Brasil tem 88 facções: por que classificá-las como terroristas não resolve?
No episódio de hoje do Duas e Tanto, Carol Pires e Marina Dias explicam o que diferencia uma facção de um grupo criminoso comum, como PCC e Comando Vermelho expandiram seu poder, por que Flávio Bolsonaro quer que os EUA classifiquem facções brasileiras como organizações terroristas, por que especialistas dizem que isso pode piorar — e muito — o problema, e como tudo isso pode impactar o debater eleitoral.
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- Terrorismo e Crime OrganizadoDiferença entre facção e grupo criminoso comum · PCC · Comando Vermelho · Classificação como terroristas · Motivação econômica vs. política
- Consequências da classificação como terrorista (FTO)Interesses econômicos vs. motivação política · Risco de sanções e intervenção militar dos EUA · Instrumento de pressão geopolítica · Diluição do conceito de terrorismo · Impacto no turismo e investimento estrangeiro
- Debates EleitoraisFlávio Bolsonaro e a classificação de terroristas · Estratégia de usar o medo para ganhar votos · Discurso de Lula defendendo facções · Soberania nacional e visão negativa dos EUA · Pesquisa de opinião sobre classificação
- Atuação transnacional de facçõesPesquisa Fórum Brasileiro de Segurança Pública · Ocupação de espaço geográfico · Controle de mercados e serviços · Lei do silêncio e medo de denunciar · Atuação em Faria Lima e sistema financeiro
- Projeto de Lei AntifacçãoRetirada de crimes financeiros do projeto · Foco em organizações que usam violência · Programa federal contra crime organizado · Investimento em asfixia financeira · Controle de presídios
- Expansao InternacionalPCC e Comando Vermelho em todos os estados · Atuação na Amazônia (garimpo, desmatamento) · Recrutamento de estrangeiros · PCC como maior organização criminosa da América Latina · Atuação em 30 países
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Oi, amiga. Oi, amiga. Não, o que? Você está com o mesmo brinco que eu?
Estamos com o mesmo brinco. Quer que troque? Não. Ficamos assim? Acho que mostra que a gente é alinhada. Amiga, eu estou te ligando porque essa semana saiu uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública dizendo que quase 70 milhões de brasileiros dizem viver em áreas de facções. Isso é 40% da população. E a gente já falou que algumas vezes, né, como segurança pública vai ser um dos principais temas da eleição de outubro, talvez o mais.
E o Flávio Bolsonaro até aqui está surfando nesse tema, né? Pediu para o Trump classificar a PCC e Comando Vermelho como organização terrorista. O governo é contra e a gente vai destrinchar todo esse assunto. Então vamos lá. Eu sou Carol Pires. Eu sou Marina Dias.
E esse é o Duas e Tanto. Todas as terças e quintas, eu e a Carol, a gente se liga para falar de um tema da política que está bombando de um jeito fácil, acessível e rapidinho. É o tempo de você passar um café. Sigam o canal da Carol no YouTube, arroba Pires Carol, e sigam a gente no Instagram, arroba Duas e Tanto, e em todas as plataformas de áudio.
O Duas e Tanto é uma produção da Zarabatana Estúdio com distribuição do Estúdio Novelo. Amanhã a gente abre as vendas para o nosso Clube do Livro, dia 13, quarta-feira.
Então entrem, quem ainda não entrou, www.duasetanto.com, coloquem o e-mail lá que vai chegar para vocês o link da inscrição a partir de amanhã. Eu acho que eu vou começar fazendo uma explicação do que são facções, para daí o assunto todo estar compreensível a partir daqui. O Brasil hoje tem nada menos do que 88 facções mapeadas.
As principais são PCC, Primeiro Comando da Capital, depois você vai até falar um pouco mais sobre cada uma. Tem o Comando Vermelho, mas tem várias outras. Então tem a Família do Norte, que surgiu no Amazonas, tem o Sindicato do Crime no Rio Grande do Norte. No Rio de Janeiro não é só o Comando Vermelho, tem o Terceiro Comando Puro, os Amigos dos Amigos, quem mais? São várias facções, imagina, 88.
Mas o que faz um grupo criminoso ser chamado de facção?
ter uma estrutura hierárquica com regras próprias. Então, por exemplo, o grupo de traficante na esquina não é uma facção. O PCC, que tem até um estatuto escrito, é uma facção. Eles têm uma identidade coletiva, tanto que o integrante não diz que trabalha para o PCC, ele pertence à facção. E eles são cooptados por um recrutamento constante, eles estão o tempo todo procurando novos membros.
Então, outra característica, não é só pelo crime, é o crime com domínio de um espaço geográfico, é ocupação territorial. E tem um quarto elemento que é a capacidade de coordenação e expansão. Então, você tem um chefe que às vezes está até preso, né? Pensa no Marcola do PCC e que a partir dali sai o comando para o país todo, para todos os faccionados.
Então, hoje eles atuam em diversos estados, mas eles também estão infiltrados no sistema financeiro, nas cadeias internacionais criminosas, na política. Então, sobre isso, facções, quando a gente está falando, não é só...
A gente está falando desse crime organizado. Então, quando a pesquisa Datafolha, encomendada pelo Fórum de Segurança Pública, fala que 41% dos brasileiros dizem ver, sentir a presença do crime organizado no próprio bairro, é desse tipo de crime que a gente está falando.
Você quer destrinchar um pouco os números do Datafolha para o Fórum de Segurança Pública? Sim, esse número é bem acachapante, né? Pensar que 41% dos brasileiros se percebem vivendo em áreas de crime organizado. Mas aí, só para a gente entender um pouco as camadinhas desse número, né?
Entre essas pessoas que notam o crime organizado em volta delas, 43% dizem que é uma presença pouco visível. 25% dizem que é uma presença muito visível.
E 21% falam que é apenas visível. Mas o negócio é que essa percepção do crime organizado perto de você muda a dinâmica de funcionamento do bairro e da vida das pessoas. Então, é basicamente a consolidação do crime organizado, controlando o território, como você falou, mas também mercados, serviços, regulando a vida local. Para começar do básico.
As pessoas, principalmente nós mulheres, ficam com medo de sair à noite, ficam com medo de gente da família começar a usar ou a vender, a se envolver com droga. E, obviamente, cria-se uma lei do silêncio em que as pessoas têm medo de denunciar qualquer coisa.
E a gente já falou aqui no Dois e Tanto, em episódios sobre segurança pública e sobre aquele massacre no Morro do Alemão no ano passado, que o crime organizado no Rio de Janeiro, por exemplo, ele não domina somente o tráfico de drogas e armas, ele domina esses serviços nas favelas, gás, luz, TV a cabo. As pessoas pagam mensalidade para o crime organizado, que controla cada detalhe da vida desses moradores.
Nessa pesquisa, 12% das pessoas dizem que se sentem obrigadas a contratar serviços indicados por criminosos. Em São Paulo, amiga, da onde eu sou e onde você mora...
A gente vê o crime organizado também de outras formas, nos postos de gasolina, nas farmácias, nos pequenos comércios. Então, também cria essa dinâmica no bairro, mas em São Paulo, o PCC foi para Faria Lima, o centro financeiro do Brasil. Teve aquela operação, a gente se lembra aqui, a operação do carbono oculto.
Desculpa, a Operação Carbono Oculto, que foi uma investigação da Polícia Federal. A maior investigação contra o crime organizado no Brasil foi no ano passado e tinha o objetivo de desmantelar esse esquema de lavagem de dinheiro e fraude no setor de combustível comandado pelo PCC, o primeiro comando da capital. Então é isso, tanto no Rio como em São Paulo.
a gente tem muitos exemplos do crime organizado ditando a vida das pessoas. E é por isso que as pessoas estão percebendo isso dessa maneira e é por isso que a segurança pública virou o segundo tema de maior preocupação do brasileiro para a eleição esse ano, atrás somente da saúde. As pessoas estão percebendo isso cada vez mais, se sentem aquadas, com medo, e isso reflete nas pesquisas.
Lembrei até essa coisa de como controla o lugar onde você mora e como isso meio que dita a forma como você vive. Logo que a Eva nasceu, a gente teve uma babá que ficou poucos meses com a gente e ela me contou uma história terrível, cara.
Então era o seguinte, o líder comunitário ficava com a chave do que era uma quadra ali do bairro e ele que controlava quem entrava, quem saía. E descobriram que ele tinha estuprado uma criança com deficiência, que não falava. Essa criança conseguiu filmar.
parte do ato, mostrou para a mãe. A mãe não foi na polícia, ela foi no crime organizado que domina, nas lideranças do crime organizado ali do bairro dela. E esses caras fizeram um tribunal e, bom, esse líder comunitário foi condenado à morte. Só que esse cara, o filho dele era faccionado. Então, no julgamento ficou definido que quem mataria esse líder comunitário seria o filho dele, o faccionado.
E o que, enfim, aconteceu. Então, ela ficou acompanhando tudo, sabe? O que aconteceu, a denúncia, que isso foi levado, qual foi o julgamento e que dia que esse cara seria morto. Uma coisa pavorosa. E por que eles fazem assim também? Bom, a família não vai denunciar.
que o cara foi morto, porque quem matou foi o próprio filho. Então, de repente é uma pessoa que desapareceu. E ninguém do bairro vai denunciar, imagina, vai falar para a polícia que isso está para acontecer, sendo que é o crime organizado que domina o seu bairro, você não vai conseguir sair de lá. Então, chega nesse nível de controle, de ter as próprias regras, de resolução de conflitos familiares, tudo passa pelo crime organizado.
E amiga, agora só um histórico rapidinho para a gente entender quando surgiram e onde surgiram as duas maiores facções do Brasil. A gente sabe que o PCC, primeiro comando da capital, nasceu em São Paulo na década de 90 e o comando vermelho nasceu no Rio de Janeiro um pouco antes, na década de 70.
Então, eram duas organizações criminosas dos dois grandes e importantes estados do Brasil, mas hoje a gente tem a PCC e Comando Vermelho em todas as 27 unidades da Federação do Brasil, ou seja, 26 estados mais distrito federal.
E, de novo, a atuação extrapolando e muito o tráfico de drogas e armas. A gente sabe que o PCC e o Comando Vermelho já foram, inclusive, para a Amazônia atuar no garimpo, no desmatamento. E aí começaram a recrutar, inclusive, pessoas de países vizinhos. Tem muito venezuelano, colombiano, trabalhando para o PCC e para o Comando Vermelho na Amazônia.
Hoje, amiga, o PCC é considerado a maior organização criminosa da América Latina, com 40 mil membros efetivos e 60 mil prestadores de serviço. Esses números, claro, são uma estimativa do Ministério Público, de investigadores que acompanham.
o PCC de perto, mas, enfim, só para deixar claro que são números estimados, mas dão uma dimensão do tamanho do PCC hoje atuando em 30 países para além do Brasil. E aí, por conta dessa internacionalidade das organizações criminosas...
A gente falou aqui no episódio do encontro do Lula e do Trump na semana passada na Casa Branca, que o Lula disse que não debateu com o Trump uma possível classificação do PCC e do Comando Vermelho em organizações terroristas que podia ser feita pelos Estados Unidos.
Eu queria só explicar sobre isso. Como não foi assunto, a gente não entrou muito no tema no episódio passado. Mas é o seguinte, uma parte do Departamento de Estado americano, estimulada por bolsonaristas,
defende classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. E o Flávio Bolsonaro, filho do Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado, e o Flávio, que vai concorrer contra o Lula este ano para a presidência do Brasil, ele diz que isso é bom, que classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas vai ajudar a combater o crime no Brasil. É uma ideia de jirico, mas...
Depois eu espinafro. Depois você fala da ideia jirico. Mas o que eu ia dizer é que os especialistas em segurança pública dizem que essa é uma visão errada, equivocada. Primeiro...
Porque o PCC e o Comando Vermelho agem por interesses econômicos, não por motivação política. Então, por isso, eles não podem ser considerados organizações terroristas. Eles não têm ideologia. Eles querem grana e eles agem para conseguir mais grana. Então, eles estão no tráfico de droga, está lucrando, beleza. De repente, alguém fala para eles que o garimpo rende tanto ou mais que tráfico de drogas. Então, eles vão para o garimpo.
E porque eles trabalham na ocupação do espaço no vácuo deixado pelo Estado. E a Amazônia estava ali, um grande espaço para eles dominarem, já que as forças de segurança não fazem um trabalho ostensivo ali. Só quem ocupa é garinteiro.
Então, não é uma atuação política e ideológica. E isso já dissocia do que seriam organizações terroristas. Então, primeira coisa é essa. A atuação do PCC e do Comando Vermelho, segundo especialistas, não é a atuação de organizações criminosas. E segundo, amiga, porque esse tipo de classificação de organização terrorista...
pode abrir brecha para os Estados Unidos aplicarem mais sanções contra o Brasil ou até mesmo interferir militarmente aqui. E quem está dizendo isso não sou eu, são especialistas em segurança pública. Então, o tema preocupa sim o presidente Lula, preocupa sim o governo brasileiro.
Esse é um tema debatido no Departamento de Estado, mas ainda não chegou no alto escalão da Casa Branca, mas é sim um tema que precisa passar por várias etapas até ser finalmente levado ao Trump. Mas o Lula disse que o Trump não tocou nesse tema e como ele, Lula, sabia que era polêmico, ele também deixou baixo. Mas é algo que preocupa, sim, o Lula e o governo brasileiro.
Tem até um contexto que acho que vale a pena, porque o governo Trump já tinha classificado alguns cartéis mexicanos, o trem de Arágua, que é da Venezuela, e a Mara Salvatrucha, que é de El Salvador, todos os cartéis muito antigos, como terroristas por iniciativa própria.
Então, esses cartéis também não têm motivação ideológica no sentido clássico, né? São todas organizações criminosas motivadas por lucro, mas elas têm muita influência dentro dos Estados Unidos. Elas estão lá, que é diferente do PCC. O PCC está América Latina e muito voltada para a Europa.
Mas então o Trump tinha feito isso, a lei americana, no caso, é diferente da brasileira, ela não exige motivação ideológica, basta ser um ato que seja violento e tente intimidar a população ou influenciar a conduta de um governo. Então é uma definição deliberadamente elástica e que o Trump usou por ordem executiva, não passou numa reforma legislativa.
E por quê? Porque tem um objetivo que não é declarado, que é um instrumento de pressão geopolítica. Quando você classifica uma organização criminosa de outro país como terrorista, você passa a ter jurisdição dentro dos Estados Unidos sobre qualquer instituição financeira no mundo.
que tenha feito alguma transação com essa organização, mesmo que indiretamente. Então, é uma forma de projetar poder sobre esses países soberanos sem ter que declarar guerra, sem ter que negociar tratado, sem ter que passar pelo Congresso. E aí os bolsonaros vão lá e falam, Oba, põe a gente também! Por isso, assim, é uma muita ideia de Jerico, né?
Além de você abrir espaço para eles meterem o bedelho na nossa soberania, quando você enfrenta um grupo terrorista, essa organização existe para defender uma causa, uma religião. Então, você tem que enfrentar a motivação ideológica. Você tem que atacar a ideia, desacreditar a narrativa, mostrar que ela é falsa, que os líderes são corruptos. Você tem que matar a ideia.
O PCC e o Comando Vermelho, eles não têm uma causa. Ninguém vai entrar no PCC porque acredita numa visão de mundo. A galera entra porque quer dinheiro, quer proteção, quer pertencimento, né? Porque foi cooptado ainda jovem num território que a organização já controla.
Se você prende 100 faccionados, eles vão lá e recrutam mais 100. Então, essa ponta da cadeia é infinita e renovável. Então, você precisa de uma atuação muito mais estrutural para resolver isso. E tem um outro problema nisso de classificar as facções.
como terroristas, é que você precisa proteger o conceito jurídico do que é terrorismo, amiga. A gente já viveu uma ditadura aqui, né? Então, se você dilui a definição para incluir qualquer grupo que cause medo e use violência, né? Vira uma categoria sem fronteira, você depois pode usar isso, por exemplo, a gente tem o histórico brasileiro, latino-americano.
E a gente sabe o que acontece quando esses conceitos se diluem, né? Então as ditaduras classificaram greve, movimento sindical, protesto político, tudo como terrorismo. E não era acidente, né? É design isso aí.
E aí, por fim, você coloca PCC e Comando Vermelho como células terroristas, mas e se depois eles expandem isso para todas as facções brasileiras? Aí o Brasil seria o país com o maior número de grupos terroristas no mundo, porque temos 88 facções.
Aí isso começa a afetar o turismo, isso começa a afetar o próprio mercado, porque pode ter uma fuga de investimento estrangeiro, o sistema bancário fica suscetível a interferências de um louco, pode ter desvalorização da moeda, enfim, é uma cagada geral.
Mas aí eu quero trazer um dado exclusivo que o pessoal do monitor do debate político da USP com o Cebrap, eles fizeram uma pesquisa e me passaram dizendo o seguinte, 55% da população é favorável a classificar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas. Quando você faz um recorte entre eleitores de direita, 76% são a favor.
E entre eleitoras de esquerda, 48 são contra e 36 a favor, ainda é bastante a favor. Por quê? Porque o bolsonarismo sabe usar muito bem essa estratégia de usar o medo para ganhar voto, oferecendo uma solução que parece simples e que é uma cagada. Então é sempre assim, a pessoa está com medo, alguém vai lá e fala assim, não, é só fazer isso aqui.
Claro que eu quero uma solução rápida e simples. Aí vai lá e compra essa ideia. Você falou, o Lula disse que não falou disso com o Trump, né? Mesmo que tenha falado, isso é uma casca de banana. Porque o que o Flávio Bolsonaro e os bolsonaristas em geral estão vendendo é o Lula está defendendo as facções, está protegendo as facções para elas não virarem grupos terroristas. Eu entrevistei o Flávio Bolsonaro, amiga, para o Washington Post e ele...
deu essa letra mesmo. Ele encaixou o discurso que, na segurança pública, ele vai botar para quebrar, aspas dele, ele falou isso para mim. Ele defende a redução da maioridade penal para 14 anos em caso de crime hediondo, ele defende a classificação do PCC e do Comando Vermelho pelos Estados Unidos como organização terrorista, e ele fala isso. Isso vai ajudar a combater o crime no Brasil.
Eu vou ajudar a combater o crime no Brasil enquanto o Lula está defendendo as organizações criminosas. Qual é o desafio do presidente Lula e da equipe dele? Conseguir comunicar de forma correta de que essa classificação não traria benefícios para o Brasil. Pelo contrário, abriria uma porta para uma intervenção americana. E a gente sabe que essa visão...
sobre os Estados Unidos, entre a população brasileira, tem ficado cada vez mais negativa. Teve uma pesquisa da Quest que mostrou que, pela primeira vez, desde 2023, a maioria da população brasileira vê os Estados Unidos com maus olhos, 51%. Mas é a primeira vez, desde 2023.
Criou-se uma sensação de soberania nacional, de que os Estados Unidos não têm que meter o bedelho aqui dentro e que se o Lula conseguir capitalizar essa ideia na ideia de soberania nacional, é um jeito dele possivelmente vencer o debate, segundo os aliados dele com quem eu converso. Mas ele aparentemente ainda não conseguiu virar esse disco, né? Porque a maioria da população, como você está falando, concorda com a classificação.
E tem uma última coisa para mostrar como os bolsonaristas, na verdade, não querem resolver o problema da segurança pública e das facções brasileiras, que é a forma como foi debatido o projeto de lei anti-facções que o governo mandou para o Congresso.
O governo elaborou esse projeto de lei com participação das polícias, do Ministério Público, Sociedade Civil, universidades, pretendia esse projeto de lei atingir toda a cadeia. Então, não só o faccionado lá na ponta, a lavagem de dinheiro da carbono oculto, mas também crime de colarinho branco. E aí, nisso ia entrar desvio de emenda PIX, fraude financeira, lavagem de dinheiro. Tudo isso é crime organizado. E aí, o que o Congresso fez?
retirou tudo que se referia a crimes financeiros, amiga. Então, o texto final, que foi sancionado agora em março, foca exclusivamente em organizações que usam violência. Mas quem financia, quem lava o dinheiro, quem está corrompendo o sistema por dentro, ficou de fora. E assim?
Isso é ingênuo de acreditar que quem está lucrando com o crime é o cara lá na favela. Não é o cara que está aqui. A gente fala Faria Lima, está dentro do mercado financeiro. Então, o que a lei conseguiu mudar estruturalmente foi que agora esse crime de domínio social estruturado é um crime autônomo, esse controle territorial que as milícias fazem muito bem, o PCC faz muito bem.
E isso consegue ampliar um pouco a investigação. Vai ter interceptação mais longa, infiltração de agente, uma colaboração premiada um pouco mais aprimorada, mas não resolveu o problema. Então, assim, querem transformar em terroristas, mas não querem investigar quem financia e quem lucra, que é, no final, quem permite que eles existam.
O governo Lula está lançando hoje, terça-feira, dia 12 de maio, esse programa federal contra o crime organizado, justamente para investir 11 bilhões de reais.
contra o crime organizado, mas na asfixia financeira dessas organizações criminosas. E também em mais controle dos presídios, porque a gente sabe que muitos dos comandantes, dos líderes dessas organizações criminosas estão presos e eles conseguem mandar todos os comandos de dentro dos presídios.
a ver se isso vai ter algum tipo de efeito prático, ou seja, resolver alguma coisa do crime organizado, e também efeito eleitoral, que é isso que o Lula está buscando no ano eleitoral. Ele quer colher frutos porque ele sabe que no debate de segurança pública a esquerda está em desvantagem.
Amiga, então ótimo. Acho que estava... Que cara foi essa? É que você me deu um corte, né? Você me deu uma cortada que você provavelmente vai editar, né? Óbvio. Mas aí eu fiz essa cara porque você me deu uma cortada. Então vai, vamos fingir que a gente é amiga de novo. Até quinta-feira.
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