Episódios de Futuramente

Episódio #18 - IA no agronegócio

07 de abril de 202640min
0:00 / 40:25
No episódio desta semana do Futuramente, as apresentadoras Martha Gabriel, futurista e especialista em inovação e tecnologia, e Caroline Tamassia, jornalista da CBN, conversam com Jayme Barbedo, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital. Na conversa eles abordam como a inteligência artificial está sendo aplicada no agronegócio, tanto no Brasil quanto no mundo, e os impactos dessa transformação no setor. Ouça e assista! Você pode entrar em contato com a gente pelo e-mail: futuramente@cbn.com.br

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio3
A

Alcides Peron

Hostprofessor
C

Caroline Tamassia

Hostjornalista
J

Jayme Barbedo

ConvidadoPesquisador da Embrapa Agricultura Digital
Assuntos1
  • Inteligência artificial no agroAgricultura 4.0 · Desigualdade no Agronegócio · Biotecnologia e Edição Genética · Logística e Cadeias Agrícolas · Sustentabilidade e Agricultura Regenerativa
Transcrição104 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, está começando Futuramente, um podcast da CBN sobre como as novas tecnologias estão impactando a nossa vida. Esse podcast é apresentado por Marta Gabriel, futurista e especialista em inovação e tecnologia, e por mim, Carol Tamacia, jornalista da rádio CBN. Hoje estamos num formato diferente, né Marta? Você está aí? Eu estou aqui?

Hoje a gente está longe, mas está pertinho, né? No assunto a gente está sempre próxima. Conectadas num assunto muito importante. O assunto de hoje é o impacto da inteligência artificial no agronegócio brasileiro. Marta, você sempre comenta que a IA faz a mesma diferença quando ela existe muito dado para analisar. Então, por exemplo, hoje o campo virou um grande gerador de dados. Então tem satélite, tem drone, sensores no solo, máquinas autônomas.

A gente pode dizer que o agro, então, virou um laboratório perfeito para essa tecnologia, para a IA?

Na realidade, é um campo maravilhoso para ser utilizado o IA, especialmente no caso do Brasil. Mas é legal a gente falar que não é só o IA, Carol. A gente está vivendo uma transformação acelerada do agro no mundo, inclusive, por causa da IA, automação, biotecnologia e dados de novas plataformas digitais. A gente chama isso de agricultura 4.0, um termo mais moderno, digital, porque esses 4.0, 5.0, 6.0...

depende da referência, então a gente não gosta muito de ficar colocando essas marcações. Mas, ou seja, uma nova era da agricultura, os principais pilares dessa nova era da agricultura no Brasil e no mundo, e o Brasil tem coisas que ele está num grau altíssimo de maturidade, em algumas coisas ele está menos do que, vou falar rapidinho aqui, depois a gente tem um convidado maravilhoso para falar muito mais sobre isso, que conhece muito mais do que a gente, para trazer especificidades.

mas agricultura de precisão e uso intensivo de dados, então a gente começa a ter sensor em tudo quanto é lugar, e aí esses sensores trazem dados, e aí você consegue saber o que fazer com muito mais assertividade. Então, por exemplo, você colocar inseticida só onde precisa, ou você colocar um determinado tipo de agente biológico onde é necessário e não em tudo, ou no caso de utilização de água, ou qualquer outra coisa, com precisão. A outra coisa é a inteligência artificial na gestão,

A gestão agrícola é complexa, depende de vários fatores. Então, a IA está se tornando o cérebro dessa gestão. Então, detecção automática de pragas e doenças, previsão de produtividade, modelagem climática agrícola, etc. E aí, reduz perdas, melhora a timing de plantio, ajuda a uma gestão mais eficiente de risco. Então, é um dos pilares. Outro pilar.

As máquinas autônomas e robótica agrícola é impressionante, participam muito de eventos de agro, com tecnologia e futuros. Tem algumas máquinas que são incríveis, elas conseguem usar visão computacional, analisar onde está exatamente o que, conforme elas vão passando, tanto para plantio, colher, eliminar pragas, é impressionante. Além do que, a gente está falando das máquinas que estão no campo.

Sem falar dos drones, porque os drones sobrevoam. Hoje eles conseguem trazer informações e análises de dados visuais que têm uma precisão fantástica. Então, as máquinas robotizando o campo diminuem mão de obra. Então, a gente já tem uma transformação muito grande na agricultura de quem está lá no campo, para quem começa a fazer a gestão das máquinas de forma remota. Então, se pode fazer isso 24 horas por dia, menor erro humano, etc.

Biotecnologia e edição genética, que é usado, uma das que eu já falei aqui várias vezes, a gente tem comentado, Carol, é CRISPR, que inclusive quando a gente teve episódio aqui recentemente de genética, o futuro da genética, etc., foi comentado quanto que o CRISPR tem potencial para fazer modificações genéticas. No caso da agricultura está sendo usado mais na frente do que, obviamente, com seres humanos ou animais.

até porque muitas dessas hibridizações são sensacionais para a agricultura. Então, CRISPR, melhoramento genético avançado, microbiologia de solo, etc. Então, nos próximos 10 a 20 anos, plantas desenhadas geneticamente para ambientes específicos. Isso talvez tire um pouquinho da competitividade do Brasil, que a gente tem uma vantagem climática, pelo menos até o momento, bastante grande. E aí, eventualmente, a gente começa a replicar isso em outros lugares também.

O quinto pilar é cadeias agrícolas digitais e rastreabilidade de onde que vem o alimento. A gente está aumentando o uso de blockchain, já há alguns anos está tendo esse tipo de preocupação e possibilidade de você saber de onde que veio, por onde passou, o que que faz, qualidade, inclusive quando chega no consumidor para que ele possa saber de onde que esse negócio veio, com o QR Code, etc. Então também rastrear alimento da fazenda até o consumidor final.

Outra coisa que inclusive o Brasil é bem legal é a agricultura regenerativa, é um dos pilares disso também, sustentabilidade tecnológica, onde você consegue fazer um processo de uma análise mais adequada de você ter a agricultura participando dos ecossistemas naturais do que explorando os ecossistemas naturais. Isso é uma coisa bem legal e a tecnologia ajuda nesse processo.

plataformas digitais e fintechs, isso afeta, então, com a entrada das fintechs e todo esse ecossistema de startups na área de agro, você tem mais financiamento para pequenos, você inclui mais, você começa a ter mais possibilidades de acesso a crédito de forma mais rápida. E, por último, a tecnologia está trazendo novos sistemas de produção, que pode, inclusive, competir com o Brasil em termos global.

que é agricultura vertical, que você não depende, você pode fazer isso em cidades, em outros lugares, não precisa de terra, etc. Carne cultivada. Então, a gente tem N tecnologias da carne cultivada, impressa em 3D, fermentação de proteínas, fazendas indoor, não precisa mais de ar, etc. Então, a gente tem bastante tecnologia junta, revolucionando a parte de agro. Se a gente resumir esses três pilares...

Seria agricultura orientada a dados, automação massiva, com robôs, máquinas, etc. E bioeconomia agrícola. Se a gente for pensar agora mais especificamente no Brasil, ele está entre os países mais avançados.

quando a gente fala de tecnologia agrícola em larga escala, mas um dos grandes problemas que o Brasil tem é desigualdade. Então, como eu falei, estou sempre em evento de agro, e aí os pequenininhos têm muita propriedade que é pequenininha. O Brasil é muito diverso, né? Não tem... Diverto.

A gente tem estados como, por exemplo, o Mato Grosso, que é a grande maioria automatizado com agricultura de precisão, mas a gente tem muito lugar, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, mesmo São Paulo, que tem muitas propriedades pequenas e aí elas estão num outro grau, muito mais...

entrando baixo grau de adoção tecnológica. Então, há tanto que isso daí é um dos grandes desafios aqui, que é um paradoxo brasileiro, que é agro de duas velocidades. A gente tem na ponta uma velocidade acelerada com as grandes e depois, nas pequenas, a gente tem uma baixa adoção de tecnologia.

Então, se a gente for comparar com o global, no nível de produção, grandes produtores globais, o Brasil está no mesmo nível, no resto a gente está adequando. Eu vou falar rapidamente, a gente está com um ecossistema super avançado de expansão na parte tecnológica, que eu falei das startups, da integração, etc. E se a gente for comparar internacionalmente alguns pilares...

No que o Brasil realmente se destaca com relação ao mundo é bioinsumos, agricultura tropical, obviamente, porque a gente é um país tropical, né? E pesquisa agrícola, a Embrapa, inclusive, aliás, todos os eventos da Embrapa, a parte de pesquisa lá, é referência mundial. A Embrapa tem um respeito muito grande.

porque a gente é realmente um laboratório, né? A gente tem, inclusive, várias... A gente tem variação climática, de altitude, várias possibilidades de pesquisa aqui e muitas instituições sérias trabalham junto com a Embrapa, universidades, na parte do agro. Então, em biotecnologia agrícola e bioinsumos, o Brasil tem maturidade muito alta.

Estados Unidos e Europa em biotecnologia tem muito alta, mas em bioinsumos nem tanta, média. No restante, a gente está aí na média emergente com a parte de agricultura de precisão, até por causa das diferenças que a gente falou aqui das desigualdades. Digitalização de fazenda também a gente é média, em alguns lugares é um pouquinho mais alta. E automação robótica que baixa para emergente, de novo, na média, porque, como eu falei, a gente tem fazendas de ponta e a gente tem lugares que ainda está começando a digitalizar.

E no mundo, a automação robótica ainda é média também. Está todo mundo entrando nesse processo. Eu acho que isso dá um panorama de o que está acontecendo. Agora, a agricultura tende a ser um dos negócios mais importantes. Já é, na realidade. Mas com a tecnologia, passa a ser um dos negócios mais automatizados e uso de IA e de outras tecnologias para fazer parte desse grande composto que alimenta as pessoas. Então, basicamente, é isso.

Bom, e você falou da Embrapa, justamente o nosso convidado hoje é um pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, que é o Jaime Barbedo. Jaime, seja muito bem-vindo ao Futuramente. Obrigado por aceitar o convite para ter essa conversa aqui com a gente hoje. Olá, é um prazer estar aqui conversando com vocês e espero poder contribuir um pouquinho com o meu conhecimento.

Vamos lá. A unidade que você trabalha é uma das 43 que a Embrapa tem. Então o foco de vocês é desenvolver soluções de inovação e tecnologia para o agro justamente. Mas esse assunto ainda é distante para muita gente. O que hoje está acontecendo, por exemplo, nas fazendas brasileiras que talvez surpreendesse quem não tem muito contato com isso e está nos ouvindo?

Bom, a Marta já aliantou muitas das coisas que a gente vê realmente acontecendo na prática, mas uma das maiores preocupações que a gente tem hoje é essa desigualdade entre os grandes, que tem muita tecnificação, muita coisa, e os menores. E aí não é só a questão do...

do produtor ser pequeno, que a gente tem no Brasil muitos produtores pequenos tecnificados e que têm essa vontade e esse acesso à tecnologia. Mas algumas cadeias produtivas, por exemplo, na fruticultura, que automatizar é muito mais difícil que no caso de grãos. No caso de grãos, você normalmente tem propriedades que são niveladas, que você tem aquele campo aberto, então você consegue tornar as máquinas mais autônomas e conseguir ter um impacto maior nessa automatização.

No caso, por exemplo, de fruticultura, você precisa de robôs que são muito mais delicados para fazer aquela colheita, você tem dificuldades muito maiores que a gente quer resolver, mas é um desafio muito grande que a gente ainda tem.

E também a questão dos dados, a Marta colocou muito bem que a gente vem produzindo muitos dados, mas a gente, ironicamente, tem dois problemas que parecem opostos e contraditórios. Por um lado, a gente está produzindo muitos dados, mas dados brutos, eles por si só, eles não resolvem nada. Você precisa que esses dados sejam tratados, a ciência de dados, cientistas de dados que saibam.

Como lidar com esses dados são muito importantes nesse sentido para tornar os dados, vamos colocar assim, mastigáveis pelos modelos de inteligência artificial, que vão tentar processar esses dados e gerar alguma informação que seja útil para os produtores. E, por outro lado, a agricultura, e o Brasil é um exemplo claro disso, a agricultura é muito heterogênea e muito variada.

variedades de condições em diferentes propriedades, em diferentes regiões geográficas. E para você ter uma ferramenta de ar, um modelo que realmente funcione na prática, você precisa ensinar para ele todas essas diferentes variações que existem. E muitas vezes você tem dados em certas áreas, mas não tem dados de outras. E se você gerar um modelo só com esses dados, ele vai ser enviesado. E quando você tentar aplicar ele em áreas onde os dados não foram coletados, ele vai tender a falhar. Então a inteligência artificial não é tão boa ainda quanto o ser humano.

para extrapolar a partir dos dados que ele tem para gerar respostas satisfatórias em todas as diferentes condições. Então, a gente tem esse desafio. Por um lado, muito dado está sendo coletado, mas eles precisam ser tratados de uma maneira mais efetiva. E, por outro lado, a gente precisa de dados em áreas que ainda estão subaproveitadas, em que você ainda não tem essa coleta massiva de dados para gerar esses modelos mais robustos.

E tem uma outra questão, às vezes, por exemplo, a fazenda é extremamente tecnológica, faz essa gestão 4.0, só que aí chega para transportar o produto dela, os grãos, a ferrovia ou a estrada não funciona, é esburacada. Então aí também já para ali logo na porta da fazenda o progresso que foi feito lá para dentro. Será que a inteligência artificial não conseguiria ajudar numa coisa mais básica, que seria essa outra parte, a parte que conecta o produto com as outras coisas? Não é isso mesmo.

É bom, melhorar a infraestrutura, a EAA não vai conseguir muita coisa, embora ela possa dar recomendações, por exemplo, políticas públicas para o governo de onde investir para você reduzir esses gagalos que existem. Mas uma coisa que a EAA pode ajudar muito é a questão de logística. A gente vê uma dificuldade logística, por exemplo, produtores que estão em áreas muito remotas ou com difícil acesso.

Como você montar uma logística para que ele possa escoar aquela produção dele de maneira que ele não vá perdendo valor à medida que vai caminhando dentro da cadeia? E a IA pode ajudar bastante nessa parte de logística também. Não é da porteira para dentro só que a IA pode ajudar. Da porteira para fora, na questão da logística, tempo de prateleira dos alimentos nos supermercados. Afinal, a gente tem que reduzir ao máximo os...

o desperdício de alimentos. E a gente ainda tem, no mundo e no Brasil em particular, a gente ainda tem muito desperdício de alimentos, às vezes não por descoído das pessoas, mas por não se ter ferramentas que realmente ajudem com essa gestão de toda a cadeia para evitar esse tipo de problema. Então, existem diversos nichos que a IA pode ajudar, com certeza.

Isso é legal falar, Carol. Posso completar um pouquinho? Porque tudo que é complexo, a IA tem um potencial grande de ajudar. E quando a gente pensa na cadeia que a gente tem, na complexidade do Brasil, o Brasil é continental. Onde tem complexidade, a IA consegue ver padrões, analisar muito mais correlações que a gente consegue para integrar as cadeias.

Então, nesse sentido, realmente é bem interessante a adoção de uma maneira mais ampla por todos os players, que aí você vê que não é simplesmente no agro. A gente precisa dessa integração na cadeia como um todo. E quais, por exemplo, a gente está vendo hoje que já está funcionando no agronegócio? Eu queria que você trouxesse para a gente alguns usos da IA que estão acontecendo, bem-sucedidos.

Eu sempre dou dois exemplos, que são coisas que já vêm acontecendo há algum tempo. No caso de grãos e maquinário agrícola, por exemplo, muitas das máquinas já vêm acopladas, já vêm junto com elas, uma ferramenta para detecção de ervas aninhas e uma aplicação localizada.

desses herbicidas, isso reduz custos, reduz o impacto ao meio ambiente, e você tem um controle muito melhor e muito mais localizado desse tipo de problema. Com ervas alinhas é um pouco mais fácil, porque você tem um problema que é um pouco mais simples a resolver, mas um sonho de muitos produtores que a gente vê, por exemplo, é a detecção precoce de doenças, para você fazer aplicação no momento em que ainda você não tenha prejuízo, e que tenha uma aplicação um pouco mais racional.

Porque a gente vê muitos produtores acabam aplicando mais do que seria necessário.

E dá para entender o lado deles. Eles têm medo de perder, têm algumas doenças que são muito prejudiciais e acabam tendo um impacto muito grande na sua produção. Então, eles acabam aplicando mais do que precisariam, mas eles todos falam, se a gente puder aplicar menos e ter a segurança de que a gente não vai perder a nossa produção, é claro que a gente vai fazer isso. Então, eles precisam de ferramentas que ajudem eles nesse sentido.

Mas aí a gente vem daquele problema dos dados. A gente ainda precisa de mais dados.

dados qualificados, dados que tenham sido tratados da maneira correta para gerar ferramentas que de fato consigam entregar isso que os produtores estão precisando. Deixa eu visualizar, por exemplo, o Maior Vandaninha, ele via a olho nu e agora a Iá consegue enxergar isso para ele e mostrar onde, por exemplo, o defensivo agrícola tem que ser colocado?

É, à medida que a máquina vai passando ali na produção, seja lá na colheita ou na... Ela já detecta com uma câmera aquela erva daninha e já pode aplicar ali mesmo. Ele já tem ali um depósito, um herbicida que já faz aplicação ou...

Na pior das hipóteses, ela marca, tira um alerta, aqui tem um problema, vem e aplica. Então, você já tem isso funcionando de maneira bem efetiva. E o outro exemplo, eu tinha falado de dois, o outro exemplo é a ordem automática. A gente já tem em muitos lugares, você faz a extração do leite das vacas, usando uma ordem automática, você não precisa mais o ordenador, a máquina mesmo, com câmera, já consegue achar onde está o ubre do animal e já consegue fazer a extração automática daquele leite.

É, inclusive, eu tive a oportunidade de visitar no Rio Grande do Sul um tambo, né, para quem está ouvindo a gente aqui, tambo é uma propriedade rural que extrai leite, né, que cuida de ordem e leite. E, normalmente, são propriedades pequenininhas, que têm familiares, com quatro pessoas.

Isso também tem uma dificuldade muito grande, porque a ordem manual é um trabalho bastante demandante, tem que acordar super cedinho, ordem algumas vezes por dia, isso acaba tendo uma evasão de jovens do campo, que compromete o negócio lá da família, acaba comprometendo em escala.

E aí, há vários anos antes da pandemia, eu fui visitar o Tambonolho, eles tinham ido junto com a Cooperativa Santa Clara, outros tambos também, eles tinham ido para a Europa para visualizar como que funcionavam as ordenhas robóticas, como que era isso. E foi muito interessante porque de todos os tambos que foram, esse resolveu investir na época.

conseguiu um financiamento lá com a ajuda da cooperativa, e aí eles implementaram tudo, e eu acho incrível os resultados que eles tiveram, tanto que eu fiquei usando isso durante a minha vida inteira de transformação digital, e falava para os grandes, se esse tambo conseguiu, você consegue também, porque eles começaram com menos vacas, na realidade, eles tinham 20, ficaram com 17.

As mesmas vacas, colocando ordem à robótica, eles começaram a ter a produtividade de vaca holandesa. Por quê? Foi o que o professor acabou de falar, né? Já me comentou. Quando você tem uma contaminação de alguma das vacas ou de alguma das tetas da vaca que está extraindo leite ali, antes contaminava todo o leite, aí tem que jogar tudo fora, é um desperdício, ou era descoberto só quando chegava na cooperativa.

Agora tem detecção automática. Além disso, como as vacas ficam livres ali, elas acabam indo várias vezes, tem um incentivo lá para elas, elas vão várias vezes para serem ordenhadas. Além disso, como elas usam sensores que analisam a saúde e tudo, eles conseguem saber qual vaca que está no cio ou não, eles conseguem saber o movimento para saber se alguma vaca está fazendo bullying na outra, para não deixar entrar no negócio da ordenha. Ou seja...

Foi sensacional e as pessoas que trabalhavam nesse, a família, né, que era dona desse tambo, que não tinha tempo para nada, que era o dia inteiro fazendo isso, começou a fazer gestão computadorizada durante quatro horas só de manhã, tinha tarde livre e com isso eles começaram a produzir outros tipos de coisas, não só mais o leite, além do que você tem tempo que muitas vezes nessas famílias...

As crianças, os jovens, pagam de estudar cedo porque tem que ir lá ajudar a fazer esse processo. E aí começa, então você perceba, começa a poder estudar, ter qualidade de vida. Então, por causa de uma automação adequada, você tem mais produtividade, uma melhora de vida da família, dos animais, também tem mais controle sobre a qualidade de vida deles. Aí isso colabora com a cooperativa, colabora com o Estado e colabora com o país.

Então a gente consegue ter uma cadeia positiva aqui, muito interessante, isso é um dos casos que eu mais adorei conhecer e visitar aí vê.

porque é inspirador para qualquer um que queira realmente iniciar um processo de transformação mais focado em coisas smart, né? Para você melhorar a vida.

Essa melhora da qualidade de vida é essencial para você segurar o jovem no campo. Ele não quer ter aquela vida sacrificada, acordar às quatro da manhã e dormir às dez da noite, domingo a domingo, não tem feriado, porque você tem... E a ordem é um caso bem clássico disso. Você não tem tempo para mais nada, a não ser que você aplique essa automação. Então, de fato, vários aspectos da cadeia e do ecossistema agrícola mudam quando você aplica ferramentas desse tipo.

vocês estão falando da ordem, eu queria entender também o uso da iana pecuária, porque a gente falou das plantas que são de doenças, ervas daninhas e tal e o animal, por exemplo, existe também mecanismos pra prever se algo não vai bem com o rebanho

Esse é um tipo de trabalho que eu venho atuando, particularmente já há um tempo. A gente começou utilizando drones para fazer o monitoramento dos animais, então inicialmente para você fazer a contagem dos animais, porque o Brasil tem algumas propriedades gigantescas, como uma criação extensiva de animais, muitas vezes produtora, o pecuarista não tem nem ideia do que está acontecendo naquela propriedade enorme que ele tem. Nasce animal, morre animal, são roubados, muitas vezes tem muito roubo dele.

de gado no Brasil, e ele muitas vezes não tem o menor controle do que está acontecendo. Então, o uso de drones hoje está entrando com muita força na pecuária, não só para esse monitoramento dos animais com uma contagem e monitorar onde eles estão, mas para a detecção de eventos anômalos.

que estejam acontecendo, por exemplo, algum animal doente, um nascimento de bezerro, alguma coisa desse tipo. Então, tem muitas pessoas trabalhando, e eu também sou uma dessas pessoas que estão trabalhando nesse sentido de ajudar a monitorar essas propriedades que muitas vezes são muito grandes. No caso de confinamento é um pouco mais fácil, eles estão ali num espaço menor, mas mais controlado, mas mesmo nesses casos existem, por exemplo, animais que estão com problema de alimentação, problemas de doença, de sodomia bovina, por exemplo, que é um problema grave.

Então, tudo isso a gente consegue controlar usando drones ou câmeras de algum tipo, dependendo do tamanho da propriedade. Mas isso está em termos com muita força na pecuária, sem dúvida. Além da inteligência artificial, vocês na Embrapa também pesquisam tecnologias bem avançadas, como edição genética, que a Marta citou no começo da explicação dela. Em termos práticos, isso significa o quê? Que são, por exemplo, na agricultura, plantas mais resistentes à seca, alimentos que são mais nutritivos?

Tudo isso que você falou é muito mais. A gente tem, normalmente, embora não trabalhe exatamente com isso, a gente tem um objetivo, a gente quer que essa planta produza mais, ou seja, mais resistente a seco, altas temperaturas, e as mudanças climáticas também são algo que a gente precisa enfrentar com esse tipo de...

de tecnologia. Então, a gente tem todos esses aspectos e aí tem várias cepas ou várias cultivares que a gente chama da Embrapa, que tem o selo Embrapa, que a gente vem desenvolvendo em diferentes cadeias produtivas e é de extrema importância para a adaptabilidade e para fornecer diferentes opções para os produtores, dependendo do tipo de condições que eles encontram nas suas propriedades.

Essa parte da edição genética, né, Marta, é muito interessante, né? A gente já tratou disso em outros episódios, né, que a gente falou do genoma e tal, mas quando a gente traduz isso pra parte dos alimentos, da produção de alimentos, é muito curioso.

Eu vi um caso também, acho que alguns anos atrás, de modificação genética de bezerros para aguentar clima mais calor, ou seja, diminuição de pelo. E é muito interessante, porque já na primeira geração, porque quando você fala de edição genética, a gente até já comentou aqui em algum momento, você pode fazer uma coisa que é mais maquiagem, que fica só naquele indivíduo.

ou você pode fazer algo que seja realmente na estrutura que passa para outras gerações. E no caso fizeram para passar para as outras gerações, mas lá na primeira nasceu com muito menos...

É menos quente, sei lá como dizer isso, mas mais adequado para a... Menos pelagem e tal. É, uma pelagem mais adequada. Então, tanto nas plantas quanto nos animais, você começa a ter um potencial muito grande de configurar de acordo com as condições que vocês têm. E até é legal a gente aqui dar um passinho para trás, né? Para quem já teve oportunidade de visitar a região do Peru, onde está Machu Picchu, os Incas lá, que eles eram...

especialistas em agricultura, por isso que eles, inclusive, tinham um domínio bastante grande da região, porque eles conseguiam alimentar todo mundo, porque lá você tem muita região alta em altitude, e para eles conseguirem fazer isso que a gente está falando aqui, conseguir que um alimento fosse plantado numa outra atitude, eles tinham que ir subindo as terraças pouco a pouco para o alimento conseguir se adequar depois mais um pouquinho, e agora a gente consegue fazer isso.

com edição que acelera muito a produção de alimento em qualquer lugar e possibilita teoricamente que qualquer tipo, isso aí é cenário ideal, virtual, mas que qualquer tipo de alimento seja produzido teoricamente em qualquer lugar.

É isso. E aí eu fico pensando em outros assuntos relativos a essa produção de alimentos. Você citou logo no começo da sua fala, carnes cultivadas em laboratórios, ou também em carne sintética, que as pessoas falam. Surgiram várias startups, professor, também desenvolvendo esse tipo de prática. E eu, quando eu li, fiquei maravilhada. Mas pensei, será que é uma ameaça isso? Ou é um modelo que vai conviver com a produção de carne, com a pecuária tradicional que a gente tem aqui no Brasil?

É um pouco difícil prever, mas a minha sensação é essa mesmo, que vai haver uma convivência, essa introdução vai ser lenta, não é uma mudança de hábito que aconteça do dia para a noite, a não ser que aconteça alguma catástrofe, não sei, espero que não aconteça, mas a não ser que aconteça algo que seja muito disruptivo, normalmente esse tipo de tecnologia vai entrando devagar, algumas pessoas vão adotando, e como é que o mercado vai se estabilizar depois, isso é uma coisa que a gente não consegue dizer assim tão a priori.

Eu acredito que essas duas coisas vão coexistir por um bom tempo, pelo menos. Então, normalmente é assim que acontece mesmo. E o pessoal, a aceitação da carne sintética é boa? Você acha legal, Marta? Você provaria?

Ah, então, eu provo tudo. Eu sou um caso à parte, porque eu tenho até os slides, quando eu faço palestras de inovação, vou mostrar, eu provo tudo. Já comi escorpião na China, já comi escamoles, que é formiga, eu como tudo, tubarão fermentado, eu como tudo. Mas o que eu ia dizer que é bem legal com relação a isso, é que a gente também tem uma visão de proteína muito naquilo que a gente tem de produção natural do que a gente tem hoje, né?

E eu lembro que em 2019, eu fui fazer um curso no Vale do Silício, estava visitando lá, e eles vendiam barrinha de proteína de grilo, por exemplo, feita com insetos. Então, a gente tem N fontes diferentes, incluindo para países pobres, que não têm muito recurso de proteína. Isso tem sido uma possibilidade de misturar esse tipo de proteína em farinha, por exemplo, para quem tem...

Que nem você falou, né, Carol? Tem gente que não quer comer qualquer coisa, tem medo, ou não se sente tão à vontade, que nem eu, que eu topo qualquer coisa. Então, nesse sentido, tem muitas possibilidades surgindo muito além do que a gente imaginava. E no caso da carne sintética ou da proteína sintética...

Assim, eu sou fã de Star Trek, todo mundo sabe, né? E Star Trek tem um replicador para cada nave. Então, se a gente for falar aqui dos desafios de alimentação, pensa numa nave espacial, né? Então, você tem N desafios ali. E se você pensar, tudo é uma recombinação de matéria. A gente está falando de recombinação biológica aí. Então, desde a primeira vez que eu assisti Star Trek, lá atrás, quando eu era criança, eu falo, nossa...

Isso é genial, e eles têm inclusive a questão da recombinação de matéria virar energia, energia virar matéria, que na realidade é o que a gente faz, quando você come alguma coisa, você está comendo aquilo para quebrar as cadeias e virar energia. Então a gente está indo, ainda não existe um replicador, agora com relação ao preconceito é até interessante, por isso que eu amo a ficção.

Se a gente for ver, dentro das naves mesmo, tem gente que critica o replicador e fala isso não tem o gostinho da comida da minha avó, mesmo que a receita que estivesse lá é a receita da avó. Então existem vários momentos na série completa, independente de qual nave que está, momentos especiais de culinária.

que valorizam aquela comida que ainda veio do orgânico, que foi plantado, eventualmente, nas naves, tem pesquisa, e tem plantação também. Então, é bem legal a gente pensar nisso, que se você abrir a cabeça, é tudo recombinação, é forma de você quimicamente recombinar para obter qualquer tipo de coisa que você quer.

Muito bem. Bom, e a FAO, que é a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, estima que o mundo vai precisar produzir cerca de 50% mais alimentos até 2050. E o Brasil, professor, costuma ser apontado como um dos países capazes de ajudar a suprir essa demanda. A tecnologia brasileira, a inteligência artificial chegando, pode ser decisiva nisso?

Sim, e eu acho que a gente consegue chegar a isso, esses objetivos que a ONU chegou sem desmatar mais nada, sem aumentar a área produtiva que a gente já tem. A gente ainda tem uma produtividade que a gente consegue ganhar ainda pela frente, a IA pode ajudar muito nisso. Por exemplo, isso mesmo, você detectar doenças mais cedo, detectar problemas mais cedo, ter as ações para evitar esses problemas, evitar quebras de produção mais cedo, a questão da logística ser mais racional para você ter menos perdas durante o...

cada etapa da cadeia até chegar ali na prateleira, no consumidor final. Na prateleira também tem maneiras de ajudar a fazer essa organização de estoques e de como colocar aquilo na prateleira de maneira a reduzir perdas. Então, a gente, eu acho que sem aumentar a área produtiva, só investindo no que a gente já tem e investindo em tecnologia para essas coisas.

Isso dá para mostrar facilmente que se a gente aplicar da maneira correta essa tecnologia, a gente consegue sim atingir esses objetivos que a ONU colocou para a gente até 2050 para ajudar a alimentar o mundo. Muito bem, professor. Para a gente finalizar aqui, você consegue dar para a gente uma dica de um filme, uma série, um livro, para quem está acompanhando a nossa discussão?

Olha, no caso de IA, é bastante difícil fazer essa indicação, porque muda o tempo todo. Até eu, que sou da área de IA, é difícil eu conseguir me manter atualizado com tudo o que está acontecendo. Aqui no Embrapa, a gente tem algumas publicações em agricultura em precisão, agricultura digital e IA também, que ajudam, pelo menos, nessa introdução de como essas tecnologias funcionam dentro do agro.

E a minha indicação é se manter informado, procurar fontes de informação confiáveis, como a CEDEI, por exemplo, isso aqui eu acho que é uma fonte de informação confiável, e outros veículos de jornalismo sérios que venham reportando essas evoluções, porque evolui muito rápido, e se você quer se manter ali informado, você tem que fazer um esforço para acompanhar, porque não é muito simples.

Mas para esse primeiro passo, usando essas publicações da Embrapa, estão todas abertas, é só procurar na Agricultura Digital Embrapa, Inteligência Artificial Embrapa, vai aparecer ali, é só baixar, eu acho que é uma leitura bastante interessante para qualquer um que deseja saber um pouquinho mais sobre o assunto. E agora a Marta, então, vai embalar nossa conversa para a viagem naquele quadro que a gente adora, o Takeaway. Takeaway

Bora lá, então. A gente começou falando dos principais, da transformação acelerada que as tecnologias estão trazendo, não só a IA, mas a gente tem robótica, tem biotecnologia, toda a parte de sistemas digitais avançando, para que a gente, na realidade, transforme, está em grande transformação na agricultura. Então, agricultura de precisão, os dados entrando nisso, IA na gestão agrícola, máquinas autônomas com robótica agrícola.

biotecnologia e edição genética, a gente falou bastante aqui, cadeias agrícolas digitais com rastreadibilidade, agricultura regenerativa com a sustentabilidade, plataformas digitais e fintechs agro e oito novos sistemas de produção. O Brasil está entre os maiores do mundo, em várias coisas a gente é líder em biotecnologia, na parte de agricultura tropical.

etc. A gente está entre os maiores, mas a gente tem esse problema, esse paradoxo de que a gente tem uma heterogeneidade, desculpa gente, deu trava na língua aqui, enorme, e aí a gente começa a ter problemas de velocidades diferentes de adoção. Depois com a contribuição maravilhosa do professor Jaime Bardedo, que é pesquisador da Embrapa, a Embrapa é referência inclusive mundial de pesquisa, de adoção, o Brasil tem ponta em várias coisas dessas.

Ele traz e aponta qual é o problema da adoção diferente, ritmos de adoção diferentes aqui no Brasil. Primeiro porque a gente tem diferentes culturas, diferentes culturas requerem diferentes tipos de máquinas, de robôs, ou mais delicados, ou com diferentes tipos de tecnologia.

dados brutos, pode ter muito, mas se você não, não adianta só ter dado, dado por si só na inteligência, esses dados para virar inteligência, eles precisam de profissionais adequados, toda parte de avaliação, depois análise, infraestrutura importa, a Carol perguntou, como é que faz? Se é dentro da fazenda, está tudo super 10?

mas precisa de infraestrutura, isso depende de políticas públicas, mas a IA pode ajudar na parte de logística, em fazer a orquestração dessa cadeia complexa que a gente tem. Exemplos que o professor Jaime trouxe, grãos, na produção de grãos, maquinário agrícola, que ele consegue detectar aonde que está...

o problema, a erva daninha, e aí ele precisamente mata só aquilo, não mata mais nada. Um sonho é que o pessoal do agro consiga detectar com mais antecedência. Aliás, uma das características da IA...

é a predição, então quanto melhor forem as tecnologias de predição junto com visão computacional, junto com precisão de aplicação de tudo que a gente precisa, detecção precoce de doenças, que aí isso facilitaria e melhoraria ainda mais a produtividade. A gente trouxe aqui também, ele falou de ordenhas automáticas, eu trouxe o exemplo do tambonólio, que eu sou fã daqueles caras lá, achei sensacional o que eles fizeram já há mais de sete anos atrás.

Drones, um dos exemplos que o professor Jair me trouxe aqui, drones para monitoramento de animais em propriedade gigante, então imagina, você consegue estar 24 por 7 realmente entendendo o que acontece sem precisar mandar um ser humano ali, que tem um tempo de viagem, etc. Então, edição genética é outra grande transformação que a gente já tem no Brasil e vai ter no mundo, que dá um potencial de você...

adequar qualquer tipo de cultura ou de animais para qualquer tipo de ambiente, seca, maior nutrição, proteína sintética, a gente começa a ter um cenário bastante interessante de ampliação.

No Brasil, pensando nas metas que existem para o futuro, dados que o professor Jaime trouxe também, sem aumentar a área produtiva, com a mesma área que a gente tem hoje, usando esses avanços tecnológicos, a gente vai conseguir aumentar bastante a produtividade. Esse é um daqueles casos que a gente consegue realmente fazer mais com o mesmo.

Em termos de dica, a primeira dica, que eu acho que é a mais importante, que é do professor Jaime, em Brapa tem um monte de fontes confiáveis, o nosso programa maravilhoso, que também é uma fonte confiável, e outros programas bastante, ou seja, baseados em informação, dados, etc. E eu, como gosto muito de ficção científica, vou trazer três inspirações aqui para a gente poder fazer essas análises. Já trouxe Star Trek, vocês sabem que lá você tem um monte de inspiração sensacional, lá dos anos 60, 70 para agora.

Mas eu vou trazer mais três. Interestelar, que mostra o que acontece com a variação climática e como a gente fica à mercê. Aliás, qualquer outro filme que seja de catástrofes climáticas, ele mostra o impacto na agricultura. Tem um monte aí, tá? Só pesquisar na internet o que vocês vão achar. Um que eu acho bem interessante, alguns que estão surgindo agora até por causa da situação de geopolítica que a gente tem, são os que falam dos bunkers. Os bunkers...

eles são um ambiente completamente diferente, não é aberto. E se você não pensar num bunker para sobreviver no longo prazo, você não consegue ficar lá embaixo. Então, na realidade, todos os filmes que falam de bunkers, eles trazem lá formas de agricultura. Um que é bem interessante, que é baseado em ficção científica, em Joguinha, Fallout, não sei quem assistiu a série, mas é bem interessante porque você pega os bunkers que estão lá já há bastante tempo, 100, 200 anos.

E eles têm agricultura. Os que perdem a agricultura não têm mais fonte de alimentação e começam a ter problema. E não só a agricultura, né? Toda a sustentabilidade, que é a parte de agro, água, filtros de ar, etc. Isso dá uma boa noção de ecologia para a gente. E tem um filme que é Marte, que vocês vão lembrar, né? Com Matt Damon, se não me engano.

que você está em Marte, então um dos desafios é como é que eu crio agricultura lá, depende das condições, então além das naves espaciais, com as pesquisas, etc, são filmes que mostram para a gente a importância da agricultura e como ela depende de um sistema complexo. Então é isso, foi um episódio delicioso, mesmo porque agro é Brasil, assim, no coração, e eu agradeço bastante. Obrigada, Carol, obrigada, Jaime.

Obrigada, professor. Foi um prazer ter você aqui. Obrigada, Marta. Obrigada. O Futuramente, então, fica por aqui. A gente se encontra na próxima terça-feira com mais um episódio. Você pode encontrar a Marta no Instagram, arroba Marta Gabriel. Também mandar um e-mail pra gente, futuramente, arroba cbn.com.br. Você pode assistir esse podcast no Spotify ou no YouTube.

Futuramente teve apresentação de Marta Gabriel e Carol Tamacia, produção de Ellen Menezes, edição de Priscila Gubiotti, coordenação é do Tiago Barbosa e a direção de Pedro Dias Leite. Tchau, gente. Até a semana que vem.

Episódio #18 - IA no agronegócio | Castnews Index — Castnews Index