Episódios de Duas e Tanto

Lula discursa na ONU com recados a Trump e ao eleitor brasileiro. Isso dá voto?

22 de setembro de 202624min
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Neste episódio de Duas e Tanto, Carol Pires e Marina Dias comentam o discurso do presidente Lula na ONU, com mensagens a Donald Trump e aos eleitores brasileiros. Também discutem as últimas pesquisas de intenção de voto para presidente e as estratégias de Lula para conquistar os votos dos indecisos na reta final antes do primeiro turno.

#lula #onu #flaviobolsonaro #trump #primeiroturno #eleições2026

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Participantes neste episódio2
C

Carol Pires

Host
M

Marina Dias

Host
Assuntos5
  • O discurso de Lula na ONU com recados a Trump e eleitores brasileirostradição do presidente brasileiro abrir a ONU·discursos anteriores de Bolsonaro na ONU·Lula como liderança contra a extrema-direita
  • As últimas pesquisas de intenção de voto e o cenário eleitoral apertadoempate técnico no primeiro turno·Flávio Bolsonaro estagnado em 42%·Lula precisa animar a própria base
  • A crítica de Lula à ingerência externa e defesa da soberania brasileirarecado direto aos americanos e Trump·riquezas do Brasil para os brasileiros·Brasil não cabe no quintal de ninguém
  • As promessas de Lula para o eleitor brasileiro no discurso da ONUcombate à corrupção e crime organizado·fim da escala 6 por 1 para trabalhadores·necessidade de acabar com as bets
  • A influência da interferência americana nas eleições brasileirasmedidas dos EUA para favorecer Flávio Bolsonaro·relatório da ABIN sobre interferência americana·tentativa de amarrar resultado eleitoral em negociação comercial
Transcrição45 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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CPCarol Pires

Tô te ligando porque o Lula abriu hoje a Assembleia Geral da ONU em Nova York. Foi agorinha, a gente tava assistindo, né? E ele usou o palco ali pra mandar recadinhos pro Trump, que foi basicamente: vaza, eu não sou seu quintal. E mandou recado pros eleitores, claro, né? Eleição é daqui menos de 15 dias. Mas vamos contar tudinho, bora?

MDMarina Dias

Bora!

CPCarol Pires

Eu sou Carol Pires.

MDMarina Dias

Eu sou Marina Dias. E esse é o Duas e Tanto. Todas as terças e quintas eu e a Carol, a gente se liga para falar de um tema da política que tá bombando de um jeito rápido, fácil, acessível, para que todo mundo consiga participar do debate. Sigam a gente no canal da Carol no YouTube, @piriscarol. Sigam a gente no Instagram, @duasetanto, e em todas as plataformas de áudio.

CPCarol Pires

O Duas e Tanto é uma produção da Zarabatana Estúdio. Vamos lá, é uma tradição, né, na Assembleia Geral da ONU ter o presidente brasileiro abrindo os trabalhos. E aí, por uma curiosidade, eu voltei no noticiário para lembrar quais foram os discursos feitos nos últimos anos, né? E voltei lá.

MDMarina Dias

Mas antes, você está em Nova York a trabalho? Então você está aonde está a notícia, amiga, como uma boa jornalista que você é.

CPCarol Pires

Mentira, porque eu não fui lá. Você teria ido?

MDMarina Dias

Obviamente.

CPCarol Pires

Amiga, só de ficar vendo as filas, o credenciamento, aí depois você fica horas esperando, aí dói sua coluna, não Aí você tem que ficar no corredor para no final você assistir o presidente lá longe. Eu até pensei se eu ia só para ver pessoalmente o Trump. Depois eu pensei, eu não consegui ver a Angela Davis na Flip, você acha que eu vou conseguir? Vou me mexer para ver o Trump, para estar na energia do Trump? Não tem porquê. Mas tô aqui por outra coisa.

Vamos lá, amiga. É tradição na ONU ter o presidente brasileiro abrindo os trabalhos. E aí eu fui atrás de que que eles tinham falado, que que o Lula e o Bolsonaro falaram, né? Tem umas coisas que a gente esquece, né, que eu acho que é para a própria saúde mental. O Bolsonaro do primeiro até o quarto ano dele, ele foi ficando cada vez mais descolado da realidade. Tinha umas coisas que eu não lembrava. Você tava aqui, né? Você morava nos Estados Unidos quando era governo Bolsonaro.

Você vai lembrar que o primeiro, que ali quando ele se dá o tom, né, do que que vai ser seu governo, acabei de ser eleito e tal, ele já começou atacando a imprensa, falando de teoria conspiratória, falando de Foro de São Paulo, amiga, na Assembleia Geral da ONU, de Venezuela, de mais médicos. Aí nos dois anos seguintes já era pandemia. E aí ele foi para a Assembleia Geral da ONU para minimizar a pandemia. E teve o segundo ano que ele foi defender o uso de cloroquina.

Ele usou o tempo dele para abrir a Assembleia Geral da ONU defendendo cloroquina. E foi aquele ano que você deve lembrar que ele virou notícia internacional, porque ele veio para cá sem se vacinar, sendo que já tinha vacina, né?

MDMarina Dias

E nos Estados Unidos tava com aquela regra que você só podia entrar em estabelecimentos, restaurantes, bares, estabelecimentos fechados, se você apresentasse o comprovante de vacina. Então ele ficou comendo pizza do lado de fora de um restaurante porque ele não podia entrar, porque ele não tinha comprovante de vacina, porque não tomou vacina, não se vacinou, mas ficou lá pedindo para o Mauro Cid fazer carteira de vacinação falsa para família, né?

CPCarol Pires

A razão pela qual o celular do Mauro Cid foi confiscado, com o qual a gente conseguiu descobrir todo o planejamento do golpe. Aí, na ONU, último ano do Bolsonaro, 2022, faltavam 2 semanas para eleição, tipo agora, né? E aí ele usou, Bolsonaro usou esse discurso dele na ONU para criticar Venezuela. Era um mantra isso, né? E aí falou ali, o que que ele tentou fazer de mais eleitoreiro? Falar de leis de proteção à mulher, porque era o ponto fraco dele naquele momento era o voto feminino, como é também agora do Flávio em 2026.

Aí agora Lula, né, ele também usou esse primeiro discurso lá depois da eleição para colocar o tom do governo dele. Aí falou em reconstrução do Brasil, acho que você lembra disso, né, a democracia venceu o ódio. Falou em combate à extrema-direita global e se colocou ali um pouco como a liderança, uma das lideranças, né, contra essa, o avanço da extrema-direita. E aí ele seguiu assim, 2024 ele criticou a guerra contra Gaza, depois ele falou também, fez uma crítica meio velada ali à ditadura digital do Elon Musk.

Ano passado ele falou de soberania, porque daí já tinha rolado o tarifaço. E chegamos a esse ano, mais uma vez ano eleitoral, e ele também usou o discurso dele para fazer um aceno aos eleitores, né? E tudo isso nesse cenário eleitoral bem apertado para ele, né? Porque depois que a gente falar um pouco de ônibus, acho que vale a pena a gente falar dessas últimas pesquisas. Que em linhas gerais o Lula segue estável nas pesquisas, né?

Depende do instituto, mas tirando uma média simples, ele tá ali com uns 40% contra 33%, 34% do Flávio Bolsonaro.

?Voz D

Mas a diferença é que o Flávio cresceu bastante ao longo dos últimos meses.

CPCarol Pires

E aí, não por tirar voto do Lula, mas por se consolidar como candidato da direita. E aí chegamos nesse momento em que tá uma eleição bem apertada. Mas vamos para ONU. Que que o Lula disse, amiga?

MDMarina Dias

Amiga, discurso na ONU geralmente não dá voto, né? Mas os aliados do Lula, com quem eu conversei nesses últimos dias, defenderam que ele fosse abrir a ONU e desse os recados sobre a soberania brasileira, né? Então estocasse o Trump e os Estados Unidos, mas sem citar o presidente americano. Americano nominalmente, e também falasse dos planos que o Lula ainda tem para o Brasil se ele for eleito em outubro, inclusive para animar a base petista.

E foi isso que o Lula fez, amiga. Foi um discurso basicamente com duas frentes muito bem definidas. A primeira era o recado ao Trump e aos Estados Unidos para não se meterem nas eleições brasileiras, e a segunda era esse palanque eleitoral, vamos dizer assim, né, passando por temas que vão ser fundamentais para eleição daqui a menos de 2 semanas. Combate a corrupção e ao crime organizado e o endividamento das famílias. Então, nessa frente aqui não violão, o Lula criticou o que ele chamou de ingerência externa nas eleições e nos temas dos países da América Latina, né?

O Lula falou, aspas dele, voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, e falou que a democracia tá em xeque. E aí ele começou a dar os recados, né? Ele disse que as riquezas do Brasil Brasil são dos brasileiros e que precisam ser exploradas em benefício dos próprios brasileiros. E esse foi um recado direto para os americanos e para o Trump, que querem explorar nossas terras raras, por exemplo. E aí a gente vai para discursos do Flávio Bolsonaro, que já ofereceu essa exploração, né, de terras raras no Brasil de maneira muito aberta, né.

E aí o Lula entrou nessa questão de lei dos mais fortes, porque o Trump se coloca assim, né, os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo. E o Lula disse, olha, a lei do mais forte já passou dos limites. E aí, como você falou, ele disse que o Brasil não cabe no quintal de ninguém. O Brasil não cabe no quintal de ninguém.

CPCarol Pires

Precisamos—

MDMarina Dias

ele foi bem aplaudido nessa hora, né, pelos diplomatas e outros líderes que estavam por ali.

CPCarol Pires

Não, vou indicar para as pessoas verem meu filme Vitória Régia, que é uma distopia que a gente imagina se o golpe tivesse dado certo, o que que aconteceria com a Amazônia. Tá no YouTube, gente.

MDMarina Dias

Ele também falou, né, de proteção ao meio ambiente, a crise do clima, que hoje tá, segundo o Lula, largado a segundo, terceiro escalão, que as pessoas não discutem isso mais em níveis de reunião internacional, né. Para parte do palanque eleitoral, quando o Lula tava falando para o eleitor brasileiro, apesar de estar num palco internacional, ele se voltou para temas que são de muita preocupação do eleitor hoje, que é crime organizado e corrupção, amiga.

Então ele falou que as duas coisas andam juntas e que o Brasil vai combater esses crimes. Doa a quem doer, ninguém está acima da lei, ele disse. E aí ele entrou nas promessas de bem-estar para a vida do brasileiro, que isso é uma das coisas que mais preocupa o governo Lula hoje, que é não chegar na ponta essa sensação de que a vida melhorou. Então o que que ele falou? Ele falou sobre o fim da escala 6 por 1 para dar mais tempo de descanso para o trabalhador, e sobre a necessidade de de acabar com as bets, que hoje a gente sabe é uma das principais causas de endividamento das famílias.

O Lula, amiga, nessa reta final da campanha, ele tem sido orientado a ser mais assertivo contra o fim das bets, né? A gente sabe que esse é, exatamente, que esse é um ponto sensível nas pesquisas entre os indecisos. Muitos dos indecisos dizem que as bets acabam com a família porque as mulheres estão endividadas ou então preocupadas, né, com os maridos endividados. Ou que entraram no alcoolismo. As bets levam as famílias, muitas das famílias brasileiras, a uma crise existencial mesmo.

E os indecisos têm reclamado disso. Por isso que parte da equipe do Lula tem estimulado que ele fale de maneira assertiva: eu vou acabar com as bets, né?

CPCarol Pires

E tava demorando muito porque um tava faltando, né, discursar assim com mais promessas, em vez de ficar falando: ah, fiz isso, fiz aquilo, tá? E agora vai fazer o quê mais, né? Porque tava quicando isso. A maioria do Brasil é contra as bets. Isso vai esquerda à direita é uma das principais preocupações das mulheres. As mulheres possivelmente vão decidir a eleição porque são parte ali da maioria desse voto que pode votar de um lado ou para o outro porque tá preocupado com outras coisas que não isso de esquerda e direita, né, e de democracia e fake news.

E às vezes a gente fica muito, né, corrupção. E tem um eleitor que vota em: a minha vida melhorou nos últimos meses e vai melhorar mais daqui para frente, eu preciso de coisas objetivas, né, o ônibus, o aluguel, supermercado. Então um pouco aí. E essas mulheres se preocupam muito com bets, né? E aí, só citar um estudo que saiu ontem, que a arrecadação com bets até setembro foi 17% do custo social anual com as bets. Então essa coisa de, ah, não vou acabar com as bets porque a gente tá, né, recolhendo impostos, isso vai para conta do Tesouro, não, não compensa, não compensa. Demorou muito para anunciar que vai ser contra as bets, né?

MDMarina Dias

Justamente. Vamos ver qual vai ser o impacto disso entre esses eleitores indecisos. Eu tenho conversado com alguns pesquisadores que têm medido, amiga, a influência, né, do que fala o Flávio Bolsonaro e do que fala o presidente Lula sobre esse eleitor indeciso. E essa questão das bets é bem sensível. Eu acho que pode ter algum tipo de alteração nessa parcela dos indecisos que pode ser importante. E só para fechar sobre o discurso do Lula na ONU, o recado final dele foi uma mistura dessa mensagem para o mundo e para o Brasil, né?

Então ele disse que os brasileiros no dia 4 de outubro vão decidir entre a democracia e o negacionismo. Se o Brasil vai avançar ao futuro de mais oportunidades ou voltar ao passado de exclusão, aspas do Lula. E aí ele falou, olha só, as eleições no Brasil são um processo transparente e a gente não subestima a rede de desinformação que é usada inclusive para atacar a soberania do Brasil. Aí uma referência indireta à família Bolsonaro, que tem trabalhado para que o governo americano coloque sanções e tarifas sobre o Brasil.

E aí o Lula continua, mas o sistema eleitoral do Brasil é robusto e não permitiremos que os inimigos da democracia internos e externos atentem contra a vontade popular. Então aí foi o coração do recado do discurso dele nessa abertura da Assembleia Geral da ONU. Amiga, a gente sabe que os Estados Unidos têm tomado várias medidas ao longo de mais de um ano, né, desde julho do ano passado, para favorecer a candidatura do Flávio Bolsonaro à presidência.

Então o governo Trump já colocou tarifas sobre o Brasil, já colocou sanções sobre autoridades brasileiras, preparou uma delegação para viajar ao Brasil para questionar o sistema eleitoral brasileiro. Isso só não aconteceu porque o Itamaraty negou o visto e esses funcionários do Departamento de Estado não conseguiram viajar ao Brasil. E agora o dado mais recente é um relatório da ABIN, que é a Agência Brasileira de Inteligência, que foi feito em agosto desse ano, ou seja, no mês passado, e enviado para a Presidência da República para dizer que o nível de interferência americana nas eleições do Brasil chegou ao nível crítico.

Ou seja, toda a atenção precisa estar voltada a isso, que além de todas essas atitudes do governo americano, mais coisas podem estar por vir.

CPCarol Pires

Saiu também semana passada uma reportagem do Estadão falando que lá em 2025, quando teve o tarifação, os Estados Unidos tentaram amarrar meio que o resultado da eleição brasileira dentro da negociação comercial do tarifação. Como é que foi isso? Segundo o Estadão, o governo americano tinha um documento, tipo uma minuta, né, que tinham 21 exigências para o Brasil ali durante essas negociações. E uma delas dizia o seguinte: que o Brasil tinha que se comprometer a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026, e não prenderá nem limitará arbitrariamente a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral.

E aí esse documento chegou ali às mãos da diplomacia brasileira horas antes, né, dessa rodada. E aí o chanceler Mauro Vieira falou: amigo, inaceitável, nem a pau. E aí tiraram isso da pauta.

?Voz A

Então é o quê?

CPCarol Pires

Eles estão chamando o quê, o Bolsonaro de dissidente? Não, ele é um político preso por tentativa de golpe de Estado no Brasil. Essas informações, como é que elas batem no eleitor, né? Porque o problema é que exatamente esse tipo de episódio mostra como um fato vira munição para os dois lados. Então, para quem defende o governo, essa minuta, essa interferência do Trump, esses discursos dele são a prova cabal, né, de que os Estados Unidos estão sim tentando interferir na soberania brasileira.

E aí, usando a eleição nessa como uma moeda de troca comercial. Só que daí o campo bolsonarista vê o mesmo episódio de forma contrária, como se fosse a confirmação de que o Trump tá do lado certo e genuinamente preocupado com a liberdade de expressão, né, e que confirma a perseguição política ao Bolsonaro. Então que não é interferência, é como se fosse um valor democrático, né. Não sei se muda voto ou se aprofunda a polarização, né, que um pouco reforça a narrativa de cada um já tinha.

Mas sim, o Lula tinha conseguido lá atrás, a gente já falou isso várias vezes, recuperar um pouco do discurso da soberania E aí sim, chegar nesses indecisos, né, que vão decidir a eleição. Que é: aqui não é seu quintal, né. A gente se resolve entre a gente, não venha pra cá. Inclusive, por isso que o Flávio tá meio hesitante, né. Se ele pega esse assunto pra ele ou não. Porque fazendo uma retrospectiva muito rápida, ali no começo de 2025, o Eduardo Bolsonaro fugiu pros Estados Unidos dizendo que tava com medo de ser preso.

Sendo que nem investigado ele era. E começou a fazer um lobby ali com o governo americano. Leiam a reportagem do João Batista Júnior na Piauí, já recomendei aqui várias vezes, como ele foi contratando advogados e escritórios de lobby para abrirem as portas da Casa Branca para ele, para ele começar a conversar com essas pessoas e se organizar. Essa estratégia deu certo, porque ali em julho o Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, né?

Teve aquela sanção contra o ministro Alexandre de Moraes, que depois foi levantada. Mas assim, o tiro saiu pela culatra, né? Porque o problema é que essa vitória bolsonarista teve esse efeito colateral, que em vez de enfraquecer o Lula, o Tarifaço deu esse discurso da defesa da soberania nacional contra a ingerência estrangeira, né, que é um pouco o que ele fala aqui na ONU também. E aí, depois que o Lula e o Trump se encontraram e rolou ali uma química, né, nas palavras deles, o bolsonarismo ficou ainda mais derrotado, porque é tipo, você tentou colocar tarifas contra o Brasil e agora o presidente Lula tá tendo que salvar o país da sua cagada, né.

E aí, o que que o Flávio fez? Ele tentou tirar o corpo fora. Não, eu não tenho nada a ver com isso. Só que tinha um tweet dele dando parabéns para o Trump e celebrando as tarifas. Mas ele tentou, uma vez candidato, se afastar desse assunto, tentou construir ele mesmo, né, uma relação com o governo Trump sem passar pelo Eduardo Banana. O que daí ele foi para aquele CPAC, que é essa maior conferência da direita americana, né, e lá ele pediu abertamente que os Estados Unidos pressionassem as instituições brasileiras.

Mas depois que o Flávio Bolsonaro conseguiu ele mesmo se encontrar com Trump, fazer uma foto. O Trump foi lá e anunciou mais uma rodada de tarifa, agora de 25%, só que agora bateu direto no agronegócio, né, que é uma das bases eleitorais mais importantes do Flávio. E aí ele teve que correr para dizer que não, que não apoiava, que na verdade ele foi lá levar aquele relatório pedindo para colocar PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas.

E aí agora ele tá nessa, né, que que ele faz? Porque o Banana voltou a dizer que espera mais tarifas. Não dá para entender como é que tá a relação entre os irmãos, né, afinal essa família sempre se odeia entre si. Eles só gostam do Jair, ou pelo menos querem o poder do Jair. O Banana já voltou a falar em mais tarifas, o Flávio não sabe muito bem como se posicionar, porque isso, o discurso radicaliza um lado e o outro, mas ele tá convencendo o eleitor do meio, amiga.

MDMarina Dias

E da parte do Lula, o que que defendem, né, os diplomatas e os auxiliares mais próximos do Lula em relação à política externa? Que o Lula mantenha um canal direto com o Trump, porque o Lula e o Trump, desde a Assembleia da ONU no ano passado, né, em um ano eles já se falaram 7 vezes, 4 vezes por telefone. E toda vez que eles se falam, alguma coisa funciona para o Brasil. Essa é a avaliação do governo brasileiro. Então o Lula conseguiu reverter parte das tarifas, o Lula conseguiu que o Trump levantasse algumas sanções contra autoridades brasileiras.

Então a avaliação dos auxiliares do Lula é que o Departamento de Estado, comandado pelo Marco Rubio, que já criticou o Lula e o Brasil várias vezes, é muito influenciado pela família Bolsonaro. Então que o Lula tem que driblar o Departamento de Estado e manter esse canal direto com o Trump. Inclusive porque se o Lula vencer as eleições de outubro por uma margem muito pequena, não correria o risco do Trump não reconhecer, por exemplo, o resultado das eleições brasileiras.

Com esse canal direto com o Lula, de repente isso sensibilizaria o Trump de alguma forma. Isso é o que pensam os auxiliares do Lula, com quem eu tenho conversado.

CPCarol Pires

E aí vamos falar um pouco das pesquisas para fechar, porque saíram duas novas pesquisas, né? A Nexus dos BTG, que no primeiro turno ficou um empate técnico, Lula 40, Flávio 37, porque tem que lembrar que tem a margem de erro para mais ou para menos. Então se o Lula tiver para menos e o Flávio para mais, é um empate. E no segundo turno, Lula com um ponto de vantagem, né, quase empate técnico. Ele passa na verdade somando as margens de erro, e mesmo assim ele passa um ponto.

E aí na Quest, no segundo turno, Flávio estagnou em 42, o Lula subiu de 40 para 41, mas segue empate técnico, né. Mas é a primeira, Flávio na frente, né.

MDMarina Dias

No caso da Quest.

CPCarol Pires

É, mas é a primeira vez que esse crescimento trava, né? Porque na pesquisa anterior o Flávio tinha sido 42 e Lula 40, não era isso? Então o Flávio tá estagnado aí nesse 42. Foi um pouco uma frustração para campanha do Flávio, né, que ele achou que depois de toda a sessão do STF, Xandã, Barraco Supremo, ele fosse crescer ainda mais. Mas isso ainda, se é que vai afetar, né, influenciar o voto, ainda ainda não foi detectado por essas pesquisas.

MDMarina Dias

Acho que o grande fato novo, amiga, dessa nova rodada de pesquisas é o empate técnico no primeiro turno, né? O empate técnico no segundo turno a gente já acompanhava, né? Sabíamos que seria uma eleição muito acirrada, mas o Lula sempre se mantinha bastante à frente no primeiro turno, fora da margem de erro, né? Pelo menos isso. E agora o empate técnico veio para o primeiro turno também. O grande problema do Lula é que parece estável nas pesquisas, enquanto Flávio vem crescendo até essa última medição, como você disse.

Ah, mas ele, o Flávio, cresce na margem de erro, que é de 2 pontos percentuais. Sim, de uma pesquisa para outra é mesmo dentro da margem de erro, mas se você pegar o histórico da Datafolha, por exemplo, o Flávio subiu de um em um e foi de 32, 33 para 36 no primeiro turno, enquanto o Lula fica parado em 39. Então é importante notar o movimento da pesquisa enquanto o Lula tá estável, o Flávio vem crescendo paulatinamente, fechando um pouco esse gap de diferença, inclusive no primeiro turno. Então estamos assim, né?

CPCarol Pires

O Flávio também cresce porque ele se consolida como candidato da direita, né? Lembra que lá atrás a gente fez um episódio sobre o Renan Santos, porque de repente ele virou o terceiro colocado na pesquisa, mas conforme as pessoas foram conhecendo ele, ele foi perdendo intenção de voto. A mesma coisa o Augusto Cury, que em um momento ali, né, deu uma disparada e chegou a 10% numa pesquisa, né, mas agora voltou ali para 6%, e 6% sendo o terceiro colocado.

O Zema nunca levantou do chão, continua com 1%. O Caiado também não conseguiu decolar, né, às vezes tá com 1% e outras tá com 4%. Fato é, todo mundo foi entendendo que nenhum desses outros candidatos da direita tinham chance e consolidaram o voto no Flávio, que é uma coisa assim, não vou gastar meu voto em alguém que eu sei que vai perder, porque isso influencia também, né. As pessoas querem votar em quem vai ganhar, o ânimo, né, isso inclusive um problema, tem sido um problema para o governo.

Tá todo mundo desanimado, com medo de perder. Já começa a ouvir falar em medo de perder logo no primeiro turno. Aqui, quando você conversa com, né, fonte especialista, ativista, a galera tá desanimada e isso contamina o eleitor.

MDMarina Dias

E aí, amiga, a última coisa que eu quero falar, pegando esse gancho do ânimo, né, como a gente tava conversando, o discurso na ONU não dá voto para ninguém. Mas os aliados do Lula falam que nesse momento o presidente tá não só precisando conquistar novos votos, mas precisando animar a própria base, porque a militância petista, como você falou, tá assustada, tá desanimada, né? E para mudar isso, o discurso do Lula na ONU pode ser importante para ressoar essa mensagem de que o Lula é um líder estadista e respeitado em comparação ao Flávio Bolsonaro, que é inexperiente, não é conhecido fora do Brasil, né?

Não é respeitado nem conhecido fora do Brasil, não tem grandes projetos aprovados nem sem grandes feitos políticos, apesar de anos na política. Então a mensagem, né, dos aliados do Lula é: o Flávio nunca fez nada para melhorar a vida das pessoas, enquanto o Lula é um estadista. Olha tudo que ele fez e o que ele tá prometendo nesse discurso da ONU.

CPCarol Pires

Amiga, isso tá super alinhado com uns estudos que estão fazendo. Eu recebi um de uma consultoria que é um raio-x de vulnerabilidades dos candidatos. E aí, no caso do Flávio Bolsonaro, diz exatamente que a questão da corrupção meio que já tá precificado eleitores. Então, tipo assim, ah, tá corrupto, milícia, TSE, Dark Horse. O que é a real vulnerabilidade do Flávio é a capacidade de entregar. Se ele consegue entregar alguma coisa, o que que ele já fez, o que que ele fará, se ele tem capacidade de entregar.

É isso que faz ele cair nas intenções de voto. Não é corrupção, não é a tentativa de golpe do pai dele, é entrega. Então tá super alinhado com que essas consultorias estão analisando. Então vamos, amiga!

MDMarina Dias

Beijo, beijo, até quinta!

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?Voz E

But what if everyone's plus one brings a plus one?

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