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24. O papel do investidor anjo no ecossistema de venture capital

07 de maio de 202627min
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O ABVCast recebe Cassio Spina, Fundador e Diretor-Presidente da Anjos do Brasil, para uma conversa sobre o papel do investidor anjo no ecossistema de venture capital. O executivo comentou sobre como esses investidores contribuem não apenas com capital, mas também com experiência, rede de contatos e apoio estratégico às startups em estágios iniciais.  

O ABVCast é um podcast realizado pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP). As opiniões dos entrevistados podem não corresponder ao posicionamento institucional da ABVCAP, sendo, portanto, de exclusiva responsabilidade de cada um.  

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Participantes neste episódio1
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Rodrigo Loureiro

Participante
Assuntos8
  • O que faz um bom pitchCapacidade de execução do empreendedor · Fazer muito com pouco · Escuta ativa · Adaptação e aprendizado com o cliente
  • Papel do investidor anjoPrimeiro cheque nas startups · Experiência, conhecimento e rede de relacionamento · Diferença entre investidor anjo e Friends and Family · Capital inteligente (smart money) · Vale da morte das empresas
  • Relação do investidor anjo com outros investidoresModelo colaborativo entre os elos da cadeia · Dependência mútua para crescimento · Manter acesso à informação e participação como observador · Permanência até o êxito da startup · Diluição e valorização da participação
  • Investimentos BrasilCrescimento e evolução do mercado · Impacto da taxa de juros · Resiliência e visão de longo prazo · Tendências e perspectivas
  • Anjos do Brasil e seu ecossistemaPropósito de fomentar o ecossistema · Conexão entre empreendedores e investidores · Mapeamento nacional e números · Oportunidade de crescimento no mercado brasileiro · Curadoria de startups
  • História de sucesso: NubankNão reinventar a roda, mas oferecer uma solução diferente · Identificar lacunas no mercado · Potencial de escala global · Importância do portfólio de investimentos · Davi Vélez
  • Perfil do investidor anjo: gênero e idadeParticipação feminina e o grupo MIA · Diversidade gera valor · Faixa etária predominante (41-50 anos) · Crescimento de investidores mais velhos · Tempo dedicado ao investimento anjo
  • Setores quentes para investidor anjoInteligência artificial · Agritex · Health techs · Edtechs · Fintechs
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Está começando agora mais um ABVCast, o podcast da Associação Brasileira de Private Act e Venture Capital, a ABVCAP. Eu sou o Rodrigo Loureiro e no episódio de hoje eu vou conversar com Cássio Espina, presidente e fundador da Anjos do Brasil. E como o próprio nome já diz, o assunto hoje é sobre investimento anjo.

Eu vou dar, então, as boas-vindas para o Cássio. Cássio, seja muito bem-vindo. Obrigado pela sua presença. E vamos debater sobre essa modalidade que vem crescendo tanto e ela é tão importante para o desenvolvimento das startups. Boa tarde. Boa tarde. Obrigado, Rodrigo. Prazer estar aqui no podcast da BBCAP. É uma associação que eu tenho um carinho muito grande há muitos anos. A gente se relaciona. Enfim, espero poder compartilhar um pouquinho aqui da experiência nesses anos acumulados.

Tenho certeza que vai ser uma conversa muito rica. Cássio, então, para a gente já iniciar ali esse bate-bola, conta para a gente qual é o papel do investidor anjo nesse ecossistema. Porque, geralmente, é quem coloca ali o primeiro cheque nas startups. Por que ele é tão importante? Bom, como você mesmo falou, ele é o primeiro cheque, mas não é só pelo dinheiro, não é só pelo capital. É o conceito, o termo anjo.

vem do conceito do anjo da guarda, aquele anjo protetor. E na prática, o que significa isso? É usar a experiência, o conhecimento, a rede de relacionamento que esse investidor tem acumulado.

uma vez que são normalmente profissionais com muita experiência, é uma grande bagagem, para ajudar justamente o empreendedor a tanto evitar cometer erros que possam levar ao fracasso do negócio, mas mais ainda para atingir o sucesso, para acelerar o crescimento do negócio, enfim, para buscar o objetivo comum, que é trazer mais empreendedorismo de sucesso. E quando a gente fala do primeiro cheque, acho que é sempre bom a gente diferenciar, né, Cássio, que o investidor anjo é diferente daquele friends and family, que é um dinheiro diferente, não é?

Exatamente, o Friends and Family, como é já conhecido, o pessoal brinca, troca um F por Fools, Deus tolos, o que o americano chama de Love Money, que é o dinheiro muito mais para o relacionamento pessoal, para o apoio, é o pai, para o filho, é o primo, enfim, aquela questão de ajuda, de apoio mesmo inicial para quem está querendo começar o seu negócio.

Investimento do Oranjo já não, né? Ele já é alguém que está investindo já com propósito, sim, de agregar valor. Mas avaliando o negócio, verificando se realmente tem o potencial de dar certo e atingir o objetivo que é o sucesso do negócio. E me fala uma coisa, além do dinheiro, a gente sempre fala nesse mercado de startups, de venture capital, o chamado smart money, né? Não é só o dinheiro pelo dinheiro, mas é o dinheiro acompanhado de algo muito, que pode ser muito mais valioso.

O investidor anjo, ele tem esse papel que é essencial também e ele entra logo na criação das startups. É essencial escolher um investidor anjo que entre com o smart money e não só com o money? Com certeza, né? Acho que para ser anjo, como a gente disse, tem que ser isso, tem que agregar valor, tem que ajudar, é o capital inteligente, como a gente fala. E a diferença é porque a gente diz, dinheiro é commodity, dinheiro você pode pegar em banco, pode pegar em vários lugares.

O que vai fazer a diferença é justamente como ele vai estar atuando junto com você nessa jornada do empreendedor. E principalmente nessa fase inicial, que é uma fase crítica para o surgimento, nascimento e desenvolvimento desse negócio. Tem, como o pessoal fala, o chamado vale da morte das empresas.

que é justamente como é que ela sai da fase dessa ideia, ou melhor ainda, talvez, da prototipação, para fazer a validação daquilo, para efetivamente conseguir conquistar seus clientes iniciais e começar a se preparar para depois ter um crescimento.

E essa dificuldade, muitas vezes, que o empreendedor sofre é justamente porque, às vezes, falta algum conhecimento, falta alguma experiência. Enfim, tem algumas lacunas que é onde o investidor anjo vai buscar preencher com a experiência dele. E existe um valor médio dos aportes dos investidores anjo ou isso depende muito de cada startup, de cada setor?

Tem um valor médio, sim. A gente fala que normalmente o investimento coletivamente, porque investimento anjo normalmente é feito em grupos, gira entre 250 mil reais até 1 milhão de reais por startup. Olha só. Lembrando, como eu falei, como é investimento coletivo, esse cheque é dividido entre vários investidores. Individualmente, o cheque normalmente entre os investidores anjo tem sido a faixa de 15, 20, 25 mil reais por startup.

Claro, alguns investidores do anjo às vezes têm maior capacidade financeira, aportam um capital maior. Aqueles que têm menos, pode ser um capital um pouco menor financeiro. Mas o capital do conhecimento, todos eles aportam, acho que da mesma forma. E outra dúvida que é bem comum entre os investidores é...

Quando que é a hora de procurar o investidor anjo? Porque o Friends and Family, que a gente estava falando, muitas vezes ele vem ali logo no começo, né? Aquele tio que dá aquele dinheiro, aquele seu melhor amigo que dá uma ajudinha. Agora, para você convencer o investidor anjo, que não é parte da sua família, muitas vezes, pelo menos, que não é o seu amigo, você precisa ter pelo menos um negócio já um pouco mais desenhado. Quando que é a hora de buscar esse investimento anjo?

Então a hora ideal é que você já tenha pelo menos um protótipo, o que a gente chama às vezes de...

MVP, que é um conceito que vem da metodologia chamada Lean Startup, que é o que eles chamam de Minimum Viable Product, ou em português, o produto mínimo viável, que é um protótipo daquele produto funcional, do seu serviço, seja o que for que você vai oferecer para o cliente.

e idealmente já ter os primeiros clientes iniciais, ali também, óbvio, que ajuda bastante nesse processo de avaliação do investidor. Eu digo sempre assim, se alguém está comprando o seu produto é porque atende o público. Então já é um sinal positivo. Obviamente que a gente não espera que a startup esteja super desenvolvida, não é disso.

O que a gente espera, sim, é que ela tenha mostrado a capacidade desse empreendedor de construir algo, não é só uma ideia, mas transformar essa ideia em algo concreto. O Cássio, agora que a gente destrinchou um pouco ali do beabá do investidor anjo...

Vamos falar um pouquinho mais sobre o cenário atual aqui no Brasil. Como que você está vendo o cenário de investimento anjo aqui no Brasil? Vem crescendo. A gente sabe que os últimos anos para as startups, a gente teve anos de altos e baixos, passou ali por um ano muito bom antes da pandemia, pré-pandemia. Aí 2021 também um ano muito bom. Depois a gente viu calejar um pouquinho esse setor. Como que você está vendo hoje, 2026?

Bom, se eu fizer uma retrospectiva desde quando eu comecei a tocar investidor anjo, faz já um bom tempo, em 2009, é que a gente teve uma grande evolução de lá para cá. Naquela época, existia pouquíssima coisa nessa atividade aqui no Brasil, e hoje a gente já tem múltiplas redes, múltiplos grupos, teve um crescimento bastante acentuado. Mas sim, com altos e baixos, naturalmente. Acho que existem vários fatores que influenciaram isso. A gente sabe que...

por mais que não tenha uma relação direta e indiretamente, taxa de juros é uma coisa que implica, porque, óbvio, existe o chamado custo de oportunidade, ou custo de capital, que torna mais difícil, obviamente, alocar mais recursos em negócios que você tem, obviamente, um nível de risco mais elevado. Isso não é só para startups, é para toda a economia, enfim, em geral, mas sim tem um certo impacto. Apesar disso, eu acho que existe uma certa resiliência do investimento.

muito em função, uma visão, que é um objetivo não de curto prazo, é um objetivo de médio e longo prazo. O horizonte que tem atuando nesse setor é o horizonte de 5 a 10 anos. É um horizonte que você fala, eu vou investir hoje para...

semana que vem, mês que vem, ano que vem, eu vou ter retorno sobre isso. A gente está olhando sempre isso, quais são as tendências, perspectivas, o potencial disso daqui a cinco anos, especialmente considerando que a gente busca negócios que tenham inovação. E a gente fala, porque é um negócio que realmente é inovador, gera valor.

ele vai crescer independente da situação econômica dos outros fatores. Ô Cássio, para quem acompanha esse mercado de startups, eu tenho certeza que a nossa audiência acompanha muito, a gente sabe que muitas vezes o mercado de startups vive de ciclos de setores. Fala-se muito que o Brasil era o país das fintechs, aí depois muita gente falando que era o Brasil das foodtechs, quando tinha aquela onda de produtos vegetais, país das insurtechs, as startups do setor de seguros.

Para o investidor, Anjo, hoje, o que está mais quente? Para onde esse investidor está olhando? A inteligência artificial? O que é? Com certeza, a tecnologia de inteligência artificial é uma tecnologia extremamente disruptora de muitos mercados, transformadora, mas ela é transversal. Ela pode ser aplicada em inúmeros setores. Praticamente quase tudo. Então, a gente analisa, quando a gente pesquisa junto com os investidores quais são os setores específicos que eles têm mais interesse.

É interessante observar que atualmente, em primeiro lugar, está o setor de agricultura, das chamadas agritex. Afinal, acho que é uma vocação natural do Brasil. O Brasil tem uma capacidade, um potencial gigantesco, já é um dos líderes globais. Um agro-top, né? Exatamente. Então, é o setor, obviamente, que mais chama atenção. Mas vários outros setores também tem, como a área de saúde, para chamadas health techs.

a educação, as chamadas edtechs, e claro que fintechs ainda não descartou, ainda tem muita coisa para ser feita nesse setor, e ainda tem surgido novos negócios que têm trazido inovações significativas para eles. Acho que esses, sem dúvida, são os principais setores que a gente observa.

Mas, por exemplo, na Anjos do Brasil, a gente tem investidores para todos os setores que você possa imaginar. E cada investidor tem a sua experiência prévia, tem o seu conhecimento. E normalmente ele busca ajudar startups que têm mais ou menos alguma afinidade com ele. Então é aí que vai, vamos dizer assim, um alinhamento de interesses para construir esses negócios.

Eu queria até que você desse para a gente um panorama sobre a Anjos do Brasil, explicasse um pouco desse ecossistema que vocês conectam investidores anjos com startups, com empreendedores que precisam desses aportes, que estão buscando esses aportes. Conta um pouco para a gente desse trabalho que vem sendo realizado, Cássio. Claro. Bom, a Anjos do Brasil eu fundei em 2011 com o propósito de fomentar esse ecossistema. Como eu falei, naquela época que eu comecei lá atrás, tinha pouquíssima coisa, mas usando o conhecimento que eu já tinha tido,

Até por ter recebido investimento de venture capital no meu negócio.

e conhecendo a experiência internacional de investimento antes, principalmente nos Estados Unidos, onde é o berço, onde surgiu essa prática, eu sabia que isso é uma prática que tem que ser coletiva. E aí, justamente, surgiu a vontade de criar JusBrasil justamente para conectar, não só, obviamente, os empreendedores e os investidores, que é o nosso principal propósito, mas os próprios investidores e também conselheiros, advisors, enfim, como você falou, um ecossistema de apoio a esse empreendedor. Até porque, como eu já disse,

O mais importante nem é o dinheiro, é o conhecimento e experiência. Eu falo, seja com capital inteligente ou seja com a experiência, o que importa é ajudar esse empreendedor a superar os desafios que ele tem nessa fase inicial. Você tem alguns números para compartilhar para a gente? Quantos investidores vocês já têm nesse ecossistema? Quantas startups ou valores? Sim, claro. O mapeamento a gente faz todo ano, o mapeamento nacional, a gente já tem cerca de 8 mil pessoas fazendo investimento ano de todo ano.

quase um bilhão de reais de capital aportado, teve algumas oscilações nos últimos anos, estamos fazendo inclusive uma nova pesquisa esse ano, para breve divulgar os resultados, para ver exatamente como é que é o patamar que a gente está, e enfim, novamente, tem crescido, apesar dos percalços, um ano ou outro, talvez com um pequeno recuo, mas na média a gente tem tido uma linha de crescimento sim, do mercado, mas ainda, quando a gente compara com o tamanho do Brasil, com o tamanho do potencial,

E não comparando diretamente um para um com os Estados Unidos ou mesmo com a Europa, mas comparando o PIB brasileiro com o PIB americano, a gente vê que ainda está muito longe de chegar no patamar que a gente diz que é um patamar compatível com o tamanho do Brasil e da nossa economia. Então ainda temos muito para crescer.

que é um desafio, mas é uma oportunidade para quem quer atuar. Ainda nós estamos num momento que quem quer atuar nesse ecossistema tem uma oportunidade muito grande porque não tem ainda uma competição, não tem nada disso. Então é muito mais colaboração. Então dá para você entrar e atuar de uma forma efetiva com bons resultados. E através da Anjos do Brasil qualquer pessoa pode ser um investidor de startup ou você precisa ter um CNPJ, você precisa ter uma carteira especial de investimento?

Não, qualquer pessoa a princípio, eu falo requisito essencial, é sua experiência. E vocês indicam as startups que estão mais quentes ali, que podem, tem a chance maior de dar sorte, dar certo. É claro que é difícil, a gente sabe que muitas vezes muitas startups vão acabar não dando certo, é o mercado. Mas vocês têm esse direcionamento também para esses investidores, muitas vezes investidores que não conhecem muito do mercado. Exatamente, esse é o grande papel da Anjos Brasil, a gente tem um trabalho de curadoria.

que a gente faz um processo de seleção de startups, a gente recebe atualmente cerca de 100 startups por mês para avaliar, e a gente seleciona as três melhores todo mês para apresentar para os nossos membros. Então, com isso, ele consegue, claro, ter acesso a startups mais qualificadas, mais preparadas.

Como você falou, não é uma bola de cristal, não dá para adivinhar qual vai ser o sucesso, mas já tem um belo crivo de seleção para que ele saiba que ele está investindo em alguma startup que tem maior potencial. E além disso, a gente, claro, dá toda a orientação, todo o suporte, todo o direcionamento para que ele possa fazer isso da melhor forma possível, para que ele consiga depois ter o resultado, que eu digo que é uma combinação também importante. É resultado financeiro, sim.

Mas o investimento anjo não é somente resultado financeiro. Ele é um investimento que também busca ter uma troca. Eu falo, o investidor está ali para ajudar o empreendedor, mas também a gente aprende muito com esses empreendedores. Aprende sobre inovações, sobre novos setores, novos modelos de negócios. Enfim, uma diversidade de coisas que também trazem um ganho, eu diria. Mesmo aquelas startups que às vezes dão certo, o aprendizado fica. Ocássio, desde quando você está envolvido com startups?

Desde 2009, né? Desde 2009. Então, a gente tá falando de 16 a 7 anos já nesse setor. Você já escutou muito pitch, então, né? Já escutou muito pitch de empreendedor. Sem dúvida. Conta pra gente, então, qual que é o segredo. Eu sei que é uma pergunta delicada, mas olha só, conta pra gente, então, o que que faz um pitch ser um bom pitch? O que que te convence? O que que você olha pro empreendedor e fala, esse cara aqui, essa empreendedora, eles sabem, eles têm um negócio bem feito?

Bom, são vários fatores, né? É difícil apontar um único, mas assim, eu digo assim, eu valorizo muito a capacidade de execução desse empreendedor. Então, mostrar o que ele conseguiu fazer. Eu gosto sempre de dizer assim, eu gosto de investir naqueles empreendedores que fazem muito com pouco. Esses eu acho que são os que têm o maior potencial de multiplicar os resultados.

Então, aquele empreendedor que chega e traz, olha, já fiz isso, já fiz aquilo, às vezes com recursos de família, amigos, os próprios ali, bem pequenininho, esse é um cara que eu vejo que tem o potencial, talvez dá certo, não é garantia, mas, vamos dizer, é um dos maiores. Agora, não é só esse fator, outra coisa que é muito importante, a gente procura perceber na conversa, no diálogo com esse empreendedor,

é se ele tem o que a gente chama de escuta ativa. Olha só, o que é a escuta ativa? A escuta ativa é o seguinte, não é só ele escutar o que eu estou falando para ele, até porque eu deixo claro para os empreendedores, eu não sou dono da verdade, claro, tenho uma experiência, já vi muita coisa, como você falou, então a gente já sabe mais ou menos as coisas que têm maior potencial ou não.

Mas é poder escutar isso, o que a gente tem às vezes como feedbacks, diálogos com eles, mas também de dar a visão dele, essa troca, não é uma resistência. Às vezes você conversa com o empreendedor, você às vezes faz uma pergunta para ele, ele já toma isso como um questionamento do negócio dele, você sente uma resistência grande. Isso, eu falo, o problema não é comigo, eu falo, eu sou um investidor. O problema é ele fazer isso com o cliente dele.

porque até usando minha experiência como empreendedor antes você falou que eu conheço startups como investidor há 16 anos, como empreendedor conheço há mais de 30 e eu lembro muito bem uma coisa foi muito marcante as ideias que deram mais certo para mim como empreendedor não foram as minhas ideias

Foram que o cliente chegou para mim e pediu para mim. Ou pediu, mostrou que tinha aquela necessidade. Isso que é escutativo. Você poder estar ali com o radar ligado o tempo todo, captando o que teu cliente precisa e atendendo aquela necessidade. Aí eu acho que você tem uma boa chance de dar certo. Então já...

Pelo menos você conseguir conciliar os seus pontos com os pontos de quem tem mais experiência do que você. Não aceitar fielmente, mas também trazer a sua própria experiência. Super interessante isso. E, Cássio, quando a gente fala do investidor anjo...

Ele é o primeiro investimento ali externo, né? Vamos tirar o Friends and Family aqui. Mas ele é o primeiro investimento externo. Você capta ali o empreendedor e capta um investimento. Vamos pensar que a startup deu certo. Conseguiu. Aí ela vai captar um pré-seed ou um seed. Posteriormente uma série A e por aí vai.

Como que fica a relação do investidor anjo com esses outros investidores? Porque a gente sabe que esses outros investidores muitas vezes são gestoras, empresas muito maiores, às vezes gestoras até de fora do Brasil. Como que fica essa relação? Como conciliar essa relação para o bem da startup? Excelente questão. Acho que assim, o modelo de investimento tem que ser um modelo muito colaborativo, entre todos os elos da cadeia. Porque eu falo, um depende do outro.

Eu, como anjo, vou investir em uma startup, se ela crescer, der certo, eu sei que ela precisa de mais capital que muitas vezes eu não vou ter para aportar. Então, é fundamental que tenha um fundo, um CID, um Series A, um Series B, que possa continuar essa jornada. Não só pelo dinheiro, também pela experiência desses outros investidores que também trazem na bagagem muito conhecimento. Então, eu acho que o propósito sempre tem que ser muito colaborativo.

E, às vezes, até a gente entende, por exemplo, quando entra um investidor de um fundo,

muitas vezes eu tenho um assento no conselho, ceder esse assento no conselho para esse novo investidor, mas sem que isso me deixe de lado, de fora. O que eu quero dizer com isso é manter acesso à informação, às vezes deixar como um observador, até para poder continuar agregando para esse empreendedor se houver essa possibilidade de ajudar ele nessa jornada como um todo.

Por exemplo, a gente tem muitos investidores que são CEOs, às vezes, de grandes companhias. Então, eles têm a experiência da jornada inteira até chegar num estágio de maturidade. Certamente, ele vai poder contribuir muito. Então, novamente, acho que a gente tem que sempre trabalhar de uma forma muito colaborativa entre todos os servos da cadeia para que todo mundo consiga atingir o seu objetivo, que é dar certo esse negócio e gerar valor para todo mundo.

Em média, o investidor anjo, ele fica até que round, porque tem uma hora que ele acaba não tendo mais capital para investir, a participação dele dilui muito. Em média, ele fica até que round. Normalmente, assim, ficar, ele fica até o êxito da startup, tá? Óbvio. Ele pode ser que... Temos que fazer os follow-ons, que a gente fala, que é aportar mais capital nas suas seguintes, mas ele consegue até, umas vezes, um capital seed, dependendo da capacidade dele, até um Series A, né?

ele consegue aportar. Óbvio que quando a rodada começa a ficar muito grande, ele não vai ter capacidade. Mas essa diluição não chega a ser um problema. Por quê? Porque esse startup está valorizando. Então, aquela participação que ele tinha, por mais que percentualmente seja sendo reduzida, o valor dela aumenta muito, que é o que interessa no final do dia. Então, não é um problema. Claro, eventualmente, às vezes, numa série B, numa série C...

Às vezes um fundo que vai entrar, até quer um tempo mais de participação, faz uma boa oferta. E se o investidor achar interessante, ele pode até vender uma parte, ou vender tudo se ele achar interessante. Mas conceitualmente, eu falo, a gente fica até o momento da saída, juntos na jornada, com todo mundo, buscando o teu resultado positivo. O Cássio, em 16 anos ali como investidor.

Conta pra gente alguma história que você já ouviu de startup, alguma coisa que você de repente ficou em alerta, ou que você gostou muito. Queria ouvir uma história sua que eu tenho certeza que você está recheado de histórias boas para contar. Ah, não. Tem várias, assim, muitas startups, né? Assim, eu gosto de sempre citar uma história que é um case, infelizmente não é um case que a gente investiu, tá?

não teve oportunidade naquela época, né? Mas eu gosto, um dos maiores cases que eu acho no Brasil hoje atualmente é o Nubank, né? Sim. Por vários fatores, tá? Eu acho que um dos fatores que eu gosto sempre de usar ele como exemplo, é que muitas vezes o pessoal remete muito ao conceito da ideia, tem que ter uma ideia fantástica, né?

Se você parar para pensar, o Nubank não teve nenhuma ideia fantástica. Ele oferecia um cartão de crédito, oferecia de uma forma diferente. É isso aí que está o segredo da coisa. Ele percebeu que existe uma lacuna, uma necessidade do mercado que não estava sendo bem atendido pelos...

players naquela época e resolveu criar uma solução um pouco diferente do que já existia, mas que essa diferença fazia muita diferença para o cliente final. E com isso ele conseguiu tracionar e veja o ponto, o estágio que atingiu de maturidade e crescimento.

hoje esse case. Então, mostra, sim, que a gente tem um potencial enorme em desenvolvimento de oportunidades que podem escalar, inclusive, globalmente. Hoje, o Nubank está indo para os Estados Unidos, além de estar em vários outros países, e por aí vai. Então, acho que a gente vê muitas coisas desse tipo surgindo todo dia. Claro, como eu falei, ninguém tem bola de cristal, ninguém podia saber naquela época se poderia dar certo ou não esse negócio.

É por isso que você tem que ter um portfólio. Acho que essa é a regra essencial para todo investidor. É o que eu falo para todo mundo. Quer investir em startups? Maravilha. Nunca invista só em uma, duas ou três. O mínimo que você tem que pensar é investir em dez. Você investe de uma vez. Veste uma, duas agora, depois veste mais uma ou duas depois e vai fazendo isso. Você vai plantando as sementes, que certamente você vai colher uns bons frutos lá na frente.

E a história do Nubank é interessante, né? Porque não é a questão de reinventar a roda, quando a gente fala sobre o empreendedor. O Davi Vélez, fundador do Nubank, ele não reinventou a roda. Ele apenas encontrou uma outra maneira de fazer aquela roda girar, né? Ele precisava de um banco que fosse mais eficiente, com uma plataforma talvez mais amigável, encontrou problemas quando ele veio para o Brasil.

E aí ele criou algo diferente. Não reinventou a roda, mas criou uma outra roda, um outro tipo de roda. Então é interessante também como que os empreendedores podem conquistar os investidores não lançando algo totalmente novo. Ele lançou um banco, um cartão de crédito, um banco, mas isso convenceu os investidores porque não era novo, mas era algo diferente, não é, Cássio? Sem dúvida. E eu acho que a característica mais essencial, como eu falei anteriormente, é a capacidade de execução, essa capacidade escutativa.

capaz de se adaptar, no caso dele especificamente, nem brasileiro ele era. Era colombiano, veio para o Brasil aqui com um fundo, para trazer um fundo aqui no Brasil, viu essa oportunidade aqui no nosso mercado e aproveitou para desenvolver ela ao máximo. Então, são características essenciais. Quando um empreendedor tem essas características, eu digo, a ideia não que não importe, mas...

fica em segundo plano. A gente acredita muito nisso. O empreendedor certo vai fazer dar certo. Pode ser por um caminho, por outro caminho. Mas ele vai achar qual é o caminho que vai fazer ele atingir esse objetivo do sucesso. Ô Cássio, sobre perfil do investidor, Anjo, eu estou aqui com alguns dados e aí você me corrija se eu estiver errado, tá? Por favor.

81%, pouco mais de 81% dos investidores anjos são homens. Então, 19%, 18,5%, 19% mulheres. Tem crescido essa participação feminina nos investimentos? E é tão importante que isso aconteça, né? Com certeza, tem crescido sim. Menos do que a gente gostaria, a gente tem estimulado mais.

tanto que na Anjo do Brasil a gente tem um grupo chamado MIA, que é de Mulheres Investidoras Anjo, que é justamente para estimular a gente ter mais mulheres, porque isso não só pela diversidade, que claro, é importante, mas porque já tem estudos que mostram que a diversidade sim, ela gera valor, cabeças diferentes agregam mais valor para a startup, para o empreendedor, e com isso geram resultados mais positivos.

Eu digo que isso é essencial, o trabalho que a gente tem feito, buscado fazer, para estimular mais, temos mais mulheres investidoras anjo também. E saindo da questão do gênero e falando agora sobre idade, olha só, a faixa predominante dos investidores anjo fica entre 41 e 50 anos de idade. 32,4% dos investidores anjo estão nessa faixa de idade.

Você tem visto crescer na parte dos investidores mais novos, a galera de 30, 40 anos, ou os investidores um pouco mais velhos, que muitas vezes são mais receosos com startups, colocam dinheirinho ali na poupança, debaixo do colchão. Tem visto crescer em alguma dessas outras duas faixas? A gente vê crescer mais na faixa, diria, um pouco mais avançada, como você falou, entendeu? Acho que esse receio todo está se quebrando, está se dissolvendo, está se vendo a consolidação desse mercado.

Não que não tenha tido mais jovens. Sim, tem mais jovens, mas a gente sabe, às vezes a pessoa está ainda na carreira dela, está focada no desenvolvimento da jornada profissional própria. Às vezes ele não tem tempo para se dedicar. Não que precise de muito tempo, eu falo. Se você conseguir alocar três, quatro horas por mês, já é o suficiente para você começar a fazer uma atividade de investimento do anjo. Mas naturalmente, às vezes está muito focado na carreira, desenvolvimento, consolidar a sua posição. Agora, aqueles, vamos dizer, que já passaram de uma certa etapa,

já tem a sua carreira consolidada e querem abrir um pouco a sua visão, abrir um pouco as perspectivas, ter essa oportunidade de aprender também com esses empreendedores, acho que esse é o público que tem mais interesse e afinidade para estar atuando com startups. Vamos torcer para que cada vez mais investidores anjo apareçam, para que eles fortaleçam esse ecossistema de startups.

Cássio, eu queria muito te agradecer pela presença aqui no ABVCast. Espero que você volte mais vezes. Claro que você está sempre convidado para voltar. E espero também te ver no ABVCAP Experience, que acontece entre os dias 21 e 23 de setembro. Mais informações você vai encontrar nas redes sociais e no site da ABVCAP. Vai ter toda uma gama de informações ali sobre os eventos, os palestrantes, cursos.

tudo que você gosta sobre startups, tudo que você precisa saber sobre startups no site da ABVCAP. Cássio, muito obrigado pela sua presença. Quer deixar um recado final? Eu que agradeço novamente. Recomendo o ABVCAP Experience. Já participo há mais de 15 anos, praticamente desde o começo que eu comecei a tua atividade. Eu te vejo lá. Com certeza, a gente vai se encontrar.

Muito obrigado, Cássio. E muito obrigado para você que nos acompanhou no ABVCast dessa edição. Eu sou o Rodrigo Loureiro e a gente se vê na próxima aqui no ABVCast.

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