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PodPan - Episódio 22 - S4 - FERNANDO JURUNA - DE BELO VALE PARA O MUNDO!

21 de julho de 20261h58min
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Nem todo campeão nasce acelerando. Alguns nascem acreditando.No episódio de hoje do PODPAN, recebemos Fernando Juruna, um dos maiores nomes do Enduro brasileiro, bicampeão com Medalha de Ouro no ISDE (International Six Days Enduro), a competição mais tradicional e desafiadora do Enduro mundial, além de campeão brasileiro, campeão mineiro e vencedor de diversas competições nacionais.Mas o que torna essa história extraordinária não são apenas os títulos.É o caminho até eles.Natural de Belo Vale, Minas Gerais, Fernando não teve uma infância cercada por motos de competição, equipes estruturadas ou grandes patrocinadores. Enquanto muitos pilotos começaram ainda crianças, ele só teve sua primeira moto aos 15 anos, uma lendária Yamaha DT 180. Era ali que começava um sonho que parecia distante demais para quem vinha de uma família humilde.Antes de conquistar o Brasil e o mundo, Fernando conheceu o peso das dificuldades.Houve um momento em que ele queria apenas alinhar no gate de largada, mas o dinheiro havia acabado nos treinos. Não havia recursos sequer para pagar a inscrição da corrida. Foi quando sua avó percebeu que algo estava errado e, sem imaginar que estava mudando a história do esporte, decidiu ajudá-lo.Aquele gesto simples manteve vivo um sonho.E esse sonho atravessou fronteiras.Fernando passou pelo Motocross, Cross Country e encontrou no Enduro o esporte que mudaria sua vida. Com dedicação, disciplina e incontáveis horas sobre a moto, tornou-se um dos principais representantes do Brasil no cenário internacional. Em 2021, na Itália, conquistou sua primeira Medalha de Ouro no ISDE. No ano seguinte, repetiu o feito na França, enfrentando centenas de pilotos de dezenas de países na maior prova de Enduro do planeta.Neste episódio você vai conhecer:🏆 Como um garoto do interior de Minas chegou ao topo do Enduro mundial.🇧🇷 O orgulho de representar o Brasil na competição mais difícil do planeta.🔥 Os bastidores do ISDE, conhecido como a "Copa do Mundo do Enduro".💪 As dificuldades financeiras que quase interromperam sua carreira.❤️ A importância da família quando ninguém mais acreditava.🏍️ A transição do Motocross para o Enduro.🎯 O que é preciso para competir entre os melhores pilotos do mundo.Muito além das medalhas, esta é uma conversa sobre persistência.Sobre um garoto que nunca aceitou que suas origens definissem seu destino.Sobre alguém que provou que talento abre portas, mas é a disciplina que mantém essas portas abertas.Se você ama Enduro, Motocross, Cross Country, Hard Enduro, Rally, Off Road, motos, competição, histórias de superação e atletas que representam o Brasil com orgulho, este episódio é obrigatório.👍 Deixe seu like.💬 Escreva nos comentários: qual foi o maior obstáculo que você já precisou vencer para continuar perseguindo um sonho?🔔 Inscreva-se no canal e ative as notificações para acompanhar as próximas histórias que inspiram quem vive sobre duas rodas.Acompanhe o Fernando Juruna:📲 Instagram: @fernandojuruna14Siga também o PODPAN:📲 Instagram: @podpanoficialO que nos move não é gasolina, é paixão.#Podpan #FernandoJuruna #Enduro #ISDE #SixDays #InternationalSixDaysEnduro #Motocross #CrossCountry #HardEnduro #Rally #OffRoad #Moto #Motociclismo #CampeaoBrasileiro #CampeaoMineiro #Brasil #BeloVale #Husqvarna #JiuJitsu #Superacao #Piloto #Podcast #MotoLife #DuasRodas #EnduroBrasil

Participantes neste episódio1
F

Fernando Juruna

ConvidadoPiloto de enduro
Assuntos8
  • Conselhos para Iniciantes em TITer fé e nunca desistir · Acreditar em si mesmo e no próprio potencial · A importância da dedicação e disciplina · Aproveitar as oportunidades (cavalo passa a riada) · Diferença entre dom e dedicação
  • Participação e conquistas no ISDE (Six Days)O que é o ISDE (Copa do Mundo do Enduro) · Medalha de Ouro na Itália (2021) · Medalha de Ouro na França (2022) · Desafios de competir internacionalmente · Interação Pai e Filha
  • Rombo FinanceiroPedido de ajuda à avó para competir · Conquista de título mineiro após ajuda · Oportunidade de teste em equipe profissional · Fim de relacionamento por dedicação ao esporte
  • Experiências de CorridaCorrida de Cross Country em Santa Rita de Ouro Preto · Vitória inesperada na estreia · Críticas e descrença familiar e de amigos · Decisão de se tornar atleta profissional
  • Início da carreira de Fernando JurunaOrigem humilde em Belo Vale · Primeira moto Yamaha DT 180 · Trabalho para custear o esporte · Sacrifícios pessoais e financeiros
  • Empresariado e representação de atletasCriação da Juruna Moto Parts · Oferecimento de cursos de pilotagem · Organização de passeios de moto (Passeios Juruna 14) · Inauguração da Pousada Real Chalés em Belo Vale · A importância de repassar conhecimento e experiência
  • Segurança em Franquias de MotosA vida é perigosa em qualquer atividade · A importância do conhecimento e treinamento · Tecnologia e equipamentos de segurança · Esporte como qualidade de vida e saúde · Diversão e evolução versus pressão
  • Qualidade das universidades brasileirasGestão de equipes e liderança · Conquista do Campeonato Brasileiro de Enduro · Vitória na Copa FX Brasil 2018 · Importância do conhecimento mecânico
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FJFernando Juruna

Todos os títulos.

?Voz B

Fala, pessoal, boa noite! Mais uma vez, mais uma segunda, hoje sem a minha fiel companheira Mariana. Tá lá na Daytona Beach andando um pouquinho de moto lá e curtindo as férias. Hoje nós vamos bater um bate-papo aqui com Fernando Juruna, direto de Belo Vale para o mundo, né? Então vamos bater um papinho com esse piloto que tem bastante história para contar. Boa noite, Fernando, você tá bom?

FJFernando Juruna

Boa noite, muito feliz, né, oportunidade de estar aqui. Eu acho que é meu primeiro podcast aí, vamos dizer, aqui na PodPam. E primeiro quero te agradecer pela oportunidade, porque eu acho muito interessante esse trabalho que você faz aqui, da gente poder ter esse espaço, né, um espaço incrível igual eu tô vendo aqui, uma estrutura gigante para a gente poder contar um pouco a história e às vezes até motivar pessoas E as pessoas entenderam que realmente passa uma vida de atleta, é o que a gente pode passar para as pessoas e pegar isso de, como diz, de inspiração mesmo, ou decepção também, porque atleta tem dois lados, né?

Tem um lado bom quando vence e o lado ruim quando tem que pagar um preço para aquilo, e quando perde também. E junta tudo para a gente ver que amor é esporte, é vida, é lazer, é tudo, né? Então obrigado por estar aqui e poder falar com vocês.

?Voz B

Nós aqui que agradecemos, velho, de coração. Já tinha um tempo que nós estávamos para poder chamar você, você sabe disso, mas a gente tem que encaixar algumas coisas e tem hora que não dá certo. Mas de coração agradeço. Já tem aqui, nós já estamos batendo papo aqui tem uma hora já e o papo não para, né? E até conta um pouquinho aí, Juruna, da sua carreira aí, quantos títulos aí. Acho que total são mais de 6 títulos, se eu não me engano, de ouro. Conta um pouquinho aí de você.

FJFernando Juruna

Então, é um currículo extenso ali, pois literalmente eu vivi o esporte, né? Eu desde criança tinha um sonho de ser atleta aí profissional, de ser piloto, principalmente aí da modalidade, né, duas rodas, da moto. Então é igual você falou, eu muito grato pelos títulos que tem hoje. Eu sou um Eu acho um atleta que conseguiu realizar. Eu falo que hoje eu posso dizer que eu tenho um sonho realizado. Em que sentido? Em realmente de títulos, né?

Porque quando eu era mais novo, eu falava assim, ah, quero ir lá ganhar uma Copa Minas. Eu fui lá, fui campeão. Ah, quero poder disputar um Campeonato Mineiro. Eu fui lá, ganhei o Campeonato Mineiro. Ah, tem vontade de fazer um cross-country. Então fui lá, ganhei cross-country, motocross, campeonato de motocross, fui lá, ganhei campeonato de motocross. Ah, fui para o enduro, né, onde eu me destaquei ali, fui correr o brasileiro, que eu acho que é o maior sonho do atleta hoje, é ser campeão brasileiro, que é o maior, vamos dizer, campeonato da nossa nação brasileira, né.

Igual eu falo do enduro, né, o Campeonato Brasileiro de Enduro é o maior evento de enduro hoje, e eu me consagrei campeão ali. Eu acho que foi uma história para mim de sonho realizado aqui no Brasil. E onde aí começou o sonho que eu achei que ia parar aqui no Brasil. E aí veio aquele sonho de admirar lá o mundial, de querer sonhar lá com a Internacional Six Days, né, que é o maior evento de enduro do mundo. E aí eu surfando os atletas lá de fora, poder acompanhar assim só na televisão, na mídia, E eu falar, um dia eu quero fazer a famosa aí ISDR, né, a Six Days.

E aí acabou que eu tive uma oportunidade de poder estar fazendo não só uma vez como duas, e chega lá e conquistar a tão sonhada medalha de ouro 2 anos consecutivos, né, Itália e França. Então aí para mim, assim, vamos dizer, não é deixar de ser humilde, mas foi o ápice assim da minha carreira onde eu Eu falei, bicho, tem o Campeonato Mineiro, tem o Brasileiro, tem duas medalhas de 6 Days. Então eu acho que a maior coisa que eu vou ter na minha vida é gratidão por tudo que o esporte me proporcionou e por tudo que eu acreditei no meu coração e amor pelo esporte e ter conquistado todos os títulos do Brasil e duas medalhas no maior evento de enduro do mundo. Então isso para mim é surreal e eu sou prova viva disso, né?

?Voz B

A gente tava falando aqui, conta um pouquinho de como que você entrou nisso aí, porque você veio lá do Belo Vale, né? Uma família que, igual você mesmo colocou para mim, mais humilde, e que você via as motos, as roupas. Conta um pouquinho disso aí para gente. Então é a primeira DT 180, 2 tempos. Me contaram aqui fazia 2 rastros, era torta.

FJFernando Juruna

É foda, né?

?Voz B

É foda.

FJFernando Juruna

É o passado, é o passado. É como diz, a gente pega ele de aprendizado e hoje a gente dá risada, né? Mas foi tudo onde começou mesmo. Realmente todos os belovalenses aí, as pessoas sabem, é a cidade que eu amo, né? Nasci e criado lá no interior mesmo. É uma cidade que realmente eu falo de coração que eu dou tudo por ela, desde a parte de eventos, da parte que eu posso ajudar as pessoas. E quem mora lá sabe que eu vivo ali intensamente, tudo que eu construí na minha vida fui para ali.

Já tive oportunidade de ir para fora do Brasil para morar fora, mas aquele cantinho é o cantinho que eu amo mesmo. E lá atrás, quando tudo começou, né, eu até falei isso para você, eu não fui um atleta ali que já chegou de berço e teve uma oportunidade igual hoje. Todo mundo sabe que a maioria dos atletas profissionais, não vou falar todos, mas eu acho que 90% nasce com 2, 3, 4 anos ali, já tá em cima de uma moto e já vem fazendo a carreira do berço ali, vamos dizer assim, né? 4, 5 anos, os atletas já estão iniciando na moto desde as baixas cilindradas, e ali vai subir nas categorias a cilindrada, as motos.

E aí quando chega numa maior idade ali, eles já são atletas profissionais pela carreira que vem fazendo, uma bela carreira. Eu não, Eu nessa idade eu só tinha um sonho, né, que eu via na televisão, via assim, nem televisão, vou falar nas revistas que saíam, as revistazinha. Às vezes vi os trilheiros passa na rua, achava a roupa, né, bonita e falava assim, bicho, que cria amor à primeira vista. Vi as roupas coloridas, fala, velho, que trem bonito.

E minha cidade já tinha um pessoal que fazia trilha na época, né, que hoje são amigos meus. É a maioria ali. E aí eu vi aquilo, vi eles passando e até arrepiava, até arrepiei de falar que achava bonito e falava, quero andar de moto, quero andar de moto. Só que minha família, a gente não tinha essa condição. Minha família, ninguém anda de moto na minha família. Eu não tive a oportunidade de alguém falar, não, eu tenho... Até hoje na minha família eu acho que ninguém tem moto. Ninguém ali na minha família tem moto off-road.

?Voz B

Você é o vilão negro ali, né? É que saiu.

FJFernando Juruna

Eu saí do berço ali e falei, não, eu quero isso para minha vida. E, mas como que isso ia acontecer? Aí na época eu novinho, é um amigo meu lá, o Frank, comecei, né, meu primeiro serviço eu comecei a trabalhar muito novo, 5, 6 anos eu não tive oportunidade ali de ter moto nem nada. Fui crescendo, 10, 11, 12 anos, 13 anos, comecei a trabalhar num trailer lá do Tatu, pessoal de Belo Horizonte conhece muito, grande amigo meu. Acho que foi meu primeiro serviço ali de entregando, gostava de bicicleta, ficava andando na roda e tal, brincava.

Comecei a entregar sanduíche ali para ele. Logo mais eu já tive oportunidade de trabalhar com o Frank. Foi onde ele falou para mim, não, ele via que eu amava muito, eu ficava atrás deles, ficava lá com os amigos da moto viajando, querendo tocar, querendo mexer. Aí ele falou, não, vamos ajeitar uma moto para você. Pegou uma moto que era de um amigo meu também, uma DT 180, me passou. Ele falou o seguinte, vou te passar essa moto, você vai trabalhar para mim assim para você pagar a moto.

Então eu brinco que eu aprendi a trabalhar e gostar do esporte ao mesmo tempo novo. Então ele, como se fosse assim, ele que incentivou mais ali, né, que ele deu apoio ali, né, era o que ele podia fazer, ele tava fazendo, e ele começou a ajudar. Só que ele ajudava muita gente ali na época. E aí eu peguei a moto, comecei a trabalhar para ele, vamos dizer assim, a troco da moto, né. Lavava carro, lavava o caminhão, pintava alguma coisa, trabalhava no escritorzinho, fazia serviço ali de faz tudo.

E aí aquilo ali, bicho, comecei a andar na moto E falei, velho, é isso que eu quero para minha vida. Aí eu até brinquei, te contei hoje que primeira vez quando a gente tem uma coisa assim é foda, porque a gente se apega muito. E era minha primeira moto, eu novo, cheguei em casa, quantos anos?

?Voz B

15 anos?

FJFernando Juruna

É, tava na faixa dessa idade aí, 16 anos, nessa faixa. E aí eu peguei essa moto, pus lá na rua, peguei lá na casa da avó mangueirinha, fui lavar a moto, passei na moto, já passei até pretinho, filho. Já lavei aquele trem tudo, já liguei a DTzona 2 tempos e já arranquei. Lá em casa sobe o arroz assim, sai na pracinha. Na hora que eu saí, aquele trem de menino novo, já saí acelerando assim, virei lá em cima e voltei. Os amigos meus tudo zoando: que isso, você tá andando é de duas motas?

Eu falei: mas como assim duas motas? Na hora que eu olhei no chão, asfalto, o chassi dela era empenado, a roda da frente era para um lado, atrás do outro, ela fazia dois riscos assim, ó. E aquilo para mim, eu nem sabia, não dá nem ir para chassi, tava era com moto, não interessava ali servindo, eu que tô pagando e vou meter marcha nesse, tem umas trilhas aí, viu. E aí tudo começou, que aí dela a gente já comecei a trabalhar, comecei, troquei, nós fizemos 200, depois tive uma tornada.

E aí aquele, aquela coisa da vida de realmente amar o esporte mesmo e de falar, tô fazendo a coisa certa. E aí já comecei a trabalhar sério porque eu sabia que para mim andar de moto eu não tinha condição da minha família ficar me dando dinheiro para abastecer. Então eu tinha que trabalhar para ter meu dinheiro para mim poder andar de moto nos finais de semana, né, que a gente andava antigamente só domingo, né. Trabalhava durante a semana toda e domingo ia andar de moto.

E para andar de moto tinha que ter o dinheiro, e como trabalhava, e aí eu comecei a andar de moto. Só que aí eu comecei a ver que era muito caro. Desde antes, desde cedo, eu falava, não, bicho, Salário lá de R$500 na época, né, R$600 ali antigamente nessa faixa. Eu acho que nem era isso, eu acho que era R$400 e alguma coisa, eu não tenho uma noção assim. E eu pegava o dinheiro ali, R$500, R$600, moto. Pegava no outro mês, moto.

Tudo indo para moto, velho, tudo. Aí minha família começou, mãe, todo mundo: você só gasta dinheiro com moto. Aí não arrumava namorado porque a moto era em primeiro lugar. Aí os meninos: não, você não sai com nós, você não dá rolê em festa, você não sai para comer um sanduíche porque sua cabeça é só moto. Só que a história real é o seguinte, hoje eu posso contar, né? A história é o quê? Não era que eu não queria, velho. Quem que é novo não queria poder ir lá comer um sanduíche?

Quem que é novo às vezes tem uma namoradinha, não queria poder ir lá sair com a menina para namorar? Mas não, bicho, eu, se eu gastasse o dinheiro com sanduíche, não tinha como eu abastecer a moto no final de semana para mim poder andar. Ou eu escolhia em sair na rua comer um sanduíche com os amigos e ir para uma balada, ou eu poder dar o rolê de moto no final de semana. Aí eu parava, chegava à noite e falava: não, eu prefiro a moto.

E aí eu pus isso na minha vida, que para mim andar de moto eu tinha que abrir mão de algumas coisas. Aí o que que eu fazia? A gente que é do interior, eu falo que a minha avó é foda, eu falar da minha avó, porque aí minha avó sempre fez janta para gente, nunca faltou nada assim para gente de alimentação. Graças a ela. E aí, que que eu fazia? Eu ia para casa da minha avó, morava com a minha avó. Minha mãe não tinha na época condição assim de cuidar de mim, ela morava em Belo Horizonte, trabalhava em casa de família.

E aí minha avó me pegou novo para morar com ela desde criança e ela me criou. Eu brinco que a minha avó é minha mãe e minha avó. Então eu tenho duas mães, minha avó, meu pai. Eu não tive pai, poucas pessoas devem saber disso, mas eu não fui conhecer meu pai. Meu pai tinha Tinha, fui ver ele, saber quem é meu pai dentro do hospital falecendo com câncer. É um cara que eu nunca, nunca teve presente na minha vida. Coisas de família, né?

Eu cresci aí, minha avó me pegou porque minha mãe não tinha condição de cuidar de mim em Belo Horizonte. E aí a minha avó, cresci com ela. E nisso eu ia para lá, a gente, eu jantava para não poder gastar o dinheiro na rua. E saía na rua de barriguinha cheia, curtia um pouco, mas eu tinha dinheiro para andar de moto. E aí eu fui fazendo isso e fiquei anos fazendo isso, anos fazendo isso e trocando, e conseguindo andar de moto. Aí eu conseguia ter um ritmo assim de poder dar um, fazer as trilhas, de poder começar a ter o contato a mais com a moto dessa forma.

E eu fiquei alguns anos assim, e aí eu consegui trocar uma moto na outra, fui fazendo uns negócios. Até chegar a hora de, de que era passeio de conhecer minha primeira corrida, minha primeira prova, que é uma história legal. A primeira prova foi o seguinte: na época tinha um cross-country, que era, era um cross-country.

?Voz B

E aí, só te interromper, o que que é o cross-country? Então explica ele mais fácil para gente.

FJFernando Juruna

Um cross-country é o seguinte: é como se fosse o motocross hoje, só que com uma pista com menos saltos. E uma bateria maior de tempo. Então, por exemplo, motocross você vai ali, faz uma bateria ali de tipo 20 minutos e duas voltas, categoria AMX1 ali, que é a categoria Pro MX2 ali, 30 minutos e duas voltas, por exemplo. Não, o cross-country era tipo assim, era uma pista tipo de motocross com menos saltos, algumas partes de trilha também, tipo enduro, só que uma corrida de uma hora, uma hora e meia.

Tinha cross-country de duas horas. Tinha, né, depois veio GP, 6 horas de prova, 2 horas de prova. Então cada cross-country tinha uma, uma regra ali, vamos dizer. Então é uma prova mais longa, vamos dizer assim. E aí teve na época, em 2009, foi onde foi minha primeira corrida mesmo assim, que eu não fui para correr. Eu junto os amigos, eles iam correr em Santa Rita de Ouro Preto, nunca vou esquecer isso. E aí o pessoal da minha cidade foi correr, eu o Aloísio lá, o Loló, a turminha da moto lá, e eles foram correr em Santa Rita.

E aí eu, como era amante das motos, já fazia uma trilhinha ali, andava de moto, eu fui para assistir. E aí eu entrei dentro do carro no outro dia e fui, e eles tinham ido um dia antes. Aí o que que aconteceu? Eles tinham uma festa na cidade do lado, lá próximo, lá que era lá para o lado de Jeceaba, não era tão próximo, mas parece que eles foram numa festa e tal, curtiram. E chegou no outro dia, bicho, os cara passando mal, os cara não aguentava montar na moto para andar.

E Deus falou assim, encaminhou e falou assim, ô, Juruna tá aí, velho, quer andar na moto? Aí ele perguntou, você não foi para correr, né? Não, não tinha levado roupa, não levei nada, nego, velho, nada. Só fui eu, igual eu tô aqui, ó, e fui para assistir. Aí chegou lá, e nós bebemos demais, não dá conta de andar, aquela loucura toda. Eu falei, deixa eu correr aí. Foi, você quer correr, pode correr. Peguei a roupa do emprestado, de um bota do outro, que tem tudo vacaiado, já vesti, falei, sou piloto.

Entrei na categoria nacional, na época era Nacional B, tinha Nacional B, Nacional A, que era melhor um pouco, mas a iniciante, vamos dizer assim, era Nacional B. Já entrei, né, velho, nessa Nacional B, 40 motos alinhadas, era categoria que dava mais moto, que é iniciante, né. Alinhei com a moto desse amigo meu, uma CRF 230, na época tinha lançado em 2007, né, isso era 2009. Então já tinha as motinhas, pessoal que já tinha era o pessoal que tinha condição melhor.

E aí eu tava nessa moto, montei e fui largar um cross-country, primeira corrida da vida, igual burro bravo, como diz na roça, ó. Largou, bicho, nós que largou quietando de moto, o povo que já era acostumado largou mais na frente, era uma reta. E Santa Rita de Ouro Preto, quem é de Santa Rita aí às vezes vê esse podcast aí, vai entender, era uma pista que tinha umas subidonas, descidona assim, cross-country louco lá. Pessoal da região de Lafayette para baixo aí lembra.

Largou, esse pessoal embolou, nego, velho, já embolou as motos tudo. Eu não sei o que que eu arrumei, saí um pouco atrás. Quando desembolou tudo, abriu uma brecha, eu passei meio que por cima, larguei de ponta, larguei na ponta em primeira ali. Eu saí na frente na pista e mão na bomba, e mão, e desesperado. E comecei, o prazo desse povo levantar tudo, sair aquele bolo todo Eu dei a volta e comecei a chegar nos retardatários na primeira volta.

E nisso passa um, passa outro, e eu já comecei, nem sabia a posição que eu tava, porque primeira corrida, adrenalina, não tinha nem o que que tava fazendo. E foi rolando a prova, rolando aquele trem todo, resumindo: bandeira, placa duas voltas, placa uma volta, e eu rodando e não passa. Falei, que posição que eu tô, gente? Na minha cabeça, louco, o povo gritando, eu não via nada. Negro mandando eu calmar. Eu só vi o povo fazendo assim, eu não entendia.

E lotado, na época dava muito público, né, rapaz? Última volta, o cara entrou na pista e já meteu a bandeirada quadriculada para mim. Eu tava tão cego que eu passei vazado. E já para mim a corrida não tinha acabado, não vi nem a bandeira quadriculada, já passei em primeiro, subi. Na hora que eu tô lá em cima no morro para descer, eu vi a pista vazia, o povo já saindo da pista. E todo mundo lá embaixo, e eu não sabia se eu tinha ganhado, se eu tinha perdido, se estava me xingando, nem qual posição.

Eu já fiquei sem graça e falei, não, mano, que nota errada. Já desci mais tranquilão, cheguei lá, o povo já me pegou, você ganhou e tal. Primeira coisa, você andou demais, deu volta no terceiro lugar, fi. Dei volta em todo mundo na pista, louco. Eu não sabia o que que tava acontecendo. Me levou para o pódio, já troféuzão para o alto, e a turma me pegando no colo. Aquilo para mim, nego, velho, pensa, jovem, primeira corrida com moto para mim.

?Voz B

Quantos anos? 18?

FJFernando Juruna

Não, 2009, sei lá, eu tinha uns nessa faixa aí, 17 aninhos, 18 aninhos ali. Falei, é isso que eu quero para minha vida. Foi tanta emoção de arrepiar, foi tanto, foi tipo assim, é tudo, dá um pacote de bala para uma criança, pegar uma criança ali na rua, você dá um pacote de bala, ela vai falar, nossa, Sonho. E aí, bicho, eu peguei, que tem um troféu de madeira, eu tenho lá na minha loja até hoje guardado assim, especial, 2009.

Cheguei lá em casa, cheguei lá em casa, falei com a minha avó: ganhei a corrida, vó. É mentira, você não ganhou. Eu falei: tá aqui o troféu. Eu vou ser piloto, minha vida é moto. Eu falei: minha vida é moto. Só que aquilo, a droga melhor que eu pude conhecer na vida, filho. Você tá louco, adrenalina, emoção e sentimento E ganhei. Aí, a partir dali, literalmente, eu comecei a viver moto. E aí, só que isso foi muito duro também para mim, porque quando eu decidi viver de moto, que eu falei, vou ser piloto, eu comecei a ter as críticas de amigos, de família, porque não dá futuro.

Todo mundo falava para mim, isso não dá futuro, você vai pegar seu dinheiro todo e vai gastar na moto. Você só vai pensar nisso. Se você machucar, você não tem dinheiro para se cuidar. E aquilo, bicho, foi tanta gente falando isso na minha cabeça, amigo, é família. E aí eu deitava na cama e pensava, será que isso é para mim? Será que é real? Mas lá no fundo eu tinha na minha cabeça assim que é o que eu amo, é o que eu quero, é o que eu vou fazer.

E no fundo eu já tava maiorzinho, eu comecei a falar assim, bicho, por que tá todo mundo contra? Por que tá todo mundo não acreditando? Tipo, é um sonho. Eu acho que a gente não deve tirar um sonho nem do inimigo da gente. Eu não tenho inimigo, mas se eu tiver um inimigo, eu não vou tirar o sonho do cara. Se eu não puder incentivar, eu não vou tirar. E querendo ou não, as pessoas estavam literalmente tipo não acreditando no meu sonho, na minha vontade, no que eu pensava que eu tinha potencial.

E tipo Só contra. E aí eu deitado um dia, deitei na cama chorando sozinho e falei assim, não vou falar de religião aqui, mas eu tenho muita fé em Nossa Senhora da Aparecida, e sabe, tem minhas fé ali. Peguei e falei, Nossa Senhora, ô Deus, e por que eu não posso? Por que que eu não posso tentar ser piloto, todo mundo contra, e é minha vontade, tipo assim. E eu falei, bicho, veio na minha cabeça na hora, parece que é um trem, já veio assim, velho, eu vou mostrar para todo mundo, velho, eu vou mostrar para minha família que eu vou viver da moto, eu vou mostrar para os meus amigos que eu vou viver da moto.

A partir de amanhã, literalmente, o Juruna vai viver da moto profissionalmente. E aí eu fiz o quê? Entrei, começou a ter as mídias, lembra, Orkut? Começou a ter, já tinha Facebook, já tava com os negócio de Instagram, já tava rolando essa essa época já tava começando aquele negócio, aquele bop de internet, de mídia, das coisas. Peguei, comecei a acompanhar, vendo, ia atrás, e-mail, site, começava a pegar serviço. Comecei a ver os pilotos, comecei a ver os cara que andava na época, tanto no motocross, Suyan, Bob, essa galera toda.

Comecei a acompanhar, comecei a ver, e comecei a ver o que que os cara fazia de rotina. E aí pus na minha cabeça Tudo que um cara que é profissional fizer, eu vou fazer mais que o cara. Se o cara sair para correr a pé 5 km, eu vou correr 7. Se o cara sair para pedalar 10, eu vou pedalar 12. Se o cara fizer natação, eu não tenho natação que não, mas eu vou para cachoeira e vou entrar dentro d'água, filho. E vou, eu vou pagar o preço que tiver.

Tudo que um profissional fizer lá, eu vou fazer, e do meu jeito, da forma que eu tiver. E foi onde eu comecei a literalmente treinar academia em casa e funcional, porque funcional que eu falo hoje assim, porque na época nem tinha muito isso, mas hoje a gente fala funcional, fala tem um CrossFit hoje aí, mas fazia com os exercícios com corpo mesmo em casa e corria a pé, bicicleta velha, e comecei a me dedicar como se fosse um profissional e com moto velha e pagando o preço.

Pagando preço de atleta e para virar atleta. E comecei nas corridas, e não é que começou a funcionar? Eu era trilheiro, a galera que começava a fazer trilha na época era muito melhor do que eu. E aí, quando eu comecei a treinar fisicamente, eu comecei a me igualar, eu comecei a ver que na trilha eu comecei a chegar perto dos meus amigos, eu comecei a entender que eu comecei a ser melhor do que uns que era melhor do que eu. Comecei nas corridinhas e comecei a ver que o nível começou a aumentar.

Então, da categoria iniciante eu já fui para intermediária da Nacional R, por exemplo, que andava de nacional na época. Depois já comecei a andar força livre nacional e comecei a ter resultado. E na corrida, não, eu vou falar aberto, nunca só ganhei na vida. Porque a gente às vezes fala de títulos, só vê os lados, o cara só— não, já tomei pau, já passei por um tanto de coisa que as pessoas nem imaginam. Já cheguei em último Já frustrei, já chorei dentro de casa, já fiz, já aconteceu várias coisas, sabe?

?Voz B

Já pediu dinheiro para avó?

FJFernando Juruna

Nossa, essa história é foda, isso aí é pesado, tá? E aí até que foi numa corrida, eu comecei a ir, comecei a correr os campeonatos regionais ali, né, pertinho de casa e tal. Comecei a destacar, comecei a ganhar as corridinhas. E aí chegou a hora do tal pedir dinheiro para avó. Aí que aconteceu, a coisa começou a ficar mais séria. Comecei a ter umas ajudas para poder assim ir para prova, só que gastava muito. E aí eu comecei a seguir um campeonato de motocross na época, que é tipo, tinha na época lá as corridinhas, né?

Tinha as Copas de Motocross, Copa Touring de Motocross, Copa Estrada Real de Motocross. Aí tinha um monte de campeonato. Eu comecei a seguir um campeonato E aí eu comecei a ganhar um campeonato. E aí chegou um belo dia que ia mais para o final do ano, ia ter uma corrida em São José da Lapa ali, que é a cidade do Luciano Rocha, mais do Lu, que é um grande amigo meu hoje, tá, né, no rally. E aí, bicho, ia ter uma final do motocross lá.

E nessa época eu tava liderando esse campeonato. E aí quando chegou nesse dia para mim poder ir para essa corrida, eu não tinha grana nenhuma, nada. E assim, 15 dias antes da prova, eu com a moto e não tinha dinheiro, tinha gastado dinheiro em treino, em corridas passadas, e não tinha dinheiro mais, não tinha nada, não tinha nada. E aqui os 15 dias para mim, bicho, foi Foi tipo assim, 15 dias deu, pareceu um ano na minha vida, porque eu tinha uma corrida para fazer.

Eu era líder do campeonato na categoria nacional A e força livre, e eu não tinha dinheiro para ir na final onde entrega o título, onde ia, eu podia ficar até em quarto, se eu não me engano, que eu era campeão. E aí aquela semana passou, quando foi a semana da prova, e eu diferente em casa e não tinha o que eu fazer. Eu não ia na prova, falei, ah, não vou nessa prova e não tenho o que fazer, larga para lá, realmente não dá certo, não vai, não tem como, não é para mim, na família não vai, a gente não vai ter dinheiro para isso.

Na época, para você abastecer um carro para ir era R$200, a inscrição lá R$40, R$50, mas era muito dinheiro, entendeu? Você gastava numa prova R$500. Fala em R$500 no passado.

?Voz B

Entendeu?

FJFernando Juruna

E aí minha avó, bicho, do nada, que eu brinco que foi a única pessoa que realmente acreditou em mim desde pequeno, que sempre sorriu para mim e falou: não, você gosta disso, tem que fazer, não escuta os outros não. Aí do nada minha avó me chamou lá em casa e falou para mim assim: é foda isso. Ela falou assim: está estranho. Aí eu falei: por quê? Ela falou assim, você não é assim. Aí eu falei, como assim? Ela falou, você tá a semana toda diferente, eu te conheço, certo?

É, você não é, você não é o Fernando que eu conheço. Aí eu já entalado, eu falei, vovó, é o seguinte, eu sou líder do campeonato de motocross, eu não tenho dinheiro para ir nessa corrida, e eu prometi para mim que eu ia ser profissional, que eu ia ganhar um campeonato, que eu ia mostrar para todo mundo. Eu ia mostrar para vocês, eu queria, eu quero trazer um título, eu queria, eu tô ali para ser campeão e eu sou líder, eu posso ficar em quarto que eu vou ser campeão, mas eu não vou na corrida, eu não tenho um real no bolso, não tem nada, tipo, não tem o que fazer.

Aí ela pegou e falou assim, não, você vai na corrida. Aí ela saiu, pegou dinheiro emprestado, não precisa nem citar o nome da pessoa que sabe quem emprestou. Pegou a grana e falou, quanto que é para ir na corrida? Eu falei, só precisa gasolina do carro e a gasolina, não preciso nada para comer, só quero ir na prova. Então, tipo assim, na época era R$250, R$200 para abastecer e R$50 da inscrição, e eu preciso de R$250. Eu não quero nada, não quero, não preciso de comida, não preciso de nada.

Ela foi lá e pegou R$300 lá emprestado, pôs na minha mão, falou, vai lá e ganha a prova. Peguei aquilo lá e falei, ô bicho, peguei aquilo lá, peguei aquele dinheiro, pus no bolso, fui lá, abasteci o carro, abasteci a moto, saí, fui para lá, São José da Lapa, fui correr sem grana. Peguei minha moto, minha moto não tinha adesivo nenhum naquela época. Quem tava lá sabe, não tinha adesivo de uma marca, de nada. Minha moto lisa, uma CRF lisa, toda sem nada assim, nenhum adesivo.

Cheguei na prova, entrei na minha categoria A, ganhei. Entrei na força livre, ganhei. Entrei na MX-1, os cara não queria deixar eu correr. Balbi, a equipe do Balbi sabe disso. O Xiodinho andava preso na época, tinha galera que andava. Eu entrei de nacional, fiquei em terceiro na MX-1 no meio das 450. Tipo, andei uma coisa que nem eu esperava naquilo, literalmente. E fui lá e ganhei tudo que tinha que ganhar. A galera chegou para mim, todo mundo ficou louco.

Chegou no final da prova, o pai do Lucianinho Chegou para mim, se 2000, se eu não me engano, 2016 ali, 15, 16, não tem lembrança assim. Ele chegou para mim e falou assim: para quem que você anda? Você que é o Juruna e tal, vi você andando e tal, para quem que você anda? Falei desse jeito aqui, ó, com as palavras. O Lu lembra, eu falei assim: ah, não tem apoio não, eu ando para minha avó, patrocínio, que a minha avó que me deu o dinheiro para estar aqui.

Tipo, que eu andei é para minha avó, mano, minha avó que me deu o dinheiro para eu estar aqui. Se não fosse ela, não estaria aqui, velho. Ninguém, ninguém Não tinha apoio, não tinha nada, não tinha estrutura, não tinha quem mais pedir, entendeu? Minha avó foi lá e falou, meu patrocínio é minha avó, patrocina, ele é meme e tal, gostamos de ver você andar. Eu tô com, aí na época, o Lucianinho, Lucianinho, eles iam andar para BMP, que é a equipe do Bozete em Lavras.

Falou, não, porque é o seguinte, nós estamos para entrar numa equipe, a gente vai andar lá o GP 6 horas, a CNCC, um cross-country que tinha em São Paulo. O GP 6 Horas também. E aí ela é dupla para correr o GP 6 Horas. Às vezes o Lucianinho, que é o Luciano Rocha, onde eu conheci o Lucianinho, é ele vai correr. E a gente tá tentando achar um cara para correr com eles na mesma equipe lá, às vezes andar junto e tal. A gente tá caçando uns pilotos e às vezes você tem interesse.

Aí eu peguei e falei, meu sonho e tal. Que pensa, última corrida não tinha apoio de nada, o cara me chama para falar assim que não, então vamos fazer o seguinte, me dá seu telefone aí Eu vou passar para o Evandro lá, o Bozete, aí eu vou te ligar, a gente te chama, você faz um teste lá conosco, você tem disponibilidade? Eu falei: tenho, só me ligar e tal. E aquilo, a gente trocou o telefone assim, ó, e eu vim embora para casa, filho.

Cheguei lá, vó, ganhei, tipo, obrigado, gratidão, aquele trem todo, e fui campeão. E beleza. E pensei, vó, o cara me chamou para me dar uma oportunidade, será que é real e tal? Aí aquilo passou, nego, velho. Um mês, dois meses, três meses, telefonada. Eu falei, ah, velho, o cara me iludiu, porra, sabe? E para o cara me iludir, o cara na prova pegou meu telefone e tal. E nisso eu namorava, comecei a namorar na época. E assim, a gente jovem quando começa a namorar, você meio que dá uma dispersada, né?

Dá uma dispersadinha e tal. Eu falei, ah, moto é foda, velho, fui campeão aí andando pelejando. E dia a dia que eu acordava com aquilo na cabeça e passava, beleza. Um dia o telefone toca com DDD diferente, atendi, era ele. E aí, beleza, beleza, eu que sou o cara que pegou seu telefone na corrida aquele dia e tal. É o seguinte, nós vamos fazer um teste tal data, tipo assim, 25, 26, 27, final de semana. Você tem disponibilidade de vir?

Vai ser aqui em Lavras. Lavras, né, em Lavras perto de Tutinga, em Tutinga perto de Lavras aqui. E aí nós estamos chamando os pilotos para fazer um teste com os pilotos e tal. Você tem? Na hora vou, peguei a data. Então, pô, pô, meu nome, vou ir fazer um teste com vocês, vocês me conhecer e tal, andar de moto. Falou, você traz sua moto e tal, a gente quer ver você andar e tal, e vamos fazer um teste com os pilotos aqui. Beleza.

Cheguei em casa doido, já chamei minha, na época, a minha namorada. Falei, não, vou fazer um teste aqui para uma equipe Parece que as coisas vai dar certo. Fui chamado e vou lá. Nós pegamos a data. Que que acontece? Eles marcaram num carnaval, no feriado de carnaval, e eu tava com a viagem que eu tinha comprado, tipo que a gente ia para praia no carnaval, com a namorada. Aí ela sentou e falou: ai, mas essa data aí a gente tem a viagem marcada. Aí eu falei: viagem marcada é o quê?

?Voz B

Carnaval.

FJFernando Juruna

Compramos passagem, compramos tudo. Na mesa assim, ó, eu falei: eu não vou poder viajar. Aí ela falou assim: como não? Você já pagou, já fez tudo. Eu falei: ó, seguinte, meu sonho é a moto e eu não vou perder essa oportunidade. Que na roça é o seguinte: cavalo passa a riada uma vez só. Se eu perder, às vezes eu nunca mais vou cavalgar. Você pode ir, você curte, Vou confiar, você vai confiar, e vamos embora, e eu vou correr de moto.

Ela pegou sentado igual nós tava, falou: Shuai, então você vai preferir a moto do que eu, né? Aí foi assim, aí eu falei assim: é, vou preferir a moto. E ali meu relacionamento acabou, você acredita? De 3 anos, filho. Relacionamento que eu tinha tipo 3 anos de namoro acabou ali na mesa. Ela pediu para me escolher. A moto ou ela ali. Naquele momento eu tipo não pensei duas vezes não, porque eu gostava e tudo, mas falei, não, velho, a moto, meu sonho.

Tipo, ninguém sabe que eu passei de criança com sonho, com vontade para chegar ali, e às vezes na minha primeira oportunidade eu deixar por conta de mulher, velho. Desculpa, mas assim, eu acho que amor é amor, mas respeito é respeito também. Então, e aí eu peguei E acabou o relacionamento ali. E fiquei com a cabeça ruim, porque eu gostava também, aquela sofrência, aquela loucura. E com a cabeça, não acabei com relacionamento e tudo.

E aí foi chegando o carnaval, chegou, peguei e viajei. Cheguei para fazer o teste lá em Tutinga, os cara me levou num circuitão de areia, menino, tombo atrás de tombo. E eu com a cabeça fora da moto, caía, levantava e acelerava. Ias andando para caralho, ia quietando de trem. Nunca tinha costume de pedalar, que na época não tinha nem bicicleta assim. Arrumou as bicicletas para nós pedalar, para fazer uns testes. Quase me matou pedalando os morros de Tutinga.

Eu falei, não, esses caras— e eu caladinho— esses cara vai me matar. Mas assim, eu dando meu sangue mesmo, filho. Já tá tudo fodido, tinha acabado com relacionamento, o amor era na moda, não tinha mais nada a perder, mano. Eu tinha que ficar em Tutinga. Eu falei, eu vou meter o pau nesses 4 dias. Oi, 4 dias doido, filho, com a cabeça doida. Acelerava, caía, levantava e pau. No outro dia eu já fui milhão e pouquinho, que eu aprendi já acostumar com areia.

E foi indo, beleza. Que que acontece? Chega no último dia de carnaval, senta todo mundo na mesa para almoçar no domingão lá assim. O cara já senta na mesa com os pilotos, tudo que chamou, já pegou dois lá e falou assim, ó, vocês dois aqui vão fazer o GP 6 horas. Separou os cara. Aí ficou eu, tipo, eu, o Souza e um outro piloto assim, tipo, Ian. Aí ficou mais três assim. Aí já pegou nós três, falou assim: e vocês aí vão para o Campeonato Brasileiro, vocês vão fazer o maior evento de enduro do Brasil, filho.

Aí juntou a Honda Motofield, que era do Henrique Nagal, com a BMP. Nunca tinha acontecido duas motos para cada piloto, tudo igual, duas CRF da Honda. Para quem tinha uma DT, e aí eu falei: eu ia, aquilo eu não acreditava. Eu, na minha cabeça, como é que esses cara me chamou, velho? Porque Tipo assim, eu não consegui andar 80% do que eu andava, de tipo, mas não. Depois eu fui conversar com outro, olha que legal. Primeira coisa que ele estava olhando: por que que marcaram no Carnaval?

Compromisso. Se você realmente, vamos supor, você tem uma corrida de um brasileiro, faleceu sua mãe, mas você tem a corrida, seu aniversário, sua namorada, Você tem a corrida, bicho. Você tem um compromisso com uma empresa que você vai ter que estar ali profissionalmente. Você vai estar com a cabeça mal, mas você tem que estar psicologicamente dentro da prova. Às vezes você vai deixar um ente seu, você vai deixar a sua esposa, porque naquele dia deu uma etapa do Brasileiro e às vezes você vai estar liderando ela.

Como é que você falta? Eu entendo, é muita dor, é duro eu falar isso aqui. É duro eu falar que você vai largar o aniversário da sua esposa. Então ali virou que se você for parar para analisar, é um filtro. Então é o seguinte, o cara vai fazer um teste no carnaval. Qual que você quer, entendeu? Então aquilo ali já é um filtro se você parar para analisar. Então quer dizer que você tá disposto a abrir mão de qualquer coisa para você tá realmente interessado no que você ama, bicho.

Beleza. Agora outra coisa, o cara me vê cair 10 vezes, levantar e continuar, O cara fala, mano, esse cara tem vontade. Não é a velocidade que ele tem nesse dia, que ninguém hoje ganha velocidade do dia para noite. Não é hoje que o cara vai chegar e vai ser o melhor, ele vai ser um degrau de cada vez. E aí aquilo deu cair, levantar e continuar, para eles era o quê? Pô, esse cara não é tão bom de moto, mas esse cara é raçudo, velho.

Esse cara tem vontade. O cara tomou 10 capotes, se fodeu na areia, não sabe andar na areia, mas o cara tentou os 4 dias e cada dia ele melhorou o tempo. Cada dia tava ali, filho. O cara nunca pedalou assim na vida, montou e andou 30, 40, 50 km, deu calo na bunda, deu, não tá aguentando segurar. O cara tava lá, filho. O cara tava lá no ódio, no orgulho, no amor, porque ele queria ser atleta profissional. É nadou mesmo, e tava com a dor, sem a dor.

Então ele tava superando ele todo dia, e era isso que eles queriam. Eles queriam um cara raçudo, eles queriam um cara que se pôr na prova vai doer em quem doer, vai tiver que carregar a moto, ele vai carregar a moto, velho. Então era isso. E aí foi onde eu abriu as portas para mim, que aí entrou, a gente foi andar para BMP Honda Motofield, e lá foi onde veio o primeiro título da Honda Motofield. Nós fomos, ganhamos a Copa FX Brasil 2018.

Ó, tem tudo tatuado no braço. Começou lá em 2014, vinha as provas, prova 2018 já foi um título importante. Aí a gente ganhou a FX Brasil, que era um campeonato do Fabião da Adrena Trilha. Fui campeão da categoria, ganhamos o título por equipe para Honda Motofield BMP. Eu acho que o Nagal, Henrique Nagal, chefe aí, lembra? Acho que foi o primeiro título da Honda Motofield por equipe, tipo, com os atletas que a gente tava junto em 2018.

?Voz B

É isso aí, isso aí. Você vê que você foi ali, foi correto e foi bravo, né? Você foi firme ali, aí você consegue. Deixa eu só chamar uma pessoa que sempre tá ajudando a gente aqui, porque igual você agradeceu um monte aí, eu agradeço ao Chico e a Talita da Tuag. Toda equipe da Tuag tá com a gente aí sempre e é o que veste a gente aí. Roda o VT aí, Fabián da Tuag, para quem precisar de blusas de moto custom aí ou de moto em geral.

Fechou? Valeu, Chico! Valeu, Talita! Valeu, Tuag! O Júnior tá falando aí dessa decisão aí de de largar relacionamento, de acabar relacionamento. Me fala uma decisão sua que você achou que foi a mais difícil de todas aí nesse caso, né? Não sei se é esse, por isso que eu tô te perguntando se essa foi a mais difícil, se teve outras, né? Em algum momento que você teve que decidir ali entre parar a carreira totalmente e ficar na carreira, teve mais alguma?

FJFernando Juruna

Então, eu acho que o mais difícil para mim foi A parte de 98% das pessoas não acreditarem que uma pessoa, um Belo Valense, uma pessoa de uma família simples que não tinha envolvimento nenhum com moto, poder ser atleta profissional de alto nível e ser campeão, e achar que era loucura eu abrir mão de tudo porque eu Trabalhei em empresa, formei, estudei, fiz técnico em mecânica, trabalhava na CSN, uma siderúrgica nacional de mineração.

E eu literalmente abri mão de tudo, de trabalho, de mais estudos, de vida pessoal, e acordar num dia e pôr a mente toda literalmente para ser um atleta profissional. Até depois eu consegui minhas empresas próprias e trabalhar por conta. Que é o que acontece hoje. Mas eu acho que foi uma decisão mais difícil porque eu sabia que tinha duas opções: ou eu dar o meu melhor e literalmente pagar o preço, que não é barato, que custa muito caro isso de você treinar domingo a domingo, de você se dedicar 1000% todos os dias, e você tá cada dia tendo que estar 110% melhor do que ontem.

Então você ter aquele 1% todo dia de gás, de querer evoluir, de querer aprender, de entender o processo de cair, levantar, de perder e querer voltar e recuperar, de poder buscar alimentação, buscar ser inteligente, de aprender todo dia, de escutar todo dia e também saber falar e saber impor algumas coisas que é necessário para o atleta também. Então você ter esse meio termo, eu acho, da decisão de vida pessoal, abrir mão de tudo e falar, ó, eu quero isso para minha vida inteira e eu quero construir minha vida em torno disso.

Então acho que foi o mais foda de eu passar uma noite em choro e acordar no outro dia e falar, não, a partir de hoje eu vou— não era profissional, mas a partir de hoje eu vou me tornar profissional e vou pagar o preço de um profissional para ser profissional. Então acho que se olhar para trás e falar, larguei empresa, larguei estudo, larguei tudo e você é um atleta do mundo das duas rodas. Então acho que foi uma decisão assim dura, porque eu sabia que se tudo desse errado eu pagaria um preço às vezes até mais caro no final da vida ali, né, no futuro.

Mas se desse certo também aconteceria o que aconteceu hoje, né. Então hoje eu brinco que hoje a gente sorri por tudo que aconteceu e pelas vitórias que a gente tem. Mas a gente sabe que no Brasil, de 100%, eu acho que 90% frustra, e às vezes não consegue chegar por conta dessas indecisão que fica no meio do caminho e não se doa 100% ali no que quer para a vida e viver, né? Então eu acho que isso é muito duro.

?Voz B

A gente fez um vídeo aí seu, vou deixar para colocar aí o vídeo do Juruna fazendo as pilotagens aí. Bem bacana. Então roda VT aí do Juruna. Anda bem, anda, dá para dar um, aprende alguma coisa, né?

FJFernando Juruna

Aprendeu um pouquinho, graças a Deus.

?Voz B

Deixa eu te perguntar uma coisa, você tá falando ali que a tristeza sua ali foi os 98 100%, não acreditar, etc. E eu vi que várias vezes você fala que veio de família humilde, veio de uma parte mais difícil ali, e que começou muito tarde, né? Hoje nós temos aí grandes atletas já bem novos, né, começam bem cedo, tá? Já tive até com dois aqui, que é a Alice e o Ben, tá? E eles, o Ben acho que tem 4 anos, 5 anos, né? E você sofreu algum preconceito por ter começado nesses 15 anos, né, mais velho assim, ou por vir de uma família mais humilde, você sentiu esse preconceito alguma hora ou não?

FJFernando Juruna

Não, na verdade eu acho que não. Eu sempre fui tipo assim, graças a Deus, sempre fui muito querido assim no esporte, sabe? Eu brinco até as brincadeiras nesse negócio do nego velho e tal. Isso pegou para o mundo agora. Eu fui o patente aí do nego velho. Hoje todo mundo chama de nego velho, zoa, brinca. Então eu sempre fui muito querido e eu sempre me senti muito jovem perto da criançada, perto da galera. E eu acho que isso me ajudou um pouco pela experiência e por entender também mais as coisas, de estar um pouco maduro.

Isso também me ajudou, eu consegui algumas coisas a meu favor por isso. Mas assim, não é fácil para as pessoas acreditar que um cara começa mais velho ali conseguir chegar no nível que eu cheguei, porque na verdade é o seguinte, eu sempre andei ali depois das minhas conquistas, acaba que eu acontecer nas categorias de base. Mas hoje, falando de brasileiro, falando de Campeonato Mineiro, de Copa Minas, da FIA Extreme, esses campeonatos regionais, tanto na Six Days mesmo quando a gente foi, aí a gente já anda de elite, né?

Então a gente já tá na elite, tá na categoria, nas melhores categorias ali, que são Elite 1, 2, 3 ali, Elite 4. Então acaba que a gente já anda na elite, então a gente tá ali no meio dos melhores do Brasil realmente. Então isso aí a gente tá disputando desde os jovens que estão chegando. E a gente brinca que hoje eu sou um cara muito grato, realizado não só pelos títulos que eu tenho, mas de ver as pessoas que estão chegando agora.

A gente brinca, atrás de morro tem morro. Feliz é a gente de ver os brasileiros chegando agora e superar a gente e conseguir ter mais títulos e ser melhor do que a gente, porque isso para nossa nação é muito importante. Então hoje eu torço muito para os jovens chegar, para ver mais pessoas no esporte. Porque eu brinco que hoje, se eu ver, seja qualquer esporte, tá, seja ping-pong, bola, basquete, o que for, se hoje o cara falar comigo assim, eu falo isso para todo mundo, fala aqui aberto aqui, ó.

Se o cara chegar para mim e falar, velho, eu sou campeão brasileiro de ping-pong, eu vou bater continência, eu vou dar um abraço no cara e falar, mano, parabéns, porque eu sou prova, eu sei que é duro ser campeão. Sei duro, que quer brigar até a última etapa, no último segundo. Então eu vou, eu vou hidrolatar, seja quem for, no esporte que for, de qualquer coisa. Pode ser campeão de peteca, eu vou falar: bicho, você é foda, vou ser fã, vou começar a seguir, vou virar fã, vou acompanhar.

Porque só quem sabe o peso do título, sabe o peso de ficar um ano disputando, sabe o que que é o dinheiro que investe, a dedicação em alimentação, dedicação de finais de semana, de estar longe de família sabe o que que é, que que é o preço a ser pago. Então vai saber valorizar isso e vai ter orgulho de ter amigos que têm, que tenha títulos, que tenha pagado o preço e tenha sucesso no esporte, sabe? Isso é muito legal.

?Voz B

A gente tem até aqui, você falando isso aí, o Bill Andrade 1 lá no YouTube, ele é piloto de drag race, né, da rally, né? E ele escreveu aqui, né, que ser piloto no Brasil é um desafio diário. Histórias assim nos mostram o quanto é importante não desistir. Parabéns, sempre em frente. Já lá no Instagram, o Kiko Monkey, né, que falou que vinha aqui hoje.

FJFernando Juruna

Esperei ele para nós.

?Voz B

Ó, ele sabe o caminho.

FJFernando Juruna

Ó, Kiko, você sabe o caminho. Teve, teve, ó, até coquinha zero teve.

?Voz B

Pois é, pô, ele sabe o caminho. Você viu que talento de sobra.

FJFernando Juruna

Então eu gosto desse cara, eu te falei, contei a história dele, que eu conheço de criancinha já. Eu andei de moto com ele.

?Voz B

Eu tenho uma filmagem do Kiko aqui, quem quiser chama no privado lá que ele tava fingindo, tava cabritando uma DT, tá?

FJFernando Juruna

Então ele tem história, esse cara aí tem história.

?Voz B

Ele tava cabritando com os dois pés no chão, tá? Só empurrando a moto assim, viu? Então já tá velho.

FJFernando Juruna

Nescau, nem se fala. Nescau até hoje tem história. Eu sou fã desses cara aí.

?Voz B

Então é bem legal a gente ver isso, porque eu acho que nós já falamos isso aqui, você ser um atleta no Brasil é muito complicado, né? Essa parte aqui, o apoio já não é tão forte, né?

FJFernando Juruna

Sim, é, a gente brinca que o país é do futebol, né? Mas sou muito fã de todo esporte. É, não é porque às vezes eu não jogo bola, sou ruim de bola, né? Então não tem que falar, pelo contrário, acho muito bonito e sou fã de qualquer tipo de esporte. Eu tô falando assim, é o que ele falou, no Brasil é mais difícil por isso, em questão realmente financeira. Para a gente tudo é mais caro, para a gente acaba que Hoje na elite ali a gente anda com as motos tudo importada, então a gente às vezes as motos vem de fora, chega aqui no Brasil com valor, um valor maior ali, a gente paga taxa, enfim.

Então para a gente realmente não é tão fácil porque acaba tudo se tornando caro, né, caro para a gente poder competir dia a dia, e é gasto dia a dia. Então, e também das empresas ali, não são tantas empresas que vão acreditar pelo retorno, né, que a gente brinca com esporte, se a gente for pensar em retorno financeiro, for pensar e não for igual a gente fala de amor mesmo e tudo, vai se tornando mais difícil. Porque às vezes o que ganha gasta, e às vezes gasta mais do que ganha.

Então às vezes quem não tá no meio às vezes pensa ao contrário, acha que, pô, o cara ganhou uma corrida, o cara deve ter ganhado um dinheiro, deve ter ganhado, né? Então assim, eu brinco que a maioria do nosso dinheiro vem das ajudas mesmo, dos apoios das empresas que acreditam e conseguem, né, nos custear às vezes em produto, em valor financeiro ali, para poder ajudar no que você vai gastar ali para poder ter um resultado. Então é igual o nego velho falou aí, não é fácil, é uma luta diária.

Por isso que eu brinco, a gente torce muito para ver vários campeões aqui, mas uma coisa, a gente tem que ser justo, não é fácil, não é fácil. Tem um preço a ser pago. Tem, a gente tem um valor psicológico, tem um valor de coração, tem um valor de sangue, de vida, de, como diz, de lesões. E é muita superação. E aí você tem que estar literalmente disposto, que a gente brincou, né, de relacionamentos, de família. Você tem que estar disposto assim a realmente abraçar e acreditar no sonho e ir para cima.

E eu brinco com todo mundo, é olhar para cima que é de lá que vem nossas forças. E e marcha. Porque se o cara pensar muito e escutar alguém e não seguir o coração ali, a vontade, ter disciplina e literalmente impor o que ele quer ali no mental dele, eu acho que às vezes até o psicológico acaba com tudo. É foda.

?Voz B

A gente tem aí com você que você ganhou duas competições do Six Days, né, o ISDE, né, Itália e França, né? Não é isso?

FJFernando Juruna

Tô certo?

?Voz B

Isso aí, não é isso? É, para quem nunca viveu isso o que realmente passa por dentro do ISDR?

FJFernando Juruna

O que que acontece? Isso é uma história muito legal que hoje agora nós vamos começar a falar da ISDR, Internacional 6 Days, é o maior evento de enduro do mundo. A gente se compara hoje uma Internacional 6 Days como se fosse a Copa do Mundo que aconteceu agora aí, ó, que a Espanha, né, foi campeã. Então assim, nós estamos falando que é um evento que junta todos os países, né? Quando eu fui para Itália foi acho que 31 países, quando eu fui para França 33 países.

A gente fala em torno de quase 1000 motos ali, 1000 atletas disputando para poder conquistar ali o ouro, a prata e bronze ali, e mais os títulos mundiais, né, que tem o pessoal que disputa ali o mundial. E assim, a gente tá falando de você ver todo o país, toda a nossa nação, todos os países juntos em prol de um objetivo, de uma medalha, da tão sonhada medalha de ouro ali, né? Então é foda, porque assim, como que aconteceu essa ida minha lá?

Quando eu passei pelo Brasil, eu passei por várias equipes, e eu quero só tirar esse tempinho aqui para falar que eu, tipo assim, eu vim da BMP, da Honda Motofield, aí dali eu fui para equipe Q4, o Kilder ali, o Adriano Diavolo tirando. Então tem muita gratidão pelo Q4. Q4 uma história incrível. Se eu for contar, eu monto um livro com Q4. Tipo, passei por situações, teve carro meu pegando fogo, eles me ajudaram com carro. Fiz, sabe da minha história, eu tenho uma história muito linda ali no Q4.

Eu tenho que deixar essa gratidão, que se alguém do Q4 tiver vendo isso, vai saber que eu tenho um coração ali. Eu devo, a gente brinca, eu devo um favor, devo uma satisfação. Então toda vez que eu toco, eu tenho que agradecer. Depois eu passei, né, pela, pela MXF lá. O Luiz Zóinho, que hoje tá com a MXF, mas na época não era, era o Luiz ali, me deu uma oportunidade de andar com Q4 também, aquelas motos. Quando eu fui o pioneiro da MXF nas competições, hoje tá estourada aí.

Muito, muito feliz por isso, de ver isso. Então tem que ter uma gratidão com eles. Depois andei, né, de Husqvarna com Maurício Fernandes, abriu as portas para mim em São Paulo. Então andei de Husky, andei de Gas Gas, né, Multiracing, o Fábio da Daiwa. Andei de, andei de Beta, então com Luiz ali novamente, com o pessoal da Trailand ali. Então assim, é muita coisa que já aconteceu, muitas equipes, e eu sou grato a cada um porque cada um tem uma história, cada um tem um título, tem um título com cada um, tem uns que tem mais, uns que tem menos, mas a gente é isso aí.

Ali. A gente fez história com todo mundo ali. Eu acho que todo mundo tem um pedacinho do Nego Velho, Nego Velho tem um pedacinho de alguma marca. E eu tenho certeza que na minha memória, na memória de muita gente, a gente tem uma foto em cada equipe, cada marca. Então eu sou muito grato por isso. E aí, vamos lá, o que aconteceu com a Six Days? Eu andava para MXF na época e eu não conhecia o famoso Nego Velho, Fábio Italiano. E aí eu fui com MXF para correr em São Paulo a convite de um pessoal lá que era o Stephanos lá, o Barão, o pessoal de São Paulo me convidou para andar lá.

E aí eu fui lá para andar de MXF, chegou lá, minha moto, né, quebrou o câmbio, tipo a terceira marcha. Tipo tinha primeira, segunda, quarta e quinta só, quebrou a terceira. E eu na prova, e aí o italiano tava lá com os pilotos dele, o Fábio tinha uns pilotos dele lá, tava mais outros pilotos lá do Caipira, enfim. E aí nessa prova, bicho, eu lembro que eu andei muito com câmbio quebrado. E se eu não me engano, lá eu ganhei minha categoria, fiz, eu acho que segundo geral lá, GMXF com câmbio quebrado.

E eu lembro que aí eu ganhei dos pilotos do Fábio na época. E aí eles me viram andar e eu fiquei, pô, quem que é esse cara, velho? GMXF, moto tipo lançou a moto, moto quebrada, com a caixa quebrada. E o cara descendo pau e ganhando prova. E aí aquilo, caipira, depois que acabou a prova e tal, conversa vai, conversa vem, o caipira brincou com o Fábio assim, ó: se você não pega esse piloto aí, porque eu vou pegar. Tipo, na tal hora assim, ó: se você não pega esse moleque aí, eu vou pegar, velho.

Você é o cara, velho. Aí o Fábio já me chamou e falou: para quem que você anda? Eu falei: ó, ando para MXF e tal, vou mandar para mim. Eu falei: não posso. E o Fábio sabe disso, eu não posso. Eu tenho um contrato com Luiza aqui até final do ano, até dezembro, com a Q4, com MXF. E eu sempre fui da roça de palavra, velho. Você é o contrato, é contrato.

?Voz B

É um ano.

FJFernando Juruna

Pode me oferecer um milhão aqui semana que vem, se eu tiver o contrato ganhando R$1.000 ali, um milhão não me compra não, filho. Esquece, esquece. É o contrato até dezembro, janeiro, o ano para você. Eu falei para o Fábio na torre e ele sabe disso. Falou, Fábio, até dezembro eu não posso te dar resposta de nada. Mas para o ano que vem eu ando sim. Aí falou, aí então vamos conversar e tal. Brincou comigo, mas ninguém, que ele é italiano doidão, né?

Ah, mas ninguém nunca falou assim, ninguém nunca vai recusar andar de moto. Vou te ajeitar uma moto boa e pá, que trem! Eu te arrumar para você andar de Husky, não sei o quê e tal. Eu não posso, pode me dar o que quiser, não ando. Agora, se você quiser fazer ano que vem, eu volto aqui em São Paulo, a gente senta, faz um contrato para andar, para andar 2000, como diz, para andar 2019 para frente, 2020 ali. Aí não, então beleza então.

Aí na hora que fechou o ano, ele me ligou, deu dezembro, me ligou: e aí, como é que tá, João? Beleza? E aí, você vai querer andar para Daiwa e tal? Falei: vamos aí para conversar. Fui para São Paulo, montei no carrinho, fui para São Paulo, cheguei lá, o homem sentou: o que que você quer para andar e tal? Aí a gente alinhou aquela coisa de patrocinador e piloto, né? Sentamos, eu falei: você quer andar o quê? Não, vamos andar o Brasileiro, vamos andar aqui a Copa São Paulo e tal.

E vamos junto. E aí eu peguei e falei assim, ó, vamos fazer o seguinte, eu ando para você, mas eu tenho um sonho. Eu já sou campeão brasileiro, eu já sou campeão mineiro, eu já sou campeão Copa Minas, já sou campeão de tudo que você imaginar no Brasil. Eu tinha acabado de ganhar o Brasileiro, pensa, eu tava no meu auge, pensa, ganhei da nacional, ia montar na importada, começar a andar na categoria, né, 1, né, anda 250. Tinha acabado de ganhar nacional, uma briga boa com Flavinho Volpe do Espírito Santo, menino que eu admiro demais, que eu sou fã dele também.

Nós brigamos até na última etapa, foi uma história muito legal, 2019. Abraço, Flavinho, e você me deu trabalho, tá? Aí beleza. Aí ele falou para mim, e que que você quer para andar? Eu falei, só o seguinte, Eu não tenho o que eu fazer mais no Brasil desse jeito para conseguir as coisas. Falei, eu não tenho nada a fazer no Brasil, meu sonho é ir na Six Days, maior evento de adulto do mundo. Ele olhou para mim e falou assim, seu sonho é ir para Six Days?

Eu falei, é meu sonho. Eu achava que o meu sonho era ser campeão brasileiro, ser menino, mas não é o meu sonho. Eu acho que eu sonho grande demais e eu nunca fui para fora do país e tudo que eu tô conhecendo hoje no Brasil, todos todos os estados, tudo que eu já viajei através do esporte. Mas eu sinto que eu quero ir para fora do Brasil, eu quero, quero ver, eu quero ver o cara que eu sou fã, quero ver um Giuseppe Garcia, quero ver um Verona, quero ver como é que, se é isso mesmo que os cara lá anda.

Eu quero, eu sou fã dos cara, eu quero estar lá no meio e quero estar lá. Vai que eu ganho a medalha de ouro lá. E tipo, ele olhou para mim e falou assim, Então vou fechar com você. A 6 Days esse ano é na Itália. Eu sou italiano, eu tenho casa lá, eu moro lá, minha mãe, meu pai, tudo é de lá. Então ficou fácil para nós combinar. Então nós vamos fazer a 6 Days junto. Se esse é o que você quer para nós fechar o contrato, eu vou te levar.

Pegamos na mão, a gente já pegou na mão e já falei: vamos embora, filho. Então agora nós temos objetivo, ô, véi. Esse cara. Eu saí de São Paulo e falou para mim: então você treina, que nós estamos falando que o seguinte, nós vamos lá para nós ganhar ouro. Ô bicho, eu nunca treinei tanto na minha vida. Fiquei um ano, um ano. A minha mulher hoje, minha esposa hoje é Dianane, ela sabe o preço que eu paguei, ela sabe quantas vezes eu acordei 4 horas da manhã debaixo de chuva para correr, subir serra pedalando, academia domingo a domingo, moto 4, 5 vezes por semana.

Porque na minha cabeça eu tinha que chegar o mais bem preparado possível, porque eu tinha o objetivo de sofrer em Belo Vale tudo que tinha que sofrer, para o sangue vir na boca, para chegar lá na 6 Days eu ter pelo menos o seguinte: sofrer o menos possível, sofrer menos do que eu tava sofrendo em casa. E aí assim eu fiz, comecei a treinar, comecei nas corridas aqui no Brasil até chegar o dia de ir para para 6 Days com o Fábio.

E a história lá foi muito legal, porque primeiro ano que a gente foi, foi COVID, 2020/21, né? Aí não teve a 6 Days 2020, foi para 2021. Aí fizeram junta, por isso que deu muito, muito país, que aí fez a 6 Days na Itália 2021. Tanto que a camisa é Internacional 6 Days 2020/21 junto, sabe? E aí a gente foi para lá na cara e coragem, italiano bancando. Arrumamos patrocinador, ele arrumou uns patrocinador, mas tipo quem bancou mesmo foi a Daiva, que foi a mais forte.

A gente teve os patrocinadores que ajudou a gente também, que a gente tem muita gratidão por isso. Só que é uma prova que nós estamos falando, maior prova do mundo, nós fora do país, um mês fora do Brasil para poder treinar, entender a moto. Tipo, teve que ajeitar a moto lá emprestada e levar algumas coisas daqui para tentar acertar a moto lá. E assim, e mais uma vez na loucura do amor, tipo, vamos e vamos ver o que vai dar. E aí a gente foi, eu e o nego velho doido italiano, fi.

E aí na hora que a gente chegou lá no primeiro ano, ajeitamos tudo e tal, e foi assim Foi foda, porque foi um trem que eu larguei. É, minha menina tinha nascido, tinha, tava aí a fazer um aninho. E aí, mais uma coisa, né, tipo, você abandonar a família, eu com a filha de um aninho, tinha feito um aninho para ir embora do Brasil para poder correr o sonho. E aí, mais uma vez, né, a moto em primeiro lugar, é o que a gente fala que é foda.

Que é uma decisão, só que era uma vontade, era o sonho, era um contrato, era uma palavra. E aí fui, minha família ficou, não tinha como, a gente não tinha condição de viajar e levar. E aí foi eu e italiano, fui para lá, fiquei um mês na Europa, aí treinei lá nas pistas, conheci, ajeitamos moto e tal aí, e fomos para 6D. Chegou lá, bicho, quem tava nessa prova sabe, Tem as histórias, tem, tem na mídia aí o que aconteceu nessa primeira 6 Days.

História de literalmente superação, de começar um dia e largar lá atrás, sofrer, ganhar 200, 300 posições ali, e no outro dia ir de novo e tá bem fisicamente. Terceiro dia, moto tipo estourar suspensão e ter que colar com Durepox. Tem as histórias tudo, é uma história longa, uns trem de superação que se contassem, até difícil de acreditar, mas quem acompanhou sabe. E 2, 3, 4 dias, ver que o que eu tinha pagado de preço fisicamente dos meus treinos tava funcionando, eu tava bem fisicamente, e ver que a medalha tava próxima ali.

Porque lá a premiação, para quem não sabe, é o seguinte: eles pegam o melhor do mundo ali, o melhor da categoria, vamos dizer assim, e aí 100% ter ouro, você tem que estar tipo dentro, te dar um exemplo, tem que estar dentro dos 10% do tempo do cara para você ganhar ouro, tipo nos 6 dias somando tudo. Então, por exemplo, se o cara faz com 1 hora, você não pode tomar 1 minuto para ele não, que você tá fora, entendeu? Tipo em 1 hora de prova, se você tomar 1 minuto, você tá fora.

Tô dando um exemplo. O bronze lá, por exemplo, a prata é tipo 20%, o bronze 30%, tô dando exemplo. E aí E aí vai, porque imagina mil motos, como é que eles dá mil medalhas de ouro? Não faz sentido. Então eles vão eliminando mesmo a galera para chegar só a natinha lá no último dia, que é o motocross. 40 motos para largar no gate lá de cada categoria e pau. E aí a gente foi, e aí a gente foi indo no primeiro ano, e no final das contas a gente pegou e E passou por turbilhão de coisa de moto e tudo dando certo.

E a gente não tava com estrutura, a gente foi, a gente brinca que a gente foi com amor, a tenda e a moto, filho. Porque a gente chegou lá, todo mundo com estrutura, carreta, caminhão, é outro mundo, outro mundo, outro. Não tem como a gente ver isso aqui no Brasil.

?Voz B

Tipo, você vê que você foi porque era na Itália, tinha casa lá, tava mais fácil.

FJFernando Juruna

Falei assim, vamos embora com sonho e a vontade. E aí a vontade virou ouro, o sonho e a vontade, o sonho de dois amantes pelo esporte italiano, amante do mundo off-road, eu apaixonado de criança, e dois amantes, e a moto, sangue no olho, que queria aquilo mesmo, queria aquilo e queria mudar de vida e fazer a vida com aquilo. E foi, tipo, tudo deu certo. Então acho que, e eu brinco hoje que ele é o pai que eu não tive. Que igual eu comecei o podcast hoje falando que eu não tive pai, né?

Fui ver meu pai com câncer para morrer e não tive. Fui criado pela minha avó e ele foi um pai. Hoje eu considero ele um pai que eu não tive realmente. Tipo, eu brinco com ele que, ah, pô, italiano, você é um pai que eu não tive, porque ele me apresentou o mundo. Ele, eu falo que quando eu fui para Itália, ele me apresentou. No outro ano ele falou, nós vamos ganhar de novo, nós vamos para França de novo. E aí foi, gastou dinheiro ver, fizemos o que tinha que fazer.

Só que aí foi um pouco mais fácil porque nós já sabia como funcionava, né? Então antes não, no primeiro ano não sabia falar nada de inglês e sofri para caralho. E nossa, fiquei no avião, passei fome, não conseguia comer, não podia pedir nada. E aqui a peleja, e manota brasileiro, não entende nada, não sabe fazer nada. Então foi um sufoco lá, passei o tanto que eu voltei, primeira coisa que eu fui fazer na minha vida foi começar a estudar inglês.

Então você aí quer ser atleta, não dá mole não, filho. Faz o inglês, que você acha que não, mas uma hora você vai precisar. E na hora vai passar fome no avião, senão vai passar fome no avião, filho. De novo, que você não saber pedir um café lá, não saber pedir nada, você tá, você fica morto. E aí a gente foi, fez história junto. Eu falo que eu e ele, a gente tem uma história ali que ele sabe, que eu conto para todo mundo, é uma história de pai para filho.

É dois nego véio com os apoios que a gente teve e duas medalhas de ouro consecutivas no maior evento de Enduro do mundo. Eu acho onde que eu fui um cara realizado, onde eu peguei e literalmente provei para mim mesmo, que eu acho que a gente não tem que provar isso para ninguém, provei para mim mesmo e para minha família, que eu queria que ele sentisse isso de realmente as pessoas poderem acreditar nos sonhos, as pessoas poderem acreditar nela, independente do que tá ao redor, independente das pessoas que tá.

Porque é o que a gente fala, de 100 para motivar é 1, para querer poder não te ver bem, não te apoiar, não querer ver você melhor do que ela, é muitas pessoas. Eu acho que no Brasil isso é muito forte, e eu acho que as pessoas têm que pegar podcast, pega essas pessoas que são inspirações, e às vezes pegar de inspiração e de opinião, não de pegar para crucificar e de querer às vezes vir derrubar. A gente brinca que numa corrida 50 quer te ver cair, mas te ver ali em pé e ganhar são poucos.

Então acho que as pessoas têm que começar a ver, a querer o próximo ganhar, porque a experiência de vida de um ensina o outro. E às vezes os jovens que vêm aí pode pegar uma história de quem não teve nada, de quem veio do nada, e hoje tem todos os títulos do Brasil, duas medalhas de ouro no maior evento do mundo. E tipo, e amanhã minha vida é a mesma coisa de qualquer um, de qualquer pessoa. Nós vamos ser todos iguais, vamos trabalhar do mesmo jeito, vamos fazer as coisas acontecer do mesmo jeito.

Mas um amor, um acreditar, uma mente aberta de escutar e saber fazer o certo na hora certa, assim, passar ninguém para trás e às vezes poder ajudar o próximo. Eu acho que isso é um caminho para a gente seguir, sabe? É um caminho da gente, é o que eu falei, se eu conhecer qualquer atleta que tem alguma coisa que conquistou, o trabalho ou pessoal ou em relacionamento ou esporte, eu vou hidrolatar, eu vou, eu vou dar parabéns, eu vou ser grato e vou estar feliz, porque eu quero que é o que pensem de mim, o que pensem do próximo, sabe?

?Voz B

Eu acho que isso é muito Eu tenho uma frase, Fernando, que é o seguinte: a gente precisa de mais incentivadores, porque críticos nós já temos demais. É, então às vezes a gente tem que incentivar um pouquinho mais do que criticar. Criticar era mais fácil. Pessoal, o Juruno tava falando aí do Acer, da moto, e eu não posso deixar de agradecer uma equipe que tem aqui, que é lá do Marlon e do Rogério, que é a 44 Garage, toda equipe técnica deles.

Quem precisar de oficina aqui em Belo Horizonte, com certeza a 44 consegue te atender perfeitamente. Então roda o VT da 44 aí, Fabiano.

FJFernando Juruna

Aqui na 44 Garage cuidamos de verdade da sua moto. Trabalhamos com as maiores máquinas do mercado, preparação manutenção e performance. Aqui não é só conserto, é também consultoria. Cada passo é explicado com o máximo de transparência. E você tá esperando o quê para trazer a sua moto aqui para 44 Valeu, 44!

?Voz B

Valeu todos os meninos aí, equipe toda aí! Valeu, Rogério! Valeu, Marlon! Quem precisar, acessa lá, pode contar. Ô Jurona, tem também um outro vídeo aqui, mas eu queria antes fazer uma pergunta para você, que é o seguinte, né? Você falou ali que vive de moto, tal. Hoje que eu vi que você tem mais perfis no Instagram lá, né? Você tem o @jurunamotoparts.

FJFernando Juruna

Isso é, então o último você não conta não, você deixa comigo. Esse aí é segredo ainda, é segredo ainda, mas vamos lá. É o que você falou, a ideia quando eu fui virando atleta ali profissional e eu comecei a ver E igual eu falei, eu não tinha condição de ficar, né, deixando de fazer uma coisa para abastecer, deixava de fazer alguma coisa de diversão para poder andar e treinar. E aí, o que que aconteceu antigamente? Quando eu tava mexendo nas minhas motos, eu comecei a entender que moto quebrava todo dia, ainda mais moto velha, imagina.

O que que tinha que fazer? Não tinha dinheiro para arrumar. Eu começava a fazer o quê? Eu mesmo comecei a arrumar minhas motos. Eu mesmo comecei a trocar óleo, eu mesmo comecei a mexer em corrente, a trocar um pneu e tal. E aí eu comecei na garagem lá da casa da minha avó, né? Eu tinha um tio, meu tio cacique, ele chegou a falecer. Ele tinha uma garagezinha lá de chão mesmo, de terra, onde ele guardava o carro dele. E aí eu comecei a usar para mexer na minha moto e Na época eu montei uma prateleirinha assim, ó, tipo que você tem aqui assim, e botei uns óleozinho assim para me trocar o óleo da minha moto mesmo.

E comecei a mexer com moto e falei assim, bicho, eu ando de moto, gasto dinheiro, mas isso aqui às vezes pode me dar dinheiro também. Aí que que eu fiz as contas? Foi até legal, peguei uma calculadorazinha que era de mão lá, falei, ó, eu tenho 5 amigas aqui que anda de moto, se eu pegar aqui e lavar a moto de 5 R$20 aqui vai dar R$100. Eles andam de moto 4 vezes no mês, né, todo domingo. Então é R$400. O salário na época era R$600, R$700.

Eu falei, bicho, eu vou fazer um salário lavando moto para esses cara, velho. Vou pedir eles para trechar a moto aqui, eu vou lavar a moto para eles, entrego pronta na semana e ganho aqui um salário. E aí eu vou andar de moto e vou fazer as coisas. E aí eu comecei a fazer de moto de novo, vou viver de moto, velho. Aí eu falei, vou viver de moto porque é o seguinte, eu vou conseguir fazer meu dinheiro na moto. E aí eu comecei a pedir mesmo, meus amigos, deixa eu lavar a moto para você.

E eu já dava aquele capricho ali e tal, lavava, cobrava R$20 de um, R$20 do outro, e comecei a fazer meu dinheiro. Só que aí, da lavagem de moto, eu comecei a falar, velho, quando os cara via que eu lavava moto, passava os carrinho lá que era vendedor Por exemplo, Mobil, eles passavam lá, ô, você mexe com moto, você quer comprar óleozinho não? Aí eu falei, velho, me vende uma caixinha. Comprei uma caixinha, eu falei, ô, vou trocar o óleo da sua moto.

O óleo era R$12, R$12 é R$15 para trocar o óleo. Botava o óleo, ganhava R$3 no óleo. Aí com pouco troca o óleo, com pouco, velho, passa um cara com a câmara de ar. Furava a câmara de ar. E bicho, isso foi puxando automático. Eu amava moto, andar de moto, gostava de mexer na minha moto, comecei a mexer com moto para os outros. E aí veio a ideia: Juruna Moto. Aí um dia eu passando, vi um trem de partes, fui olhar, Juruna Moto Parts é o nome da minha loja.

Vou abrir uma loja de moto para mim. E abrir, bicho, num trem lá. Eu tenho as fotos tudo no computador guardado. Chão de terra, garagezinha, abrir. Depois disso, eu mesmo não tinha muita condição, peguei, bati um piso grosso no chão mesmo, pintei. Lembra que nós pintava o chão? Pintei o chão vermelho, verde, pintei metade da parede assim, ó, porque na minha cabeça sujava, mecânico vai sujar, né? Pintei metade da parede preta, a outra metade de branca, eu mesmo pintei.

Teia de amianto, um forno, velho, esquentava. Nossa, lá dentro trabalhava, suava, tinha que sair lá fora assim, garagem pequenininha, né, esfriar um pouco. E aí beleza, comecei. E onde surgiu o Jornal da Motopartes, que hoje, né, eu brinco, aí veio, tem anos que eu tenho a loja. E aí hoje eu mexo com tudo lá, tipo preparação, motor, suspensão, mexo com moto, tanto off-road quanto on-road, mexo com as motos, motoboy, tudo da cidade.

Então tipo assim, foi onde criou, através do meu esporte. Então a loja veio de uma necessidade minha, porque eu não tinha condição de pagar para arrumar. E para mim andar de moto não era só glória, né? Então quebrava, tinha que arrumar, mas o dinheiro que tinha era para gasolina, como é que eu ia arrumar? Aí quebrava. Aí tipo assim, eu fiquei, eu ficava num beco sem saída, velho, era foda. E isso a gente comia o lanche do Tatu ou botava gasolina, ou então arrumava a moto, velho.

Tipo assim, hoje nós tá rindo aqui, mas é bicho. Imagina a situação, velho. Não tinha o que fazer, velho. Não tinha, não tinha. E hoje parece que isso tudo é até se contar, os outros falar isso é mentira, velho. Mas quem viveu ali comigo sabe, não tinha, não tinha o que fazer. Arrumava. E eu falei, velho, eu que tenho que arrumar. E onde eu comecei a mexer nas minhas coisas. Ou às vezes algum amigo ajudava. Ou velho, não, eu sei fazer, vamos ajudar aqui, vamos.

E aí eu comecei. E aí eu comecei, tinha, né, fiz curso, igual eu te falei, tive, né, fazendo curso de técnica mecânica aí, só que mexia com caminhão Ford Strada mineração. E mas me deu uma ideia assim. E aí as ferramentazinha, fui comprando uma outra. E aí veio, veio ideia e criou a loja. E realmente foi assim um trem que para mim começou por hobby. Hobby mesmo, e virou empresa, virou empresa. E até hoje é a empresa Jornal Motoparte, onde eu acordo todo dia, minha segunda a sexta-feira, e tô lá trabalhando na loja com o maior orgulho do mundo, de uma empresa que tipo veio e até hoje eu trabalho, uma necessidade que virou prioridade.

É isso, é muito legal de eu contar, porque às vezes é o que eu falo, às vezes a pessoa tá no esporte aí Às vezes, pela necessidade do esporte, para ela sobreviver no esporte, ela cria uma coisa para viver mais ainda aquilo. Então aí, o seguinte, essa galera acha que eu vivia moto. Quando eu comecei a falar que eu era amante da moto, literalmente é o que as mulheres falavam comigo: a moto. Eu vou, a moto 24 horas, era 24 horas moto.

?Voz B

Com certeza que aí no dia de semana você tem a Juru na Motopass, Final de semana, você não contente, criou o Passeio Juruna 14.

FJFernando Juruna

Aí já é outra história. Aí, aí agora vem a história do seguinte: depois que a gente comecei a trabalhar com a loja, a loja cresceu, eu comecei a me profissionalizar também, comecei a fazer curso, fiz curso na Race Tech, na W Tech, de suspensão, de motor, fiz curso para poder mexer na parte eletrônica de preparação. Então eu fiz assim A gente vai estudando ali. E quando eu virei profissional mesmo na moto, eu queria entender tudo para mim poder ter o melhor desempenho, melhor resultado nas minhas provas.

Então isso me ajudou muito. Eu ser um mecânico, por exemplo, na Internacional 6 Days, lá na 6 Days, o que que me ajudou 50% ali foi eu ser mecânico. Porque lá é o seguinte, para quem não sabe, na prova ninguém pode pôr uma mão na sua moto. Você tem lá 15 minutos para você trocar 2 pneus com músculo. Não, brasileiro, brasileiro aqui no Brasil, o mecânico, tipo, o piloto mesmo tem que se virar com a moto, velho. Mas lá na 610 é pior ainda, porque a fiscalização, se você tiver ali andando bem, as pessoas ficam ali em você.

Então, tipo, você que tem que dar manutenção, você tem que trocar filtro, você tem que abastecer, você tem que puxar corrente. Então você tem que ser, querendo ou não, nem que seja um mecânico iniciante ali. Então isso para mim me ajudou muito, porque já aconteceu de prova eu quebrar a moto, eu mesmo me virar e conseguir estar dentro da prova, me manter vivo ali. Onde eu tive resultado. Se fosse outro atleta que não tem um conhecimento, ah, deu um B.O. ali, o cara não sai do lugar, perdeu, acabou o dia do cara, acabou o final de semana do cara.

Então isso me ajudou muito. E aí depois que eu fiquei profissional, que a loja cresceu, que eu fui ganhando títulos, veio a ideia de eu poder começar a dar cursos pilotais. Porque isso é muito legal, quando eu ganhei tudo que eu tinha para ganhar aqui no Brasil quando eu tive todos os títulos, eu comecei a entender. Igual eu fui para fora, eu comecei a ver as coisas e comecei a falar assim, bicho, hoje eu tenho 34 anos, mas vamos falar assim, é eu com 30 anos para frente ali de idade, eu falei, velho, pera aí, eu já tô conquistando o meu sonho, tô sendo grato a Deus por estar sendo um cara realizado, um cara que no esporte tá sendo bem-sucedido, com as vitórias, com tudo que vem acontecendo para mim, velho.

Vou começar a dar curso de pilotagem, vou começar a pegar os jovens e mostrar para eles esse caminho que eu já trilhei. Então ninguém vai tirar isso de mim, que eu sei o que eu passei para estar ali, para poder ser campeão, para poder ganhar uma prova, para poder estar bem psicologicamente ali dentro de um campeonato. Então eu quero começar a mostrar para as pessoas. Eu quero começar a dar curso de pilotagem, e aí eu vou pegar o pessoal no curso de pilotagem, vou fazer um passeio.

Eu já pedalo, eu vou chamar a galera para pedalar e vou fazer um passeio de bike. Tem a galera que gosta de, igual eu falei, independente do esporte. Tem a pessoa que gosta do trekking, eu vou começar a dar um passeio de trekking na minha região, que é turística, montanhosa. Belo Vale é uma cidade importantíssima no turismo, Então até a gente tem muito lugar lindo ali, que a gente tá próximo da Grande BH aqui. Então a gente tem muito lugar ali de cultura, turismo e lazer que é violento, é paisagismo, tudo muito bom.

E aí eu comecei a falar, velho, vou dar meus cursos de pilotagem, vou fazer. E aí veio a ideia, Passeios com Quem? Passeios Juruna 14, nome da minha moto. Eu falei, velho, vou criar um Instagram no meu passeio e vou começar a trazer as pessoas para tava próximo de mim, sempre mexi com pessoas. E aí eu comecei a ficar muito envolvido com isso, comecei a fazer meus passeios, comecei até igual é até hoje, né, dar meus cursos de pilotagem.

E isso eu comecei a também ter uma renda disso, porque é um trabalho, claro, entendeu? O que eu vivi, o que eu já gastei, o que eu já corri atrás, o que você teve que aprender, uma experiência. Só que aí eu brinco com todo mundo que nos cursos a gente fala, eu falo muito isso, eu falo isso com os jovens, tipo, antigamente para mim foi muito duro, foi muito difícil, porque não tinha ninguém para ensinar. A gente não tinha acesso a um piloto profissional, a gente não tinha contato.

Então era tipo absurdo você conseguir falar com alguém, você conseguir abraçar, comunicação era mais difícil. Aí hoje não, hoje no curso de pilotagem, o que eu demorei 10 anos para aprender, você passa em um dia para o cara. Uma ponta do pé na pedaleira ali, uma pressão na curva lá do contrário, você curvar, um cotovelinho um pouco mais alto, uma pegada diferente, uma frenagem com o corpo certo, você atacar fazendo um movimento correto.

Então algumas coisas que a gente demorou, no meu caso eu demorei anos, hoje num dia de curso de pilotagem a gente mostra o atleta tudo e ele só praticar aquilo ali. Então a tendência dele ser muito melhor do que eu, do que a gente que é mais antigo, de ter uma evolução e poder chegar no caminho mais rápido em curto tempo, a probabilidade é 100% de ser melhor do que o Juruna, entendeu? Pela entrega de conhecimento que ele tem, pela tecnologia que ele tem, pelas motos melhores que ele tem hoje.

Então assim, isso é muito interessante. E aí eu comecei a falar, bicho, por que que eu não começo a trabalhar isso com as pessoas e mostro o caminho? E vou ver Eu brinco, né, que a gente, o mestre é doido para ver os discípulos. Quando a gente vê os jovens lá subir, já aconteceu, tem vários atletas hoje que sabe, ó, Brasil, e eu devo ter mais de 100 atletas que já fez curso comigo. Eu já todo final de semana eu tô vendo nego subir no pódio, eu olho e falo, pô, já ajudei aquele cara com alguma palavra, aquele cara já fez curso comigo.

Então isso para mim é o meu maior orgulho, de eu ter os atletas que sabe quem são aí, que já fizeram curso comigo, e hoje tá lá no pódio. Tá lá ganhando prova, tá lá subindo entre os 5 melhores da categoria. Então isso para mim não tem preço, sabe? Eu fico muito grato. E é uma coisa que as pessoas ainda têm um pouco de receio e não é tão aceitável, porque é o que a gente falou, Brasil é difícil nisso. Porque muitos entendem o que eu tô falando agora, pô, o cara tá ali querendo incentivar, querendo ajudar, querendo mostrar o caminho mais rápido, querendo Mostrar a pessoa que tem que ser diversão para ter evolução, porque se tiver pressão não tem evolução.

Então é uma coisa técnica muito forte, é um mental muito bom, é você ver o caminho que o cara passou e você encurtar aquilo. E às vezes muitas das pessoas olha aquilo e fala, pô, o cara faz isso para ganhar dinheiro, o cara faz isso só pensando no lado oposto da parada para julgar. Isso é muito duro também para quem é profissional tem uma empresa igual eu tenho para mexer com pessoas, que a gente tem de tudo. Mas é legal eu contar isso aqui para as pessoas verem que a verdade, a mentalidade do atleta profissional hoje nada mais é do que pegar o que a gente aprendeu e repassar de uma forma para a gente não ter um podcast somente com 1, 2, contar no dedo algumas pessoas que tem uma história e chegou no objetivo de realizar um sonho, mas a gente a gente poder ter várias pessoas durante o mundo, entendeu?

A gente, se a gente pudesse, eu brinco, se a gente pudesse ter todo mundo sendo bem-sucedido no que ama fazer, isso seria muito massa, funcionaria muito melhor o mundo, sabe?

?Voz B

Com certeza. Isso aí é a nossa ideia, né? A gente tem que agregar, né? Incentivar é melhor do que criticar, né?

FJFernando Juruna

É isso aí.

?Voz B

Tem até um vídeo aqui do presidente do Mavadões do Mal. Então dessa vez eu vou te pedir para colocar o fone de ouvido para você escutar a pergunta dele, que ele vai mandar. Pode colocar esse fone de ouvido, Fabiano. Solta o vídeo do presidente do Malvadões do Mal. Vamos lá.

FJFernando Juruna

Boa noite para todo mundo ligado no Podpam. Boa noite, Fernando. Aqui é o Malvadão, presidente do motoclube mais malvado das galáxias, o Malvadões do Mal. Uma Uma coisa que a gente sempre ouve, né, Fernando, a gente que roda de moto, é que andar de moto é perigoso. A galera sempre insiste em repetir isso para gente. Imagino que você deve ter ouvido isso muito mais do que nós, né, por conta do esporte que você pratica. E aí eu queria que você desse um conselho para quem tá aí adiando o sonho às vezes de começar um esporte como motocross ou de comprar uma moto e viajar, cair na estrada, por conta dessa crença.

E desse medo de que a moto é um negócio perigoso. O que que você tem a dizer para essa galera?

?Voz B

Valeu, Guidola! Valeu, Malvadões! Então vamos lá, pegou o gancho aí do treinamento, né?

FJFernando Juruna

Isso é muito massa essa pergunta. É Gui, né?

?Voz B

Guidola. Guidola é o presidente do Malvadão, Malvadão do Mar.

FJFernando Juruna

Presidente Malvadão. Presidente, Isso é muito interessante, essa pergunta sua, porque isso foi o que eu mais ouvi na minha vida. Tipo, é perigoso, isso mata, isso machuca. E eu sou prova viva disso, que o seguinte, é tudo hoje na vida é perigoso. Você vê a pessoa cair na rua e machucar até morrer, você vê a pessoa lá dentro do campo de futebol parado morrer, você vê a pessoa brincando em casa, caiu da escada e Então, tipo assim, hoje a vida é perigosa, você concorda comigo?

A vida é muito perigosa. E o esporte é o seguinte, eu brinco que a moto é o esporte em duas rodas, é uma torneira. Você abre, no caso do acelerador, o tanto que você quiser. Então assim, você pode fazer o básico normal, ser feliz, ou você pode pagar de doido e querer ser, pular as etapas, querer ser louco. E vamos dizer, desculpa a palavra, mas se foder e e estragar tudo. Então é o que eu brinco, eu acabei de falar dos cursos de pilotagem, acabei de falar dessas, dessas situações que é onde a gente fala segurança em primeiro lugar.

Todo mundo que tem uma máquina debaixo sabe o que ela é capaz, e isso tá no subconsciente de cada pessoa. Então assim, quando as pessoas falam para mim, ah, é perigoso e tal, eu falo, não é, porque quando você pega um conhecimento, você treina, você pratica, você coloca seu mental, coloca seu físico para estar naquele esporte, você tá atencioso com aquilo ali, você faz aquele risco ser quase zero. Pode acontecer, pode uma fatalidade, enfim, mas isso vai acontecer em tudo.

Então não é porque você vai andar de moto numa viagem, numa estrada, numa pista de motocross, numa trilha, que é um mais perigoso que o outro. Não, na verdade eu acho que não tem perigo nenhum quando você tá concentrado, tá sabendo o que você tá fazendo. Eu acho que isso tipo é da consciência de cada um, e eu nunca vi perigo nisso. Porque eu brinco que se você for olhar, malvadão, você pode pegar aí para ver, pega os atletas profissionais tudo, você vai ver muito nego que se inicia com a cabeça virada ali, vamos dizer, diferente.

Você vai ver pessoas iniciando tendo mais lesões, tendo mais problemas do que os profissionais. Porque as pessoas, quando se profissionaliza, entende o mundo off-road, ou mundo on-road, o mundo do passeio da estrada. A pessoa estuda, vamos dizer, aquilo, ela faz um trabalho que aquilo se torna segurança. E hoje a gente tem muito, você vê, ó, o pessoal das estradas, eles têm as roupas de couro, eles têm as motos apropriadas com suspensão apropriada pelo peso que ele carrega nas malas.

Nós no motocross temos os acessórios, equipamentos de proteção. Então, tipo assim, a gente procura sempre usar o melhor, equipar as motos da melhor maneira para ter mais conforto em viagem, para ter mais conforto dentro da pista, para ter mais desempenho, as preparações. Então hoje a tecnologia é tanta de sistema de frenagem, sistema, né, até mesmo de tração, então hoje a tecnologia tanta que isso tudo é uma forma de ter mais segurança para o ser humano ali.

Então acho que assim, pelo contrário, eu acho que esporte, seja qualquer um, independente, igual a gente fala, é saúde, é qualidade de vida. Porque a gente vive tão tenso hoje em trabalho, dia a dia, que eu acho que tá mais provável, em vez de ser perigoso, das pessoas falar que, ah, vai matar, vai fazer aquilo, tá mais fácil fazer viver, porque aí você vai ter qualidade de vida. Você vai conhecer lugares diferentes, você vai conhecer pessoas diferentes, vai viver histórias diferentes.

E o que que vai te levar a fazer isso tudo? E te levar em lugares que às vezes você nunca vai conhecer no dia a dia normal a pé, que a moto te leva, que pessoas vão nascer e morrer às vezes com medo do perigo da moto, e às vezes não vai, não vai poder nem conhecer, não vai poder viver o mundo que a gente tem, né, a nação que a gente gente tem. Então, tipo assim, eu acho que tem muito mais qualidade do esporte passar do que coisa contra.

Principalmente assim, muita gente fala, tá andando de moto, mas não, bicho. O cara que anda de moto, ele, ó, ele trabalha mais para poder ter o dinheiro para viajar. Então quer dizer que já tá pondo a qualidade dele de vida no trabalho, foco. Ele já se alimenta bem, porque às vezes o cara quer ser alto nível ali, o cara quer se divertir. Então ele vai ter cuidado da alimentação. O cara que às vezes tá lá vai caçar um exercício físico, alguma coisa, porque às vezes não dá conta nem de levantar a moto, tá pelejando lá.

Então o cara vai ter que dedicar. Então o cara cuida do corpo, cuida da alma, cuida da mente, sai da rotina de casa, faz uma viagem, então fica melhor entre família. Então eu acho que tem mais prazer e lazer do que o perigo. Ser bem sincero para você, eu acho que se as pessoas tiver a mente mais aberta, eles vão ver que o perigo a gente tem dentro de casa. Então eu acho que a moto foge desse perigo aí, tá? É bem tranquilo.

?Voz B

Eu também acho que é só ter a noção, né, do que que é o mais perigoso, não arriscar tanto. Não precisa dar, principalmente na estrada, né? Meu caso é mais estrada, é você evitar algumas coisas que a gente vê que é idiotice, né?

FJFernando Juruna

Sem necessidade.

?Voz B

É o tal de colocar 140 para chegar 5 minutos antes. Então a gente às vezes não precisa, né?

FJFernando Juruna

E a frase que eu te falei, eu quero deixar essa frase para você gravar aí, tá? Todo esporte, diversão, tem evolução. Se for pressão, não funciona. Então, ó, tudo que fizer, faz por diversão, por amor e por vontade. Fez por diversão, você vai ter evolução. Se você tiver pressão, seja trabalho, seja o que for, se for na pressão, na marra, você vai ver que você às vezes se frustra e não consegue nada. Então sempre vamos divertir para poder evoluir.

Eu acho que a ideia é essa. Então se você faz isso aí para curtir, divertir, você vai ver que evolução vem. E aí vai longe, é massa.

?Voz B

Deixa eu ler até o recado da Digenane Teixeira, né? Você tem que mandar um abraço para ela, um beijo, porque senão depois você apanha, não chega em casa.

FJFernando Juruna

Verdade, verdade. Aí é minha estrutura, né?

?Voz B

Pois é, tá aqui, ó: verdadeiro campeão, merecedor Aí ela falou aqui que dois atletas, né, porque eu comentei do Clésio, irmão dela, dois atletas no coração, marido e irmão. Agora garotinha tá chegando, não nega a raça. Ela escreveu uma coisa certa aqui: o sedentarismo e obesidade também são perigosos. Cada um escolhe o risco que vale a pena correr. Esporte é vida. É, outro dia eu até falei, Dianane, que é o seguinte: a vida é feita de escolhas, né?

Então cada um escolhe o que quer, né? Depois paga o preço, né? Então a gente tem que entender isso, e tá tudo bem. Eu não acho que tá errado, não tô aqui para viver, né? Falando nisso aí de tá tudo bem, né, tem uma agora novidade aí que você vai contar, né? Conta aí para as pessoas aí. Tem 3 meses que inaugurou, porque já não bastava o piloto o Juruna Motopartes, Juruna Passeios, e agora é o—

FJFernando Juruna

é isso aí, vem a bomba! Agora vem, agora vem, como diz, aí o sonho concluiu.

?Voz B

Arroba, manda aí, você quer que eu falo, você fala?

FJFernando Juruna

Não, solta aí porque nós vamos falar do meu.

?Voz B

Então é @pousadarealchalés, é o novo, a nova loucura aí, empreendimento do Juruna. Então para quem puder aí acessar lá, @pousadarealchalés, O Fabiano colocou aí na tela e vou deixar você contar um pouquinho antes da gente passar. Então o Fabiano já tá passando até um vídeo, pode contar um pouco aí, ó, do que que é esse novo empreendimento seu, Juruna.

FJFernando Juruna

Então é igual você falou, a gente inaugurou, né, eu, a minha esposa aí, a gente inaugurou Pousada Real Chalés na cidade de Belo Vale. É o que eu falei, né? Eu amo tanto a cidade que todos os meus comércios, todas as minhas, toda a minha estrutura tá ali dentro da cidade. E a pousada, igual eu falei dos passeios, dos meus cursos de pilotagem, eu sempre mexi com muitas pessoas. Então sempre mexi com muitas pessoas e sempre levei as pessoas lá para minha casa.

E só que a minha casa é uma casa não tão grande, então acaba que não suportava todos atletas, sempre dormiu muita gente em casa, na casa da minha avó que é do lado também. E aí a gente estudando há um tempo atrás, acabou que eu falei, ó, vou vender minhas coisas e vou montar um cantinho para mim poder trazer, mostrar a nossa cidade para as pessoas, mostrar a cultura, mostrar o lazer, mostrar esse lado da moto, trazer as pessoas que eu dou curso para para cá, trazer as famílias, as pessoas que estão na região da Grande BH, que a gente tá localizada, a pousada, 67 km de Belo Horizonte, uma horinha.

Então a gente tá do lado da Grande BH e no lugar que é em meia natureza, é uma cidade de interior bem aconchegante, bem acolhedora. E aí a gente veio com essa ideia aí de montar a Pousada Real Chalés para ter uma estrutura grande, né, uma estrutura que a gente conta lá com 11 chalés, todos os chalés independentes, com garagem para 2 carros cada um. Chalés com, né, a gente tem lá uma área de churrasco com lazer, campinho, gramado para jogar peteca, futevôlei, lago de peixe com peixe ornamentais, piscina aquecida, lareira, fogo de chão ali com área de churrasco junto, pessoal fazer um marshmallow.

Então assim, a gente montou realmente uma estrutura para poder as pessoas irem ter uma experiência. A gente fala que é para pessoa ir lá ter uma experiência mesmo de interior, tomar um cafezão da manhã, de ter aquele queijo mesmo da roça, aquele pãozinho de queijo que a gente gosta, né, do que os mineiros gostam. E assim, tem um espaço para pessoa levar a família, sentir em casa. O pessoal tanto do off-road quanto, né, do on-road, das Harley, fazer um passeio.

A gente que já tá com alguns eventos organizados. A gente já fez um primeiro luau lá. Agora a gente vai fazer um evento com o pessoal da Harley também lá de Campo Belo, que vai ter um showzinho lá de rock. E assim, a gente tá criando os eventos para poder unir. Eu acho que o esporte é união, é vida, é conhecimento ali. A gente saber das histórias de ambas as partes né, das famílias. Eu até brinquei aqui hoje com você falando que estão indo muitas famílias lá para poder sair da rotina de trabalho, do dia a dia, da loucura da Grande BH.

Muitas pessoas de Belo Horizonte fazendo esse translado lá e cá, curtindo mesmo, saindo da rotina para curtir a natureza, ter uma paz ali no final de semana. Então o projeto era esse, é para as pessoas terem uma experiência num cantinho E eu poder ali contar a minha história, eles ver o porquê daquela pousada, de onde veio essa, essa história, que é esse projeto que veio pela moto, de mexer com pessoas, de atender os cursos, de fazer os passeios.

E ali eu poder mostrar o lugar que eu vivo, né, que é a grande Belo Vale, poder mostrar a minha cidade. Tem o único museu da América Latina dos escravos, então isso é legal frisar aqui, umas igrejas incríveis, cachoeira tudo pertinho da pousada, 5 km, 8, 3, 2. Então assim, tem muita coisa ali para engrandecer e mostrar para o mundo. Eu acho que eu brinco que a minha passagem nesse mundo é para deixar um legado, que é para deixar a minha história.

Eu brinco que é meus títulos. E para os jovens que estão vindo hoje se inspirar e ver que eu realizei o meu sonho. Eu tenho as minhas empresas hoje, eu vivo, né, trabalhando por conta própria, eu cuido da minha família, minha família cuida de mim através do que o esporte nos proporcionou. Então eu falo que hoje literalmente eu tenho um sonho realizado pelas minhas empresas, pelo trabalho que eu fiz aí todos esses anos da minha vida, e tudo veio através do esporte.

Então eu acho que que o esporte muda a vida e mudou a minha, sabe? Então eu queria que as pessoas entendessem que se você acredita no futebol, na moto, no carro, na peteca, no ping-pong, vai, acredita e dá o seu melhor, e faça o seu melhor. Porque é o seguinte, às vezes o balde de água fria vem da nossa própria casa, às vezes vem do próprio pai, da mãe, que, ah, isso não dá certo, e vem já E às vezes você tem um dom, às vezes você tem uma vontade, você sabe que você tem potencial, e às vezes você deixa de acreditar em você por conta de alguma pessoa.

Então acho que o primeiro é nosso coração, e aí depois o resto deixa emoção falar. Então acho que você tem que acreditar em você, correr atrás do seu objetivo, do seu sonho, acreditar 100% em primeiro lugar, ter ter a fé, seja em qualquer, não vou falar de religião, mas em qualquer coisa você ter sua fé ali, né? Ter fé, porque eu brinco, Deus é um só. Então, então é você ter fé no que for ali e batalhar, e sempre acordar e dar seu melhor, seu melhor sempre.

Porque você dando seu melhor, você vai ver que o resultado vem. E todo mundo que tentar te desanimar, você você, como diz, você finge que tá tudo certo, afasta e acredita no seu coração. Eu acho que quando você faz com amor, tudo prevalece, tudo funciona, tudo dá certo.

?Voz B

Vai para cima, né? Não adianta, né? Ô Juruna, pergunta final para você aqui agora. Eu queria que você imaginasse que entra aqui hoje um garoto de 15 anos, exatamente como você era, sem dinheiro, sem estrutura, cheio de sonhos. Qual o conselho que você daria para ele? Em uma palavra, conselho geral, pode ficar à vontade. Imagina você entrando aqui como se tivesse 15 anos, sabendo tudo que você passou, tudo que você conquistou, contra todos você lutou. Fica a sua escolha, uma reflexão para você.

FJFernando Juruna

Eu acho que a primeira coisa que eu acho que eu falaria para ele É o seguinte: tenha fé e nunca desista. Tipo, porque eu acho que a fé é a base de tudo que a gente tem. Você acreditar e pôr no seu mental, no seu psicológico, que você acredita naquilo. E quando você põe o seu mental, sua cabeça acreditar literalmente que aquilo é real, e você sonhar com aquilo, você você dormir, acordar aquilo. Eu acho que você faz as coisas se moverem para aquilo funcionar.

A sua cabeça não sai o foco ali para você pensar aquilo. E quando você conseguir trabalhar isso na sua mente, que você tem uma fé muito forte, muito grande, é aquilo que você pôr a mão, aquilo que você for fazer, você fazer com amor, e você pôr sua vida naquilo ali. Eu acho que eu brinco que até ontem eu acho que eu falei com a minha esposa, hoje não foi ontem, foi hoje, eu acordei de manhã, aí você sabe que tem aquele dia que você vem com preguiça, e aí às vezes eu acordei e tem preguiça, que que eu faço, que que vai espantar minha preguiça?

É um banho gelado, pode estar 0 grau, eu vou entrar lá e vou entrar de barra, que chover gelado, porque eu vou pagar o preço para aquilo para combater o que tá querendo me bater. Então tipo assim, eu sou muito assim, sou muito duro. Ah, eu vou ter que passar frio na prova semana que vem, então essa semana eu vou estar aqui, vou estar dormindo lá fora, vou estar sem camisa, vou estar caminhando ali na rua porque eu quero ver se isso aí vai, o que que vai, o que que eu vou sentir contra isso aí.

Então eu quero pegar essas coisas que tá vindo difícil para mim e entrar ali naquele mesmo momento sem pensar duas vezes e falar, não, se isso é para mim, eu vou Vou te quebrar aqui, vou te quebrar aqui porque minha fé é maior, isso não vai funcionar comigo. E não vai, bicho. Você acorda com preguiça, arranca, vai lá para dentro do banheiro, liga o chuveiro lá dentro, ela para dentro, você sai, outro cara te quebrei. Então, tipo assim, as coisas vai vir de frente, você vai entrar de frente, vai atropelar igual sessão de costela, filho.

Tem 10, beleza, filho, concentra, posiciona. Eu sei o que eu tenho que fazer, vou pôr, vou segurar o acelerador, vou me se posicionar e deixar bater ali em cima, tá tudo certo, você vai sair lá do outro lado. Agora, se você chegar e querer fazer gracinha, querer não acreditar e ver, e aí aquilo não vai, você já perdeu. E aí você perdeu o foco, já era. Então acho que é ter fé mesmo, acreditar em você, e aquilo que você for fazer, que você conseguiu controlar aquilo ali na sua mente, é você fazer literalmente com amor e agarrar a oportunidade.

É o que eu falo: cavalo passa a riar de uma vez uma vez só. Se você não montar e cavalgar, já era, perdeu a cavalgada, perdeu, não tem volta. E aí depois é tarde, tá? E aí você não vai ter história para contar. Então feliz é quem vive, aproveita, monta e cavalga, porque a história, a história tá aí. E aí é o seguinte, tudo tá aí para ser feito, acredite quem quiser, filho. E só vai superar, e só vai chegar quem realmente acreditar, ter fé e ter vontade.

Porque também falar que é o mundo de glória e vai ser fácil não vai não. Aí, filho, pode tirar o cavalinho da chuva e ir embora, porque não chega não. Você falar que vai ter campeão brasileiro, que vai ter campeão mundial, que vai ter campeão, que vai sair nego do nada e chegar só por conta de dom, tem não. A gente viu isso no futebol antigamente. O povo é muito engraçado isso, ó, futebol Pessoal falava, ah, o cara tem dom, beleza, é bom de bola, top.

Chega um ponto que o dom só não adianta não. Deus dá o dom, se você não tiver dedicação, já era. Põe lá, ó, Messi, Cristiano Ronaldo. Messi com dom, tá melhor do mundo, aquele trem todo. Cristiano Ronaldo chegou sem dom, sem nada, só dedicando físico, começou a igualar, começou a igualar. Na hora que o Messi começou a entender só o dom não adiantava, ele começou a dedicar físico para agora, aí começou a desenvolver também. Então hoje, ou seja, antigamente no passado o dom prevalecia mesmo, que o pessoal não tinha muita coisa física, muita tecnologia, enfim.

Chegou um ponto hoje no século que a gente tá vivendo que é o seguinte: você tem um dom, mas se você não tiver dedicação, o dom nunca vai superar a dedicação. O ideal é caminhar junto o dom com a dedicação. Mas às vezes tem um cara que tem um dom, mas não tem dedicação. Aí tem um cara que tem dedicação, não tem um dom, mas aí o cara é tão dedicado, tão disciplinado, com tanta fé, com tanto amor no que ele faz, que ele vai lá e supera o cara que tem dom.

E acabou, filho. O cara vai lá e passa por cima. Aí que sofra quem tem um dom. Às vezes Deus dá o dom, mas a pessoa não sabe acreditar naquilo e acreditar que aquilo pode ser o auge do negócio. Então isso é muito interessante a pessoa saber balancear isso, ainda mais quem tem um dom, né? Porque eu não tinha um dom na moto não, eu fui, eu fui, eu fui raçudo mesmo, é vontade mesmo. Agora quem já tem dom aí, que você vê a molecada com dom, filha, aproveita o dom.

Deus te deu esse dom, filho, aproveita, dedica, e bora superar o nego velho, que eu tenho certeza que vai vir muita gente aí para ser muito melhor do que eu e poder contar história muito mais bonita. E eu vou estar daqui uns anos mais velho podendo sentar e ver outros podcasts assistindo aí e dando parabéns e vendo essa história. Lógico, e palminha cortando.

?Voz B

Fernando, agradeço demais e gostaria de saber se você quer mandar um abraço para alguém aí. Pelo amor de Deus, não esquece da sua esposa.

FJFernando Juruna

É, não tem nem jeito, né?

?Voz B

Então eu acho que patrocinadores aí, se você quiser.

FJFernando Juruna

Eu acho que em especial aí eu quero, né, mandar um beijo, um abraço para minha família. Em primeiro lugar, eu acho que Deus, e aí vem, né, minha esposa, minha filha, que assim é uma coisa que não tem explicação, mudou minha vida. Dianane Lívia, minha avó, que eu com ela assim é a história de mãe e pai tudo. Então ela sabe o que que a gente vive que a gente viveu e o que a gente tá vivendo hoje. Eu acho que a minha família ali, minha mãe, meus tios, minha família não é grande, então a gente é uma família pequena.

Eu tenho uma tia que mora fora, que é a Tirene, que sempre me apoia muito assim de longe, né? O Clebinho, Jefferson, Sabrina, minha tia Marcelene. Então assim, a minha família em geral, eu acho que é minha base, onde eu sempre penso todos os dias quando eu vou fazer alguma coisa. E eu brinco que o legado que eu quero deixar é para todo mundo um dia olhar para minha família e falar que elas criaram um homem, né, criaram uma pessoa que veio, acreditou no esporte, não por eu não beber, não mexer com outras coisas, só ser envolvido no esporte, mas uma pessoa do bem, uma pessoa que ajuda o próximo, uma pessoa que cuida das pessoas e sempre quer estar dando o melhor para poder evoluir.

Aqui, né? E sempre que puder ajudar alguém, eu vou estar aí. Quem precisar de alguma coisa pode contar comigo. Agradecer todos, igual eu falei, todas as minhas equipes que eu já passei, meus patrocinadores, as pessoas que realmente são meus amigos, que a gente brinca que não são tantos também. Quem torce para mim, com certeza, na mídia, me acompanha no Instagram. Sou muito grato a todos os meus seguidores ali, então me ajuda muito aí nos meus engajamentos, nas minhas postagens.

Me acompanha. Então eu sou muito grato a cada um, a meus parceiros ali, MR Pro, que nunca me larga, que são as joelheiras que eu uso, a Fox, que sempre eu carrego no peito aqui. Tanto eu brinco que dorme e acorda a marca. O Fábio da Daiva, todo, tudo que eu falo, eu falo desse cara, que é o pai que eu considero aí, um pai que eu não tive, né, que me apresentou o mundo. Então eu jamais vou esquecer. As marcas eu não vou ficar falando todas de moto porque todos sabem, eu sou muito grato a isso.

E eu acho que é isso que a gente leva, é essa gratidão que eu tenho. Se eu esqueci de alguém, pode ter certeza que vai estar sabendo que tá do coração abrangindo todos. Eu não vou nem citar tantos nomes, mas é a gratidão que eu tenho por todo mundo e da vida que eu vim, a vida que eu tenho hoje. Eu acho que é só agradecer mesmo, é gratidão. A palavra é essa para em geral. É aqui, eu acho que é uma porta que você abriu para mim.

Eu tenho que falar isso, não é por estar na sua frente, mas eu já tinha te mandado uma mensagem antes, é porque eu sempre vi alguém contar a história, sempre acompanhei e falei, pô, um dia eu quero poder sentar no estúdio. Eu falo que tudo é vitória. E hoje para mim aqui é uma vitória de eu poder sentar no estúdio montado desse, uma oportunidade. E é o que eu falo, são pessoas que somam, galera, porque é uma pessoa aqui que faz por amor.

É o que eu falei do esporte, ele faz isso aqui, não é dinheiro, não é nada, porque eles não cobram nada. Ele simplesmente pega a história das pessoas que eles acham legal, que tem uma história para Tá, e mostra isso para o mundo. Então isso não tem preço, é uma gratidão por isso, porque esse amor— então as pessoas que apoiam ele aqui, as marcas, igual você viu, parte mecânica, parte de roupa, igual eu vi aqui, eu acompanhei ele mostrando os takes aqui dos patrocinadores aqui da Pod Panda Podcast aqui.

Então eu acho que parabéns, continue assim, que mais marcas vejam isso aqui aqui como incentivo. Então isso aqui, tudo aqui dentro é muito caro. E eu tô falando isso não é para puxar saco não, é para literalmente, porque o meu trabalho hoje é o esporte. Eu sei o quanto um patrocinador ajuda a gente, o quanto uma marca que é mostrada aqui 10 segundos, 15, 20 segundos, é importante para a gente tá conhecendo. Igual das roupas, o cara faz roupa, bicho.

Então um monte de gente vai ver e às vezes você vai chamar o cara, vai fazer roupa com o cara, o cara tem uma Harley ali tá com problema, vão levar no cara, vão valorizar essas marcas que ele mostrou aqui. Se puder até mostra de novo antes da gente fechar, se tiver como, porque eu acho que isso aí é muito grato, sabe? E eu sou muito grato a meus patrocinadores aqui, já me ajudou de qualquer forma, seja num dinheiro, seja num produto, e desde quando eu comecei.

E é isso que fez eu chegar aqui. Então isso aqui só tende a crescer E eu brinco que quem tiver fora e não tiver unido, a gente une com os bons. Quem sai perdendo é as pessoas que têm o egoísmo aí, o ego de não ajudar o próximo. Então essa minha gratidão a vocês que estão patrocinando isso aqui, a vocês que estão junto com a gente, a meus apoiadores, a minha família e meus amigos aí. E como disse, posso dizer, claro, que o nego velho de Belo Vale foi para o mundo.

?Voz B

Valeu, pessoal! Aproveitando aí, já que o Juruna pediu e eu não vou negar, né? Então, Fabiano, agradeço todo mundo, teve aí. Prepara os VTs aí da tua AG e da 44 para a gente encerrar hoje. A pedido do convidado, nós vamos encerrar diferente. Ô Juruna, Deus te abençoe, Deus te guie sempre. Você é um cara fantástico, um vencedor. Então, pau na máquina, marcha, mete marcha e vamos embora. Quem tiver assistindo aí, manda para o seu colega, compartilha, clica lá, segue, acompanha.

Valeu, não custa nada. Valeu, gente, boa noite e até semana que vem, se Deus quiser. Valeu!

FJFernando Juruna

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PodPan - Episódio 22 - S4 - FERNANDO JURUNA - DE BELO VALE PARA O MUNDO! | Castnews Index — Castnews Index