Episódios de Duas e Tanto

A eleição pode acabar no primeiro turno? Estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro a 3 dias do voto

01 de outubro de 202622min
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Neste episódio de Duas e Tanto, Carol Pires e Marina Dias discutem se as eleições presidenciais podem ser decididas no primeiro turno e o que precisaria acontecer para que isso se concretizasse. Também comentam as novas pesquisas de intenção de voto e as estratégias de Lula e de Flávio Bolsonaro na reta final para a votação.

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Participantes neste episódio2
C

Carol Pires

Host
M

Marina Dias

Host
Assuntos5
  • A possibilidade de a eleição presidencial ser decidida no primeiro turnocenário atual da eleição·fatores que influenciam o primeiro turno·probabilidade de segundo turno
  • Estratégias de Lula para vencer no primeiro turnocolar intenção de voto na aprovação do governo·mobilização de eleitores mais pobres·mobilização de eleitores idosos
  • Estratégias de Flávio Bolsonaro para o primeiro turnoestimular o antipetismo·voto útil de eleitores de direita·convencer eleitores de outros candidatos
  • O impacto da abstenção e votos nulos/brancos nas eleiçõesabstenção prejudica o candidato·voto nulo como protesto·abstenção acima de 31% no primeiro turno
  • Análise histórica das últimas eleições presidenciais no Brasileleição de 2022 e o segundo turno·eleição de 2018 e a ascensão de Bolsonaro·eleições de 2010 e 2014 e a reorganização anti-PT
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CPCarol Pires

Oi, amiga! Oi, amiga!

MDMarina Dias

Cara, que exaustão. Tô te ligando porque hoje é quinta-feira, dia 1º de outubro, e a eleição é domingo, 4 de outubro. Putz, essa semana, essa última semana é sempre ansiedade, né? Ansiedade, incerteza. Então eu tô te ligando pra gente analisar o que é possível analisar a essa altura, né? O que que acontece há 3 dias da eleição? O que que é possível acontecer? O que que dá pra fazer? Quais os melhores países pra se exilar? E etc. Bora?

CPCarol Pires

Bora! Eu sou Carol Pires. Eu sou Marina Dias e esse é o Duas e Tanto.

MDMarina Dias

Nossa, amiga, você deixou agora, estamos descompassadas bem hoje.

CPCarol Pires

Para mim, sincou. E hoje eu não tô na minha casa, então assim, sincou aqui, sincou. Vamos ver. Todas as terças e quintas eu e a Carol, a gente se liga para falar de um tema da política que tá bombando de um jeito rápido, fácil, acessível, para que todo mundo consiga participar do debate. Esse é um podcast rapidinho, é o tempo de você passar um café. Então sigam a gente no canal da Carol no YouTube, @piris Carol, sigam a gente no Instagram @duasetanto e em todas as plataformas de áudio.

MDMarina Dias

O Duas e Tanto é uma produção da Zarabatana Estúdio. Amiga, eu tava lembrando como é que a gente tava exatamente nesse momento de 2022, né? Como é que foi essa última semana antes do primeiro turno de 2022? E aí, só para refrescar a memória de todo mundo, né, os candidatos eram o Lula, o Jair Bolsonaro, Simone Tebet, Ciro Gomes Felipe Dávila, Soraya Tronic candidato padre, e o próprio candidato padre Kelman. Esses eram os candidatos ali do primeiro turno.

E aí o Datafolha, essa altura, tava dando 50% dos votos válidos para o Lula, 36% para o Bolsonaro. No caso, votos válidos, você já começa a contar ali também quem que vai votar em branco e nulo, quem não vai votar, né? Esses votos todos saem da conta. Então tinha uma especulação, lembra, da vitória do Lula no primeiro turno. Não seria fácil e tal, mas Existia essa possibilidade, mas não deu, né? O Lula ficou com 48,4%. Isso significa que faltaram menos de 2 milhões de votos para ele passar para o primeiro turno.

Foi bem apertado. Só que o Bolsonaro, que no Datafolha, nesse último Datafolha do primeiro turno de 2022, apontava que o Bolsonaro tava com uns 36% das intenções de voto, né? Só que ele passou na eleição com 43%. Então o que que acontece nessa reta final, né? Tem muito voto útil. Então, por exemplo, eu vou votar no Padre Kelman, vi que ele não vai ganhar, então eu vou logo no Bolsonaro, não vou deixar chegar no segundo turno, né?

Então tem essa reorganização dos votos em torno de um candidato que tem mais chance de vitória, né? E é isso. Fato é, Brasil foi para o segundo turno, Lula ganhou, mas muito apertado.

CPCarol Pires

Brasil foi para o segundo turno? Ah, tá, o país Brasil. Entendi.

MDMarina Dias

Bom, e agora a gente tá nesse mesmo momento. Acho que depois eu vou querer, eu fiquei olhando o que que aconteceu nas eleições passadas também, para trás, né, 18 e as duas eleições da Dilma. E no final eu vi que tem um padrão assim, mas queria que você começasse falando do agora, o que que a gente tá vendo de cenário. Eu sei que você andou conversando com umas pessoas bem legais que sabem analisar esse momento. O que que você tá achando, amiga?

CPCarol Pires

Acho que primeiro eu queria tentar responder essa pergunta que tá pairando na cabeça de todo mundo, que é: a eleição pode acabar no primeiro turno? Direto e reto. Pode, mas não é o cenário mais provável. A probabilidade maior é termos um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro no dia 25 de outubro, ou seja, mais 3 semanas de campanha. Mas eu quero falar um pouquinho sobre quais os fatores que poderiam influenciar essa reta final para que essa eleição acabasse no primeiro turno.

Como é uma campanha muito, muito apertada, muito imprevisível, de um jeito que a gente nunca tinha visto antes, eu acho que é a primeira vez, amiga, mesmo que na eleição de 2022 houvesse assim uma sensação de que de repente o Lula poderia vencer no primeiro turno, mas acho que desde 1988 a gente não conta com uma possibilidade tão grande como agora de acabar no primeiro turno, mesmo que mais remota, porque eu realmente acho que vai ter segundo turno, mas é, desde 98, é a maior chance que a gente já viu.

E o que precisaria acontecer nessa eleição para acabar no primeiro turno? Um candidato precisa alcançar 50%+ 1 dos votos válidos, ou seja, descontando os brancos e nulos. Então, só para a gente entender, se a disputa tem 100 votos válidos, o candidato precisa de 51 votos e aí ganha no primeiro turno. Bom, eu vou citar aqui o que diz o Maurício Moura, que é o fundador do Instituto IDEA, professor na Universidade George Washington, nos Estados Unidos.

A gente já entrevistou o Maurício aqui no Duas e Tanto, num episódio sobre os eleitores indecisos, que são as pessoas que vão decidir essa eleição. Se vocês quiserem, voltem lá, é um episódio que segue muito atual. E ele foi um dos primeiros pesquisadores, amigas, se não o primeiro, a dizer que havia a possibilidade dessa eleição terminar no primeiro turno. Pro lado do Lula, o que precisaria acontecer para o Lula vencer no primeiro turno?

O Maurício Moura diz que se o Lula conseguir colar a intenção de voto na aprovação do governo, ele consegue se aproximar dos 50% dos votos válidos necessários, porque quem avalia o governo dele como regular, ótimo, bom, se votasse nele, ele conseguiria liquidar essa fatura. Do lado do Flávio Bolsonaro, o Flávio precisaria estimular esse antipetismo de chegar que é o que você tá falando, né? Ou seja, o voto útil de eleitores que gostariam de votar nos outros candidatos da direita no primeiro turno, então no Romeu Zema, no Ronaldo Caiado, no Renan Santos, no Augusto Cury.

E o Flávio precisaria convencer todos esses eleitores já no primeiro turno a votarem para ele. Isso pode acontecer em parte, né? E como você falou, essa porcentagem do Flávio Bolsonaro aumentar das pesquisas para o dia do primeiro turno. Então esses candidatos, eles tendem a desidratar Mas de novo, Flávio Bolsonaro teria que convencer praticamente todos os eleitores de todos esses outros candidatos a votarem nele. E o voto dessas pessoas que não querem votar nem no Lula nem no Flávio Bolsonaro a essa altura do campeonato, então há 3 dias do primeiro turno, elas mantêm outras opções que não Lula e Flávio, não são votos necessariamente ideológicos, amiga.

Então eles levam outras coisas em consideração para votar, inclusive a rejeição, né, aos 2 principais candidatos levam coisas mais subjetivas, histórias de vida, o que aconteceu com mamãe, o que aconteceu com ela mesma, outros fatores emocionais. Eu tava vendo até uma reportagem da Folha de São Paulo bem interessante, que eles acompanharam eleitores indecisos desde o começo do ano, né? E agora esses eleitores decidiram os votos no primeiro turno.

E tem eleitor do Renan Santos, do Zema e do Caiado que vão manter esse voto no primeiro turno e no segundo vão de Lula. Então são votos que não são ideológicos. Você pensar, eles vão votar em de dados à direita no primeiro turno, então eles vão seguir votando à direita no segundo turno. Não é necessariamente assim para esse eleitor indeciso, para esse eleitor que ainda pode mudar de ideia. Mas o que o Maurício Moura fala, amiga, que é muito importante, é que o não voto pode fazer a eleição acabar no primeiro turno.

MDMarina Dias

Eu ia te perguntar isso agora. O que que acontece com a abstenção? Não vou votar, não quero votar, não gosto de nenhum desses que estão aí. Tô com preguiça, não quero colocar meu voto nisso. É bom estimular voto de extremista que ele não vá votar? Beneficia quem o não voto?

CPCarol Pires

A abstenção costuma prejudicar o candidato em que a pessoa não votou iria votar, obviamente. Então, por exemplo, a abstenção de pessoas mais pobres prejudica o Lula. A abstenção de pessoas idosas, ou seja, acima de 70 anos, que não precisam mais votar, o voto já não é mais obrigatório, também prejudica o Lula, porque as pesquisas mostram que o Lula vai melhor do que o Flávio entre esse eleitorado de mais de 70 anos. Então, a campanha do Lula tá fazendo o quê?

Tá focando em dizer: saiam de casa, votem, votem pelos seus netos, pelos seus filhos, votem pelo Brasil. Porque eles precisam que as pessoas saiam para votar no Lula. A abstenção de grupos que votariam no Lula, obviamente, vai prejudicar o Lula. Agora, se mais pessoas da classe A, né, empresários que tendem a votar no Flávio Bolsonaro, se a abstenção nesse grupo for maior, prejudica o Flávio Bolsonaro. Então, o que que o Flávio tá fazendo do outro lado?

Ele tá estimulando o voto útil, que não deixa de ser também um saia de casa para votar em mim, né? Então, os dois candidatos estão tentando que não haja uma abstenção tão grande. Quero só fazer uma diferenciação, amiga. O voto nulo e branco e abstenção obviamente são diferentes. O voto nulo pode ser um voto de protesto. Você digita um número de um candidato que não existe, aperta confirma, esse voto não vai para ninguém. O voto branco é uma opção na urna.

Você põe branco e confirma, esse voto também não vai para ninguém. Eles não contam, não ajudam nem atrapalham, porque eles não entram na conta dos votos válidos. Agora, a abstenção é o tanto de gente que não vai votar. O Maurício Moura diz que se essa abstenção eleição desse ano ficar acima de 31% no primeiro turno, tem bastante chance dessa eleição acabar no primeiro turno. E aí, para a gente ter uma ideia, em 2018 a abstenção ficou em 29%.

Por que que eu tô usando 2018? Porque era aquela, o primeiro embate, né, entre o lulismo e o bolsonarismo. Só que o candidato não era o Lula. Lembrar que em 2018 o Lula tava preso, o Fernando Haddad que disputou com Jair Bolsonaro. Essa sensação, amiga, de de desânimo, de cansaço, né, dessa polarização, é uma anestesia geral. Essa é a eleição das rejeições. Ninguém tá muito animado para nenhum candidato. Isso pode pegar na abstenção.

As pessoas podem usar disso para realmente apenas não aparecerem para votar, né?

MDMarina Dias

2018 foi aquela eleição, uma das mais tensas da história, se não a mais, né? Que a gente teve o Lula preso, a gente teve o Bolsonaro esfaqueado. Gente, o Bolsonaro foi esfaqueado, tá? Teoristas da conspiração condições chatas em qualquer ponto do espectro. Bolsonaro foi esfaqueado. Aí o Haddad virou candidato, né, do PT. Aí quem mais tava? Ciro foi para Paris, companheiro Geraldo, que hoje é nosso vice-presidente, Marina Silva, que agora tá de volta apoiando o Lula nessa frente ampla.

Eram vários, né? Tinha o Guilherme Boulos do PSOL, que hoje é coordenador da campanha do Lula. Olha só como as coisas foram mudando, né? E naquele ano também o Bolsonaro disparou nessa última semana. Por vários fatores, né? Pessoas ficam tentando confundir porque teve o Ele Não, que foi aquele grande protesto de mulheres, como se aquilo tivesse— será que pode ter irritado, né, misóginos, machistas, garimpeiros, milicianos? Sim, mas o Bolsonaro já vinha numa tendência de alta dias antes.

Não foi o Ele Não que movimentou essa crescida do Bolsonaro. E aí eu não sei se você se lembra, amiga, que o Sérgio Moro, que ainda tava à frente da Lava Jato, ele vazou uma delação do Palocci Palocci, ex aliado do Lula, foi ministro da Fazenda no governo Lula 1. Faltavam 6 dias para o primeiro turno e ele tirou o sigilo de um trecho da delação do Palocci contra o Lula que os procuradores já tinham descartado por falta de provas.

E mesmo assim o Jornal Nacional ficou com uma matéria de 9 minutos sobre esse assunto. E aí a gente sabe como a história, né, seguiu. O Bolsonaro foi eleito, o Moro virou ministro da Justiça dele. Mas aí, só para lembrar que o Bolsonaro foi subindo nessas últimas pesquisas da última semana antes do primeiro turno. Então ele foi, né, 37, 38, 39, 40, e no final ele saiu das urnas com 46% dos votos. Para a gente lembrar que tem, né, essa reorganização da oposição nesse último momento, tem o voto útil, tem um pouco que as pesquisas não conseguem captar também, né.

A gente entende de que é quando também as pessoas começam a finalmente olhar para a eleição. Tem uma coisa que eu venho falando aqui há muito tempo, que é a eleição para o Senado, né, que as pessoas deixam para— um terço deixa para ver quem vai votar na última semana. E tem uma porcentagem grande, inclusive é um estudo do Maurício, isso, que as pessoas decidem quem vão votar no Senado no dia da eleição. É uma loucura. Então também para presidencial, né, nessa última semana é quando muita gente para para olhar a eleição, decide se vai votar ou não, decide em quem vai votar, e até troca de voto.

É uma semana difícil e que sempre é pautada por algum grande escândalo. Aí, amiga, só para a gente ver como esse movimento ele, ele se repete, né? Porque eu fiquei lembrando das eleições. Então eu falei aqui de 22, 18, e aí 2014, 2010, que foram os anos das eleições da Dilma, né? Nos dois casos, o PT chegou na frente na última semana de campanha, né, antes do primeiro turno, vê esse eleitorado anti-PT se reorganizar nos últimos dias E o resultado do primeiro turno é sempre melhor para a oposição do que as pesquisas apontavam.

Desculpa trazer essas notícias, mas por exemplo, em 2010 o Lula tinha deixado o governo, né, tava deixando o governo com mais de 80% de aprovação. O PT tinha certeza que ia levar no primeiro turno. E aí começou o quê? Terror religioso. Começou a correr aquele boato de que a Dilma tinha dito que nem Jesus tirava dela a vitória. Tinham recuperado umas declarações antigas dela a favor da legalização do aborto. Diva absoluta. E era foi a primeira campanha em que a internet funcionou ali como esse subterrâneo eleitoral, né?

E o PT demorou a entender o que que tava acontecendo. Só que ali em 2010, esses votos que a Dilma foi perdendo no primeiro turno foram para Marina Silva, não foram para oposição clássica, né, que na época era o José Serra, ex-governador de São Paulo, do PSDB, quando nossa polarização era PT e PSDB. Mas foram esses pontos que foram para Marina que tiraram a Dilma do primeiro turno. Por isso que foi Jair, Dilma e Serra, que estavam ali disputando, mas esses votos que a Dilma perdeu fizeram ela ter que disputar o segundo turno.

Aí em 2014, quando ela foi para reeleição, os candidatos eram de novo ela, só que aí pelo PSDB era o Aécio Neves e a Marina de novo. E aí o PT fez uma— bom, você tava lá, você cobriu isso melhor do que ninguém, né? Você tava inclusive de carrapato da Marina Silva, né, nesse ano cobrindo para Folha.

CPCarol Pires

Em 2014, né, eu tava cobrindo o Eduardo Campos, que sofreu o acidente de avião. Olha as coisas que a gente passou nessas campanhas, né? E aí a Marina, que era vice dele, vira a candidata, né?

MDMarina Dias

Que o PT fez uma campanha violentíssima contra Marina, né? Olha, ela é muito maneira de ter perdoado aquilo e ter topado voltar para o lado do Lula nessa frente ampla que ela topou fazer, né, para evitar o avanço do bolsonarismo negacionista, garimpeiro, poluidor. Ela e Simone Tebet entram, entram nessa, né, de vou me aliar a um ex-adversário porque acho que tô fazendo uma política maior. E aí, naquela reta final, de 2014, as pesquisas apontavam Dilma e Marina, né, no segundo turno.

Só que o PT bateu tanto na Marina que o eleitor anti-PT pensou assim, cara, essa mulher não vai sustentar, é melhor eu votar no outro opositor, essa aqui não vai segurar. E aí foi para o segundo turno Aécio Neves, ex-governador de Minas, que depois contestou as eleições e abriu as portas para esse estrume de contestar urna eletrônica 2014 é o que você falou, foi o ano que a gente perdeu a inocência, né? Que daí o Eduardo Campos morreu no acidente aéreo.

Para quem não acompanhava política nessa época, é muito novo, o Eduardo Campos era um puta quadro político, sabia fazer política com P maiúsculo, negociar, fazer maioria. Essa política que a gente, né, ter a sua ideia construída e conversada para formação de maioria.

CPCarol Pires

Era governador de Pernambuco e pai do João Campos, isso, hoje prefeito de Recife.

MDMarina Dias

Que é também hoje o presidente do PSB, né, que era o partido do pai. E o João Campos tá disputando o governo com a Raquel Lira, né, e tá ali bem apertado.

CPCarol Pires

E ele é marido da Tabata Amaral.

MDMarina Dias

Já que tá mudando tudo, né, a gente vê, casaram recentemente, casal 20 da política. Eu acho eles fofos. Bom, a Marina, como você falou, era vice do Eduardo Campos, virou a candidata oficial do PSB, levou esse saculejo do PT, foi um horror. O PT associava a Marina a comida sumindo do prato das famílias. E aí as pesquisas não captaram totalmente essa virada, né? Deu para ver que o Aécio tava em ascensão, ele tava crescendo, crescendo, crescendo.

Foi justamente no dia da eleição que ele e Marina, né, Marina desceu e ele passou assim. E aí na véspera o Datafolha tava dando 26% dos votos válidos para o Aécio e ele fechou o primeiro turno com 33,5%. Então quando a gente olha para trás, para história, o cenário não é bom, né?

CPCarol Pires

Foi importante você fazer todo esse histórico, amiga, para a gente ver que as pesquisas desse primeiro turno do Lula contra o Flávio Bolsonaro não tem essa gordura toda que nas outras eleições aparecia. E como você falou, essa reta final ela é favorável para o candidato do outro lado, da oposição. Então esse antipetismo de chegada pode fazer com que o Flávio performe melhor quando abrirem as urnas do primeiro turno, e o Lula não tá com tanta gordura assim à frente dele.

Para, enfim, né, segurar também um favoritismo, né, digamos assim. Pelo contrário, a gente vai terminar esse primeiro turno no domingo ainda em dúvida, né, em qual vai ser a diferença entre os dois candidatos. E a gente deve ir para um segundo turno de uma campanha que vai ser muito difícil para o Lula, de novo, porque ele não tem essa gordura para queimar. E esse sentimento de mudança, amiga, é muito ruim para o presidente incumbente.

E a gente tá numa campanha que é de desânimo, ânimo, anestesia geral. As pessoas estão cansadas, mas muitas delas querem mudanças. Se o Lula não conseguir reverter esse sentimento de mudança para mostrar que mudar neste caso pode ser muito pior, vai ser difícil para ele na campanha do segundo turno. Então é essa mensagem que os aliados do Lula vão tentar fazer no segundo turno. Olha, a gente sabe que as pessoas estão cansadas, as pessoas querem mudar, mas mudar nesse caso vai ter que mostrar o Lula, né? É muito pior, porque do outro lado tem Flávio Bolsonaro.

MDMarina Dias

Ativar a memória, né, do abandono da pandemia, mostrar que o Flávio é um quadro que nunca entregou nada, né, foi deputado, senador muito tempo, não aprovou coisa nenhuma. Então assim, o que que ele vai poder fazer por você? A gente viu aquele raio-X. Ah não, eu mandei isso foi no nosso grupo do Clube Duas e Tanto, né?

CPCarol Pires

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MDMarina Dias

Pois é, eu mandei lá no nosso grupo esse raio-X das vulnerabilidades do Flávio, né, que estavam usando na campanha do Lula, que é isso, é ativação da memória da pandemia, a palavra desamparo, e o fato de não é corrupção. Corrupção tá precificado, eu já entendi, é todo mundo corrupto, ele é corrupto, mas não é isso que eu tô olhando. Eu sou antipetista, não gosto do Lula, são outros fatores, né. É entrega, o que que ele entrega.

E aí a gente falou no episódio passado, acertou o tom da campanha quando começou a fazer propostas e promessas e entregar coisas concretas, né? Como é que isso muda a minha vida de maneira concreta já? Estou cansado, meu voto não é sobre grandes teorias, é concreto. O que que isso vai mudar na minha vida? E aí, o que que o Flávio tem para apresentar para isso, né? Então acho que a campanha tem que embicar para aí. Olha eu fazendo análise de campanha. É isso, amiga, vamos para votação domingo, segura o coração.

CPCarol Pires

Vamos para votação.

MDMarina Dias

Então saiam de casa, votem, vão dar taca, cada um tem que dar duas caronas para um velhinho e para alguém que mora longe e talvez não tenha transporte público.

CPCarol Pires

É isso, votem, não deixem de votar. Terça-feira a gente comenta todos os resultados que saíram das urnas no primeiro turno.

MDMarina Dias

Só terça, lamentamos, só terça, só terça.

CPCarol Pires

Beijo, amiga, beijo.

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