Paulinho da Costa: o groove brasileiro que conquistou o mundo
O Mano a Mano está de volta em 2026 e retorna com um convidado de peso: Paulinho da Costa, em uma conversa com Mano Brown e Semayat Oliveira, com participação especial do produtor musical João Marcello Bôscoli, amigo de longa data do percussionista.
No episódio, Paulinho relembra sua trajetória, do início no samba carioca à consagração como um dos percussionistas mais gravados da história da música, com participação em milhares de canções ao lado de artistas como Michael Jackson, Madonna e Quincy Jones. Entre histórias de bastidores e reflexões sobre música e criatividade, o papo revela como o groove brasileiro ajudou a moldar o som da música pop mundial.
Dê o play e ouça agora o novo episódio do Mano a Mano.
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- Carreira como percussionista gravador972 artistas gravados · 6 mil canções · 161 indicações a prêmios · 59 Grammys vencidos · Trabalhos com Michael Jackson, Madonna, Quincy Jones
- Paulinho da CostaInfância no Rio de Janeiro · Primeiros instrumentos (pandeiro, bateria) · Escola de Samba Portela · Migração para Los Angeles em 1972 · Desenvolvimento profissional internacional
- Filosofia MusicalRespeito aos instrumentos · Dinâmica e toque suave · Aprendizado contínuo e educação · Escuta atenta · Importância da preparação técnica
- Humildade e AprendizadoAutorreflexão sobre talento · Busca contínua de conhecimento · Valorização de mentores · Reconhecimento de limitações · Crescimento espiritual
- Trabalho com artistas famososColaboração em estúdio · Criatividade conjunta · Dinâmica de trabalho · Contribuição percussiva em Thriller · Relacionamento profissional
- Importância do ritmo na músicaRitmo como base musical · Diferenças rítmicas entre culturas · Swing brasileiro · Sensibilidade rítmica · Ritmo como guia artístico
- RelacionamentosRespeito aos artistas · Confidencialidade · Recusa em falar negativamente · Foco na música · Integridade profissional
- Trabalho em trilhas sonoras de cinemaMais de 350 filmes · Corpura · Os Embalos de Sábado à Noite · Indiana Jones · Jurassic Park
- Influência da energia e clima no estúdioVibração do ambiente · Presença de pessoas · Estado emocional dos músicos · Intuição criativa · Momentos únicos e irreproduzíveis
- Escola de SambaEstrutura da bateria de samba · Papel do mestre de bateria · Instrumentos tradicionais · Dinâmica e dança · Conhecimento cultural como vantagem
- Música pop globalPapel da percussão em sucessos pop · Diferença que a percussão faz · Técnica de camadas rítmicas · Importância muitas vezes despercebida · Contribuição brasileira ao pop mundial
- Cinema e SériesPrimeira estrela brasileira (13 de maio) · Reconhecimento internacional · Prêmios e honrarias · Impacto cultural
- Publicidade e criatividade comercialProjeto especial de 200 comerciais · Ideia original do Rio · Sucesso global · Prêmio de melhor comercial do ano · Poder do ritmo em marketing
- DocumentáriosDisponível na Netflix · Lançamento em março · Direção de Oscar Rodrigues Alves · 15 anos de produção · Histórias de bastidores
- Criatividade e desenvolvimentoSoluções criativas em estúdio · Uso de instrumentos inesperados · Adaptação a demandas · Momento de inspiração · Confiança na intuição
Você lembra aquela música que canta ele e o Mike McDonald? O Oscar, quando estávamos lá... Você tá nesse som? Tá! Pelo amor de Deus! Ele tá no Sweet Love! Ele está em todos os sons! Ele te definiu como o melhor percussionista do mundo. Como o senhor definiria o Michael? Eu defino o Michael como um do melhor do mundo. A mesma, eu dou de graça de volta pra ele, porque ele merece. E eu acho que...
Fez muita falta a partida dele. Qual é a importância de se manter aprendiz, Paulinho? É muito importante porque eu acho que do momento que você acha que você já sabe tudo, que eu acho que realmente você não sabe tudo, aí você para ali, né? E aí não tem mais nada que você... Mas eu acho que a gente sempre tem que... Pô, entendeu? Tô aprendendo aqui com vocês, né? Aprendendo a palavra dele, as coisas que ele me diz aqui e tal. Fico honrado de...
jovens. Aí, ó. É legal ter os caras jovens do lado também, pra dar a dimensão exata do nosso significado também, né? É bom ter pessoas como ele do seu lado, pra te lembrar também, ô Paulinho, entendeu? Porque esse senso de autopreservação tem que ter, sabe? Eu sinto que aqui no Brasil a gente é desencorajado. É um comportamento também nosso, né? Uma certa humildade, um cristianismo, um catolicismo, uma humildade que eu vejo que você tem, que você tá me dando uma
Aula de humildade. Eu não sou. Eu não tenho essa grandeza. Acho que eu nunca terei. Não vou mentir. Forte real de primordial. Abraço. Esse é o seu mano. Amano. Forte real. Semaiá Oliveira. Forte real, MB. Tá bem, Semaiá? Tô aqui. A energia dos bastidores hoje, pessoal, tá quente. Tá demais. Eu não tenho palavras na real. Você já se ligou, né? Já me liguei. Eu não sei fingir pra você, certo? Não, emoção aqui. Emoção no ar, né? Muitas perguntas. Muita coisa pra mim.
Sou músico, batuqueiro, ritmista, rimador das esquinas. Sou abençoado por esse orixá aqui hoje. É um orixá, certo? Orixás foram humanos, andaram na terra e nós estamos de frente para um. Exatamente. Eu considero o scout inalcançável. O que a gente tem que falar sobre para apresentar esse artista brasileiro. Vamos tentar.
Tá, vamos tentar. Repara-se pra esse scout, gente. Bom, o nome dele completo é Paulo Roberto da Costa. E o seu nome artístico, Paulinho da Costa. Ok. Ele nasceu em 1948, na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Irajá, Zona Norte. Começou a batucar na mesa da casa dele. Batucando, inclusive, com as costas das mãos. Seu primeiro instrumento foi o pandeiro. Chegou a integrar a ala jovem da bateria da escola de samba Portela. Olha aí, raiz. Pra começar.
Na adolescência, ele tinha mais ou menos uns 15 anos, começou a viajar pelo Brasil e pelo exterior. Foi pra Rússia pela primeira vez, acompanhando os brasileiros e artistas, né, Jorge Goulart e Nora Ney. E em 1972, a convite do pianista e produtor Sérgio Mendes, ele foi pra Los Angeles, nos Estados Unidos. E não voltou mais. E não voltou mais. Ele partiu e nunca mais. Esse realmente nunca mais, a partir daí se amaiar. O que que foi?
Foi um arregaço. Conta mais, bebê. Olha só. Algumas. Eu quero ouvir dele, mas eu fico assim… Eu posso até estragar a entrevista, inclusive. Já avisei, né? Eu tô sob forte emoção aqui. Alguns artistas que… Paulinho da Costa trabalhou. Vai pro grande público. Michael Jackson, Quincy Jones, Madonna… Madonna em terceiro? Não, não tá em ordem de… Pelo amor de Deus. Não tem nem como ordenar esses caras.
clima. Aretha Franklin, Ray Charles, pelo amor de Deus, Elton John, Phil Collins, do Gênesis, Sting, do Police, Diana Ross, Ertwin Fireman, Gloria Gaynor, The Jackson, Prince, Whitney Houston, Luther Vandross. Pra quem é da música, eu perguntei se é a mãe aí do rap, ela falou, acho que ali, Mary J. Blige, Destiny Shelf, R&B, Hip Hop, tá ali perto. Mas tem também Chacacan, e tem os brasileiros também, os monstros consagrados.
Antes da gente seguir, eu acho importante trazer os números. Tá, pra explicar essa nossa confusão. Ele gravou com mais de 972 artistas. 972 artistas. Participou da gravação de mais de 6.717 canções. 6.000 canções. Participou de projetos que resultaram em 161 indicações ao Grant.
E dessas indicações, 59 venceram. Acumula mais de 180 álbuns em singles de ouro e platina. Mais coisas, gente. Algumas músicas que a gente separou também, pras pessoas entenderem. Thriller. Thriller. Não, para. La Isla Bonita. Madonna, tá. All Nylon, do Lionel Rich. No Thriller, All Nylon, tá. I Resurvive, da Gloria Gaynor. Puta que pariu. Só pra começar, são só algumas. Além disso, ele ainda tem cinco álbuns próprios.
Agora, de 77. Tudo Bem, de 78, em parceria com o Joel Pass. Happy People, de 79. Sunrise, de 84. Breakdown, de 91. E o último single é o Real Love, de 2023, com a Marsha Skidmore. IMB tem mais coisa. O Paulinho da Costa também é um nome fundamental pro cinema. Certo. Ele contribuiu com mais de 350 filmes. Assinando ou participando de icônicas trilhas sonoras do cinema, como A Cor Púrpura, Os Embalos de Sábado à Noite.
Dirty Dancing, Purple Rain Jurassic Park, Hairspray e Indiana Jones. Só super sucesso? Qual que é a ideia? E 12 dessas canções ganharam Oscar. Ou você separou só os que é… Não, a gente pegou só alguns, né? Entendeu? Não dá 350 filmes. E esse ano, ele vai ser a primeira pessoa nascida no Brasil, no dia 13 de maio, a receber a estrela na calçada da fama de Hollywood. Sim.
recebeu vários prêmios, um prêmio que se chama Most Valuable Player, que é da Academia Nacional de Artes e Cinema dos Estados Unidos. Será que o Brasil tem noção do que é isso para os Estados Unidos? Então, hoje vai ter, inclusive, pro Brasil, né, a importância disso. Além disso, pra quem quiser conhecer mais da história do Paulinho, pra além do que a gente vai apresentar aqui hoje, tem um documentário disponível na Netflix, que foi lançado agora em março, que se chama The Groove Under The Groove, Os Sons de Paulinho da Costa, que é dirigido por Oscar Rodrigues Alves.
Já está disponível. Terminou o episódio, pode assistir o documentário, que vai mergulhar em mais coisa ainda. E hoje, pra acompanhar o Paulinho da Costa na mesa com a gente, a gente tem a presença do João Marcelo Pôscoli, que é produtor musical e amigo do Paulinho. Conhece tudo a vida dele, tenho certeza que ele vai trazer detalhes. Bem-vindo, muito obrigado pela presença, João Marcelo. Já conheço o João Marcelo. Então, sejam bem-vindos, Paulinho da Costa e João Marcelo Pôscoli. Muito obrigado. Muito feliz.
esse convite de vocês para o meu trabalho e receber essa homenagem que vocês estão fazendo aqui fora de série, eu nunca poderia imaginar que, entendeu? E as palavras das pessoas quando falaram para mim, ah, você vai lá, Mano Brown, você não sabe o poder dessa pessoa, eu falei, não, eu só sei, mas você recebeu esse convite, emocionante,
E eu espero que a minha história deixe vocês contentes, que vocês possam... Já estão, né? As palavras de vocês, já vi que nós estamos nos abraçando. Quando entrei aqui, aquele abraço, né? Eu costumo dizer o abraço do urso, que a gente não quer largar, né? Quando tem esse abraço, aí já é a vibração, né? Tem aquele que te dá a mão, metade da mão. Você sabe aqueles que querem te dar metade da mão, né? E a mão mole? Não, a mão mole não dá.
Pelo amor de Deus, vamos, né? E houve isso, chegamos aqui, a vibração de todo mundo, isso é uma maravilha. Muito obrigado de me receber aqui. Paulinho, fala um pouco da infância, lá do comecinho, lá embaixo. Olha, como você falou, eu vim lá de Irajá, entendeu? E comecei a tocar dentro do que vocês narraram aí. E nessa época, eu tocando na mesa lá na minha casa,
Às vezes minha mãe dizia, pô, você tá maluco? Você fica... Mas ela realmente, ela gostava, porque ela começava a cantar, né? Cantava lá e tal, e eu ia sempre... Mas eu já tinha esse... Às vezes, inclusive, eu esqueci de falar, no canto do armário, aquele tem uma sonoridade enorme. Tem um surto, um grave. Tem aquele grave. Já bati ali, já testei. Você sabe, né? Tem um grave legal. E aí, quando eu fazia esses momentos,
Tem detalhes que eu não... No momento é tanta coisa que eu não pude colocar tudo no documentário. Porque eu vou recordando coisas assim que o Oscar reclama. Você não falou isso? Mas é que vai indo, né? Eu tocando e ela começava a cantar, né? E ela cantava... Adelina Gomes da Costa. Ela não tinha... Não era uma profissional, mas tinha uma afinação boa, cantava bem.
E ela dizia, ela cantava, Portela, minhas cores têm, a bandeira do Brasil e do céu também. Pô, isso aí já, aí já. Aí a gente ria, abraçava. Tinha aquela emoção, mas tem uma musicalidade enorme e ficava aí. Meu pai, ele gostava muito de tocar acordeão, não era profissional, mas naquela época acordeão dominava. Em vez dos bailes, nas cafieiras, aqueles bailes, acordeão, ela...
Que era o piano, né? As harmonias eram feitas todas, né? E tinha aquela... O lance da... E tinha a sanfona também, que era outro instrumento, né? A sanfonia é uma coisa que fazia aquele... Que não é a mesma coisa, né? Não é demais, né? Que não é a mesma coisa. Aí eu vim nesse clima e sempre... Sempre sentindo essa vibração, essa alegria e tal. Não tinha... A questão financeira não era do que era necessário, mas...
dentro do que a gente tinha tentava levar a vida no melhor possível e um dia eu um dia me apareceu um pandeiro me deram um pandeiro, não sei de onde apareceu esse pandeiro sei que na minha casa esse pandeiro, ouvei de Deus alguém botou esse pandeiro na casa como é que é isso? Ah, não sei comecei a praticar o pandeiro tocando e tal que eu sempre tive muito respeito por qualquer instrumento, sempre ouvindo muito, sempre ouvindo detalhes
discos, rádios, ouvindo os cantores, que está aqui ao meu lado, Elis Regina, ouvia muito o trabalho dela, que é a mãe do nosso, Jair Rodrigues, com aquele swing dele, os dois dividindo o palco, que eu estou vendo, estou com o orelhão, com aquele orelhão, porque eu sempre, até hoje, toda a minha carreira, sempre ouvindo e aprendendo. Inclusive, até hoje,
eu acho que eu ainda tenho muito o que aprender. Muito o que aprender. Porque eu acho que você nunca sabe tudo. Sempre tem uma batida nova? Tem sempre uma batida nova. Sempre tem uma batida nova. As palavras que você falou ali na entrada, pesquisei muita coisa ali naquele momento. Esqueci sempre, né? E, por sorte, eu tenho uma esposa que sempre me dá muitas indicações assim a respeito de abertura, de futuro, de como funciona,
coisas e por ele ela tá sempre aí. Então, isso aí eu comecei a estudar, né? O pandeiro, estudar com respeito. Com respeito, estudar assim, não querer ser melhor do que os outros pandeiristas, mas eu digo, não, eu tenho que aperfeiçoar, porque o pandeiro é uma bateria, né? O pandeiro é uma baterista. Então, você tem... Então, eu achei que eu já tinha, não que eu estava assim pronto pra... Mas eu achei que eu acho que eu tô bem, eu posso...
chegar e encontrar essas pessoas que estejam praticava muito esse lance das costas das mãos é, as costas das mãos e tal desculpa, só um minuto nunca vi ninguém começar a tocar com as costas da mão Paulinho como foi isso, Paulinho? é porque, você sabe, você tocando nas frentes, então você tem a facilidade nesse movimento aqui, as costas eu achava interessante, de repente você
Dá volume, né? É o surdo, entendeu? Então uma faz a base e a outra faz a... A marcação e o contraponto. Quer dizer, agora já não tem aquela velocidade de jovem, mas... Então aí, ia nessa aí e tal. E, poxa, isso é legal. Mas aí o pandeiro, meu Deus, olha, eu vou... Eu falei, agora eu tô legal. Acho que eu vou chegar lá. Porque você sabe que tem a festa da penha, aquela festa... Todos os anos tem a festa que é muito religiosa.
dos rapaziada do Rio, do momento que está e onde as pessoas fazem uma farofinha, galinha, e tem que celebrar aquele momento, né? E te subir as escadas. Eu realmente não subi as escadas, porque o meu interesse era ali. Na roda do som ali com a rapaziada. E vocês eram comidas. Eu já ficava de olho na comida. E eu sempre, quer dizer, sempre fui muito interessado
ver o movimento das pessoas ali naquele momento. Então eu fui lá, levei meu pandeirinho aqui, muito humildemente cheguei lá. E eu achei que eu já comecei a tocar com a turma lá e o pessoal tá me olhando assim. E tinha um senhor que se chamava Jorge Sapecão, faleceu. Já, infelizmente, ele não teve oportunidade de ver a minha carreira. E ele foi uma pessoa que me ajudou muito, porque ele chegou pra mim sincero e falou, olha, eu falei sorrindo pra ele.
Ele falou, olha, você tem um futuro, mas tem uma longa caminhada. Falei, mas como? Não, não, não. Vai estudar, fica lá mais uns aninhos lá estudando. E depois você me fala, vem aqui o ano que vem. Aí eu falei, pô, fiquei decepcionado. Será que? Falei, tudo bem. Eu ouvi o conselho dele, fui, estudei lá. Minha mão saía sangue. Estudava sério.
Porque a categoria deles não tinha naquela época, não existia jogar pandeiro para cima, nada disso. É ritmo, divisão, saber, ritmo, base, segurar a base, dividir o outro ajudando os outros. Aí depois de um ano, dois anos, eu tive coragem e voltei. Aí ele, cheguei lá, já cheguei mais animado. E eu então mostrei onde eu estava, o nível.
musical, de ritmo. Ele falou, eu já tô perigoso. Você agora já tá meio perigoso. Agora você já tá sério. E foi uma das últimas palavras que eu ouvi dele. Aí eu peguei confiança, né? E continuei. E não... E continuei. E aí... Daí foi... Só fui à frente. E a coisa que eu achei interessante é... Como eu achei que a base dentro do ritmo tava boa, do pandeiro, eu achei que é interessante eu começar. Já comecei
me envolveu com outros grupos, outros ritmistas, gente assim que tornaram-se um grande amigo meu. Naquela época, a gente, mas você sabe, cada um, um toca o gogô, o outro toca o tamborinho, o outro, né? E a gente formava quarteto, trio, era maravilhoso, né? Um apoiando o outro, fiz vários shows, aí fui pra Portela, desfilei na Portela como passista e ritmista, que eu dançava. Passista e ritmista. Passista e ritmista.
samba tocando e tal. A gente queria muito, inclusive, saber a importância desse espaço, a escola de samba e a portela, né? Pro senhor, naquele momento, mas pra molecada num geral, né? Exato. Muito importante. Porque, você sabe, a escola de samba é uma orquestra. Sim. Que as pessoas nunca têm essa visão. Mas é... O mestre de bateria, ele é um contor... É um maestro. Ele é um maestro. Então,
preste atenção porque é a mesma coisa. O maestro, né? O maestro conduz, dá a entrada, dá a saída com uma baixa dinâmica. É o diretor da bateria, né? Sim, é o maestro. Só que na Portela, nessa época, a coisa que eu acho que vocês vão gostar de saber, nessa época não existia muito perdão. Você tinha ou toca ou fica fora. Certo. Inclusive, tinha umas pessoas que, se as pessoas estavam tocando mal, tinha uma
uma varia na mão. Tomava abaquetada. É. Sai fora. É sério. Sai fora porque é sério. Legal isso, né? É sério. Eu acho que eu nunca nem mencionei isso. Então, isso era importantíssimo. Então, o pessoal vem sério. Então, quando eu cheguei lá, parece que é a minha história, porque a mesma recepção que eu tive na escola de samba tocando foi que eu tive no exterior. O pessoal me recebe de praça bem. E a Portela falou, não, você é o cara. Pelo amor de Deus.
muito magrinho, muito elétrico, dançava bem, aí eu via para esse lado que eles queriam destaque. Então, a gente vê como destaque dentro da escola. No meio, ali na frente, eles têm as posições, né? Então, eu vinha tocando, porque eu tocava com base, e você sabe que nós tínhamos um grande problema. Naquela época, a bateria vinha lá atrás e nós viemos tocando lá na frente. Então, um atraso bandido, né?
Porque o surdo lá atrás, mas chegava atrasado. Chegava atrasado. E você tem que dançar, tocar, mas compensando aquele atraso. Mas isso me ajudou. Caraca. Aprender que você tem que ouvir. Uma sensibilidade diferenciada. Sensibilidade. Mas isso ajuda a dar uma escola aqui. E aprender que, olha... Porque nós viemos lá na frente. O último do bombo vinha lá atrás.
ô, rapaziada, segura, segura. Entendeu? Vamos atrasando tu pra encontrar o que tá vindo. Pra encontrar a marcação. Nossa. Outra coisa importante, os instrumentos, a maioria dos instrumentos era de couro, né? Certo. E alguns, pele de, de, de, como dizer, papelão. Então, alguns instrumentinhos agudos, esquentava ele, aí quando começa, a umidade vai, ele desafina, tu não tem afinação. Certo. Não tinha afinação naquela época. Alguns surdos já tinham,
Um pouquinho mais, que tinha uns negócios que puxavam mais. Aí era um... Aí para, esquenta aqui. Esquentar o couro. Esquentar o couro. Você lembra disso? Sim. O couro, ele cai, né? É, peguei essa fase. Já ouvi falar. Mas tem que apertar. Aí o que é que acontece? Papelão eu não sabia. Papelão, tem. Inclusive, tem uma companhia do Remo que eles começaram a construir uns instrumentos que eu tenho, eu usei muitos discos, que ele é de papelão, um papelão especial que não desafina.
criou baseado nos problemas que teve anteriormente. É, que ele chama de Remo, né, que no Brasil a gente conhece como Remo, aquela pele de bateria, Remo. Ele é amigo do Remo. E o Remo fabrica um monte de instrumentos. O cara que criou a pele plástica, né? Entendi. E outras companhias. Hidráulica, o inventor, é amigo dele. E ele colocou alguns instrumentos com aquela, mas ele é papel, mas ele não desafina. Aí ele criou a pele, que é
plástica, mas tem uma afinação, né? Então, a afinação que você coloca não muda. Pode estar chovendo, pode cair a temperatura. Paulo, aquela transparente com uma bola preta é dele? É dele. Ele que inventou isso? É ele que inventou tudo. Bateria transparente com uma bola preta. E porque as escolas, você vê as escolas, e na escola ajudou todo mundo. Então, deu a ele uma pessoa maravilhosa. Ele é italiano, ajuda lá, ajudava.
Mas isso eu vim saber depois. Depois começou a aparecer os pandeiros, já vinham com as peles. Os meus pandeiros já vinham com a pele plástica, era mais fácil, afinação e tudo. Ficou muito mais fácil no mercado. Então, tudo isso está me dando uma educação entre instrumentos. Eu adorei, sempre adorei muito ouvir os atabaques.
Então, por quê? Eu falei, eu gostava dos tabaques, os terreiros, os terreiros, né? Usava aquele tabaque que não tinha afinação fora, mas tinha as madeiras como era a África, né? Dos negros, né? Que batia, você bateu. Bate, ele veio. Aí ele vinha afinando, né? As cordas, puxando as cordas, que é o... E os terreiros eram a base. E eu adorava que eu ia aos terreiros pra tocar. E me encantava, eu ia pra lá e tal. E tocava, né?
Quantos anos o senhor tinha, mais ou menos, na cidade? Nessa época, eu devia estar com meus... 16? 14, 15, 16, por aí. Eu ia pra lá e o pessoal... E os santos, né? Você sabe, o santo vem no tambor. Você traz o santo no tambor, né? Exatamente. Porque o Carlinho fala isso e é a verdade. E eu ia lá... Os espíritos, quando vinham, eu respeitava tudo, mas não me afetava. Eu tava ali pra tocar. A minha ideia era tocar. Então, a gente chamava certas batidas, né?
o candomblé e tal, que vem a ver o funk, que era tudo que vem dessa raiz. O senhor chegou a receber um cargo de organ, porque é essa a função. Eles nunca me deram essa responsabilidade, porque é uma responsabilidade. Quando você é organ, você tem realmente saber as regras, mas ele me dá uma liberdade de tocar com eles ali. Como eu já tinha uma intuição,
bem musical, então eu já pegava, de vez em quando eu misturava um pouquinho dos sentimentos africanos e tal, dentro do candomblé, dentro que cada batida, né, chama um santo e tal. Mas isso aí eu aprendi muito, entende? Dentro desse terreiro, aprender que você tá ali, eu como não tinha a puxada do Ogã, mas eu respeitava o Ogã e respeitava os santos. E eles, você sabe, vem um espírito e me abraçava e eu tô com eles ali.
É emocionante, né? Eu tô com eles ali, mas não posso dizer, não, eu não sinto nada que vocês estão sentindo, mas sinto muito mais que eu tô aí, parte desse clima, desse ambiente, que é a vibração nossa, né? É o salmado. Você sente aquele negócio intenso, né? E daí, seguiu a minha carreira, e eu sempre aprendendo, sempre aprendendo, e comecei a me interessar. Eu tinha um amigo falecido que tocava, agogou muito bem,
melhores do Rio na época. Qual o nome? Beterlau. Beterlau. Aí tinha o Zeca da Cuica, que era um grande da Cuica. Aí tinha o Neném, que tocava Cuica também. Muito bom. Eu ficava observando ele. O Neném chegou a trabalhar com o Jorge Bem depois? Exato. É esse? É. Posso fazer uma pergunta? O Neném, o Neném que toca Cuica com o Jorge Bem é esse Neném. É. E o Neném, essa gente era... E nós trabalhamos muito junto, mas eu sempre falei pra eles, olha, eu acho que eu adoro e tal, mas eu acho
eu vou começar a pesquisar os outros instrumentos, porque você não sabe, um dia você está doente, precisa que dá um... Eu já posso substituir vocês, não com concorrência, mas assim, de ser a facilidade, né? De um problema aqui, a gente pode cobrir um para o outro. De não faltar. De não faltar, né? E aí fui estudar... O Curenga, o Curenga. O Curenga, né? Eu toquei, aprendi um pouquinho desse, um pouquinho daquele, um pouquinho desse, daquele. Então, quando eu tive o convite dia posterior,
e tivemos o convite do Sérgio Mendes para ir para os Estados Unidos, além de passar por várias coisas. Então foi uma oportunidade que eu estava preparado para fazer o trabalho com o Sérgio. Eu nunca pensei que eu estaria preparado para ter esse acesso a tantos artistas, esse mundo que estava caminhando na minha direção que eu nem tinha ideia. Eu fui lá fazer um trabalho com o Sérgio Mendes.
Então, fui para lá com a minha esposa com o apoio. Filho pequenininho de um mês. Então, tudo bem. Vamos para lá. E ela tem o apoio dela. Não falava nada de inglês. A minha esposa falava bem. Eu nada. Mas tudo bem. Fui lá para o sede. Comecei. Cheguei lá. Tudo bem. Então, um dos primeiros shows que eu... Cheguei hoje. Dormimos. Ensaio amanhã. Concerto. Uau.
Entendeu? Então, primeiro… Paulinho, antes da gente seguir nessa toada, desculpa te interferir, mas o senhor vai usar algumas palavras em relação ao pandeiro e ao tambor, que é de respeito, né? Essa relação de respeito. E no seu documentário, que a gente assistiu, é visível o seu respeito até na forma de tocar no tambor, de tocar nos instrumentos. O senhor acabou de dizer que se sentia preparado, mas tinha essa relação de respeito com os instrumentos, que se o senhor conseguir descrever pra gente de onde vem,
Esse toque suave no tambor pra fazer maravilhas. Aí volta à escola de samba. O que eu aprendi do diretor de bateria, que eu tava aprendendo ali que você tem que tocar, mas você não tem que realmente destruir o instrumento. Agredir o instrumento. Você vai agredir, você é agressivo. Inclusive, eu prestava atenção que as pessoas começavam a enrolar os dedos lá nos furiô. Isso não é necessário.
Por exemplo, porque se você tocar com a dinâmica perfeita, atingindo a parte do instrumento, o instrumento fala para você. A parte certa da mão também. Ele te diz o que você necessita. Se eu vou bater aqui, essa frequência aqui, eu não preciso quebrar a mesa. Então eu comecei a usar mais a técnica, respeito e deixar o instrumento me ajudar.
por exemplo, você pota o atabaque entre as pernas, então quando você bate, se ele tá no chão, ele tem uma sonoridade abafada. Então, você levanta ele com a perna um pouquinho, o som expande. E outra história que eu sempre ouvia muito, ouvindo sons, assim, você vê o som do
do coro, do instrumento, você bate, ele caminha. Inclusive, lia histórias que os africanos, eles conversam. Talking drum. Talking drum, né? Eles fazem... Estou conversando. Isso aí, musicalmente, é maravilhoso, porque é a maneira. Então, eu usei muito isso. Inclusive, no meu disco, eu tive que gravar todos os instrumentos, porque não tinha ninguém,
lá que pudesse mais. Eu gostaria de ter outros extremistas que me ajudassem a fazer aquele disco, o Agora, por exemplo. Tem umas partes ali de... Então, eu estou fazendo várias sessões porque os cubanos não vão tocar com o sentimento brasileiro. Eu sempre tive... Eu vou tocar música pop, mesma música cubana, mas vai ter sempre um... Eu vou sempre fazer a questão de botar aquela pimentinha nossa.
É o Brasil. Eu nunca esqueci do Brasil. Até hoje. E é isso que dá esse prazer de eu estar aqui. E saber que as pessoas, vocês receberam isso no documentário e ver como eu toco. E todos os rismistas, inclusive os brasileiros, eles sempre falam isso. Você não perdeu o Brasil. Porque normalmente, você sabe, o tumbada, o cubano é... É dentro disso aí. Então você vem tocando... Mas isso aqui não é Brasil. Não, o Brasil...
O Brasil é... Exato? Então eu tenho que... Eu vou tocar com eles, mas eu não vou deixar a nossa terra. Então eu vou... Eu tô aqui no Brasil, mas tô com eles. Que tô também sentindo... Entendeu? Mas eu tô aqui. É a terra nossa. Será que essa divisão foi criada no Brasil ou na África já tinha essa divisão diferente?
porque em algum momento a gente estava, os cubanos e os brasileiros estavam juntos. Juntos? Que momento a batida, o desenho da batida mudou? Isso é louco, né? É louco, né? É louco. Porque o que acontece é o seguinte, o ritmo, eu acho que o ritmo é internacional. Porque realmente, nós estamos juntos, de qualquer maneira. Mas você tem que tomar, os cubanos, a razão que, quer dizer, quando eu cheguei lá, vários, né, tocando já com nomes,
Mas, por minha sorte, eles não conseguem tocar o nosso negócio. Mas nós estamos juntos. É difícil pra um cara que não é brasileiro entender a batida do Brasil. É difícil. Até hoje os baixistas colocam o tempo forte no 1. Exato. Pra tentar achar o bolso. Mas, pô, tem que tocar no... O tempo forte é no 2, cara. Exato, é no 2. Não é no 1. 2. Não, isso aí é... Mas o tempo forte...
Brasil, isso aqui é. Os caras não entendem. Ron Carter, que é um gênio até hoje. Mas eu imagino que no imaginário tem uma batida ali no 1. Mas é o contra surdo. O surdo, o tempo forte é no 2. O James Brown é no 1, no Brasil é no 1. É mais quadrado. Não, eu acho que é onde começa a história. Você lembra que ele fala? É, no James Brown, o lance todo dele é o The One. 1. Bicho, você dá o 1. O que você vai fazer nos 2, 3, o problema é ter uma volta no 1. Então é 1 do 1.
O Brasil é um, dois, um, dois, um, dois, um, dois. Exato. Por quê? Por quê? Porque é a nossa terra. Mas hoje eu estava conversando com o nosso diretor Oscar, que é um percussionista também. É o seguinte, você tem que... Se você toca em três, não tem problema. Você pode tocar em três, cinco, desde que você saiba onde está. Como é que é o três? Por exemplo, eu vou tocar um samba em três para você. Seria...
Isso é muito louco. Entendeu? Mas o negócio é o seguinte, se você não se preocupar aonde está o 1 do 3, você toca em 4 e fica tudo certo. Então você toca em volta daquela divisão rítmica. Ou se você tocar
na nossa, que é um, dois, um, dois, fica tudo certo, quer ver se você, um, dois, um, dois, troca em um, dois, aí eu vou aqui, não tem problema, agora se eu vou a quatro, quatro, tá tudo certo, aí entra a África, seis por oito, ou doze, não tem problema, você tem que estar confiante que você está seguro,
sabe onde tá um. Entendeu? Tudo certo. Você consegue diferenciar os países pela batida, lógico? Ah, logo. Você consegue fazer um esboço aí de cada... É, por exemplo... Do que você viu pros caras tocar. Por exemplo, um lugar que foi o... Bob Miley, certo? É o quê? O reggae é... Reggae.
Mas tá tudo certo. Mas se você tem que acentuar esse um aí... Aí se você sair, por exemplo, misturar o reggae com samba, já você tem que ir. Não dá pra misturar reggae com samba. Então você tem que tocar em volta. Então se você tá... Você tem que fazer...
Você não pode... Não dá pra quebrar. Essa é a diferença. Gente, isso aqui não tem a menor condição. Você toca e volta. Você cerca. Você não deixa a célula principal fugir. Voltando à musicalidade, disco, gravar disco, eu aprendi que não tocar é muito importante. Certas músicas, se você não toca, ajuda a música porque ela não necessita nada.
Música que você tem que ajudar, você tem que fazer algo pra que leve, que tem música que tá pronta, mas não tem a magia. Já teve esse caso de você chegar, o cara falou, pô, Paulinho, toca aqui, pai, você vê. Pô, mano, essa música já tá pronta. Várias vezes. E aí, qual que é a reação do cara? A reação do cara, muito obrigado. Mas não, não dá pra você fazer, não tem condição de fazer nada, porque em vez de ajudar, eu vou atrapalhar. Olha. Os caras me dizem assim, poxa, eu nunca ouvi isso.
querem tocar pra ganhar um dinheiro. Ele vem aqui e quer tocar. Eles não estão preocupados. Pensa na música. Eu vou trabalhar com qualquer... Todos os artistas que eu trabalhava, eu ia lá pra botar o Brasil, botar meu coração, ir com eles. Sempre fiz isso. E uma música fácil que você vai entender, que é o que acontece, é o funk, né? O funk americano. O funk americano é o quarto. O coincisão é baseado no funk. É baseado no funk, que é o tempo...
O funk é no 1 também. É o 1, é o 1. É o... Como falamos do... James Brown. James Brown, você viu? Aqui, ó. Tem uma coisa bem indígena, não tem não nesse som? Tem, claro. Aí entra a África, aí entra mais aí. É tudo aqui, ó. Aí vem o Monster and Fire, que é baseado também no 1, tem que ser preciso.
se você não é preciso, não vai funcionar. Porque eles vão no tempo na hora exata. É muito 16 notes. É, 16 notes. Mas isso aí é uma música mais letal. 16 notas. 16 notas. Mas eles têm aqueles 16, mas não é aquele 16 quadrado. Tem o 16, mas entra muitas farofinhas aqui no meio, que é para dar
molho, né? Aí vem um brasileiro, eles me chamam pra tocar, que eu tô ouvindo o trabalho deles e tal, aí ele chega pra mim e diz assim, Paulinho, o negócio é o seguinte, você veio aqui, maravilha, falou com a minha esposa, arrumou uma sessão, vamos lá. Só que ele não tá me dizendo, ele não tá me dando nada pra ver, né? Ele diz assim, vou tocar isso aqui pra você, vê o que você pode fazer aí pra gente. Quer dizer, te dá uma responsabilidade grande.
Tá todo o grupo ali, todo mundo toca, Maurício Arte é baterista, todo mundo, irmão. Aí,
Aí você tem a responsabilidade, como brasileiro, como músico, que foi convidado pra fazer um trabalho. Primeira vez que eu encontro os caras. Eles estão sentados assim. Eu estou na fire. Eu estou na fire, que é um grupo. Pelo amor de Deus, mano. É um grupo. Tem um programa só pra falar disso. É verdade. Continuo. Eu estou na fire. Eles. Eu entro lá, que eles sabem das histórias e tal. Esse é a enciclopédia. João, você sabe. Sabe mais do que eu, né? Dele. É. Até porque quando chegou,
tinha um mês, tinha dois meses. Beleza. Eu já tô perdido. Eles sabem, Aris sabem. Aí eu chego lá pra continuar isso aqui pra você. Eles... Exato. Mas tá todo mundo com o olho desse tamanho, né, Paulinho, né? E aí eu tenho a responsabilidade que é o Brasil, entendeu? Que eles tão falando isso. Pra ser brasileiro, ótimo, mas já tô lá, já tenho um conhecimento, né? E eles dizem assim, Paulinho, é isso aqui, ouve e toca. Aí, pô, é sério, né? Entendeu?
Aí tem que entrar o respeito ao grupo, o que eu vou fazer. Então, eu não posso fazer nada normal, porque se normal, eles sabem fazer. Certo? Então, pra que que eu tenho? Então, aí, o que que eu fiz? Pensei, né? Muito. Um pouquinho de minutos, rápido. Eu falei pro Maurício, olha, eu sei o que eu vou fazer nessa música. Qual música em específico? Se chama... Brasília Rhyme. Brasília Rhyme. Tô aqui pensando nela o tempo todo, só de pensar nessa batucada é dele. Mas foi a primeira música que ele trabalhou,
Eu nem sabia, eu fui por intuição. E aí, o que você lembra dela? Aqui, ó. É ele. E depois a colher. Eu achei a vida inteira que era uma castanhola, não era uma castanhola. Você participa também nessas divisões? Uma pergunta, você participa nas divisões rítmicas das guitarras também? Você ensina os caras? Claro, claro. Como você falou, né? Claro. Outra coisa, outra coisa. Quando eu fui tocar, o que acontece é o seguinte. Quer dizer, até aí nós estamos começando
uma amizade que eu não tô nem sabendo. Eu fui lá fazer um trabalho, acabou, eles vão pagar e terminou aí, né? Isso, 72, tá, gente? Pra voltar lá. Exato. É, deu um pulo, a gente vai e volta. Não, 72 é quando ele chegou. Sim. Primeira gravação dele, The Miracles. The Miracles. Tinha perdido o Smokey Robinson. Caos, caos. Smokey Robinson. Não, mas o Smokey Robinson saiu. Sogou a banda lá. É tipo os Jackson sem o Michael. O Pelé saiu do Santos. Mas aí, estamos fritos.
E agora? Tem uma música. Foram ver ele tocar. Que é sempre assim. Nunca fez um cartão, Bruno. Ele nunca fez um cartão. Não, mas ele nem fala isso porque não é o Paulinho, não é isso. Não, a pessoa vai ver e convida, né? Aí ele foi... Em 72, ele foi pro estúdio, gravou, explodiu o número 1. I'm Just a Love Machine. É ele. Número 1 salvou a banda. O primeiro disco que... Salvou a banda.
Desculpa, salvou a banda. Porque eu tinha exclusividade, não podia fazer aquele trabalho. Eu tinha exclusividade com o Sérgio, mas a Aris conseguiu lá, convenceu o Sérgio, que ele era meio ciumento do meu trabalho, não queria que eu tocasse com ninguém. A Aris convenceu lá com ele, fizeram uma coisa. Eu nunca me preocupei com a parte negociável do trabalho, porque, por sorte minha, a minha esposa sempre cobriu esse lado. Então eu tinha a liberdade de pensar na música. Só pensar só na música.
Então isso me ajudou muito, né? Porque você tem uma pessoa que confia, são 56 anos de casamento. Mas isso também deu sorte, porque além de ser o amor da vida dele, que ontem ele falou, parece que eu conheci ela hoje de manhã. É verdade. Mas além disso, tem um, por exemplo, lembra quando a gente escuta às vezes que pegou fogo nos escritórios da Warner nos Estados Unidos, ou queimou o Universal Incêndio, que teve muito lá, né?
Muito, muito. Pedem os contratos, ligam para a Arice para ver se ela tem cópia. E elas quase sempre têm. Quem não contrata, por aqui você tem uma cópia. Isso, porque como ela... A organização da família da Costa é incrível, ela cuida disso. Chega a esse ponto de assim, cara, a gente não tinha digitalizado. Como ele guarda os contratos, vira uma referência. É isso aí. Ao lado de um grande homem. Qual o nome completo do nome, Arice? Arice da Costa.
todos os agradecimentos do Earth on Fire, do Quincy, do Michael. Obrigado. Paulinho e Arice da Costa. E depois que conhecem, aí botam na ordem certa. Arice e Paulinho da Costa. Não, que é alfabético. É verdade. Agora, entendeu? Então, esse disco, por Deus, por nosso espírito, né? Número um. Número um. Explodiu. Esculpa, os dois. Qual que você quer saber? O de 72 é o número um e o Earth on.
Não, tem uma abertura do video show, é ela? Não, é? Não, do video show é outra coisa que ele tocou também que é o Don't Stop To Get It Now.
Mas onde você atirou essa certa no Paulinho? Flecha de amor. Tem essa característica do arranjo, né? Brasileirado, né? Brasileirado. Agora, o que acontece é o seguinte. Você falou, o amigo da data, um cara que adorou muito o Maurício. Mas o Maurício sempre foi muito criativo, né? E você tem que respeitar o que ele sente, mas ele te deixa sofrer e confia em você. Nós estamos falando do Maurício White. O cara gravou com ele muito. Nós estamos falando do Maurício White.
Só um detalhe. Pelo amor de Deus. O Maurice White era a banda número um do mundo. A maior banda do planeta. Muitos anos. Inclusive a mágica quem trouxe foram eles. O Michael Jackson seguiu eles. Eles que contrataram o David Copperfield. Veja, quando você fala assim, o Earth on Fire tem que lançar um disco em dezembro. Por quê? Se não quebra a companhia, entre aspas. Porque você está esperando o lançamento da maior banda. Está tudo preparado na companhia para aquilo.
Aí falam, a gente vai gravar em março. É, mas o Paulinho não tem data. Danes, espera o Paulinho. É sério, é sério. Eu vi lá. O Maurice fala, espera, não dá pra gravar sem o Paulinho. Isso não é uma coisa lateral, não é um fetiche, não é um agrado. O Paulinho gravou com o Heat Wave também? O Heat Wave? Eu não me lembro. Não, mas você gravou com o Rod Temper. Ele é o dono da banda, né? Não, você sabe o negócio. Mas é arrumar aquela cozinha lá.
Você faz o negócio, você me perguntou uma coisa aqui. Agora acontece o tempo todo.
Gravou com o Heat Wave? Gravou. Gravei. Gravou. Mas eu tenho que pensar, porque é tanta informação. É, a referência é que ele trabalhou também com você no Michael. Não? No Thriller. E eu vou no Thriller, no Off the Wall. É, ele é o cara da banda. Quando ele tava no... Porque ele é um... Não, não. Thriller, Off the Wall. Off the Wall. No The Dude. Pelo amor de Deus. No disco da Patty Austin. Patty Austin, é. Vocês tão falando. E no disco do James Ingram. James Ingram. E I'm a be there. Você tá lembrando.
Era assim, mas eu mudei. Exato. Você lembra aquela música que canta ele, o Mike McDonald's? Sim. O Oscar, quando está o homem lá... Você tá nesse som? Tá. Pelo amor de Deus. Ele tá no Sweet Love. Ele tá em todos os sons. Ele tá no Sweet Love. Sweet Love. Tem um negócio ali que você ouve de... Nossa, essa música é demais. Então é um negócio que você não espera que ele vai estar, que você vai chorar. Sweet Love é demais. É o Brasil ali.
É o Bitcoin Zoom, maluco. Ele tava no Whisper. Direto. Entrou a bateria eletrônica, ia ferrar a banda. É, não dá. Eu tô tomando remédio faz uma semana. Então, quem não é da nossa geração? Não é geração, porque ele tá tudo lá no sample de todo mundo, não tem desculpa. Tudo bem, também. Os caras tão curtindo sem saber. Quando a gente nasceu, o Netkin Cole já tinha morrido. A gente conhece o Netkin Cole. A linha do tempo, o Netkin Cole. Tinha filha dele também, que era linda. Netkin Cole, maravilhosa.
Então o som dela brasileiro, você deve estar por trás daquele som Rio de Janeiro Blues. Exato, exato. Tá ligado? Claro que eu tô ligado. Malandro. Não, escuta, é difícil. O que é louco é que o Paulinho é muito brasileiro. Ele é o Brasil. Mas ele tá conectado com tudo que é muito americano e que teoricamente estariam jogando contra um ao outro. Não, ele mostrou que tá tudo junto. Ele levou o Brasil pra lá.
Tinha um pessoal da música popular no Brasil, inclusive do samba, que era totalmente contra a disco, totalmente contra o baile Black. Não, saindo mais longe. Pô, ele provou que é tudo uma coisa só. Não dá pra fazer um baile de uma hora que seja da hora que não tem uma faixa dele. Porque ele fez o crossover. Exato. Lembra do Steve Wonder? Eu lembro do Steve Wonder. Você tá maluco. Do Michigan. 13 de maio.
em 950, tocou com o homem, cara. Steve Wonder. E o George Benson? Você gosta de George Benson? Vamos. Então, Give Me The Night. Give Me The Night. Você tá nessa batucada, né? E não só anda nessa batucada, como essa composição, eu e a minha esposa levamos pra eles. Oh, meu Deus. É mesmo. Que é o Ivan Lich. Você entendeu o que você... Desculpa, só um minuto. Você entendeu o que a gente acabou de ouvir? Eu tô ouvindo. Give Me The Night.
Eu e minha esposa levamos. Quer dizer, não existia. Para o George Benson gravar. Não existia no mundo essa gravação. Alguém levou.
esse forte pro meu amigo Rafael Tirissa, lá da Sabine. Ele ama essa música. Moleque novo, hein? Eu tô embriagado. Você tem uma música que eu acho que você deve lembrar desse mesmo projeto, que se chama do Ivan, que se chama... Velas. Velas. Velas e Sadas. Essa tá nesse momento. O Quincy tava fazendo o final da produção. Olha isso. Quincy Jones. Quincy Jones, né?
Desculpa, eu... A intimidade. Mas é a intimidade. Pelo amor de Deus. Ele tá falando do Chris Jones, rapaziada. Vambora. Você viu o que o Chris Jones fala dele? Esse é o problema. Eu vi. Eu vi o que todo mundo fala dele. É loucura, cara. E você vê que eu queria ser produtor, só ser produtor do Paulinho, porque assim, o que todos falam, Paulinho, vai lá e faz o seu lance lá. A gente tá aqui esperando. Não tem um briefing. Ele ouve. Então, mas... E vai lá e faz. Esse lance... Dirigir não é como dirigir o...
O mar, o rio, o vento, não tem direito. Uma árvore, não tem isso. Eu gostaria que ele trouxesse mais disso pra gente. Você ia continuar falando alguma história agora. Vamos voltar lá. Mas em alguns momentos, Paulinho disse do espírito, né? O nosso espírito tá lá. Exato. E você também disse que são mais de seis mil canções que você participou. Então você disse que teve algumas que eu achei que não precisava de nada. Mas seis mil, mais de seis mil, precisaram.
Precisava. Muitas. E aí, eu gostaria que o senhor tentasse compartilhar com a gente que espírito é esse? Que energia é essa? Como é que é você ouvir uma música e sentir que ela precisa de alguma coisa? O que uma música precisa pra virar um hit mundial? Que são muitos. Que tem a sua mão. Vai ter uma que você vai recordar e ele vai recordar rápido. Por exemplo. Serpentine Fire. Serpentine Fire. E várias outras.
Então, essa música, eles terminaram, estava tudo bem, mas faltava. O Maurício falou, está faltando alguma coisa. Paulinho, o quê, Maurício? Vou lá. Você vê o... Aí eu chego lá, eles dizem assim, eu falei, eu ouvi, deixa comigo. Vou lá nas raízes nossas, vou fazer algo aqui, acho que vai adiantar. Aí eu peguei esse calbel, que eu tinha esse calbel que é africano, mas ele tem uma frequência,
assim, de duas tonalidades e a barriga vira outra tonalidade. Então, eu uso ele, eu usei ele usando o agudo, o grave e a minha barriga. Então, você faz... Aqui é outro lance. Então, isso virou uma melodia que marcou dentro da... Aí, eu fui lá e fui no clima. Já tem o swing nosso, né? E tem o swing da cintura. Aí, eu vou nessa.
O Maurício, eles viraram Toquei, né? A base toda Então virou aquele negócio Eles disseram pra mim, Paulinho, você salvou a música Agora nós temos a música Antes não tinha uma coisa Uma história que eu vi o cara contando O cara da banda do Cold Gang O Cold Gang, o baixista O dono da banda Pelo volume do baixo na mix, você sabe que ele é o dono Eu vi ele contar uma história assim
estaria no estúdio com ele na hora que ele tava fazendo a música Ladies Night. Certo. E que eles tocaram, fizeram, tocaram tudo e perguntou pra você e você fez assim, ó. Tipo assim, tá bom, mas tá devagar. Pronto, faz aí, então, já que você é bom. Resolve aí. Como é que você faria? Aí ele fala que você fez o resto. O que acontece é o seguinte. Você, nesses momentos assim, eu já suporto o meu coração, porque não dá pra você... E outra coisa,
O incrível é que se você programar muito o que você vai fazer, você vira uma máquina. Então, você não pode se programar, mas ao mesmo tempo você tem que criar algo que vai fazer diferença. Tem que estar corpo presente, né? É, tem que... Aí vem os... Aquele arranjo de metais é seu? Não, não. Ele jogou na sua conta, mano. Ele jogou na sua conta. Mas eles me ajudam. Além de ser uns caras que são meus fãs, eles aparecem coisas que eu não estava envolvido, mas devido... Ou não lembra mais.
acham que sou eu. Ontem aconteceu isso. Chegamos lá no evento, né? Um rapaz, você... Fomos ao evento e ele... Você tocou nisso aqui. Eu digo, olha, eu adoro o que tá aí, mas não fui eu. Você tá abrindo mão do mérito que o próprio cara tá te dando, cara. É muita grandeza, Paulinho. É grande demais. É muita grandeza. Por exemplo... Nem fui eu, nem fui eu. Pergunta pra ele.
Fui eu? Putz, não lembrava dessa. Não, não dá. Acontece muito isso. Você tá acabando com nós, Paulinho. Não, não tô, não. Olha... Tem que rever conceitos. E sempre um take ou dois, no máximo. Não tem conversa. Tem que rever conceitos. Só a passagem pelo Brasil vai ser um furacão, cara. Mas eu quero insistir muito. Você tava falando da história do Earth in the Fire. Tá ótimo, você tá ótimo. Você tá tentando falar esse nome desde a hora que ela chegou. É uma pegadinha.
Acertou pela primeira vez. Acertei. Não, tudo bem. Desse momento, dessa música, que eles disseram que precisava de alguma coisa, e o Bal está falando dessa grandeza, o que o senhor precisa sentir? Como é que o senhor sente uma música que chegou? Chegou. Aonde o senhor acha que precisava ter chegado? É uma coisa impressionante, porque você... Quando você toca as primeiras notas e você ouve os instrumentos harmônicos, as vozes, você...
É um negócio mágico, entende? É um negócio... Eu acho que você deve ter sentido isso no seu trabalho. Eu tô aqui... Pra você falar, às vezes eu sinto, assim, fragmentos disso, né? Que sou eu, não posso me comparar. Não, mas pode sim. Eu sinto fragmentos de felicidade dessa que você tá falando aí. De algumas realizações proporcionais ao meu tamanho. Certo. De igual prazer, né? Muito prazer, assim. Tem que fazer um bagulho bonito. Imagina...
Não, não zoa não. Mas sabe o que é legal, Brown? Se você pegar essa música na internet, ela tá dissecada. Aí você tem só a bateria eletrônica. Muito bem programada a Lean Drum, né? Eletrônico. Essa do Michael McDonnell com... Também, também é. Também é. Não, falando do Wanna Be Starting Something, a primeira faixa do Thriller. Quando você escuta a programação, tem na internet isso, no YouTube, os canais separados. Aí você ouve só a bateria eletrônica e ouve toda a base sem a percussão,
Cara, parece que você tá empurrando um piano de cauda, sem rodinha, subindo a Teodoro Sampaio. Não, não tá acontecendo nada. Tá um lance... Como assim nada? Me explica esse nada. Parece que não tá andando, assim. É duro, as coisas não se sustentam. Sabe aquele hovercraft? Que é aquele negócio que tem o ar quente embaixo que a pessoa dirige, assim, em cima. Tá no mar, aí chega lá por terra e continua andando. Que nem o subgrávido 808.
tá tudo, assim, parece que você tira o lance dele e o negócio cai no chão. A leveza, a leveza do barato. O todo, o ambiente. Ele toca o silêncio. Esse cara, sabe, esse é uma grande surpresa que eu tive com ele, que nós tocamos um pouquinho aqui no... Eu vou explicar porque ele gostou, tem uma razão. E eles portaram a banda, eu tô pensando que eu sou convidado pra vir a estilos, né? Que ele me fala, o Oscar de percussão e tal, ele na bateria e o pessoal no arranjo e tal. Eu chego lá,
Não tô sabendo o que tá envolvido, nada. E aí, Paulinho, você tá aqui, você vai entrar com a gente. Em casa, tá? É um golpe em casa. Ele na bateria, né? Todo mundo queria virar. Aí começamos, fizemos trabalho, eu tive que chegar pra ele e falar, olha, eu fiquei uma surpresa, porque como eles tocaram, eu não podia esperar. E tem momentos ali, muito importantes, que se você não toca, a música não é a música.
Puxadinhas que é importantíssima, né? E... E esse daqui jogando... E esse daqui... Eu fiquei maravilhado, porque eles estudaram aquilo e tá saindo... Mas ele estudou durante 40 anos só. Mas eu não tô... Eu não tô sabendo. Então é isso aí, Brown. É o que os dias... Entra o Brasil, entra o swing nosso,
a sensibilidade, entendeu? Porque, e você tem que... Muita sensibilidade. A mão do batuqueiro, né, mano? O batuqueiro, que a gente, isso aí, na escola não ensina isso, não. A responsa mesmo é tomar aquela baquetada do... É, dos caras, entendeu? A escola não ensina, ensina e não lá, não tem gente. Eu tinha um primo que, no meio da roda de samba, ele te humilhava, assim. Ele mandava para o samba, ele falava assim, em hipótese alguma, você me faz uma coisa dessa.
Todo mundo te olhando. É, mas... Ele mandava, ele estava assim, ó. Olha, aperta a minha mão aqui, você sabe.
Você sabe dessa história? Tem gente que não sabe isso. E não tem isso. Eles que pensam que vai pra universidade, pra Berkeley, pra aprender, né? Bateria e tal. Não tem nada. Eles não te ensinam nunca. Isso aí, só quem veio lá de baixo, como você e como eu. Porque sou eu pra ser comparado com você, Paulo. Muito obrigado. Não é? Você tá me abençoando com cada palavra dessa. Eu tenho que comer muito feijão. Você merece. Você também, fazer uma pesquisa, até o nome do grupo,
Você acha que não está falando...
Ele tá maravilhoso. Obrigado. Você é 70? Pra eu gravar com mais 900 artistas, ele tocou. Pra mim, falta só 980. Não, é 1.100. 1.006. Passou de mil, Alice. Eu tava certo. Pra mim, só falta mil. Já tá, passamos. Já passou? Você foi um agente secreto. Quem foi que falou com você? Não é isso. Porque ele salva a nossa vida todos os dias.
a maioria das pessoas não sabe. Mano, é difícil explicar o que você fez, cara. Você ter cruzado tantas fronteiras e ter tocado pro planeta inteiro, cara. Imagina, você tá assistindo o South Park ou o Everybody Hates Cruise e ele tá lá. Eu me sinto um cara cantando aqui, mano. No capão aqui, mano. Eu me sinto só de lá. Meu carro, me sentindo. Porque sou eu vendo. Não, você acha isso, mas você representa muito
nós recebemos o convite pra vir aqui, as palavras das pessoas, olha, pô, isso é sério. É uma coisa séria. É por isso que nós estamos aqui, porque você merece. Nós temos nossa luta, eu faço parte dessa luta também, mas sei o meu real tamanho. Nós estamos falando de música, não de militância, ou lutas sociais, cada coisa no seu lugar. Nós estamos falando de música. Eu tenho que ficar aqui, morou? Eu sou um, mais que um admirador, eu sou um, sei lá, um devoto. Sou de tudo o ritmo.
Morou? Eu vivo do ritmo. Tudo que eu como, bebo, o que o ritmo me traz. Meu rap é feito em cima de ritmo. Isso aí. Isso aí. Eu sou... Minha raiz também é do samba. Eu também me deixava tocar o rompileno do terreiro também. Eu tirava minha onda também. Nunca fui ao gun, mas tiro minhas batidas. Mas é isso aí. O respeito. Muito parecido. O respeito. Muitas rodas de samba também, proporcional à minha idade. Corri da polícia também, deixei instrumento pra trás. Aquelas coisas todas dos anos 80.
Marginalização do estilo, do gênero. Fui pro hip hop, encontrei meu lugar como compositor, mas sempre tendo o ritmo como meu guia. É isso aí. Sempre o ritmo. Eu não era o melhor artista, mas eu tinha muito ritmo. É ótimo. A gente vê, a gente sente. Eu tava ouvindo seu trabalho, sempre que tem lá. É a magia. Tem aquele momento que...
é a música, então eu acho, por isso que eu falei pra você, não existe eu vou dar um detalhezinho aqui pra você, eu fui convidado pra fazer um comercial pra Coca-Cola existiam 200 comerciais prontos pra representar a Coca-Cola naquele ano receba um chamado de um amigo diz, Paulinho, nós precisamos de você, por quê? nós queremos entrar nessa disputa de 200 que já está pronto, que já
fazer o nosso, que você vai ser parte disso. E vai ser feito no dezembro, né, amor? É 24 de dezembro, que é a festa nossa de Natal, da casa. Falei, mas não dá pra mudar? Não, não dá, que a gente tem que fazer isso, porque tudo bem. Mas eu falei, então me diz, você vai ser o cara que vai fazer o jingle, o jingle comercial, e vai criar tudo. Eu falei, tudo bem. Fomos pro estúdio. Ele falou, você pega o estúdio se você quiser,
O que o fonte custar, eu fui, levei meu equipamento. Não levei tudo, mas levei uma boa quantidade para que eu pudesse criar, né? Fui lá, criei. Qual foi a minha ideia? Coca-Cola, o quê? A base, o quê? Então, eu vou fazer... Então, eu abri a lata da Coca-Cola, dá aquele... Que é um... Certo. E dali eu comecei a desenvolver ritmos em cima de ritmo... Desculpa. Falei, agora vem ouvir. Eles tiraram lá, não fala mais nada.
É isso aí. Aí eu cheguei, eu tô achando que não tá, eu quero... Não, é isso aí. Aí eu falei pra eles, olha, vai ser... Isso é tão bom que vocês deveriam ir ao Brasil, no Rio, porque tinha que ser um negócio tropical. Vai no Rio, filma uma turma na praia. Você vai com a gente, não, não, eu não vou. Vocês vão lá, filma tudo. Eu tô dando a ideia, não tô cobrando nada pela ideia, tô dando a ideia pra vocês. Porque eu sei que vai funcionar. Tendo esse som aqui com a imagem,
vai ser, fizeram, vieram ao Rio, gravaram de emprego para vários brasileiros, porque tem que usar a equipe daqui e tal. Filmaram, vem a apresentação de todos os comerciais para uma junta internacional com a mesa enorme. Tem Japão, Austrália, todos os países. Tocaram um, tocaram o outro, tocaram o outro. Quando tocaram, o que eu fiz? Primeiro quando faz... Entra a cozinha brasileira, que sou eu sozinho,
Fazendo todos. Aí, todo mundo olha. Toca todos, Paulinho. É isso aí. Você toca todos? Não, tudo. Tudo sozinho nesse documento. Pra Coca-Cola, que no ano, todo ano, hoje esse ano fizeram até um bonito, que tem uns carros, vocês devem ter visto. Olha, todo mundo diz, é isso aí. Os caras perguntam, mas por que que é isso aí? Por quê? O único no finalzinho falava, ó, ex-Coca-Cola. Sempre. O ritmo, o ritmo, ó, ex-Coca-Cola.
O representante falou, o presidente da companhia falou, é isso aí porque é o seguinte, não tem barreira de linguagem, não tem nada. O ritmo, todo mundo foi no ritmo. E quando todo mundo olhou, todos os pés, eles lançaram no mundo inteiro. Internacional. Que aí está aí, entendeu? Ganhamos, passamos na frente de 200, preparado, ganhou o primeiro lugar,
Do ano, o comercial do ano. Que ano foi isso, Paulo? Isso foi quando, amor, você lembra? Deve ter sido em... Isso tá uns 10 anos atrás, né? Mas, eu só quero dizer pra você, então eu fiz com aquela espontânea, a minha esposa, deixamos o Natal pra lá, viemos pro Natal mais tarde, mas ali, gente, tal Brasil, tal, todo o ritmo. Entendeu? Então, é o que você falou, o ritmo. O ritmo. E você confiar, e você achar o seu...
meta ali, né? Botar, mas o que foi que levou? O ritmo. O ritmo. Se não tem isso aí, vai ficar normal, né? Os outros têm uma bateria, tem os caras cantando, porque não é nada disso. É uma coisa simples, mas que eu tenho, eu falo sempre com meus amigos, o engenheiro do Michael Jackson falava comigo, Paulinho, você aproveita pra eles em inglês e falam less more, menos, menos coisas com qualidade.
É o que você tem aqui. Tem uma equipe boa. Não é 200 pessoas, mas tem uma qualidade de pessoas trabalhando. Ela, essa rapaziada que tá aí, né? Então isso junta. É o time do Quincy. Nós éramos um time, a família dele. Confiar na gente. Quantos músculos do Quincy, esse grupo fechado? Nesse grupo é cinco, né? Cinco. Nós éramos cinco. A base, né? A base. A base do Quincy. A base é cinco. Mas a base é que faz tudo, né? Como era o nome do cara do Hitwave,
Do baterista? O Brancão lá? Não, é do Rufus, o John Robson. O John Robson. Ele não era do... Não. O que tocava com o Michael. O Michael, você tem o John Robson e você tem o Jeffrey Porcaro, que era do topo. Qual o nome do Batera, do Hitwave? Do Hitwave era os caras... Mas ele não era parte. A gente não conhece. Eu não conheço eles. Do grupo do Michael, que tocou pro Michael? Não, o Hitwave não toca com o Michael em nenhum momento.
Ninguém da banda do Hitwave. Não, é que o Rod, quando a gente faz... O Rod, ele faz as músicas, ele faz a linha de baixo.
Exato. Ele faz as harmonias. Esse arranjo vocal do Michael que a gente baba. Qual? O jeito do Michael. All night. Que abrem as vozes. Tá. É estilo hitwave. Esse é estilo Rod Temple. É o Rod Temple. Ele é o cabeça do hitwave. Falecido, né? Falecido. Ele foi o verme, né? Ele era uma pessoa maravilhosa que foi uma perca grande. Porque muito musical, muito... Quando o hitwave é chamado...
pelo Quincy, coloca o Rod pra fazer arranjo vocal pro Michael se estabelece esse timbre de vocal que todo mundo usa do Michael ele que criou pro Michael eles criaram juntos, porque ele tinha esse lance de fazer os acordes na região, com pequenos intervalos, a voz do Michael combina maravilhosamente com ele mesmo você tem o Quincy Jones ali atrás olhando e vendo se tá tudo certo, essa aqui é pra cá, e chegou no som no timbre com o Bruce então, música pop quem você quiser, Olivia Jim
Britney Spears, o que você quiser. Não tem como fazer. Todo o K-pop é essa carta que foi criada pelo Rod Temperton, com o Michael e o Quincy. K-pop? O Michael quando dançava... O K-pop coreano, você tá falando mesmo? Sim. O K-pop é a maior herança que o Michael deixou no mundo. Tudo seguindo a onda do Michael. Eu cresci no Michael. Tudo igual, a maquiagem, a dança, a androginia, os cortes.
de câmera, tudo. Mas também tem uma coisa importantíssima, é que o Michael é uma pessoa que as pessoas não sabem a qualidade dele. Vocalista, harmônica, ele criava muito, muitas coisas que pensam que era o Roger Temple e o Quincy. Era ele. Eu passei horas assim, como nós estamos aqui, com ele. Com o Michael. Eu vi, entendeu? Dele chegar pra ele, quando eu tocava, na maioria das vezes eu toquei.
Eu toquei, eu tô gravando, era só eu, o Michael e o Bruce. E às vezes meu filho. Meu filho. E ele, meu filho, que ele gostava, ele falava pra mim, ele ia lá, tem até uns retratinhos que estão eles, que ele tirou, eu nunca tirei retrato dele nenhum. Eu respeito sempre as pessoas que eu trabalho, não gostam de tirar retrato. Aquelas fotos todas, né? Ele tirou, as pessoas pedem. E depois fez falta pro nosso documentário, que nós precisávamos.
Não tinha suficiente. Por quê? Respeito, pessoas ainda estão tirando um retrato, nada disso. Você viu ali, eu vou chegar tirando um retrato, se você quiser um retrato, eu vou tirar com você. Mas eu agredido, tirando... Então, o Michael confiava na gente a esse ponto e ele falava comigo, ele ficava me observando, então ele falava, Paulinho, você marca o tempo nos dentes. Eu vi novo. Claro. Brasileiro.
E ele observava tudo, né? E tinha um... É o cara, né? Paulinho, ele te definiu como o melhor percussionista do mundo. Como o senhor definiria o Michael? Eu defino o Michael como um do melhor do mundo. A mesma, eu dou de graça de volta pra ele, porque ele merece. E eu acho que fez muita falta a partida dele. E a maioria dos artistas de hoje tem valor.
Como era o processo do Michael? Como é que ele direcionava o estúdio ali? O que as ideias que ele dava para início? A maior parte das ideias harmônicas era o Michael. Ele cantava não normal como os cantores. E o Jorge sempre comentou isso comigo, outros artistas, porque ele cantava como ele estivesse num palco, que dá uma dinâmica completamente diferente. A maioria dos cantores se preocupa, né? Cantar certinho e tal.
os movimentos que ele faz é o que ele fazia cantando ele fazia como ele te dá aquela energia, não é o cara por exemplo, se eu vou tocar pra você aqui no estúdio por exemplo, se eu vir do jeito que eu bati na mesa aqui quer dizer, de repente transforma eu tô como se eu tivesse porque eu tô te dando sincero se eu vier pra você, ah, porque não é a mesma coisa como, vamos aqui você sabe, né, você vai no tambor não, mas você vai jogar o braço
Seu coração entra, entra a vibração, não é verdade? Sim. É sincero, você é sincero tocando. Ele fala muito da vibe do estúdio, cara, que eu acho que é uma coisa que você vive muito. Ele fala que se a vibe não tá certa, não rola. Não rola, não rola. O que que roba uma vibe no estúdio? O que roba é o seguinte, é a pessoa vir trazer os problemas que ele teve no dia anterior pra o estúdio. Isso não funciona, porque as pessoas que vêm insegura.
insegura, então ele quer provar que ele tem, mas ele quer vender o que ele não tem. Esse é o problema dentro do estúdio. O estúdio tem que ver as pessoas certas, na hora certa e segura. Você não precisa provar nada. Você vai fazer o trabalho e ajudar o trabalho. Eu acho que isso é em todos os lugares, né? Sim. Se você vem aqui querendo provar e olha, não porque eu sou o melhor, eu vou fazer. Não, vamos tocar. Ah, não, mas é porque o cachorro morreu a minha perna ou briguei com a minha mãe.
Eu não quero ouvir isso. Aqui é um. Vamos atacar aqui. Nós estamos gravando um disco da Sarah Volga. Vem um arranjador, faz todo o arranjo e tal. Eu, Jeff Pocaro, George Duque. Sarah Volga. Agora, a banda é Jeff Pocaro, George Duque. Eu e tinha um outro pianista e tinha um guitarrista que é uma maravilha, uma pessoa que adora
o Brasil, que trabalhava, ele trabalha na banda do, que é o, eu tô lembrando, ele é meio rock. Que banda? Ele trabalha com os todos. Ah, o Steve Lucard. Steve Lucard. Que ele tem aquela música da África, né? O nome da banda é África. É Toto. O nome da música é África. Ele, ele. Toto. Rosana é do Toto.
George Porg. George Porg. Certo, certo. Você tá nessa música? Tô. George Porg. Não, essa eu acho que eu não tô. Tá, eu acho que eu não tô. Tá, depois a gente... Voltando a essa música com a Sarah Vogue. Essa Sarah Vogue. Nós chegamos, o Jorge mostrou a grade, todo mundo olhou. Aqui no meu coração, o Jeff falou, rapaz, vamos mandar... Tocamos uma vez, uma vez essa música.
Hebe Albert. Hebe Albert. Him. Him. É ele, né? E aquela música Rise. Rise. Aquela... Ele vira-se... Ele vira-se... O Hebe Albert. Você sabe, tem um negócio... Os produtores que não têm... Assim... Que sabem... Os que não sabem, aí vem a insegurança... Ah, vamos fazer mais uma. E tinha uns caras ali que estavam...
Mais uma, já foi. Vamos fazer mais uma. O Jeff Porcaro falou assim, esse é o take. O baterista, que é o Jeff Porcaro, esse é o take. Ah, não dá pra tocar, não dá mais pra tocar, mas é isso aí. Acabou. Aquela música do disco da Sarah Ball foi uma das melhores, que eu nem me lembro a letra dela. Mas o Jorge Duque, o cara... Pô, essa turma aí, quando você bate um uma vez, já acabou. Porque aí entra a mágica, aquele momento, entendeu? Vai tocar 20 vezes
vezes e mais, não vai sair aquilo que saiu ali naquele momento. Do que você perguntou, é legal, porque ele gravou, não nessa faixa, mas gravou outras faixas com o Bill Withers. E aquela música, sabe? A Lovely Day. Então, ele contou uma história bonita sobre esse negócio de clima que você falou, que o Bill foi gravar um dia, tinha uma pessoa e... Acho que isso é legal. Você quer ouvir sobre isso? Por favor. Sobre o Bill Withers? Você quer ouvir sobre o Bill Withers? Não sei. É o Sunshine.
O Michael gravou. Por sorte nossa... Você sabe, por sorte nossa, nós conseguimos pegar pessoas que foram embora. Nós pegamos eles... Essa música aí, o Bill Whedas me contou que eles... Ralph McDonnell, um grande percussionista. Todos eles já estão lá em cima. Todo mundo foi embora. O Bill Whedas, inclusive, já subiu também. Pegamos ele no finalzinho. Ele falou que estava gravando
gravavam nessa música, né? E a música não saía. Gravavam, gravavam, gravavam, não saía, não saía. E eles têm uma frequência errada aqui. Tem algo acontecendo e não sai. E depois tem um lance que aconteceu com a minha esposa Alice, porque devido esse que teve lá, ele era todo um problema com certas mulheres que vinham nas gravações. Ele descobriu que uma das pessoas que era uma senhora que estava nessa gravação,
que era esposa de alguém lá que ele nem sabia, tava incomodando. Ele falou, olha, não me traga essa senhora aqui amanhã, não. Não me traga essa pessoa aqui. Ótimo, pô. Mas o que que houve? Não, eu não saio, tem... Tiraram, foram embora. No outro dia, essa pessoa não tava. Eles entraram no estúdio. Jéssia Tuavel gravou no primeiro take. Tá uma energia confusa. A energia confusa foi o que você me falou, né? Tem gente que tá no estúdio, não foi chamado, tá errado. Não foi chamado, ele ainda leva alguém, né, Paulo?
isso na cabeça. Então, quando ele viu uma mulher entrando no trabalho, quando nós gravamos no nosso projeto, que ele adora, minha esposa conhece, ele viu e não conheceu ela, ele já ficou assim. Porque ali estava uma... Aí ela falou, minha esposa falou para ele, Arice, viu, Arice? Ele viu que é outro, mas ele já grilado com o que houve na outra, ele já reagiu. Então, você vê que isso...
A vibração das pessoas. Era um cara sensível ao externo. Uma coisa importante. O Bill Withers parou de cantar. E é o maior mistério da América. Por que o Bill Withers nunca mais cantou? Ele nunca explicou direito. Ele se retirou e disse que queria ficar com a família. E aí, se você for ver lá no YouTube, tem uma homenagem. Quando ele foi pro Hall da Fama, né? O Steve Wonders esteve presente. Ele foi homenageado numa noite. Quando ele foi ao palco e ficou ao lado...
lado do Steve Wonder assim, como estamos aqui, ele ficou aqui o tempo inteiro, ele ficou olhando Steve, ele não cantou em nenhum momento. Então assim, o pessoal percebeu, aí voltaram a esse assunto, é um mistério. Ele foi lá e ele cantou. Aqui a América ainda não viu esse especial. Quando a América vir o Bill Withers cantando pela única vez nos últimos X anos, não cantou nem com o Steve Wonder, e o pior, ele falou, vocês lembram no especial? Aí ele contou o que tem por trás do mistério. Eu tenho dor desde 58,
na coluna. Eu sinto dor o tempo inteiro. E aqui, com o Paulo, eu não tô sentindo dor. Esqueço a dor. Então, mas isso não é... Ele sentia dor física mesmo? É, na coluna. Mas, assim... Ele era soldado, ele? Ele trabalhou na aeronáutica, né? Assim como o Diogo Cotrini, o Mussum, né? Era forte, né? Mas a coluna, quando tem problema, cara, você pode ser alto, pode ser baixo, é um problema. E o amigo dele assim, de a gente sair pra pegar, sair ele, vamos tomar um cafezinho, ele ia.
E ele tinha uma confiança enorme em mim, porque ele se sentia... Ele me dizia assim, Paulinho, você é preto, mas você não é igual a esses pretos aqui, que as pessoas têm medo. Falei, mas o que você está falando? Mas aí a minha esposa Aris sempre fala, é porque é o nosso sentimento, é o brasileiro, somos a mesma cor e tudo, mas é outro... Outro olhar, você acha que é outro semblante? Outro olhar, maneira que você... E os de lá têm a... É o semblante menos combativo?
Eu acho que é, deve ser isso. Inclusive, muitos deles têm razão. Eles são combativos, os americanos. Exato. Eu estive lá, todo mundo se encara muito. Exato. Eu não, eu sou brasileiro que tô lá, pega esse bonde aí, vamos na amizade, tendo sempre a paz igual. O brasileiro é diferente. Entendeu? Então, o meu destino ali, abrir as portas, jogar água na fogueira, não gasolina. A fogueira jogou gasolina, vai piorar, né? Joga água,
fogo, fogo e vamos música, amizade. Se eu pudesse salvar o mundo inteiro, a música salvou. O Fred Stegg salvou. Na guerra, no tempo da guerra, o Fred Stegg estava lá, né? A música. Você está salvando bilhões de brasileiros. Eu estou contente de saber que você está me dizendo que o pouquinho que nós contribuímos vai ajudar. O pouquinho. Fala pra ele. Ele sabe. Não é papo.
Mas é por isso que ele é o que ele é. E chegou onde chegou é desse jeito aí. E eu acho que tem uma coisa que o Marcelo... Gente insegura. Pode ver. Depois que ele falou, passei a notar. Gente insegura é um problemaço no mundo e dentro do estúdio, que é onde a gente mais gosta. E o Marcelo Bosco, ele deixou escapar aqui, quando a gente estava falando do Michael Jackson, que o senhor não traiu o Michael. Qual que é a importância da lealdade nesse trabalho e como isso se comporta? Isso é muito importante. Não traiu como?
Nunca falou um pouco do cara. Olha, quando ele faleceu, o nosso telefone na casa não parava. Por quê? Eles não estão querendo saber os momentos bons que nós tivemos. Eles querem que eu fale algo contra ele. Depreciativo. Esse é o interesse. O negativo vende. O positivo chega, mas é difícil. É o nosso filme. Nós fizemos um trabalho positivo, mas é difícil.
11 anos de trabalho. Mais de 11 anos. Porque é difícil, porque não é negativo. Ninguém está matando ninguém. Vamos ajudar a salvar. Vamos mostrar o nosso lado. O lado do Brasil, que o pessoal de política, eu não quero saber disso. Vocês estão prestando atenção. Porque vocês estão no nosso terreno. Positivo, vamos ajudar e tal. O lado de lá quer pisar e não quer saber. Eu não me meto nesse lado, porque não vamos
perder tempo com isso. Vamos perder tempo? Você tá exercendo um papel lá, fundamental, lá pro Brasil lá, viu, cara? Muito obrigado. Fundamental, assim, pô, tá exercendo, né? Você fez estrago na América, malandro. Tem que ser um Itamaraty lá na casa deles, né? É tudo que fala de alusiva à guerra, depois cai ruim, né? Tipo assim, você maquiou o sistema dos caras, mano. Muito obrigado. Nessa humildade, nessa serenidade, né?
Serenidade de quem, sei lá, sabe e não carrega como peso saber, né? Distribui e fica leve, certo, mano? Ensina e fica leve. A energia. O cara se radiou batidas e ritmos e saídas, né? Sempre tem uma saída. Sempre não deixa a peteca cair. Mantém o ritmo.
As coisas vão ficar no lugar. É isso aí. Everything's gonna be alright. É! Mano, não deixa a peteca cair, mano, que nem meu primo. Em hipótese alguma, você me faz uma coisa dessa. No meio do samba, todo mundo olhando assim. É verdade, mas é o que é, né? Eu adorei saber que o You ouviu isso, né? E foi legal que eu lembrei dessa época, né? Da vara lá. Sai daí. Te abraço, Joca! Vai assistir a gente.
já tem uns dois anos, contactar com Eldebarge. Você trabalhou com ele, né? Trabalhei. Paulinho. Trabalhei e foi uma coisa maravilhosa que tocamos aquela música que é o Rhythm of the Night. Foi um grande sucesso pra eles. Aquele ritmo todo é seu, né? Estou ali e com o maior carinho com eles, que eles me ligaram a noite interior com o dinheiro. Estourou também essa música. Fez muito sucesso pra eles.
E que eles eram o estilo do Jackson. Mas eles tinham algo diferente com o Ed Byer, um cantor muito bom, com aquela voz. E ele compunha muito bem. All This Love. Com pianista e tudo. Então eu, mais uma vez, fiquei muito contente de fazer parte daquele momento. E eles vieram na minha casa com aquela música.
noite interior, pra que eu ouvisse e fomos lá no estúdio. Coloquei lá o meu trabalho e foi um sucesso muito bom. E o Léo de Bardi vem na sua casa com outros irmãos? Ele e o engenheiro, que era o Barney Parkes, que falecido também, que Deus o levou. Foi esse momento maravilhoso. Chegou a conhecer o irmão dele, o Bob? Conheci, conheci. Foi o primeiro? Eu conheci, conheci. E lá eles iam muito no estúdio, né? Lá no estúdio, na hora que ele gravou, todos eles estavam lá.
eram duas bandas, né? O irmão do James Ingram faz parte dessa banda, não? Sweet. Ele, até eu conheci, tive um conto, é que ele fazia muito jingle também, o irmão do... Ele canta bem e tudo. O irmão do James Ingram fazia jingle bastante. Também. É que ele grava muito jingle também. Então, como eu também me envolvia, fazia alguns, eu sempre encontrava com ele. Canta bem não era um James Ingram, né? Que o James Ingram era... Era cima.
trabalhou também, o Howard Hewitt, cantor do Chalamar. Chalamar. No Solar, né? Você trabalhou muito. O Leon Foster Silvers, né? Produtor do Chalamar. Enfim, do próprio Silvers, né? Silvers, é. Muito, muito, muito. E ele, o que eu gostava muito dele é porque ele sempre, o grupo de jazz como o Chess Crusaders, você deve lembrar dos Cruzeiros. Street Life. Street Life.
Street Life. E ele também usava muito ele fazendo vocais na banda. Joe Sample, que era um grande pianista. Piano in the Dark. Piano in the Dark é aquela... She plays piano in the dark. É ele que tá tocando. Baladão, nos anos 80. Por exemplo, ele... Sid Lauper? Não, agora me fugiu o nome dela, mas eu vou lembrar já já. Brenda Russell. Brenda Russell. É Breta. Ela toca piano também.
É verdade, tem outras dela no baile, tocavam no baile. E o Anthony Jackson, amigo dele. Esse é o Jace. O Jace, mas é amigo dele, porque o baixista é o Anthony Jackson, grande amigo. O pai do baixo de seis cordas, né? O cara. Caramba. Tocou muito com o Anthony, né? E faleceu, né? Que Deus o tenha, né? Ele usava a robe de chambre em casa e segurava um gato assim.
Interessantíssima figura. O cara inventou o baixo de seis cordas, só isso. George Duke. O George Duke também, eu fiz uma quantidade de trabalho com ele. Vou te citar um aqui que você vai no... Let's hear from the boys. Você se chama dessa? Dennis Williams. Dennis Williams. O George Duke. Ellen Drum e você. E o George Duke. O ritmo é dele mesmo. Não, não, é Ellen Drum com o George. Tom, Tom, Tom.
Não, ele tocou tudo, né? Ele tocou o Prophet 5, ele tocou tudo. Ele programou a bateria eletrônica ali em drum. Aí ele fez uma pom-pom-porão. Não tem guitarra, tem? Não tem, não. Não, tem o Paul Jackson. Ah, o Paul Jackson. O Paul Jackson coloca umas frasezinhas ali. Aí todas aquelas partes... Tudo ele. Essa foi as pimenta minha ali. Com ele, a nossa, é o Brasil.
na mente agora, Paulinho, que teria que ter um workshop, assim, brabo do Paulinho, pra todos nós, sabe, uma coisa assim, pra mudar a direção da nossa vida, mano. Que isso? Imagina isso que ele faz na minha vida todo dia. Sim, faz tempo, mas tem que democratizar, despopularizar, levar pra mais gente, pra mudar o destino do Brasil. Mas espera um pouquinho, o começo disso é um negócio que ele demorou cinco anos pra aceitar por causa desse jeito dele, que é, enfim, né?
muita coisa, né? Tá resolvido, tá tudo certo. Sabe por quê? Todo lugar que ele chega, o Paulinho da Costa tá chegando. Certo. Então, todo lugar que ele chega é o lugar certo pra você estar, porque o Paulinho da Costa tá lá. Só que ele tá sempre junto, porque é ele. Então, ele tá sempre no lugar certo, cara. Eu digo essa parte profissional, a forma de ver o contexto geral. Sim, sim, ele é uma aula. Como se comportar, desde o comportamento técnico mesmo.
E humano. É, e a forma de enxergar o contexto geral. Essa sabedoria, a humildade. Sim.
saber que acima de tudo está a música. Sim. E o bom entendimento também, que tem que ter o respeito. Você tem toda a razão. O respeito muito. Porque o que ele sabe é maior do que a Berklee, que é a Julliard e que é a USP e que todas as outras juntas. Porque, como o Quincy falou, na abertura do especial, do documentário, os sons de Paulinho da Costa, a groove, a groove, under the groove. Você tem o groove aqui, o Paulinho vem under the groove, né? Que sustenta o próprio groove,
antes, porque antecede o próprio groove. É, animal. Enfim, eu perdi o trem dos meus pensamentos, mas o mais importante é isso. Mas o que acontece? Realmente eu concordo com você, e assim como eu sonho com o dia que ele vai registrar todas as batidas dele, e é tipo um Wikipedia da música, tipo, ele é uma universidade por si só, ele não cabe em nenhuma outra, eu acho, pessoalmente. Tipo um palácio pro Paulinho. Sim. Protegido pela Guarda Real. A Guarda Real.
Eu quero ser o cavalo, pode ser. Aquelas bandeiras africanas, tá ligado? Aquelas bandeiras da unidade africana, assim, vermelha, na cor da Etiópia, vermelha, amarela e verde. Paulinho da Costa do Marfim. Cavaleiros defendendo um palácio pra ficar o Paulinho da Costa. Respirando, existindo. É, porque a gente tá com carência de representatividade no mundo. Morou, mano, de Brasil. Você não acha, mano? Cara, desculpa.
cuidaram da Bossa Nova direito. A Bossa Nova apresentou o Brasil ao mundo. Não tô nem falando da música, falou, mano. Não, mas peraí, eu sei, eu sei, mas esse cara, ele é uma prova do que o Brasil poderia ter sido. Ele foi sozinho. Então fica como um exemplo do que a gente poderia ter sido e graças ao fato dele gravar tudo e essas pessoas gravarem tudo, o que a gente ainda pode ser. Quando você encontra o Paulinho, como eu falei pro Oscar, a gente se conheceu com 11, 12 anos e éramos fãs dele. Sempre que a gente tá com ele,
tá com 12 anos. Eu acho que ele veio pra cá, parece que tá de manhã de novo no Brasil, sabe? Pra mim. Isso tem que estar dentro de você, porque tá nos nossos olhos, né, Braun? Nós não temos o poder de fazer todo mundo olhar a mesma coisa. Até porque uma grande obra de arte não vai até você. Tá com quantos anos? A mesma idade que você. 55. 70? Estou de 70. A gente nasceu tricampeão, né? Tem essa influência direta. A gente viu o Paulinho da Costa do futebol jogar.
E o Pelé da música tá na nossa frente. Na nossa frente. Só que só ele tem uma estrela na calçada da fama. Tá na calçada da fama. Primeiro brasileiro. Vai chegar lá, vai chegar. Vai ser dia... Dia 13 de maio. 13 de maio. Olha que data simbólica pra nós. Paulinho, desculpa ficar te elogiando na tua frente. Não, não, não. Desculpa ser tão fã, né? É, desculpa. Mas eu avisei antes. Mas o Maicon era pior, o Maicon era pior, né? Grudava nele, não largava.
Eu só tenho a agradecer a vocês, mas vocês estão me criando um monstro. Eu vou achar...
Eu sou isso aí e realmente eu não sou isso aí. Fica tranquilo que a noite você tá com a Arisa, ela vai lembrar exatamente, né? O que vocês estão falando aí, isso aí já é a minha... O Paulinho e tudo isso careta, Paulinho. Careta, sempre flat, mente focada. Mente focada. Não bebe, não fuma. Obrigado. E você, como eu falei com você no princípio, é que eu... Como eu vou não magoar essas pessoas que eu tenho respeito,
emocionado musicalmente, fazendo trabalho com eles, alguns, né? Não vou citar nomes, mas naquela época você sabe a vida dos caras, né? A vida deles. Só que eu não... Paulinho, vamos nessa aqui do... Carência deles, né? Não, eu até respeito, eu falei, olha, I'm fine. I'm alright. Ok. É a única maneira que eu posso dizer pra eles que eu tô contente do ambiente da música ali participando, mas não dá uma lição de moral, não é? Que eu não posso fazer isso, né?
E eles entenderam que eu falei, vamos tocar e vamos à música e o resto vocês segura aí. Está tudo certo. E com isso aí eu acho que deixou um respeito também pela pessoa, pelo trabalho deles. E nunca houve atriz dizer, não vem aqui, não. Vamos tocar, o resto é tomar seu whiskyzinho aqui, tomar sua cervejinha. Eu não bebo cerveja, mas eu não vou dizer que você não deve beber.
Cada um na sua. Ele é muito assim. Mas Paulinha, tem uma coisa que eu tô te ouvindo agora e lembro de uma fala sua no documentário. É bem no final já. E a sua fala é eu não sei porque eu consegui ou como eu consegui chegar até aqui. Mas é bom quando as pessoas dizem que você é talentoso sem que você se dê conta. Como eu não me dou conta do talento que eu tenho eu ainda estou procurando. E muito das suas falas
também mostram essa sua condição persistente de aprendiz. Qual é a importância de se manter aprendiz, Paulinho? É muito importante porque eu acho que do momento que você acha que você já sabe tudo, que eu acho que realmente você não sabe tudo. Aí você para ali, né? Aí estacionou ali, porque aí não tem mais nada que você... Mas eu acho que a gente sempre tem que... Pô, entendeu? Tô aprendendo aqui com vocês, né? Aprendo a palavra dele, as coisas que ele me diz,
aqui e tal. Fico honrado de... É legal ter uns caras jovens aí, ó. Aí, ó. É legal ter uns caras jovens do lado também pra dar a dimensão exata do nosso significado também. É bom ter pessoas como ele do seu lado. Pra te lembrar também, ô Paulinho. Entendeu? Porque esse senso de autopreservação tem que ter, sabe? Eu sinto que aqui no Brasil a gente é desencorajado a ter um comportamento
nosso, né? Uma certa humildade, um cristianismo, um catolicismo, uma humildade que eu vejo que você tem, que você tá me dando uma aula de humildade. Eu não sou, eu não tenho essa grandeza, acho que eu nunca terei, tá ligado? Não vou mentir. Se eu ficar assim igual a você, eu não sei nem o que vai ser de mim, mano, entendeu? Eu não vou conseguir ter essa humildade que você tem, que é uma coisa assim, é uma coisa muito africana mesmo, entendeu?
É uma coisa de... É muito maior do que o Brasil, tá ligado? Essa coisa vem de antes. Circular.
bem de antes do Brasil. Essa sua tranquilidade em ser tão grande, tão importante e não pesar, né? Não pesar. Você transmite uma calma, uma sabedoria pra gente, um tempo de raciocínio que deixa a gente calmo, sabe? Obrigado, obrigado. A gente falou, pô, um pouquinho de sabedoria pra mim vai me fazer bem, tem que pegar um pouco disso. Um pouquinho de calma vai me fazer bem, eu sou ansioso.
Eu penso e falo. Às vezes eu falo sem pensar. Pior ainda, né? E aí, às vezes eu me acho sem você. Às vezes me ofendem e eu quero imediatamente revidar e mostrar que eu sou foda. Às vezes eu não sou porra nenhuma, mano. Eu sou um aprendiz de aprendiz. Meio oficial de aprendiz, de assistente, de auxiliar, de ajudante, de servente. Eu não sou nada. Então, quando eu pensei... Eu quero agradecer ao professor Paulo Cruz,
entrou em contato com a nossa produção, através da Renata e Lário, e comigo, falou, mano, o Brau, o Paulinho da Costa tá no Brasil. É muito importante você entrevistar ele. Eu falei, eu sei quem é, e é muito importante mesmo, e eu vou atrás, eu vou, nós vamos tentar falar com ele. Porque transmitir isso pros mais jovens, essa oralidade, essa coisa do griô, né? O griô. O griô. Entendeu? De poder passar sabedoria com
calma, com clareza e com detalhes da forma que ele... Era muito importante pra mim. Eu trouxe meus amigos músicos pra assistir porque é muito importante pra eles e eu tenho certeza que vai ser muito importante pra todos que estão ouvindo, principalmente os músicos. Sem dúvida. Principalmente os músicos. Posso te pedir uma coisa? Você assistiu ao documentário. Pra gente é muito importante, é uma trajetória... São 15 anos, né?
e mais 10 fazendo começou tudo com o Quincy Jones e a equipe essa família que ele falou lá e montrou o Oscar que ficou 5 anos Oscar Rodrigues Alves, diretor do filme pra convencê-lo depois que o Quincy se adoeceu, voltou ele e a Aris falaram, agora é a hora ligaram pro Oscar, ele já foi com a câmera já chegou, então são muitos anos e o Paulo dá sorte não sei se vocês sabem que ele poderia ter gravado muito mais de verdade, apesar de ser
em números absurdos, porque... Em números absurdos. Eu perguntei pra ele no sábado, falei, Paulo, tem uma lenda dos estúdios que diz que depois que você termina, alguns artistas, estrelas, pediam pra você ficar uma vez ou outra e tal, porque falavam que você dava sorte, que você grava, a banda explode, o clima do lugar é outro. E ele, é verdade isso, ele falou, João, quase sempre. Pelas músicas que foram citadas, são todos super hits mundos globais. Sim. E ele tá envolvido em todas.
que estavam por baixo e as bandas colocam a percussão não é normalmente um protagonista e você ouve a música tá lá e é protagonista mas você não percebe, a não ser que você preste atenção e se você tirar o que ele colocou a música desmonta agora, queria que você falasse pra essas pessoas que assim como eu, que te ouvem claro, os mais novos ouvem de outra maneira o que você achou do documentário o que você sentiu emocionante, eu chorei no momento que ele fala
procurando. Eu entendi uma coisa, ele falou uma outra, mas as duas andam juntas. Eu entendi que ele tava falando que quando ele tava começando, ele tava procurando um caminho. Tava todo mundo dizendo, pô, ele tava procurando um caminho. Tava procurando um caminho. E eu falei, nessa hora eu falei, eu chorei. Ele chorou, eu falei, eu chorei também. Eu entendi, eu falei, eu sei o que é isso que ele tava falando. É um momento de uma solidão que, não sei se ele entende dessa forma, mas é um momento de uma solidão braba. Que é o momento da divisão do fracasso
e do sucesso, morou? Da bifurcação da vida, morou, mano? Porque ali é você com a sua aura, né? E a sua fé. Podia ter dado tudo errado? Podia. Morou? Então, quer dizer, eu falei aqui no começo, assim, você, amanhã, a gente brinca o scout, né? O scout é quando fala de jogadores, né? Então, quando a gente traz o convidado, o scout é o quê? A folha corrida do mal. O que que ele faz? O que que ele fez? Qual que é o prêmios? Aí a gente começou a olhar
biografia do Paulinho da Costa, só o número de artistas que ele trabalhou. Sei lá, o cara tem, sei lá, 1.200 anos, é isso? Não tem como. O Paulinho tá com 70 e pouco, mas ele tá com a média. Se for bater uma conta aqui, bater num... Você gosta, por exemplo... Quantas horas você dorme por dia? Dorme bem. Porque ele grava rápido. Dorme bem. Dorme bem, tranquilo. Inclusive, me dá uns pratinhos e eu vou dormir.
Taste of Honey. É sua? Você tá nesse? Tá aqui, ó. Taste of Honey. Sabe o negócio que pouca gente gosta? Que ficou, mas enfim. Lembra da Lia? A Lia. Eu fiquei pirada aqui. A Lia. É, eu tô no currículo dele. Fala pra eu parar. Fala? Não, mas fala. Ah, tem o Zep. Você gosta do Zep? É. Tem o Zep aqui, cara. É nada. Pô, eu sou geração Zep. Não, eu posto. Tá louco? More bounce to your house?
More Bounce. Fala aí, fala aí. Vai parar, fala. Parou. Petra Bell. Só canta bem até hoje. Aí você faz aqui. E você sabe que o cara que escreveu essa música, que é um grande que você conhece, que é o Bart Baccarat. E essa pessoa ajudou muita gente, respeitava muita gente, mas difícil. Não é qualquer um que participava
dos arranjos dele e das composições dele. Então, eu fui um dos abençoados por ser... E tornasse ele me abraçando e tal. E o Heavy Alpert, o primeiro sucesso do Heavy Alpert, tocando pistola e cantando, é a música dele. Caramba. A música dele. Marco Macdonald. Tem uma informação aqui que nós... É Marco Macdonald. Tem uma informação que quando eu soube aqui, eu falei, meu Deus do céu, vai ter aquelas coisas que a minha geração pega muito no impacto. Você gravou no disco do Saturday,
Night Fever, né? Exato. E também, eu nunca vi, mas ele gravou naquele filme, Star Wars. Star Wars, que é o marco também do cinema. Desenho. Ele esteve inclusive na cor púrpura, o senhor aparece. É, exato. Aquele disco, Star Today Night Fever, toda aquela percussão. Certo. É você. Eu tô tocando ali, tem outros músicos tocando devido aquele momento, foi um momento assim que eles precisavam,
Gravar muito simultaneamente. Simultaneamente. Então, envolveu e eu fui um dos solicitados. Que faixa específica você falou? Ali com os... Como é o nome deles? O grupo, né? O Tavares. Tavares. Tavares, com o Tavares. Moderna Woman. É o Disco Inferno. Disco Inferno é The Tramps. The Tramps. Tocou nisso?
Um disco que você deve adorar muito é aqui. Vamos fazer uma festa só com o playlist do Paulinho? Tem que fazer umas três festas. Tem um pessoal que tá anotando com certeza. Tem um público que ouve a gente que é da música mesmo, do rock, do samba, do funk. Mas e do jazz? Imagina você salvar a carreira do Miles Davis. Paulinho salvou o apetito. Porque o Miles sempre foi rico. É um preto de origem rica, né? O pai dele, o Miles Davis, era dentista.
teve propriedade, dona Júlia, de tal, não? Mas eu digo musicalmente, né? Tava lá e tal, e vinha vindo lá com as coisas elétricas, fazendo umas coisinhas, decoy, under arrest e tal. Aí vai gravar com o Marcos Miller, que era produtor do Luther Vandross. Marcos Miller. E aí, a música Tuto, que é a cara dele, por causa do Desmond Tuto, a música foi gravada por três outros percussionistas. E aí, o Marcos ligou, Paulinho, vamos lá, né? E aí?
Me lembra muito o trabalho dele, né? Como todos nós, é um cara que atingiu o nível elevado e tal. E eu tinha amigos que diziam, olha, não é fácil trabalhar com o Miles, porque o Miles, quando ele não gosta, ele tem aquele, você vai te jogar pra fora e tal. E é sério, o Miles não é pessoa, ele vira as costas no público, porque ele não gostou, ele toca pra ele mesmo. Pô, tudo bem, mas eu gosto dele, eu gosto sempre dele. Então,
Marcos me ligou, que eu tenho muito respeito por ele. Ele tocou até em um dos meus discos, meus últimos discos, ele tá tocando também. Fiz muito trabalho com ele, pro David Sanborn, né? David Sanborn. E ele ligou e disse... Nagy. É, Nagy. Eu tenho um problema aqui, porque o Miles já passou... O pessoal que vai na viagem com ele, no road, né? Conhece o Miles, ele não tá bom. E eu falei,
se você vem para lá e traz o seu equipamento, eu acho que você é o cara, é a pessoa que vai salvar esse negócio aqui. Eu digo, pô, não posso acreditar. Não, bom, fui lá no estúdio, que é na Capital Record, onde está o nosso... É aquele redondo que o estúdio está escrito a casa que Nat King Cole construiu. Lá é sério ali, o respeito ali, quando você entra lá no corredor, já tem aquela vibração que vem Nat King Cole, Sinatra.
tudo bem, vamos eu, por sorte minha a gente não colocou aqui, por quê? não tocou, porque não tocou no dia ele não podia, foi off-mark-donald tá normal, tá tudo certo não, mas o Sinatra nesse momento iria falar fala que tocou mas seguindo o que eu falei pra vocês eu entro lá e tal, o Marcos a vibração que eu tive com vocês aqui mesmo, aquele abraço
começa a dançar e tal, tudo mesmo. Bom, me mostra aí, foi assim, escuta aí um pouquinho, eles tocaram, falei, me dá uma, não, não tem grade, não tem grade, não tem, não tem, você sabe que tem a grade da basezinha, que é a partitura, mas eu só vou olhar a grade, depois saber como é, aonde tá o, ele, não, não tem nada disso não, Paulinho, escuta aí, você vai, o que você não tem que ter, como né, tocou, tudo bem. Falei, quando eu vi a música, eu falei, essa música aí, que é uma música
que não tem chão. Ela não tem o nosso um, dois, não tem isso, não tem quatro, quatro. Ela tem, mas não tem. Ela te gana. Ela é uma música que... Você ouve tudo, animal. E é bateria eletrônica. É, mas a mesma eletrônica não tá... Tá. Ela é toda complicada. Eu acho que foi toda feita... Bom, agora aí é o seguinte, a única maneira que você tem que fazer,
Essa aí precisa e você não pode deixar. Os caras estão confiando em você salvar. Então, vamos nessa. Então, abri meu equipamento. Então, botei em cada lado um detalhe que eu achei que ia funcionar. Então, eu toquei tudo acompanhando as aberturas da música, uma festa, né? Então, você sente aqui o hi-hé mais...
Aí tem uma hora que tem umas pancadas que ela sai de não sei de onde e eu tô tocando e toco a minha respondendo, né? Aí entra a nossa experiência de ritmo que vem lá de baixo, né? Que é... Aí eles... Pô, e eu tô vendo lá dentro do estúdio que tá uma vibração, que o Marcos, que o Marcos é um grande músico, toca clarinete, clarone, toca... Pô, e ele tá comigo. Então tá legal, porque se ele tá comigo,
Tá tudo certo. Se ele olha e faz uma aparência assim que eu não tô sentindo ele, eu digo, então eu vou sair dessa aqui. Mas eu tô com ele. Tá acompanhando. Tô acompanhando. E eu vejo assim que no cantinho da porta ali tem um... Tá vendo como aquela porta tá ali? Parece ali assim. Tem um cara ali que indo pro control. Tem uma pessoa ali. Eu digo, pô, esse cara vai entrar aqui. Nós estamos gravando microfones sensíveis, tudo espalhado, né? Eu tô ao vivo. Não é ao vivo. Eu tô tocando.
Esse cara vai entrar, vai... Tomara que ele não entre. Eu tô tocando, olhando aqui. Aí... Termina. O Marcos... Valeu. Um take, né? Eu toquei, cheguei, toquei. Um take. Eu venho... Isso aí, Marcos... Cheguei. Quando eu venho saindo do estúdio, eu não conhecio mais pessoalmente. Ouvi as histórias, como falei pra vocês. Estou indo fazer um trabalho pra ele, mas não tô nem sabendo.
Onde está o Miles? Quando eu saio, ele me abraça, o Miles, aquele cara que estava ali, era o Miles Davis. Me olhando da hora que eu comecei, quando eu terminei. E agora ele vai me dar um chute, vai me empurrar, vai ter que se abraçar aqui, não vai dar certo. Ele vira para mim e diz assim, ele olha assim para mim, nos olhos, aquele olhar, né? Penetrante. Não é aquele negócio, ele olha assim e faz assim,
Você sabe que representa isso na raça, na comunidade. Bad. Bad motherfucker. Aí eu... E a alegria. Aí ele falou essa palavra e foi embora. A única palavra que eu ouvi dele, nunca mais viu mais. E faleceu. Eu toquei num outro disco, que é Amanda. Amanda, claro. Que é o Jorge Duque que fez a produção. O Jorge falou, não, o Marcos quer que você venha. Eu fui lá, toquei também. E depois se vieram.
a má notícia é que ele faleceu. Foi os últimos momentos grandes da vida dele que a Warner Brothers deu milhões pra ele fazer aquele disco. E as cantoras? Dana Summer eu ouvi lá. Como foi? Aquela música dela. Ah, não. State of Independence. Qual que é essa? Foi conviver com a Dana Summer no estúdio. Muito bom, porque ela tava nos momentos assim, querendo
de sucesso e aquele foi um de sucesso dela. Qual foi o som, João? Só de curiosidade, é numa faixa desse disco que tem o pré We Are The World, porque essa música que é do cara do Yes, o John Anderson, chama o Estado da Independência, não Independência de Estado, enfim. E aí o Quincy chamou pra fazer o backing vocals, chamou o Michael Jackson, o Steve Wonder,
o Kenny Loggins na época, né? Yaki Rock, né? Canta Footloose, querido Footloose. Tava a Dana Warwick, tava o Jeffrey Osborne. Jeffrey Osborne. Você tá suando. É, tava lá. E acho que tinha mais uma turma, então quando você procura e vê lá a gravação da Dana Summer, e tá o Queen se regendo. É um We Are The World, né? Sem a Cindy Locker. É um... Exatamente.
sabe que você falou um negócio aí que foi... Você é uma sincopena. E você toca a Pito. O single era aquela... Finger on the trigger, love is in control. I got my finger on the trigger. Aí vai ser... Jonas Summer. Jonas Summer. É a primeira do álbum. É esse álbum. É isso aí.
O negócio é o seguinte, você tem uma cantora que é séria também, que era o Jorge Duque, que gravou ela, gravou também, que toca a piano, que tá naquele filme do Joe Malucci, que tem aquela música, lembra? Sabe quem é? Naquele filme... Preta ou branca? Preta? Patrice Rush? Não é Patrice Rush? Hoje é amiga minha. Amiga minha. Ideal. Eu tô falando... Para, eu tô falando...
Foi mal. Na época, naquele momento, o Luther Vandor estava produzindo todas as cantoras. Ele produziu, inclusive, a Rita Franklin. Essa aí. A Rita Franklin! Nunca imaginaria a Rita Franklin. A Rita Franklin é diva. Era que inventou ser boa demais, né? Então, o Luther, que é um cantor. Incrível. Você sabe, né? É um cantor. Você vê que está ele produzindo todo mundo.
Eu tive a oportunidade de conhecer vários como Marita Flank e assim, sentar pra conversar com ela assim e tal. E é uma história enorme dela, né? Pra nossa, né? Marita Flank, né? E dificílima pessoa com outras pessoas. Dentro do estúdio, se você conhecesse ela aqui e agora, você ia adorar. Porque toca piano e canta, né? E canta, né? E o Luta Vandross respeitava...
Essa aqui, esse páreo aqui, Luta Vandosa e Arita Frank. Todos os grandes grandes pianistas. O Luta Vandosa é pianista também? Tocar bem piano. Patricia Roche também, né? Patricia Roche. Mas é outro levo. A Patricia Roche não chega aos pés. Ela toca pra compor. Sim, é pra compor. Muito boa, né? É um nível... Eu vi um show dela há pouco tempo na internet, da Patricia Roche. Ela quebra tudo. A grande paixão da nossa.
A paixão da vida do Prince, né? É, a Wanna Be Your Lover, ela foi no estúdio e ajudou a programar. E a Feel For You, ele fez pra Barba Tisha Rushing. Apaixonado por ela. E a Chacacan que gravou. Chacacan gravou. Regravou, original do Prince. Da rainha. Aí vem a Chacacan. Chacacan aparece no documentário também. A gente já falou que tem um documentário dele, Os Sons de Paulinho da Costa, que tá na Netflix, a gente já comentou. Eu assisti um ontem, mas é o outro já?
É o mesmo. Não, é que cada vez que você assiste é diferente. É verdade. Não, inclusive hoje é dia de ver de novo, é mesmo. Cara, você não tá entendendo. Eu já vi duas vezes. Eu tinha uma TV em casa, eu comprei uma segunda pra ficar rodando. É verdade, a gente precisa ouvir isso o tempo inteiro, cara. Você tá de brincadeira. É isso que eu falo da nossa geração que pegou isso de frente como a base da nossa vida, né? É diferente pra gente porque a gente tava lá, é diferente.
Eu levei pro resto da minha vida. Tipo, essas coisas eu aprendi com nove anos, mano. Sim.
Com oito. Eu tô com cinquenta e cinco. Seis praticamente. Você é garoto, né? Mais ou menos. Setenta e oito. Vamos fazer? Sim. É, mas eu não gostaria de ser dez anos mais novo. Não gostaria. Eu teria perdido isso. Faria muita diferença nos meus próximos anos. Claro. Pelo que eu tô vendo aí. Ele tocou no último suspiro de novidades verdadeiras e invenções musicais da história contemporânea. Então.
século XX, mas claro que tem coisas pra cá e sempre tem gente genial mas o que eu vejo é que tem muita gente assaltando a dispensa e não tão repondo, né o Paulinho fez a dispensa, encheu a dispensa lá e tal e segue cheio então é inalcançável mas você não tem que alcançar as estrelas, elas tão aí pra nos inspirar, cara, pra gente olhar e
É isso. É o que o Paulo fala, cara. E você é do Paulo. E ele é Paulo também. Sou Paulo. Somos Paulo. Tem uma coisa, quando eu assisti ao documentário, que tem tudo isso que o Brau trouxe sobre esse aprendizado e essa humildade, essa generosidade. Mas também tem uma coragem inabalável. Sim. Porque a gente também precisa pensar nesse período, né? Década de 70, quando o senhor chega lá. Direitos civis recém-conquistados. De uma segregação brutal.
saindo de Irajá. Guerra do Vietnã ainda tava rolando. Guerra do Vietnã acontecendo. Mas o que eu acho muito bonito é a sua coragem inabalável de ser fiel ao seu talento, mesmo diante de tudo que poderia intimidá-lo. Exatamente. E viver isso com todo o seu corpo, porque o documentário também mostra isso, a sua vibração, não só como você toca, mas como você sente a música. E eu acho que esse é um aprendizado que todos nós que estamos aqui, quem tá ouvindo esse episódio,
Qual é a importância da gente ter a coragem de não abrir mão do nosso talento? Porque o senhor nunca abriu. Eu acho que é muito importante você estar falando e você não procurar se envolver na parte política e ajudar esse lado. Ter a coragem de ter ajuda, né? Ter a ajuda da família, da minha esposa que está aí apoiando, amigos, né?
o lado que vai te dar um impulso. E o lado negativo sempre afastando, né? Afastando e a correnteza, você nadar contra a correnteza é difícil, mas você acha aquele buraquinho, né? Que você sai fora, né? É isso aí. Eu acho, no meu modo de ver, achar uma maneira de aliviar. Você sai por aqui, deixa, ajuda a abafar isso aí, mas acho que a música é muito importante nisso tudo, eu acho. A música ajuda, a música...
Você tá pensando, quando você ouve aquele ritmo, aquelas palavras dentro das músicas, tem certas músicas que falam pra você a verdade. Você sente rico, né? Você sente aquele... Pô, essa música é... Mas por que eu tô sentindo isso? Porque esse cara tá te dando ali, né? This is love. Então você sente aquela melodia bonita. Qual que é essa? Eu tô criando uma música pra você. Essa é a nossa.
Vamos fazer essa, vamos construir essa música. Demorou, você é louco. Valeu? É isso aí. Já é, nasceu. Nasceu. De repente já marca aí, já tá aí o que eu falei. É isso. E é isso aí. Aí já joga o negócio pra você e a nossa. Acabamos de fazer isso no final do filme. O Andy Crowder, ele trabalhou, o Oscar trabalhou algo, criamos junto e já tá lá. E depois você vai prestar atenção que tá lá.
ter uma melodia no ritmo ali, que é a nossa. E criamos ali dois minutos. Ele trabalhou antes, me deu aspiração, armamos. Agora você me inspirou para essas palavrinhas aqui. Vamos armar a imunância aí. Está compondo, Paulo? Eu sempre compondo. Na minha cabeça, eu estou sempre compondo. Mas escreve, você chega a anotar? Eu anoto, escrevo às vezes, canto. Foi bom você falar isso, foi o seguinte. Eu sempre aconselho às pessoas, especialmente ritmistas, você lembra da nossa época, era ritmista,
Não era percussionista. Ele que ajudou a estabelecer percussionista. Porque toca outros, né? Exato. Como orquestra sinfone. Eu não estou voltando a reclamar nada, mas existia o problema que a organização de música aqui no Brasil não respeitava os ritmistas. Não queria dar carteira aos ritmistas. Então, nós lutamos a beça para esse lado. Porque não respeita. E tudo errado.
porque o ritmista é o que? É a base nossa, é o coração do nosso país. Certo? O ritmo, entendeu? E as pessoas olham de lá, agora estão entendendo que não é nada disso, tem que ter isso aí. Então, nós ajudamos muito, não só eu, outros amigos, vamos mostrar que faz falta. O que nós comentamos é o seguinte, grava muitas sessões, né? Vamos dizer, grava. Então, a primeira coisa que os engenheiros fazem, que isso me deixa maravilhado,
é o seguinte, ele, para mostrar os produtores inseguros, ele diz, olha, escuta isso aqui, eles fazem o seguinte, tira toda, tudo, deixa só a percussão. Isso é maravilhoso. É maravilhoso, te dá uma certinha, porque acontece o seguinte, está todo mundo tocando, que os engenheiros me adoram, né? A maioria que eu trabalhei, eles são mais meu fã do que você vê aquele engenheiro que fala lá, Humberto Gatica, ele é, entendeu?
e conhece Dave Foster, ele é o... E começamos juntos. Ele normalmente fala, olha, escuta isso aqui, tira todo mundo, deixa só a minha parte. Certo. Aí, pô, legal, tudo certo. Aí ele tira tudo que eu tô aqui e bota só... A base. A base. Aí ele, pô, o que que houve? Some tudo, porque perde, sai as pernas, dá uma pernada. A base é o chão, né, mano? Aí é legal, porque ele tá valorizando o nosso trabalho.
É muito legal. E te dá uma sensação incrível quando eles fazem isso, né? Outra coisa, por exemplo, tem um cara que faz um erro ali dentro, do ritmo. Vamos dizer, o pianista tocou meio atravessado, aí ninguém quer ter a culpa, né? Certo. O bom, todo mundo fez. Certo. O ruim... Não sei quem foi, né? Tudo bem, vamos solar, um por um aqui. Aí o sola aqui, sola ali, aí deixa só a percussão, tá lá. A cozinha tá... Tá quantizada.
Aí, bota só esse piano aqui zozinho. É você. É o metro. Pegou. O que eles usam lá, muito interessante, eles falam assim, tem um anchove aí. Uma enchove é o cheiro da enchova, né? É enchova. Aquele peixe, né? É enchova. É enchova, tem um enchova. Aí, tá, é você. Não tem erro, não precisa muito comentário.
tira, tira, vai, tira. Não, não é. Aí isso dá uma satisfação danada, você saber que você tá botando o seu coração ali. É o prumo da obra. É o prumo da obra, aí é demais. O lance é que é o seguinte, tem algum instrumento que você gostaria de tocar e não toca e não consegue? Você sabe o instrumento que eu adoraria tocar? É sopro. Você vê todos os meus discos, eu adoro a harmonia dos metais, adoro, porque é um negócio legal, porque eles,
Ele trabalha com o ritmo, né? Com os ataques, né? Você vê que é... Pau! Então, aqui, né? Que é o mais bonito, né? E os solos... Mas você vê que é bonito. Pau! Nós estamos juntinho ali, né? Tem algum instrumento que não é percussivo? Existe algum que não é percussivo? Percussivo, assim, por exemplo, eu acho que as cordas não é percussiva. As cordas é aquela cor, assim, eu acho.
troço mais linda, uma parte linda do que o nosso documentário, que eu acho que as cordas te descansam na certa hora. Você vê no final do nosso filme, foi uma ideia sensacional do Oscar, né? De colocar aquele descanso. Você vê que quando termina a portela e tal, que eu vou andando ali com os anelos. Tenta aquela... Pô, aquilo é um descanso, né? Eu acho que a orquestra, eles tentam tocar, às vezes fazendo...
O Ben Wright toca, né? Bastante, né? Que trabalhava com o Barry White. Exato. Fazer os ataques. Mas eu acho que não é legal. Eu acho que a corda não é pra fazer isso. Pra fazer ritmo. Não, não. A corda é... Pra dar estabilidade. Base, som harmônica. Vozes. Tipo... Isso no meu sentido. Movement. Descanso. Tá bom. Você vê, né? Por exemplo, o obo. O obo, dentro da orquestração, ele é o cara que... Aquele som...
é o cara pra... Pra fazer... Não, né? É o boé sutil, né? É o boé sutil, que dá aquele descanso. É muita coisa concorrendo, pelo menos batendo, né? Exato. Tem que ter outros instrumentos pra fazer essa parte, né? Por exemplo, às vezes ele... Eu acho que, inclusive, por exemplo, certos... Na orquestração de... Melodes, que eles chamam, né? Que é o... As partes de vibrafones, essas coisas, é tudo mais cord.
É tudo hit na melodia, mas não é pra fazer no ritmo. Ou, por exemplo, certas áreas no México, eles usam muito pra tocar ritmicamente. Fazendo aquele negócio lá, mas ele é mais bonito quando eles dão os acordes. Você toca com o Lennon Hampton, né? Claro, claro. Lennon Hampton é o vibrafone, quando você pede uma foto do vibrafone, tá o Lennon Hampton atrás. É, mas você viu com ele? Eu conhecia...
Mas você vê, ele dá os acordes, né? Ele não é aquele cara... Agora tem outros que faz solo, ele faz solo, mas ele não é rir. Não é pra estar fazendo... Não é, não fica legal. Eu acho que tem que ser... E eu acho que esses instrumentos são pra dar a cor, e certas percussões também. Você tem a hora que você não pode bater, você tem que deixar, né? Você vê no nosso filme, tem horas ali, inclusive na abertura com o Quincy, a percussão tá fazendo uma atmosfera.
Sim. Você notou isso, né? A chuva. Ele fala do lance do trovão, né? Você escuta... Forjar o som do trovão. É pra fazer chover, porque o que precede a chuva é o trovão. Tanda, tanda. Aí tem o barulho dos tambores, né? Tambor não. Exato. Que dá aquela sonoridade que você começa... Essa é a hora certa. Se você entrar ali fazendo o ritmo, não dá.
Eles faziam aquilo pra provocar a chuva, é isso? É pra provocar a chuva. Exatamente. É um desejo dele, né? É uma fé, mas deve ter algum momento de sucesso. Ah, com certeza. Vibração, né? Fazer a água. Não, partícula e onda, né? Não dá pra... A música é o Marsalis, né? Você trabalhou com o Branford Marsalis. O Winton ou não? O Branford. O Winton eu nunca trabalhei com ele, tenho respeito enorme por ele, que na minha opinião, da família,
Ele é. E ele é uma das pessoas mais inteligentes em música. Ele fala, entre outras coisas, a música é a arte do invisível. E parece que o Paulinho toca isso. De verdade, assim. Toca o invisível, o silêncio. Onde não tocar. É. Estou com o Lalo Schiffer também, né? Olha, o Lalo, você não sei se viu. Ele é uma pessoa. Você viu, né? O Lalo, a razão que ele está conosco nesse filme, porque o Lalo Schiffer, na época que o Dizzy,
viu o Lalo Schiff na Argentina tocando e falou pro Lalo, você tem que ir pros Estados Unidos tocar comigo e você vai estourar. O Dizzy é o pai do bebop, não é só? O Charlie Parker. O Dizzy e o Charlie Parker, né? O Dizzy e o Charlie Parker, né? É difícil, viu? Eu tô sofrido há vários dias. É muita coisa, é muito denso. O Dizzy é a mesma coisa que aconteceu comigo, ele me viu tocando e eu falo, olha,
que vim tocar... Sempre convidado, Brown. Não deu um cartão pra ninguém. Não pediu, né? Não, não. Vim e convidou. Então, é a história que... Então, tem essa união aí entre o Lalo e... Só que o Lalo, eu não conhecia, mas ele é um grande arranjador, né? Argentino, ele é argentino. Vem de clássico, vem de família muito importante na Argentina. Ah, é? Então, ele chegou nos Estados Unidos e estourou. Ele fez um... Que era pra televisão, um programa de televisão, né? De aquela... Que era Miss Impossible.
Ele fez esse tema. É dele? É ele que fez esse tema. Como é que é essa música? Missão Impossível. Um dia uma pessoa sentou e fez. É o Lalo. Não vendo. Pô, você sabe mais do que você tá me falando aí. Você cantou. Lembrei agora. Isso é difícil. Ele tá lá no filme. Tá no filme? Tá. O Lalo... Atuando? Olha, eu vou dizer... Não, não, não.
Tá no filme dele, no documentário. É que eu te falei, tem um documentário dele lá. Tá tudo certo, você tá certinho. Mas você viu aí, você tá tocando aí uma coisa que músico de grande categoria não consegue. Sete por quatro. Entendeu? Isso aí é difícil. E você tocou em sete por quatro. Você cantou no sete por quatro. Certo. E você é daqui, lá de baixo. Quer dizer, então você tá além que... O Lalo criou isso aí,
Então, o Lalo... E aí, Tom Cruise até hoje grava esse tema. Esse tema estourou. E ele fez várias outras coisas. Só que o Lalo era uma pessoa que entrava no estúdio. Eu tive a oportunidade de gravar como músico. Ele nem... Não tinha nada a ver. Eu fui chamado para o Salice. Eu vou tacar, chego lá. A sessão de percussão normalmente no movie é grande. Tem tudo. Eu vou trabalhar... O pessoal, a orquestra famosa, tremia quando o Lalo chegava.
o Lalo tremia, sério. Pô, Lalo, porque essas, como é, tudo atravessado, que faz sentido, mas, pô, hoje mesmo, que tem que ter... E o Lalo, super, né, chegava. Eu, aí, quando ele falava comigo, ele me tratava, parecia que ele me conhecia, parecia que ele era um grande amigo meu, eu falei, mas Lalo, você é o cara, eu... Paulinho, você tá no meu coração, rapaz, você é o...
Eu adoro você. Eu não sabia como você disse hoje aí. Pô, como é que eu vou saber que você tá me ouvindo? Aí o Lalo Chifre, pelo amor de Deus, me abraçava. Aí minha esposa fez uma... Fizemos uma reunião lá em casa, ele veio na minha casa, entendeu? Aí veio lá, nos abraçou. Pô, aí é... Esse lance que você fala ali, que a primeira vez que você começou a praticar o lance da batida foi tocando com as costas da mão na mesa.
Obrigado a lembrar de... Eu sempre falo, já falei várias vezes aqui. A primeira vez que eu notei que eu tinha alguma ligação com música, foi batucando na mesa que eu tava no colégio interno. Pô, rapaz, que louco, né? Tinha uma cozinheira que chamava Marta. E eu queria sempre engariar um pãozinho a mais, eu pedia pra secar a louça dela. Pô, rapaz. E eu aproveitava que os talheres estavam em cima da mesa e ficava... Fazia aquela barulhinha e ele ficava legal. É, pô.
Ali eu me liguei que eu tinha seis anos. Quais anos você tinha? Ah, é por aí. Por aí. Aí deixava os talheres espalhados, aí fazia... O barulhinho do vidrinho. É isso aí. É isso aí. Gente genial. Faz um som legal com a colherzinha. Põe lá no currículo. Já toquei com o Paulinho da Costa. Tá registrado. Já tocou, tocou, tocou.
Então isso veio antes de tudo. Mas eu era também aquele moleque que ouvia, tinha aquele, eu ouvia uma melodia no rádio e tava todos os moleques em volta ali, todo mundo ouvia, mas só quem ficava ouvindo até o final era eu. Exato. Mas é por isso que você chegou aí. Os moleques distraía com outras coisas. Exatamente. Pra mim a música vinha primeiro. Foi que nem quando eu ouvi a Anita Ward a primeira vez. Ring my bell. Ring my bell. É, eu lembro disso. Eu lembro, eu ouvi uma vez e eu tô com 55.
Parece a primeira vez. Exato, exato. Isso é uma coisa, alguma música eu teria que ter feito na minha vida, tá ligado? Não ia ter como, não ia prestar pra mais nada, irmão. É porque foi a única coisa que realmente eu tive amor e afinidade. Eu também tive amor pro futebol, mas afinidade, nota 3. Exato. Eu era tudo, assim, bom em tudo, o que atrapalhava era a bola. O domínio,
O passo era lindo, pela que não tinha ninguém lá. Não, eu tinha controle. É o que eu falei no princípio. Eu tinha controle do que eu queria. Quando eu comecei a frequentar o metrô São Bento, já tinha os caras, os brabos lá, os pesadão. E o meu recurso pra cantar meu rap era bater no latão do lixo. Tinha um latão na parede, que não era bom bater, porque o segurança atraiu segurança. E eu trabalhava o contexto geral. Mas era a única forma de eu mostrar meu rap. No latão do lixo tinha um grave.
De frente batia um grave, de lado batia uma caixa. E o som do cimento fazia o resto. E eu cantava meu rap ali. Eu tinha domínio da batida e do rap ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo. Os moleques ficavam assim, nossa, como é que você canta e toca? Porque eu já vinha do samba. Eu perdi essa noção rítmica de cantar e tocar, eu perdi. Com a falta da prática. Não, eu sei. É normal isso. É, eu perdi com a falta, mas eu conseguia cantar e tocar.
e isso vem da raiz mesmo vem do sangue porque eu estudei no colégio de adventista onde essas coisas eram praticamente proibido eu estudei sete anos na igreja qualquer tipo de batucada de coisa de negro era visto como amoral era o termo que era usado não era nem imorar, era amoral é pior né então o que eu quero dizer que esse fragmento de que eu vou usar de novo a palavra fragmento
Venho comigo, venho da África, que eu sei, que venho pela minha mãe, morô? Esse controle do ritmo, que me deu o que eu como, o que eu visto, morô? A gasolina do meu carro, a comida do meu filho, que já tem 30 anos, morô? E já foi, morô? O ritmo me deu tudo. É isso aí. E parecia que não era nada, porque o batuqueiro na rua não era nada. É isso que eu falo. Não era nada, ele era um lixo. O pessoal olha você, olhava com desprezo, né?
Você não vale nada. Polícia lá te dá uma pandeirada, mano. É verdade. A menina bonita da rua não quer namorar com você. Não, não, não. Com ele foi diferente. Não, não, mas é aí que vem, é aí que vem. Então, aquele olá que você vê que eu dou do carro, ela nunca foi no desfile de escola de samba, nunca. Você vê ela caminhando na avenida, que ali é o auge, né? Caminhando e dando aquele sorriso do carro, aí,
Pô, isso... Mas eu vi por quem o cara falou. Você tava sem camisa. Eu vi o motivo. O cara que agacha assim, levanta e agacha. Força nas pernas. Eu gosto de uma foto no documentário com os músculos tão definidos. Não, tomar tapa de percussionista. Não queira sair na mão com o percussionista. Não queira sair na mão. E pedreiro, né? E pedreiro.
Eu não queria sair na mão com esse cara. Abraçada do urso. Abraçada do urso. É uma tijolada. Que maravilha ouvir isso de você. Porque várias pessoas não teve esse lado ruim, mas que é bom. O ruim que é bom. Aprezizado. Aprezizado. É verdade. E certos detalhes que eu falo, que parece que isso nunca existiu. E você está confirmando. Quer dizer, o mesmo lado que você leva, não é nada de revolta, nada.
Pelo contrário, foi bom pra fazer com que eu seja o que eu sou hoje. Pô, de alguns caras que eu queria muito que tivesse aqui, meu primo Ivan, que é um Ogan de primeira, sambista, com meu primo Isaac, que é compositor Ogan, que lá no terreiro ele dá um show. Minha família Santa Rita, que é eles que me encaminharam, né? De certa forma pra música, através do samba e depois pro rap.
espaço, né? Eu consegui meu diferencial que eu trouxe do samba me favoreceu no rap. Muito, muito. Me favoreceu muito. Pra mim, o Paulinho, o nível do programa agora vai ser difícil a gente conseguir superar isso aqui, porque a minha afinidade com você e com a sua música é uma coisa que transcende até o programa, morou, mano? Morou? Então, só posso agradecer mesmo sua generosidade, sua humildade, sua
sua presença aqui com a gente, né? Muito obrigado. De estar com nós, compartilhando essa luz aí, essa energia. E eu queria aproveitar que eu sei que são poucas as oportunidades que as pessoas têm de ouvi-lo aqui. E tem um show previsto, certo? Quando que as pessoas terão a oportunidade de te ouvir aqui no Brasil? Olha, no momento eu não tenho nenhum plano assim de tocar nem nada, mas o que está acontecendo, que é um
uma alegria grande pra todos nós conhecer vocês, como as pessoas estão aceitando o nosso trabalho, né? Eu acho que nós vamos ter que fazer algo que eu possa voltar e botar um pouquinho do nosso filme ao vivo. Daí talvez você até participa. Entendeu? Como juntar aí você e você... Eu teria que ir a Los Angeles ou você tem previsão de voltar pra América do Sul? Não, eu não tenho... No momento, eu acho que, cuidar correndo, eu posso vir aqui e você está convidado.
também pra virar Los Angeles lá na entrega da Estrela. Ave Maria. Que seria legal se você tivesse a possibilidade. E de repente daí pode desenvolver algo. Voltamos aqui, juntamos a turma e vamos fazer algo. Primeiro brasileiro. É, foi. No dia 13 de maio. 13 de maio. Calçada da fama. Calçada da fama. Calçada da fama. Que para o músico é o quê? É o topo? Ah, eu acho que sim, né? É claro, é uma questão de simbologia, mas é colocado como o ápice, né?
Quando você ganha um Oscar, você leva o Oscar pra casa, né? Quando você ganha um Grammy, ele leva o Grammy pra casa. A calçada da fama tá lá, pro mundo, né? E é interessante que ele tá perto de várias pessoas com as quais ele trabalhou e que ele ama, que não estão mais. O Michael, né? O Al Schmitt, né? O Al Schmitt. Que é o único engenheiro de som que está lá presente e muitos outros amigos, né? Você falou aí que... Você sabe...
Você falou logo ele... O Redondo lá, que é a Capital Record, os caras que você adora,
que tá ali, nós vamos estar pertinho lá, agradecendo a minha esposa, agradecendo as pessoas que têm o respeito ao nosso trabalho. E isso vai ser uma homenagem que nós estamos recebendo de 53 anos de trabalho intenso, que as pessoas acham que é fácil. Não. Seis mil músicas. Que pode chegar a mais do que isso, porque a Alice descobriu... Não, é que ela descobriu
300 álbuns, aproximadamente, que tá sem crédito dele. 300, ela vem compilando, né? Não, pode chegar a 8, 9, 10 mil. Mas é verdade, sabe por quê? Porque eu falava pra ela que ela é mais de mil e ela brigava comigo. Eu falei, Arice, é mais de mil. Ela foi indo e quando tava o filme sendo finalizado, era um número. Ela foi contabilizando porque ela só aceita se tá documentado tudo certinho e tal.
artistas, não são novecentos e poucos, são mil e seis. Mil e vinte. Mil e vinte. Mil e vinte. Por isso tem que assistir o documentário várias vezes. São camadas, né? Tem uma história de amor, impossível. Tem um detalhe que o inglês, que a forma que ele fala o inglês é de classe. O seu inglês falando lá no documentário é o jeito, né? Pô, o brasileiro tem que falar inglês assim. Nem muito.
nem menos. Quer ser mais americano que o americano. Desse jeito aí dá pra ver que o cara é brasileiro. E não quer que ele pegue. Não quero que ele pegue. Eu falei, não, pô, tem que tentar melhorar esse inglês aí. Pelo amor de Deus, não melhora muito, não. Fica com o seu assentozinho, senão você não é o Paulinho. A gente quer esse... É inglês de negão, né? É desse jeito. You know, you know, you know. Tá ligado.
Tem mais um salve pra mandar? Não, foi discount inalcançável pra episódio inalcançável. Pô, eu quero agradecer também a presença do João Marcelo. Obrigado, Bruno. Foi bom demais. A gente sente música da mesma forma. É assim que é. Nem mais nem menos também. 32 anos que a gente se conheceu. É isso. A gente se vê raramente o que é muito bom pra você é ruim pra mim. Por quê? Porque eu gostaria de ver mais.
Tem que proclamar, tem que saber dessas informações. Quando você vai ao estúdio, eu sei que você tá lá, mas eu não... O que eu aprendi com o Paulinho, o cara tá no estúdio. Eu não sou amador. Posso não ser um grande profissional, mas amador eu não sou. Ô, Brown, vi que você tá aí, beleza? Não existe isso. Existe isso em estúdio profissional? É que você não fuma, mano. Querido, desculpa, mas não importa. Ele também não fuma, a gente tá aqui junto com você. Mas ele é diferenciado. A única coisa que a gente faz no planeta,
espécie humana que é a altura da natureza. O resto, fala qualquer invenção humana incrível. O microfone. Na natureza tem coisa melhor. Tudo que a gente faz, a natureza faz melhor. Agora a música, né? E a música do Paulinho. Eu prefiro você a um trovão, Paulinho. Muito melhor. Mas a gente é natureza, né? Exato. É isso que tá aí. Ele faz essa ligação. Por isso que no especial, no documentário, o Quincy fala. Eu sei escrever, mas não é assim que você
atinge excelência. Não é assim que você entra em contato com Deus. Você tem que criar uma estrutura e deixar Deus ser Paulinho. É o contato direto. Compromisso com o ritmo, mano. Compromisso de não deixar atravessar, de não cair a peteca, não cair. Eu sempre achei isso e agora eu acho que o ritmo é que tá correndo atrás do Paulinho pra não fazer feio. Tá tipo isso, né? Muito obrigado. Paulinho da Costa e João Marcelo Bosco. Obrigado. Sem palavra. Obrigado. Feliz demais. De verdade.
Fazer um gesto simbólico aqui. Claro. Conversei com o Paulinho e eu tenho que fazer. Já pensam do Paulinho? Por favor. Nessas músicas que acabam com a vida das pessoas. Desculpa, um componente. Esse foi o Mano a Mano, um podcast do Spotify. Apresentação, Mano Brau. Co-apresentação, roteiro e consultoria jornalística, Semaia Oliveira.
Produção, Zamunda Estúdio, Bugnaip e Spotify. Pela Zamunda Estúdio, a produção executiva é de Ana Guerra. Direção, Fábio Ismeili. Coordenação de produção, Ingrid Mabelli. Coordenação editorial, Renata Hilario. Captação, Careca Tulli, 2G, Morasta e Mude Rodrigues. Edição, Júlia Gemelli, Murilo Ruivo, Giovanna Costa e Mude Rodrigues.
Ana Guerra. Música original, Fábio Ismaili. Motion Graphics, Miguel Bezenbrook. Artista 3D, Gustavo Pessoa.
Maquiagem Jade Benitez.
Comunicação, Nicole Azevedo, do Spotify. Babi Ferreira e Ana Maxud, da agência Edelman. Jurídico, Janet Vasquez. Gestão de negócios, Jack Black. Vendas, Manuela Costa. Concepção criativa, Gana.