Ep.51 - Casa Tés - O que está por trás dos vinhos brasileiros PREMIADOS? | EnoExperiências
O que está por trás dos vinhos brasileiros premiados?
Neste episódio do EnoExperiências, Fabio Gregório conversa com a enóloga Gabriella Justino Segnorini e a engenheira agrônoma Lara Alcântara Trevizan, da vinícola Casa Tés, localizada na região entre o Sul de Minas e a Mogiana Paulista.
Uma conversa sobre os bastidores reais da produção de vinhos de qualidade no Brasil — do cuidado com a videira até as decisões técnicas que definem identidade e excelência.
Um episódio para quem quer entender como o Brasil está produzindo vinhos cada vez mais reconhecidos internacionalmente.
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EnoExperiências
Vinho, gastronomia, turismo e economia da cidade.
Viver é brindar com a alma! 🍷
Fábio Gregório
Gabriella Justino Segnorini
Lara Alcântara Trevizan
- Vinho brasileiro ouro MoscatelCasa Tés e sua identidade · Terroir da região Sul de Minas e Mogiana Paulista · Solo vulcânico e sua influência · Processo de vinificação e maturação · Dupla poda e vinhos de inverno · O papel da engenharia agrônoma no campo · Desafios do plantio em solo rochoso · A importância da análise sensorial e fisico-química · O protagonismo feminino na viticultura · O futuro do vinho brasileiro no mercado internacional · O modelo de alocação de vinhos
- O Valor do Vinho BrasileiroSuperando a síndrome do vira-lata · Potencial do terroir brasileiro · Reconhecimento internacional · Valorização da agricultura nacional
- O Papel da Mulher na ViticulturaProtagonismo feminino no campo · Desafios e conquistas das mulheres na área · Respeito e reconhecimento profissional
Olá, confreiras e confrades, eno, apaixonados, tudo bem? Eu sou o Fábio Gregório e esse é o Eno Experiências. Hoje nós vamos falar sobre um vinho que começa muito antes da taça. Ele começa na terra, no clima, no relevo, no cuidado e também no tempo. Porque quando a gente prova um grande vinho, normalmente...
Se percebe o aroma, a análise visual, a textura, o equilíbrio e a elegância, mas nem sempre enxerga tudo o que aconteceu antes daquele momento. O trabalho no campo, a leitura do terroir, a decisão técnica, a espera, principalmente a sensibilidade de quem acompanha cada etapa dessa e principalmente.
Para contar toda essa história, a gente precisa de pessoas. E para essa conversa, eu recebo hoje duas profissionais diretamente ligadas à construção desse projeto. A Gabriela Justino é enóloga da Casa Tess, responsável tecnicamente pela produção dos vinhos. E a Lara Alcântara, ela é engenheira agrônoma, responsável tecnicamente pelo campo e pelo vinhedo. Gabriela, Lara, sejam muito bem-vindas ao Enos Experiências. É um prazer enorme receber vocês aqui, moças. É um prazer estar aqui.
Vamos começar por essa homenagem também ao trabalho de vocês e a Casa Tess, essa vinícola incrível que está fazendo um trabalho fantástico e que está sendo reconhecido por todo mundo. Eu estou muito feliz.
porque a nossa região está ganhando um protagonismo. E o episódio de hoje é especial porque ele nos permite olhar o vinho por dentro, literalmente mesmo. Não apenas o resultado final, depois que ele está pronto, mas por tudo que ele exige antes de chegar à garrafa. E o trabalho de vocês é fundamental. Então, hoje, nós vamos conduzir aqui essa conversa de uma forma muito conectada.
trabalho de campo, mas trabalho também de produção, a uva, o processo, a identidade da Casa Tês, e a gente vai começar pela origem de tudo. Então, quando a gente olha lá para a Casa Tês, fica claro que não se trata apenas de plantar uva, de fazer vinhos, não é só isso. Existe ali muita visão, escolher o lugar, a construção cuidadosa. Isso, para mim, é fundamental, porque a gente tem uma história de vinícolas centenárias aqui na nossa região.
Gabriela, como enóloga da Casatês, para quem ainda não conhece a Casatês, como é que você apresentaria a essência desse projeto para o nosso público telespectador? Casatês é uma vinícola que surge para trazer vinhos de alto padrão para a Muitiqueira, para essa região vulcânica que é a Poça de Caldas, mas a vinícola é localizada em São Sebastião da Grama, São Paulo.
Eu moro em Poços, porém está totalmente integrada aqui ao nosso terroir. Então, a Vinícola, para poder trazer vinhos de alto padrão, para poder levar o nome da região para o mundo, que nem a Vinícola já está levando. Exatamente. E da minha casa, por exemplo, até a Vinícola Casa Terça, estou falando de 20 quilômetros, porque eu moro ali no bairro Véu das Noivas.
É o maior imposto, vou todo dia trabalhar, então é próximo. É muito prazeroso isso. E, Lara, do ponto de vista do campo, que a gente está aqui no solo vulcânico, o que fez a Fazenda Santa Maria se mostrar tão promissora para a viticultura?
O pessoal lá da grama fala que o vale é místico e é místico. Tudo que produz ali vem com muita qualidade. A gente tem azeite, café, tudo que vem, que está produzindo ali, se destaca no cenário, não só o vinho. Então, acho que toda a região ali é uma região bem promissora. Acredito que o diferencial é isso, do vinho começa ali.
É, e realmente está ganhando essa expressão, não apenas...
Poços, região sul de Minas, regional, estado, Minas, São Paulo, nacional, mas mundial. Então, isso percebe que quantas regiões vinícolas tem no mundo de solos exclusivos, específicos, que podem garantir vinhos de grande qualidade. Quero também fazer uma pergunta para você, Gabriela, porque quando você chegou lá ao projeto, você percebeu ali muita coisa nova, muita coisa diferente. Você tem uma carreira profissional ligada à produção de vinhos.
Vamos comparar um pouquinho essa tua carreira, para apresentar também para o pessoal, versus...
O que você encontrou lá? O que mais que te chamou a atenção no potencial enológico desse terroir? Eu cheguei lá, é uma vinícola nova. Sempre que eu cheguei lá, não tinha nem tanque, não tinha maquinário, não tinha nada. Então, o investimento da vinícola não é uma vinícola que começou pequena e cresceu. É uma vinícola que já começou potente. Então, é uma vinícola que já começou com os melhores equipamentos para fazer os melhores vinhos.
Com melhor prensa para tirar a melhor coisa. Então, já é uma vinícola que já começou com os melhores tanques, que é importante os melhores tanques. Então, é uma vinícola que já começou com uma visão lá em cima. Não é uma vinícola que começou, que nem várias vinícolas da região, que começam com o contexto familiar. Não. Ela já começou com investimento de potência. Ela já começou para a vinícola subir. Tanto que é uma vinícola nova.
A vinícola em si, falando da parte enológica em si, de vinificação lá, tem em torno de três anos. E os vinhos já estão premiados. Eu falei, não tem nem parte receptiva ainda, porém, a parte de produção já faz vinhos premiados. Está incrível, né? É uma vinícola que já começou em ascensão, já começou no investimento para ter bons vinhos.
E isso aumenta até a responsabilidade para você. Aumenta. E eu, cominóloga, né? Já vim de outra, já tenho a minha rotina de safra em outras vinícolas, que eu passei vinícolas renomadas. Porém, é a primeira vez que eu pego uma vinícola do começo mesmo. Que legal. Que eu vejo chegar o primeiro tanque, que eu vejo, que eu ajudo a escolher o maquinário, esse maquinário vai ser melhor para tal, tal coisa. Então, é muito bom, né?
Sim, e Lara, a gente sabe também que a Casa Teste está ganhando uma expressão muito recente. E ela usa uma expressão muito bonita que eu vi lá no site, que eu achei encantador, que chama-se Terroir Roça. Eu tenho o maior orgulho de dizer que a minha família, meu pai, infelizmente não tem mais meus pais, meu pai veio de Caldas e minha mãe veio de Cordislândia, e ambos, o banheiro ficava a 50 metros para fora da casa.
Então, eu sei o que é roça. Então, quando a gente vai falar assim, terroir roça, é um blend, vamos dizer assim, porque o terroir é essa palavra francesa que vai expressar realmente o que é a valorização do terreno. E roça está relacionada a essa nossa coisa do minerês até, que é uma coisa muito típica o nosso aqui. O que isso representa na prática para você?
Eu acho que é valorizar o serviço do campo, né? Porque tudo começa no campo. Se não tem uva, não tem vinho. Então, tipo, é o que a Gabi sempre fala também, né? Tudo começa ali. Se a gente não entregar, não vai ter resultado. Não tem como fazer um bom vinho, né? Eu posso pegar uma boa de qualidade e fazer um mau vinho. Mas tem como fazer um bom vinho sem uva. É tudo é campo, né?
E você, administrando o campo, vendo ali os bichinhos, vendo ali o mato invadindo a plantação, e você cuidando de tudo aquilo ali, dá essa sensação da roça terroir também? Ah, claro!
É trabalho diário, né? É o que o Pedro fala. É o detalhe do detalhe que faz a diferença. Então, tipo assim, é aquele cuidado de controlar o mato, de amarrar a uva, não deixar ela caída, de desfolhar na hora certa, de fazer tudo na hora certa. É o diferencial. E isso a gente depende de todo mundo que está ali na roça, né?
Sim, é um trabalho apaixonante, mas também é um trabalho muito técnico, de muita responsabilidade. Sim. Gabi, agora o Vale da Grama está ganhando uma projeção e a gente percebe que ela aparece hoje como protagonista de toda essa história. Sim.
O que esse lugar tem de tão singular? Quando a gente está falando de vinhos de alta qualidade, a gente está falando de um terroir bem específico, que está no solo vulcânico, e a gente está falando de um trabalho de campo, um cuidado ali, que é um terroir roça. O que expressa esse lugar?
Então, tem a questão da altitude, né? Ela é um lugar bem alto, né? Então, para a questão da maturação fenólica da uva, essa altitude deixa os vinhos mais delicados, mais finos. Também tem a questão lá, já tinha cafés premiados. Então, lá é uma região fértil, é uma região que já tem potência para fazer, para dar bons frutos. Igual a Lara comentou, também tem a questão do azeite, do irarema ali. Então, é uma região. E agora tem a visão da vinícola, né? Que é a única vinícola ali da região, na questão do Vale da Grama.
Então, eu acho que essa questão é de pegar todas as vertentes de café, azeite e mostrar também. Aqui, uva, que também pode. Aqui nós fazemos vinhos excepcionais, aqui nesse terroir. E eu percebi também que tem até abacate sendo plantado ali na região. Tem uma empresa que veio do sul, da América do Sul. É, na fazenda em si, toda fazenda tem pé de abacate. Eu adoro, né, cada abacate. Agora é a época de abacate. Então, tem abacate ali, mas da empresa eu não sabia.
É, não, não é dessa empresa. É uma outra empresa. É, tem uma outra empresa. É uma outra empresa que... Eu sei que em Cararema eles fazem azeite de abacate.
É, e olha, está vendo? Então, você percebe, e o próprio Epamig, o Murilo, quando eu conversei com ele no último episódio, tem todo um estudo de frutas. Então, pegar esse solo vulcânico, os benefícios que isso oferece. É um solo de mineralidade. E vai entregar frutas de grandes intensidades. Isso é muito legal. Lara, transformar uma fazenda com outro histórico produtivo, principalmente em via. Então, a gente está falando de uma fazenda de café que a gente trouxe para o vinho.
Eu acho que não tem como dizer que isso exige uma leitura muito técnica. Precisa saber solo, clima e terroir, mas precisa saber o que está fazendo. Daí a importância do trabalho da engenharia agrônoma, não é apenas da agronomia. Tem uma engenharia aí por trás disso. Qual foi o maior desafio lá no início? Eu sei que você está lá desde o início, praticamente desde os primeiros vinhedos. O que pegou ali no início e que precisou ser superado para chegar onde estamos hoje?
fazenda ali, antigamente era chamada Fazenda da Laje. Não sei se você sabia disso. Não sabia. E ali é uma laje de pedra. Olha! Então, isso foi bastante desafiador para a gente plantar ali, fazer o vinhedo chegar onde a gente chegou, porque foi muito difícil. Sabe, o plantio, tudo, abrir cova. Aí você ia abrir a cova aqui? Pedra. Não sei o que é pedra. Lá é muita pedra, mas...
Eu acho que a terra em si é muito boa, muito rica. E eu acho que com... Os estudos e a análise... Foi... Encontrando ali o equilíbrio para fazer os grandes vinhos. Exato. Bacana demais. E, Gabriela, para a gente finalizar esse bloco, olhando para trás, qual você acredita que possa ter sido a decisão mais importante da Casa Tês?
para que esse projeto saísse do sonho e ganhasse realmente uma consistência real. Você acredita que foi apostar nesse trabalho dos vinhos da dupla poda, dos vinhos de inverno? Você acredita que foi buscar esse trabalho junto com a agronomia para o solo, o clima, o trabalho da IPAMIG? Enfim, o que culminou?
para tirar esse projeto lá dos investidores e falar, chegou a hora, pisa fundo no acelerador.
Eu acho que é a questão da região, por ser uma região ímpar, por não ter vendido na região. A questão da dupla poda também, que na região está seminando a dupla poda, que está mostrando que tem vinho de qualidade. Mas eu acho que como o Pedro, que é o proprietário, ele deu ponto final, eu acho que quando ele degustou a primeira taça, que ele viu o potencial do vinho. Porque você planta uva, a uva está lá, você vê o produto legal, mas quando você degusta na taça, vê qual é o potencial, eu acho que te dá um up, sabe? Para fazer, não, eu estou no ponto certo, esse projeto vai valer a pena.
Eu vi uma matéria sobre isso, parece que ele tomou um vinho aqui da nossa região, e aí, ao degustar, ele percebeu o potencial que tinha e foi realmente uma virada de chave. Está vendo, minhas confreiras e minhas confrades? Grandes vinhos não nascem por acaso, eles nascem quando alguém enxerga o potencial onde muita gente ainda só viu ali paisagem. E agora eu te convido a pensar nisso. Quantas vezes a grande oportunidade está diante dos seus olhos néxis.
mas só aparece para quem aprendeu a observar com profundidade. Pense com estratégia, tá bom? A gente vai para um rápido intervalo, daqui a pouquinho a gente está de volta.
No coração do Dão, em Oliveira do Conde, a Quinta do Ribeiro Santo é uma referência do Dão moderno. Respeito pelo terroir e com uma leitura contemporânea da região. Seus vinhos se destacam pela precisão, frescor e equilíbrio, refletindo os solos graníticos e a altitude das vinhas.
A casta encruzado tem papel central, reconhecida pela crítica por unir tensão, profundidade e elegância. E no Eno Turismo, cada visita vira experiência. História, tradição e momentos inesquecíveis. Quinta do Ribeiro Santo, Dão. Autenticidade e futuro em cada taça.
E voltamos. Se o território dá a base, é o manejo que constrói o caminho. Porque entre o potencial da terra e a qualidade da taça, existe muito trabalho invisível que as pessoas nem imaginam que aconteça. E agora eu quero entrar no campo, porque o vinho costuma parecer pronto para quem consome, mas o trabalho real começa muito antes e exige constância, leitura e principalmente precisão.
Lara, como que é conduzir um vinhedo como o da Casa Tês dentro das particularidades do Vale da Grama? Suas responsabilidades lá no dia a dia?
Foi como eu falei no bloco anterior, né? É o detalhe do detalhe. Então, a gente acompanha chuva, temperatura, sempre tentando fazer as ações corretas na hora certa. Então, tipo, você tem que saber, não, hoje não dá para fazer isso, vamos fazer isso, porque tudo é muito rápido, igual. Esse ano está sendo um ano muito desafiador, porque está muita chuva.
A gente já teve aí chuva para um ano, porque o acumulado de janeiro até agora já deu aí 1.200 milímetros, que é uma chuva de um ano inteiro. Então, a gente tem que saber tomar as decisões certas, nas horas certas, para não perder uva, para não perder qualidade, para a gente poder entregar um resultado, um produto final bom, né?
E é um acompanhamento realmente muito detalhado. É diário, né? É dia a dia. Você tem que estar lá todo dia. Não pode piscar. O Christian Sepúlveda brinca sempre assim... Você não tem férias. Não tem férias, não tem Natal. Porque você tem que estar lá todo dia. Porque é um dia que, às vezes, você perde o time do detalhe.
E aí acaba comprometendo. É, comprometendo uma produção. E quando vocês dizem que acompanham cada talhão ali de forma individual, vamos falar para o telespectador ali, na prática, o que isso significa mesmo no dia a dia? Qual é o tamanho lá da fazenda? E qual é a distância de um caminhar ali entre uma fileira e outra? Qual é o método das fileiras que tem atualmente?
Hoje a gente tem duas fazendas, que é a Sede, que é a Fazenda Santa Maria, e a Laje, mas hoje o Unifco virou tudo Fazenda Santa Maria. A gente tem seis hectares e meio, mais ou menos, plantado. Mais ou menos é porque, tipo assim, eu não falei com exatidão, porque planta 500 plantinhas a mais ali. Sim, vai aumentando.
Então, hoje a gente tem de variedades. Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Melô, um pouquinho de Sirrá e Sauvignon Blanc com Sémillon. Então, ali a distância entre ruas, igual você pediu, é 2,5 por 1. Sim.
E aí você precisa estar ali caminhando entre as fileiras para acompanhar de fato o que a natureza está evidenciando ali na hora. E esse trabalho, quando os principais sinais começam ali aparecendo, a planta vai dando esses sinais ao longo do ciclo e que exige ali uma resposta rápida da equipe.
Como é que é o intermédio? É legal eu estar falando isso, porque é bom a gente tomar o vinho e não saber nem como é que foi feito, né? Mas saber que você está ali, no dia a dia, corre para cá, corre para lá, e as pessoas não têm a ideia do que é esse trabalho. Então, por exemplo, aconteceu, sei lá, uma chuva excessiva e apareceu alguma coisa lá. Como é que é isso, esse movimento, essa movimentação da equipe para fazer o controle, para garantir um vinho de alta qualidade?
Então, a gente tem os abençoados tratoristas, que ajudam a gente até final de semana, estão sempre lá apoiando. Então, é igual falei, é dia a dia. Tem dia que não vai dar para trabalhar, porque vai estar chovendo muito e não tem o que fazer. Então, a gente vai ter que ir sábado, domingo, principalmente na época de brotação.
porque a brotação ali é o coração, né? Está nascendo, então aquilo ali é o bebê, a gente tem que cuidar com todo zelo. Se a gente dorme, a gente perde. Olha para você ver que responsabilidade. E, Gabriela, em que momento que você acha que o trabalho do campo começa a impactar diretamente?
nas decisões que você vai tomar depois, lá na hora. 100%. 100%, porque depende do clima, o ano do clima, é o que eu vou trabalhar na vinícola. Então, 100% o campo está relacionado à vinícola. Até mesmo a parte da época de colheita, que eu faço análise do campo, a época de maturação, aí fica interligado o campo e o vinícola, que é uma forma para a gente trabalhar.
Porque a gente tem uma região que é a dupla poda em si. A gente tem uma região que tem umas uvas extremamente maduras, porém a gente pode ter um probleminha com acidez. Então, além das análises químicas que eu faço, no caso, a gente tem que fazer uma análise de degustação de baga. Então, o campo é totalmente ligado com a vinícola. Um ano que chove muito, eu sei como vai ser os vinhos, sabe? Um ano que chove muito, eu vou ter vinhos com menos acidez.
Então, é totalmente ligado. Não tem como você separar campo e vinícola. É um conjunto, a gente tem que trabalhar com um reloginho. Assim, um ajuda o outro a funcionar.
Comparo isso com música, né? Então você tem lá as notas, os acordes, o ritmo e a melodia. Uma pessoa que bateu ali no dedo de uma corda do violão que foi a corda errada, a música não vai agradar. Eu sempre bato que o campo é o coração do vinho, né? Porque é a uva que é o coração do vinho. Lá, igual eu falei anteriormente, não tem como eu fazer um vinho bom com uma uva ruim. Mas tem como eu fazer um vinho ruim com uma uva boa. Então a gente precisa de uvas de qualidade.
E isso é o dia de adorar, isso é o campo, isso é a vivência que eles têm lá. O cuidado que vai estar na taça posteriormente.
Aí eu cuido com amor na vinícola para não estragar a uva dela, porque ela vai dar com muito carinho para entregar um bom vinho. Que bacana. E, Lara, eu acredito que existe ali um momento da safra em que a tensão, principalmente a tensão técnica, ela aumenta mais. É aquele ponto em que qualquer detalhe que está chegando ali pode influenciar o resultado.
Já vê esse frio na barriga? Já sentiu esse frio na espinha? Parece que você comeu um quilo de gelo.
É assim, a gente fica ansioso até produzir, na hora que ela já está lá para... A gente fica ansioso para entregar também aquela uva logo. A gente fica com aquela ansiedade, né? Falando, nossa, pelo amor de Deus, está na hora já de te colher. Mas isso aí vai em questão de análise, não tem o que fazer. A gente tem que colher no momento exato, tem que saber esperar, tem que ter calma.
E é isso. E é um blend aí entre a razão e a emoção, né? Sim, claro. Porque tem a emoção, é óbvio que é um filho que você está vendo ali, mas a técnica é a razão, né? Você sabe exatamente ali o ponto de cada um que está chegando ali. Gabriela, agora me fala uma coisa. E quando essa uva chega, então, lá para você? Perfeito. A Lara fez um trabalho incrível.
E você falou assim, dá para fazer um vinho com uva boa, você faz um vinho ruim. Olha a responsabilidade. A gente faz vinho bom só. Então, o quanto que isso amplia a liberdade e também a precisão do trabalho enológico. Aquela responsabilidade fala assim,
A batata agora está na sua mão. Eu acho que quanto melhor a qualidade a uva, mais eu consigo trabalhar para o vinho ficar melhor. Porque quando a uva vem com uma qualidade por conta de contexto climático, eu tenho que pensar em resolver problemas. Então, quando a uva vem com uma boa qualidade, eu só vou pensar em fazer o que eu posso melhorar. Então, eu vou pensar a parte de fermentação vai ocorrer bem. Vai estar tudo lindo, com uma simponia maravilhosa. Você comentou da música.
Aí eu vou pensar assim, que barriga que pode pôr, que barriga que não pode pôr. Então, eu vou pensar no futuro. Não vou pensar de resolver o problema agora. Então, acho que é essa a questão. Então, quando eu chego com essa batata boa, então a gente foi melhor. A gente só pensa no como que pode evoluir essa qualidade da uva. Aí, quando a batata chega já um pouquinho com alguma coisa, a gente pensa duas vezes, né? A gente pensa como resolver esse problema agora e, posteriormente, como melhorar também a qualidade do vinho.
Olha a importância de ter autocontrole, trabalho em equipe, relacionamento, quanto que isso dita as regras. E, Lara, para a gente finalizar esse bloco, uma matéria recente já destacou o protagonismo feminino no campo. E vocês duas são, além de serem extremamente profissionais, vocês são muito responsáveis.
na atividade ali como líderes, porque vocês assumem ali o papel, o protagonismo de toda essa atividade de uma forma técnica perante aos investidores, perante as pessoas que estão acreditando em todo esse projeto. Como é que você enxerga isso vivendo essa realidade todos os dias num universo que ainda é mais masculino?
Então, hoje eu acho, principalmente o vinho, principalmente a dupla poda, abriu muita porta para várias mulheres, porque não só a Casa Tejas, mas várias amigas nossas estão na área de viticultura. Eu acho que 90%, posso estar falando bobagem, mas eu acho que 90% das mulheres que cuidam do campo são mulheres, e da vinícola também. Então, eu acho que a região aqui trouxe isso para a gente, deu essa oportunidade.
E eu fico orgulhosa das mulheres estarem sendo respeitadas, podendo fazer o trabalho do jeito que as pessoas respeitando também o campo, igual você falou. O pessoal ainda tinha aquele receio, mas o pessoal respeita a gente, escuta a gente. É muito legal isso. É porque posso.
Pode, pode. Porque as mulheres, elas sempre estevem no campo, né? Mas elas nunca estevem em papel de protagonismo, né? De liderança. É, de liderança, mas elas sempre estiveram no campo. Então, é legal ver agora a mulher, mesmo que tem, obviamente, algumas dificuldades por você ser mulher, algumas indagações, se você fosse homem, não teria, entendeu? Mas ver a mulher nesse ponto, sempre que ela, sempre esteve na parte cultivo e ver como protagonista, é maravilhoso, né?
Está vendo, minhas confreiras, minhas confrades, o campo ensina uma coisa muito bonita. O resultado não nasce da repetição cuidadosa de bons processos, mas principalmente fazendo a repetição cuidadosa de bons processos com pessoas que estão comprometidas com o resultado. Agora, pense nisso. Será que a gente valoriza de verdade tudo que existe por trás de um produto excepcional? Treine a sua mente para isso. Vale a pena refletir.
Vamos para mais um rápido intervalo. Fica com a gente. É rapidinho.
No Douro, em Tabuaço, a Quinta das Herédeas é um lugar onde a história se mede em séculos. Com raízes ligadas ao Mosteiro de São Pedro das Águias, um marco do legado cisterciense que vigia estas encostas, a propriedade preserva o que tem mais de raro. Vinhas velhas com mais de 130 anos, verdadeiros monumentos vivos.
Destas vinhas nascem vinhos de concentração e complexidade singulares. E a experiência vai além da taça. A antiga casa da família se prepara para dar origem a um destino charme, onde o silêncio do vale, a paisagem do Douro e a hospitalidade se encontram. Quinta das Herédias. Provar o passado e o futuro do Douro numa única experiência.
E depois que o campo entrega a uva, começa uma nova etapa. É aí que a técnica e a sensibilidade passam a caminhar juntas, mas de um jeito ainda mais delicado. Sabe por quê? Eu quero entrar agora mais profundamente na vinícola, porque a Casa Tess vai mostrar um cuidado muito claro com essa identidade, com a precisão e, principalmente, com a escolha técnica. Gabriela, quando a uva chegou lá na vinícola?
Vamos lá, a gente já falou um pouquinho, mas resgatar agora esse trabalho mesmo lá dentro, lá no processo. Qual que é o primeiro, para quem está assistindo a gente e ainda não sabe essa rotina, qual que é o primeiro grande desafio para preservar tudo aquilo que a Lara estava observando lá no campo?
E toda a equipe construiu para chegar e falar, Tó, está aqui agora. Qual o maior desafio ali para você ter certeza que aquilo ali está se transformando no que vai ser o produto final? É cuidar a uva em cada etapa, fazer análise. A gente faz muita análise. Como é uma vinícola pequena, então a gente tem o privilégio de conseguir olhar cada cacho, fazer uma boa seleção de cacho antes de fazer o processamento e entrar para o tanque para fazer a fermentação.
Então, a gente olhar cada detalhe, cada detalhe assim, olhar mesmo, cada fiozinho, cada graminha, sabe? Para fazer vinho de alto padrão, porque o nosso foco são vinhos de alto padrão. Então, a gente precisa ter uma observação de alto padrão, um processamento de alto padrão. Precisa ter profissionais lá de alto padrão, para poder, alto padrão, não alto padrão de conhecimento técnico, alto padrão de ter o cuidado, um alto padrão de cuidado, para posteriormente fazer um bom vinho.
E nós estamos falando de ações ali no concreto, você tem inox, você tem barricas, né? Como é que você pensa nessa modificação, nessa movimentação para cada etapa dentro de um resultado final? Eu sei que tem vinhos que você faz...
Os vinhos ligeiros, que não é o caso hoje da Casates, faz o vinho, engarrafa e já comercializa. Mas lá não, você produz e ainda vai ter um amadurecimento. Lá a gente tem um leque de recipientes para fazer o vinho. Nós temos tanques non blo, que são tanques franceses. Temos ovinhos de concreto.
E o tanque de inox, que é o tradicional. Então, cada tanque serve para alguma coisa. Por exemplo, o tanque Nomblo é um tanque de concreto, ele tem uma microoxigenação para o vinho. Os ovinhos também tem a parte do concreto da microoxigenação e o formato dele deixa o vinho em interno movimento, que deixa o vinho mais estruturado. Então, a gente faz muita análise. Então, de acordo com a análise da uva, a gente vai ver, olha, essa uva tem tal análise fenólica, vai colocar em tal tanque. Para depois, posteriormente, no corte final, a gente ter várias parcelas.
para poder fazer um corte, porque a gente tem pouquíssimos rótulos. Nós temos um rótulo principal de tinto, nós temos apenas dois. Um rótulo principal e o grama, que seria o nosso segundo rótulo. Então, a gente precisa ter... A gente usa esse recipiente para o corte posterior. E vamos pegar, por exemplo, o caso do branco. Você tem ali uma divisão do inox. E aí, a gente vai falar... Ou do tinto, me corrija. Eu falei agora do tinto, mas tem a questão do branco também.
Então, vamos pegar, por exemplo, um vinho que você produziu, e aí, para o pessoal entender, ele foi feito lá no inox, ou, enfim, no novo, ou no cimento, mas depois ele vai passar pela barrica. Sim. E ali, ele vai passar por uma barrica de primeiro uso e de segundo uso.
O que busca entregar exatamente nesse processo? Então, a gente tenta fazer essas parcelas para o corte final. Então, posteriormente, depois do vinho vinificado, ter fermentação alcoólica, o vinho está pronto. A gente decide para qual barrica vai. Então, análise, degustação, análise, além de análise fisicoquímica, análise degustativa, para ver como está a estrutura do vinho. Aí, a gente tem as opções, primeiro e segundo uso. Lá, normalmente, a gente deixa um terço em primeiro, um terço em segundo e um terço em inox.
A primeiro uso, ela tem a questão da parte tânica da madeira, mais a microoxigenação. O segundo uso tem a questão de microoxigenação apenas, não com tanta parte de madeira. E o inox, para deixar as características da uva mesmo. Então, a gente tenta ir mesclando, de acordo com a análise, degustação, e também vendo como vai ficar o tempo em barrica também. Porque não é matemático, não é um mais um é dois. O vinho, ele evolui, o vinho é vivo. Então, ele evolui de ano a ano, de acordo com o tempo.
A importância de acompanhar isso. É, por exemplo, o padrão do nosso rótulo, 12 meses em barrica. Porém, a gente vai degustar, pô, esse vinho, acho que seis meses ele está ok, vamos dar uma movimentada nele para passar. Por exemplo, o vinho 2024, nós temos barricas de seis meses, de oito meses, de doze meses, de dezesseis meses. Então, depois, no corte final, a gente tem, tipo assim, 20 amostras para fazer um corte final, um produto excepcional, equilibrado, entendeu?
Entendi. Então, a gente tem que fazer essas mesclas de recipiente, é bem matemática completa.
E uma coisa que é legal também que a Vinícola sempre fala é em mínima intervenção, porque tem ali essas etapas, mas não quer deixar o processo acontecer naturalmente. Para quem está assistindo a gente, como é que você pode definir esse equilíbrio entre o respeito à fruta e essa decisão técnica minimamente com intervenção?
Então, é a questão da gente recebe uva de qualidade. Então, quando você, que a gente falou no blog anterior, quando você recebe uva de qualidade, a gente não precisa mexer muito no vinho, a gente precisa acompanhar como que ele está. Mas, hoje em dia, a gente adiciona leveduras comerciais. Temos um projeto para futuramente ser leveduras autóctonas, que é um projeto de pesquisa, para valorizar mais o terroir. Então, como a uva chega com uma boa qualidade, então, você não tem muito o que intervir. Você, obviamente, tem o papel de enólogo, o dia a dia, trabalho para caramba.
Mas você só vem acompanhando, fazendo análise, vê como está a evolução do vinho.
E uma coisa que é legal também, porque existe registro de vinho aí há 5, 6, 7 mil anos atrás, dos egípcios, gregos, passando pelos navegantes, né? E tem toda a história que passa por tudo isso. E a gente vai viver aqui 100 anos, eu espero viver pelo menos até os 120. Eu estou tomando vinho. 130, toma aí. Mas a gente vai passar por 100, 120 anos aqui e o vinho vai continuar tendo mil anos, dois mil anos e vai-se embora. E é muita coisa acontecendo.
Nesse momento de provar que tem muitas experiências, a mesma uva, no lado da montanha, vai ter uma característica, do outro lado da montanha, outra característica. E aí você prova o vinho, aí você vai decidir fazer o corte, e aí precisa entender se o vinho vai estar pronto ou não. E precisa ter técnica, e precisa também ter uma coisa chamada sensibilidade. Sim. Só que nesse momento o vinho não está pronto.
Como é que você imagina, naquele momento que você está provando o vinho que não está pronto, ou a uva, ou a etapa dela, como esse vinho vai ficar seis meses depois que ele já está sendo comercializado? Como é que tem essa análise sua? Além da análise fisico-química, que a gente tem, que também interfere bastante para ver como vai ser o produto final, tem a análise sensorial.
Então, a gente consegue ver pelo equilíbrio do vinho, como está a parte tânica, a parte de álcool, a acidez dele. Então, através desse conjunto, desse equilíbrio, a gente consegue ver o potencial em garrafa. Mas, em observação, nós estamos em uma região nova de vitivinicultura, entendeu? Então, aqui é um berço de pesquisa, por enquanto. Então, a gente está vendo, falando com as atelas em si.
Como que vai ser a evolução do vinho em garrafa? A primeira safra, a segunda safra vai ser melhor que a primeira. A terceira vai ser melhor que a segunda. Porque a gente está numa eterna pesquisa. A primeira safra foi feita meio padrãozinho. Aí a segunda, a gente já pensou, a primeira safra foi essa. Então, vamos mudar alguma coisinha na segunda? E isso vai ser uma evolução. Entendeu?
Como é importante esse estudo e esse acompanhamento. Sim. E, Lara, quando você prova o vinho já pronto, lembrando de todo aquele trabalho que você teve lá no campo, e aí você está vendo tanto trabalho que a Gabriela também está na responsabilidade para dar sequência lá no dia a dia. O quanto que consegue se reconhecer ali, no vinho já pronto, sinais que estão claros e evidentes em relação àquilo que você viu lá no campo quando você estava lá?
E ela estava lá fixada na videira. Não, a gente vê ali, igual você comentou, de um lado a montanha, do outro lado a montanha. E tem muita diferença. As pessoas não acreditam, mas é muito diferente. Porque a gente tem um vinhedo lá da sede, tem Cabernet Sauvignon lá. Ele é totalmente diferente do Cabernet Sauvignon da Laje.
Então, é só você indo lá provar na hora que faz para ver e falar, nossa. E também, quando a gente entrega, lógico que a gente sabe, tem uvas que têm a maturação perfeita, o vinho sempre sobressai.
Aquela que ficou com umas baguinhas verdinhas no meio, você já vê aquele herbáceo no meio. Então, pelo vinho, a gente já nota todo o trabalho de campo ali também. E te traz aquela memória de como estava lá, e aí você viu o vinho pronto e percebe essa característica. Sim. E, Gabriel, então, para a gente finalizar esse bloco, qual é a identidade que vocês estão fazendo com que as pessoas...
percebam e reconheçam imediatamente quando provam um vinho da Casa Tess. Eu acho que o vinho da Casa Tess é um vinho elegante, equilibrado. A gente consegue fazer o bom equilíbrio entre madeira e fruta. Então vai ser um vinho gastronômico também. Então é um vinho que você vai tomar na taza e vai falar, nossa, é o melhor vinho que eu tomei aqui. Que bacana! Que legal!
Tá vendo, minhas confreiras, meus confrades? Fazer vinho é tomar decisões o tempo todo. E talvez a verdadeira sofisticação esteja justamente em saber interferir menos, mas decidir melhor. Respeita o processo e age com responsabilidade. E agora eu quero te provocar uma reflexão. Você valoriza mais o nome do rótulo ou a verdade que existe dentro de cada garrafa?
Guarda essa reflexão para você, tá bom? Vamos para mais um rápido intervalo. Daqui a pouquinho a gente volta. Na Santa Pizza, tudo começa com massa fresca, forno quente e capricho em cada detalhe. O sabor chega quentinho na sua casa e cada pedaço fala por si.
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E quando um vinho ganha identidade, ele deixa de ser apenas produto. Ele começa a gerar o desejo, ele cria uma reputação e, principalmente, ele faz um movimento ao redor de todo um território. E agora eu quero olhar para frente, porque a Casa Tês já nasce no lugar com muita atenção, muito respeito e, principalmente, criando uma expectativa lá em cima. Isso também traz responsabilidades.
Gabriela, como vocês estão vivendo esse momento, que a Casa Teste está ganhando tanta visibilidade nacional e internacional, eu acredito que você tenha ali vivenciado toda a trajetória jornalística, o que está acontecendo por parte não apenas do jornalismo brasileiro, mas até o internacional.
Como que vocês estão recebendo internamente lá naquelas reuniões de equipe para falar do que está sendo já os primeiros frutos que estão sendo colhidos, mas também das expectativas que estão sendo criadas? É uma responsabilidade, porque lá a gente está no dia a dia, a gente está no meio do mato.
A gente está na roça, então a gente está na vivência do fazer o vinho. A gente não está na vivência de marketing, porque tem o pessoal do marketing. E quando você vê esse feedback, você vê em redes sociais, você vê reportagens, você vê pessoas atrás da gente querendo fazer entrevista, alguma coisa, você vê, nossa, aqui que nós estamos trabalhando, está refletindo. E é muito positivo. Os proprietários sempre deixam a gente a par do que está acontecendo. Olha, esse vinho foi premiado em tal lugar, parabéns, gente.
Muito bom, porque também é repassado para os meninos que trabalham para a gente, entendeu? Então, é muito bom. Porque é muito bom, porque é a nossa vivência dia a dia, que está refletindo. É a garrafa, é o que a gente está sofrendo lá, pelo nosso suor. E isso é o trabalho em equipe, né? É gostoso você fazer um produto, a pessoa tomar na taça e eu brinquei, falando, nossa, que vinho bom, é um dos melhores vinhos que eu já tomei.
É muito gratificante. Depois você vê em selos, em premiações. É muito gratificante.
Porque saber quantas gotas de suor que correu ali... Ou quantas pessoas ficaram de mal lá brigando de uma com a outra, de estresse, porque deu algum problema, sabe? Mas é muito gratificante. E, Lara, quando o projeto começa a receber esse nível de reconhecimento, o campo também sente esse peso, essa responsabilidade?
Com certeza. Eu faço questão sempre de chamar os meninos, dar notícia, falar do... Ah, a gente ganhou esse prêmio e tal. Parabenizar para eles sentirem parte daquele projeto, porque eu acho que é isso. Eu acho que todo funcionário tem que sentir parte, porque senão ele não dedica, ele não vai cuidar com o amor. E é aquilo que a gente estava conversando no intervalo, é o amor, é o cuidado. Então, a gente tem que fazer as pessoas sentirem parte do projeto e...
Claro, todo mundo tem sua responsabilidade. Tanto da pessoa que limpa o chão até a pessoa... Assim, a gente não tem o rio. Até o CEO, todo mundo faz parte. Então, eu acho que é um resultado de equipe. Então, tem que valorizar todos. Que legal. E, Gabriela, o reconhecimento recente do grama branco 2024, você acredita que ele possa ter mudado alguma coisa dentro da operação? Ou...
apenas o senso de responsabilidade, porque foi um alcance mundial. Sim, é aquela questão clássica. Quanto mais alto você está, maior a queda. Vai subir no sarrafo. Sim, então, acho que quando o vinho... As pessoas já esperam um vinho excepcional, você tem que oferecer um vinho excepcional. Quando as pessoas não conhecem, ela não está esperando. Qualquer surpresa é surpresa. Mas, quando as pessoas já vêm com uma expectativa, a tendência é você querer oferecer uma...
Uma melhor experiência para a pessoa. Falar assim, nossa, eu vim com tal visão do vinho. Nossa, surpreendeu. Foi melhor ainda. Então, acho que premiações dá uma responsabilidade maior para a gente, né? Que a gente é obrigado a oferecer daqui para cima. As pessoas criam uma expectativa ali. Existem safras. As pessoas entendem que existem safras. Mas eles sempre vão querer um vinho naquele patamar de padrão.
Então, acho que é positivo, mas uma grande responsabilidade para a gente. Pesa mais. A gente aqui sempre fala que o vinho fortalece a gastronomia, a gastronomia fortalece o turismo e o turismo fortalece a economia da cidade. Vamos falar de economia criativa agora, Lara. A Casa Tês, você acredita que ela ajuda também a fortalecer o Vale da Grama como identidade, como território de vinho?
assim como café e azeite de alto valor agregado? Eu acredito que sim, porque a gente está movimentando, dando emprego, a gente ajuda ali comprando na região, então eu acho que agrega.
É uma movimentação grande, né? Sim. E tem uma questão que o vinho foi premiado internacionalmente. Lá tem escrito Vale da Grama, São Paulo. Então, a partir do momento, a pessoa pensa assim, nossa, onde que é essa cidade? Aí todo mundo vai procurando e acaba...
E o senso de orgulho de quem mora ali na região? Fala assim, nossa, eu moro nesse lugar aqui. Igual eu, eu estou super orgulhoso. Eu comentei com o Pedro, né? Eu falei assim, Pedro, fui na missa, o padre falou para os fiéis. Vocês viram que a gente tem um vinho premiado? Aí eu entro no Pilates, as senhorinhas conversando.
Vocês viram que a gente está chique, a cidade, que a gente tem um vinho premiado. Então, fica toda a cidade inteira, entendeu? Todo mundo fica super feliz. Porque a cidade é pequena também, ali todo mundo se conhece. Então, acaba que eles ficam também orgulhosos com essas premiações.
E é legal a gente ressaltar isso, porque, por exemplo, Poços de Caldas, pelo IBGE, eu acho que tem mais, mas pelo IBGE fala que tem 170 mil habitantes, mas o SEBRAE está fazendo um estudo que, em torno da cidade, de 12 a 16 cidades aqui em torno de Poços, estão falando de mais de 500 mil pessoas, meio milhão de pessoas, é muita gente, quando você pega todas as cidades ao redor do vulcão aqui de Poços de Caldas.
E quando se fala, então, vinhos da região, você acaba gerando orgulho nas cidades vizinhas também, porque todo mundo fica feliz em saber que esse vinho está tendo um alcance. Gabriela, a produção artesanal e, principalmente, limitada.
somada a esse modelo de trabalho que vocês têm hoje, que está lá no site, inclusive, o modelo de alocação. Ele mostra para as pessoas que, apesar de ser pequena e estar num processo de crescimento, é uma escolha clara de...
posicionamento, como é que você enxerga esse caminho pensando assim, o mundo quer conhecer os vinhos da Casa Tess, mas não tem tanta uva sendo produzida lá. É um trabalho que tem que ser... Como é que vocês estão conduzindo essa relação? Eu acho que a questão da locação aproxima mais a vinícola, o vinho, do consumidor final, que a gente vende principalmente para o consumidor final. Eu acho também que dá aquele... O consumidor se sente especial.
tem poucas garrafas e eu sou uma pessoa que toma bem nessa garrafa. Então, acho que a alocação, obviamente, é um marketing feito em cima do vinho, positivo por conta dessa questão. A vinícola é relacionada totalmente com o consumidor final. E o consumidor final precisa entrar no site, ele precisa fazer um cadastro, ele precisa receber os vinhos para poder comprar.
Então, dá essa proximidade, não um vinho simplesmente que você pega na gôndola. Você fez a locação, você entra no site, você recebe uma carta falando que você vai comprar os vinhos, agradecendo, e vai ter o vinho. Também é questão da escassez, né? Sim. Não tem, não são muitas garrafas, entendeu? Então, você ter uma garrafa... É porque você é uma pessoa... Privilegiada. Privilegiada. Sim, é legal isso. Mas é um fato, é uma organização.
Sim, é uma organização de venda. É, isso aí é bacana. E, Lara, olhando agora, então, para os próximos anos.
O que ainda não foi contado sobre a Casa Teste que você poderia compartilhar com a gente para que as pessoas começassem a entender melhor? É porque tem muita história. A gente pode falar assim, o vinho participou de uma degustação, tem um júri técnico lá que eles tomaram o vinho, fizeram essa prova, deram essa nota, etc. Bacana.
A gente tem esses rótulos, assim, assim, assim. Legal. Mas sempre tem aquelas outras histórias que, de repente, deixaram de contar. E se você... Eu não quero trabalhar, estou te dando até tempo... É o que eu estou pensando. Estou te dando esse tempo para você refletir. Mas, por exemplo, vou dar um exemplo para você. Quando eu cheguei em uma vinícola, que eu fui muito bem recebido, e eu vou citar o nome, chamado Quinta do Ribeiro Santo, em Portugal.
A gente foi tratado lá de uma forma tão incrível, tão incrível, que sim, os vinhos são de altíssima qualidade, mas é uma experiência que eu vou guardar para o resto da minha vida.
Então a gente sabe que a casateza ainda está nesse processo de evolução, que ela vai ter um receptivo, mas que ainda não está recebendo. E você vê ali no dia a dia as pessoas do campo, no dia a dia, sonhando, pensando ainda como vai acontecer os próximos passos. O que te traz uma história parecida como essa que você pode dividir com a gente?
Eu acho que uma história bem legal, que é bem do comecinho, eu ainda nem estava lá, que foi quando o Pedro resolveu que ele ia plantar. Ele chegou e chamou o consultor, o Christian, no caso, o Christian Sepúlveda, chamou ele e falou assim, olha, eu quero plantar uva, me fala onde que eu planto. Olha, eu plantei aqui na frente da sede, eu tenho a fazenda e eu quero plantar uva. Ele mirou assim para uma montanha e falou, lá.
Ele falou, não, lá não é meu. Ele falou, não, mas tem que ser lá. Lá vai ser sua uva. Em poucas semanas, organizou, organizou. Ele conseguiu comprar aquela fazenda. A fazenda estava à venda e foi onde começou. Onde é a Casa Tess. Olha que coisa incrível isso. Que notícia bacana. Quando tem que ser, né? É porque era para ser. Era para ser.
E, Gabriela, agora me fala uma coisa. Quando você imagina a Casa Tês daqui a cinco anos, ou daqui a dez anos, eu acho que vai ser em cinco anos, o projeto, a velocidade que está indo, mas vamos fazer uma visão de médio e longo prazo, de cinco a dez anos. O que você espera, então, que a Casa Tês represente no vinho brasileiro?
represente uma visibilidade do vinho brasileiro fora do Brasil. Porque a gente brasileiro, a gente tem a síndrome do vira-lata, a gente acha que qualquer rótulo internacional é melhor que os nossos vinhos. Principalmente a dupla poda, que é uma coisa nova. A minha faculdade foi no Rio Grande do Sul, então eu passei o tempo, eu sou paulista, eu sou de Barredos, mas eu o tempo todo deixando a boa ficar no Rio Grande do Sul. Depois que eu me formei, gente, tem vitivinicultura na minha região, de vinhos excepcionais.
de uma alva, para o meu tinto, de eterna qualidade, extrema qualidade, perdão, branco de extrema qualidade. Então, acho que o papel do Casas Terra é mostrar para o exterior, mostrar para o mundo que o Brasil faz vinhos de potência, vinhos maravilhosos. Porque a gente é um bebê engatinhando, mostrar que vai crescer uma criança bonita, que o vinho brasileiro é isso.
Então, acho que o papel do Casatés principal, além da parte do Casatés mesmo, daquela coisa egocentrica nossa, é mostrar para o mundo que o Brasil oferece um produto de extrema qualidade. Então, acho que é o principal foco do Casatés. Que orgulho eu ouvi isso aqui hoje. Porque eu tenho certeza absoluta que eu desejo estar vivo e isso vai acontecer. E a hora que chegar lá, a gente vai poder estar celebrando isso que você acabou de falar.
Igual você comentou da última premiação que a gente teve, que ficou entre os melhores vinhos do mundo. Foi o único brasileiro. O único? O único brasileiro que foi o World Best Sommelier.
É o único brasileiro. Então, já é uma porta aberta. As pessoas querem saber já. Já estão curiosas. E não é questão só do Casatesa. É um vinho brasileiro. As pessoas ficam curiosas. O que é um vinho brasileiro? Como é produzido? Fiquei um tempo agora na Argentina, na Cheval Blanc, e eles perguntavam como é o vinho brasileiro. Nunca tomaram.
Você trouxe garrafas, sabe? Muito curiosos. Eles tomam e ficam extremamente surpresos. É bem positivo isso. Exatamente o nosso Sudeste e Centro-Oeste, que não tem toda essa cultura de vinho, tem, mas foi mascarada por outras culturas. Porque começou aqui, né? A vitivinicultura no estado de São Paulo. Aqui não, perdão. No Sudeste. No estado de São Paulo. Começou aqui, mas por outras culturas foi mascarado. E ficou no Sul, entendeu?
Então, agora a gente está trazendo o vinho do Sudeste, que é onde começou no Brasil, para o mundo. Vinhos excepcionais, né?
E abrindo novos mercados. E abrindo novos mercados. Muito legal. Para de você achar que é vira-lato, sabe? Vai ter uma coisa de qualidade, que é um enorme potencial.
Tá vendo, minhas confreiras, meus confrades? Projetos especiais, eles não crescem só porque têm talento. Eles crescem porque conseguem proteger a sua essência enquanto eles avançam. Agora, pensa com calma. No mundo que vive correndo atrás de escala, será que a verdadeira força não está justamente em saber crescer sem perder a sua identidade, a sua alma? Transforma isso em atitude na sua vida. A gente vai para um último intervalo. Daqui a pouquinho, a gente volta para as considerações finais.
A Queijaria Queijosso vai muito além da venda de queijos. Aqui, cada peça carrega história, técnica e paixão. É um verdadeiro trabalho de curadoria, onde se transforma queijos frescos em joias maturadas, com alma e identidade mineira. Vem para Poços de Caldas e conheça a Queijaria Queijosso. Um autêntico sabor mineiro direto da fonte.
E quando um projeto nasce com verdade, ele inevitavelmente toca mais a gente. E é isso que transforma técnica em legado. Gabriela, Lara, muito obrigado pela presença de vocês aqui no Experiências. Foi uma conversa muito bonita, muito legal, muito rica. E principalmente porque hoje a gente consegue mostrar e evidenciar...
para o nosso público, que o vinho não nasce apenas do glamour na taça. É muito elitizado. As pessoas, às vezes, colocam o vinho em uma posição quase que intangível, quase inatingível. Mas ele nasce, na verdade, de muito trabalho, muito suor, muita observação, muito conhecimento, e principalmente paciência e comprometimento com excelência. É entregar o melhor. E agora eu quero deixar para vocês o espaço.
para vocês aqui. Vamos começar pela Gabriela. Gabriela, que mensagem você gostaria de deixar para quem sonha em trabalhar com vinho, ou enologia, ou para quem também possa, de repente, encontrar na história da Casa Tês a oportunidade que falta para ela na vida dela?
Eu acho que vinho é uma coisa muito difícil de fazer, que demanda muito tempo, muita atenção, mas é muito gratificante. Uma coisa que você falou que eu acho muito importante. O vinho não é elitizado, o vinho não é uma coisa de elite. O vinho é uma bebida, é agricultura, é o trabalho diário no campo, de tudo que você reflete numa taça. Então, eu acho que isso. É muito difícil, não acho que vinho é glamour, porque as pessoas acham que você é chique, não é chique?
Eu estou lá tudo suja, tudo arrebentado, com a mão tudo cortada. Chique é você tomar o vinho e gostar.
Então, acho que é isso. Quer ser enólogo, quer ser agrônomo, a partir de viticultura, é trabalhoso, mas é gratificante uma pessoa tomando seu vinho e falar nossa, que vinho bom, que gostoso. E eu que te agradeço, porque realmente os vinhos que vocês fazem são vinhos incríveis e eu vou ter a oportunidade de estar tomando outras vezes, porque eu vou estar inscrito lá no clube, lá também, lá nos associados. Na locação. Na locação.
E, Lara, que mensagem que você gostaria de deixar também para as mulheres? Acho que é um approach muito interessante.
que querem ocupar cada vez mais o espaço no campo e na viticultura? Eu acho que, se a gente tem um sonho... Porque elas já ocupam. Se a gente tem um sonho, a gente tem que correr atrás. É cansativo, igual a Gabi falou. É dia a dia, demanda tempo, paciência. Tem que ter muita paciência, porque ainda mais o campo.
Não é do dia para a noite. O resultado é do trabalho de anos. Eu estou lá há cinco anos e meio, né? E agora, depois de cinco anos, que a gente começou a colher frutos. Então, acho que é isso. Paciência e... Perseverança. Perseverança, isso. E, para fechar, eu deixo agora para as duas. O que vocês diriam para quem ainda está começando a descobrir a força do vinho brasileiro?
Você escolhe quem quer começar. Eu posso falar. Então vai. Bebam vinhos brasileiros. Os vinhos brasileiros são excepcionais. A gente tem um terroir enorme no Brasil. O Brasil é um país enorme. Então, tem espumantes maravilhosos no Rio Grande do Sul. Tem vinhos tintos maravilhosos aqui. Então, bebam vinhos brasileiros. Acho que é uma coisa que eu tenho que falar. E também para valorizar a nossa agricultura. O que é nosso.
Vamos valorizar a nossa identidade. Então, o que eu falo, beba um vinho brasileiro. É, deu oportunidade. É, para mim, eu andava numa rua com uma camiseta. Beba um vinho brasileiro, entendeu? Para mim é isso. Deu oportunidade. Lara.
acho que é isso aí que a Gabi falou, da oportunidade, porque às vezes a pessoa já cria aquele preconceito, então acho que deu oportunidade para experimentar sem, como que eu falo, já com rótulos, já rotulando.
sem tomar, então... E pode ter certeza que vocês vão gostar. Bacana. Olha, um brinde. Mais uma vez, obrigado por terem vindo. Voltem sempre e a gente vai ter outras oportunidades. Com certeza. Tem que tomar, né?
Minhas confreiras e confrades enoapaixonados, esse episódio foi muito especial porque nós falamos sobre território, campo, enologia, sensibilidade técnica, reconhecimento internacional e futuro. E nós fizemos isso principalmente porque nós tivemos aqui duas profissionais que ajudam a mostrar na prática a força e a sofisticação do novo vinho brasileiro, mas principalmente a força da mulher brasileira, porque ela sabe o que ela quer, onde vai chegar e ela alcança esse resultado.
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E aí
Casa Tés
vinhosQueijaria Queijosso
Queijos mineirosQueijo Santa Clara
PizzaQuinta das Herédias
Vinhos do DouroQuinta do Ribeiro Santo
Vinhos do Dão