Episódios de Mano a Mano

Rashid: O caminho, a caneta e a missão

21 de maio de 20262h11min
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Mano Brown e Semayat Oliveira recebem Rashid pra um papo reto sobre vida, rap, amizade e memória.
Entre lembranças de tempos difíceis, composição, caminhada e a influência do rap de geração pra geração, os três refletem sobre o conceito de sucesso e como cada um enxerga isso de um jeito diferente. Um encontro sincero entre quem viveu a cultura de perto e nunca deixou de acreditar no próprio caminho.
Tem conversa boa, risada, reflexão e aquela fé genuína de que o rap sempre foi destino.
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Assuntos8
  • Poder das PalavrasO processo criativo · Técnica e rima · Influência de outros artistas · A importância da mensagem · Amor e amizade nas letras
  • Trajetória de Larissa ManoelaInfância e juventude · Início da carreira no rap · Grupos e colaborações · Discografia e livros · Influências musicais
  • Comparações com outros artistasRacionais MC's · Kamal · Part 1 · Marechal · Gilberto Gil · Cartola · Bob Marley · Milton Nascimento
  • Questões de raça e representatividade no rapRap como ferramenta de mudança · Denúncia social e política · Representatividade e identidade · O papel do rap na periferia
  • Análise do rap contemporâneoCrise do mercado fonográfico · O papel do underground · A influência do streaming e algoritmos · Comercialização e autenticidade · A importância da regionalidade
  • Sucesso e RealizaçãoDefinições de sucesso · Dinheiro e prosperidade · Reconhecimento e respeito · Saúde e bem-estar · Autenticidade e legado
  • Exercício Físico e SaúdeMeditação e bem-estar · Treinamento e resistência · Mudança de hábitos · Superação de limites
  • Desacordos entre amigosTupac e Biggie · O impacto da rivalidade · A importância da amizade · A evolução do gênero
Transcrição350 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Enquanto artista e fã, quando eu ouço as músicas, às vezes eu visualizo como se eu tivesse escrito, então eu meio que penso assim, ele tava sentindo tal bagulho nesse dia. Às vezes eu ouço um som falando, mano, aqui ele tava falando de medo, as pessoas não sabem, tava com medo. O cara tava com medo, medo do bagulho dar errado amanhã, de perder tudo que ele construiu. Aqui o cara tava... Sabe, às vezes a gente se coloca nesse lugar, porque você tem os dois lados, o fã e o criador.

Tem duas músicas que você compôs, bro, que me atravessam muito. Uma é Jesus chorou, que eu escuto em momentos específicos, porque ela me faz chorar todas as vezes. Inquilina da dor, morada predileta. É uma parada que me atravessa de um jeito. Era poeta, mano, cara. Da calada ela vem, refém da vingança. Irmã do desespero, rival da esperança. Não fui eu, juro. Juro?

Foi sem querer, eu acho. Não fui eu. Pelo amor de Deus. Não foi. Você é um ariano diferentão, cara. Você acha? Eu também acho. Fé. Olha que glória, né, mano? Que bênção, foi foda. Mas pelo que eu ouço falar... O cara é discreto, corre maratona, não fala pra ninguém, não posta, não ostenta. Viado, se eu corro uma maratona, cara. Deixa eu te falar.

Eu ia fazer um marketing. Ai, maravilhoso! Era uma fé tão inabalável, ao mesmo tempo inocente, mas eu sinto falta até dessa inocência. Em determinado momento ela faz bem. Precisa ter a malícia, mas às vezes eu acho que a inocência faz a gente sonhar maior. A malícia, às vezes, faz a gente ficar muito para trás com tudo.

Cara bem sucedido por aí, com pouco dinheiro, mano. Acho que tem, mano. É contraditório mesmo. É contraditório? Dinheiro não é tudo isso, mas realmente deixar o dinheiro pros caras, eu não acho certo. Os caras escravizou os nossos, mano. Não é certo, não é certo. Mas não pode ser covarde nesse ponto. Não tô dizendo que o dinheiro tá vindo de liberia, não. Falou, rapaz, é de tudo aqui, é progresso, é sonho, é plano, falou? Não vai pôr olho gordo em nós antes do tempo também, não. Calma aí. Trabalho pra caramba. Pôr olho gordo antes.

Nós estamos falando assim, de projeto de vida, ganhar dinheiro mesmo e fazer girar, moro? O coreano faz assim, o judeu faz assim, o japonês faz assim, o árabe faz assim, o italiano faz assim, o nordestino faz assim e o preto tem que aprender a fazer assim.

Forte, leal, sincero abraço. Tô um pouco gripado, mas tô firmão. Como é que é, Semaiá Oliveira? Tô firmona também, um pouco gripada. Esse é o Mano a Mano da Semana. MB, a gente tá chegando no último episódio da temporada. Ah, eu não queria falar sobre isso. Você sabe disso. Então vamos pular o assunto. Odeio despedir da Semaiá. Não vamos se despedir por um tempo, não, pessoal. Amanhã será um novo dia. Amanhã... Guilherme Arantes. Vai ser outro dia. Isso, e tem o Guilherme Arantes, né? Qual que é a do Guilherme Arantes? Amanhã...

Hã? Gosta de Guilherme Arantes? Alvorada. Lá no morro. Tem a ver com amanhã, Alvorada. Não tem? Amanhã. Viajei. Amanhã será melhor. Será. Será. E que a gente também consiga multiplicar.

A fazer multiplicar os peixes. Para que todos fiquem felizes. Exato. Vamos? Vamos lá, vamos descalço. Último da temporada. Ele nasceu em 88, na cidade de São Paulo. Começou a infância ali no Lausanne Paulista, na Zona Norte. Mas ele mudou pra vários bairros também. Jardim São Bernardo, Cocaia, aí Cavalho, Arthur Alvim.

E aí, no início da adolescência, ele foi pra Serra de Ijaci, no sul de Minas Gerais. Mas nessa, o rap já foi na bagagem dele, já. Já tava com o bichinho com ele. E aí, nas férias escolares, ele vinha passar as férias aqui em São Paulo. E conheceu amigos que reforçaram essa caminhada. Quando ele tinha mais ou menos 16 anos, ele passou a integrar um grupo que se chamou Trio Estrondo. Com o MC Projota, que a gente conhece hoje como Projota, né? Mas na época era a JT. O Artigo e o Rashid, que na época era Mosco.

Uau. Também passou a frequentar as Batalhas da Santa Cruz. Depois que ele voltou pra São Paulo de vez, né. Rinha dos MCs, começou a fazer shows. Em 2005, ele gravou a primeira música em estúdio. Que se chamou Abre a Janela, com esse trio. No estúdio do DJ Paul, da RPW. Depois, veio a Naumilde Crew. Que a gente conheceu também, né. Foi o Emicida, o Projota e o Rashid. É uma união que precede aí a simbologia dos três tenores. E em 2010, ele lança o primeiro EP. Que é Hora de Acordar.

Foi uma mixtape, né? 2010. 2010. E aí, ele tem outros três EPs. E depois vem uma sequência de álbuns de estúdio. Vou dizer aqui os álbuns de estúdio, tá? A Coragem da Luz, de 2016. Em que tem uma música que tá com você, inclusive, né? Belano Brau, A Rua Terapia, que eu adoro. Esse é de que ano? 2016. Certo.

Depois vem Crise, de 2018. Tão Real, de 2020. Movimento Rápido dos Olhos, de 2022. E Portal, em 2025. Além da música, ele tem uma pegada com o livro também. Em 2018, ele lançou o livro Ideias que Rimam Mais Que Palavras. E em 2023, ele lançou um HQ, que se chama Soundtrack. What it is, HQ.

O HQ são os quadrinhos. Quadrinhos. Livro de quadrinhos. Legal. O nosso convidado de hoje é o Rashid. Um forte abraço. Que isso, Celão. Obrigado. Que apresentação. Obrigado, gente. Esse é o seu scout, um jovem, mas cheio de aquafolha já extensa, não? Tem que trabalhar, né? Olha na terra de quem eu nasci, né?

Tem que correr atrás Até a de A Dorirã Barbosa Opa Tem umas pessoas com currículo Vitorioso Itamar Assunção Itamar Assunção é paulistano? É paulistano? É um dos grandes representantes Da música paulista Paulistana No momento em que se dizia muito Que São Paulo não tinha Identidade cultural Guilherme Garantes Itamar Assunção foi um Guilherme Garantes também Paulista

É, pode crer. Curte. Opa, tô ligado. Curto umas coisinhas assim. Você lançou o Amanhã aí, essa aí é clássica. É dele. É clássica. E aí, como é que tá a vida, meu parceiro? Corrida, mas boa também, tá ligado? Música, bom, você é melhor do que, né? Todos nós aqui nessa sala sabe o que a música traz pra nossa vida, mas é incrível, mano. Todo dia é um sonho, tá ligado? Pra mim, assim, eu sempre tenho essa sensação, mano. Eu amo muito fazer isso. Sonhar todo dia.

Eu amo muito isso que a gente faz, tá ligado? Mesmo com as lutas, os fracassos, né? Que são muitos, várias derrotas. Essas coisas a gente não fica apostando, porque também não precisa, né? Perder, todo mundo perde. Mas eu acho que são as coisas que vão virando bagagem, tá ligado? Pra fazer as conquistas serem melhores ainda. Hoje, pai, meu filho fez quatro anos semana passada e tal. Então, assim, também já vem uma outra camada de corre aí pra vida.

Mas é isso, mano. Tudo muito bom, muito corrido, mas muito bom. Parado, eu não gosto. Você começou a cantar em que ano? Em 2005, a gente gravou a primeira música, né? Então, era um pouquinho antes disso. Tipo, 2002, 2003, tá ligado? Gravou aonde? Em 2002, nós tava sonhando, né? Em cantar. Tipo assim, em 2002, já tava meio que... Em 2002, eu já tinha 14. Comecei a tentar escrever com 12, né?

Na loucura total, né? Vamos dizer assim, sem consciência exatamente, né? A consciência da consciência, né? Como diz Paulo Freire. Mas assim, eu sabia o que eu queria, mas o que eu dizia não era exatamente eu que tava dizendo. Era uma reprodução das coisas que eu ouvia, das suas coisas, das coisas do DM. Chegou como? Chegou como? Através de quê?

Muita rua, né? Quando eu morei esse período na Zona Sul. Mas quando eu morava na Sul... Jardim São Bernardo? Jardim São Bernardo. É isso aí, Grajaú, Carasquebrada. Você morou quanto tempo ali? Cocaia também, você morou? Mas foi pouco tempo, mano. Mas Zona Sul mesmo, né? Tá ligado, né? É, Zona Sul. Longe pra caramba. Eu morei pouco tempo pra lá. Porque eu nasci no Lausanne. Aí, sei lá, devo ter ido pra lá com uns dois anos e tal. Aí, sei lá, com uns sete, oito anos já tava saindo de lá. Mas tem uma memória afetiva de lá? Lembra de muita coisa? E aí, olha.

Mais ou menos, lembro mais da escola. O que você lembra da quebrada? Lembro da escola ali que era o Afrânio, Afrânio de Oliveira, se não me engano. O uniforme era vinho. Eu lembro porque era muito diferente o uniforme vinho pra escola, sempre branco e azul, né? O uniforme era vinho e azul. E a gente atravessava um corguinho assim pra chegar na escola por cima do cano. Uma vez ou outra alguém caía, se...

a gente era, criança não tem essa nós dava risada de quem caía era anos 90 isso devia ser, fazendo uns cálculos tipo 93, 94 governo Fernando Henrique em semana era 93 tá mais franco só pra me situar em 93, relembrar, dar um refresh no 93 o contexto né

Mas aí eu fiquei pouco tempo lá Então eu lembro disso, mano Lembro da escola ali e tal Lembro, e aí depois a gente mudou pro Cocaia Onde eu fiquei pouco tempo É época de crise essa época No Itamar é a época que o Brasil tava sofrendo É, tava, mano É antes do Fernando Henrique É antes, o Fernando Henrique era ministro O Brasil tava mal pra caralho essa época Mas essa época, por incrível que pareça Pra mim, foi menos difícil

Porque foi na época que minha mãe tinha um trampo bom. Minha mãe trampava na Telespe. Isso fazia a diferença total, claro. Então, assim, uma vez eu vi o Catra contando a história dele. Não chega a ser parecida, mas eu me identifiquei na época. Porque ele falou, pô, eu tive um contexto assim, que minha vida era menos pior no começo. Aí piorou muito, pra depois vir pra um lugar. Eu vi o Catra falando que a vida dele era mais ou menos isso.

Mas a minha vida era essa, porque minha mãe tinha um trampo bom. E tempos em tempos piorava um pouquinho. É, tipo assim, na real é que minha mãe tinha um bom trabalho na Telesp, conheci meu pai lá na época, só que os dois se separaram muito cedo, então não me recordo dos dois juntos. Então ela já me criava sozinho.

Só que ela tinha um bom trampo e tal Eu ficava sozinho em casa ali Eu acho que esse foi o bagulho crucial A me levar pra esse lado criativo Ficava muito sozinho Então eu me lembro de sete anos, já ficava sozinho E o que minha mãe fazia? Ela não queria que eu ligasse o fogão, os bagulhos e tal Então quando ela saia pra trabalhar Ela fazia meu prato de comida e colocava na mesa já tampado Pra quando eu chegasse eu tinha que comer aquela comida Só que a comida tava fria E aí

Aí eu comia daquele jeito, não comia direito, jogava os bagulho fora, comia só um pouco, o bagulho ficava daquele… Aí eu era magrelão, tomava várias, né, tomava várias porque tava jogando. Tá jogando a comida fora, cê é louco e tal. Mas mãe, o bagulho tá aí, cheguei, tava gelado já, mó briga em casa. Só que aí, depois quando a gente saiu de lá, que aí a vida foi começando a complicar, por incrível que pareça, assim. Quando eu morava mais no fundão…

a vida tava mais suave. Por causa do emprego. Por causa do emprego da minha mãe. E aí quando a gente foi saindo de lá, então a gente saiu de lá, foi pro Cocaia. Questão de aluguel? Também. E por causa da separação dos meus pais, depois minha mãe engrenou outros relacionamentos. Então num relacionamento que ela ficou bastante tempo até com a pessoa, a gente pulou pra Zona Leste. Aí foi pro Ayr Carvalho e depois Arthur Alvim.

E essa pessoa, inclusive, anos depois, sei lá, mais de 10 anos depois que minha mãe se separou dessa pessoa, eu descobri o quê? Que essa pessoa é da família do Kamal.

Tá ligado? Então o meu irmão O meu irmão que é Irmão por parte de mãe, em casa não tem essa Todo mundo é irmão, mas na prática Por parte de mãe só Ele é meio da família do Kamal Em alguma instância E eu tava lá em Minas na época Andando na estrada de terra Sonhando, um dia conhecer o cara De repente eu descubro que o cara é parente do meu irmão Ele é inspiração pra você, o Kamal? É quantos anos ele é velho que você?

Mano, ele fez cinquentinha? Ele fez cinquentinha, né? Ele é 12 anos mais velho. Ele já fez cinquentinha aquele cara? Ele é 12 anos mais velho que você? Ele é de 76. É, 12 anos mais velho. Tem muita influência sua dele em você. Tem muita influência dele em mim. E não só em você, como em vários. Porque é a zona nova. Da sua geração. Sim.

Porque o lance é... Que é um bagulho importante de ser falado também, tá ligado? Que é o lance da regionalidade no rap. Quanto isso é importante. Então, por exemplo, a Zona Norte, ela passou por um período de carência, vamos dizer assim, em que a gente tinha o Ed Rock.

E é lógico, tinha outros grupos ali, eu tô falando só de MCs especificamente, né? Só que a gente tinha essa grande voz, que era o Ed Rock. E a gente tinha um período, assim, uma entre safra, que, pô, quem da Zona Norte é uma pessoa que vai, sabe, que vai também ganhar um holofote e tal. E aí, de repente, vem o Kamal, tinha o Max Beoja também. E eu acho que esses caras foram pilares desse estilo de rimar da Zona Norte. Na Zona Norte, o samba é muito forte, né?

Essa cultura de escola de samba. Escola de samba, muita escola de samba. Muito quilombo ali, né, mano? Lá da Casa Verde, é reduto de escola de samba. Então o samba é muito forte. O rap, apesar das equipes de baile também tatuarem bastante ali, Zimbabue, Black Mad, mas ali sempre teve, não é uma rivalidade, mas era uma cultura já mais antiga de samba. Uma coisa mais encaminhada. O rap teve que lutar muito pra entrar ali, na playlist da rapaziada. Sim.

tanto que até vamos dizer, o visual e eu acho que até o sentido, o senso de autoestima do preto da Zona Norte já era diferente era diferente, exatamente as tranças e tal, as roupas porque já era uma coisa do bairro e do samba da raça mesmo então já vem uma cultura diferente graças às escolas de samba da região e aí

Então talvez por isso o rap tenha passado por um momento assim Não sei se dificuldade é a palavra Mas um momento de batalha ali pra realmente ganhar seu espaço E o Kamal ele é um dos pilares desse estilo Zona Norte Que aí sem Kamal não tem Emicida, não tem Projota, não tem Rashid E alguma do Kamal que você tem como uma grande referência pra você? Uma música?

Acho que a primeira que vem na cabeça é Poesia de Concreto, que é uma das primeiras músicas que eu ouvi dele, assim. Que é, tipo… O que acontece? Quando eu ouço Kamal pela primeira vez, tem uma ruptura. Por quê? Porque até então era Racionais, X, sempre adorei o X. DMN, RZO, pá, Visão de Rua. Aí quando eu ouço Kamal, tem uma ruptura, porque dobrou uma esquina, tá ligado? Opa, tem uma outra rua aqui, mano.

Tem um outro lugar aqui, desbloqueou uma rua nova no meu GPS. Tem um outro jeito aqui. Então, a partir do momento que eu conheço o Kamal...

a minha brisa musical passa ao quê? Eu quero misturar essas duas coisas. Tinha mais a ver com o seu histórico de vida também, né? É possível que sim. Só que até um determinado momento, né? Porque depois que eu vou pra Minas, aí o bagulho muda completamente o universo. Aí muda tudo. Tá ligado? Estamos falando da periferia da Zona Norte. É. Aí muda tudo o universo, saca? Só que era isso. Quando eu vi Camargo, eu falei, mano, eu quero misturar essas coisas, essa influência. E o partiu? O rap de quebrada que a gente ama.

com essa coisa do Camal, que já tinha uma coisa mais centro de São Paulo, uma influência do skate, uma influência do, sei lá, dos filmes de skate que os caras assistiam e tal. Então tinha uma outra roupagem na parada ali. Eu falo, e se a gente tentar misturar esses dois bagulhos aqui, o que vai dar?

O futuro não começa com um carro, começa com energia. Enquanto outros faziam promessas, a BioID já estava construindo baterias. Enquanto o mercado discutia, nós colocávamos milhões de veículos nas ruas. Aqui, tecnologia não é um acessório, é a base. Bateria, chip, motor, software, tudo construído junto desde o início. Por isso somos mais seguros, mais eficientes e mais acessíveis. Não construímos carros para poucos, criamos mobilidade para todos. BioID, uma revolução global. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

Eu tô viajando, eu na sala do Kleber, do KLJ, o Ajamu e o Kamal, os dois criança.

praticamente, se adolescentes e um novinho andando de skate na rua tem gente ensaiando lá dentro eles andando de skate tá na minha memória agora olhando na janela vendo o Camar, o molequinho andando de skate ele e o Ajamu e ele conta essas histórias pra caralho e fica tipo assim, mano, o cara tava lá eu nem sabia que ele ia virar rapper ele era um moleque mas ele tava ganhando tudo que você estava fazendo também assistindo os ensaios ali perto ele sempre fala, então esses caras aí você falou parte 1, é o outro cara que é e aí

Tipo, um desses professores aí, mano. Porque começa a vir junto com esses caras umas novas janelas, né? De lugares pra onde a gente podia olhar. Quem é mais velho dos dois?

Talvez o Part 1, não tenho certeza. Part 1 é irmão do Rappin' Road. Rappin' Road tem a minha idade. É, eu acho que... Talvez o Part 1... Mas não tenho certeza, posso estar falando besteira aqui. Vamos achar agora. Mas é bem... Acho que é bem colado ali. Tem influência também, não tem não? Eu vejo coisa do Part 1 e do Camal em você. Pode crer. No Emicida, no Rincon. No Rincon. Uma geração de vários grandes escritores.

As informações da data de nascimento dele não são tão claras aqui nesse momento, mas parece que ele tem 51 anos. Ah, é um ano mais velho também. Então, eles são da mesma geração, exatamente. Então, esse cara tem muita influência. Aí, junto com esses dois, por exemplo, uma outra pessoa que aí já é de fora desse... de fora desse radar aí, mas que também tem muita influência, é o Marechal do Rio. Eu falei hoje... Falou. A gente aqui na reunião falou. Do quinto andar, né? Eu falei do... E aí

inclusive da influência do malechal no som do MC, dá? Sim, muita, muita, mano. Porque, por exemplo, teve um período que o MC vai pro Rio, pra Liga dos MCs, pras batalhas e tal, e quando ele volta, ele já volta com outras ideias assim, tipo assim, mano...

Achei um novo jeito de fazer as rimas e tal. Vamos desenvolver juntos isso aqui, saca? Então demorou, vamos se debruçar. Ele já volta de lá com uma música chamada Vai Ser Rimando. Vai Ser Rimando. Ele já volta de lá com essa rima e tal. E a gente fica, mano, o que é isso?

tipo assim, tamo conseguindo, saca? porque era tudo um laboratório, tamo conseguindo juntar o que a gente sempre, né, obteve de influência de racionais, de DMN, de tal não sei o que, com esses caras aqui agora, né, parte 1 Camal, Marechal tinha um SP Funk também aqui em São Paulo que é o grupo do Fresh, né, do tio Fresh o Bomba, o Mayonese, o QAP que nos deixou também

E esses caras também tiveram uma grande influência, porque era tipo, eles estavam levando as rimas das batalhas pras músicas, né? E a gente MC de batalha desde sempre, então... Pera aí, então dá pra fazer... Você começou pela batalha? Eu comecei gravando, mas assim, a vitrine mesmo, a hora que alguém me viu foi já nas batalhas. Aí foi na Batalha do Santa Cruz. Eu voltei de Minas Gerais, eu fui pra Minas antes de eu fazer 12 anos, né? Dessa caminhada toda, sul, fui pra leste, da leste fui morar em Minas.

E aí, quando eu volto de lá, eu vou pra lá com 11 anos e pouco, e volto de lá com 18 praticamente, antes de fazer 18, na verdade. Então assim, todo esse período de formação de caráter, eu tava lá na roça, no interior de Minas, tá ligado? Já doido pra fazer um rap, mas... Então assim, eu sinto que o tempero de lá me trouxe muita coisa. E aí, quando eu volto pra cá, no mês que eu voltei, os caras, mano, vai começar uma batalha nova lá no Santa Cruz.

Batalha do Santa Cruz, não sei o que. Na época tinha um Orkut, todo mundo se movimentando. Falei, vamos lá, vou lá ver. E eu sempre fui observador. Então eu cheguei lá, no primeiro dia só fui olhar. Pá!

mão no subbarco aqui, né, olhando todo mundo, quietinho, opa, não conhecia ninguém, voltei pra casa. Na segunda semana, fui pra batalhar. Minha primeira batalha contra a Emicida. Fácil. Pegar o Real Madrid do freestyle. E já cheguei lá, ele já tava assim, os caras, mano, tem um tal de Emicida que rimou semana passada. Fácil pra ninguém, hein.

Mas aí, pra quem acredita que nada é por acaso, né? Minha primeira batalha contra o Emicida... Ah, me disse que deu zebra. Deu zebra? Não, não deu zebra, ele ganhou. Deu o óbvio. Deu o óbvio. A banca ganhou. O Neguinho no freestyle é bravo. É embaçado, é embaçado. É bravo, é bravo. Respeitar o Neguinho, esquece. Então, tipo assim, a nossa amizade já começou ali. O Projota eu já conhecia desde que eu tinha 13.

O Emicida eu conheci antes de fazer 18, hoje eu tenho 38. Ontem eu tava com o Max B.O., grande improvisador, começou com ele, bravo. É o professor de todos. O professor, né? Ele é o... O Camal aprendeu por causa dele. Muito bravo, muito bravo. Ele começou com essa coisa do momento ali, do tempo real, né? Ah. E aquela rima dele do... Do RG. Do RG. Ali é marca registrada. Tava com ele ontem, falando sobre... Ok, ontem, segunda-feira.

O bicho é bravo, mano. Ele é professor demais. Zona Norte, peri, né? Deixa eu falar uma coisa que eu não posso esquecer. Sabe uma coisa que eu tô prestando atenção? Eu sou mais velho que vocês no rap, na idade, claro. A sua geração nasceu no meio de uma crise, mano. No meio de uma crise profunda, eu vou dizer, de mercado. No momento que o rap tava muito fragilizado. Porque toda a estrutura era em cima do que? Do que vendia na galeria. Correto. Que não era muito, mas sustentava tudo. Sim.

comprou, querendo ou não, lá o pessoal lá recebia, girava a economia do barato, vendia tudo.

Quando o CD parou de vender, foi ali em 2006, 2007, teve uma grande crise de... Foi quando entrou essa coisa da busca gratuita na internet. Pois é. E aí o CD deixou de ser uma coisa viável e a fonte de renda secou. E coincidente ou não, muitos grupos ali... Falei, foi um... Muitos grupos ali sucumbiram ali.

E vocês nasceram ali. Pode crer. No momento que era um deserto, tá ligado? Exatamente. E até na rua, mano. Na rua era diferente, assim. Porque a gente ia pros shows. Foi o que o pessoal na época queria chamar de rap underground e tal.

porque o cenário era esse era totalmente underground, era outra ideia o público dos shows eram os MCs só, tá ligado? então a gente ia pros shows e tinha 30, 40 pessoas, todo mundo que cantava também ou que ia cantar naquele dia ou que tava ali dando uma força então demorou pra

Pra começar a formular um novo público, oxigenar uma cena. Eu acho que o Kamal conseguiu isso com o disco dele de 2008, né? Que é o Nô do Corduco. Nô do Corduco, nosso, esse álbum. Que aí eu acho que chegou em outras pessoas também, é um clássico. E aí começou a vir um público, um pessoal da universidade. Ao mesmo tempo, o pessoal da rua e tal. Então começou a gerar um clima diferente. Aí começou shows no Sesc. Então a gente tinha nos shows do Kamal já shows cheios.

Que há 3, 4 anos antes disso, a gente já não via tanto. Mas faço uma pergunta pra você, vai ser da hora esse papo. O que é underground? Underground, mano. Agora nós vamos... Vamos brisar. Vamos dividir. Vamos dividir opiniões. Vamos. Por quê?

Porque pra muita gente, underground é uma fase, né? Tipo, o underground, você ser um artista ali que de repente não tá na mídia, não tem um hype, como a molecada diz hoje, pra muita gente é uma fase. Então tem gente que enxerga isso como um momento de carreira. Primeiro, eu sou um cara underground. Segundo, se tudo é certo, eu me torno uma pessoa conhecida, um artista conhecido. Pra outras pessoas, o underground já se torna meio que um nicho.

musical, um nicho artístico o jeito de fazer o negócio eu faço uma música que é totalmente antepadrão, faço um bagulho que mesmo sendo rap, que o rap por si só já é antepadrão, eu faço um rap que é mais antepadrão do que os antepadrões que estão aí no hype você acha que ainda hoje é antepadrão?

E aí é outra conversa interessante. Eu acho que não... Nem responder uma, já mandei outra. É disso que você fala, né? Eu sou impaciente demais. Eu tenho que mudar. Eu tenho que mudar do jeito. Eu acho que não tanto, tá ligado? Eu acho que tem muita gente que ainda é antipadrão, tá ligado? Mas eu acho que de certa forma, em alguma curva dessas ruas aí que eu falei antes, também... A gente volta nessa curva. Não tem problema.

Em alguma dessas curvas, a parada meio que abraçou a norma, tá ligado? E aí, quando ficou fazendo parte do mercado, de certa forma, tá ligado? Eu acho que existe essa fatia de rap que, tipo, que abraçou e, olha, a gente tem que fazer a música que eu sei que tem um formato que é, começa com a intro não tem 10 segundos, aí vem o refrão vem o verso curto, o refrão e...

Tem uma fórmula. É, tem uma fórmula que vai bombar, que vai agradar o algoritmo, que vai bater no TikTok. Então eu acho que existe essa fatia. E aí acho que a ideia pra se levantar é tipo, enquanto

contra a cultura, naturalmente, que foi onde o hip hop nasceu, assim, né, localizado ideologicamente, contra a cultura. Nós estamos aqui pra fazer algo que não foi oferecido pra gente. Então a gente vai criar algo novo. Eu acho que é preciso fazer essa reflexão também, saca? De até que ponto vale abraçar esse lugar, que de certa forma, é o que quem não queria nós aqui antes...

Agora quer que a gente vire isso, porque isso, pelo menos, dá pra ganhar dinheiro em cima disso. Esse papo é muito longo. Vamos pro Parts, né? Vamos pro Parts. Sabe um cara que eu acho underground? N. Dinaldinho. Naldinho. Eu considerava ele underground, na minha visão de música. No sentido...

De alcançar os lugares onde a grande maioria dos rappers não chegavam, eles chegavam. Pode crer. Lá no barraquinho, na favela, no beco mais estreito.

tava tocando a música do cara. E se eu tive essa visão, numa favela lá em Minas Gerais, em Belo Horizonte, e eu tava em cima do morro, e eu tinha acabado de fumar, e tava naquela favela gigante, que Minas Gerais aí, montanhosa, né? E eu vi a música do N. Dinaldinho saindo de lá de baixo, de lá do fundo.

Aquele vale, né? E a música subiu assim Eu achei lindo, mano Daquela natureza Pô, isso é underground Pode crer No lugar que você menos espera Vem uma música dessa Faz sentido Deus olhar meu povo Falei, pô, vou polemizar no rap Vou levar essa informação E vou polemizar

Porque eu entendi também que os caras queriam determinar que a negra já era um tipo de batida, um tipo de roupa e um tipo de rima. Eu vou falar, pô, os caras criaram um estilo. E é o que acontece, vira um gênero, passa de uma fase de carreira pra um nicho, né? Um nicho de mercado e tal também. E o Enid Naldinho encaixaria em que nicho você acha nesse caso?

Cara, talvez naquela época... Eu acho que tem... A forma como você vê, que é tipo assim, mano... Olha onde ele tá chegando. Onde esses caras que estão... De repente estão com mais nome e não chegam lá. Quem é o cara que tá comunicando com o cara mais... Que todo mundo queria falar, mas quem tá falando é o cara. Então eu acho que nesse sentido faz sentido de você colocar ele nesse lugar. Só que ele já era grande, né? Então vamos dizer assim, pro underground...

Ele não era tão grande como parece. Ele já era de uma luta. Era grande no nicho. Porque o bicho também é da daquilo. Porque ele nunca teve apoio da grande mídia, como possa parecer depois de você falar isso. Ele era grande pra você que você era jovem, pequeno, criança. Mas aqui do lado de fora é uma luta do caralho. Pode crer. Ele era de uma gravadora de quebrada, de baile. Era TNT Records.

que era um cara que dava baile, que fazia dinheiro com bilheteria de baile, dinheiro suado, aquele dinheiro lutado, e o dinheiro da galeria. Sim. E o dinheiro de shows pela periferia, pelas pequenas casas, favela, e toda aquela luta que seria a luta da base, né? Sim. A base. O Naldir era a base.

Pode crer. Ele era a base. O soldado, o soldado. E muitas vezes, vou te falar, o próprio rap não reconhecia. Faz sentido. Isso eu percebo. Isso eu percebo. E olha que eu não tava embrenhado nos bastidores do bagulho nessa época. Mas eu percebo de longe, à distância, eu percebo que o próprio rap não abraçava. Não abraçava, talvez.

É, aí é que tá, tem que... Talvez o cara com a barriga cheia de razão, o peito estufado, né, cheio de razão, o cara fica arrogante. E aí ele se acha, empodera de superioridade, porque ele não tem.

então quer dizer vamos pra parte do moderno o que que é se entregar pro você usou um outro termo interessante ceder né abraçar a norma qual que é a norma eu acho que hoje eu vou dizer até

na minha visão, mais do que nas gerações passadas, que se falava muito da música pop, eu acho que hoje essa norma, ela é mais estabelecida ainda, porque hoje você tem o formato que o algoritmo como posso dizer, ele privilegia

tá ligado? Então você tem esse formato declarado, escrachado quase como se você tivesse uma cartilha obviamente, não é só seguir a receita que vai dar certo sua carreira não é exatamente assim, mas a gente talvez mais do que em outros momentos da música, você tem um formato que assim, se você fizer isso de tal maneira muito provavelmente vai

chegar em determinado lugar, vai acontecer tal coisa, pelo menos as pessoas vão assimilar a tal coisa, saca? Certo. Então, eu acho que... O que também não é totalmente... Tem que ter essa visão de...

acessar os corações e as mentes lógico palavras-chave lógico eu acho que é eu sempre troco uma ideia com os caras os artistas novos vêm falar comigo ô Rashid, queria pô, me dar uns conselhos e tal e eu sempre falo tem algumas coisas que já são quase cartilha na minha visão mas não são regras mas são coisas pra provocar reflexão, tá ligado? primeiro, é a pretensão artística o que você quer, tá ligado? onde você quer chegar?

Me fala cinco artistas que faz a música que você gostaria de fazer mais ou menos parecido, referência e cinco artistas que estão no lugar onde você gostaria de estar porque de repente o Lecuncré não vai combinar às vezes o cara quer fazer a música mais underground do mundo mas ele quer estar no lugar que o Jay-Z está vamos trazer pra modernidade o cara quer fazer a música mais estranha mas ele quer estar no lugar onde o Young Thug está que o Future está uma coisa não está batendo com a outra mas ele quer estar no lugar

Então eu acho que de repente você precisa estudar, recalcular um pouco, entender as suas pretensões com a sua música. Porque se você faz uma música difícil, com uma música que ela é considerada difícil, que você sabe que...

que é até estranha, vamos colocar assim só pra generalizar, vai ser muito mais difícil você chegar naquele lugar. Então eu acho que você precisa equilibrar essas duas coisas. Eu tenho essa visão, tá ligado? Eu tenho essa percepção. Esse jogo da música, o que você jamais faria?

O que eu jamais faria? Jamais faria. É, é onde a gente quer chegar. O que você jamais faria? Porque as normas, norma é que é normal, né? O normal é o que aceita por todos. É o padrão, vamos dizer que o padrão é o que todo mundo aceita como regra, tipo futebol. Passou da risca e lateral, bateu na mão para o jogo, são regras. Sim.

As regras são claras para todos e o rap não é diferente. A regra é vencer. Você não tem meio termo. A regra é vencer. Se você conseguir se manter vivo, se alimentar do seu dinheiro, você já venceu. Correto.

Não significa que você tenha que estar com um carro de acima de um milhão de reais. Isso não significa que você venceu. Saúde é muito mais, mano. Mente sã, muito mais. Continuidade, né? Orgulho, satisfação. Inspiração, muito mais. Vale mais do que um milhão de reais.

Morou? Sim. Saúde. Até porque esses castelos caem também, mas não é novidade. Agora, se tiver saúde com dinheiro, melhor ainda, morou, Rashid? Nós não podemos desprezar o dinheiro e dizer que... Não tô dizendo que você tá falando isso, tá? Eu entendi tudo que você falou, não sou o Reildo. Eu não distorço pra virar hype. Falou, rapaziada? E vocês fazem aí. Distorço pra hypar, mancada. Tá tirando nosso povo pra burro, mutiração. O que precisa, dependendo de ser direita ou esquerda, respeitar o povão, e aí

Tá dando papo de safada aí no povão aí, mano. Pelo certo no que é, mano. Também nós aqui, nós respeitamos todo mundo. Tipo assim, regra de jogo. A regra é... Ganhar um, fazer virar dois.

Correto. Regras do capitalismo. Pro preto, pro branco, pro amarelo, pro pobre. Se o preto tem 10, o branco tem 10 milhão, vamos dizer assim. O preto vai ter que fazer esse 10 virar 20. Pode ir pra... O 20 virar 40. Como? É o jogo. E aí que eu acho que é...

interessante, tipo assim, a gente olhar o jogo completo, tá ligado? Porque como eu falei, a gente tem essas fórmulas bem definidas hoje, e a gente tem na mente uma estrutura do que parece ser a pessoa ou o artista bem sucedido.

A foto tal, de tal jeito, com tal coisa, com tal carro, com tal corrente, com tal... A gente... Acho que a forma como as coisas são comunicadas, elas colocam na nossa cabeça o que é o artista bem-sucedido. Só que aí que tá também. Eu acho que existem outros caminhos, independente do underground ou do comercial. Porque eu conheço muitos artistas, muitos artistas, que não têm esses milhões de números e tal, só que vivem muito bem da sua arte. Fazem show, fazem mais show às vezes do que as pessoas que estão no hype.

tá ligado? e vivem muito bem constrói sua caminhada tem suas casas suas famílias bem alimentadas seus filhos estudando bem, vestindo bem comendo bem, fazem suas viagens então eu acho que o lance tá muito na isca que é jogada pra nós do que que é o ser bem sucedido na música, saca? e aí eu volto no qual é a sua pretensão é ficar rico?

tá ligado? porque na nossa época de crise, vou morrer tentando é tipo isso na nossa época, como você falou crise total, começamos numa época de crise da música, se a ideia fosse ficar rico, o rap seria a última coisa que a gente ia escolher, tá ligado? não era esse o bagulho

conforme for, com a duras penas com muito sacrifício, a gente conseguiu foi conseguindo conquistar a nossa verdade financeira. Quantos anos você tinha? Quando começou os bagulhos a acontecer, 18 pra 19 anos, né? 2006, você tinha quanto? É, 2006, pô peraí, você me fez, é, eu ia fazer 18 em 2006 17, então

Qual era o seu objetivo naquela época? Porque em algumas entrevistas, você fala isso, né? Que esse jeito de fazer, que vocês conseguiram bolar naquele período. Você disse, eu percebia que era uma coisa grande, que poderia virar grande. Então, qual que era a sua pretensão? Essa mesma orientação que você dá pros jovens, qual que era pra você naquele momento? Em quem você estava mirando? E por que você quis investir nessa cultura?

A pretensão é a mesma de hoje, por incrível que pareça. Fazer a música que eu amo e tentar levar pro máximo de pessoas possível. Eu sei que nem todo mundo vai gostar, mas tem uma coisa que alguns artistas na época já tinham, outras pessoas perderam, outras pessoas mantêm, que é uma postura de essa aqui é a minha música e foda-se.

Tipo assim, o que vão achar E eu acho que isso dá muita autenticidade pro som, tá ligado? E eu vou pegar essa música aqui Vou pôr debaixo do braço E vou rodar o mundo com isso aqui Vou fazer ela chegar nas pessoas Então a pretensão era essa Então a coisa era Falar

Hoje parece uma ideia Uma ideologia muito romântica Mas mano A gente tinha coisas pra falar A gente acreditava muito nas coisas que a gente tinha pra falar A gente tinha coisas pra fazer E acreditava muito nessas coisas que a gente tinha pra fazer Saca? A gente tem Ideias que a gente vai conseguir De repente vai conseguir mudar esse mercado Do rap do jeito que tá nesse momento

Que era o nosso mini mundo naquela época. Que já não era um mercado, já não era um lugar onde, por exemplo, o Racionais já não estava ali. Era esse cenário underground, né? A gente precisa sair dessa bolha. E foi o que a gente conseguiu fazer, né? Sem nenhum ego e sem nenhuma modéstia. Foi o que a gente conseguiu fazer. Vamos focar em fazer as melhores rimas que a gente puder, porque a gente acreditava muito nas coisas que a gente tinha pra dizer. Achar as melhores batidas que a gente puder.

juntar as duas coisas e tentar fazer os shows, nossos shows para o dinheiro voltar para a gente, fazer nossas camisetas para o dinheiro voltar para a gente, fazer nosso CD para o dinheiro voltar para a gente. Então a gente vem numa época que não se vendia mais CD, mas a gente vendeu 10 mil, 20 mil das nossas cópias que...

pra determinada época da indústria, é irrisório. Mas pra 2007, 2008, 2009, 2010, ninguém vendia isso mais. É, já não vendia mais. Já não vendia mais. A ponto de ver nossos discos na barraca. E quando nós vimos nossos discos na barraca, eu falo, mano, agora o bagulho tá... Agora chegamos.

Agora o bagulho tá chegando. Tá ligado? Então assim, a pretensão era muito essa. De se comunicar com as pessoas. A gente tropeçou, a gente caiu, a gente levantou, a gente se entendeu. A gente percebeu o que tava fazendo de errado e consertou. Ou a gente fez alguma coisa sem querer que deu certo. Falou, opa, esse sem querer aqui deu bom, vamos investir mais aqui. Mas muita coisa foi aprendida assim na prática. Hoje, pra ser bem sincero, eu vejo algumas pessoas agindo da forma como a gente agia.

ali por volta de entre 2006 e 2010 basicamente e as vezes eu sinto medo, tá, pelas pessoas e eu acho que isso é um reflexo, inclusive desse bagulho que eu falei, de que hoje a gente parece ter um padrão muito bem definido do que é o artista bem sucedido e eu talvez também caí nessa armadilha porque as vezes eu fico com medo das pessoas que estão fazendo as mesmas coisas que eu fiz só que quando a gente fez lá a gente fez, mergulhou de cabeça acreditando que ia dar certo, tipo e aí e aí

Você diz cometendo os mesmos erros? Ou não? Entendi errado. Não, tomando as mesmas atitudes. O que acontece? Por exemplo, quando eu volto de Minas pra cá, minha mãe ficou em Minas, aqui morava meu pai. E aí eu vim pra morar com meu pai, em tese, né? Falando pra minha mãe, não mãe, eu vou pra São Paulo trabalhar e tal. Eu queria trabalhar no rap. Eu queria trabalhar no rap, mas ela não ia compreender isso como um trabalho.

Morar com meu pai. Por acaso, acabei indo morar com a minha avó e tal, na época, tinha minha bisavó, então ajudava, era uma coisa meio útil ao agradável ali. Então ajudava a cuidar da minha bisavó e tal, e ajudava a minha avó ali no que era possível, mas o bagulho era o rap. Era o rap. E aí, de repente, minha avó resolve morar em Minas.

ir pra Minas também, eu falei, fudeu, eu fiquei no mundo, né? E agora? Eu não posso voltar pra Minas. Porque lá no meu bagulho não vai dar certo. Naquele momento não daria, hoje talvez daria. Mas naquela época não daria. E aí eu fui pedir asilo na casa do meu pai e infelizmente acabou não dando certo. Hoje daria certo. Chegou lá, né? Chegou, chegou lá, muito culpa de John. Queria até melhor.

Vida Mansa Talvez, não tenho certeza se seria melhor Mas eu acho que seria possível Vida Mansa é melhor Fazer o mesmo rap com qualidade de vida São Paulo tá o estresse total Então quando minha avó Tomou essa decisão E eu não consigo esse asilo na casa do meu coroa Eu tive que morar sozinho Aí eu voltei pra Zona Leste pra morar sozinho Com 19 E aí

Só que aí voltei na loucura, sem nada em casa, sem fogão, sem geladeira, sem trampo, sem nada. I need money, nigga. Tá ligado? I need money. Vamos fazer rap. É disso que eu quero falar com você. Vamos. Insistir nisso. É, e vamos, vai, o bagulho foi, vamos fazer rap. O bagulho era tão louco. E a nossa visão de... Pô, meus amigos, pô, o Rashid no recorte brabo. Você é louco.

Era uma fé tão inabalável, ao mesmo tempo inocente, mas eu sinto falta até dessa inocência. Tipo, que em determinado momento ela faz bem. Precisa ter a malícia, mas às vezes eu acho que a inocência faz a gente sonhar maior. A malícia, às vezes, ela faz a gente ficar muito pé atrás com tudo. E aí, a gente era tão inocente que uma vez eu arrumei um trampo, porque tava foda, tava morando sozinho, não tinha nada.

jantava na casa da minha tia, escolhia uma refeição pra fazer pra não ficar comendo lá todo dia, enchendo o saco dela. E ela me ajudou muito, tia Anice, um beijo. E aí eu arrumei um trampo. No dia que eu tava indo levar os documentos lá, avisei a Emicida, porque a gente já tinha na Humilde Crew. Falei, mano, vou arrumar o trampo. Ele falou, mano, mas se você for pro trampo agora, você não vai conseguir se dedicar a um bagulho que nós estamos fazendo e tal. Faz o seguinte, vem aqui que eu vou te arrumar um dinheiro pra você ficar mais uns dias e tal.

Daí eu fui lá pra ele me arrumar o dinheiro. Mas quanto é o dinheiro na época? Era cem reais, mano.

Só que é isso, a gente, tipo assim, mano, ele me deu esse dinheiro, anos depois ele falou, mano, era o único dinheiro que eu tinha naquela época que eu te dei pra você não ir pro bagulho e pra nós continuar fazendo, tá ligado? E é por causa desse tipo de coisa, desse tipo de fé, inocente de certa forma, mas desse tipo de fé inabalável, que nós tá aqui. Talvez por causa desses cem reais, o Rashid já aconteceu, nós fez uma música em 2016 e dez anos depois nós estamos aqui no podcast, saca? Num dos maiores podcasts do país.

isso é louco e dos mais relevantes com certeza absoluto também a gente tenta tenta bem e conseguem esse tipo de coisa e aí quando eu vejo uma molecada agindo

dessa forma, até talvez inconsequente, eu já cheguei a temer, falei, ah, não sei o que o pessoal tá fazendo, mas é exatamente o que a gente fez, tá ligado? Então, eu mesmo quase caí nessa armadilha de acreditar no que é o padrão do bem-sucedido hoje, saca? O que que é o padrão, você achava que era? Eu tô pra te perguntar isso aí, tem uma... Ah, do bem-sucedido? É, o artista bem-sucedido, o que que é isso?

Ah, mano, eu acho que o padrão é o imagético, né? Você abrir o Instagram ali, é o cara com um carrão, uma casona, um correntão, um dinheiro. Foto do disco. É, e você passa a achar que aquilo é... O videoclipe. O videoclipe. O videoclipe. É, o videoclipe. Só que quando o videoclipe vira...

O lifestyle, o estilo de vida. Mano, tá ligado o tio Sam? Não, o Mr. Sam. Ah, o Mr. Sam. É, ele era produtor argentino. Pode crer. Ele lançou o Black Junior, morou? Ele morreu agora há um mês atrás. Eu vi um entrevista, esse cara era mil grau. Mil grau. Ele lançou o Gretchen. Um marqueteiro brabo do...

Na época arcaica, né? Ele criou um argentino, se liga. Ele lançou Black Junior. É, tô ligado. Ele era DJ e pá. Ele falou um barato assim, que na época que eles vieram pro Brasil, o artista fazia show com a roupa da capa. Sim.

Que era a maneira de comunicar com o público. O cara ia com a roupa da capa. Falei, puta ideia, é foda. Hoje não. O cara faz a capa de dread e vai fazer show de cabeça raspada. Porque é outras ideias. Vai vendo as ideias, mano.

Mas isso é foda. Tem um bagulho do Milton Nascimento que ele fala que teve uma época quando ele usava aquele chapéu do maquinista, né? Aquele chapéuzinho de maquinista de trem. Falou que chegou uma época que o bagulho tava tão... Essa figura dele com o chapéu maquinista tava tão propagada pelo mundo, que ele chegou já a ver anúncio de show dele que só tinha o chapéuzinho e o nome dele escrito.

Meu Deus. Mano, vamos continuar nas ideias do bem-sucedido. Do bem-sucedido. Milton Nascimento é bem-sucedido. Bem-sucedido? Bem-sucedido. Outro padrão de bem-sucedido, tá ligado? E é esse bagulho que eu acho louco. E esse é o bagulho que mais me agrada, tá ligado? Esse lugar...

saca, do artista brasileiro aqui nesse caso falar do Milton, do Gil, dos caras é foda porque são entidades da música, né e comparar com o Milton Nascimento é sacanagem, né, exatamente então fica meio descabida é, eu sim mas assim, desculpa é esse lugar, tá ligado, de tipo assim mano

podem existir vários padrões de bem sucedido saca? mas é o que eu acho que a questão é a imagem tá ligado? então a gente foi pra um lugar que aí não é culpa nossa e eu tô falando nós enquanto sociedade, não é culpa nossa

Mas acho que as redes, de certa forma, levam a gente pra um lugar em que tudo fica um pouco padronizado. Não é à toa que a gente passou por aquela epidemia de harmonização facial. Parecia que o bagulho tava pegando na rua, igual Covid. Chegava no outro dia, a pessoa tava harmonizada. E as pessoas fazendo tudo isso pra ficar bem na câmera do celular, tá ligado? Era um bagulho pra ficar bem na câmera, porque a câmera tende a arredondar um pouco a sua cara, tende a fazer no seu... É, tem isso? Tem. Não sabia, não.

O pessoal começou a meio que moldar o rosto pra ficar bem na lente do celular. Entendeu? Então, olha... A câmera é angular, é angular. A câmera deixa redondo. Ela deixa levemente redondo, se tiver mais perto.

Puta, é, pode ser. É por isso que eu quero. Me achando pá naquela... Puta, descoleia agora, hein, Rashid. Essas ideias. Mas Rashid, nessa ideia toda que a gente tá tendo, o que você hoje, na sua caminhada, na sua trajetória, nesse momento, faz... O que faz você se sentir um cara de sucesso? O que hoje...

te traz a sensação de que você é um cara de sucesso e próspero. O que pra você traria esse símbolo? Colar no mano a mano, né? Então a partir de hoje você é o novo milionário da música. Assim seja. Amém. Se tiver desse jeito é assim que vai ser, porque tá louco, viu, Rachid? Vai lá, viu, parceiro.

Mas ó, o que me faz sentir É um respeito Que você conquista com os seus outros pares Da música, seus colegas da música Sim Às vezes receber uma mensagem do nosso monstro aqui Pô, e aquele som que nós fez lá, aquele som é bonito Tem uma música dessa Mas você trocar ideia Linda aquela música Girar nos lugares E não só o reconhecimento de fã O que é maravilhoso Eu amo quando as pessoas me trombam e tal Fala comigo Eu amo quando as pessoas me trombam

Mas o reconhecimento geral do seu trabalho. Você ficou lá no lugar, uma pessoa que você não esperava falar com você. Rashid, isso é uma parte. Voltar pra casa, ver minha família bem. Meu filho na escola, bem, aprendendo. Meu filho, pá, não sei o quê. Meu filho falando, eu sou o Rashidinho. Eu nunca falei isso pra ele, tá ligado? Ele tem quatro anos, nunca fiquei falando. Ele fala isso, então ele toma um bagulho que é incrível pra mim. Quando meu filho vai brincar de trabalhar.

Ele tá brincando de trabalho. Ele fala, vou trabalhar. Aí eu falo, vai trabalhar onde? Ele fala, vou cantar show. Aí, ó. Quantos anos tem seu filho, mano? Quatro anos agora. É, isso. Ou seja, olha a volta que a gente deu. Porque quanto tempo a gente demorou pra convencer as pessoas do que nós fazíamos era trabalho.

Mais uns 7, 8 aninhos, ele tá aí. E agora as crianças já têm a noção de que, tipo assim, esse é o trabalho do meu pai. Então essas coisas me colocam nesse espírito, esse estado de espírito de tipo assim, mano. Até as crianças sabem disso e vários não sabem.

Seu filho do Rashid, que é pequenininho, sabe isso. Como é que vocês não sabem? Tá ligado? E rap é trabalho. É fácil. Você acha certo trabalhar e não receber? Você acha certo trabalhar? Não, jamais. Tem cara que tá no rap há 45, 48, 50 anos. E não... Trabalhando pelo rap. Exatamente. E não teve o reconhecimento. Não tô falando de cara que grava disco, não. Cara que nunca gravou nada. Tá aí. Tá lutando. Luta ainda. Sonha ainda. Pode crer. Que tipo de injustiça se faz pra um cara desse?

Não, agora você lançou uma... Lançou a Braba. O desafio. Ah, mas aí é onde a gente falha enquanto sociedade... Tem que ter dinheiro no bagulho. Pode crer. Pra fazer justiça com o quê? Eu vou falar um palavrão. Qual que são as regras do jogo? Pra fazer justiça com o quê? Com perreco? Pra fazer um busto de bronze do cara? Depois que morrer? Pagar conta com o quê, meus parceiros? Ah. Precisa voltar, né? Estimativa de vida de 70 é quanto que o brasileiro tem hoje?

Vai viver nessa há mais quantos anos, bonito? Acreditando nessas ideias furadas. Pode crer. Não existe. Agora, o importante é ter saúde, viu, parceiro? Morou? Não é por isso que também no corre do dinheiro, no corre do vil metal, você se deteriorar, se entregar. É o contrário. Sim. É usar o que você conquistou pra você se fortalecer. Melhorar, né? E fortalecer seu entorno. Pra melhorar de verdade. Fortalecer seu entorno. Sem querer voltar muito lá, mas a gente vai pra esse lugar onde...

o material passa a ser o principal objetivo, inclusive, da música. Onde já foi o futebol, hoje os moleques falam, quero ser MC, tá ligado? Quero ser trapper, quero ser... Porque a música passou essa porta de saída de uma determinada condição, tá ligado? Só que quando o material vira esse primeiro lugar, mano, é falado porque a gente começa a comprar outras brigas também, inclusive com nós mesmo. E quando você desperta essa consciência de, peraí, mano, o dinheiro tem que chegar...

Mas tem que ser pra outras coisas também. Pra sua saúde, pra você se fazer, pra você se sentir bem, tá ligado? Pra você investir e tal, pra sua família, seu pessoal. Tá se alimentando direito também ou tá só comendo besteira? Porque tem uma época que a gente tava assim, junkiezão. Porque, mano, a gente começou a se vingar, começou a ganhar um pouco de dinheiro. Você começa a se vingar do seu passado. Eu não comia isso, agora eu vou comer 10. Arrodo. Eu não vou viver essa fase. Eu vou ter 10. Só que aí você começa a fazer mal pra você mesmo, porque é uma pá de besteira, né? Gorda pra caralho. Ai, gordo pra caralho.

Aí tem que colocar o trem no trilho de novo. E essa fase aí, então as fotos menos estão irreconhecíveis. E aí você precisa voltar pra esse lugar. Então você tem que entender de que, mano, a gente precisa, a gente precisa ir buscar esse dinheiro aí pra viver, pra fazer as coisas direito, inclusive pra realizar nossos projetos, tá ligado? Até pra ter a liberdade de falar que não quer dinheiro, talvez você precise de algum dinheiro. A gente precisa olhar pra gente também, tá ligado? Uma coisa mais sábia do mundo.

Esses caras que não estão preocupados com dinheiro, é porque eles têm dinheiro intocado. Vários deles, é, mano. Vários deles. O cara que não tem, ele sabe o quanto é o 20 reais de manhã, quando não tem. Pode crer. Pode crer. Sabe o que é o cara que ignora isso? É o cara que está com o dinheiro intocado. Nunca pode faltar a sensibilidade de entender...

o pensamento de quem passou necessidade, mano, tá ligado? De quem ficou sem comer, tá ligado? De quem não tinha roupa, não tinha tênis, entendeu? E é preciso compreender essa realidade antes de querer escalar uma conversa pra um outro lugar. Porque, mano, é isso, o capitalismo é um bagulho...

em si é uma é terrível a aplicação e a premissa do capitalismo é uma máquina de moer gente, de moer pobre, de moer preto saca? mas antes de você de repente querer empurrar essa coisa na cabeça das pessoas é preciso compreender, a gente tá falando com pessoas aqui que mano, não tiveram nada tá ligado? e de repente essas ideias já tão vindo de pessoas que vieram de outro ambiente de vivência tiveram tempo pra pensar tá ligado?

e tiveram inclusive o privilégio de ter tempo muitas vezes, que o ter tempo também é um privilégio tá ligado? no lugar de onde a gente vem, ter tempo é um privilégio então é preciso ter uma sensibilidade maior mas eu acho que

a gente vive no tempo dos extremos também, tá ligado? Ninguém quer dar tempo pra ninguém, mas quer cobrar. Eu percebo isso e eu acho que... Eu tô pulando aqui, você tava nas ideias aí, eu tô pulando nessa bala. Eu tô indo na mesma ideia, tô contínuo. Mas porque eu também acho que precisa ter uma sensibilidade, mano, pra nós trocar umas ideias, saca? Porque às vezes a gente tá cobrando de pessoas coisas que a gente aprendeu lendo...

10, 20, 30 livros. E a gente tá cobrando das pessoas que não tiveram acesso ao ABC que elas tenham essa mesma ideia que nós, essa mesma postura que a gente, tá ligado? Então acho que tem que haver uma certa sensibilidade, porque senão, em vez da pessoa pular na bala com você, entrar no meio do barco, você vai afastar a pessoa, falar, vixi, mano, as ideias desse maluco. Por exemplo, o que seria ser corrupto?

Na música. Corrupto na música? É. Vixe. Mas como seria o Rashid corrupto? Vamos fazer um metaverso. Corrupto na música. É o Rashid corrupto. Fale o quê? Sabe pra mim o bagulho que pra mim é uma das maiores corrupções na música? A pessoa que compra play. Esse assunto é atual. Eu não sou o maior entendedor. Quem me explica tudo isso é a minha patroa, Dani Rodrigues. Ela que manja do bagulho de verdade. Tem uma ideia pra nós dois. Fala aí, mano. Vamos mudar de profissão. Caralho.

Porra, Brahma, eu gosto demais desse bagulho, mano. Pô, pro mundo é empeiteira, de fazer construção civil, mano. Aí é um ramo, hein? É o ramo. É um ramo. Mas tem tradição nisso, cara. O dinheiro é o mesmo, malandro. Sem o acesso do Zé Polvinhada. É.

Você acha? Mas tem seus B.O. também, hein? Pô, eu vejo meu primo. Não, tem B.O. Eu vejo meu primo. Ele é mecânico. Ele tem o horário dele. Ele trabalha, ele volta. Ele almoça na casa dele. Ele é minha esposa dele. Ele vai, trabalha. Ele volta à noite. Esses caras são felizes, pô. Isso é das fortes emoções do mundo artístico. Tô bem louco. Tô bem louco.

Eu fico imaginando, tipo assim, mano, se não é, pá, só fosse trampar, né, mano, tá ligado? CLTzão da vida, porque realmente... Você consegue se imaginar sem a emoção do show? A gente vive um realismo fantástico, né? Tem que ter sempre um grande evento, um grande evento pra tomar um café, tá ligado?

A mãe dos meus filhos que falava, porra, artista tá pra trocar um chuveiro que é plateia, né? É louco. Tem muito de verdade. Isso tá me cansando. Lógico que tem, lógico que tem. Tá cansado, tô cansado. Adrenalina no negócio. Falta de adrenalina. É. Adrenalina era lá em 97. Tá. Pode crer.

Agora é pragmatismo Pragmatismo, de fato É o que tem sido, não? É o modo desoperante, né? Não, não, quem tiver emocional Bagunçado não chega, irmão Aí eu sou obrigado a dar o conselho do irmão Lá vai fazer terapia, eu não vou, mas eu falo Pode ir Emocional bagunçado

Mas tem como, porque é isso. Então, eu acho que você junta esses fatores que a gente está falando aqui de como o bagulho da indústria trabalha, de como a imagem do que é ser bem sucedido atua na nossa cabeça. Final do dia, mano, final do dia é você olhando lá, pensando, caralho, está todo mundo bem.

Eu tô aqui tentando fazer mais um bagulho. É dessa forma que o bagulho joga contra nós. Entendi. Essa é a minha visão. Por isso que eu sou muito bom em me afastar do celular mesmo, assim. Não ficar olhando muito os bagulhos. Você fica longe. O cara bem sucedido. Eu fico longe. E eu acho que você se sentir livre assim, tipo... Não vou ficar olhando os bagulhos, não.

Eu acho que isso também já é um lugar do... Porque eu estou... Como posso dizer? Estou seguro do que eu sou. E isso é um sinal de se sentir bem sucedido também. Tipo assim, mano, não vou ficar olhando. Vou colocar um limite. Na verdade, tem cara bem sucedido por aí, com pouco dinheiro. Lógico que tem, mano. É contraditório mesmo. É contraditório. O dinheiro não é tudo isso. Mas realmente, deixar o dinheiro pros caras, eu não acho certo. Os caras escravizou os nossos, mano. Não é certo, não é certo. Não é certo. Nós não podemos ser covarde a esse ponto. Nós não podemos ser... Nós não podemos ser covarde a esse ponto.

Não tô dizendo que o dinheiro tá vindo de Riviria, não. Falou, rapaz, é de tudo aqui, é progresso, é sonho, é plano, falou? Não vai pôr o olho gordo em nós antes do tempo também, não. Calma aí. Trabalho pra caramba. Vai pôr o olho gordo antes. Nossa senhora. Nós estamos falando assim, de projeto de vida, ganhar dinheiro mesmo e fazer girar, morô?

O coreano faz assim, o judeu faz assim, o japonês faz assim, o árabe faz assim, o italiano faz assim, o nordestino faz assim e o preto tem que aprender a fazer assim. E é isso, mano, e poucas. E pega o recorte, esse recorte é pesadão. Pesadíssimo. O pessoal do recorte aí, vocês que só faz isso. Morou? Tem vários, a gente chega lá e chega pra mim. É sobre isso, mano. O rap é isso.

Na Plata não recuperada, nós estamos ficando o famoso bate-fofo, morô? Pode crer. Amaciado pelos políticos. Você acha? Pode ir pra... Estão perdendo aquele instinto selvagem nosso. Faz sentido. Que os nossos pais tinham. Ah. E não se dobravam pra ninguém. Isso é necessário, hein? Morô, mano. Esse instinto selvagem é uma boa forma de definir isso um pouco, porque, mano, é...

Você não acha que os moleques têm isso? Eu acho que alguns têm, outros não. Acho que alguns têm. Eu acho que os que têm, eles... Não quer dizer que todos esses são os que vão dar certo, mas acho que os que têm, a gente sente também, até na forma como cantam, como se portam. Como a gente sabe o que vai dar certo? Ah, também é complicado. Difícil prever. Difícil prever. Eu já vivi um pouquinho, eu vi...

Eu já vivi surpresas. Até porque o que é o dar certo, né? É, aí sim. Tem vários filósofos. Tem muitos dar certo, que deu certo cinco anos. Olha o recorte lá, ele. Vamos mudar o verbo.

O que é ser bem sucedido? Funcionou cinco anos. É lá ele. O que é ser bem sucedido? Porque os caras se vendeu, se vendeu. Se vendeu o quê? Se vendeu pra quem? Cadê a nota oficial? Vamos ver o que tem pra vender. Vamos colocar na prateleira. O que tem pra vender? O que é vendável e o que é vendível?

Pode crer. E o que que é Vin Diesel? O que que eu vim disso? Eu pensei na minha... Eu pensei na minha... Eu falei, eu não vou fazer. O que que é vendável e o que que não é? O que que é vendável às seis horas da tarde no horário que tá todo mundo chegando em casa, às sete e meia, depois do Trump, seis e quarenta? Programa policial.

Tragédia da vida alheia. Tragédia, ah. Lá longe da nossa, de preferência, né? Justifica nossas dores, ver o outro sofrer. Sim. Então você vê a pessoa sofrer, todo mundo vai assistir aquilo. Com pesar, cristão. Sem mover uma palha pra que nada mude. Ah. É. E amanhã será um novo dia. Cada um no seu mundo. Tudo igual. A tragédia do mundo do outro, né? Esse é o jeito brasileiro de ser. Brasil Way of Life. Moleque bem sucedido.

Bom, ele tem uma namorada bonita, segundo os olhos dele, certo? Ele acorda de manhã, ele faz quatro ovos, um suco de laranja, quanto custa isso? Um pouco, como eu tenho, um café preto, tiver alergia à lactose. Aí ele vai esperar uma hora, vai descer pro treino. Isso, vamos dizer assim, se ele tiver desempregado, certo? Desempregado, o cara que tá vivendo a vida ruim.

Desempregado. Certo. Vai pagar um treino. Ele vai voltar, vai pagar uma doxa, vai beber a negra dele. Fazer higiene, escovar os dentes, ficar legal, beijar a briga dele. Ele vai ser um cara feliz. Quando der seis horas, ele vai fazer o mesmo ritual. Ele vai jantar, ele vai tomar banho dele, pôr a roupa, lavar a negra dele. E é um cara bem sucedido. Vai ficar suave. Vai fazer tudo que tem que fazer, vai ser feliz. Vai jogar uma bola com a rapaziada.

tá ligado? tudo com pouco dinheiro e solidariedade e esperteza não precisa de muito dinheiro não precisa na verdade não precisa de algum quando se fala em ganhar dinheiro, não se fala em Ferrari Vermelha tem um castelo no universo do rap da Ferrari, dos carros, do clipe do 50 Cent que eles acham quando eu ouvi o Brau falar é sobre aquilo que eu tô falando vocês tem que parar de brisar em clipe americano irmão

Nós estamos falando da realidade brasileira. O que o dinheiro compra aqui? Você acha que eu vou andar de porte no carro? De quê, tio?

Ele não precisa. Mano, sabe que uma peça de uma porta quando quebra? Um pneu desses bagulhos? Eu tenho um carro caro lá, tô mandando embora. É, porque os bagulhos é caro. Não, caro. Eu tirei essa onda. Moleque pobre. Moleque pobre quer conhecer as coisas. Conheci. Não é tudo isso. Se vingar de si mesmo, né? Gastar tudo que tem num carro importado. É isso que ele tá fazendo. Justiça com as próprias mãos. Se vingando. Mas não vou dizer que é ruim também, não. Você provar e saber daquilo. Ah, não quero mais, mano. Se você tiver condição, bem, não tivesse. Se você é um cara que vive essa vida que eu te falei, essa vida mais simples.

pra você e a sua namorada, a sua mãezinha, tudo com pouco dinheiro ali, aí sua vida vai melhorar, você vai arrumar um trampo, vai melhorar, corre atrás, mano, tem que procurar o trampo. Tem um bagulho do bem-estar, do emocional no lugar, que é uma coisa que...

a gente quase que abriu mão essa nossa ideia, às vezes, de quem é que tá bem, né? Afinal de contas. Quem tá bem, essa porra. Vamos seguir. Só que aí a gente normalizou isso no lugar, também, que é foda. E aí a pessoa que tá bem, simplesmente por ela estar bem, muitas vezes a gente já vê essa pessoa, pô, essa pessoa...

tá da hora, esse aqui deu certo na vida, porque a pessoa ela exala esse bagulho que tá bem, que às vezes a gente não reconhece isso mais o que que é essa energia da pessoa que tá suave emocionalmente tá ligado, tá tranquila na vida tá bem com o que tem e tal, e é o que o Bra falou, não estamos falando de nem de Ferrari vermelha, mas também não estamos falando da pessoa que se contenta e ficar tranquilão lá na quebrada, não, estamos falando de alguém que tá feliz com o que tem, pra ela aquilo ali é o que vale e

Será que a gente tá falando de se sentir… Desculpa, te cortei. Se sentir satisfeito. É satisfação pessoal. Porque parece que a gente entrou numa onda de… Mas não virou um item. De estar sempre em busca de uma parada que a gente ainda não tem. O videoclipe do Fifty também.

É, e aí parece que a gente nunca tá satisfeito. Porque, tipo, você pode não ter tudo que tem no clipe do Fifth. Mas você tá conseguindo manter suas contas em ordem. A comida tá entrando em casa. Tá conseguindo… Só que até o dia… A gente perdeu um pouco a noção do que é tá…

Só que até o direito da pessoa Às vezes a pessoa tem tudo isso Mas ela não tá satisfeita Porque ela tá olhando lá um bagulho Mas eu não tenho Tal coisa que eu precisava ter Por que o Alshir pode? E o Rashid E agora eu não tenho

Mas tem um bagulho que é louco, né? Porque tem aquele malandro, filósofo coreano, Bill Shuhan, né? Aquele livro dele, Sociedade do Cansaço. Que ele lança uma ideia que é muito brava. Que nem é dele, na real. Ele tá citando, não sei se é o Foucault, que ele fala que a gente foi até, sei lá, anos 80, como uma sociedade disciplinar.

Que era o quê? Indústria, escola, igreja, era sociedade disciplinar. Então a gente era... Civilização. Educado pra ter postura, pra seguir horário. Civilizar, civilizar. E a partir desse momento, a gente entra no que a gente vive hoje, que seria a sociedade da performance, tá ligado?

Que aí o bagulho entra a coisa da produtividade, porque você precisa produzir mais, você precisa fazer mais. Você tem que performar aqui também. Você não pode ficar parado. A voz é arrebentar no raio. Performar. A sociedade dá performance. Você tem que fazer mais. Fases de efeito, piadas no momento certo. Tudo tem tudo aqui no Mana, mano. Tudo certo, tudo, tudo, mano. Criar os cortes que a gente quer.

autonomia sob os cortes e aí a gente entra nesse lugar onde todo mundo tá performando e você precisa mostrar que você faz mais não, porque eu faço tal coisa então a gente vai pra esse lugar que tem a ver com o bagulho da saúde hoje em dia também ser uma

ser um, vamos dizer, uma tendência, né? Que é o lugar da, tipo, academia, essas coisas, produtividade no trampo, empreendedorismo, nesse sentido, meio coach da coisa, de que eu faço mais, eu tenho empresa do que eu empreendo de tal jeito, eu faço... A gente vai pra esse lugar da performance, porque nós temos que ser altamente produtivo o tempo inteiro. E isso tira essa coisa da gente se sentir satisfeito em algum momento. O Belcão, tu, a...

Ode ao vagabundo, né? A coisa da... Você vê o café da manhã, né? Com as ideias todas. Lugar do... Até de uma auto-humilhação, assim, né, mano? Tipo assim, eu vivi isso em algum lugar. Eu acho que...

A gente é privilegiado, entre muitas aspas, mas por ter a arte do nosso lado também. Porque as pessoas, muitas delas passam, a maioria delas passa por isso, não tem nem onde despejar isso tudo. A gente ainda tem a arte pra despejar. É, pô, a sua geração foi felizarda nessa parte aí. A minha foi também em outras situações. Eu imagino esse porra, a gente tinha 16 anos, o rap tava acontecendo, ele tava lá, os moleques novos sonhando com aquilo. Com 16 anos, deve ter sido lindo, mano, mano.

Na minha época com 16 não tinha o rap ainda. A gente curtia o baile na mesma intensidade e na mesma fé. Sem sonhos profissionais, né? Não tinha, né? Mas imagina, pô, eu com 16 com rap já com racionais por aí, dos caras tudo aí, ia ser mil grau. Ou tá sonho louco. Eu tento me pôr na mente do moleque hoje. O cara vê o brau lá na quebrada de BMW branca.

O cara é o bagulho e vira. E o Brau tá ali, é de verdade mesmo. O Brau tá ali na favela, ali é o Brau mesmo, é o Brau mesmo. Então é de verdade, é de verdade. É verdade, lógico. E faz diferença. Porque a pessoa tem pra onde olhar, né, mano? Eu nem imagino na época ali. Agora eu já subi aquele morro ali de a pé e foi quando eu resolvi comprar carro. Aquele morrinho ali, né? Inclusive, eu até falei pros caras, tinha que ter uma rede de mototáxi na pastia lá, porque tá cruel, mano.

O morro é íngreme. Então toda a ideia do carro veio dali. Da necessidade de locomoção. Porque o morro era íngreme. E chegava a talzada na madrugada e era foda. É subir lá, hein? É, só quem é sabe o que acontece. Só quem é de lá. Então, na subida do morro é diferente. Aquelas ideias. Só quem é tá ligado. Então por isso que hoje a gente anda de BMW. E sobe o morro como?

Aquele jeitão. Sem se esconder de ninguém, que nós não precisamos. Bravo, mano. Certo? Porque a verdade é acima de tudo, mano. É isso. Eu já subi aquilo lá de um Fiat de 14 cores. Vocês falando da sua história, eu falei, pô, o cara com 16 anos, com esse mundo acontecendo, na cabeça de um moleque, é mil grau. É muito... Não tem como não sonhar. Não tem como não acreditar. Não acreditar que o babu vira. Porque dá, exatamente. É tangível. Tem uma pessoa lá já, mano. É ele mesmo.

Ele é chatão, mas é ele. É ele, é verdade, é ele mesmo. É louco, porque isso, aos 16 anos, mano...

16 anos. Assim, eu tenho uma cena na cabeça que eu lembro dessa cena de vez em quando. A primeira vez que eu fui pra gringa, pisei em Nova York, Times Square, lembrei dessa cena. A gente tem essas coisas, ficar revisitando o passado. E aí eu me lembro, mano, acho que eram uns 16 anos exatamente, porque foi antes de voltar pra São Paulo. Eu na estrada de terra lá em Minas, chinelo com prego, estrada de terra, pegando lenha pra cozinhar no fogão.

E eu ouvi um som assim no disque no Walkman, né? De fita. Qual? Walkman. E aí o Walkmanzinho tinha que segurar o botão do play pra ele não parar, né? Tinha que andar com ele na mão aqui, ó, segurando o bagulho aqui pra é... Pra ele funcionar. Mano... O cara é rapper, meu irmão. Tá ligado? É muito na minha mente. Eu ouvi no som dos caras, tá ligado? Qual os caras? Ouvindo vocês, aí Kamal, aí mistura parte 1, aí depois vem, porque eu sempre... Vem a ver?

Tem. Você como ouvinte, tem a ver racional de parte 1 e Camal? Pra mim tem. Onde conecta? Pra mim tem a ver primeiro na diáspora, né? Não, aí não vale, aí não vale. Todo mundo é preto, não pode. Ah, ele foi bom. Você gostou, né? O primeiro vai na chuva.

o primeiro guarda-chuva, mas pra mim onde conecta é que tipo, são pensamentos diferentes, mano vamos colocar entre aspas, a mesma cultura não é exatamente a mesma, porque cada um vem do lugar da diáspora, mas são universos diferentes então assim, o que vocês do hip hop também e o que o Racionais cantava era o que eu vivia e o que eu via é o que eu via

E os caras mais velhos que nós já olhávamos, os caras que já tinham os bagulhos, que já tinham os carros também, já falavam os bagulhos, já tava com as gírias avançadas que nós moleque, tava tentando copiar. E aí o parte 1, o Kamal, os caras, eles chegam com essa outra camada, tipo...

não é poética exatamente porque tudo já era poético mas é uma coisa de técnica talvez técnica consciente, falando sobre técnica que era técnica, porque pra mim por exemplo, pra mim você sempre foi muito um cara técnico na rima você acha isso? eu acho por quê?

Só que, porque, pela forma como você evolui De um disco pro outro A sua trajetória inteira Ah, contra os caras, acha que eu piorei, falou Ah, não, aí eu tenho que discordar Aí eu tenho que discordar Ah, é uma pá deles Não, porque você Vindo os primeiros trampos do Racionais Aí quando chega ali em Sobrevivendo no Inferno E que eu sei que você tem só as ressalvas Mas aquele brau ali que já chega um brau que você fala Caramba

Tem memórias excelentes, lindas também E ali tem um Brau que me lembra muito MC de Batalha Eu sei que Batalha tem nada a ver com o seu universo Mas o Brau do... Minha intenção é ruim, esvazia o lugar Isso pra mim é um MC de Batalha E aí o Brau Esse salto sobrevivendo no inferno Nada como um dia após outro dia Aí é tipo assim, mano, o que aconteceu, cara? É tipo assim, vocês cataram O Brau que era mais O maluco E aí

tava lá no fundão da Sul injetaram, sei lá, mano Jorge Amado e Shakespeare na cabeça do cara Bob Malley, ele saiu desse jeito sabe o que me inspirou naquele disco sobrevendo no inferno? Crise em cima de crise crise no rap, crise no mundo crise no Brasil, crise na minha quebrada pode crer crise na minha família sabe o que é louco? enquanto artista e fã, quando eu ouço as músicas urna

Às vezes eu visualizo como se eu tivesse escrito Então eu meio que penso assim Ele tava sentindo tal bagulho nesse dia Tá ligado? Às vezes eu ouço um som falando Mano, aquele tava falando de medo As pessoas não sabem, tava com medo Não necessariamente especificamente de racionalidade

o cara tava com medo, medo do bagulho dar errado amanhã, de perder tudo que ele construiu, aqui o cara tava sabe, as vezes a gente se coloca nesse lugar porque você tem os dois lados, o fã e o criador também ali, sabe isso pra mim é interessante mas

Só falando, então pra mim tem muita relação, mano o trampo de vocês com o trampo dos caras assim como pra mim tem muita relação com o trampo do Gil por exemplo, como tem muita relação Gilberto Gil, no caso assim como tem muita relação sei lá pra onde eu posso ir, Cartola tá ligado? porque

São todas formas de relatar uma vida, tá ligado? E uma vida simples, uma vida que é sofrida, mas uma vida que enxerga nas janelas algumas oportunidades, seja uma oportunidade de sair disso e melhorar, saca? Ou seja uma oportunidade de conquistar alguém ali, se você for falar das músicas de amor do Cartola, ou de como ele relata a...

A vida no morro com tamanha singeleza, assim. E uma coisa que tem uma energia, saca? Naquela música ali. Então, pra mim, tá tudo conectado, mano. Eu sempre vi da mesma forma, assim. Eu vejo, olho, cartola. Pra mim, é o cara que...

Se ele fizesse rap, não seria nada estranho, saca? Porque a forma de comunicar, mano, o universo e os lugares que a gente vem, no final do dia é a mesma coisa, tá ligado? Muda a linguagem, muda a técnica, muda o instrumento, muda o arranjo. Mas no final do dia, mano, se você colocar texto, as letras de todo mundo, as suas, as do Camal, as do Partiu, as do Cartola, as do Gil, as do Bob Marley, as do Fela Kut, você é só colocar os textos, mano, e fala, lê aí, tá ligado?

Você colocou eu no meio desses monstros aí? Se eu não colocar, tá maluco. Tipo a calçada lá do bar do Bohemio, você conhece o bar do Bohemio, lá do Nelson Gonçalves? Não, não. Tem um mural só com...

com foto de personalidade brasileira, é a coisa mais linda do mundo. É meio uma festa no céu, assim, também. Mas é lindo, mano. Aí você falou esses nomes aí, e eu no meio, eu falei, ô meu Deus. Ah, tio. Mas é o lugar onde a gente te coloca. Tipo, eu não tô aqui pra ficar falando... Eu nem acredito, eu nem acredito. Porque é mesmo, né, Rashi? São fatos, né? Porra.

São fatos, isso é louco. Obrigado. Tem uma importância, tem uma riqueza, né? Tem. Pra música brasileira, tem um valor, mano. É um milagre mesmo, obrigado. É, não, é o que você fala, e é louco ver você falando, porque quando a gente olha, eu daqui desse lado, eu falo assim, mano, existe uma música brasileira antes e depois de Racionais, e se você tira o Racionais da música brasileira, você tem noção do tamanho do buraco que fica ali nesse lugar, tá ligado? Racionais é pesadão, mano.

Racionais é pesadão. Eu tenho que admitir. É, lógico. Eu protejo o Racionais, senão eu protejo o meu filho. Eu nem elogio muito pra não gorar. Pode par. E pra não dar quebranto. Deixa que nós elogia pra você. Pra não dar quebranto. Eu mesmo nem elogio meus filhos pra não dar quebranto. Não sou desse. E o Racionais, muito menos. Realmente, você vai falar Racionais é isso. Não sou. Mas Racionais é pesadão. No mínimo. Falou? Pode par. No mínimo. No mínimo. Então, tá do lado desses monstros aí porque são...

pessoa preocupada com com o que tá falando e com como tão falando também porque também tem esse esse fator aí que é o que muito me chama atenção também, quando você tá preocupado em como você vai falar a poesia, tem um valor do caralho, mano você tá no Brasil assim, é uma terra

de canetas incríveis, assim, de escritores e compositores e letristas absurdos, assim, é uma coisa muito rica então, esse é um norte pra mim, sinceramente tipo, ah, Rashid e o futuro? Onde você gostaria de ser visto? Pra mim, esse é um norte, mano tipo, esse lugar de letristas da música brasileira pessoas que têm esse primor é o meu maior objeto de estudo da vida, assim, mano e aí

Eu tava falando aqui antes da gente começar do quanto a sua caneta é linda, assim. Essas composições são muito lindas. Obrigado. E eu gostaria de ouvir vocês dois trocando sobre esse lance da composição. Essa semana eu vi também nas redes sociais, Brau, um cara falando. Eu queria muito ouvir o Mano Brau falando sobre composição. Eu piro em ouvir ele sobre isso. Sobre composição.

Trocando esses cinco anos com o MB, eu também percebo esse esmero que ele tem com a palavra, sabe? E dá pra sentir nas suas composições como você pensa milimetricamente nas palavras. E também dá pra sentir isso nas composições do MB. Com certeza. Como ele pensa milimetricamente na palavra. Como é a relação de palavra, com a palavra mesmo que vocês têm, de polir a palavra, sabe? De cortar a palavra. A funilaria, né? A cirúrgica, como sempre.

Ela saca sempre uma jogada diferente. Ela é o 10. Por isso que é o 10. Pergunta com o compositor. Adora falar, você tá ligado? Adoro. Mas ninguém pergunta, né? E eu adoro mesmo. Por favor, fala um pouquinho, MB. Ponto para semaiar. No último episódio, né? Eu disse que lembra um ponto. Não, você tá lembrando um ponto, não. Certo. Tem mais ponto guardado é você, semaiar. Você é um sucesso. Obrigada, MB. Muito bom. A compensação, MB é polêmico.

De jeito nenhum. Você é polêmico porque você é um sucesso. Obrigado. Semaiar, muito boa a sua pergunta. Pode falar você. A relação com a palavra, mano, ela é uma relação... Deixa eu achar uma palavra pra falar. Porque é uma relação complexa, né? Às vezes é quase um...

É um relacionamento meio tóxico, às vezes, porque você fica ali preso naquele bagulho sem romantizar relacionamento tóxico, pelo amor de Deus. É, hoje a gente tem que estar explicando as coisas, porque tá perigoso. Mas é porque aquilo, porque não sai, né? Você não consegue desistir, largar aquele caderno, aquele bloco, enquanto você não termina. Aí você passa ali 4, 6, 8, 12 horas sem levantar pra comer, as pessoas falam, você não sente fome? Mas não, porque você tá...

O famoso estado de flow, né? Você entra naquele lugar ali e você não consegue sair enquanto não termina. E pra mim, eu já fiz música que começou por causa de uma palavra. Por causa dessa palavra, você cria as primeiras rimas que vão se tornar uma música. Eu tenho esse apreço. E aí eu vou nos caras... Hoje eu tava lembrando do...

do livro do... Tem um livro que é um livro sobre as composições do Gilberto Gil, né? Todas as letras. Mas tem uma edição de 97, eu sei que tem um novo aí. Tem uma edição de 97, acho que é o Carlos Renó que fez a organização, juntou e tem umas explicações do Gil sobre umas letras assim. E ele é um cara que eu falo assim, mano, esse maluco é um absurdo. Sobrenatural. Sobrenatural. E aí ele fala que aquela música dele, a Refazenda, ele fez só por um exercício de rima.

Eu não tinha inteligência suficiente. Eu ato, nós também somos do mato como o pato e o leão. Você fala, mano, olha esse maluco. Tipo, tá ligado? É você catar as coisas muito simples, mas você fala de uma forma...

Que você faz a pessoa mergulhar como você, entrar na sua brisa, você dá a mão e leva, dá três voltas pra vir pro mesmo lugar, assim. É absurdo, mano. Como é que a rima acaba te atrapalhando? Não, que isso. Essa da refazenda, aquele que fala, pô, abacateiro, abacateiro, acataremos teu ato, nós também somos do mato, como o pato e o leão.

E na refazenda ele só vai fazendo linhas assim. E ele falou, não, era só um exercício de rima, não queria falar nada, não. Ou seja... Aguardaremos, brincaremos no regato até que nos tragam frutos. Teu amor, teu coração. Abacateiro, sabes ao que estou me referindo, porque todo tamarindo tem.

mano, o bicho é pra quem gosta de técnica, né os caras que fazem os vídeos falando de técnica é um monte de rima interna multisilábica, sei lá o que esses termos tudo maluco aí então, esse tipo de lugar é onde eu briso, Brown qual que é a mais complexa que você tem nesse pique que você tá falando mais complexa? tem uma nova que

ainda nem lancei ainda, mas tem um verso dela que eu... mas é que eu tô um pouco falando de mim, né? Que eu falo... Essa é tipo Messi no Prime, começo do carne, fera tipo Farrell, vai lá naquela do Simon, é quando mistura Spine, Trutitec Nine, Sputnik Heavy Body, Tromba Santo Diamond novo contrato pro pai, né? No DocuSign açougueira do Freestyle, Guerreiro Diamond, nesse flow que é puro Diamond, nascer na slime, Diamond é força de Diamond é força de Lion pra não virar Jam, nem eu decorei ainda. É difícil.

Porra, mas tá difícil, tá lindo. Isso aí tem 10 camadas de rap em cima do outro, né? Tem que ouvir bastante mesmo. Mas não é louco? Não é louco quando você faz assim? Ali, afinado neguinho ali, aquela sua ali. Quando começa, mano, você fala... Essa aí é como é que é mesmo? Como é que você começa ela... Eu já lembro do... Tem os versos, lembrei. São Paulo, Brasil. Eu lembrei que...

Aí, sabe onde eu tava? Eu tava dentro do estúdio, lá em Nova York. Eu não tinha esse rap escrito. Você escreveu ali? Correndo em dólar. Gastando dinheiro do Racionais, boludo. Deu a dois em dólar. E eu comecei a ligar na Quebrada e pegar e conversar com os caras. E pegar e trocar ideia. E eu falei, mano, eu tô fazendo um rap da Quebrada, mano. Foda. Deu saudade, comecei a ligar e falar, mano, eu tô fazendo um rap falando da Quebrada. É mesmo? Como é que chama? Cores e Valores. Tava no Brooklyn.

No Brooklyn ainda. A neguinha que é o Emerson, né? Emerson. Que é pai do Gustavo, que é o dono da loja da Fundão hoje. Gustavo é meu parceiro. O filho dele é meu parceiro hoje. A volta que o mundo dá, né? Tem uma história bem louca que eu sempre falo pras pessoas.

Que é a primeira vez que eu ouvi Mente do Vilão, por exemplo. Que eu me emocionei. E os caras, mano, tipo assim, olhando pra minha cara. A música pesada de ladrão. Por causa de quê? Por causa da técnica, mano. O jeito que você rima ali. Qualquer parte você mais gosta. Não é só a técnica, né? Mas é...

É tipo assim, é quando Como eu falei, é o que você tá falando Misturado com como você tá falando E no princípio era trevas No início do início, o cego leva uma leva Um passo do precipício Não de som nem de eva Já rimou lá de novo, louco de solidão No princípio era trevas, mal confor Lampião, lâmpadas para os pés Negos do 2010, fã de Múmia Bujamal, Osama, Saddam Talibã, Iraque, Vietnã Contra os boy, contra o goi, contra Os clãs, o Japão De pol...

Eu falei, caralho Quem é que canta esse bagulho aí? Porra E esse cara aí? Eu tava lá na minha casa, na Zona Leste Todo fodido A casa toda mofada Que eu tava sozinho lá E tava lá deitado na cama Ouvindo Espaço Rap

E aí o bagulho, pá, rolou. Era tipo assim, lançamento da música. Mano, que bagulho absurdo. Esse é o tipo de lugar que você fala assim, mano... Você é um compositor pesadão. Essa é... Você é pesadão na caneta. Você é caneta pesada. Você é louco. Eu tenho uma legião de pessoas que gostam de você, muito de você. Da hora. Da hora. Como é que você lida com isso? Com a idolatria, com o sucesso?

Eu fico suave, mano. Acho que a frase definidora é isso. Eu fico suave. Não me emociono muito. Tipo assim, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar, tá ligado? Porque eu tento sempre levar meio que no caminho do... Lá ele, lá no caminho do meio, como diriam os budistas. Mas porque eu... Eu sei que não é... O que eu penso?

Não é o mais foda do mundo, mas tá muito longe de ser o pior. Por que a gente falou isso? Não, eu penso isso. Você pensa isso? Quando as pessoas me elogiam, falam, nossa, você falou só aquele bagulho ali, tipo, eu fico feliz. Você prefere a senha do cofre mesmo, e elogio, tá tranquilo, né? Não, eu recebo. Esses dias um maluco fez um vídeo sobre mim.

Mano, fiquei muito feliz com o vídeo e tal Falando pra caramba das minhas músicas Das minhas letras Fiquei muito feliz porque é uma meta Eu escrevo pra isso Eu me esforço pra isso, aliás Eu não escrevo pra isso Eu escrevo pra tocar no coração das pessoas E pra falar o que eu tô sentindo Aí o bagulho é o seguinte Eu me esforço pra isso O dinheiro vai chegar com força, Rashid Tô aqui, tô vendo O que você vai fazer com isso?

Mano, vai fazer muita coisa. Como é que você vai lidar com o dinheiro? Tá vindo com força, e agora? Beleza, investir, estude. Eu tenho vontade, tenho que fazer um bagulho que eu tenho vontade pra retornar pras pessoas que acreditam muito no trabalho também, pras pessoas que... Um monte de gente entrou na música por causa de... Por minha causa, por sua causa, você sabe também. Opa! Então, tipo assim, fazer um bagulho que também consiga meio que, de certa forma, profissionalizar essa molecada que entrou na música e ainda tá meio balão, não sabe pra onde eu vou. Porque tem uma... Sabe o que tem uma coisa?

Que é absurda, porque a gente, a nossa história de vida, ela envolve pobreza, envolve necessidade, envolve raiva, envolve muita coisa negativa. Atestado de pobreza, né? O quadro. Só que tem um bagulho, tem um privilégio que o nosso ambiente tem, que a gente só vê quando começa a lidar com outras pessoas. Porque eu tenho um monte de gente de amigos da música, não do rap, da música em geral, que estão tentando começar suas carreiras. Eles têm muita dificuldade. Sim.

E às vezes tem dificuldade até de decidir pra que caminho vão. Não tem esse nicho gigante que é o rap do lado. Aí a gente vai começar lá no começo do podcast. O que é comercial hoje e o que não é? O que morou? Os caras estão achando que rap ia ser mal sucedido, o que não é comercial?

É o mais comercial hoje, filho. Lógico. Vocês que estão falando que falar de morrer gente, isso não vende, é o que mais vende. Então quando eu falei lá atrás que o Bug Nipe, o que era mais comercial? Esse rap engajado, vocês acham que é o que é? Ou a música que fala do amor negro do Beco, do casal que tá com romance pra ser desfeito? Faz sentido. O que vende, você acha que o rap, o que ganha? O rap vende muito mais.

É a nova ordem. Ainda mais dentro do nicho. Você tá fazendo o papel que o sistema te estipulou. Pode ir pra... Você não vai sair disso. Virou sistema também. Virou nicho. De certa forma. Virou produto. E você não quer perder seus clientes. Por isso você chama o brau de vendido. Mas vendido é foda. Eu não tenho clientes. Eu tenho amigos.

Amigo. Morou? E temos vivido de doações também, não? As pessoas que dão a pena nas nossas músicas. Sim. Que põem lá o santo dinheiro suado. Acredita, né? Eles que fazem a gente ficar fortão.

a maior parada do vendido a ideia é muito antiga ultrapassada segundo é aquilo aquilo que também já foi dito e redito o que é o vendido fazer o que você mais ama nessa vida e receber algo em troco disso, é isso, é o seu vendido ou é o fazer o que você não acredita pra conseguir um retorno mínimo tá ligado? sonho de consumo de qualquer rap, cantar rap só pro hobby e aí

Quem canta só pro hobby é que tá suave, falou, mano? O barato é o quê? É guerra. E não tem terceiro termo, meio termo. Ou você perde, você ganha. Sim. Se você chega depois de 30 anos afetado, louco, você perdeu.

Viciado. Sim. Morou? Você vai ter que lutar. E isso independente... Tudo é luta, irmão. Independente dos frutos, independente de tudo. Depois de 30 anos, você podia ter torrado todo o seu dinheiro em qualquer fita. Pode crer. Você podia ter torrado tudo o que você ganhou em qualquer... Podia ter perdido no jogo, Xará. É um ramo complexo, mano. Morou? Podia ter perdido viver os prazeres da vida. Pode crer.

Mano, podia ter gastado tudo. Essa idolatria tá errada. E homenagens postas, mas também... Em vida também é foda, mano. Homenagem posta, mas... Em vida. Os caras querem fazer isso comigo, viado. Vai se fuder, não vai conseguir isso. Não, tá louco. Eu paro com esse bagulho antes deles me parar, xará.

Eu sei, você é o... O espírito rebelado do bagulho. Mas a verdade também, tipo... De tudo isso que você tá falando, a gente...

que acompanha também, enquanto a pessoa que pesquisa música e presta atenção no que está sendo dito, e presta atenção no que está sendo falado nas entrelinhas e nas entrevistas também, tá ligado? Eu entendo esse lugar que você está falando, e eu entendo que...

O nicho, ele realmente é muito grande. E tem certos vícios, até nisso se cria uma fórmula. Até nisso se cria uma fórmula. E tem gente que fica presa eternamente naquela fórmula. Eu acho que não é a fórmula. A gente devia desapegar um pouco da fórmula.

e se apegar um pouco mais de repente na postura, tá ligado? na energia, porque a pessoa às vezes pensa, pô, mas o artista que eu acompanhava, ele mudou de um trabalho pro outro e tal só que o espírito do tempo tipo, tá lá tá ligado? porque é o que você talvez você já tenha até dito isso aí porque no momento, por exemplo que você faz Bugnipe, o que era ser o mais rebelado naquele momento

Era fazer já o que todo mundo tava esperando que você fizesse Ou você ter dado esse cavalo de pau E falado, mano, olha esse bagulho aqui Cavalo de pau, exato Isso é um termo que um bom rapper usaria

Por isso é uma caneta pesada. Quem me ensinou sabia, né? Mas, tipo, quando você entra pro bagulho de mercado, ele tem uma só forma de se comportar. E eu acho que é aí que também a gente precisa ficar ligeiro, porque a gente não está num lugar e num nicho que é só mercado. A gente tá num lugar que também é cultura. O mercado existe, vou te falar, é fácil fazer o que o mercado quer. Quer ver uma coisa que ninguém repara? Por exemplo.

A troco do quê? Que eu não repeti o o nada como um dia de novo. Exatamente como era o primeiro. Sendo o que eu podia ter feito. Exatamente igual. Sucesso em cima de sucesso. E a estralar. Me dar louca três, nego drama dois, Jesus chorou dois, e vai aí, tio. Isso é mercado. Isso é ambição. Isso é visão. Eu não tinha. Pode crer. O povão queria isso. Sim. Eu não tive essa visão. Mas também não faria, enganei vocês.

mas você faria? Não faria, não fiz eu não tô nem aí se vocês vão falar que o cores e valores é ruim, não imitou o outro eu não sou refém de mim mesmo nem da vontade de ninguém aquela pergunta do que você jamais faria você fez pra mim, mas você já guardou por que que nós não imitamos nada como um dia?

Não tava mais fácil? Tava. Tava tudo aí. Tava tudo aí. O bagulho tava tudo aí. O pessoal tava querendo mais. Por que vocês não fez? Por que vocês não deu? Nego Drama 3. Morou, mano? Por que não fez? Porque eu não acredito nisso, em viciar pessoas, morou. E falar do que não vive mais. Passados quatro anos, eu era outro cara, mano.

E é isso que eu transmiti. Eu não minto. E se vocês não gostaram, forte abraço. A gente convive com rejeição desde o berço. Sim. Não vai ser agora. Já começamos a rejeitar. Não vai ser agora. Então, esses entendimentos... Até obrigado, Rashid, por me dar esse espaço pra falar no meio do seu... É um bate-papo, certo, mano? Por que a gente não repetiu aquilo?

Se aquilo era o vencedor. Aquilo era o vencedor. Produto vencedor. Produto.

Os caras estão... Produto. Eu não sou produto. Eu não sou produto. Eu sou arte viva. É isso. Se eu não tô contente, eu mudo. É isso. Eu fico sozinho, mas fico honesto. E esse é o espírito rebelado. Naquele momento, a norma era você fazer Vida Louca 3. Você falou, quer saber, mano? Gangsta bug. Se os caras tivessem psicologia mesmo, eles entendem que o Brau não tem ambição nenhuma, mano. Pode crer.

Por que ele fez um disco de 35 minutos? É. Que nem conversa com outro disco. Eu tô narrando o Brasil que nós tava vivendo, o governo Lula, Xará. Ah.

Dívida externa paga. E agora... As ruas já estavam diferentes. Quem não percebeu a mudança, porque não viu a rua. As músicas curtas. Músicas curtas, porque o pessoal estava impaciente. E depois de sete anos, as músicas curtas que passaram a dominar alguma coisa. O povo estava impaciente. Eu mesmo não estava nem aguentando me ouvir muito. Então, 35 ali, tá bom. Falou tudo. Falou um diálogo de 35 minutos. É bastante tempo na vida de uma pessoa.

25 minutos da atenção de um cara. Eu voltei pras músicas longas agora, mano. Tô gostando. Não, a quem goste também. Eu gosto do KC, da Shine Band também. É 12 polegadas, né? 15 minutos. Vai, vai. Tá ligado? Santa Esmeralda. O que que fez você ter essa leitura naquele momento? De reduzir o tempo. Talvez você já tenha falado. Foi sem querer. E eu não tenha... Foi sem querer?

É, as músicas, a gente foi virando cinema, tipo assim, a mesma batida pra todo mundo e mudando o clima, mudando tipo uma rua de asfalto, reto. Não tem um barranco no meio de uma escada, é reto. Então foi a mesma batida e foi, pessoas foram entrando no carro e foi indo, entrou o Blue, entrou o Negreta, entrou o outro, foi a mesma batida. Pode ver que só vai mudando o clima. Um mais soturno, um mais clarinho, um mais...

Morou? É a mesma batida. Isso dura, aí muda, vai moro, mas tá ali. 35 minutos tá bom demais. Mas foi sem querer. Em 35 minutos você vai daqui no Guarapiranga. Daqui? É.

Dá pra ir ouvindo já, suave, chegar lá. É o tempo que um brasileiro tem. Mas o bagulho é o seguinte. Se você olhou pro gol, chutou pro gol, se a bola bateu no zagueiro, bateu no seu... Bateu na trave e saiu. Ah, bateu na trave. E saiu. Mas entrou e foi o gol, não dá pra dizer que foi sem querer que você chutou pro gol. Batou.

empatou, empatou, empatou, foi que nem ontem Santos e Ricoleta, um a um os caras lançaram esse clube aí com todo respeito, é a grande torcida do Ricoleta, eu nunca nem vi agora falaram de disco, você falou de derrotas é um disco cult o Cores e Valores o Negreta, meu cumpadre falando de mim

Emicida fez uma homenagem a um disco cult. Pode crer. Ele viu coisas que os caras não viram. Sim. Isso é a visão de um compositor, de um artista. É, que a gente vê de outra forma. Por isso que eu falei que o bagulho, às vezes, quando você acompanha um artista que tem uma carreira tão longeva assim, muitas vezes você...

Tem que entender em qual espírito que o cara tá, mano. Saca? Ou que a mina tá. Porque às vezes a pessoa pode até fazer um disco que você, ah, pô, eu não gostei de ouvir tanto essa música, mas eu entendo porque que ele fez isso. Quando você tá conectado com o espírito da pessoa que você acompanha, você vê diferente. Você fala, eu entendo porque ele fez isso. Eu posso até não gostar desse som, mas eu entendo porque que ele fez isso aqui. Porque ele já tava pá, estenuado daquela caminhada e tal, não sei o que.

Agora quando você fica muito apegado só ao produto, ao que a pessoa tá fazendo, tá te entregando ali, aí realmente você fica com essa dificuldade de se libertar de um disco pro outro, mano, e aí... O que acontece é que aí algumas pessoas vão abandonar no barco, né? Pô, não, mas esse disco eu não gostei. Ah, mas o outro também tá aí. Aí vai abandonando no barco por circunstâncias da vida. Mas eu penso assim, quando você tá conectado, que nem esses caras. Falamos do Gil. Mano, o Gil tem...

65 anos de carreira, sei lá ele deve ter uns 63 discos tá ligado? teve ano que ele lançou 3 discos disco com versão faz uma versão e não sei o que ao vivo e o disco original eu não tinha inteligência pra acompanhar o Gil na época num disco pro outro, às vezes era aquele salto aquele momento dele do luar, né?

que é mais pop bonito pra caralho, isso é muito bonito é lindo a gente precisa ver o luar a não ser essa fase do giro falaram que era muito pop que ele ficou muito pop realce das fases mais lindas

Hoje as pessoas ficam tipo assim Mas na época Quando você vai ver a história Muita gente criticou Desceu além nesses discos Eu sou da época Eu lembro dessa música quando saiu Realça Era bonito, sempre foi Eu era moleque e já achava bonito

Essa era uma das coisas que eu achava. Por causa do ritmo, não era a letra. A gente não era a pegada da letra. Você vê o que é o funk, né? Pode crer. É, essa é funk. É. E a letra? É o disco, é um bug. É disco. É disco? É, moleque. Eu lembro desse som e lembro do que fala, porque é um som pra dançar. Você vê o que é? A coisa intencional também funciona. Sim. Porque essas músicas eram feitas pra dançar. Isso é indústria também. É, lógico. É, lógico que é. Também tinha esotérico nesse álbum. Mas com um bom motivo, né?

Não adianta nem me abandonar É um reggae, pô. Isso é do caralho. Essa é absurda. E aí, quando tem uns momentos que você vê que ele fala que os críticos desceram olhando esses discos aí, porque falam, ah, o bagulho tá pop. Mas você vê, e é uma fase muito importante dele. Hoje a gente olha pra essas músicas, são todas clássicas pra gente. Como se o pop não fosse legal.

E era um bagulho meio que Quincy Jones, é que os caras batiam a sujeira com isso. Quincy Jones é pop pros caras, será? Sei, sei, pra esse lado. Porque era o Michael Jackson, era a maior coisa do planeta naquela época, né? O Michael e... O rei do pop. Elton John já era pop, vamos falar de música então. Elton John já era pop e é brabo.

e é branco, e aí? e aí, pá, mas os caras firmão, né? e gay, né? e sempre eu gostei de Elton, sempre foi foda tem essas coisas da indústria tem esses momentos, só que aí se você tá conectado com o espírito do cara, você sabe que ele, mano, é maluco inquieto, ele não vai ficar no lugar então você sabe que essa aqui é a fase tal daqui a pouco ele já vai estar em outro momento de novo, aí tem a fase sambas do Gil, especificamente tem a fase samba, tem a fase reggae, que ele foi regravar o cara que você mais gosta na MPB é o Gil, mano?

você fala bastante do Gil, quem é os caras? talvez o Gil, o Milton Gil, Milton, Cartola, Doni nossa, calma aí você me quebra vamos falar dos humanos dos humanos é foda mas assim, os pilar, mano os pilar assim pra minha carreira tipo assim Cartola Gil e aí

E deixa eu ver. Que aí já começa... Pra definir um, aí começa a briga agora, né? Mas quando que essas músicas te tocaram? Depois de mais velho. Ah, sim. Foi de mais velho. E lá na raiz, o que que te pegou? Tudo retrógrado, né? E lá no começo? Ah, mano, lá no começo... Da MPB, o que que chegou em você? Aí chegava pouca coisa, porque eu só queria ouvir rap, né? Quando eu descobri o rap...

Só queria ouvir rap, só ouvia rap. E não teve uma fase anterior ao rap? Aí eu... Minha mãe, que ouvia muito som, minha mãe sempre gostou dos R&B... Os R&B noventistas. A sua mãe ouvia som em casa. Ouvia som. Ah, isso muda toda a história. Calma aí, tudo.

Então tinha aqueles programas de rádio, transação, esses bagulhos? Então ela fazia as fitinhas e ficava... Calcular a rota, sua mãe ouvia um black? Ouvia, ouvia. Ah não, você é um cara privilegiado, você é de hierarquia. Você é de hierarquia. Mas isso foi antes da igreja entrar pesadíssimo, depois era só a igreja, né? Sim. Mas a igreja também segue muito dessa escola R&B.

É obrigado, né? Começo dos anos 90 ali e tal. A igreja segue essa escola também. Tem muito disso, né? As viradas de bateria, aqueles acordões, os bagulho. Tem influência muito da igreja evangélica na música brasileira hoje. Tem muito. Dá pra ver de longe. Hoje tem muito. Principalmente na música negra, tem muito. Tem, mano. O próprio R&B é muito influenciado pela igreja, né?

e vice-versa é exatamente o que você tá falando é, porque na real a igreja foi muito influenciada pelo R&B e tipo assim há um ponto de que a linguagem gospel virar um bagulho uma linguagem e vice-versa né e vice-versa tipo, você chegar no estúdio chegar pros músicos e falar não, eu quero um bagulho meio gospel nessa música aquelas viradas os caras já sabem então o bagulho meio que se embrenhou tanto a ponto de virar uma linguagem musical eu só lembro dos caras que e aí

Nos anos 90, quando começou essa linguagem do gospel em São Paulo, meus amigos eram os maiores desse barato aí. Sérgio Sá, Silveira. Silveira, mano. Marcos Pergentini, Robson Nascimento. Robson. Scooby-Doo. Robson Nascimento. Marcião. Os caras tinham um time. Hoje eles estão tudo cantando até hoje. Os caras, eles eram tudo ali do Capão, mano. Mas esses caras moravam tudo no Capão, mano. Pode crer.

Só o Silveira, que não. O Silveira morava no Jardimilha, no último barraco do morro. O Silveira moldou. O morro, que beleza. Ninguém chora não a tristeza. Ninguém sente de sabor. E aí, ó. Cartola.

O Cartola é um pilar pra mim Porque assim, tem três Três artistas que eu sinto Que tem uma energia na música É a minha percepção, tá? Que eu não sinto em mais ninguém, mano É um bagulho, sei lá, que muda o ambiente Bob Marley, Djavan E Cartola Sinto que a música desses três tem uma energia Que é até similar em algum ponto E que muda o ambiente, tá ligado? Você põe no carro Então

Tem uma aura. O Antijavão é foda. É uma aura junto com a música, saca? Claro que tem os outros pilares todos da música. Por exemplo, tem uma relação foda com a música do Milton. Por exemplo, por causa dessa coisa de Minas, né? Muito tempo nas estradas de Minas. A música do Milton é impressionante como ela reflete aquela paisagem. A paisagem, a arquitetura local. A montanha, tá ligado? É impressionante, mano. Saca? Então eu coloco sempre um Milton quando eu tô indo viajar lá pra ver minha mãe e tal. Então tem uma relação especial. Mas, tipo, essa energia...

Tem uma coisa que é uma Sei lá, uma pureza Um bagulho assim, uma aura diferente Aí pra mim é Cartola, Bob e Djavan Quando eu tô buscando essa aura Aí eu vou nesses caras, tá ligado? E a energia da música É um bagulho que atravessa muito, né?

atravessa, não tem como acontece de cartola nossa, acontece é demais é demais, né, aquele esquece o nosso amor é, vê se esquece é um desabafo, um bagulho muito sincero e é lindo, sincero num nível que dói se fosse um post na rede você ia falar, o maluco mó lixão aí, tá ligado mas ele fala de um jeito você fala, caralho e aí eu penso muito na generalidade de cores e valores e aí

Que você sai de depois, um dia após o outro, e aí você vai pra essa energia, esse governo Lula, paz, periferias mudando. Velocidade. Aí você canta, pelas marginais, os negros agem como reis, gosta de nós, tanto faz, tanto fez. É insuportável isso. Eu mesmo. Que degradar, pra agradar vocês? Nunca. É muita arrogância isso.

Você acha insuportável? Só podia dar errado, lógico. Mas você não acha que é disso que a gente tava se entendendo? As pessoas não ganham a ver preto falar isso. Porra, eu adoro. É que nem tacar pedra na viatura e achar que não vai dar nada. Tipo, eu mexo com o povo brasileiro. O povo brasileiro não tá preparado pra isso. Pra essa autoestima desse jeito, nesse lugar. Pretosagem como reis. Eu fiz por rima. Não é que eu me sinto rei. Pega bem, morô. Reis. Ó, reis.

Aí é o compositor falando, né? É o ritmista. Aí é o ritmista, não é o compositor. Eu só preciso de uma palavra que me dá esse... Ei... Desce... Ei... Não, não. Não, o barato é sobreviver, xará. Só que nós passamos a mensagem, certo? É isso. E ali passou a mensagem de arrogância. Os bicos não estão preparados e tal. Você é... Arrogância. Falou, o Brau não me representa, mano. Ô, louco.

Parece que eu dei mancada, que aguentei ele. Aguentou, maluco. Pensou, viado? É, tio. Olha o peso das palavras, viado. O Brau não me representa. Não me representa. O que que eu fiz, viado? Caralho, Brau. Você também é foda, hein, mano. Pensou, fiz um rap, mano. Fiz um rap, viado. O que que você foi fazer, Brau? Fiz um rap. Você vê como o bagulho mexe com a vida das pessoas, né, mano? Você vê como mexe com a vida das pessoas. O que que você foi fazer, viado? Fiz uma música ontem na internet, viado. O que que eu fui fazer? Acabou meu mundo.

Tem duas músicas que você compôs que me atravessam muito Uma é Jesus chorou, que eu escuto em momentos específicos porque ela me faz chorar todas as vezes Inquilina da dor Morada predileta É uma parada que me atravessa de um jeito Na calada ela vem Refém da vingança Irmã do desespero, rival da esperança Não fui eu Juro Jura

Foi sem querer, eu acho. Não fui eu. Não, não, bro. Pelo amor de Deus. Não foi. Agora essas outras aí foi. Eu tava com arrogante. Sabe uma outra musa curto muito? Mulher elétrica. Essa fui eu. Eu queria ser a mulher elétrica. Eu de brincadeira. É brincadeira mesmo.

Mas tem entrevista não é comigo, é com ele. Não, mas é de nadinho aqui, do nada. Que brincadeira, virou música séria. E aí, virou aquela primeira música. Tá ligado? Já ouviu falar da ideia do boi de piranha? No Mato Grosso tem aquela, eles pegam um boi doente. E vai morrer mesmo. E põe pra ver se tem piranha no rio. Aí ele entra, as piranhas, faz o trampo. E a boiada passa. Foi a mulher elétrica pra aquela época. Entendeu.

Faz sentido, faz sentido. Todo tipo de misoginia, de ranço. Foi aquela música que sofreu. Ela chega, ela bate um flash, ela morou. Tá falando de mulher, cara. Esqueceu de nós, mano. Como é que o homem consegue disputar mulher nesse lugar? Esqueceu de nós é louco, né? Esqueceu de nós. Tá falando de mulher agora?

Não é uma visão interessante Se vendeu Não é uma visão interessante O que que tá Quem é essa mina? Vamos descolar, mano Já tinha falado pros caras Deixa as damas aproximar, Jão Opa, vamos Os caras não ouvem

Não pode ficar semulhando os ambientes. O que tá acontecendo com o mundo, o Rincon? Mas eu já fui esse cara. O Rincon, o Rashid, é tudo meus parceiros. Ah, é o Rincon, o Rashid. Tudo com R, né? Sabe que eu já fui esse maluco um dia também, mano. Eu já achei que... Você já foi assim, cara? Música de amor. Não dá pra fazer música de amor. Love Song não tá com nada. Tem uns bagulho mais urgente pra falar.

Até entender O amor é urgente, cara Pois é A idade mostra isso Mas sabe A pessoa que

Foi um tapa na cara. Você admite que o amor é urgente? Admito. Sabe onde eu entendi isso? No Bob Marley. Amor é revolução também. O Bob também foi criticado quando fez aquele disco. One Love. Muitas coisas. Ah, ficou pop, se vendeu, o que mais? Ele apanhou por muita coisa. Mas aí foi que eu também entendi que o amor...

primeiro tem formas, tem jeitos e jeitos de se falar de amor tem amor, amores e amores também vários tipos de amor a gente pode abranger de várias formas que também provoquem a mesma sensação mas todo amor é urgente, amor romântico amor fraternal, amor

Tá ligado? De nós, enquanto sociedade Todo amor é urgente É, Léia, em 69, love Não lembra a sério, né, falando coisa linda, hein, mano Tá ligado? Olha o mundo aí, ó Por falar de amor, o que você tava sentindo Quando você compôs depois do depois?

Eu falo que essa música aí foi tipo uma carta de amor pra um amigo, mano. Tá ligado? Porque é isso que a gente sente. Pô, pelas pessoas, nossos amigos de 20 anos. A gente ama as pessoas, mano. Tá ligado? Tem umas pessoas que ainda tem uma dureza de assumir. Isso é um amor, mano. E aí foi uma carta de amor pra um amigo do qual eu sentia muita falta da companhia. Mas quando eu escrevi...

A gente já tinha se reaproximado também Mas eu não mostrei pra ele Pra quem não sabe, só vou contextualizar Depois o Depois É uma música do meu disco de 2024 Que tem participação do Lenine E é uma música que eu fiz pro Projoto, né Que eu falo sobre a nossa amizade No momento que a gente se afastou Assim, tá ligado E aí quando rolou todos aqueles bagulhos do Big Brother Com ele e tal, eu fiquei muito preocupado Falei, mano E aí

preciso falar com ele, eu não conseguia falar com ele, tinha mudado de número, eu tava muito preocupado com ele, falei, mano, a gente precisa trocar ideia, tá ligado? A gente precisa trocar ideia, porque precisa de alguém pra falar, como se na minha cabeça, como se não tivesse ninguém lá pra perto também, mas eu tava tipo assim, não é preciso conversar. Então essa música nasce desse desejo de falar pra pessoa, falar, ô mano, sinto saudade de você, tá ligado? Que eu acho que é um lugar louco, ao mesmo tempo pouco visitado,

E não sei se ainda Se tem um bagulho meio Tipo assim, essa mentalidade dos caras Esqueceu nós, vai falar das minas agora Mulher elétrica Aí Projota, essa é pra você Ok Forte abraço parceiro Nem lembro Você fez uma busca pro cara Ao contrário

E aí eu fiz essa pra ele, né? Tipo assim, como uma forma de Como uma forma de dar um salvão mesmo E ele ouviu o bagulho Me ligou quando ele ouviu e tal Foi louco, aí depois a gente fez o remix Projota é caneta pesada Não, essa escola toda Os caras não falam também, mas é caneta pesadíssima É, mano Eu vi, tinha uma menina na favela que eu gostava muito Muito inteligente, que ela cantava a música do Projota Inteirinha Inteirinha Muito obrigada

Aí, tio Brau, fala de você. Ah, tio, louco. Eu cantei com o Mano Brau. Ela vinha falar pra mim, cantava o rap inteiro. Não me engano, acho que é essa aí. O Jota tava nessa época, conhecia através dessa menininha. Que da hora.

E a gente tava falando dessa música nos bastidores E o Brau comentou, né? Tipo, isso é o rap, né? Você faz uma música pra um amigo, depois vocês fazem Uma música juntos, em que vocês falam Dessa relação. Porque no final das contas, é sobre isso Ah, e aí tá um bagulho, porque a gente até Falou aquele bagulho de como é Importante a regionalidade Na música

E como é importante a personalidade. Então, tudo isso abarca a regionalidade. Você falar de coisas que são tão suas que as pessoas se identificam, saca? E aí você falar de um amigo desse jeito, ou tanto de mensagem que eu recebi, eu recebi uns depoimentos. As pessoas, mano, estavam sem falar com meus amigos. Na audição, mano, eu fui mostrar para os meus fãs, tinha fã que não estavam se falando, começaram a chorar, se abraçaram. Então, olha o efeito do que a gente está fazendo. Mas está essa pergunta polêmica?

O que faz mais que o rap curte mais? Briga ou amizade?

O que o rap curte mais? Não é pra você responder. Você não é obrigado a responder isso. Entra nesse... Isso é uma pergunta que tá no ar. O que vocês gostam mais? O que vocês gostam mais? De briga ou de amizades sinceras e... E que dá mais audiência. Isso ou aquilo. É, o que vocês dão play? Se você gosta de... Briga, ligue. Aí você muda de câmera. Muda de sorriso. Se você gosta... Aí você vira pra cá, vai ficar sério.

0800 ou foi do último? Se você gosta de briga, você liga. Agora, se for amizade, liga 0800, você decide. E você acha que na enquete você acha que ganha o quê? Acho que briga. Que dá mais hype, briga ou amizade? Na verdade, depende. Se as pessoas for sinceras, vai ser briga. Se as pessoas for honestas com elas mesmas, Que medo, isso que você acabou de falar agora. É, mas é verdade, né, mano?

É verdade. Quantos momentos as brigas já não foram? Você vê Tupac e Big, o bagulho repercute até hoje. É verdade. Aqui uns anos alguém faz mais um filme, mais um documentário, tanto de material que tem. Custou a vida dos caras. Saiu o cara, hein, mano? Porra. Mas você viu que a mentalidade do rapper americano mudou depois que eles morreram? Mudou, mano.

Mas mudou a dura espera. Mas mudou até... Acho que essa mentalidade da treta. Só que mudou até certo ponto. Por exemplo, porque uns anos... Durou uns 10 anos. A bandeira branca ficou uns 10 anos. Depois ela caiu, verdade. Uns anos depois teve Jay-Z e Nas, por exemplo. Que foi outra... Mas não morreu ninguém. É isso que eu quero dizer. Ficou na rima. Ficou na rima. Ficou na rima. Ficou na rima. Devia de fato mesmo. Meter bala. O que aconteceu com... Não teve mais isso. Ficou mais... Teve, mas não na... E outras coisas... Aí, o que aconteceu depois...

Do meu ponto de vista, tipo assim, algumas treta pessoal dos caras, não é um bagulho de música e tal, né? Tiveram acontecimentos infelizes de gente que, de repente, o passado, né, umas fitas pregressas vieram buscar os caras. Isso aconteceu. Mas, agora, no sentido de briga...

Aqui isso foi igual, mano, igual no mundo, né? Tipo, a bomba atômica transformou o Japão no Japão da paz, como diria o Gil, né? Trazendo ele de novo pra conversa. E aí... O Gil tá sendo citado bastante. No rap aconteceu isso aí, né, mano? Não tinha como não mudar tudo, né? A mentalidade dos caras mudou no sentido de ganhar dinheiro, porque era notificado, foi muito noticiado, aliás, que o Pac morreu com 150 dólares só na conta. Falou. É.

Porque ele tava sem nada. Pode crer. Ele teria uma dívida que ele não conseguia pagar. Com o dono da gravadora, o Shog Night. Ele tinha uma dívida e não conseguia pagar. E morreu devendo, pelo que eu entendi lá. Ou o cara não declarou, não pagou. Tiveram que fazer conta depois. Só foi recuperar o dinheiro bem depois. A mãe dele assumiu os negócios bem depois. E essa coisa de falar que o cara mais foda do rap morreu duro. Mexeu com a mentalidade dos caras.

Aí começou a vir aqueles raps Em série falando de se virar patrão De viver de boa De ficar no Caribe Comandando as coisas de longe Usar a internet, usar a tecnologia Pra não pôr a mão em arma Agora eu sou o chefe Toda aquela mentalidade que foi vindo Logo após a morte dos caras O próprio Mais, ele gravou a firma Que falava do quê? De poder Ah, ah

A violência não estava explícita, ela estava implícita. Diferente dos rap do PAC, que eram ameaças abertas. Sim. Era isso? O PAC era muito passional. E ameaças abertas. Vou pegar sua mina, seu bordo filha da... Morou? O que é isso? Isso vendeu pro mundo inteiro, morou? Isso é louco. E vendeu pro mundo inteiro, malandro. Isso foi uma violência que foi para o planeta, mano. É. Que louco.

E os caras gostam de explorar isso, né, mano? É a sua enquete aí, do público. A briga ou a amizade que ia render mais? Vai responder. Essa aí é uma treta também, hein?

E pra você, Pac e o Big? Os dois. Difícil escolher, né? Os dois. Não, os dois, porra. Eu acho que Big e Pac eles acrescentavam coisas diferentes pra cultura também, tá ligado? Eles andavam juntos, cara. Chegaram a andar junto e eu acho que o Pac ele tem esse bagulho...

Que é o discurso, essa paixão na forma de falar. Uma vez eu ouvi alguém falando que o Pac rimava, até lembrava um pastor. Alguém falou uma coisa meio Martin Luther King. Eu vi essa filha. Quem falou foi isso aí? Foi o cara do Digital Underground. Foi ele que falou isso? Ele morreu, que morreu agora há pouco tempo. Isso mesmo.

Choke G Choke G Choke G Choke G Choke G Choke G é do Não, Choke G Choke G É isso mesmo E eu concordo com isso que ele falou E já o Big O Big é outra coisa É um jazzman É, ele meio que

Reinventou o flow, assim, né, Manu? É uma coisa absurda a forma como ele... O flow dele, a cadência dele nas músicas, a forma como ele quebrava as frases e tal. Então ele meio que reinventou isso e ajudou a fortalecer essa característica de rap de Nova York. E as músicas também, a forma que foi feita ali.

os instrumentos escolhidos pelo produtor do Big foi muito bem escolhido os hits do Big, é embaçado tipo, é muito difícil escolher porque eu acho que é isso são dois caras que acrescentavam coisas muito diferentes pra cultura tá ligado? é treto pra mim também é muita treto escolher

embora eu goste mais do rap de Nova York eu escuto mais o rap de Nova York mas entre os dois é muito difícil é muito difícil é muito difícil, fala isso aí

O quê? Peguei de surpresa. Qual que eu prefiro? É. Eu prefiro o Big pra dançar e o Tupac pra ouvir. Não, mas o Big tem umas de pista mesmo. Tem, eu acho que tem muitas. No baile eu gostava. Não tem tantas de pista. Tem, mas é que o do Tupac é assim, sei lá. Baby Don't Cry me marca muito. De irmã me marca muito. Tá ligado? É mais tipo…

É, música que eu parava, que eu traduzia. Eu aprendi muito a falar inglês traduzindo as músicas dele, entendeu? Então, tipo, eu curtia traduzir as letras dele e eu gostava do que eu encontrava. Ah, pode crer. Dependendo da época, o bonito é uma coisa e dependendo do bonito é outra. Isso, exatamente. Houve a época que o bonito era fazer música pra pista. Aham. Pra dançar. E aí houve a época, essa época que ela fala, que eu também tava, que era a música pra pensar.

dançar já era uma coisa já no segundo que não deveria ser isso também o orgânico quer dançar, certo mano? é, são pretensões diferentes, tá ligado? um bagulho que eu acho que é uma coisa que o rap não sei se tem ainda, tá? mas

uma coisa que a gente que já foi muito em voga no nosso movimento era uma certa arrogância vou colocar assim que era o que? Achar que só a nossa música era capaz de salvar as pessoas, tá ligado? Olha, você tá falando coisa muito séria falei isso com o Brechó segunda-feira

Só que tipo assim, a música salva as pessoas Desde que a música é música Tá ligado? Já teve James Brown salvando gente E declara a guerra também E declara a guerra Para a guerra

Então, assim, a música... Então, às vezes a gente... E eu, como eu falei, eu já fui esse cara que já pensou isso também. De tipo assim, não, é porque as nossas ideias e tal, não sei o que. Mas não é só as nossas ideias. Nós somos mais um gênero musical muito poderoso, tá ligado? Você falou o Bob. Como é que é essa música do Bob Warren? O Bob Warren é.

Essa é pesada, hein, mano? Isso é um hino, mano. Essa música é bélica. É bélica. Ele tá pedindo paz? Eu acho que, na real, ele tá denunciando a guerra. Ele tá denunciando a guerra. Essa música é bélica, mano. Dá vontade de lutar quando ouve ela. Ela é pesada. Sabe uma que me deixa assim? A Exodus, né? Essa é embaçada. Essa aí dá vontade de... Deteronômios. A rua, tio. Moisés atravessando o deserto.

Uma doa que eu também escuto e tenho vontade pra guerra é Get Up Stand Up Essa é embaçada demais Essa é de marcha Exército etíoto vencendo Roma Agora uma música que eu Uma música que eu descobri dele Eu vou falar do Gil de novo, por causa do Gil Que o Gil fez a versão que é a Time You Tell

é Time Alone ou Time You Tell? Time You Tell, né, o nome da música eu acho que é Time You Tell seu olho é que cor, Manado? meu olho? agora foi foda, essa eu não esperava castanho? castanho, pô tá diferenciado? tá meio, parece que vai virar o Incrível Hulk esse episódio tá maravilhoso a gente foi pra todos os lugares uma música louca do Gil

Reggae. Extra. Passava uma tristeza do caralho. O desespero. Eu era moleque que você sentia aquela frieza da cadeia. Sem ter passado. Extra. Extra uma ilusão. Abra-se cadáver, abra-se a prisão. Mas que tristeza, Vianna. Aí tem um quê de blues nessa tristeza. Time to tell. E era reggae. E era reggae. E essa interpretação dele vai pra esse lado lamento pra caramba.

Talvez a forma de como a melodia se desenha é Extra Tem uma queda Uma petatônica blue ali, né? Chorando a lágrima, né? Passado De essa onda São os pilares do bagulho aí, tá ligado? África Oriental África Oriental, mano O Gil tem uma pegada de Etiópia, né? Tem, né? Tem, tá ligado, tem muito Tem sem manhar Tem, né?

Esse é um episódio sensacional, bom demais. Meu parceiro, a gente tá pra trazer você aqui já há algum tempo. Te acompanho. Você é um dos maiores aí. Você, Rincon, MC, D'Angelo, vocês fazem a política orgânica, amor, o jovem.

Você falando essas coisas aí, mano. Coração fica com. Coração fica daquele jeito. Isso é ser bem sucedido. Ouvir essas ideias. E cuidar da saúde sempre. Não beba álcool.

Não use drogas sintéticas. Ah, não. Antes de você encerrar, eu lembrei que ele acabou de correr meia maratona. Aí vamos passar dessa caminhada aí. Vamos acabar falando de correr, né? Essa é a caminhada real. Real. The real. The real. Por que você começou a correr, como é que tá sendo pra você?

Pra falar a real, eu corro faz uns anos. Tipo, só que... Quando eu comecei a correr, era 2017. Tava mais magro. Então eu corria mais rápido. E eu tava naquele furor da juventude de correr mais rápido sempre, né? Então assim, eu corria errado.

durante quase 10 anos. Porque eu sempre gostei de correr, virou minha meditação, sabe? Passei muitos anos correndo sem música, porque ouviu o barulho da rua, ouviu o barulho dos passos, do coração batendo, concentrado ali. Até eu começar a entender que não é toda vez que você sai pra correr que você tem que correr, achar que tem que correr mais rápido do que foi a vez anterior. Não é um treino eterno pra diminuir.

o seu tempo de corrida. Na real, é outra coisa. Ganhar resistência, você treinar leve, treinar rápido é importante, mas treinar leve é muito importante. Na real, você treina mais leve do que rápido. Daí eu comecei a entrar nessas ideias, aí mudou minha alimentação, mudou... Então, assim, nos últimos anos, eu tô bem focado...

E eu tava realmente focado agora pra esse momento, pra correr 21 agora na Maratona do Rio. E aí acabei correndo antes, 21, meu irmão que me puxou, inscreveu nós, assim, na loucura. Eu tava treinando 15, a gente foi lá e fez o 21 em duas horas, foi maravilhoso. Eu gosto. Acho que faz parte do lance de cuidar da saúde, faz parte da coisa de ter uma... ter coisas paralelas pra fazer, pra pensar, pra não ficar sempre noiado na mesma coisa.

Só que aí eu sou ariano, dizem que a característica do ariano é não querer fazer nada mais ou menos. Você é um ariano diferentão, cara. Eu também acho. Eu também acho. Diferentão, olha que glória, né, mano? Que benção, né, mano? Que benção, foi foda. Mas pelo que eu ouço falar, ariana é embaçada. O cara é discreto, corre maratona, não fala pra ninguém, não posta, não ostenta. Viado seu, como uma maratona, viado? Deixa eu te falar. Eu ia fazer um marketing.

Ai, maravilhoso. Você é louco. É, vamos correr. Só que era descrevo. Você é o Rivaldo do rap, malandro. Ah lá, o Rivaldo do rap. O Rivaldo foi o melhor. Então. Resposta, hein? Ele chegou lá. Você vai chegar lá. Você é louco. Com dinheiro ou sem dinheiro? Ah, não. Gostaria de chegar com dinheiro. Melhor, né? Gostaria de estar solicitando.

Gostaria de estar recebendo esses pics aí pra lhe mandar. Pra fazer aquele ovo mexido de manhã, o suco de laranja, que nunca falte pra ninguém, né, mano? É isso. Aquele pãozinho com café preto. Que nunca falte esse momento, café da manhã em família. Aí quando dá quatro da tarde, o pessoal te chama na rua, ô, Brau, aquele baseadinho, café da tia, que nunca falte pra nenhum de nós.

Que nunca falte, meu irmão. Coisa simples que alega o nosso coração, né, mano? Necessário. E a gente fala de dinheiro o tempo todo, o dinheiro não é... que não seja motivo de fazer a gente mudar a personalidade. Ah. Por uma... A sobrevivência, assim, agora viver legal não depende totalmente do dinheiro. A gente já falou sobre isso, né?

Sim, e que não seja a coisa principal da sua existência, mano. Senão você vai trabalhar pra caramba pra juntar, não vai usufruir de nada, tá ligado? Vai morrer com um monte de bagulho na gaveta, vai gerar é treta na sua família depois pra ficar com o seu dinheiro que você não usufruiu de nada. Nem da cabeça do sermão, nem por dinheiro, nem por hype. É, tá ligado o bagulho? Da cabeça do sermão.

Você tá aprendendo a dar a cabeça na bandeja pro sistema, você aprendeu. Por causa disso, por causa de dinheiro, por causa de rap, por causa de engajamento. Por causa de rap. Você falou essa música, essa frase tá no... Você falou na sua música, por causa do rap, você e o Projota se conheci, por causa do rap, você se afastou. Exato. É bem isso. Exato. Exatamente.

Vou fazer uma música pra um parceiro meu também. Faz. Quero ver, quero ver. Ó, tudo tífero esse episódio. Celo? Muitas promessas, hein? Muitas promessas. Exatamente. Não vou nada, essa ideia é tô zoando. Não vou, claro que não. Essa ideia é tua. Agora tá gravada. Não vou fazer, cê é louco. Não tem nem porquê, sempre fez. E a ideia é excelente. E nova, né?

Obrigado, não, da hora. Pô, da hora pra caralho. Muito. Revista aqui no Mano a Mano com o Rachidio, dos melhores caras desse rap, com certeza. Forte, leal, sincero, abraço, bom demais. Mais. Temaia Oliveira, muito obrigado. É isso? Muito obrigada por cinco anos trabalhando ao seu lado. Tudo isso? Eu cresci imensamente, vou continuar crescendo, axé, mas...

É assim, não tenho palavras assim. Pra agradecer mesmo. Não, não. Não é uma despedida. É um agradecimento. Eu que te agradeço. Tá? Porque eu só quero deixar isso aqui registrado. Você, uma quantas vezes você foi meu norte aqui nessa mesa. Você é louco. E você é o meu e é nóis. Tamo junto, cara. Esse foi o Mano a Mano aí. Até a próxima, se Deus quiser. Forte abraço. Obrigado, gente. Aí!

Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.

Esse foi o Mano a Mano, um podcast do Spotify. Apresentação, Mano Brau. Co-apresentação, roteiro e consultoria jornalística, Semaia Oliveira. Produção, Zamunda Estúdio, Bugnaip e Spotify. Pela Zamunda Estúdio, a produção executiva é de Ana Guerra. Direção, Fábio Ismeili. Coordenação de produção, Ingrid Mabelli. Coordenação editorial, Renata Hilario.

Captação, Careca Tully, 2G, Moraça e Mude Rodrigues. Edição, Júlia Gemelli, Murilo Ruivo, Giovanna Costa e Mude Rodrigues. Cenografia, Ana Guerra. Música original, Fábio Ismeili. Motion Graphics, Miguel Bezenbruck. Artista 3D, Gustavo Pedrosa. Maquiagem, Jade Benitez.

Figurino Semayá, Cida de Souza. Assistente de produção, Júlia Magalhães. Fotos, Petalalops. Pela Bugnaip, a produção executiva é de Caire Jorge e Eliane Dias. Assistente de produção, Carol Castro. Pelo Spotify, a produção executiva é de Camila Justo. Assistente de produção, Luísa Migueires.

Marketing, Carina Morena do Spotify e Yaru Macedo da agência Droga5. Comunicação, Nicole Azevedo do Spotify. Babi Ferreira e Ana Maxud da agência Edelman. Jurídico, Janet Vasquez. Gestão de negócios, Jack Black. Vendas, Manuela Costa. Concepção Criativa, Gana.