Episódios de Pet Food Podcast · by PPGVET

O QUE NINGUÉM TE CONTA SOBRE NUTRIÇÃO DE PET - Esp. Bárbara Ciola | Ep. 53

06 de maio de 20261h4min
0:00 / 1:04:39

Você sabe diferenciar uma ração realmente superior de uma jogada de marketing? A escolha alimentar de cães e gatos figura entre as decisões clínicas mais subordinadas a estratégias mercadológicas em detrimento de critérios nutricionais técnicos. Neste episódio do Pet Food Podcast abordamos leitura crítica de rótulos, classificação real entre premium, super premium e high premium, padronização de quantidades, riscos sanitários da carne crua, hipersensibilidade alimentar e indicações precisas da alimentação natural.

"A alimentação natural é melhor do que a ração. Mas tudo isso precisa ser feito corretamente. Se ela não for feita corretamente, ela não é melhor do que o alimento comercial, porque ela não vai ser completa e não vai ser balanceada corretamente para aquele animal."

— Esp. Bárbara Ciola

Esp. Bárbara Ciola é Médica Veterinária graduada pela Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) com pós-graduação em Nutrição de Pequenos Animais pela FAMEESP. Atua há cinco anos em Nutrologia Veterinária com foco em nutrição clínica, hipersensibilidades alimentares e doenças crônicas em cães e gatos, além de consultoria nutricional para a indústria pet. É referência digital como @dranutrovet.

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Episódio: O QUE NINGUÉM TE CONTA SOBRE NUTRIÇÃO DE PET - Esp. Bárbara Ciola

Podcast:
Pet Food Podcast

Apresentadora:
Dra. Kellen Oliveira — LinkedIn

Convidada:
Esp. Bárbara Ciola — LinkedIn

  • (00:00) Apresentação da convidada e trajetória profissional
  • (06:45) Como avaliar qualidade real de uma ração comercial
  • (09:46) Categorias premium, super premium e high premium: jogada de marketing
  • (23:33) Padronização e cálculo correto de quantidade alimentar
  • (38:26) Quando a alimentação natural não é indicada
  • (44:09) Hipersensibilidade ao frango e riscos sanitários da carne crua
  • (51:51) Manejo do tutor que oferece comida de humanos ao pet
  • (01:00:14) Encerramento do episódio

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Participantes neste episódio2
K

Kellen Oliveira

HostMédica veterinária
B

Bárbara Ciola

ConvidadoMédica Veterinária
Assuntos5
  • Alimentação Natural vs. RaçãoSuperioridade nutricional da alimentação natural · Biodisponibilidade e aproveitamento de nutrientes · Praticidade, custo e confecção da alimentação natural · Mix feeding (combinação de ração e alimentação natural) · Alimentação natural para gatos · Riscos sanitários da carne crua · Hipersensibilidade alimentar · Proteína hidrolisada · Terrorismo em relação à ração comercial
  • Qualidade de Ração ComercialLeitura de rótulos · Classificação de rações (standard, premium, super premium, high premium) · Marketing e nomenclatura de categorias · Lista de ingredientes e composição · Farinha de víscera · Rações de raças específicas
  • Manejo Alimentar e QuantidadePadronização e leitura de tabelas de quantidade alimentar · Cálculo de quantidade ideal de alimento · Avaliação do escore de condição corporal · Frequência de oferta para cães e gatos saudáveis · Comportamento alimentar de gatos (petisqueiro, noturno) · Comportamento alimentar de cães (rotina, jejum prolongado) · Síndrome do vômito bilioso · Manejo de animais obesos · Seletividade alimentar em cães e gatos · Variação de sabor e textura
  • Equilíbrio AlimentarRiscos de formulações sem base científica · Déficit nutricional a longo prazo · Importância do acompanhamento veterinário · Individualização da dieta · Dietas para animais doentes (hepatopatas, renais, cardíacos) · Suplementação vitamínica e mineral
  • Ingredientes e Riscos na Alimentação PetPotencial alérgico da proteína de frango · Perigos sanitários da carne crua (bactérias patogênicas) · Congelamento profilático e sua efetividade · Transgênicos na alimentação pet · Conservantes sintéticos (BHA, BHT) · Alimentos humanos tóxicos para animais · Leite e derivados · Queijo, pão, biscoito · Cuscuz
Transcrição173 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Então, por exemplo, os alimentos do tipo prêmio. Então, tem prêmio, prêmio especial, rai-prêmio. Então, assim, tem nomes e nomes para essa categoria. E aí, na sua opinião, todas elas são iguais? O que muda nessas categorias?

É, essa nomenclatura é muito mais uma jogada de marketing, né? A gente tem um negócio ali que fala prêmio, prêmio natural, super prêmio, high premium, e aí o pessoal fica, pô, tá, super premium, ah, então é boa. Mas não necessariamente, é realmente essa questão de leitura, de roto e etc. O que a gente tem são classificações de acordo com qualidade de ingrediente.

A ração standard, que são aquelas rações mais vendidas em mercado, elas são mais baratas, consequentemente elas vão ter um nível de ingrediente um pouco inferior às outras rações. Então isso também vai acompanhando aí preço. Rações melhores vão custar um pouco mais caro.

Mas essas questões de nomenclatura, é nomenclatura de mercado mesmo, é um jeito que eles conseguiram achar de mostrar que o meu alimento é melhor porque está escrito que ele é super premium ou premium e etc. Isso é uma coisa que eu acho que precisa ser padronizada nas embalagens de ração, facilitar a leitura da tabela de quantidade, porque assim, tem marcas que fazem um gap.

muito grande no peso. Então, tem 5 quilos, é de 140 a 300 gramas. Então, o tutor fica meio... Tá, como que eu faço isso? Então, eu acho que isso deveria ser uma coisa que deveria ser padronizada. Isso também vai muito do animal. Tem animal que não aceita.

não pega alimentação natural, não se adapta, não gosta, não come de jeito nenhum, prefere comer ração. No caso de gatos, eu sou totalmente contra a alimentação natural para gato, por uma questão de seletividade alimentar, por uma questão de que o gato não vai aceitar tudo que está ali, é difícil de manejar, como é que você vai pôr a alimentação natural ali, ele vai comer um pouco e vai largar tudo ali, é altamente perecível, não dá para você deixar ela ali no pote. Então, a alimentação natural para gato é uma questão bem complicada.

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Olá pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio do Pet Food Podcast, o nosso canal entre grandes profissionais da nutrição de cães e gatos e você que quer saber mais sobre o vasto mundo da alimentação de pets, você que quer orientar melhor os seus clientes ou mesmo alimentar melhor os seus animais. Meu nome é Kelly Oliveira, eu sou médica veterinária e serei a host do episódio de hoje.

Então, dentro dos nossos episódios, nós já abordamos assuntos como mitos na alimentação, diferenças entre as categorias de alimentos comerciais, alimentação natural e outros assuntos do dia a dia sobre o setor de pet food. E é claro, é sempre bom voltar a alguns assuntos e ter a oportunidade de ouvir opiniões de outros profissionais.

Então, para falar do assunto do cotidiano sobre alimentação de cães e gatos, hoje nós vamos entrevistar a médica veterinária Bárbara Ciola.

que é graduada pela Instituição Faculdades Metropolitanas Unidas e tem pós-graduação em nutrição de pequenos animais pela FAMESP. Bárbara, seja bem-vinda ao nosso podcast. E para te conhecer melhor, você poderia falar um pouco mais sobre a sua trajetória profissional na nutrição, como que você entrou na nutrição de pets? Oi, gente, tudo bem? Prazer estar aqui. Agradeço imensamente um convite, uma honra.

Então, eu entrei nisso num momento ali que eu estava pensando, depois de um tempo que eu saí da faculdade, que a gente fica naquela coisa de, ai, o que eu vou fazer, onde que eu vou, o que eu vou seguir, aquele desespero, né? Depois de pegar o diploma, de que agora eu tenho, eu sou médica veterinária e agora eu preciso fazer alguma coisa.

E eu estava pesquisando algumas áreas para seguir e eu resolvi, na verdade, eu comecei pensando numa empresa de alimentação natural. Então, eu abri uma empresa de alimentação natural para cães em 2020.

um mês antes da pandemia, aí eu abri a empresa de alimentação natural e aí eu comecei a mexer com a alimentação natural ali naquele ponto, né? Fiz alguns cursos, fiz algumas pesquisas, etc. E aí eu montei a minha empresa e ficava responsável ali pela elaboração das dietas e etc. E aí eu fiz a minha pós-graduação e comecei a fazer os atendimentos nutricionais.

Aí depois de dois anos nisso eu fechei a minha cozinha, porque eu já não estava conseguindo mais conciliar os atendimentos e a cozinha, e fiquei só nos atendimentos de nutrição. E eu me achei nessa área, é uma coisa que eu adoro fazer, é uma área que eu adoro, e foi isso.

meio que no susto, meio que... Ah, apareceu. Nunca pensei, inclusive, a faculdade inteira eu fiz voltada pra equinos, eu queria mexer com cavalos em específico, então nada a ver uma coisa com a outra, mas a nutrição me pegou e estamos aí até hoje.

Então, pelo que eu estou entendendo, hoje a sua atuação é realmente direta com o responsável pelo animal. Você faz atendimentos clínicos. Você deixou a parte da confecção da dieta natural, da alimentação natural e foi direto para fazer os atendimentos clínicos. Então, para a gente começar a nossa entrevista sobre esses temas que mais geram dúvidas sobre clientes, por exemplo, qual que é a sua opinião em relação à melhor alimentação?

se é ração, como que é a forma de alimentação melhor, se é somente a ração comercial, se é alimentação natural, se fazer aquele mix feeding que a gente fala, da associação de alimento comercial com alguns outros tipos de alimentos, da linha humana, o que você hoje sugere para o seu cliente?

Tá, vamos lá. Na verdade, o que eu costumo falar é que a melhor alimentação vai ser aquela que você vai conseguir fazer corretamente. Pensando em termos de nutrição, a alimentação natural sempre vai ser superior ao alimento comercial, né? Questão de biodisponibilidade, questão de aproveitamento de nutriente, tudo isso vai ser melhor do que o alimento comercial. Mas...

Não é todo mundo que tem acesso à alimentação natural, tanto na parte financeira quanto na parte de confecção. Não é uma alimentação fácil, não é uma alimentação prática e não é uma alimentação barata, né? Então, eu costumo falar que a melhor forma é aquela que o tutor vai conseguir fazer corretamente, seja a ração, seja a alimentação natural ou seja o mix feeding. Os três vão funcionar.

A gente precisa realmente adequar isso à rotina do tutor. Às vezes eles querem fazer alimentação natural, chegam para mim ali na consulta, ah, eu queria dar alimentação natural. E aí eu já falo, tá, como que é a sua rotina? Como que é o seu dia a dia? Você consegue fazer isso? Você consegue confeccionar? Você quer fazer? Você quer comprar? Você tem o financeiro para isso? Para ou fazer ou comprar? Então tudo isso tem que entrar na conversa.

eu não imponho nenhum tipo de alimentação para os meus pacientes. Eu entendo o que o tutor precisa, entendo o que o paciente precisa também, porque, sim, tem alguns pontos que a alimentação natural vai ser melhor na... Por exemplo, eu tenho um animal com diversos problemas de saúde diferentes ali, que o manejo com uma alimentação natural é um pouco mais assertivo, é um pouco mais completo do que o manejo com uma ração. Então, tudo isso tem que ser falado, mas, assim...

qualidade mesmo, a alimentação natural sempre será superior. Superior, obviamente, se for feita corretamente, balanceada corretamente, acompanhada corretamente. Se você não conseguir fazer tudo isso, a ração acaba sendo um alimento melhor nesse aspecto.

Certo. E uma outra dúvida, né, que eu também faço atendimentos, que o cliente tem bastante, é sobre a qualidade do alimento que ele está oferecendo para os seus animais. Então, é uma pergunta que eu escuto muito no meu dia a dia, se realmente existe essa relação, né, preço-qualidade. Porque, às vezes, a gente encontra, assim, o valor do alimento, assim, até um pouco acima, né, e será que, realmente, aquele alimento que eu estou pagando mais caro, seja ele alimentação natural...

Ou mesmo, o que é mais comum, a alimentação comercial, se eu estou pagando mais caro, e a gente tem várias categorias de alimentos para a gente comparar, então, por que o alimento X é mais caro, por que o alimento Y é mais barato? Então, conta para a gente como que a gente sabe, ou como que o nosso ouvinte sabe, se a ração comercial é de boa qualidade.

Bionatural é um alimento super premium natural, formulado por especialistas com carnes frescas, antioxidantes naturais e sem adição de transgênicos, corantes e aromatizantes. Combinado com frutas e cereais, proporciona uma experiência única de alta palatabilidade e aproveitamento dos nutrientes.

Alinhadas a princípios sustentáveis, as embalagens 100% recicláveis fazem parte das práticas responsáveis da Bionatural, com o objetivo de proporcionar vida longa e saudável para os pets e para o planeta.

Isso é um ponto muito importante. A gente tem marcas no mercado que estão consolidadas há muitos anos. Então, marcas que entraram nesse mundo de pet food há muito tempo e, consequentemente, às vezes as pessoas fazem a associação de que ela está aí faz tempo e ela é cara, então ela é uma boa alimentação. Isso não necessariamente é verdade. Às vezes a gente está comprando muito mais marca do que qualidade de ingrediente, qualidade de formulação.

A melhor forma de a gente ver isso é sempre começar a entender lista de ingredientes, começar a entender composição, começar a entender o que está ali, o que é uma boa fonte de proteína, o que é uma boa fonte de gordura, o que é uma boa fonte de carboidrato, o que vai entrar ali para encher ração, quais são os aditivos que são melhores. Então, conscientizar a galera de aprender a ler rótulo, isso é muito importante.

O meu trabalho nas redes sociais é exatamente fazer isso, é ensinar o pessoal a entender o que é uma boa fonte de proteína, a entender também que às vezes o que eles acham que não é uma boa fonte de proteína é uma boa fonte de proteína. Por exemplo, farinha de víscera. O pessoal tem muito preconceito com farinha de víscera porque chama farinha e é de víscera. A galera não entende o valor real nutricional de uma farinha de víscera.

Então é interessante a gente ensinar o pessoal a ler, a fazer essa leitura e acostumar a ler roto. Isso tanto para a PET quanto para a gente mesmo. É importante a gente parar ali e aprender a ler. E aí a gente começa a entender que não necessariamente o que é mais caro vai ser melhor.

A gente tem aí toda essa questão de marketing, a gente tem toda essa questão de nome, de marca, de... Tudo que é exposto para a gente vai levar em consideração algumas coisas como a confiança da galera na marca ou essa marca aparece mais, ela é mais cara. Então, é importante a gente entender realmente o que está ali dentro daquele pacote.

E uma outra dúvida que você comentou aí nessa resposta anterior é em relação ao marketing. Então, a gente tem várias categorias de alimentos, então tem as categorias aí desde estándar, categoria mais popular, tem aí prêmio, superprêmio, e aí a gente vê um marketing muito grande em determinadas categorias.

então, por exemplo, uma dúvida que o cliente fica muito, porque a gente tem um número muito grande de marcas, e dentro da marca a gente tem vários segmentos daquela mesma categoria de alimentos, então, por exemplo, os alimentos do tipo premium.

Então, tem prêmio, prêmio especial, high prêmio, né? Então, assim, tem nomes e nomes para essa categoria, né? E aí, na sua opinião, né? Todas elas são iguais? O que muda nessas categorias?

É, essa nomenclatura é muito mais uma jogada de marketing, né? A gente tem um negócio ali que fala prêmio, prêmio natural, super prêmio, high premium, e aí o pessoal fica, pô, tá, super premium, ah, então é boa. Mas não necessariamente, é realmente essa questão de leitura, de rótulo e etc. O que a gente tem são classificações de acordo com qualidade de ingrediente.

A ração standard, que são aquelas rações mais vendidas em mercado, elas são mais baratas? Consequentemente, elas vão ter um nível de ingrediente um pouco inferior às outras rações. Então, isso também vai acompanhando aí preço. Rações melhores vão custar um pouco mais caro.

Mas essas questões de nomenclatura, é nomenclatura de mercado mesmo, é um jeito que eles conseguiram achar de mostrar que o meu alimento é melhor porque está escrito que ele é super premium ou premium e etc.

E, na verdade, isso não vai refletir significativamente uma questão de qualidade de ingrediente no geral. Eu posso ter um alimento super premium que tem qualidade inferior ao alimento premium, tá? Porque quando você lê ali na teoria o que é isso, são a inserção de alguns ingredientes, de nutracêuticos, por exemplo, ou de algumas outras coisas que vão melhorando a qualidade da ração.

Mas a gente precisa ver qualidade de proteína, qualidade de gordura, a gente precisa ver tudo isso ali pra realmente falar esse alimento é bom ou esse alimento é ruim. Então é mais classificação de mercado mesmo, na minha opinião. E acaba enganando bastante o pessoal.

O que a gente fala aqui é que tem muito cliente que compra gato por lebre. Ele compra pela embalagem. Isso é o principal. Aquelas rações para pet específica. Eu tenho um shih tzu. Aí vem a embalagem com shih tzu. Eu vou pagar bem mais caro na ração porque tem um shih tzu aqui. E às vezes não muda nada. Essas rações de raças específicas, a gente não tem nada muito particular para isso.

mas é uma jogada de mercado, o pessoal fala, vamos colocar a foto de uma raça específica, e a pessoa se sente, nossa, olha a foto do meu cachorro aqui na embalagem, vou comprar essa daqui. Embalagem mais verde, embalagem com mais alimentos naturais, chama mais atenção do que uma embalagem mais lisa, tudo isso vai ali, a galera do marketing sabe bem essas puxadas que eles dão aí, para fazer com que a gente compre uma coisa de olhar, não de realmente entender o produto.

Bom, e aí agora falando um pouquinho sobre a parte de paladar, né? Então a gente sabe que o paladar dos cães e gatos, ele é bem diferente a nós humanos.

Então, por exemplo, o gato, a quantidade de papilas gustativas que eles têm é muito inferior, por volta de 500 papilas gustativas, cães por volta de entre 1.300 a 1.500, por volta de 1.480. E nossos seres humanos, nós temos um super dum paladar, a gente consegue diferenciar muito bem os alimentos, os ingredientes diferentes, a gente tem por volta de 9 mil papilas gustativas ao longo da nossa língua.

E uma dúvida que o cliente tem é muito sobre variar o sabor. Então, ele pergunta sobre variação de sabor, então ele está comprando só de carne hoje, aí no próximo ele já quer comprar, sei lá, frango e vegetais. Ele tem uma outra dúvida, que é a variação sobre textura.

Então, ou seja, dar um alimento seco, depois passar para um alimento úmido ou semiúmido, ou mesmo o tipo de alimentação, né? Alimentação comercial, ai não, agora o meu cachorro tá cansado, meu cachorro principalmente, né? Tá cansado da alimentação seca, comercial, agora eu vou começar a fazer uma alimentação natural. E você, na sua vivência diária, né, que você atende aí muitos clientes, eu imagino que muitos clientes têm esse mesmo dilema, né?

E qual seria a sua recomendação sobre essa variação ou não da alimentação? Tanto em relação a sabor, textura e tipo de alimentação. O meu ponto principal, na verdade, sobre isso, é a gente entender o nosso paciente. Porque o que acontece? A variação muito intensa das coisas pode acabar gerando algum tipo de seletividade. Dependendo da tendência do animal a ter seletividade.

E também a gente tem a necessidade de fazer essa variação do ponto de vista de aceitação, e isso principalmente para gatos. Então a gente tem ali uma janela de idade que seria o ideal a gente começar a introduzir sabores diferentes, texturas diferentes para o gato ir se ambientando a qualquer tipo de alimentação e ficar mais fácil no animal adulto esse manejo. O gato tem muito essa questão de...

tem gato que só pega textura mousse, tem gato que só pega textura com pedaço, tem gato que só vai beber água do sachê. Então, tudo isso, a gente tem que pensar nessa janela de idade pra fazer essas introduções. E pra cães, com... É assim, sedentividade em cães, ela é um pouco mais relacionada...

ela é um pouco mais difícil, né? Quando a gente tem um animal seletivo, a gente tem um animal seletivo para muita coisa, independente de sabor, textura e etc. Mas a gente também tem que pensar em trabalhar isso de uma forma correta. Porque, por exemplo, eu tenho um shih tzu.

é uma raça com bastante seletividade, um Spitz, que é uma raça com bastante seletividade. Se eu fico fazendo rodízio de comida, acaba que vai comer dois, três dias, depois não quer mais. Aí começa a misturar, aí começa a colocar isso, começa a colocar aquilo, e vai virando o que o cachorro quer comer, e não o que você pode dar para o cachorro. Então, eu falo que vai virar buffet. Você vai pôr 30 coisas na frente do cachorro e vai ver o que ele vai querer comer.

Então, esse é um ponto importante. É importante fazer essa variação por pontos de saúde também. Então, por exemplo, em animais filhotes, eu sempre peço para não ficar frequentemente em alimentos com frango, com proteína de frango, por conta do potencial de desenvolvimento de hipersensibilidades, de alergias alimentares.

Então, usou um pacote de frango, termina, troca, usa outro sabor, tenta revezar, tenta não deixar tão fixa essa proteína. Vai fazendo outras variações. Esses são pontos importantes também na questão de saúde, não só na questão de seletividade.

Então, é importante a gente fazer a variação, mas é importante a gente entender se essa variação vai fazer sentido para o animal ou não. Porque senão a gente acaba desenvolvendo uma seletividade no animal também. E isso vale tanto para a ração seca, quanto para a ração úmida, quanto para a alimentação natural.

Eu tenho pets que não se adaptam à alimentação natural, o tutor não consegue fazer porque faz, no outro dia já não quer. Aí tem que trocar toda a dieta. Aí, ah, fiz para dois dias, pus na geladeira, não quer. Então, fica, vira um pandemônio. E seletividade, o animal não comer, é uma coisa que apavora o tutor. Eles simplesmente odeiam, detestam quando o animal não come. Então, a gente precisa manejar isso muito bem para evitar problemas futuros, né?

E em se tratando de animais saudáveis, que você comentou aí, sobre a questão da seletividade, sobre a questão de variação de sabores, texturas, em animais saudáveis, qual que é a frequência de oferta para alimentos de cães e gatos, por exemplo?

O que você geralmente indica? Que isso também vai fazer parte da parte do comportamento alimentar do animal. Então, tem gente que oferece duas ou três vezes por dia, tem gente que deixa à vontade. Então, assim, o que é o mais indicado, evitando aí, primeiro, pensando aí no comportamento, em ajustar o comportamento alimentar do animal, o que seria mais indicado?

duas ou três vezes para o animal saudável? E quais seriam os casos em que doenças específicas essa recomendação pode mudar?

Para animais saudáveis é assim, o pessoal tem uma confusão um pouco com a questão de oferecimento de alimentação para gato. A gente fala, é a vontade. A vontade não quer dizer que é para colocar quantidades aleatórias de comida para o gato comer. Aí, viu o pote vazio, enche de novo. Viu o pote vazio, enche de novo e não controla a quantidade. O gato é um animal que eu falo que ele é petisqueiro.

Ele não come tudo de uma vez igual o cachorro. Então, ele não vai no pote, come tudo e vai embora. Ele vai e volta no pote várias vezes. O gato tem um comportamento mais noturno de alimentação. Então, durante o dia, ele vai ficar um pouco dormindo. Ele dorme mais, manhã ali. Ele é um pouco mais ativo à noite também. Então, dá para a gente fazer esse oferecimento um pouco mais inteligente. Até para não perder ração. Porque tem gato que, se a ração ficar ali um pouco mais de tempo, não quer.

E aí, você acaba jogando fora. Então, por exemplo, nessa janela de tempo que ele dorme mais...

Coloca só um pouquinho ali, se ele acordar ele come, se for pra jogar fora você não perde tanto alimento. Então, esse é o ponto importante pra quem tem gato, né? O à vontade é deixar a alimentação disponível, mas não é pra dar alimentação sem controle, que isso é o que mais gera obesidade em felinos, compulsão alimentar em felinos, né?

Você sempre tá ali enchendo o pote, o gato se acostuma a ver o pote sempre cheio, quando não tá cheio, ele mia, ele grita, ele fica estressado, e quando vai comer, acaba comendo muito de uma vez, regurgitações, e tudo isso vira uma bola de neve.

Para o cachorro, a gente tem um manejo um pouco mais assertivo em relação a isso. Por quê? Eu sempre falo que precisa ter rotina alimentar, tá? Você tem ali uma variação de quantidade de refeições do animal filhote para o animal adulto durante essa parte de crescimento. Então, vai começar ali com cinco refeições, vai baixando quatro, três, dois. Pode chegar até uma vez no dia se o animal for bem adaptado com isso. Os meus cães aqui em casa comem uma vez por dia só.

Então, eles têm o horário deles, é sempre entre 7 e 8 da noite, é a hora de oferecer a comida deles. Então, eles já sabem, eles já têm a movimentação deles ali da alimentação. Isso pode ser feito duas vezes no dia, isso precisa ser adaptado à rotina do tutor também. Então, eu quero dar alimentação duas vezes no dia, mas eu estou disponível no horário. Tem animais que não podem passar mais de 10, 12 horas sem comer, porque tem síndrome do vômito bilioso. Então, tudo isso tem que ser manejado, né? Nessa questão das doenças também.

Eu tenho animais que não podem ficar em jejum prolongado, preciso picotar essa alimentação em porções um pouquinho menores. Animais diabéticos, eu preciso fazer isso junto com o ajuste da insulina, eu preciso ter toda essa programação de alimentação. Questões da vesícula, questões do fígado, tudo isso vai implicar no número de refeições que o animal vai fazer.

Então, a gente precisa ter isso conversado com o tutor também. E também precisa adaptar a rotina. Se eu não tenho o tutor em casa na maior parte do tempo, eu não posso fazer cinco refeições no dia. Então, tudo isso tem que ser adaptado, tem que ser conversado em consulta pra gente conseguir fazer o melhor manejo alimentar possível. Animais saudáveis são bem mais tranquilos em relação a isso. A gente consegue fazer aí. Pra cães, eu recomendo uma, duas vezes no dia.

Porque a gente tem essa questão de, ai, não, eu tenho que voltar para casa para dar comida, eles precisam comer várias vezes no dia, né? A gente tem isso, né? Come a cada três horas, eles precisam comer também. E eles não têm essa necessidade. Isso também acaba gerando, talvez, um desinteresse do animal pela comida. Então, ai, toda hora está ali, toda hora estou com a comida ali, e às vezes ele não está com fome, ele não quer comer.

Então, deixar uma refeição no dia ou um espaçamento maior entre as refeições traz mais ali.

uma vontade, um interesse do animal pela comida. Quanto a deixar ração à vontade para cães, é totalmente desaconselhável, porque a gente tem uma questão de perda de nutrientes ali por essa questão de ficar exposta à alimentação, e também essa questão do interesse. O cão perde o interesse muito fácil em coisas que estão ali disponíveis para ele o tempo todo. Isso vale para tudo, brinquedo, mordedor, ração, tudo. Então, se você tem um horário fixo para colocar a comida ali, eles acabam...

ficando um pouco mais interessados nessa alimentação. Então, ou seja, o manejo inadequado do responsável pelo animal, ele pode gerar problemas futuros, como por exemplo, você comentou aí da seletividade.

Então, esse manejo inadequado de ofertar o alimento, né, e de ficar naquela troca o tempo inteiro de alimento, a gente pode estar prejudicando esse animal no futuro. E, Bárbara, eu não sei no seu caso, né, que atende cliente particular, mas no meu caso, onde eu atendo, né, um hospital escola...

geralmente os clientes, eles não sabem o nome do alimento que eles estão ofertando e às vezes... Ah, é do pacote azul, é do pacote branco. Exatamente, é de jeitinho, ah, não sei e tal, aí eles não sabem o nome.

E às vezes, e com muita frequência, mesmo eles sabendo o nome, são raros os clientes que sabem a quantidade que eles ofertam para os seus animais. Então, eles falam que é uma xícara. Aí eu penso, uma xícara de quê? Será que é uma xícara de café? Uma xícara de chá? Que tamanho que é essa xícara? Hoje tem xícara. Ah, é um potinho de margarina. Mas qual potinho de margarina? De 250? De 500? De 1 quilo?

Então, a gente tem várias dúvidas, vários problemas quando a gente vai atender esse perfil desse cliente meu, que é de hospital escola. Para esse cliente, ou seja, para o cliente que você está começando a fazer um atendimento e que ele não sabe a quantidade, como é a sua orientação para ele calcular pelo menos um pouco a quantidade ideal de alimento para o animal dele?

Isso é uma coisa que eu acho que precisa ser padronizada nas embalagens de ração. Facilitar a leitura da tabela de quantidade. Porque, assim, tem marcas que fazem um gap muito grande no peso. Então, tem 5 quilos, é de 140 a 300 gramas. Então, o tutor fica meio... Tá, como que eu faço isso?

Então, eu acho que isso deveria ser uma coisa que deveria ser padronizada, né? Fazer uma coisa um pouco mais assertiva ali, mini, pequeno, de 1 a 10 quilos, bota a faixa ali de ração certinha, porque quando você faz isso, o tutor fica um pouco mais confiante na quantidade que vai oferecer. É muito importante lembrar que a gente tem uma tabela nutricional ali baseada nas quilocalorias do alimento, idade, porte e nível de atividade do animal, né? Peso e nível de atividade do animal.

Só que isso não vai levar em conta o metabolismo do animal, e isso é individual. Então, um cachorro com o mesmo peso, da mesma raça, pode comer quantidades diferentes de alimento. Isso pode valer tanto para a ração quanto para a alimentação natural. Então, é importante ensinar o tutor também a ver escórico corporal, a ver se o animal está emagrecendo, se o animal está engordando. Então, isso é muito importante.

Aí, a quantidade de comida, geralmente, a gente vai fazer um cálculo ali nessa tabela, tem tabelas mais assertivas, tem tabelas menos assertivas, e aí a gente vai fazendo uma média ali, orientando o tutor. O que eu geralmente costumo falar? Tenha uma balança e pese. Se você tiver um copo que vai dar a medida certinha disso, usa esse copo. Então, porque ele não vai ficar pesando...

Às vezes não vai ficar pesando o tempo todo. Então, se você tiver um medidor ali que você consiga usar para sempre e seja a quantidade de comida certinha, isso é importante. Vai trocar a ração? Vai medir de novo? Vai pegar outra coisa? Então, por exemplo, eu uso aqui para os gatos scoop de whey protein. Ele dá exatamente metade da quantidade de ração que eu tenho que dar para cada um por dia. Então, isso facilita aí para não ter que ficar toda hora pesando a comida.

Então, são essas facilidades que a gente tem que fazer. É importante entender também que rações com grãos de tamanhos diferentes vão ter volumes diferentes ali de quantidade. Então, não é, porque é 150 de uma, vai ser 150 da outra. Então, isso é importante também a gente começar a orientar eles a saber fazer essa leitura de quantidade e saber ver quanto que está oferecendo. Porque o que acontece? Isso é muito importante, principalmente para gato.

O tutor acha que é só um potinho. Não, eu encho o potinho, é só um pouquinho. No pouquinho em pouquinho, às vezes a gente está dando o dobro de quantidade de comida que o bicho precisa comer. E ele vai comer. Está ali, ele vai comer. Ele não vai racionar e não já comi a minha quantidade diária, não vou comer mais. Não, se você continuar pondo, vai continuar comendo. Cachorro também. Está comendo bem, se você encher o pote ali o tempo todo, ele vai comer o tempo todo. Então, isso também é um ponto importante.

orientar que a quantidade ela é específica, ela existe por uma razão, pra não ter sobrecarga nem déficit calórico ali pro animal. Você tocou num ponto bem importante.

que é a avaliação do animal pelo tutor dias depois, 15, 30 dias depois dessa alteração da quantidade de alimento. Então, o que eu sinto falta também é que o tutor não consegue avaliar se o animal dele está perdendo peso, como está o escório de condição corporal, isso aí é fundamental.

Então existe uma recomendação de cada alimento comercial, está lá a recomendação. Às vezes, como você falou, tem a recomendação ali por porte de um animal, atividade física, idade dele, mas orientar o tutor em relação a avaliar.

o score de condição corporal realmente é uma boa técnica, uma boa técnica para a gente fazer as correções. Exato. Não demorar tanto a corrigir, porque se você está oferecendo menos, ele está emagrecendo, ele está com o score de condição corporal ideal, você está oferecendo a quantidade que teoricamente deveria ser e ele está perdendo peso, sinal que ele está com a quantidade, ele está gastando mais do que está recebendo. Exato. Então, e a gente sabe que o emagrecimento...

É, então você tocou nesse ponto e esse ponto é extremamente importante. E aí, Bárbara, vamos só mudar um pouquinho de assunto, mas ainda dentro do assunto cotidiano, né, dos atendimentos clínicos. Eu imagino que seus clientes tenham essa mesma dúvida, né, que você já comentou, já começou, né, na sua primeira fala, falando sobre a dieta natural.

em relação ao alimento comercial. Então, assim, eu imagino que assim como acontece aqui, acontece também na sua área de atuação, dentro das pessoas que você atende, não sei como é que é, se você só atende em determinados bairros ou se você faz atendimentos online também, pegando pessoas de outros estados, mas aqui para a gente, o nosso cliente sempre pergunta.

A dieta natural, a alimentação natural, ela é realmente melhor do que o alimento comercial? E essa dieta natural é a mesma coisa de comida de gente? Então, assim, é uma outra dúvida que as pessoas sempre fazem durante o atendimento nutricional. Então, e aí? Dentro da primeira pergunta, a dieta natural é realmente melhor que o alimento comercial?

ela é se ela for feita corretamente. Se ela não for feita corretamente, ela não é melhor do que o alimento comercial porque ela não vai ser completa e não vai ser balanceada corretamente para aquele animal. Nutricionalmente falando, qualidade de nutrição, sim. A alimentação natural é melhor do que a ração, como eu falei lá no começo. Mas tudo isso precisa ser feito corretamente.

vamos pensar que você tem ali um alimento pronto que vai te dar tudo o que você precisa, calculado bonitinho, e você pode fazer um alimento ali, só que você não está com vontade de fazer tudo, então vou fazer só metade daquilo, ou só selecionar o que eu quero não vai te trazer tudo o que você precisa então esse é um ponto muito importante entender que sim, é melhor se for feita corretamente

E, para a segunda pergunta, não, alimentação humana não é a mesma coisa da alimentação natural em questões de...

como que eu vou explicar? São os mesmos ingredientes, óbvio, com algumas restrições de toxicidade, etc. Mas tem todo um preparo diferente, tem toda uma proporção diferente ali que a gente trabalha para isso. Então, não é resto de comida, não é o resto do arroz que sobrou do almoço, não é o resto do frango que sobrou do almoço, não é cuscuz, não é farinha com água, não é nada disso. Alimentação natural é...

Eu costumo explicar quando eu vou falar isso para os meus tutores na consulta. É um prato de comida se a gente comesse muito bem. Então, carboidratos, proteínas, vísceras, legumes, verduras, gordura, toda suplementação vitamínica, mineral, sal, tudo isso colocado ali em proporções corretas para trazer todos os nutrientes para o animal e tudo o que ele vai precisar essencialmente. Não é aquele prato de comida de eu vou comer só o que eu quero ali, eu só como arroz, sejão e frango. Então...

Não dá, não é a mesma coisa.

E ainda assim, seguindo essa mesma linha da pergunta anterior sobre dieta natural e comida de gente, hoje a gente tem muitos casos em que o responsável pelo animal, ele pega as formulações de dieta, de alimentação caseira, alimentação natural, na internet, de livro, sem qualquer base científica, ou mesmo balanceamento. Então, eu queria que você explicasse aqui para o nosso ouvinte quais que são os principais riscos para a saúde do animal.

em fazer uma formulação ou mesmo um balanceamento errado. Esse é um ponto muito importante, porque a gente tem também muita gente vendendo esse tipo de produto e nem médico veterinário é, né? Inclusive pessoas que têm bastante influência aí dentro das redes sociais e que não são veterinários, não são zootecnistas, não são formados, não tem nenhum preparo para fazer esse tipo de balanceamento.

E o ponto mais importante é o seguinte, déficit nutricional demora para aparecer, porque o corpo do animal, assim como o nosso corpo, ele tende sempre a tentar equilibrar o que está errado. Então, não vai aparecer de um dia para o outro, não vai aparecer em uma semana.

demora, porque o corpo, ele tende a homeostase, ele tende a, tá faltando vitamina, eu tiro daqui. Ah, tá faltando isso, eu tiro daqui, eu vou puxando dali, eu vou adaptando daqui, eu vou tentando equilibrar. Só que uma hora, isso acaba. Uma hora, a gente não tem mais como manter esse equilíbrio, e aí que aparecem os problemas, né?

Só que isso é a longo prazo. Tudo que é a longo prazo, tudo que não é imediato, que assusta o tutor de primeira, a gente tem lá aquela resistência de, ah, não tá acontecendo nada, deixa. Mas o ponto principal em relação a isso é, a partir do momento que você compra um e-book na internet de uma pessoa que não tem preparo, não tem estudo, como é que você tira suas dúvidas? Como é que ele te auxilia? Se o seu cachorro tem diarreia, se o seu cachorro tá engordando, se o seu cachorro tá emagrecendo, se o seu cachorro não quer comer.

As substituições, como é que faz? Ah, não aceitou tal coisa dentro da dieta, vou tirar. Porque a tendência é essa. Não quer comer, eu vou tirar. Ah, eu coloquei ali uma quantidade tal de vísceras na dieta, deu diarreia. Ah, é a víscera da dieta que tá dando diarreia, vou tirar.

E aí, como que você vai resolver isso? Como que você vai equilibrar tudo isso novamente? A pessoa que vendeu o e-book pra você, ela só tá interessada em vender o e-book pra você. Você já pagou pra ela, ela não tá nem aí mais com o suporte que ela vai precisar te dar. E aí você vai chegar no veterinário com o seu cachorro com a gastroenterite ou com algum problema e... E aí? Ah, quem fez a sua dieta? O blogueiro da internet.

É complicado demais isso, né? Então, e tem também essa questão da generalização da dieta. Você tem um animal em particular, assim como você é um ser humano particular com as suas necessidades, com o que você precisa. Isso é necessário ser feito de uma maneira um pouco mais individualizada. É necessário entender ali, fazer toda a consulta, entender. Às vezes é um detalhe que você pega ali na conversa da anamnese com o tutor que já...

putz, isso aqui eu vou ter que mudar, eu não vou poder colocar tanto A quanto B, eu preciso tirar, eu preciso reduzir, eu preciso substituir, principalmente animais doentes, animais hepatopatas, animais que têm questões renais, animais que têm questões cardíacas, a gente precisa fazer ajuste, triglicérides, colesterol, as dislipidemias, tudo isso precisa de ajuste dentro da alimentação. Como é que você faz isso no e-book?

Ah, a pessoa quer fazer alimentação natural, mas eu tenho um animal doente. Ah, tudo bem, mas o e-book tá ali, eu consigo fazer essa alimentação natural aqui. E às vezes a gente acaba prejudicando mais também. Tem as questões das hipersensibilidades alimentares também. Não sabe manejar a hipersensibilidade alimentar, então às vezes na dieta que tá lá no e-book tem um alimento que o animal tem sensibilidade. Vai gerar gastroenterite, vai gerar muco nas fezes, vai gerar sangue nas fezes.

E o doutor não vai saber o que fazer, não sabe o que é. Aí vai no senso comum, né? Ah, eu vou tirar o que mais falam que faz mal pro cachorro. E às vezes nem é isso que tá acontecendo. Então ter a orientação e o acompanhamento do veterinário é muito importante pra eu te auxiliar nessa parte também.

Eu sempre comento aqui, Bárbara, para os meus alunos que em relação à alimentação natural, ela é individualizada. Não tem como eu pegar aquela receita que foi feita para o meu cachorro, que tem tal idade, que tem tal atividade física, que tem tal necessidade energética e transportar para um cachorro que é só o mesmo peso ou a mesma raça.

Então, não tem jeito de eu fazer isso. E isso é um ponto extremamente importante que você falou aí, logo no início, é sobre os problemas, né? Os problemas, eles não vão acontecer de forma imediata. Eles vão acontecer muito tempo depois. Então, muito tempo depois que o responsável, que o médico veterinário vai detectar. Olha, ele tá com um déficit desse mineral, dessa vitamina.

ele está perdendo peso por isso, o problema de pele dele está associado à falta, por exemplo, de algum tipo de gordura. Então, isso é uma coisa que a gente observa no dia a dia. As pessoas querem facilitar a sua vida, economizar com aquilo que vai deixar o processo muito mais caro lá na frente. Muito bem.

Desculpa, eu acho também que entra muito nessa questão do terrorismo que a gente tem hoje em relação ao alimento comercial, né? Em relação à ração. E aí o pessoal fica desesperado. Não, tem a gente falando que tem papelão na ração, carne podre na ração. E tudo isso, a pessoa entra em desespero e acaba, não, eu preciso fazer uma alimentação natural.

urgente, de qualquer jeito. Então vai, vou comprar aí o primeiro que aparecer. Deixa eu ver o que o Google me dá aqui. Vou jogar no chat de APT ou vou fazer qualquer coisa em relação a isso. Então isso também é uma coisa que pega muito. O pessoal entra em desespero porque a galera faz esse terrorismo absurdo em cima de ração também. E aí o pessoal fica desesperado. Não, eu preciso fazer alimentação. Eu estou matando o meu animal, dando ração para ele.

E aí entram nesses pontos de desespero que a gente só vai conseguir arrumar lá na frente. Então, eu tenho, na verdade, sim, eu tenho duas perguntas, né, pra te fazer, que eu anotei aqui, pra te fazer em relação aos assuntos que a gente discutiu, né? A primeira seria em relação à sua opinião sobre a dieta natural, se ela serve pra todos os animais. Então, assim, já ficou um pouco claro aqui na nossa conversa que realmente, assim, ela não serve pra todos os animais por N motivos, né?

Então, por exemplo, eu queria que você contasse quais são os casos em que não há recomendação da utilização, por exemplo, da alimentação natural, seja por investimento financeiro, seja por estágio de vida, quais são as recomendações que não dá. Para esse caso, a gente não recomenda a...

A alimentação natural. Isso também vai muito do animal. Tem animal que não aceita. Não pega alimentação natural. Não se adapta. Não gosta. Não come de jeito nenhum. Prefere comer ração. No caso de gatos, eu sou totalmente contra a alimentação natural para gato.

por uma questão de seletividade alimentar, por uma questão de que o gato não vai aceitar tudo que está ali, é difícil de manejar, como é que você vai pôr a alimentação natural ali, ele vai comer um pouco e vai largar tudo ali, é altamente perecível, não dá para você deixar ela ali no pote. Então, a alimentação natural para gato é uma questão bem complicada. A gente tem essa questão do animal que não vai aceitar a alimentação natural.

Um caso muito específico são animais que têm alergia à proteína e eles não conseguem fazer, não aceitam a proteína in natura, a proteína pura ali, a carne cozida, eles não conseguem. Eu preciso de uma proteína hidrolisada. Como é que eu trabalho isso dentro de uma alimentação natural? Eu teria que ir para uma proteína vegetal e aí eu perco totalmente essa...

esse cheiro da proteína que chama a atenção do cachorro, a chance dele comer é muito baixa. Eu peguei uma tutora uma vez com uma recomendação de AN com proteína hidrolisada de ervilha. A cachorra simplesmente odiava comer, porque era um negócio em pó horroroso que não tinha nada.

Porque ela tinha alergia alimentar, que não foi ali trabalhada direito para ver o que ela pode e o que ela não pode comer. Mas nesses casos de animais que têm hipersensibilidade à proteína e a gente não consegue trabalhar proteína in natura, eu não consigo trabalhar com alimentação natural. Eu preciso de uma ração com proteína hidrolisada para trabalhar com essa proteína hidrolisada ali, que talvez o organismo aceite de uma forma um pouco melhor.

Então tem esses pontos aí onde realmente a alimentação natural talvez não vai ser a melhor saída ali para aquela pessoa. Tem a questão financeira também. Gente, se a pessoa fala que vai sair mais barato, ela está mentindo para você, a alimentação está incompleta. Não tem como a alimentação natural sair mais barata. Não tem como. Uma alimentação de qualidade, com proteína de qualidade, com tudo ali certinho, ela não vai sair mais barata que a ração quando você vai pôr na ponta do lápis.

Principalmente na questão da suplementação. Não existe alimentação natural sem suplementação. Você consegue reduzir a utilização da suplementação com variedade de alimento. Por quê? Porque eles te dão vitamina, mineral, aminoácido, sim. Mas assim, eu reduzo, eu não anulo o suplemento vitamínico mineral. Eu vou precisar ali de suplementação.

E suplementação é cara. Dependendo do tamanho do seu pet, pouco. Por exemplo, eu não faço prescrição de alimentação natural crua. Então, no cozimento, eu tenho perda de quantidade de alimento. Então, eu vou fazer um quilo de frango cozido, ele vai dar meio quilo, 600 gramas de proteína cozida.

Então tudo isso tem que entrar nessa conta, né? Então não tem como, infelizmente, sair mais barato uma alimentação natural bem feita, correta, com tudo que o seu pet precisa. A questão financeira pega muito, a questão de tempo pega muito também. Você não tem tempo pra fazer? Tem gente que fala pra mim, doutora, eu não consigo fazer comida pra mim, não vou conseguir cozinhar pra ele. Porque às vezes o pessoal já chega achando que eu já vou... Não, alimentação natural, vai ter que fazer alimentação natural.

Aí eu falo, não, eu não cozinho nem pra mim, eu não tenho tempo, eu não tenho espaço, eu não tenho freezer, eu não tenho nada. Quando eu tinha cozinha de alimentação natural, eu tinha dois pacientes, eram dois American Bullies. A mulher tinha um freezer na casa dela só pra comida dos cachorros, porque era 1,5kg pra 1, 1,7kg pra outro.

1,7 kg de comida por dia que você tem que fazer. É muita comida, né? Então, assim, tudo isso tem que ser levado em consideração. Quando a pessoa quer muito fazer e nunca teve contato, não sabe como faz, eu sempre falo, testa, eu vou te mandar toda a formulação, faça, teste.

Vê se você vai conseguir fazer. Se conseguir fazer, beleza. Se não conseguir, principalmente cães grandes, né? Cães pequenos, pô, vai, 150, 200 gramas de comida, a gente faz ali rapidinho, né? Agora, um quilo, por exemplo. Eu tenho dois pastor belga, como é que eu faço?

Como é que eu faço comida pros dois, mais pro shih tzu? Então, assim, demanda muito, entendeu? Então, isso é uma coisa que eu falo também. Não se sinta pressionada a fazer uma coisa porque você viu na internet fazendo e você quer. Porque, ai, não, porque é melhor. Porque, não, se você não for conseguir fazer, não vai ser melhor. Porque você não vai fazer direito. A gente vai acabar tendo um problema ali. Então, é melhor você dar o que você consegue dar.

E uma outra pergunta que eu tinha de um assunto que a gente já começou a falar numa pergunta anterior, é em relação aos ingredientes. Então, é a questão ali do terrorismo que você falou da alimentação comercial. Então, a gente tem ingredientes que estão disponíveis tanto na formulação comercial quanto na caseira.

E muitos responsáveis por animais, eles têm restrição com algumas fontes de proteína. Então, frango, carne crua, né? Alguns têm restrições com cereais transgênicos, outros com restrição com conservantes sintéticos. E aí, assim, o que você pode acrescentar, né? O que você pode falar para os ouvintes a respeito aí de realmente?

É mito ou verdade que as carnes, principalmente a de frango, ela tem um potencial mais alérgico? Quais seriam os perigos sanitários em relação à utilização de carne crua, principalmente, que você já começou a falar aí, em alimentação natural? Quais seriam os perigos na saúde dos animais?

em relação a transgênicos, uso de conservantes sintéticos, sobre esses mitos, esses terrorismos que acontecem no dia a dia. Eu costumo falar que se um dia as galinhas se rebelarem, elas vão matar os veterinários. Porque hoje a gente pode falar que a culpa é do frango. É a primeira coisa sempre. Qualquer alergia, qualquer dor de barriga é o frango. Tira o frango, frango, frango, frango.

O que acontece? O frango, dentre as proteínas, ele é o mais presente na alimentação. Então, a maioria das rações é sabor frango por uma questão de custo e por uma questão de aceitação também. A maioria dos pets, eles têm uma aceitação muito boa em relação à proteína do frango, né?

Só que qual que é o ponto? Por conta dessa exposição frequente, alguns animais realmente podem desenvolver intolerâncias alimentares, podem desenvolver essa hipersensibilidade. Dentre as proteínas, o frango é a que a gente mais tem em reações de hipersensibilidade.

Só que a proteína não é a única categoria alimentar que pode gerar reações de hipersensibilidade. Alguns carboidratos também fazem isso, alguns legumes também fazem isso. Então, a gente também tem que olhar a alimentação no geral. Quando a gente restringe só a proteína, muitas vezes eu pego animais aqui comendo rações extremamente restritas, extremamente caras, seguindo com as reações de hipersensibilidade, porque isso não foi claramente excluído da alimentação.

Pensando só na, é sempre proteína, é sempre proteína, vai pra outra proteína, vai pra proteína hidrolisada e esquece de olhar a formulação como um todo. Outras coisas podem causar. A dieta de exclusão é exatamente pra gente entender isso. Sobre a questão das carnes cruas, né? A gente tem risco de contaminação por diversas bactérias ali patogênicas e que a galera gosta de amenizar isso falando que não, o ácido do estômago mata a salmonela.

Por isso que ela sai no cocô, né? Porque mata, não não mata. Ele é uma barreira primária de proteção, mas ele não é uma barreira... Definitiva. É, exatamente. Ele não vai resolver todos os problemas, isso vai depender de carga bacteriana também. Ah, é porque eles têm salmonela no trato gastrointestinal.

Tem, mas como patógeno ali, não como uma microbiota natural. Ele não faz parte da microbiota natural. Tá presente ali, mas não quer dizer que faça parte. E aí, o que acontece? Eu tô oferecendo ali carne crua, carne crua, carne crua. A gente tem um controle sanitário? Tem, mas do abate até a sua casa, tem muita coisa aí no meio. Muita coisa. A gente tem que contar com muita coisa, né?

Então, isso também é um ponto muito importante. O animal tá ali comendo aquilo todos os dias. É uma baixa de imunidade pra isso virar uma gastroenterite magnífica, né? E aí vai culpar as estrelas, mas não vai culpar a carne crua. Não vai culpar a proteína de origem animal crua, né? Então...

É um cuidado que tem que ter, congelamento profilático não é efetivo contra a bactéria, né? Esse é o maior mito que eu acho em relação à alimentação natural crua. Ai, bota no congelador não sei quantas horas, não sei quantos dias, e aí resolve todos os problemas. A bactéria na geleira lá no Ártico tá sobrevivendo, mas o seu cônsul vai resolver o problema, né? Então, assim, a gente tem que ter essa questão de elucidar as pessoas sobre os riscos que tem, né?

das proteínas de origem animal crua, tanto carnes quanto ovos, né? Então, isso é muito importante. Da parte de transgênicos, eu costumo falar que eu tenho uma opinião impopular sobre isso, né? Eu realmente não gosto da utilização de transgênicos na alimentação, porque eu, sinceramente, não acho que a gente tenha ainda referências científicas o suficiente para falar que é um alimento 100% seguro.

né, é uma coisa que gira muito dinheiro, o agro gira muito dinheiro, então é muito difícil a gente pensar que, pô, como é que você vai financiar um estudo que vai te dar realmente, putz, isso faz mal, alimenta basicamente o mundo inteiro, né, você tem ali um alimento que é super resistente, que pega em qualquer lugar, então assim, é um pouco complicado esse assunto, a minha opinião impopular, eu falo que é, eu sou totalmente contra o uso de transgênico na alimentação.

Mas tem gente que fala que não faz mal, tem gente e é isso aí. Para mim, é a mesma coisa o BHA e o BHT. Agora estão saindo estudos que realmente estão mostrando que é uma coisa que acumula no organismo, que tem ali uma questão hepática envolvida, um disruptor endócrino envolvido, né? E, na minha opinião, se a gente tem opções de alimentos bons que não contenham esses ingredientes, eu prefiro colocar do que os que contêm.

Então, assim, essa é a minha linha de trabalho, obviamente, não é todo mundo que concorda, não é todo mundo que segue, mas é a minha linha de trabalho. Se eu não tivesse opções sem esses conservantes, sem esses transgênicos, ok, a gente vai ali no que dá para fazer. Eu tenho diversas, hoje a gente tem mais de 20 marcas, 30 marcas de ração aí no mercado que não levam transgênicos, conservantes artificiais, nada disso.

opte por isso, é melhor. O que você puder melhorar na alimentação, melhore. A gente tem que pensar que isso é alimento diário. Todos os dias você está oferecendo isso para o seu cão. Não é igual a gente, ah, eu vou comer alguma coisinha ali que pode ter alguma coisa, né? Vou tomar alguma coisa que tenha ali um corante ou qualquer coisa. De vez em quando. Não, é todo dia. O cachorro e o gato estão comendo isso todo dia. Então, na minha opinião, se puder evitar, evite.

Então, agora falando um pouquinho aí de um assunto que você também começou, né? Essa parte aqui do cotidiano dos atendimentos da clínica legal, que você fala uma coisa e você já tem um gancho para uma outra coisa dentro do mesmo assunto, que seria as comidas de gente, né? Então, as nossas comidas de gente aí, algumas, né? Claro, dentro dos cardápios.

Existem algumas indicações, seja de alimento comercial, alimento natural, muitos ingredientes que estão e devem ser permitidos.

porque eles servem tanto como fontes de proteínas, minerais, fontes de fibra. Então, a gente tem muitas frutas, legumes, temperos, e muitos responsáveis devem colocar dentro do cardápio, que a gente chama.

do alimento para os seus animais. Só que tem muitos responsáveis que acham que pode tudo. Então, a gente sabe, já foi discutido aqui várias vezes, sobre alguns exemplos de alimentos que são destinados para humanos e que não devem ser consumidos por animais.

Então, na sua rotina, e essa é uma pergunta, toda vez que a gente fala sobre esse assunto, alguém me fala um alimento novo, igual você falou aí do cuscuz, em algum momento. Você falou assim, as pessoas dão cuscuz, né? E eu sei que dá que isso existe na minha casa. A minha mãe dá cuscuz para o cachorro da minha filha, enfim.

mas não tem jeito de tirar e falar, gente, deixa quieto a gente simplesmente entrega a batalha entrega a toalha mas enfim dentro da sua rotina eu imagino que tem muita gente tem muitos dos seus clientes que terminam dando comidas de gente

comidas de gente de forma errada para os seus animais. Então, como que é o seu convencimento para que ele pare esse mau hábito? Por exemplo, dar leite, derivados. Como que seria o seu convencimento? Qual que é a estratégia que você usa?

Olha, mulher, vai depender do nível de teimosia da pessoa com quem eu estou falando. Às vezes eu tenho doutor que fala assim, doutora, você pode gravar um áudio para eu mandar para minha mãe falando que se ela não parar de dar vai acontecer alguma coisa? Mas isso é muito complicado, porque é, eu falo, é a faculdade que eu sempre fiz e nunca deu problema, né?

Então, ah, eu sempre dei, nunca aconteceu nada, e etc. Então, isso vem muito de pessoas mais velhas, né? A gente tem aí esse hábito de pessoas mais velhas, de achar que o bicho tá sempre com fome, que ele pode comer o que ele quer. Meu sogro mesmo dava pão pro cachorro todo dia. Era pão à tarde, de manhã. Ele ia na padaria, comprava pão pra todo mundo, e dava pão pro cachorro. Adianta falar? Não adianta falar.

Nunca aconteceu nada, mas assim, qual que é o ponto sobre isso? A gente tem, obviamente, os alimentos que são tóxicos, então eu já peguei tutores que, ai, eu faço canja de galinha pra ela, ai, eu dou canja de galinha, ai eu falei, ah, você faz? Não, eu compro na padaria.

canja com cebola, com um monte de coisa. Então, isso é muito complicado. A gente tem os alimentos que são tóxicos, potencialmente tóxicos, que podem gerar problemas de saúde para o animal, que eu acredito que, para a maioria das pessoas, eles já estão elucidados. Todo mundo já fala muito sobre isso. Mas a gente tem também essas questões de queijo, tem o tutor que adora dar queijo, pão, biscoito, tudo isso. Pão de queijo.

queijo, exatamente. Eu falo, você pede pizza uma vez na semana e dá um pedaço de borda pro seu bicho, não vai fazer mal. Ele não vai passar mal por causa disso. Só que isso acaba virando um hábito diário. Acaba virando uma parte da rotina. Porque o bicho gosta, lógico que ele gosta.

então a gente tem que dosar muito isso às vezes é manejar trocar, então pega isso e troca por outra coisa, eu vou te dar outra opção aqui, então ao invés de você dar um pedaço de queijo um pedaço de pão, dá isso daqui pra ele, você vai fazer o agrado da mesma forma, porque isso é agrado que na nossa cabeça o animal precisa, eu falo o petisco é mais pro tutor do que pro próprio pet, o pet não precisa disso a gente que inventou isso pra eles né

Então, vai manejando essa troca, né? Então, ah, eu vou pegar aqui, ah, um pedaço de queijo, não, um pedacinho de maçã. Ah, ele não gosta de maçã, então tá bom, vamos dar um petisco desidratado, uma coisa assim que ele vai substituir e vai fazer mais sentido ali na rotina dele.

tem que ir nessa substituição, assim. Aí, por último, eu já coloco assim, se você não parar de dar, vai parar no hospital. Aí vai internar. E aí eu quero ver o que você vai fazer. Porque às vezes a gente tem que partir pra essa linha de convencimento, porque já não tem mais o que fazer.

Animal obeso, a gente tem uma dificuldade muito grande. Porque geralmente o bicho fica obeso, exatamente por conta dessa sobrecarga de alimentação extra que o pessoal dá. Ah, não, mas é só um pouquinho, é só uma coisinha. Quando você vê, o bicho já está gigantesco. Então, isso é o mais difícil de tirar. Esse é o mais difícil de manejar.

A gente já conversou aqui sobre esse manejo do cão obeso. Eu sempre falo também para o meu cliente, você vai comer, coloca o seu cachorro em outro lugar. Porque ele vai pedir, porque é um hábito dele pedir. Você já acostumou a isso. E para você não se sentir culpado, então, em não dar, porque isso seria uma punição na sua cabeça, você está punindo o seu cachorro. Você vai comer, você coloca ele em outro lugar.

Você vai lá, dá um pratinho de cenoura pra ele, com a quantidade de cenoura, uma quantidade de chuchu, abobrinha, e deixa ele comendo lá naquele lugarzinho dele. Terminou de comer? Beleza, você pode trazer ele de volta. É uma coisa que eu oroço muito. O animal tem que ter o lugar dele de comer. Ele não vai comer em qualquer lugar, ele tem que ter o lugar dele de comer, e você não vai ficar perto. Isso não é o momento seu com o seu pet, é o momento do pet com a comida. Isso mesmo. Tem pano com a manga, a gente conversa outro dia.

Bom, Bárbara, já seguindo aqui para o nosso, finalmente, da nossa entrevista, uma dúvida também comum entre os responsáveis é que tem cães e gatos na mesma casa, em relação ao comportamento alimentar. Então, os cães, a gente sabe que eles gostam de horários pré-definidos para alimentação. Já o gato, ele tem um ato de alimentar, como a gente já comentou aqui.

pequenas quantidades várias vezes ao longo do dia. Então, por isso que a gente não tem indicação de fazer alimentação natural.

para o gato, porque aquilo vai ficar muito tempo exposto. E aí, em relação a isso, desse comportamento alimentar do felino, os tutores já pensam que ele tem que deixar a comida dos gatos à vontade. E aí você já comentou aqui de alguns riscos. Eu queria que você comentasse um pouquinho mais sobre esse perigo de deixar a alimentação dos animais, em especial os gatos, à vontade.

É, foi aquilo que a gente conversou, né? Existe uma diferença entre o deixar à vontade pelo comportamento de ir e vir do gato ali pra comer e encher o pote o tempo todo, que eu acho que essa é a principal trava ali do pessoal entender, né? Ai, mas me falaram que o gato vai comer quando ele quer, ok. Mas, por exemplo, eu atendo muito gatos que têm comportamento compulsivo em relação à comida porque não podem ver o pote vazio.

Então, toda vez que o pote está vazio, começam a gritaria, tem gato que já fica agressivo. Fica agressivo. Exatamente. Porque a gente vai acostumando ele ao pote sempre cheio. E não é essa a ideia da alimentação à vontade. O gato tem que ter ali a sua quantidade. Se você vai dividir em três, quatro porções no dia, aí fica a critério do que você quiser. Aqui, por exemplo, a gente põe no pote três vezes.

De manhã, uma porção. À tarde, uma porção menor. Sobre aquilo que eu falei, que eles passam a maior parte do tempo dormindo, à tarde, né? E à noite, uma porção ali pra ficar à noite e madrugada, que é onde eles vão comer mais. Então, isso também mesclado com porções de alimentos úmidos. Então, em vez de colocar mais ração, tenta pôr um alimento úmido. Tenta colocar outra coisa ali pra ele comer.

Em casa, multi gatos, isso também acaba virando um problema, porque o pessoal já não vai calcular mais nada, só bota aí e aí você vai ver que tem um gato obeso, outro gato que não está comendo nada. Então, isso é uma coisa que a gente tem que manejar. Casa com muito gato é mais complicado esse manejo, mas é muito importante, eu sempre falo.

Manda para mim que eu faço uma média. Então, ah, são 10 gatos, é o peso dos 10 gatos, é uma ração, a gente vai fazer a média de quantidade e você vai botar essa média de quantidade. Um gato vai comer mais que o outro? Vai. Aqui em casa eu tenho dois e a fêmea come claramente mais do que o macho. Nenhum dos dois está com sobrepeso, mas ela come mais do que ele, né?

Então, não vai ser a vida perfeita, da quantidade perfeita de comida como é para o cão. Mas é muito importante fazer esse manejo, principalmente para não gerar obesidade. Obesidade em gato é uma complicação, assim, é muito difícil. Para o gato perder peso, demora muito, exige muito. A gente não pode botar o gato na coleira e levar para passear. Atividade com gato obeso é muito complicada, de fazer ele se mexer, de fazer ele se locomover. Então, a gente tem todas essas questões.

emagrecimento em gato eu acho que é uma das piores coisas assim pra manejar de verdade, e aí acaba também com esse comportamento compulsivo, o gato ele vai e come tudo de uma vez ele come tudo, isso não é normal, então se você tem um gato que pega e abocanha toda a porção de uma vez às vezes isso pode gerar vômitos mais frequentes, regurgitações mais frequentes porque é muito volume alimentar, o gato já não é um animal que mastiga então a gente tem todas essas complicações relacionadas a esse manejo errado da alimentação e aí e aí

Isso vale para cão também. Se você ficar colocando ele de olho, não estou medindo, não estou... Ah, eu estou achando que ele está com fome, porque tem essa também. Ah, ele está me olhando, eu acho que ele está com fome. Comida, e comida, e comida. Então, é importante sempre fazer o tutor entender que o cão, se você der comida para ele o dia inteiro, ele vai comer o dia inteiro. Ele gosta de comer, é isso. Então, a gente tem que evitar certos comportamentos para evitar certos problemas.

Bom, pessoal, então nós chegamos ao fim de mais um episódio do Pet Food Podcast. Eu agradeço novamente a participação da doutora Bárbara Ciola. Eu desejo muito sucesso para você, Bárbara, na sua trajetória profissional. E eu espero que vocês tenham gostado do tema de hoje. Continue nos seguindo e nos ouvindo, tanto nas nossas redes sociais e nas plataformas digitais. Até mais e nos vemos em breve.

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