Episódio 41 - Sol, tapas e furto
Se você nunca viveu um perrengue na gringa, provavelmente você ainda vai! Nesse episódio, a Martina conta as peripécias do namorado na gringa.
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Saiba mais!
- Burocracia de Passaporte· SociedadeEmbaixada fechada·Documentação necessária·Passaporte de emergência
- Perrengue na Espanha· SociedadeFurto de bolsa em restaurante·Perda de passaporte·Recuperação de AirPods·Emissão de passaporte de emergência
- Recuperação de Bens Roubados· SociedadeLocalização via AirPods·Hostel de refugiados·Confronto com o ladrão
- Pickpockets na Europa· SociedadeCidades turísticas·Golpes comuns
- Aulas de Inglês· EducacaoFoco em conversação·Método de aprendizado leve
- Término de Relacionamento· SociedadeRelacionamento de 2 anos·Processo de superação
Olá, amigos do Nana Pode! Como vocês estão? O episódio de hoje é mais uma história enviada por uma seguidora. Inclusive, se você quiser mandar a sua história também, manda um email para anana.pode@gmail.com. Vou deixar o email aqui na descrição. E essa seguidora, ela pediu sigilo absoluto, então vocês já sabem que eu não posso falar tudo sobre a pessoa, senão vocês vão saber quem que é. Olha, eu sei que tem muita gente vindo aqui hoje nesse podcast para ver se tem alguma fofoquinha, uma fofoquinha recente que aconteceu aí na minha vida.
Sim, eu já falei muito lá no meu Close Friends e eu vou falar em determinado momento aqui no meu podcast. Não será hoje, eu preciso de certo tempo para organizar tudo, eu ainda tô processando tudo que aconteceu, mas em breve vocês vão ter um episódio fresquinho de desabafo aqui, pode ficar tranquilo, viu? Só para não deixar as pessoas que não têm intimidade comigo, não me acompanham no Instagram, dentro do que tá acontecendo, eu acabei de passar por um término, né, de relacionamento de 2 anos.
Mas eu queria tranquilizar as pessoas que gostam de mim, que me acompanham já tem um tempo, que tá tudo bem. Foi uma coisa bem pensada, não foi algo impulsivo. E logo em seguida eu acho que vocês vão entender direitinho porque que eu tô tão bem. Bom, agora eu vou para o merchan, mas daqui a pouco eu volto com a história. Além de falar pelos cotovelos aqui no podcast, eu também dou aula de inglês online, você sabia? As minhas aulas são focadas em conversação, perder o medo de falar e aprender inglês de um jeito mais leve e natural.
Então se você já estudou inglês por anos, mas ainda trava na hora de falar? Talvez o problema nunca tenha sido você e sim o método. As minhas aulas são personalizadas, com muita prática e adaptadas para o nível e personalidade de cada aluno. Se quiser estudar comigo, me manda uma mensagem lá no Instagram porque as vagas são limitadas. Bom, então vamos ao que interessa. Como eu não posso falar o nome dessa seguidora, eu vou chamá-la de Martina.
Inclusive, Martina já tem outra história aqui. Martina já é figurinha carimbada e eu já adianto para vocês que, por mais que algumas coisas dessa história pareçam mirabolantes, ela é real e na verdade ela pode acontecer com qualquer pessoa, pelo menos a primeira parte. A segunda realmente eu já acho que Martina passou do ponto, até ela reconhece isso. Já adianto que essa história é basicamente um perrengue chique, né, um roubo na gringa.
E é engraçado quando a gente pensa nisso, né, roubo, a gente imagina o quê? Um assalto à mão armada, já culpa logo a vítima, né? Imagina logo aquele cenário, rua escura, 3 horas da manhã, alguém sozinho num ponto de ônibus ou esperando num táxi, numa viela, né? Não, só que assim, Martina e o boy dela estavam viajando, era de tarde, eles estavam num restaurante cheio de gente, e mesmo assim, em questão de segundos, a viagem deles se tornou um pesadelo.
A Martina conta que era o último dia de viagem deles pela Espanha, faltava cerca de 3 horas para o voo dela e do boy para Dublin, né? E eles resolveram fazer uma última refeição antes de ir para o aeroporto, até porque vocês sabem, né? Comer no aeroporto, minha filha, custa um rim. Então eles pensaram assim, ah, vamos lá aproveitar mais uma vez naquele restaurante italiano que a gente gostou pra caramba, né? When in Rome, né não?
Eles gostaram tanto desse restaurante que já era a quarta vez que eles comiam lá, viu? Eles já conheciam o lugar, já conheciam os garçons, os garçons também conheciam eles, já sabiam mais ou menos o cardápio, ou seja, eles estavam completamente à vontade ali naquele local. Então eles foram lá, sentaram numa mesa do lado de fora, na calçada, aquela coisa bem verão europeu, né? Diz a Martina que a rua tava bem mais tranquila ali naquele dia do que os outros que ela frequentou ali aquele local.
E ela me contou também que assim, mesmo estando relaxada por estar num lugar que ela já conhecia, ela ainda tomou alguns cuidados que normalmente a gente toma mesmo, né? Ela tava sentada assim de costas para rua, então ela deixou a mão apoiada na bolsa. Além disso, ela colocou ainda uma jaqueta por cima da bolsa. Eu também faço isso. Eu, quando eu sento assim nesses restaurantes, seja no Brasil ou qualquer outro lugar, a bolsa, minha filha, fica no meu colinho.
Se tiver alguma coisa, eu ponho por cima ainda. E a mãozinha assim, ó, é uma mão no chopp, outra na bolsa. Não sou louca? Dou valor às minhas coisinhas? Eu, hein? Enquanto ela tava ali, né, limpando os óculos de sol, dando aquela olhadinha assim no cardápio, no celular, né, ela não tava imaginando, mas tinha alguém que já tava de olho na mesa deles, minha filha. Sempre tem. É engraçado que é sempre a mulher que tem essas neuras, né?
É sempre a moleca. Eu fico prestando atenção em tudo, tá? Eu presto atenção no meu celular. Se eu levantar da mesa, eu levo tudo junto comigo, que se dane que tem alguém lá. Não, vem comigo. Eu, hein? Ninguém tem mais obrigação de zelar pelas minhas coisas que nem eu. Já o boy da Martina, ele não tava muito preocupado com nada não. Ele tava querendo só comer alguma coisa e dane-se. Inclusive, deixou a bolsa dele pendurada na cadeira onde ele estava sentado, né?
Ela também tava com uma blusa por cima, só que diferente da Martina, ele não colocou o braço, não colocou a mão, nada. Não tinha nada apoiado, né? Só botou ali a bolsa por cima para tampar e vida que segue. Aí, meu amigo, não tem nem como te defender. Tu errou, mas errou rude, né? Porque eu não acho que é o caso do boy aí da Martina, tá? Mas tem muita gente que viaja para Europa e acha que lá não tem roubo, né? Que lá não tem essas coisas, só aqui no Brasil.
Mas tem, meu amor, e tem aos montes. São os pickpockets. Vocês nunca viram aqueles vídeos não na internet da mulherzinha lá na Itália correndo atrás dos pickpockets? Então, ainda mais lá, minha filha, é chamariz de pickpocket, tá bom? Florença, Paris, Roma, essas cidades assim mais atrativas, elas realmente concentram uma grande gama de pessoas que estão só interessadas em roubar o seu dinheirinho, dinheirinho suado do turista.
Você tem que andar igual aquela menina do Exorcista, dando 360 com a cabeça para poder ver tudo, que nem aquelas câmeras de segurança. Nisso, o garçom chega para anotar os pedidos, e foi exatamente esse momento que o ladrão escolheu para agir. E a Martina e o boy dela sabem disso porque eles viram as imagens das câmeras de segurança, e graças a essas imagens eles conseguiram entender exatamente tudo que aconteceu. Porque, né, é muito rápido, a gente não consegue estar ali vivendo a situação, não vê.
Então aconteceu assim: um homem vestido de preto se aproximou dos dois, sentou numa mesa assim atrás deles, como se fosse um cliente qualquer, qualquer ali do restaurante. Ele não ficou olhando para ninguém de maneira suspeita, não ficou rondando nada. Ele simplesmente se comportou como um cliente que tava de repente esperando alguém chegar ali para almoçar com ele. Enquanto o garçom conversava com a Martina e com o boy dela, foi o momento em que ele estendeu a mão, pegou a bolsinha ali que tava na cadeira do boy da Martina, botou logo embaixo da jaqueta, levantou: minha filha, aqui, ó, caminho de casa.
Foi embora, não correu, não demonstrou nervosismo, até porque, né, a gente sabe que possivelmente não foi a primeira vez desse homem aí não. Com certeza isso aí é cobra criada. Realmente essas coisas acontecem em questão de segundos, né? O tempo do cara sentar, pegar e, ô, e vamos embora, vamos embora. E aí tinha um casal na mesa ao lado que eles notaram sim a movimentação, e um garçom chegou a falar que ele tava entrando no restaurante para pegar o cardápio para trazer para esse rapaz, mas quando o rapaz chegou lá Já só tinha o lugar, né?
Já tinha picado a mula dele. Na bolsinha do boy da Martina estavam dinheiro, AirPods, protetor labial, um spray de álcool, capinha de óculos de sol e o passaporte. Aí lascou, hein, Martina? Puta que pariu! Que não era só dinheiro. Se fosse só dinheiro, tava bom, né? Ah, tudo bem, perdeu o AirPods, ninguém queima. Perdeu o passaporte no meio da viagem, acabou a viagem, acabou a brincadeira. Tudo bem que era o último dia, né? Mas vai voltar como?
Vai voltar como? E assim, disso tudo A gente tá falando o que aconteceu porque eles viram as imagens das câmeras, mas até então, ó, vamos voltar lá para a parte que o garçom tava anotando ali o pedido deles, tá? Até então eles não sabiam o que tinha acontecido não. O garçom terminou de anotar o pedido da Martina e comentou com o namorado dela que o chapéu dele tinha caído no chão. Quando ele abaixou para pegar, na mesma hora ele notou que a bolsinha tinha desaparecido, né?
Aí foi aquele desespero, levantou, começou a olhar em volta para saber o que que tinha acontecido. De repente caiu, alguém passou, esbarrou, né? Olhou embaixo da cadeira, perguntou para Martina e nada de achar a bolsa. Foi aí que ele se deu conta que realmente ele tinha sido roubado. Não tinha muito o que fazer ali, ele ficou perguntando para as pessoas que estavam do lado. O casal da mesa ao lado contou que tinha visto esse homem sentado, né, de preto atrás dele, muito próximo ali.
Eles não viram o que aconteceu, mas entenderam realmente que poderia ter sido ele que, na hora que levantou, levou a bolsa do rapaz, do namorado da Martina. Aí, meu filho, não teve choro nem velo. Namorado da Martina saiu correndo na direção direção em que a moça falou que o rapaz foi. A Martina deixou as coisas dela toda lá com os garçons, saiu correndo atrás do homem dela. O próprio garçom, ele falou assim: ah, eu tinha ido lá dentro para pegar o cardápio para trazer para ele.
Quando chegou lá, ele não tava mais lá. Então esse garçom foi junto também, menina. Ó quanta gente prestativa! Aí teve mais. Quando eles estavam andando ali pelas proximidades, eles encontraram uma moça, e essa moça falou assim: eu vi um rapaz com essas características aí e ele tava numa scooter. Menina, olha que coisa, né? Todo mundo se mobilizou a moça do casal lá que viu o rapaz sentado, ela: não, eu vou junto com você porque eu vi a cara dele, vai que eu ajudo a reconhecer.
Então olha, Martina, tá de parabéns, viu? Todo mundo achou que vocês eram pessoas dignas de ajuda, né? Porque não é muito comum alguém sair lá de onde eles estão para ajudar alguém que perdeu uma bolsa, no caso foi roubado, né? Mas infelizmente o pickpocket estava com uma scooter, então as chances de você alcançar alguém, né, ainda mais numa cidade que você não conhece direito, são praticamente o quê? Zero, né? Depois de alguns minutos procurando, eles perceberam ali que não ia adiantar, o ladrão já devia estar longe naquele momento.
Daí bate aquela sensação de impotência, eu já senti isso, é horrível. Você fica pensando, pô, como é que isso aconteceu tão rápido ali? Como é que eu não vi? E pior de tudo é que faltavam aí poucas horas para o voo, eles saíram literalmente só para comer e depois eles iam para o aeroporto. Eles não tinham nem vontade de comer, mas a fome passou, a fome passou. Nessa hora a gente não sabe nem o que que é fome mais. Aí só voltaram para restaurante para poder pegar as coisas da Martina, para agradecer os funcionários também, o casal, né, que pouparam, ou que eles estavam fazendo para aí ajudar.
E depois eles seguiram direto para delegacia mais próxima. Só que a felicidade do pobre, que já nem é feliz mais, dura muito pouco, né? Esse pobre aí, no caso, nem feliz não tava sendo, já tava triste, já tava final de viagem, que é uma coisa que já deixa a gente para baixo, emburacou. Aí logo, eu não sei o que que é pior: você perdeu o passaporte no início da viagem, que aí já lasca tudo de uma vez, você não aproveita, vai embora fodido de raiva, ou você no final da viagem, quando tava tudo indo bem, para cagar.
Não adiantou nada se divertir tanto naquela viagem que no final você vai ter uma dor de cabeça que você nunca mais vai lembrar da viagem pelo que ela foi, você vai lembrar da bosta do passaporte que sumiu. Então quando eles chegaram lá na delegacia, adivinha, né? Deram com a cara na porta, a delegacia estava fechada e tinha os policiais lá que informaram para eles que o endereço da delegacia responsável ali para aquela região era outro, né?
Então eles seguiram andando até essa próxima delegacia e no caminho aconteceu uma coisa que deu um pouco pouco de esperança. O AirPods, olha aí, Apple! Ah não, aí tá vendo só, depois eu, por isso que eu falo, aí paga mais caro, paga mais caro, mas olha aí as vantagens. O AirPod começou a mostrar a localização de onde eles estavam, porque tava lá na bolsinha dele, talvez o bandido nem viu. Na hora eles pensaram assim, né, se a gente fizer o boletim de ocorrência rapidinho, talvez dê tempo até de ir lá nesse local que tá mostrando aí com a polícia.
Aí ela chegou na delegacia, enquanto ela tava preenchendo lá aquela papelada com tudo que foi roubado, né, sabe aquela burocracia? O namorado da Martina chamou um policial lá qualquer e pediu para ir até a localização onde estava o AirPods. E não é que os policiais foram, menina, eles pegaram 3 motos, 2 carros e ficaram assim se comunicando pelo rádio como se fosse assim uma grande operação policial para reaver a bolsa do boy da Martina.
Olha aí, se é na Irlanda tu ia conseguir, sabe o quê, uma olhada torta dos guarda, no mínimo uma olhada de desaprovação assim. Tá doida, menina? Tá maluca? Não tomei nem meu café da tarde ainda, meu chá com leite. Mas infelizmente o ladrão separou os AirPods, ficando impossível de encontrar. E eram dois lugares assim cheios de apartamentos, como se fosse um prédio assim lotado de apartamentos, e a polícia não podia fazer nada, né?
Porque sem mandado você não consegue entrar em nenhuma casa, e você precisa ter uma prova concreta do roubo. Eles não tinham nem o BO ainda, porque o boy da Martina não aguentou esperar, boy ansioso, saiu correndo logo, falou: eu vou pegar, vou fazer justiça com as próprias mãos, reaver meus AirPods. AirPods. Mas peraí, peraí, peraí, peraí. Então quer dizer que o ladrão ele separou os AirPods? Ele literalmente separou, pegou assim a caixinha, abriu e botou um para o lado?
Você tá de sacanagem, né? Ele fez isso para dificultar a localização. Cara, isso é genial, genial, porra! Pensa só, eu acho até que eu deixava com ele, falava: ai, meu filho, pega, pode ficar aí, porque a vida foi cruel contigo. Um menino desse, no mínimo, se ele tivesse sido criado de um jeito bom, é um empresário, né não? Ou então eu sou muito burra. Demorei até para entender o que aconteceu, eu não ia nem pensar deles. Eu também não ia pensar em roubar nada de ninguém, né?
Mas se eu pensasse, essa sacada ia ser genial. E eu achando que ele não sabia nem do AirPods lá dentro do negócio dele, da bolsa do boy. Ele não só sabia como usou a favor dele. Genial, parabéns! Não gosto de defender bandido não, mas isso daí tá merecendo palmas. Agora a jeripoca começa a piar, porque vocês lembram que em algumas horas o voo deles voltava para E eles de preferência tinha que estar dentro desse voo, né? De preferência.
Só que a embaixada irlandesa, esse boi, ah, o boi irlandês, é verdade, o teu boi é irlandês, eu esqueci, eu tô perdida na verdade, tá? Eu tô contando essa história aqui agora que eu me toquei que você tá na Espanha. Eu li o tempo todo imaginando que você tava na Itália, não sei se é por causa do restaurante, pensei restaurante, pensei comida, pensei comida, pensei na Itália. A embaixada tava fechada, mas em plena segunda-feira A embaixada estava fechada?
Ah, se é a embaixada do Brasil, já tinha gente em cima da gente falando que a gente é preguiçoso. Mas é a embaixada da Irlanda na Espanha, segunda-feira. Gostou? Daí ele teve que falar com a embaixada direto da Irlanda, que deu informações de como que ele deveria proceder com o agendamento lá na Espanha, né? Porém, só estaria aberta no dia seguinte, a partir das 9:30. Muito que bem. Como é que será que dá para trabalhar numa embaixada?
Eu quero, porque segunda-feira não trabalha, no outro dia é só 9:30. Deve sair o quê, umas 2 da tarde? Emprego bom, né? Como não tinha jeito aí de emitir esse passaporte do boy, eles decidiram tentar fazer online lá no aeroporto mesmo, né, e ver aí a possibilidade de embarcar somente com a carteira de motorista irlandesa e o PO. Aí não dá não, né? Tipo, ID devia ser um negócio assim, né? Porque aqui no Mercosul a gente faz o quê?
A gente vai com a identidade, não precisa de passaporte. Eu acho que o cidadão Também podia ser, tá vendo só? A gente, a gente, país subdesenvolvido, mais desenvolvido do que o país aí de primeiro mundo. Diz a Martina que a Polícia Federal deixou eles entrarem tranquilo, que não tava com problema nenhum, né? Pois ele estava com B.O. e com habilitação dele. Só que o problema foi a Ryanair. Ai, empresa lascada! Chega a me dar até nervoso, dá até coceira quando eu falo da Ryanair.
Ô empresa filha da— não, não é igual a TAP. A Ryanair não deixou ele embarcar nem nem por um caralho de asa, não tinha forma sem passaporte de entrar. Agora vocês me explicam como é que a Polícia Federal lá da Espanha é mais merda que a Ryanair. No negócio não entra na minha cabeça. Olha você ver se a Polícia Federal aqui do Brasil vai deixar alguma. Eu me recuso. Se vocês trabalham aí como aeromoça, alguma coisa, me prova, porque eu me recuso a ver os candangos da Polícia Federal baixando a cabeça para qualquer empresa que seja.
Duvido Ela conta inclusive que as atendentes foram bem grosseiras e falaram que apenas ela poderia embarcar a Martina se assim ela quisesse. E elas não queriam nem que ela visse os nomes delas, entendeu? Diz a Martina que elas ficaram meio que com a mão assim na frente, né, tampando mesmo para que não fosse possível identificá-las. Possivelmente para, né, eles queriam falar lá com algum gerente, alguma coisa assim, e tacar as meninas na roda.
Ela tratou mal essa daqui, ó, a fulana de tal. Mal, me tratou mal. E também elas não deixaram os dois falarem com ninguém da gerência, nada. Eles não, não, vão embora, mandaram eles passear, né? E os dois ficaram desolados, né? Porque ela não quis embarcar, não quis deixar o amor dela. O boy irlandês, você já sabe como é que é boy irlandês. Eu não sei se o de vocês é assim, mas eu tive um espécime lá em casa que ficava tão frustrado que não conseguia nem diferenciar o lá do cá.
Ainda mais que o boy dela nunca tinha passado por uma situação daquela. O menino tava desesperado, não sabia o que fazer, tava estressado, roubado uma viagem de férias, né, do último dia aí, dá lá. Daí eles entraram em contato com o hotel que eles tinham acabado de dar check-out, que vocês lembram que eles estavam lá na mesa só almoçando para depois ir para o aeroporto. Então eles tinham dado check-out nesse hotel, mas pediram, pelo amor de Deus, explicaram a situação, falaram, ó, arranja um quarto para gente, por favor.
Aconteceu isso, isso. Aí o atendente do hotel falou que sim, eles tinham quarto disponível, que inclusive era o quarto de luxo, mas que esse quarto não tava muito limpo, ele não tinha acabado de ser limpo. Se eles não se importassem, eles davam um desconto para eles ficarem nesse quarto. Putsgrilo, ainda deve ter sido caro ainda, né? Depois todo esse perrengue ainda teve que pagar por uma acomodação. Ainda deu sorte ainda, porque dependendo da época nem isso não arranjava.
Aí eles chegaram nesse quarto de hotel, guardaram lá as malas, né, trocaram de roupa e finalmente conseguiram voltar no restaurante onde tudo aconteceu para ver se eles conseguiam olhar as câmeras. Mas quando eles chegaram lá, o dono do restaurante informou que eles não tinham câmera de segurança, mas que o restaurante ao lado possuía. E aí a Martina conta que o gerente, ele foi muito solícito, foi até o outro restaurante, explicou tudo que aconteceu para os caras lá, e eles mostraram e deu para ver tudo como aconteceu, e que foi muito rápido.
Tipo assim, o ladrão agiu que nem o The Flash, entendeu? Ele sentou, pegou a bolsa, colocou embaixo da jaqueta, já levantou como se não tivesse, né, acontecido nada. E nisso, quando o garçom tava pegando lá o pedido deles, olha ele aqui, se mandou, foi embora. É porque naquela, né, o momento que você se distraiu com o garçom, o cara aproveitou para agir. Porque se você tá prestando atenção em outra coisa, a chance de você nem notar que alguém, alguma coisa sumiu, que alguém esbarrou em você, pegou alguma coisa, é muito grande.
Nisso já era quase umas 9 da noite. Esses dois aí nem almoçou, não tinham almoçado ainda, coitados. Daí eles jantaram nesse restaurante na esperança de, sei lá, alguém se compadecesse com eles, desse um desconto. Pô, eu dava refeição de graça para vocês, cara. Eu ficar tão sem graça. Eu sei que não é culpa do estabelecimento, não tem nada a ver, mas pô, você olha os dois turistas, um casal com cara de cachorro que caiu da mudança, eu não ia conseguir.
Eu ia dar assim, nem que fosse, nem que fosse o drink por minha conta, eu ia pagar se eu fosse o garçom desse restaurante. Diz ela que não rolou desconto nenhum não, tá? Nada, nada. Mas que a comida pelo menos era muito boa e que no fundo, no fundo, eles não estavam com nem um pingo de fome, né? Eles comeram por necessidade. Porque imagina, no susto a gente não— eu não sei vocês, mas eu também sou assim, eu perco a fome, gente.
Eu não lembro de dormir, eu não lembro de comer nem beber água. Mas ela falou que foi até bom eles jantarem nesse restaurante porque tinham duas meninas assim conversando na mesa ao lado. Daí elas puxaram papo e ficaram conversando sobre tudo ali, sobre o que aconteceu também. E ela aproveitou para perguntar para as meninas se elas sabiam de algum lugar que imprimisse foto, porque eles tinham que tirar a foto do passaporte e a ID para levar no outro dia lá na embaixada, lembra?
Aí as meninas indicaram um local para que eles isso, tiraram a foto, foram lá, imprimiram tudo e voltaram mais do que depressa para o hotel. Porque pensa que esses dois deviam estar com cagaço danado, né? Porque primeiro foram furtados. Já pensou ser assaltado de noite? Aí, minha filha, pode levantar as mãozinhas para o céu assim e falar: puxa, puxa, moço, pode puxar, me leva. De manhãzinha vai os dois, né? Ligaram para embaixada: vamos perguntar primeiro para não perder viagem, né?
Vai que terça-feira não abre. E conseguiram marcar aí um horário às 10:30 da manhã para que eles conseguissem ser atendidos para fazer o tal passaporte de emergência. Pegaram um táxi e chegando lá diz Martina que nem o taxista acreditou que a embaixada da Irlanda ficava naquele galpão ali. Era como se fosse um monte de galpão junto, daqueles enormes, né, que tinha tipo fábrica de fruta, sabe, tipo Serasa, só que fechado. Era fechado, só algumas pessoas podiam entrar ali porque o Serasa é aberto, né.
E era uma coisa bem industrial. E o namorado da Martina ficou indignado, né, porque se você já viajou, você sabe que nesses países assim, principalmente em cidades igual Paris e tal, as embaixadas são chiquérrimas. Gente, nossa, é um luxo! Eu vi a embaixada do Japão na França, eu quase caí para trás. O negócio é belíssimo, tem um jardim japonês de inverno incrível. Nem sei se é assim que fala, mas enfim, muito bonito mesmo. Aí chega o boy da menina lá, pô, meu país, vamos lá na embaixada do meu país.
É a própria feira da fruta do Batman. Ela falou que era tipo um lugar temporário, né, que eles estavam usando meio que como escritório por um período, e era literalmente uma sala em uma das Aí voltamos aos perrengues chiques, né? Eles entraram lá no atendimento, descobriram que essa embaixada funciona aí, aí, ó, das 9:30 a 1 da tarde. A gente, como é que faz? Tem que ter o quê? Ensino superior e far prova. Onde que faz prova para trabalhar na embaixada?
Pode me dar um trabalhinho de recepção? Eu tô feliz de trabalhar das 9:30 às 1, dia sim, dia não. Aí ela falou que ainda precisava ligar para agendar um horário e que eles cobram 30 euros em dinheiro para emitir o passaporte de emergência. Achei barato ainda, viu? Achei barato. É porque é da feira da fruta. Se fosse numa embaixada chique, pode contar que era 150. E que eles iam precisar de duas fotos 3x4, foto dos documentos e uma passagem para o mesmo dia.
Não quer mais nada não, meu querido? Sei lá, assim, a certidão de casamento dos meus pais. Ou seja, né, se roubassem tudo um cestinho, vocês iam fazer o quê? Como é que vocês iam fazer isso tudo? Passaporte de emergência devia ser só assim, ó, mete a cara lá no computador, bate, é ele, não é irmão gêmeo, então vai, meu filho, imprime aí o negócio, paga aí e vai embora, vai com Deus. Pessoal complica tanto, né? É engraçado que na Irlanda o seu passaporte, quando você pede pelo correio, ele chega pela caixinha do correio.
Tem gente que joga isso na frente da casa, eles não têm cuidado nenhum. Mas na hora de fazer essa burocracia toda aí, ué, eu nem lembro se eu já dei nome para esse boy. Ah, vai, agora vai ficar o irlandês, tá? Vai ficar o irlandês. Partiram eu, boy, irlandês. Foram comprar tal passagem enquanto a moça lá da embaixada tava fazendo os trâmites da emissão do passaporte de emergência. Depois de mais ou menos assim uma hora, eles conseguiram emitir o tal do passaporte e puderam voltar para o hotel para poder, né, pegar as malas e deixar do aeroporto no locker, porque só tinha voo tarde da noite.
Pô, mulher, mas também você tava com a sorte desgraçada, hein? Teu amor deve ser muito bom, porque só tem sorte aí mesmo, só tem sorte no amor, que na vida, o teu boy pelo menos acho que era igual Robert Vall, hein? Tem que benzer. Mas o que a Martina não sabia enquanto eles estavam passeando, né, porque eles foram tomar um banho, deixaram as coisas no loft, eles resolveram dar uma passeadinha, uma batida de perna, né, porque eles precisavam distrair.
Aparentemente toda distração que tiveram até agora não foi suficiente para Martina e o boy irlandês dela. Só que Martina não contava com uma coisa: o boy irlandês já tinha um plano Ele foi em um shopping que era bem próximo de onde os AirPods dele estavam, e quando eles saíram do shopping, ele chamou a Martina assim como quem não quer nada. Aí ele disse assim, ó, eu quero ver se quando eu chegar perto do prédio eu vou conseguir saber a localização exata de onde esses AirPods estão, né?
Então, depois de muito insistir, mesmo a Martina falando que era uma ideia péssima, ela acabou cedendo e indo com ele. Olha isso, ele queria ver se o negócio acusava onde que tava o meliante. No momento que eles chegaram nesse prédio, uma mulher tava saindo, né? Sabe aqueles prédios que tem lock, né? Você aperta lá, aí abre. Aí essa mulher tava saindo e eles aproveitaram para entrar. Explicou para mulher, né, que que tava acontecendo, que que tinha acontecido, e a mulher deixou eles entrarem.
Doida, a doida! Qualquer um pode meter essa história. Ó, como é perigoso viver no século 21. Aí os dois entraram no prédio e vai o boy irlandês seguindo lá o sinal do AirPods do celular. E o lugar que mostrava onde que tava esses AirPods era um andar que pertencia a um hostel de refugiados. Aí tinha um senhor que eu não sei exatamente quem é esse senhor, que ela só colocou ele, tá? Até achei que ela tava falando namorado dela, mas eu acredito que era alguém que morava por ali.
Essa pessoa começou a seguir os dois e falar que ali era uma propriedade privada e que eles tinham que sair, né, parar de fazer qualquer coisa que eles estivessem fazendo ali. Eles explicaram a situação para o rapaz E ele ficou indo com o sinal lá do celular, né, em cada quarto e falando com cada pessoa. Esse moço, esse moço ficou falando com cada pessoa que tava lá dentro até que o celular da Martina ligou o barulhinho que mostra que os AirPods estavam próximos.
E dava para ver que ele tava no último quarto daquele corredor ali. O ladrão não tava lá, né, que eles foram até lá e eles começaram a conversar com o dono daquele apartamento, né, dizendo que eles queriam entrar para encontrar os AirPods. Porque assim, o ladrão tava lá, mas o AirPods estava, né. E naquela loucura toda, com os moradores lá de fora, já tinha um algazarra, todo mundo falando no ouvido do velho. Ele acabou pegando as chaves lá que ele devia ter reserva, né, tipo chave mestra, e ele abriu o quarto.
Dentro do quarto tinha uma porrada de coisa roubada. Diz a Martina que tinha bolsa espalhada, vários bonés. E o namorado da Martina, minha filha, nem aí para Hora do Brasil, só ali querendo encontrar o AirPod dele, tá vendo? Tá vendo, pessoa boa, nem ligou para nada. O bichinho só queria o AirPods, o bichinho só queria o AirPods, o passaporte não tava nem aí. Aí ela falou que eles encontraram várias coisas espalhadas do namorado dela, né, o protetor labial, uma capa de um óculos Ray-Ban que ele tinha, um spray de álcool em gel, e finalmente acharam um AirPods dentro de um papel alumínio.
Era isso que tava afetando, olha só. Pô, que safado esse ladrão, safado! Então quer dizer, peraí, calma que agora ligou um alerta aqui. Então quer dizer que se eu enrolar as minhas coisas que eu não quero que a Polícia Federal veja no papel laminado não vai dar certo? Aí, minha senhora, senhora enrolando aquele dildo da senhora em papel laminado para ver se ninguém sabe. Todo mundo sabe. Eu não, que eu nunca fiz isso. Quando o dono do estabelecimento percebeu que eles encontraram AirPods e viram aquela quantidade enorme de coisa, né, ele fez, ele de sair do quarto e falou que ia ligar para o ladrão, para esse moço, para que ele fosse até lá para pedir o passaporte da pessoa.
Ah, eu não pedi o passaporte mais não, eu, hein, comunicava roubado, né? E eu quero passaporte nada, ele que fez passaporte lá onde não bate sol. Não, eu brinco assim, mas com certeza você vê que eles acharam tudo menos o passaporte, né? E vocês sabem que o mercado ilegal de passaporte é enorme. Eu só acho que passaporte irlandês não é tão visado assim, que dá para ver, você bate o olho, você fala, esse daqui não é irlandês não, porque esse menino aí é preto.
Essa aqui é japonesa. O brasileiro não, brasileiro, nosso passaporte é a coisa mais cobiçada do mundo, porque a gente pode ter cara de preto, de branco, de loiro, de indígena, de indiano, que ninguém diz. A gente é tudo diferente, ó, miscigenação. Vai, bobo, passaporte no mercado negro deve estar vendendo, deve estar valendo uns R$100 mil. Tá aí, o namorado da Martina ficou desesperado, né, ligou para polícia. E aí, menino, chegou um batalhão.
Tem mentira, na moral, chegaram os 4 carros de polícia e tinha pelo menos uns 10 policiais na recepção do hostel, porque eles ficaram com medo, né? Acharam que eles tinham confrontado o ladrão. E quando eles descobriram que eles entraram no quarto sem que o ladrão estivesse lá, eles ficaram muito bravos, né? Porque assim, eles invadiram o apartamento, isso não pode, nem a polícia faz isso. Imagina uma pessoa comum, né? Aí o policial falou que eles cometeram um crime e que inclusive poderia dar voz de prisão para eles, né, por ter entrado no quarto do cara sem ele estar lá.
Eu entendo isso daqui, tá? Na hora que eu li, alguns minutinhos antes, eu pensei assim: ah, eu acho que o policial ficou puto com eles. Mas eu acho que ficou puto no sentido de que: pô, cara, já pensou eu ter que prender vocês por causa de um merda desse? Porque tem policial que fica puto, né? Assim, ele sabe que ele não vai conseguir às vezes prender o ladrão por muito tempo, mas às vezes uma pessoa inocente que tá só tentando reaver alguma coisa pode ir para cadeia, né?
Pode pagar aí por um crime que, pô, nem deveria ser crime, né? Você tá reavendo uma coisa que é sua. A Martina ficou apavorada pensando, coitada, que ela ia ser deportada, né? Porque o irlandês é ele, ela é brasileira. Então já pensou, acorda e arrebentar onde? No Brasil, e arrebentar aqui no trópico. Gente, já pensou? Ele só queria uma viagenzinha, era só. Na verdade, eles só estavam almoçando, né, para poder ir embora. Gente, ai, olha, é o tipo de coisa que aconteceria comigo, diz a Martina.
Que eles ficaram mais ou menos 2 horas procurando ali evidências de crimes do ladrão, né? Porque até então é um monte de bolsa, é um monte de chapéu, mas sei lá, vai que o cara é um acumulador, né? Não tinha evidência, não tinha documento, não tinha nada, era só um quarto cheio de bugiganga, mas que não parecia que tinha uma pessoa que realmente morava ali. Eles não conseguiram encontrar nada, obviamente ele devia deixar em outro lugar, né?
Até deixar na casa da mãe. No fim, a polícia falou que eles não podiam fazer nada, né? Já que eles não tinham prova suficiente do crime. Falaram que que eles iam embora, que eles deviam fazer o mesmo. Ó, tchau e bênção. Como eu falei, na Europa não é crime golpe, acabei de crer. Inclusive, um dos policiais que a Martina conta que é o único que falava inglês, que ele chamou o namorado dela de lado e falou assim: olha, infelizmente a lei ela tá do lado dos bandidos, e por ter câmera a gente não pode assim invadir, né?
A gente não pode. Mas se o dono deixar vocês entrarem novamente Gente, ó, policial, eu esperta dando dica. Quando a gente foi embora, entendeu, gata? Assim, ó, não conta, não fala nada, não espalha. Mas é quando a gente virar as costas. Se vocês quiserem fazer um memorado com o dono para entrar, né, a gente não tem nada a ver com isso, entendeu? Entendeu? Mas ele olhou para o dono e falou em espanhol que ele nunca mais deixasse ninguém entrar no quarto dos hóspedes sem autorização.
Ou seja, opa, pera aí, para você eu vou falar que pode, para você deixa que eu fingir que tá tudo certo. O homem da lei lei dos bons costumes, não posso, né, manchar minha reputação. Aí quando finalmente os policiais foram embora, vai Martino e o boy irlandês meter o caô lá no ouvido do dono para tentar deixar entrar, né, convencer ele a deixar eles entrarem para dar mais uma olhadinha, para pelo menos encontrar o passaporte. Vai que tava ali em algum lugar.
Mas o cara ficou com medo do policial, né. Se o policial teve a intenção de ajudar, no tiro só pela culatra. O filho do o dono tava lá. E aí a Martina foi tentar desenrolar, né, e pediu: olha, será que dá para pelo menos a gente ficar sentado aqui? Eu e meu namorado, a gente promete que não vai fazer nada, nem— só que eu quero ficar aqui esperando, é meu direito, eu quero poder falar com ele quando ele chegar. E eles ficaram um tempão lá.
Quando eles já estavam quase indo embora, diz a Martina que eles já tinham até deixado o contato dela para o dono, com o filho do dono, né. O ladrão voltou para o hostel. Disse que ele voltou para o hostel, o dono na mesma hora trancou ele lá dentro e começou a dar filha, comeu o lixo, porra! E pediu para que ele devolvesse a bolsa, devolvesse todos os pertences. Foi um bate-boca lá na língua deles, que eu não sei qual que é, e ele realmente devolveu a bolsa e o dinheiro, mas o passaporte ele já tinha jogado no lixo, não deu para reaver.
Olha que filho da puta! Olha que— nossa, gente, me dá uma raiva tão grande, né? Poxa, o passaporte que é a coisa mais importante, como é que pode a pessoa não ter nenhum pingo de consciência? Ah, eu acho que se eu fosse ladrão eu ia ser um péssimo ladrão, porque eu ia querer devolver as coisas dos outros. Chorou comigo, já não rouba O namorado da Martina pediu para ela filmar, né? Falou, não, vou gravar aqui. Esperto, bom esperto, tem que gravar essas coisas.
Inclusive, se quiser mandar, você sabe meu email. Se ainda existir esse vídeo, me manda. Só que o dono percebeu que eles estavam gravando, né? Ficou muito irritado, ficou meio agressivo, começou a subir o tom e falou, ah, falou para pagar na mesma hora, Martina. Começou a apontar o dedo na cara do namorado da Martina, né? Eles ficaram em choque e apagaram. Ah lá, apagou Martina, ela não ficou nem salva assim na nuvem não esse negócio para a gente ver?
Ela diz que ela tem certeza que a galera ali daquele hostel era metido em coisa errada, entendeu? Porque eles estavam com uma relutância muito grande em chamar a polícia, o negócio não passava nem Wi-Fi quando aquele monte de carro de polícia chegou. E principalmente porque eles conseguiram fazer o ladrão devolver as coisas muito rápido, né? O dinheiro e documento, documento não, né? O documento mais importante não devolveu, mas foi muito rápido.
Aí os dois agradeceram, né, não tem muito o que fazer. O passaporte, pelo menos de emergência, já tinha desenrolado, né. Pediu desculpa pelo transtorno. Mas que transtorno, gata? Que transtorno? Eu, hein, que tem que pedir desculpa? O ladrão e o dono também por acolher esse tipo de gente lá no estabelecimento dele. O namorado da Martina ainda tentou dar dinheiro para os donos. Os donos, que os donos do hostel que tava lá passando pano para assaltante, para meliante.
Ah não, pera aí, dá dinheiro para mim, tá Tá doido? E depois de toda essa loucura aí, eles conseguiram embarcar no voo e voltar para casa. Mas até agora eles estão na luta para emitir um novo passaporte, que é um tal de manda link, o link expira, precisa esperar mais 5 dias para receber o novo link, que a foto não tá boa o suficiente. Mas pera aí, não entendi, não tirou o passaporte de emergência? O passaporte de emergência ele não serve depois não?
Agora pera aí, eu vou pesquisar, calma. Calma, pera aí, eu não sei nem como é que eu pesquiso isso. Passaporte, passaporte de emergência, como funciona? Vamos ver, pera aí. O passaporte de emergência é um documento provisório. Gente, eu morri, não sabia! Emitido pela Polícia Federal em até 24 horas, válido por apenas 1 ano e concedido unicamente para situações imprevistas. Ô Martina, pera aí, gata, agora não vai dar para passar pano.
É um ano, pelo menos aqui no Brasil, né? Não sei da Irlanda. E esse homem ainda tá fazendo passaporte novo, Martina. Martina, eu vou te dar uma dica que eu queria ter ouvido aí um ano, dois anos atrás: deixa o seu boy se virar, Martina. Larga a mão do boy, se virar. Fica a minha dica aí para você. Apesar do susto, apesar do do prejuízo e do perrengue chique. A Martina e o boy irlandês estão bem, já até marcaram outra viagem, porque ela disse que a vida é isso, né?
E eu concordo, porque ser roubado numa viagem deve ser uma experiência horrível. Acho que a experiência mais chata que eu tive em uma viagem foi quando eu fui para Madrid. Era o último dia de viagem, eu tava felicíssima, e eu caí, gente, num vão. Era uma praça principal lá, e eu, ai, que bonitinha, filmando tudo, enfiei a minha perna num vão no chão. A perna assim, foi dentro do negócio, só parou no meu joelho. Pensa numa dor, gata!
Eu fiquei a viagem inteira com o joelho inchado, parecia um joelho de porco. E acabou a viagem, não conheci Madrid, não conheci nada, porque eu só ia ficar um dia lá. Foi realmente para vir embora, eu ia embora no outro dia de manhã. Foi difícil, tive que mancar. A calça que eu tinha não me servia porque o joelho inchou. Foi uma tristeza o voo de lá para cá, porque você sabe que a gente acaba inchando também no avião, né? Foi o pior voo da minha vida, mas foi em Madrid, então eu tive história para contar.
Só que é daquela, né, essas histórias de viagem viram histórias e a gente acaba dando risada depois que todo sufoco passa e que tudo se resolve. A gente fica com uma bela história para contar. Primeira coisa que a gente aprende aí com a Bartira: nunca deixe o passaporte de vocês dando sopa, tá bom? Principalmente numa cadeira de restaurante, hein, o namorado da Martina. Parece óbvio, né? Mas é justamente quando a gente relaxa que esses caras agem.
Segundo, tenham fotos de documentos salvas na nuvem, tá bom? Ó, isso aí eu aprendi, porque a Martina comeu um pouco de aba-maçô para poder conseguir esses documentos assim a tempo. E agora, para terminar, se vocês passaram por alguma situação parecida enquanto viajando, me contem lá no Instagram do NanaPod. Manda sua mensagem, manda um email, conta sua história para a gente. Porque infelizmente eu tenho a impressão de que essa história tá longe de ser um caso isolado. A gente se vê no próximo Nada Pode.