Metade+1: O que a visita do Sting ao Xingu em 1989 tem a ver com a crise do Vorcaro no STF em 2026?
No episódio de hoje do Metade+1, Carol Pires e Eduardo Branco te explicam como uma votação secreta em 2015 poderia ter impedido um dos atuais ministros do STF de tomar posse.
O nome dele? A gente conta no episódio.
Metade+1 é um videocast que te conta como um voto ou uma votação podem mudar os rumos do Brasil. No episódio de hoje do Metade+1, te contamos como, no Senado, cada voto importa.
Assista a este e aos primeiros 3 episódios completos aqui no Spotify, pelo Instagram ou pelo YouTube.
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- A conexão entre a visita de Sting ao Xingu e a crise no STFbarragem de Belo Monte·protesto de Sting com os Kayapó·pressão socioambiental·impactos da hidrelétrica
- A indicação de Edson Fachin ao STF e a perda de controle da base de Dilmaindicação para o STF·perfil do jurista·votação apertada no Senado·primeiro sinal de impeachment
- A rejeição do embaixador Guilherme Patriota na OEA pelo Senadovaga de embaixador na OEA·contexto da reaproximação com Cuba·votação secreta no Senado·recado ao governo Dilma
- O papel do Senado na política brasileira e as eleições de 2026correlação de forças entre poderes·impacto da extrema-direita no Senado·votação secreta e articulações políticas·influência na campanha presidencial
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Oi, pessoal, Carol Pires aqui. Vim avisar para quem acompanha o Duas e Tanto que em seguida tem outro videocast meu, o Metade Um, que eu apresento com o roteirista Eduardo Branco. No episódio de hoje eu conto uma história que começa com uma barragem planejada pela ditadura e se conecta com a atual crise no Supremo. Mas como é de praxe aqui no nosso feed, é um videocast curtinho, ainda mais rápido que o Duas e Tanto. Aqui no Metade Um eu tô contando 6 histórias, uma por episódio, sobre como um contar como uma articulação bem feita conseguiu mudar os rumos de uma investigação ou de um projeto importantíssimo para o país.
Isso porque a eleição tá aí na porta, a gente vai renovar o Senado, dois terços estão em disputa, e pela primeira vez a extrema-direita pode tomar conta do Senado e mudar a correlação de força entre os poderes. Esse aqui é o quarto episódio, os primeiros estão aqui no feed, no meu YouTube @piriscarol e no Instagram @metade.maizum. Espero que vocês gostem. Ah, e a experiência é bem mais legal em vídeo. Edu, a história de hoje envolve o cantor Sting, o Renan Calheiros, o cacique Raoni e chega no Alexandre de Moraes.
Começa no Xingu durante a ditadura, vai parar em Washington no meio do governo Dilma, passa por Cuba e termina na eleição de 2026.
Já me ganhou no Sting, mas me promete que vai contar o que que ele tem a ver com as eleições desse ano em menos de 10 minutos?
Prometo mais, prometo que você vai terminar chocado com o que acontece no Senado.
Vai?
Não!
Tudo começa com um projeto da ditadura, Barragem de Belo Monte. Ela foi planejada para ser a terceira maior represa do mundo. Só desistiram dessa megalomania depois do primeiro encontro dos povos indígenas do Xingu.
Eu gostei do argumento dela, hein? Bem fundamentado, sólido, afiado, poder de síntese impecável.
Aqui é quando entra o Sting, que foi para o Xingu protestar com os Kayapó. Ele ajudou a convencer bancos internacionais a não financiar aquela primeira versão da hidrelétrica.
Engraçado que o Sting foi mais convincente do que uma faca no pescoço, né?
Alguém poderia dizer que gringo só ouve gringo. Daí foi mais uma uma década de avanços e recuos diante da pressão socioambiental. E não por menos, porque depois que Belo Monte começou a operar, milhares de pessoas tiveram que se mudar pra assentamentos mal feitos. E num trecho do Rio Xingu, o fluxo d'água reduziu em 80%, o que destruiu áreas de reprodução de peixes. Em 2006, já no governo Lula, a Eletrobras pediu formalmente ao Ibama o licenciamento ambiental pra construir Belo Monte. E quando o processo começou a avançar, o Sting reapareceu.
Desculpa, é que nem o Shawn Mendes, toda hora que a gente vê ele tá no Brasil, né?
Mas dessa vez parece que não adiantou. A obra de Belo Monte foi inaugurada 10 anos depois como projeto dentro do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento. Nessa época, a Dilma tinha passado do Ministério de Minas e Energia para Casa Civil, e já pensando em fazer um sucessor, o Lula apelidou a Dilma de mãe do PAC.
Aí, a partir daí, eu sei, a Dilma foi eleita presidente, né? E eu li que ela tinha prometido que Belo ia ser concluída no menor horizonte temporal possível. E eu achei essa frase curiosa porque parece desculpa de quem tá atrasado, né? O amigo liga e fala: tá chegando? Ainda nem saí de casa. Não, eu tô a caminho, eu tô no Uber e tal. E a Dilma diria: chegarei no menor horizonte temporal possível.
É, mas não foi tão rápido. Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta. Com a Dilma há 3 meses no cargo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos concedeu uma medida cautelar em favor das comunidades indígenas da Bacia do Xingu. O governo A Dilma ficou p da vida e chamou o embaixador do Brasil na OEA pra Brasília pra consultas. Mas na diplomacia, chamar um embaixador de volta é um protesto sério.
Pior que isso, só expulsar um embaixador estrangeiro do seu país ou romper relações diplomáticas de vez. E aí o Brasil ficou sem embaixador na OEA por 4 anos. E é aqui que a coisa esquenta.
A Dilma foi reeleita, mas passou raspando. Ela teve 51,64% dos votos válidos contra 48,36% do Aécio Neves. É o nome desse vídeo cast Metade Mais Um, no caso Metade Mais 1,64%.
O que veio depois disso a gente também lembra e até foi tema do segundo episódio do Metade Mais Um. Volta lá.
Começa com Eduardo Cunha na presidência da Câmara e termina com a Dilma fora da presidência da República.
Mas entre a reeleição da Dilma e o impeachment, um ano e oito meses depois, teve um fato que foi um spoiler do que viria, mas passou batido pela maioria das pessoas, né, Edu?
Ao menos a maioria das pessoas que vive uma vida saudável e não fica chafurdando na política o dia todo, né?
E essa história lá de 2016 ajuda a entender vai entender como o Senado é capaz de derrubar ou segurar quem tá na corda bamba e explica quem é que tá segurando a corda na eleição de 2026. Mas voltemos no tempo. Em maio de 2015, o governo Dilma só tinha 13% de aprovação no Datafolha. Isso porque ela tinha acabado de ser reeleita. E bem nessa época, a Dilma decidiu fazer duas indicações pra cargos muito importantes que precisavam passar pelo aval do Senado.
A primeira delas, a mais importante, era a indicação de um ministro pro Supremo Tribunal Federal, que talvez seja o cargo de maior influência que um presidente pode escolher. Afinal, a pessoa fica lá até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos, e fica decidindo se o que o Congresso e o governo fazem é constitucional ou não.
A outra vaga era embaixador na OEA, aquela que tinha ficado vazia por 4 anos por causa de Belo Monte e do Sting. Mas daí eu te pergunto, com o Congresso em chamas, por que o governo resolveu mexer nesse vespeiro justo naquele mês?
Foi por causa de Cuba, outro contexto. Uns anos depois da Revolução Cubana, a mesma OEA expulsou Cuba da turma porque ela tinha se aliado à União Soviética. Ali por 2009, a OEA falou Cuba, se você quiser voltar, sua cadeira tá aqui.
A versão diplomática do oi sumida.
Pensa, 47 anos de gelo e achou que Cuba ia voltar correndo? Não voltou.
Mas não, Cuba, tá? Às vezes a gente tem que se valorizar. Não é porque a pista tá salgada que precisa aceitar qualquer coisa.
Mas aí em 2014, o Barack Obama lá nos Estados Unidos anunciou junto com Raul Castro, ele lá em Cuba, a decisão de restabelecer relações diplomáticas entre os dois países, que estavam rompidas há mais de 50 anos. E foi uma surpresa para todo mundo. Aí logo no começo de 2015, quando a Dilma já tava com esses 13% de popularidade, Cuba participou pela primeira vez da Cúpula das Américas.
Parece dois parentes que brigaram por causa de terreno que foram obrigados a posar junto pra foto de Natal. E o Brasil ficou com fome de não estar na festa e correu pra preencher a vaga de embaixador na OEA, que tava vazia há 4 anos.
O nome que eles escolheram pra representar o Brasil foi o embaixador Guilherme Patriota.
Patriota e o cara é embaixador. Dizem que o nome carrega o destino e é mesmo, né? É tipo a Nath Finanças, que trabalha com finanças até hoje.
A senhora presidenta da República Dilma Rousseff, quando da Cúpula das Américas, Cartagena das Índias, declarou que não deveria haver uma cúpula seguinte, 3 anos depois, se Cuba não estivesse presente nessa seguinte cúpula. Eu acho que foi uma posição extremamente importante.
Na sabatina do Senado, o patriota falou de Cuba, falou da Venezuela, até voltou na história do bloqueio naval imposto à Venezuela por potências europeias em 1902.
A Doutrina Monroe, ela recebe um aperto anos mais tarde, em 1902, Fase 3, justamente por uma questão ocorrida com a Venezuela.
Ele foi bem longe.
O sangue de Jesus tem poder!
Ainda mais que no contexto político de 2015 não tava pegando bem falar de Venezuela.
Aí a indicação do Patriota foi pro vamos ver no plenário.
Pela qual a senhora Presidenta da República submete à apreciação do Senado a indicação do senhor Guilherme de Aguiar Patriota de representante permanente do Brasil junto à Organização dos Estados Pra indicação de embaixador, a votação é maioria simples.
Metade mais um, aprova. Aí veio o placar: 37 votaram a favor e 38 votaram contra.
Sim, 37. Não, 38. Nenhuma abstenção. Está, portanto, rejeitado o nome de Guilherme Aguiar Patriota.
E quem foram esses 38 contrários?
Ah, isso é importante. Então, o voto é secreto, mas segundo a contagem que foi publicada pela Folha de São Paulo naquele dia, a oposição declarada tinha 18 senadores presentes. Eles eram do DEM, partido que hoje se chama União Brasil, do PPS, que hoje se chama Cidadania, e do PSDB, que hoje se chama PSDB mesmo. Já o PSB, que é mais centro-esquerda com notas de centro-direita, declarou que seus 6 senadores podiam votar como quisessem.
Então, mesmo que esses 24 senadores contrários e independentes tivessem votado contra o Patriota, faltavam 14 para completar o grupo que votou contra.
Então tinham 14 votos que só podiam ser de aliados.
Eles usaram o fato do voto ser secreto para dar um recado para o governo.
E tinha uma pessoa, um suposto aliado do governo, por trás dessas articulações: o senador Renan Calheiros, do PMDB.
Ai, não!
Agora a gente tá no auge da história, porque naquela mesma noite ainda tinha mais uma votação mais importante ainda: a indicação do ministro do STF. Historicamente, os indicados do STF são aprovados sem grandes sobressaltos. Sempre foi pacificado no meio político de que é prerrogativa do presidente da República escolher os ministros do STF. Pra te dar uma ideia, a indicação da ministra nome em Lúcia foi aprovado em 2006 por 55 votos a 1.
Basicamente, só não passava na sabatina se errasse o próprio nome. Mas em 2015 já não era bem assim. A direita já tinha ido para as ruas, a Lava Jato já tinha ido para dentro do Congresso, e os investigados não estavam muito felizes com a Dilma dentro do Palácio do Planalto.
Mas esse indicado ao Supremo tinha um perfil sério, desses juristas bem cabeçudos, com pós-doutorado na Inglaterra, foi pesquisador em universidade alemã, e mesmo assim ele passou um pouco. Ele foi sabatinado por 12 horas e 39 minutos. A vaga que ele ia ocupar tinha sido aberta com a aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa, que tinha sido aprovado lá em 2003 numa votação facinha também, 66 a 3. Aí, com aquele clima amargo da rejeição do patriota para OEA, os senadores foram votar o indicado para substituir o Joaquim Barbosa. 52 votos a favor e 27 votos contrários.
Nunca um indicado do STF tinha recebido tantos votos contra. E aqui, com analista político foi o primeiro sinal de que a Dilma tinha perdido o controle da própria base. 197 dias depois, o pedido de impeachment dela começou a correr.
Quem era esse ministro que você não falou até agora?
Era o Edson Fachin, que hoje é o presidente do Supremo Tribunal Federal, a figura-chave conduzindo a maior crise da justiça brasileira.
Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião disse.
Isso é mentira.
Peçam isso. Então vamos chamar testemunhas?
Mentira.
Um babado só. E que tá impactando diretamente a campanha presidencial, que pode ser decidida numa votação tão apertada como Metade Um. A produção do Metade Um é da Zarabatana Estúdio, com produção executiva do Eduardo Gomes. Eu assino o roteiro com Eduardo Branco, que também apresenta o videocast comigo. A edição é do Guilherme Yuki e do Fabiano Silva, com assistência do Vinícius Porfírio. A identidade audiovisual é da Cambia Estúdio, com Isadora Moema, Felipe Pirapitanga, Marcos Ribeiro, Laura de las Casas e Nanda Miranda.
A estratégia de divulgação é da Ana Silva, pesquisa do Marlos Ápios e memes com a contribuição do João Vinícius Saraiva e Gabriel Melo Franco. A coordenação é da Juliana Jaeger e fazem parte da Zarabatana a Aline Oliveira e a Iara Guzmão. With the score tied— Afternoon glare totally ruined my watch party for the big game. That's when my buddy recommended Blinds.com.
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