STF autoriza terceiro inquérito contra Lulinha. Entenda cada um deles
Neste episódio do Duas e Tanto, Carol Pires e Marina Dias desembolam o novelo e explicam por que a Polícia Federal pediu ao STF a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha. Mas afinal: do que ele é suspeito? E como essa nova investigação se relaciona — ou não — com o escândalo do INSS?
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Oi, amiga!
Oi, amiga!
Tô te ligando porque a Polícia Federal pediu ao STF a abertura de uma terceira investigação contra o Lulinha, filho do presidente Lula. O Lulinha é empresário, Fábio Luiz Lula da Silva, e o que a PF quer é apurar suspeitas de tráfico de influência. E aí teve um sorteio, esse caso foi distribuído ao ministro Flávio Dino, que é o ministro indicado pelo Lula ao Supremo. Vamos desembolar esse novelo?
Vamos sim!
Eu sou Carol Pires.
Eu sou Marina Dias.
E esse é o Duas e Tanto.
Todas as terças e quintas eu e a Carol, a gente se liga para falar de um tema da política que tá bombando, de um jeito rápido, fácil, acessível, como um papo entre amigas que somos. Esse é um podcast rapidinho, 15 a 20 minutos, é o tempo de você passar um café. Sigam a gente no canal da Carol no YouTube, @pirescarol, e sigam a gente no Instagram, @duasetanto. Todas as plataformas de áudio.
O Duas e Tanto é uma produção da Zarabatana Estúdio com distribuição do Estúdio Novelo. Gente, recado muito rápido: na sexta-feira a gente soltou um episódio do que a gente tá chamando de glossário político, quando a gente explica um tema que não é quente na semana, é quente o ano inteiro. Então a gente fez um episódio especial sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, explicando o que é, porque é uma lei famosíssima, todo mundo já ouviu falar, mas só 20% das brasileiras sabem o que tem na Lei Maria da Penha, o que que ela protege, o que que ela prevê.
Então super importante para a gente tá informado e quebrar esse ciclo de violência doméstica. Assistam. E é isso, amiga, vamos lá. Tudo que tá sendo investigado sobre o Lulinha tá meio confuso, porque a primeira vez que o nome dele apareceu recentemente em, vou dizer, investigações, era por causa da relação dele com o careca do INSS que tava sendo investigado por roubar aposentadorias. O nome dele surgiu ali, mas pelo que eu entendi ele não foi investigado por isso.
Mas eu lembro que o nome dele ficou associado ao careca do INSS. Aí depois sim, o Ministro André Mendonça do STF autorizou dois inquéritos contra o Lulinha. Um tem a ver com Dataprev e o outro tem a ver com Canabidiol. Aí vamos explicar o que que cada coisa tem a ver, porque ontem a Polícia Federal já pediu uma terceira frente de investigação. Então de repente tem um monte de investigação, tem a coisa do INSS na qual ele não tá sendo investigado. Vamos colocar cada coisa na sua caixinha?
Sim, eu vou em ordem, amiga, porque eu acho que fica mais organizado na minha cabeça. Então eu acho que também fica mais organizado para você e para quem tá ouvindo a gente. Todas essas investigações contra o Lulinha são sobre tráfico de influência, ou seja, a suspeita é de que o Lulinha tenha usado o fato de ele ser filho do presidente, né, a proximidade com o governo, para conseguir benefícios para empresas de gente que ele conhece ou para ele mesmo.
E só para a gente entender porque cada inquérito acaba com um ministro: a Polícia Federal pede para o Supremo Tribunal Federal a abertura desses inquéritos, e eu já vou explicar algum deles, é, cada um deles direitinho. Mas por sorteio, os relatores de cada inquérito são definidos, e os 2 primeiros pedidos de inquérito foram sorteados para o ministro André Mendonça, que foi indicado por Jair Bolsonaro para o Supremo. E ele autorizou a abertura desses dois inquéritos, ou seja, a investigação formal está autorizada, em curso.
Nesse terceiro pedido, que é a novidade da semana, que você falou que foi feito ontem, na segunda-feira, o sorteio caiu com o Flávio Dino, que foi indicado pelo presidente Lula para o Supremo.
Oi, gente, Carol aqui rapidinho. Depois que a gente terminou de gravar o episódio, o ministro Flávio Dino autorizou a abertura do terceiro inquérito sobre a atuação do Lulinha, atendendo ao pedido da Polícia Federal. E paralelamente, o Dino autorizou outro inquérito no STF para investigar o vazamento de dados sigilosos dessas investigações contra o Lulinha. Então, nesse segundo inquérito aberto pelo Dino, o Lulinha é tratado como vítima de vazamento de dados sigilosos.
Então, todas essas investigações de tráfico de influência do Lulinha teriam ligação com a empresária Roberta Hostinger, que é amiga do Lulinha e atua como lobista em Brasília. Ou seja, ela trabalha para conseguir benefícios a empresas junto aos órgãos do governo. A amizade dela com o Lulinha é admitida pelos dois. Roberta e Lulinha dizem que se conhecem, que são amigos. Mas essa amizade, segundo as suspeitas da Polícia Federal, era uma das coisas que abria a porta, né, para Roberta no governo do presidente Lula.
A defesa do Lulinha nega qualquer irregularidade, diz que é tudo perseguição política. E o presidente Lula diz que o filho dele vai ter que provar a inocência, e se não conseguir, vai ter que pagar pelo que fez. O Lulinha mora em Madrid. O Lula falou que ele vai voltar para o Brasil e se defender e pagar se ele precisar.
Amiga, vamos só definir o que que é tráfico de influência, né, que é o ato de usar ou alegar ter influência sobre uma autoridade, um agente público, para conseguir alguma vantagem, né, ou benefício. Em geral, dinheiro, favor, alguma recompensa, né. Então, termo simples é quando alguém diz que, olha, consigo abrir portas junto a uma autoridade para favorecer o seu interesse, né, seu interesse específico. Então, por exemplo, uma pessoa cobra para convencer um funcionário público a aprovar uma licença, uma lei, né.
Ou então alguém promete, por exemplo, ah, eu sou amiga daquele juiz, do ministro, do prefeito, seja quem for, para conseguir aí uma decisão favorável ao seu contrato, a sua empresa. E aí é importante a gente só separar, né? Isso é tráfico de influência. Outra coisa é você fazer um networking legítimo. Networking, faria Limer, falei agora, né? Para você fazer essa, então, se eu te apresento para alguém, faço uma recomendação, defendo, por exemplo, uma causa de forma transparente, explico em nome de quem que eu tô falando.
E aí poderia ser um lobby, que aí sim é uma pessoa de uma empresa que representa os interesses daquela empresa né, diante de, não sei, do Congresso, coisas do tipo. E tem o tráfico de influência, que aí sim, né, que é explorar uma influência sobre uma autoridade para obter vantagem indevida. Então, para configurar tráfico de influência, tem que estar provado que essa pessoa recebeu alguma vantagem. Perfeito.
Então vamos lá, amiga, vamos explicar as suspeitas contra o Lulinha. Justamente neste tráfico de influência. O que seria esse tráfico de influência? O primeiro inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal é sobre uma suposta atuação do Lulinha junto ao Ministério da Saúde e ao Gabinete Presidencial para conseguir uma autorização para vender cannabis medicinal no Brasil. O Lulinha atua nesse ramo, tem interesse nesse ramo de cannabis medicinal, com a empresária Roberta Luxinger e com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
E aqui eu vou abrir esse parênteses muito, muito importante para explicar a confusão toda. O Careca do INSS está sendo investigado pelo esquema de descontos ilegais em aposentadorias, desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas. Mas as investigações da Polícia Federal não encontraram provas que liguem o Lulinha a esse esquema de roubo dos aposentados. Mas a Polícia Federal diz que encontrou outro tipo de ligação do Lulinha com o careca do INSS nesse esquema para venda de cannabis medicinal.
Então, por isso, a Polícia Federal pediu uma investigação à parte sobre tráfico de influência. Então, a gente sabe que muitas vezes esses personagens se misturam e vira aquela confusão, mas a gente tá aqui para separar os escândalos. O Lulinha até agora não está ligado aos desvios de pagamento dos aposentados. Ele estaria envolvido nesse esquema de tráfico de influência para conseguir uma autorização para uma empresa ligada ao careca do INSS chamado World Cannabis vendesse cannabis medicinal no Brasil.
O Ministério da Saúde, amiga, disse que nunca assinou nenhum contrato com essa empresa de cannabis medicinal do careca do INSS, portanto nunca fez repasse de recursos públicos para eles. Mas a investigação segue sobre sobre como o Lulinha teria atuado. O segundo inquérito é o mesmo modus operandi, mas é uma outra frente. A polícia tenta entender se o Lulinha agiu junto à Dataprev, que é aquela empresa de tecnologia e informações da Previdência, para beneficiar um empresário e prospectar contratos da empresa desse cara.
O empresário seria Kleber Ribas de Oliveira. Esse empresário teria bancado pelo menos uma viagem do Lulinha em troca de favores do governo, ou seja, que o Lulinha conseguisse para esse empresário contratos juntos, junto à Dataprev. A Dataprev também diz que nunca firmou contrato com a empresa do Kleber.
Amiga, entendi. E ainda tem esse terceiro inquérito, mas que a gente não consegue falar muito sobre ele, não sabe ainda o que que tá acontecendo, né? O inquérito tá em sigilo. O que que dá para dizer desse terceiro inquérito? O que que a gente sabe?
A gente ainda não sabe muita coisa, né? A partir do momento que o Flávio Dino autorizar a investigação, talvez mais informações venham à tona, ou se a imprensa conseguir acesso a alguns documentos da investigação. Tem uma recente camada desse bolo que foi revelada pelo portal Poder 360 nessa semana e que pode fazer parte desse terceiro inquérito. De novo, a gente não tem certeza certeza que seja parte desse terceiro inquérito, mas é uma nova camada desse bololô.
Qual que é a informação? A empresária Roberta, amiga do Lulinha, transferiu dinheiro para o ex-chefe de gabinete da Presidência da República, o Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. O Marcola é aliado de primeira ordem do Lula e muito próximo do presidente há mais de 10 anos. O Marcola, amiga, saiu do cargo de chefe de gabinete do Lula há 2 semanas. E a versão oficial é que ele fez isso para trabalhar na campanha do Lula à reeleição, o que é comum.
Tem muitos funcionários do Palácio do Planalto fazendo isso. Mas já tem gente dizendo que era porque essa informação viria à tona. O Marcola confirma o recebimento do dinheiro da Roberta. A gente ainda não sabe o valor, mas ele diz que foi um empréstimo e que ele já pagou de volta. A Roberta, que não não haveria nada de ilegal nisso. Mas a Polícia Federal ainda tá investigando a origem desse dinheiro e a finalidade dessa transferência.
Foi mesmo um empréstimo ou a Roberta pagou o Marcola por outro motivo, né? Então a gente tá neste lugar.
Você tem R$700 mil para me emprestar? Pago quando der.
Se for empréstimo, pago quando der, pago quando der. E amiga, aí começa obviamente o uso político de isso, né? A defesa do Lulinha fala que não há nada de irregular no que ele fez, que não teria sido tráfico de influência, e que na verdade isso tá acontecendo às vésperas do primeiro turno, que vai ser agora em outubro, né, para atingir o presidente Lula. E claro que os adversários do Lula já estão usando esse caso como munição para campanha, e o Flávio Bolsonaro já começou a ligar os casos como se fosse um só, perguntando: ah, será que esse dinheiro não veio então dos aposentados?
Fazendo de propósito essa ligação. Por isso que eu acho bem importante explicar, né, os 3 inquéritos. A gente não tá passando pano aqui para ninguém, a gente só tá dizendo que são casos diferentes da fraude do INSS. O que existe em comum é o personagem, o cagueca do INSS.
Amiga, eu tenho um amigo que sempre fala que é nosso fã, mas ele perde um pouco do amor quando você faz bullying com o Cagueca.
Eu peço perdão, mas eu não consigo parar. Eu acho que o Cagueca é a origem dessa crítica aos calvos, né? Eu acho que é todo um caldo cultural que começa no episódio O Segredo de João Kleber, quando o marido tira a peruca e a mulher fala, Cagueca! Sabe que eu não gosto de careca, amiga.
Só falar um pouco dessa repercussão, né? Então o Lula falou que o filho vai ter que se explicar, que ele não vai usar a presidência para proteger o filho, mas que isso tudo faz parte de uma campanha difamatória, né, às vésperas da eleição. Mas que se houver qualquer irregularidade, o Lulinha vai responder como qualquer outro cidadão. E aí a oposição, claro, vai usar isso. Flávio Bolsonaro, como você disse, né, já tá tentando fazer uma ligação com o caso do INSS, porque é mais fácil fácil entender a crise do INSS, que já ficou no imaginário, né?
A gente falou de careca do INSS o ano passado todo. Então vai ser mais fácil do que explicar: ah não, Dataprev na verdade um tráfico de influência. Então, pensando com cabeça de oposição que precisa pegar um fato pequeno e transformar numa fake news, é por isso que ele tá fazendo isso. E os outros candidatos também que estão patinando ali, né, nas intenções de voto. Mas o Caiado também fez uma declaração falando que o Brasil vive uma monarquia disfarçada de república, né, sugerindo aí que o Lula tá protegendo o filho.
O Romeu Zema do Novo, também é candidato à presidência, também falou nas redes sociais: ah, se tem corrupção, esquece, é sempre o PT. E o Flávio falando isso: imagina se fosse um filho do Bolsonaro. Assim, nem todo homem, mas sempre um filho do Bolsonaro, né? Essa defesa não faz muito Amiga, faltou a gente falar alguma coisa?
Amiga, faltou a gente falar alguma coisa? Acho que não, amiga. Eu acho que esse é um caso que ainda vai se desenrolar, até porque a gente precisa entender o que é essa terceira investigação, o que seria esse terceiro inquérito, né? Então vamos pedir para as pessoas comentarem aqui embaixo o que mais elas gostariam de saber sobre esse caso. O caso do INSS é um caso importante que tem assombrado o governo, por isso, né, tem muitas, muitos desdobramentos e muitas confusões. Então a gente a gente tá aqui para explicar tudo e desfazer confusões.
Então até quinta, amiga.
Até quinta.