CORREDOR DO RIO LEÇA
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- Recuperação do Rio LeçaHistórico de poluição do Rio Leça · Projeto Corredor do Rio Leça · Intervenção ambiental e urbanística · Participação cívica e comunitária · Gestão integrada por quatro municípios
- Interações ecológicas e biodiversidadeRecuperação da fauna e flora nativa · Plantação de árvores nativas · Controlo de espécies invasoras · Adaptação do rio às alterações climáticas · Presença de lontras e galinhas d'água
- Governança corporativa e institucionalCriação da Associação Corredor do Rio Leça · Modelo de governança inédito em Portugal · Papel dos guarda-rios e equipa técnica · Colaboração entre municípios
- Políticas e IntervençõesLimpeza e enrocamento das margens · Construção de passeios e percursos suaves · Plantação de árvores e remoção de lixo · Investimento financeiro no projeto
- Acesso e Democratização do RioCriação de percursos acessíveis nas margens · Superação de margens privadas e inacessíveis · Democratização do acesso ao rio para a comunidade
- Desafios de Desbloqueio de AparelhosPersistência de descargas ilegais · Dificuldade na fiscalização e aplicação da lei · Falta de recursos para fiscalização · Infrações de lavradores e vacarias
- Renovação das ETARsInclusão no Plano Nacional de Melhoria das ETARs (PENSARP) · Renovação das principais ETARs da bacia · Aumento dos critérios de qualidade de água · ETARs modelo para o século XXI
- Locais Históricos do RioDiferença de percepção entre gerações · Rio como local de lazer e banho no passado · Rio como símbolo de poluição e negligência
- Participação políticaCoragem política dos municípios em mostrar o rio · Envolvimento da comunidade nas ações de recuperação
Olá, o meu nome é António Jorge e este é o podcast Porque Vivo Aqui. É sobre a ligação de pessoas a lugares, com ideias e vozes que inspiram e nos deixam a pensar sobre as políticas de proximidade e como estas são determinantes para a qualidade de vida e, às vezes, para a falta dela.
O rio Lassa tem um bocadinho de tudo. É um rio muito pequenininho, nasce e desagua na área metropolitana do Porto e é um rio muito importante para muita gente. Basta pensar que cerca de meio milhão de pessoas vivem nestes quatro municípios. Era o rio mais poluído da Europa. Eu cresci com essa realidade. Tínhamos todo um tecido empresarial que se implantava junto às margens dos rios para descarregar para lá tudo aquilo que não queria.
Durante décadas, o rio Lessa foi sinónimo de poluição extrema. Um rio descrito como sujo, malcheiroso, moribundo. Um rio a evitar. São palavras recorrentes quando procuramos nos relatos que a imprensa foi adiantando ao longo dos anos a propósito desta realidade.
Uma realidade constatada por vizinhos das margens deste rio que atravessa quatro concelhos da área metropolitana do Porto. Um vizinho quase morto que os autarcas decidiram reanimar depois de décadas de negligência.
Hoje, o Lessa é também um caso único em Portugal. O primeiro rio monitorizado da nascente à Foz, gerido de forma integrada por quatro municípios. Santo Tirso, Valongo, Maia e Matosinhos, através da Associação Corredor do Rio Lessa. Um laboratório vivo, onde se tenta não apenas limpar um rio, mas devolver-lhe saúde.
continuidade ecológica e lugar na vida das pessoas. É aqui, na margem do Lessa, que conversamos com quem acompanha diariamente este corpo de água. Das sondas de qualidade da água aos focos de poluição, da engenharia natural à pedagogia ambiental, estamos aqui para perceber como se salva um rio que adoece ao longo do percurso e o que isso nos diz sobre o território em que vivemos.
Porque vivo aqui. Um podcast de António Jorge. Vamos entrar no corredor de Rio Lessa com a equipa dirigida por Artur Branco e também Rui Osório e Sandra Terroso.
A imagem que a minha mãe tem do rio é muito diferente da minha. É um rio completamente despoluído, onde as pessoas tomavam banho, faziam piqueniques. Era onde se passava às tardes de domingo. Eu já tenho aquela imagem de um rio poluído. Por exemplo, nunca pus os pés no rio Leste. Eu nunca molhei um dedo no rio Leste. Sério? É, nunca, nunca. Mas já havia este rio muito pior. Já havia este rio mesmo muito, muito preto.
Sandra, terroso. Eu vivo em Guifões e nós vivemos numa zona, quando o rio passa por lá, passa na Ponto do Carro, que é uma zona histórica, uma ponta antiga, é uma zona muito bonita. E nós vivemos numa zona do rio que as pessoas que lá vivem chamam-lhe o Rio Fulão. Porquê o Rio Fulão?
Eu não faço ideia porque é que lhe deram esse nome, mas sei que o rio lá é muito mais largo que aqui, não é? Que é um riacho. Ganhava uma espécie de fole? Será por isso? Não, eu acho que é por ser muito fundo. Tem um caudal muito fundo naquela zona. E as pessoas chamavam-lhe o rio fulão. Então eu lembro-me da minha mãe me contar também das senhoras e iriam lavar para o rio.
E dos passeios, acho que dava para andar de barco. Uma pessoa olha para o rio agora e não imagina. Não imagina ser possível andar aqui em um barco, pelo menos com umas dimensões razoáveis. Para um barquinho, barquinho. Rui Osório. Eu moro em Valongo. Nunca tive este contacto com a Sandra direto, da minha infância com o Rio Leça, mais no Rio Ferreira, que é lá perto da região onde eu moro, que é Campo Valongo.
Mas tenho histórias também dos meus avós que é um bocado parecidas com a que é da Sandra, que comentaram que antigamente iam para o rio brincar, nadar, quando eram mais jovenzinhos, antes de estar assim tão despoluído como foi mais recentemente.
Mas apesar de não terem um contacto tão direto como é óbvio, também quero ver o rio voltar à sua fama antes de ser aquela má imagem do rio mais poluído. E para mim uma coisa que eu sempre adorei é estar aqui a passear na hora do almoço, quando é possível, deste tempo solinho, passear aqui, ver a área do rio, este bom ambiente. E acho que se nós conseguissemos pôr o rio com o melhor aspecto, trazer para aqui mais gente, acho que era muito importante tentar sensibilizar as pessoas.
Isto aqui traz muita saúde, ao fim e ao cabo, não só física, como psicológica e mental.
O trabalho de recuperação da saúde do Lessa está a decorrer e até agora já foram investidos cerca de 3,6 milhões de euros em limpeza, em enrocamento das margens ou na construção do passeio suave, que só no Conselho de Matosinhos tem já 15 quilómetros.
Desde que os quatro concelhos acertaram a estrutura de governança, já foram também plantadas mais de 50 mil árvores e retiradas 250 toneladas de lixo. Arturo Branco. A história começa em 2016, ainda sob o chapéu da área metropolitana do Porto, em que é criado um grupo de trabalho metropolitano para desenvolver e despoluir o Rio Leça.
E nessa altura os meus colegas de trabalho pediram-me para coordenar esse grupo. Eu estive a coordenar esse grupo desde 2016 até 2020. E no fim de 2020 tínhamos dois documentos estratégicos, um master plan do corredor do Rio Lessa e um plano estratégico de 2021-2031.
Com estes documentos estratégicos, a proposta deste grupo de trabalho foi criar uma estrutura de governança que pudesse todos os dias trabalhar o tema, porque era um tema tão exigente, tão complexo e tão importante para a região, que precisava de uma estrutura de governança mais forte. E depois estes quatro municípios, que são atravessados pelo Rio Leça, decidiram juntar-se e criar a Associação de Municípios do Corredor do Rio Leça no dia 31 de maio de 2021. Arturo Branco, Engenheiro do Ambiente, lidera a estrutura.
Não só a nível nacional, mas a nível internacional. Não se conhece nenhuma associação de municípios que seja criada para despoluir e dinamizar um rio a nível nacional. E a nível internacional também não conheço nenhuma. Com esta dimensão que nós fizemos e com a quantidade de trabalho que nós colocamos aqui todos os dias. Há grupos de trabalho para grandes rios importantes a nível da Europa, alguns que até atravessam vários países, mas não são estruturas como a nossa, de quatro guarda-rios todos os dias a vigiar o rio e uma equipa técnica que se dedica ao trabalho diário.
Um dos lemas do corredor do Leça é tentar contagiar a comunidade com a ideia todos e cada um deve ser um guarda-rios. E as mudanças já estão à vista, como pode ser constatado no troço onde gravamos este episódio.
Nós estamos em Matosinhos, aqui perto do Leonesa Business Hub, e estamos num percurso que foi criado pelo município de Matosinhos, em cooperação com os outros municípios que irão fazer o mesmo tipo de trabalho, num percurso que democratizou o acesso ao Rio Leste. Antigamente isto não era assim, não tinha este passeio em Betão, por exemplo, este tal percurso suave que nos serve de...
são nesta altura? Sim, veja uma coisa, há uns anos atrás todas estas margens eram privadas se nós quiséssemos ver o que rio leça e usufruir das suas margens, não podíamos eram margens todas privadas e por isso mesmo as autoridades até tinham alguma dificuldade em perceber o que é que se passava no rio porque não havia acesso
E agora, toda a gente pode ser um guarda-rios. O que é um bocado estranho, porque estamos no meio de quatro concelhos altamente populosos e urbanos, em algumas partes. Sim, digamos que o rio na sua nascente é mais rural, em Santo Tirso, é a zona mais bonita do rio Leste, mais pristina, digamos assim, em que podemos ver uma natureza em todo o seu esplendor. E depois entra numa área muito rural, em Santo Tirso e Valongo.
E depois entrem numa secção final muito urbana, com o Maia e Matosinhos e o Porto de Leixões. E por isso o rio Lácio tem um bocadinho de tudo. É um rio muito pequenininho, nasce e desagua na área metropolitana do Porto.
E é um rio muito importante para muita gente. Gosta pensar que cerca de meio milhão de pessoas vivem nestes quatro municípios. E o Rio Lessen não vai dar usufruto a só esse meio milhão de pessoas. Todas as pessoas da área metropolitana do Porto ficam aqui com um canal e um corredor verde, um corredor azul, que serve toda a área metropolitana.
Sandra dizia-me há bocadinho que viveu a vida toda, e eu interpretei desta maneira, de costas voltadas para o rio, apesar de o ter sempre à frente dos seus olhos. Não era um sítio convidativo, nunca se fez nada perto do rio, porque a história que nós conhecíamos era o rio mais poluído da Europa, e eu cresci com essa realidade.
E era poluído porquê, Artur? Por muitas razões. Nós, antes de entrarmos para a União Europeia, a nossa legislação ambiental e a sua aplicação era muito frágil. Quando entramos para a União Europeia, a legislação ambiental apertou imenso e contra os poluidores e bem, e nós tínhamos todo um tecido empresarial que se implantava junto às margens dos rios para descarregar para lá tudo aquilo que não queria.
Estamos a falar numa altura em que não havia ETAGs em Portugal, não havia sistemas de tratamento, não havia tecnologia, e por isso não estávamos na idade da pedra do tratamento de efluentes nessa altura. Com a entrada na União Europeia, com o esforço que os municípios fizeram e o Governo Central.
para tratar os esgotos e fiscalizar as empresas que poluíam, tudo isto começou a mudar. E a mudança faz-se notar para todas as gerações de vizinhos do Rio, como sublinha Rui Osório. Eu penso que sim, com estas ações que nós temos tido recentemente, não só incentivar e sensibilizar as pessoas, penso que, por causa da minha faixa etária,
não só colegas de trabalho, como pessoas que eu conheço, já começam a ter noção que realmente com o Rio, que tinha esta tão má fama, já começam a ter outro aspecto. Realmente até estão a tentar ficar mais ativos, com ações, participar, voluntariado, a realmente tentar ajudar.
Ter esta marca no rio que faz parte da nossa história e vai ser a história para os nossos descendentes, para os nossos filhos e netos que também merecem ter o rio com qualidade, como tinham os nossos avós e bisavós. Com décadas de abandono, dizia-se até que, na cor do rio, adivinhava-se as tendências de vestuário a cada ano.
Nós antes dizia-se que o Rio Leça sabia-se qual era a cor da moda desse ano pela cor do Rio Leça, porque as tinturarias enviavam todos os restos de produção e as águas com tinta para o Rio Leça. Esse foi um erro histórico, talvez o maior erro histórico que envolve este recurso hídrico?
Sim, foi o principal erro histórico que levou a essa classificação como o rio mais poluído da Europa. Eu não sei de onde vem essa classificação, é mais uma questão emocional do que científica propriamente. Não acredito que tenha sido o mais poluído da Europa, mas estava muito, muito poluído e as pessoas não queriam sequer associar-se a esse rio. Tinha vergonha do rio que passava perto de sua casa. Não gostavam do cheiro, não gostavam da cor, não gostavam de nada, era um esgoto só aberto. Alguma vez sentiu isto, Sandra?
O cheiro, eu não tenho memórias de cheiro. Só me lembro do caudal preto. Preto. A minha memória era essa e não havia peixe. Era um rio morto, basicamente. Agora, quando vemos patos no rio, ficamos sempre a olhar. Ai, um pato! É uma novidade.
É quase a primeira vez na vida que vimos um pato, realmente. Mas eu de cheiro não tenho memória, tenho é de cor. A Associação Corredor do Lessa restaurou a figura do guarda-rio. São quatro e todos os dias correm as margens dos quase 50 quilómetros para identificar eventuais problemas, como conta Sandra Terroso. Tenho um contacto mais direto com os guarda-rios e com as ocorrências que eles resistam. E que tipo de ocorrências é que acontecem?
Há descargas, eles fazem muito esse tipo de ocorrências. As pessoas, eu acho que as pessoas têm muita rapidez em apontar o dedo e muitas vezes são elas próprias que fazem a descarga, mas apontam o dedo. Porque acham que a pequena descarga que fazem não polui.
mas a descarga do outro já polui. É a sensação que eu tenho. E acaba por ser a culpa nossa. Eu tento fazer um bocadinho um aponte entre as ocorrências que os guarda-rios registam e os pivôs. Passá-los para os pivôs, descobrir onde é que é a origem.
Os pivôs são elementos dos municípios que trabalham quotidianamente connosco, ou seja, nós estamos sempre em estreita ligação com os municípios, tudo o que nós fazemos é com os municípios e para os municípios e para o rio e é muito importante manter laços estreitos entre as equipas internas da associação e dos municípios e o pivô.
que a Sandra referia, é a pessoa que faz interlegação entre a equipa técnica da associação e as equipas internas de cada município. E apesar da persistência de envolver e sensibilizar as comunidades das 27 freguesias da Bacia do Ulessa, a missão de preservar tem ainda constatado que há infrações.
A Câmara tem a autoridade de fazer a denúncia, de chamar as autoridades, etc. O nosso trabalho é de fiscalizar, alertar a Câmara de que estão a acontecer, ou mesmo as autoridades nacionais, o CEPNA, a GNR.
fazemos essa interface de dizer ao município X ou Y está a acontecer uma descarga no seu território informamos de imediato que era algo que os municípios também não tinham nenhum município tem guarda-rios eles muitas vezes não sabiam o que estava a passar no território e agora sabem nós alertamos para que eles possam tomar todas as previdências para resolver aquela fonte de poluição
Ou seja, apesar do edifício legislativo que veio com a adesão à União Europeia, ainda continuam a persistir algumas descargas que tornam o rio ainda poluído, se bem que numa dimensão menor, obviamente. Sim. A questão não é o edifício legislativo. Ele está bem feito e é muito competente. O problema é fiscalizar e aplicá-lo. É uma velha história aqui em Portugal. E entronca na falta de recursos? Entronca na falta de recursos para fiscalizar e aplicar a lei, muitas vezes.
e já nem vou entrar em questões de morosidade de decisões da justiça, não é? Mas, olha, este terreno que temos aqui à nossa frente foi lavrado há pouco tempo e nós descobrimos que os lavradores estavam a deixar um tubo escondido para fazer descargas de uma vacaria.
isto foi possível porque nós estávamos aqui, porque nós fomos alertados, porque nós vimos, porque nós comunicamos à Câmara e às autoridades, isto vai deixar de acontecer. Há uns anos atrás, quando não havia este percurso e não havia acesso, isto passava ao lado e era muito difícil depois da obra estar feita, digamos assim, descobrir um tubuzinho no meio da vestação era muito complicado descobrir esta origem.
Ora, como fazemos esta vigilância militante todos os dias, estamos no turno de manhã, no turno à tarde, com dois guarda-rios de manhã, dois guarda-rios à tarde, detectamos muitas situações. E mais do que isso, temos um efeito e só azor. Ou seja, as pessoas sabem que podem ser apanhadas e têm receio de poluir porque podem ser apanhadas. E nós, quando descobrimos uma situação destas, chamamos logo as autoridades e alertamos o município de que isto está a acontecer para não acontecer mais. Quantos quilómetros tem o percurso do rio em toda a sua extensão? O rio tem...
Na bibliografia da APA tem 48 quilómetros, mas a extensão de linhas de água da bacia hidrográfica anda à volta dos 400 quilómetros, ou seja, para verem a dificuldade que é vistoriar todas essas pequenas linhas de água que depois afluem ao Rio Leça. Ou seja, a poluição muitas vezes não é feita diretamente no Rio Leça, é numa ribeirinha a não ser quantos quilómetros do Rio Leça, ou numa rede de águas poluviais que depois descarrega nessa ribeira ou no Rio Leça.
E por isso estamos a falar de milhares e milhares de quilómetros de redes que têm de ser vistoriadas todos os dias e é esse o nosso trabalho. Mas a vossa missão primordial é recuperar, do ponto de vista ambiental, o Rio Lessa. Portanto, a intervenção, o objetivo são os quase 50 quilómetros.
O que é que já foi feito e em que extensão? Nós tivemos, logo no início da vida da Associação, em 2022, tivemos uma grande intervenção e intervimos em 71 quilómetros do Rio Leça. Quando eu digo 71 quilómetros, é nas margens, contando a realização linear de uma margem e da outra e de algumas ribeiras. Pois é que excedemos os 48 quilómetros. E fizemos, olha isto que está aqui a ver à sua frente, aqui onde estamos existia um açude.
que estava a provocar cheias neste percurso, onde nós estamos aqui sentados. Era o açude da antiga fábrica de sedas da Leonesa, um açude que já não era usado há dezenas de anos, e que estava a provocar cheias. E uma das coisas que fizemos foi retirar o açude, fazer engenharia natural, engenharia baseada na natureza, para controlar a erosão das margens.
Plantamos 50 mil árvores, tiramos 250 toneladas de resíduos do leito em toda esta extensão. Capacitamos os guarda-rios para terem o software e a informação toda e a capacidade de atuar rapidamente. Ou seja, hoje em dia, quando um guarda-rios caracteriza uma situação com o tablet que ele tem, faz fechar a ocorrência e essa ocorrência vai diretamente para o município, na hora.
Estamos a encurtar muitos tempos de resposta de quando algo de mal acontece. E isso é importantíssimo, ser rápidos a atuar. Temos também uma rede, que eu gostava de falar, uma rede de milhares e milhares de quilómetros de rede de saneamento, nestes quatro municípios. E todas as infraestruturas do mundo, seja um aeroporto, seja um porto, seja uma estrada, têm problemas de vez em quando. E às vezes entopem.
E queria falar disso porque é algo que as pessoas não compreendem, como é que às vezes o Rio Lesta ainda tem poluição, mas estas redes também têm os seus problemas, e quanto mais rápido os resolvermos, melhor estará o Rio Lesta.
E por isso, isso foi uma das coisas que nós fizemos, ou seja, usar a natureza como inspiração para fazer as melhorias no rio. Fizemos bacias de retenção para controlar as cheias também. Porque as paredes que ali estão, o enrocamento em pedra, percebe-se que não é natural, mas não é perfeito. Sim, a nossa ideia é que a nossa obra desapareça na paisagem passado dois anos. Nós agora estamos a ver aqui este enrocamento porque ele tem cerca de um ano e meio.
O que nós queremos é que no meio daquelas pedras, naquelas cavidades, comece a nascer a vegetação ripícula, que é a vegetação típica da margem de uma linha de água, e daqui a uns anos toda aquela margem vai estar completamente absorvida visualmente, absorvida por essa vegetação, a função estrutural está lá, as pedras estão lá, as árvores que vão nascer ali, as raízes das árvores vão ajudar a consolidar a margem.
Vão fazer sombra para o rio, para baixar a temperatura da água, e no fundo vão ajudar a autodepurar o rio, a qualidade da água, e a promover a biodiversidade em todo este canal. E a promover uma paisagem sazonal, uma paisagem nativa, uma paisagem que vai trazer muita qualidade de vida a toda esta região. O rio nasce cristalino no Monte Córdoba, e ainda não consegue manter-se tão limpo como lá, naquele lugar do Conselho de Santo Tirso, mas a verdade é que o rio tem vindo a regenerar.
A Sandra dizia que nunca viu peixes no rio, agora já viu? Já vimos, agora já vimos peixes, sim.
mas noto mais os patos. Mas também há peixe. Há zonas do rio onde a poluição é bem menor e onde é mais fácil desenvolver atividades com a população, mas eu acho que eles estão a tentar arrastar por todos os municípios esse tipo de ações. Nós ainda há pouco tempo tivemos uma ação pequenininha de uma plantação ali à frente.
E foi a primeira ainda, porque somos uma associação muito pequenina, temos poucos recursos para fazer as coisas, mas notamos que as pessoas querem muito envolver-se neste tipo de ações e querem participar, e isso aí é muito bom. Eu acho que há um interesse em devolver o Rio ao seu estado vivo.
Arturo, desde o momento em que começou a trabalhar no Rio Leça, esta ligação com as comunidades, com as pessoas que já estão de alguma maneira com um vínculo afetivo ao Rio Leça, tem aderido à vossa missão ou esse contacto foi mais difícil que mais natural no início e foi-se esbatendo alguma desconfiança ao longo do tempo?
Há aqui dois planos e duas questões. Eu já fiz centenas de ações de voluntariado desde que comecei a minha vida profissional. E há aqui duas questões. Por um lado, as pessoas aderem, e sempre tivemos uma boa adesão quando é para plantar árvores, quando é para recolher resíduos, já retirei de tudo, Rio Leça com voluntários, colchões, motas, tudo que possam imaginar, pneus, existem sempre pneus. Até estou a ver ali um à frente ainda.
E foram retirados milhares de pneus há dois anos. Estes estão no leite, vão sendo arrastados. As pessoas continuam a tirar coisas para o rio, a esperança que o rio as leve da frente da sua casa, ou das traseiras da sua casa. E por isso, isto tem dois lados. Por um lado as pessoas aderem, e por outro lado, também há coisas que me deixam desgostoso e que acho que ainda é preciso que as pessoas tenham noção. Há pessoas que vêm passear para o rio Lessa, sentam-se num banco, olhar para a natureza e olhar para o rio a passar.
comem um pacote de batatas fritas e deixam o pacote lá ao lado. Com o vento e com a chuva... Com essa pedagogia é preciso insistir nela. Ainda, passado tantos anos de educação ambiental, ainda é preciso, ainda é urgente, ainda é muito necessária. Porque depois com os efeitos da chuva, os efeitos do vento, tudo o que se passa na bacia hidrográfica vai parar ao ponto mais baixo. O ponto mais baixo é uma ribeira, essa ribeira vai treinar no Rio Leça e vai parar ao Porto Leixões.
e por isso tudo o que nós fazemos nesta bacia hidrográfica é concentrado neste rio e por isso por um lado as pessoas aderem, mas por outro lado há outras que não estão sequer a cumprir os mínimos que é conseguir gerir os seus próprios resíduos e deixar um resíduo no contentor E essa é provavelmente a tarefa mais difícil É uma tarefa muito difícil nós este ano vamos lançar um projeto que achamos que pode ser muito mobilizador, que será o Pacto do LESA 2030謝謝 E aí
É um projeto que ainda não foi lançado, ainda está a ser pensado, mas é um projeto que pretende um grande envolvimento social em torno do Rio Leça. Envolver empresas, empresas grandes, empresas pequenas, associações, associações de amigos, associações de caminhantes, pessoas singulares, juntas de freguesia, fizemos agora no dia 17 uma reunião com todas as juntas de freguesia da Bacia do Leça.
um encontro histórico, acho que nunca tinha sido feito. São muitas, não? São 27 freguesias. E tivemos um boadezão, ou seja, estamos a envolver várias camadas da sociedade. E por isso essa questão da participação e do envolvimento, queremos atacá-la este ano com esse pacto do LESA.
Trazendo toda a gente que quer ajudar o Rio Lessa, vamos ter uma missão para essa pessoa. Pode ser participar numa ação de limpeza, pode ser fazer uma plantação de uma árvore, pode ser conhecer mais o Rio Lessa, pode ser passear nas margens e denunciar situações ilegais ou situações que não gosta. Todos são convidados a ser um guarda-rios, é isso que nós pretendemos.
E as pessoas habituaram-se bem à presença do guarda-rios, esse elemento que, no fundo, está à espreita, a fiscalizar a ação dos cidadãos individualmente ou das empresas?
Ou seja, eu acho que as pessoas veem com muito bons olhos que alguém tome conta e cuide de algo que elas valorizam ou que acham que tem um valor grande. E por isso eu acho que o papel dos guarda-rios é um papel heroico, é um papel de cuidar de algo que é de todos. Algo que devia estar ótimo e não está.
E essa é a nossa grande missão e as pessoas vêm com bons olhos. Obviamente o prurvaricador não gosta de ser apanhado, nem de ser exposto. Não gosta de ser exposto, mas aí não podemos fazer nada. Temos é que fazer com que as pessoas que fazem isso deixem de o fazer porque percebem que estão a poluir algo que é de todos.
Porque vivo aqui, o que liga pessoas a lugares. Há pouco a Sandra falava que agora já vê peixes e patos no Rio Leça. Galinhas d'água. Galinhas d'água? Sim, sim, sim. E Lontra? Sim, um dia deste nós vimos a Lontra a correr e ninguém teve o discernimento de lhe tirar uma fotografia porque ficamos tão... Espantados.
Olhar para a lontra... Foi completamente novo. Foi. Eu nunca tinha visto uma lontra na vida. Esta recuperação da biodiversidade está a acontecer com que espécies em particular, para além das questões dos seres vivos, que redimensionamento está em curso?
Olha, o que nós queremos é adaptar o Rio Leste às alterações climáticas e uma das adaptações mais importantes é a não perda da biodiversidade e o fomento da biodiversidade. O que é que nós estamos a fazer? Plantamos muitas árvores nativas, queremos dar espaço... Os salgueiros é um exemplo. Os salgueiros, os amieiros, os freixos, os sabogueiros, etc., os perriteiros, árvores e arbustos, que ambas são muito importantes. E queremos também controlar as plantas...
Já há muitas? Há bastantes, sim. Este é um rio muito urbano, por isso tem todo tipo de influências boas e más. E as invasoras são a influência má que estão muito presentes no Rio Lessa. Nós achamos que quanto mais consolidado tiver o ecossistema, menos frágil está a essas perturbações. Mais resiste, mais adaptado está. Portanto, isso é uma dimensão, a dimensão da vegetação. Do ponto de vista da fauna, nós sabemos que se houver a habitar, a fauna aparecerá.
E é o que está a acontecer. Hoje em dia, se fizermos um bioblitz aqui nas margens do Rio Leça, um bioblitz é um exemplo de ciência cidadã, encontramos imensas e imensas espécies que são importantes para o ecossistema. E por isso a vida volta se nós lhe dermos espaço e dermos oportunidade. E é nisso que nós estamos a concentrar, dar espaço ao rio, dar melhores condições de água.
Há aqui uma coisa que eu tenho que falar que também é muito importante, que não é da nossa responsabilidade, mas é fundamental para o Rio Lessa, é que as três principais etares do Rio Lessa foram incluídas pela Autoridade Nacional, pela APA, no Plano Nacional de Melhoria das Etares, é o PENSARP.
E isso vai trazer uma grande diferença, porque as principais hectares de suelo essa vão ser renovadas nos próximos anos. E com a renovação das hectares e o aumento dos critérios europeus e nacionais de qualidade de água, as hectares vão passar a tratar ainda melhor a água. E por isso isso também vai ser uma grande diferença, porque esta área metropolitana do Porto não para de crescer, a nível de população, e as hectares e as infraestruturas têm que acompanhar. E é isso que está a ser feito.
Não acontece um dia para o outro. Tem certezas disso? Ou seja, não há nenhum receio que essa renovação das ETAs não seja exatamente assim tão eficiente como prevê e quer que sejam? Tenho a certeza absoluta que vão ser ETAs, como foram há 30 anos atrás e há 20 anos atrás, ETAs completamente emblemáticas a nível nacional. E posso falar, por exemplo, da ETA de Parada, na Maia. Foi um ETA modelo. Eu fui visitar a ETA de Parada quando andava na faculdade. Completamente modelo.
E agora precisa de ser um modelo outra vez do século XXI. E é isso que está a ser feito. Estamos a fazer hectares com muita capacidade, que vão ser do melhor que se faz a nível internacional. E por isso, quando elas estiverem completas, vai ser uma grande diferença. E tenho a certeza que vai acontecer por duas razões. Uma é porque as obras já começaram na Etar de Ponto Moreira, as de Irmezinho começam este ano, e as de Parada começam no ano a seguir.
E por isso, os projetos estão feitos, há financiamento, por isso estamos a fazer o percurso que tem que ser feito.
Há pouco dizia no início da conversa, e enquanto vamos conversando, já passaram por aqui dezenas de pessoas, jovens, menos jovens, alguns de bicicleta, outros a correr, outros apenas a conversar, enfim. Isto significa que, de facto, já há, pelo menos nesta zona, neste troço do rio, uma grande convivência com a comunidade.
Sim, e demonstra outra coisa, demonstra uma grande coragem política destes quatro municípios. A primeira coisa que me diziam, então vamos fazer um percurso ao lado de um rio que está poluído, e eu dizia, claro, isso é a forma mais rápida de acelerar a transição. E estes quatro municípios, estes quatro autarcas que fundaram a associação, tiveram a coragem de mostrar um rio que ainda tinha problemas. Não esconderam debaixo de tapete, como tantos fazem. Assumiram, queriam renovar este rio.
Inclusive, queriam fazer um percurso ao lado do rio, para todas as pessoas verem o rio. Isso é um ato de coragem política, porque as pessoas muitas vezes escondem o problema. E por isso temos que tirar o chapéu, porque estas pessoas que estão aqui a passear vão exigir um rio melhor.
para o futuro, até nas suas escolhas políticas. O Rio Lessa deixou de ser algo que não se fala. O Rio Lessa está na vida cotidiana destas pessoas e por isso elas vão exigir um rio melhor. E vão exigir políticos que exijam e que façam por ter um rio melhor. E é o que está a acontecer. E por isso eu acho que até trazer pessoas para junto de um problema, neste caso que é a poluição do Rio Lessa, vai acelerar muito a sua transição para um rio despoluído.
E essa é a minha grande esperança, é que as pessoas também façam a sua parte de querer um rio melhor. Só isso acho que já é muito importante. Um pouco mais a montante, onde decorreu esta conversa com Arturo Branco, Sandro Terroso e Rui Osório, da Associação Corredor do Lessa, o rio tem uma enorme centralidade na vida de Irmes Inde.
que tem de resto uma das juntas de freguesia mais entusiastas da recuperação em curso, mas também é ponto fundamental noutros lugares do Conselho de Valongo, como lembrou o Rui. Sim, eu penso que principalmente em Alfenac, que também pertence ao município de Valongo, como o Rio também passa lá, nós temos também essa preocupação principalmente lá, tentar fazer este impacto, tentar sensibilizar as pessoas.
Nas outras zonas de Valongo, se calhar não temos aquele impacto tão forte que nós gostaríamos de ter. Há sempre o empenho do município em geral de conseguir dar o apoio necessário.
A ideia é que haja também um percurso deste género por lá? Sim, nós idealmente queremos fazer um corredor verde, não é? Que juntasse os quatro municípios. O corredor verde quer dizer, neste sentido, a possibilidade das pessoas poderem passear confortavelmente ao longo da margem. Certo, era um percurso como este aqui, que queria juntar os quatro municípios, de Valongo, Santis, Samai e Matosinhos. E obviamente, se conseguíssemos ter os quatro municípios no bom estado, como temos desta parte aqui, e estás ainda mais positivo, sim.
Só para acrescentar uma coisa, o projeto do Master Plan do Rio Lessa que foi terminado em 2020 previa o percurso da Nascente à Voz. E agora todos os municípios, ao seu ritmo e à medida que encontram financiamento, estão a executar esse percurso. E por isso esse percurso vai ser uma realidade. Nos próximos 5 anos, nos próximos 6, eu não sei, dependendo dos fundos que existirem, isso vai se tornar uma realidade. É mais rápido que a Jusante, não é?
Sim, o município pioneiro e o que mais conseguiu concretizar essa ideia foi Matosinhos, que já fez 15 quilómetros já de percurso. A ideia é que não seja todo igual a este, não seja tão suave como aqui, que tem um piso de cimento, basicamente. Este piso é um betão poroso, é completamente poroso este percurso, e é engraçado que fale nisso, porque os materiais e a forma de construir este percurso foi também um exemplo.
porque, se reparar, foi usada a engenharia natural para controlar a erosão, foram deixadas todas as árvores que era possível deixar, e foram quase todas, o pavimento é poroso e ele drena naturalmente, infiltra a água no solo.
E se reparar, as caixas da iluminação estão muito acima, quase lá em cima. Estes postos ficam debaixo da água e continuam a ligar-se à noite. No dia seguinte, quando a água baixa, as pessoas podem passear. No dia seguinte, não há danos.
Digamos assim, nesta infraestrutura. Está preparada para as cheias. Se houver cheias... Se houver uma cheia. Este sítio aqui já ficou com água acima das nossas cabeças, onde nós estamos agora. E quando a água voltou a descer, as pessoas podiam percorrer o percurso no dia seguinte, porque não houve danos. Aquela caixa, em vez de ficar inundada pelas águas, está lá em cima e ficou a salvo das cheias. E por isso, toda esta infraestrutura foi preparada para resistir às cheias e para estar no sítio onde está, que é na margem de um rio.
Quando são uma estrutura inédita e inovadora, imagino que sejam procurados por, não sei se por municípios, mas por outras associações que têm a mesma finalidade de Europa Fora.
Sim, nós quase não damos para as encomendas de entidades e de municípios que nos pedem para visitar o nosso projeto, que nos pedem ajuda e esclarecimento sobre a nossa experiência, como é que estamos a fazer isto, como é que gerimos, como é que vamos fazer a seguir. Está a suscitar uma curiosidade enorme.
E ainda bem, porque todos nós podemos aprender uns com os outros e nós fizemos este percurso, havia coisas que podíamos ter feito melhor e também aprendemos com outros projetos europeus e nacionais e por isso há muita essa troca de experiências e troca de informação connosco, somos muito solicitados nesse aspecto. Aliás, o nosso projeto, a parte da bacia de inundação, já esteve em Singapura.
no Congresso Mundial da Água como um bom exemplo. Veio a semana passada uma pessoa da Faculdade de Viena a estudar e monitorizar a nossa bacia de retenção. Ou seja, há muita curiosidade e muita vontade de seguir o nosso exemplo, sobretudo ao nível da governança, de juntar municípios numa estrutura da governança comum para atacar um problema que é de todos. E há dificuldades nessa junção dos municípios do ponto de vista do funcionamento prático, tendo em conta as limitações que os municípios às vezes têm?
Limitações da ordem burocrática, de às vezes até... Bom, aqui houve um entendimento, portanto se calhar o problema não se coloca, mas a questão das quintinhas políticas e os poderes, os tais muros que fala o Presidente da República agora.
Eu pessoalmente nunca senti qualquer barreira política e é que convém dizer que quando fundamos a associação tínhamos três municípios de um partido e um município de outro. Mas os autarcas são muito apegados à sua região e querem ver o melhor para a sua região e por isso a questão partidária nunca senti que fizesse qualquer entravo, qualquer muro neste caso. A dificuldade que nós temos é a dificuldade burocrática de...
se exigir a uma micro-entidade, como nós somos, com dois técnicos, dois administrativos e quatro guarda-rios, que cumpra todo o edifício burocrático igualzinho a uma câmara. É praticamente igual. E por isso, nós só para conseguirmos...
cumprir todas as regras burocráticas para a nossa existência e para trabalharmos o rio, gastamos muita parte do nosso tempo com essa parte burocrática. Isso é um entrave, porque somos uma microestrutura. De resto, temos as dificuldades e as vantagens de todas as entidades que têm as suas dificuldades, mas temos tido um percurso de sucesso. Os municípios estão os quatro muito empenhados no sucesso deste projeto. Estamos a fazê-lo crescer para as próximas décadas.
estamos a candidatar-nos a mais financiamentos e, por isso, acaba por ser um caso de sucesso até esse nível, porque a associação e a agregação de vontades facilitam o financiamento dos projetos, ganham escala. E, por isso, estes quatro municípios, através desta associação, têm uma capacidade de sucesso e de alavancar financiamento externo muito maior do que teriam por si só, porque estão associados.
Houve algum momento em que tiveram alguma iniciativa de participação cidadã na tomada de decisão em relação à Rio Leste ou nem por isso? Na tomada de decisão não. Nós temos uma ideia que está desde o primeiro ano da Associação, que são as Assembleias Cidadãs. Só que nós temos muitas ideias e queremos fazer as coisas e não conseguimos tocar as teclas todas nem levar tudo para a frente. E é por isso que este projeto tem que evoluir com a base que tem. Tem que ser executível.
Tem que ser executível. Nós nos primeiros anos ficamos completamente absorvidos com o financiamento que tivemos muito grande, de 3.6 milhões, era de 4 milhões, mas executamos 3.6, e absorvemos completamente. Nós não conseguimos fazer uma Assembleia Cidadã, quando estamos com 4 obras em simultâneo, em 4 municípios, fomos completamente absorvidos, ainda bem, tínhamos dinheiro para fazer as coisas e fizemos-las. Isso dá moto para outra pergunta, que ideias é que há e que ainda não são concretizadas, ainda não foram concretizadas porque não houve oportunidade?
Precisávamos de um programa inteiro de 5 horas só para reunir todas as ideias que nós temos sobre o Rio Leça, mas todas elas passam por maior envolvimento da população. A população tem que estar ciente do potencial que está aqui e do bem que o Rio Leça pode fazer a toda esta região e a si próprias.
E por isso todas as nossas ideias passam por isso, por melhorar a qualidade da água, melhorar a biodiversidade, envolver as pessoas, trazê-las para junto do Rio Leste, ninguém cuida daquilo que não vê e que não ama. E por isso é muito importante. E por isso eu não quero estar a concretizar ideias em concreto, porque temos muitas, e umas são dirigidas às juntas de freguesia, outras aos cidadãos, outras às empresas, outras a grupos informais, por isso temos muitas ideias e que vamos concretizando à medida das nossas capacidades.
Este não foi apenas um episódio sobre o Rio. É uma conversa sobre memória ambiental, escolhas políticas e futuro comum. Porque a forma como tratamos o Lessa diz muito sobre o país que somos e sobre o país que queremos ser. Porque vivo aqui, com a voz de Inês Frujás. Porque vivo aqui, um podcast de António Jorge.
A sonorização de Edgar Barbosa e Cláudio Calado. Para a semana, outro episódio dedicado a boas práticas ambientais.