Episódios de Histórias D'Alma

Ep. 43 | Prisão de Ventre / Intestino Preso: causas emocionais que ninguém explica | Constelações familiares

07 de maio de 20266min
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Sofres de prisão de ventre, intestino preso ou obstipação? Neste episódio, vamos além do óbvio e exploramos o que o corpo tenta comunicar através da retenção. A obstipação intestinal afeta crianças e adultos, mas quando o problema se torna persistente, nem sempre a causa é apenas física. Muitas vezes, o intestino preso é o reflexo de uma vida interior que aprendeu a reter por medo, necessidade de controlo ou dificuldade em soltar o passado. Neste vídeo, a Susana de Oliveira mergulha na visão sistémica e emocional para explicar: - Por que o corpo aprende a "segurar" e a fechar-se por dentro; - A ligação profunda entre os três cérebros: Cabeça, Intestino e Coração; - Como traumas de infância e padrões familiares influenciam o teu trânsito intestinal; - A relação entre o medo da mudança e a dificuldade em evacuar. Se sentes que o teu corpo está a tentar dizer algo que a tua alma ainda não conseguiu processar, este espaço é para ti. Agenda uma sessão de acompanhamento: Se queres olhar para o que te impede de soltar algo na tua vida e transformar a tua relação com o teu corpo, agenda a tua sessão aqui: www.tidycal.com/susanadoliveira
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Participantes neste episódio1
S

Susana de Oliveira

Host
Assuntos5
  • Libertação e curaLargar o que não se precisa carregar · Superar lealdades invisíveis e crenças limitantes · Confiar e permitir o fluxo da vida · Escutar o corpo com ternura e confiança
  • Pressão emocional e estresseO corpo como mensageiro · Retenção emocional e medo de soltar · Influência de traumas de infância e padrões familiares · A ligação entre os três cérebros: cabeça, intestino e coração · A dificuldade em soltar o passado e o medo da mudança
  • Saúde intestinal e estilo de vidaRigidez, medo e escassez na família · Sobrevivência e contenção intergeracional · Retenção de emoções, mágoas e lutos não resolvidos
  • Mente versus cérebroCérebro da cabeça: controle e alerta · Cérebro do intestino: sentir e reter · Cérebro do coração: afetos e proteção
  • Depressao e ComportamentoPessoas que sentem muito e mostram pouco · Controle excessivo e dificuldade em pedir ajuda · Mulheres que cuidam e adiam suas necessidades
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Há histórias que não se contam, vivem dentro de nós. Bem-vinda, bem-vinda às Histórias da Alma, um espaço onde escutamos o que foi silenciado e tocamos a verdade que liberta. Eu sou a Susana de Oliveira e neste lugar damos voz à alma, ao amor e à cura. Se sentes que há algo por trás da tua história que quer ser escutado, este espaço é para ti.

E hoje vamos falar de prisão de ventre. E quero começar por dizer isto com muita delicadeza. Há corpos que não estão a falhar. Há corpos que estão a segurar demais. A prisão de ventre pode parecer só um tema do intestino, mas muitas vezes ela fala de algo muito profundo. Fala de uma vida interior que aprendeu a reter, de uma alma que ainda não se sente segura para largar.

E um coração que aprendeu a proteger-se de uma cabeça que não desliga e de um corpo que, cansado de aguentar, começa a fechar-se por dentro. E há uma imagem que pode ajudar a perceber isto. A prisão de ventre é como um rio que queria correr, mas foi ficando lento, pesado, contido, e a água continua lá. A vida continua lá. Mas algo bloqueou esse fluxo.

E esse bloqueio nem sempre começou no intestino. Muitas vezes começou muito antes, numa infância onde havia pouco espaço para sentir, numa casa onde era preciso ser forte, numa família onde chorar era incómodo, chateava todas as pessoas, não é? Num ambiente onde a criança aprendeu que era mais seguro engolir aquilo que sentia do que...

mandar para fora. E quando isto acontece o corpo aprende uma linguagem própria e a prisão do ventre pode tornar-se uma forma de dizer, eu ainda não consigo soltar. E na visão sistémica isto também pode ter muito a ver com o que veio antes de nós. Talvez na família tenha havido rigidez, talvez tenha havido medo, escassez, talvez alguém tenha vivido em modo de sobrevivência sempre a conter, a aguentar, a fechar-se para não desabar.

E aquilo que uma geração não conseguiu libertar, por vezes o corpo da geração seguinte, ele tenta carregar tudo isso. E a prisão do ventre fala muito da retenção, retenção do corpo, sim, mas também a retenção das emoções, de mágoas, de palavras, de lutos que não foram feitos.

de verdades que não foram faladas. É como se o corpo dissesse, se eu soltar, eu perco o controle. Se eu soltar algo em mim, desorganiza-se, desaba. Se eu soltar, já não sei quem sou sem esta defesa. E aqui vale a pena olhar para os três cérebros. O primeiro é o cérebro da cabeça. Ele pensa, calcula, viaja, controla. E quando vive em alerta, quer prever tudo. Ele não gosta nada de surpresas.

Não gosta de vulnerabilidade e está sempre a tentar impedir que algo corra mal. O segundo é o cérebro do intestino. Ele sente o que é demasiado, o que é pesado, o que precisa de sair. Ele sabe quando algo ficou preso. Ele sabe quando a vida já não está a circular com a leveza. O terceiro é o cérebro do coração. Ele guarda afetos, feridas, saudades, medo de perder, medo de confiar. E quando o coração teve de se proteger muitas vezes, também pode ensinar o corpo a fechar.

Então acontece isto. A cabeça controla, o intestino retém e o coração defende-se. E a pessoa fica no meio a tentar viver com tudo isso em simultâneo. Talvez por isso a prisão de ventre seja mais comum em pessoas que sentem muito, mas que mostram pouco.

Aquelas pessoas que controlam muito e tudo, mas que descansam um pouco, que seguram para não incomodar, que aguentam para não desabar e que não pedem ajuda com facilidade. Que cresceram com a sensação de que era preciso serem fortes cedo demais. E nas mulheres isso aparece muitas vezes de forma ainda mais marcada, porque muitas aprenderam desde cedo a ser as que cuidam.

as que suportam, as que mantêm tudo de pé, mulheres que engolem o cansaço, que adiam as próprias necessidades que continuam a servir, mesmo quando já estão completamente exaustas. Mas o corpo tem um limite. E quando já não consegue acompanhar o que a alma está a viver, ele começa a falar. E talvez o teu intestino esteja a pedir-te uma coisa muito simples e muito profunda em simultâneo.

Larga o que já não precisas de carregar. Talvez seja uma emoção antiga, ou uma culpa que nem sequer é tua. Talvez seja uma lealdade à dor de alguém da família, uma crença de que amar é suportar. Talvez seja a ideia de que descansar é sinal de fraqueza. Ou então, talvez seja um medo de deixar ir, porque em algum momento da vida, soltar significou perder.

E se isto existe desde criança, vale a pena olhar ainda com mais carinho, porque quando o sintoma vem de tão cedo, ele pode ter crescido contigo. Pode ter-se tornado uma espécie de companheiro silencioso, pode ter nascido num contexto onde não havia espaço para te exprimir, não havia liberdade, movimento ou então segurança emocional.

E não estamos para culpar ninguém, mas para compreender isto com verdade. Porque compreender também é uma forma de começar a libertar. Talvez a cura comece com uma pergunta muito simples. O que é que eu tenho segurado por medo de largar? Talvez a cura comece quando a cabeça descansa, quando o intestino voltar a confiar, quando o coração perceber que não precisa de estar sempre...

com as guardas levantadas, quando deixamos de ver o corpo como um inimigo e começamos a escutá-lo como um mensageiro, e o corpo, quando é ouvido, ele costuma pedir menos guerra e mais ternura, menos controlo e mais confiança, e menos rigidez e mais espaço.

E também menos pressa e mais cuidado. Porque, no fundo, a prisão de ventre pode ser isto. Um corpo que aprendeu a sobreviver segurando. E que agora talvez esteja pronto para aprender outra coisa. Aprender a fluir. A confiar. A soltar, sem medo, soltar os prisioneiros.

Se sentes que este tema tocou algo em ti e que há algo na tua vida que continua preso, talvez esteja o momento de olhar com mais cuidado para isso. Talvez o teu corpo esteja a pedir espaço para dizer o que ainda não foi dito. Talvez exista uma história, uma emoção ou uma lealdade invisível a impedir-te de soltares aquilo que já pesa demais na tua vida. Se quiseres, podes agendar uma sessão comigo para olharmos em conjunto para o que está a impedir-te de soltares algo na tua vida.

Às vezes nós só precisamos de um espaço seguro para ver com clareza aquilo que o corpo tem vindo a guardar em silêncio. Se conheces alguém que esteja nesta situação, que tem a prisão de ventre já há muito tempo, partilha este episódio e podemos em conjunto olhar para esta questão. Eu sou a Susana de Oliveira, beijinhos no teu coração.

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Susana de Oliveira

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