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Metade+1: As mulheres são a chave para um novo jogo político

01 de outubro de 202617min
0:00 / 17:12

Mais de mil senadores passaram por esse cargo ao longo da história, mas apenas 78 mulheres nos representaram neste poder.

Foram poucas, mas capazes de mudar o jogo. De lados opostos da política, senadoras construíram alianças improváveis e ajudaram a tirar do papel conquistas como a Lei Maria da Penha e a igualdade salarial.

Agora, em uma eleição que renova 54 das 81 cadeiras, fica a pergunta: as mulheres podem ser a chave para um jogo diferente na política?

O novo episódio de Metade + 1 já está no ar. Assista completo no Instagram, Spotify e YouTube.

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Participantes neste episódio2
C

Carol Pires

Host
E

Eduardo Branco

Co-hostRoteirista
Assuntos6
  • A importância da união feminina na política para mudar o jogoalianças suprapartidárias·mulheres mudam a política·necessidade de se juntar para ser ouvida
  • A sub-representação feminina no Senado brasileiro ao longo da históriaapenas 78 senadoras na história·mulheres não ocupariam plenário completo·mais de mil senadores desde 1826
  • A aprovação da Lei Maria da Penha e a atuação das senadorasLúcia Vânia como relatora·grupo de trabalho com ONGs feministas·aprovação da lei sem alterações
  • As primeiras senadoras e suas lutas por direitos femininosEunice Michiles e o Código Civil·Laélia de Alcântara e o juramento masculino·propostas de Laélia não aprovadas
  • A criação da CPMI do Feminicídio e a união suprapartidáriasenadoras de todos os partidos unidas·relatório de mais de mil páginas·feminicídio vira lei em 2015
  • O racha da bancada feminina na Câmara e a moderação no Senadorecorde de deputadas eleitas em 2018·deputadas bolsonaristas contra jornalista·Senado como casa da moderação
Transcrição73 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Oi, pessoal, Carol Pires aqui, passando para avisar que você vai ouvir em seguida outro videocast meu, o Metade Um, que eu apresento com o roteirista Eduardo Branco. Esse é o último de 6 episódios em que a gente conta histórias de bastidores de votações no Senado que parecem thriller, aceleradas, surpreendentes e às vezes até engraçadas. Um voto que derrubou a CPI das bets, uma panelinha que perdeu no voto, mas ganhou o país no referendo das armas, uma articulação que preservou os direitos políticos no impeachment, uma pergunta que mudou os a CPI da COVID e um ministro que quase não entrou para o STF por causa de uma encrenca que tinha começado lá no Xingu durante a ditadura.

São histórias para entender por que no Senado uma pessoa, uma pergunta ou um voto pode fazer toda a diferença.

?Voz C

No episódio de hoje eu conto histórias de mulheres que desradicalizaram a política.

?Voz A

No domingo você vai votar em dois candidatos, ao Senado.

?Voz C

Você tem 2 votos, use os 2. Espero que goste do episódio.

?Voz A

E olha, a experiência é bem melhor em vídeo.

?Voz C

Senado brasileiro tem 81 cadeiras. Então, se a gente juntasse todas as mulheres que já foram senadoras na história do Brasil, elas sequer iam ocupar o plenário completo, porque o Brasil só teve 78 senadoras.

?Voz B

É 78 no universo de mais de 1000 senadores que a gente já teve desde 1826.

?Voz C

Mas essas 78 senadoras não passaram batido. Várias que passaram por lá, seguem lá, ou que disputam a reeleição em 2026, usaram muito bem o cargo. E eu vou te contar alguns casos. E no final eu quero que você responda se concorda comigo: as mulheres podem ser a chave pra gente desradicalizar a política.

?Voz B

Bom, a orientação da bancada é sim, pra acompanhar o parecer de vossa relatoria. Então pode prosseguir.

?Voz C

A primeira senadora a tomar posse no Brasil foi a Eunice Michiles, que era suplente e assumiu porque o titular morreu. Ela era do partido da ditadura. E sabe qual foi uma das primeiras propostas dela como senadora? Acabar com o artigo do Código Civil que deixava o marido anular o casamento se descobrisse que a mulher não era virgem.

?Voz B

Pô, é foda, né? Os caras tratavam a mulher como produto. E tavam usando o Código Civil como código de defesa do consumidor. Eu pesquisei ainda e os caras tinham até 10 dias pra troca. Era só usar a certidão de casamento como nota fiscal. Olha que loucura.

?Voz C

Mexeu com você, mexeu comigo. Mas os colegas dela não aprovaram essa proposta. Aliás, essa bizarrice deixou de ser acionada quando a Constituição igualou homens e mulheres em direitos e deveres. Mas isso constou no Código Civil até 2003.

?Voz B

Caraca, 2003, o Brasil já era penta.

?Voz C

A segunda senadora foi a Laélia de Alcântara, uma obstetra baiana que assumiu o mandato pelo PMDB do Acre depois que o senador de quem ela era suplente também morreu.

?Voz B

Mulher no Senado até então era só assim, né? Primeiro velório e depois a posse.

?Voz C

Quando ela tomou posse, ela foi obrigada a fazer o juramento como senador, no masculino. Ela teve que dizer: prometo tananã nananã desempenhar fiel e lealmente o mandato de senador que o povo me conferiu.

?Voz B

O engraçado é que eles preveram um monte de coisa. O que que faz quando morre um senador? A cerimônia é cheia de detalhezinho besta ali, o rito, um textinho de juramento. Eles só não previram que poderia ser uma mulher um dia tomando posse. Essa parte aí eles nem pensaram. Clube de machos anti-mulheres.

?Voz C

A Laila apresentou várias propostas como senadora e já adianto que nenhuma foi aprovada. Mulher entrar na aeronáutica? Não aprovaram. Mulher poder pilotar avião? Até parece. Projeto pra que o comando da família fosse dividido entre marido e mulher?

?Voz B

Não, também não, né? Ela podia entrar no Senado, o que não podia junto eram as propostas dela, né, as ideias. Epaêêê!

?Voz C

A Laila também falava de racismo quando esse tema era quase proibido. Teve um dia que ela leu no plenário uma reportagem sobre uma universitária de 19 anos expulsa de uma boate em Curitiba por ser negra. Aí um senador reagiu garantindo que o Brasil era uma democracia racial, que era a ideologia oficial da ditadura.

?Voz B

Democracia racial, mesmo racial, sendo defendida por uma ditadura é um negócio que sempre me pega, porque eles abriram uma exceção pra democracia só pra poder dizer que racismo não existe.

?Voz C

Em 1982, a Laila tava lá, discursando sobre igualdade salarial e educacional, quando a Eunice Michiles, que eu acabei de contar, pediu a palavra pra fazer um comentário.

?Voz B

A Eunice do partido da ditadura?

?Voz A

A própria.

?Voz C

E a Michiles disse que, se ser feminista era defender a igualdade da mulher, então as duas eram feministas. Só duas senadoras entre 81 vagas, uma da ditadura, outra da oposição, e se alinharam pelo direito das mulheres na primeira oportunidade.

?Voz B

É curioso como uma bancada feminina inteira cabia num patinete elétrico. Uma agarrada na outra de mochilena.

?Voz C

Eu vou dar um salto no tempo para chegar numa eleição histórica para as mulheres, a de 1994. Antes, só te lembrar uma coisa: cada senador tem mandato de 8 anos. Numa eleição renovam 2/3 do Senado, na eleição seguinte mais 1/3.

?Voz B

Dízima periódica me quebra. Essa conta me confundiu muito e sempre me confunde, porque parece muito a lógica de ano bissexto. Você sabe que existe, mas só lembra quando chega. Ah, é verdade, né? Esse ano a gente vota em 2 senadores.

?Voz C

Então, em 94, foram eleitas mais 4 senadoras, com uma Com uma que ainda tinha mandato da eleição passada, ficaram 5 no total.

?Voz B

Olha, melhorou, hein? Já dá pra encher um Fiat Uno.

?Voz C

Duas delas fizeram história. Uma era uma ex-seringueira do Acre, de 36 anos, chamada Marina Silva, que foi a senadora mais jovem já eleita. E pelo Rio de Janeiro, com mais de 2 milhões de votos, foi eleita a filha de uma lavadeira, que se tornou a primeira mulher negra eleita senadora na história do Brasil, a Benedita da Silva. Pela primeira vez, mulheres vindas de baixo chegavam ao Senado pelo próprio voto, e não como suplentes de um homem.

?Voz B

Pela primeira vez, sem precisar de um velório no meio. Bom destacar, né?

?Voz C

Mas elas chegavam numa casa que não foi pensada pra ter mulheres debatendo de igual pra igual. Não sei se você sabia, mas até 2015, o plenário do Senado não tinha banheiro feminino. Os homens se julgavam donos do mundo por terem pau. Quando elas precisavam, as senadoras tinham que deixar a sessão, sair do debate, perder momentos decisivos pra procurar um banheiro.

?Voz B

Eu tô achando que essa é uma boa ideia. Porque pior do que não ter banheiro pra senadoras é ter que usar um banheiro com 81 homens. Dentro do plenário ainda. Devia ser uma sucursal da rodoviária, pô, ali dentro do plenário.

?Voz C

No começo do mandato, a Marina e a Benedita eram senadoras de oposição ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, que tinha uma agenda mais liberal na economia que o PT.

?Voz B

PSDB de um lado, PT do outro. Caramba, lembra quando a polarização do país era essa? Saudade, né? Nas eleições, não tem dúvida, vote no 13, vote no Lula.

?Voz C

Aí em 2002 foram eleitas 8 senadoras, que até hoje, 2026, foi o maior número de mulheres eleitas numa eleição para o Senado. Mas as duas que ainda tinham mandato eleição anterior, ficaram 10 no cargo.

?Voz B

Olha, já melhorou. Mais de 2 já enchem uma van.

?Voz C

Let me see you go.

?Voz B

Pow, pow, pow, pow, pow, pow.

?Voz C

Tem uma frase da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que eu vivo repetindo por aí há anos, que é: uma mulher na política muda essa mulher, mas muitas mulheres na política mudam a política. Porque é isso, se só tem você tentando se encaixar num ambiente em que só tem homens, que só tem banheiro pra homens, que só tem homens que se reúnem em horários de homens, no caso, homens que não têm compromisso com cuidar dos filhos, Se você precisa navegar por um espaço que até no primeiro segundo que você faz o juramento pra tomar posse, você tem que se encaixar num texto escrito pra homens, é claro que você vai sair mudada.

?Voz B

E faz sentido, porque quando você é a única pessoa num lugar, você passa muito tempo tentando caber ali, ou se moldar pra estar ali. Mas quando são várias, dá pra pelo menos começar a pensar em mudar aquele lugar. Como que faz pra mudar a forma que essa política é feita?

?Voz C

Só tendo outras mulheres. E talvez seja por isso, pela necessidade de se juntar pra conseguir ser ouvida, que as mulheres na política fazem muito mais alianças acima dos partidos. Tentaram nos colocar como inimigas, não conseguiram. Alianças suprapartidárias. Em 2006, ainda com aquela bancada de 10 senadoras, o tema quente no Congresso era a Lei Maria da Penha. Se você quiser conhecer a fundo a lei, eu vou te sugerir para depois que terminar esse episódio aqui procurar um especial que eu fiz sobre a lei para o Duas e Tanto, meu podcast com a Marina Dias, porque essa é uma história longa, importante e pouco conhecida no detalhe.

Mas voltando à Lei Maria da Penha, que é a lei mais conhecida do Brasil, pelo menos pelo nome, que foi aprovada na Câmara e tinha que ser referendada pelo Senado. Quem pegou a relatoria foi uma senadora da oposição ao governo Lula, a Lúcia Vânia, do PSDB.

?Voz B

Ou seja, já começa com uma tucana relatando uma lei que vinha do governo Lula.

?Voz C

E sabe o que ela fez? Montou um grupo de trabalho com as ONGs feministas, chamou representantes da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo Lula, chamou a deputada Jandira Feghali, que é do PCdoB, e todas as senadoras. E elas fizeram política, elas convenceram todos os senadores a aprovar a lei como tava, porque se eles apresentassem qualquer pedido de mudança de qualquer detalhe, projeto ia ter que voltar para uma segunda votação na Câmara dos Deputados e ia atrasar tudo.

?Voz B

Bom, então além da missão de aprovar a lei, elas tinham uma mais difícil ainda, que era impedir os homens de atrapalhar dando pitaco.

?Voz C

Elas ainda conseguiram aprovar um requerimento de urgência para passar a votação da Lei Maria da Penha na frente da fila de votações e gol!

?Voz B

Sem vai nem prorrogação, a lei saiu do Senado sem precisar voltar para Câmara.

?Voz C

Em 2012, senadoras de todos os partidos se uniram de novo. Já era o primeiro mandato da Dilma Rousseff. Só que agora elas queriam fazer uma CPI mista, com deputadas e senadoras, pra apurar por que que o poder público não tava aplicando direito à Lei Maria da Penha. A senadora tucana Lúcia Vânia também tava nessa. Ela assinou o pedido ao lado de petistas e comunistas. E fizeram parte dessa CPMI também as senadoras de direita, que 4 anos depois iam votar pelo impeachment da Dilma.

?Voz B

Então, assunto pra discordar elas tinham, mas elas também sabiam a hora de se unir.

?Voz C

Não eram só mulheres nessa CPMI, também tinha uns homens lá. E por unanimidade, a comissão aprovou um relatório de mais de 1.000 páginas com 13 projetos de lei. Um deles dava nome a um crime que o Código Penal não enxergava: o feminicídio. A proposta virou lei em março de 2015. Em briga de marido e mulher, nós achamos que se mete a colher, sim, principalmente se resultar em assassinato. Esse consenso histórico da bancada feminina começou lá nos anos 80, na Constituinte, quando as únicas 26 deputadas perceberam que só conseguiriam direitos para as mulheres se elas votassem juntas, apesar de serem de partidos adversários.

E foi assim que elas conseguiram, por exemplo, a licença-maternidade de 4 meses, a licença-paternidade, ainda que só de 5 dias. As mulheres da Constituinte ficaram conhecidas como Lobby do Batom, um apelido maldoso do qual elas se apropriaram. E lá vem o Lobby do Batom, eles gozando que o batom era nossa arma. Se pintar, se arrumar, aparecer, nhe nhe nhe. Só que a eleição de 2018 foi um divisor de águas. Na Câmara, naquele ano, foram eleitas 77 deputadas, um recorde.

Mas elas nunca estiveram tão desunidas. Tem uma cena que marca bem o momento em que a bancada feminina rachou pela primeira vez. Em 2020, o então presidente Jair Bolsonaro insinuou que uma jornalista teria oferecido sexo em troca de informação. Daí, 20 deputadas subiram no púlpito pra repudiar aquilo. E o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, ocupou a tribuna pra mandar uma banana pra quem tava protestando. E do lado dele tinham 5 deputadas Apoiando ele, não a jornalista.

?Voz B

Uma banana! Em nome de todas as mulheres, uma banana em nome de todas as mulheres! Caramba, por que ele não deixa elas falarem, gente? Você vê que o cara é... Até pra ser feminista, ele é machista.

?Voz C

No Senado não teve esse racha da Câmara. Eu já expliquei aqui no Metade Um que o Senado sempre foi a casa da moderação. E por isso a eleição é intercalada. De novo, numa eleição renova um terço das cadeiras, na eleição seguinte os outros dois terços. Porque isso protege o Senado dos humores nacionais.

?Voz B

Tá, então essa conta de 1/3 mais 2/3 aí que nunca fecha tem uma função. Uma eleição nunca troca o Senado inteiro de uma vez. Isso eu entendi.

?Voz C

Então em 2019, só 2 senadoras da onda bolsonarista tomaram posse. Uma foi logo cassada por crimes eleitorais e a outra foi a Soraya Tronic, que pulou fora do barco rapidinho quando o Bolsonaro passou a negar a gravidade da pandemia. Nós temos um candidato, cabo eleitoral do candidato Jair Bolsonaro. Ela admitiu que tinha sido iludida e virou uma peça importante na oposição a ele. As bolsonaristas mais ferrenhas, como a ex-ministra da Agricultura Agricultura, Tereza Cristina, e a ex-ministra da Família, Damares Alves, só seriam eleitas em 2022, quando Lula voltou para o terceiro mandato.

Daí, logo no primeiro Dia Internacional da Mulher, o governo Lula mandou para o Congresso um projeto de igualdade salarial. Na Câmara, o projeto passou com a maioria larga, 325 votos a 36. Mas detalhe: desses 36 votos contra, 10 votos eram de mulheres. A deputada Pia Kicis votou contra a igualdade salarial. A Carla Zambelli votou contra a igualdade salarial. A Rosângela Moro votou contra a igualdade salarial. A Caroline de Tone votou contra a igualdade salarial.

A Cris Tonietto votou contra a igualdade salarial. Então, o consenso entre as mulheres seguia rompido por causa dessa turma na Câmara.

?Voz B

Eu queria ver como que elas votariam se fosse para acabar com a igualdade salarial entre deputadas mulheres deputados homens. Queria ver esse resultado.

?Voz C

Quando a lei da igualdade salarial chegou no Senado, a turma se juntou também para passar o projeto a jato, porque afinal quem seria contra a igualdade entre homens e mulheres?

?Voz B

Eu sei, eu sei, eu tenho de cabeça aqui uns 5 nomes: Bia Kicis, Carla Zambelli, Rosângela Moro, aquela Caroline de Tone e uma outra, aquela Cristonieto também. Pensei aqui rápido, aqui 5 eu lembrei.

?Voz C

O projeto foi aprovado por 3 comissões numa única quarta-feira. Na de Direitos Humanos, a relatora foi a Zenaide Maia, que é uma médica do Rio Grande do Norte, e na de Assuntos Sociais e Econômicos, a autoria foi da Tereza Leitão, professora aposentada e primeira mulher eleita senadora por Pernambuco.

?Voz B

E tá vendo? Tudo isso numa quarta-feira. Se tivesse mais mulheres trabalhando no Senado, o Senado estaria trabalhando mais, eu acho.

?Voz C

E não é uma piada. Uma pesquisa analisou 10 mil projetos apresentados na Câmara dos Deputados entre 2015 e 2017 e descobriu que as mulheres tiveram 3 vezes mais projetos da autoria delas transformados em lei do que os homens. Mas aí, voltando pro projeto da igualdade salarial, o plenário aprovou a lei em votação simbólica, isso é, sem precisar que cada senador apertasse o botão.

?Voz B

Aprovado o projeto com as emendas números 15 a 18 de redação.

?Voz C

Essa tendência das mulheres de fazerem alianças acima das suas diferenças ideológicas quando o assunto é claramente do interesse de todos não acontece só no Brasil. Tem um outro estudo que acompanhou quase 140 mil projetos na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, isso entre 1973 e 2008, chegou na mesma conclusão: as mulheres se engajam muito mais na construção de consensos. E quando elas estão na oposição, os parlamentares homens tendem a obstruir e atrasar as votações do governo de turno, enquanto as mulheres na oposição continuam tentando formar coalizões e produzir novas políticas.

?Voz B

Quem diria, hein? Só precisou de um estudo pra comprovar o que todo mundo já sabe, que muitos homens juntos arrumam muita confusão e atrapalham o trabalho dos outros.

?Voz C

No dia 4 de outubro agora, o Brasil escolhe 54 dos 81 senadores.

?Voz B

O ano bissexto eleitoral chegou e pela primeira vez nós temos mulheres candidatas ao Senado em todos os estados e na maioria com candidatas competitivas. Que o Brasil quebre o seu recorde de mulheres no Senado.

?Voz C

Então olha com atenção quem são as candidatas ao Senado no seu estado. São mulheres que votam a favor das mulheres? São mulheres que procuram encontrar consensos? São mulheres que podem ser a chave pra desradicalização?

?Voz A

Vamos, galera, mulheres!

?Voz B

No Senado, cada voto vale.

?Voz C

Por isso o seu voto vale tanto.

?Voz A

A produção do Metade Um é da Zarabatana Estúdio, com produção executiva do Eduardo Gomes. Eu assino o roteiro com Eduardo Branco, que também apresenta o videocast comigo.

?Voz C

A edição é do Guilherme Yuki e do Fabiano Silva, com assistência do Vinícius Porfírio.

?Voz A

A identidade visual é da Cambia Estúdio, com a Isadora Moema, Felipe Pirapitanga, Marcos Ribeiro, Laura de las Casas e Nanda Miranda. A estratégia de divulgação é da Ana Silva, pesquisa do Marlos Ápios e memes com a contribuição do João Vinícius Saraiva e Gabriel Melo Franco. A coordenação é da Juliana Jaeger e fazem parte da Zarabatana a Aline Oliveira e a Yara

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