EUA atacam o PIX; classificação de facções como terroristas amplia espaço para interferência
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Neste episódio do Duas e Tanto, Carol Pires e Marina Dias comentam a decisão dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho em organizações terroristas, e os impactos que isso pode gerar inclusive sobre o PIX no Brasil. Flávio Bolsonaro comemorou a medida e a influência que teve junto ao governo americano, enquanto Lula acredita que isso vai abrir brecha para os EUA interferirem por aqui –e aí estamos falando de interferência militar, econômica, territorial e até na eleição de outubro.
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- Classificacao Faccoes TerroristasPCC · Comando Vermelho · EUA · Brasil · Flávio Bolsonaro · Lula
- Movimentação financeira investigadaPIX · Lavagem de dinheiro · Fintechs · Operação Fluxo Oculto · Operação Carbono Oculto · Banco Master · Daniel Vorcaro
- Questão de soberania brasileiraIntervenção militar · Intervenção econômica · Eleição de outubro · Venezuela · México · Colômbia
- Conflitos MilitaresBombardeios no Caribe · Apagões de radar · Bloqueadores de sinal · Operações com drones · Agentes da CIA
- Impacto Eleitoral nos EUACampanha de Flávio Bolsonaro · Campanha de Lula · Direita e extrema-direita · Soberania
- Criticas Americanas ao PIXSessão 301 · Tarifas sobre produtos brasileiros · Democratização do sistema financeiro · Grandes bancos brasileiros
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Voz C:Oi amiga, oi amiga, tô te ligando para a gente falar da decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, e como isso pode afetar o sistema financeiro no Brasil e até o Pix. E esse anúncio veio logo depois daquela viagem do Flávio Bolsonaro a Washington, e aí ficou parecendo que uma coisa tinha provocado a outra, né, que os Bolsonaro tinham articulado essa decisão, mas a história não é bem assim. Bora?
Voz D:Bora!
Voz C:Eu sou Carol Pires.
Voz D:Eu sou Marina Dias.
Voz C:E esse é o Duas e Tanto.
Voz D:Todas as terças e quintas eu e a Carol, a gente se liga para conversar sobre um tema da política que tá bombando, de um jeito fácil, acessível, para que todo mundo consiga entender. Esse é um podcast rapidinho, é o tempo de você passar um café. Sigam a gente no canal da Carol no YouTube, @piriscarol. Sigam a gente no Instagram, @duasetanto, em todas as plataformas de áudio.
Voz C:Duas e Tanto é uma produção da Zarabatana Estúdio com distribuição da Rádio Novelo. Duas e Tanto também tem um clube que começa já já, contagem regressiva já, né, amiga? 10 dias aí para começar.
Voz D:Então, últimas oportunidades de negócio.
Voz C:Ai, é, entre em www.duasetanto.com, tem tudo lá, os encontros, quanto desconto, quando vocês vão encontrar a gente, os livros que a gente vai ler. Entrem lá, amiga. A gente fez um episódio chamado O Brasil Tem 88 Facções, Por Que Classificá-las como Terroristas Não Resolve? E nesse episódio a gente falou que ninguém pode ignorar, óbvio, o tamanho da crise de segurança pública no Brasil. A gente até falou de uma pesquisa do Datafolha que mostrou que 41% dos brasileiros dizem perceber a atuação do crime organizado no bairro onde elas vivem. Isso seria quase 70 milhões de brasileiros. É muita gente. E a segurança pública já aparece entre as maiores preocupações do Brasil. A eleição tá na esquina, né? E justamente nesse cenário que vão ganhando força essas propostas que parecem fazer sentido, mas que são falácias muitas vezes. Criam mais problemas. E desta vez essa narrativa, aspas, sedutora, né, tá sendo vendida pelos irmãos Bolsonaro, a de que basta os Estados Unidos classificarem essas facções criminosas como organizações terroristas para que o problema seja resolvido. Não funciona assim, até porque se fosse assim, por que Jair Bolsonaro ficou 4 anos no poder e não fez esse movimento, né? O Congresso inclusive já votou uma emenda no final do ano passado sobre isso, e quando o plenário tava votando, Flávio Bolsonaro não apareceu para debater, não foi, não votou. Então era importante mesmo. Lá no episódio das facções a gente explica o que significa terrorismo do ponto de vista jurídico e por que ampliar esse entendimento jurídico do que é terrorismo não ajuda em nada o combate à violência e ainda abre precedentes bem ruins, como já aconteceu inclusive no Brasil, né. Que esse termo já foi usado na ditadura para perseguir, esse termo no caso terroristas, né, para perseguir adversários políticos, movimentos sociais, grupos considerados inconvenientes pelo governo. Mais adiante eu vou querer falar sobre as consequências dessa classificação para o sistema financeiro e para soberania do território brasileiro. Mas antes eu acho que você começa, porque na quinta-feira foi nosso último programa, a gente gravou um episódio sobre a viagem do Flávio Bolsonaro para Washington, tentando mudar de assunto para não responder por que que ele recebeu R$61 milhões do Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a maior fraude financeira do Brasil. Então ele foi para os Estados Unidos tentando mudar de assunto, e logo depois, 2 dias depois, veio o anúncio sobre PCC e Comando Vermelho terem sido classificadas como grupos terroristas, né, frisando que foi o PCC e o Comando Vermelho, mas não as milícias, que o Flávio já defendeu em plenário, Não as milícias cujos membros o Flávio condecorou com medalhas, não as milícias que, né, o Flávio visitava seus membros na prisão e contratou nos seus gabinetes. Mas criou a impressão de que o Flávio tinha voltado aos Estados Unidos com essa conquista de classificar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas. Mas não foi bem isso. Confere, confere, vamos do começo, amiga.
Voz D:A classificação do PCC e do Comando Vermelho em organizações terroristas Era um assunto que tava sendo tratado desde o ano passado no Departamento de Estado americano, já com cara de decisão tomada, como noticiou a Mariana Sanches, colunista do UOL. A família Bolsonaro fazia lobby a favor disso, claro, como você explicou, e o governo Lula era contra porque acredita que isso pode abrir a porta para intervenções dos Estados Unidos no Brasil, intervenções militares, intervenções econômicas, críticas, intervenções de vários tipos. Mas o fato é que essa é uma parte da política do Trump em vários países da América Latina. Ele já tinha feito isso, né, de classificar como organizações terroristas grupos criminosos na Venezuela, no México, na Colômbia. Então o Brasil tava na lista e agora concretizou o caso aqui do Brasil também. Pois bem, então o que foi esse timing do Flávio Bolsonaro, que tava em Washington um dia antes do anúncio dos Estados Unidos, e o Flávio comemorou no primeiro minuto nas redes sociais, é como se ele tivesse tido essa influência sobre a decisão do governo americano. De novo, ele fez lobby por isso, ele pressionou por isso, mas como a gente já explicou aqui, existem alguns setores do Departamento de Estado que tem ligação com os Bolsonaro e fazem a ponte, né, entre eles bolsonaristas e a Casa Branca. Pois bem, os Bolsonaro foram avisados de que essa decisão estava na boca do gol para sair e que sairia na semana passada. E avisado disso, o Flávio viajou para os Estados Unidos para coincidir a agenda de mudança de assunto dele, né, no caso master, como você bem explicou, com esse anúncio feito na quinta-feira. E deu certo, né? Foi assim que aconteceu. Os Estados Unidos agora dizem que PCC e Comando Vermelho são organizações terroristas. Eu queria falar um pouco sobre o que significa isso para a campanha do Flávio e para a campanha do Lula à presidência. Depois a gente debate quais são os impactos disso tudo, principalmente no sistema financeiro do Brasil. Bom, do lado do Flávio Bolsonaro, foi um gol no primeiro momento, amiga, porque mostra sim que ele tem influência junto ao governo Trump, gozar de ter sido avisado de que essa decisão ia ser tomada, e ele viajou por isso, né? Isso agrada os eleitores de direita e de extrema-direita dele, tanto a relação dele com o Trump, com o governo Trump, relação dele, aspas, né, relação dos Bolsonaro, porque o Flávio viu o Trump pela primeira vez ao vivo na semana passada, tá? Foi o primeiro encontro deles. Mas obviamente os Bolsonaro tem ali uma ligação com o governo americano, e esses eleitores de direita e extrema-direita, vem essa medida como ações duras contra o crime organizado. Então dá um fôlego ao Flávio no meio de uma crise braba que ele tá vivendo com o Master e as relações dele com o Vurcaro. Vamos ver até onde vai, né, esse, essa onda boa inicialmente causada na campanha do Flávio. Do outro lado, do lado do Lula, o governo Lula, amiga, tava monitorando quase que em tempo real as reações de parcelas importantes da população quando esse anúncio foi feito na semana passada. Ou seja, eles também estavam sabendo que o negócio vinha naquela semana. Na noite que os Estados Unidos anunciaram essa medida, um integrante do governo Lula me mostrou, minutos depois do anúncio, pesquisas internas do governo que já mostravam as reações. Então eles também estavam monitorando isso. E quais eram as reações monitoradas? Muitas pessoas não gostam dessa ideia de que os Estados Unidos podem interferir no Brasil de alguma maneira. E mais, moradores de favelas do Brasil, por exemplo, estão com medo de serem todos eles considerados terroristas pelos Estados Unidos, já que eles moram em territórios muitas vezes completamente dominados por essas facções. Então, amiga, o governo Lula já de saída começou a explorar a questão da soberania de novo, né, e da não intervenção americana no Brasil, é, para tentar rebater essa pauta e capitalizar isso a favor do Lula. Você sabe, amiga, que o Lula ficou muito irritado na quinta-noite quando soube da decisão do governo dos Estados Unidos, é, porque Eles já esperavam que isso podia acontecer, obviamente. Mas ele tá com uma boa relação com o Trump, como a gente já explicou aqui. Ele não acha, o Lula não acha que os Estados Unidos vão fazer uma intervenção militar no Brasil, mas ele acha contar com um bom senso de ninguém, muito menos do Trump. Mas o Lula acha que essa classificação abriu uma porta para uma interferência dos Estados Unidos na eleição aqui, em benefício do Flávio Bolsonaro. Então o Lula vai focar nesse discurso discurso do aqui não violão, né? Aqui os Estados Unidos não entram, aqui os Estados Unidos não mexem.
Voz C:Amiga, então ótima essa sua explicação do que aconteceu realmente politicamente, né? Mais uma vez reforçar que as pessoas que queiram entender por que que toda palavra importa na política e no judiciário, e por isso classificar as facções como terroristas tem outras implicações que não são óbvias, então voltem lá no episódio Brasil tem 88 facções. Ali tem uma explicação do ponto de vista de política de segurança pública. Mas aí as outras consequências que eu queria comentar aqui, uma é financeira e a outra é territorial, que você um pouco já tocou. Mas as duas, de qualquer forma, são afrontas à soberania do Brasil. E aí eu vou começar pelo dinheiro, né? Quando os Estados Unidos classificam uma organização como terrorista, eles estão ativando dois mecanismos simultâneos, né? O primeiro é que o Departamento de Estado dos Estados Unidos passa a criminalizar qualquer apoio material à organização, seja direto ou indireto. Guardem essa informação. O segundo mecanismo que ativa é que o Tesouro americano permite bloquear bens, recursos e serviços de qualquer empresa que tenha conexão com esses grupos, mesmo sem saber. E aí, isso vale para empresas americanas que operam no Brasil e para empresas brasileiras que tenham qualquer relação com o sistema financeiro americano. Seu dinheiro passou por um banco para ir para outro lugar, já já configura relação com o sistema financeiro americano. O problema é que o PCC já tá dentro do sistema financeiro formal brasileiro, ele tá nas margens, ele não tá tentando entrar. A mesma quinta-feira, quando teve o anúncio da classificação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas, o Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Fluxo Oculto, que é uma segunda fase daquela Operação Carbono Oculto que quem não lembra foi deflagrada no ano passado, agosto do ano passado, e revelou um esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis. Então o PCC já controlava, controla centenas de postos de gasolina, de gasolina, usa fachadas, empresas de fachada para lavar dinheiro, tem dinheiro infiltrado nos fundos de investimento da Faria Lima para blindar o patrimônio. Esse esquema já movimentou 52 bilhões em 4 anos. Então esse fluxo oculto, que essa segunda fase da operação, esse dobramento, ele mostrou que mesmo depois de descoberto, esse esquema não parou e ainda cresceu. E aí, nessa nova operação, o que que eles descobriram? Que 6 fintechs— fintech, para quem não sabe, é uma empresa de tecnologia financeira, como o Nubank, o PicPay, isso é uma fintech— então, 6 fintechs, que são essas empresas que oferecem conta digital e tem umas regras diferentes do Banco Central, no Banco Central, diferentes dos grandes bancos, que são regras mais frouxas, né? Essas fintechs movimentaram 26 bilhões entre 2022 e 2025. Uma única delas movimentou 1 bilhão em dinheiro vivo, que nem devia ser possível para esse tipo de instituição, né? E aí, como é que funcionava? A fintech abriu uma conta centralizada num banco grande. Então, eu sou uma fintech que tenho sei lá quantos clientes e abro uma conta no seu banco, no banco da Marina. E aí, todo o dinheiro do meu cliente seja limpo, sujo, tudo misturado, entra nessa única conta que tá no seu banco. Então o Banco Central não consegue rastrear, o COAF não consegue rastrear, vira um ponto cego no sistema antilavagem de dinheiro. Quando a Receita Federal tentou fechar essa brecha, né, regulatória, foi vítima daquela onda massiva de desinformação, que é aquela história que circulou em 2023 dizendo que o governo ia monitorar e tributar qualquer PIX. Você lembra? E foi uma crise, as pessoas ficaram apavoradas. E era mentira, e era mentira, cancelando as chaves Pix, mandando mensagem para família, toda aquela fake news, né? E apesar do Banco Central e a Receita desmentirem inúmeras vezes, mas a mentira continuou circulando. Cada vez que o governo tenta mexer nessas fintechs, rola isso de novo. Então assim, quem tá por trás disso são as organizações criminosas que dependem dessa brecha para lavar dinheiro. Então, a próxima vez que essa fake news surgir, vamos monitorar quem é que apoia, quem é que difunde esse tipo de mentira. E aí esse esquema não parou, depois acabou no oculto. Os líderes desse esquema estão foragidos, tentaram fazer uma delação, mas foi recusado porque omitiram informações justamente sobre a conexão deles com o PCC e com a corrupção policial. Então assim, o PCC tem CNPJ, tem advogado, tem contador, tem fundo de investimento, tem investimento na bolsa. Então, se você abre uma brecha para colocar uma sanção a qualquer empresa, comércio, serviço que tem a ligação direta, aí é importante, ou indireta com PCC, significa que os Estados Unidos podem se meter em qualquer parte do sistema financeiro brasileiro usando aí uma curva, entendeu, algum labirinto dessas conexões econômicas entre um banco e o outro, uma conta e um serviço e tal. Então você fica muito mais exposto. E aí a gente chega num ponto importante de novo, que é o PIX.
Voz D:Agora, notícias verdadeiras sobre o PIX. Acompanha aqui notícias verdadeiras sobre o PIX.
Voz C:O Brasil repassou às autoridades americanas informações sobre o uso das fintechs para lavar dinheiro do PCC, né, no âmbito ainda da Carbono Oculto, para tentar identificar bens nos Estados Unidos ligados a esse esquema. Só que agora esses mesmos dados, né, passados em colaboração de investigação aos Estados Unidos, pode Pode ser que sejam usadas como justificativa de sanções antiterroristas contra os bancos brasileiros, porque a gente tá tentando investigar e você vai lá e diz, olha, na verdade, se é terrorista, você pode investigar aqui sem passar pela gente, né? E aí, uma coisa que a gente tem que colocar nesse bolo e que é muito importante é que o PIX já tava na mira dos Estados Unidos antes disso. E agora são assuntos diferentes que eles vão desaguar no mesmo lugar, né? Porque em julho de 2025, o governo americano abriu essa investigação comercial contra o Brasil, que é a chamada Seção 301, que é um mecanismo que os Estados Unidos usam contra a China, né, para justificar tarifas bilionárias. E no caso do Brasil, o Pix aparece como um dos alvos. Por quê? Porque o Pix democratiza o sistema financeiro brasileiro. Você não tem que pagar taxa para fazer o que antes era um DOC, um TED, né? Você não tem restrição de horário, você não tem restrição de dia, o dinheiro chega em questão de segundos na outra conta. Então os grandes bancos brasileiros resistiram muito a chegada do Pix no Brasil, né, porque eles perdem essa fonte de renda que são as taxas de transferência. E agora o sistema bancário americano também está vindo contra o Pix porque é um tantão de dinheiro que deixa de passar pelo sistema financeiro americano quando a gente faz a transição Brasil-Brasil. Então eu passo Carol Marina, meu CPF para o seu, isso não passa pelo sistema Visa, Mastercard ou qualquer outra empresa que chegue nos Estados Unidos. Então os Estados Unidos não estão gostando do Pix e abriram essa investigação comercial. Então agora a gente tá com o Pix exposto meio que nessas duas frentes ao mesmo tempo, que uma é a comercial, porque o sistema financeiro dos Estados Unidos não gosta do Pix porque faz eles perderem dinheiro, e agora a gente tem essa outra frente aberta de que eles podem se meter no sistema financeiro brasileiro com a desculpa de fazer uma ação antiterrorista e também derrubar aí algumas operações de Pix. Então olha o problemão que a gente tem agora, né? Assim, como é que a gente protege o Pix disso? Inclusive saiu uma notícia nova hoje, né, em relacionada a isso.
Voz D:Nesse 2 de junho, aí foi na madrugada, né, mas 2 de junho, o Departamento de Comércio americano, que a gente chama de USTR, Eles são bem cachorro louco assim mesmo, né? Eles gostam de botar tarifa em geral. E eles concluíram essa investigação da Seção 301 que diz que o Brasil pratica atividades comerciais que não são favoráveis aos Estados Unidos e recomendou novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Existe uma uma lista de 73 páginas de exceções. E aí nós temos carne, frutas, café, que são produtos estratégicos para os Estados Unidos, e que obviamente se tarifar vai ficar mais caro, né, para o consumidor americano, e eles não querem isso. Mas essa recomendação do Departamento de Comércio saiu agora no início de junho para que o governo americano ponha tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O Trump é quem bate o martelo sobre isso. Então, por enquanto, é uma uma reivindicação. E essa decisão vai ser tomada em julho. Até lá, o governo brasileiro pode apresentar mais argumentos contra essas tarifas. E o presidente Lula, numa entrevista que ele me deu ali no meio de maio, disse para mim que essa boa relação que ele desenvolveu com o Trump seria capaz de bloquear novas tarifas para o Brasil. Mas a questão, amiga, é que essas novas tarifas, se vierem ou não, só essa ameaça O governo Lula e os aliados dele acham que pode ajudar o Lula, porque você se lembra que da última vez que os Estados Unidos impuseram um tarifaço sobre o Brasil, a popularidade do Lula cresceu quando ele conseguiu negociar com o Trump e reverter essas tarifas. E ficou aqui em grande parte, né, da população brasileira a sensação de que éramos Bolsonaro que estavam pedindo por essas tarifas. E era naquela época, né, o Eduardo Bolsonaro estava pressionando o governo americano para aplicar sanções contra o Brasil na tentativa de pararem o julgamento contra o pai dele, Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado. Agora a gente vai ver como isso vai desenrolar, mas isso realmente pode virar contra o feiticeiro, né, virar contra o Flávio. Se os Estados Unidos colocarem mais sanções, mais tarifas contra o Brasil, a população brasileira pode reagir como reagiu no ano passado.
Voz C:timo. Então a gente já tem aí a análise da perspectiva eleitoral que essa decisão pode acarretar, tem essa análise do ponto de vista do sistema financeiro. E aí, para fechar, eu queria falar da parte territorial. Eu tava lendo a newsletter da Natália Viana, da Agência Pública, e ela escreveu uma reportagem baseada numa investigação do Centro Latino-Americano de Jornalismo Investigativo, né? CLIP, Centro Latinoamericano de Periodismo de Investigación. O governo Trump já tinha classificado outras facções criminosas de outros países da América Latina como terroristas e já teve alguns efeitos concretos, né? Então, na Venezuela, o Trump classificou o Tren de Aragua, que é uma facção venezuelana, como terrorista, e foi meio que ali o primeiro teste. E o que aconteceu depois disso é o precedente que a gente devia estar debatendo aqui, porque desde então os EUA realizaram 58 bombardeios a embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, né? Então, até o final de maio, geram 179 mortos. A investigação do clipe identificou 18 vítimas pelo nome, só 18. O resto se perdeu pelo oceano, a gente não sabe quem são essas pessoas. Entre essas que foram identificadas tem o Chad Joseph, que tinha 26 anos, era um pescador de Trinidad e Tobago. Tava num barco voltando para vila para encontrar namorada. O barco foi alvejado por militares americanos, e aí tudo destroçado, tudo perdido no mar. Estados Unidos não precisam apresentar evidência de que tinha droga a bordo. E aí eram pescadores, eram pessoas ali de vilas. Não ficou provado que nenhuma dessas pessoas faziam parte de qualquer esquema de drogas. E aí um outro problema que a investigação do clipe também descobriu a gente viu foi no tráfego aéreo da Colômbia, que foi, acabou sendo afetado por apagões de radar justamente nos dias e horários dos bombardeios. Então teve um piloto de um Airbus A320 com 180 passageiros que relatou à Aeronáutica Colombiana que os dois sistemas de GPS falharam, o transponder parou de funcionar e os alarmes de colisão com solo dispararam enquanto vola sobre o oceano aberto. Então os militares americanos estão usando bloqueadores de sinal e colocam aviões comerciais em risco. Então isso é um efeito colateral de uma guerra contra o narcoterrorismo em que os Estados Unidos agem e o país soberano, no caso Venezuela, México, Brasil, sequer fica sabendo, não tem pedido de autorização. E aí o outro caso é o do México, né? Que também algumas, alguns cartéis mexicanos foram classificados como terroristas. Lá no México começaram primeiro incursões de drones bem para dentro do território mexicano sem autorização. Depois vieram algumas operações letais. Então eles explodiram um carro numa rodovia movimentada no México para matar um operador do Cartel de Sinaloa. Aí E eles ainda, tudo isso ainda tá um pouco sendo investigado, nada foi, sabe, tá completamente transparente o que aconteceu assim. Recentemente, agora final de abril, dois agentes da CIA morreram no acidente de carro, mas só assim descobriram que haviam agentes da CIA presentes no território fazendo operações que ninguém sabe, sabe sobre o que que era. E agora uma investigação da imprensa mexicana descobriu que essa operação onde esses agentes que acabaram morrendo no acidente de carro, eles estavam numa operação que não tinha passado, não tinha sido comunicado ao governo federal. Eles tinham sido convocados pela governadora de Chihuahua, que é uma governadora opositora à presidente. Então a pergunta que eu faço é assim: imagina se os governadores de estados de oposição, governadores bolsonaristas em estados estratégicos, estados de fronteira, começam a fazer acordos de cooperação com a CIA sem passar pelo governo federal. Isso é uma carta branca para o presidente dos Estados Unidos para matar qualquer brasileiro sem perguntar antes quem ele é, o que faz, de onde vem. Então essa é a última análise do perigo que essa classificação, que parece só uma classe, parece só uma mudança de termo, né? Mas na política e na justiça toda palavra importa.
Voz D:Perfeita, amiga.
Voz C:É isso, vamos! Entrem no clube, comentem aqui. Que mais que a gente quer? A gente tá quase chegando em 8 mil no Instagram. Vamos fazer uma força-tarefa?
Voz D:Vamos! Mandem o nosso perfil @duasetantos no Instagram para 2 amigos. Quem não mandar, eu vou puxar o pé à noite na cama.
Voz C:Ninguém vai mandar, amiga, para você aparecer à noite na cama delas.
Voz D:Então quem não mandar, eu não vou puxar o pé na cama.
Voz C:Ciao, amiga.
Voz B:Ciao. Starting a business can seem like a daunting task, unless you have a partner like Shopify. They have the tools you need to start and grow your business. From designing a website to marketing to selling and beyond, Shopify can help with everything you need. There's a reason millions of companies like Mattel, Heinz, and Allbirds continue to trust and use them. With Shopify on your side, turn your big business idea into— Sign up for your $1 per month trial at shopify.com/specialoffer.
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