Episódios de Duas e Tanto

Trump, Milei e Flávio Bolsonaro: a crise diplomática que pode influenciar a eleição

06 de agosto de 202622min
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Neste episódio de Duas e Tanto, Carol Pires e Marina Dias explicam por que a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos marcou uma nova escalada na crise entre Brasil e governo Trump. O que está por trás desse embate diplomático e como ele se conecta ao apoio de Donald Trump e Javier Milei a Flávio Bolsonaro?

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Participantes neste episódio2
C

Carol Pires

Host
M

Marina Dias

Host
Assuntos4
  • Crise diplomática Brasil-EUA· InternacionalRevogação de visto da embaixadora·Daniel Pérez·Marco Rubio·Departamento de Estado dos EUA
  • Sistema Eleitoral Brasileiro· PoliticaCandidatura de Flávio Bolsonaro·Alfredo Gaspar·Investigação de estupro de vulnerável·Donald Trump·Javier Milei
  • Crise diplomática Brasil-Argentina· InternacionalRebaixamento de status diplomático·Javier Milei·Lula e Trump
  • Possível intervenção internacionalApoio de Trump e Milei a Bolsonaro·Questionamento de urnas eletrônicas·Histórico de intervenção dos EUA
Transcrição16 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CPCarol Pires

Oi amiga, oi amiga, tô te ligando porque o Brasil tá no meio de um caos diplomático com a relação tensionada com o governo Trump dos Estados Unidos e com Javier Milei na Argentina. E na terça agora Washington revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, e aí você vai contar por quê. E o Brasil também rebaixou o status diplomático com a Argentina. E nos dois casos, o pano de fundo é a eleição de outubro, que o Trump e o Milei apoiam abertamente a candidatura do Flávio Bolsonaro, que por sua vez está tão isolado, tão isolado no Brasil, que escolheu como vice um homem que a Polícia Federal investiga por estupro de vulnerável apenas. Bora, bora! Eu sou Carol Pires, eu sou Marina Dias, e esse é o Dois e Tanto.

MDMarina Dias

Todas as terças e quintas eu e a Carol, a gente se liga para falar de um tema da política que tá bombando de um jeito rápido, fácil, acessível, para que todo mundo consiga participar do debate. Esse é um podcast rapidinho, 15 a 20 minutos, é um tempo de você passar um café. Sigam a gente no canal da Carol no YouTube, @piriscarol, sigam a gente no Instagram, @duasetanto, e em todas as plataformas de áudio.

CPCarol Pires

O Duas e Tanto é uma produção da Zarabatana Estúdio com distribuição do Estúdio Novelo. Amiga, eu vou começar pelo Flávio e aí eu jogo para você falar dos amigos internacionais dele, Trump e o Milei. Vamos lá, essa semana o Republicanos, Partido Republicanos, Podemos e União Brasil anunciaram a neutralidade na eleição presidencial. O PP também já tinha declarado neutralidade antes, então nenhum partido além do PL apoia a candidatura do Flávio Bolsonaro à presidência.

E aí, na quarta, dia 5, no caso ontem, era o último dia do prazo das convenções partidárias, e o Flávio anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar, do próprio PL, como candidato a vice-presidente. Então ficou uma chapa inteira do PL. E aí, quem é esse Gaspar? Porque vamos lembrar que o Flávio tava procurando uma mulher, queria indicar uma mulher para vice, né, para tentar suavizar um pouco a imagem dele, como você falou. Num episódio bastante antigo, né, quando você fez uma entrevista exclusiva com Flávio Bolsonaro.

A gente explica ali, principalmente depois dessa crise com a Michele Bolsonaro, ele queria recuperar o apoio das mulheres, então tava atrás de uma mulher que pudesse ser candidata a vice na chapa dele. Não achou, indicou esse Gaspar, que é quem? Um deputado federal por Alagoas que ganhou alguma projeção nacional como relator da CPMI do INSS. Só que a Polícia Federal, em abril, pediu para o STF autorização para investigar o Gaspar por suposto estupro de vulnerável.

A acusação é que ele teria estuprado uma adolescente de 13 anos, que hoje tem 21, e essa violência teria resultado numa gravidez, e a criança teria hoje 8 anos. E aí, entre os materiais entregues à Polícia Federal, tem conversas, áudios, mensagens, incluindo uma suposta tentativa de pagamento para comprar o silêncio da família da vítima. E aí esse pedido tá parado no STF desde abril. Então é para apoiar essa chapa à presidência que o governo Trump, integrantes do governo Trump, e o Milei, presidente da Argentina, estão metendo o bedelho como dá na eleição brasileira.

E aí eu acho que eu passo para você falar um pouco o que que tá acontecendo na relação do Brasil com os Estados Unidos.

MDMarina Dias

Maravilha, amiga. É, o governo Trump anunciou nessa semana a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos como uma retaliação diplomática a dois acontecimentos que enfureceram os americanos nas últimas semanas. Eu tenho informações quentíssimas sobre esse processo todo e eu vou contar tudo aqui, mas antes eu vou explicar quais são esses dois acontecimentos que deixaram os americanos putos da cara deles para vocês entenderem essa retaliação.

A primeira coisa foi que o Brasil negou o visto para dois oficiais do Departamento de Estado que planejavam vir à Brasília e colocar dúvidas sobre as urnas eletrônicas e o processo eleitoral brasileiro. Essa foi a reportagem que nós publicamos no Washington Post no dia 24 de julho, e a gente fez um episódio do Duas e Tanto sobre isso na semana passada. Então corram lá para saber os detalhes disso. E o segundo acontecimento, e mais emblemático para essa retaliação específica, é que os Estados Unidos dizem que o Brasil tá segurando o ok formal para nomeação do novo embaixador americano no Brasil.

De acordo com os tratados diplomáticos, amiga, a indicação de um embaixador é um processo super sigiloso e super disciplinado também. Eles seguem fases específicas, né? E é basicamente o seguinte: o governo do país que vai enviar o embaixador comunica o nome de quem eles gostariam de indicar ao país que vai receber esse embaixador. E aí o país que vai receber faz uma pesquisa, investiga a pessoa, o passado, presente, o futuro, e aí dá esse ok formal ao nome, que na diplomacia eles chamam de agrément.

Isso tudo é feito em sigilo, e só aí, depois do agrément concedido pelo país que vai receber o embaixador, o país que vai mandar anuncia anuncia publicamente esse nome. E aí sim, o indicado, no caso do Brasil e dos Estados Unidos, passa por uma sabatina e uma aprovação no Senado. Então, amiga, ninguém fala quem vai ser o embaixador antes desse agrément ser concedido pelo país anfitrião. Muito que bem, os Estados Unidos inverteram o processo todo, atropelaram tudo dessa vez, né?

Então eles quebraram o protocolo, eles anunciaram o nome do deputado estadual pela Flórida, Daniel Pérez, como novo embaixador no Brasil no começo de junho, antes de pedir o agremã para o Brasil. E aí a diplomacia brasileira já tinha achado isso desrespeitoso, mas esperou um pouco para ver o que rolava. E aí quase um mês depois os Estados Unidos pediram o agremã para o Daniel Pérez. E aí o Brasil falou assim: beleza, a gente vai analisar.

O Daniel Pérez é um cara super ligado ao secretário de Estado americano Marco Rubio, que é muito crítico ao Brasil e tá nessa cruzada de que toda a América China seja submetida aos Estados Unidos com governos de direita. Só que aí, amiga, quando vem a notícia publicada por nós no Washington Post de que os Estados Unidos queriam mandar oficiais do Departamento de Estado para Brasília para questionar a eleição brasileira, a diplomacia por aqui ligou um alerta, né?

E os diplomatas brasileiros falaram: bom, melhor negar então mesmo esses vistos e deixar o ok desse embaixador americano só para depois da eleição, para não ter risco de ter um cara aqui, um funcionário do governo Trump no Brasil, cujo objetivo é, como você falou, meter o bedelho no processo eleitoral brasileiro. E aí, depois dessa negativa do visto para os americanos, eu comecei a conversar com os diplomatas no Brasil e também com o pessoal nos Estados Unidos.

E os brasileiros me diziam que estavam esperando uma retaliação, provavelmente na mesma moeda, né, no caso de visto. E os americanos me dizendo que estavam mesmo preparando uma retaliação. E que o Marco Rubio, amiga, tinha recebido uma lista de opções contra autoridades do Brasil e tinha mandado escalar. Então vão full contra essas autoridades brasileiras. E aí vem a informação quente que eu tenho: na semana passada, o governo Trump chamou a embaixadora brasileira pessoalmente e deu um ultimato para ela.

Disse que o Brasil tinha até sexta-feira, dia 31 de julho, para fazer, para dar o agrément para o Daniel e que se não fizesse isso, eles cancelariam o visto dela. Então eles avisaram claramente isso para embaixadora pessoalmente e pediram que ela transmitisse o recado para Brasília.

CPCarol Pires

Amiga, só fazer uma pausa para explicar para quem não acompanha o noticiário internacional, entende um pouco como funciona essas relações diplomáticas. Na escala diplomática, né, convocar o embaixador estrangeiro é uma forma de registro, de registrar um protesto formal, né? Quando, e quando a gente chama o próprio embaixador para consulta, é também sinalizar uma crise. Então, só para esclarecer, que não é assim, ah, chamou lá para conversar. Isso é, na diplomacia, é um protesto formal, né?

MDMarina Dias

Exato. E o governo brasileiro considerou uma ameaça. Eu ouvi isso de bocas de diplomatas importantes no Brasil, que ela foi ameaçada, né? Foi um ultimato: ou vocês concedem o agrément até sexta-feira, dia 31 de julho, ou a gente vai cancelar o seu visto. Obviamente, o governo brasileiro não cedeu à pressão e na segunda-feira, depois do deadline, que seria sexta, né, o governo americano chegou a marcar uma conversa com jornalistas nos Estados Unidos para anunciar uma medida sobre o Brasil, que eles não especificavam qual seria.

Mas a conversa foi cancelada sem muita explicação. E aí remarcaram para terça-feira e foi quando eles anunciaram de fato essa medida contra a embaixadora brasileira. O anúncio foi bem confuso, amiga, é uma ligação, é uma ligação em que um funcionário do Departamento de Estado conversa com os jornalistas. E esse oficial americano, ele não foi claro de saída, ele falou apenas que aplicaria uma medida de reciprocidade, que os Estados Unidos iam pagar na mesma moeda, mas não deixava muito claro qual era a medida, nem o que ia acontecer, nem com quem.

E aí os jornalistas que começaram a perguntar: senhor, você tá falando da embaixadora do Brasil? É o visto dela que vai ser cancelado? E aí ele foi respondendo que sim, sim, assim mesmo, amiga, sem muita explicação. Yes, yes, sim, sim. E aí os jornalistas perguntaram se isso significaria que a embaixadora precisaria sair do país, e ele disse que não, que o visto dela seria restabelecido quando o Brasil desse o agrément para o Daniel Pérez ser embaixador em Brasília.

O que não faz muito sentido na diplomacia, né, amiga? Você tem o visto cancelado, mas ainda pode ficar no país? Bom, aí eu fui pesquisar um pouco sobre isso, e o governo brasileiro entende que o visto não foi cancelado de fato, que na verdade os Estados Unidos mudaram o status do visto da embaixadora. Ao invés de múltiplas entradas permitidas, agora é um visto com entrada única permitida. Ou seja, se ela sair dos Estados Unidos, ela não poderia mais voltar.

O Departamento de Estado americano considera que essa mudança de status, essa alteração, né, no status do visto, é uma revogação, porque eles acham que toda forma você cancela, você revoga o visto de múltiplas entradas e coloca em marcha um visto de entrada única. Os americanos ligaram para a embaixada brasileira em Washington para explicar que seria uma alteração no status do visto, tá, de múltiplas entradas para uma única entrada, mas que ela não perderia as credenciais para ser embaixadora, que ela seguiria trabalhando se ela quisesse.

Os diplomatas brasileiros me dizem que o Brasil não vai cair na pressão, não vai acelerar o processo de Agreman por causa dessa chantagem. Chamam de chantagem, e que o caso do Daniel Pérez ainda está em análise. Mas a verdade, amiga, é que eles não querem dar esse agremã antes da eleição, porque o governo brasileiro acha que, pelo histórico, o embaixador ligado ao Marco Rubio aqui seria uma figura para legitimar o não reconhecimento do resultado das eleições caso o Lula vença.

Se o Lula vencer, o governo americano vai falar: não reconheço, meu embaixador tá lá, acompanhou a eleição, tem possibilidade de fraude. Então todo o raciocínio tá baseado nisso.

CPCarol Pires

E vamos combinar que eles têm um histórico longuíssimo de intervenção na política latino-americana e no Brasil. E a gente pode voltar lá em 64, né, com os Estados Unidos mandando uma frota de guerra, porta-avião, arma rumo ao Brasil para garantir o golpe contra o Jango. Vamos lembrar que a CIA financiou centenas de candidatos anti-Goulart na eleição de 62, isso ficou comprovado numa CPI. O Washington treinou militares brasileiros, inclusive em interrogatório, né, e ajudou ditaduras do Cone Sul a caçar opositores, Operação Condor.

Teve aquela história da espionagem da NSA, que os americanos grampearam o celular da Dilma e a Petrobras às vésperas do leilão do pré-sal. Então assim, né, aí na Lava Jato também, né, que teve os procuradores lá de Curitiba que cooperaram por fora dos canais oficiais com a justiça americana. Esse histórico mostra bem o que que eles fazem para conseguir interferir nas eleições de outros países.

MDMarina Dias

Eu só queria falar, amigo, o que deve acontecer agora com a embaixadora antes de passar para Argentina. Mas só um perfilzinho muito rápido da embaixadora Maria Luísa Viotti. Ela é a primeira mulher a comandar a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Ela é uma diplomata de carreira há 40 anos, muito respeitada, já foi embaixadora na Alemanha, já serviu o Brasil na ONU. Então ela é uma embaixadora muito experiente. O plano inicialmente do governo brasileiro é que ela fique por lá, e não há por enquanto nenhuma previsão de alguma resposta do Brasil contra os Estados Unidos.

O governo brasileiro tá olhando da seguinte maneira: agora eles já aplicaram a retaliação, a gente não vai ceder à pressão, a gente não vai correr com esse agrama do Daniel Pérez. E a embaixadora Maria Luísa continua lá, amiga. Só para a gente ter uma ideia, essa questão de embaixadora com visto cancelado ou declarada pessoa não grata, que não foi o caso agora, né? Mas quando aconteceu isso outra vez foi em 1847, no Brasil Império.

Nem chamava de embaixador. O governo imperial do Brasil declarou o enviado americano como persona non grata. Não é o caso agora, mas só para a gente ver um paralelo assim, não, nem existia a figura de embaixador. Então, como se não bastasse uma crise sem precedente, essa outra crise diplomática se desdobrou com a Argentina.

CPCarol Pires

Não, e você sabe que enquanto a gente tava lá na Flip, que a gente teve a casa e fez um 12 e tanto ao vivo, você estava rodando por Paraty fazendo essa apuração, que foi um furo no Washington Post de que os Estados Unidos estavam querendo mandar esses dois oficiais para meterem o bedelho aqui. Enquanto isso, naquele mesmo final de semana, teve a convenção do PL, né? E o Milei veio, já que o Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, tá isolado nacionalmente, teve que trazer o Milei para dar alguma, algum estrelismo à convenção dele.

E o Milei fez lá um discurso, dançou, depois falou que o Lula interferiu nas eleições argentinas, que o Lula orquestrou a prisão do Bolsonaro. Então foi, tava tudo acontecendo meio que simultaneamente, né? E aí depois o Milei reiterou na Argentina, falou que o Lula era ladrão, corrupto, que não ia retirar nada do que ele disse. E aí socialista, lixos inundando o mundo com ideias imundas do socialismo. Quem dera, né? Quem dera. Mas vai, amiga.

MDMarina Dias

Ai, Jesus. Não, é isso. Como você falou, foram várias críticas do presidente da Argentina, Milei, ao Lula, chamando de ladrão, lixo socialista para baixo. E aí o Brasil decidiu retirar o embaixador brasileiro de Buenos Aires e assim rebaixar a relação diplomática com a Argentina. Então agora os assuntos bilaterais não vão mais ser tratados de embaixador a embaixador, né? Vai ser tratado pelo encarregado de negócios, que é o número 2 ali da embaixada, não tem status de embaixador.

E é simbólico, né? É um movimento diplomático importante essa rebaixada de relação. E amiga, para ser sincera com você, eu achei esse movimento bem surpreendente, porque a ordem no governo brasileiro era tentar colocar panos quentes na crise com a Argentina, né? Esse não é o estilão, né, da diplomacia do Brasil, que é sempre baseada em diálogo, negociação, uma coisa mais conciliatória. E aí eu fui perguntar, gente, que que rolou? E os diplomatas brasileiros me disseram que essa—

CPCarol Pires

imagina, você chegando no Itamaraty, galera, o que rolou? E aí, o que que os diplomatas, eu falo quase assim, né?

MDMarina Dias

Eu falo, gente, que isso? Não, o que conta tudo, o que eles me disseram é, a gente tomou uma medida sem precedente porque o que aconteceu foi sem precedente mesmo, né? Parece pouco usual, mas tudo é pouco usual. Nunca tinha acontecido de um presidente argentino compartilhar publicação de críticos ao Lula, vir numa convenção que lançava um candidato à presidência né, da oposição ao presidente brasileiro, xingar o presidente no microfone e depois continuar fazendo isso.

Porque o Milei só foi dobrando a aposta. E no domingo, nesse último domingo, ele deu uma entrevista a uma rádio argentina e manteve todas as críticas ao Lula. Ele não baixou o tom enquanto o Lula tava tentando desviar, né, da questão toda. Ele foi perguntado por um jornalista, o Daniel Carvalho, da Bloomberg. E essa história do Milei, presidente, o Lula falou: Milei, quem é esse cara? Foi um jeito dele tentar não pessoalizar também a disputa com o Milei, né?

E aí a diplomacia brasileira falou: nunca tinha acontecido, não era o nosso modus operandi. Mas o modus operandi do presidente argentino também está em outra ordem, né? E E, amiga, é o seguinte: o Brasil é muito mais importante para Argentina do que a Argentina é para o Brasil em termos de mercado, relações comerciais. E aí eu conversei com alguns diplomatas lá na Argentina que me dizem que o corpo diplomático argentino não apoia essa postura do Milei, né?

Então que o Milei ataca o Brasil e o corpo diplomático argentino desesperado porque sabe que o Brasil é um parceiro comercial muito importante para Argentina, né?

CPCarol Pires

Então é assim como a gente É porque rebaixar a relação ao nível de encarregado de negócios, né, é isso, como você falou, significa que os países deixam de ter embaixador um no outro e a representação passa, né, para um nível de diplomacia inferior. Isso é meio que um degrau antes do rompimento de relações, né. E Brasil e Argentina, você tá falando, Brasil é mais importante para Argentina do que o contrário, mas são os dois maiores parceiros comerciais da América do Sul, né, eles são os pilares do Mercosul. Então também preocupa os demais países.

MDMarina Dias

É isso, amiga. Agora eu acho que a gente precisa ficar atenta nos desdobramentos, né? Os Estados Unidos vão fazer outra coisa por lá para constranger a embaixadora? O Brasil só vai responder se isso acontecer. Com a Argentina, quais serão os desdobramentos? O Milei vai dar um passo atrás, né? Enfim, eu acho que a gente precisa olhar para os próximos passos, mas a crise de hoje Guruja tá muito grave, muito estressada.

CPCarol Pires

Sim. E de certa forma, os dois movimentos da Argentina e dos Estados Unidos reforçam a narrativa da soberania brasileira. De alguma forma, sempre que o Flávio pede ajuda para os seus amiguinhos e eles fazem alguma coisa para tentar ajudá-lo, ele tá se isolando cada vez mais. Tanto que estamos vendo ele aí aliado a um candidato a vice-presidente investigado pela Polícia Federal por estupro de vulnerável. Eles nunca deixam de chocar a gente.

Eu fico chocada, como eu ainda fico chocada de que eles encontram novas formas de chocar a gente.

MDMarina Dias

É isso, amiga. Então até semana que vem, até semana que vem.