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Ep 42 - Tinha tudo pra dar certo

28 de agosto de 202637min
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Ela passou anos tentando fazer esse relacionamento dar certo. Até descobrir que talvez o maior erro tenha sido continuar tentando. Uma história de traição, dependência emocional e um homem que teve chances demais.

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Assuntos6
  • O início do relacionamento de Aline e Pedro e a dependência emocionalAline·Pedro·Dependência emocional·Relacionamento abusivo
  • A traição de Pedro na Irlanda e a descoberta das mensagensAline·Pedro·Traição·Irlanda
  • O retorno ao Brasil, a tentativa de relacionamento aberto e o fim definitivoAline·Pedro·Relacionamento aberto·Término de relacionamento
  • A decisão de Aline de mudar de vida e a proposta de intercâmbioAline·Pedro·Intercâmbio·Austrália
  • A negação do visto para a Austrália e a mudança de planos para a IrlandaAline·Pedro·Visto negado·Irlanda
  • A nova fase de Aline após o término e a busca por sua própria identidadeAline·Autoconhecimento·Recomeço
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Olá, ouvintes do Nanapod, como vocês estão? Eu tô muito bem, obrigada, né, no que me diz respeito. Hoje eu vou contar a história de uma pessoa que eu conheço pessoalmente, tá? Eu não posso dar inclusive muitos detalhes sobre essa pessoa para dificultar a identificação, porque o episódio de hoje é daqueles que deixam a gente revoltada, sabe? Que você fica pensando assim, Miséria de macho arrumado, Jesus, como é que pode? Então eu vou chamar essa moça de Aline.

E eu já peço desculpa aqui porque com certeza esse episódio vai ter muito corte, porque eu conheço essa pessoa, né, eu sei da história já, e é impossível ler essa história sem pensar no nome dela. Então provavelmente toda vez que eu falar o nome da Aline eu vou ter que dar um corte para consertar, porque eu falei o nome original. E eu não sei por que eu acho que ela tem cara de Aline, menina, olhando para ela assim, eu acho que a mãe dela errou na escolha do nome.

Aline combina mais. E o namorado da Aline, namorado, marido, né, que vocês vão ver, a gente vai chamar de Pedro. Esses dois se conheceram quando ambos estavam na casa aí dos 20 anos de idade, né. Aline tinha 20, o Pedro 21, uma diferença quase inexistente. E ela ainda se martiriza na mensagem, ela diz que quem se apaixonou primeiro foi ela e segue dizendo que achou que por causa disso quem já começou a merda foi ela. Ué, minha querida, como assim, né?

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Vamos entender, vamos tentar entender, porque eu vou ler de novo. Ah, entendi. Diz ela que nunca tinha namorado ninguém na vida. Já tinha beijado na boca, já tinha dado aquelas, aquelas saidinhas, entendeu? Obviamente. Mas namorar mesmo assim, de apresentar para os pais, de levar em casa no almoço de domingo, foi a primeira vez que ela cogitou. E a bichinha agarrou paixão no Pedro desde a primeira vez que viu.

E ela azucrinou tanto esse homem, gente, ela azucrinou a vida desse homem também para ele namorar com ela. Tá vendo só? Agora eu entendi a sua revolta, mas eu continuo aqui com a minha opinião, né, de que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Até porque você pode ter feito o inferno na vida desse homem, tá? Você pode ter feito a vida de Pedro um pesadelo, mas se ele não quisesse namorar com você, ele não teria namorado, né não?

Porque assim, ele não era um adolescente, ele já tinha 21 anos, vamos combinar. A gente tem uma mania de se culpar por tudo, né? Eu também sou assim, gata. Eu tô aqui passando pano para você, mas na minha vez eu também meto o pau em mim, eu não passo rolando para mim não. Então, com 20 anos de idade, eles finalmente começaram a namorar, porque a linda ficou 2 anos tentando convencer o bonito a se amarrar com ela, ser oficial, né, namoridos.

Mas a senhora guerreira, viu, eu sou igual criança, gente. Quando eu pego birra, eu largo logo no início, eu não consigo esperar não. Deu 2 anos para ele poder namorar com você, decidir, né? Ah não, eu ia procurar outro boyzinho aí mais disponível, porque eu gosto de gente disponível, entendeu? Tem que gostar de mim também. Esse negócio de ficar me enrolando, aí eu já não, eu perco interesse. A Aline me falou que o namoro era daquele de bem Chernobyl, sabe aqueles namorinhos de adolescente?

Só que ela não era mais uma adolescente, né? Diz ela que toda vez que ela encontrava com alguém, alguma festinha, algum lugar assim, as pessoas viam ela chorando, né? Porque o Pedro aprontava horrores com a pobre. Só que ela tava no auge do amor, ela tava cega. Eu sei bem, gata, eu sei bem como é que é. Segundo a própria, ela viveu na vida adulta esse relacionamento que deveria ser vivido na parte aí da adolescência, que com 22 anos de idade você já trabalha, você já tá aí com o juízo formado, né?

Então realmente os romances de adolescência, eles são tumultuados, né? Geralmente aquela briga, separa, aí faz charminho, bloqueia, faz raiva. Esse é o namoro normal que a gente tem, porque a gente ainda tá aprendendo a lidar com os nossos sentimentos. Mas ter um namoro assim aos 22 anos de idade pode ser realmente muito pesado. E é legal que assim, o namoro de adolescência, a gente sabe que a gente não vai ficar com aquela pessoa.

No fundo, no fundo, a gente sabe que as nossas vidas vão se separar em algum momento, então é uma coisa mais leve, não é tão responsável. E quando ela tava com 25 anos, ela mudou de emprego, começou a ganhar um pouquinho mais e se desprendeu daquela vida que ela tava tendo ali com o Pedro, que girava basicamente em torno dos amigos dele, da família dele, de sair com ele. E aí ela teve uma nova visão da vida. Pela primeira vez, a Aline pensou: se eu me separar, eu acho que vai dar boa, hein?

Olha aí os pensamentos intrusivos! Quem é que nunca teve, né? Por que que a gente não ouve esses pensamentos? Se a gente começar a ouvir esses pensamentos intrusivos, a gente se livra de muita roubada. Só que o Pedro, ele já tava mais amarrado, ele já tava acostumado com a ideia de namorar, e ele não queria mais largar a mão da Aline. E gostou desse negócio de namoro, né, Pedro? Gostou, claro, né? Ele aprontava horrores com a Aline, e a Aline sempre aceitava voltar a ficar com ele.

Ah, era um win-win, né, Pedro? Que homem que não gosta? A gente bem submissazinha para você pintar e bordar. Até eu. Só que a Aline continua colocando pressão no Pedro, né? Aline disse que se, pô, se era para a gente continuar, gato, então eu quero fazer a relação ir para outro patamar. Porque já era aí uma relação de mais ou menos 5 anos no total, né? 3 de namoro e 2 aí de que eles se conheceram. Então já era algo sério, mas ela queria oficializar, ela queria morar junto.

Nada de ficar indo para casa de sogra, não. Vamos morar junto, ter o nosso Então, pensando nisso, no aniversário da Aline de 25 anos, o Pedro pede a mão dela em casamento e eles ficam noivos. Só que assim, pobre, fodidos, sem dinheiro, aí é foda, né, galera? Aí é receita para o fracasso. Esses dias eu vi um meme na internet que eu amei, que falava assim, ó: liso com liso escorrega. Eu achei bem propício para comentar aqui. Era o sonho da Aline casar de noiva, sabe assim, véu, grinalda, arroz.

Eles fizeram tudo certinho mesmo, tá? Namoro longo, noivado na frente da família, casamento na beca, tudo como manda o figurino. O Pedro já tinha melhorado um pouco, mas ele não se endireitou totalmente, segundo a Aline. Ah, mas aí a gente sabe que no fundo, no fundo, quando o cara é safado, ele não muda, não tem pepeca nenhuma que transforma esse homem, não se salva não. Esse aí só nascendo de novo, porque é caráter. Ele dava muitos perdidos na Aline o tempo todo, saía para beber com os amigos direto, para ver jogo do time dele, ia para o Rio, estádio de futebol, e sumia.

Mas isso aí, casado? Ah não, gente, mas que falta de respeito, né? Será que se fosse o contrário ele aceitava? Porque eu noto pelos episódios aí que eu tenho feito e também pela minha história de vida que a gente aceita muito, né? A gente aceita tanta coisa. E depois, principalmente desse meu último relacionamento, eu comecei a me perguntar isso, eu comecei a me questionar. Eu acho de verdade, do fundo do meu coração, que os homens não aceitariam 10% do que a gente tolera.

Eu tenho certeza. Com 2 anos de casado, a Aline achou que seria bom começar a pensar em aumentar a família, né, fazer um boneco, ter um filho. O Pedro, aliás, já tinha um filho de um outro relacionamento. Diz ela que quando eles se conheceram, o filhinho já tinha mais ou menos 7 meses de idade. Perceba que a Aline nunca quis ser mãe, ela nunca teve esse sonho de ser mãe, né, mas é aquela coisa, ela achava que esse era o caminho natural da vida.

E ela só descartou essa história de ter um filho com o Pedro porque estourou a Lava Jato, aquela Operação Lava Jato, foi o escândalo aqui no Brasil, e o Pedro perdeu o emprego e ficou aí uns 2 anos desempregado, provavelmente fazendo bicos. Então ela viu que não seria uma boa ideia, pelo menos naquele momento, ter um filho com esse homem. Nunca achei que eu falaria isso, mas Deus abençoe a Lava Jato. E ao longo desses anos, a Aline conheceu muita gente, né, na vida, de diferentes backgrounds, pelos lugares aí que ela trabalhava.

Uma dessas pessoas foi uma moça que havia morado na Austrália. E essa moça falava muito bem dessa experiência que ela teve de fazer intercâmbio. E para Aline isso era uma realidade completamente fora de cogitação, era distante, né? Ainda mais a gente que é de cidade pequena, porque a Aline, eu não falei, mas ela é daqui da minha cidade. Então algumas coisas são sim muito mais difíceis de alcançar para gente do que para quem mora, por exemplo, num grande centro tipo São Paulo, Rio de Janeiro, Juiz de Fora.

Tipo, há uns anos atrás, para só para vocês terem ideia, fazer faculdade aqui na minha cidade era um martírio, tá? Não tinha faculdade aqui, não tinha nem faculdade à distância. Você tinha que se deslocar para ir para uma outra cidade, para morar nessa cidade, né, largar tudo aqui e ir embora, ou ir de ônibus fretado todos os dias para o Rio ou para Volta Redonda, Barra Mansa, né, para as cidades aqui do entorno. E, gente, essa viagem ela é complicada porque pega o pior horário dessas estradas, tem muito tráfego, os ônibus não são dos melhores, muitas vezes eles quebravam no meio da estrada, os alunos não conseguiam fazer prova, pediam teste, era horrível de verdade.

Acho que a gente só dá valor ao que a gente tem quando a gente vai para uma cidade pequena e percebe que nem todo mundo tem as mesmas regalias que a gente. E olha que interessante, a Aline apresentou essa moça que fez o intercâmbio na Austrália para uma prima dela, e a prima se empolgou muito e decidiu ir fazer intercâmbio, menina, assim do nada. E a Aline, vendo toda a empolgação da prima, também começou a visualizar como é que seria a vida dela se ela fosse também.

Mas não só ela, né, o Pedro, porque afinal eles estavam casados, por que não? E logo começou a plantar a semente aí na cabeça do Pedro. Pô, Pedro, vamos, né? A gente tenta aí por uns 2 anos, no ruim, no ruim a gente volta. Inocente! Não foi difícil convencer o Pedro, afinal ele tava desempregado, né não? E o que que é um peido para quem já tá cagado? A mulher, fiquei pensando aqui, um intercâmbio para 2 na Austrália, sendo que só um paga, né?

Porque você falou para mim que tava trabalhando, pelo visto, e esse homem aí ficou 2 anos sem trabalhar. Roberval, é você, Roberval? Nessa época eles estavam com um ano de casados mais ou menos. A prima da Aline foi embora para o intercâmbio na Austrália e antes ela disse assim, ó, ano que vem eu vou estar lá esperando vocês dois, ok? Muito que bem. Aí começa o processo do Pedro e da Aline, né? Cartas para comprovação, exames, pagamento de taxa de passagem, tudo.

Faltando um mês para o embarque, a Aline já tava cumprindo até aviso para o trabalho, já tinha tido até festa de despedida. Eles recebem a notícia de que por eles não terem vínculo suficiente com o Brasil, poderia haver a chance deles estarem imigrando como estudante, mas para ficar ilegal lá. E por isso eles tiveram o visto negado. Pera aí, como é que é? Pera, pera, pera, pera, pera. Então tu vai me dizer que você vai fazer um intercâmbio, obviamente você tem que largar o seu emprego, devolver apartamento, vender suas coisas, né?

Tipo carro. Muita gente vende carro para pagar curso porque é caro. Mas aí não pode porque você não tem vínculo suficiente com o Brasil. Ué, o que que é? A pessoa tem que continuar trabalhando, tipo remoto? Ah, vou continuar pagando meu aluguel aqui mesmo não morando, é isso? Uma coisa sem sentido, né? Eu ri que a Lili falou assim, abre aspas: ficamos arrasados, foi a primeira vez que sofremos juntos, porque até então só quem sofria era eu.

Fecha aspas. Ai, amiga, pesado. Mas assim, eu achei bom, sabe? Eu achei bom, bom saber que o Pedro sofreu pelo menos um pouco, né? Eu quero mais. Ou seja, um baque enorme, né, menina? Eu eu tenho um primo lá de São Paulo que passou para uma universidade ano passado, isso mais ou menos. Aí vai vendo, aí ele foi aceito nessa universidade para jogar no time de futebol de lá, tá? Você sabe que nos Estados Unidos é assim, né? Eles recrutam as pessoas que podem trazer algum benefício para o país, geralmente no esporte.

Aí, mulher, você acredita que a universidade tinha até postado foto do meu primo no Instagram, compartilhou um monte de coisa, sabe assim? Ai, novo calouro! Quando o menino foi tirar o visto, negado. Você acredita? Menino novo com sonho chance assim gigante estudar lá fora, de jogar profissionalmente, porque aqui em São Paulo ele já tava até jogando para um time. Eu não lembro qual que era lá em São Paulo, era na base. Eles tentaram muito, a minha família, assim, meu primo, né, o pai dele, a minha prima, eles foram até para Brasília para ver se conseguiam tentar algum recurso, mas não teve choro nem vela.

Ele desistiu. Agora tá fazendo faculdade aqui no Brasil mesmo. Infelizmente não tem mais como tentar o visto americano, ele já perdeu essa chance. Assim como meu primo, a Aline e o Pedro ficaram devastados. Só que nesse meio tempo, a irmã da Aline tinha um amigo na Irlanda que tava ajudando ela e o noivo a irem estudar fora na Irlandinha. Aí, Esmeralda, quando ela soube que rolou com a Aline, ela mandou a letra para garota. Ela falou assim, ó, irmã, o fulano tá ajudando eu e o ciclano, né, o noivo dela, a gente aí para esse país aí.

Se você quiser, né, vamos lá, eu te ajudo também, a gente vai junto, pô, vai lá estudar, dá para trabalhar também. Que que você acha? A Aline já tinha ouvido falar da Irlanda, né? Quem nunca? A gente já viu, todo mundo já viu alguma coisa da Irlanda, mas a gente nunca se liga no que que realmente é a Irlanda, onde realmente é a Irlanda, a gente só acha que é um país qualquer lá da Europa, mas nunca tinha nem cogitado ir para lá.

Quem é que cogita ir para Irlanda? Que que é Irlanda? Na fila do pão, não é não? Para ser sincero, muita gente vai para Irlanda pela facilidade, por causa do inglês, por causa do fato de que se você for estudante você pode trabalhar, não é não? E porque é barato. Teoricamente você viajar, você pega um voo aí, 40 euros. Às vezes tem voo de 10, 20 euros para os países. Então você consegue sim se virar. Agora tem um problema da crise da acomodação, mas é um país bom de morar.

Só que ninguém nunca escolheria morar lá por causa do clima. Isso aí não dá para negar. Daí, como ela já tava puta da vida por causa dessa situação aí do visto negado, já tinha feito festa para dizer que ia embora, ela começou a pensar nessa hipótese. Embora a Aline aí, quase que eu falo o nome dela, ela gosta mesmo de praia, tá? Ela gosta de sol, ela é praiana assim que nem eu. O negócio dela era Austrália exatamente por causa disso, né?

Mas não tinha o que fazer, então vamos para qualquer lugar, não vamos perder a viagem de jeito nenhum. Aí vamos reparar que eles aí com mais ou menos 32, 33 anos de idade, que eles tinham essa diferença aí de 1. Então, então já tinha se passado o quê? Uns bons 11, 12 anos, né, desde que eles começaram a se pegar lá no início. Lá vai Aline e Pedro para Irlanda, para Irlandinha, cheios de sonhos, de curiosidade. Chegando lá, eles conseguiram se hospedar em um hostel e trocar a hospedagem por trabalho.

Olha que sorte, né? Isso ajudava muito porque não tinha a despesa do de aluguel, que é muito caro. Então nesse início eles conseguiam aí juntar dinheiro, apesar de que a Aline me disse que eles foram com dinheiro certo, tá? Tudo que a imigração comprovar, pedir para comprovar, eles tinham mais. Se programaram realmente para ir. Passado uns 2 meses, o Pedro arrumou um emprego de noite de barman e a Aline só trabalhava no hostel nessa época, né?

Aí você já sabe, a galera nova recém-chegada do intercâmbio, a Aline sempre recebia convites para sair com a galera, né, desbravar a cidade de Dublin, e ela saindo muito mais do que o Pedro. Lembrando de que ele não ia junto porque ele estava trabalhando, certo? Toma aí, gostosão! É bom provar do próprio veneno, né não? Porque assim, quando era o Pedro saindo com os parças aqui no Rio de Janeiro, tava chuchu beleza, né? Mas agora que o jogo virou, o Pedro ficou chateadinho, vocês acreditam?

Ah é, Pedro? Pedro começou a brigar com a Aline, ele ficou com ciúme, achou que a Aline não devia ficar saindo o tempo inteiro quando ele tava lá trabalhando. Pimenta nos olhos dos outros refresco bêrbada. A Lindy já tá meio puta e mandou logo um, ó, vamos separar, né? Porque já que você não aceita essa situação e vai ficar raining on my parade toda vez que eu for sair para me divertir, então cada um vai para um lado. Mas tá certa, gente, todos esses anos o cara ficava saindo, largando a menina sozinha em casa e ia se divertir com os amigos, ia para pelada, né?

Mas ela não pode, né? Quer dizer que na vida dela ela não pode não, ela tem que pensar em você, ter consideração. Tá vendo lá aquele negócio que eu falei no início? Exatamente o que eu falei, as coisas que a gente aceita em prol do relacionamento, o homem quase nunca aceita na vez dele. Isso aí é mais uma prova que a gente tem. A Aline foi firme e conta que ainda pensou que, ah, já que eu tô aqui fora, né, do Brasil, eu vou aproveitar.

E eu vou te falar que é muito mais fácil terminar um relacionamento lá fora, viu, fora do Brasil, quando você tá fazendo intercâmbio, quando você tá morando fora. Isso é se você não tiver filhos, né. Se você, seu casal não tem filhos, é mil vezes mais fácil. Não tem aquela pressão da família que fica perguntando, cadê fulano? Querendo saber, né, o que que rolou. É um primo, é um tio, é um vizinho, é pai, é sogro. Aí a família também julga quando você começa a sair de novo depois que você termina, quer ditar o tempo que você tem que demorar para conhecer alguém, para voltar para o mercado de solteiros.

Lá fora não tem ninguém para te julgar não. E quem julga também, você não tá nem aí, não é uma pessoa tão importante. Então eles que Baski. Só que o Pedro não aceitou. Ele fez a cabeça da Aline, que gostava dela, que ela era a mulher da vida dele, que ela tava doida, né? E depois disso eles saíram desse hostel. A Aline arranjou um emprego e eles foram morar no estúdio só para eles. Estúdio, para quem não sabe, é como eles chamam um kitnet pequeno lá na Irlanda, tá?

Geralmente é um cômodo só e um banheiro. Segundo a Aline, depois disso a vida voltou ao normal e eles pararam de brigar. Diz a Aline que durante esse tempo que eles moraram no o Pedro tava trocando mensagem com uma amiga. Vai vendo, vai vendo. Mas a Aline nunca ligou para essas coisas, né, porque a Aline é muito segura de si. Ela não achava que o Pedro ia chegar a ir às vias de fato de trair ela de verdade, sabe? E como que ela sabe dessas mensagens?

Eles tinham contas compartilhadas, né? Geralmente o casal, quando vai lá para fora, eles precisam ficar de olho em várias coisas. Facebook Marketplace, o Marketplace do Facebook, por exemplo, é para você procurar casa, para você procurar emprego, para você procurar coisas que as pessoas estão vendendo e que porventura você precise. Então é legal ter sempre alguém de olho. Quem não deve não teme. E eles tinham contas conectadas, o Facebook e o Facebook Messenger.

Daí quando chegava notificação, ela dizia assim para ele: pera, pera que aqui eu tenho que rir, cara. Ela falava assim: olha, a fulana tá te mandando mensagem, Pedro, responde ela, ela é sua ex-namorada da adolescência, hoje é sua amiga. Ah não, aí também, aí já é um pouquinho demais para mim, gente. Eu não consigo não. Diz a Aline que o Pedro era muito fechado e que por causa disso ela gostava, na verdade, que ele tivesse contato com outras pessoas, nem que fosse a ex.

E lembrando que ela tinha plena confiança no Pedro nessa época, tá? Só que chegou no momento que a Aline achou que a comunicação entre os dois tava assim um pouco intensa, um pouco cotidiana demais. Mas você jura, gata? Aí ela parou para olhar as mensagens, né? Eita, Lele, lá vamos nós! Era tanto nude, minha filha, era foto de rola para cá, pepeca para lá, peito, bumbum, próprio RedTube. Eles estavam, pasmem, marcando de se encontrar.

O Pedro falou assim num determinado momento: tô indo para o Brasil no fim do ano, minha mulher não vai estar na nossa cidade porque ela vai para a cidade da mãe dela, e aí a gente pode passar o final de semana junto. Olha que cachorro! O cara tava realmente marcando com a menina, ele falou para ela que não precisava precisava se preocupar, que ia ter outro amigo lá com eles e que era só não postar foto, né, não postar localização, que a Aline não ia nem perceber.

Olha que cretino, gente! Isso porque era tímido, hein? Imagina se não fosse. A Aline obviamente confrontou o Pedro, só que assim, foi uma traição? Foi, claro que foi, mas tecnicamente não foi uma traição consumada, segundo a Aline, né? Mas amiga, assim, só não foi consumada porque você pegou, né, gata? Porque se você não tem a curiosidade de ir lá ver as respostas, as mensagens que eles estavam acabou trocando. Nesse momento, gato, você só podia ir para cidade a pé porque não ia ter ônibus que coubesse esse teu chifre.

Isso tudo aconteceu uns 9 meses depois que eles chegaram na Irlanda. Diz ela que esse ano foi péssimo, tá? Foi bem difícil. Eu imagino que deve ter sido mesmo, né? Porque a confiança foi para o beleléu. Aí, final do ano, eles realmente foram para o Brasil, mas não aconteceu nada demais e a vida seguiu assim por um bom tempo até eles voltarem para Irlanda. Continuaram trabalhando, veio a pandemia, eles ficaram presos na Irlanda, não podia sair, aquela loucura.

Né? O visto acabou, o período de estudo que eles podiam renovar também acabou. Então eles combinaram de ficar ali trabalhando, fazendo dinheiro, para depois ir para outro lugar, sei lá, Portugal, Espanha, né? Muita gente pensa assim. Diz ela que depois da pandemia tudo ficou muito bom entre eles. Eles estavam finalmente amadurecendo, estavam focados em construir alguma coisa para eles, né? Ela trabalhava de babá, ele de delivery, também trabalhava de kit importer, ela de delivery, de kit importer, de outras coisas que eles conseguiam ali, os bicos, né, para conseguir juntar uma grana.

E ela me contou que as pessoas de fora, né, os amigos, flatmates e tudo mais, colegas de trabalho, elogiavam muito o relacionamento dos dois. Diziam que queriam poder ter aquela mesma cumplicidade que ela tinha com o Pedro. E nisso, a Aline se achando ali, né, achando que todo o esforço que ela fez, toda a insistência, tinha finalmente valido a pena. Ela tava ali colhendo os frutos desse relacionamento. Enfim, segundo ela, ela pensou assim: pô, eu comi o pão que o diabo amassou nas mãos desse homem aí, mas eu deixei ele legal, né?

Tanto que as minhas amigas hoje têm inveja, aquela inveja boa da relação. Elas queriam ter algo parecido, encontrar um parceiro que fosse pau para toda obra. O ditado é pau para toda obra. Pedro entende o quê? Pau para todo mundo. Aí não dá certo, gata. Em 2023, o Pedro e a Lili voltaram para o Brasil, mas eles não queriam mais morar aqui, e por isso eles tentaram ir para Portugal. No fundo, o plano dele sempre foi voltar para Irlanda, né?

Para quê? Para poder fazer dinheiro e voltar voltar para casa aqui na cidade, mas construir alguma coisa, sei lá, abrir um negócio, comprar uma casa, né? Com foco, acho que o casal consegue sim, até num tempo curto. Então eles foram para Portugal, não deu certo, e nessa tentativa eles perderam muito dinheiro. Eu lembro disso, dela falando que tava em Portugal, não entendi nada, porque uma hora ela tá aqui no Brasil, do nada, oi, Nana, tô em Portugal.

Oi, como assim, né? Tão fácil? Daí volta eles para Irlanda. Pedro começou a trabalhar no lugar lá recebendo cash in hand. Cash in hand é dinheiro vivo, né? Dinheiro na mão, não pelo banco, não declara, tipo assim. E essa empresa, ela foi denunciada e a dona acabou mandando todo mundo embora. E Pedro foi mais uma vez para rua, só que dessa vez na gringa. A ideia era o Pedro e a Aline virem embora em outubro de 2025. Isso aconteceu em maio, tá?

Isso que eu tô contando dele ser mandado embora e tal. Então a Aline ficou muito triste porque eles tinham que ir embora antes do esperado. E ela me falou que além do dinheiro que ela tava juntando para poder construir uma vida com Pedro, ela também tinha outros planos. Ela queria muito fazer uma cirurgia plástica, sempre foi o sonho dela. E com isso ela sugeriu para o Pedro o quê? Ó, gato, será que tem como você ir embora agora tudo certinho?

Vai lá, consegue um emprego que já tava meio que arranjado aqui na cidade, e eu fico aqui na Irlanda fazendo mais dinheiro para poder bancar tipo os nossos planos, nossos sonhos, inclusive o meu. Ele falou que tudo bem, que super confiava nela, que não tinha problema. Eu sei bem que você confia, Pedro, eu sei bem. O problema é o contrário, né? Falou que quando ele chegasse no Brasil ele ia resolver tudo, que ela porventura quando viesse já ia ter tudo tudo resolvido.

Eu já li uma parte aqui que desbanca tudo isso aí que ele falou, e que ela podia sim ficar na Irlanda. Ai, como ele é bondoso, né, Aline? Ai, que homem bondoso! Como é que você me perde, homem desse? Chegando no Brasil, o Pedro já começou a perturbar a Aline com coisas de trabalho. Sim, porque Aline tinha que fazer tudo para ele. O cara não conseguia fazer nada, coisa simples mesmo, tipo ler um email, separar documentos para poder entrar nesse tal emprego que o tio dele arranjou para ele aqui em Angra.

Ou seja, o emprego já estava dado, ele só precisava sentar e organizar as coisas, responder atender as coisas que as empresas pedem. É normal isso. Mas não, para que que Pedro vai ter esse trabalho se ele tem Aline para fazer isso para ele, né? A personal organizer do Pedro que estava em outro país. Olha que chique! Eu acho engraçado que assim, ele tinha o quê, dislexia? Não, porque ler email Pedro não conseguia, né? Mas ler as mensagens da ex lá tava muito bem, né?

Ah, tá bom. Então precisava da senhora nesse caso, né? Ele podia até pedir ajuda da senhora para ler as imagens nudes lá do Os amigos da Aline ficavam até com pena dela, né, os flatmates, porque ela diz que ela chegava do trabalho cansada e tinha que arrumar documentação para o boy. Ah, mas que desaforo, viu? Que ranço! Eu não caio mais nessa não, tá? Porque isso aí é preguiça, sabe? Eles jogam tudo nas nossas costas por comodismo, porque quando eles estão solteiros eles precisam e conseguem resolver.

Aí entra no relacionamento e pronto, começa a delegar o que eles consideram muito difícil, muito entediante, né? Porque realmente ninguém gosta de perder tempo fazendo essas coisas, reunindo documentação. Mas a gente tem que fazer, ninguém faz por nós, a gente tem que fazer. Então por que que eu preciso delegar isso para alguém? Olha, eu já passei muito isso na minha vida, tá? E hoje em dia eu vejo um macho que eu ajudei fazendo tudo sozinho, ou seja, miújo, né?

Diz a Aline que nem trocar a Play Store da Irlanda para o Brasil ele não conseguiu, ele precisava dela. Mas que homem inútil, hein, minha filha? Nossa Senhora, não tinha um Google não? Ele tava onde, Angola? Quer dizer que lá em Angola, na Angola, né, não, não pode usar Google, ainda tem que que pagar uma taxa, um negócio assim. Por isso que o pessoal faz as perguntas no Facebook. É, eu tinha preconceito, aí depois eu fiquei sabendo que o coitado deles, eles não conseguem usar o Google livremente igual a gente.

Posso estar falando uma grande fake news aqui, mas eu ouvi isso, esse, esse burburinho no Reddit. Aí, aí olha só como é que as coisas são, né? Quando as coisas têm que acontecer, elas acontecem. Você não precisa mover uma palha, minha filha, cai no teu colo. A Aline me contou que o Pedro levou um celular velho dela que tava em melhores condições, né? Ela ficou um dele lá na Irlanda, porque é sempre bom você ter um celular a mais, né, caso o seu quebre, aconteça alguma coisa.

E ele levou o dela para ficar usando aqui. Daí quando ele precisou de ajuda para poder trocar a Play Store para o Brasil, ele pediu ajuda da Aline. Quase que eu falo o nome dela de novo, meu Deus, misericórdia, segura minha língua. Então qual que foi a dela? Bom, eu vou botar o seu celular para carregar e daqui a pouco, assim, daqui uns 10 minutinhos você me liga e eu vou fazendo no vídeo, né, o passo a passo para você, porque eu não, enfim, é melhor Agora sim.

Aí beleza, colocou o celular lá para carregar. Depois de 5 minutinhos de carga, a Aline ligou o celular e começou a pipocar mensagem no Telegram. Mas muita mensagem, minha irmã. Só que assim, o Telegram ele tem muito spam, né, um monte de mensagem de cunho sexual. E ela chegando ali, ó, pipocando esse monte de mensagem de cunho sexual. E a Aline se policiando para não olhar, para não invadir a privacidade do moço. Eu também sou dessa, eu morro de medo da pessoa achar que eu tô olhando, que eu tô invadindo espaço e tal.

Mas nesse caso aí, se eles eram casados, né, eu não vejo nada demais. É como eu falei lá em cima, quem não deve não teme. Daí ela viu o nome do chat, né, da pessoa que tava mandando essas mensagens para ele, era Chá. Deve ser chá de buceta, né, que ela falou. É a mesma coisa que eu pensei quando eu li chá. Aline leu todas as sacanagens que vocês podem imaginar naquele chat. Segundo ela, Red YouTube era fichinha perto daquele chat ali com o Pedro e a Xá.

Daqui a pouco liga o Pedro para a Lídia, né? E aí, amor, já ligou o telefone? Nisso que a Lídia responde: sim, meu amor, inclusive tô aqui lendo as suas mensagens com a Xá. Quando ela falou isso, meu irmão, o homem ficou pálido, ele quase desfaleceu. E ela desligou na cara dele, obviamente, né? Ficou puta da vida. E o Pedro tentando ligar de novo e ela só ali recusando as mensagens. Pedro apagando as mensagens lá do Telegram Instagram e ela falando: não apaga não, seu FDP, que vai ficar pior para você, que eu já vi tudo.

Enfim, ficaram ali nesse bololô por um tempo. O melhor é que a Lili vai me contando, ela me contou essa história no áudio, né? E ela me conta assim: pô, Nana, o pior de tudo é que eu vi ali naquelas mensagens que ele tava pedindo para ela as mesmas coisas que pedia para mim, as mesmas dicas, ajuda com coisas de internet, coisa de documento da Play Store, por exemplo, Olha isso, é assim, quem responder primeiro é o oba-oba, cara.

E assim, ela me contou que antes dele ir para o Brasil, ela já sabendo do histórico dele, virou para ele e falou assim: olha, você não quer abrir o relacionamento, né, durante esses meses aí que você vai ficar lá no Brasil sem mim? Que era mais ou menos 4 meses. Porque aí, né, se acontecer alguma coisa, eu não tenho como te cobrar, nem você como me cobrar. Então a gente fica bem, o que que você acha? Olha isso, a menina tava querendo tentar realmente.

Essa mulher amava esse homem. Agora vocês não adivinham a reação dele. É óbvio que o Pedro achou um absurdo aquilo, ele surtou, ele achou um disparate. Quem que você acha que eu sou? Eu respondi assim: é um grandíssimo porco, um sem caráter, né, que não vale o chão que você pisa. Porque o relacionamento, se você parar para pensar, já era aberto, né, só que só para ele. E mesmo ele não aceitando essas condições, a Aline ainda tentou fazer um combinado com o Pedro.

Olha só, presta prestar bem atenção aonde essa mulher foi. Nesse mesmo dia aí que ela sugeriu abrir o relacionamento, ela virou para ele e falou assim, ó: Pedro, se você me trair, me conta. Oxe, então você ia deixar realmente o relacionamento aberto para ele, né, gata? Você tem realmente certeza disso, que você ia deixar esse homem fazer o que ele quisesse e só te contar? Me diz que tu meteu pelo menos um chifrezinho nesse homem, pelo amor de Deus, Aline.

Um só, um só, um basta. Aí ela continuou, ela falou: pô, sei lá, cara, às vezes você vai num pode. Aí tem uma morena bonitona lá, gostosa, que você se interessou. Daí você vai, pum, dorme com ela, acorda com ela assim magicamente. No outro dia você fala: pombas, não devia ter feito essa merda, que foi que eu fiz? Me arrependi. Aí você me liga e fala: olha, fiz merda, tá, mas me arrependi. Ó, isso aí é muita modernidade para mim, gata.

Eu não consigo não, não dá não, não dá para mim. Porque segundo a Aline, se ela soubesse, né, do que tava acontecendo, se ele abrisse o jogo com ela, seria muito mais fácil para ela perdoar, talvez ela não ligasse ou ela deixasse para lá, né, com o tempo, como já aconteceu antes. E o Pedro bolado, tá puto, ele não aceitou de jeito nenhum, falou que, pô, o que que você pensa de mim? Ah, meu querido, para cima de mim? Você não se ajuda, gato.

A menina tá te dando chance atrás de chance, perdoando, relevando, e você só faz merda. Aí você vem com esse discursinho do que que você acha de mim? Você perguntar para mim, eu tenho um monte de coisa para te falar. Aí, porque eu quero você, eu vou te esperar, você é a mulher da minha vida. Você acha que eu sou maluco? Não, querido, acho que você é trouxa, eu acho que você não sabe ter uma mulher de verdade do teu lado, você prefere uma vagabunda.

Então bom proveito aí da sua vida, boa sorte. Para vocês terem uma ideia da dissimulação do Pedro, esse homem chegou no Brasil no dia 1 de junho, mais ou menos, segundo a Aline, né? Dia 12 ele já tava combinando de sair com essa tal Xá. Dia 12 de junho, Dia dos Namorados. Para quem já tá muito tempo na gringa e esqueceu, Dia dos Namorados aqui. Segundo a Aline, ele havia feito uma declaração linda de amor para ela, inclusive foi a única declaração de amor o que ele já fez para essa mulher desde que eles começaram a ficar.

Já no outro final de semana eles estavam juntos, né, e marcando cada vez mais de ficar nos próximos fins de semana, tá? É um casalzinho, virou um casalzinho basicamente. E a Aline pegou essas mensagens no fim do mês de junho, então eles já deviam estar juntos aí por umas 2 semanas, 2 semanas mais ou menos que eles estavam metendo galha na coitada. Cara, olha, eu não sei nem o que dizer. E vocês estão vendo, né, não tinha necessidade.

O pior, na minha opinião, é que não tinha a menor necessidade. Esse cara teve passe livre para fazer o que ele quisesse. Mas por quê? Tem homem que gosta de fazer de vítima, de coitado, entendeu? Então ele prefere mentir, ele prefere enganar do que ser aberto. E outra coisa, talvez ele soubesse ali na cabeça dele que se ele abrisse esse relacionamento para ele, no caso, enfim, ela ia ter os mesmos direitos. Ele não ia poder falar nada se ela quisesse abrir também, ia ter que perdoar caso caso ela metesse um par de chifres, o que a gente sabe que não iria, né?

Porque o cara ficou cheio de ciúminho lá quando a menina tava saindo para conhecer a Irlanda sem fazer nada demais. Imagina conhecer aí os Países Baixos, hein? Esse homem surtava. Diz a Aline que no dia que ela descobriu a traição ela não conseguiu nem chorar, né? Ela ficou com aquilo entalado na garganta. Ela disse que só conseguiu realmente chorar tudo semanas depois. E ela conta que a maior raiva dela não era exatamente do Pedro, tá?

Porque eu acho que no fundo, no fundo, ela já esperava isso dele. Ela já noção de que isso poderia acontecer. Tanto é que ela sugeriu abrir o relacionamento, né? Mas a raiva era dele ter tirado dela tanto tempo, tantos sonhos que ela queria realizar com ele. Naquele mesmo dia, a Aline comunicou ao Pedro que a partir desse dia eles não eram mais marido e mulher. É triste, né? Porque assim, foi o primeiro namorado dessa moça, ela viveu a vida adulta quase inteira com ele, ele era referência dela.

Então foi Taqui, né? Apesar de ter tomado essa decisão, ela ainda quis ter um revival. Quem nunca, né? Ela infelizmente ainda ficou caçando esse macho, stalkeando ele, Instagram, WhatsApp, no status. Ambos ainda mantinham contato. Ele, quando dizia para ela que tava no Rio, aí ela ia lá no Instagram da Xá e via que a Xá tinha acabado de postar uma foto também no Rio e concluía que os dois estavam juntos. Era uma dependência emocional muito forte.

E a Shai e o Pedro ficaram juntos nessas saídas deles, né, se encontrando, até um dia antes da Aline chegar no Brasil. Depois que ela veio para cá, ela teve várias recaídas com o Pedro, né. O Pedro pedia muito para voltar, pedia perdão, mas ela tava realmente decidida. Aline não queria mais conhecer ninguém naquele momento, porém ela sentia falta do Pedro. Aí acabou passando fevereiro com ele, março, abril, sempre ficando, né, mas oficialmente, sempre se pegando sem compromisso.

Aí em maio ela viajou e quando voltou ela decidiu que não dava mais, que aquele era o momento de cada um seguir a sua vida, e comunicou isso para o Pedro. Eu acho que você foi muito simpática, tá? Esse homem não merecia nada do que você deu. Aliás, nada mesmo, né? Nada. E olha que interessante, eu sabia dessa história da Aline, ela me contou assim que aconteceu, só que depois a gente não se falou tanto, apesar de que a gente mora teoricamente próximo, né, na mesma região.

Mas ela nunca me contou que eles ainda mantinham em contato. Eu achei que você tinha dado um basta total quando você ainda estava em Dublin. Tô chocada, tô bem chocada. Outra coisa é que a Aline nunca contou exatamente o que aconteceu para família dele e nem para família dela, tá? Ela preferiu manter isso em sigilo. Ah não, mas é ruim, hein? Eu ia arrastar a cara dele no asfalto, botar um outdoor bem grande aqui na cidade: olha, não se envolva com esse salafrário, não é não?

Eu respeito, é claro que eu respeito a opinião da Aline, mas eu acho acho que ele merecia menos consideração da parte dela, vocês não acham? E ela fala que foi muito difícil voltar para Angra. Ela achou que ia ser difícil e foi realmente difícil voltar para nossa cidade. Afinal, aqui não tem muita coisa para fazer, né? A cidade não te proporciona muita coisa, ela não te oferece muita coisa, principalmente para gente que é local.

Mas hoje ela começou a trabalhar, ela consegue viajar, ela tá morando com o pai dela e a madrasta, que ela considera uma mãe, fez a cirurgia que Aline sempre quis, voltou para os aplicativos, né, para os contatinhos, e aos poucos ela tá descobrindo quem ela é sem precisar ser a mulher de alguém. Então ela tá muito feliz. Ela ainda não sabe o que vai acontecer exatamente daqui para frente, né, mas pela primeira vez em muito tempo essa história é só dela.

Talvez, talvez não, com certeza alguns sonhos ficaram aí pelo caminho, outros estão esperando por ela ainda que ela nem alguém ao menos sabe. Eu espero que essa sua nova fase seja leve, que você conheça lugares que você ainda não conhece, que você faça planos que você nunca fez, que você se apaixone novamente, se quiser, né? E principalmente que você tenha uma vida tão boa que um dia você consiga olhar para trás e pensar: ainda bem que eu fui embora, ainda bem que eu deixei ir, né?

E que essa próxima história sua seja muito bonita. Se você tem uma história para contar, manda um email para anana.pod@gmail.com que eu vou ter o maior prazer de contar aqui.

Ep 42 - Tinha tudo pra dar certo | Castnews Index — Castnews Index