Episódios de Colo de Longe

Adoção no Exterior: Maternidade pelo Foster Care

06 de maio de 20261h19min
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No episódio de hoje, eu converso com a Cristiane Domingos — a Cris. Nascida em Campinas, formada em turismo e pós-graduada em eventos, ela construiu sua vida atravessando diferentes caminhos até se estabelecer nos Estados Unidos. Já foi au pair, morou em diferentes estados, trabalhou em navio… e foi no meio dessa trajetória que a maternidade encontrou um novo significado.

Casada com o Andrew há quase 9 anos, Cris se tornou mãe da Maeve, hoje com 5 anos, através do sistema de foster care — um caminho pouco falado, cheio de camadas, incertezas e, ao mesmo tempo, profundamente transformador.

Diferente do que muitos imaginam, o foster care tem como principal objetivo a reunificação familiar. E é nesse contexto que a maternidade da Cris começa: acolhendo, cuidando e criando vínculo com uma criança sem a garantia de que ela ficaria. Um processo que exige entrega, presença e uma capacidade enorme de amar… mesmo sem controle da história.
Falamos sobre como funciona o sistema nos Estados Unidos, os desafios emocionais de viver entre o temporário e o permanente, o impacto de maternar sem rede de apoio e o que significa construir um vínculo que nasce no cuidado diário.

Esse não é só um episódio sobre adoção.
É sobre o amor que se constrói no caminho.

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 A gente se encontra no próximo episódio.

Um beijo,
Giovanna

Assuntos6
  • Paternidade e MaternidadeSistema de Foster Care nos EUA · Objetivo de reunificação familiar · Desafios emocionais do acolhimento · Impacto de maternar sem rede de apoio · Construção de vínculo no cuidado diário · Processo de adoção a partir do Foster Care · Diferenças entre Foster Care e adoção direta · Crianças com trauma e neurodivergentes · Visitas com a mãe biológica · Adoção tardia
  • O processo de se tornar mãe pelo Foster CareTreinamento e certificação para Foster Care · Investigação de background e casa · Acolhimento de recém-nascidos e prematuros · Desafios de lidar com crianças com trauma · Apoio de grupos de suporte e terapia · Adoção oficial da filha Maeve
  • Trajetória de Cris nos EUAExperiência como Au Pair · Trabalho em cruzeiros de luxo · Problemas de saúde e cirurgias · Mudança para os Estados Unidos · Casamento com Andrew · Síndrome do pânico e ansiedade · Pandemia e compra de casa
  • Rede de Apoio na MaternidadeIsolamento em cidade pequena · Falta de suporte familiar e de amigos · Dificuldades com a língua e cultura · Impacto na saúde mental · Lidar com críticas e julgamentos externos
  • Adoção no Brasil vs. Foster Care nos EUAProcesso de adoção no Brasil · Adoção através de programa da Igreja Católica · Custo da adoção internacional · Foster Care sem custo financeiro · Crianças com trauma em adoções internacionais
  • Aspectos emocionais da maternidade adotivaSentimento de maternidade na adoção · Conexão com a criança adotada · Lidar com a incerteza e o medo · Impacto do trauma infantil na criança e nos pais · A importância da terapia parental · Superando críticas e julgamentos
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Bem-vindas ao Colo de Longe, o podcast que fala sobre desafios, as vitórias, os perrengues e as trocas de quem é mãe fora do Brasil. Eu sou a Giovana Borges e a cada episódio nós vamos conversar e conhecer histórias reais de mães brasileiras espalhadas pelo mundo.

Quem disse que rede de apoio precisa estar perto? Aqui, o colo chega, mesmo de longe. Se você também é mãe, está grávida ou se aventura na maternidade fora do Brasil, este é seu lugar. Vamos juntas nessa jornada de acolhimento, conexão e muito mais.

Às vezes, a maternidade não começa com uma gravidez, começa com uma decisão, com um chamado, com um caminho que ninguém te ensinou a percorrer. No episódio de hoje, eu converso com a Cris Domingos, nascida em Campinas, e que construiu uma vida atravessando diferentes lugares do mundo até se estabelecer nos Estados Unidos. Depois de experiências como au pair, temporadas em diferentes estados e até uma passagem por navio, foi lá fora que a vida dela tomou um rumo que ninguém imaginava, se tornar mãe por meio do sistema de foster care.

A Cris é casada com Angel, há quase 9 anos, e é mãe da Maeve, de 5 anos, filha que chegou primeiro como acolhimento e depois se tornou oficialmente parte da família. Hoje, a nossa conversa vai passar por um tema que ainda é pouco falado, o processo de adoção a partir do foster care nos Estados Unidos e o que significa maternar dentro de um sistema cheio de incertezas.

Vamos falar sobre espera, sobre vínculo, sobre medo, sobre amor que cresce no meio do desconhecido e sobre como é viver tudo isso longe da família, sem rede de apoio. Cris, seja muito bem-vinda. Obrigada, Giovana. Obrigada por me receber e me dar a oportunidade de dividir essa história, que eu acho que pode ajudar, trazer o conhecimento ou até ajudar quem está aí querendo ou almejando uma adoção através do sistema Foster.

Eu tô muito animada porque, enfim, quem acompanha aqui o podcast sabe que a maioria das mães tem uma trajetória muito comum, né? Assim, tive meu filho no Brasil e mudei, idades diferentes, ou mudei e depois tive meu filho fora. E o seu, assim, é completamente fora do que eu já entrevistei. Então, tô muito animada porque acho que realmente vai ajudar muitas mães até pra trazer o conhecimento.

desse processo que é muito nebuloso. Se você não vai atrás para efetivamente saber, é muito por cima que a gente tem as informações. Mas antes da gente entrar no foster care e no processo, eu queria que você me contasse um pouquinho da Cris, quem é você, como que foi a sua chegada nos Estados Unidos, você é de Campinas, mas enfim, já passou por vários estados também. Me conta como foi esse caminho até você estar aí hoje.

nasci e cresci em Campinas, no decorrer aí, acho que a minha primeira viagem, foi quando eu vi Céu Pé, que eu vim com o foco de aprender inglês em 2005. Eu passei dois anos, mas naquela época eu já tinha graduado, pós-graduado, sou formada pela PUC em Turismo, pós-graduada em Administração e Organização de Eventos pelo SENAC.

e me faltava na área de turismo, fundamental falar o inglês, e isso pegou muito toda a minha formação, eu não tinha conhecimento nada de inglês.

E não foi uma boa experiência ver o au pair, como muitas das meninas já têm a dificuldade do au pair, que não é visto exatamente como o programa oferece, e o empecilho do meu inglês. Então foi bem difícil, eu fiz rematch duas vezes, que é trocar de família, né? E eu acho que o principal, o que pegou, foi a falta do inglês na época, né? Porque eu acho que se você passa por situações de dificuldade, tendo o inglês,

você consegue passar por isso, né? Então, já foi um baque para mim essa experiência. E eu cuidei de uma criança típica, sem saber que ela era típica. E fui aprendendo conforme eu fui cuidando. O menino que eu cuidava, eu passei a maior parte do tempo, foram dois meninos, e um deles tinha um ADADD, que é o TDAH, né?

Então foi a primeira vez que eu ouvi falar disso na minha vida. Eu nunca tinha ouvido falar ou presenciado alguma criança com isso. Aí voltei para o Brasil com o objetivo de retornar à minha profissão. E fiquei mais ou menos uns 10 anos.

E aí com o tempo eu fui ficando insatisfeita, porque meio que naquela época era um modismo fazer turismo, né? A gente não colocava muito na balança, eu não tinha uma expectativa assim. Tem gente que já, ah, eu quero encontrar uma pessoa, casar, ter filhos, eu não tinha muito essa expectativa. E não pensei em algum momento que turismo ia ser difícil levar com uma vida de casada.

Mas trabalhei por alguns anos e aí eu comecei a ficar insatisfeita com aquilo. Eu estava percebendo que eu queria algo mais.

Ainda trabalhando, morei em São Paulo para tentar alguma coisa diferente, não deu certo. Fui fazer um mochilão na Europa sozinha. Aí foi minha segunda experiência internacional. Então, passei um mês visitando três países e completamente sozinha. Fui até sem internet, não tinha nem telefone funcionando, era Wi-Fi e sozinha.

E foi uma ótima experiência. E eu acho que isso acendeu uma chama, assim, de querer ir para fora, assim. Eu consigo fazer. É isso que eu quero. Eu não estava muito conformada depois que eu voltei para o Brasil. E eu acho que sempre tinha aquela chama de que ali não era mais o meu lugar. Acho que muita gente sente assim, né? Quando mora fora, se sente meio perdido quando volta para o Brasil.

E depois desse mochilão, aí eu tomei a iniciativa de fazer o cruzeiro, em função de conhecer uma pessoa na área de eventos, trabalhou comigo, e ela contou, relatou a experiência dela de ter trabalhado em cruzeiros de luxo por muito tempo. E ela me encantou, assim, com a experiência. Como eu trabalhei em várias áreas de turismo, eu queria ir para experimentar se eu dava conta do recado, mas também com o objetivo de aprender alguma coisa a mais na minha área de turismo. E aí

Falei, quase ninguém que eu conheço tem essa experiência, eu quero provar disso. E fui, fiz, morei oito meses a bordo. A empresa que eu trabalhei já não existe mais, faliu nos últimos anos. Mas foi uma experiência incrível. Eu embarquei na Europa, fiz toda a Sul da Europa.

A estação sul da Europa, fui para o Brasil, desembarquei na Europa. Só que nesse meio tempo eu tinha uma deficiência, não exatamente uma deficiência, mas uma alimentação ortopédica que já estava me dando uns alertas, uns probleminhas no decorrer da minha vida. E aí, despengou no navio. Então, eu praticamente saí do navio, consegui concluir o meu contrato, mas eu praticamente saí sem andar.

O que eu não esperava, que eu achava que era uma inflamação, de esforço físico, porque realmente é muito esforço físico no navio. Eu fui surpreendida quando eu procurei um médico, que eu já havia trabalhado com especialistas de ortopedia. Encontrei um grande profissional em Campinas, que me recomendou a pessoa específica para o meu caso, e ela falou assim, isso requer uma cirurgia de risco.

porque o seu caso é bem delicado, a gente não tem garantia de que você vai andar mais.

Ou, se você conseguir, essa cirurgia vai durar 10 anos. Isso me chocou, porque quando você está ali naquele auge, desafiando, descobrindo novas coisas, e de repente você se depara, não vou andar mais, como assim? Então, foi um baco todo esse processo. Aí eu fiquei em um período de um ano, fiz duas cirurgias, basicamente de cama.

já na casa dos meus pais. E todo o dinheiro praticamente que eu tinha feito no navio, eu gastei porque foi tudo particular. Eu já não estava trabalhando, então foi todo o tratamento, todas as cirurgias para fisioterapia, hidroginástica, tudo particular.

Quando eu estava prestes para receber minha alta, definitivamente, ela falou, agora você tem todos os cuidados, eu não tenho equilíbrio, então, dependendo do que eu vou fazer, eu não tenho equilíbrio, eu não posso forçar mais o meu pé. Naquela época, eu nem andava direito, eu andava meio mancando ainda. E ela falou, você já está com alta, você pode voltar.

No Brasil, eu poderia aposentar e conseguir qualquer trabalho com aquelas vagas especiais. Isso o Brasil concede. A medicina do Brasil é muito mais avançada em qualquer outro lugar, né? Aqui onde eu moro hoje, na América, isso não, não existe. Então, não existe, não é visto como uma deficiência o que eu tenho. Porém, eu não tenho certos movimentos no pé. Meu pé praticamente move.

por cima e por baixo, não faz os movimentos laterais, não tem equilíbrio. E não sei o que me passou na minha cabeça. Eu tinha amigos do navio que vieram, eles sempre me perguntavam você morou na América, você fez au pair na América, e eu nunca demonstrava interesse em voltar. Sim, me sentia perdida no Brasil, mas não pensava em voltar.

E não sei que cargas d'água que passou na minha cabeça, conversando com uma amiga na época que eu estava em recuperação, ela falou, olha, eu estou aqui em Boston, morando num lugar e tal, e você não quer vir? Aí eu falei, mas o que eu vou fazer? Ela falou, de repente você aplica para estudante, foi esse o meu...

meu flash principal. Ela falou, olha, eu tô no lugar. Então ela me deu toda a estrutura, porque ela tava aqui já, e já tinha outras pessoas também que eu conhecia. Então, vim, né, naquela esperança, ah, não tô sozinha. Mas aqui, quando você chega, dessa forma que eu vim da segunda vez, o Bach é muito diferente, porque as pessoas estão aqui sobrevivendo.

Então, é diferente quando você está num lugar que você pode contar com as pessoas, que é fácil, todo mundo te dá uma mão, te ajuda. Não, é que se sente meio perdido, né? Então, foi um BAC, eu apliquei para estudante, já é uma idade mais avançada, né? E não fui negado, mas eles ficavam me pedindo para provar evidência, né? Prova de evidência, alguma coisa assim que eles usam, e isso foi três vezes.

Mas nesse processo todo, logo que eu cheguei, em um mês eu conheci o meu esposo. Então, em um mês e pouquinho a gente já estava namorando e ele acompanhou todo esse meu processo de aplicação de troca de visto, né? E aí foi que eles ficaram pedindo evidência, evidência, e eu falei assim, agora deu, não sei se eles vão me pedir mais evidência ou se eles vão me recusar e eu vou voltar para o Brasil, porque eu não vou ficar aqui ilegal, eu quero ir embora.

Aí, em seis meses, ele me pediu o inoivado. E aí, com nove meses, eu estava me mudando para o apartamento dele, que é em outro estado. A gente se conheceu online e ele morava em outro estado, no estado vizinho. E aí, um mês antes de casar, já estava morando com ele e a gente casou em um ano. Então, foi muito rápido todo o processo que aconteceu.

E a princípio, ele não podia ter filhos, porque ele já era operado, ele já tinha tido uma relação há 16 anos atrás, os filhos adultos já, e ele não pensava em ter filhos de novo.

E eu falei para ele que eu gostaria de adotar. Sempre, sempre. Quem me acompanha, assim, da época da infância e adolescência, é algo que eu sempre falei que eu gostaria de fazer. Adotar uma criança. E não sabia como, como a gente ia fazer. E nós ficamos casadas dois anos. Foi uma mudança muito brusca na minha vida, porque eu morava em Campinas, uma das cidades maiores do Brasil.

E aí, estava em Boston, uma cidade grande, e vim morar num lugar em Rhode Island, uma cidade meio estilo fazenda, que não dava nem para caminhar fora da minha casa, eu ainda não tinha documentos para dirigir, eu estava no processo do meu green card.

não podia trabalhar, não podia sair de casa, não tinha nenhum conhecido, amigo, família, nada. Queria fazer uma caminhada em volta, era muito animal selvagem, porque era tipo fazenda mesmo, cheia de animais. E aí começou a me dar uma síndrome de pânico nessa época.

e ansiedade, coisas que eu nunca tinha tido na minha vida. Me deparei, não entendi o que era que estava acontecendo comigo, me senti umas agonias, eu falava assim, aqui a gente mora perto do mar, eu falava, me leva para ver o mar, porque eu sentia saudade do mar, para acalmar. Foram dois anos de muitas coisas acontecendo, e, enfim, consegui um trabalho, trabalhei em um hotel, trabalhei dois anos e meio.

Só que aí eu fui fazer um subemprego no trabalho, né? Eu fui trabalhar como se fosse meu estágio lá da faculdade, eu fui ser recepcionista de hotel.

E como todo mundo sabe, é muito estresse, é muito puxado, ainda mais você não dominando 100% a sua língua, a cultura de um ambiente de trabalho, que para mim foi a primeira vez realmente trabalhando. Então, foi muito estressante, muito estressante. E não estava afetando, de certa forma, a nossa relação, porque sábado, domingo, feriado, é isso que é o turismo.

trabalhar para os outros curtirem, né? Então, não estava rolando. E aí ele falou, olha, se você quiser, você não precisa trabalhar. E calhou da gente comprar nossa casa, mudar do outro lado do estado.

E logo começou a pandemia, né? Nesse processo da pandemia, eu já estou sem trabalhar, fazia um tempinho aí, com todo esse processo da compra da nossa casa. E aí, acho que bateu, assim, quando deu quatro anos e pouco de casamento, a gente sentiu...

que estava faltando alguma coisa na nossa família. E aí ele falou, você quer ver o processo de adoção, ver como funciona? Então a gente começou a pesquisar processos de adotar no Brasil, que a gente viu pela nossa idade, a gente já estava numa idade mais do que limite, ele é 11 anos mais velho que eu.

Falei, é um reloginho, né? Porque, querendo ou não, você tem que ter uma disposição física pra aguentar uma criança, né? E aí a gente viu que pelo Brasil não ia dar. Ficar numa lista de espera não ia rolar. Aí a gente começou a estudar opções de adotar fora da América, mas aí tinha aquela adaptação, você ter um gasto pra ir pra outro país, se adaptar.

E aqui também existe uma possibilidade, eu não conheço todas as opções, mas foram as que a gente teve acesso, e tem uma opção.

que é através de um programa da Igreja Católica, se não me engano, que você adota, mas é uma adoção comprada, vamos dizer assim. É até estranho, porque para mim remete, eu cresci ouvindo na televisão, acho que quem é da minha geração ouvia no Fantástico, as crianças apareceram no Nordeste, não sei o que. Então, quando você fala que vai comprar, me volta isso em mente. Eu falo assim, mas isso é correto? Apesar do valor ser bem absurdo, eu acho que na época, um recém-nascido era em torno de 60 mil.

através desse programa. E aí eles explicam pra onde vão esse dinheiro, que são mães que desistem da gravidez. E eles convencem, tem um programa dentro da Igreja Católica, que eles convencem a dar pra adoção, né? Que aqui também você pode, anônimo, deixar o feto em algum lugar. Isso não é visto como um crime, né? Enfim. E aí a gente descartou, porque eu fiquei um pouco impressionada, assim, com essa forma.

E aí eu comecei a perguntar na minha cidade, aqui tem uns aplicativos que você fala com a sua comunidade, né? E eu perguntei, nós somos um casal, moramos aqui há pouco tempo, e a gente gostaria de ter um conhecimento sobre adoção. E aí uma pessoa indicou para a gente o foster care, a gente não tinha noção do que era.

E fomos achando, como a maioria das pessoas que adotam, achando que era completamente diferente. E eu vou confessar, por mais que era um desejo meu adotar, eu não tinha nenhum conhecimento em relação ao que se passa.

A criança quando chega, como ela chega, traumas, eu não tinha nenhum conhecimento. Eu acho que como a maioria, porque até hoje... Eu ia até te perguntar isso. Eu ia te perguntar exatamente isso. Eu não sei se, como o Angel já era pai, os filhos adultos, eu acredito que ele também não tinha conhecimento, mesmo sendo americano. Não é uma coisa que você sabe até você ir procurar.

E aí você chegou no momento de falar, a gente viu no Brasil, viu no exterior. Eu queria saber, por curiosidade mesmo, por que vocês optaram por primeiro ver no exterior do que nos Estados Unidos? Foi mais por curiosidade de, vamos explorar as nossas opções? Ou porque no sistema dos Estados Unidos é mais complicado? Que assim, muito leiga, a minha opinião de leiga.

Quando a gente ouve sobre a adoção nos Estados Unidos, me parece um sistema muito complicado, né? Não que no Brasil não seja, mas parece assim, nossa, deve ter muitas pedras no caminho e tal. E às vezes, em outro país, é mais fácil. Eu vejo muitos americanos, por exemplo, adotando chineses.

que vão até a China adotar uma criança chinesa. E eu fico pensando, será que é mais fácil todo esse processo burocrático? E aí, tudo bem, existe o custo de ir para a China, mas às vezes lá é ir num orfanato, escolher a criança e trazer de volta, não tem muita burocracia. Como, assim, passou na cabeça de vocês procurar no exterior por ser mais fácil, teoricamente, ou vocês também nem... Foi só assim, ah, estamos pesquisando.

A gente estava pesquisando e sem muito entendimento sobre adoção. A gente não tinha. Hoje eu vejo que a maioria das pessoas que... É normal, as pessoas veem a nossa história e falam Ah, eu gostaria tanto de adotar uma criancinha, pequenininha, com aquele muito encantamento, né? E é exatamente, totalmente diferente a situação. Eu acho, na minha experiência e minha honesta opinião.

As pessoas que têm conhecimento de foster care, que sabem a realidade dessas crianças, acho que eles buscam formas alternativas, porque foster care não se fala com dinheiro, não tem custo, por nossa parte, a gente não teve que pagar nada. Mas eu acho que é o que você vai passar com uma criança vindo do foster care.

Porque se você tem uma mãe na China que simplesmente desistiu da gravidez, as chances de você ter uma criança com trauma e que você vai ter alguma síndrome, alguma situação, challenge com essa criança, vai ser bem menor. Então, eu acho que é isso. Que tem um grande movimento de americanos indo adotar fora do país, buscando outras opções de adoção.

Não sei se essa é a única razão. É, não, mas acho que faz muito sentido o que você falou. E eu acho que a gente pode começar a falar muito do foster care. Eu acho que tem muita gente que deve estar ouvindo a gente agora que está se perguntando, mas o que é o foster care? Qual é a diferença entre você acolher uma criança e você adotar diretamente? Existe essa possibilidade? Então, eu queria que você trouxesse agora essa parte mais teórica, né?

de como que funciona, por que vocês optaram pelo foster care, quais as diferenças entre o foster care e um processo comum, se existe, né, que você falou que tinha vários processos, e por que vocês optaram por ele também, né, eu acho que é válido saber.

O Poster Care é um programa que tem o objetivo de retornar as crianças para as famílias. Não necessariamente para adoção, não é voltado para adoção. Porém, muitas dessas crianças não retornam para a família, infelizmente. Muitas nem são adotadas, crescem e vão para abrigos. Eles chamam aqui casas para adolescentes e eles moram junto com outras adolescentes Just Proof.

algumas questões não foram adotadas no processo, ou porque já tinham a idade avançada quando aconteceu alguma coisa.

Então, quando a gente opta por o programa Foster Care e você fala que você quer adotar, o programa em si, as pessoas envolvidas no programa não te olham com um bom olhar. Porque o que eles querem, o que eles esperam de você é que você seja uma família acolhedora. Então, aqui não existe... Como chama a instituição onde a criança vai no Brasil quando não tem família?

Desculpa, me fugiu a palavra. Orfanato. Então, aqui não se tem um orfanato. Então, o que se tem?

Vamos relatar uma situação. Então, a polícia recebeu um chamado e foi na casa de uma pessoa que o vizinho estava escutando gritos. Ok, teve uma abordagem nessa família e foi descoberto que teve um abuso. Sei lá, N tipo de abuso com as crianças dentro da casa ou aconteceu alguma coisa que essas crianças não podem ficar com os pais ou que os pais estão colocando a vida dessa criança em risco.

eles vão tirar essa criança e aí eles vão imediatamente entrar em contato com as famílias do foster care e perguntar se você pode fazer um respite, se você pode receber essa criança. Então, eu não tive, no meu período de foster care, eu não tive nenhuma coragem de fazer isso, recebi algumas ligações, mas quando você tem entendimento disso, é uma grande questão, porque, imagina,

Do jeito que eles pegam essa criança, ela chega às vezes, geralmente é assim que eles chegam, eles estão trabalhando para mudar isso, mas ele chega com um saco de lixo, com algumas pecinhas de roupa, às vezes não deu nem tempo de pegar o sapato, que é muito comum as crianças saírem sem um chinelo, um sapato no pé, e chega assim na sua casa, sem os brinquedos que ela ama.

sem os objetos que ela gosta, uma cobertinha, não tem nada. Então, imagina a criança que vivenciou, experienciou alguma coisa e chegar nessa situação para você, às vezes no meio da noite. Duas da manhã, a polícia chega, alguém da vara da infância local, que aqui é DCF, DCUF, tem várias nominações, decanendo do Estado, e bate na sua porta quando você aceita.

Então, a gente tem um treinamento, né? Tem todas as etapas para se tirar a sua certificação do foster. E uma delas a gente aprende, né? Como acolher essas crianças, o que ela precisa para acalmá-las, o que você pode fazer com ela. Muitas vezes você não vai ter roupa para acolher essa criança.

Então aí que entra a questão, eles perguntam muito, você é envolvido com alguma religião? Você faz parte de alguma igreja? Porque geralmente as pessoas na igreja ajudam nessa questão quando você está fazendo isso. E foi aí que pegava para a gente, porque a gente não tem família, nem amigos aqui, nada. Então a gente sabia que ia ser muito difícil aceitar essa opção.

Mas, no geral, são crianças que são separadas dos pais e, de repente, já foram para essa casa, que já estava acolhendo, mas essa casa não tem intenção de ficar com essa criança, ela fez isso para socorrer naquele momento. Então, eles têm que direcionar essa criança para uma família acolhedora. Ou é uma criança que nasceu, que foi o caso da minha, que a mãe perdeu os direitos já na maternidade. Então, quando eu fui chamada...

Eu fui e fiz a retirada dela do hospital. Então, ela já saiu, já veio com a gente. Na época da pandemia, teve um grande número de nascimentos de crianças. Então, em função de tudo que acontece, muita gente perdeu o trabalho, um número grande de pessoas com alcoolismo, drogas, isso tudo.

afeta diretamente na comunidade. Então, ao contrário de hoje, por exemplo, hoje o cenário é completamente diferente, mas naquela época eu fiquei surpresa, porque depois de entrar em contato com eles, você faz todo o seu... Vou passar um pouquinho das etapas. Então, você procura a vara da infância no seu estado, que aqui geralmente é DCF, DCYF.

você pode optar por fazer direto com eles ou através de agências de adoção, que aí eles fazem esse intermédio, você não precisa ter muito acesso. Eu não fiz dessa forma, então eu não tenho muito conhecimento, mas eu sei que eles te poupam, às vezes, de ter um acesso direto com os pais e com a serviço social, coisas desse tipo.

Então, depois eles vão checar sobre os requisitos básicos, então a idade mínima que você tem que ter, se você tem estabilidade financeira, checar os membros da família, eles passam por uma entrevista a todos os membros da família, você passa por uma psicóloga que investiga a sua vida inteirinha, eles checam o seu background para ver se você tem alguma ficha criminal.

Se você está em estado de saúde e mental para receber, para estar apto para fazer parte do programa, eles vêm investigar a sua casa, porque existem algumas regras que você tem que seguir.

Então, em questão de segurança, em questão de como você monta o quarto da criança, até a disposição da cama. Tem várias coisas que a gente tem que seguir as regras. E depois você começa a fazer um curso, né? Um curso na minha época como...

Foi por causa do Covid, foi totalmente online. Foram muitas horas de curso semanalmente, acho que a gente fez por um mês. Acredito uma vez por mês, mas era uma ou duas vezes por semana, mas por um mês quase, e foi bem longo esse curso.

Só que nada compara com a prática, porque assim, tudo que eu ouvi não foi o suficiente. Muita coisa eu aprendi depois, que aí você começa a se integrar em grupos de ajuda, de suporte local, né? Reuniões semanais online que você dividir. Às vezes a maior situação você não tem com quem dividir a sua situação, né? O que você está passando, então...

Esses grupos acolhem as pessoas por região. Então, você conta a sua história e eles te aconselham, te dão direção do que fazer, como fazer. Então, ajudam muito a gente. E...

E, enfim, é isso. É depois que você faz esse treinamento e você espera a sua certificação. Só que nós não recebemos uma certificação. Passou três semanas e eu comecei a receber ligação. E é muito dolorido, porque a gente tem em mente alguma coisa. A gente começou com a ideia de adotar uma criança de seis a oito anos. E depois de estudar, de fazer o curso, a gente meio que se assustou um pouquinho. Então, a gente resolveu descer a idade para recém-nascido e menor.

E, enfim, e aí eu comecei a receber ligações. E eram todos pequenininhos, de três meses, muitos recém-nascidos. Muito. E é uma incógnita, porque você preenche, é muito burocrático um programa para você aplicar, né? É muita papelada. Eu falei, acho que é até mais papel do que eu preenchi para o green card para pegar os meus documentos americanos. É muito papel.

E aí eles não lêem, quando você recebe essas ligações, se você está disponível a pegar a criança, eles não lêem aqueles pré-requisitos que é muito semelhante à adoção no Brasil. Se você aceitaria crianças em certas condições, com alguma síndrome que passou por quais os tipos, diferentes tipos de situações.

se veio através, enfim, e se vai colocando, né? Só que quando eles ligam, eles ligam e falam exatamente, olha, eu tenho uma criança, de exemplo, 3 meses, ela precisa ser acolhida, e você nunca sabe o que está acontecendo com os pais, a história dessa criança, eles não vão entrar em raça, eles não vão entrar...

em detalhes do caso, o que está acontecendo, é meio que assim você responde no escuro e você abraça. Então, quando você fala assim, você só vai conhecer a criança ali no momento. Claro que o nosso objetivo inicial era a adoção. Então, é um baque, assim, porque eu cheguei no hospital...

Aí ela já começa, olha, não pode ter muita intimidade, você não pode beijar a criança, você não pode, tem todas as regras que a gente aprendeu antes, mas ela era uma recém-nascida prematura de sete meses, e tinha tido problemas de respiração, estava entubada. Quando eles me ligaram...

Eu falei, como eu vou cuidar de uma criança entubada? Não sei, eu não tenho suporte, eu não sei se eu sei passar por isso. Aí, como eu já tinha aceito uma outra criança e nunca me deram o que ia acontecer, nunca me ligaram de volta, então a gente não ficou colocando muita expectativa.

E independente se eu quero adotar ou só ser uma família foster, você tem que passar pelo programa foster. Você não adota de imediato. Então, você tem que acolher essa criança, passar pela... Às vezes, não vai ser a criança que você acolheu. Tem casos de pessoas que acolhem mais de uma criança, outras crianças, e volta. E retorna e não tenha sorte de...

de ficar com alguma criança, né? Que bom que a criança pôde voltar para os pais, né? Porque esse é o objetivo do programa, que esses pais se restabeleçam e consigam provar que eles têm condições de ficar com essa criança. Mas a gente ouve muita história triste também, né? De crianças que voltam e voltam para o programa. Tem famílias que falam, olha, eu fiquei com uma criança fósseis que ela veio para mim três vezes e cada vez que ela volta é pior porque o trauma aumenta.

E essa criança vai crescendo numa situação que ela não se vê o futuro dela ali, né? Fica todo bagunçado. E volta dos próprios... Ou muda de casa. É muita coisa, né, Cris? Quando as crianças com calma, né? Muitas famílias não aceitam e falam que não quer aquela criança. Então, acontece de algumas crianças mudarem muito de casa. Então, imagina, né? É muito difícil pra eles. E eu acho que é essa parte que muitas pessoas desconhecem. Que, independente de foster care...

Uma criança, ela não é... Todo mundo fala, ai, por que a mãe dela não quiser? Não, a mãe dela sempre quis ela. Ela tem contato com a mãe até hoje. A mãe biológica está presente na vida dela. Então, são situações completamente diferentes. Não é todo pai e mãe que vai abrir mão, né?

A gente tem que entender, existem inúmeros motivos e razões. Às vezes a pessoa não teve condições na vida, se deparou em situações que ela está perdida. Às vezes é por uma questão de saúde. Às vezes uma pessoa que fez escolhas erradas na vida e chegou em situações diferentes. Então, uma coisa que eu sempre tento é não julgar.

minha opinião, ela tá errada, ela tá errada, mas o quão de suporte ajuda quando eu converso com a família, eu tenho acesso à família biológica, eles falam, ai, ela dava muito trabalho quando era pequena, mas o quanto ela recebeu uma assistência, ela recebeu uma terapia, ajuda, né, médica, quando ela precisou, enfim. Então, não cabe a nós julgar, sabe?

Eu tento não me envolver, porque querendo ou não você acaba ficando próximo e você acaba pertencendo a uma história de outra pessoa, querendo ou não, mesmo que indiretamente. Então a gente tenta não se envolver, mas eu vejo ela com os olhos de... É uma pessoa que chegou, algum motivo teve para ela chegar no meu caminho, né? Então eu trato ela com muito respeito. É assim que eu a vejo.

E Cris, você comentou que vocês sempre tiveram o objetivo de adotar no final. Então, querendo ou não, vocês queriam fazer o foster com o objetivo de ficar com aquela criança, indo para o risco de ficar ou não ficar. Mas, enfim, a gente vai chegar no processo da sua filha, mas passou na cabeça de vocês, em algum momento, falar, cara...

Se a gente não conseguir adotar em X tempo, eu acho que eu não vou mais passar por isso. Porque é o que você mencionou várias vezes na nossa conversa. Nossa, pode ser muito exaustivo pras famílias que acolhem. Ficar indo e voltando, ficar indo e voltando. Você nunca sabe o que vem, como você mencionou várias vezes. E eu sei que tem famílias que...

optam só por fazer o foster eles não querem adotar, eles querem só acolher tem muitas famílias que querem também só acolher mas muitas delas, eu acho que a maioria quer adotar mas passou na cabeça de vocês por algum segundo assim e se a gente não conseguir adotar e se nunca vier alguma criança

que seja legível pra gente, que a gente queira brigar pela criança, de certa forma, tipo, não, a gente quer essa criança e tal, vocês continuariam com o fostering só assim, só pra acolher, ou eventualmente vocês iam falar, ai gente, se não é pra continuar, né, avançar o sinal e adotar, eu acho que pra gente deu, porque não tá confortável. Olha, eu acho que cada um sabe o que consegue passar, né?

Eu, sinceramente, não conseguiria. Não conseguiria. A gente foi... Pediram para a gente se a gente gostaria de continuar. Até por questão física, estrutura física na nossa casa, a gente não tem espaço, porque você tem que ter um quarto extra, não pode misturar as crianças, né?

Mas eu não sei se eu conseguiria só fazer o foster, porque a minha tem uma demanda muito grande. E a gente ainda está naquela fase de entender o que ela tem. Todo dia é um desafio diferente, porque ela sim, mesmo que ela veio bebê, recém-nascida.

Ela carrega muito trauma da gestação dela, que afetou ela, querendo ou não, fisicamente. Então, para mim, eu não sei se eu conseguiria. Eu admiro muito quando eu ouço uma mãe que teve filhos, até biológicos, e fala que tem dois, três...

duas, três crianças, sei lá, num espectro altíssimo, ou uma outra situação, porque, gente, é muito puxado. E sim, sem suporte, morando fora, longe da família, longe de todo mundo, é muito. Assim, eu sou mãe, oficialmente, há dois anos e pouquinho, né? Porque a gente adotou ela com dois anos e meio.

Mas eu tenho ela desde que ela nasceu e eu não tenho um dia sequer de descanso, não tive. Um período para um jantar que foi a professora dela, porque ela tem muita ansiedade de separação, ela não se conecta com as pessoas com facilidade, eu não sei se isso são questões do Foster, porque desde que ela nasceu ela passa por visitas semanais.

com a mãe, né? E as visitas eram meio caóticas pra ela.

Mas o que eu sempre ouvia, ah, ela não vai lembrar disso. Ah, pode deixar, porque ela saía, assim, por um ano, até um ano e meio, eu levava ela pessoalmente nas visitas, né? Eu não podia ter contato com a mãe biológica, eu meio que estava no anonimato. E eram em lugares sigilosos, assim, com supervisão. E eu tinha que me esconder, vamos dizer assim, do lado de fora.

Então, até a questão psicológica minha afetou muito, sabe? Porque começou a me afetar muito, muito, todas essas questões. E para ela, eu ficava imaginando, né? O ambiente que ela estava, às vezes, não era um ambiente apropriado para a criança. E ela podia ir. No começo, eu sabia que era uma horinha. Depois, a gente não sabia se era de uma a três horas que ela ficava lá. E que começou que...

Depois de um ano, eles me tiraram de levar ela pessoalmente. E aí, esse negócio pegou. Porque para ela começou a virar bem traumatizante. Porque eles vinham na minha casa, batiam na porta, retiravam ela aos prantos. Ela entrava em carros diferentes, com pessoas diferentes. Não sabia para onde ia, quanto tempo ia ficar. Eu não fazia ideia de como estavam lidando com ela. E por mais que você está...

cuidando dessa criança, tomando conta dela, você não tem autonomia dela, porque a autonomia ainda é os pais, por mais que eles estão em alguma situação que eles não podem responder para essa criança. É até contraditório, porque não pode ter a criança, mas eles que respondem pela criança. Então, coisas simples assim, que eu queria colocar ela em aula, porque eu vi que ela era uma criança extremamente hiperativa, com um ano e seis meses, ela começou sinais de hiperatividade muito grande.

E eu queria colocá-la em aula de natação. Uma coisa para ela, sabe? Tudo era empecilho. Eu não podia, porque a mãe não queria. E aí, se eu falasse, eu tinha que abrir o lugar que eu estava indo. E aí eu não queria que a mãe tivesse esse contato no nosso ambiente, onde a gente estava levando ela. Então, era tudo muito complicado. Cortar o cabelo dela eu não podia. Tudo eu tinha que pedir uma permissão. Fiquei muito surpresa o dia que ela chegou em casa com a orelha furada.

E ninguém tinha me contado nada. E até hoje, até hoje, eu vou trocar o brinco dela. É um... Eu não sei como isso aconteceu. Eu não sei se ela foi preparada, porque ela é uma criança que a gente tem que preparar ela pra tudo que vai acontecer depois, né? Porque ela é neurodivergente, então... É completamente diferente de uma criança, né? Ela tudo tem que... Tudo ela... Parece que assim, ela... Hoje ela vive e parece que é no modo, assim, de...

de se proteger, sabe? Moda alerta a todo momento. E eu não acredito, com a minha experiência, eu não acredito que a criança não lembra das coisas. Eu acho que para ela marcou muito. Foi bem traumatizante essa parte das visitas semanais e a gente não sabia o que acontecia com ela, para onde ela ia. Foi bem difícil para ela isso.

Eu acho que talvez ela não lembre efetivamente a memória, mas eu sempre acredito que tudo que a criança vive, o bom e o ruim, vai moldando a criança, né? Então, assim, se ela vai pra um lugar super feliz, sei lá, vai pra uma viagem pra praia, a criança talvez não lembre que ela foi pra praia, né? Daqui, sei lá, cinco anos, talvez a criança não lembre que ela foi pra praia com uma netidade. Mas aquele acesso à areia, acesso à praia, acesso ao mar, a criança vai respirar aquilo, ela vai viver aquilo e isso vai mudar.

moldando a criança. Então, o ruim também, né, então assim, talvez ela não lembre, ai, porque eu fui, me tiravam, talvez ela não consiga verbalizar isso no futuro, só que são traumas, né, são situações, é um choro sofrido de sair daquela casa e é o que você falou, você não sabe como que furaram a orelha dela, então assim, são coisas que vão marcando, deixando marcas na criança, né.

E eu imagino que em vocês também, porque aqui pensando assim, é muito contraditório mesmo, porque como que você tá levando na escola, pagando roupa, pagando alimentação, criando uma criança, mas você não pode cortar o cabelo dela porque a mãe não quer que corte o cabelo, é assim, eu não imagino o...

Você tentar criar conexão com uma criança, também tendo medo de eventualmente tirarem ela do nada e você tá super apegada àquela criança, já na esperança de ter ela, como você falou, adotar ela oficialmente depois de um tempo. Mas eu queria saber dessa parte, emocionalmente falando, você dormia com esse medo? E se amanhã alguém bater na minha porta e falar a mãe vai pegar de volta?

Era uma coisa que você evitava, às vezes, se conectar muito bem com ela, por esse medo de, meu, eu não vou me apegar tanto, porque vai que me tiram e eu vou sofrer muito depois, ou você se jogou e falou, ai, eu vou me jogar, vou me conectar e se me tirarem, eu vou lidar com esse sentimento depois, e é isso, assim, eu não vou criar uma barreira que talvez não exista. Como que você lidou com isso?

Nosso cenário foi um pouco diferenciado, porque logo que ela chegou, que a gente me acolheu, eu tive... ela tem outros irmãos, né? Muitos irmãos, todos pequenininhos. E aí, uma das mães que adotou duas irmãs, as mais velhas, conseguiu me achar logo de imediato.

Então, e ela fez a ponte para a gente conhecer a família biológica que não tem nenhum contato com a mãe biológica. A mãe biológica não tem contato com a família dela. E a gente mantém essa aproximação. E isso foi uma das questões que a mãe biológica ficou muito contra a gente. Ela não queria que a gente tivesse por ela ter esse atrito com a família. Mas você vê que é uma família simples.

É uma família americana, é uma outra realidade que a gente imagina Estados Unidos, pessoas com dinheiro, coisas confortáveis. É uma outra realidade, mas é uma família excelente. Então é aí que está, quando eu sempre falo.

hoje sendo mãe, né? A gente nunca sabe, a gente cuida, a gente planta a nossa sementinha, dá os nossos exemplos, mas você não sabe. Eu não sei, foi culpa de alguém, foi erro de alguém, ou ela que era assim, ela que tomou essas decisões, a gente não sabe. Então, a família já tinha me alertado, falou assim, olha, ela teve três outras crianças antes da sua, os três estão adotados, então a sua chance de adotar é muito grande. Então...

Eu não sei, a gente foi muito positivo em todo o processo. Porém, aqui no meu estado, geralmente a criança tem que ter o caso dela definido, de um modo geral, em dois anos e meio. Então, você já tem uma expectativa de quanto tempo isso vai demorar. Que eu acho muito longo, muito desgastante para a criança.

Então, a gente sabia, tinha uma previsão de tempo, a gente tinha toda a família e a mãe que adotou as outras meninas dando suporte para a gente e orientava e falava, não, a chance de vocês adotarem ela é muito grande.

E mesmo assim, durante todo o processo, duas vezes, a gente foi ameaçado de que ela seria retirada da gente. E a gente sabia que se isso acontecesse, ia ser assim. Eles não dão oportunidade para despedir danada.

É do jeito que abre a porta, pega ela e sai. Da mesma forma que muitas crianças chegam, é assim que elas partem. E que isso ia ser traumatizante pra gente. A gente tinha certeza, mas a gente tentava acreditar que isso não ia acontecer. E não tem como ela se apegar. Não tem. Eu recebi ela recém-nascida, prematura. Exigia vários cuidados. Com o tempo a gente descobriu, dois meses e meio, que ela tinha torscolo. Que ela estava toda tortinha. Isso não foi visível logo que ela chegou em casa.

Ela não chorava por duas semanas na minha casa, ela ficou duas semanas no hospital, por duas semanas na minha casa ela não chorava, ela fazia uns barulhinhos, mas não chorava. E aí eu vim a descobrir que foram traumas da gestação que fizeram o feto calar, que isso é muito comum, né, quando isso acontece.

E ela sempre foi uma criança muito calma, muito quieta, mas com um ano e meio aflorou, assim. Ela começou a ficar extremamente agitada. E aí que eu comecei a desvendar esse mundo de foster, de adoção.

através do Foster, que aí eu vim a descobrir que muitas das crianças neurodivergentes, que vem de determinadas situações, tem esse comportamento, porque é muito comum, todo lugar que eu ouço falar, principalmente no Brasil, falam-se da criança com esses comportamentos, mas a adoção tardia, e aí enfatizam, porque essa criança passou por muita coisa, trocou.

porque tem que ter paciência, mas ninguém dá uma explicação. Eu acho que aqui me conseguiram, principalmente os médicos, dão uma explicação como isso afeta, as coisas afetam no cérebro da criança, e por isso que ela já vem recém-nascida, assim, né? E muitos realmente vão perdendo esses comportamentos de hiperatividade, impulsividade, que é o caso da minha, que foi muito impulsiva.

E eu fiquei muito perdida, não sabia lidar com isso. Meu marido ficava assustado, ele não queria muito relar nela nesses momentos de crise, porque...

Eu falava, gente, é muito pequenininha, mas é muito difícil, eu não sei conter. Aí as pessoas, não, você que não sabe conter. Tem pessoas conhecidas minhas que trabalham com professoras. Ah, a gente trabalha em escola, a gente consegue conter uma criança de sete anos. Como que você não consegue conter uma criança de três anos? E eu acho que eu tinha um medo também, sabe?

na hora de conter, sei lá, ela é muito branquinha, segurar ela e ficar alguma marca, não sei, né? Só na questão de segurar. E é muita contradição de especialistas, e isso me fez ficar muito perdida, porque, ai, você tem que segurar, abraçar forte, e hoje tudo que eu ouço, não, você tem que expor ela num ambiente aberto, deixar ela ficar livre.

E até hoje a gente está tentando entender como lidar com ela, mas a gente já entende que ela tem uma ansiedade de separação extremamente grande.

Ambientes diferentes Pessoas diferentes Coisas que vai chamar Muita atenção dela Vai fazer ela se desequilibrar E quando ela era menor Ela não tinha nenhum controle Emocional, nada Ela não sabia se regular E hoje ela já consegue Sim, pode mudar Pode ir para um Muitas crianças perdem Esse E aí

esse descontrole emocional, mas muitas é por falta de falta de conhecimento, porque a criança é muito pequenininha, ela não sabe falar ainda o que ela está sentindo, ou que ela teve...

ela foi afetada de alguma forma, né, na gestação dela, alguma coisa, principalmente quando pais são adictos, né, passa isso pra criança e afeta o cérebro dela, né, e é um desafio, é um desafio, não é fácil. E Cris, falando da questão também emocional, eu acho que muitas mães, assim, eu digo, eu tive meu filho, engravidei meu filho e tudo mais, a gente passa por momentos de incerteza também, assim, não é porque você...

engravidou e pariu e tal, que você sabe tudo, muito pelo contrário. Exatamente isso, a gente lê as coisas e depois a gente fala, nossa, não foi nada assim que eu li, não funcionou pra mim, né? Assim, você também vai descobrindo o seu filho, mesmo não nascendo de você, esse sentimento de descoberta de um outro ser humano.

É igual pra todo mundo, porque eu não, assim, eu pari o meu filho, mas eu não sabia quem era ele. Eu estava descobrindo um ser humano que ele gosta, que ele não gosta, padrão de sono, padrão de alimentação. A gente passa por tudo isso e é uma ansiedade pras muitas mães não ter resposta, principalmente mãe de primeira viagem. Acho que segunda a gente já meio que, né, já sabe, já percorreu ali o caminho. Mas mãe de primeira viagem a gente sempre tá muito ansiosa, né?

Mas eu imagino que nessa questão, assim, de total falta de controle do lado de vocês, eu me pergunto, assim, além de estar conhecendo, né, a sua filha nesse processo todo, ainda tinha a questão de vocês não conseguirem controlar direito, até os dois anos e meio, né, como você mencionou, tudo que estava acontecendo. Então, me diz, assim, questão de saúde mental, como que você contornou? É terapia? Foi medicação?

Porque, assim, já é muito difícil ser mãe. Mas, assim, eu sabia que ninguém ia bater na minha porta, e igual você falou, ia retirar o meu filho em qualquer momento. Eu sabia que isso não ia acontecer. Mas você tava ali se dedicando, dando tudo, e que possivelmente, talvez, eventualmente ia acontecer. E lógico que você já tinha algumas garantias faladas, né, ali no processo, mas nunca era uma chance zero de acontecer. Então, assim, me passa o contato dessa terapeuta.

Porque, assim, muito autocontrole, né? Muito autocontrole, muita fé, muita... Então, assim, brincadeiras à parte, eu queria muito que você contasse como que você deu conta mentalmente desse desafio, que não é fácil pela maternidade, mas também pelo risco, sabe? De como que eu consigo seguir em frente sem tantas certezas, né? Como que você conseguiu se manter inteira, né? Nesse processo que era tão difícil de controlar.

Olha, quando a gente, acho que no maternar, né? Já tem aquela questão de crítica, de, né? Por eu ter adotado, por eu ter... Ai, você é louca fazendo isso. Ai, você sabe o que vai acontecer? Você pega uma criança porque vai trazer o que o pai e a mãe é. Você vai sofrer. Então, essas críticas, no momento que você está passando por tudo isso, é muito difícil, né?

mandaram vídeos, na época eu lembro que um menino adotivo de uma mãe brasileira em Portugal, um menino matou a mãe, me mandaram o vídeo falando, eu não quero que você faça isso porque isso vai acontecer com você, olha isso, o estado que chegou à situação. E sem falar que foi o ápice da educação positiva, que todo mundo vendia curso online, não sei se vocês recordam, foi bem nessa época.

E o que todo mundo falava quando eu chamava a pessoa para conversar no particular, ah, isso não culpa ela, eu tenho até uma profissional em questão que ela era adotada. E ela falou muito ríspida comigo, muito mal, ela me tratou muito mal, ela falou assim, não faça isso com a adoção, não culpe a adoção, você que é culpada, ela é assim por sua causa.

E é isso que a maioria fala, que é o descontrole dos pais, a forma que os pais tratam a criança, que reflete como a criança se comporta. Só que aí eu tenho uma outra questão. Eu tenho os três outros irmãos que têm duas mães diferentes.

e passaram por situações diferentes. Uma delas não teve nem contato com a mãe biológica, ela foi retirada na hora do parto e nunca mais viu a mãe biológica, porque ela nasceu em outro estado e o estado tira o direito da mãe de imediato. Então ela já foi para a mãe adotiva.

E aí eu fico pensando, as três crianças estão passando pelo mesmo problema. Então, assim, nós três somos três mães incompetentes que adotamos e não sabemos cuidar. Uma dela, inclusive, acho que ela adotou cinco crianças, que eu não tenho contato com ela, que é uma antes da minha filha.

E aí eu fico pensando, é muita desinformação, é muito julgamento, é muita falta de apoio. Então eu acho que a gente começou a se fechar, sabe? A gente se colocou numa redoma tentando nos proteger nessa época. Foi muito difícil. Sem falar que quando eu saí com ela do hospital...

A mãe, ela sente uma revolta, né? Quando ela recebe informação de que ela vai perder a criança. Então, eu tive que sair, eu parecia cena de filme. Quando a gente saiu, eu recebo a ligação, eu tinha uma hora e meia para buscar ela no hospital. E eu não tinha nada, eu tinha o berço, o quarto, mas eu não tinha. Eu não sabia que sexo que viria, qual a idade da criança, nada. Então, eu tive, assim, acho que foi 40 minutos.

para eu providenciar as coisas essenciais para receber aquela criança, sem saber se ela ia ficar comigo. E você, de imediato, você não tem uma ajuda deles, né? Você, por sua conta, no começo...

E eu lembro que eu liguei para uma amiga do Brasil, que tinha acabado de ter neném, ela falou, peraí, eu estou aqui amamentando, eu vou olhar no quarto, pega uma listinha, pega uma caneta e um papel, e você vai anotar tudo que é de essencial que precisa para receber um bebê da sua casa. E eu fiz uma lista, literalmente, eu fui na Target e comecei a comprar. Coloquei tudo no carrinho.

E meu marido não estava em casa, ele tinha ido trabalhar. E por sorte, Deus sempre faz as coisas certinhas, colocou um anjo, uma brasileira, no grupo, enquanto eu estava fazendo o curso do Foster, ela também estava fazendo. E ela que foi comigo no hospital fazer a saída da bebê no hospital.

E eu estava muito perdida, muito nervosa, porque ainda mais falar com o médico, que você não domina totalmente o inglês, e fala que era muita informação, e minha emoção estava super alta, e era muita informação, era muito médico, e vinha enfermeira e vinha falar, olha, se você me perguntar o que falaram para mim, não lembro de nada.

Eu estava anestesiada. E aí me viram e falam, eu acho que a mãe vai tentar te encurralar na hora da saída. E você tem que sair de sigilo. Ela falou, eu vou chamar um segurança. Então eu saí escoltada. E ela falou, a gente vai fazer essa colocada, colocar a criança rápido.

o carrinho dela no seu carro, e você sai a tiro, e eu vou sair atrás de você e vai vir um segundo segurança. E foi assim que a gente saiu. No fim, nem teve segurança, foi só a serviço social dirigindo atrás da gente. E eu desesperada, porque eu não sabia com o que eu estava lidando, quem era essa pessoa, eu tinha que manter até hoje a minha casa em sigilo, ela não tem ideia de onde mora, não sei se ela já...

Conseguiu descobrir alguma coisa, mas a princípio, por nossa parte, ela não sabe onde a gente mora, não sabe o nosso sobrenome, nada disso, o que a gente faz. Então a nossa conversa é sempre muito superficial. Ela não oferece risco, mas as pessoas que estão em volta dela oferecem risco.

Deu tudo certo. Mas no decorrer do processo, enquanto ela estava fazendo as visitas em lugar com supervisão e sigiloso, eu fui encurralada, que eu vim descobrir que era um criminoso.

Enquanto eu estava no estacionamento. Que estava lotado o estacionamento. E ele viu eu deixando a criança. Ele chegou mais cedo. Para acompanhar a chegada da criança. E era uma pessoa que nem era o pai da minha filha. Mas ele estava com ela naquele momento. E eu não sabia quem que era. Eu vi que o cara estava me encarando. O tempo inteiro que eu estava lá. E depois eu vim a descobrir. Depois que eu falei que a serviço social. Picharam as câmeras. E descobri que era um cara que tinha acabado de sair da cadeia.

e que era de um risco muito alto, e eu ali sozinha, e eu falei, meu Deus, ele viu meu carro, aí meu marido, não, calma, porque o filho dele é policial, ele falou, fica calma, porque a gente já passa, né, e eu tirei foto, tal, do carro que ele tava.

E aí, a partir disso, eu saía, sabe aquele modo assim, ai meu Deus, vai acontecer alguma coisa. Isso começou a me afetar. Eu já tinha vindo daquela ansiedade que eu estava tendo da época que eu estava trabalhando, morando isolada, que me afetou de uma maneira completamente diferente, eu nunca tinha vivenciado aquilo, e aí passei por isso.

Então, eu pedi ajuda no meu grupo fechado de pessoas. E eu falei, gente, eu preciso. Eu nunca fiz terapia. Eu acho que eu preciso. Porque eu não tenho como conversar. E eu estou ficando, assim, sufocada. E eu preciso conversar. O meu marido já não aguenta mais eu falar com ele. Porque ele também é homem, né? Não tem... E eu preciso, acho que, de uma ajuda profissional. E aí, uma prima me indicou essa pessoa maravilhosa.

Que a princípio foi uma terapia pra mim, mas eu acho que foi voltada mais pro foster. Ela me ajudou muito, assim, conforme a Maeve foi crescendo, ela me ajudava, ela me dava dicas de como conter, acalmar, colocar o gelinho na mão dela. Nossa, várias dicas. Ela me ajudava, ela pesquisava, falava várias coisas. E essa pessoa foi, assim, uma benção na minha vida.

quase que todo o processo. Ela ficou comigo até quase, eu não lembro se ela ficou até a adoção, eu acho que ela foi, até depois da adoção. E ela me ajudou muito, assim. Eu digo que não foi uma terapia pra mim, específico. Foi pro que eu estava passando e foi excelente. Recomendo todo mundo esse tipo de ajuda porque, de repente, você começa que foi o meu erro, eu comecei...

a confiar em duas, três pessoas em volta, e de repente aquela pessoa está mais ali por curiosidade, ou vai vir com algum julgamento, não é uma pessoa que sabe conversar, falar alguma coisa apropriada, e vai te colocar, deixar ainda pior, e eu acho que o ideal é uma ajuda profissional, e isso me ajudou bastante.

E Cris, eu queria muito que você me falasse como foi viver tudo isso sem rede de apoio, porque você falou várias vezes, ai, família não tinha, amigos não tinha, tinha o pessoal da comunidade, né, que vocês trocavam ideias e tudo mais, mas é o que você chegou a mencionar, é uma brasileira que foi comigo e tudo mais.

Você acha que se você tivesse tido uma rede de apoio, por exemplo, se você tivesse morado no Brasil, adotado no Brasil, você sente que seria diferente? Lógico que, de novo, é sempre uma utopia. Como seria no Brasil? É muito difícil saber na prática como seria. Mas você acha que esse processo foi um pouco mais pesado porque você sentiu que assim, meu, eu tenho eu e meu marido.

E não tenho nem com quem, claro, depois a terapeuta acho que super te ajudou, como você acabou de falar. Então não é uma rede de apoio física, mas é uma rede de apoio mental, mas físico, né, de ajudar ali e tal, não teve. Não sei se você pensa por um lado assim, ah, não teve, mas foi bom porque a gente também conseguiu manter tudo muito confidencial, não envolver outras pessoas.

Porque daí teria, sei lá, o carro da avó, o carro do avô, que poderia entrar numa jogada, como você acabou de mencionar. Então, foi mais fácil nesse sentido, porque era você e seu marido só. Mas também mais pesado, porque não tinha ninguém pra dividir, não tinha ninguém pra ajudar nos cuidados. Então, como que você se sente, assim, tendo passado por todo esse processo sem rede de apoio?

Olha, cada família é uma família. A maioria da família tem o apoio da família. Mas eu não acho que seria muito diferente no Brasil. Seria, sim, por questões de amigos. Tenho minhas primas e tudo mais.

Quem tem um pouquinho de conhecimento de Campinas, sabe? Quem é uma pessoa de fora vai morar em Campinas? É uma cidade por si só famosa por ser bairrista, né? Fechada em grupos. Então eu cresci assim, né? Não tendo muito essa coisa de interior, de acolhimento. Já é algo que eu já tinha experimentado, né? E na minha família é um pouco diferente, né? Então eu não acho que seria...

tão diferente, mas é muito difícil. Eu acho que por isso que eles batem muito na tecla. Você vai em alguma igreja, alguma coisa, né? Porque, querendo ou não, o mínimo de apoio que você recebe, igual eu falo, eu não tive um parto, eu não amamitei, mas eu tive a privação de sono e o estresse.

muito enorme em relação ao processo do Foster, né? De ter contato, de lidar, de ficar perdida. Sim, eu fiquei muito perdida por ter sido, não sei, de repente se eu tivesse tido um outro Foster, não ia ficar tão perdida quanto eu fiquei, mas assim...

Era tanta gente ligando na minha casa, tinha gente que ligava 9 horas da noite e eu com ela tentando colocar para dormir. E aí a pessoa falava, eu já nem sei de onde que a pessoa fez, ela perguntou isso, isso, isso, mas eu não entendi de onde que ela era. Porque toda hora era alguém diferente, porque durante o processo tem várias pessoas falando com a gente.

mas se sente muito perdida. Era muito confuso. Hoje eu falo, eu queria ter um caderninho, teria feito meu diário anotado, porque eles perguntam várias coisas, e a mente da gente, quando não está dormindo, a gente não sabe, então eu me sentia meio assim, burra, porque eu falo, gente, ele pergunta para mim, isso é como se fosse a coisa mais óbvia, e eu não tenho a resposta, porque eu tenho que olhar na agenda, ou eu tenho que perguntar para o meu marido, eu não lembro.

E tem a questão da idade também, que a mente da gente passou dos 40, já fica uma fumacinha, né? A gente não consegue lembrar de tudo. E eu acho que foi isso que pegou, essa falta de preparo, né? Se eu tivesse sido um pouco mais organizada, que eu não sabia da necessidade. Eu ia em tanto médico, tanta terapia, porque ela foi uma criança que precisou de terapia logo que ela nasceu.

E eu ficava perdida. Às vezes eu tinha que relatar toda a história. Cada médico novo que você vai, você tem que contar toda a história. E já é tanta coisa que acontece do Foster. E você fica, como você lembra? Resgata tudo. Eu queria ter sempre um caderninho. Olha, foi isso, isso, isso. Eu ia ser muito mais organizada. Se fosse uma outra experiência. E foi difícil. Foi difícil passar por tudo isso sozinha, viu? Mas eu não acho que seria muito diferente. Não acho que seria muito diferente do que a gente passou aqui.

E Cris, você falou que você ficou dois anos e meio no sistema, depois oficialmente adota ela, então ela tem cinco anos, mais ou menos, né? Então, dois anos e meio oficialmente parte da família, digamos assim. Mas em que momento que você sentiu, eu sou a mãe dela? Foi ali na maternidade, quando você saiu ali na cena de filme, você já se sentiu mãe? Ou...

Demorou um pouquinho, porque assim, na experiência de ser mãe em Paris e tal, eu sabia que eu era mãe do meu filho, mas eu demorei pra me conectar um pouco, assim, eu amei ele logo ali, mas querendo ou não, uma criança que é uma pessoa nova, né, na sua vida. E eu demorei muito pra me conectar nesse sentido, assim, de quem é você, o que que você... Existe um amor ali, né, da gravidez que você constrói, e aí quando nasce, o amor aumenta.

Mas no caso da adoção, eu não sei como que é esse processo. Eu queria muito entender, assim, quando que você se sentiu mãe dela? Foi quando você pegou o papel oficial e falou parte da família? Ou foi ali no hospital vendo o rostinho dela de sete meses? Virou uma chavinha ou foi uma construção também nesse sentido? Olha, pode ser errado o que eu vou falar, mas a minha conexão eu senti na hora que eu a conheci. Foi muito grande, foi muito grande, assim.

Sabe quando você sente, você já quer acolher? Eu falei assim, não acredito. E ela tá aqui, ela não tem quem dar esse abraço nela. Nem tanto que a médica falou, não pode abraçar, não pode beijar, porque ela sabe saber qual era brasileira, né? Acho que dá fama nossa de calorosos, né? E aí eu lembro que a minha amiga falou assim, para o serviço social, eu posso filmar? Aí ela falou assim, é, mas ela não é dela ainda. Aí ela falou assim, não, só para ela ter, porque ela queria filmar, porque ela falou assim, se ela adotar, ela vai ter esse registro, né?

Enfim, mas tinha muitas pessoas na sala, que a gente foi uma coisa que tem que ser um vídeo particular nosso. E aí ela meio que filmou, mas assim, foi naquele momento. Naquele momento. Então, pra mim, foi sempre muito doloroso. Foi muito doloroso quando a Tim batia na porta e saía, ela aos prantos chorava pra ir pra visita.

e eu sabia às vezes o que ela vivenciava, o que ela passava, e eu, nossa, foi muito choro, foi muito choro, porque para mim, para a minha personalidade, foi difícil separar isso, foi muito difícil, e é até hoje, né, porque ela ainda, por lei, aqui, eles fazem de tudo, mesmo após a adoção no meu estado, eles fazem de tudo para manter o contato com os pais biológicos, né, e ela tem...

visita com a mãe biológica até hoje. Então ela pode pedir quatro visitas, isso é acordado diante do juiz, entre o seu advogado e o advogado da mãe.

No nosso contrato ficou quatro visitas e, por lei, até os 18 anos. E a mãe que pede, mas isso não está acontecendo, né? Porque ela tem tanto filho que ela não dá conta de ver todos os filhos. E aí tem várias regras, né, para visitar. Na nossa frente, nos lugares públicos, a mãe tem que estar presente sozinha, não pode nunca levar ninguém.

e é uma horinha de visita, e é muito difícil ver ela na situação da mãe, ver ela ali com a mãe, e ela já tá chegando agora num ponto, até esses dias a gente tava conversando, né, se preparando pra fazer o podcast, e aí eu falei, eu não acredito, hoje pela primeira vez caiu a ficha dela, e ela me perguntou, eu queria ser filha, eu não queria ter vindo dela, agora ela tá associando filho vindo da barriga e vindo do coração, porque eu...

Sempre falei isso pra ela. Ela sempre tem ciência de que ela é adotada. E eu quero que ela seja orgulhosa da história dela. E aí, no dia que a gente se falou, foi o dia que eu tava escovando o dente dela. E ela virou do nada. E ela me perguntou, mas por que eu não vim da sua barriga? E aí eu tava explicando pra ela. Aí ela olhou pra mim e falou, começou, o olhinho dela encheu de lágrima. Ela falou assim, mas eu queria ter vindo da sua barriga. Eu quero ser sua, não dela.

E aí eu comecei a chorar junto com ela. E ela, mãe, você está chorando. Eu falei assim, porque eu estou orgulhosa. Porque você quer ser minha filha. E você é minha filha para sempre. Ninguém vai mudar isso agora. E a gente ficou as duas chorando juntos. Então ela está começando a entender. As irmãs delas mais velhas. A mãe optou por falar agora, tardiamente, né? Sobre a adoção. E eu percebo como elas já receberam essa informação de uma maneira diferente. Vem com um pouco de revolta, né? Quando não é trabalhado.

E, no entanto, que agora elas estão se recusando já, estão novas ainda, com oito anos, sete anos, e elas já não querem ver a mãe biológica, porque está numa revolta. E de entendimento confuso, porque ela tem uma filha biológica e ela tem a minha e os outros irmãos. Então, eu acho que para a gente é confuso tudo isso, toda história, né? Imagina para uma criança tão pequena.

E o que que te surpreendeu mais na maternidade através da adoção, né? Você comentou lá no comecinho, foram muitas coisas que a gente já comentou, então eu vou relembrar o pessoal que tá ouvindo, que você nunca imaginou ser mãe, não era uma coisa que passava na sua cabeça, né? Ali naquele tempo, mas que se você fosse, sempre ia ser via adoção.

Mas quando aquela gente também tem um sonho, uma imaginação do que é uma noção, de como vai ser o processo. E quando a gente vive...

Como a maioria das coisas, a gente tem uma expectativa e a realidade é diferente. Mas eu queria que você me dissesse um ponto positivo, porque a gente falou de várias pedras no caminho durante o podcast, porque não tem como negar que existem. Mas o que te surpreendeu positivamente nesse processo da maternidade? Ah, eu tinha uma expectativa, sempre soube que queria isso, e apesar de ser difícil, isso aqui foi uma surpresa muito grande.

Então, só fechando o que você falou, eu acho que eu tive a certeza que ela era minha quando eu bati o olho nela. Mas eu acho que quando eu peguei, a gente adotou, foi pra corte, assinou o contrato e ela é sua. Eu acho que isso deu um alívio, sabe? Assim, não tô mais presa nessa situação. Tô, pela questão da visita, mas agora é confortável, é nossa, sabe? Eu queria saber o que te surpreendeu positivamente na maternidade através da adoção.

Eu vou falar uma coisa que eu acho que é até assim, o fato de eu não querer ter filhos, eu acho que eu vim do parto, a minha mãe teve muita complicação, foi um parto muito sofrido e difícil para minha mãe.

E acho que traumatizou ela, de certa forma. A gente nunca conversou muito bem sobre isso, mas é algo que eu ouvi durante toda a minha vida, todo o meu crescimento, o quanto foi difícil o meu parto, o quanto ela sofreu.

E eu não sei se isso que fez alguma coisa em mim é eu não querer ter filho. Eu não sei se foi daí. Nunca, para mim, associo a sofrimento. Ao contrário de muita gente, alegria, vida. Eu não sei. Não sei de onde veio isso. Mas eu me surpreendi. Agora eu vou falar outra coisa. Quando você passa por uma criação, eu vou falar outra coisa.

que foi muito difícil, que hoje, graças a Deus, tem tanta mudança, tanta conscientização, não usar a mão nas crianças, é uma educação positiva, vários tipos de educação, ensinamento fácil, através da internet.

A gente também entende o quanto é difícil quando você passou por um martenar, quando você foi um filho de uma questão... Você foi... Fugiu as palavras agora. Quando você veio de uma criação diferenciada, o quão difícil é separar isso em certas situações quando você se torna mãe.

E eu me sentia muito culpada por isso, sabe? Por ter aquela... Estava sempre plugada ali. Não, eu tenho que... Não posso fazer isso. Sabe assim? Eu acho que a terapia me fez ter consciência do que eu tinha que ter alerta em relação a ela, as dificuldades que eu passava com ela.

Então é muito difícil, se torna mais desgastante, porque você está sempre naquele alerta, sabe? Eu não posso fazer isso, eu não posso repetir isso, eu tenho que manter minha calma, eu não consigo manter a calma, o que eu faço agora? Quando você tem uma criança desafiadora...

Eu gostaria de dividir com as mães que passam com isso. Não se sinta culpada. Não ouça que é tudo sua culpa. Gente, a gente é ser humano. A gente explode, a gente chora, a gente tem sentimento.

Uma criança que é igual a minha, que foi muito impulsiva, graças a Deus, agora ela já está tendo controle mais da situação, mas que você apanha da criança a todo momento. Ai, porque a criança não vai me bater, né? Tem pai que fala isso. Como assim você deixou a sua criança? Não, é uma situação muito delicada, é uma situação muito difícil, independente se ela não era minha filha.

A criança é muito difícil, é muito desafiador. Mas eu queria colocar no coração desses pais e mães que é possível, mas você tem que ter ajuda.

não é abrindo com todo mundo, é procurando especialistas e pessoas que vão te ajudar, te orientar, é terapia parental, procure ajuda, tá aí. Hoje, se você não consegue pagar, você tem acesso a YouTube, você tem acesso às redes que te fornecem isso e você vai ouvir diversas opiniões, mas você tem, hoje acho que tá muito mais fácil, né, esse tipo de ajuda.

Porque é muito desafiador, é muito desafiador. E eu acho que o que me mudou foi que eu consigo, existe, você consegue superar, você consegue passar, é desafiador. Mas que toda mãe vai errar. E infelizmente é, a gente não se graduou numa faculdade para ser pai e mãe, principalmente de uma criança atípica, de uma situação atípica.

Então, é isso. É errando e não existe a mãe perfeita. Por mais que você ouviu aquela mãe que está ali do lado dando sugestão, pitaco, que falou que ia dar tudo saudável e, de repente, a criança já não está comendo mais saudável depois de alguns anos, não existe a mãe perfeita. É só a mãe que está amando, que está lutando e que está aprendendo todo dia. Eu acho que é isso.

Com certeza, a mãe perfeita não é a mãe, é o que a gente fala, a mãe perfeita só existe na teoria, ah, meu filho não vai, meu filho não faz, meu filho não sei o que, a mãe perfeita ainda não é mãe, né, independente dos desafios que...

A criança tem, tem crianças mais fáceis do que outras, mas sempre vai ter um desafio, né? Criar um ser humano é muito desafiador, não importa se a criança é super boazinha ou tem alguma neurodivergência, não importa, existem níveis de desafio, mas não importa, é sempre muito desafiador, né?

E é importante, às vezes, a gente não esquecer disso, que a mãe adotiva, ela também passa por esse... Ela também tá criando um ser humano. Não, ela não pariu a criança, mas ela pegou a criança pra criar e os desafios de uma criança de dois anos que eu pari e uma criança adotada de dois anos são os mesmos. A criança vai estar passando pela fase exatamente do mesmo jeito, né? Então, assim, fico muito triste de saber que quando você comentou com algumas pessoas sobre a questão da adoção...

te mandaram notícias horrorosas, assim, como se fosse menos mãe, né, como se fosse, assim, como se filhos que nascem, né, da mãe, não fizessem isso. E faz, gente, faz todo dia, adotivo ou não adotivo, se for pra acontecer, vai acontecer. E eu sinto muito que...

Colocaram essa carga a mais em tudo que você já estava passando, que hoje você está contando aqui pra gente. Mas assim, toda essa vulnerabilidade, instabilidade, medo, ansiedade e ainda o pessoal te mandando notícias ruins, falando não, você não deveria fazer isso.

Assim, você teve que se manter junto com seu marido como se fosse uma fortaleza mesmo, ou muito forte, pra vocês não desistirem, né? Pra não falarem, nossa, então quer saber? Realmente, melhor não, porque essa é a tendência do ser humano, né? Ver um desafio e não querer mais. Só que com o filho, né? Quando a gente quer muito uma coisa, com o filho não tem como a gente desistir. Então eu fico feliz, porque com certeza a sua filha tem um...

pais maravilhosos que tentam fazer o máximo. Enfim, essa história é extremamente inspiradora. E pra gente fechar, Cris, eu queria muito que você desse uma palavra pra uma mãe que tá pensando em adotar, mas assim, de novo, dentro da perspectiva dos Estados Unidos, não sei como é na Europa, não sei como é no Brasil, em outros países, então é importante também frisar.

essa questão, né, que talvez seja mais fácil em outros países, que não tem a facerquia e tal, mas pensando numa forma mais branda, assim, uma mãe que tá pensando em adotar, mas sem medo, medo de talvez não conseguir amar, talvez não ficar com a criança, independente do medo que ela sinta, acho que você consegue muito ajudar essa mãe agora.

Eu acho que você tem que ter ciência, estude, estude, tente entender o que é adoção, porque eu vejo que quando as pessoas vêm falar comigo sobre o tema, é mais do lado encantamento. Adotar é escolher amar, adoção não é uma caridade.

A adoção é um ato de amor, né? E com isso, não são flores. Porque tenha ciência, se uma criança deixou os pais, tem uma história e não é uma história legal do outro lado, né? E a gente não vai mudar isso. E a criança, por mais que ela não lembre se é uma criança pequena ou não, isso vai estar nela, vai estar presente nela de alguma forma, né? E então eu acho que é isso.

Tente entender o que é adoção antes de dar o passo. Porque hoje, principalmente, a gente está ouvindo muitos pais, muitas histórias de pais retornando filhos, que não querem filho. Outro dia eu vi num grupo de brasileiros morando fora que quem gostaria de reter... Eu não aguento mais meu filho, uma mãe desabafou. Eu gostaria de reter... E uma mãe biológica falando isso. Então, assim, isso acontece com todo mundo. Tem gente que não se identifica com o maternar, né?

E eu vim de uma criação que minha mãe literalmente não se identificou com Marta Ternar. E então é isso. É errando, mas a gente tem que ter consciência do que está fazendo. Para tudo na vida. A gente tem que se preparar, estudar e dar o passo para acontecer. Mas eu gostaria de dizer que...

Ok, eu tenho conhecidas que adotou e a criança vive uma vida normal, como uma criança outra normal, não tem nenhuma necessidade, não é uma criança típica, então é uma caixinha de surpresa, mas você tem que estar preparado o que pode ver. É isso que eu recomendo, porque eu vejo que as pessoas falam mais de uma forma de encantamento ou julgamento. Se prepare, se prepare que é possível.

Obrigada por acompanhar mais um episódio do Colo de Longe. Se essa conversa tocou seu coração, compartilhe com outras mães que também estão vivendo essa experiência fora do Brasil. E não esquece de seguir a gente no Instagram, arroba colo de longe. A gente se encontra no próximo episódio. Um beijo e até lá.

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