Jamil Chade: a guerra da informação
O Mano a Mano recebe o jornalista Jamil Chade, especialista em política internacional, para uma conversa com Mano Brown e Semayat Oliveira sobre os desafios do mundo atual.
No episódio, o debate passa por temas como os conflitos internacionais, o papel dos Estados Unidos na política global, a situação na Venezuela, a repressão contra imigrantes e o impacto das redes sociais nas eleições e na democracia.
Um episódio que reforça o compromisso do Mano a Mano em trazer informação, reflexão e conversas sérias para ajudar o público a entender melhor o mundo em que vivemos.
Ouça agora o novo episódio do Mano a Mano.
Episódio gravado em 25/02/2026
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- Desinformação e manipulação políticaImpacto da desinformação · Relação Brasil-Estados Unidos · Extrema-direita nos EUA
- Atuação de Lucia na políticaEleições nos EUA · Relação entre Trump e Lula · Influência nas eleições brasileiras
- Reação internacional ao conflitoSituação na Venezuela · Repressão a imigrantes
- Racismo EstruturalRacismo nos EUA · Relação entre brancos e negros
A desinformação é um ato político. A desinformação tem como objetivo te hackear. Eu dei serviço como serviço. Você acha que o Brasil corre o risco de virar um quintal dos Estados Unidos igual o Porto Rico? E Havaí? O Brasil não cabe no quintal de ninguém.
Pelo menos isso que eu quero acreditar. Não quero acreditar que o Brasil seja quintal nem da China, nem dos Estados Unidos e nem da Europa. É muito difícil definir o que é direita, extrema-direita, esquerda. Tá uma confusão total. E muitas vezes as pessoas nem estão se identificando com isso e com aquilo. E independente da posição política de qualquer um de nós nessa mesa hoje, eu acho que tem uma coisa que a gente tem, que é um compromisso com a honestidade e com a informação.
Forte, leal, sincero abraço. Chegou o grande dia. Esse é o Mano a Mano. Como é que é a Semaia Oliveira? Como é que é, MB? Estamos de volta, 2026. Pra mais um jogo. Anguariando sempre uma vaga na liberta? Sempre. Pelo menos. Conseguindo boas posições. Sempre. E na melhor das hipóteses, disputar o Mundial. Certo? Interclubes. Fortes candidatos sempre, me bem. Sim, aconteceu. Como foi seu final de ano? Tudo bem?
Foi tudo bem. Família, Taiezinho, crescendo, dois aninhos. Que bom. Vida de mamãe. Muitas coisas acontecendo nos últimos dois meses, não? Muitas coisas acontecendo. Foi um ano que começou com o pé no peito já, né? Sim, enfim, terminou, né? Terminou com o pé no peito, começou com o pé no peito. Verdade, sim. Vamos lá, Semaiá. Vamos no... No Scout. No Scout do homem.
Bom, ele é nascido e criado aqui em São Paulo. E é hoje um dos jornalistas mais renomados que a gente tem. Ele se formou em Relações Internacionais, na PUC São Paulo. Mas a carreira, né, e o coração acabou levando ele pro jornalismo. Ele começou a carreira na Gazeta Mercantil, cobrindo o Congresso Nacional lá em Brasília. Ficou três anos nessa função.
Depois, ele se interessou em fazer um mestrado fora do país, decidiu sair fora e fez uma arquitetura ali, uma estratégia pra pensar pra onde eu posso ir e estudar e continuar trabalhando com jornalismo. E aí, ele escolheu a Genebra, na Suíça, que é um território que reúne vários órgãos internacionais importantes, né? Pra quem tem interesse em cobrir essa área.
E aí, ele começou fazendo isso com o Estado de São Paulo e com o tempo ele foi ampliando. Ele já colaborou com veículos muito renomados, como a BBC, o El País, o The Guardian, aqui no Brasil, a Agência Pública e o UOL até muito pouco tempo. Atualmente, ele colabora com o ICL Notícias, a TV Brasil e a Carta Capital.
Já são mais de duas décadas, né, contando histórias. Já viajou por mais de 70 países. Foi eleito o melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões pelo prêmio Comunique-se, em 2011 e 2013. E o ano passado, em 2025, ele foi considerado o segundo jornalista mais admirado do Brasil pelo portal Jornalistas e Companhia.
Além disso, ele foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade, né? Que investigou os crimes da ditadura aqui no nosso país. E atuou como presidente da Associação de Imprensa Estrangeira na Suíça. Ele já publicou 10 livros. E o mais recente é o Tomara que Você Seja Deportado. Que ele analisa e tem crônicas muito boas, inclusive, sobre a crise democrática, né? A derrocada nos Estados Unidos atualmente. É o Jamil Chad.
Resumir? Perfeitamente. Que prazer estar aqui com vocês. É nosso. Obrigado mesmo. Bem-vindo ao Mano a Mano. E vamos começar nesse maiá. Manda um pocho bom hoje.
Tem muitas pautas que a gente pode puxar. Mas a gente tava aqui conversando sobre como a gente poderia começar. E o MB, o seu livro, ele traz muito claramente um período de pré-campanha na última eleição, né. Essa disputa entre Kamala Harris e o Donald Trump, que venceu a eleição. Mas como que a gente pode olhar, por exemplo, pro Barack Obama? O que a gente construiu ali que foi começando essa derrocada? Isso é uma coisa que a gente gostaria de começar. Antes de onde a gente tá agora.
Posso acrescentar uma pergunta junto com você? Pelo amor de Deus. Essa expansão da extrema direita nos Estados Unidos é um reflexo do Barack Obama ou não tem nada a ver? Das duas presidências do Barack Obama. Dos mandatos. Dos mandatos, desculpa isso.
Olha, essa é uma pergunta fundamental, porque de fato o que existia era uma grande esperança, principalmente no primeiro mandato do Barack Obama. Não, ali vai mudar tudo, etc. Mas aquele partido democrata era e manteve um caráter muito elitista, extremamente elitista.
Aquele partido abandonou os trabalhadores americanos por muito tempo, inclusive depois do Barack Obama. E as pessoas, inclusive as que votaram por ele, vamos lembrar só uma coisa em termos de números, Barack Obama ganhou a primeira eleição dele em relação ao candidato republicano com 10 milhões de votos a mais. É muita coisa, é muita coisa.
Donald Trump que fala que ganhei pra caramba, não sei o que e tal. A diferença foi só dois. Foram só dois milhões de votos. Então assim, Barack Obama chegou com uma credibilidade, com uma legitimidade gigantesca. Desculpa te interromper, mas assim, a população negra norte-americana não é um número tão expressivo. Então a gente tá dizendo que tinha uma…
Exato. A população branca, grande que votou no Brasil. É, votando pra ele. Exatamente. A população afro-americana é de 17%. Não é menos que isso, não? Acho que atualizou. Acho que é 13. 13 só? 13. E nunca mudou. E nunca mudou. É 13 há mais de 100 anos. É, então vamos combinar aqui que você não consegue 10 milhões de votos acima do seu concorrido. Só com a população negra. A população americana, o total é de quanto? Quase 400 milhões.
Mas, de toda forma, Barack Obama não ganha com o voto negro. Não é o voto negro que faz ele ser presidente. É justamente o trabalhador. É aquele que fala, olha, acabou, eu preciso ter uma outra realidade. Só que... E aí tem uma realidade americana muito claríssima, muito clara. E o voto dos latinos também, não? Também, também. Sem dúvida nenhuma. Mas, ainda assim, se você não tem o voto do branco, o homem branco, principalmente norte-americano, você não chega. Os latinos são quantos por cento lá?
Eu acho que hoje a gente está falando mais ou menos de 40 milhões de pessoas. 40 milhões, mais ou menos uns 10% da população. Da população americana? É. Eu pensei que era mais. Não, o que vota, né? Ah, que vota. Mas os que não votam é por qual motivo? Porque não é obrigatório votar. O latino não vota? Não, o voto não é obrigatório. Então você não tem a obrigatoriedade de votar. O cálculo é feito com base no histórico da pessoa que vota.
então esses 40 milhões de latinos que votam, eles fazem uma diferença grande, obviamente mas eles, insisto nem eles juntos com os negros são capazes de eleger sozinhos não são capazes em termos numéricos os ditos brancos são 4%
Tem que fazer a conta, mas continua sendo mais de 50% ainda. Continua sendo. É muita coisa. Então, o Barack Obama, para vencer uma eleição, ele precisou convencer uma classe média gigantesca a votar por ele.
E é isso que ele fez. Essa classe média, ao longo desses anos, e vamos lembrar o que aconteceu em 2008, que é a quebra dos bancos nos Estados Unidos e tudo aquilo que a gente viu acontecendo, e que foi um sinal. Olha, o sistema jamais vai salvar pessoas. O sistema vai salvar bancos. E foda-se. É isso. E foda-se. O capitalismo vai sobreviver antes de você.
Então, se eu precisar retirar todos os seus direitos para salvar o sistema, eu vou fazer isso. E é isso que acontece. E essa população que originalmente votou por Barack Obama, ela vai se desfazendo em termos de ilusão. Vai desacreditando. Total.
E isso vai virando ressentimento. Mas o que fez eles acharem que o Obama resolveria o problema deles? Qual que é o DNA disso? Fazer um branco do Sul votar no Obama. O que faria isso? Eu confesso que aí eu não tenho toda a análise, mas o que eu ouvi de muita gente era da energia nova que ele trazia. Um moleque de 40 anos... O bagulho da idade. Exatamente. É que tá o perigo.
Um moleque de 40 anos, 40 e tantos anos ele tinha, com muita energia, com muita força, uma pessoa nova dentro daquele cenário. Também vamos lembrar o que é aquele cenário americano. Bush pai, Bush filho. Clinton, Hillary. Ou seja, tudo dentro das mesmas famílias. Linhagens antigas que já estiveram no poder.
Hereditário Ele era uma mudança Em muitos sentidos E o Yes We Can Era isso Nós quem Os que estão excluídos Os que não fazem parte Do grupo do poder Só que não funcionou
Essa é verdade. Essa população foi vendo o seu sonho americano, que nunca existiu, nunca existiu, mas o mito existia, se desfazendo. E isso foi virando ressentimento. E esse ressentimento foi de uma forma espetacular capturada pela extrema-direita. O Brasil aconteceu isso. Exato. Exatamente, cara. Eu vi isso acontecer em tempo real. É isso. A história é muito parecida. Isso tem também nome de Círculo também. Se chama Círculo também. Sem dúvida.
Eu já vi acontecer isso na música. Como assim? De tempos em tempos, a música fica mais... Menos dançante e mais pensante. Passado imediatamente o ciclo, ela fica mais dançante e menos pensante. E no próximo ciclo, ela vai ser acusada de ser alienada porque ela agora é menos pensante. Aí ela fica pensante. Depois ela fica acusada de ser menos dançante. Isso vai vir uma acusação também quase moral. E o ciclo vai e volta.
Na política está acontecendo a mesma coisa. Engraçado porque...
evitar o círculo é uma coisa impossível não tem como e aí quando ganha o Trump nessa segunda vez, porque ele ganha pela segunda vez quando ele ganha pela segunda vez eu acho que talvez um dos documentos mais importantes da vitória dele é a carta que o Bernie Sanders o senador democrata escreve para os democratas ele não está escrevendo para o país nem está escrevendo para os republicanos ele está escrevendo para eles mesmo e ele fala assim, vocês estão surpresos por quê?
com a vitória de Donald Trump, se nós abandonamos os trabalhadores. Ele reconhece. É, basicamente ele dizendo, tenho vergonha na cara, gente. Tenho vergonha na cara, vocês abandonaram as pessoas. E aí vocês abandonam, e depois na hora do voto vem pedir, gente, vamos votar lá pelo nosso, porque a democracia está em risco. Olha que democracia, cara.
Que democracia se eu não como ou se eu não tenho sistema de saúde? Posso contar uma história de o que aconteceu comigo? Em Nova York, eu tive pedra no rim. Não sei se você já teve... Graças a Deus, não. Então, bate aí na... Dói muito.
É um absurdo, é um absurdo. Eu consegui rastejar pra fora do apartamento, o cara que tava ali trabalhando chamou uma ambulância e eu fui pro primeiro hospital que a ambulância levou. Cheguei no hospital, em Manhattan, chego no hospital, uma sala com 20 macas, eu tô lá numa dessas macas, um banheiro pra 20 pacientes e todos os seus familiares, um banheiro, ou seja, não é, não estamos falando nada de luxo,
fiz uma ressonância, identificaram, é pedra, de fato, e eu falava, bebe água aí a noite inteirinha pra ver se essa pedra sai. E me colocaram numa maca no corredor. E atrás de mim, outros pacientes com maca, no meio da noite eu lembrei, pô, não tem comida?
Aí eu chamo uma pessoa, um enfermeiro. O enfermeiro, não, tem sim. Você quer que eu traga? Traz. Aí ele traz a comida, uma bandejinha, e a maquininha do cartão de crédito. Pra cobrar. Imediatamente. Eu falei, tudo bem. No dia seguinte, de manhãzinha, a pedra sai. Assim, aquelas coisas mágicas. Milagre. Milagre. Você levanta, só água, foi embora. Duas semanas depois, chegou a conta.
48 mil dólares. Quantas horas ainda é no hospital? Umas 30. Umas 30 horas. De e-mail. Com um... Bom, me deram morfina, mas morfina não custa... Pra dor. Pra dor. Fiz uma ressonância. Aham. E a comida fui eu que paguei. 48 mil dólares, eu tenho seguro. Agora, quem não tem, porque nos Estados Unidos muita gente não tem, você vai à falência.
E não consegue nem voltar pro Brasil. Fica lá. E o americano médio... Não consegue acessar. Não consegue acessar. Aí eu me pergunto. Eu sou o pai de uma família que vive isso. Aí eu falo que eu vivo numa democracia?
Que porra é essa? Não garante o básico da saúde. Eles não garantem. Não garantem. Nesse ponto o Brasil está à frente? A gente pode admitir isso? É difícil admitir que o Brasil está à frente em alguma coisa, mas a gente pode admitir. É até mal, né, se falar que o Brasil está à frente. Não, não, eu realmente eu acho que a gente pode pelo menos nessa questão do SUS
ter uma garantia de que você vai ser minimamente atendido se é qualidade esse é um outro debate agora, não fizeram nada comigo entendeu? não fizeram nada comigo, não teve uma cirurgia não teve absolutamente nada você não é atendido no sistema de saúde no Brasil
Eu fui, eu tive um probleminha em 2017. Não faz tanto tempo. Qual é a sua percepção dos dois? Ah, mas infinitamente melhor aqui. Aqui, infinitamente melhor. Eu tenho uma história parecida, sabia? Lá? Eu passei um tempo em Nova York.
No Bronx, fiz estudar inglês. Olha só. E eu caí na neve, não sabia. Caí e torci o tornozelo. E aí, falei, não. Vida que segue, mas começou a inchar, comecei a estar com muita dor. A minha amiga lá é latina, então ela já me deu a letra. Eu fui no que eles chamam lá de hospital público, mas que não é público, ele só é mais acessível. Eu fiquei assombrada, quando eu cheguei e eu vi a condição das pessoas no corredor.
E aí, quando eu fui ser atendida pela médica, a primeira coisa que eu falei pra ela… Ela era latina, a médica. A primeira coisa que eu falei pra ela foi eu não tenho dinheiro. Ah. Aí, ela falou assim pra mim. Então, eu não vou nem tocar em você. Só tira a bota e me mostra. Eu tirei, ela só olhou. Ela não me tocou. E aí, ela falou, vou te dar uma receita. Porque sem receita, você não consegue comprar. Vou te dar uma receita e você vai tomar tal remédio.
Fui embora sem ela tocar em mim. Chegou uma fatura de 500 dólares. Então, é isso aí. É isso aí.
E eu tive que ir lá, fazer um cartãozinho de que é um tipo, um planinho e X e nanana, pra ser livrada desse valor. E é assim, é muito feio de ver. Então, mas é esse ressentimento, porque claro, de alguma forma, você saber que um momento você ir embora dali. Você não é dali. Agora, se você é um americano médio, no interior do país e que só tem aquilo ali como vida possível e que só tem que ir embora.
o ressentimento vai crescendo, vai se transformando em um voto de protesto. Esse voto de protesto a extrema-direita foi capturar de uma forma brilhante, dizendo vocês são marginalizados, vocês são abandonados, nós também. Vamos juntos. Eu vou ser o representante de vocês lá naquela elite podre de Washington.
É direita ou extrema-direita? Ou é a mesma coisa? Não, é extrema-direita. A direita, e eu não sou direita, mas a direita tem algum tipo de capacidade de entender que direitos básicos são fundamentais. Pra você ser de extrema-direita, você tem que ser branco? Eu acho que tem algumas características nos Estados Unidos da extrema-direita que envolvem qualificar o outro de outro.
Porque eu quero o meu país de volta. Como se eles tivessem nascido lá, né, cara? A extrema-direita é racista? É, profundamente. Eles aceitam homens negros? No partido? Na vida política deles? Como saída pra dizer não sou racista? Como estratégia? Como manipulação?
Mas, olha, as coisas, os comícios que eu fui ver, eu contava o número de negros nos comícios. Você é filho de libanês, é isso? Filho de libanês. No Brasil você é lido como branco? Sem dúvida. Lá não? Não, lá eu sou árabe e latino.
Como árabe você teria mais acesso na sociedade? Do que um latino? Se eu tivesse dinheiro... Ou é preconceito dobrado? Porque é árabe. Se eu sou um árabe cristão, tem uma... Ah, sim. Agora, a gente tava até falando isso outro dia. Se você é islâmico, já pega mal. Pega mal. Turbante. E o Mandami, prefeito de Nova York. Sim. Islâmico, muçulmano, perdão. Muçulmano.
foi buscar a comunidade latina de Nova York pra ganhar seu voto, ele teve que ir falando espanhol, porque aquele latino conservador católico olhava pro outro imigrante, você é muçulmano, cara. Eu sou imigrante, mas eu não sou muçulmano. Ele tem aquela visão do muçulmano terrorista. Exato. E ele, e o mandame foi muito esperto, quer dizer, a equipe dele foi muito esperta de transformar aquilo. Então, não.
primeiro, somos todos imigrantes o Fifty Cent protestando falando mal da eleição dele quem quem? o Fifty Cent criticou a eleição desse presidente e ele construiu essa relação com os latinos que não existia entre os árabes e os latinos porque a gente fala tudo imigrante tudo imigrante, mas o que o Trump entendeu também o Trump foi para os homens latinos e falou eu sou tão conservador como vocês em relação a família o Marvin o o o
em vários pontos é verdade é claro, eu sou religioso como vocês sim meus valores morais eu sou machista igual vocês exatamente e aí pela primeira vez pela primeira vez mais de 50% dos homens latinos votaram por Donald Trump
Porque ele foi, ele buscou dois elementos fundamentais. O ressentimento, porque essa população tá fudida, não tem outro jeito de descrever a situação deles. E ao mesmo tempo, mas aqueles valores que vocês defendem, sou eu. E aí no seu livro você traz também que uma outra, você até, acho que a palavra que você usou foi maquiavélica, que a estratégia dele foi de dizer, vocês imigrantes que já estão aqui,
Tá de boa, vocês estão legalizados e tal. Mas o problema, na verdade, é quem tá chegando. Vocês vão perder esse lugar, o sonho americano vai… Então, tem essa manipulação do medo também de você se rebelar contra o seu igual, desconfiar do seu igual, né. E começar a criar o medo e o ódio ao mesmo tempo.
Isso foi absolutamente claro que aconteceu. Porque o que o Partido Republicano, mais do que o Partido Republicano, o que o movimento de ultradireita fez foi convencer um imigrante que já estava ali que o problema não é o poder, não é o sistema financeiro, o capitalismo. Isso não é o problema. O problema é ter o vizinho. Ele está sem documentos, vai trabalhar por metade do preço que você. Vai roubar teu emprego.
Aí, claro, você, sem acesso ao poder, sem acesso à transformação social, você olha pro lado e fala, é verdade. Você compra. O único que eu posso combater é o meu vizinho.
Não é o sistema. Eu não tenho... Sou incapaz de mudar o sistema. Isso aqui também é assim. É, é verdade. Muitas vezes você vota contra o vizinho ao lado. Total. Você vai lá, tá, eleição pra presidente. Você tá pensando no seu vizinho, né? Nem no Lula que você tá... Total. É isso. Você morou? Morei. Ô, meu Deus, se eu conseguisse tirar esse cara, mudasse do lado da minha casa, parei de meia. Eu odeio as músicas que ele ouve. É isso.
E aí cria-se um estereótipo do que essa pessoa... Odeio o cheiro do cigarro que ele fuma que entra por cima do meu telhado. Quer ver uma história que é nesse sentido? Quando o Donald Trump criou aquela mentira de que os imigrantes estavam comendo os pets, os cachorros, os gatos. O que ele está dizendo?
Cuidado com teu vizinho, cara. Você tem um gatinho na tua casa, cuidado, teu vizinho vai comer o teu gato. E de onde ele tirou isso que os latinos comem gatos? Porque teve... Não seria do Largo 3 de Maio aqui em São Paulo, não, né? Nem de porta de estádio, né? Não, porque... Coincidência, não tem nada a ver. Nada, nada a ver, nada a ver. Teve a história de um caso, mas assim, absurdamente, sem nenhum tipo de comprovação, de que um cara comeu uma vez um gato.
Mas não tem nem a prova disso. Mas o que ele fez, opa, essa é uma boa história, hein? Essa é uma história boa. Toca com o afeto. Toca com o afeto. O teu bichinho de estimação, cara. O seu pet. Ninguém mexe com o meu pet. Porque às vezes é só o que eles têm lá, uma casa e um pet. Tem todas essas camadas de fragilidades humanas aí, né, cara? Que louco isso. O ser humano é uma máquina com...
Tudo uma coisa só. Vamos voltar àquele foco lá da repressão em cima da eleição do Obama. Dos dois mandatos. Eu lembro quando... Eu sempre volto nesse time. Eu lembro quando fizeram aquele filme O Presidente Negro. Era uma ficção que falava dos últimos 24 horas, um dia antes da eleição, do candidato negro. O tanto de emoções que ele passava pelo fato de nunca ter tido um presidente negro nos Estados Unidos. Era uma coisa assim, o impossível.
Uma população de mais de 50% branca, onde se queimava, enforcava pessoas, há 50 anos, há 60 anos atrás, elegeu um homem negro e reelegeu. Elegeu e reelegeu. Em algum momento eu pensei, isso vai ter volta. Isso vai ter volta. Não vai ficar assim. Isso não vai ficar assim. Isso eu vi acontecer no Brasil também.
Isso não vai ficar assim, porque a gente sabe a repressão qualquer. Tava muito calmo. Que nem aquele mar que antecede o tsunami. Tava muito calmo. O Brasil teve esse momento também de calmaria.
ali naquele momento que o Brasil ofereceu dinheiro pro FMI, que a crise pegou todo mundo, inclusive os Estados Unidos, e o Brasil falou aqui não vai pegar. Ali foi um momento mágico na história do Brasil. Eu presenciei. A famosa Marolinha. Eu presenciei, eu tinha uma blusa vermelha, verde e amarela que eu usava aqui no Brasil.
Eu não usava pra impressionar o americano em Nova York. Eu usava aqui. Naquele momento que a gente usou o verde e amarelo. Pô, pagamos a dívida externa, mano. Damos 10 bilhões pro FMI. E oferecemos o dinheiro emprestado pro FMI. Sabe quem era o FMI? Você mais é a mais jovem. O FMI era aquele...
agiota, que todo final de ano ia lá só pra receber os juros da dívida. O Brasil não tinha o prazer de pagar uma parcela da dívida. Ele só pagava os juros. Sangrava, o povo passava fome, as crianças andavam descalças. Porque o Brasil não pagava a dívida. E a dívida era descontada todo ano. E eu vi o milagre econômico. A minha geração assistiu.
Que foi o quê? O Brasil pagava a porra da dívida, caralho. Era um monstro, era tema de música, tema do programa de humor dos anos 80 e 70, de filme, era de todo tipo de protesto da classe artística. Era pobreza, era criança com fome. E a dívida? Por causa da dívida. O Brasil sangrava pra poder pagar a dívida. O Brasil não comia pra poder pagar a dívida. O povo não comia.
O povo não comia, por isso as músicas falavam de fome. Você vai pegar os raps lá do final dos anos 80, fala de fome. Reflexo. E agora a gente, depois de dois... Lula ganhou em 2002, foi reeleito em 2006, a Dilma foi reeleita em 2010 e governou até 2014. Então, aquele momento de calmar e ali antecedeu o que está acontecendo hoje.
Que é, óbvio, uma coisa retundante, mas no que eu digo, da radicalização e da polarização. A resposta. E do racismo e de tudo o que envolve. E desse ressentimento. É, o Brasil não é melhor que os Estados Unidos em termos de racismo e nada. Não, não. Reage da mesma forma. Total.
Pode contar uma historinha Justamente dessa vingança Dessa vingança Porque é uma vingança Querem ver o que a gente vai fazer Logo depois que o Trump ganhou Dois dias depois O primeiro ou o segundo? Agora Eu fiquei arrepiado quando isso aconteceu Os jovens negros Com celular Um dia, logo depois da eleição Recebem um whatsapp No celular Tá na sua coroa
dizendo assim, fulano, amanhã, às nove da manhã, se apresente na esquina da rua tal com a rua tal. Não há necessidade de levar os seus pertences. A colheita do algodão vai recomeçar. É de arrepiar. Porque primeiro...
Como é que eles pegaram esses dados? Como é que eles têm os dados de milhares de negros com celular? Deixa eu entender o que você tá me falando. Isso é ficção ou isso é vida real? Não, senhor, cara. Onde foi isso? Nos Estados Unidos, em vários estados, inclusive. E aí eu pensei... Essa analogia da colheita do algodão, é verdade? É verdade. É verdade. Ele tá escrito. Quem mandou esse comunicado? Ninguém sabe, ninguém viu. E aí... Um hacker, talvez? Um racista?
Mas calma aí, como é que você manda milhares de mensagens só... Para jovens negros. Jovens negros. Ou seja, as operadoras de celular têm o dado de quem é negro e quem não é negro. E tem a reconhecimento facial. Provavelmente. Provavelmente vai por aí.
Quando eu li isso, eu levei um susto. Falei, não, isso deve ser uma loucura. A colheita do algodão é foda. A colheita do algodão é absolutamente pesado. Deu meia hora, eu recebo um e-mail da escola dos meus filhos. Dizendo o seguinte, um alerta aos pais, amanhã temos uma reunião de emergência. Porque muitos dos nossos alunos receberam um e-mail, um WhatsApp dizendo isso.
E era exatamente o que eu tinha lido. Seus filhos receberam este pedido? Não, não. Mas olha só, várias crianças da escola deles, negras, receberam. Apenas negros? Só os negros receberam. Isso é muito... É muito pesado você anunciar que diante da vitória de Donald Trump, a escravidão voltou. Era isso a mensagem? A mensagem era essa. Vocês vão voltar para o lugar que vocês não deviam ter saído. Nunca. Quem vocês acham que vocês são?
volte pra onde você está e a frase não precisa levar nada, não precisa levar os teus pertences, é isso vocês estão absolutamente destituídos de quem vocês são não adianta, voltem pra onde vocês isso é muito forte qual foi o endereço que eles passaram? se é presente na avenida eu não lembro qual foi mas era coisa muito concreta mas essa esquina é simbólica? não, não, não um deles qualquer
Mas era muito real. Era tudo muito real. E aí, claro, investigações foram abertas, o FBI... Nada, nada. Agora, você fica imaginando, calma aí. Se for um hacker, por si só já deveria ser um crime. É um crime, não pode ser. Você não pode chamar de outra coisa. Se não é um hacker, como é que as empresas, as operadoras, passaram isso pra alguém?
Que história é essa, gente? Da onde? E aí pegou principalmente estudantes, universitários e molecada de escola. Então é assim, começou um governo racista, supremacista branco, com alerta. Fiquem atentos. Tamo de volta. E a nossa tônica é essa daqui.
É isso que é. Eu fui na festa, eu escolhi passar a noite da apuração na festa da ala mais radical da extrema-direita. Eu queria ver. O que é a ala mais radical? Inclui o quê? Que tipo de organizações frequentam a ala mais radical da extrema-direita? Basicamente, pessoas que depois eu descobri, porque isso acabou saindo nos sites americanos, pessoas que trocavam e-mails dizendo que falta faz um Hitler.
Sim. Pessoal com essa filosofia radical. Neonazista. Pra você ter ideia, quando eu cheguei nessa festa, que era uma festa, de fato, porque eu pensei, se Donald Trump perde, eu vou ver a reação deles. Se ele ganha, eu vou ver como é que eles vão comemorar
Então, eu escolhi passar ali. Quando eu chego na festa, eu não escondo. Eu sou brasileiro, sou repórter, etc. Não vou me infiltrar, passar por um nazista. Não, eu me apresentei. Um cara me diz assim, você é brasileiro? Conta pra gente, como é que é viver sobre o comunismo?
Aí eu falei, puxa, cara, eu não sei, eu adoraria saber, mas eu não sei. Como você não sabe? Você não é do Brasil? Eu falei, senhor, mas não é comunista. O Brasil não é comunista e não... Como é que você explica? Então, assim, essa foi o minuto um daquela festa. E quando eles ganham, cara, e quando ficou claro que eles ganharam...
Não era uma comemoração, ninguém chorava, não tinha abraços. Era o quê? Era ódio, eram gritos de ódio de vingas. Agora vocês vão ver. E com uma violência, eu saí, sei lá, terminou umas três da manhã, eu saí, eu resolvi voltar andando pra casa.
Cara, eu não aguentei, eu chorei. Não porque a Kamala Harris perdeu. O que é a Kamala Harris? A gente também não sabe pra onde ir. Do que havia se vir. Eu fiquei com medo do que aquelas pessoas empoderadas agora poderiam fazer.
É isso que eu fiquei com medo. O meu medo era aquilo. Você acha que o Brasil está muito diferente disso? Não, de jeito nenhum, cara. Claro que não. Claro que não. Quando você vê, eu acho que a gente pode falar aqui tranquilamente, miliciano, candidato, e dizendo que eu vou perdoar a golpista, essa também é outra vingança.
Essa também é outra vingança. Eu não só... Porque anistia não é só pacificar. Na verdade, não é pacificar. É dizer, você que tentou o golpe, você tá do lado certo da história, cara. Pode ir. Pode tentar de novo. Sabe o que é louco, mano? Posso dar uma viajada? Nossa. Tem um tempo de pôr nas voltas. Tá risa de novo. Quem estuda um pouco de história e um pouquinho de religião, isso é um pouquinho na Bíblia, você pode pegar um pouquinho. Os grandes homens,
ou grandes mulheres, vamos dizer assim, homens, que na grande maioria foi o patriarcado, homens, os grandes reis, as grandes figuras, inclusive as religiosas, foram homens que acessaram e acenderam na humanidade com armas na mão. Sem dúvida. Portando arma. Sem dúvida. É um comportamento do ser humano, praticamente. Sem dúvida. De...
É muito mais fácil você eleja um general do que um pastor, um padre. Entendeu? É. É uma tendência das pessoas procurar proteção. Isso é desde que o mundo é mundo.
Os grandes homens, os grandes personagens da Bíblia foram os que mais mataram. Sem dúvida. Os que lideraram grandes vitórias militares se tornaram, foram alçados à categoria de semideus. Uhum. E a gente continua repetindo o mesmo comportamento tanto lá quanto aqui. É isso.
Quem pega na arma e grita mais alto vai liderar. Dificilmente o cara que tá com um livro na praça ele vai ser tão prestigiado quanto o cara que tem uma arma. E no Brasil também. O braço armado sempre vai falar mais alto. Seja lá de qual lado ele estiver. Quem tem arma não dialoga. Não precisa.
E eu acho que se conecta muito com uma das crônicas do livro que é Masculinidade em Crise, o título, né? Que você tava acompanhando um dos eventos e… Antes do evento começar, aparecia um homem, ele rasgava camiseta e músculos de fora. Então, como esses símbolos também foram usados exatamente talvez pra trazer essa ideia de proteção que a gente foi ensinado a acreditar que isso é uma proteção. E se conecta também com a insegurança. Total.
Que é um afeto, um sentimento natural de todo ser humano, né? E na nossa geração, acho que se tem uma característica óbvia, é incerteza. A gente não sabe mais nada, né? A gente não sabe nem qual notícia é verdade e qual não é. A gente não sabe que vai morrer, né? É, exatamente.
Então, aquela ideia de que a gente sabia que a gente comprava o jornal, que ali estava algum tipo de notícia confiável, hoje a proliferação, obviamente, de desinformação, que é deliberada, é deliberada, não é um erro de apuração jornalística, não. É para te confundir mesmo. Então, num momento de absolutamente, de incerteza absoluta, vem um cara com uma arma na mão e diz, eu sou a segurança, não só a segurança física, eu sou a segurança de você poder dormir tranquilo em casa, porque...
Mental. Enquanto você dorme, eu te vigio. Exatamente. E aquela história das crianças, cuidado com os pedófilos, etc. Porque a esquerda é pedófila, etc. Tem uma construção inteira nesse campo. Porque, na verdade, essa história de vários tipos de família, na verdade, porque querem levar o teu filho, a tua filha, etc. Então, você cria, você amplia a incerteza e oferece o quê? Segurança.
O lance é que muita gente não entende o que é direito, o que é esquerdo, o que é ser conservador, o que é ser progressista. As pessoas não sabem. Por exemplo, muito se fala sobre... A gente tá mudando de ideia, mas nós vamos voltar no foco lá das ideias lá. A mesma ideia. A mesma ideia. A família tradicional brasileira. Eu não faço parte da família tradicional brasileira. Primeiro porque eu não tive pai. Primeiro porque eu não tive irmão. E nem irmã. Então, filho de mãe solteira.
Já não faço parte. Eu já não entraria... Sim. Nesse... Já não seria contemplado pelo que está desenhado para o Brasil. Já seria excluído pela própria natureza. Então, pela própria natureza do Brasil, de escravidão, de abuso, a direita não gosta que fala que recorre à história, que recorre às flagelos, às mazelas da história do Brasil. Ah, não. Vamos contemporanezá-lo. Vamos debater o que fizeram com os ídios. Não tem como, irmão.
Não debatiu o que fizeram com os negros e o que fizeram com os índios. Eu sou fruto disso. Minha mãe era descendente de escrava. Eu até hoje eu trago traços disso na minha vida. Eu sei. A forma que eu fui criado com ela, nas casas que eu morei com ela, da forma que ela vivia, eu fui viver com ela a vida dela.
Era uma vida que era o quê? Traço de escravidão. Traço de uma vida de comportamentos repetidos de séculos. Sim. E o privilégio que eu tive era basicamente baseado nisso. Ou seja, um número absurdo de brasileiros se privilegiando justamente dessa escravidão. Sim.
O Brasil foi feito em cima disso. Então, assim, você dizer hoje numa família ah, não vamos falar desse passado, porque afinal de contas eu nunca tive escravo. Então, vamos lá. Você é o produto do benefício de 300 anos. E das ausências. E das ausências.
Então, achar que isso faz parte do passado é uma miopia gigantesca. Desculpa, falar do passado não é falar do passado, é perguntar quem nós somos hoje. Quem é que nós somos hoje? Nós somos isso, tudo isso. Então, eu não tenho nenhuma dúvida de que enquanto a gente não lidar com isso, de uma forma muito honesta, olha, esse grupo aqui é privilegiado, por quê? Porque contou com essa mão de obra aqui.
Essa mão de obra aqui, perdão, se fudeu durante 300 anos ou mais, justamente numa situação que, desculpa, ninguém foi ao socorro. Ninguém. Que país é esse que, num momento da emancipação, pagou compensações aos donos?
e não aos escravizados. Que história é essa? Quando que a gente vai achar que isso é normal? Não dá. Não dá. Então, realmente, enquanto a gente não lidar com isso de uma forma muito, eu entendo as pessoas falarem não, mas calma, isso é parte do passado, vamos olhar para o futuro, vamos. Mas vamos olhar de forma honesta.
Senão não adianta, cara. Exatamente. Senão não adianta. Eu acho que o grande projeto do que se diz direita no Brasil é, tipo, passar uma régua no que passou, passou e vamos daqui pra frente com regras iguais.
Ah, ontem com. Os mesmos B.O. Regras iguais. Regras iguais. Carregando os mesmos B.O. E se você errar, infelizmente, você vai morrer. É isso. Se você sair da regra. Porque seria assim, vamos passar uma régua daqui pra frente, só vale o que a gente for fazer. Só me conta, é com a música do Djavan. Só me diga que foi bom, né?
Então, cara, vamos daqui pra frente, essa coisa da escravidão, reparações, não sei o que, não tem como, vamos contemporaneizar, vamos trazer pro agora. Vocês querem levar vantagem em tudo, porque você é preto. Ah, fulano só tá lá porque é preto. Se não fosse esse momento agora de reparação, não tava. Tá passando por essas humilhações também. Tá rolando. Tá rolando.
Ah, você só tá aí porque pelos projetos de como é que chama? Nos anos 90 chamava de ações afirmativas. Ações afirmativas. Eu conheço pessoas brancas aqui que se formaram com ações afirmativas do governo. E estão formados e estão exercendo. Isso é uma ação afirmativa.
É isso que me faz pensar que muitas vezes… Essa palavra ressentimento, eu acho que… Como o Braul mencionou mais cedo, né? Isso cabe muito nos Estados Unidos, mas cabe muito pra gente também. Porque, na verdade, o que eu vejo é… A perda de um sentimento de superioridade, que te dá alguma coisa.
É isso. O privilégio que parecia que vinha… Que é o que a gente fala de superioridade branca e que muitas vezes a gente fica se debatendo. Tipo, não, não existe isso não. Vamos seguir. Passa uma régua, né? Mas e esse sentimento?
como ele organiza a nossa sociedade o sentimento, você diz da perda dessa superioridade então, eu acho que realmente esse é um tema muito presente nos Estados Unidos e muito presente aqui também o que que o Trump fala, no fundo, para esse cara, esse homem branco que perdeu o lugar, porque não é que ele só perdeu o lugar, ele não é mais nem o provedor da casa
Ele não é nem mais o salário mais alto da casa dele. E ao não ser mais o salário mais alto da casa dele, vai ter que dividir tudo com a mulher, cara. Ele não vai ter a palavra final. Bem-vindo ao clube. E aí eu também não tenho mais o poder sobre a minha mulher, que também era... Exato. E é ainda, né? A gente tem visto um poder importante pra essa sensação, né? E o que diz o Chop nesse caso? Comigo você vai ser restabelecido na ponta da mesa.
Você vai voltar ao seu patriarca Que falar mais alto, todo mundo ouve E quietos todos aqui, cala a boca Você vai voltar Vamos organizar essa bagunça Porque naquela época era melhor Melhor pra quem?
Pra quem? Pra nós, claro, homens brancos, sim. Sem dúvida nenhuma tinha uma... Agora, o que também gera, o que gerou, é que descobrimos o grau de mediocridade do homem branco. Que, de repente, não, não é o mais inteligente. Não, não é o mais capaz. Não, não é o mais produtivo. E ele sente que perdeu absolutamente tudo.
Então, quando você desmonta aquele personagem, ao desmontar o personagem, ele tem o caminho mais longo, que é estudar mais, obviamente trabalhar, é obviamente lidar com a outra pessoa como um igual e não um subalterno, tem esse caminho. E tem outro caminho, o da violência.
E aí, sim, a violência em casa, a violência política, que é sim, eu te mato, sim, vocês merecem morrer, sim, vocês merecem voltar para a escravidão. Então, tem esses dois caminhos. Eu passei um ano lá só e eu não quero, eu insisti inclusive com a editora do livro, eu não posso em um ano tirar conclusões.
seria de uma arrogância absurda passar um ano, tem gente lá estudando o negócio, não sei quantos anos, e fala não, então o livro é de fragmentos é de experiências sujeito a alterações ao decorrer do período sem dúvida, um monte o próprio tem um trecho que eu não coloquei, que depois eu pensei eu deveria ter colocado
Então tem coisas assim que você poderia fazer. Nessa questão do racismo, eu fui na Louisiana, eu entrei num... Aqueles restaurantes de beira de estrada, de filme americano. Você fala, tô realmente num filme americano. E aí tinha uma porta, você entrava no coisa, e tinha um balcão.
Eu pensei, bom, aqui deve servir um lanche mais rápido. E do outro lado, meio um restaurantezinho, assim, com... Mas era o mesmo local, era a mesma cozinha que servia os dois. Entrava um negro, ia pro balcão. Entrava um branco, ia pras mesas. Entrava um negro, ia pro balcão. Entrava uma família branca, ia pras mesas. Eu falei, não, eu não tô vendo isso. Lusiana.
descendo o Rio Mississipi. Eu falei, não tô vendo isso. Em 2025. E aí, de repente, eu parei, olhei, e o restaurante não tinha placa. Só tinha o imago. O Brasil é assim, não.
Não tem placa, mas você já se dirige automaticamente ao seu devido lugar. É isso. Então, é nessa sociedade que esse cara vem. Ele é resultado dessa sociedade. Desse ressentimento. E ele, de uma forma, insisto, foram muito inteligentes, e aí foram mesmo em falar, como é que a gente chega lá? O que a gente faz pra chegar no poder? Vamos usar isso aqui. Vamos usar o medo dessas pessoas. Vamos usar a vingança.
E aí, eu acho que tem um outro elemento que você trabalha não só neste livro, mas no seu trabalho como um todo. E aí, Jami, eu tenho uma coisa que assim, uma na mano, a gente se propõe… Deve ter muita gente ouvindo agora que não conhecia você. Tá te conhecendo agora. E a gente se propõe a dialogar com pessoas do nosso povo. Claro.
E a UMB trouxe, ele citou aqui agora, né. É muito difícil definir o que é direita, extrema-direita, esquerda. Tá uma confusão total. E muitas vezes as pessoas nem estão se identificando com isso e com aquilo. E independente da posição política de qualquer um de nós nessa mesa hoje, eu acho que tem uma coisa que a gente tem, que é um compromisso com a honestidade e com a informação.
Então a gente não precisa tentar necessariamente definir o que é a direita, o extremo à direita. Mas como a gente consegue identificar a desinformação e a confusão? É. Porque essa confusão que as pessoas sentem, ela não deve ser um acaso, ela não é um acaso. Não é. Então você é um jornalista que independente da sua posição, você é ético, né, dá pra ver no seu conteúdo. Tudo que você tem é comprovado, você trabalha com informações reais. A gente perdeu a confiança. Eu sei.
Nesse tipo de profissional. Como a gente faz pra reestabelecer qualquer tipo de realidade quando a realidade já é uma mentira? Tem um monte de componentes nisso que você falou. Falei pra caralho. Não, mas é muito profundo o que você falou. Falou muito em pouco tempo. Não, mas é tão fundamental isso que você falou que... Primeiro lugar, parte é culpa, sim, da imprensa. Vamos lá. Vamos ser claros. Lá por reto.
não dá pra gente contar a história do impeachment, do golpe etc isentando a imprensa não dá não dá pra gente contar tantas histórias do Brasil outro dia eu tava vendo as capas dos jornais no passado, uma delas era 13º vai quebrar o país quando o 13º salário foi proposto o 13º salário ia quebrar o país o 13º salário ia quebrar
Não era décimo terceiro vai gerar renda suficiente para que o pobre possa comer. Então...
Então sim, nós temos que olhar. Teve um político que estava tentando revogar a lei do 13º agora há pouco tempo. Quem foi? Qual é o nome do cara mesmo? Eu não lembro o nome dele, mas eu... Ele estava tentando revogar a lei do 13º. Eu sei, porque é um custo extra aos patrões. E o patrão, vamos lá, quer aumentar a sua margem. Só isso, não tem outro. Então, primeiro, a credibilidade na imprensa. A gente precisa reconhecer a vitória.
Da onde está vindo essa falta de credibilidade? Está vindo do fato de que você tomou o lado. Você tomou o lado dos patrões. Então, é óbvio. Esse é um primeiro ponto. O segundo ponto é, sim, um problema seríssimo com a desinformação. Desinformação, insisto, não é que o jornalista estava lá escrevendo em vez de colocar...
ele colocou 24, não é isso desinformação é nós três aqui sentados nessa mesa como é que a gente manipula aquele grupo ali, vamos soltar isso aqui vamos, mas não é verdade, tudo bem vamos soltar isso aqui, pra confundir daqui a dois dias a gente tira do ar e diz pô, desculpa aí então a desinformação é um ato político a desinformação tem como objetivo te hackear tá?
Eu dê serviço como serviço. Exato. Dê serviço como serviço, arrasou. E a palavra fake news, que o Trump tanto usa, ou passou a usar, ele foi recuperar, ela não sai do nada, não foi ele que inventou. Ele traduziu do alemão.
E quem é que usava? Os nazistas. Certo. Então, gente, estou falando de algo profundamente dramático. Então, o Hitler, ele tinha...
Ele fez um comunicado, eu espero que não seja fake news também, se for melhor assim. Se não for fake news, é lamentável. Ele oferecendo cidadania aos cidadãos brancos da África do Sul. O Trump? O Trump, mas apenas para os cidadãos brancos. Os africaners. Exatamente. Esse recorte racial é racismo puro.
num frasco de perfume pequenininho assim, né? Tipo assim, vocês africaners mas apenas os africaners podem vir pros Estados Unidos vocês vão ter bolsa de estudo lugar pra morar, papapá os pretos não. Posso ir ler? Quando eles chegaram, porque eles foram trazidos da África do Sul teve acho que dois ou três grupos que chegaram nos Estados Unidos eles ganharam uma casa Música
Com celular já, com chip instalado, e uma geladeira já com necessidades básicas já preenchidas. Olha aí. Então, quando a gente fala, vamos fechar a porta para os estrangeiros? Não, gente. Vamos fechar a porta para os negros, para os latinos. Os não brancos. Exatamente. Os não brancos. Vamos ser claros aqui no que é o fechar as portas. Fechar as portas para o outro.
Ah, mas você não é outro, você é igual... Pode ver. Então, isso também é parte da desinformação no sentido de falar, não, a gente está fechando o país para imigração. Não está fechando o país para imigração. Está fechando o país para imigração que, para nós, para o nosso poder não convém.
então esse é o segundo ponto primeiro é a credibilidade de imprensa segundo é a desinformação e terceiro sim, infelizmente a gente vai ter que voltar pra escola e fazer os nossos filhos voltar a ler notícias e ensinar a ler notícias, por que que eu digo isso? porque a gente não consegue mais que um moleque leia e diga o seguinte como é que você sabe que essa notícia é verdadeira ou falsa? primeira coisa, tem fonte essa notícia?
tal coisa aconteceu, disse quem? Então, a gente já não sabe nem mais o que é fonte, Jamil. É, então, por isso que eu digo, precisamos voltar ao básico. Não sei se tá tarde demais, talvez esteja. Não tá tão longe nada disso, porque agora a gente vai vomitar nessa coisa da Venezuela, que aconteceu agora há pouco tempo.
Da prisão do Nicolas Maduro. Que há quem chame de sequestro. Eu chamo de sequestro. Eu também entendo como sequestro. Eu acho que a soberania do país da Venezuela foi estuprado. Absolutamente. Um estupro. Você sequestrou um presidente de um país. E não é você concordar com ele. Não é isso. Essa é outra história. Agora, você sequestrar um presidente é seríssimo.
Com apoio de políticos locais. Sem dúvida. Sem dúvida. Sabe quanto que o Trump ofereceu pra quem desse dicas sobre a paradeira dos 50 milhões de dólares? Aí se liga no papo. Entendi. Entendi. Já tinha uma procura-se. Que nem aquele filme de cowboy. Exato.
Vivo é tanto, morto é menos. Mas eu pago assim também. Eu quero também. Se liga, quando aconteceu esse lance na Venezuela, eu entrei em contato com alguns rappers da Venezuela. Olha. E a grande maioria era a favor da prisão do Maduro. Uhum. Inclusive tinha uma menina que era bem radical. Ela meio que me maltratou um pouco, assim, de leve, né? Porra, eu sou um rapero brasileiro, tô vendo o que tá acontecendo no seu país. O que você pensa disso? Ela...
Eu tenho 36 anos. E... O único... Eu nunca vi um presidente... Eu nunca... Como é que ela falou? Eu só conheço esse presidente desde que eu estou vivo. Eu só conheço esse presidente. Não tem outro. Dizendo que ele era um ditador. E outra. O petróleo que a Venezuela tem, o povo não tem acesso e nunca vai ter. O petróleo que a Venezuela tem pertence aos ricos.
Aí eu fui estudar um pouco sobre o petróleo da Venezuela. Como é esse barato?
Cara, a Venezuela, e principalmente no início do governo Chaves, foi uma revolução real. E aí eu vou te contar uma história a partir dos capitalistas, não a partir do povo venezuelano. As empresas de remédio, de medicamentos da Suíça, aquelas multinacionais, cara, eles abriram um sorriso daqui até aqui. Por quê? Porque o governo venezuelano passou a comprar milhões.
de doses de remédio, para distribuir para a população. Da Suíça. Da Suíça. As empresas são suíças, as empresas farmacêuticas? A empresa farmacêutica suíça é um dos pilares da economia suíça. Qual que é a mais famosa? Bom, você tem a Roche. Roche, pronto, acabou. Entendi. São as gigantescas. Eu trabalhei em farmácia, eu queria só entender. Ah, então você conhece. São as gigantescas. E eu me lembro, no começo do governo Chaves,
arrogância de um branco paulistano achando que nossa, que absurdo aquele momento, eu não tinha entendido quase nada da vida perguntei para um CEO de uma empresa farmacêutica, como é que está a situação de vocês na Venezuela? ele falou, está muito bem como que está muito bem? claro nunca vendemos tanto a indústria farmacêutica por quê? porque o governo estava pegando sim o dinheiro do petróleo e fazendo o que?
comprando remédio, cara.
Para distribuir. Para distribuir. O governo Maduro? Não, era a Chaves. A Chaves ainda. A Chaves ainda. O que acontece é que sim, ao longo dos anos, aquilo se deteriorou, a corrupção doméstica foi também importante, a gente não adianta imaginar que só tem a corrupção de um lado, ela tem no outro. Então, tudo isso aconteceu. Hoje, hoje não. Ao longo de vários anos, se eu fosse repórter na Venezuela, eu estaria...
numa situação muito complicada, porque obviamente... Pelo seu viés político? Não, porque eu não poderia reportar. Não pode comunicar o que está acontecendo. Olha, um dado que não podia ser divulgado na Venezuela. Inflação. Não pode divulgar? Não podia. Então, assim... Por Nicolás Maduro. Nicolás Maduro. Então, realmente, eu entendo essa artista, ela dizer, cara, não, não é um sonho ter esse cara como presidente.
Eu entendo ela falar isso. Agora, o problema não é isso. Porque o sequestro do Maduro não era para a população venezuelana se dar bem. Era para os americanos se darem bem. Isso é o B.O.
Porque não foi um problema que o próprio país resolveu. Não. Alguns exemplos disso. Outro dia, agora em fevereiro, eu estava conversando com o Leopoldo Lopes. Não sei se vocês se lembram. Era o líder da oposição na Venezuela há uns 10 anos. Foi preso, ficou 7 anos preso, etc. Eu falei, e aí, cara? Ele tentou um golpe? Não foi isso? Tentou. Certo. Por isso ele foi preso. Foi preso. E aí o Hugo Chávez conseguiu conter o golpe.
foi o Gustavo e aí eu perguntei pra ele e aí, como é que é ver que o Nicolás Maduro foi preso e vocês não foram escolhidos
para ocupar a presidência ou o governo da Venezuela. Ou seja, não era sobre democracia. Não era sobre isso. Então, por isso que eu digo, a gente precisa diferenciar essas duas histórias. Uma coisa é, sim, o problema doméstico venezuelano gravíssimo. Sim.
Problema número dois. O sequestro de um presidente com base no interesse de um outro país. O que aconteceu depois do sequestro? O orçamento da Venezuela passou a ser determinado pelos Estados Unidos. Orçamento.
Outra, o petróleo, a venda de petróleo, tem uma conta, eles abriram, não é uma brincadeira isso, o fato é um dado. Certo. Os americanos abriram uma conta no Catar para receber o dinheiro do petróleo venezuelano. Ou seja, eles roubaram, estão roubando. Cara, não tem outro nome. Não tem outro nome. Que nem na Bíblia. Eles faziam isso?
Não tem outro nome. Aí você fala, não, mas o Nicolás Maduro era um cara muito mal. Ok. Era. Vamos imaginar que a gente concorde com isso. É defender o Nicolás Maduro é dar tiro no pé, mano. É, sem dúvida nenhuma. Não tem como. Nem ali no Palácio Planalto, nem ali a gente encontra gente defendendo ele mais. Mas eu insisto.
invadir um país, sequestrar o presidente, depois pegar todo o recurso natural e dizer, agora sou o controle. Não estava na planilha essas ideias, né? Não, né? Então, assim, o que isso abre de precedente?
Porque pro governo do Trump foi um êxito total, cara. Isso é pilhagem, né? Pilhagem, antiga pilhagem. Eu coloco 10 mil homens, tinham 10 mil soldados americanos na costa da Venezuela. Os dois maiores porta-aviões do mundo estavam ali. Maior tecnologia, não sei o que tal. Coloco todos os canhões virados pra você e digo e aí, vamos negociar? Eu não tenho acordo. Ah. Então, cara...
Por isso que é dramático essa história. Você lembra daqui a... É aqui do lado, né? Porque a Venezuela é do lado do Brasil, né? Quer dois problemas ainda piores? A Venezuela é do lado do Brasil, ela é hoje um protetorado americano. Sim.
Só que essa Venezuela, ela é amazônica também. Sim. Tem um interesse ali, não? Velho. Sim. Esse é o primeiro ponto. Você só precisa estar do lado pra invadir, né? Você só precisa estar dentro, ali na casa do vizinho. Naquela fronteira. Acabei de roubar a casa do vizinho, agora vou pular o muro e invadir a sua. Que muro? Não tem muro. Não tem muro. É o... Vale, é.
Então, qual o tamanho do perigo disso? Outro, esse é o primeiro problema. O segundo problema, que a gente até pode discutir, o tal da exploração de petróleo na foz do Amazonas. Que é todo o debate do governo.
Mas é ali do lado, cara. É ali do lado. Quem disse que aquilo ali está seguro hoje? Não é teoria conspiratória, não. Mas vamos lá. Vamos completar esse mapa. O governo dos Estados Unidos fechou um acordo com o Paraguai, agora recentemente, para abrir uma base militar no Paraguai.
Como é que anda a relação do Brasil com o Paraguai depois daquela guerra que o Brasil praticamente dizimou a população masculina do Paraguai, pensando nisso? Sabe que eles vão querer correr atrás agora? Então. Tipo aquelas ideia, o moleque quando é pequeno que toma um pau, né? Aí cresce. Então. Ó, lembra de mim? Então. Agora eu tenho um amigo maior do que vocês. É, lembra de mim? O cara olha pra cima e não lembra. Aquele molequinho que você bateu, você tomou... É o Brasil e o Paraguai agora. É isso. Já pensou?
Você imagina uma base americana no Paraguai. Você acha que os paraguaios esqueceram do que o Brasil fez com eles? Não sei não, hein?
E por que o governo americano correu no Paraguai para estabelecer uma aliança com eles? Pensando nisso. Pensando na fragilidade daquele país. Se fosse um país sólido, com relações excelentes com o Brasil e não sei o que e tal, não ia ter espaço para você chegar lá e... O Paraguai era um país muito rico até a guerra do Paraguai. Era um dos mais ricos da América Latina, era o Paraguai.
E o Brasil participou de um massacre, de um genocídio à população masculina. Foi reduzido a 15%. Massacre. No Paraguai. E os brasileiros não sabem disso, né? E não foi só o Brasil, né? Era o Brasil, mas três países. Ou seja, foi uma covardia completa. Foi. Qual era o Solano Lopes, né? Solano Lopes. Solano Lopes era o general. Eles dizem que o Solano Lopes agrediu primeiro, né?
Ainda que tenha sido. Bem igual o Pearl Harbor. Ainda que tenha sido. Você justifica o massacre de uma população inteira? Uma vez... Guerra é foda. Guerra é foda. Talvez o brasileiro médio, que está acostumado a ver o Datena, o Afaná Zazade, o Gil Gomes, esse programa policial, ele sonha com uma guerra de verdade, né? Ele vê na televisão, na sessão da tarde, né?
ele sonha com a guerra de verdade. Ah, avião, roupa de soldadinho, né? Como é o nome daquele falco? Lembra aquele soldado? Então o brasileiro não sabe que é uma guerra. Por isso que ele cultua a violência e ele acha que só a guerra poderá realmente trazer a dignidade pro Brasil. Eles não sabem o que é uma guerra. Agora imagina o que o Brasil fez com o Paraguai.
Eles também, não quer não ter essa linha de raciocínio todo mundo vai no Paraguai comprar as coisas, vai lá, faz tudo imagina que isso, foi quantos anos essa guerra do Paraguai com o Brasil? 150 anos esse país aí que tem a fronteira Foz do Iguaçu ali dizimaram aquele povo o Brasil dizimou aquele povo ali em algum momento da história não faz tanto tempo assim então vocês nem sabem o que é uma guerra, malandro quantos anos quantos anos quantos anos
Você vê aquilo que aconteceu no complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, onde teriam, entre aspas, mortos 200 traficantes. 200. Realmente, que fosse 200 traficantes. Existe uma justiça, existe uma constituição, existe uma lei, existe promotoria, existe toda uma hierarquia.
Pra se fazer justiça, mas se recorre ao meio medieval de extermínio clássico. Eu falei besteira. Não, exatamente isso. E aí, porque aqueles ali não contam. É como se você pulasse 200 anos de história. Porque é autorizado. Vamos voltar 200 anos na história, fingir que não existe constituição, não foi nada de saqueia, lei não existe, não existe cadeia, não existe crime de morte, não existe cadeia pra quem mata.
Porque a justiça não existe nesse caso, né? A justiça é exatamente essa. Isso alimenta uma sede de vingança. Porque criou-se também esse inimigo interno no nosso caso. E talvez um inimigo platônico.
Não, total. Criou-se esse avatar, mas ele não representa o que a gente poderia, assim, se a gente olhar pela minha perspectiva aqui, dizendo que a gente pode chamar de inimigo. Mas sabe o que eu tô esperando das autoridades do Rio de Janeiro? Que eles me apresentem um relatório sobre como o tráfico caiu no Rio de Janeiro depois da morte dessas 200 pessoas.
Se houvesse uma pressão popular, talvez, mas se você tem a população te apoiando, por que ele faria isso? Se o próprio povo, está lá 60 e tantos por cento, aprovação. Se o próprio, o herói da revolução dos anos 60, o nosso, que era do Partido Verde. Do Brasil? É, Partido Verde.
Ah, o Gabeira, o Gabeira, o Gabeira. Teve uma declaração do Gabeira, não sei se ele deixou escapar, ou se ele falou aquilo mesmo, que a operação tinha sido um sucesso, num determinado ponto, mas fracassado num outro. Eu falei, foi sucesso aonde? Eu falei, não, não é possível que o Fernando Gabeira falou isso.
E a operação foi um sucesso. Eu tenho o Gabeira, apesar da nossa distância óbvia, eu tenho ele como um dos grandes heróis da história aí. Claro. E quase anônimo, né? Claro. Não se fala tanto. Aí, sei lá, o cara que vai estar ouvindo a gente, você diz assim, mas peraí, vocês apoiam o tráfico? Vocês acham certo o que eles fazem? Tá lá com um fuzil AR-15 atravessado no corpo? Falando, não, sou eu pra julgar dizer o que é errado. Você vai encontrar muito mais armas na Zona Sul.
Na casa das pessoas e nos carros, nos clubes. De forma desorganizada, inclusive, e até mais caótica. E sem razão, a violência é exacerbada e sem sentido no asfalto.
Se você entender a geografia do Rio de Janeiro, você vai se posicionar de uma maneira onde aquela violência não vai te pegar de frente. Quem mora lá sabe. Mas o que eu fico impressionado é que depois de um massacre como esse, não tem ninguém que venha nos explicar como que aquilo ali resolveu o problema. Aquilo não foi feito pra resolver. Então, reconheça. Aquilo foi, tipo assim, uma ameaça. É. Olha, vocês que estão pensando,
É ali, eu vou te falar, não é uma ameaça, mas também é uma, como é que se fala, um showroom para os eleitores. Bora, vamos mostrar a estratégia de extermínio para vocês. Temos um treinamento, vamos implantar nessa ação, vamos mostrar para vocês como que a gente faz. É um workshop de como matar 200 traficantes. 200 pretos realmente traficantes devendo para a justiça.
Ele realmente falou. Ele falou, apesar de muito bem sucedida e necessária, é importante compreender que não resolve o problema. Muito bem sucedida e necessária. Depois ele teve que se posicionar. Então não tava louco. Não, não tava louco. Quando você viu o Fernando Gabeira. Sim. O símbolo da luta, da luta máxima. Morou? Falar um negócio desse.
Aí você pensa que é tipo assim É... É tipo aquela cobra pegando o próprio O rabo Ela mesmo se engolindo Como é que chama aquilo? É uma simbologia que tá sendo hoje Então a gente tá sendo É... canibal Sim Estamos nos canibalizando já Chegou no limite do... Já não tá aqui, já passou pra cá
Já tá no final do ciclo. O ciclo tá engolindo... Tá se auto-engolindo. Não é possível. Então você entende que ele tá dando uma satisfação pra população quando ele deixa escorregar uma palavra dessa. Tá exercendo poder, mano. Tá exercendo poder. Até o Fernando Gabeira escorregando as palavras exercendo o poder dele de ter que dar satisfação pra população do Rio. Do showroom, né? De violência que foi feita. Uma exposição.
Vamos mostrar pra vocês como exterminar 200 bandidos igualados numa favela. Obviamente, eles vão ter pra onde fugir. Vocês verão. Sim, exatamente. Tipo um... Vocês verão. Eles não tem pra onde correr, eles estão cercados. Assistam. E aí eu acho que tem uma coisa...
Você comentou, né? Tipo, você gostaria de exigir dados, então, que comprovem que após esse massacre, essa insanidade, houve algum impacto. Esses números, com certeza, não virão. E se vierem, não tem o mesmo impacto de notícia do que você ver uma tragédia como essa e alimentar a vingança de muitas pessoas. Sem dúvida, sem dúvida. Porque, como você colocou, não era esse o objetivo.
Não era o objetivo de interromper o fluxo. Nada, cara. Se quer interromper o fluxo, vai ter que ir em outro endereço.
o endereço mais perto daqui, escritórios super bacanas, aí a gente vai interromper o fluxo. O que, pelo menos, o pessoal que estuda o crime organizado coloca é que é tanto dinheiro envolvido que você não faz isso sem uma estrutura financeira absolutamente estabelecida.
Que obviamente vai passar pela mão da classe A e a classe B pra que a a ralé possa fazer o varejo. Exatamente. Que é o que fortalece o varejo e tem o atacado, né? Exato. Você quer desmontar essa rede? Vocês apareceram no endereço errado. Colocou ali no GPS e apareceu no lugar errado, cara.
O que mantém a estrutura toda funcionando é o varejo, né? É a base, né? É que nem fazer carro. O carro pronto, ele não vende tanto quanto as autopeças. É. As autopeças vendem muito mais do que os carros prontos em si. É preciso quebrar os carros.
Pra alimentar. O que vai manter o mercado vivo é a autopensa. É a mesma coisa. É a base aqui. A base do tráfico de droga era uma pirâmide. Só que só vão morrer os que estão na base. Esses são substituíveis.
E tem um exemplo que você dá no livro, já não sei se tá no livro, no que eu li no livro, ou de entrevistas. Eu acho que você dá esse exemplo no livro. Quando a gente fala desse avatar, desse inimigo interno que foi criado, você dá um exemplo de Ruanda, do massacre que aconteceu lá. E aí, aqui, devido às proporções, cenário completamente diferente, contexto completamente diferente, mas eu gostaria que você compartilhasse um pouco esse exemplo.
De como isso. O Ruanda é o genocídio dos anos 90, né? Esse barato é mil graus. Que realmente é muito chocante, porque é muita gente morta num curto espaço de tempo, ou seja, quando aquele ódio todo instaurado se transforma em ação. Por quem? Pelo exército? Não, por todo mundo, por todos. Pelos vizinhos, por gente que ia pra escola e sentava do lado da outra etnia ali do teu lado.
Mas o que é que a gente aprendeu com o Ruanda? É que o genocídio não começa no primeiro disparo. Ele começa quando você legitima, você basicamente desumanizar o outro. Então, cara, você não conta. Eu preciso colocar isso na cabeça das pessoas por meses ou anos antes daquela pessoa de fato disparar. Porque ela não vai ter coragem de disparar contra um outro ser humano.
mas ela vai ter coragem de disparar contra alguém que vale menos. Você tá ligado do recorte racial dessa guerra aí, né? Óbvio, sim, óbvio. Do lance dos tutsi. Absolutamente. Que são os vatutsi, né? O nariz, né? Você tá ligado de onde vem esse povo aí? Esse povo que diz tutsi, que são os bonitos, né? Eles são autoditulados os bonitos. Vatutsi. Vatutsi virou tutsi.
Os vatudes são intitulados os bonitos, porque eles são um povo que são da África Oriental, que é o chifre. Eles são, eles têm, sei lá, 19 ou 20% do sangue deles é da parte de Salomão. É a parte judaica, que é a parte que é de Salomão. Tal, tal. Eles são ligeiramente mais claros. Um tom a mais, um tom a menos, mais claro.
E o fenótipo deles também, eles são de Cuxa, eles são do Nilo. São dali da região onde existem os Nilóticos, que são os povos mais altos do planeta. Sudão do Sul. Eles têm parte desse sangue também. Eles são naturalmente muito altos. Mas eles foram um povo conquistado por esses bantos. E eles nasceram mistos num país banto.
que são os Hutus, eles eram uma minoria perseguida, escravizada. Eles foram tirados da África Oriental e levados à força para a parte ocidental, que é onde é a Ruanda.
E tem o lance da comunicação, da rádio. Total, total. A rádio é uma história também alucinante. É uma rádio que, anos antes do genocídio acontecer, o grupo, basicamente, que queria cometer um genocídio, compra uma rádio e a rádio começa só a bombar com música boa.
E vamos lembrar, anos 90, né? A televisão em Ruanda não era exatamente forte, a internet não existia, então a rádio era o principal meio de comunicação. E é uma rádio que virou super popular, porque, de fato, eles foram muito espertos, né? Colocaram música boa, o Santos jogava, eles colocavam na... Tinha isso, né? Tipo na zoeira, na zoeira. O que podia pôr pra divertir, o povo botava. Isso, é isso. Já ganhou ser o Santos. É, mas... Dá depressão no povo.
Essa foi uma zoeira. Não, eu acabei de zoar. Dependei de mim, tá ruim o sasco. Então pronto. É uma rádio que virou muito popular por esses aspectos. E pouco a pouco...
foi sendo colocado ingredientes do ódio. E aí começa muito leve. Você já reparou que o teu vizinho é meio diferente de você? Teu nariz meio fino. Você reparou já que todos os problemas na tua rua são causados por aquela família ali? E isso foi sendo construído de uma forma deliberada. Foi um plano.
E aí, claro, quando acontece o genocídio, um dos momentos chaves é quando essa rádio diz senhores, todos sabemos o que fazer amanhã. Então tem aquele momento ali que tem a participação do colonizador branco, né? Sim. O olhar do homem branco europeu, aquele povo nariz fina e estrutura alta, era bonito para o olhar do branco.
Para o olhar do branco, ele era um povo que... Nossa, eles são bonitos. Nossa, se a gente não tiver, vamos pôr eles como líderes. Pela aparência física. Incrível. Foi pela estética. Falou como eles são altos. Porque eles são nilóticos. Se você estuda a África, a parte da África, o povo nilótico que vai do Egito até o Sudão do Sul, eles são altos. É verdade. Um povo alto. Eu fui pro Sudão, cara...
consideram tampinha, não é? Não acreditava. Aquele povo ali tem um pouco, eles são um pouco mais caros, mas eles são nilódicos, eles são dali da região onde o povo é alto. Desde a época da Bíblia já falava deles, porque eles eram altos, bonitos e orgulhosos.
Então, na visão do branco, eles eram... Eles são mais próximos de nós. Então, quando a gente não tiver, eles seriam uma classe intermediária. Entre a maioria Hutus e o colono branco, põe essa minoria de 10%. Eles eram só 10. Foram massacrados. Os 90% de Hutus massacraram os 10%.
E aí, só pra completar, a rádio, fizeram um estudo impressionante. Ruanda é um país de colinas. Então, nos vales, não pegava bem a rádio. Coisa que a gente conhece, né? Você vai pra serra aqui, não pega bem. No topo da serra, pega bem. Onde a rádio pegava bem, o massacre foi forte. Onde a rádio não pegava bem, o massacre foi um pouco menos. Ou seja, a comunicação...
É poder. O genocídio não começa no primeiro disparo. O genocídio começa no ódio. Quando você dissemina o ódio. E aí, ficou muito claro. E aí, você vê seu vizinho morrer e fala, ah...
E aquela parte de Ruanda dos Hutus ali é uma parte que tem uma mistura, eles têm uma mistura étnica com o povo dos Hadza, que não são pigmeus, mas são muito baixos. São povos nômades, são muito baixos, são caçadores natos. Mas eles são um povo muito antigo e eles são a estatura bem, assim, um pouco acima dos pigmeus. Então eles são considerados os indígenas de Ruanda. Ah, isso.
O povo ancestral de Ruano. Então eles têm aquela raiz ali. Eles realmente não são tão altos. Os Hutus. Por causa dessa raiz. Deles mesmo. Já os Tutsi, que não tinha nada a ver com isso. Vieram do outro lado. Eles eram bem mais altos. E o branco, ele se ligou rápido. Sim.
Tinha uma minoria ali de gente alta, do nariz mais fino, do ombro determinado, não sei o quê, mas eram pessoas oprimidas lá dentro. Eles passaram a ser elite depois que os brancos constataram essa... Diferença. Essa diferença. Pode parecer bobo, né? Eu vou pôr você no poder porque você tem o nariz fino, cara.
Mas daí toda a teoria pode ser construída atrás, né? Eles têm um nariz fino e também são mais inteligentes. Ah, é? Eles são mais leais. Pela estética. Eu sei. Tanto que o nome tudo se vende bonito. Incrível. Essa era a... Podia ser os pastores, os fazendeiros, não. Os bonitos. Só isso. Incrível.
E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026.
O Jamil Chaj é um jornalista que deu um furo de reportagem, né? Que a gente chama na profissão, né? Ou seja, ele deu em primeira mão uma notícia dizendo que o Epstein tem um CPF ainda no Brasil, né? E ainda tá válido, porque pelo que a gente conversou aqui você tá checando e ainda não cancelaram esse CPF. Eu gostaria muito que você trouxesse isso, eu já vi alguns comentários seus.
Então, conta a primeira esse lance do CPF, depois a gente puxa outros rolês. Então, a história é um pouco mais complicada. A gente encontrou porque o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou 3 milhões de páginas de documentos e 180 mil fotos.
as fotos, é difícil, porque você não coloca, você não consegue colocar sei lá, o nome da pessoa, Bill Clinton, e aparece a foto do Bill Clinton, não é assim, você tem que ir foto por foto, só que nessas fotos, quando você coloca uma palavra, sei lá, qualquer palavra que tem, você vai na busca, ele aparece e aí a gente colocou Brasil e apareceu uma foto do escritório dele uma pastinha aqui atrás escrito Brasil
Peraí. O cara tinha uma pastinha escrito Brasil. Então já começa ali uma história. Tá, ele não tem uma pastinha em algum lugar perdido do escritório dele. Tava aqui. Tava na pauta da perigia. Tava aqui. Tava sendo estudado. Tava aqui. Então assim, de alguma forma, aquilo ali era importante. Percorrendo, investigando, buscando as informações sobre ele, a gente chegou no fato de que na...
na operação policial contra ele, lá nos Estados Unidos, a polícia fez uma lista de tudo que aprendeu com ele. Então, aprendeu três celulares, quatro armas, três computadores, não sei o quê, aí começa. Dois passaportes. E aí tem um item lá escrito, lembra até o número do item, 21. CPF, entre parênteses. Brazilian ID, identidade brasileira.
Olha só. O cara tinha um CPF. Vamos lá, né? Vamos aqui. Se você é turista, você vai num país... Você precisa de CPF? Não. Você precisa de CPF pra quê? Quando você vai ter uma atividade financeira naquele país. Quando você vai ter uma atividade econômica naquele lugar. Eu não sabia disso. Pra isso. Você vai fazer uma compra. Não uma compra do sorvete ou pagar o restaurante.
Você vai fazer alguma coisa a mais. Então a gente descobriu o CPF. Vamos lá, descobrimos o CPF. Fui na Receita Federal, descobri que o CPF estava válido ainda. Bom, ótimo, vamos nessa. Próximo passo. Descobri onde estava registrado o CPF. Ele tem que estar registrado, tem que estar um endereço. O endereço do CPF era na Farinha Lima.
Aí você fala, opa, na Faria Lima, o endereço CPF do Epstein. Claro, não era dele, era de um escritório de advogados. Calma, então espera aí. Por que aquele cara registrou o CPF no escritório de advogados da Faria Lima?
Essa é a história. Eu não tenho respostas. Eu tenho perguntas a partir de dados muito reais. E aí descobrimos que ele fez o CPF porque ele comprou um apartamento em São Paulo.
insisto, pra que você compra um apartamento com certeza ele gostava muito de São Paulo, uma cidade dos sonhos dele, acho que não era exatamente negócio, negócios então, porque nós não conseguimos ir além disso mas, porque que isso é importante, porque aquela ideia de que a gente está tratando de um louco de um monstro lá perdido em algum lugar dos Estados Unidos que levava as crianças, as meninas não é bem assim também assim
E tá mais perto. Ele tinha uma rede. Essa rede era global. Essa rede chegava até nós. Até aqui do lado. Com facilidade, lógico. Total. É rápido. Total. Então a pergunta é, pra que que ele tinha? Quem são os cúmplices? Eu não consigo acreditar, e aí não tem a teoria conspiratória não, mas eu não consigo acreditar que um homem sozinho faz uma rede de pedofilia global.
levando todas as meninas para uma ilha como uma das pessoas mais relevantes e importantes do mundo. Sozinho? Acho que não, né?
Com certeza não. Então, a história é quem mais está envolvido. Quem mais fazia parte desse crime. Essa é a história. Eu estava falando com um parceiro meu e ele falou, Brau, sabe por que esse barato não vai resolver nunca? Porque os caras que mandam no mundo estão todos envolvidos. Melhor você ficar até quieto. Entra nessas ideias. Mas é. Mas é isso. Agora, por que ele colocava...
câmeras filmando na casa onde esses crimes aconteciam? Pra chantagear depois quem participava? São perguntas que eu tô fazendo. Por que que você coloca câmeras na tua própria casa, onde você leva as meninas? Que história é essa? Agora, desculpa, bebê, pode ir.
Não, você. Uma coisa que me pega muito nesse caso é que a gente tem vários nomes citados e a gente não precisa entrar aqui no detalhe de quais são. Mas o presidente dos Estados Unidos é um, né? Que tenha menções recorrentes nesse bando de documentos que você acabou de citar. E aí, a gente tá falando de um personagem, né? De uma personalidade que se baseia muito numa narrativa de moralidade. Até que ponto…
Essa moralidade, que muitas vezes, inclusive, citam a pedofilia como um dos problemas a serem enfrentados, de fato, descredibiliza a imagem dessa pessoa. Porque aí me parece que quando são as meninas e as mulheres, de verdade, no BO, ninguém liga muito.
Não. Estou viajando? Não, já não. Pelo que eu entendi, pedofilia é um dos crimes indirondos dentro de muitos outros que aconteceu nesse lugar que parece assim, parece de ser de verdade isso, não é possível, né, mano? Nem no nosso pior filme de conspiração.
Morou? Você imagina que existe uma ilha onde as pessoas falam de canibalismo, ritual macabro, com criança, com estupros, com... Morou? É. Nessas alturas, o malgoritmo já jogou no inferno, né? Com esses nomes tudo que eu falei aqui. Mas olha, mas olha... No limbo, da dúvida, interrogação. O que eu faço com esse cara agora?
Mas é isso que você perguntou, é fundamental porque, claro, ele foi eleito o Trump foi eleito, dizendo pra essa classe de ressentidos de que eu vou ajudar vocês a se vingarem daquele elite podre de Washington, aquela elite financeira
estupradora, pedófila, etc. Eu vou ser o cara que vou vingar vocês todos. Aí ele chega lá, né, e ele descobre, que ele já sabia, mas isso foi um instrumento, que esse grupo mais radical da extrema-direita americana, cobrou ele e falou, não, agora você vai ter que publicar, cara. Não, mas não tem nada pra ver lá. É, mas a gente quer ver. Não, mas não precisa...
O senhor vai publicar ou não vai publicar? A pressão, no caso do Epstein, não veio dos democratas nem da esquerda.
Veio da direita. Veio da base dele mesmo. Por quê? Porque era a questão moral. Porque ele defendia. Da moralidade. Você representava a luta contra esses imorais. Então você está me dizendo que tem uma parte dessa direita aí que é decente, que é honesta. Não. Se eles estão cobrando moralidade. Cobrar moralidade não significa que eles não são cínicos e hipócritas.
Mas eu concordo contigo E aí não dá pra generalizar Porque eu tenho certeza que tem família Que de fato fala, não é verdade Essa putaria Do poder americano Precisa acabar, eu vou votar por alguém Que vai acabar com essa putaria Só que o problema é que ele tava lá Agora em fevereiro Eu liguei, conversei de novo Porque eu já tinha conversado uma vez com ele Com o viking, aquele que invadiu O Capitólio
Os caras invadiram, eu lembro, o pessoal do Trump. Isso, o pessoal do Trump, o pessoal do Trump. Certo, lembro. Eu lembro desse cara. Então, aquele cara que invadiu o Capitólio lá em 2001, que foi algo muito parecido com o que nós tivemos aqui, né? Todo mundo se lembra. Ele foi perdoado pelo Donald Trump. E aí, ele era um daqueles que queria a limpeza ética da política americana.
Ele foi preso e foi liberado, né? Liberado já com Donald Trump no poder. Ele foi condenado. Ele foi condenado pela invasão e depois ele foi anistiado. Ele estava cumprindo pena e foi anistiado. Ele e 1.400 pessoas foram anistiadas naquela invasão. Todos ali foram anistiados. Viraram heróis. Donald Trump passou a chamar eles de heróis. Muito bem.
Uma das coisas que ele me contou nessa entrevista lá atrás, na verdade, logo no começo do governo Donald Trump, foi que ele votou por Donald Trump, ele queria tudo aquilo porque, entre outras coisas, a moralidade ia voltar. As elites seriam combatidas. E um dos pontos centrais, que era o que a gente estava falando, o Epstein. O fato do Epstein ser divulgado, a gente precisa saber o que aconteceu, e Donald Trump faria isso. Muito bem.
Passa um ano, eu ligo pra ele agora em fevereiro. Falei, vou ligar pra ele. Vamos ver se ele me atende primeiro. Deve ficar aqui. É. E me atendeu.
uma simpatia total. E eu pergunto pra ele, e aí, como é que tá com o Donald Trump? Ele falou, o que você acha, cara? Isso aqui me diz. Tá uma merda. Isso aqui tá uma merda. Falei, nossa. Aí ele fala, ele não fez o que ele prometeu de divulgar e acabar com essa putaria lá no poder?
Ou seja, o Epstein tem um impacto direto na base do Trump. Na base do Trump. E dois, a economia não melhorou. Eu continuo fundido. Você diz na base do eleitorado? Na base do eleitorado mais radical. Aquele que está pronto a invadir o Capitólio para defender Donald Trump. Só os mesmos? Só os mesmos. O Viking do Capitólio, ele não é um líder de um movimento. Ele é...
eu diria quase orgânico. Ele é aquele ali que tá ali porque ele realmente acreditava. Verdadeiro. Ele realmente acreditava que os comunistas iam tomar conta da história. As histórias que ele me contou, cara, eu perguntei pra ele na primeira entrevista, eu perguntei, e aí, velho, me explica, por que você invadiu o Capitólio? Ele falou, não invadiu o Capitólio.
Como não invadiu o Capitólio? Eu vi, o mundo inteiro viu. Não. Estouraram a porta, vão ser... Três pessoas morreram. Naquele dia três pessoas... Não, eu não invadiu o Capitólio. Eu estava numa missão espiritual.
Eu falo, vamos lá, vamos lá, vamos lá. E aí, me explica um pouco da... É, a missão espiritual é o seguinte, juro, essa é a explicação que ele me deu. Ele disse o seguinte, ele falou assim, não sei se você sabe, mas por baixo do Capitólio passam linhas magnéticas, que são as mesmas que passam por Machu Picchu e pelas pirâmides do Egito. Olha só. Entendeu?
É, eu até falei, tem São Tomé das Letras, né? São Tomé das Letras de Peabiru. Exato. São Tomé das Letras ele não conhecia, mas o resto... E o que aconteceu com essas linhas magnéticas? Os comunistas estavam interrompendo a energia dessas linhas magnéticas. E nós fomos lá pra restabelecer essas linhas da humanidade.
Você fala, é, você faz isso, exatamente. Você suspira e fala. Tá. Uau. Onde exatamente estavam essas linhas? No imaginário ou no ar? Na energia? Tá no ar? Segundo ele, é embaixo da terra. Mas eu fico impressionado com quantidade de sentidos. É.
E nessa linha das decepções, você contou já que entrevistou, se não me engano era um imigrante mexicano, que decidiu que era um eleitor ali do Donald Trump e que depois também se decepcionou. Que decepção foi essa? Algo que o Brown já tinha colocado, que é esse imigrante que primeiro se identifica, porque eu entrei e quero fechar a porta.
eu vou entrar, vou me garantir vou ter o meu sonho americano mas eu não quero mais ninguém concorrendo comigo mais aqui concorrendo então vamos lá, vamos entrar vamos fechar a porta e vamos percorrer o nosso caminho aqui esse imigrante ele foi convencido de que ele não seria o alvo de deportações
Porque ele tem o papel dele, tem o visto dele, tá tudo legal. Ele não é criminoso. Os criminosos são outros. Então eu perguntei pra muito latino lá, mas você não tá ouvindo o que o teu candidato tá falando? Sobre nós? Sobre nós, basicamente latinos? E a resposta que eu recebi de todos era não, mas não é de mim, não. Não tá falando de mim.
Eu vi exatamente essa... É, mas não tá falando de nós, tá falando daqueles que faz coisa errada, daqueles que tá no seu que... Eu vi isso também com os brasileiros também. Dos brasileiros? Eu vi. Então. Mas aí, a operação começa.
E o Einstein é um capítulo à parte, mas a operação começa. E mesmo o latino, que tem tudo regularizado, ele tem tudo normal, visto, etc., mas ele tem, por exemplo, um mercadinho na rua dele, ali, que vende pra quem? Pra outros imigrantes. Aqueles imigrantes sumiram.
Então, aquele mercadinho dele foi a falência porque não tinha mais pra quem vender. Eu passei por lá agora no final do ano e eu vi essa coisa de pessoas que estavam evitando de ir ao comércio. Isso. Pra não ser presa no caminho. Isso.
E essa história é real. Real, absolutamente real. Só porque... E aí você tem... É desse mesmo mexicano que ele entrevistou, tá gente? Que ele tá falando ali de um mercadinho e ele faliu. Exato. E aí o que acontece? Esse mexicano que pensava que não iria acontecer comigo, na verdade ele descobriu que apesar de não acontecer pessoalmente com ele, ele foi prejudicado. E aí tem um outro componente, que é aquela parte do afeto, que você não controla. O teu vizinho, apesar de ser irregular, ele era muito amigo meu.
na verdade eu sou o imigrante regular mas eu empregava irregulares que eu consigo pagar menos aí eu fiquei sem funcionário porque eles foram presos ou fugiram muitos fugiram muitos foram embora não sou criminoso, não preciso passar por isso eu vou embora daqui eu conheço até um brasileiro que pegou o avião e foi embora não preciso disso voltou pra cá quanta
Se escorrer, vou voltar pro meu país. Voltou pra cá. Eu não sou criminoso, eu só tô aqui de forma irregular. E estar num local de forma irregular, vamos colocar em perspectiva, na maioria das vezes, é porque quer uma vida melhor. Sim. Só isso. Então você está sendo criminalizado porque você procurou uma vida melhor pra tua família. É só isso. Só isso.
então é muito dramático uma das coisas que o AIS está fazendo, não é nas casas das pessoas, é no local de trabalho, perdão isso é de uma filha da putagem inacreditável
Porque você está indo no local de trabalho. A consequência disso é que os trabalhadores não estão indo mais ao local de trabalho. E aí você não vai no local de trabalho. O que acontece? Você fica sem renda. Como você é imigrante irregular, te pagam por semana, não por mês. Então, você fica uma semana sem ir, você não tem aquela semana. Aí você não tem aquele dinheiro daquela semana, você fica devendo o teu aluguel. Aí você fica devendo o teu aluguel, você vai ser expulso.
É uma arquitetura muito bem... É macabro. Tem uma outra situação que os brasileiros passam por lá, que é o lance do green card. Que o cara casa com uma cidadã estabilizada lá, uma casa americana, e acho que, não sei se é prazo de cinco anos, o cara é praticamente escravizado pelo par dele, na qual ele vai casar.
Tipo, se for a mulher, ela vai escravizar. Se for homem, vai escravizar a mulher. O brasileiro que se submete a casar com uma cidadã americana pra ter o green card, ele vai ser escravizado durante cinco anos. Regime praticamente de escravizão, de exploração total. Ele tem que passar por essa fase pra poder adquirir o direito de ser cidadão americano e estabelecer lá. Eu vi isso na boca de vários, mano.
O cara se submete a casar pra ter a cidadania. Mas esse espaço da vida dele, essa fase, o cara vive mal mesmo. Que é a pessoa, né, tira o máximo que dá do cara.
Entendeu? Porque sabe que ele tá na situação de vulnerabilidade. Ele precisa do green card dele. Eu falei assim, mas compensa tudo isso, cara. O que você tava vivendo no Brasil que te fez... te faz passar por isso, né, mano? O que te faz morar na rua durante cinco anos pra depois virar cidadão americano? Tava tão ruim no Brasil, assim. Qual que é o medo, né? Eu vou te falar, eu também já tive...
Meu problema sério com o Brasil, mano. Eu nunca fui patriota, nunca tive orgulho de porra nenhuma que vim do Brasil. Nem da seleção brasileira. Absolutamente nada. Agora eu paro de falar isso porque pode soar hipócrita, mas eu sempre achei que o Brasil me devia muito. Durante um bom tempo da minha vida, assim. O Brasil me deve. Só me fudir nesse país do caralho. Só pensava isso.
Eu sonhava em ir pros Estados Unidos, desde molequinho. Olha só. Desde moleque. Não via nada no Brasil que me atraísse, que me fazia sentir integrado. Esse aqui não me pertence. Eu sou um peso morto aqui. Eu sou um estrovo. Nesse país do caralho, eu sou um estrovo. Aqui eu sou visto como estrovo. Então a gente via aquela... A programação que vinha pela TV.
E ali você falou, talvez ali eu me encaixe melhor. Eu vi um mano ali que parece comigo. Parece que ele tá mais feliz. Ele tá melhor do que eu ali, pelo que eu vi. Aqui nós estamos mal pra caralho. País do caralho. Aí só pensava isso. Entendeu? Aquela geração, pô. Que eu nasci em 70. A gente pegou muita televisão dos anos 70 e 80, mano. Isso era vendido massificamente. Estados Unidos.
maciçamente. Maciçamente. Isso fez haver a expectativa, a perspectiva também de mundo, tá ligado? Total. Pra nós. E eu vou te falar, influenciou no começo do grupo, lá embaixo. Não tivesse essa ambição mínima, não tinha começado a ideia. Porque a ideia já nasce morta no Brasil.
Já nasce morta. Pensou, morreu, pensou, morreu. A ideia é nasce, morreu, nasce, morre. Não andava. Teve que pegar a informação dos Estados Unidos. Teve que sonhar com aquilo lá. E aí, será que tudo isso que a gente tá vivendo agora vai fazer com que a gente, talvez...
Repense esse sentimento, muitas vezes, de inferioridade que a gente tem. Eu acho que realmente o Trump é a máscara que cai. Porque ele não é um personagem apenas. Ele é um grupo, um poder que pensa de uma forma. É uma ideologia. Cai a máscara. Aí eu acho que realmente precisa fazer essa pergunta. Realmente a gente precisa deles? Realmente a gente quer ser aquilo?
Porque foi uma construção, eu tenho um termo que é usado pra descrever o que eles fizeram no século XX, que é o imperialismo sedutor. Eu sou imperialista, mas eu vou te conquistar não só com a invasão, também com a invasão, mas eu vou te conquistar falando que, olha, calça jeans é o do caralho. O meu tênis é do caralho. Quem eu sou
é o que você deveria ser. Então você convence a outra pessoa. Mas nunca será. Não, nunca será. Mas você vai comprar o que eu te vendo. Então você vai andar com a camisa do Chicago Red Bulls sem nunca ter tido a possibilidade. Mas vamos e convenhamos. Caçadinhos é do caralho, não é? É. Sem dúvida nem rouba. E que tal, baralho?
Vamos também pensar assim, era melhor ou não era? Era James Brown é foda ou não é? É... E agora? E agora? Aí é que tá, né? Mas aí vinha com um pacote, né? E o pacote era que a referência somos nós. Ela não vinha só com a calça jeans, ela vinha com a calça jeans com uma etiqueta atrás, com uma bandeirinha americana.
E essa bandeirinha americana significava muito mais. Eu adorava, eu desenhava na minha prancheta a bandeira americana. Olha só. Achava o máximo, azul marinho com vermelho e branco. É bonita mesmo. A gente aprendeu a achar bonita também. A achar bonita. Agora, quem me ensinou? Não tinha Lula, não tinha ninguém. Explica pro meu. Porque que um moleque mulato de favela, recém saído do colégio interno, tinha afeição com Beatles, Estados Unidos e... O que mais?
E poucas coisas do Brasil. Pouquíssimas coisas. Que coisa. Santos, Futebol Clube, o que mais? O Brasil. Você era mais cientista do que a seleção brasileira. Muito mais. Seleção era distante de todo mundo. O Santos era meu.
Vou te falar, nada a admirar. No Brasilzão daquela época. Hoje, melhor. Hoje o Brasil... Agora vamos... Discurso eufemista. Copa do Mundo. O Brasil hoje vem de lifestyle no mundo, você acredita? É isso mesmo. Acredito. Um beijo. Com certeza. Esse é o mal do Brasil. E o bom. Como assim? O Brasil numa crise... Na crise moral que tá...
70% votando no Cachacina é o caminho. E o Brasil é o lifestyle. Mas é coisa do Brasil mesmo, né? Brasil é o way of life sendo divulgado pelo mundo. Mas eu vejo isso, pelo menos lá fora, como uma espécie de... Exótico? Não. O exótico eu acho que já passou. Não é o exótico mais. É o local onde ainda dá pra fazer fantasia, sonhar, fazer mágica.
Tem um pouco desse... A gente sabe que não é verdade. A gente sabe que a nossa realidade é muito mais... Carmen Miranda, 2026. Com um pouco mais de... Eu diria... Com menos banana. Com menos banana na cabeça. E mais banana perdida. Talvez. Talvez. Por isso que eu digo, é também um mito. O Brazilian Way of Life, não sei o que e tal. É um mito que é vendido. Mas do outro lado, é comprado... O pessoal da moda tá festejando isso. Claro.
Mas é comprado à la carte, né? Ah, eu quero isso aqui do Brasil, mas não quero isso aqui do Brasil. Eu quero isso aqui do Brasil, mas eu não quero isso aqui do Brasil. Só que a gente aqui vive tudo. A gente não pode escolher. Eu só quero isso do Brasil. E o estrangeiro que compra, ele pode comprar.
ele pode escolher o que ele compra. E aí a moda, e realmente, e desculpa, é bonito também. É bonito. Não tem como você não dizer que a imagem desse style, não sei o que e tal, é do caralho. Mas eu acho que o Donald Trump vai ajudar a gente a ter um pouco mais de confiança em quem nós somos.
Pergunta, aquele império sedutor é sedutor ainda? Ou não? Aquele sonho existiu, na verdade? Então, começa ali, né? O sonho americano. De quem? Sonho de quem? O sonho é do pobre, igual eu. Esse é o sonho. O sonho é do pobretão, do fodido. Do moleque duro que não tem o que comer. Isso não é discurso de rapper, não. Eu não sou mais esse moleque, mas existem esses moleques por aí pra caralho.
Porque sonha ir embora do Brasil, mano. Ah. Porque aqui parece que nada vai dar certo. Imagina nos anos 80, era muito pior. Exatamente. Semaiar, eu te juro, não é discurso de nego velho, não. Vocês reclamam do Brasil ser confuso e ser estranho, né? Você não sabe o que era nos anos 80, mano.
a impressão que você estava no meio do deserto da imoralidade, onde o errado era o certo. Tudo era errado. Tudo era errado. Você não podia confiar em nada.
Nada, nada mesmo. Hoje, olha só que eu não confio no sistema, falou? Eu não sou aquele cacão. Eu consigo visualizar caminhos, olhando de longe, por onde andar no Brasil, pelo menos recorrer a certas coisas. Certo. Antigamente você não via isso. Sim.
Eu lembro que a gente morava num bairro, periferia de São Paulo. São Paulo é centro do... Morou, mano? É São Paulo, porra. Nós estávamos na capital, num bairro de Caqui, na periferia, mas parecia ser o fim do mundo, mano. Selvícula. Mato, morou. Longe de... Longe do... Da... Da salvação. Ah.
Alguém me ajuda! A sua voz não ia chegar. E a distância não era em quilômetros. Não, de tudo. Não era. De realmente não estar no censo. Exato. Morou. De você chegar no hospital, mano, e ter tipo quatro baleados aqui, três ali, dois ali, sangue pra todo lado. Isso era 84. 83. Vocês não sabem o que era aquilo. E aquilo era o Brasil, mano.
São Paulo, capital. Não é interior de cidade nenhuma. São Paulo, metro quadrado mais caro da América Latina. Violência absurda. 84 faz o quê? 40 anos? 43, 44 anos? 50 na história não é nada. Apesar que você tem 30. 37. Tá. 13 anos antes, era tudo isso que eu te falei.
Moro, não faz tanto tempo, você entendeu? Saquei. Não faz tanto tempo. Então, você imagina que podia ter sido muito pior. Por exemplo, você vê um bairro bobo e... Pega o comercial lá da Hollywood de 83. O cara tá com a namorada. Chapeuzão de cowboy. Ele vê um pássaro bonito. Pega o rifle. Pá, mete bala no pássaro. É verdade. Ele vai, pega o pássaro, beija a mina, Hollywood. Não sei o quê. E sai andando. Cara, ele meteu bala no passarinho mais lindo do mundo.
Hoje tá proibido. Não tá proibido? Óbvio, mas é óbvio. Mas não era óbvio em 83. Claro que não. Tá entendendo? Cara, metia a bala num bicho que não fez nada pra ele. Só pra mostrar pra mina que Hollywood era o sucesso. Tá pá no pássaro. Morou, mano? Eu morei. Só que ele ficar... Não, nem sei se aquilo foi ao vivo, se aquele pássaro. Mas realmente a ideia que era passada era muito doente.
Morou. E tem outros. E outras coisas. O papo tá indo longe. Bem que você falou, Renato. Como que você acha que todo esse contexto norte-americano pode influenciar na eleição, né? Porque, enfim... Se a gente pegar o mapa da América do Sul...
A maioria, nossos vizinhos todos estão ou com a extrema direita ou com a direita. Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia, Equador. É muito sério. O Brasil tá no neutro, né? É, bom, eu exito muito... Não dá pra dizer que é o governo de esquerda. Exatamente, obrigado, cara. O pessoal quer falar que ele é o governo de esquerda, não é de esquerda. Obrigado, que bom. É o governo neutro.
Se fosse de esquerda, eu imagino que outras políticas estariam sendo adotadas. A gente teria alguma coisa... Outro dia, eu perguntando inclusive para um empresário em São Paulo, eu perguntei assim, mas qual é a parte desse governo de esquerda que vocês tanto estão incomodados?
Ah, não sei o que. Não, isso não é de esquerda. Eu quero a política de esquerda que vocês estão incomodando. Agora, será que teria que ser de esquerda pra agradar a gente? Se agradar a gente, seria útil pro Brasil agradar a gente? Talvez não tenha que ser realmente de esquerda, nem de direita. Tem que fazer a diferença. Tem que ser diferente. Agora, o que eu me surpreendo é que, obviamente, o discurso é de que existe um governo comunista. Isso não é verdade. Claro que não. Uma grande viagem. Uma grande viagem isso.
e aí você tem, voltando na eleição você tem um Donald Trump que mostrou uma simpatia com o nosso presidente mas gente, sem ilusão por favor sabe o que quer dizer America First que é o lema deles
America First. Mas como que você acha que esse contexto pode influenciar na eleição? Eu acho que eles têm certeza que a eleição no Brasil é o grande negócio de 2026. Então, eles gostariam, sim, de ver um governo mais aliado ao governo norte-americano. Completaria aquela ideia do quintal deles. Completaria.
Porque você já tem a América Latina ou a América do Sul quase inteira nas suas mãos, mas sem o Brasil, desculpa, você não pode chamar nenhum local de quintal, enquanto aquele quintal não inclui o Brasil. Basicamente é isso. Eles podem fazer algo muito mais sofisticado do que a gente está imaginando no que se refere, sei lá, a influenciar na eleição. Como?
plataformas, plataformas digitais inteligência artificial fazer verdadeiras campanhas de desinformação essa é a parte que eu mais tenho medo, eles tem muito dinheiro eles tem um projeto e eles tem um objetivo muito claro então, se coloca tudo isso junto desculpa, eu não consigo eu não consigo ficar tranquilo com a química entre Donald Trump e Lula
Eu acho que pode até existir. Quem vai nas reuniões até já me contou que teve uma das reuniões que eles mesmos ficaram chocados, que faltava a frase que me contaram, que teve uma hora que estava todo mundo esperando que o Donald Trump pedisse o autógrafo do Lula. Eu não acho tão difícil. Como ele brincou outro dia, né? Eu não vou brigar com ele, porque vai que eu ganho. Eu faço o quê com isso? O que eu vou fazer bater no cara, né?
Vai que eu ganho? Então, assim, obviamente é o caricato, etc. Mas o que eu quero dizer é que sim, a relação entre os dois, de repente, pode ser extraordinária. Mas o interesse do movimento de extrema-direita americano não é pelo Lula.
então você pode até ter o cara lá na Casa Branca dizendo, gente, maneira aí o cara é gente boa, tem uma relação boa com ele agora, como é que você controla os supremacistas brancos os neofascistas, etc, etc que fazem parte
Como é que você controla aqui esse grupo? Tudo tem um preço. Esses supremacistas brancos também tem um preço. O que eles querem? Tudo tem um preço. O que vocês querem? Fazenda? Vocês querem voltar... Vocês querem que a escravidão revogue? A lei da escravidão... Como é que chama nos Estados Unidos a lei da escravidão? Vocês querem que... Quantos escravos africanos? O que vocês querem? Vocês estão reclamando do quê? Qual que é o problema?
Mas eu ainda tenho muita, e eu sei que no governo também tem essa percepção, de que vai ter que estar todo mundo muito atento até a eleição para tentar identificar se algum tipo de ingerência vai acontecer. Se isso é ingerência, não é um helicóptero pousando na Praça dos Três Poderes e sequestrando o presidente. Pode até ser, mas não é. Esse não é o cenário mais provável. O cenário mais provável é de a gente ter o nosso sistema hackeado. Hackeado mesmo. Porque...
pega as plataformas digitais são todas, elas todas estavam na posse do Donald Trump na primeira fila na fila de frente na verdade atrás deles estavam os ministros é como se o poder estivesse ali e esse pessoal a gente tá falando das redes sociais, tá gente? desculpa, é você tinha todos aqueles homens brancos, líderes dessas plataformas digitais
Então eu não consigo dormir tranquilo e dizer, e aí não é panfletagem. Eu estou falando do processo eleitoral, não estou falando da defesa do governo ou não.
Eu tô falando do processo eleitoral. Processo eleitoral, ser hackeado, esse pra mim é o maior perigo. Mas, sobre a questão do Lula e do... Porque dessa proximidade do Lula, você vê perigo entre a proximidade do Lula com o Donald Trump, mas alguém vai ter que lidar com isso. Talvez o Lula seja mais bem preparado pra lidar com essa... com esse idiota, com essa fera que tá aí. Ele não sabe o que que é.
É porque a outra opção que a gente tem visto aqui, as outras opções têm sido de subserviência. De entregar, sem negociar. Eu não conheço ninguém que tenha de fato negociado com o Donald Trump, digo, na América do Sul. Todos os demais optaram por entregar. O Donald Trump enxerga realmente que não tenha tanta força contra o Brasil, que o Brasil se auto...
sustenta sem eles. E eles sabem, obviamente, que tem um outro componente no Brasil, que é, obviamente, a China. O maior parceiro comercial do Brasil não é o mercado melhor, é a China. Você tem uma estrutura no Brasil muito mais diversa, complexa e sofisticada do que muitos dos países. A China investe o suficiente no Brasil para ser tão parceiro assim?
Então, a China é um dilema ainda, porque ela é o maior parceiro comercial, ou seja, que vende e compra... Não sinta a diferença desse dinheiro chinês no Brasil, não. Não. Então, é o que compra e vende, mas não é o que investe. Tá. Quem investe mais? Ainda são os americanos. Aí é que pega. Ainda são os americanos. Porque já que a China não está sendo... A China não está sendo estrategicamente inteligente, então.
Não, eu acho que ela vem, mas é um processo longo. Teve um episódio que foi muito simbólico, que é quando a Ford fecha uma fábrica e naquele mesmo local, naquele mesmo prédio, se instala uma fábrica chinesa. Aonde? Em São Paulo? Não, na Bahia. Na Bahia? É. Porque em São Paulo não tem mais empresa de automobilismo. Foi tudo embora, né?
Eu não tenho muitos dados sobre o setor automotivo, mas o fato é que você tem a China desembarcando nos últimos 10, 15 anos.
os americanos estão aqui desde 1945, desde a base de Natal, fazendo investimento durante os 80 anos. Então, claro, a diferença é muito grande ainda. Mas eu acho que realmente eles sabem que a complexidade do Brasil é um pouco maior do que... E aí não é dizer Paraguai, vocês não valem nada, não é isso. Mas há uma diferença de tratamento em relação ao Paraguai, em relação ao Equador e em relação ao Brasil. Eu vi isso. Não é uma...
Não é uma suposição e nem é dizer vocês latinos não é isso. Mas tem uma diferença. Você acha que o Brasil corre o risco de virar um quintal dos Estados Unidos igual Porto Rico? E Havaí? O Brasil não cabe no quintal de ninguém.
É pelo menos isso que eu quero acreditar. Não quero acreditar que o Brasil seja quintal nem da China, nem dos Estados Unidos e nem da Europa. Em nenhum momento. A gente precisa ter muita consciência do risco que significa ser quintal. Já vivemos isso. Não é que nunca vivemos. O quintal significa, entre outras coisas, que você não faz parte da casa. Você é o quintal.
Você é o terreno atrás de onde acontecem as coisas. Você entendeu que eu não tenho isso como som de consumo, não. Não sei, claro, claro, claro. Entendi. Meio que já é, não? Claro, mas esse é o problema. Quando o político sobe no palanque e fala, aqui é soberania. Tem certeza que a gente tem a soberania? Os caras acabaram de sequestrar o Nicolas Maduro aqui do lado do Brasil. A soberania foi pra casa do caralho.
E tudo isso aqui que a gente usa de tecnologia, aonde fica? O dia que eles falam, e se a gente desligar? E se a gente desligar? No governo Bolsonaro, o que o Bolsonaro fez com o Musk? Comprou satélite. O Starlink. A Amazônia inteira. Foi agora, quando foi, setembro. Os Estados Unidos compram muita coisa do Brasil?
compra, mas vende muito mais pra gente. Não. O Brasil é um dos poucos países do mundo que dá lucro para as empresas americanas. É, um dos pouquíssimos. No resto do mundo, é o mercado americano que dá lucro para as empresas americanas. E essa relação favorece o Brasil em alguma coisa?
Primeiro pra negociar e falar, olha só, vocês já estão ganhando com a gente. Não precisa tarifa. Não precisa tentar ferrar a nossa economia. Vocês já ganham com a gente. Se a gente for bem economicamente, vocês vão ganhar.
Então, essa é a tentativa do governo de mostrar, ó, o superávit, ou o saldo positivo na balança comercial, é de vocês. Faz aí a lista dos outros países que têm superávit que vocês ganham. China? Não, é o chinês que ganha. A Alemanha? Não, é o alemão que ganha. A Índia? É a Índia que ganha. E assim por diante.
Você diz nas relações comerciais. Os Estados Unidos com esses países, ele está na defensiva. Ele está no negativo. Só com o Brasil que ele está no positivo. Em 2015 eles tiveram... E oprimindo mais o Brasil, e pressionando mais. Em 2025, o Brasil teve... Os americanos tiveram um superávit, traduzindo aqui, tiveram benefícios com o Brasil de 14 bilhões de dólares.
14 bilhões de dólares. Com a China, eles tiveram... E o Brasil? Com eles? Não, o Brasil ficou... O Brasil vendeu uma quantidade de produtos pra eles e eles venderam tanto pra gente. Só que o saldo é 14 bi a favor deles.
Então, eles ganham. Vamos fazer uma ilusão. E se esse 14 bi fosse favorável a nós? A gente ia sentir a diferença nas ruas, nos estacionamentos, nos mercados. Seria como? Eu acho que se sentiria. Eu acho que a gente teria pelo menos... Na favela? Se fosse distribuída.
Porque se não é distribuído, não adianta nada. Se fosse distribuído? Eu acho que sim, porque a exportação, ela pode... Agora, a exportação brasileira do agro, da soja, não é distribuída para absolutamente ninguém. Se fosse distribuído, a gente não estaria mais com nenhum problema de desigualdade social. A exportação brasileira é foda. Exportamos, alimentamos... Os governos adoram falar isso. Nós alimentamos um bilhão de pessoas no mundo. É, cara.
O que isso significa? É. Não, que o Brasil vende produtos agrícolas que alimentam um bilhão de pessoas no mundo. Sim. Ok, e o dinheiro disso, como é que é revertido aqui? Não é revertido. Conta pra gente, Jamil, como é que é revertido aqui? Como é revertido aqui? Bom, primeiro, fica na mão de um grupo absolutamente pequeno, eu uso essa palavra, se eles não gostarem do problema deles, de aristocratas, que são os proprietários ainda de terras, de empresas... Aristocrata é quase um elogio, Zé. É, verdade, tem razão.
pode ser muito pior quase um cargo assim a distribuição é tão perversa que eles mesmos se colocam numa posição de dizer olha, de fato nós precisamos inclusive reduzir os custos com mão de obra reduzir etc eles querem ainda mais uma concentração de renda o que eu não consigo entender quer dizer Obrigado.
que eu não consigo entender, eu sei de onde eles vêm com esse pensamento, é de que, olha, basta nós ganharmos, que eventualmente vocês vão ganhar também. Nunca foi assim.
Enquanto não houve, eu estou dizendo da distribuição, o dono da fazenda, o dono da empresa, quer convencer o sistema de que basta ele ganhar para que todos ganhem. Mentira, é mentira. Enquanto não houver um Estado com um sistema tributário que diga, você ganhou, legal. Não quero criminalizar o que você ganhou. É muito bom que você ganhe dinheiro. Nós precisamos que você ganhe dinheiro. Mas você vai precisar distribuir, cara.
Você conseguiria dizer pra gente, se não tiver esse número, tudo bem, tá? Quanto que esse mercado movimenta?
Não, eu não tenho, mas eu tenho, por exemplo, um exemplo de um país que a gente acha do caralho, ou uma região do mundo que a gente acha do caralho em termos de igualdade social. Escandinávia, Suécia, Dinamarca, porra, os caras são do caralho, não sei o que, paz social, não tem violência, etc. Sei lá. Então, mas tem um preço a isso, pra isso. Qual é o preço? Distribuição. O imposto de renda na Suécia é de 45%. O imposto de renda na Suécia é de 45%.
metade do que você ganha do governo metade do que você ganha, você devolve pro governo, para o governo fazer o que com aquilo? Obviamente, distribuir e garantir a paz social no país agora, vamos lá ah, eu queria morar na Suécia paz social, o que é paz social? é igualdade social é igualdade social, é lá na polícia não usa arma não tem arma de fogo na rua ou na Suécia, por exemplo, as prisões estão fechando porque não tem gente suficiente tem preso
Então assim, isso é a paz social. Agora essa paz social vem com um pacto. E esse pacto é de que todos façam a sua parte. O governo em não desviar dinheiro, sem dúvida nenhuma, em ser eficiente na atuação dele. Em trabalhar para o seu povo, ou seja, cumprir o seu papel. Cumprir o seu papel. Ok. Cumprir o seu papel. E a elite financeira e econômica do país, ciente de que a segurança dela depende de todos terem segurança.
Esse negócio, não, eu vou proteger o meu. Você tá criando insegurança, você não tá protegendo o teu. Então, quando você fala voltamos aqui tá bom, você quer morar na Suécia, porque a Suécia que sim é do caralho. Muito bem. Tá disposto então a pagar 40% de pau? Ah não, o que é isso?
Sabe aquela pracinha ali naquelas cidades europeias? Super sofisticadas. Que você diz, puxa, eu posso pôr meu celular aqui e ninguém vai levar. No Brasil isso jamais aconteceria. Então, mas aquilo ali tem um preço. Certo. Esse preço eu não vejo a elite brasileira disposta a pagar.
qual que é o preço? distribuição você não ter vou dar um dado eu odeio falar porque lá na Suíça é melhor do que aqui não é isso, não é isso mas algumas coisas são e algumas coisas eu acho que a gente pode escolher e exemplificar
Um caixa de supermercado na Suíça ganha 4 mil dólares. Esse é o valor do salário de um caixa de supermercado. Um médico, doutor, catedrático ganha 12. Ele só ganha três vezes mais do que o caixa de supermercado.
Entende? Então, assim, calma. O 4 mil é muito? Ou 12 mil é muito? Não sei. Não é isso. É que entre o médico fudidão, que é o mega não sei o que, e o caixa do supermercado, é só três vezes mais. Não é 30 mil vezes mais. Isso na Suíça. É, um outro exemplo. Não estou falando do país escandinavo. Mas o que quero dizer com isso? A gente está pronto a ter... Esses profissionais são quantos? Tchau.
Esse médico que ganha três vezes mais, apenas, entre aspas, do que o caixa do supermercado. Que também é de... Eu já fui caixa de mercado falando. É igualmente responsabilidade. Total. Como ele se sente, esse profissional, esse médico?
Ele se sente mal pago, ele se sente contemplado. Ele se sente contemplado e ele se sente em segurança. Porque aqueles que estão em algum outro lugar da pirâmide não representam uma ameaça pra ele. Tá. Aquele ali que ganha 4 mil...
4 mil em reais é uma grana do caralho, não sei o que e tal. Mas não é essa comparação que a gente tem que fazer. A comparação é nacional. É quanto aquilo ali compra, né? Aquele que ganha 4 mil, chega nas férias e fala, eu vou viajar para o Japão. Ele vai.
então assim o meu filho vai ter praticamente, não vai ter a Ferrari mas meu filho vai ter absolutamente todas as condições que o outro teria, eu insisto a elite brasileira está disposta a isso ou não?
É, regime capitalista também, claro. Claríssimo. E ali não é nenhum questionamento do capitalismo. Mas é um capitalismo que garante, insisto com essa palavra, porque ela é, com esse termo, paz social. O capitalismo para sobreviver...
de alguma forma, ele precisa fazer de conta, porque é só fazer de conta, que todos ganham com aquilo. A gente sabe que não é exatamente assim, a gente sabe que a gente é explorado, sabemos tudo isso. Agora, não existe nenhum tipo de revolta, porque todos estão, de alguma forma, contemplados. Ou seja...
A igualdade não significa uma igualdade de condições. Não. Mas você ser um caixa de supermercado ou outras funções que são, vamos dizer, principalmente aqui no nosso país, completamente desvalorizadas não significa que você vai viver em precariedade. Não.
Eu acho que é a grande diferença Você pode não viver igual a um médico Mas você não está enfrentando Uma precariedade Ao ponto de não conseguir colocar a carne Todas as semanas na sua casa Ou de não conseguir ir A feira
E, entendeu? Fazer uma feira digna pra sua família. Perfeito. Não precisar fazer estratégias o tempo inteiro pra fazer caber algo que a gente nem pode chamar de dignidade. Não, não pode.
Por isso que eu acho que se a gente quer falar daqueles outros locais do mundo que a gente tanto admira, da Europa, ah, eu fui para não sei aonde, ah, que povo educado, que não sei o quê e tal. Não, gente, isso aí é uma construção. Isso é um pacto de sociedade que tem que ser feito. A gente está pronto para fazer esse pacto?
E acho interessante pra você, porque a gente tava conversando aqui no off antes de tudo começar. O Jamil tava falando um pouco também de como a Suíça é a Suíça, né? Assim, pro nosso público aqui, pra mostrar também esse contexto e o quanto você entende esse contexto da Suíça. A Suíça é a Suíça por quê, Jamil?
Porque há décadas ela garante um cofre seguro para dinheiro do mundo inteiro, sem perguntar a origem desse dinheiro. Então, sim, por isso que eu digo, eu odeio a ideia de falar...
Não, porque lá no exterior é muito melhor. Não, se a gente quiser, eu faço duas horas de programa aqui avacalhando os milícias, os milicianos suíços, que não é um miliciano armado, mas é um miliciano que basicamente... Ah, sabe aquele hospital ali na periferia que não está construído? Sei. Então, o dinheiro está lá. Então, vamos ser muito pragmáticos aqui e dizer quem eles são. Agora, uma vez lá...
com toda a hipocrisia do mundo, quem está lá é de alguma forma a cúmplice. Totalmente. Você pergunta para um suíço, vem mudando, isso vem mudando. Mas quando eu cheguei lá há 25 anos, eu lembro de uma pesquisa de opinião que eu fiquei chocado. Perguntaram para o suíço se eles defendiam a ideia de contas secretas.
70% dizia que sim nossa 70% é o negócio do país um amigo meu o Jean Ziegler que é um sociólogo já está bem velhinho ele dizia que a matéria-prima da Suíça é dinheiro sujo olha aí
O lance da escravidão que eu gostaria que você repetisse. Exato. A gente tem aquela ideia de que é hoje que os bancos suíços recebem grana, é hoje que os bancos suíços estão envolvidos em todos os cândios de corrupção do mundo, etc. E aí você vai passando um tempo lá e você vai descobrindo que as situações são mais... Suíços exportam o que? Fora dinheiro sujo e negócios escruz. Chocolate, canivete... Chocolate. Acompanhado.
eu vou eu vou ser honesto com eles tá mandando nada, manda umas caixas pelo menos eles tem uma indústria de ponta impressionante, sem dúvida nenhuma farmacêutica, máquinas equipamentos, eles tem uma parte de tecnologia impressionante, agora sem dúvida, nada é branco ou preto no sentido da radical agora, eles tem um lado bom
Não, eles têm um lado que eles pegaram esse dinheiro e investiram neles mesmos pra gerar tecnologia. Certo. Esse dinheiro sujo, eles lavaram o dinheiro. Isso. E aí criou uma outra economia. E talvez no futuro não precise mais de dinheiro sujo. É isso. É isso. Aí vai vendo.
Agora, quando você vai descobrindo a história do país, você descobre que lá atrás, lá, lá, lá atrás, eles já participavam de todos os esquemas imorais da humanidade. Então, quando acontece a escravidão entre a África, basicamente, e a América do Sul, e aí principalmente o Brasil e o Caribe, o que você descobre é que eram os bancos suíços que financiavam o transporte.
dos escravizados. Calma aí, eles não tinham escravos, eles não tinham colônias, não tinha nem mar. E eles foram os que mais ganharam dinheiro com a escravidão. Qual era o esquema, basicamente? Você é um dono de um navio, eu vou até Angola pra capturar mil africanos e levar do outro lado. Eu preciso de um seguro pra aquele barco.
Eu estou levando mercadoria. Então, quem é que dava o seguro para o barco? Os suíços. Os bancos suíços. E aí, quando esses africanos chegavam do outro lado e eram vendidos, o dono do barco pagava de volta para os bancos suíços. Então, o banco suíço... Eles financiavam. É um BNDES. Meu Deus. Bom, Renata e Semayá, vocês já estavam saindo.
O papo foi rápido, foi dinâmico, foi raciocínio rápido e desenho lógico. E foi leve, foi rápido, foi solto. Muito obrigado, meu parceiro. Já me chaz. E esse foi um Mais Humana, mano. Espero que gostem, meus parceiros. Forte, aliás, sincero abraço. E amanhã o livro é nóis.
Esse foi o Mano a Mano, um podcast do Spotify. Apresentação, Mano Brau. Co-apresentação, roteiro e consultoria jornalística, Semayá Oliveira. Produção, Zamunda Estúdio, Bugnaip e Spotify. Pela Zamunda Estúdio, a produção executiva é de Ana Guerra. Direção, Fábio Ismeili. Coordenação de produção, Ingrid Mabelli. Coordenação editorial, Renata Hilário.
Captação, Careca Tully, 2G, Moraça e Mude Rodrigues. Edição, Júlia Gemelli, Murilo Ruivo, Giovanna Costa e Mude Rodrigues.
Cenografia, Ana Guerra. Música original, Fábio Ismeili. Motion graphics, Miguel Bezenbruck. Artista 3D, Gustavo Pedrosa. Maquiagem, Jade Benitez. Figurino, Semayá, Cida de Souza. Assistente de produção, Júlia Magalhães. Fotos, Petalalopes. Pela Bugnaip, a produção executiva é de Caire Jorge e Eliane Dias. Assistente de produção, Carol Castro.
Pelo Spotify, a produção executiva é de Camila Justo. Assistente de produção, Luísa Migueires. Marketing, Karina Morena do Spotify. Yaru Macedo, da agência Droga5. Comunicação, Nicole Azevedo do Spotify. Babi Ferreira e Ana Maxud, da agência Edelman. Jurídico, Janet Vasquez. Gestão de negócios, Jack Black. Vendas, Manuela Costa. Concepção Criativa, Gana.