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Como ter Criatividade na Moda quando "Tudo Já Foi Feito"? | Carol Mont Serrat | Crazy Talk Ep. 05

28 de abril de 202648min
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Como um designer de moda encontra sua criatividade em um mundo onde Shein, Zara e IA já fizeram tudo? Neste episódio do Crazy Talk, conversei com Carol Mont Serrat: designer de moda, fundadora da marca Carola e uma das vozes mais autênticas da moda autoral brasileira; sobre criatividade, direção criativa, processo artesanal e o futuro da moda.

Carol compartilha como construiu sua linguagem visual a partir de texturas e materiais não-convencionais (resina, metais, chapinha de refrigerante), por que escreve as ideias antes de desenhar, e o conselho que repete desde a faculdade: "saiba fazer tudo"; a base para que você possa criar tudo que a sua cabeça é capaz de imaginar.

Participantes neste episódio1
C

Carol Mont Serrat

ConvidadoDesigner de moda
Assuntos4
  • Moda e EstiloProcesso criativo · Identidade na moda · Desafios do fast fashion · Influência digital
  • Gestão de MateriaisUso de texturas · Resina e metais · Crochê e artesanato
  • Impacto da InfluênciaConexão com o público · Educação e compartilhamento
  • Futuro da ModaSustentabilidade na moda · Tendências e inovações
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Hoje em dia eu fico muito mais feliz em receber uma mensagem. Carol, eu fiz uma peça que você ensinou no seu perfil. Estou aqui usando. Eu já encontrei gente em festival que falou Carol, você está vendo a peça que eu fiz? Você reconhece? Eu que fiz. Eu estou até arrepiada. Eu me apaixonei pela moda pelo fazer, sabe? Eu gosto disso. Eu gosto de estar envolvida em cada parte do processo.

É o que faz parte da mágica, sabe? Então, vendo tudo isso acontecer, entendendo como ela fazia para tornar um negócio que a gente queria virar a verdade, tirar do papel, tirar da nossa cabeça, com 15 anos, falei, vó, quero uma máquina de costura. Dia das crianças.

E eu fui me apaixonando pelo processo, sabe? Por essa coisa de transformar uma coisa que era um sonho ali. E isso aí, no final do dia, com a roupa pronta. A Alice e eu começamos a produzir as peças e parece que a gente está produzindo num mundo onde já foi feito tudo. E a gente estava falando sobre como já está saturado. A Copa nem chegou ainda. E já está muito saturado, assim, sabe? A gente está criando até no terreno do crochê para a Copa no Brasil.

já foi feito tudo. E aí você fala, onde é que eu consigo chegar na minha criatividade a partir do momento que Iá já fez, Shen já fez, tudo já está ali pronto, como é que a gente vai conseguir concorrer com isso? E aí o que eu posso fazer? A única coisa que eu tenho diferente do resto do mundo é que eu sou eu.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Sejam muito bem-vindos a mais um episódio de Crazy Talk. Hoje comigo aqui, Carol Montserrat, designer de moda, com quem eu vou ter esse prazer de conversar hoje. Muito prazer, o prazer é meu de ter sido convidada para estar aqui hoje, ansiosa. Para começar, assim como quase todos os convidados, mas...

em um formato um pouco diferente, porque você, além de designer, também é influenciadora e muitas outras coisas. Mas eu queria saber um pouco, que você contasse um pouco da sua história e, por último, chegasse a uma definição.

Do que você é hoje em dia, né? Do que você se define como hoje em dia quando você vai se apresentar, seja para uma potencial colaboração ou para alguém? Eu gosto de, assim, mirar o que eu faço no meu sonho, no principal, que é levar minha moda para o mundo.

E entender que ele tem várias formas de acontecer. Então, o meu sonho é levar minha moda para o mundo. E isso pode acontecer pela internet, isso pode acontecer por peças que eu fiz, por peças que eu fiz para mim ou que eu fiz para as outras pessoas. Então, hoje eu me apresento.

principalmente como designer de moda e como influenciadora porque, assim, hoje em dia 70% do meu tempo eu gasto com isso, sabe? e além de influenciadora claro, muito voltada à moda mas mostra um pouco da minha vida mostra um pouco de beleza eu tenho a Carola, minha marca que é meu cantinho, assim

Que independente do que eu faça, eu sempre gosto de ter o meu momento artesanal, o meu momento de fazer as peças. Eu acho que me conectar com as pessoas através de peças que eu fiz, também eu quero ter sempre isso um pouquinho, sabe? Independente de onde a internet possa me levar. Eu acho que é isso. Um pouquinho dos dois. Eu vou dosando, já fui muito mais carola e muito menos encansadora. Hoje...

70%, eu acho que 70% ou 80% é influenciadora e um pouquinho de carola ali para eu não perder esse momento que eu gosto muito também.

Sim, e como que você... Era uma pergunta que eu ia fazer bem mais pra frente, mas eu acho que já vale a pena entender como que você equilibra essas coisas, né? Porque, assim como você falou, né? Eu acho que o seu principal objetivo não é a influência, mas é um meio, é um formato, e eu me identifico numa escala muito menor, porque é parte do que eu tenho feito hoje em dia, é parte do que é isso aqui, né? É a forma como eu tenho de levar uma mensagem adiante.

Como que é isso pra você no dia a dia? O quanto de peso ou de equilíbrio você consegue atingir com o que é criativo, o que é comercial, o que é influência, o que é meio que arte ou moda?

Eu acho que vale a pena eu resgatar um pouco de como isso começou, como a internet entrou nessa equação, sabe? Justamente como você falou da Bubi, eu entendi, assim, em 2022, eu tinha uma marca com a minha irmã, e eu entendi que para levar aquela moda trabalhando com uma marca online e tal, eu precisava que a minha presença pessoa física... Eu via que a minha presença pessoa física seria...

agregadora para aquilo ali, sabe? As pessoas não comprariam só a peça, elas comprariam o lifestyle que eu estivesse vendendo ali e levando isso para o pessoal. Eu acho que isso de alguma forma funcionaria, porque eu já acompanhava outras pessoas que faziam isso também, tendo marca de moda. E aí eu resolvi começar a postar no TikTok.

da Carol, não da Inchoo, que era a marca na época. E em um mês eu comecei a fazer uma peça para mim, que não tinha nada a ver com a marca. E aí aquele vídeo viralizou, o que virou a Carol hoje em dia. E as pessoas começaram a me pedir para vender aquelas peças, começaram a falar, mostra mais, mostra como faz. E eu comecei a entender que...

Eu não era obrigada a fazer peças para as outras pessoas. Eu não era obrigada a ser uma designer de moda porque eu estava desenhando, porque eu estava mandando fazer aquelas peças ou porque eu estava costurando, confeccionando de alguma forma. Eu podia ser designer de moda mostrando como eu fiz e fazendo outras pessoas fazerem também. Por exemplo, hoje em dia, a Carola é...

Ela é 100% sensacional, mas ela é 100% feita por mim. Eu já tive funcionários em outros momentos, mas hoje em dia, quem faz sou eu. Por isso que eu falo, é uma porcentagem menor, porque é uma coisa mais slow e tal. Hoje em dia, eu fico muito mais feliz.

em receber uma mensagem, Carol, eu fiz uma peça que você ensinou no seu perfil, tô aqui usando, eu já encontrei gente em festival que falou, Carol, você tá vendo a peça que eu fiz? Você reconhece? Eu que fiz, eu tô até arrepiada, eu que fiz com um tutorial seu. Cara, isso mexe muito mais comigo do que a pessoa usar a peça que eu fiz e que eu vendi pra ela, sabe? Porque, assim, a pessoa às vezes nem sabia fazer crochê e começa a fazer crochê, sabe? Eu acho que eu...

eu impacto muito mais a vida dela do que só vendendo, sabe? E eu acho que é isso. Eu passei por muitas coisas, mas eu acho que deu pra entender como eu me sinto hoje por conta dessa parte de influenciadora também. Sim. E como que você... Eu acho que é uma conversa muito presente sempre que alguém se expõe dessa forma na internet.

Tanto para o bem quanto para o mal. Eu acho. E pelo pouco que eu acompanho. Que é mais superficial. Não sei dos bastidores disso. Que é muito mais para o bem. Mas como você lida com isso. Com a magnitude que hoje em dia você tem. Dessa influência. E se você já esperava. Quando você começou lá atrás. Você é ambiciosa. Que nem eu. Que nem o Jean.

já tinha, depois que esse primeiro vídeo virou, até mesmo antes disso, quando você começou a fazer, você falou já, tipo, vou fazer isso até dar certo, ou não, então voltando para a primeira pergunta, como que você lida com essa audiência, com essa expectativa, e até mesmo a expectativa que você cria sobre si mesmo de...

estar sempre produzindo, estar sempre criando novas coisas e estando por dentro de tendências, mas também como que você lida com essa expectativa que você coloca em si mesmo, se você já pensava, já tinha em mente aonde que isso ia chegar, e provavelmente vai muito mais adiante, mas se você já envisionava que estaria aqui nesse momento.

Eu acho que é uma montanha russa de emoções, sabe? Eu cheguei num momento que eu, hoje em dia, eu só recebo o que Deus tem pra mim, sabe? E vou, sei lá, planejando ano a ano, planejando, entendendo, sabe, esses presentes da vida. Porque é engraçado, uma coisa engraçada nesse mundo é que, de nada, eu recebo uma mensagem, assim, no meu grupo das minhas assessoras.

falando de uma oportunidade que, assim, não é muito previsível, sabe? Então, eu não posso ficar esperando coisas muito específicas. Às vezes, eu tenho uma marca dos sonhos, alguma coisa assim. Mas sempre vem uma coisa que me surpreende ainda mais, sabe? Eu fico, caraca, eu não esperava por isso, mas é meu sonho, sabe? Então, eu vou, assim, só recebendo, sabe? Só entendendo que, enfim, já existe um caminho e que eu vou seguindo, fazendo minhas escolhas no meio dele.

Eu não esperava, já falei algumas vezes até no meu Instagram, não era meu sonho ser influenciadora, me expor de uma forma X ou Y, mas eu entendia como...

Até um médico, às vezes, hoje em dia, precisa ter o seu Instagram, né? Estar ali presente nas redes. Então, como é que eu vou ter uma marca? O que eu ia empreender, eu tinha certeza, sabe? Eu nunca me vi dentro de uma marca, assim, trabalhando com moda dentro de alguma marca já existente.

empreender sempre fez parte do sonho, mas como é que eu vou empreender hoje em dia se eu não estiver presente nas redes, sabe? E aí volta para aquela coisa da presença da pessoa física, que vira a presença da pessoa, da empresa, da marca. Então, assim, hoje em dia eu tenho os meus teatrais com algumas coisas da exposição, sabe? Tem certas coisas que eu não gosto de expor e eu acho que hoje, assim, como essa...

essa questão da influência digital, ela já foi muito mais vivida, já é muito mais organizada, é muito possível você mostrar o que você quer, sabe? Você não é obrigada a mostrar a sua vida toda como se entendia, sei lá, lá em 2015, que as blogueiras precisavam mostrar a vida inteira e tal. Eu não acho isso necessário. Eu vou mostrar o que eu quiser, sabe? As pessoas... Enfim, você é meu amigo, então você sabe muito mais da minha vida do que qualquer pessoa que me segue, sabe?

E independente de quanto, quão por cento você me acompanha, quão por cento aquela pessoa me acompanha. E eu acho que é isso, sabe? A gente vai dosando, principalmente porque uma coisa é expor a minha vida, outra coisa é expor a vida de outras pessoas que estão ao redor, sabe? E outra coisa também em relação à expectativa, que é em relação a resultado. Existem altos e baixos, sabe? Tem dia que...

o vídeo não vai dar em nada, eu não vou estar nem aí pra isso. E tem dia que aquele vídeo, minha vida é aquilo, sabe? Porque deu trabalho, porque eu queria muito que desse certo, mas eu já entendi que também tudo tem seu tempo, porque às vezes eu acabei de postar e aquilo ali ninguém liga. Mas passa uma semana...

E aquele conteúdo vira interessante, sabe? Ou passa... Agora na Copa, assim, um super exemplo, porque tem conteúdo meu da Copa passada que as pessoas estão curtindo, estão revisitando, porque está lá, é Copa, sabe? Ninguém sabe quando foi. E isso acontece ano a ano. Quanto mais conteúdo você tem, as pessoas vão continuar vendo os antigos, sabe? Então não tem...

Enfim, é a cabeça a gente se organizar no ego. E eu agradeço também isso que está acontecendo agora, que eu tenho 26 anos, eu tenho um pouco mais de maturidade para lidar do que se eu fosse uma influencer adolescente. Eu acho que isso mexeria muito mais comigo.

Tem dia que eu vou ver, eu vou rir, eu vou encaminhar para o meu namorado e vou falar, olha só o que essa pessoa mandou. Um cara recentemente comentou, ficou uma bosta no meu vídeo do editorial. Gente, desculpa. Eu não vou poder fazer todo mundo gostar e muito menos ele. Então, assim...

Minha vida que segue, sabe? Eu não tô aqui pra isso. E se eu fosse fazer o arroz com feijão, que talvez todo mundo gostaria, o jeans com básico, eu não ia estar aqui, sabe? Eu tô aqui porque eu faço coisas diferentes. Então quem faz coisas diferentes tem que estar pronto pra receber. E pra me chamar de cafona, não me abala muito. Uma coisa é falar, não, é homofobia, racismo, essas coisas abalam. Mas falar que eu sou cafona não vai me abalar, não. Que gesto.

E você mencionou que isso nunca foi seu sonho, né? E hoje a gente tá aqui no ateliê da sua família, da sua avó, mais precisamente. E a gente tava conversando antes de começar a gravar aqui. Foi aqui que você, acho que, meio que virou a chave, né?

até mesmo do que você conseguiria criar, né, dentro da costura, dentro da moda. Então, eu queria saber um pouco de como que foi, acho que essa influência familiar, né, que você tem, e também como foram os seus primeiros passos dentro da moda, você estudou, você se formou pra isso. Enfim, conte pra mim um pouco mais disso.

Então, eu cresci frequentando o ateliê da minha avó. Se eu não me engano, ele é de 99, eu nasci em 2000. Então, assim, cresci frequentando. E, ah, era aniversário nosso. Minha avó trazia a gente, fazia a nossa roupa. A gente escolhia junto com o IAC. É festa junina da escola. A gente ia lá no centro comprar o tecido quadriculado. Voltava para fazer com ela. E eu fui me apaixonando pelo processo, sabe? Por essa coisa de...

transformar uma coisa que era um sonho ali e sair no final do dia com a roupa pronta. E é engraçado porque quando eu cheguei na faculdade, eu vi muito o processo contrário, que eu acho que é muito mais natural. Tipo, gosto de moda, vou para a faculdade de moda. Eu me apaixonei pela moda pelo fazer, sabe? Eu gosto disso, eu gosto de estar envolvida em cada parte do processo. Eu acho...

É o que faz parte da mágica, sabe? Então, vendo tudo isso acontecer, entendendo como ela fazia para tornar um negócio que a gente queria virar a verdade, tirar do papel, tirar da nossa cabeça, eu, com 15 anos, falei, vó, quero uma máquina de costura. Dia das crianças.

Aí eu falei pra ela que eu queria ir uma máquina de costura. Ela me deu uma máquina de costura. E começou a me ensinar. Começou não. Ela já me ensinava, assim, nas minhas idas ao ateliê. Mas foi vendo que eu tinha realmente interesse em fazer. E aí eu comecei a apertar a blusa das amigas da escola. Comecei a fazer minhas coisas. Eu também sempre fui pequenininha. Então tudo fica largo. Então tudo eu tenho que mexer. Tenho que fazer bainha. E fui...

ali pelo fazer, e aí quando chegou no terceiro ano eu tinha que escolher alguma coisa para fazer, na escola eu gostava de matemática, mas assim, fazer o que com isso, sabe?

Aí eu falei, não, o que eu gosto de verdade é o que eu faço com essa máquina, sabe? O que me deixa, o que me transporta para outro mundo é mexer nessa máquina. Então, eu vou embora e, enfim, tive todo o apoio do mundo. Eu lembro até no começo da faculdade, tinha que fazer um desenho. Uma das primeiras aulas, assim, primeiro semestre. Tinha que fazer um desenho que era...

Como você se via daqui a cinco anos, quando a faculdade acabasse, eu desenhei uma foto no espelho, porque um pouco antes de entrar na faculdade, estava a formatura da escola, minha avó fez o meu vestido.

E eu, nossa, eu visitei sete vezes o ateliê, assim, para ir ajustando o vestido, fazer tudo do jeito que eu queria, do jeito que eu desenhei, e já com essa ideia de fazer moda. E aí eu fiz o contrário, eu fiz uma foto, um desenho, né, na aula, da minha avó, no espelho, e eu ajustando ela, sabe? Então, enfim, tudo isso foi se misturando, sabe? Eu fui entendendo dentro da faculdade que...

A moda tinha esse lado que eu conhecia, que era da alta costura, de roupa de festa, que é o que minha avó trabalha, mas que tinha muitas outras coisas para fazer, sabe? Tanto que nem é o caminho que eu acabei seguindo e tal. A vida inteira esteve ali do meu lado, sabe? Eu não percebia que isso estava acontecendo, mas estava, de alguma forma.

Sim, nesse processo de criação das roupas que você tem, que você já vive há muito tempo, até mesmo através da Enxiu que você já falou, e isso acho que teve moda se tornar a forma como você se expressa, de certa forma.

Como que funciona normalmente as ideias que vêm até você? Você falou já de pensar numa roupa de festa junina. Até hoje em dia, todas as coisas que você faz são extremamente criativas e que se tornam verdadeiramente moda também, porque várias pessoas replicam e fazem parecido e criam suas próprias interpretações. Como que isso começou a surgir para você? Como é que foram as primeiras vezes?

Eu acho que cada um vai ter o seu tato para isso. Então, no caso do Jean, pode ser a música e pensar em algo nesse sentido. Para mim, eu ainda estou descobrindo, mas eu acho que escrever me faz muito bem. E cada pessoa vai desenvolvendo a sua habilidade, a sua forma de se expressar. E como é que começou essa sua forma de expressar dentro desse processo familiar que você já falou sobre?

E hoje em dia, como é que é a produção para você também? Tanto dentro da Carola, quanto em peças que você faça separado para você?

Então, eu tenho até uma bolsa que eu achei muito legal, que tem muito a ver com isso, que eu comprei lá em Nova York, que está escrito assim. Eu consigo dizer mais coisas com formas e cores do que eu consigo dizer em palavras. E eu sou muito viciada, assim, na moda eu sou muito viciada em textura. Então,

Assim, é muito comum as coisas começarem pelo evento, né? Óbvio. Eu vou fazer uma coleção de Carola, agora eu estou fazendo uma coleção da Copa do Mundo. Vai começar baseado em Copa. Então, minimamente vai ter as cores do Brasil, alguma referência, entender em que época do ano isso vai estar acontecendo e tudo mais. Mas eu gosto de textura e eu acho que quando a gente...

textura já é uma informação de moda muito interessante sabe, tanto que o trabalho é super artesanal na Carola e ele foge muito do material convencional eu acho que ele já vira o assunto o assunto daquelas peças já vira aquilo, e eu começo a me desafiar o que que eu consigo fazer com aquele material e eu começo a me desafiar

Meu processo é muito esse. Não sou de desenhar, não sou de nada. É muito mais fácil eu ter uma ideia e sair escrevendo essa ideia, descrevendo a roupa do que eu sair desenhando. Eu até peço para o chat de EPT, olha só, eu queria fazer isso, como é que vai ficar? Desenhar não é comigo. Mas eu começo muito...

Daí, sabe? E eu amo experimentar no corpo. Amo, amo, amo. Eu acho fundamental. Então, eu comecei a me usar muito de modelo nas coisas da Carola. Muito por isso também. Porque além de casar ocasiões que eu já tenho como forma de expor, usarmos isso comigo para o festival, fazerem as pessoas verem aquelas peças e quererem comprar, vendo numa pessoa de verdade.

Cara, eu até fiz um projeto na faculdade sobre isso. Sobre você experimentar. Acho que quando você experimenta, você entende o que é vestível, sabe? O que a gente consegue fazer com essa tela em branco, que não é tão em branco que é o corpo. Não é só um plano, né? A gente tem os volumes, o que vai valorizar isso, o que...

Sabe, o que eu consigo fazer juntando os materiais que eu quero trazer o mais diferente possível da resina, da chapinha de refrigerante. O que eu consegui levar ali. Eu acho que tudo dá pra vestir. Meu sonho, por exemplo. Um sonho, ó, Fini. Recontrada. Fazer... Pior que você roubou, me pergunta o que ia fazer ainda. Não, tenho vários. Relaxa. Mas assim, Fini me chamava pra fazer uma roupa de Fini. Um top de Fini.

Gente, eu tenho falta disso. Vai ser a primeira pública. Eu tenho falta disso pra tanta marca, pra tanta marca. Então, assim, eu gosto de começar pela textura. Tenho muito isso em mim. E gosto também de começar pela ocasião. Acho que a gente começa e vai experimentando e coloca no corpo e olha no espelho. Nesse projeto que eu falei, eu peguei o meu espelho, peguei uma canetinha, enfim, um negócio preto pra desenhar.

E comecei a desenhar umas formas de uma dobradura que eu fiz. Desenhar no espelho. Aí depois eu peguei o espelho e eu ia colocando... Eu ia mexendo o corpo no espelho para poder chegar em resultados diferentes, sabe? Enfim, a criação é infinita, né? Eu virava o espelho de cabeça para baixo, de lado, ia tirando foto e daí eu desenhei a coleção. Foi muito legal, muito legal. Então, assim, é infinito. É o que eu gosto de fazer, então.

Se torna mais fácil, né? Se torna mais natural. E dentro de todas essas peças que você pensou e que você fez, qual que você julgaria ser a mais importante pra você, né? Não necessariamente mais bonita, mas sim, que foi mais relevante pra sua criação e qual foi a mais não convencional, né? Que você, tipo, cara, isso é muito doido, isso que eu tô fazendo.

Cara, esse primeiro que viralizou, né? Que foi um vestido que eu nem usei, inclusive. Eu usei para tirar foto, mas eu não usei no festival. Era para o Rock in Rio. Foi um vestido de espelho, meu primeiro vestido de espelho. E ele originou tanto a Carola quanto a minha entrada nesse mundo virtual aí. Então, ele é muito relevante para mim. Nem existe mais, eu desmontei. Mas, assim, as fotos estão lá, está registrado. Mas ele...

Sabe, eu olho com muito carinho. Eu olho com muito carinho pra ele. E o mais doido... Cara, eu acho que...

Nossa, tem um look todo de miçangas. Miçanga nem parece que é a coisa mais doida. Mas tem um todo de miçangas que eu fiz para um Rolapalooza. Que eu estava vendo recentemente. E eu nem sei se hoje em dia eu usaria de tão louco que era. Eu botei um macacão por baixo. Até do pé, até a mão, até o pescoço preto. Coloquei uma saia que era toda feita de miçangas. Um top todo. Eu estava com uma armadura assim, sabe? E assim eu fui.

Enfim, já fui... Coloquei coisa em resina. Que cada vez a gente vai naturalizando. Mas realmente não é uma coisa muito comum. Nossa, mas eu lembrei de outro agora. Lembrei de outro. Que também foi, assim, zero convencional. Estava tendo uma competição da Cera V. De criatividade. Que levava pra Nova York. Eu amo Nova York.

comprei milhares de sachês, milhares de sachês. Eu já achava que eu sei fazer moda qualquer coisa, dá para tirar moda de tudo. Peguei as argolinhas que eu usava, o alicate, e fiz um vestido que eles chamavam de Seradress, e fui para a final. Não ganhei, não fui para Nova York, mas eu fui para a final, e foi muito legal.

Eu lembro desse dia, eu lembro que eu acompanhei muito o seu Instagram, acho que até mandei mensagem por dia. Aí vocês ficaram acabados. Nesse dia, tipo, caralho, como assim? Como assim? Eu, esse realmente, não sei se tem como... Mas tudo tem seu momento, tudo tem seu momento. Aí, passou um tempinho, o Gianluca me chamou pra ir num show em Nova York e a gente foi. Então, assim, zero na balada, zero na balada. E uma curiosidade que eu tenho muito sobre...

Quem acaba empreendendo sozinho, nunca é sozinho, mas é muito diferente do que eu tenho, por exemplo, que são dois sócios, sempre tive pelo menos um, e sempre que a gente vai para certos eventos de empreendedorismo, de network e tudo mais, eu vejo às vezes algumas dúvidas sobre trazer um sócio ou algo desse tipo, e aí eu...

relembro de que nem todo mundo tem alguém pra compartilhar ou pra tirar dúvida ou só pra desabafar e eu queria entender pra você como é que é esse processo de empreendedorismo mais solitário, talvez nem seja tão solitário como eu imagino mas como que você

navega por todas essas novidades, principalmente no mercado tão dinâmico como que é a moda, e como que você até mesmo faz os planos para o futuro? Você falou que não planeja tanto, mas como é que você...

começa a trilhar esse caminho, tanto dentro da moda, quanto dentro da influência, sendo alguém que muito sua própria chefe, né? Porque, querendo ou não, às vezes, eu brinco muito que eu tenho que vender minhas ideias para os meus próprios sócios, né? Eles também têm que concordar, a gente tem que chegar a um denominador em comum, mas pra você, eu acho que tem muita liberdade envolvida nisso e, ao mesmo tempo, às vezes, algumas dúvidas, alguns desafios que empreender em grupo ali com mais pessoas, acabando...

Sim, sim

Cara, desafios e desafios, assim, eu já empreendi com a minha irmã, já empreendi sozinha. Eu acho que, assim, já começa pelo ponto de que compartilhar, eu compartilho com todo mundo. Estou sempre contando, me abrindo, falando como, quais são os meus planos. Até na internet mesmo, sabe, gente? Meu plano é fazer uma coleção por mês, meu plano é esse, meu plano é aquele. Mas, assim, eu sou uma menina comprometida, me considero comprometida com o trabalho, então, é...

É aquilo, né? Do empreendedor. E da influência também. Eu podia acordar e ir para a praia e nada ia acontecer. Essa é a verdade. Mas também, como nada ia acontecer, por isso que eu preciso trabalhar. E eu vou tampando me organizar, vou compartilhando contra as pessoas, com pessoas que eu gosto de ouvir, sabe? Com pessoas que podem me ajudar nesse sentido. Muitas vezes...

falho por não ter esse tipo de conversa ou falho porque eu coloquei outras coisas na frente justamente por ter esse mundo duplo aí da influência e da Carola, eu tenho no momento, tenho privilegiado a influência porque tem alguém me cobrando, tem uma marca esperando por mim

E aí a cara vai ficando ali de lado e tal. Mas hoje em dia eu entendo que o lugar dela é esse mesmo, sabe? Porque é uma coisa muito mais louca. Hoje eu estou trabalhando com peças únicas. Então, como sou só eu que confecciono as peças no momento, cada peça é única. Então, eu coloco toda a minha energia nela e ela só vai ser vendida uma vez. Então...

Não é aquela coisa que faz sentido até para a minha criatividade, para a minha cabeça, ficar ali intensamente vivendo todos os dias, acordando, dormindo e produzindo, sabe? Ela é um escape também, sabe? Então, eu estou levando muito mais nesse caminho e me...

me tranquilizando, sabe, nesse sentido, entendendo como uma segunda forma das pessoas me conhecerem, um agrega o outro, sabe, tem gente que me conhece pelo meu perfil, vai ver que eu vendo e vai para a Carola, mas tem muita gente que vem da Carola para o meu perfil, e eu acho que enquanto um alimenta o outro, está tudo bem, mas eu não posso...

Cobrar de mim o que eu já vivi em outras épocas de ficar muito na carola, de virar escrava, sabe? De uma produção manual, de uma criatividade, porque isso não me fez bem, sabe? Então hoje eu prefiro dosar com mais tranquilidade e entender que é aquilo.

eu consigo atingir muito mais gente ensinando aquela peça do que produzindo aquela peça mil vezes. Eu não vou ser capaz de produzir aquela peça mil vezes. Não é do meu...

no meu ser mesmo, esperar que eu vá fazer, mesmo com uma produção, com pessoas que trabalham antes da mim, mil daquelas não é o caso, sabe? Eu quero que aquelas peças tenham um significado diferente e estou conseguindo dosar meio que nesse sentido, sabe? Com uma cobrança mais na vida de influenciadora, com mais calma na carola e respeitando o tempo da criação. Tem uma frase que...

Não se aplica tanto, né? Mas que é trabalho porque você ama e não ama mais nada da sua vida. É muito pessimista. Mas eu acho que é muito sobre esse equilíbrio que você falou, né? Tipo, quando aquele trabalho se torna uma obrigação extrema e é o caso disso aqui, sabe? Eu criei o Crazy Club muito pra ter essas conversas.

eu comecei a publicar conteúdo pra também poder abrir portas pro nosso negócio, abrir portas pra mim como pessoa física, e eu acho que é exatamente esse equilíbrio, de certa forma, às vezes um equilíbrio desequilibrado como você falou, né, de tipo 70, 30 80, 20 e a gente acaba

atendendo muito mais o que é uma cobrança externa do que é uma cobrança interna, mas isso é muito positivo. A gente vive... Se tem uma época na história da humanidade que permite isso, é hoje em dia, né? Da gente poder ter mais do que uma profissão, entre aspas, mais do que uma fonte de renda e acho que não entrar nessa de...

trabalhar excessivamente com o que a gente chama e continuar com que essa paixão continue sendo uma paixão, né? Óbvio que essa frase que eu falei é muito pessimista nesse sentido, mas também se torna às vezes uma realidade, né? A gente se forçar tanto a se tornar tão escravo daquilo como você falou, que perde um pouco do encanto e perde a liberdade criativa que a gente tinha no início, né? Então acho que faz...

Faz todo sentido com a realidade que hoje em dia a gente tem, com as possibilidades que a internet, que o mundo moderno nos propõe e nos proporciona. Então essa sua forma muito autoral de se comunicar e de criar.

as coisas acabam se alinhando com o que até mesmo comercialmente passa a ter sucesso num mundo onde todo mundo pode fazer qualquer coisa principalmente qualquer marca a gente fala muito sobre como tecnicamente hoje quase tudo é comodizado se você não consegue fazer você transforma em white label se você não tem white label você procura um fornecedor na China e assim por diante eu acho que na moda não seria diferente Música

E eu queria entender para você, principalmente vendo que você encontrou uma forma de se expressar que também é comercialmente interessante, como você vê hoje em dia esse mercado tão plural da moda com um milhão de tendências? E se você vê que esse é de fato o caminho que você quer sempre seguir ou se você planeja em algum momento...

Tirar um pouco da atenção da influenciadora mais para isso, para que você, ainda que seja artesanal, ainda que seja só você fazendo, você ganhe ainda mais escala. E além do seu caso, como você vê...

O mundo da moda como um todo hoje em dia, com esse movimento que acho que está saindo um pouco mais de fast fashion para uma pegada um pouco mais artesanal, um pouco mais autoral, onde acho que a técnica voltou a importar um pouco mais, até mesmo pelas formas socialmente e ambientalmente que as peças são produzidas. Então, qual é a sua visão, tanto para o mercado quanto para você, dentro de agora e dos próximos anos?

ficar sobre o mercado, eu acho que, assim, uma coisa que eu aprendi na faculdade que, assim, acho muito importante é pra... Enfim, quando a gente levanta essas bandeiras de uma coisa mais fashion, uma coisa mais low, a gente não consegue sustentar as bilhões de pessoas do mundo só com...

nem com tecido orgânico a gente consegue, sabe? Então, a gente pode reclamar, por um lado, da poluição do poliéster nas peças e tal, tal, tal, de como isso pode ser benéfico ou maléfico para o corpo, falar de muita coisa nesse sentido, mas eu acho que tudo é um equilíbrio.

Porque esse desequilibrio aí a gente não vai ter como vestir todo mundo, sabe? Acho que isso é importante. Eu acho que a gente precisa fazer um consumo consciente até nesse sentido, sabe? De entender o valor do artesanal, entender a necessidade de em alguns momentos isso ser mesclado com uma coisa, uma escala mais industrial. Isso em relação à produção, tá? Em relação à criatividade.

Isso tem me pegado muito, assim, porque eu estava até conversando com a Alice, namorada do Lucas, que já esteve aqui, inclusive. Ela fez a mesma faculdade que eu, fez design de moda na PUC, e ela trabalha com crochê, tem uma marca de crochê. E a gente estava falando sobre como já está saturado, a Copa nem chegou ainda, e já está muito saturado, assim, desde dezembro eu recebo mensagem, em novembro eu recebo mensagem de cliente, perguntando...

você já tem coisa para a Copa. Então, no TikTok Shop, já tem coisa para vender há muito tempo e a gente já está até cansada de Copa antes de ela ter acontecido, sabe? No quesito moda da Copa. E assim, a gente está em abril, a Copa nem aconteceu ainda, as coisas estão em uma proporção tão grande e também voltada à moda, que, assim, por conta dessa escala, dessa...

dessa parte industrial, que acaba pegando o preço do artesanal, porque as... Assim, a Alice e eu começamos a produzir as peças e parece que a gente está produzindo num mundo onde já foi feito tudo, sabe? A gente está criando, até no terreno do crochê para a Copa, no Brasil, já foi feito tudo. E outra coisa que eu estava falando com ela é que eu entro no meu Pinterest, tem um bando de referência de IA.

De crochê para a Copa. Eu vejo que ninguém nem fez aquilo. São umas peças voando tal que você claramente percebe que é IA. E aí você fala, onde é que eu consigo chegar na minha criatividade a partir do momento que IA já fez, Shen já fez, tudo já está ali pronto. Como é que a gente vai conseguir concorrer com isso financeiramente também? Porque eu vou vender uma peça que eu fiquei oito horas fazendo. Como é que eu vou concorrer esse meu tempo?

Com o tempo de uma máquina que fez há mó tempão na China, que está vendendo a R$39,90 no TikTok Shop, sabe? É muito difícil, mas a conclusão que a gente chegou sobre isso tudo é que, assim, o que a gente pode fazer é...

ter uma identidade na nossa marca e respeitar aquela identidade. Por exemplo, ela quis seguir para um lado de peças mais lisas, que a pessoa possa ter uma peça com uma vida útil maior. Então, ao invés de fazer o verde, amarelo e azul, vai fazer as peças todas verdes, todas amarelas, todas azuis. Isso é uma coisa que ela carrega na identidade da marca dela, a longevidade das peças. Eu já passei, já para adicionar a Carola ali nesse...

Nessa equação, eu faço peças que misturam materiais, que já é mais difícil de encontrar também. Então, misturo materiais ali, referências, meio festival, meio festa, que é o que eu gosto de trabalhar, menos casual. E a gente vai tentando jogar a nossa identidade e competir ali no meio.

para competir eu tenho que ser única, sabe? Eu vou meio que seguindo esse caminho e aproveito, claro, para desenvolver as peças gravando, para poder ensinar outras pessoas a fazerem, as pessoas seguirem também essa linha de pensamento de fazer diferente, sabe? Que é outra coisa que a faculdade me ensinou, assim, sabe? Porque...

A moda não é obrigatório você fazer faculdade, né? Então, eu acho que um diferencial que o curso, assim, agregou foi esse pensamento de, cara, como eu vou fazer diferente de tudo que já tem, sabe? Porque, para repetir, hoje em dia tem A, tem máquina, tem, né, uma...

sequência dos maquinários que vai reproduzir com facilidade, mas a gente não está aqui para reproduzir. E como eu tenho ainda esses dois trabalhos, eu não posso gastar o meu tempo reproduzindo o que eu estou vendo aos montes. Então hoje o desafio é meio que esse, eu consegui fazer uma coisa diferente.

E aí o que eu posso fazer? A única coisa que eu tenho diferente do resto do mundo é que eu sou eu. Sabe? Meio que nesse caminho. Então como eu sou eu, eu vou fazer uma coisa que me represente, uma coisa que é o que eu acredito, é misturar material. Sabe? É isso. E são duas coisas muito presentes.

muito louco como um mercado tão diferente, porque a gente trabalha com comunicação, a gente trabalha com tendência, a gente trabalha com moda, de certa forma, não dentro do fashion só, mas a gente trabalha muito com B2B, com empresas de comunicação, com produtoras audiovisuais, com empresas de tecnologia, e uma das principais coisas que a gente fala sobre

que eu falo sobre principalmente, é muita gente vai conseguir copiar o que você faz, muita gente vai conseguir copiar como você faz, mas quase ninguém vai conseguir copiar o porquê você faz, quem você é, principalmente a longo prazo, porque beleza, viu que você fez de uma forma e aí copiou, viu que você fez dessa mesma forma de novo e copiou de novo, só que é muito difícil fazer isso por um ano, dois anos, então eu acho que essa identidade, apesar de ser uma visão um pouco romântica, a gente precisa desse romantismo no mundo moderno, porque senão...

Como você falou, tecnicamente hoje tudo é muito acessível, principalmente para grandes marcas, em termos de informação e de conteúdo também. Então é muito importante, eu acho, que a gente se manter fiel a essa nossa identidade, ao mesmo tempo não tentar só replicar o que viu. E isso dá para ver muito, porque você não faz isso de ontem, faz muito tempo e mantém uma certa originalidade. E a segunda coisa é essa...

antecipação dos eventos e que acaba perdendo quase a relevância dele, no final vai ser só futebol você volta pra pensar em outras copas em outros eventos, até mesmo talvez na na Olimpíada

Enfim, em qualquer coisa, a gente transformou o conteúdo em algo tão em massa que você fala sobre o assunto antes, você prevê o assunto antes, você faz a análise do assunto antes. Nesse caso, você faz produto do assunto antes e na hora lá, meio que não sobrou quase nada. Você já sofreu tanto ou já viveu e tudo mais que...

acaba que a essência daquilo, a realidade, né, em si, já foi vivida, de certa forma. Ela já foi diluída durante meses e mais meses. Uma coisa que eu falei para as meninas conversando sobre isso, eu falei a nossa parte a gente está fazendo. Agora deixa os jogadores, esperamos que eles façam a parte deles, porque a nossa a gente já está fazendo há muito tempo.

Pois é. Então é um mundo um pouco, muito novo pra gente, né? Tipo, pra todo mundo que tá vivendo, porque a inovação tem uma certa curva exponencial, assim, que as coisas, beleza, demoravam 100 anos pra acontecer antes, agora passaram a demorar 50, 20, agora parece que em um ano o mundo inteiro muda, né?

Então, eu acho que antes de ir para um momento Marília Gabriela que eu sempre faço aqui, eu queria que você deixasse uma mensagem ou então um conselho para quem está se aventurando, tanto no mundo da moda quanto no mundo da influência.

visto que são tempos tão imprevisíveis, né? Você mesmo falou que não gosta de fazer planos, acho que também por isso, né? Porque tudo pode mudar tão rápido, as oportunidades que aparecem são tão distintas, né? E qual que é o conselho que você deixa para quem está começando, o conselho que você deixa para quem pensa em começar, seja dentro da moda, seja dentro de outro ambiente, outro segmento?

Tá, é até interessante falar sobre isso aqui nesse cenário, porque tem muito a ver com o que eu penso. É o seguinte, quando a minha avó criou esse ateliê, tudo começou porque ela queria um salão de beleza. E ela falou, ah, estou pensando em criar um salão de beleza. E minha avó falou para ela, você sabe fazer um escovo? Você sabe fazer uma unha?

Ela falou, não. Ele falou, então você não vai abrir um salão, porque um dia o seu funcionário não vai estar lá, um dia você vai ter que consertar alguma coisa, o seu cliente vai chegar com alguma questão e você vai ter que resolver. Então, assim, eu acho que isso lustra muito o que eu acho sobre a moda e o que eu repetia muito na faculdade, que é o seguinte, saiba fazer Música

pra você estar ali inserido, independente do que você quiser fazer na moda, independente do que você quiser fazer na influência, você vai ter que saber editar, você vai ter que saber gravar, você vai ter que mexer na iluminação, você vai ter que estar com tudo pronto pra que você consiga resolver, e na moda principalmente, porque na faculdade a gente chegou assim, gente sabendo costurar, a gente, cada um com suas habilidades ou não, e assim,

o que eu consigo fazer o que eu consigo entregar depende muito das minhas habilidades até pra

pedir para alguém fazer para mim. Então, assim, eu tenho certeza que o mais longe que eu consigo levar das minhas peças tem muito a ver com a minha experimentação, sabe? Eu não posso pedir para alguém fazer uma coisa se eu não tenho noção que aquilo ali é viável, sabe? Então, aprenda a fazer, saiba fazer de tudo para você estar em qualquer...

Qualquer envolvimento você precisa saber fazer tudo para poder comandar e para poder cobrar de alguém e para poder estar ali quando um problema acontecer. Exato. E as coisas são cada vez mais, acho que, transdisciplinares. Então você precisa ter essa bagagem, essa experiência, porque se tudo é resolvido por IA, se tudo é resolvido por uma...

de forma terceirizada, a gente dificilmente sabe delegar. Isso acontece direto no escritório, porque eu e o Jean já fomos uma equipe de só dois. Então, a gente sabe fazer muitas das coisas que a gente precisa delegar e precisa passar adiante. Então, muitas vezes a pessoa está procurando lá há mó tempão e a gente encurtou esse caminho. Eu acho que até uma coisa que a gente evita fazer com muita frequência, tipo...

Dar a resposta já pronta e tudo mais, porque cada vez mais eu acho que a tendência é que a gente perca essa... Se a gente deixar isso se levar, né? Isso se perpetuar, saber fazer as coisas em si, né? E óbvio que tem um lado da conveniência, mas também tem um lado, que nem você falou, da própria criatividade, né? A criatividade vai sair muito dessa... Às vezes uma limitação de recurso, que nem você falou que gosta de trabalhar a partir de um certo padrão, um certo tecido, um certo material.

Então, é um excelente conselho pra todo mundo. Eu acho que eu nem conectei tudo, que agora eu tô refletindo, mas quando teve essa conversa entre os meus avós, ele falou Lisete, você aprendeu a costurar quando você era criança, você tem que ter um ateliê. E, assim...

vivendo aqui na rotina do ateliê, eu vejo quantas vezes a minha avó tem que sentar e resolver a questão da cliente, sentar na máquina e resolver a questão da cliente ela mesma, sabe? Mesmo tendo mais de 20 anos de ateliê, porque no final é sobre isso, sabe? E ela também vai poder conversar com uma cliente e...

Entender a solução que ela pode dar a partir desse conhecimento, sabe? Se você não tiver conhecimento, como é que você vai conversar com o seu cliente e dizer qual solução você pode dar a ele, sabe? Eu acho que é o mínimo. E até propriedade, né? Até mesmo. Você falou muito sobre faculdade, sobre uma educação formal que, mais uma vez, é outro assunto que...

muitas vezes é banalizado, sendo que você não está lá só para, ah, porque eu não vou saber, não é tão prático assim, apesar da faculdade de moda ser uma faculdade que tem muita orientação prática, e você aprende realmente a fazer, banalizou-se o lado acadêmico das coisas, que muitas vezes é onde a gente aprende na prática ou na teoria.

E tudo, mais uma vez, o atalho, como que a gente consegue encurtar isso, como é que a gente consegue otimizar. Então é muito válido e muito proveitoso para o mundo como um todo, não só dentro da moda, como você falou, as pessoas saberem fazer, elas experienciarem, elas viverem aquilo e viver dentro do seu tempo, da medida que as coisas se passem, sem tentar muito pular etapas. Isso aí.

Então, por último, para a gente encerrar esse papo, eu tenho algumas perguntas mais rápidas para se fazer. E você pode responder elas de forma mais sucinta ou elaborar um pouco mais se você quiser. Uma palavra ou expressão que define seu momento atual. Meio clichê, mas gratidão. Uma coleção ou peça de moda que seja a primeira que vem na sua cabeça.

As peças do Paco Rabanne que são muito inspiração para a Carola de metais e espelhos. Um filme, série, livro ou conteúdo que todo mundo precisa assistir? 18 presentes. Mas é para chorar. Se quiser chorar, é minha recomendação. Agora você antecipou, mas como você falou que tem várias, tem mais uma que você pode falar.

Uma marca que um dia você quer fazer uma collab com, seja de conteúdo ou seja de produto, realmente. Chutes. Pelo coração. Mas, assim, eu falei da Pini, realmente. Marcas que me dão um material diferente para trabalhar fisicamente tem meu coração também.

Perfeito. Normalmente faço duas perguntas. Uma dela é um conselho. Você já pode dar. Mas para encerrar, então, um sonho seu. Que você ainda quer realizar. Fashion Weeks internacionais. Participando ou vendo? Ou os dois? Ai, meu Deus. Vamos começar vendo, depois participando. Socorro. É, às vezes uma collab participando. Que justiça. Sonho. Mais aquilo.

Eu vou aceitando, vou entendendo o meu caminho e está tudo bem. Vou chegar lá. Obrigado, Carol, mesmo pelo seu tempo, pela sua atenção, pelo seu trabalho, acima de tudo, porque acho que ele não é só o... Como a gente conversou aqui durante quase uma hora, ele não é só o trabalho físico, ele não é só o empenho, mas ele também é o impacto que você tem nas pessoas, ele é a criatividade que você transparece, seja no seu conteúdo, seja nos seus produtos.

Eu acho que não à toa esse podcast existe realmente para levar essa mensagem que loucos como eu e você acreditam que faça sentido para um mundo diferente. Obrigada. É isso. Faço dois seus palavras às minhas. Valeu, produção.

Como ter Criatividade na Moda quando "Tudo Já Foi Feito"? | Carol Mont Serrat | Crazy Talk Ep. 05 | Castnews Index — Castnews Index