Episódios de Alimentação e Sustentabilidade

Alimentação e Sustentabilidade #67: O que explica as idas e vindas da fome no Brasil?

11 de maio de 20265min
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A fome é um dos grandes problemas sociais mundiais. De acordo com dados divulgados pela Organização das Nações Unidas, em 2024, 8,4% da população mundial enfrentava a fome, o que corresponde a cerca de 673 milhões de pessoas. O Brasil tem uma trajetória importante de políticas de combate à fome e à pobreza, especialmente a partir da redemocratização, mas enfrenta ciclos históricos de avanços e retrocessos na questão. Uma das grandes obras brasileiras sobre a fome no País é o livro Geografia da Fome, de Josué de Castro, que completa 80 anos este ano. Renato Maluf, professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e pesquisador visitante da Cátedra Josué de Castro, comenta que o autor da obra argumentou que a fome tinha determinantes socioeconômicos, que a tornam política no sentido de que suas causas e soluções se encontram nas escolhas das sociedades. Gostou do assunto? Quer saber mais sobre os sistemas alimentares? Então acesse jornal.usp.br/sinopses-boletins/alimentacao-e-sustentabilidade/ e fique por dentro! Boletim Alimentação e Sustentabilidade Parceria: Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis, Rádio USP e Jornal da USP Produção: Professor Arilson Favareto, Estela Sanseverino e Nadine MarquesCoprodução: Cinderela Caldeira, Breno Marino e Henrique GiacominEdição: Rádio USPVocê pode sintonizar a Rádio USP SP 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz, pela internet em www.jornal.usp.br ou nos principais agregadores de podcast como Spotify, iTunes e Deezer. . 
Participantes neste episódio2
G

Gabriele de Paula

HostComunicadora
R

Renato Maluf

ConvidadoProfessor titular
Assuntos4
  • Fome no BrasilJosué de Castro e Geografia da Fome · Determinantes socioeconômicos da fome · Políticas de combate à fome · Ciclos de avanços e retrocessos · Renato Maluf
  • Políticas de Segurança AlimentarMarco político e social a partir de 2003 · Programas intersetoriais · Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional · Participação social e conselhos · Desmonte de programas a partir de 2016 · Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Intencional
  • Insegurança alimentar e fomePriorização e conjunto de ações · Intensa participação social · Esvaziamento ou desmonte de programas · Radicalização do processo e comprometimento da participação democrática · Pandemia da Covid-19
  • MultilateralismoFalência do multilateralismo · Regulação mundial do sistema alimentar · Utilização dos alimentos como arma
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Alimentação e sustentabilidade. Espaço para reflexão e produção de conhecimento dos sistemas alimentares.

O Brasil tem uma trajetória importante de políticas de combate à fome e à pobreza, especialmente a partir da redemocratização. Apesar disso, olhando para trás, podemos verificar que o país vive ciclos de avanços e retrocessos no que diz respeito à proporção da população que vive com insegurança alimentar e nutricional. Eu sou Gabriele de Paula e converso com Renato Maluf.

professor titular do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e pesquisador visitante da Cátedra Josué de Castro. Renato, em 2026, o livro Geografia da Fome, de Josué de Castro, completa 80 anos.

Pensando nisso, quais foram os principais avanços institucionais e políticos que permitiram ao país reduzir os índices de fome em determinados períodos?

Pois é, Gabi, José de Castro argumentou que a fome tinha determinantes socioeconômicas que a tornam política, no sentido de que suas causas e soluções se encontram nas escolhas da sociedade. Isso se confirmou quando o governo do Brasil priorizou o enfrentamento da fome e construiu um marco político e social a partir de 2003, que explica a tendência de redução da fome e outras manifestações de insegurança alimentar.

entre 2003 e 2014. A retomada da redução da fome foi vista novamente entre 2023 e 2025. As principais características dessa construção são um conjunto de programas intersetoriais.

coordenados por uma Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional. E há importante participação social na formulação, implementação e monitoramento desses programas, por meio dos conselhos, dos Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional, nas três esferas de governo. E quais são os principais fatores que explicam as idas e vindas da fome que também marcam o Brasil?

Como eu mencionei antes, os fatores refletem o enfrentamento da fome, demandar priorização, um conjunto adequado de ações e programas e intensa participação social. Essas três condições...

foram comprometidas com o esvaziamento ou desmonte dos programas a partir do golpe parlamentar de 2016. E a radicalização desse processo e o comprometimento da participação democrática entre 2019 e 2022. Assim,

As idas e vindas da fome se manifestaram no movimento cíclico de sua redução entre 2003 e 2014, seu reaparecimento em nível alarmante entre 2018 e 2022 e a nova tendência de redução entre 2023 e 2025. A pandemia da Covid-19 criou uma condição difícil.

Mas ela sozinha não explica. Temos chegado a 32 milhões de famintos em 2022. E considerando essa trajetória, o que seria necessário para construir e consolidar políticas de segurança alimentar e nutricional capazes de enfrentar mudanças de governo e desafios geopolíticos mais amplos? Gabi, como se sabe, as alternâncias democráticas de governo...

podem implicar reorientações das políticas públicas, que podem ser absorvidas sem problema, desde que não comprometam o enfrentamento de mazelas, como a fome e demais manifestações de insegurança alimentar e nutricional.

Infelizmente, porém, o Brasil carece de uma institucionalização das políticas nesse campo, que tenham continuidade, começando com a plena implementação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Intencional e o comprometimento tanto de gestores públicos quanto de organizações sociais.

Mas grave, temos vivido rupturas políticos e sociais, que não se resumem à alternância democrática, o que leva a questão para outro plano. Infelizmente, essa é a realidade também em âmbito internacional, com a falência do multilateralismo e da regulação mundial do sistema alimentar, agravada pela utilização dos alimentos como arma.

Renato, muito obrigada por sua participação aqui no nosso boletim. Eu sou Gabriele de Paula, comunicadora da Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis, e conversei com Renato Maluf. Confira outros episódios do Boletim Alimentação e Sustentabilidade em jornal.usp.br barra atualidades e nos demais agregadores de podcast. Até a próxima!

Alimentação e sustentabilidade. Espaço para reflexão e produção de conhecimento dos sistemas alimentares.

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