Ep.52 - Heloísa Bertoli - Minas Tem Vinho Sim: A Força do Vinho Mineiro | EnoExperiências
Minas Gerais também é terra de grandes vinhos.
Neste episódio especial do Podcast EnoExperiências, recebemos Heloísa Bertoli para uma conversa profunda sobre a história, os desafios e o futuro do vinho mineiro.
Falamos sobre a evolução da vitivinicultura em Minas Gerais, o fortalecimento institucional do setor, o crescimento do enoturismo, os vinhos de inverno, a valorização do terroir mineiro e o papel do vinho na economia regional.
Um episódio que celebra não apenas o vinho brasileiro, mas também a identidade, a tradição e o potencial do Sul de Minas e das regiões produtoras do estado.
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- Comércio de VinhosCarga tributária e vinho como alimento · Comparativo com vinhos importados · Custo de produção do vinho de inverno · Regime especial de tributação em Minas
- Vinho e Reconhecimento InternacionalVisibilidade internacional (ProWine, Portugal) · Queijo de Lagoa e premiação na França · Vinho mineiro comparado a vinhos europeus · Hospitalidade mineira e enoturismo
- Vinhos e EnologiaImigração italiana e início da vitivinicultura · Família Bertoli e tradição centenária · Vinho em Andradas e região · Vinho no Santuário do Caraça
- Eleições Estaduais MinasMissão e atuação do Sindivinho · Integração no Simples Nacional · Câmara Setorial da Uva e Vinho · Legislação e categoria Vinho Fino Nobre
- Turismo em Minas GeraisEnoturismo raiz e atendimento tradicional · Fortalecimento da cadeia produtiva · Experiências em vinícolas
- Mercado ilegal de vinho no BrasilRiscos à saúde do consumidor · Impacto na rentabilidade e mercado · Falsificação e contrabando
- Setor de ServicosDeficiência de mão de obra qualificada · Importância do serviço do vinho (temperatura, harmonização) · Colaboração entre associações locais · Vinho como atrativo para ticket médio maior
Olá, confreiros e confrades, enoapaixonados, tudo bem? Eu sou o Fábio Gregório e esse é o Eno Experiências. O episódio de hoje é muito especial, porque ele marca um ciclo especial exatamente porque ele fala de história. Ele é especial porque ele fala de legado. E ele é especial porque ele também celebra o primeiro ano dessa nossa jornada que a gente construiu com muito amor, muita persistência e muita crença no potencial da nossa Terra.
Ao longo desse primeiro ano do Eno Experiências, nós entrevistamos produtores, chefes, jornalistas, empresários, pesquisadores, líderes e grandes apaixonados pelo mundo vinho, pela gastronomia, pelo turismo e também pelo desenvolvimento regional das cidades. E hoje eu recebo aqui uma convidada que representa tudo isso com muita legitimidade.
Ela é presidente do Cinde Vinho Minas Gerais, liderança atuante na defesa institucional do setor, profundamente ligada à história da vitivinicultura mineira e descendente de uma família que a ajudou a construir essa tradição centenária lá em Andradas. E mais do que isso, é uma mulher que tem colocado Minas Gerais em espaços cada vez mais relevantes de articulação, mercado, promoção e reconhecimento do vinho brasileiro.
Heloisa Bertoli, seja muito bem-vinda ao Enos Experiências, minha amiga. Um grande prazer te receber aqui. Fábio, sem palavras para dizer do como estou feliz em participar do Enos Experiências. Que bacana. Gente, um dos podcasts mais antenados da atualidade, do setor do vinho. Muito obrigada pelo convite. Eu que agradeço. Seja muito bem-vinda. Um brinde. Um brinde também à sua jornada. Obrigada. É uma experiência...
Maravilhosa! E eu tenho certeza que as pessoas estão acompanhando também o trabalho seu, que você representa muito bem. Hoje, a nossa conversa tem um sabor muito especial, porque quando a gente fala de vinho, e falando de vinho em Minas Gerais, a gente não está falando apenas de uma bebida.
A gente está falando de memória, está falando de território, de história, de pesquisas também e tradição, porque tem muita gente que resistiu a todas as transformações e de gente que também continua trabalhando para que o vinho mineiro seja cada vez mais respeitado em todo o Brasil e principalmente no mundo, porque o que está ganhando de premiações aí é incrível. Então, eu quero...
Começar por essa origem, por essa história, por esse chão, por essa base também. E por tudo aquilo que vem antes de mercado, de política e antes de instituição. Vamos falar da história. Antes de falar também de sim de vinhos e desse momento atual que a gente está vivendo aqui no setor, eu quero te ouvir. Eu quero saber sobre a sua ligação pessoal e familiar com o vinho. Onde essa história começa para você?
Olha, essa pergunta mexe com o coração da gente. Essa história começa muito antes de mim. Essa história começa com a vinda dos imigrantes italianos para a região aqui da divisa de São Paulo e Minas. E aí os meus antepassados chegaram em 1889.
E, de repente, em 1905, já estavam produzindo uva e vinho. E, de lá para cá, isso permanece. E, quando eu falo dessa vinda dos imigrantes, claro, eles não vieram sozinhos, não veio só a minha família? Sim. Inúmeras famílias vieram para trabalhar no café no estado de São Paulo.
Lá ganharam seu dinheirinho e, pela proximidade, acabaram adquirindo terras na cidade de Andradas. Que ainda nem Andradas chamava, né? E ali começaram a fazer o seu vinho por saudade da terra. Imagino.
por amor ao próprio vinho, ao produto, e começaram ali a plantar, a produzir o vinho para o consumo próprio, para o consumo da família, para dividir com a vizinhança.
E o que era amor, com o tempo, acabou virando negócio. Então, essa é a história da maioria das vinícolas centenárias que temos em Minas Gerais, porque elas existem. Sim. E, claro, a família Bertoli carrega um peso histórico muito importante dentro da vitivinicultura de Andradas.
Como é que você vê, então, essa herança sendo trazida desde a chegada dos nossos ancestrais, vindo para cá junto à família Bertoli? Olha, isso eu tenho para mim, que além de carregar essa história com muito orgulho, eu tenho uma missão.
E essa missão é defender o vinho mineiro. Porque essa história... Eu falo que as vinícolas de Andrada são centenárias, mas a gente tem, na região do Santuário do Caraça, 200 anos atrás, os monges já faziam vinho.
Então, nós somos mais que centenários. E isso precisa ser dito, precisa ser lembrado, precisa ser comemorado e, principalmente, precisa ser respeitado, porque isso é cultura, é o que você falou, é tradição, é desenvolvimento. Foi o que baseou...
centenas de famílias na produção do vinho em Minas Gerais. E vinho é evolução. O vinho é vivo.
Lá desde o plantio até dentro da garrafa e fora dela, com pesquisas. Então, quando a gente junta toda essa história passada, que eu falo sempre dessa questão centenária, mas com atualidade, gente, por quê? Porque vinha a evolução.
E se não fosse por esse passado, não teríamos hoje esse novo modelo de vinho em Minas Gerais e boa parte do Sudeste. E está ganhando dimensão em áreas que jamais até era imaginável poder ter plantios de vinhos. É importante, eu quero trazer isso logo aqui no início do podcast, do nosso programa, porque a gente precisa realmente entender que em vários momentos...
A história do vinho mineiro foi tratada como se estivesse começando agora, em vários eventos, em várias situações de estar presente junto a pessoas de opinião, pessoas que têm grande expressão no vinho, na gastronomia e tal, falando assim, estão começando a produzir vinho agora lá.
Na sua visão, por que é tão importante as pessoas entenderem essa história, mas principalmente para a gente que é morador aqui da região, lembrar essas pessoas que Minas tem essa tradição centenária no mundo vinho. Quantas famílias são impactadas com isso? Quantos comércios são impactados com isso? Vamos contar um pouquinho dessa história.
Pois é, você imagina ao longo de toda essa história quantas famílias viveram desse desenvolvimento, seja no plantio da uva, na própria vinificação, na fabricação de caixa, no transporte, na hotelaria. Então, quando a gente fala...
Hoje tem um termo que é enoturismo. Eu sempre digo que turismo do vinho sempre existiu em Minas, mas era um turismo, era outra pegada. E a forma de atender o turista também era diferente. Era um atendimento raiz. Era ali o produtor do vinho, no balcão, diretamente atendendo o cliente que chegava ou de carro, ou de ônibus, o que fosse. Mas nesses...
Mas isso sempre existiu, esse atendimento. Sim. E... Até perdi aqui o raciocínio. A gente quer contar tanta coisa. Detalhes, não é? Não, e a gente até falou no bastidor, por exemplo, o meu pai que fazia vinho em Caldas, com certeza ele passou por essas experiências também de receber as pessoas, de atender as pessoas. Exato. E ali o atendimento como é que era? Você levava...
Eu me lembro do meu avô, muito bem. Chegava o cliente, ele levava para conhecer a vinícola toda, explicava, olha, aqui recebe a uva, aqui faz assim, aqui faz assado, aqui atrás fega. Contava tudo, dava uma aula sobre, só que não ganhava para isso. Porque o produtor antigo, o que ele queria, ele recebia esse turista. Mas a questão dele era vender o vinho.
Ele não tinha o olhar que hoje se tem, que você pode também ter um valor diferenciado por conta de toda essa história que você tem para contar. Nossa. Isso é lindo? Sim. Né? Sim. Mas o que eu quero mostrar com isso é que turismo do vinho sempre existiu. E sempre fortaleceu toda a cadeia.
Porque a pessoa que vem visitar a vinícola, ela está hospedada em algum lugar, ela frequenta o supermercado, ela frequenta a farmácia, o posto de gasolina, enfim. A cadeia não é só entre a uva...
E o vinho. Sim. É muito maior do que isso, né? Sim. E é legal você falar sobre isso porque você também está evidenciando, por exemplo, essa convivência atual nossa entre a tradição em cidades como Andradas, a cidade de Caldas e Espírito Santo do Pinhal, que está no estado de São Paulo, mas está na cidade vizinha, irmã aqui também. E essa nova fase dos vinhos finos que estão...
ganhando realmente uma proporção, vamos falar assim, territorial intensa. Você acredita que exista algum risco de o mercado olhar apenas para essa novidade e, de repente, esquecer quem são as pessoas que ajudaram a manter a cultura do vinho ao longo dessas gerações?
Esse risco sempre existe. E eu não sei por que, em geral, nas cidades que são menores... Você já reparou, por exemplo, abrir um restaurante novo...
nesse bairro aqui. Os outros ficam por... Os bairros ficam por uma boa temporada com um número menor de clientes. Aí abre mais um, aí o povo migra para aquele. Então, toda novidade atrai muitos olhares. Mas aí vem a importância de programas como esse teu, que é onde você pode mostrar a cultura, a tradição e a história.
na íntegra, que isso que é importante. Porque as revoluções no mundo do vinho, em todos os setores, são importantes? São, mas elas não são... Elas... não é...
Ela tem um porquê. E ela nasceu em algum ponto. Toda revolução é consequência de uma história. E isso é o que acontece com o vinho. Então, o vinho mineiro, aliás, o vinho brasileiro, está num novo momento, mas não pode deixar de valorizar...
o seu passado, a sua história. Porque sem toda essa história não se chegava nessa revolução. Exatamente. E esta, com certeza, também não será a última revolução. Teremos outras. Teremos outras, porque as pesquisas continuam. Ixi!
Sabe, Deus, quanta coisa ainda tem para acontecer de novidade no mundo do vinho? Muita. E assim, a gente sabe de registro 5 mil, 6 mil anos antes de Cristo, dos egípcios, dos gregos. E a gente já vai passar aqui 100 anos, eu espero chegar nos 100 anos, e vai ter milhares de anos. Tomando vinho. Tomando vinho vai, né?
E eu espero realmente que eu consiga viver boas transformações, mas principalmente saber que essas pessoas que nos antecederam recebam realmente o mérito, porque a gente tem aquele sentimento...
de que quando a gente vê essa história familiar, e principalmente a história regional, porque uma região são feitas de várias famílias, então, igual você falou assim, chegaram várias famílias fugindo da guerra, fugindo de outros países e tal, e aí essas famílias estão sendo reconhecidas hoje com mais força, inclusive dentro de um momento diferente.
que naquela época talvez não tinha essa mesma intensidade, mas que agora está conseguindo ser mostrado. Então, é importante realmente a gente fazer parte desse movimento para deixar isso como base para as próximas evoluções. Para a gente fechar agora esse primeiro bloco, se você tivesse que resumir em uma frase apenas o que o vinho representa para a identidade nossa aqui de Minas Gerais, o que você falaria?
Gente, vinho é corpo e vinho é alma. Daqui da nossa região, sem dúvida, sem a menor dúvida.
Mais uma vez, saúde, minha amiga. Está vendo, minhas confreiras, meus confrades? Nenhum setor cresce de verdade quando perde a memória do próprio caminho. Porque a inovação sem raiz pode até chamar atenção por um tempo, mas é a história que sustenta o respeito no longo prazo. E agora eu quero te convidar a pensar nisso. Quantas vezes a gente valoriza mais a novidade do que a origem?
Pensa aí com estratégia, tá bom? A gente vai para um rápido intervalo, daqui a pouquinho a gente volta. Fica aí.
No coração do Dão, em Oliveira do Conde, a Quinta do Ribeiro Santo é uma referência do Dão moderno. Respeito pelo terroir e com uma leitura contemporânea da região. Seus vinhos se destacam pela precisão, frescor e equilíbrio, refletindo os solos graníticos e a altitude das vinhas. A casta encruzado tem papel central, reconhecida pela crítica por unir tensão, profundidade e elegância.
E no Eno Turismo, cada visita vira experiência. História, tradição e momentos inesquecíveis. Quinta do Ribeiro Santo, Dão. Autenticidade e futuro em cada taça.
E quando a história é sólida, ela cria responsabilidade. E é aí que tradição deixa de ser apenas lembrança e passa a virar missão de liderança. Heloísa, agora eu quero entrar um pouquinho no presente, porque preservar a história realmente é muito importante. Mas representar um setor em crescimento, ela exige esse conhecimento do passado, essa base. Ela exige também...
Articulação, ter relacionamento, lideranças, autocontrole, saber lidar com as opiniões contrárias, firmeza e, principalmente, visão. E é aí que eu quero trazer um pouquinho do Sindivinho aqui em Minas, porque o Sindivinho tem ocupado um espaço cada vez mais relevante nessa construção. Hoje, como você pode definir, para quem ainda não conhece,
A principal missão do Sindivinho Minas Gerais dentro da vitivinicultura mineira, brasileira e para o mundo. O Sindivinho é o Sindicato da Indústria do Vinho de Minas. Uma entidade que está aqui caminhando para 40 anos de atuação na defesa do setor.
E nesses 40 anos, sempre envolvidos no arcabouço de Federação das Indústrias, por trás, a Federação das Indústrias de Minas, que é a FIENG, e, por sua vez, a FIENG ligada à Confederação Nacional da Indústria.
Então, quando a gente fala de sim de vinho, é importante pensar que não é uma entidade isolada em si, mas a gente tem uma grande representatividade e apoio, vou chamar de bastidores, mas não é nem a palavra mais adequada, da FIENG e da CNI. O que faz com que a gente atue e discuta pautas não só ligadas à vitivinicultura, à indústria do vinho em si, mas da indústria em geral.
porque você faz parte do Conselho da Federação das Indústrias, onde você discute todas essas outras pautas dos outros setores. E isso ajuda a fortalecer, e vou falar mais, não só a indústria do vinho, mas a indústria mineira. Então, aquilo de que um sindicato apoia o outro. Mas, nesses 40 anos...
O que a gente pode... Você me perguntou qual é a missão. A principal missão. A missão é um misto entre defesa, gerar desenvolvimento, gerar reconhecimento. E, para isso, a gente sempre esteve envolvido em muitas ações. Eu vou trazer dois exemplos que são questões mais recentes. Por exemplo...
o vinho, inicialmente, não era integrado no Simples Nacional, mas passou a ser. Sim, olha que importante. Por uma grande atuação do sindicato do vinho de Minas e outras instituições, claro, outros sindicatos parceiros no Brasil.
Nós participamos também da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Uva e Vinho do Ministério da Agricultura. O nome é grande e a responsabilidade também. Imagino. Essa Câmara Setorial, ela congrega entidades representativas do setor vitivinícola de todos os estados produtores no Brasil.
E de lá saem pautas muito importantes e discussões importantíssimas, por exemplo, nas adequações de legislação. Então, uma questão que foi importantíssima, vou trazer também mais um exemplo aqui, uma questão importantíssima para o nosso setor, principalmente porque começou aqui em Minas.
Com o advento da colheita de inverno desenvolvida pela IPAMIG, então, assim, tecnologia mineira, hein? Sim. A região começou a ter vinhos finos com mais de 14 graus. Só que aí, o que a legislação brasileira dizia? Esse vinho é licoroso. 14,1 é vinho licoroso. Tudo que for acima de 14% é licoroso.
Só que não era o caso, porque aquilo ali era um vinho fino, não era um vinho licoroso. Bom, resultado, uma grande atuação do Sindicato do Vinho para adequação nessa legislação. E aí hoje, como que isso foi resolvido? Com a criação da categoria, com a inclusão da categoria Vinho Fino Nobre. Aliás, dá aqui muito me orgulho de ter sido...
Eu a sugeri pelo Cinde Vinho, junto ao Ministério da Agricultura, o termo nobre para essa categoria. Não foi o único nome sugerido para eles, mas muito me orgulho de que foi o escolhido. Então, eu costumo dizer que me sinto a madrinha do vinho nobre. Ah, que bacana, que legal.
Você vê que isso é uma mudança da legislação nacional, mas que começou por uma necessidade de Minas Gerais. Sim, está vendo? E isso mostra o quanto que os mineiros, além de serem bastante hospitaleiros, é guerreiro, gosta de representar e gosta de ir longe. Porque representar o setor do vinho em Minas, eu não tenho dúvidas que isso significa também defender...
Vamos falar das vinícolas, mas é uma cadeia, como você falou agora, uma cadeia muito maior. E, recentemente, você esteve envolvida nessas pautas da Câmara, que você falou da Câmara Setorial, ao PL do vinho, e também essa discussão dos padrões. Todo o propósito é por causa da competitividade do setor, porque isso está realmente num momento muito institucional. Uma pauta muito sensível que a gente tem aqui em Minas é a questão da tributação. Isso...
Eu diria até assim, aqueles contatinhos do WhatsApp.
eles crescem muito, enquanto a gente não ter realmente um desafio ali, vamos falar assim, de verdade, para que as pessoas entendam que a tributação está exagerada e coloca o vinho em uma posição muito elitizada. Isso assusta, principalmente os novos consumidores. Então, quando se fala em reconhecer o vinho como alimento...
e ainda dar mais isonomia tributária ao setor, que de fato está em jogo para Minas Gerais, a gente tem que entrar na política. Qual o caminho? Olha, ainda, somando essa pergunta, ainda com a questão da Câmara Setorial, nós temos trabalhado muito lá para que, na nova alteração de legislação do vinho, a gente conquiste que vinho é um produto agroalimentar.
Isso faria muita diferença na questão dos tributos, porque o que acontece? Tem muito país europeu que lá o vinho é tratado como alimento. Exatamente. Que lá eles têm subsídio.
para seus plantios. Aqui a gente não tem. Então, aqui, metade da garrafa, mais ou menos metade, 50%, 50% da nossa garrafa é tributo. Como que você pode ter competitividade sendo um vinho legal, uma empresa legal?
com produtos que chegam aqui por valores muito... Estou também falando dos produtos que entram de forma legal, porque depois nós vamos falar dos ilegais também. Então, diminui muito a tua competitividade, porque o brasileiro tem uma tendência a achar que o que vem de fora é sempre melhor.
Aí você chega na gôndola do supermercado e você vê vinhos importados com um valor muito mais acessível, às vezes, do que o próprio vinho mineiro. E aí? Ele fala assim, não, eu vou levar esse, esse aqui é importado. Então, é um momento muito importante que a gente tem que mostrar. Por que o vinho mineiro, muitas vezes, é mais caro?
Porque quando a gente fala num produto vindo da colheita de inverno, ou vocês vão ouvir também o termo dupla poda, você trabalhou essa parreira em dobro, você usou produtos em dobro, você tem uma série de fatores dentro do processo que trazem um custo maior para esse vinho.
Então, ele não é um vinho, por exemplo, o vinho de colheita de inverno, ele não é um vinho mais caro, só porque eu sou mais bonito. Não, é porque eu custei mais para ser elaborado. O custo para ser madeira é maior. É. E isso precisa ser divulgado, porque as pessoas, no geral, o consumidor acha que esse vinho é mais caro só porque ele se acha mais bonito. Vai!
E não, ele realmente custou mais. E aí vem a questão de que o nosso imposto é caro, de que a gente não tem subsídio, não tem apoio. E aí a gente perde na balança, né? Você perde completamente a competitividade. Isso falando do vinho legal.
Quando a gente pega ainda o problema do vinho ilegal... É aí que eu quero entrar. O Zema é do Partido Novo, pré-candidato à presidência da República. Eu queria muito entrevistá-lo, mas não consegui e pretendo, de repente, como presidente.
Mas foi votado às vésperas da posse dele, pela Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, colocou o vinho na substituição tributária. E aí, quando você pega a margem, o IVA, que era calculado aqui, era um dos mais altos do Estado do Brasil.
O estado de São Paulo conseguiu trazer o vinho para uma cotação de postos bem menor que o estado de Minas, e que favorece muito, muitas vezes, porque a gente está na fronteira com o estado de São Paulo, o comerciante vai ali em Águas da Prata, em São João da Boa Vista, põe o CNPJ ali e faz as compras e tudo por ali.
Agora, outra pauta, que a gente já deu umas brifadas aqui, é uma pauta muito forte e ela tem sido amplamente divulgada, e eu vejo meus amigos da imprensa do Mundo do Vinho, de uma forma em geral, é o combate ao vinho ilegal que você acabou de citar. Porque realmente isso impacta muito, muito, não apenas na questão da rentabilidade dos comerciantes, mas até mesmo na saúde de quem está bebendo. Principalmente. Fala para a gente como é que você enxerga o impacto disso e você enxerga o impacto disso.
para o produtor sédio, aquele cara que gosta de produzir as coisas com qualidade, mas também para o mercado e, principalmente, para o consumidor. Antes de chegar nessa pauta, fazer mais um comentário ainda em relação ao tributo, o Sindivinho conseguiu, já desde 2019, um regime especial de tributação para os vinhos produzidos em Minas Gerais. É verdade.
E isso é muito importante porque, enquanto a questão do ICMS não consegue ser resolvida de uma forma mais ampla, isso já vai trazendo algum apoio ao produtor. Então, é uma conquista bem importante do nosso sindicato também.
Que isso é vado para todo o estado de Minas Gerais, não apenas para a região do sul de Minas. Para todo o estado de Minas Gerais, desde que ele tenha, que nae, fabricação de vinho. Tá. Porque hoje muita gente fala que é vinho, e quando você vai ver...
Ainda está faltando alguns detalhes na... Na documentação dele. É, na formatação dessa documentação. Entendi. Então, interessados, depois procurem pelo Sindivinho. Dá para ter uns ajustes aí. Bom...
Mas aí você me perguntou do ilegal, né? Exatamente. O impacto disso, porque a gente tem que imaginar isso, porque isso impacta o produtor, isso impacta o comerciante, o mercado de uma forma geral, mas principalmente o consumidor. Porque muitas vezes ele compra o vinho achando do contatinho que está levando vantagem, né? E fica feliz. Ai, paguei R$ 70, R$ 80, R$ 100 no vinho X, que custa R$ 300, R$ 400, R$ 500. Exato. Qual é a mágica disso?
O nome da mágica é falsificação. Não tem como. E aí a gente costuma dizer que o maior problema do vinho de contrabando e descaminho não é a falta do imposto. Claro, vai deixar esse imposto não...
não recolhido para o Brasil, vai deixar de gerar investimentos aqui. Ok. Mas o pior ainda é o risco que você está colocando à sua saúde. Exato. Porque o vinho falsificado, você acha que ele foi produzido com as mesmas boas práticas de fabricação do produtor legal? Não, você não sabe nem... Tem vinho ali dentro daquela garrafa?
Tem, mas não é o vinho que o rótulo está dizendo, porque não vai ter mágica nisso, não tem. Então, não sabendo de que forma esse vinho foi produzido, qual a origem dele, o que tem lá dentro de fato, você colocaria sua saúde em risco? Jamais. Nem eu. Então, o consumidor precisa entender que o vinho do contatinho...
pode estar lá escrito no rótulo, aí veio, é X. Você não tem a menor garantia disso. Eu não colocaria a minha vida, nem dos meus convidados, em risco. Isso é um alerta sério. Como dizem alguns amigos meus paraguaios, la garantia se rediou.
Vai lá! Eloísa, e o Sindivinho também tem... A gente estava falando também dos bastidores aqui, mas você já citou algumas aqui, articulações de uma forma ampla. Estou falando de Sebrae, Codeng, a FIENG, Federação de Indústria dos Estados Unidos Gerais, a EMATER, a IPAMIG, faz um trabalho incrível. A IF Sul de Minas também está fazendo vários trabalhos. E várias. Vou ficar citando aqui os nomes. Sim, mas um importantíssimo, o Concevitz do Rio Grande do Sul.
que encabeça com a gente e outras entidades, a campanha vinha legal. Não posso esquecer de falar da campanha. Exatamente. Teve essa campanha que foi amplamente divulgada. Então, isso mostra o quanto essa união é decisiva para a gente conseguir acelerar o crescimento do setor, mas de uma forma muito responsável. Agora, para a gente fechar esse bloco, qual você acha que seja...
para toda essa união de todas essas associações, vamos trazer isso para o vinho de Minas. A maior batalha do vinho mineiro é o reconhecimento, é a tributação, é o mercado, é a educação do consumidor, é a competitividade com outros estados. Onde está o maior desafio?
Olha, o maior desafio é conseguir trabalhar tudo isso aí ao mesmo tempo. Porque tudo isso aí é uma fatia... Cada um desses itens que você colocou é uma fatia muito importante desse quebra-cabeça. E é impressionante como um, como diz aqui nos Minas Gerais, como um garra no outro.
Tem um amigo de São Paulo que agora está morando em Minas, ele falou, não, já aprendi, que mineiro agarra tudo, agarra tudo. E é isso. Porque a questão tributária, com a menor competitividade, aumenta, que diminui a tua visibilidade, o teu reconhecimento. Então, o que a gente precisa trabalhar muito hoje é a comunicação. Entenda-se comunicação por...
mostrar o vinho de Minas, Brasil afora, mundo afora, mostrar a nossa qualidade, mostrar a nossa história, a nossa tradição, a nossa cultura. Porque vinho, gente, é cultura. Vinho é desenvolvimento. Quando a gente fala que o vinho é vivo, é vinho, porque é vivo, não é... Eu já falei aqui, é desde lá do plantio...
Até a garrafa, até a taça e até as histórias que virão depois. Exatamente. Continua sendo vivo.
E assim a gente vai continuar sempre vivo nessa história. Está vendo, minhas confreiras e meus confrados? Setor forte não é aquele que apenas produz bem. Setor forte é o que sabe organizar, ele sabe se posicionar e defender aquilo que ele constrói. Agora, pensa nisso com calma aqui comigo. Será que o consumidor percebe tudo o que existe por trás de uma garrafa produzida com seriedade?
Treine-se na sua mente, tá bom? Vamos para mais um rápido intervalo. Daqui a pouquinho a gente volta. Mais um break. Fica essa pergunta.
No Douro, em Tabuaço, a Quinta das Herédeas é um lugar onde a história se mede em séculos. Com raízes ligadas ao Mosteiro de São Pedro das Águias, um marco do legado cisterciense que vigia estas encostas, a propriedade preserva o que tem mais de raro. Vinhas velhas com mais de 130 anos, verdadeiros monumentos vivos.
Destas vinhas nascem vinhos de concentração e complexidade singulares. E a experiência vai além da taça. A antiga casa da família se prepara para dar origem a um destino charme, onde o silêncio do vale, a paisagem do Douro e a hospitalidade se encontram. Quinta das Herédias. Provar o passado e o futuro do Douro numa única experiência.
E voltamos. Quando o setor, então, se organiza bem, ele não cresce só para dentro. Ele começa a projetar a imagem, ele abre mercados e, principalmente, ele atrai a atenção de fora. E, Heloísa, quando a gente entra nesse ponto decisivo, que é a visibilidade que você estava falando, sobre comunicação, porque produzir bem é essencial, o que a gente estava falando agora há pouco. Mas fazer o mercado enxergar isso...
Isso é uma arte, porque às vezes, por exemplo, esse queijo que a gente está comendo aqui, esse queijo é aqui do sul de Minas, uma cidade de Lagoa, uma cidadezinha de 4 mil habitantes. E famosa pelo queijo. E aí o que aconteceu? Esse queijo já era produzido há muito tempo, mas foi preciso uma pessoa ver, porque o produtor estava lá, tadinho, estava na fazenda dele. Sofrido, na lida. E aí o cara pegou esse queijo e levou lá para um campeonato na França, para disputar com queijos suíços, com queijos holandeses.
E ganhou entre um dos melhores queijos do mundo. Como é que um queijo, uma cidadezinha de 4 mil habitantes, ganha um prêmio, um dos melhores queijos do mundo? É, isso é talento, porque é uma arte que está ali. E a gente sabe o quanto que Minas tem história, eu vejo Minas que vem avançando muito nessa direção. Como é que você enxerga o posicionamento do trabalho do vinho mineiro, não apenas desse momento do vinho de dupla poda, também da colheita dos vinhos de inverno, mas de toda essa tradição que já carrega,
mas no imaginário do consumidor brasileiro. Como é que o brasileiro olha e fala assim, esse é um vinho mineiro, como é que ele interpreta isso?
Olha, é uma pergunta muito complexa. Sim. E acho que para mostrar, o que vai nos ajudar a mostrar cada vez mais a nossa identidade, nosso reconhecimento, nossa história e tudo mais, são as indicações geográficas. Minas já tem uma, que é a IG dos Vinhos do Sul de Minas.
E nós estamos trabalhando por mais uma, que é a indicação geográfica dos vinhos de Andradas e Caldas. E nessa, em especial, se dá justamente a partir da sua história centenária. Perfeito. Então, a IG...
que o pessoal acha que é um selinho na garrafa. Não, gente. A IG mostra quem é você, de onde veio, para onde você vai, o que você vem construindo ao longo de todo esse tempo. A IG de Andradas e Caldas, ela é baseada numa história mais antiga.
Outras IGs vão ter outro contexto. Por exemplo, a IG dos vinhos do sul de Minas são cidades mais novas, mas que têm ali a sua importância e a sua transformação naquele local também. Então, resume numa frase para mim, como é que o brasileiro enxerga o vinho mineiro? Tenta trazer isso numa frase.
O brasileiro enxerga o vinho mineiro ainda com muitas interrogações, porque ele precisa ainda conhecer esse vinho. A gente precisa levar ele para provar os vinhos. Precisa provar. Precisa conhecer, estudar no sentido de querer ouvir que vinho é esse, de onde ele vem, por que ele chegou nisso. Então, precisa dessa...
Ele precisa conhecer a energia do vinho mineiro, que não é pouca. E foi muito legal porque a gente se encontrou lá na ProAin, a gente fez um trabalho juntos lá, você organizou a exposição no stand na ProAin, e eu e o Rodrigo fomos convidados para estar lá fazendo uma cobertura, e isso foi um material muito bacana porque...
Os vinhos mineiros estavam lá de igual para igual para todas as vinícolas do mundo. Tinha vinícolas da França, da Espanha. E é uma oportunidade realmente de se marcar a presença para fazer as pessoas cada vez conhecerem mais. A presença do Sindivinho Minas na ProAine, com todas aquelas vinícolas...
Ela teve esse passo importante porque ela mostrou o que essa ação vai representar, não apenas nessa questão de expor um produto, mas desse movimento que está acontecendo aliando a toda essa história. E você também esteve recentemente, eu acompanhei uns vídeos seus, lá em Portugal, levando Minas para os eventos em várias regiões, ligando o vinho com o enoturismo, com a gastronomia mineira, porque tinha um pessoal também lá.
E o que essa missão internacional, aliado com esse trabalho da ProWine, mostrou para você dentro dessa missão de fazer as pessoas conhecerem o vinho mineiro? Mostra que o vinho mineiro tem tanta qualidade.
e robustez quanto qualquer vinho famosão dos outros países. E é isso que o brasileiro precisa descobrir.
A gente volta naquela questão do preconceito. O brasileiro precisa quebrar o preconceito dele com o vinho nacional e, claro, aqui com o vinho mineiro. Então, participar desses eventos, uma feira do porte da Pro Wine, nos coloca de igual com os maiores produtores do planeta.
Participar dos eventos em Portugal. Teve uma feira que era de... Uma feira de enoturismo. Era só para vender enoturismo. Não era uma feira de turismo para vender qualquer... Não, era uma feira de enoturismo.
Olha, e nós... Mandaram bem. Mandamos muito bem. Olha, paidade à parte, a gente mandou bem. Porque a gente já tem... Você sabe que, no momento, nós temos 130 projetos vitivinícolas em Minas Gerais.
Quando eu digo projetos, porque alguns ainda estão em implantação, outros já estão atuantes, mas a grande maioria deles tem no seu arcabouço a questão da recepção ao turista.
Se for loja, se é com experiência no restaurante, enfim. Mas todas elas têm uma questão voltada a esse... Vou chamar de acolhimento, porque o mineiro é acolhedor. Muito, muito, muito. Esse acolhimento do amante do vinho. Sim. Isso vai ajudar... Isso ajuda cada vez mais a dar a visibilidade, o reconhecimento que a gente quer mostrar. Sim. Porque a qualidade, a gente sempre diz, isso nós já temos. Sim.
E também te mostra que você tem tanta qualidade e hospitalidade, às vezes, talvez até mais, do que alguns outros locais. Porque o mineiro tem um jeitinho todo próprio de receber. Verdade.
Concordo, assino embaixo. Seja de uma recepção no modelo mais rústico ou numa mais glamourizada. Mas sempre vai ter um toquezinho mineiro ali para receber esse pessoal. Olha, eu não tenho dúvida que o Eno Turismo tem sido cada vez mais estratégico. As vinícolas estão investindo bastante na recepção.
E o vinho mineiro não está mais vendendo apenas a garrafa, porque as experiências que as pessoas estão tendo ao visitar as vinícolas estão incríveis, marcando realmente território. Mesmo uma região nova que está vindo agora com os vinhos de inverno está oferecendo muita hospitalidade, porque o mineiro é ótimo para receber. As experiências estão sendo muito marcantes. E cidades como Andradas, Caldas...
São Gonçalo do Sapucaí, Três Corações, Boa Esperança, Jacutinga e outras. Eu vou esquecer de algumas cidades aqui, gente, me perdoa, porque eu sei que a minha mãe nasceu aqui perto de Poço Fundo, Cordislândia, cidadezinha desse tamaninho assim. São tantas cidades que estão realmente ganhando essa identidade própria e construindo uma forma mais organizada de vender essa imagem para as pessoas.
E essa questão da indicação da IG, isso vai trazer realmente cada vez mais o fortalecimento, esses selos territoriais, na reputação, no valor. Porque, às vezes, principalmente como a pessoa já toma vinho há muitos anos, vinho francês, vinho italiano e tal, tem aquele olhar meio desconfiado. E aí, será que vai mesmo? Então, para a gente fechar esse bloco.
Vamos falar para aquele consumidor sobre visitar Minas Gerais, para vir aqui para Minas visitar a gente? Conhecer o vinho, conhecer o local de percepção tão forte quanto ele já sabe que nós temos do queijo, do café.
dos azeites, dos doces e da comida mineira, que está ganhando prêmio, está sendo reconhecido como uma das melhores gastronomias do mundo. Vamos fazer esse convite para eles virem passear aqui na nossa região. Vem para Minas Gerais. Você não vai se arrepender.
Você vai tomar os melhores vinhos, vai saborear os melhores queijos, azeites maravilhosos, cafés fantásticos. Nem vou contar do pão de queijo, do feijão tropeiro, do virado de frango. Recentemente eu descobri que virado de frango não é uma coisa de Minas inteira.
mas que é aqui da nossa região. Vocês precisam vir para cá. Venham. Está vendo, meus confrudes, produto bom, ele abre portas, mas é a experiência bem construída que faz o território permanecer na memória das pessoas. E agora eu quero te provocar com mais uma reflexão.
Minas já entendeu o tamanho do ativo que tem nas mãos quando une o vinho, gastronomia e esses produtos com irmãos, e principalmente hospitalidade e identidade. Mas e você aí? Já veio visitar a gente? Faz essa reflexão. Vamos aí para mais um rápido intervalo, daqui a pouquinho a gente volta, tá bom?
Na Santa Pizza, tudo começa com massa fresca, forno quente e capricho em cada detalhe. O sabor chega quentinho na sua casa e cada pedaço fala por si. Peça agora pelo WhatsApp ou pelo app e descubra porque todo mundo ama a Santa Pizza.
E quando um território aprende a comunicar bem aquilo que ele produz, ele começa a gerar mais do que admiração. Ele passa a gerar futuro emprego, renda. Ele move a economia, não apenas da cidade, mas de toda a região. Eluísa, esse bloco é sobre, então, o futuro. Porque tudo que a gente falou até aqui, ele aponta para uma pergunta muito importante. Para onde Minas Gerais pode ir daqui para frente?
Então, quando você olha para os próximos cinco anos, vamos enxergar, nós estamos em 2026, estamos aqui hoje, primeiro semestre de 2026. Qual é a principal transformação que você gostaria de ver acontecer no setor de vinhos em Minas Gerais? Olha, você falou aí para onde Minas pode ir nesses cinco anos. Eu diria que Minas pode ganhar o mundo. Podem estar me achando um pouco convencida.
Talvez. Você também como mineiro. Eu sou. Mas a qualidade de todos os nossos produtos, e veja, não estou desmerecendo outros estados. O Brasil todo tem muita riqueza, muita coisa bem feita, muito produto maravilhoso. Mas Minas Gerais...
É um estado especial que tem uma ampla variedade de produtos para mostrar para o mundo. A gente acabou de comentar aqui do café, do azeite, do queijo e de tanta coisa. Imagina o pessoal vindo para cá conhecer tudo isso. Quantos dias você precisa para conhecer todas as coisas boas de Minas Gerais?
Então, quando o pessoal fala, será que três dias? Não, minha filha, precisa passar muito tempo por aqui. E sabe que o governo de Minas, através da Secretaria de Cultura e Turismo, tem dado um apoio muito importante.
mostrando o valor não só de todos os produtos de Minas, de toda a nossa capacidade, mas também do produto vinho. Foi através da Secretaria de Turismo que nós pudemos participar desses eventos em Portugal. Sim.
Então, o que a gente queria lá? Mostrar Minas para o mundo e atrair o mundo para cá. Isso acontece da noite para o dia? Não. Não. É um investimento que requer tempo. Muitas ações aí. Mas a gente está no caminho. Sim, eu percebo isso. E a gente já tem recebido muita gente de vários estados. Por exemplo, aqui a gente está no sul de Minas.
O nosso maior cliente em potencial sempre foi São Paulo e Rio de Janeiro, por conta da proximidade. Mas a gente tem recebido cada vez mais pessoas de outros estados.
E também da própria Minas. Que a gente, aqui na região, a gente sempre diz que a gente recebe mais gente de São Paulo, interior de São Paulo e do Rio de Janeiro do que da própria Mineiro. Porque também, vamos combinar, que Minas é um país, né? É, Maraca, França, são 853 municípios. Nossa senhora. Então, até dá para entender por que a gente recebe mais os vizinhos aqui de 200 quilômetros do que os outros de 600. Sim.
Mas a gente tem, sim, se posicionado como uma região estratégica para quem quer conhecer novidades. E boas novidades.
E eu percebo também que Minas não apenas está sem consolidar, ela já é consolidada, ela só está realmente valorizando cada vez mais, não apenas nacionalmente, mas internacionalmente, como esse estado muito relevante na vitivinicultura brasileira, que tem uma tradição muito grande no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, ali no estado de São Paulo, perto de São Roque, também no Vale de São Francisco.
E esse trabalho que está acontecendo com a dupla poda realmente está abrindo mercados até para a Goiânia e outros estados estarem crescendo e fazendo com que esse crescimento desses projetos, junto ao avanço tecnológico, o apoio institucional e principalmente...
O trabalho que está tendo de visibilidade está indicando esse novo ciclo, está mostrando que isso já está sendo possível, principalmente para aquele pequeno produtor que às vezes não tinha condição de sair da cidade dele para fazer uma divulgação sozinho. Está tendo um movimento bacana que está ajudando a preservar também a tradição junto a esse crescimento.
a gente abrir mesas como essa aqui para reconhecer e valorizar essas mãos de obras. Temos um problema. Às vezes, aqui em Postos de Calas, por exemplo, eu sou amigo de vários donos de restaurantes, eu entrevistei aqui a Juliana, presidente da Associação de Bares e Restaurantes, e a gente tem uma deficiência muito grande de mão de obra.
no serviço. Principalmente quando a gente vai falar sobre comunicação. Por quê? Porque a cidade vem, o turista vem, a gente recebe, e a gente está falando, porque eu estou em posse de caos, mas a gente está falando isso em toda a região. E aí ele quer degustar um vinho.
E aí, às vezes, está faltando esse trabalho. Você acha que essa comunicação junto a essas associações locais, associação comercial, associação de bares e restaurantes, devam caminhar juntos? Em qual desses pontos Minas Gerais precisa avançar? Como a gente pode trazer aquelas associações juntos para a gente melhorar essa questão do atendimento lá na hora do consumo, que a gente chama de on-trade, onde a pessoa vai degustar o vinho mesmo?
Sim, e aí você tocou uma questão importante, que é do próprio... Tem o serviço geral do atendimento do local, mas tem também a questão do serviço do vinho. Que é a comunicação do vinho. Que mostra ali... Que vai diferenciar toda a experiência da pessoa.
na prova daquele vinho, vai funcionar mais ou menos assim, ame ou deixe, né? Porque dependendo de como te for apresentado, vai ser o que você vai levar no seu coração. Exatamente. Então a gente precisa, sim, trabalhar com as outras instituições.
da cidade, da região, que não necessariamente são ligadas ao vinho, mas que vão poder colaborar na divulgação desse bom serviço, de fazer treinamentos. A questão é que, às vezes, o dono do negócio ainda não entende o porquê que ele precisa...
trabalhar um pouco, a vida inteira eu vendi vinho aqui, ninguém nunca... Por que eu preciso agora? Instrumentalizar.
o meu garçom com alguma diferença na hora que ele vai servir esse vinho. E faz sim muita diferença você ter o vinho na temperatura adequada, você poder sugerir o vinho mais adequado para aquele prato que ele está escolhendo. Porque nem todo mundo é obrigado, aliás, nem todo mundo não, ninguém é obrigado a saber o que harmoniza com o que. E ok.
vinho bom é aquele que te agrada, então eu posso fazer harmonizações muito malucas que me agradem. Mas que são fora do esperado, do ritual mais tradicional. Mas precisa ter o pessoal...
Tanto das lojas, dos restaurantes, enfim, eles precisam sim ter conhecimento de como servir esse vinho da melhor forma. Inclusive, isso vai ajudar a fidelizar esse cliente, né? Exatamente. Não só pelo vinho, mas pelo restaurante dele, pelo prato que ele está servindo, porque vai valorizar o prato, quer dizer...
Uma coisa puxa a outra. É o que a gente sempre fala aqui. O vinho fortalece a gastronomia, a gastronomia fortalece o turismo e o turismo fortalece a economia da cidade. A gente tem que imaginar que, vindo essas novas gerações nesse processo também, tanto nas famílias produtoras...
quanto nos consumidores, mas principalmente nos profissionais que estão entrando agora para trabalhar, é importante ter essa visão, o quanto isso beneficia a cadeia, de uma forma em geral, a cadeia alimentar. Porque quando você vai falar de gastronomia, você fala de vinho, mas você fala de cerveja, você fala de café, você fala de outras bebidas, de água, de refrigerante, você fala de várias bebidas. É que o vinho...
ele atrai um ticket médio maior. O cara que gosta de tomar um vinho, ele quer um serviço melhor. Então, ele está disposto a pagar por um prato mais bem elaborado, por um serviço de melhor qualidade. E isso vai fazer com que a gente valorize o quê? O ingrediente regional. A gente busca ali quem são os produtores regionais, para a gente contar essa história.
Isso vai fazer com que o turista tenha essa experiência de uma forma mais intensa, em plenitude, e aí ele sai colocando no boca a boca. Ele vai contar para todo mundo, foi lá em Poço de Caldas, foi lá em Andrados, foi lá em Caldas, vivi essa experiência. E a gente abrindo uma agenda coletiva para que a gente possa colocar como prioridades imediatas.
Eu acredito que se a mentalidade das pessoas incorporar o vim, como acontece na Itália, na França, que já é uma coisa natural, no próprio Rio Grande do Sul, você vê o orgulho que eles têm lá, fazer isso ser no dia a dia...
a gente vai ter um benefício muito grande, mas aí é uma coisa que pede tempo, pede calma, porque a gente não muda uma cultura no estralar de dedo. Para a gente fechar esse bloco, vamos pensar em legado. Qual o legado que você acredita que, sim, de vinhos, mas principalmente Heloísa Bertoli, dessa tradição, dessa história, lá de pelo menos 40 anos atrás? Eu sei que tem mais do que isso, mas vamos trazer de 40 anos para cá.
não apenas para o setor do vinho, mas para a nossa história de Minas Gerais? Eu entendo que o vinho tem que ser democrático e que a gente tem o consumidor do vinho de mesa ao fino tradicional, ao fino de colheita de inverno, e essa é a riqueza do setor.
Você ter diferentes possibilidades para diferentes expectativas, diferentes públicos e poder atender a todas elas com qualidade, com acolhimento. E conquistar essas pessoas, né?
ele vai ensinar a qualidade desse produto para o filho, para o neto, para o sobrinho. Porque o primeiro ponto de divulgação é dentro de casa. Não foi assim que você aprendeu a gostar de vir? Foi dentro de casa. E aí você levou isso para a tua vida, para o teu trabalho. Hoje você leva isso para os amigos.
Mas, então, o meu legado é mostrar que vinho é democrático, que vinho é saúde, que vinho consumido com respeito ao próprio vinho, com moderação, pode sim deixar muitas boas histórias para a gente contar entre família, entre amigos, boas lembranças.
E olha, acho que o meu legado é esse, mostrar que o vinho é democrático.
Está vendo, minhas confrades? O futuro não pertence apenas para quem sonha, mas ele pertence principalmente para quem organiza, sustenta e trabalha com democracia em visão de longo prazo, como ela contou aqui para a gente. Pensa agora com carinho. O que cada um de nós podemos fazer para valorizar mais aquilo que é produzido com verdade aqui perto da gente, perto da nossa casa? Transforma isso em atitude. Está bom?
A gente vai para o último intervalo, daqui a pouquinho a gente volta. A queijaria Queijosso vai muito além da venda de queijos. Aqui, cada peça carrega história, técnica e paixão. É um verdadeiro trabalho de curadoria, onde se transforma queijos frescos em joias maturadas, com alma e identidade mineira.
Vem para Poços de Caldas e conheça a Queijaria Queijo So, um autêntico sabão mineiro direto da fonte. E no fim das contas, todo setor precisa de pessoas que cuidem do presente sem perder de vista o que ainda está por vir. E isso, claro, que exige muita coragem, exige constância e principalmente compromisso.
Elô, muito obrigado, porque a sua presença aqui no Enos Experiências, ela, para mim, marca realmente a gratidão que eu tenho por poder fazer parte, nem que esteja nesse momento, da sua história, da tradição da sua família, de poder contar e evidenciar isso para as pessoas, esse trabalho que é incrível.
E esse episódio ainda, para mim, ele também é muito especial. Especial porque a gente está celebrando um ano do projeto que iniciou lá atrás. E hoje esse episódio, episódio 52, são 52 semanas do ano. Gente, que honra minha! Você está no nosso aniversário de um ano.
E também, ele é especial porque ele fala de uma causa que, tanto a você quanto a mim, toca profundamente essa relação que a gente tem com os nossos pais, as nossas histórias. Meu pai produzia vinho ali na Bocaine, em Caldas, e eu tenho o maior orgulho disso.
Então, o pai nem se fala a história que tem. E também, em especial, porque ele conecta essas histórias de famílias, de território, de missão, principalmente. A gente olhar lá para trás e lembrar quando meu pai colocava um vinho com água e com açúcar e a gente tomar. E a gente poder contar isso hoje com o maior orgulho. Por isso que a gente é meio metido na hora de contar as histórias. O mineiro gosta de contar as histórias. Então, eu quero deixar agora esse espaço final para você.
Que mensagem você quer deixar para os produtores de vinhos de Minas Gerais, para esses profissionais também que trabalham em volta dessa cadeia, seja em restaurantes, seja em lojas, para acreditar realmente no nosso vinho e principalmente para o consumidor que ainda está começando a formar uma ideia.
em cima de história que é centenária. Tem um monte de histórias que a gente pode desenvolver, mas, de repente, isso está atraindo a atenção dele agora e, por ele, está começando a descobrir a força do vinho mineiro para a gente poder trazer ele para jogar no nosso time. Fábio, você me fez lembrar uma coisa.
Você falou aí do suco, do vinho com água e açúcar. Eu costumo dizer que suco de uva é uma coisa da modernidade. Quando a gente era criança, não tinha suco de uva. Ah, vai comprar suco. Não. O avô da gente, exatamente, colocava vinho, açúcar, água, gelo, e a gente tomava suco de vinho. Não era suco de uva, né? Tempos felizes, hein? Tempos muito felizes.
E, brindando, eu quero te cumprimentar por esse primeiro ano. E se você está chegando nesse primeiro ano, é justamente porque você trabalha...
esse programa com conteúdo, com persistência. Então, o conteúdo com persistência, porque são conteúdos bons, conteúdos que realmente não são firulas, são conteúdos que mostram a realidade. Então, meus parabéns. Esse é o primeiro ano de muitos, eu tenho certeza. E é uma honra, olha, muito grande estar aqui, exatamente nessa edição tão especial. Eu não tenho nem palavras aqui.
Mas o que eu posso dizer para esses consumidores? Gente, não tenham preconceito. Abram suas ideias. Sejam destemidos. Conheçam novos vinhos. Se abram para novos paladares, novas experiências. E aí, volto a falar.
Se você quer começar pelo vinho de mesa, comece pelo vinho de mesa. Se você nunca consumiu vinho, ok. Avalia lá o que está acessível para você. Se for começar pelo vinho de mesa, seja feliz. Se quiser começar pelo vinho fino, seja feliz também. Se quiser começar pelo vinho de colheita de inverno, também. O importante é entender que cada um deles vai ter características próprias. Com o tempo e justamente experimentando...
passando por essas diferenças, é que você vai conseguir entender qual que mais te agrada. Qual que vai ser o seu vinho do coração, ou a sua uva do coração, ou quantas você... Puder, é difícil escolher uma só, né? Difícil. Também. Então, o mais importante é, para o consumidor, abrir...
se livrar de preconceitos e saber que nós temos vinhos tão bons quanto qualquer lugar famoso da Europa e que nós estamos ali de igual para igual. Isso eu vi em Portugal, viu? Porque muitas vezes o pessoal começava assim, ah, vinho Brasil. Mineiro? Porque assim, ok, Brasil eles sabem que faz, mas vinho Minas Gerais, assim, aí terminava depois que provava.
Ah, vinho de Minas Gerais. Já mudava completamente. Quer dizer, você ouvir isso num país super tradicional na produção de vinhos, gente, é um calorzinho no coração, né? É um calorzinho no futuro. As expectativas, então, são muito positivas. Para os produtores.
Tenham calma e persistência também. A persistência é tudo, mas que essa persistência esteja sempre vinculada à questão de trabalhar o carinho que você está colocando nessa produção, no sentido de que não é pensar só em números, porque os números vão levar um tempo para você.
receber de volta. E o vinho que você está produzindo hoje, a vinícola que você está levantando hoje, esse vinhedo, vai levar um tempo para você ter esse retorno. Pede tempo. Então, para entrar nesse mundo, você tem que ter os pés no chão, sabendo que isso vai levar um período.
Porque senão você acaba, às vezes, conduzindo de uma forma... Que palavra usar aqui? Conduzindo de uma forma muito apressada.
Uma ambição para acelerar o processo e atropela. E atropela. E é exatamente isso que às vezes acaba queimando, prejudicando o seu trabalho. Verdade. Porque sempre, mais uma vez, vou usar a frase vinho é vivo, vinho é vida, vinho é evolução. Então as coisas não evoluem de hoje para amanhã, nem de 25.
Para 26, 26, né? Sim. Leva tempo, né? Muito obrigado, moça. Vinho é vivo, vinho é vida, vinho é evolução. Evolução. Vinho é evolução. Volte sempre. Aqui é só as portas se abriram. Quero que você volte, porque a gente tem muita coisa para a gente conversar mais vezes. Sim, virei com o maior prazer. Muito feliz de estar aqui com vocês. Obrigado. E, mais uma vez, parabéns. Obrigado. Parabéns por essa trajetória que você está construindo com N Experiências.
mas com essa trajetória que você está mostrando para todo o seu público de tudo de bom que já existe no nosso setor. Muito obrigada, Fábio, por poder mostrar aqui um pouco da história de Minas.
um pouquinho só, e a gente ainda tem muita coisa para contar. Parabéns. Obrigado, obrigado e volte sempre. E eu também quero agradecer meu parceiro, meu querido amigo, sócio nesse projeto, Rodrigo Alves, da Multimídia Vídeos, onde nós gravamos aqui todo o programa. A TV Poços, que também está exibindo na emissora, no Canal 21, TV UHF, para mais de 16 cidades aqui no sul de Minas. E a todas as nossas confereiras e confradas que estão nos acompanhando, que eu falo que são eno-apaixonados.
Está vendo, minhas amigas e meus amigos? Que episódio especial. Hoje a gente falou de história, tradição, de defesa setorial, de território, posicionamento, de turismo e também de futuro. E eu fico muito feliz de celebrar um ano do Ano Experiências com uma convidada que representa, com tanta seriedade, uma parte tão importante dessa construção. E se esse conteúdo fez sentido para você, curta, compartilhe, se inscreva no nosso canal, tá bom?
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Com alma. Até o próximo episódio, pessoal. Um.