primeiro eu quero começar te dando um abraço. Muito apertado. Perder alguém que a gente ama é muito difícil.

Viver o luto é muito difícil. Principalmente quando é uma relação que a gente vive com tanta entrega. Sabe? Um casamento. Perder alguém dentro de um casamento é muito difícil porque normalmente nossos planos de futuro estão com o nosso marido, nossa esposa, né? Quando essa relação está boa, é saudável, uou, que difícil.

E aí, eu fico me perguntando como nós, mulheres, temos a tendência de achar que o problema, muitas vezes, é na gente, né? Você fala assim, será que sou eu que estou tentando não ser feliz? A gente não deu certo, mas também naquela época eu não estava pronta.

Como que você olha para os seus comportamentos em um lugar em que você não acredita que todas as responsabilidades por tudo que acontece são suas? Você consegue dividir responsabilidades na relação? E aí olhando para o passado, será que é tudo você, que é tudo culpa sua?

Nos últimos episódios aqui no podcast, eu falei sobre a relação com a teoria do apego. E aí falei sobre o apego ansioso. O quanto no apego ansioso a gente fica nesse lugar de ai meu Deus, o que é que eu faço? Pra você, a culpa é sempre minha. Sou eu sempre que tenho que fazer alguma coisa. Eu que posso fazer alguma coisa pra mudar. E eu também falei nos últimos episódios sobre essa sensação que a gente tem que a gente tem que fazer.

De que as relações, assim, que a gente vai encontrar formas de se relacionar, que elas são perfeitas.

e que a gente vai conseguir assumir todas as responsabilidades da relação, sabe? Aí eu queria que você olhasse para você e pensasse, como é para você olhar para o passado, nomear o passado, nomear a relação que vocês tiveram? Você e essa pessoa com quem você está tentando de novo. Como que você enxerga o que você quer da relação?

E aqui eu quero falar para quem volta um relacionamento com alguém que você já terminou. A gente não é a mesma pessoa. Nunca. Então quem você era quando você terminou a relação não é quem você é hoje.

Assim como a pessoa com quem você se relacionava não é a pessoa com quem você se relaciona hoje. A grande questão é o que era importante, o que era dolorido, o que causou as divergências, o que era a raiz dos nossos problemas ainda permanece? Porque se ainda permanece, muitas vezes a gente está tentando conciliar o que é inconciliável, sabe? Então, assim...

Ah, Elisama, eu acho que a gente está bem. Você me disse que você já teve uma relação saudável. Que teve uma relação muito boa, que a maioria de nós não tem. A maioria de nós não tem referência numa relação saudável. E aí não sabe dizer se a relação que eu estou é saudável ou é doentia. Essa relação é saudável, me faz bem ou não faz bem. A maioria de nós não sabe nem dizer. Não tem referência.

Mas aí você tem referência, você disse que tem referência. Nenhuma relação vai ser igual a que você tinha com seu marido porque você era, você e ele era ele e acabou. Os encontros são diferentes. Entenda, gente. As pessoas que a gente encontra na nossa vida, elas despertam coisas diferentes em nós. Então você nunca é a mesmíssima pessoa em todos os relacionamentos. Tem algo diferente em você em cada relacionamento, porque tem algo diferente nesse encontro. Por mais que muitas vezes...

A gente inconscientemente procure pessoas para se relacionar que despertam as mesmas coisas na gente. A gente vai procurando aí o que se encaixa no nosso funcionamento. Não é à toa que diversas vezes a gente olha para as relações e pensa, meu Deus, é um déjà vu. Eu já vivi isso aqui, não vivi não? Estou vivendo de novo, mas peraí, isso aqui eu vivi com aquele outro. Parece que está só apertando...

Pra voltar e pra dar play, pra voltar e pra dar play, né? A mesma relação, a mesma briga com personagens diferentes. Porque a gente caça sim, a gente procura sem perceber pessoas que têm questões muito parecidas pra manter ali o nosso funcionamento. Mas enfim, são encontros diferentes. Mas tem um padrão aí do que é um encontro saudável, sabe? Tem um padrão aí do que é uma relação boa, do que é uma relação gostosa, do que é uma relação que te faz bem.

É atendido nessa relação hoje? Em quem vocês são hoje? Ou não? Aí você fala, Elisabeth, eu continuo com muito medo de traição, eu continuo com muito medo de pegar uma mensagem dele. Como que a gente lida com esse medo? Você já conversou com ele sobre esse medo? Você já conversou sobre o que é que você pode fazer para se sentir segura, mas o que é que também vem dele para se sentir segura?

Assim, a gente não pode responsabilizar o outro para nos sentirmos seguros ou não. Isso não existe.

Isso não existe. O outro não é responsável por me fazer sentir segura. Mas o outro pode me auxiliar no que ele pode, no que ele concorda, na ferramenta que ele tem, na disponibilidade que ele tem. Então, assim, o que te ajudaria a ficar mais segura se você vai ficar nessa relação? E quanto vocês têm conseguido conversar sobre suas inseguranças, sobre seus medos, sobre o passado, sobre o que vocês estão construindo? Como é que está o diálogo entre vocês?

Gente, assim, a gente traz a nossa história pra toda relação, sabia? Todas as relações a gente traz a nossa história. Eu não consigo ir pra nenhuma relação sem a Elisama, que eu sou. Que viveu tudo que eu vivi. Quando ela fala que ela tinha duas certezas. Crescer financeiramente que ela não ia casar. Eu tinha exatamente as minhas certezas. Quando eu era mais nova.

Eu nunca fui a menina que sonhava em entrar de branco na igreja. Eu olhava os casamentos das pessoas perto de mim e pensava nem morta. Eu cresci na igreja, né? Então eu ouvia que o homem era a cabeça da família. E eu pensava, mas meu amor, eu tenho uma cabeça, mas eu quero outra. Quero uma na minha, não. Pra mim aquilo nunca tinha feito sentido. Então eu tinha uma certeza muito absoluta de que eu nunca ia casar.

Eu queria muito ter filhos, mas eu achei verdadeiramente que eu teria a produção independente, que eu não teria filhos, eu não teria uma família construída com um homem. Quando eu casei com o Isaac e eu anunciei para os meus amigos, eu mandei e-mail para a galera falando gente, casei. E aí os meus amigos respondiam, Elisa, é vírus? Por que é isso assim? Você casou? Você? Não acredito. Porque eu nunca acreditei.

que eu iria casar, que eu ia ter paciência para viver uma relação com quem quer que seja, porque para mim casamento era sinônimo de uma mulher anulando os desejos dela, anulando o que ela queria, anulando a própria identidade, e eu não ia anular minha identidade por nada nem por ninguém. E aí, amores? Muitas vezes...

O meu padrão dentro da relação, inúmeras vezes, eu falo assim, mas não preciso disso, tchau. Eu quero ir embora. Não preciso disso. Não preciso passar por isso, não preciso passar por isso, eu quero terminar. E eu vou descobrindo os meus motivos de ficar na construção minha com o Isaac todo dia, sabe?

A relação que eu tenho hoje é uma relação que eu não imaginei que a gente ia construir nos modos que ela está hoje e que me faz muito bem e que é uma surpresa para mim, porque eu não achei que eu ia ter uma relação estável com quem quer que fosse, porque eu achava que eu nunca ia abrir mão de mim e eu continuo não abrindo mão de mim. Nem toda relação pede isso.

Mas eu sei o que é uma relação saudável pra mim, sabe? Eu consigo identificar quando a minha relação tá entrando num lugar que eu falo, opa, o povo já entrou. Já tivemos crises e não foi um ano em dois. E que a gente precisou ajustar muito os nossos passos aqui.

Para as coisas darem certo. Em que a gente precisa muito. Organizar as nossas conversas. As nossas construções. A forma que a gente olhava um para o outro. A forma que a gente estruturava as coisas. Mas tudo muito na base da conversa. E aí. Volto para dizer que você disse. Que você já teve uma relação muito feliz. Muito saudável. Você tem um parâmetro para você saber. O que é uma relação saudável para você?

Só não se coloca no lugar de culpada. Se você quiser ficar ou quiser terminar, porque você me fala que você voltou para ele depois de ter sido... depois do fora que você recebeu o do vivo da sua amiga, né? Ele sumiu, apareceu namorando e aí você voltou para o seu ex.

Talvez valha a pena você tentar pensar por que você voltou para o seu ex. Porque você ter voltado porque ele era o plano B e o plano A não deu certo, talvez não seja o começo ideal para você, não é sobre ele, não. Sabe, para você, assim, o que você quer? Você tem medo de ficar só? Você tem medo de não encontrar alguém? O que te assusta hoje se você termina essa relação?

O que é que te assusta hoje se você não fica com ele?

Se você decide que... Nossa, vocês não têm nada a ver. Em algum momento você fala sobre o status financeiro e social, né? Dele, que as pessoas falam pra você, que é a sua família, que ele não tem o mesmo status que o teu ex-marido, teu falecido marido. E eu não... Pelo que você fala, não é esse o ponto. Você não se importa com isso. Mas você sabe o que é que você se importa?

E aí eu volto a dizer que nós mulheres não fomos ensinadas a saber com o que a gente se importa, sabe? Você diz, Elisama, eu cresci vendo mulheres muito fortes e infelizes na vida conjugal delas. E será que você está assumindo o lugar de eu não sou igual a minhas parentes, por isso eu vou arrumar uma relação?

E eu vou ficar assim com uma pessoa porque tem homem que presta assim, sei lá o que, sabe? Sem pensar, a gente vai entrando num lugar que às vezes a relação não é sobre esse teu ex. É sobre tantas outras coisas. Você disse que acompanha o podcast bastante, então você já me viu falar sobre a organização das gavitas.

Vamos pensar na organização das gavetas agora? Você conseguiria, nesse emaranhado de fios, hoje, separar o que é o medo da solidão, o que é a vontade de ficar com esse cara que você está? Você consegue, nesse emaranhado de fios, separar a tristeza por ter recebido um fora de outra pessoa e a vontade de ficar com essa pessoa que você está?

Você reconhece nesse Maranhão de Fios se você tá com alguém porque você quer tá ou você tá aceitando seu prêmio de consolação porque o prêmio que você queria mesmo não veio. Se conhece, consegue dar nome? Mas assim, é uma honestidade com você, sacou? Depois você conversa com ele, mas agora é uma honestidade com você. É que a gente tem medo de ser honesta com a gente. Caraca!

Como a gente tem medo. Como a gente tem medo de assumir as coisas pra gente, sabe? E olha, Alisama, eu tô com ele como um prêmio de consolação mesmo. Tá, você gosta do prêmio de consolação? É legal? Tá tudo certo. É o suficiente pra você? É bom o suficiente pra você? E eu não tenho como te dizer.

Só você pode reconhecer e sentir e nomear. O que essa relação disse para vocês, sabe? Eu só me preocupo muito com essa construção que a gente tem de que a gente não pode ficar só. A gente pode. A gente pode. A gente não precisa ficar com ninguém. Por que a gente queria, não quis a gente? E não tem um prazo. Eu estou fazendo um trabalho.

Eu entreguei esses dias um trabalho em que eu estava escrevendo umas cônicas. E vieram histórias tão lindas, gente. Gente que encontrou o amor da vida com 70 anos, que teve um casal que casou com 75 anos. Os dois tinham 75. E a forma...

Que eles falam do outro. É a coisa mais fofa do universo. Divertido. Leve. Presente. Sabe? A gente desenvolve uma relação com o tempo. Que faz a gente acreditar. Que só tem esse hoje. Pra decidir. Só tem esse namorado. Só tem essa situação. E o mundo é tão grande. Tão grande. Só enxerga em você.

O que te faz hoje querer manter essa relação? O que não te faz querer manter essa relação? Só arruma os gavetas. Sem pressa de nada. E aí sobre o medo de ser traída, de não ser traída, isso aí são conversas que vocês vão precisar ter. Mas para você ter essa conversa, você realmente precisa saber o que você quer. Sentir qual é o lugar dele na tua vida. Qual é o lugar que você quer dar para ele na tua vida.

Porque senão você vai... Se você não sabe o que você quer proteger e cuidar nessa conversa, você vai começar o quê? Como? Eu desconfio que você está precisando organizar tudo aí, sabe? Essa certeza de rejeição que é uma marca na sua história. Que você fez questão de falar, você começa falando da sua filha adotada. Você quis me contar o quanto você já se sente rejeitada desde o dia que você chegou no mundo.

Quanto a rejeição é uma marca na tua história. Então assim, assume pra você, olha pra você o quanto você tá fugindo só da rejeição. E lembra que sim, às vezes a gente é, não é o suficiente pra pessoa que tá com a gente.

Mas você foi suficiente, você é suficiente para um monte de gente que está com você. Para sua filha, para seu marido, para o trabalho. Você foi rejeitada em algumas situações e muito, muito benquista em tantas outras. Eu não sei qual é a história do teu nascimento. Só eu falei sobre o adotado porque você fala isso e chega aqui para mim, eu escuto no lugar de Elisama. Eu fui rejeitada pelos meus pais. E quando ele me recheia, ele me leva para essa dor.

E eu não sei se você foi rejeitada pelos seus pais. Eu não sei qual é a sua história. Eu tô falando aqui do jeito que você tá contando, sabe? Como você contou, como me chega aqui. Só pra você olhar. E... Nomear essa relação. E nomear essa dor. Tudo bem se você sente dor porque o... Viúvo da tua amiga não quis se relacionar com você. Já senti essa dor muitas vezes também. Acontece.

Eu torço muito que você tenha carinho, colo, apoio pra lidar com ela. Tá bom? É isso, meu amor. E se você quer o meu Pitágoras na sua história, manda o teu e-mail aí, que eu converso contigo, tá certo? Bota aí nos grupos, manda pras amigas, manda pra todas as pessoas. Deixe a sua mensagem, seu coraçãozinho, sua torcida pra amiga aí, pra ela ficar super bem, tá bom? Um beijo e até o próximo episódio.