Episódio #20 - Eleições e o uso da Inteligência Artificial
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Alcides Peron
Caroline Tamassia
Renato Opice Blum
- IA em EleiçõesDesinformação em escala · Manipulação de opinião · Deepfakes · Regulamentação do TSE · Educação e tecnologia
- Desafios e Oportunidades da IAFalta de transparência · Amplificação da polarização · Ataques cibernéticos · Desigualdade tecnológica · Combate à desinformação
- Regulação de IAProibições do TSE · Inversão do ônus da prova · Rotulagem de conteúdo
- Modelos de IAGaitana na Colômbia · Ferramenta Tá Certo AI
Olá, está começando Futuramente, um podcast da CBN sobre como as novas tecnologias estão impactando a nossa vida. Esse podcast é apresentado por Marta Gabriel, futurista e especialista em inovação e tecnologia, e por mim, Carol Tamacia, jornalista aqui da Rádio CBN. Tudo bem, Marta?
Tudo ótimo, Carol. Vamos para mais um? Mais uma discussão importante. Bom, no dia 4 de outubro, nós brasileiros vamos às urnas para escolher presidente da República, governador do Estado, senador, deputado federal, deputado estadual. E hoje o nosso episódio é sobre o uso da inteligência artificial nas eleições, que acaba sendo uma das maiores preocupações do pleito. Hoje é possível a gente criar em poucos minutos um vídeo de um candidato dizendo algo que não disse, que nunca disse, uma gravação falsa de voz.
pedindo voto, enfim, milhares de mensagens personalizadas para cada eleitor. E por causa do impacto disso nas eleições, o TSE, que é o Tribunal Superior Eleitoral, atualizou agora em março as regras sobre o uso da IA durante a campanha. Marta, desde as últimas eleições presidenciais, em 2022, já havia uma preocupação com desinformação no debate eleitoral. Isso realmente não é novo.
Mas, em 2024, uma resolução do TSE estabelecia regras para o uso de IA durante a campanha. Mais de dois anos para cá, a gente sabe que as coisas mudaram muito. IA evoluiu nesses últimos dois anos. Então, agora, para essas eleições de 2026, quais são os principais pontos de atenção para o uso de IA?
Só para lembrar, 2022 não tinha IA generativa na mão de todo mundo. Já existia, na realidade, alguns deepfakes eram feitos, mas precisava de muito mais técnico, gente, mais técnica para fazer. Agora está na mão de todo mundo, a gente faz com o prompt milagre. Mas não tem só risco, Carol. Vou começar pelos riscos, porque é importante a gente pontuar o que pode acontecer. A gente está sentindo vários deles.
A primeira desinformação em escala, que são os deepfakes, e quando você começa a alterar a realidade, a percepção de realidade, é a palavra certa, fica muito difícil de você conseguir saber em quem confiar ou como confiar.
E aí o problema maior não é só a gente duvidar, é duvidar de tudo e não acreditar em nada e não saber o que é verdade. Esse é o problema principal. Depois, a gente tem manipulação de opinião. Isso é muito fácil de fazer. A gente já comentou em outros episódios aqui. Se você conhecer a personalidade das pessoas, e cada vez está mais fácil conhecer a personalidade das pessoas, mais fácil é você oferecer, alimentar com aquele...
aquele fragmento que consegue atingi-la, engajá-la da maneira que vai ser específico para ela. Então, manipulação de opinião, que é o micro-targeting, falta de transparência, estou falando com um IA, isso foi feito por um IA, ou é um humano que está falando comigo, é alguém que está falando comigo de verdade? Então, isso também é uma coisa que é muito difícil, porque a IA está cada vez mais difícil de distinguir de humano, saber se é IA ou não, tanto voz, quanto imagem, quanto texto.
amplificação da polarização, já que você consegue alimentar com determinados tipos de discurso, você consegue inflamar de maneira mais eficiente. Por isso que o pensamento crítico, hashtag fica a dica, vai ser fundamental nessa eleição. Ataques cibernéticos e automação, então, aí ajuda você a atacar bases de oponentes, minar informação falsa em determinados lugares.
Ou seja, ataque cibernético e desigualdade tecnológica. Candidato que tem mais e candidato que tem menos acesso ou maturidade para utilizar a IA. A gente sabe que em função da grana que você tem, o orçamento que você tem, você pode contratar pessoas mais especializadas ou não, né? E isso pode dar um desequilíbrio entre os candidatos. E para de ser justo o processo, né?
Mas tem oportunidades. Então, a gente tem todos esses riscos, que é um desafio enorme. Daqui a pouquinho nós vamos ter uma pessoa incrível falando com a gente sobre como a gente pode tentar minimizar esses problemas. Mas em oportunidade é melhor acesso à informação. Você consegue saber mais coisas utilizando a IA.
Combate a desinformação, porque da mesma forma que a gente tem a IA criando desinformação, a gente pode ter para combater, trazer fontes, comparar as fontes, etc., para as pessoas. E inclusão. Por que inclusão? Porque ela pode traduzir, colocar uma linguagem mais simplificada, traduzir para o seu tipo de interesse. Então, o que esse determinado plataforma política, ou o que esse candidato está falando, faz diferença para aquilo que...
É no meu dia a dia. Então ajuda as pessoas também trazendo para a sua realidade. Uma outra oportunidade, eu lembro na última eleição, que eu fiquei extremamente frustrada com os debates presidenciais. Por quê? O que a gente tem visto recorrentemente, acho que desde o início da história da humanidade, é um falando uma coisa, outro falando outra, citando fatos que a gente não tem como verificar naquele momento.
Uma esperança que eu tenho para essa eleição é que, como a gente tem uma evolução muito mais rápida da IA, tem muito mais dados, que conforme existam os debates, exista uma verificação em tempo real. Ou minimamente próximo do tempo real. Alguém falou alguma informação do tipo...
no meu mandato anterior, eu fiz isso, isso, isso, a favor de não sei o quê. Que nem o VAR, o VAR para o jogo ali, vamos verificar, isso é verdade? Onde estão os números que falam isso? Dá para fazer isso com a IA. Ou aquilo que você tem de intenção, porque você juntou, isso é possível de fazer ou não? Dá para hoje a gente mais, não dá 100%, mas muito mais.
profundamente fazer essas verificações e isso ajuda o eleitor, porque se você não tem essas informações, é um atacando o outro, falando o que o outro faz ou não faz, o que eu fiz e contando glórias. Dessa maneira, a gente consegue ter uma coisa muito mais crítica para que a gente possa tomar decisão.
Bom, então a gente vai receber agora uma pessoa aqui muito especial para ajudar na nossa discussão sobre A nas eleições, que é Renato Opsi Blum, professor de Direito Digital da SPM. Professor, seja bem-vindo ao Futuramente. É muito bom ter você com a gente aqui. Muito obrigado, é um prazer. Aliás, parabéns pelo podcast. Vocês duas estão arrasando. Ah, obrigada. Obrigada. Professor, vamos começar falando dessa atualização que o Tribunal Superior Eleitoral fez com o uso de A nessa campanha de 2026. Quais são as principais mudanças?
Coisa interessante que a gente tem, às vezes a gente não imagina, mas o sistema judiciário brasileiro evolui bastante. Se a gente comparar com outros países, é um sistema que se adapta rapidamente à evolução tecnológica. Claro que a gente tem algumas decisões que são mais pitorescas, diferentes, mas no geral vai muito bem. Queria deixar esse ponto aqui e fazer esse elogio. Na parte das eleições, aí nós temos uma dinâmica diferente do judiciário tradicional.
Então, o que acontece quando nós falamos na regulamentação de eleições? Nós temos o TSE, Tribunal Superior Eleitoral, que emite as suas resoluções que têm força de lei, como se fosse uma lei. O TMI-A começou a ser discutido em uma resolução em 2024 e agora foi atualizada na mais recente.
Em 2024, quando isso tudo começou, até a Marta já apontou, nós já tínhamos a possibilidade de ter contato com muitas situações irreais, os chamados deepfakes. Mas, por N motivos, não tivemos tanta intensidade assim. Há uma discussão hoje em que se espera, provavelmente, nessas eleições, um número bem maior desses chamados deepfakes. Mas aqui eu quero deixar também um contraponto, que está acontecendo comigo.
Eu hoje, eu tendo, quando eu identifico, e é uma questão curiosa que você colocou, né, Marta? Eu tendo a não querer um conteúdo artificial. Eu quero um conteúdo mais natural, mais espontâneo, etc. É nos próprios vídeos que a gente faz, se a gente faz mais espontaneamente. Aquele vídeo preparado, etc. Porém, essa é a percepção aqui do Renato. O que a sociedade espera e qual o impacto disso?
Essa dúvida, quando nós temos essa dúvida, e a gente não sabe se haverá indução de comportamento, sugestão de voto, fake news, ou uma interpretação de um lado ou de outro por parte da sociedade, o que acontece nessas situações? Aí o direito vem e tenta minimizar, regular ou organizar esse tipo de situação. Então acontece muito na educação.
Me perguntam, Renato, o que a gente faz com a IA? O que tem que fazer? Qual é o principal ponto? Eu digo, a educação tem que ser obrigatória para a tecnologia. Que é mais ou menos o que vocês fazem aqui hoje.
Então, qual é esse impacto? Não sabemos, o TSE vem e diz, olha, eu estou colocando aqui algumas regras, algumas coisas serão proibidas, não vai dar para fazer e ponto final. Outras nós vamos organizar em certas situações, por exemplo, nas 72 horas antes da finalização e do início das eleições, não poderá ser usado nada envolvendo inteligência artificial, ninguém vai poder fazer isso. Aí vem a pergunta, mas...
Dá para fiscalizar todo mundo? Claro que não, mas dá para usar a IA também para fiscalizar, que é um outro ponto curioso. Qualquer discussão que a gente começa hoje em sala de aula, inclusive eu digo, temos que usar a IA. A IA tem que estar aqui do nosso lado, como está aqui do meu lado nesse momento aqui agora, trazendo pontos em tempo real. Então, bullets, feedbacks em tempo real. Então, essa agregação de conteúdo que a gente começa a trazer o efeito prático.
Teremos nessas eleições um uso mais intenso de ferramentas já? Minha opinião, sim. E é legal a gente pontuar que não está proibido IA nas eleições. É uma coisa que pode ser usada, mas tem que ter todo esse contexto e aonde ela pode ser usada ou não. Vou provocar a Carol aqui. Tem uma coisa que está proibidíssima.
o que está muito proibido, mais proibido do que nunca, são os deepfakes. Então aquilo que retrata uma situação irreal, desinformação, fake news, etc., isso está proibido. Aí pode vir a questão, mas Renato, o que é fake news, o que é deepfake? Gosto muito da definição do Milton Jung, aquilo que é falso na notícia. É claro que a parte casuística do contexto...
vai ser tratada caso a caso. Ah, mas Renato, vai demorar, o tribunal demora, etc. Na parte eleitoral, não, nós falamos em horas, não em dias. As decisões são proferidas em horas, é tudo muito rápido. Existem protocolos com as aplicações para remoção e edição de conteúdo da mesma forma. Então não dá para fazer tudo, claro, mas muito dá para fazer.
E, havendo o desrespeito daquilo que está regulado, nós temos aí previsão também de várias sanções, até a cassação da candidatura e da aplicação de multas, etc. Inclusive para pessoas físicas também que façam isso dolosamente, de propósito.
E aí vem uma questão polêmica dessa resolução, talvez seja o ponto mais curioso, que até discuto bastante em aula isso, e confesso que me traz uma certa dúvida, uma certa, não, muitas dúvidas, que existe a proibição de que haja sugestão de voto ou indução de comportamentos nas ferramentas. Então, na prática, o eleitor vai lá e pergunta em quem eu devo votar, usando alguma ferramenta de A. Eu não posso ter resposta dizendo você vai votar nesse ou naquele candidato.
nesse ou naquele partido, nessa ou naquela sigla. Isso está proibido.
Mas, Renato, como é que eu vou proibir? Como é que as ferramentas vão fazer isso? Vão mudar os algoritmos nela? E aí tem questões interessantes, né, Carol? E aí a gente tem que separar. E se eu tenho uma ferramenta que foi personalizada? Então a gente tem essas opções. Olha, me dê as respostas, como eu sendo um profissional da área do direito digital, por exemplo, que dou aula, gosto desse assunto, tenho tantos anos de formato, faço isso, aquilo, etc. A ferramenta vai personalizar.
Esse é um ponto. Dependendo da personalização, eu posso ter, eventualmente, uma sugestão de voto. Sem entrar na questão do que é ou do que não é. São outros 500 efetivamente. Esse é um ponto sensível, interpretativo. Agora, tem uma outra questão.
que envolve a própria característica dos modelos, dos LLMs. Já existem situações no mundo hoje em que são incorporados em textos certos comandos, e aí sim, no aprendizado de máquina ou na busca, ou no treinamento dos modelos.
Aquele modelo pega aquilo que achou na internet, para ficar fácil, estou sendo muito técnico aqui, aquilo que achou na internet, pega um texto sobre alguma questão e dentro daquele texto está embutido disfarçadamente um tópicozinho que vai impactar na personalização. Então vai dizer o seguinte, olha, eu sou o Renato, o Renato gosta mais da cor azul, por exemplo.
Então, quando o Renato for lá e perguntar, pode me sugerir uma cor? O sistema vem e sugere azul, porque está na minha personalização. Então, aí é uma questão que já começa a acontecer, eu vendo a redução de comportamento em marcas, em produtos, serviços, etc., em que a gente não percebe.
E não é a ferramenta em si também que está fazendo essa sugestão, mas aí fica aquela pergunta, o que a ferramenta pode fazer para impedir isso? E aqui tem aquela questão, é um exemplo que eu gosto muito de dar. Imagina aqui o nosso cérebro, tendo o cérebro, o cérebro nosso, a gente não consegue controlar. A gente controla em volta. Então, Renato, você não pode falar isso. Não posso falar isso. Você não pode ver isso. Mas aqui dentro eu não mexo.
Então, aqui dentro a gente tem o modelo, os LLM, e aqui dentro a gente tem os sistemas, que é como diz a lei, como dizem o nosso projeto de lei, a lei europeia. Então, aqui eu bloqueio, mas aqui dentro não, e a gente não sabe o que ele vai, entre aspas, bem entre aspas, alucinar. E aí eu tenho que fazer isso a partir dos resultados que isso acontece. Então, essa proibição vai gerar muita polêmica.
E já aproveitando, eu sei que eu falo demais aqui, já peço, né? A Carol está acostumada a cortar. A gente quer que você fale. Não, não, não. Você veio para isso. Então, vamos lá. Tem uma outra questão interessante, que provavelmente vai ser uma pergunta de vocês. Tá, Renato, como é que eu vou provar que aquele conteúdo é IA?
que é uma grande dificuldade. Hoje a gente não tem uma ferramenta que... E pelo contrário, se eu humanizar demais, cada vez fica mais difícil. O que eu tenho é uma possibilidade maior das próprias ferramentas identificarem, se o conteúdo tiver sido gerado pela ferramenta, que aquilo pode ser artificial.
Então, nesse caso, e olha que interessante como é o direito, o que o TSE definiu. Olha, quando fica muito difícil de fazer essa prova, e realmente é uma prova difícil, o tribunal, o juiz, pode inverter esse ônus da prova, dizer, olha, não é o sujeito que está reclamando que vai dizer QIA. É quem fez. É quem fez. E aí, quem fez pode dizer, mas não foi eu que fiz.
Então aí a gente começa na questão da prova efetiva, é mais um desafio que a IA traz para nós aqui também. Mesma coisa, 72 horas antes, como é que eu vou impedir a disseminação daquele conteúdo? Impulsionamento fake, não posso ter, isso já está previsto na própria lei como um todo. Enfim, são situações em que a gente traz novidades e talvez a principal delas, não a polêmica, mas a principal, e eu acho muito importante isso, já que eu falei de educação, a questão da obrigatoriedade da rotulação.
que é um desejo meu que eu tenho também no meu dia a dia. Então, eu quero saber se aquele conteúdo é artificial ou é natural. O tribunal diz, no caso das eleições, se for artificial, eu tenho que escrever de alguma forma, identificar que aquilo é artificial. E eu acho positivo. Mas, Renato, se não tiver e alguém criou aquele conteúdo, eu posso ter uma sanção. Se aquilo tiver sido feito pela sigla, pelo partido, pelo candidato, é pior.
Se tivesse sido feito pela pessoa física, vou ter sanção, mas é menor. Então, essa que era uma das questões que eu queria pensar aqui junto. Ok, os partidos imaginam que sigam todas as regras, mas a gente sabe que tem uma polarização enorme e que as pessoas...
que são fãs ou que têm algum tipo de direcionamento, também podem usar essas ferramentas. Então, tudo isso está sendo determinado e pode ser seguido pelos partidos. E se não for usado pelos restantes? Foi o que aconteceu em outras eleições. A gente tem os partidários, os que gostam daquilo e começam a utilizar. Não fica uma terra de ninguém.
Porque imagina todo mundo fazendo deepfake da situação oposta, colocando palavra na boca do outro candidato ou do próprio candidato que você gostaria que ele falasse. No caso aqui da rotulação, meu celular faz isso, né? Ele rotula todas as imagens que você faz uma mexida. Eu não gosto de gente nas minhas fotos, tá, gente? Quando eu viajo, eu tiro as pessoas que estão em volta. Mas ele rotula ali. Essa foi manipulada por IAE e é muito legal até pra gente lembrar disso.
O que você acha? A gente está ainda começando essa esteira do que vai acontecer. O teu exemplo, Marta, você falou que a ferramenta rotula. Então a gente tem um rótulo de fogo, vamos chamar assim, por padrão. Quem faz isso? É um código, um algoritmo da ferramenta. Então as ferramentas já têm essa obrigação adicional de fazer o que for possível para rotular aquilo mesmo que elas já fazem e já é algo padrão que acontece.
O que pode acontecer? É quando eu altero e uso uma ferramenta que não tem esse recurso ou eu edito, modifico, modifico esse recurso e tiro aquilo ali. Aí eu começo a entrar na ilicitude do ato. Então é uma primeira questão. Outra colocação que você fez, as pessoas podem fazer isso? Eu acho que muita gente vai fazer isso. E aí tem a questão do dolo, fazer de propósito, e a questão da culpa. Eu fiz, mas não sabia, só repostei, não sabia que aquilo era IA.
Então, se você não teve culpa, você não vai ter a responsabilidade. Mas quem é que poderia nos ajudar efetivamente se a gente tiver esse volume doloso, ocuposo, enfim, esse volume gigantesco de disseminação de conteúdos feitos por IA, sem o rótulo e pior.
imaginando ainda se esse conteúdo for irreal ou falso ou fake, etc. Quem que pode nos ajudar com relação a isso? Eu não tenho como controlar milhões de eleitores que vão usar isso. Então aí a resposta vem para as aplicações, para as ferramentas, para os desenvolvedores, para esses operadores. Eles têm um botãozinho mágico, na verdade é acesso algoritmico ao algoritmo.
que podem fazer certas camadas, proteções, edições, e minimizar esse tipo de consequência. E aí a legislação traz também essa responsabilidade. As plataformas são acionadas para poder... Exato, plataformas são acionadas. Esse é o tópico, Carol, foi bem ao ponto. As plataformas serão acionadas, serão obrigadas, o juiz vai determinar, olha...
faça alguma coisa nesse ponto aqui. E a partir de agora você sabe que esse conteúdo é um conteúdo ilegal dentro da resolução. Tem uma coisa interessante, uma aplicação, um app que ganhou o prêmio de três garotos brasileiros e estudantes que fizeram, até foi apresentado agora na Conferência Brasil em Harvard.
que chama Tá Certo AI. Tá Certo AI, na realidade, né? Tá Certo AI. O que faz? Não verifica se foi feito por AI ou não, mas o que eu achei interessante, tem várias ferramentas por aí. Essa daqui é dentro do WhatsApp, que é onde o pessoal mais é facinho de compartilhar.
E essa ferramenta, ela verifica fontes. Que é o que a gente faz, mas dá trabalho. E a gente acaba não fazendo. Quando não interessa, deixa aquele negócio ali. Mas muita gente passa sem verificar. Então, quando você recebe uma informação, tal pessoa falou tal coisa, ou então tal lei foi aprovada, você não sabe. O que você faz? Essa ferramenta ali no ambiente natural, tirando atrito, você não precisa sair de lá para verificar, ela vai e procura todos os lugares que têm fonte daquilo para dar um veredito de qual a probabilidade de aquilo ser certo ou não.
Eu achei bem... E você vê como, às vezes, soluções simples, mas pensadas num problema específico, e que tiram atrito, elas acabam facilitando para que as pessoas também busquem saber se está certo ou não, se aquilo é verdade ou não, antes de dar continuidade ao processo. Acho que isso é um ponto importante que a Marta toca, porque a campanha eleitoral aqui no Brasil, ela acontece muito no WhatsApp, né? Mais do que nas peças. O principal, né? Exatamente. E como é que fica a fiscalização nesses grupos fechados? É.
Olha que interessante aqui, a minha ferramenta discutativa aqui, ela identificou, a Marta falando, o tá certo aí. E disse o que é, ó, importante notar que conforme a discussão, o tá certo aí se concentra na verificação de fontes e na combate à desinformação. Explica pra gente essa ferramenta que você tá usando aí, professor.
Essa aqui, o nome dela é Twin Mind. Twin, de gêmeos. Vou colocar uma das dicas dele já aqui. Ela traz conteúdos em tempo real, ela profunda. É o que eu imagino que a IA vai trazer com a gente em tempo real. A gente vai ter mais trabalho e mais profundidade. Mas, Carol, você tinha me feito uma colocação. Eu falei do WhatsApp. O WhatsApp acho que vai ser uma das principais ferramentas aqui. Circula entre grupos fechados. Como é que fica a fiscalização nesse ponto?
Então esse tem um ponto bem importante, porque a parte da comunicação privada, então nós três aqui criamos um grupo, vamos criar um grupo aqui do podcast, e começamos a discutir essas questões. E alguém, sem querer, coloca ali algo na cunha, enfim, etc. E alguém faz uma denúncia, imagina, Marta, Carol, Renato fizeram isso, estão lá no CBN, etc, enfim.
O tribunal, essa resolução 23.610, tem escopo dentro de grupos de comunicação? Então o que diz a resolução? Comunicações privadas são comunicações privadas. Ali eu não interfiro. A não ser que eu precise quebrar aquela comunicação privada, ter uma ordem judicial para isso, mas ali eu não interfiro.
Tá bom, então eu entendi que nesse contexto, grupo de família, grupo de amigos, etc., aquilo é fechado, vai continuar fechado. Mas e se eu faço aqueles grupos? Olha, tá aqui o link, acesse o link e venha debater, ou seja, qualquer um pode entrar. Esse grupo é um grupo privado ou é um grupo aberto? Telegram sempre fez muito isso, tá sendo muito combatido na Rússia, especialmente. No Brasil também, nas questões de direitos autorais, etc. Então, quando eu tenho esses grupos abertos de caráter...
não privado, então todo mundo pode entrar e a discussão é mais ampla, aí eu entendo que sim, a resolução pode abranger também esses grupos. Mas vai depender da característica de cada um, porque realmente é difícil, né Carol? Gente, nas últimas eleições, lembra, pessoal, no Natal se separou por completo depois das eleições, né? Por causa das brigas que davam no grupo do WhatsApp, meu Deus.
Mas eu fiquei com uma dúvida. Continua andando. Esse Natal de 2026 vai ser cada um na sua casa também. Vai ser memorável. Bom, uma dúvida que eu fiquei assim. O Tribunal Superior Eleitoral e os tribunais regionais, eles não são órgãos reguladores digitais, propriamente dito. Então, eles cuidam de tudo que é relativo à eleição. Você acha que esses órgãos, então, dão conta de fiscalizar e dar decisões rápidas sobre conteúdos manipulados, essas coisas que estão vindo à tona?
E que a fiscalização, Carol, ela é... Nossa, eu lembro daquela... Lembro daquela situação que a gente teve econômica no Brasil, em que nós éramos o fiscal... Acho que era do Sarney, né? Isso, isso. Eu não lembro de quem que era, mas o povo era o fiscal de tudo. A gente vai ficando mais pendiente, não é? A gente vai lembrando das coisas lá de trás, enfim. Mas é mais ou menos isso. Eu quero usar esse paralelo aqui.
Então, aquelas pessoas que identificarem esses ilícitos, então, olha, recebi aqui um conteúdo envolvendo a eleição, está sem rótulo. Elas podem denunciar junto ao TSE, junto aos TRS. Legal, é um crowdsourcing, né? Um crowdsourcing de denúncias. Ou seja, tudo que você viu, você vai e você... É, e eu vou ter provavelmente bots usando o IAC e vamos provavelmente fazer isso. Eu acho que alguns partidos já estão trabalhando nessa linha, acredito eu.
para desenvolver a própria IA, para que a IA faça, entre aspas, essa primeira fiscalização, verificação, enfim, esse crown aqui, enfim. E a partir daí traga com a própria IA esses resultados com interpretações inteligentes, isso aqui é jurídico, envolve uma questão lícita ou ilícita, e a partir daí facilite uma denúncia.
Então, qualquer pessoa pode fazer essa denúncia, junto aos TRS e ao próprio TSE. Então, seremos fiscais também. Além do Ministério Público, que faz isso também rotineiramente. E outras situações também que os próprios partidos e candidatos farão, um contra o outro e daí por diante. Então, não dá, Carol, para fiscalizar tudo. Realmente não dá. Mas uma boa parte, talvez os mais relevantes, usando a própria IA, isso será objeto de discussões jurídicas. As coisas que viralizam muito, de repente. Exato.
E é um problema, porque o que me preocupa, não necessariamente a fiscalização, isso é que está no nível de um pensamento crítico, quem está pensando no que pode estar errado. O problema maior que eu acho é de quem está consumindo aquilo que...
quer ouvir e quer que seja daquela maneira. Então, o ano passado, a palavra do ano de 2025, o dicionário de Oxford, foi rage bait, que é você fazer isca de raiva, que é você deixar a pessoa num grau de engajamento.
Do ano anterior foi brain rot, que é apodrecimento do cérebro por causa dos conteúdos que a gente acaba... Então, o que falta aqui, o Renato falou isso no começo da participação dele, que é o ingrediente educação. Então, talvez durante essas eleições...
mais veículos ajudarem na educação, na manipulação, explicar como ela acontece, o que são os vieses cognitivos, os vieses de confirmação, que faz com que você só veja aquilo que interessa para você e despreze as informações contrárias. Talvez isso seja fundamental para que a gente consiga acionar esse dispositivo que o Renato está falando das pessoas se tornarem, o povo virar fiscal da eleição, porque precisa de um pouco de pensamento mais crítico com relação ao assunto.
Outra coisa também importante da gente falar aqui são dos robôs e perfis automatizados que fazem os assuntos crescerem e viralizar. Às vezes parece que é de uma pessoa, aquela conta e tal, e na verdade é um robô fazendo uso disso.
E aí, está até aqui na minha colinha, o item número 4. Proibição de chatbots que simulem interação humana com candidatos. Então temos mais essa proibição também, o que não deixa de ser uma emulação artificial de algo que não existe, mas que pode parecer que exista. E que é difícil de identificar para o eleitor, às vezes, para a pessoa que está vendo.
Eu acho que esse é o grande ponto, né, Carol? Você citou a questão dos grupos de WhatsApp com vídeos, imagens, comunicações. E para o leigo fica realmente muito complicado. Então a gente tem que proteger, eu poderia até falar uma parte da população, mas acho que todos nós temos que achar um caminho para isso. Porque nós queremos receber uma informação.
pura, natural, não que induza, nem que seja tão artificial nesse ponto. E não é que há uma proibição do uso de ar. Não, isso está autorizado, está regulamentado, desde que o conteúdo seja verídico, desde que haja essa rotulagem. Mas, Carol, é um super desafio. E um desafio, inclusive, muito relevante para peritos que vão trabalhar com tecnologia. Eu separei até para fazer uma aula especial, ainda não deu tempo de fazer essa aula, mas eu vou fazer.
de um caso que foi decidido em 2024, em que a perícia foi feita, se não me engano, num caso de Santa Catarina, em que a perícia foi inconclusiva com relação à voz. Houve uma fake news de áudio de voz e o período não conseguiu identificar ou demonstrar que aquilo era artificial ou não. E aí, quando nós temos um laudo inconclusivo, nós não temos como avançar. Então, na dúvida, principalmente no direito penal, em dúvida...
pro réu nesse caso, porque a gente não conseguiu trazer essa evidência. Então, é mais um desafio adicional, mas também mais um campo profissional importante desses peritos forenses digitais para eleições envolvendo essas ferramentas de ar.
Só para a gente ver como a tecnologia muda, até como você consegue avaliar a prova ou determina direcionamentos, quando o DNA começou a ser possível, rapidamente barateou o processo de você verificar de DNA, nos Estados Unidos eles fizeram uma repescagem de um monte de casos que foram pessoas condenadas por testemunha ocular. Viu aquilo, né?
E aí uma boa parte dessas testemunhas que a pessoa viu, na realidade, por DNA, mostrou que não era aquela pessoa quando foi possível fazer os testes de DNA. Então a tecnologia também vai ajudando conforme ela é utilizada de maneira adequada.
a tirar vieses que a gente tinha. Porque a gente tem viés de memória, especialmente quando a gente vê grupos que são muito diferentes do que a gente. Isso acontece com orientais, a gente não consegue distinguir direito, eles não conseguem distinguir a gente direito, e isso dificulta, quando você tem a tecnologia, e isso elimina esse processo. Então a gente começa a ter... A IA provavelmente vai ajudar em vários desses caminhos aqui, além de ela trazer os desafios também.
que é até uma dica que eu dou aqui. Ah, mas como é que eu identifico se aquilo é IA, é artificial, ou se é falso? Usando mais as ferramentas de IA ainda. Então, usem outras ferramentas, mudem os prompts. Aliás, uma dica anterior de mudar os prompts. Prompt é aquilo que a gente escreve quando a gente pergunta alguma coisa, ou fala. Eu uso muito as ferramentas por voz e por vídeo.
Mas tem uma dica interessante. Quando a gente repete o prompt, então aquilo que nós escrevemos, isto aqui é natural ou artificial? Colocamos aquele vídeo e vem ou não vem a resposta. Quando a gente repete o prompt, nós afinamos a resposta, nós melhoramos a chance de ter uma resposta não alucinada, vamos dizer assim. Então é importante isso. Usar mais ferramentas e, acima de tudo, na dúvida, o Google também.
Continua sendo e é uma fonte muito relevante. Até mais assertiva e efetiva também. Então, se eu pudesse dar uma dica aqui para todos, hoje, olha, nós vamos ter mais trabalho mesmo. Você vê aquele conteúdo no WhatsApp, no grupo. Vamos pesquisar sobre aquele conteúdo usando ferramentas de ar. O próprio WhatsApp tem essa ferramenta embutida. E vamos no próprio Google também. E lembrei também que nós temos as ferramentas também de checagem de conteúdo. Não de ar, mas com relação ao conteúdo.
Na prática, olha só quanto trabalho a gente vai ter. Então, isso também é uma discussão com relação à produtividade. Eu uso bastante, porque eu escrevo livro, faço. Na realidade, você aumenta a riqueza da informação, mas o trabalho é muito maior. Porque quando vem aquela... Você está fazendo alguma coisa que você tem na sua cabeça, o que você vai escrever, você vai pesquisar a fonte, não sei o quê. Quando você usa a IA...
ela traz muito mais coisa do que era aquilo que você estava pedindo. E você tem que analisar se aquilo faz sentido ou não para cada coisa que você está trabalhando. No fim, você gasta... Tudo bem, fica mais profundo, porque você acaba trazendo algum elemento que você não tinha pensado antes. Mas dá um trabalho do caramba. Você fica lá... Uma coisa também que é interessante, não sei se vocês já perceberam isso, esse atrito intelectual.
que vem de coisas que eu não estava prevendo ali, ela trouxe, e eu tenho que analisar junto com o que eu estou fazendo, também coloca o nosso cérebro num outro patamar cognitivo. Você começa a pensar de maneiras diferentes. Então, discutindo produtividade e riqueza, eu acho que no meu caso específico não está trazendo produtividade. Quando a gente for fazer, inclusive, a verificação, é mais trabalho, porque agora tem muito mais coisa que pode ser falsa.
Mas a riqueza do que você obtém quando você faz essa verificação é muito grande, porque você sai, inclusive, entendendo melhor aquilo que você está analisando ali. Então, se você vai checar se aquilo que o cara está falando é verdadeiro ou falso, se aquilo que está vindo na informação é verdadeiro ou falso, você vai ter que estudar tudo que está relacionado com aquilo. Então, realmente, a gente acaba tendo um atrito intelectual que eleva o nosso patamar de pensamento.
É que muitas vezes também as pessoas acabam recorrendo a IA pra simplificar as coisas. Então, sei lá, eu pergunto pra IA o que eu vou comer, que não sei o que, que eu vou votar. Fica na mesma lógica ali. Só que a eleição vota é uma coisa muito diferente. Você tem que...
Realmente estudar aquilo. É de novo saber perguntar, né, Carol? Aquilo que a gente está falando. Quanto mais contexto, o Renato está falando da alucinação. Quanto mais contexto você der, mais difícil fica para ela alucinar. Se você pedir fonte, fica mais difícil para ela alucinar. Porque ela vai ter que trazer as fontes. A outra coisa, você perguntar para a IA o que fazer, é o uso mais...
horrível da IA. O ideal é você discutir com a IA as possibilidades de caminhos. Então, ninguém decide, pensa no processo de um ser humano, você não decide em quem votar de uma hora para outra, você analisa várias questões, você avalia o histórico daquela pessoa, se é coerente aquela pessoa naquele partido, aquilo que ela está falando, como ela está falando. Então, a gente tem um processo. A IA pode fazer isso muito mais rápido para a gente. Se você pedir fonte,
e trouxer para entender o que está acontecendo, você que decide. E não ela que decide para você. Ela não precisa nem dar sugestão. Basta ela trazer as informações que a gente quer, porque às vezes a gente não tem. Eu não sei, por exemplo, quem é o candidato que mais focou nas coisas que eu acho importante, que seria educação, algumas coisas de infraestrutura. Sei lá. A gente tem um monte de informação esparramada, tem um monte de lei que a gente não entende.
Se você usar e começar a discutir um pouquinho, você começa a estar muito mais embasado, vai, para tomar uma decisão.
Professora, e quais são, assim, a gente tá falando disso, das dicas, né? E os sinais de alerta que uma pessoa tem que ter quando ela recebe um conteúdo, assim, o que que... Bom, Carol, vamos tentar trazer aqui algumas questões do dia a dia, pra simplificar um pouquinho. Então, tudo que é muito exagerado. Então, vamos começar exagerado. Ferramenta, tem certeza?
vai responder, ferramenta tem certeza? vai responder, ferramenta tem certeza? falei três vezes de propósito, estou repetindo o prompt aqui para tentar afinar a resposta estou estressando aqui a ferramenta então, aquilo é diferente é exagerado, desconfie olha, mas eu quero ter realmente certeza, estou recebendo muito isso no grupo, isso o pessoal está criticando, está inflamando, etc vamos para a segunda ferramenta vamos para a terceira ferramenta a maior parte delas são ferramentas gratuitas hoje vamos fazer aquele exercício então, vamos fazer aquele exercício
Vamos pesquisar no Google, vamos para as ferramentas de checagem para ver conteúdo. Isso se não tiver rotulado. Então tem esse primeiro ponto para eu identificar se eu não estou sendo induzido a erro. É exagerado.
Mas Renato, veio um vídeo tão bom para mim, interessante, o sujeito inventou a fórmula para resolver a falta de água em São Paulo, ou no Brasil, enfim, etc. Porque existe uma fórmula mágica que produz água junto com as nuvens, etc. Isso o custo é zero, enfim, etc. É algo fora do padrão, é algo que desconfia, então é um exemplo prático.
Mas Renato, tem um candidato aqui discutindo problemas de segurança pública, que é um problema que todo mundo tem. É uma discussão natural, discussão normal. Está colocando aqui pontos de como eu diminuo, por exemplo, a letariedade, a violência, festas, bebidas alcoólicas, drogas, etc. Isso está sendo padrão.
Ah, mas alguém veio e descobriu, por exemplo, tem essa pílula aqui que a pessoa toma e a partir daí ela vai ficar sempre no estado de felicidade, etc. E está tudo certo. Isso é mentira. Então, desconfie daquilo que é diferente. Primeiro, use as ferramentas de checagem.
usem, pesquisem usando as ferramentas, estou estressando aqui para fixar bastante mesmo, e tem uma outra questão fundamental, eu acho que isso aqui faz a diferença. Nós temos hoje as ferramentas, não, os veículos jornalísticos que tem CNPJ, vamos chamar CBN, por exemplo, é uma delas. Então está aqui, Carol, jornalista, ela é...
uma profissional que vai fazer uma matéria, que vai conduzir aqui um podcast, que tem responsabilidade. Se eu falar uma coisa errada, sabem me procurar. Sabem onde encontrar. Sabem onde processar. Sabem onde processar, inclusive na pessoa física. Então, isso ajuda também um pouquinho a trazer mais credibilidade. Mas o fato é, Carol e Marta, nós temos hoje um problema. Um problema muito sério, que é a questão do conceito de tempo, que vocês tratam aqui em todos os podcasts. O tempo está diferente.
Está vindo tudo muito rápido, tudo que parece ser muito legal, e isso induz o nosso comportamento. Então a gente vai chegar no momento, que eu não sei qual é o tempo, que a gente vai ter uma quebra desse comportamento. Pode ser que até chegar lá a gente sinta... Sinta não, a gente tenha algumas dores importantes em cima disso. A gente não tem uma solução específica para isso.
O que que quando me perguntam, falam, então, Renato, vai, de novo, mas fala alguma coisa para me ajudar. Então eu volto na educação. Mas que tipo de educação? Quando vem essa dúvida, eu falo, bom, tenho várias situações, eu posso fazer uma pós-graduação, um curso simples, posso pesquisar ali, aqui, etc. Isso está tudo muito jogado hoje.
Então, na minha visão, falta a gente ter, por lei, um direcionamento específico. O MEC já está trabalhando nisso, a gente tem uma lei de 2023 que está sendo regulamentada, muito em breve a gente vai melhorar esse cenário também. Temos a parte jurídica, em breve, ao que tudo indica, nesse semestre.
Aqui é um chute, um palpite. O Brasil aprove o seu marco regulatório de IA. Nós vamos ter uma série de regras profundas, específicas, setoriais. Isso é muito positivo. A lei vai ser de princípios, com regras setoriais e com o regulador nacional residual, que é o NPD. O NPD vai ser a super agência que a gente tem, a Reguleca Digital.
regula a produção de dados, agora vai regular a IA também. Isso também ajuda. Quando a gente tem a legislação e o debate legislativo, isso traz atenção. Olha, se eu falar isso aqui, eu posso ir preso? Se eu falar, se eu repostar isso aqui, eu posso ser condenado, ter que pagar alguma coisa? Eu lembro quando saiu isso uns quatro anos atrás, quatro ou cinco anos atrás, essa é a primeira decisão.
Tribunal de Justiça de São Paulo, dizendo que os administradores de grupos de WhatsApp também podem ser responsabilizados se acontecer alguma ilegalidade ali dentro e eles não agirem a partir do conhecimento. E essa é uma responsabilidade prevista na lei. Quando a gente coloca isso, nossa, então eu vou deixar de ser administrador. Eu vou colocar todo mundo administrador que vai todo mundo ser responsável. E pode acontecer efetivamente. Aí uma dica final que eu trago, do direito.
muito cuidado com aquilo que a gente reposta e com aquilo que a gente posta também. Ah, mas eu não sou influenciador. Às vezes eu escuto isso. Eu falei, quem garante que você não é influenciador? Você pode ter um seguidor. Você posta para aquele seguidor, que posta para um outro que tem milhões de seguidores, pronto. Acabou, a gente não tem como prever isso. Às vezes um post, isso a gente fala, nossa, Renato e eu temos história já desde lá de trás, do início da história da internet lá.
E às vezes um post que é mais sensacionalista, de uma pessoa que tem três seguidores, um desses três seguidores é alguém que tem uma rede maior, o alcance é sua rede, não é só quem te segue, é gigantesca se você tiver essa propagação. Então, qual é a origem daquilo, tem responsabilidade.
Marta, Carol, eu estava pensando aqui, enquanto você falava, eu estou vendo aqui que existe hoje um cenário muito interessante para os candidatos que queiram seguir a lei. Dizer, olha, esse conteúdo meu realmente eu fiz cunhar. Ser bem transparente nesse cenário caótico.
Isso aqui eu fiz cuia, porque eu achei que ficava mais legal, mais interessante, etc. Então, ser bem honesto, acho que isso vai fazer a diferença, pensando aqui. E uma segunda questão, que pode ser muito interessante para as eleições.
Nesse momento, nós temos na popularização das ferramentas de IA a possibilidade para qualquer pessoa pedir, me traga aqui quais são os candidatos que se encaixam nesse perfil. E a pessoa coloca ali quatro, cinco itens que ela acha que são itens importantes para ela.
Isso está dentro da lei, a ferramenta vem atrás. Olha, os candidatos que têm essa plataforma são esses aqui. Isso. Isso pode, estava pensando aqui agora, isso pode ajudar a melhorar a qualidade do voto. Isso. E eliminar aquela questão que a gente, durante muito tempo, enfrentou, de muita gente que chega no dia, não sei quem votar.
Quem que eu voto aí? Pega ali um santinho, alguma coisinha assim e tal. Falta aí quem é o sujeito lá, ele é mais popular, ele é mais legal, mais bonito. Ou um falar pro outro, né, Renato? Quantas vezes a pessoa vem e fala, não, vota nessa pessoa porque essa pessoa é minha amiga. Ah, não, vota nessa pessoa porque não sei quem falou que essa pessoa fez tal coisa em tal lugar. E você, na realidade, não sabe. Agora todo mundo pode saber. Todo mundo pode usar pra realmente...
discutir e qualificar. É um monte de plataforma, é um monte de candidato. Antes era difícil de a gente saber. Agora não é mais. Agora você consegue, pode trazer, pedir para a IA trazer fontes. Que é isso que você está falando. Para não ficar no campo etéreo ali. A Carol falou do grupo de WhatsApp. Então, tem uma dica. Saiam dos grupos de WhatsApp e entrem nas ferramentas de IA. Talvez seja melhor. Isso, ou usar essa, se está certo aí. Boa.
Eu queria trazer mais uma questão curiosa que aconteceu na Colômbia nas eleições parlamentares esse ano lá.
concorreu a primeira parlamentar criada por inteligência artificial da América Latina. A avatar era chamada de Gaitana, se apresentava como uma mulher indígena e concorria a uma vaga reservada aos povos originários ali no Congresso colombiano. Ela era, na verdade, a representação digital de dois candidatos humanos. No final, ali, ela acabou recebendo menos de 2% dos votos, não foi eleita. Mas a minha pergunta é se iniciativas como essas tendem a crescer. Como que você vê isso, professor?
Acho que é mais para o marketing, né, Carol? Então, vamos chamar atenção, fazer alguma coisa para chamar atenção. Pela lei, eu não posso ter um sistema concorrendo às eleições. Um algoritmo, vai melhorar. Um algoritmo que concorra às eleições.
Mas eu poderia, então, dizer, olha, eu estou por trás desse algoritmo, esse algoritmo me representa, vamos melhorar o exemplo, eu poderia dizer, olha, eu sou candidato e vou usar as ferramentas de A com o melhor propósito possível para a sociedade, porque os outros não usam, eu vou usar, eu sei como usar, eu sei como fazer os prontos, então isso aqui vai me ajudar bastante.
Se não me engano, a gente teve alguma coisa na Estônia com relação a isso também. Acho que lá alguém foi eleito com essa bandeira. Então, pode ser algo interessante chamar atenção na utilização. Até interessante para o eleitor também cobrar. Olha, IA é um ponto muito relevante.
Temos aqui o podcast, todos os episódios vocês falam disso. E já que é um ponto relevante e vai impactar no dia a dia das pessoas, promovendo, tirando empregos, que aliás é uma pauta, a questão dessa requalificação num tempo distinto, cobrar os candidatos disso.
Então, você candidato, sabe usar IA? Sabe o que é IA? Me dê um exemplo aqui agora. Como é que você vai usar IA em benefício do seu eleitor, em benefício da sociedade? Está aqui uma dica, uma sugestão. Agora, o que a Carol colocou aqui não existe, a lei não permite que o algoritmo seja candidato. Mas a lei permite que eu vincule...
E deixe claro, eu sou o candidato Renato. Você que é o responsável, né? É que nem o uso de IA em conselho, judiciário, etc. Não dá pra ter uma entidade IA, mas ela pode ser... Entidade. É, ela não é uma entidade, mas ela pode ser o seu instrumento declarado de utilização. Ela não pode ser responsabilizada. E lembrando que tudo que você realmente usar IA pra decidir, você que é o responsável por ela.
Muito bem, professor. Para a gente finalizar, você pode nos dar uma dica de filme, série ou livro para ajudar mais nessa discussão, quem quiser continuar pensando com a gente aqui? Tem uma dica fresquinha de filme. Há duas semanas eu passei para algumas classes e confesso que eu adorei, os alunos adoraram e eu acho que é muito importante...
para a gente ter a percepção da extensão do que pode acontecer. Mas eu não vou dar a dica de um, vou dar a dica de dois, que eu também dou para os meus alunos. Mas o mais recente, estava nos cinemas há um mês e meio atrás, o nome é Justiça Artificial, em inglês Mercy, e o outro filme é o Ex-Máquina, que a Marta sempre sugere, filme de 2014, mas super atual.
E ali a gente tem uma percepção de que nós podemos ter uma indução paralela, lateral ou indireta de que algoritmos possam ser humanos. Que é uma coisa que a gente sempre fala, isso aqui, pessoal, isso aqui é algoritmo. Isso aqui não é humano, por mais parecido que possa ser. Isso é muito importante.
No Justiça Artificial, o contexto é o seguinte, é um sistema de julgamento, é um algoritmo de julgamento, uma IA que julga as pessoas, as pessoas que são acusadas de um determinado crime, crimes graves, vão para esse tribunal e aparece ali um avatar.
de uma IA, dizendo, olha, você tem uma hora e meia para usar todo o cloud que eu tenho aqui, todas as informações e ferramentas que eu tenho aqui, inclusive acessando dispositivos privados, etc., porque aquilo já é o tribunal, então se presume que aquilo tenha ordem judicial. Em uma hora e meia você pode demonstrar a sua inocência através da utilização desses acessos, dessas evidências e daí por diante.
Só que a primeira coisa, tem todas as questões do equilíbrio, da injustiça. Como é que uma pessoa que não tem formação em direito vai se defender, ou formação técnica, tanta coisa ali ao mesmo tempo. Algo que por natureza é injusto.
Mas acontece que, de repente, um policial que ajudou a implementar aquilo, ele é acusado de um crime. E ele senta naquela cadeira e ele tem que se defender. E ele fica desesperado e fala, eu tenho só uma hora e meia. O que eu vou buscar? Então mostra todo o desespero dele, todo o conhecimento que ele tem como policial investigador, como detetive, tentando achar evidências, até porque não lembra o que tinha acontecido, para demonstrar a sua inocência. E é um filme muito interessante, o final é muito bom também.
É muito dinâmico, você não consegue parar de assistir. Tem essa questão da AI, tem a questão do contexto. E o ex-máquina, que a Marta já falou, mas a gente reforça, o ex-máquina mostra como nós podemos ser induzidos e a gente pode confundir o android humanoide com o ser humano.
aquele velho ditado, por que a gente tem que sempre querer que um sistema se pareça conosco, quando a gente fala que olha, você está alucinando olha, aqui você você conhece o número 7
Para ele alucinar, não é inteligência artificial? Para a gente, é inteligência. Para o sistema não existe a palavra inteligência. Pode ser inferência, mas não é. Então, o que nós usamos hoje na nossa atividade humana, a gente não deve usar ou achar que isso é igual a gente. Essa é uma dica final que eu gostaria de deixar.
Acho que talvez seja na educação o ponto mais importante. Por mais parecida que a tecnologia possa ser com a humanidade, espírito e alma, isso é só nosso. Ninguém vai ter, pode parecer, mas ninguém vai ter, ponto final.
E o Mint, que nós falamos no episódio anterior de guerra, que é Human Intelligence, que é onde só as características humanas. Eu vou dar também mais duas dicas, que é o dilema das redes, para ver a parte de como os algoritmos têm tensão e podem realmente causar manipulação.
Já falei um milhão de vezes de privacidade hackeada. Se a gente for ranquear aqui desde o primeiro episódio, acho que já falei 50 vezes do privacidade hackeada. E Black Mirror tem vários interessantes também sobre manipulação, novas estéticas de eleição. Vale a pena a gente também ver. Inclusive o primeiro de Black Mirror, quando a gente fala aqui das...
das manipulações, tem a ver, não sei se vocês vão lembrar aí, do primeiro-ministro britânico, que aparece numa situação bastante desagradável na televisão, e aí toda chantagem é feita em cima daquilo. Então, para a gente ver como dá para utilizar várias dessas manipulações de informação para conseguir resultados eventuais. Então, vamos lá fazer nosso... Takeaway. Takeaway. Então, bora lá.
E a na eleição é nosso assunto aqui de hoje. A gente começou falando de riscos e oportunidades, riscos de desinformação em escala, manipulação de opinião, falta de transparência, amplificação de polarização, ataques cibernéticos e automação e desigualdade tecnológica entre os candidatos, que dá uma simetria.
oportunidade, depois a gente trouxe vários exemplos ao longo do episódio, melhor acesso à informação, engajar o eleitor com chat que possa traduzir, chatbots que traduzam, explicam, tiram dúvidas, esclareçam, campanhas mais eficientes, com uma comunicação mais direcionada, combate à desinformação, que a gente discutiu também ao longo do episódio, várias técnicas aqui para tentar combater a desinformação.
e inclusão, porque você pode trazer aquilo para a sua linguagem, para o seu modo de falar. Aí a gente recebeu o queridíssimo Renato Apsiblu, um dos nomes mais fortes de direito digital do Brasil, desde que o digital existe, então a gente tem ele aqui ajudando a gente a entender toda a parte de judiciária e como que isso vai acontecer na eleição. Uma das primeiras colocações é que o Brasil se adapta muito bem, o judiciário do Brasil se adapta muito bem as leis, tudo, a tecnologia.
Isso tem acontecido desde lá de trás, não é agora quando entraram as mídias sociais e as outras coisas. A gente tem regulações também que já começaram lá atrás, com o TSE em 2024, com o IA, e foi atualizada recentemente. Grandes problemas, né? A gente tem mudança de comportamento que a gente ainda não sabe detectar. É uma das tendências que o Renato mencionou, que ele, por exemplo, prefere coisas que não sejam feitas por IA. A gente está tendo realmente esse movimento pendular das pessoas preferirem.
autenticidade, o que é ancorado em coisas humanas. É como se fosse um artesanato, o que é feito dessa maneira, mas a gente não sabe como o eleitor vai se comportar. Maior risco não é ir a votar, ela é influenciar o que a gente acredita, manipular a emoção de marca, distorcer a realidade. Oportunidade de ajudar o eleitor a entender melhor o que está acontecendo.
tornar um debate mais bem informado. A educação, tecnologia, foi falado que várias vezes, a educação é o principal elemento para combater qualquer tipo de risco que a gente tenha de IA, utilização inadequada de IA. 72 horas antes da eleição não pode usar IA, pode usar para fiscalização, talvez para combater isso.
Deepfake é proibido, proibido, proibido, proibido. É proibido. Utilização de fake para fazer manipulação. Também é proibido perguntar em quem deve votar a indução. Isso também está colocado como proibição, que é uma questão de como você utiliza isso para tentar achar o seu candidato e que às vezes tem características específicas.
É um debate interessante. Outro problema que a gente tem, os grandes modelos de linguagem, os LLMs, eles têm incorporados algumas informações que eventualmente acabam saindo como sugestão, que é o exemplo que o Renato deu da camisa azul, ou qual é a cor preferida, e daí ele traz uma cor preferida, porque está dentro do modelo. Você pode proibir de falar, pode proibir de se expressar, mas você não pode proibir ele de utilizar aquilo no mecanismo.
Então, em função da dificuldade de eventualmente se comprovar alguma coisa, em alguns casos, a obrigatoriedade da prova vira ao contrário, então é uma inversão da prova, ou seja, você que tem que provar que aquilo não foi feito dessa maneira.
Algumas ferramentas interessantes, a gente comentou aqui como o WhatsApp é uma plataforma de propagação de informação, então ferramentas tipo Tá Certo aí, que é desenvolvida para checar fontes e ajudar de uma maneira mais fácil ali dentro do ambiente, as pessoas a obterem informações.
mais embasadas, mas de qualquer forma a gente tem grupos que manipulam informação ou que usam informação, alguns podem ser considerados privados, outros não, dependendo de se eles dão link aberto, então é suscetível a avaliação. Proibição também feita de chatbot que simule interação com o candidato, tem que saber quando é candidato mesmo, quando não é, se está falando com uma IA.
Há alguns casos de voz, a gente já comentou aqui, de ser inconclusivo, e como a tecnologia pode ajudar a gente a pegar casos inconclusivos e, posteriormente, torná-los casos validados, porque eu citei o exemplo do DNA.
E o Renato trouxe aqui uma ferramenta bastante interessante, que é o Twin Mind, que não só faz os resumos e os tópicos principais da conversa, mas também dá dicas do que a gente deve perguntar, ou focar, ou ampliar a discussão que a gente está. E aí, provavelmente, essas discussões, usando as ferramentas de maneira adequada, a gente vai ter discussões mais embasadas. Carol perguntou alertas para a gente ficar de olho quando alguma coisa pode ser ou não feita por IA ou está errado. Então, vamos lá.
Porque eu, particularmente, acho que não importa tanto se é feito por IA ou não. O que importa é se está errado ou não, a informação está adequada ou não, e se eu não estou sendo manipulada para parecer que é um humano ou não. Mas, de qualquer forma, alertas. Exagerado. Há algumas dicas que o Renato deu. Então, exagerado. Há para a gente usar várias ferramentas para testar se aquilo está ok ou não.
Tem alguém por detrás que é responsável, tem uma pessoa física, uma pessoa jurídica, isso já ajuda bastante, buscar fonte, estressar o prompt para garantir que aquilo está afinando para dar a informação correta. A gente discutiu também como é qualquer avaliação que a gente tenha que fazer sobre resultados ou informações que venham da IA ou da mídia, precisa de tempo e atenção. Então, para a gente focar naquilo que é relevante, que é importante, para que a gente realmente não se distraia e a gente analise aquilo que interessa para a gente.
Então esse é o nosso wrap-up do episódio de hoje. Renato, querido, super obrigada pela sua participação brilhante aqui com a gente.
Obrigado. Obrigada, Renato. Foi muito bom ter você aqui. Muito esclarecedor. Muito. Alegria e parabéns aí pelo podcast. Sou fã de vocês. Obrigada. Bom, Futuramente vai ficando por aqui. A gente se encontra na próxima terça-feira em mais um episódio. Você pode encontrar a Marta enquanto isso no Instagram, arroba martagabriel. Pode mandar um e-mail pro futuramente arroba cbn.com.br Esse podcast teve a apresentação de Marta Gabriel e Carol Tamacia.
Produção é de Ellen Menezes, edição de Débora Gonçalves, a coordenação do Tiago Barbosa e a direção é do Pedro Dias Leite. Tchau, gente. Até mais. Até o próximo. Tchau.
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