ABC Cast Conexões T02E12: Isidro Sanene | Angola ancestral e o poder do intercâmbio cultural
Neste episódio do ABC Cast Conexões, mergulhamos na riqueza cultural e nas pontes ancestrais que ligam o Brasil à Angola através dos olhos de Isidro Sanene, artista multimídia, escritor e idealizador da Casa de Angola em São Paulo.
Natural de Benguela e pertencente à etnia Ovimbundu, Isidro compartilha sua potente trajetória artística, a importância da oralidade como ferramenta de inclusão e os bastidores históricos da vinda do Rei Ekuikui VI ao Brasil em 2023.
Confira a entrevista completa com a participação da jornalista convidada Giovana Baria.
📌 TÓPICOS PRINCIPAIS:
Conexão viva: A relação cultural contemporânea entre o Brasil e Angola, rompendo com visões limitadas por estereótipos históricos.
Arte como escudo: A literatura e as artes visuais como ferramentas de superação, emancipação e construção de novas narrativas de poder.
Diplomacia ancestral: O impacto político, espiritual e a quebra de protocolos na recepção do Soberano Rei Ekuikui VI em solo brasileiro.
Contraponto crítico: O debate sobre o fomento cultural, o risco de romantização dos laços bilaterais e os desafios geopolíticos atuais.
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Thiago Quirino
Giovana Baria
Isidro Sanene
- O legado das pessoas queridasSemente para o futuro · Superação do racismo · A importância de ver o outro · Energia do universo
- Visita do Rei Ekuikui VI ao BrasilDiplomacia ancestral · Recepção no solo brasileiro · Rei Tshungulula Tshungunga · Etnia Ovimbundu
- Relação Brasil-EUA e EleiçõesCultura contemporânea · Estereótipos históricos · Língua portuguesa · Países africanos de língua portuguesa
- Identidade Racial e DiásporaÁfrica mítica vs. África atual · Jornada do herói negro · Negro brasileiro no não-lugar · Construção da cidadania plena
- Oralidade, arte e música como memória ancestralFerramentas de inclusão · Narrativas de poder · Reafirmação da memória · GPS da Ancestralidade
- Património Cultural em Risco em Zonas de ConflitoRomantização de laços bilaterais · Desafios geopolíticos atuais · Mídia ocidental · Imposição política ocidental
- Diversidade de tradições religiosas afro-brasileirasConflito entre tradição e modernidade · Visão ocidental de diversidade · Poligamia · Namíbia
- Gastronomia Angolana e ChinesaMufete · Moqueca · Pirão · Pé de moleque
ABC Cast Conexões, um podcast do portal ABC do ABC, onde as conversas sobre os mais variados assuntos se conectam com você.
Olá, muito bem-vindo a este episódio do ABC Cast Conexões. É um prazer receber você para mais uma conversa. O nosso desafio é sempre trazer aqui programa um tema, um convidado, um jornalista convidado que possa também me ajudar a desvendar esse tema. Um tema que possa ser diferente de tudo que você já viu e que tenha de alguma forma conexão com você. Quando a gente apresenta o tema, pode ser que por mais que você não tenha entendido como isso se conecta, o nosso desafio é que nos próximos 60 minutos a gente consiga fazer esse gancho e conectar essa história contigo.
E o nosso desafio de hoje é esse. Na primeira temporada do nosso podcast, nós trouxemos um tema que tem uma certa ligação com o que nós vamos falar hoje, né? Na época, a gente trouxe uma escritora que falava muito sobre educação antirracista e sobre ancestralidade. E a gente talvez vai ampliar um pouco essa história para falar um pouco mais de cultura, falar de riqueza cultural, na verdade, histórias de superações, falar de ancestralidade e a ligação entre o Brasil e o maravilhoso país que é Angola.
Nós vamos fazer tudo isso dentro do olhar do nosso convidado, que é um artista multifacetado. Ele já transitou pelas letras, ele já foi pelas artes visuais, ele faz gestão cultural e tem um impacto muito importante aqui na região metropolitana de São Paulo. E vamos inclusive explorar a história de quando Este nosso convidado trouxe um rei para o Brasil. Vocês estão interessados em saber sobre isso? A gente já vai apresentá-lo logo mais.
Antes de apresentar o nosso convidado, eu quero apresentar a nossa convidada, que é a nossa jornalista convidada. Então eu tenho o prazer de receber aqui hoje nas bancadas do ABC Cast Conexões a Giovana Bárea, que é uma grande amiga minha, uma excelente jornalista, e terei o prazer de dividir com ela a bancada. Gi, bem-vinda ao ABCcast Conexões.
Thiago, obrigada. Boa tarde a todos e queria agradecer aqui mais uma vez a participação. Hoje eu tenho certeza que o tema vai ser interessantíssimo e que o papo vai ser super rico.
Muito bem, obrigado, Giovana, por ter aceito o convite. E o nosso convidado de hoje, né, o nosso convidado é um farol da cultura, é assim como como eu me sinto bem em apresentá-lo, né? Natural de Benguela, na Angola, pertencente à etnia Ovimbundu, e hoje é radicado aqui em São Paulo, né? Mora aqui em São Paulo. Como eu falei, ele é um artista multimídia, né? Pintor, um pintor premiado, ator, autor de 9 livros que foram publicados, e o idealizador do Centro Cultural Casa Angola em São Paulo.
Nós estamos falando com ele, né, Isidro Sanene. Então, Isidro, seja muito bem-vindo ao nosso programa e vai ser um grande prazer poder discutir alguns temas importantes sobre a cultura angolana, a cultura brasileira e a arte, a cultura de forma geral. Então seja muito bem-vindo.
Olá, tudo bem? Olha, muito obrigado, Tiago, muito obrigado, Giovana, né. Por estar com vocês, assim, com grande satisfação, de fato. E para mim é um privilégio, é um privilégio estar aqui nesse podcast e conversar com vocês a respeito daquilo que tem sido o meu trabalho enquanto, digamos assim, um ativista da cultura, da literatura, né, e da promoção da humanidade.
Isidro, aqui o ABCcast Conexões é um programa de perguntas fáceis. Então eu vou começar logo com uma primeira pergunta só para quebrar o gelo entre nós, e você fica à vontade de responder. Às vezes as perguntas elas são diretas e outras elas são mais filosóficas. Essa que eu vou te fazer é um pouquinho mais filosófica, né? Você transita por diferentes ambientes culturais, né? Contação de histórias, livros, pintura, né? A arte acho que tá dentro de você, mas se você tivesse que descrever a sua jornada usando uma cor e uma palavra apenas, qual seria?
Olha só, uma cor e uma palavra.
E uma palavra.
Uma palavra: humanidade. Uma cor? Ah, você me pegou. Poderia ser laranja.
Laranja? O laranja tem um significado especial para você?
Sim, laranja nem é uma cor muito forte, não é? Geralmente é a cor africana, não é? Então chama orange, orange Africa. Então, ou seja, geralmente quando se faz os grandes eventos no continente africano, que era, por exemplo, o Campeonato das Nações Africanas, as cores mais presentes É a cor laranja, né? Tanto que hoje um dos melhores pôr do sols, né, a se ver no mundo é o pôr do sol laranja da África, né? Com aquele céu cinza, mas o laranja ali muito presente.
Então o laranja promove vida, né? Então eu vejo vida nessa cor, eu vejo algo pulsante, né?
É muito interessante a sua resposta porque de fato resume bem a sua vida, né? Uma vida que é focada na humanidade e uma vida que é focada na vida pulsante, né? Isso é muito, muito interessante. E aí então a gente pode começar de fato a nossa conversa com a primeira pergunta oficial desse programa, né? Que é assim: você tem vivido entre os brasileiros já algum tempo, né? Mas tem percebido também que talvez o brasileiro, ou pelo menos esses que estão em volta de você, ainda não entendeu ou tem uma certa limitação em compreender a grandiosidade da cultura africana, especialmente a grandiosidade da cultura da Angola.
Então a gente sofre com estereótipos ou um conhecimento talvez limitado daquilo que culturalmente pode ser muito rico. Então existe, quando você olha assim para Angola contemporânea, né, essa Angola atual, e o seu trabalho que você desenvolve aqui em São Paulo, tem alguma conexão viva que a maioria de nós não estamos ainda enxergando, mas que você gostaria de ressaltar? Do tipo, pessoas, olhem para este lado, este lado é o lado belo que vocês não estão conseguindo enxergar.
Bem, muito bem. É uma pergunta muito interessante. Eu começaria por dizer que quando nós falamos especialmente sobre a questão da África no Brasil, ela é reduzida a um país, né? E sendo reduzida a um país, a cultura africana é reduzida a uma religião, né? As pessoas chamam de religião de matriz africana. As pessoas não entendem no Brasil que quando nós falamos de cultura é como se fosse uma pizza, né? Falando de política, gosto, enfim, né, múltiplas coisas.
E geralmente o Ocidente tem um certo costume de nos diminuir, né, é um padrão isso. E o outro ponto que eu percebo, de alguma forma, que eu gostaria muito de poder frisar aqui, né, é de que o Brasil ele parece perseguir uma África mítica, uma África dos sonhos, uma África do Wakanda Forever, que já não existe mais. E alguns movimentos, especialmente o movimento negro, perseguem isso com uma certa insistência e ao mesmo tempo se negam a ver essa África atual.
Percebem? Essa África atual, uma África que não parou com o processo da escravização. E muitas das vezes isso faz com que muitos negros brasileiros, ou até mesmo o Brasil, de alguma forma acaba se perdendo nesse caminho, porque quando fala sobre África são fragmentos, são vários fragmentos, são vários cacos. E o meu trabalho, ele vem para de alguma forma consertar, pegar os cacos e reanimar esses cacos, porque eu cheguei no Brasil e eu percebi que no Brasil eu não sou apenas um indivíduo.
Na minha terra eu sou uma pessoa, na minha terra eu não sou negro, ninguém me chama de negro na minha terra. E o branco inventou o negro no Brasil. Então o negro passou a ser um histórico ruim, um adjetivo, percebe? Então eu sou um homem negro. Tanto que é muito comum, por exemplo, você ouvir pessoas se identificarem mesmo, né? Eu sou negro. E eu me pergunto hoje, num tempo tão contemporâneo em que nós estamos vivendo, qual África voltar?
Por isso que quando eu desenvolvi o GPS da Ancestralidade, ele tem esse intuito de fazer o quê? De quebrar esse estereótipo sobre essa África lá do passado, né? E de alguma forma traduzir a África atual, que é a África contemporânea, que o Brasil se nega a ver, né? E que muitas das vezes alguns irmãos, até irmãos meus, né, brasileiros negros por direito ancestral, muitas das vezes acabam meio que permeando, criando um discurso que ainda parece que não alcançaram a sua plenitude enquanto cidadão brasileiro.
E isso faz com que muitos deles acabam vivendo no não lugar. Por quê? Porque alguns ainda estão na travessia, percebe? A ideia da travessia, a ideia do tráfico triangular, a ideia da escravidão, né? A ideia do negro oprimido, né? Então poucos se fala sobre a jornada do herói do negro no Brasil, né? Então, se nós olharmos, por exemplo, nas escolas, o que nós mais vamos perceber, o que que é? É o negro sempre, né, com problemas, digamos, negro com problema, né?
Nós vamos combater o racismo, vamos combater, né? E eu sempre tenho dito, inclusive eu sempre uso esse discurso de que nós devemos combater, mas antes de combater nós temos que começar a prevenir o racismo, porque quem combate a gente tá sempre na luta, a gente tá sempre na guerra, não tem caminhos para construir ou para pensar ou para imaginar alguma coisa.
Então, desculpa até te interromper, acho que também existe aquela questão de conquistas de territórios, e não na conquista no sentido de uma disputa, né, de você tirar alguém e assumir o local como uma colônia, né, como a gente, a história prova isso, mas de conquistar mesmo, de se colocar em determinados locais. E aí É onde eu queria até trazer a Giovanna pra conversa, porque ela também tem um pouco disso, ela entende muito de uma determinada cultura e ela representa uma determinada cultura também.
Eu acho que esse é um ponto importante, né? A gente assumir espaços ou conquistar espaços por meio da cultura, da arte, da inteligência, né? Que a gente acaba conquistando por meio dos olhos, dos sentidos totais que o nosso corpo tem. É mais ou menos por aí também, né, Giovana?
Total. Eu achei muito interessante até o que você tava falando, porque eu sou descendente de lituanos, né, mas muito diferente de você, eu sou bisneta de lituanos. Então os meus amigos lituanos, eles falam muito sobre como a gente aqui no Brasil na comunidade lituana que a gente tem em São Paulo, a gente vive uma Lituânia que não existe mais. Eu vivo uma tradição muito antiga da Lituânia, né? E você tá justamente fazendo um trabalho que— e falando sobre como é preciso mostrar uma África, uma Angola em específico, né, mais atual, uma África contemporânea.
Então eu me identifico muito nessa parte, mas eu nunca parei para ter esse tratar e te falar, poxa, o que que eu posso trazer de novo da Lituânia, né? Eu sei muitas coisas novas de lá, mas de fato eu ainda vivo uma Lituânia muito provinciana, porque é isso, a gente tem descendentes, somos descendentes muito distantes ali, então a gente reproduz algumas tradições muito antigas. E aí eu até te pergunto nesse sentido, como é que você faz para trazer essa modernidade? Como é que você transmite uma nova cultura?
Maravilha! Pois bem, então é muito interessante isso, e eu inclusive tenho dito várias vezes em algumas entrevistas de que hoje a arte e a cultura é o único meio que temos para humanizar a sociedade contemporânea, é o único meio que temos para nos humanizarmos. Porque na arte, ao contemplar uma obra de arte, ao apreciar uma música ou qualquer tipo de linguagem artística, raramente as pessoas olham o tom de pele. Raramente as pessoas perguntam de qual país essa pessoa é.
As pessoas se encantam, as pessoas gostam. Porque o que nos une, o que faz com que a gente seja gente São esses reflexos, né? Então, o que eu tenho trabalhado muito para, de alguma forma, trazer essa realidade contemporânea, atual, por exemplo, de Angola em particular, porque Angola é um país com vários grupos étnicos, é um país com várias culturas dentro de um só lugar, assim, basicamente é como o continente africano todo, se nós podemos dizer isso.
Então eu trago muito através da partilha da memória, né, a memória presente, a memória atual, porque o tempo ele é especialista em apagar memórias. Então, por exemplo, suponhamos, como é que nós podemos começar a compreender a angolanidade na brasilidade? Primeiro começar a pensar em coisas comuns, né. Então quais são as coisas comuns? Eu tenho um livro, né, que é um livro infantil chamado Lá e coisas em comum é para criança, né?
Então toda criança gosta de pular corda, percebe, né? Então, e às vezes é muito interessante que no livro eu começo, no livro, por exemplo, fazendo o quê? Eu começo no livro com uma imagem sobre, uma imagem de uma cidade, né, de alguns países africanos, e eu faço perguntas: essa cidade te parece o quê? E as crianças geralmente respondem: ah, aqui parece Nova York, São Paulo, né, Barcelona, né, todo mundo fala um lugar incrível, chique, mas ninguém fala África, ninguém fala isso aqui é um país africano, percebe?
Então uma forma de aproximar é trazer essa realidade atual e dizer que, olha, até mesmo para as nossas crianças, percebe? Às vezes as nossas crianças estão na escola, né, eu sou psicopedagogo, então trabalho muito com a questão da contação de história, trabalho muito com essa questão de reafirmar a memória, essa memória positiva. Que nós olharmos, por exemplo, no Google, hoje no Google, através do Google, por exemplo, dá para pegar no mouse, né, do Google, e no mapa, no Google Maps, dá para você ver a cidade, dá para você ver os locais, dá para você ver as pessoas, né.
Então, e começar com essa aproximação, por exemplo, termos, as palavras que tem cafuné, dengo, moleque, são palavras que vêm da língua angolana, especialmente o quimbundo e o ombundo. Então é muito próximo, né? Por que vamos falar da Nigéria? A Nigéria tá muito longe, tá muito distante. Podemos começar a falar de países africanos que compartilham, né, de alguma forma o mesmo idioma, que é a língua portuguesa. Começar pela África dos Palopes, que são países africanos de expressão de língua portuguesa, né?
Que é uma forma de começar a fazer o quê? A pegar esses cacos, porque afinal de contas, no Brasil, segundo dados do Museu da Escravatura, nos diz que 45% dos escravizados saíram da região como Angola. Então significa, né, que é para tirar essa ideia de que os negros brasileiros são descendentes de escravizados, né, que a vida deles começou na travessia, eu devo dizê-los que não, não começou na travessia, começou muito antes, né, do processo escravocrata, percebe?
E que mesmo sendo antes do processo escravocrata, Angola não parou, não parou no tempo, percebe? Os brancos não foram lá e pegaram os negros e levaram e acabou, não, percebe? Então, ou seja, tem negros hoje, eu particularmente mesmo, por exemplo, eu acabo tendo conversas com os brasileiros e dizer, olha, eu não tenho nenhum avô, bisavô que foi escravizado, eu nasci livre, os meus avós também nasceram livres, percebe? E que lá tem cidade, as pessoas usam computador, as pessoas usam camiseta Nike, Adidas, as pessoas estão no Facebook, entende?
Então eu sempre tenho tentado trabalhar desta forma, queira em termos de palestras, Ou mesmo como, por exemplo, fazer uma imersão cultural, porque o brasileiro precisa conhecer a África real, não aquela África do tipo, ó, por exemplo, tô indo para Angola. Muitos brasileiros dizem, eu tô indo para África, mas não falam para Angola. Mas quando vão para Europa dizem até o nome da cidade onde estão, eu estou em Paris, mas não está na França e não está na Europa.
É curioso a forma como nós aprendemos a se referir à África.
Né?
E parece difícil largar a forma como a gente trata a África, mas eu queria fazer um exercício talvez positivo nesse ponto. Se a gente olha a história do Brasil, por mais de 300 anos a gente só enxergava a África como uma fonte de mão de obra escravizada, né? Então o negro saía da África, vinha para o Brasil somente para trabalhar e para produzir. Embora ele não pudesse usufruir daquilo que ele produzisse, ele vinha para produzir.
Agora, a sua jornada, ela é semelhante e diferente, né? Então você sai da Angola e vem para o Brasil para produzir. Essa é a semelhança. E essa semelhança para somente aí, porque você veio produzir cultura, você veio produzir arte, e você veio criar coisas que agradam o olhar, agradam a alma, agradam o espírito humano, que humaniza. Talvez as marcas da sua trajetória são diferentes das marcas da trajetória de ancestrais, mas a construção de um país você está fazendo hoje, que é a construção de um país, de um Brasil diferente, que consegue olhar para trás e olhar talvez para o continente africano e para os países da África de uma forma diferente.
Então eu queria talvez que você pudesse falar um pouco dessa sua jornada do herói, né, Isidro? Como que aquele garotinho lá da Angola vem se tornar o fundador de um centro cultural no Brasil? E quais os percalços desse caminho aqui? Consegue? Eu sei que é uma história muito longa, mas você consegue resumir pra gente em poucos minutos?
Sim, claro. Veja, eu, quando tu dizes essa questão dos ancestrais, né, e nós aqui presentes, eu tenho dito a muitas pessoas, né, de que nós precisamos observar o presente, né? Temos que observar o presente, mas ao mesmo tempo nós temos que olhar o presente, mas com um olhar um pouco mais amplo, espreitar um pouco o futuro. Né, porque o passado, querendo ou não, ele é sombrio, né. Então há muitas dores, né. E eu venho de uma família muito pobre, uma família extremamente pobre, né.
E desde garoto eu nasci na cidade de Benguela. Benguela, inclusive, né, foi na minha cidade onde nasceu a capoeira. Veja só que coisa! A capoeira nasceu na minha cidade, né? E é uma cidade litorânea, né? É no litoral. E desde menino eu sempre me questionei o que tinha depois, né, do oceano, depois do ponto do oceano, né? Eu sempre me questionei o que que tem lá, percebe? E a minha infância ela foi marcada pela guerra civil no meu país, e eu via os meus irmãos matando uns aos outros.
Eu não conseguia entender aquilo, percebe? E eu via, por exemplo, as tropas da ONU, né, vindo para poder pacificar de alguma forma. E eu me lembro muito bem, isso era no Cobal, era uma região onde estava lá, digamos assim, onde tinha maior contingência, né, em termos de luta armada, guerra civil. E eu comecei a pensar muito o Brasil e o mundo por conta daqueles soldados de capacete azul, porque alguns eram soldados da ONU, mas eram brasileiros também.
E eu tinha visto uma criança chamada John, e essa criança era uma criança branca de olhos azuis e sempre estava andando, perambulando sempre com um dos soldados. E depois virei amigo desse garoto. Eu era menino também. Ele não falava muito bem o português. Daí eu comecei a me apaixonar um pouco com esse outro mundo, né? O outro lado, percebe? Então eu confesso assim, só resumindo aqui para vocês, eu sempre me acolhi na arte porque desde menino eu fui abandonado aos 4 anos pela minha mãe.
Né, então eu fui aquele, aquela criança, tanto que hoje, né, hoje eu sou uma pessoa de não complicar muito as coisas, entende? Sabe aquela criança que não gosta de complicar muito, sabe? Não tem, não há muito poder de decisão de decidir se quer, se não quer isso, então o que der tá tudo bem. Aquela criança, né, que sabe o seu lugar. Eu era esse tipo de criança, percebe? E a mais, ao mesmo tempo, muito curioso. E eu queria me provar a mim mesmo que que eu seria capaz na vida.
Então teve um momento na minha história, na minha vida, eu criança, né, eu comecei o trabalho muito cedo, vendia água, né, e na praça teve um momento em que eu me deparei com uma obra de arte chamada Jan. Não sei se vocês já ouviram falar sobre essa obra de arte, chama-se Jan. Essa obra era uma obra, bem, na época eu não sabia muito bem, mas eu fiquei muito fixado com esse tipo de obra, porque eu cheguei aqui no Brasil como artista mesmo, percebe?
E eu comecei a ser artista em função dessa obra de arte, né? Diane é uma obra de um grande pintor judeu chamado Amadeu Modigliani. Ele é um grande pintor que inclusive hoje conhecemos o Pablo Picasso por conta dele, era o grande rival de Pablo Picasso, né? Então eu cheguei aqui no Brasil basicamente com $30 no bolso E o que eu tinha era o sonho de trazer uma verdade no Brasil a respeito sobre o meu território. E ao mesmo tempo dizer a todos os brasileiros que não importa as circunstâncias ou as condições de cada um, nós temos um presente, nós temos um dia em branco, percebe?
E viver sem que a gente fique se cobrando em função, por exemplo, do que eu preciso provar algo algo, né, algo pelos meus ancestrais. Mas os meus ancestrais, eles viveram o tempo dele. Talvez alguns conseguiram e outros não. Mas agora é o meu momento, é o meu tempo. O que eu vou viver com esse tempo? Eu não posso viver com remorso, não posso viver com ódio, com raiva do que aconteceu lá atrás, né? Porque até então eu não estava lá, mas eu estou aqui hoje.
O que eu posso mudar nessa realidade, a minha realidade? Como é que eu posso mudar? Percebe? Então as pessoas olham para mim, eu sou preto, sou negro, Ok, mas o que eu posso mostrar além disso, eu como preto? E é justamente por isso que quando algumas pessoas me perguntam, Isidro, tu te consideras um artista, um escritor, um produtor cultural negro? E eu sempre digo, não, eu sou apenas um produtor cultural, eu sou apenas um artista, eu sou apenas um escritor, porque é assim que eu quero que vocês me enxerguem, percebe?
Ah, mas o mundo é separado, o mundo é isso. Assim, mas é uma expressão, é uma questão, é um problema que eu não vou conseguir resolver, porque o mundo segue o seu próprio curso. Mas eu tenho que ser o presidente da minha própria república, percebe, né? Porque se eu enxergar os problemas que acontecem ao meu entorno, eu não vou viver, não vou respirar. Então eu preciso viver, eu preciso respirar, percebe? Se eu olhar pra cada vídeo, pra cada expressão, pra cada racista, eu não vou viver.
Então foda-se o branco, não me interessa o branco, não importa quantos tem na minha frente, mas o que eu quero aqui apresentar é o fato de que eu tenho uma história, percebe? Então os meus ancestrais vieram aqui forçados, vieram aqui à força no navio, mas eu vim aqui de uma Boeing, eu vim aqui de voo, percebe? Eles demoraram meses e meses pra chegar aqui. Eu demorei só 8 horas de voo para chegar aqui, entende?
E foi com esse ímpeto que você decidiu criar o centro cultural?
Sim, sim.
Por quê?
Porque eu vi um problema no Brasil. O problema no Brasil é o não reconhecimento de sua própria identidade, percebe? É o não reconhecimento de sua própria identidade. Isso faz muitas das vezes com que os negros continuem permanecendo sempre no lugar da África mítica, né? Porque, por exemplo, os brancos brasileiros, eles têm um lugar na Europa. Qual lugar na Europa? Percebe, né? Então eles conseguem, se não existir o Brasil, por exemplo, a Giovana, Lituânia, tá ali a Lituânia, você percebe?
Se não existir Brasil, para os brancos brasileiros tem a Europa e tem a Espanha, tem Portugal. Mas para os negros, se não existir o Brasil, eles só têm apenas uma ideia de África. Então, quando eu trago uma angolanidade na brasilidade, é como que eu quisesse de alguma forma reforçar, né, a identidade, né, plural, cultural de um lugar que, por exemplo, brasileiro desconhece, mas que ele se aproprie. Só que antes do negro brasileiro se se apropriar dessa angolanidade, ele precisa se despir do contexto plural sobre África.
Ele precisa primeiro vestir a sua nacionalidade plena. O que que é? O negro brasileiro precisa primeiramente deixar de pensar África, começar a pensar Brasil, eu ser um território, né? Porque se ele não fizer isso, o branco ele faz. Por isso que o branco ocupa no Brasil, por isso que o branco ele vai nos lugares, Por isso que o branco não pergunta se aí é o lugar dele. O negro, ele pergunta. Por quê? Porque ele ainda está no não-lugar.
Ele acha que é africano, mas não é africano. Percebe? É uma África que está por ali. Ele busca uma ancestralidade que já não consegue mais. Então, ou seja, antes que ele se reforce como um cidadão pleno brasileiro, ele precisa primeiramente se despir. Dessa África plural e começar a trabalhar em uma África mais pontual, né? E só assim ele consegue garantir a sua cidadania plena brasileira.
Isidro, e eu tenho uma pergunta no meio de tudo isso, né? De todas essas barbaridades que o brasileiro acaba fazendo sobre a África, quando você chegou aqui, qual foi a que mais te chocou assim?
Bem, quando eu cheguei aqui, o que mais me chocou foi o fato de que, primeiro, quando eu falava, quando eu falava aos brasileiros que eu era angolano, e os brasileiros diziam para mim, puxa, caramba, você aprendeu a falar português muito rápido! Então eu ficava, puxa, caramba, mas você não sabe que na África tem países africanos que falam português? Tu não sabes que Angola, por exemplo, é o segundo país depois do Brasil de maior expressão de língua portuguesa? Percebe? Ou seja, o desconhecer faz com que a ignorância se aproprie.
Muito curioso isso, Isidro. E sabe que eu tenho uma— eu sou casado com uma geógrafa, né, uma professora de geografia, e uma das aulas que ela mais gosta de dar é sobre que é uma aula especial, né, é sobre África e africanidades, onde ela tenta derrubar esse muro, né, justamente para que as pessoas entendam África como o que a África realmente é e não resumir a África em um grande país territorial, né, produtor de poucas coisas.
Na verdade, ela tenta ampliar a mente das pessoas. Eu acho que ela, dentro do cenário dela como professora em uma específica. E você, dentro do seu cenário, né, nesse ambiente mais cultural, né, das artes, da literatura, enfim, vocês tentam atingir talvez o mesmo objetivo, né, trazer mais conhecimento para as pessoas, que ao vencer a ignorância a gente acaba promovendo algo daquilo que é bom. E aí eu me lembrei, um tempo atrás eu tava vendo TV E eu vi uma manchete que me chamou muita atenção, que falava: um rei africano visitando São Paulo.
Eu pensando: rei africano? Eu não sei, talvez isso tá errado. Daí depois, durante a reportagem, falava: não, o rei da Angola está no Brasil. E eu pensando: mas Angola não tem rei, né? Talvez fosse de uma etnia. E aí quando eu fui pesquisar a respeito, eu vi que os meus amigos jornalistas da televisão estavam dando a notícia encerrado, né? Mas para minha surpresa, você era a pessoa por trás dessa visita, vamos dizer, de um soberano da nação Ovimbundu estando no Brasil, né?
Consegue falar para a gente um pouquinho desse bastidor? E talvez a pergunta que eu te faço para complementar e a gente fechar esse bloco é: qual foi o resultado, o impacto real desse encontro? Você traz uma autoridade africana ou uma autoridade angolana para o Brasil? E qual o impacto disso no seu trabalho e no conhecimento que nós paulistanos temos a respeito da Angola, a respeito da cultura africana?
Bem, para mim é muito importante, né, que o brasileiro, ele, por isso que eu falo da questão dos GPS da ancestralidade, a questão da geografia, né? Porque o brasileiro, ele tem um pouco dessa síndrome do esquecimento, como os americanos, né? Parece que o mundo circula só— o brasileiro, ele pensa Brasil, depois ele pensa Europa, depois ele pensa Estados Unidos, né? Então eles não têm a dimensão geográfica das coisas, tanto que é muito raro, por exemplo, ir em casas de brasileiros e ver brasileiro, por exemplo, assistir uma televisão do Peru, por exemplo, né?
Ouvir uma rádio da Bolívia é muito raro. Na África, em países africanos, isso não acontece. É muito comum, por exemplo, tu estar em Angola e você ouvir o noticiário, uma TV de Zimbábue, de outro país, percebe? Ver como é que eles são, né? Então, por conta dessa falta de comunicação, dessa ideia mais geográfica da coisa, Eu, ao trazer o rei, o rei Tshungulula Tshungunga, né, eu fiz o convite a ele de poder vir aqui no Brasil. Aliás, ele foi o primeiro rei de tradição banto, né, a pisar no Brasil.
É claro que os jornalistas, eles acabam trazendo uma pauta que vende, né? África vende, percebe? Do que tipo região da África. Região da África não vende. O que vende é África. Vamos falar de África, né? Vamos falar Porque a ideia é justamente isso, é tentar embaralhar a informação, né? E é dali que vem a desinformação. Pois é. Ok? Então, o rei Timbula Timbonga, ele é o rei do maior grupo étnico de Angola. Angola é um país com a conotação de vários reinos, ok?
Então algumas pessoas pensam que em Angola não tem reis. Assim como na Europa, ainda tem reis na Europa. Na África também existe, também tem, só que os reis atualmente eles não desempenham um papel político, geralmente é mais um papel simbólico, percebe? Então Angola, por exemplo, o nome verdadeiro de Angola é Ngola, não com a letra A, né? E é claro que o nome que está lá é a letra A, tá? Angola. Por que Angola? Porque Angola foi colocado pelos portugueses.
Porque Ngola significa reinos e Angola significa sem reinos. O A é uma preposição, aliás, desculpa, o A é um prefixo de negação, né? Então por isso quando eles dizem povo ahistórico, né? Angola, então África, frica, né? Frio, África sem frio, né? Então eles tinham muito essa mania de sempre colocar a letra A para tirar algo, a letra A, né, para diminuir alguma coisa, percebe?
Então, e até isso os portugueses tentaram tirar, né? Que incrível!
Sim, sim, sim, sim. E assim, e eles tiveram, eles tiveram, digamos, dentro da política portuguesa, eles tiveram êxitos, né, porque eles conseguiram de fato, né, permear sua cultura, o seu querer enquanto nação, né, como uma imposição entre outros povos, né. Então, ao trazer o rei aqui no Brasil, foi uma proposta de poder trabalhar esses GPS da ancestralidade, dizer, ó, Brasil, escuta um pouco aqui, olha um pouco aqui. Tanto que inclusive o rei, ele não podia sair daquele lugar, mas eu fui para lá, eu fiz o convite.
É uma pessoa próxima, eu sou amigo dele pessoalmente, sou um seu amigo pessoal. Do rei. E pronto, eu fiz o convite, né, tendo em conta que, pronto, o rei, ele tem, né, um dos filhos, eu sou padrinho de um dos filhos do rei. Então meio que de alguma forma ele veio aqui a um convite de amigo, só que ele chegando aqui a um convite de amigo acabou sendo algo oficial, porque, né, tem a questão da embaixada, do tanto que isso me deu alguns problemas, né.
Tem a questão da embaixada, os ministros, enfim, né? E tinha que passar por cima de várias situações, né? Teve um momento que eu peguei o rei para passearmos na Avenida Paulista, né? Nós andamos de metrô, tivemos que simular ali alguma coisa e deixar os seguranças, os caras, ninguém soube de nada, né?
Por quê?
Para poder mostrar para ele, porque eu quis mostrar para ele o Brasil. Teve uma foto que depois viralizou, porque pronto, quem fez uma reportagem inteira da vinda do rei foi a TV Globo, né, que acompanhou em todas as, fizeram a reportagem em todos os momentos, a imprensa, a CNN também. Mas foi muito interessante, teve uma foto que viralizou, que foi quando ele leu, ele estava com um livro de Conceição Evaristo, né. Então, e foi muito interessante porque para ele é uma questão muito interessante, né?
E entender essa cultura brasileira e faz também de alguma forma com que ele entenda que havia um vazio, ainda um vazio, há um distanciamento muito grande entre os africanos que ficaram lá, que não foram escravizados, com os africanos que vieram, né? E pronto, e criou-se esse Brasil, né, que é o que nós conhecemos. O Brasil é fruto do estrupo, né, se eu possa dizer, desculpa, com todo respeito, né? Mas a sociedade brasileira veio através de abusos, né?
Então, e é justamente por isso que é uma sociedade mista, né? Em que hoje, quando você diz que eu tenho orgulho de ser preto, de ser negro, bem, o branco pode dizer que tem orgulho de ser branco. E o mestiço? Aonde fica o mestiço? Porque aqui, se você, por exemplo, o seu pai é negro, E a sua mãe é negra, por que você tem que ser negro? Ah não, por conta dos traços e tudo, mas nos seus traços tem partes negro e tem partes branco.
Mas por que você tem que ser negro? Por quê? Porque o sistema insiste em te inferiorizar, insiste em dizer que você vem de uma geração fracassada, você vem de um povo fracassado. Percebe? Isso faz com que você vive com ódio, com raiva, porque a sua mente fica atrelada nisso. Então teve assim, teve um salto muito positivo porque eu consegui de alguma forma levar o Rei Tshongolola Tshongonga para visitar vários quilombos, né, movimentos negros, escolas, crianças que choravam, uau, aquela coisa toda, tem rei em Angola?
Brasil tem, né, com aquela tradição, todo mundo saudando. Então, mas para valorizar. E veja que é uma realidade, por exemplo, que as pessoas aqui no Brasil não sabiam.
Teve de fato assim, né, um saldo muito positivo, né, até porque de alguma forma tirou um pouco aquela ideia de que, né, daquela África meio como se fosse um país parado, né. Inclusive teve uma reportagem da Globo, da TV Globo, que eles tinham, quando eles se referem a Angola, geralmente é Angola dos anos de 1970, 72, 75, sabe? Então sempre falam sobre a guerra civil, mas aí eu vi que já mudou, porque teve uma imagem que trazia um pouco a respeito, por exemplo, sobre a Marginal de Luanda, né?
Falando um pouco sobre a questão política, de como é que funciona, porque as pessoas achavam, Angola não tem presidente, tem rei? Então, ou seja, a Globo teve um trabalho para explicar agora à sociedade brasileira, para entender como funciona, como é que é essa Angola Nova, né? Tanto que o rei, o Tshonga Tshongonga, ele é o 37º rei. Veja só que coisa, 37º rei, né? Então tem uma história por trás disso e trazer essa verdade na sociedade brasileira contemporânea faz com que de alguma forma também possamos dar a eles uma luz, percebe?
Dar a eles uma clareza. Porque quanto mais o homem tem clareza de si, né, mais estará falando mais sobre sua própria humanidade, percebe? Então não vai estar nas caixinhas, porque o Brasil é que nem americano. Desculpa, tô sempre aqui meio comparando. Eu acho que se é justo, não sei, mas o Brasil tem um certo costume de colocar as pessoas em caixinhas, né? Então você é desse grupo, você é daquele grupo e tal, mas eu que sou africano, que eu venho de um lugar, nós geralmente, ou seja, nós somos nós. É por isso que as línguas africanas elas são plural.
Como vocês podem ver, a conversa tá rendendo bem e temos muito assunto ainda para tratar. Mas antes você precisa ouvir um recado, então não saia daí, presta atenção nesse recado que é muito importante para mim, para você e para todos, e a gente já volta. É um minutinho só.
Olá, essa é para vocês que estão assistindo o ABC Conexões. Sim, vocês, nossos ouvintes. Eu sou João Pedro Melo e agora eu tô na bancada do ABC Cast.
Fala, pessoal! Você já tá vendo, tem ouvido a minha voz? Se você não ouviu, eu sou a Suzana Rezende, apresentadora do ABC Cast. E eu venho aqui para te fazer um convite muito especial. O nosso encontro tá marcado de segunda a sexta às 18 horas lá no ABC Cast. E lá nós falamos sobre tudo que impacta o seu dia a dia, desde o Grande ABC até a região metropolitana de São Paulo. A gente fala sobre o Brasil, sobre o mundo, para te manter sempre bem informado, sem rodeio, sem drama e sem perder mais o seu tempo.
Bom, talvez só um pouquinho de drama.
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Então bora lá?
Então pode dar o play.
Obrigado por ter prestado atenção a esse recado. Vamos direto para o nosso quadro especial, começando com o Contraponto.
Contraponto.
Para o nosso convidado, eu explico. O Contraponto funciona assim: nós não roteirizamos este quadro, trazemos a nossa jornalista convidada para fazer a pergunta que ela quiser como ela quiser. Então eu só peço um favor, Giovana: deixa o nosso convidado vivo para que depois eu possa continuar a encerrar o programa. Mas o tempo é todo seu, pode fazer as suas perguntas.
Isidro, até aproveitando um pouco o gancho da vinda do rei de Angola aqui para o Brasil, eu queria perguntar para você sobre a mídia brasileira. Qual é o assunto que você acha que ela tem que deixar de vez de falar sobre a África ou sobre Angola especificamente?
Bem, primeiro é abandonar, né, a pauta da África oprimida. Esse aqui é um ponto, porque há muita potencialidade no continente africano, né. Então, quando fala abandonar a pauta da África oprimida, é no sentido de sempre terem que falar da África com aquele lugar da miséria, da pobreza, da fome. Percebe, né? Quando, por exemplo, o continente africano tem mais de 54 países, então, e se você olhar a questão dos problemas de guerra, vamos ver isso em 5 países africanos.
Então, Ruanda, por exemplo, que é conhecida a Suíça africana, percebe, né? Que trabalha-se com tecnologia, né? Um dos primeiros países a banir a sacola plástica, por exemplo, né? Um dos 20 países mais limpos do mundo. Estamos a falar né, de um país muito bom e tecnológico. Lesotho, por exemplo, lá cai neve. Tem brasileiros que não sabem que na África neva, entende? Então vamos falar sobre essa África contemporânea atual, que tem grandes edifícios, né, grandes propósitos, percebe?
Podemos falar da África, por exemplo, podemos falar de Gana, Burkina Faso, que agora se tornou como líder de carros elétricos no continente africano, percebe? Então eu acredito que o que a mídia precisa começar a falar mais é de um lugar sobre o continente africano de forma mais pontual, percebe? Então tirar um pouco a expressão de África e começar a nomear as coisas. Há uma dificuldade muito grande da mídia nomear problemas no continente africano, percebe?
Então tudo se resume à África, miséria e fome. Não nomeia as coisas. Isso faz com que a sociedade brasileira também perca esse senso de nomear as coisas. Então quando é que se nomeia as coisas? Se nomeia as coisas mais do Ocidente. Ah, eu tô em Nova York, mas não se diz se você tá nos Estados Unidos, você tá em Nova York, você tá numa cidade. Agora, por que que quando eu estou em Benguela, estou em Luanda, né, eu estou em Nairobi, eu vou dizer estou na África?
Se você quando vai para Europa você diz que tá em Lisboa, você diz que está em Frankfurt, você diz que está em Amsterdã, entende? Então, ou seja, a mídia brasileira precisa começar a nomear, nomear as coisas, nomear os lugares, né, e nomear os problemas também. Porque muitas das vezes o que acontece, a mídia brasileira ela está a serviço na mídia ocidental. Isso, isso, isso é um fato, né? Notícias que de fato acabam, né, mais estar muito mais presente na mídia ocidental.
E a mídia ocidental, ela é uma mídia um pouco hostil a outros lugares que não fazem parte da mesma cultura, percebe? Então, por exemplo, quando existe um presidente que ele decreta uma lei para banir, por exemplo, homossexuais, a mídia brasileira, como é que ela diz, né? Entende? Então, ou seja, país africano, né, criou uma lei contra os homossexuais, percebe? Então, contra os homossexuais, mas como? Com base na percepção do que que é o homossexual no Ocidente, percebe?
Mas lá as pessoas não matam homossexuais, percebe? Então, o homossexual, ele consegue conviver, ele convive. Mas ninguém se apresenta porque os povos africanos são povos muito tradicionalistas. Ou seja, até eu mesmo com a minha esposa, nós não podemos nos beijar na rua. Quanto mais eu como homem beijar o meu amigo na rua, percebe? Então, ou seja, precisa um pouco, porque eu acredito que a mídia brasileira tende sempre meio que forçar a barra, entende?
Então É um líder africano, tá ali, geralmente é chamado de ditador, não é? Como se o continente africano todo, os países africanos fossem obrigados, por exemplo, a seguir políticas, né, como a democracia é vista, por exemplo, no Ocidente. Quando lá nós somos liderados muitas das vezes por quem tem mais força, por quem realmente lidera, pelo mais velho. Então, ou seja, não necessariamente que a democracia funcione mesmo na África.
Isso não significa dizer que somos ditadores, somos ruins com isso, de como lidamos com as coisas, percebe? Então eu acredito que a mídia precisa começar a abandonar isso e a mídia precisa também, de alguma forma, abandonar a África da guerra. A África da guerra. E começar a nomear essa África da guerra. A guerra por quê? Do problema da guerra no Congo. Por exemplo, percebe? Vários países africanos estão em guerra. Por quê? Porque são países que têm mais de 5 grupos étnicos naquele lugar, que até então antigamente não eram países, eram micronações, assim como a Europa, por exemplo, percebe?
A Úrsula, ela não consegue governar a Europa, por exemplo. Ela não pode dizer que agora sou presidente da Europa. Não existe isso, percebe? Porque a Europa Cada país é um país, cada país tem uma cultura, e cada cultura, né, por exemplo, o francês, o francês é francês, é o grupo dele étnico, é francês, eles não têm um outro grupo étnico, percebe? É francês. Português é português, né? Então, se vocês perceberem, por exemplo, coisa que a mídia brasileira não traz, né, vão ver que o problema do continente africano, que é a imposição do Ocidente forçar a barra política de governança que não funciona lá.
Que é o quê? Por exemplo, se você olhar os países de sucesso no continente africano, são países, por exemplo, de menos grupos étnicos. Por exemplo, Ruanda. Quantos grupos étnicos tem em Ruanda? Antes tinha 2 grupos, hoje é só um único grupo em Ruanda, né? E é um país tecnológico, é um país limpo, lindo, Percebe? Mas olha só, aonde é que Ruanda está? O Ruanda é vizinho de um país que está em guerra há anos, anos, que é o Congo, que inclusive é um país tão pequeno que está agora em conflito com Congo, onde tem a maior força armada, veja só, de um país tão grande que é o coração da África do que o Congo.
Por quê? Porque o Congo tem vários grupos étnicos, né? Uganda, né? Assim como Angola, por exemplo, os portugueses colocaram uma governança em Angola Que até hoje, inclusive, nós temos uma, digamos assim, uma ditadura com foco nos ideais ocidentais. Então, a mídia precisa, a mídia brasileira precisa começar a entender um pouco mais essa África today. O que é essa África hoje? O que eles pensam politicamente, socialmente? Como é que eles se comunicam hoje?
Percebe? Isidro, uma coisa me chamou atenção na sua fala, A gente conversou muito aqui sobre falar de uma África contemporânea, de trazer a modernidade, como vive. E aí quando você me fala, você comentou aqui que, por exemplo, casais homoafetivos, ou não é afeto em si, não é visto bem, não somente por casais homoafetivos, mas por qualquer tipo de casal ou de amigos, porque ainda se tem uma tradição muito forte ali, ainda é muito tradicionalista.
Mas você não acha que talvez nesse ponto precise um pouco de modernização? Você acha que esse tradicionalismo justifica não avançar nesse sentido como sociedade?
Muito bem, muito bem, muito bem. Uma pergunta muito profunda e muito interessante. Sim, claro, né? Inclusive, a Namíbia é um dos países africanos, né, que tem tem uma presidente mulher, né, e ela tem sido assim muito voraz, tem trabalhado, né, com muita força na questão da diversidade. Mas, por exemplo, há casos hoje, né, vocês estão percebendo que a África do Sul meio que criou uma política parecida com os Estados Unidos, né, estão expulsando os imigrantes africanos de lá, né.
Então assim, A discussão sobre diversidade, que é o que, que a visão, né, da diversidade que o Ocidente traz, né, é muitas das vezes não vai de encontro aquilo que a sociedade no seu todo, né, digamos ali 60, 70% das pessoas lá pensam, percebe? Então o que, o que que eu acredito, eu como Isidro, por exemplo, né, que faço parte de um grupo étnico, que faço parte ali, digamos, de 44% da sociedade angolana, por exemplo, né? Nós temos a nossa cultura, mas antes que eu trabalhe a diversidade, eu preciso trabalhar primeiro o meu espaço, o meu espaço, né?
Há uma filosofia africana que diz o seguinte, né? É muito interessante, né? Vejam só esta frase: Quando você tem um inimigo interno, você não tem espaço para a vida. Então resolva primeiro o seu inimigo interno, porque quando você tem o seu, quando você resolve o seu inimigo interno, então você tem espaço para viver, percebe? Então o que que eu tô tentando dizer com isso? Por exemplo, Nós sim, nós podemos de alguma forma aceitar esses avanços da sociedade contemporânea ocidental, mas ao mesmo tempo, por exemplo, o que que eu posso dizer?
Olha, o Ocidente, por exemplo, não aceita os nossos avanços como africanos, como cultura, né? Porque vejamos, eu vou trazer aqui um ponto, ok? Suponhamos, eu chego, por exemplo, em um país africano e eu digo: olha, vocês me aceitam como eu sou, Ok, eu estou com meu parceiro aqui e nós somos um casal, tudo bem?
Ok?
Todo mundo disse ok, tudo bem, isso lá não é um problema, isso não é um problema na África, não é. Quando é que passa a ser um problema? Quando eu estou com esse meu parceiro e eu começo a beijá-lo na frente de todo mundo. Por quê? Porque aquela sociedade, até mesmo essa geração nova que está um pouco mais ali percebendo como são as coisas, por exemplo, estranha, vê aquilo como estranheza do tipo Aí ele pode e eu não posso? Percebe?
Ele pode e eu não posso? E acontece que esse mesmo jovem, que ele é contemporâneo, é novo, aceita a modernidade, ele chega no Ocidente, na diáspora, né? E se ele, por exemplo, tentar trazer os costumes dele, não será aceitável aqui no Brasil. Por exemplo, vou dar aqui um exemplo: a poligamia é muito presente no continente africano. Percebe? Imagina, por exemplo, uma herero. Herero é um grupo étnico de Angola onde as mulheres têm marido, mas têm vários namorados.
Isso é muito normal lá. Imagina, por exemplo, do nada essa mesma mulher que é herero chega aqui, ela casa com um brasileiro, e ela— gente, assim, vamos lá, sabe? Como é que fica a ideia da família? E querendo ou não, que também isso nós lá temos. Imagina eu chegar aqui, por O meu grupo étnico, as mulheres, por exemplo, elas andam de 6 para fora. Para nós isso não é um problema. Nós estamos, né, teve uma vez até postei eu, né, e uma parte da minha família ali, né, e tinha algumas meninas de 6 para fora.
Eu fui banido pelo Facebook, pelo Instagram, né. E assim, e nós olhamos aquilo como uma certa normalidade. Não é tipo aqui, por exemplo, no Ocidente, assim, né, que as pessoas sempre tentam trazer essas questões como algo promíscuo, né. E olha que é muito interessante, porque, por exemplo, o fato de ter a poligamia não faz, por exemplo, com que os africanos sejam promíscuos, inclusive. Tanto que é muito raro vocês verem, por exemplo, site pornô africano.
Então, ou seja, há vários contrapontos e há várias incoerências até mesmo dentro da própria sociedade ocidental, porque reprovam a questão da poligamia, por exemplo, mas vivem cercados de motéis, vivem cercados de casa de prostíbulos, percebe? Então a conversa é mais ou menos essa: ok, nós aceitamos vocês, mas vocês nos aceitam?
Perfeito, muito bem colocado. Eu sou uma pessoa, eu gosto muito de cozinhar, né? E eu realmente acho que a comida é uma forma de conhecer culturas que é acessível para qualquer pessoa. Então, partindo desse princípio, eu queria que você falasse um pouco da gente. Se eu quero conhecer Angola, que prato eu devo provar? Que tipo de comida eu tenho que esperar da Angola? Maravilha!
Muito, sim, sim, sim, sim, realmente. E olhem só que falar de comida é falar cultura. E falar de cultura, percebe? Então começamos por ali, né, a questão, o sentir. Porque a partir do momento em que você, por exemplo, sente o paladar, o paladar brasileiro é um pouco parecido com o paladar nosso, porque querendo ou não, eu brinco, né, eu digo que, eu digo que a África colonizou o Brasil com a sua cultura. Que bom, né? Então é moqueca, por exemplo, brasileiro gosta de uma boa moqueca, pirão, por exemplo, né?
Geralmente a nossa comida ela é muito à base da terra, batata, banana, banana-da-terra, mandioca, mandioca frita, por exemplo, né? O brasileiro gosta de uma boa mandioca frita com orégano, né? Vai comendo ali. Um prato típico de Angola que nós temos é o mufete, chama-se mufete, né? E mufete se come com vinagrete, veja só, vinagrete, vinagrete mesmo que o brasileiro faz. Vinagrete, né, banana da terra fervida, né, e batata, batata-doce fervido, né, e um peixe grelhado. Pode ser o carapau ou então o peixe brasileiro, né, que é o anchova, né.
Ah, que bacana! Muito interessante.
Isso. E aí tem a farofinha. Geralmente a farofa é, né, nós temos lá que é uma farofa muito, muito especial, é um pouco diferente daqui. E olha que é muito interessante, porque a culinária brasileira tem um pouco da culinária africana, né, especialmente a de Angola. O pé de moleque, por exemplo, que vocês comem. Não sei se vocês gostam de pé de moleque. Vocês gostam de pé de moleque?
Paçoca.
Olha só, você não é de verdade.
Bom, antes de tudo eu preciso salientar que tem conversas que a gente checa dados, estatísticas, números, e que também tem conversas que a gente simplesmente se deixa ser atravessado por elas. E essa com certeza foi uma delas. A gente falou sobre Angola, sobre oralidade, arte, educação, educação, intercâmbio cultural, sobre racismo, mas sinceramente eu acho que o mais importante aqui hoje não ficou nos dados e sim na capacidade que vocês, Hidro, têm de nos lembrar que existe uma história anterior à nossa própria história, que muitos dos nossos costumes, da nossa forma de falar, de celebrar e até de existir não começaram aqui e a partir disso a gente tem uma responsabilidade própria de saudar o passado mas também de trabalhar por um presente, por um futuro cada vez melhor.
Então hoje o celular de verdade tá garantido. E é que eu sempre utilizo esse momento para trazer também um questionamento meu sobre a conversa, e eu não pude deixar de pensar no quanto você fala sobre legado, né? Você já escreveu livros, já fundou espaço cultural e ajuda a preservar essas histórias, construir narrativas. Mas quando o Isidro não estiver mais aqui, qual história você gostaria que as pessoas continuassem contando sobre você?
Bem, puxa, é muito forte isso porque eu tenho, eu acredito muito na energia, né, na força do universo, porque o que nos faz ser o ser humano que somos O que faz com que eu perceba que eu não estou louco é o fato de eu ver vocês. Isso me dá um entendimento de que eu estou vivo, entende? Então, não estar aqui, eu penso muito nessa ideia, né, sabe, da, como eu tenho dito, né, que há mais energia no corpo humano do que estrelas numa galáxia.
Então, entender um pouco esse universo, eu Eu vou entrar na questão ali da espiritualidade, porque a última vez que eu comecei a falar muito sobre essa questão de lidar com o corpo, com a terra, o outro, o olhar, foi quando eu fui convidado a um grande evento, a um festival na Índia. A Índia mudou a minha percepção de vida sobre o outro, percebe, né? Então não estar aqui e fazer o que eu faço, de alguma forma, é como se, puxa, caramba, é uma semente.
Porque eu acredito que amanhã haverá crianças que estarão sendo adultos e que poderão perceber, estarão na sala de aula, e que amanhã ninguém mais precisará falar sobre racismo, ninguém mais vai ter que dizer que eu sou negro, porque que o negro é negro, branco é branco, mas pessoa é só pessoa. Quem constrói esses termos é quem quer nos dividir para conquistar, para criar um espaço, percebe? Então você que é preto, você que é negro, eu gostaria de dizer a você, né, que não importa o seu histórico de negro, você é uma pessoa, e o que você faz com a sua pessoalidade, a sua memória, a construir o seu papel agora, entende?
Diante de tantos esses bombardeios, né? Porque o mundo é contraditório, percebe? Então é por isso que eu acredito muito nessa ideia do tipo, olha, o mundo vai acabar. Sim, o mundo vai acabar, percebe? Ah, mas você não está preocupado com Trump não, o que está fazendo? Eu falo para as pessoas, não, porque não há muito o que fazer, o mundo segue o seu curso normal e natural. O que eu devo fazer é o meu papel. O que eu posso mudar é o que está ao meu entorno.
Então, por que me preocupar com Trump, com Bolsonaro, com Lula ou com qualquer outro tipo de pauta se eu tenho ar, se eu consigo viver, tenho hoje pra poder transformar a vida de alguém agora, entende? Então, eu acredito que é isso, é um sopro. Não estar aqui é um sopro.
Obrigada.
Maravilha. Eu quero agradecer, Giovanna Bárea. Bárea? Ai, meu pai do céu. Giovanna Bárea, eu quero te agradecer pela companhia, pelas perguntas, né, muito importantes, né, para discutirmos. Eu acho que o mundo precisa disso, né, nós precisamos. E pelo fato de saber que tu, né, tens ali a sua descendência na Lituânia, Muito interessante isso, né? Tiago, Quirino, muito obrigado por esse momento. E a mensagem que eu quero deixar aqui, especialmente para quem está nos vendo, nos assistindo, é de que não percamos a esperança na nossa humanidade.
O mundo, ele está tentando nos colocar em caixinhas, eles vão fazer isso mesmo. Mas olha, eu quero dizer aqui a todos vocês que Não importam as caixinhas. Tá tudo bem você fazer parte de uma caixinha, mas eu quero que você enxergue que mesmo estando tudo bem você ser diferente, é muito mais, muito mais importante dentro da sua diferença, do seu lugar de fala, do seu tom de pele, que não importa, mas que de alguma forma consiga enxergar esse outro além das suas concepções ideológicas, porque esse outro é alguém que também chora, é alguém que também sonha, é alguém que também quer paz, é alguém que também quer ser ouvido, né?
Então, que tenhamos todos a sensibilidade de enxergar o outro além de nossas próprias convicções ideológicas.
Obrigada, Thiago! Eu queria agradecer, Isidro, por esse papo. Foi muito bacana, de verdade. Acho que você é uma pessoa com muita coisa para ensinar, muita coisa para a gente de fato absorver com você. E agradecer você também, Thiago, por esse convite. Espero voltar outras vezes. Gostei muito de participar. E as pessoas podem me encontrar direto no LinkedIn. Ali eu faço algumas reflexões também sobre meu trabalho, sobre a nossa área. Mas eu espero de verdade voltar mais vezes aqui também. Obrigada, gente!
Muito bem, com isso a gente se despede. Sobrou alguma dúvida? Você ficou curioso com mais alguma coisa? Quer saber mais? Entre em contato conosco daquele jeito mais arcaico possível. Você vai mandar um email para contato@abcdabc.com.br e nós vamos poder discutir mais e entrar em mais profundidade no assunto. Eu me despeço de vocês também e espero encontrá-los na próxima semana. Eu sou o Thiago Quirino e conduzi essa conversa hoje.
Espero que na semana que vem consigamos trazer mais uma história, mais um caso diferente para trazer impacto para sua vida.
Muito obrigado e até a próxima!
Apresentação: Thiago Quirino. Jornalista convidada: Giovanna Baria. Entrevistado: Isidro Sanene. Edição de áudio e vídeo: Rodrigo Rodrigues. Produção: Ed Barone. Direção: Thiago Quirino. Direção-Geral: Alex Faria. Este programa é um produto do portal ABC do ABC. As opiniões manifestadas pelo entrevistado não refletem necessariamente o posicionamento do portal ABC do ABC. Para se manter informado sobre tudo que acontece na região, acesse abcdocabc.com.br.