Episódios de Igreja Reformada de Campinas

Ezequiel 11.14-25 | O Senhor que edifica a partir dos escombros

06 de setembro de 202650min
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Sermão pregado pelo pastor Elienai Batista no culto matutino do dia 6 de setembro de 2026 na Igreja Reformada de Campinas.

campinas.igrejareformada.org

EZEQUIEL 14

¹⁴ Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:

¹⁵ Filho do homem, teus irmãos, os teus próprios irmãos, os homens do teu parentesco e toda a casa de Israel, todos eles são aqueles a quem os habitantes de Jerusalém disseram: Apartai-vos para longe do Senhor; esta terra se nos deu em possessão.

¹⁶ Portanto, dize: Assim diz o Senhor Deus: Ainda que os lancei para longe entre as nações e ainda que os espalhei pelas terras, todavia, lhes servirei de santuário, por um pouco de tempo, nas terras para onde foram.

¹⁷ Dize ainda: Assim diz o Senhor Deus: Hei de ajuntá-los do meio dos povos, e os recolherei das terras para onde foram lançados, e lhes darei a terra de Israel.

¹⁸ Voltarão para ali e tirarão dela todos os seus ídolos detestáveis e todas as suas abominações.

¹⁹ Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne;

²⁰ para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.

²¹ Mas, quanto àqueles cujo coração se compraz em seus ídolos detestáveis e abominações, eu farei recair sobre sua cabeça as suas obras, diz o Senhor Deus.

²² Então, os querubins elevaram as suas asas, e as rodas os acompanhavam; e a glória do Deus de Israel estava no alto, sobre eles.

²³ A glória do Senhor subiu do meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade.

²⁴ Depois, o Espírito de Deus me levantou e me levou na sua visão à Caldeia, para os do cativeiro; e de mim se foi a visão que eu tivera.

²⁵ Então, falei aos do cativeiro todas as coisas que o Senhor me havia mostrado.

Participantes neste episódio1
E

Elienai Batista

HostPastor
Assuntos4
  • A ilusão de segurança humana e o colapso das falsas estruturasBlindagem invisível·Panela de bronze·Autossuficiência·Jerusalém
  • Deus como santuário portátil para os exilados e a soberania da dispersãoExílio·Babilônia·Remanescente·Parente resgatador·Jesus Cristo
  • A regeneração do coração e a Nova Aliança como obra exclusiva de DeusCoração de pedra·Coração de carne·Espírito Santo·Graça irresistível·Depravação total
  • O julgamento divino da hipocrisia e a retirada da glória de DeusIdolatria·Veredito solene·Templo de Jerusalém·Monte das Oliveiras·Jesus Cristo
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Essa manhã, pela graça de Deus, chegamos ao último sermão nesta primeira fase da série de sermões no livro do profeta Ezequiel. Então chegamos a esse ponto e vamos nos afastar por talvez um ano de Ezequiel, olhar para outros livros da palavra de Deus. Então ouvimos sermões do capítulo 1 até o final do capítulo 11, onde temos a saída da glória do Senhor. Nós faremos inicialmente uma leitura, Ezequiel 11, do versículo 1 ao 13, que foi o texto da pregação do último domingo.

E vamos fazer essa leitura porque ela nos ajuda a compreender o restante do capítulo. A pregação será dos versículos 14 a 25. Assim diz a palavra do Senhor: Então o Espírito me levantou e me levou à porta oriental da casa do Senhor, a qual olha para o oriente. À entrada da porta estavam 25 homens. No meio deles vi a Jasaneias, filho de Azur, e a Pelatias, filho de Benaías, príncipes do povo. E disse-me: Filho do homem, são estes os homens que maquinam vilezas e aconselham perversamente nesta cidade, os quais dizem: Não está próximo o tempo de construir casas?

Essa cidade é a panela e nós a carne. Portanto, profetiza contra eles: profetiza ao Filho do Homem. Caiu, pois, sobre mim o Espírito do Senhor e disse-me: Fala, assim diz o Senhor: Assim tendes dito, ó casa de Israel, porque quantas coisas que vos surgem à mente eu as conheço. Multiplicaste os vossos mortos nessa cidade e deles enchestes as suas ruas. Portanto, assim diz o Senhor Deus: os que vós matastes e largastes no meio dela são a carne e ela a panela.

A vós outros, porém, vos tirarei do meio dela. Temestes a espada, mas a espada trarei sobre vós, diz o Senhor Deus. Tirar-vos-ei do meio dela e vos entregarei nas mãos de estrangeiros e executarei juízos entre vós. Caireis à espada nos confins de Israel. Vos julgarei e sabereis que eu sou o Senhor. Esta cidade não vos servirá de panela, nem vós servireis de carne no seu meio. Nos confins de Israel vos julgarei e sabereis que eu sou o Senhor, pois não andastes nos teus estatutos nem executastes os meus juízos.

Antes fizeste segundo os juízos das nações que estão ao redor de vós. Ao tempo em que eu profetizava, morreu Pelatias, filho de Benaías. Então caí com o rosto em terra, clamei em alta voz e disse: Ah, Senhor Deus, darás fim ao resto de Israel? Agora, meus irmãos, vamos ler os versículos 14 a 25, que é o texto da pregação desta manhã. Veio a mim a palavra do Senhor dizendo: Filho do homem, teus irmãos, os teus próprios irmãos, os homens do teu parentesco e toda a casa de Israel, todos eles são aqueles a quem os habitantes de Jerusalém disseram: Apartai-vos para longe do Senhor, esta terra se nos deu em possessão.

Portanto, dize: Assim diz o Senhor Deus: Ainda que os lancei para longe entre as nações, e ainda que os espalhei pelas terras, todavia lhes servirei de santuário por um pouco de tempo nas terras para onde foram. Dize ainda: Assim diz o Senhor Deus: Hei de ajuntá-los no meio dos povos, E os recolherei das terras para onde foram lançados e lhes darei a terra de Israel. Voltarão para ali e tirarão dela todos os seus ídolos detestáveis e todas as suas abominações.

Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles. Tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne. Para que andem nos meus estatutos e guardem os meus juízos e os executem. Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus. Mas quanto àqueles cujo coração se compraz em seus ídolos detestáveis e abominações, eu farei recair sobre sua cabeça as suas obras, diz o Senhor Deus. Então os querubins elevaram as suas asas e as rodas os acompanhavam, e a glória do Deus de Israel estava no alto sobre eles.

A glória do Senhor subiu do meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade. Depois, o Espírito de Deus me levantou e me levou na sua visão à Caldeia, para os do cativeiro, e de mim se foi a visão que eu tivera. Então falei aos do cativeiro todas as coisas que o Senhor me havia mostrado. Até aí a leitura da palavra do Senhor. Nós vamos orar ao Senhor mais uma vez e pedir a sua graça e misericórdia para esse momento.

Ó Senhor Deus bendito, vamos ouvir a exposição da tua palavra nesse instante e queremos pedir que o Senhor, pelo Espírito Santo, nos capacite a ouvir com atenção, com diligência, com cuidado, com temor e tremor, porque a exposição da tua palavra, que o Senhor dê graça àquele que fala para que o faça com fidelidade com integridade, no poder do Espírito Santo, que a tua palavra nos alcance, fale ao nosso coração, mude a nossa forma de pensar, nos conforme a imagem do teu Filho Jesus Cristo.

Não deixe, Senhor, que pensamentos, preocupações e quaisquer outros assuntos roubem a nossa atenção, mas que nós possamos ouvir, entender, guardar e viver a tua palavra. Nós oramos assim no nome santo do teu Filho Jesus Cristo. Amém. Amados irmãos, vocês já observaram como o coração humano é incrivelmente engenhoso para fabricar aquilo que podemos chamar de uma blindagem invisível contra as dificuldades dessa vida. Eu creio que vocês sabem por experiência própria como todos nós gastamos uma enorme quantidade de energia e de recursos tentando erguer aquilo que na linguagem do profeta Ezequiel é uma panela de bronze.

Ou seja, nós costumamos ter outros nomes para isso: um saldo bancário robusto, uma carreira profissional invejável, um bom plano de saúde, o status de morar em um condomínio fechado porque isso é seguro, ou até mesmo de dizermos: bom, eu pertenço a uma igreja confessional. Nós estamos cercados dessas estruturas E corremos o risco de, nos cantos do nosso coração, sussurrarmos a seguinte expressão: que dentro dessas estruturas estamos seguros, que o caos pode reinar lá fora, mas aqui na minha panela, na minha panela de bronze, eu vou resistir a todas as intempéries da vida humana.

Mas o que acontece quando a panela racha? O que acontece quando a providência soberana de Deus, por assim dizer, chacoalha as nossas falsas estruturas de segurança e arranca de nós aquilo que nós estamos usando como escudo para nossa vida? No último domingo, nós fomos confrontados exatamente com o colapso dessa ilusão. Nós vimos como as lideranças de Jerusalém, versículo 1 ao 13, como as lideranças de Jerusalém haviam construído uma teologia inteira de autossuficiência baseada no slogan: esta cidade, Jerusalém, esta cidade é a panela e nós somos a carne.

Eles acreditavam que o Templo de Jerusalém, as muralhas geográficas, o pacto, que tudo isso garantiria um tipo de muralha invisível que os protegeria contra quaisquer dificuldades. Deus, no entanto, cancelou a farsa dessa metáfora dos líderes de Israel e disse que eles seriam ejetados da sua zona de segurança para as fronteiras de Israel, para longe de onde eles pensavam estar seguros. E enquanto o profeta anunciava essas coisas, no exato momento a sentença de Deus se cumpriu em tempo real.

Lemos no final do texto lido a princípio, 1 a 13, como um dos príncipes chamado Pelatias, que como vimos no sermão anterior significa Yahvé liberta, Yahvé salva, Yahvé preserva, como esse homem caiu morto no templo. E diante da queda do homem que carregava uma promessa em seu nome, O profeta, no final, versículo 13, caiu com o rosto em terra e ele lançou ao céu o clamor talvez mais angustiado de Ezequiel em todo o seu livro. Ele disse: Ah, Senhor Deus, darás fim ao resto de Israel?

E essa pergunta foi aí que paramos na última pregação, com o clamor e a pergunta de Ezequiel. Então é importante entender isso para entender que o texto que nós acabamos de ler, 14 a 25, é a resposta de Deus ao clamor de Ezequiel. Então não é um novo assunto, mas a resposta imediata. É óbvio, nós demoramos uma semana para sair de um texto para outro, mas na profecia isso acontece imediatamente. E Ezequiel se coloca como profeta e sacerdote, e ele ora, ele intercede, e Deus responde.

Essa resposta que veremos nessa manhã. Por isso eu vos anuncio a palavra de Deus nessa manhã sob o seguinte tema: o Senhor que edifica a partir dos escombros. O Senhor que edifica a partir dos escombros. Nós vamos ver 3 pontos. O primeiro deles está do versículo 14 ao 16. É uma promessa de Deus, o Deus que se faz santuário para o exilado. Então, o primeiro ponto: Deus que se faz santuário para o exilado. Olha para o versículo 14.

O texto abre com uma fórmula: veio a palavra do Senhor dizendo Isso está indicando é uma continuidade do que vimos no versículo 13, o clamor do profeta. É a reação de Deus, vem a palavra do Senhor em resposta à intercessão do profeta. Só que essa resposta, ela não é apenas uma resposta informativa, ela tem aqui uma força ativa de fazer acontecer. E a primeira ação desta palavra soberana é curar a visão de Ezequiel, redirecionando o olhar de Ezequiel.

Porque perceba, Ezequiel, quando viu Pelatias cair morto no templo, Ezequiel esboçou um certo desespero. Bom, se o homem que tem em seu nome a palavra de que Deus cuida do seu povo e Deus o mata aqui, um príncipe o que será de todo o restante? Será que todos vão morrer? Será que as promessas de Deus vão falhar? Ezequiel estava amedrontado. Então vem a resposta de Deus, e a resposta de Deus é para corrigir a maneira como Ezequiel estava vendo as coisas.

E o que Deus diz a Ezequiel: Filho do homem, teus irmãos E vejam a repetição: os teus próprios irmãos. Isso não é por acaso, é uma ênfase. Os homens do teu parentesco. Então Deus está forçando o profeta a desviar os olhos dos príncipes corruptos sobre os quais vimos semana passada, os homens arrogantes de Jerusalém, tirar os olhos deles e contemplar os exilados que estavam na Babilônia humilhados. E ele é como se Deus dissesse: olha, tira o foco desses líderes corruptos em Jerusalém com sua teologia falsa, a teologia da panela, e olhe para os exilados que estão na Babilônia.

É ali entre os exilados que está o foco do meu amor e a continuidade das minhas promessas. No remanescente. Mais do que isso, o texto usa uma expressão que no português, em nossas traduções, ela não aparece. Quando o texto diz os homens do teu parentesco, no texto hebraico é literalmente os homens sob o teu dever de resgate. E que isso significa? O teu, os homens do teu dever de resgate. Isso é uma referência a uma lei do Antigo Testamento que se chamava a lei do parente resgatador.

Então, quando um irmão empobrecia, quando alguém perdia suas terras, ou quando alguém era vendido como escravo, o parente mais próximo tinha o dever, tinha o direito e o dever legal de pagar o preço e resgatar as terras daquela pessoa para que continuasse naquela família. E você pode ver um exemplo de um parente resgatador em um livro da Bíblia. Crianças, vocês conseguem imaginar qual seria esse livro? Se vocês pensaram no livro onde tem uma belíssima história de uma mulher chamada Rute, e quem é o parente resgatador?

Boaz. Isso é a lei do parente resgatador. Então aqui o contexto é o seguinte: os habitantes de Jerusalém, esses líderes perversos, eles estavam basicamente dizendo o seguinte: olha, os exilados estão longe da Terra Prometida, eles estão longe do templo, então eles estão fora da aliança. Como se a aliança dependesse da terra e do templo. E se eles estão fora da aliança, eles perderam o direito à terra. A terra agora é nossa, de quem ficou em Jerusalém.

Mas Deus está invertendo isso. Ele está dizendo: bom, não importa o que esses homens perversos estão dizendo, os exilados, os que estão lá na Babilônia, o remanescente Estão, Ezequiel, debaixo do seu dever sacerdotal de intercessão e resgate. Eles não foram descartados por mim. A herança ainda é deles. Eles têm direito a voltar. E no versículo 16 apresenta-se então o que nós chamamos de contra-oráculo. Ou seja, houve um oráculo de juízo nos versículos anteriores.

Agora há uma coisa que mostra um outro caminho. Duas verdades aparecem nesse contra-oráculo a partir do versículo 16. A primeira, observem sua Bíblia: a soberania da dispersão. Deus não diz que foi Nabucodonosor ou os caldeus que espalharam o seu povo, mas ele mesmo. Observe os verbos: eu, eu removi, eu os tirei. Então o exílio para a Babilônia foi um ato soberano, justo e pedagógico da providência de Deus. Deus estava separando para si um remanescente.

Isso deve nos ensinar, meus amados irmãos, a sermos cuidadosos a interpretar as ações de Deus. Porque perceba, da perspectiva de quem ficou em Jerusalém, ir para o exílio é a coisa pior possível. Eles entenderam: quem foi para o exílio é quem Deus não ama. Porque está sofrendo no exílio, tá longe de sua terra, longe das promessas, longe do templo. Mas aqui vemos o contrário: a ação da providência de Deus separou para si, dentre todo Israel, um grupo de pessoas que a Escritura chama de remanescente, os conduziu para a Babilônia para preservá-los do juízo que Deus derramaria sobre os infiéis em Jerusalém.

A visão humana estava totalmente contrária ao que Deus pretendia na sua ação da providência. E notamos então aqui também uma ideia que às vezes nos escapa, de que há um grande consolo na submissão. Quando olhamos os dois grupos, vemos o contraste. Há um grupo que foi exilado e chega na Babilônia humilhado e se submete ao exílio. Esses recebem as promessas de Deus. Há um grupo cheio de orgulho que ficou em Jerusalém, uma elite de autoridades que foram assumindo o poder.

Eles não estavam aceitando o juízo de Deus. Eles se blindaram com mentiras, inclusive, como vimos, mentiras teológicas. E aí conhecemos aquilo que a Escritura repete por toda parte, que Deus abate os orgulhosos e exalta os humildes. Mas há um outro ponto também nessa parte do nosso texto. É o que podemos chamar de o mistério do santuário portátil, porque o texto diz: eu serei para vós um santuário. Aonde? Na Babilônia. Então, para um judeu daquela época, a ideia de pensar em Deus sem pensar no templo, para o judeu, era uma ideia inconcebível.

Mas aqui Deus diz: eu mesmo, sem pedras, sem construção, eu serei para vocês um santuário. E a palavra hebraica aqui carrega uma ambiguidade intencional. Porque ela pode significar dimensão, ou seja, seria um santuário em pequena escala. Isso entra em contraste com a grandeza do Templo de Salomão. Ou pode significar tempo, um santuário por um pouco de tempo, como está nas nossas traduções. Isso seria então um santuário enquanto eles estão no cativeiro babilônico durante 70 anos.

Portanto, o próprio Senhor diz que ele será a realidade do templo para o seu povo. Então, a presença de Deus assim fica desvinculada de quê? De um lugar, Jerusalém, de um edifício de pedras, o templo. Ela se— Deus torna-se então um tipo de abrigo que é descrito aqui como um abrigo, um abrigo portátil, um abrigo móvel. Onde o povo estiver, Deus estará como templo para o seu povo, mesmo quando eles estão na Babilônia debaixo de aflição.

Isso contrasta com o fato de que a glória do Senhor está saindo de Jerusalém, mas ela é prometida estar em Babilônia. Meus amados, essas duas imagens do parente resgatador e do templo portátil, elas apontam para o nosso Senhor Jesus Cristo. Primeiro, Jesus Cristo é o mais perfeito, maior de todos os parentes resgatadores. Todos os parentes resgatadores do Antigo Testamento que pagaram um preço para que o povo voltasse à liberdade ou voltasse para suas terras, como Boaz, todos eles são uma sombra deste que é a concretização, o nosso Senhor Jesus Cristo.

Então, o nosso Senhor Jesus Cristo assumiu a nossa carne e sangue para se tornar o nosso irmão, o nosso parente, um homem como nós, e ele pagou na cruz o preço do nosso resgate eterno para nos devolver as bênçãos do Éden que nós perdemos na queda. Mas ele também é o verdadeiro tabernáculo que caminha conosco, como vimos no último domingo. Ele é o Verbo que se fez carne, que tabernaculou entre nós. João 1, Versículo 14. Então perceba como Jesus demonstrou isso durante todo o seu ministério.

Pense agora, Jesus caminhando pelas estradas empoeiradas da Galileia. Ele estava indo da Galileia à Judeia e em toda parte, curando, ensinando, mostrando e pregando o reino de Deus. O que era aquilo senão O santuário portátil, o santuário itinerante da glória de Deus andando entre os homens e protegendo e curando e salvando. E hoje, através do Espírito Santo que nos foi dado desde o dia de Pentecostes, o Senhor cumpre a promessa que fez antes de sua ascensão: eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

Agora, amados irmãos, então devemos pensar nas implicações dessa primeira parte do nosso texto. E pensem, se a providência de Deus torna-se para você dolorosa, então podemos dizer que você está de certa forma exilado em algum aspecto difícil da providência de Deus. Como uma doença grave, como luto, como desemprego, como a hostilidade no ambiente de trabalho e quaisquer outras dificuldades que você venha enfrentar, o consolo que você recebe não é o consolo de que nós temos um prédio, que temos uma estrutura, não é o consolo que você tem ou não tem dinheiro, tem ou não tem plano de saúde, quaisquer dessas coisas que costumamos querer encontrar segurança.

Nós podemos dizer que nos lugares mais difíceis, e vamos chamar isso de a planície da dor, ali onde você estiver, Cristo arma, está armado, melhor dizer, o santuário portátil de Deus para você, porque você está em Cristo Jesus. Então, crianças, como podemos entender isso? Imaginem, crianças, então a seguinte imagem. Imagine um garoto e ele mora numa casa de tijolos, uma casa grande, bonita e forte. Esse garoto tem seu próprio quarto e o quarto é maravilhoso, é quentinho, cheio de brinquedos, livros.

Parece que só coisas boas podem acontecer nesse quarto. Ele está feliz com sua casa, feliz com seu quarto. Mas de repente, crianças, vem um anúncio: haverá naquela região uma forte inundação e todas as casas da região serão submersas. É preciso fugir rápido, imediatamente. A família pega poucos itens, se coloca no carro e sai correndo para escapar desse perigo iminente. E então eles chegam depois de algumas horas no lugar afastado, escuro, crianças, uma floresta densa.

E agora eles devem parar porque acabou a gasolina do carro. Eles precisam se preparar para passar a noite. E agora o menino olha ao seu redor, não tem paredes. Não tem uma casa bonita, não tem uma cama quentinha, nada. Só árvores grandes escuras. Tudo parece cheio de perigo. Então, meninos, naquela noite escura e terrível, o pai abre a mala do carro e pega uma bolsa enorme, e lá dentro tem uma barraca. Ele acende uma fogueira perto da barraca.

Ele coloca então o seu filho dentro da barraca, e ele então ele mesmo deita dentro da barraca ao lado do seu filho. E ele diz ao seu filho: meu filho, nós não temos mais a casa grande de tijolos, mas meu filho, olha para mim, eu estou aqui com você. Meu filho, olha aqui o braço do papai. O braço do papai é a parede que vai proteger você, meu filho. O meu amor e o meu carinho é o que vai cobrir você. Enquanto você estiver comigo, meu filho, você está seguro.

Então, naquele momento, o menininho percebe que não foi a casa de tijolos que ficou para trás, Mas sempre a sensação de segurança era a presença de seu pai consigo. Amados irmãos, em Cristo Deus é para nós o santuário portátil. Ele está sempre com você, em qualquer lugar, em qualquer dia, em qualquer situação. Então entenda isso: a sua segurança Não está nunca em paredes de pedra, em sua estabilidade financeira, no sucesso de suas instituições.

A nossa verdadeira casa é uma pessoa, e o nome dessa pessoa é Jesus Cristo. É isso que Ezequiel nos proclama aqui. Agora vamos para o segundo ponto, versículos 17 a 20: o Deus que regenera e reúne o seu povo. Então o profeta está desesperado. Ele ouve das promessas de Deus ser o santuário para o seu povo, mas agora sai disso a promessa e vai para uma promessa ainda maior, mais profunda. Deus promete uma restauração definitiva, porque não é algo apenas que Deus fará por nós sendo o santuário, mas que Deus fará em nós mudando o nosso coração.

Versículo 17, temos a introdução aqui dessas promessas de que eles vão ser, de que eles vão voltar para a terra da aliança. E dois verbos aparecem aqui: hei de ajuntar-vos e recolherei. Essa promessa dupla cumulativa estabelece aqui que o retorno do povo, dos exilados, no futuro não seria por causa de acordos geopolíticos ou rebeliões ou ações de um exército, mas seriam pelo ato exclusivo da soberana vontade do Senhor. E Deus promete a eles dar-lhes não apenas a terra que foi mencionada no versículo 15, mas usa aqui uma palavra para indicar que vai dar a eles a terra pactual.

Ou seja, não é apenas uma questão de propriedade, é de pertencimento à aliança. Essa repatriação aqui não é um fim em si mesmo. No versículo 18 lemos: voltarão para ali e tirarão dela todos os seus ídolos detestáveis e todas as suas abominações. Esse verbo tirarão, quando Deus os repatriar, indica uma ação ativa do povo. Indica então que quando alguém é alvo da graça salvadora de Deus, sendo resgatado pela graça de Deus, essa graça não deixará o homem passivo, como se dissesse: agora é pela graça, então não farei nada.

Não, não é essa ideia aqui. Mas essa graça aparece como a graça que leva o homem a agir. Então ele vai tirar de sua vida toda idolatria e abominação. Agora veja o versículo 19. Temos aqui aquilo que podemos chamar o milagre da Nova Aliança. Deus diz: dar-lhes-ei um só coração, espírito novo, porém, dentro deles. Tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne. Então, quando diz dar-lhes-ei um só coração, quer dizer: vou retirar a hipocrisia, o duplo ânimo, coração dobre que quer servir a Deus e os ídolos.

Vou tirar isso e darei um coração só, um coração que sirva, um coração íntegro, leal a Deus. E é bom lembrar que para os judeus o coração é a sede da vontade, dos afetos, E o espírito é o princípio da vida. Então, quando ele diz que vai dar a eles um espírito novo, está dizendo: eu vou dar não só um coração transformado, mas eu vou colocar uma força que vai reorientar a alma de vocês para mim mesmo. Então, eles receberão um coração transformado e um espírito novo.

Quer dizer, eles vão desejar servir a Deus. E então lemos sobre essa cirurgia radical. Deus promete remover o coração de pedra, que aqui simboliza a dureza do coração humano por causa do pecado, a dureza que repele a lei, que não ama a Deus. E Deus promete dar um coração de carne, ou seja, um coração sensível à obra do Espírito Santo. Então esse versículo é um monumento, podemos dizer, à graça irresistível. Por quê? Porque quando você olha toda a iniciativa e execução que aparece em nosso texto, pertencem única e exclusivamente a Deus.

Olha os verbos: eu darei, eu porei, eu tirarei. Não tem aqui uma ação humana, não é o homem que dá a si mesmo um coração novo. Apenas o Senhor. Então lembramos do ensino bíblico sobre a depravação total. O homem natural não está apenas ferido pelo pecado, ele está morto. Ele não é capaz de dar a si mesmo a vida para servir a Deus. Isso requer um milagre da graça. Então toda essa magnífica reconstrução da graça de Deus dando um novo coração O objetivo disso é revelado no versículo 20.

Veja em sua Bíblia: para que andem. Para que indica o propósito. Para que andem nos meus estatutos e guardem os meus juízos e os executem, e eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus. Então essa conjunção para que estabelece a lógica indissolúvel entre a justificação e a santificação. A obediência aos estatutos e juízos do Senhor não é aqui um instrumento para ser salvo, é o resultado de ter sido salvo, é o fruto orgânico, mas devemos dizer inevitável, de um coração regenerado.

Se alguém recebeu a nova vida, um novo coração, inevitavelmente desejará andar de acordo com a vontade de Deus. Então veja, nós não obedecemos para sermos salvos e regenerados, mas nós somos salvos e regenerados para que possamos obedecer. E o ápice desse processo é a restauração aqui do que chamamos de fórmula do pacto: eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus. Isso é, está condensando as bênçãos da Nova Aliança, a comunhão íntima e eterna com Deus e o seu povo.

E então, diante dessa promessa de Yahvé de reunir os dispersos da terra por sua própria mão soberana, encontramos também aqui a proclamação do Evangelho, porque essa reunião do povo de Deus é concretizada em Cristo. Ele disse, como Supremo Pastor: tenho outras ovelhas que não são deste aprisco, e elas ouvirão a minha voz. E na cruz, ele morrendo na cruz, precisamente ele morreu para, disse ele mesmo em João 11, reunir um só corpo, os filhos de Deus que andavam dispersos.

Amados irmãos, Essa passagem também nos confronta duramente com o erro que às vezes alimentamos de esculpir ou polir o coração de pedra por meio de regras externas, ativismo moralista, ou até meramente um confessionalismo intelectual. Então Muitas pessoas querem resumir a sua espiritualidade numa lista de deveres, e por vezes elas estão muito preocupadas com os deveres, com os detalhes dos deveres, e sem ter uma afeição real pelo Senhor.

Então é bom entender isso aqui: é possível ser extremamente zeloso de certas questões da aparência da religião, mesmo a religião reformada. É possível ser muito zeloso da doutrina, do culto, dos hábitos e de tantas outras coisas boas que realmente temos na palavra de Deus. É possível ser zeloso dessas coisas e não ser, e não ter um coração transformado. Ser uma pessoa que hoje alguém diria: olha, é um super reformado! E amanhã encontramos essa pessoa vivendo novamente em seus delitos e pecados, sem amor ao Senhor.

E então devemos estar atentos a isso. A aparência, as panelas de bronze que nós construímos ao nosso redor para pensar que estamos seguros, elas não são suficientes. Quando você está tentando se agarrar a regras, deveres, detalhes, aspectos de minúcias da doutrina e tantas outras coisas sem ter a realidade para a qual essas coisas apontam, você está tentando educar um cadáver. É isso. Há pessoas que tentam educar um cadáver, porque um homem sem Cristo, um homem sem um coração regenerado e sem a nova vida no Espírito Santo, não tem vida.

Pode ser um teólogo, pode ser um pastor, pode ser qualquer coisa, pode conhecer a teologia, as confissões e quaisquer coisas. Somente o Espírito Santo pode mudar o nosso coração. E se você diz: o Espírito Santo mudou meu coração pela graça de Deus, então sua vida deve demonstrar a transformação do seu coração, a sua conduta com sua esposa, com seus filhos, com seus colegas no trabalho, com seus irmãos. Nos negócios de sua empresa, no trato com funcionários, na honestidade com os impostos, na pureza do olhar, tudo isso.

Então devemos examinar o nosso coração, porque o coração transformado produz inevitavelmente obediência grata e ativa da lei de Deus. Agora vamos para os últimos versículos, 21 a 25. O Deus que julga a hipocrisia. A doçura da graça de Deus descrita nos versículos 19 e 20, o coração transformado, o espírito novo, fica evidente na parte final do nosso texto: não deve ser usada como pretexto para negligência moral. Então esses versículos finais, a partir do versículo 21, funciona como uma barreira de proteção.

Porque quanto àqueles cujo coração se compraz em seus ídolos detestáveis e abomináveis, eu farei cair sobre a sua cabeça as suas obras, diz o Senhor Deus. Então está falando de pessoas que se diriam servos e servas de Deus, mas aqui diz cujo coração se compraz em seus ídolos detestáveis e abominações. Essa palavra, quando diz assim: mas quanto àqueles cujo coração se compraz em seus ídolos, no texto hebraico é literalmente, tem uma repetição da palavra coração que não aparece no português, é literalmente cujo coração anda após o coração de suas coisas detestáveis.

É isso literalmente. Cujo coração anda após o coração de suas coisas detestáveis. O que isso significa? Significa que o coração do idólatra passa a espelhar o coração do ídolo. O que é o coração do ídolo? Aquele, aquele elemento principal, o que oferece aquele ídolo. Então vamos pensar nisso com um exemplo. O dinheiro é um ídolo para muitas pessoas, as riquezas. Mas quando olhamos do ponto de vista bíblico, o que é o dinheiro?

É um vazio. Ele não pode garantir a sua saúde. Ele não pode garantir a sua salvação. Ele pode estar nas suas mãos agora e daqui a pouco não estar mais. É como uma neblina, alguém parece ter e de repente se foi. O dinheiro não permanece, o dinheiro não pode ser levado para a vida além. Ele é passageiro. E então, quando alguém coloca o seu coração nas riquezas, está colocando o seu coração no vazio do dinheiro. E o coração dessa pessoa fica tão vazio quanto é vazio o dinheiro, sem valor.

Então, basicamente, o que Ezequiel— perdão, o Senhor está dizendo é que a inutilidade dos ídolos passa a ser espelhada no coração da pessoa, e a pessoa que está buscando aquilo fica tão vazia quanto o próprio ídolo. Se sente como, mesmo tendo dinheiro, se sente o quê? Pobre. Como se não tivesse, porque se sente só, porque se sente vazio, porque a alma está procurando algo que o dinheiro não pôde dar. Então Deus diz que ele vai jogar sobre os que fazem isso, que colocam o seu coração na vacuidade do ídolo, a sentença.

A sentença é atribuída da seguinte forma: eu farei cair Então isso aqui é um verbo que indica uma certeza. Deus vai realmente julgar os hipócritas. Então o pecado dessas pessoas será colocado, diz o texto, sobre a cabeça das próprias pessoas. Isso quer dizer, as maldições da aliança recairão sobre essas pessoas. E diante disso, desse veredito solene contra a hipocrisia, A visão de Ezequiel atinge aqui no final o seu clímax. Então, depois de pronunciar esse juízo, então os querubins elevaram as suas asas e as rodas os acompanhavam, e a glória do Deus de Israel estava no alto sobre eles.

A glória do Senhor subiu do meio da cidade e se pôs sobre o monte que está a oriente da cidade. Então esses versículos finais revelam o juízo de Deus, a retirada de sua glória do templo em Jerusalém. E a descrição aqui não é uma descrição, por exemplo, de uma cena de pânico quando alguma coisa acontece e alguém tem que sair correndo. A descrição é uma descrição da retirada de um rei. Tudo está organizado. Tudo está no seu lugar.

É uma retirada intencional, ninguém o força. Ele sai, os querubins se levantam, as rodas se levantam, a glória se levanta. Deus intencionalmente está deixando o templo de pedra em Jerusalém por causa da desobediência, idolatria do povo. O que seria O correspondente a isso em nossos dias seria uma igreja que se diz cristã não ter mais Cristo em sua vida. Terá aparência, ter paredes, ter um culto, ter um pastor, ter cânticos, ter tudo que parece que é uma igreja cristã, mas sem que Cristo esteja presente nela.

O abandono, a retirada da graça de Deus. E aqui o abandono do templo profanado de Jerusalém acontece, e essa glória do Senhor cruza em seu caminho, pois ela vai para o Monte Oriental, ela cruza o Vale de Cedrón e solenemente paira sobre o monte oriental, que é o Monte das Oliveiras. Então você pode ver que Deus não pode ser domesticado. Deus não fica onde nós queremos. Deus não fica quando as estruturas estão mortas. Deus não fica quando nós temos jargões evangélicos, mas não temos a Cristo.

Deus não fica quando o culto é cheio de barulho, mas vazio da glória de Deus. A glória se retira. Isso é o encerramento dessa visão. E essa transição carrega aqui algo que aponta também para o nosso Senhor Jesus Cristo. Porque ele lamentou sobre o Monte das Oliveiras. Ele deixou o templo, lamentou sobre o Monte das Oliveiras e disse: esta vossa casa vos ficará deserta. Pronunciou o juízo contra o templo em Jerusalém nos seus dias.

Ele cruzou o Ribeiro de Cedrón. Então tudo que está relacionado à pessoa e a obra do nosso Senhor Jesus Cristo Então, meus amados irmãos, vamos confrontados mais uma vez com o perigo de mantermos uma fachada de fidelidade, de amor, de serviço, de termos na nossa concepção uma boa teologia E se os nossos corações estão longe do Senhor, nós estamos secretamente atrás de ídolos modernos de prestígio, de consumo, de orgulho, de pragmatismo ético.

Devemos abrir os nossos olhos e nos arrepender dos nossos pecados. A glória de Deus não habita com ídolos do nosso tempo. Mas ao mesmo tempo, meus irmãos, podemos encontrar encorajamento, porque mesmo diante do declínio em todo o nosso redor, a nossa cultura, o texto sussurra a paz de Deus, porque a presença de Cristo continua conosco. O nosso Senhor Jesus Cristo é o tabernáculo, como vimos, presente, o santuário portátil da glória de Deus.

Então não fique desanimado, se refugie-se em Cristo Jesus. Por mais fraco que você seja, por mais dúvidas que você tenha, por mais angústias que você sofra, se você está em Cristo Jesus, mil cairão ao seu lado, 10 mil à sua direita, mas você não será atingido. Você está sob a proteção de Deus. Se você está na Nova Aliança em Cristo Jesus, é certo que Deus cuidará de você, e todas as bênçãos do pacto que foram para esse remanescente também são suas em Cristo. Amém.

Ezequiel 11.14-25 | O Senhor que edifica a partir dos escombros | Castnews Index — Castnews Index