Episódios de Pelo Amor de Deus - PADD

#PADD278: Paternidade E Deus

07 de agosto de 20261h7min
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Tá no ar! No episódio de hoje, EddieTheDrummer recebe Kauê Grasnievicz para conversar sobre a relação entre paternidade e Deus.

Neste episódio:

  • Entenda como Deus é visto como Pai.
  • Descubra como a percepção de Deus muda ao nos tornarmos pais.
  • Conheça mais do amor e cuidado de Deus conosco.

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#PADD274: Relacionamentos Familiares
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EEddieTheDrummer

Seja bem-vindo, está começando outro podcast Pelo Amor de Deus. Pelo amor de Deus, pelo amor de Deus, tá no ar podcast Pelo Amor de Deus. Eu sou Ed de Drummer. E hoje eu estou com um convidado que, assim como eu, também deve entender a frase: quando tu for pai, tu vai entender. Nos visitando mais uma vez, Cauê Grasnevics.

KGKauê Grasnievicz

Fala, Duda, beleza? E assim como eu, vários pais devem estar viciados em ruído branco. Boa noite.

EEddieTheDrummer

Pois é, exatamente, não tem como dormir sem ruído branco nunca mais. E o Cauê está aqui hoje conosco para nós conversarmos sobre paternidade e Deus.

KGKauê Grasnievicz

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EEddieTheDrummer

Ou entre em contato conosco através do email contato@pelamortedeus.org.br. Então, Cauê, hoje o papo vai ser sobre paternidade e Deus, né? E inclusive recentemente, né, nós falamos sobre relacionamentos familiares. Olha ali então, link no post, né, para quem quiser conferir aí, que a gente também falou lá sobre como se relacionam os pais com os filhos e assim vai. Mas hoje nós vamos falar sobre paternidade especificamente, né? E antes de tudo, visto que a gente vai comentar, né, sobre paternidade e Deus, Então precisamos, né, Cauê, primeiro comentar, né, sobre o que que a Bíblia fala sobre Deus sendo um pai, né?

Porque a gente sempre ouve falar, né, na Trindade tem o Pai, tem o Filho, tem o Espírito Santo. Mas o que que a Bíblia fala, né? O que que Deus é um pai? O que que, como ele é um pai? Em que sentido que é toda essa questão de Deus é pai assim, sabe?

KGKauê Grasnievicz

Eu Pensando sobre esse assunto que a gente ia falar, eu gosto muito de refletir assim como Deus vai progressivamente se apresentando para os seus filhos, né, ao longo da história. A gente começando em Gênesis e indo lendo as profecias, os livros de sabedoria, e a gente vai ver que Deus progressivamente ele vai se apresentando, e essa forma como ele se apresenta para nós vai ganhando novas camadas e novas nuances, né, desde o Antigo Testamento A Bíblia já cita Deus como pai, numa visão de um pai de uma nação, o criador da humanidade, mas a gente começa a ganhar um vislumbre mais próximo disso a partir do momento que Jesus entra na história como um filho.

Então, acho que essa figura de Deus se apresentando como um pai próximo é uma das coisas, acho que, mais maravilhosas que a gente pode pensar, né, sobre a presença de um ser tão grandioso, mas que ao mesmo tempo se preocupa conosco de uma maneira tão especial. E eu acho que esse olhar de amor, de misericórdia e de um relacionamento muito próximo, ele ganha essa nova camada a partir do momento em que Jesus começa a apresentar Deus como, como esse Pai, como esse Abba, como esse alguém muito próximo, santo, Sim, poderoso, sem dúvida, mas ao mesmo tempo um Pai que nos cuida, se preocupa e tem pensamentos sobre nós, né?

Então todo versículo, todo momento em que Jesus apresenta Deus como Pai, pra mim eles são muito especiais assim, né? E que tem ganhado outra vida, né? Daqui a pouco a gente vai falar um pouco sobre isso também, sobre as nossas experiências, mas que a partir do momento que a gente se torna Pai, alguns textos vão saltando aos nossos olhos de uma maneira mais profunda.

EEddieTheDrummer

É porque, né, Cauê, a gente tá falando sobre o criador do universo, né? Nós estamos falando sobre o Deus soberano, aquele que é temido, né? Em que quando a gente lembra daquele relato, por exemplo, de Moisés subindo lá no Monte Sinai, né, e tudo mais, a gente vê que o povo ele tremia, tremia, né, diante de tamanha grandeza do Deus Todo-Poderoso. E aí, como tu disse, aí ele também é apresentado como um pai. Né? E quando a gente pensa em pai, todos nós tivemos um pai, né?

Talvez algumas pessoas não tiveram um pai presente, talvez outras pessoas não conheceram seu pai ou não tiveram oportunidade de ter um relacionamento com seu pai. Mas a gente conhece que a figura paterna, ela não é uma figura, vamos dizer assim, quando a gente fala de pai, ela não é uma figura, vamos dizer assim, que é uma pessoa estranha, né? Mas é uma pessoa próxima, né? Uma pessoa de confiança, é uma pessoa que deve ser respeitada, que devemos obedecer, mas ao mesmo tempo é alguém que se importa conosco, né?

Então esse, vamos dizer assim, seria o padrão. E aí quando a gente olha pra Deus, esse Deus temível, né? O Deus que deixa a gente tremendo as pernas. E a gente vê que tanto no Antigo Testamento, né, como tu comentou, e aí depois em Jesus também, ele é chamado de Pai. Então quer dizer que esse Deus, ele não é só, vamos dizer assim, apenas alguém poderoso e distante, mas ele é alguém que provavelmente se aproxima, né? Alguém que tem esse relacionamento, né, conosco, né?

KGKauê Grasnievicz

Sem dúvida, sem dúvida. Eu acho que infelizmente assim, muitas pessoas que não vieram a conhecer a Deus ainda, não vieram a conhecer Jesus, acabam comprando histórias pela metade de quem Deus é. E colocando ele, criando uma imagem distorcida de quem é esse Deus, que é um Deus punitivo, que é um Deus vingativo, que é um Deus distante, que é um Deus que não se preocupa com as mazelas, com as minhas dores. Muito pelo contrário, muito pelo contrário.

Ele não precisava, não precisava se preocupar conosco, meras criaturas que vieram do pó, mas ele se preocupa de uma maneira muito profunda, né? E a partir do momento que Cristo nos abre os olhos para isso e nos mostra o caminho até o Pai, né, caminho, a verdade e a vida para a gente chegar até o Pai, para a gente chegar a um relacionamento com Deus, eu acho que isso faz com que, com que o nosso coração se encha, né? Em que a gente entende que esse Deus Todo-Poderoso, talvez a gente ouviu falar em algum momento, em algum contato religioso que a gente teve, ou pela própria percepção de mundo sobre Deus, ele não tá longe.

Eu acho que essa parte da presença e da proximidade, pra mim, é o que é o que pra mim é uma das coisas mais apaixonantes assim sobre Deus, né? Ele se preocupa conosco.

EEddieTheDrummer

Aham. É, e pensando, né, Cauê, sobre todo, todos esses pontos, a gente vê então até na tua frase, a gente já vê coisas que Deus ele faz, né? Ele se demonstra como uma figura de pai mesmo, né? Porque tu falou, ah, ele cuida da gente, ele se importa conosco, né? Ele provê, ele acolhe, ele protege. Ao mesmo tempo também, importante ressaltar, né? Ele corrige, né?

KGKauê Grasnievicz

Disciplina.

EEddieTheDrummer

E isso, né, Cauê, a gente vai perceber, por mais que a gente às vezes pense assim, ah, o Deus do Antigo Testamento era diferente no Novo, né? Por mais que Jesus tenha se revelado ao mundo, nos relatos que a gente tem do Novo Testamento. E apesar de a gente já ter, né, todo o Antigo falando de Jesus também, mas no Antigo a gente também vê Deus sendo chamado de Pai, né. Então, mesmo diante um povo, né, que vivia sobre a questão da lei, vivia também um povo rebelde muitas vezes, mas já lá no deserto, né, Deus, né, o Senhor Todo-Poderoso, aquele que devemos temer e devemos adorar e devemos nos prostrar, ele é chamado de Pai, né?

Por exemplo, tem o caso de Deuteronômio 32:6, que diz: é assim que retribuem ao Senhor, povo insensato e ignorante? Não é ele o Pai de vocês, o seu Criador, que os fez e os formou? Então é só um exemplo, né, que Deus ele é chamado de Pai. Então não é ele que cuida de vocês, que protege vocês, que ama vocês, que libertou vocês do Egito, que Ele tá cuidando de vocês no deserto, tá alimentando vocês, né? Não é esse o Senhor, o Criador de tudo, que fez todas as coisas?

Ele não é alguém que tá olhando pra vocês, né? Enquanto nós, como seres que daqui a pouco somos rebeldes e poderíamos ser deixados de lado, ele tá olhando pra nós, né? Olhando pra vocês ali, no caso, né? Então a gente vê assim que Deus, ele... Em sua imensidão, né, sua soberania, ele se coloca numa posição que é, vamos dizer assim, ela é acessível a nós, né. Digo acessível no sentido não apenas de acesso, mas acessível de que nós podemos entender, né, como ele age conosco, né.

KGKauê Grasnievicz

E até é bom tu trazer essa visão, né, do contraste, como tu falou. Muitas vezes as pessoas talvez dividam o Deus do Novo e Antigo Testamento, mas Deus é imutável, né, e suas características são eternas. E a gente vê que Deus sempre, sempre foi dele a iniciativa de relacionamento. Na criação do homem e da mulher, Deus já andava pelo jardim, já conversava com o homem, já buscava essa relação. Deus é relacional. Quando a gente vê a partir do momento do povo no deserto e dessa peregrinação, e conforme vai desenvolvendo todas as histórias, Deus tinha a intenção de morar perto, de estar perto do homem, né?

Então isso que a gente tem falado sobre a presença desse Pai, ela sempre esteve ali. Deus sempre foi presente, sempre buscou o relacionamento com o povo, sempre buscou esse relacionamento conosco, por mais que fôssemos infiéis e rebeldes. E aí a gente vai vendo essas camadas, como eu disse, sendo pintadas com mais cores a partir do momento que Jesus começa a trazer essa revelação de uma maneira diferente para nós. Então Deus tem essa característica paterna desde a eternidade.

Deus como Pai é uma vez, sempre, sempre foi Pai. Deus sempre foi Pai. E um Pai, como tu disse, bondoso, misericordioso, que sim, nos disciplina. E a gente vê que essa disciplina é em amor, né, é para o nosso bem. Se Deus nos deixasse soltos, né, como diz, acho que em Romanos, se eu não me engano, aos nossos próprios pecados, né, e não nos disciplinasse, isso é o pior castigo que a gente poderia ter, estar entregue aos nossos pecados e à morte. Então graças a Deus, e Deus é bom.

EEddieTheDrummer

E aí, agora me surgiu uma questão agora aqui, Cauê. Quem que veio antes, né? O ovo ou a galinha, né? Quem que veio antes? A figura de pai de Deus, né? Ou seja, vamos dizer assim, o fato de vermos Deus como pai, isso influenciou os pais? Ou a figura dos pais, né, existia antes? Então, vamos dizer assim, Deus, ele se mostra porque dessa forma, e aí é falado, chamado Deus pai porque é percebido essa, essas qualidades, características, vamos dizer assim, em Deus, né?

Não sei se eu fui claro, mas assim, Deus ele é chamado de pai porque ele tem as características dos pais, ou os pais, né, são chamados de pais porque eles têm, eles tentam seguir características semelhantes ao nosso grande Pai, né? Acho que, o que que tu acha? Porque isso eu acho que não vai estar na Bíblia agora, é opinião, né, Cauê?

KGKauê Grasnievicz

Acho que quando a gente vê, o primeiro texto que me vem à mente é o chamado de Deus para o homem multiplicar a imagem dele na terra, né? Então esse chamado, esse olhar da paternidade como um chamado, essa função do ser humano, ela vem de Deus. Para mim, então, a gente pode começar por ali, né? Então Adão e Eva juntos, e aí geraram os seus filhos. Então Deus, ele sempre foi a referência, né? Nesse sentido. Então, o que que Adão pegou de referência desse criador dele, né?

EEddieTheDrummer

O que que ele poderia olhar? Como é que ele aprendeu a ser pai, né?

KGKauê Grasnievicz

Como é que ele aprendeu a ser pai? De onde que ele tirou as referências como sendo o primeiro pai humano que existiu? Como é que ele foi criando essas características assim? Então, acho que assim como na nossa vida, o nosso alvo, o nosso espelho é ser semelhante a Cristo, é imitar a Cristo, é ser um imitador de Cristo, né? Olhando lá para Adão, tentando buscar lá na essência, a referência que ele tinha de paternidade era de Deus.

Talvez ele observava os animais, né? Talvez algumas características nesse sentido. Mas Deus, acho que ele foi essa referência de ideal em todos os sentidos, assim. E aí, já não sei historicamente como é que esse termo da paternidade surgiu, assim, mas acho que pensando em Adão, em como Adão foi se desenvolvendo como pai, como isso foi sendo passado como cultura, eu acho que nasce nessa essência de Deus, assim. Até porque se a gente usasse o ser humano como a referência da coisa em si, é uma figura imperfeita, né?

Deus, a gente olha pra ele como um pai, como um ideal, como o pai perfeito, como o modelo a ser seguido. E se a Trindade existe desde sempre, como Pai, Filho e Espírito Santo, Deus sempre foi pai.

EEddieTheDrummer

É, não, ótima, ótima colocação e observação, Cauê. Até porque eu ia te perguntar agora o que significa ser pai segundo uma perspectiva bíblica, né? E aí tu citando essa questão de Adão, realmente, a maior referência que ele tinha é Deus. Então, provavelmente, até no trato com a esposa, né, com Eva, Adão deve ter pensado: bom, Deus, ele cuida de mim assim, Deus me trata assim, Deus fala comigo assim, Deus me proíbe de certas coisas dessa forma, então vou tratar a minha esposa da mesma forma, né?

Com esse amor que eu recebo de Deus, com esse instruir, esse, né, direcionamento que eu recebo de Deus. E assim vai. E aí, obviamente, depois, claro, por causa do pecado, né, eles foram expulsos. Mas quando tiveram seus filhos, então devem— eles tinham já esse entendimento: olha, Deus nos tratava assim, Né, nós como criados por ele, sua criação, seus filhos. Então aqueles que estão vindo de nós, né, vamos tratar da mesma forma.

Então acho que faz todo sentido, né, Cauê, isso, esse ponto ali, né. E aí a gente começa a perceber que de uma perspectiva bíblica, né, ser pai tá muito próximo, né, da forma como Deus é pai, né. Não sei se tu concorda com isso ou se tu tem uma opinião diferente ou algo acrescentar.

KGKauê Grasnievicz

Sem dúvida, ali quando a gente começa a ver o chamado de Abraão também, né? E um chamado para o pai, pai de uma nação, tem a ver ainda com esse chamado do multiplicar, né? Não era só multiplicar de encher a terra, mas encher a terra da imagem de quem? De quem é a referência, né? Da imagem de Deus. Então eu acho que a gente vai ganhando conforme a civilização ela vai crescendo, vai trazendo nuances culturais, né? O pecado vai entrando dentro dessa característica de paternidade distorcida e hoje a gente vê muitos frutos desse pecado que distorceu, né, o papel de um pai na sociedade.

Mas acho que conforme a Bíblia foi sendo escrita e conforme Deus foi se revelando pro povo, ele só foi deixando claro e aumentando talvez essa percepção do que é a paternidade. Mas pra mim é esse olhar de Enfim, quer aprender a ser um bom pai? Olha pra Deus.

EEddieTheDrummer

Aham. Então, Cauê, aí definimos, né, sobre quem a gente tá falando hoje, né? Estamos falando sobre paternidade, né? E vimos que Deus, ele é um pai, inclusive, que influencia a paternidade. Só que tem um detalhe, né, Cauê? Tipo assim, será que a gente tem lugar de fala aí pra gente conversar sobre isso? Tu é pai, Cauê? Sou pai, graças a Deus.

KGKauê Grasnievicz

Uma grande alegria, uma grande alegria poder estar gravando e falando sobre isso agora, que é uma coisa que eu estou vivenciando, estou experimentando aí há 10 meses com a Joana, que veio pela graça de Deus. Então sim, temos lugar de fala.

EEddieTheDrummer

Olha ali, né? E eu também, né, Cauê? Também temos uma pequenininha aqui em casa. E diante disso, né, então nós vamos compartilhar experiências, porque o que acontece A nossa experiência é uma experiência fresca, né? O pessoal fica fazendo piada, né, dizendo que quem é pai de primeira viagem é pai fresco, né? Mas é porque a gente tá fresco mesmo, né? A gente tá fresquinho na mente ali, essa experiência de termos, né, um filho, uma filha e assim vai.

E termos essa mudança na vida. E aí eu te pergunto, Cauê, diante, né, disso que a gente tem comentado ali sobre a questão de paternidade, sobre Deus ser o nosso Pai, sobre nós sermos pais. Como que a chegada de um filho muda a percepção da vida, sabe? Como tu enxerga a vida, como tu enxerga o desenvolvimento, a criação e essas coisas, né?

KGKauê Grasnievicz

Primeira coisa é que pra mim, a gente fala, né, sobre o parto, sobre esse momento. Todo nascimento é um milagre, né? Independente de como foi a dificuldade de ter esse filho ou não. Então, eu enxergo a primeira perspectiva assim, como uma das maiores experiências que a gente pode passar na Terra, assim, que Deus nos proporciona, é esse milagre de gerar uma vida e de ver uma vida sendo gerada. Então, eu acho que passar por isso, né, olhando pra minha experiência, assim, é uma coisa transformadora, assim.

É uma coisa transformadora e é uma transformação que ela é constante, né. A gente tava conversando antes sobre os desafios. Todo dia uma nova descoberta, todo dia um novo desafio. Mas é interessante que quando a gente fala sobre o pai e a mãe, onde a mãe já tem um contato com a criança no seu ventre, então ela já começa a desenvolver um relacionamento de certa maneira diferente, mais profundo, estão interligados na carne, literalmente, ela está já alimentando aquele bebê no seu ventre e o pai vai sendo formado num tempo diferente.

Interessante como Deus escolheu fazer esses processos assim. E esse tempo de 9 meses que a gente tem, né, geralmente a gente descobre um pouco depois, tem um pouco menos de tempo assim, mas é um tempo muito precioso dessa noção do que é a paternidade ir se formando. Mas as coisas mudam a partir do momento que a gente pega pela primeira vez os nossos filhos no colo, né. Eu acho que esse momento pra mim ele foi muito especial assim.

Lembro de estar lá no hospital e estar junto com um, assim, maravilhosa e que deu muito medo e uma coisa muito diferente, assim, muito intensa essa experiência que a gente tem como pessoas, assim. E depois de levar minha filha até o quarto e pegar ela, orar pela vida dela, entregar a vida dela a Deus, assim, e a ficha vai caindo. Eu lembro, pra mim, que a minha percepção aconteceu ali pelo dia 5 ou 6, eu acho que eu tive uma forte percepção de Tá, tem uma filha aqui no meu colo, tem um bebê no meu colo, eu sou pai.

E eu lembro que esse foi um momento muito emocionante, eu tava com a minha filha no sofá da sala, a minha esposa tava no quarto e eu tava com ela no colo assim, fiquei olhando pra ela por um bom tempo e emocionado e chorando e sendo grato a Deus por aquilo que eu tava podendo presenciar assim, né. Então pra mim muda a percepção de muita coisa, sobre o amor, sobre a beleza, Sobre as responsabilidades que a gente tem, sobre mortes necessárias nossas pra o nascimento dessa filha e durante o crescimento dessa vida.

Coisas que a gente precisa mortificar em nossa carne, né? Os lugares que a gente tem de conforto vão sendo todos quebrados, muitos ídolos vão sendo quebrados nesse sentido. Então, o nascimento é um milagre e ele muda a nossa percepção completamente, assim. E a gente tem uma clareza que é algo que vem do alto, assim, né? Como um chamado desde lá do começo pra gente multiplicar a imagem de Deus na terra. E depois com o Cristo a gente ter esse papel de multiplicar, né?

Através do discipulado também. E a gente tá vendo aquela vida sendo formada, entre aspas, do zero. E acompanhando isso é uma coisa maravilhosa, assim. Eu falava que quando a gente olha pra uma grande paisagem, né? A gente tende a ficar contemplando aquilo, ficar sem fôlego quando a gente sobe no alto de uma montanha. Montanha e ver um pôr do sol, né? Porque é uma criação maravilhosa de Deus, né? Mas se a gente for olhar pra humanidade como essa criação acima das coisas criadas de Deus assim, e a gente ficar olhando pro nosso filho, segurando ele nos braços assim, no colo, e ficar admirando, a gente consegue ficar muito mais, muito mais admirado do que ver a mais bela paisagem que existe por aí no mundo assim.

Então acho que esse senso de contemplação vai mudando literalmente o nosso jeito de pensar, o nosso jeito de enxergar o mundo. Como é que foi pra ti, Duda?

EEddieTheDrummer

Pra mim, assim, muito semelhante ao teu relato, Cauê, é o fato de que as coisas, elas começam a assumir outras cores. A gente começa a ver as coisas com outros olhos. A gente já passa por algo assim, né, com o casamento, né, quando a gente se apaixona, a gente está apaixonado por alguém e aí então nós casamos, né? E esse amor ele passa de paixão e se transforma— se transforma não, né? Começa já no início, né? Eu digo, mas o amor, né, ele é real e tudo mais.

A gente já vê as coisas de uma forma diferente, né? Principalmente no casamento. Mas quando vêm os filhos, a gente tem uma nova perspectiva. Aquilo que a gente ainda não tinha experimentado antes, né? E do que que eu tô falando assim? Porque tu comentou aí esses pontos ali até na preparação, e hoje inclusive, né, a gente pode não apenas acompanhar, né, o crescimento, desenvolvimento do bebê, mas a gente pode ver, né, porque a tecnologia nos permite isso, né.

A gente faz as ecografias ali, né, e assim vai, né. Então a gente pode literalmente ver, né. Mas ao mesmo tempo eu vejo que ocorrem mudanças no nosso coração porque a gente vê O quão... Não sei pra ti, né, Cauê, mas eu percebo assim, o quão que a gente é egoísta, né?

KGKauê Grasnievicz

Sim.

EEddieTheDrummer

E eu percebo que isso já acontece no casamento. Porque, veja bem, a minha defesa, né? Mas eu quero dizer assim, que no casamento, até casarmos, né, nós somos indivíduos individuais. Talvez moramos com os pais, né? Mas nós temos as nossas próprias vontades e as nossas vontades a gente faz elas. A não ser que sejamos proibidos por alguém, sejam nossos pais ou um, né, que seja responsável por nós. Quando nós casamos, a minha vontade já não é mais a minha vontade, mas é a nossa vontade.

Porque homem e mulher se tornam um, então tanto marido quanto esposa devem ter uma vida única agora, né. Então nós compartilhamos dos momentos, nós compartilhamos das vitórias, nós compartilhamos das derrotas, compartilhamos das dificuldades. Compartilhamos tudo. Então, isso nós já temos uma, vamos dizer assim, uma, um molde, né? Molde não. Isso nós já temos Deus nos moldando, né? Nos transformando, nosso coração. Quando obviamente nós temos um casamento que glorifica a Deus, né?

Que Deus é o centro, né? Então, se nós deixamos, nós começamos a abrir mão das nossas vontades em prol da família, que é o marido e esposa. Quando chega uma criança, isso ocorre de novo. Porque marido e esposa, eles estão acostumados já com uma certa rotina, estão acostumados, vamos dizer assim, a agradar as suas vontades, que agora eles já conhecem, que eles têm coisas em comum, têm coisas que são diferentes e às vezes um abre mão, o outro abre mão e assim vai.

Mas quando chega uma criança, ambos têm que abrir mão de tudo em prol da criança, porque a criança não vai abrir mão de nada. Essa aqui é a verdade. Então, que nem tu falou, né, nós temos que abrir mão, né, dos nossos desejos, das nossas vontades, dos nossos planos. Então aquilo que tu fazia agora tu não vai fazer mais. Claro que a gente não acaba com a nossa vida. E aí entra, e aí entra a beleza, né, da paternidade, né, Cauê, que tu falou, né, o homem, o pai, a ficha cai só quando segura o bebê no colo, né.

E a gente percebe que, nossa, tem tantas coisas que eu gostaria de estar fazendo e agora não posso fazer. Mas a realidade é que quando nós amamos, né, a gente nem sente falta, né? A gente nem sente falta dessas coisas, digamos assim. Ah, eu sei lá, ia em tal local toda semana e agora não dá pra ir com o bebê, né? Então eu e minha esposa não podemos mais sair pra jantar, né? Porque agora nós temos um bebê, sei lá, de 10 dias. Não tem como, né?

Paciência. Só que o que eu quero dizer assim, que pelo menos pra mim, né, Cauê? E eu acho que pra ti é a mesma coisa, porque no teu relato aí eu senti o mesmo sentimento. Mas a gente nem pensa, né, nessas coisas que a gente tinha antes, né? A gente abre mão e abre mão com amor assim, e de boa vontade assim, porque a gente quer, na verdade a gente não quer tá lá no local diferente, a gente não quer, sei lá, tá vendo uma série, a gente não quer tá num lugar barulhento escutando música, sei lá, ou conversando com as pessoas, a gente quer tá segurando aquele bebê no colo, entendeu?

A gente quer, que nem tem um meme, né, protejam a todo custo, a gente quer proteger aquele ser a todo custo, né? Até porque, né, Cauê, tem um fato que eu pelo menos entendo assim, eu acho que tu concorda comigo porque a gente estudou esse livro juntos, né, do Luciano Subirá, o Como Flashes, inclusive Link no post. Que essa criança que nasceu não é nossa, ela não pertence a nós, ela pertence a Deus. E Deus, ele nos deu a possibilidade, né, o privilégio de cuidarmos dela pra que ela não morra.

Porque eu sempre falo isso, né, o objetivo de um bebê é morrer. Porque ele não sabe comer, ele não sabe fazer nada, ele... Nada ele sabe fazer sozinho. Então, vamos dizer assim, quase como se o objetivo dele seria morrer. Ele vai chorar porque ele não quer. Morrer, e aí tu tem que cuidar pra que ele não morra. Ou seja, alimentar, né, cuidar, fazer ele dormir e assim vai, né. Então tu tem que cuidar desse ser que não sabe de nada, é tudo novo, e tu tem que educar ele nos caminhos do Senhor, né, que nem tu bem citou ali, né.

Conduzir ele pra que ele não seja apenas mais uma criatura, não seja mais um ser no universo, mas ele seja mais um filho de Deus. Sim. Porque até então ele é nosso filho. Mas ele ainda não é filho de Deus e nós queremos levar ele até o caminho do verdadeiro pai, né? O pai de todos nós, né?

KGKauê Grasnievicz

Perfeito, Duda. E eu tava refletindo, né, sobre 3 coisas assim principais que eu acho que tiveram uma mudança maior de percepção assim, mais profundas. Uma sobre Deus, uma sobre a Lara e uma sobre mim. Eu acho que a partir do momento que a gente olha para aquele ser que Ele não faz nada para nós, né? Ele não... A retribuição, como a gente olha na sociedade, não existe uma retribuição. A gente está ali por um amor independente do que aconteça, independente do que aquele bebê está nos dando.

Então, acho que essa percepção, quanto mais a gente vai entrando nessa relação, a nossa percepção sobre o amor cresce verticalmente e horizontalmente, vai ganhando novas formas. É um amor diferente do amor que eu tenho pela minha esposa é um amor diferente do que eu tenho pelos meus amigos, pelos meus pais, né? É um amor novo, é um amor novo, ele tem nuances novas. E com essa perspectiva de Deus, e Deus se apresenta como Deus na Bíblia, né?

Deus é amor. A gente vai sim conhecendo mais sobre o amor e olhando para a palavra e buscando a Deus, a gente vai conhecendo mais sobre esse amor de Deus, né? Eu vou criando uma empatia maior com Deus, né? Me tornando pai. Então essa primeira percepção sobre Deus e de essas camadas se expandirem daquilo que eu entendo sobre o amor. Eu vi um poeta essa semana falando, um poeta cristão, né, que questionaram ele: ah, como é que tu— eu gostaria de falar dessa maneira poética que tu fala sobre Deus e tudo mais.

A pessoa elogiou ele e ele falou: eu posso ler todos os livros, eu posso ver todos os podcasts, ouvir todos os podcasts, ouvir especialistas falando sobre o mar, mas se eu não botar meu pé e se eu não mergulhar, eu nunca vou experimentar o que realmente significa isso, né? E é aquela frase que tu usou no começo, só na hora de realmente do nascimento, só na hora que tu for o pai, que tu for a mãe, tu vai saber o que que isso significa, porque tu vai experimentar.

E o amor de Deus é assim também, a gente vai conhecendo Deus através da palavra, ele vai se revelando a nós, mas a gente vai experimentando alimentando esse Deus e essa palavra vai ganhando vida em nós através do Espírito Santo. E aí sim a gente mergulha numa fé e num conhecimento de Deus. O segundo ponto que eu falei sobre a minha esposa, de ver ela carregando essa vida, alimentando essa vida, gerando essa vida, e depois novamente nesse papel de cuidado, né, onde a bebê tem uma dependência gigantesca da mãe assim, e a gente tem um trabalho mais de suporte, digamos assim.

A todas as outras coisas pra auxiliar ambas é a admiração que eu tenho pela Lara. Ela multiplicou também pela capacidade, pela força que Deus deu a ela, pela dependência dela do Espírito Santo, por aquele lembrar daquele momento do parto assim. E é algo que a gente nunca vai, vai, a gente não sabe fazer isso, né, Duda? Nunca, não temos essa natureza. Então olhar pra Lara e falar isso é uma coisa, é uma coisa dela, uma coisa da mulher.

E a admiração cresce nesse sentido. E a última, sobre mim, um aprendizado, e que foi muito aquilo que tu falou, né? Eu falei, cara, eu preciso compartilhar isso porque a partir do momento que tu tem um filho, eu falei, meu Deus, quanto eu era egoísta e não tava vendo, né? Através disso, Deus me abriu os olhos. Nossa, eu poderia estar servindo muito mais a minha família. Quantas coisas que... Por que eu não servia a minha esposa antes dessa maneira?

Por que eu não tava servindo na minha casa primeiramente antes dessa maneira, assim? Então, a partir do momento que o bebê chega, a gente tem que reorganizar toda essa rotina e esses tempos, e os tempos das coisas vão mudando. Eu percebi muito claramente o quanto eu ainda tinha possibilidades e oportunidades de servir na minha própria casa e que eu não fazia. Então, realmente revelando esse egoísmo no nosso coração. Então, para mim, esses três pontos assim, o amor de Deus e o amor e essa empatia de entender Deus como pai e de me entender como pai, entender esse amor de Deus, né?

Eu muitas vezes errando com a minha filha ou ficando brabo com ela e às vezes não sabendo como agir e tudo mais, entender que Deus é um bom pai, muito melhor do que a gente pode imaginar ou chegar perto. A admiração que a gente tem pela nossa esposa de ver elas passando por isso e gerando essa vida e olhar pra nós mesmos de entender, cara, eu sou egoísta, velho. Nossa, olha quanta coisa que eu tinha pra servir. E acho que quando vier o segundo filho, terceiro filho, não sei quantos filhos que a gente vai ter ainda.

Eu acho que essa percepção aí ela vai aumentar cada vez mais. Com certeza hoje eu poderia já estar servindo em muitas outras coisas e Deus vai me revelar isso ainda e vai me revelando.

EEddieTheDrummer

Com certeza. E para mim, eu vi que esse entendimento do amor de Deus também para mim foi algo que a paternidade me trouxe assim e me transformou também assim nesse um ponto, Cauê, porque a gente percebe, né, é que nem tu bem citou, o bebê ele não tem nada para nos dar em troca, né. Só que para mim me pegou um ponto lá na sala de parto mesmo, porque é que nem tu falou, a gente vai, entre aspas, né, vai namorando, né, essa ideia de ser pai enquanto o bebê tá na barriga, e assim vai.

A gente já tem uma certa emoção, a gente já ama, né, a gente gosta da ideia de amar esse ser que está sendo criado, né. Então a gente se coloca nessa posição de amar porque é nosso filho, né. Mas quando nasce e tu vê aquele ser que saiu lá, né, que tava lá no forno, né, todo esse tempo, e ele sai, e tu sabe que isso só é possível porque Deus ele é perfeito e ele é capaz de criar vida, seres tão complexos como nós somos, né? E tu olha e tu diz, e tu percebe que Deus, ele te deu essa tarefa, essa responsabilidade de cuidar desse ser.

E aí tu pega no colo e eu não sei pra ti, Cauê, mas pra mim assim, aquele amor que existia quando a gente via as ecografias e tudo mais não era nada, né? Tipo assim, não era uma vírgula do que o amor que eu senti quando eu vi a minha filha pela primeira vez, tipo assim, ao vivo e a cores. Né, lá chorando. Sim, sim. Roxa e suja de branco lá, né, aquele negócio lá da placenta lá.

KGKauê Grasnievicz

Aquele clima bem gostoso pós-parto assim, né, bem calmo, bem tranquilo.

EEddieTheDrummer

Mas quando eu vi aquilo, sabe, é como se tivesse inundado um sentimento de amor assim que eu não tenho explicação.

KGKauê Grasnievicz

E o mundo silencia, né.

EEddieTheDrummer

É só passando por isso pra saber, não tem como explicar, é impossível colocar em palavras. E aí, naquela hora, Cauê, tipo assim, naquele turbilhão de coisas acontecendo, turbilhão de emoções. E tu é uma pessoa assim que eu te conheço, tu é mais sentimental. Eu, tu sabe que eu não sou tanto, né? Mas ali, ali aquele pouco sentimental que eu tenho assim veio todo acima e foi o, sabe, elevou assim, sabe, a potência, desequilibrou, né?

KGKauê Grasnievicz

Sim, suou lágrimas masculinas pelos olhos, né?

EEddieTheDrummer

É, eu não lembro, acho que não.

KGKauê Grasnievicz

Suor masculino.

EEddieTheDrummer

Eu acho que não tinha nenhum ninja cortando cebola perto de mim nesse momento. Não lembro, eu não tô lembrando agora. Mas de qualquer forma, eu digo sim que inundou esse sentimento de amor. E aí eu passei a refletir ali naquele momento que fica com a mãe ali, né. E eu passei a refletir, tipo assim, o que é esse sentimento de amor? Como posso amar tanto essa pessoa que acabou de nascer, que não fez nada pra mim, não me deu nada em troca.

E eu simplesmente estou amando sem esperar nada em troca, sabe? E aí eu comecei a refletir no amor que Deus tem por nós, né? Que nem tu falou, né, sobre a tua perspectiva de Deus, né? E aí eu fiquei pensando, cara, Deus, ele nos ama assim pra mais, né?

KGKauê Grasnievicz

Pra mais.

EEddieTheDrummer

E não é só assim pra mais, mas ele nos ama assim de uma forma que nós não temos nada pra dar pra ele. Nós fazemos o contrário ainda, né? Nós desobedecemos, né? E claro, hoje minha filha desobedece, né? Mas nesse momento ali, não. E aí eu fiquei pensando, nossa, como que é grande, né, o amor que Deus tem por nós. E aí isso me trouxe uma nova perspectiva do evangelho, me aproximou mais ainda, porque eu fiquei pensando, esse bebê eu não daria pra ninguém por nada nesse mundo.

Né? E aí comecei a pensar, mas Deus entregou o filho dele, né? Ele entregou o filho dele pra nos salvar, nós que nós não merecemos, nós, né, digamos assim, seres criados e que somos rebeldes. Mas ele entregou o único filho dele, o filho unigênito, aquele que tava, como tu disse, né, estava com ele durante a eternidade. E ele trouxe o filho dele aqui pra se fazer carne e sofrer em nosso lugar, pra que nós pudéssemos se tornar Filhos dele por adoção.

Eu fiquei pensando nisso. Eu jamais faria isso. Eu não teria... Eu não teria tamanho amor por um estranho, sabe? Mas Deus nos ama e ele pede que a gente tenha esse amor, né? E aí eu comecei a pensar, nossa, se eu amo assim a minha filha, imagina como que Deus ama o filho dele. E aí, se Deus fez isso com o filho dele por mim, eu fiquei imaginando quão grande é o amor que Deus tem por mim, sabe? E aí sim, daí eu já fiquei... Eu já me constrangia com o evangelho.

E aí me constrange ainda mais, né? Não sei se tu também teve um insight assim com a tua filha no colo.

KGKauê Grasnievicz

Sim, eu, para mim, aquele momento que eu peguei ela no colo assim, eu acho que não tem outra coisa a gente fazer, é a gente fica abismado, né, com aquilo que a gente tá vendo assim. Não tem uma explicação, tu não consegue, que nem tu disse, botar em palavras. Fica abismado, fica totalmente, é uma coisa É uma coisa espetacular, assim. Então, naquele momento, eu só conseguia agradecer a Deus, só conseguia ser grato a Deus por aquilo que tinha acontecido, assim.

Então, acho que essa gratidão que transborda desse amor. Mas realmente, realmente, a gente olhar pra Deus, que entregou o seu filho— eu não gosto nem de dar a Joana no colo pra alguém segurar, sabe? E, cara, Deus fez uma coisa que vai muito além disso, assim. E eu acho isso maravilhoso. Esses dias a gente tava lendo lá o Salmo 139 e pra mim ficou muito na minha cabeça que Deus pensa muito em nós. Os pensamentos dele são incontáveis, né?

E cita os grãos de areia, enfim. Eu fiquei, cara, quanto Deus passa, fica pensando em nós direto assim. Ele tem muitos pensamentos sobre nós, né? E aí a gente não para, né? Não vai ter um dia na nossa vida que a gente não vai pensar nos nossos filhos. A partir do momento que a gente soube que eles viriam, né, ou que a gente tava começando a tentar, assim, a partir daquele momento a gente não vai passar um dia sem pensar nos nossos filhos.

A gente não passa um dia sem pensar na nossa esposa, nas pessoas que a gente ama assim mais próximas, sabe? E Deus, ele tem pensamentos sobre nós. Deus pensa sobre nós de uma maneira amorosa, carinhosa. Os planos que ele tem pra nós são planos bons, pra que a gente prospere, pra que a gente seja a imagem do Filho dele, assim. Então realmente essa percepção sobre esse grande amor, ela cresce assim de uma maneira tão grande. E mesmo assim a gente não consegue compreender esse amor infinito.

Esse amor infinito a gente nunca vai conseguir compreender, vai passar a eternidade com Deus vivenciando, vivenciando esse amor, né? Eu acho que ele é pra compreender em partes, mas também é pra gente desfrutar, não é pra gente entender ele completamente. Entende a mensagem do evangelho, mas desfruta desse amor de Deus pela eternidade. A esperança e a fé, elas passam, né? A gente não vai mais ter necessidade de ter esperança no céu e nem fé.

Vai sobrar o amor, vai sobrar o amor. O amor é o que sobra pela eternidade. Então a gente vê que quando Jesus resume os mandamentos, né, e quando Jesus fala sobre aquilo que é importante, é o amor, é o amar a Deus e amar o próximo, né? Então ter um filho, cuidar de um filho, é um chamado que tá, que faz Que faz a vida valer muito a pena, faz a vida valer muito a pena. A gente consegue, começa a reorganizar aquilo que era importante já, né?

Coisas que antes eram muito importantes, que a gente achava muito importantes, acabam perdendo, né, o seu sentido e aumentando a nossa percepção sobre essa vida maravilhosa que Deus criou e essas coisas que Deus nos deu para desfrutar, né?

EEddieTheDrummer

Mas, Cauê, assim, isso aí a gente teve essa Experiência no nascimento ali, né. Mas só que depois tu vai pra casa, tu vai pra casa, o tempo vai passando e esse sentimento fica, né. Não sei pra ti, mas pra mim esse sentimento assim eu tenho até hoje, sabe. E é algo que se mantém, né. E aí diante disso surgem muitos desafios, né. Porque o filho, a filha, eles vão crescendo, eles vão aprendendo coisas. E aí os desafios vão vindo, né.

E aí quais são os desafios que tu percebe assim da paternidade? Que muitas vezes, inclusive, esses desafios nos fazem até depender mais de Deus, assim. No sentido de a gente saber que a gente precisa do Pai, do nosso Pai, né. Quais seriam esses desafios aí, Cauê? Como é que é pra ti isso aí?

KGKauê Grasnievicz

Duda, então eu acho que eu lembro de uma escadinha, assim, de desafios, né, começando. Os 15 primeiros dias são insanos. Ninguém te prepara, ninguém... Pode ler livro, pode ouvir palestra, mas ninguém te prepara Pros 15 primeiros dias.

EEddieTheDrummer

Não, não, assim, ó, Cauê. Começa na primeira noite. A primeira noite é a pior de todas.

KGKauê Grasnievicz

A primeira noite é... Eu acho que nem... Pra nós, pelo menos, não foi tanto assim, porque... Acho que a gente nem acordou direito do que aconteceu. A gente tá numa adrenalina tão grande do que passou, né. A Lara começou contrações na sexta-feira, a Joana nasceu no domingo... Na segunda de manhã, né. Aí, a gente tava virado aí de dias, então a gente nem sentiu a primeira noite. Mas quando começa a amanhecer no dia seguinte e aí tu tá ali com aquela criança, tem que cuidar dela.

EEddieTheDrummer

É, não tem mais volta.

KGKauê Grasnievicz

Não tem o que fazer. E a gente teve suporte, estudou antes, mas cara, agora é campeonato, agora o jogo tá acontecendo. Aí tu se vira. As coisas não são como eram no plano perfeito, né? Então esses 15 primeiros dias, aí tu, pô, passou os 15 primeiros dias. Daí deu os 30 dias, veio mais desafio. Mais desafios, né? Então eu percebo ali também nesse tempo de privação de sono e tudo mais as minhas falhas como pai. E aí percebendo como Deus consegue ser um pai com um amor paciente e um amor misericordioso.

Quantas vezes eu fiquei talvez bravo por causa dessa privação de sono e ao invés de ficar grato fiquei bravo por conta do meu pecado assim, por conta dessa, por conta do meu pecado, não tenho o que falar, não tenho o que falar além disso assim. Porque a Joana estava aprendendo a viver, está aprendendo a viver ainda, não tinha culpa de nada. Então ali o meu egoísmo e meu conforto foi posto à prova. Então acho que sim, os primeiros desafios são de sobrevivência.

Eu acho que a paternidade e maternidade trazem desafios grandiosos para o casamento também. A gente pode citar um pouco isso, mas a importância de o casal estar muito bem alinhado, muito unido, próximos um do outro, próximos de Deus. Para enfrentar esse grande desafio. E conforme o filho vai crescendo, e aí tu já citou o livro Como Flechas, que a gente vê no Salmo 127:4 lá, que a gente tem uma missão, né? E essa missão não é só cuidar, não é só deixar essa criança viva, mas é direcionar ela para que ela nasça de novo em Cristo.

Então, para mim, não existe o maior desafio do que esse, fazer com que com que os nossos filhos enxerguem a Cristo, apontar os nossos filhos para o alvo, porque eles vão ter que passar por um novo nascimento, eles vão ter que passar por esse milagre, por esse batismo do Senhor assim. Então para mim esse é o principal desafio e a gente tem esse papel de inculcar em nossos filhos a palavra, deles verem em nós a palavra, o exemplo, né, sendo vivido ali na prática do amor, do do perdão, da paciência.

E aí a gente traz e demonstra que isso que a gente tem de bom vem de Cristo. Para mim esse é o maior desafio, porque é o desafio que a gente tem na vida como um todo, né? O desafio da fé, né? De a gente se manter próximos a Deus, de a gente não cair, não se entregar aos pecados. Então maior do que a sobrevivência, né, como a gente citou como um grande desafio no começo desse cuidado, eu acho que realmente o os grandes desafios ainda nem começaram, né?

A gente tá com 10 meses da nossa filha. Para mim, os desafios maiores são esses assim, nesse mundo louco, nesse mundo perdido, nesse mundo cada vez mais, mais caótico e mais difuso também. A nossa filha tem que entender o que é a verdade, né? Nesse mundo onde que a gente não sabe mais muito bem, as coisas não se aparentam como são. Nossa filha precisa conhecer Cristo, precisa conhecer esse amor que vai muito além do que o amor que o pai e a mãe dela podem dar, assim.

Então, para mim, não tem desafio maior da paternidade, né, de alguém cristão como esse, assim.

EEddieTheDrummer

É, eu acho que esse é o maior de todos, assim, né? Porque nem tu falou, o objetivo dos pais, né, diante de Deus, não é só alimentar, vestir, da educação, segurança, mas é instruir nos caminhos, né? Mas além disso, né, Cauê, além da questão de direcionar, né, no caminho de Deus e tudo mais. E também, né, que tu comentou sobre essas questões das inseguranças, né, tipo, a gente agora é a hora do jogo, né, que a gente falou, né, tipo, vamos agora, vamos ver, né, vamos ver se tá certo.

E a gente não sabe muito bem o que fazer, a gente não sabe se aquilo que a gente estudou tá certo, ou às vezes a gente não estudou e a gente né, e pega situações que a gente nem sabia que existia. Sim, mas eu acho que tem uma outra questão que às vezes pode ser um desafio, é a sensação que pode acontecer de insuficiência, sabe? Porque no meio desse turbilhão de situações a gente pode achar, não, mas eu não, eu não, eu não sei, eu não sirvo para ser pai, eu não nasci para ser pai, eu não, eu não sei fazer nada, eu não consigo ajudar minha esposa, eu não consigo cuidar da minha filha, eu não sei trocar uma fralda, eu não consigo, sabe?

E eu acho que isso aí pode paralisar tanto o pai quanto a mãe, né? Pode acontecer com a mãe também, né? Eu acho que com a mãe isso é algo mais frequente, né? A gente tem os relatos, né, muito por causa também dos hormônios, né, da mulher, e ficam totalmente alterados nisso. Então é mais comum, mas pode acontecer com o pai também, né? E o pai, ele tem que estar ali nesse momento, ele tem que ser a parte, o porto seguro, né, vamos dizer assim, a rocha firme ali, né?

Porque é onde a família vai, vai se segurar, né? E pra que ele seja isso, a gente precisa depender de Deus, né, Cauê? A gente não vai conseguir sozinhos, né? Sim, claro que também as pessoas ao redor, né, que nem tu falou, né? Nós temos um bom, uma boa rede de apoio e também pessoas próximas, né, que podem estar orando por nós, nos aconselhando e tudo mais, ajudando. Mas a gente precisa de Deus, né, em tudo, né?

KGKauê Grasnievicz

Sem dúvida, Duda, sem dúvida. Eu lembro agora assim, né, dessas primeiras semanas, eu lembro de um sentimento de muitas vezes nesse, nessa, nessas, nessas faltas de sono e nessas complexidades assim, de surgir um sentimento de fuga no meu coração, sabe? Vindo de um lugar de pecado realmente. Então eu ficar parado na sala assim e às vezes deixando a Lara um tempo mais assim no quarto né? E eu já pedi perdão pra Lara sobre isso, a gente já conversou lá atrás mesmo, assim, no primeiro mês assim, que eu ficava em outro cômodo às vezes porque eu não tinha a capacidade de lidar com algumas coisas, né?

De não conseguir fazer as coisas. Então esse sentimento de fuga, ele é uma coisa que veio ao meu coração assim, um pecado que veio ao meu coração assim, de olhar para aquele desafio e não de se sentir insuficiente mesmo. Eu acho que de olhar para o desafio e meu pecado não não querer me entregar como um todo para aquilo que tava acontecendo, sabe? Hoje a gente olha para o Brasil, tem, sei lá, último censo, acho que eram os dados, quase 8 milhões de mães solteiras, né?

Então a gente vive um abandono, né, de pais, né? Não que esse era meu sentimento, né? Meu sentimento era de tentar de alguma maneira fugir daquele caos que tava acontecendo e buscar um lugar de refúgio. E tava buscando o lugar errado, tava buscando esse lugar de isolamento e não em Deus e não muito forte para minha esposa em alguns momentos, né? Então confessando aqui também, abrindo meu coração referente a isso assim. E foi algo que Deus foi me transformando nessa jornada assim, nesse processo de pedir perdão e de me entregar como um todo assim para Deus, na dependência e ao serviço da minha esposa e da minha filha.

Então acho que existe um grande desafio nesse sentido, né? Como a gente falou, as pessoas podem te falar por esse momento, não sei se quem tá escutando agora em que etapa dessa jornada da vida tá. Talvez tenha alguém que tá nessa etapa de gestação assim. E realmente, meu irmão, é algo muito desafiador. Esteja perto de Deus, dependendo de Deus, pronto a se arrepender dos teus erros e pronto a servir com amor sacrificial, né, como Deus nos chama, a tua esposa e ao teu bebê.

Então acho que esse é um grande desafio também, Duda, além dessa criação, né. De se esvaziar, de se esvaziar, né, de se esvaziar. E esse é um chamado que Cristo nos dá também, o exemplo. Se fez como nós e se fez como servo, veio para servir e não para ser servido. E a gente acha o propósito aí da nossa vida a partir do momento que a gente começa a se esvaziar. A gente vê que a vida não é sobre nós, não é também sobre as pessoas que a gente ama, é sobre Deus, né, sobre Deus e sobre os outros, né, como os mandamentos dizem.

Não é sobre nós. E é isso que faz a vida valer a pena. A gente, como diz um título de um livro que eu gosto muito, a gente morrer de tanto viver, né? Gastar toda a nossa vida. A gente vai se esvaziar tanto, morrer de tanto que a gente viveu. Então, acho que o chamado tá aí e esse é um grande desafio, porque coisas que valem a pena na vida não são fáceis também.

EEddieTheDrummer

Sim. E pra gente ir finalizando, né, Cauê? O que que... Como é que a gente pode ser pais segundo o coração de Deus? E o que que tu acrescentaria, adicionaria, né? No sentido que a gente aprende com essa relação que nós temos com Deus ao sermos pais, assim. O que que tu poderia acrescentar além daquilo que a gente já falou?

KGKauê Grasnievicz

Mano, então eu acho que uma das coisas que vem na minha cabeça é a palavra presença, sabe? Deus, ele não requer muito de nós. A gente tem um chamado para missão, mas o que Deus mais quer e mais deseja que a gente vê na palavra é o relacionamento com ele, né? É a gente conhecer a ele, desfrutar dele e estar próximo dele e chamar outras pessoas para experimentar disso também, né? Contar para os outros mendigos onde tem o alimento, onde tem o pão, como diz a frase.

Então acho que esse olhar da presença assim é muito significante quando a gente olha, quando eu chego na sala ali ou no quarto que a Joana acordou, eu acordo antes assim, e ela tá me olhando sorrindo. Ela tava desejando a minha presença, né? E o John Piper fala que Deus é mais glorificado em mim quando eu tô mais satisfeito nele, né? E eu me alegro muito quando eu vejo a alegria da Joana, quando eu compartilho dessa alegria de estar junto com ela, né?

E ao mesmo tempo, o quanto eu quero estar perto dela. E Deus deseja estar conosco, estar nessa presença. Ele vai, ele quer se relacionar conosco, ele quer estar próximo de nós. Isso gera uma alegria muito profunda. Então acho que isso é uma das coisas de ser um pai segundo o coração de Deus. Esse amor sacrificial de tu tá disposto a abrir mão de coisas tuas assim pelo teu filho, acho que é uma característica básica assim assim, digamos, e que a gente vê em Deus, né, como tu disse, abriu mão, né, do seu próprio filho por nós.

Então esse é o chamado, o chamado de liderança espiritual em casa também, né, que já era antes e agora continua com um peso de responsabilidade que aumenta, né. Então se antes como maridos a gente tinha responsabilidade de levar as nossas esposas santas diante de Deus, né, nesse processo de santificação educação mútua e nesse chamado à liderança do lar. Agora a gente também, como guerreiros, como a Bíblia diz, a gente tem esse papel e responsabilidade de enviar os nossos filhos no alvo certo.

Então um pai, segundo a palavra, é um pai que ama com paciência, é um pai que direciona o filho no caminho correto, É um pai que disciplina o filho e que disciplina em amor e entende a direção e o propósito dessa disciplina. Mas principalmente eu acho que é um pai que se alegra na presença e de estar perto do filho. Então eu acho que querer, querer muito o teu filho, querer muito tua filha, querer muito estar com eles assim, sair das distrações e querer passar tempo.

Eu acho que é isso, Deus quer passar tempo conosco, Deus quer estar conosco. E a partir do momento que a gente tá alegre, tá satisfeito em Deus, ele é mais glorificado, como diz o John Piper, acredito nisso. Então acho que o chamado nosso é passar tempo com os nossos filhos de qualidade, em amor, em alegria, e direcionando eles em cada detalhe da vida que a gente pode aproximar eles apontando para Cristo, né, mostrando as coisas criadas, explicando os sentimentos, as atitudes, apontando para Cristo e apontando mostrando os erros, os pecados e mostrando que tem um Salvador que os ama e os quer e tá disposto a perdoar, está com os braços abertos, né? E mostrar esse caminho do arrependimento aos nossos filhos, assim.

EEddieTheDrummer

É isso aí. E tu vê, né, Cauê, que Deus através do evangelho, ele nos dá esse amor que nos prepara pra amarmos o próximo e inclusive pra amarmos a nossa família, sermos pais, né? E aí, quando a gente olha, por exemplo, lá, eu tava lembrando agora lá do fruto do Espírito Santo, né, que lá nós temos alegria, mansidão, domínio próprio, paz, paciência. Nós temos inúmeros, inúmeros não, são 9, né, atributos. Inclusive, nós temos uma série sobre fruto do Espírito Santo, link no post aí para você conferir essa série.

Mas temos vários atributos ali, né, que Deus possui esses atributos. Frutos. E ele é um pai amoroso para nós, né? Ele é um pai paciente, um pai manso, um pai que tem domínio próprio. E eu vejo, né, Cauê, para nós sermos pais segundo o coração de Deus, nós precisamos ter essas qualidades, que é a qualidade não de um pai, mas é a qualidade de um cristão, né? Um cristão normal, um cristão que é fiel a Deus. Então, se nós formos cristãos fiéis a Deus, nós teremos o fruto do Espírito Santo crescendo no nosso coração, nas nossas vidas, né?

Então, o que a gente percebe, né, no início, até o choro do bebê é bonito, né? Mas com o tempo, ele não é mais bonito, ele começa a irritar. Só que nós precisamos ter paciência, porque até tu falou, né? Olha como é que nós tratamos Deus, né? E ele é paciente conosco. Quantas vezes nós cometemos aquele mesmo pecado? E aí, quantas vezes que a gente tolera, por exemplo, um filho desobedecer a gente? Claro, eu não tô dizendo que ele pode desobedecer, não é isso.

Porque a consequência tem que vir pro filho, assim como a consequência vem pra nós diante do nosso Deus Pai, né? Porque lá em Hebreus 12 fala sobre isso, né? Que o Senhor disciplina, né? E isso, inclusive, o fato dele nos disciplinar demonstra que nós somos filhos dele, que ele nos ama. Né, mas assim, às vezes a gente não tem paciência, a gente não tem domínio próprio, né, a gente não tem sabedoria, e a gente precisa de Deus pra isso, porque isso é fruto do Espírito Santo.

Se o Espírito Santo, assim como tu falou, né, o casal está bem alinhado com o Espírito Santo e tudo mais, se o Espírito Santo estiver agindo e no controle, né, dos nossos corações, das nossas vidas, Certamente nós teremos mansidão, nós teremos paz, nós teremos autoridade. Por quê? Porque quando a gente fala com raiva, sem domínio próprio, sem controlar a nossa ira, a gente perde a razão, né? E a gente afasta ao invés de aproximar.

Agora, quando a gente corrige com autoridade, de uma forma mansa, de uma forma amorosa, de uma forma controlada, a situação é diferente. O filho normalmente não vai gostar, vai chorar, vai ficar com sua rebeldia e tudo mais, mas tenho certeza que vai escutar e vai entender, porque tu não tá agindo por impulso, né? Assim como o nosso pai não age por impulso, né? Nós ouvimos a ele, nós mesmo na nossa rebeldia, achando: não, mas eu quero fazer daquele jeito.

Não porque o mundo é muito injusto, porque Deus é injusto comigo e tudo mais. Se nós somos filhos de verdade, em algum momento nós vamos perceber: Mas Deus tá certo, né? Deus tá certo porque ele tá pensando no melhor pra mim, né? Ele quer que eu cresça com isso. E assim vai, realmente eu preciso me afastar dessa situação, dessa coisa e tal. Então eu vejo que quando eu penso, né? E até mesmo, né, Cauê, pensando sobre isso, né, a minha relação com Deus muda.

Porque se eu sou pai e eu começo a pensar como Deus age comigo e eu vou agir da mesma forma com meus filhos, eu vou conseguir também entender como que eu devo agir como filho, né. E começo também a entender como Deus deve se sentir quando eu cometo o mesmo pecado constantemente, né. E quando eu tento esconder o pecado, que eu não confesso, não aceito, não assumo, não me arrependo, né? Eu vou começar a perceber como que Deus deve se sentir diante disso.

Mas mesmo assim ele nos ama. E mesmo assim o filho dele pagou por esse pecado e essa situação, né? Então eu também, só acrescentando, né? Esse ponto assim, que pra mim a paternidade ela muda, né? Ela muda bastante assim a minha vida espiritual e a forma como eu vejo Cristo, a forma como eu vejo Deus e a forma como eu vejo o evangelho e tudo mais.

KGKauê Grasnievicz

Então a gente pode dizer que antes, para se tornar um pai, a gente tem que entender o nosso lugar de filho, né? É a nossa filha e a nossa filiação em Deus. É que nem o discipulado, né? Então para eu discipular, eu preciso ser discipulado, né? Isso, discipulado antes por Cristo, ser um discípulo de Cristo para formar outros discípulos que não tenham a minha imagem, mas que tem a imagem do meu mestre. Então para eu ser um bom pai que vai formar pais e vai formar mães discípulos de Jesus, antes eu tenho que ser um bom filho, antes eu tenho que ser um bom discípulo.

E essa mudança nessa percepção para mim é isso. Eu vejo na paternidade esses contrastes e essas comparações, o quanto Deus é bom. Essa percepção só cresce de o quanto Deus é bom e também cresce a percepção de o quanto eu sou ruim e o quanto eu sou falho, miserável homem que sou. A gente vai vendo nessas nossas atitudes erradas com os nossos filhos muitas vezes, e olhando como Deus nos trata, esse constrangimento vai acontecendo, né?

E a nossa oração é para que Deus vá nos moldando e nos santificando nessa relação. Mas é isso, paternidade é esse chamado, é essa missão, é esse discipulado, é esse envio. E se a gente quer se tornar e quer amadurecer e ser um bom pai, a gente precisa ser um bom filho. E a gente precisa olhar para aquele que é bom, para aquele único que é bom, para que a gente possa caminhar nessa direção. O bom Deus, o bom Pai, vai nos ensinar a sermos pais melhores, sermos pais que glorificam Ele.

EEddieTheDrummer

Então, Cauê, ótimo papo tivemos aí, né? Acho que hoje foi mais um papo, foi um papo menos teológico, né? Foi um papo mais assim de nós compartilharmos, né, essa nossa caminhada, né, que nós temos tido aí com essas, essa experiência nova de vida aí, né? Então, Cauê, por favor nos diga aí as suas considerações finais. E depois compartilha também, né, onde é que o pessoal pode te encontrar.

KGKauê Grasnievicz

Maravilha, Duda, que coisa boa conversar contigo. E sempre, sempre muito bom a gente estar junto. E eu acho que para mim o que fica assim no meu coração é essa questão do tempo, né? E a gente vê o quanto tempo voa, né? Tempo, tempo voa, amor, escorre pelas mãos, já diz a música. Então a gente precisa aproveitar isso, a gente precisa desfrutar da presença de Deus, da presença dos nossos filhos e não viver distraído. Acho que a gente vive numa era da distração extremamente grande, muitos desafios.

E eu acho que esse chamado pra gente estar na presença do Pai, estar presente com a nossa família, com os nossos filhos, é isso. É essa minha mensagem que eu teria assim, se eu pudesse deixar uma coisa só. A gente estar presente diante de Deus, desfrutando da presença dele e estar presente com a nossa família, desfrutando desse tempo, criando memórias com os nossos filhos, ensinando eles desde o começo sobre o caminho, sobre as coisas corretas, estando o tempo, gastando esse tempo em família, gastando, gastando, gastando, esvaziando a nossa vida para amar os nossos filhos.

Eu falo isso e isso é uma busca para mim, eu acho que é uma busca constante assim que nunca vai parar. A gente tem que, tem que lutar e tem que guerrear contra a nossa carne, contra a nossa vontade, contra as distrações do mundo, contra as armadilhas do inimigo que quer nos cegar para aquilo que é o que Deus tem nos chamado: a amar ele e amar ao próximo. Então esse é o recado: vamos gastar tempo, gastar o tempo, gastar nossa vida amando a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa força, de todo o nosso entendimento, e amando o próximo como ele nos ensinou e como ele nos amou.

E começa em casa, começa pela tua esposa, começa pelo teu filho, pela tua filha, E vai se expandindo, porque o amor só multiplica.

EEddieTheDrummer

Amém, amém.

KGKauê Grasnievicz

Gente, se vocês quiserem me encontrar de alguma maneira, podem me encontrar no Instagram, @cauegrajunervleite. Se tu conseguir escrever meu sobrenome, tu pode me encontrar, né? Mas é um sobrenome... Senão, não. E aí, a gente tem uma empresa também, eu e minha esposa, de comunicação, que se chama Cultivo. É @cultivostudio no Instagram, então lá a gente compartilha algumas coisas também. Sobre essa outra parte da nossa vida de empreendedores e que falamos ali então sobre comunicação, marketing e claro carregando com esse propósito da fé como a cosmovisão, como aquilo que nos guia assim.

Vocês não vão encontrar fotos da Joana, né, mas aqueles que são os amigos próximos, aqueles que vivem conosco também a conhecem e a veem. Mas é isso aí, gente, prazer Prazer, Duda. Obrigado aí novamente por me chamar para falar sobre esse tema que é tão rico, tão importante aí para nossa vida.

EEddieTheDrummer

Muito bem, então link no post, que daí o pessoal consegue achar.

KGKauê Grasnievicz

Se for só citando o sobrenome assim, realmente não vai dar.

EEddieTheDrummer

Muito bem. E muito obrigado então, Cauê, por participar aqui conosco, né, voltando aqui mais uma vez. E eu também gostaria de finalizar, né, considerando finalmente Que eu diria assim, que muitas pessoas acham que a paternidade ela muda a vida, mas eu acho que dizer que a paternidade muda a nossa vida daqui a pouco seja um pouco raso do que ela realmente faz conosco. Ela na realidade ela nos transforma, e não transforma apenas a nossa vida, ela transforma a nossa compreensão de Deus.

Porque quando a gente ama um filho, a gente começa a entender um pouquinho mais do amor do nosso Pai, né? Que nem tu falou, sensacional isso que tu disse, que a gente primeiro tem que ser filho, né? E a gente depois então, sendo filho, conhecendo o amor do nosso pai, agora assumindo o papel dele, né, sabe, tipo assim, estando na mesma posição de ter que amar, de ter que ser responsável, de ter que corrigir, proteger, se sacrificar, a gente começa a ver aquilo que Deus faz conosco, né.

Eu comentei ali no início, né, que o pessoal às vezes faz a brincadeira, né, não, quando tu for pai tu vai entender. Normalmente os nossos pais que falam isso, né? Quando tu for pai, tu vai entender, né? Quando for pai, tu vai entender. E realmente, né, quando a gente se torna pai, a gente começa a entender. Mas entender não só o que os nossos pais nos diziam, mas a gente começa a entender um pouquinho mais de Deus. Por isso que eu digo, né, eu não vejo assim que é obrigatório todo mundo ser pai, porque aí entra numa questão teológica diferente ali, né?

Mas eu vejo assim que Pra termos uma compreensão diferente de Deus, vejo que a paternidade, ela nos dá essa percepção, sabe? Essa percepção diferente. Então, ser pai, eu acho que sim. Quem escolhe por não passar por isso, da paternidade e tal, eu acho que perde. Perde essa grande experiência, perde essa grande oportunidade de conhecer um pouquinho mais esse lado de Deus, né? Porque tu Tu não tem como conhecer esse lado de Deus sem passar por isso, né?

E não adianta, ser pai de pet não é a mesma coisa. Não é a mesma coisa, tá? Apesar de que sim, podemos amar os bichinhos e tudo mais, mas não é a mesma coisa. Mas eu quero dizer assim, que é uma experiência única, né? Assim como casamento, quem é solteiro nunca vai entender, né? Quem tem o dom do celibato, né? Que não casa e tal, nunca vai ter essa experiência também de conhecer um pouquinho do amor de Deus ao amar outra pessoa como seu cônjuge.

Mas que nem eu disse, não é uma questão obrigatória, né? Não é obrigatório pra todo mundo, eu não vejo dessa forma, né? Eu só quero dizer sim que são formas da gente encontrar esse lado, né? Da gente conhecer um pouco mais de Deus e entender. Mas ao mesmo tempo, não exclui, né, obviamente, o evangelho, ele não é só para quem é casado e só para quem é pai, né? A salvação, ela é para todos. Então você pode ser salvo da mesma forma, né?

Porque quem salva não é o fato de ter um filho, mas quem salva é Jesus Cristo, que foi entregue por todos nós na cruz para pagar os nossos pecados, que é o Filho.

KGKauê Grasnievicz

Boa, muito bem.

EEddieTheDrummer

Então muito obrigado para quem nos escutou até aqui, e até o próximo episódio. Até mais! Pelo amor de Deus!

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