Episódios de Duas e Tanto

Flávio diz ao governo Trump que tarifa "agora" ajuda Lula, mas não critica tarifaço em si

09 de julho de 202618min
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Nesse episódio, Carol Pires e Marina Dias explicam por que Flávio Bolsonaro voltou aos Estados Unidos para pedir ao governo Trump que adie as tarifas contra o Brasil. Elas mostram como o senador mudou o discurso: em vez de condenar as tarifas, afirmou que este seria apenas o "pior momento" para aplicá-las, porque poderiam fortalecer Lula. O episódio também analisa o impacto das tarifas na relação comercial entre Brasil e EUA e o cenário da corrida presidencial.

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Participantes neste episódio2
C

Carol Pires

Host
M

Marina Dias

Host
Assuntos4
  • Tarifas EUA contra BrasilFlávio Bolsonaro · Governo Trump · Lula · Eleições brasileiras · Comércio Brasil-EUA
  • Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUAAudiência pública USTR · Eduardo Bolsonaro · PCC e Comando Vermelho · Pix
  • Comércio Internacional e TarifasMenor nível de comércio histórico · China · Exportações brasileiras
  • Cenário da corrida presidencialPesquisas eleitorais · Michelle Bolsonaro · Lula · Bolsonaro · Campanha eleitoral
Transcrição13 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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CPCarol Pires

Oi amiga, oi amiga, tô te ligando porque o Flávio Bolsonaro foi para os Estados Unidos de novo. Vamos contar o que que aconteceu. Faltam o quê, 87 dias para as eleições, vai passar voando e tudo conta nessa gangorra de eleição que promete ser apertadíssima. Vamos lá, vamos lá. Eu sou Carol Pires, eu sou Marina Dias, esse é o Boa e Tanto.

MDMarina Dias

Todas terças e quintas eu e a Carol a gente se liga para falar de um assunto da política que tá bombando de um jeito rápido, fácil, acessível, para que todo mundo consiga participar do debate. Esse é um podcast rapidinho, de 15 a 20 minutos, é o tempo de você passar um café. Então sigam a gente no canal da Carol no YouTube, @piriscarol, sigam a gente no Instagram, @duasetanto, em todas as plataformas de áudio.

CPCarol Pires

O Duas e Tanto é uma produção da Zarabatana Estúdio com distribuição do Estúdio Novelo. Amiga, vamos lá. Flávio Bolsonaro voltou para os Estados Unidos para tentar de novo fazer oposição política no Brasil via Estados Unidos, né? Ele tá tentando disputar a eleição no Brasil indo para os Estados Unidos. Ano passado, vamos só lembrar que o Eduardo Bananinha Bolsonaro foi para lá, ficou meses ali fazendo lobby, né, com o governo americano, pedindo sanções contra os ministros do STF, em especial o Alexandre de Moraes, e chegou a apelidar esse pacote, essas tarifas que o Trump denunciou de tarifa morais, né, defendendo até o congelamento ali de bens e cancelamento de visto de autoridades brasileiras, o que chegou a acontecer.

E ele condicionou, ele, Bananinha, condicionou o fim das tarifas à aprovação de uma anistia ampla ali para os condenados de 8 de janeiro. E aí, resultado disso, Trump aplicou a sobretaxa, disse que era por causa da caça às bruxas aqui no Brasil, porque o Bolsonaro tava sendo processado, tava para ser julgado. Essa insanidade toda tá na conta dos Bolsonaros. Aí esse americano, vamos lembrar que o Flávio Bolsonaro voltou lá, disse ter pedido para classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas, o que para alguns soa bom e lógico, né, como se fosse um endurecimento contra essas facções.

Mas na verdade só tá dando autorização para os Estados Unidos entrarem em território brasileiro sem autorização, se meter aqui no sistema bancário, como aconteceu na Venezuela, onde o governo americano classificou o Trem de Aragua como uma organização terrorista, terrorista, que é uma facção lá, né, o Trem de Aragua. E a partir disso foram abrindo brechas até sequestrar um presidente. Então foi o que aconteceu lá, do momento em que classificou uma facção como terrorista até o Maduro ser sequestrado e levado para os Estados Unidos. 2 dias depois de anunciar que PCC e Comando Vermelho foram classificados como terroristas, Estados Unidos também anunciaram que o Brasil poderia ser tarifado de novo A gente vai explicar melhor isso.

E aí, no mesmo dia, o Trump postou uma foto com Flávio Bolsonaro no Instagram. Então ficou aquela foto ali no dia da possível nova imposição de tarifas. E agora Flávio Bolsonaro volta aos Estados Unidos. Aí, sua vez de contar.

MDMarina Dias

Vou contar, amiga. Eu tinha falado rapidamente no nosso episódio de terça, dia 7 de julho, que o Flávio Bolsonaro tinha viajado, né, até Washington, a capital dos Estados Unidos, para participar de uma audiência pública sobre as novas tarifas que o governo Trump tá ensaiando colocar sobre o Brasil. Mas ele ainda não tinha falado nessa audiência pública enquanto a gente tava gravando. Então agora que tudo aconteceu, a gente pode explicar melhor tudo isso.

Então, para a gente entender, o USTR, que é o representante comercial dos Estados Unidos, o órgão responsável por elaborar a política comercial dos Estados Unidos com outros países, realizou essa audiência pública terça-feira, 7 de julho, para ouvir argumentos de empresas e integrantes da sociedade civil sobre aplicar ou não novas tarifas sobre o Brasil. Vamos lembrar que os americanos fizeram uma investigação sobre o que consideram práticas comerciais ilegais e injustas com os Estados Unidos, entre elas o Pix, né?

Os americanos acham que o Pix prejudica o comércio com os Estados Unidos. E sugeriram, né, esse USTR, esse órgão de comércio dos Estados Unidos sugeriu que o Trump aplicasse 25% de novas tarifas sobre o Brasil. A gente fez um episódio explicando isso tintim por tintim. Mas antes da decisão do Trump, que é quem bate o martelo, né, sobre isso, eles resolveram fazer essa audiência pública para escutar os argumentos. Então foram 78 inscritos entre entidades e pessoas físicas do Brasil e dos Estados Unidos, sendo 63 contra o tarifaço e 15 a favor.

Muito que bem, Flávio Bolsonaro se inscreveu para falar justamente nessa audiência pública. E aí, só para a gente ter uma ideia de quem tava, né, de cada lado, dos 44 representantes dos Estados Unidos com voz na audiência pública, 30 eram contrários ao tarifaço e 14 a favor. E entre os 34 brasileiros inscritos para falar, somente o Flávio Bolsonaro não se posicionou completamente contra as tarifas. O que o Flávio Bolsonaro disse?

Basicamente, ele falou que novas tarifas sobre o Brasil beneficiariam o Lula e que poderiam aproximar o Brasil da China, o que já é um fato, né, amiga? A China é o principal parceiro comercial do Brasil há anos, o que tava na cara desde sempre, né?

CPCarol Pires

Beneficiar o Lula, porque obviamente quando você pede para os Estados Unidos imporem tarifas econômicas que vai prejudicar o país inteiro para tentar salvar seu pai de um jeito torto, obviamente vai beneficiar quem está do lado da soberania nacional. Então, como é que eles não pensaram isso lá atrás quando o Eduardo Bananinha pediu isso? E lembrando que na época o Flávio agradeceu o Trump pelas tarifas no Twitter.

MDMarina Dias

E aí as aspas, né, do Flávio nessa audiência pública é de que esse seria o pior momento para colocar novas tarifas sobre produtos brasileiros. Ou seja, sugerindo que pode haver um momento, um momento melhor, quando, por exemplo, as eleições terminarem aqui no Brasil. O Flávio, amiga, foi para audiência acompanhado do irmão Eduardo, né, que para quem não se lembra é um deputado federal cassado pela Câmara e condenado pelo STF por coação, porque como você explicou, ele tá morando nos Estados Unidos desde o ano passado e trabalhou junto a autoridades americanas para aplicar a primeira rodada de tarifas e sanções contra o Brasil há um ano.

Quem não estava lá? Paulo Figueiredo, que sempre está lá, mas dessa vez não estava porque acabou soltando aí um vídeo dizendo que mulher não sabe votar. A gente também falou disso num episódio. Isso desgastou muito a campanha do Flávio Bolsonaro junto às mulheres. Então dessa vez o Paulo Figueiredo não estava do lado do Flávio na audiência, era só Flávio e Eduardo. Então ele disse isso, isso na audiência, que esse era o pior momento para aplicação de novas tarifas.

Só que quando ele sai da audiência, ele parou para dar uma rápida entrevista para os jornalistas, que geralmente a gente fica ali do lado de fora, né, em eventos que a gente não pode entrar, esperando as pessoas saírem para falar com a gente. E nesse papo rapidinho que ele teve com os jornalistas, o Flávio falou que ele quer o cancelamento das tarifas contra o Brasil. Mas não é isso que ele tá dizendo para o governo americano, amiga.

Na audiência, de novo, ele disse que esse era o pior momento para novas tarifas, indicando que talvez houvesse um melhor momento. E ele já tinha escrito uma carta para o governo Trump pedindo que as tarifas fossem adiadas para depois da eleição e não canceladas, né? Então, relembrando que o Trump justificou as primeiras tarifas na esteira do julgamento do Bolsonaro, o que o Flávio tá fazendo nada mais é do que reforçar a ideia de que o tarifação dos Estados Unidos é sim uma ação política e não comercial.

E por incrível que pareça, ele acaba corroborando o argumento do governo Lula de que a família Bolsonaro pressionou sim, né, pelas tarifas, e tá lá tentando agora fazer uma contenção de danos. E só para terminar, amiga, o governo Lula, depois de toda essa participação do Flávio na audiência pública, divulgou uma nota chamando essa participação do Flávio na audiência pública de intervenção e dizendo que em vez de rebater os argumentos, né, do governo Trump para taxar o Brasil, o Flávio só legitimou as ações americanas e pediu um tempo, no fim das contas, né, para que elas fossem implementadas.

CPCarol Pires

De novo, né, não impõe agora porque não me beneficia. Antes era impõe tarifas para tentar beneficiar o meu pai, agora é não imponha agora para não prejudicar a minha campanha, mas depois, se você quiser foder o Brasil, aí você decide.

MDMarina Dias

E para a gente entender também, amigo, o impacto direto, né, desse um ano de tarifaço, porque o primeiro tarifaço ele foi imposto em julho do ano passado. Depois a gente se lembra, Lula e Trump se encontraram algumas vezes, negociaram, e parte das tarifas foi revertida. E o Lula conseguiu emplacar a ideia de que as tarifas foram causadas pela família Bolsonaro, e ele, Lula, foi lá e conseguiu reverter. O Lula conseguiu surfar nisso, mas não deixou de ter impacto no comércio Brasil-Estados Unidos.

Então só Só para a gente entender, Brasil e Estados Unidos tiveram nesse último ano o menor nível de comércio bilateral da história. Então o Brasil tem exportado e comprado menos dos Estados Unidos e vice-versa. No primeiro semestre de 2025, por exemplo, a fatia americana nas exportações brasileiras era de 12,1% e agora tá em 9,4%. O principal parceiro comercial brasileiro já era a China, como eu falei, mas esse espaço cresceu ainda mais.

Então o Brasil está compensando o comércio que tem piorado com os Estados Unidos com a China, comprado e vendido mais para China.

CPCarol Pires

É, amiga, é isso. Em vez de fazer oposição política mobilizando aliados e eleitores aqui no Brasil, onde o assunto tem sido na verdade o dinheiro que o Vô Caro deu para família dele, né, pediram R$134 milhões, a gente sabe que pelo menos R$61 milhões foram pagos, e a briga dele com Michelle Bolsonaro, o que afeta a campanha dele com as mulheres, especialmente as mulheres evangélicas. Então ele vai para os Estados Unidos tentar fazer oposição de lá, com Eduardo Bananinha também ali acionando o Trump, os aliados do Trump, o foragido Paulo Figueiredo, né, que já foi sócio do Trump num empreendimento que até colocou o Paulo Figueiredo na mira da justiça.

Então quem quiser entender melhor como é que o Eduardo tá ali se movimentando nos Estados Unidos, saiu um perfil dele Brasília, um tempo atrás, publicado na Piauí pelo João Batista Júnior, onde tá contada toda essa operação do Eduardo nos Estados Unidos, que ninguém sabia quem tava pagando essa movimentação toda com advogados e lobistas. Mas agora, com essa descoberta de que o Vorcário deu pelo menos R$61 milhões para os Bolsonaro, e esse dinheiro foi parar na conta de um fundo, uma holding em nome do advogado do Eduardo, pode aí tá ficando mais claro o que que pode estar acontecendo, quem é que tá bancando toda essa operação.

Mas só para quem quiser se aprofundar em algum desses assuntos, a gente fez no episódio passado esse tema: Sanção dos Estados Unidos atropela operação da PF e investigado foge, para explicar como é que essa classificação do PCC e do Comando Vermelho pode afetar as investigações que o Brasil já faz contra essas facções. Quem quiser entender essa história do Pix, então a gente fez também um episódio chamado Estados Unidos atacam o Pix e classificação de facções como como terroristas amplia o espaço para interferência no Brasil.

Esses dois episódios a gente explica mais a fundo para quem quiser entender essa história da classificação como terrorista e também como essas novas possíveis sanções tarifárias tem a ver com os Estados Unidos indo contra o Pix brasileiro, que é um sistema de pagamento que não passa pelos Estados Unidos, então não fica dinheiro nosso lá. Então agora as pesquisas, amiga. A gente teve aí uma nova rodada, os institutos divergem, né, né, um pouco entre os resultados, o que é normal, tem muito a ver com metodologia.

Então, por exemplo, a GERP deu empate técnico ali entre Lula e Bolsonaro. Já o Meio Ideia deu 8 pontos de vantagem para o Lula. Mas quando você vai olhar a média das pesquisas, fica em torno de 6 pontos de vantagem para o Lula. E aí teve esse assunto da Michele, né, a briga da Michele com o Flávio Bolsonaro. A gente fez 2 episódios de Casos de Família sobre isso, mas Mas é uma pesquisa da Atlas mostrou que mais de 60% dos entrevistados acham que o racha enfraquece a candidatura do Flávio.

Só que outra pesquisa, essa do Meio Ideia, mostrou que na prática os números do Flávio quase não mudaram. Mas aí eu só queria lembrar desse outro episódio que a gente fez. Eu sempre volto a indicar esse episódio em que o Maurício Moura, do Instituto Ideia, explicou para gente umas semanas atrás isso, que essa eleição vai ser decidida ali entre 4%, né, da dos votos. Então é difícil um pouco medir esse público específico que tá concentrado ali numa faixa etária, religião e território, é que esse público específico que o Maurício acha que vai realmente decidir a eleição, que vai ser muito apertada porque os candidatos têm uma rejeição muito alta, né, então eles não têm espaço para crescer entre os eleitores.

Então vai ser disputado ali por uma porcentagem muito pequena. Então é mais difícil que essa porcentagem apareça direito nessas pesquisas maiores que tentam pegar todas as idades e todos os estados, né? Então a gente fica um pouco ali. Eu sinto que essas pesquisas medem, mas não com tanta precisão, onde estão os votos que vão decidir a eleição.

MDMarina Dias

E a coisa importante também, amiga, de dizer que a campanha de fato não começou, né? O calendário eleitoral, ele começa agora em 15 de julho, quando as convenções partidárias oficializam os seus candidatos, porque que até agora nós falamos pré-candidato, pré-candidato à presidência. Então as convenções partidárias agora em julho elas oficializam os candidatos e a campanha de fato, amiga, na televisão, no rádio, comício, isso só é permitido a partir de agosto.

E aí a gente tem, enfim, cada campanha tem o seu estrategista, o seu marqueteiro, mas geralmente, né, eles pegam obviamente o calcanhar de Aquiles ali dos principais candidatos e E entra para bater com isso. Então a campanha do Lula vai ficar falando do Vôrcaro, do dinheiro, do áudio. Quantas vezes a gente vai ouvir esse áudio do Flávio do Vôrcaro pedindo dinheiro e assim como ele de irmão? E assim como a campanha do Flávio também vai ficar batendo nas coisas que o Lula tem mais fragilidade: segurança pública, né, esses temas em que o presidente Lula tem mais dificuldade de debater.

Então comunicar, né, de comunicar. Então Quando a campanha começa de fato, aí sim a gente vai ter uma precisão até um pouco maior dessas pesquisas. Mas como você falou, às vezes numa eleição que vai ser definida por 3 ou 4%, é uma mudança de humor num grupo específico às vésperas da eleição que pode virar para um lado ou para o outro, né? É muito importante a gente ir medindo esse pulso desde agora, porque a gente vê como cada tema tem impacto, né, no eleitorado.

Mas lembrando que a campanha de fato ela só começa em agosto, e aí é tiro, porrada e bomba mesmo.

CPCarol Pires

Então é isso, amiga, até próxima semana.

MDMarina Dias

Até semana que vem, tchau!

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