Episódios de Mano a Mano

Carlos Dafé: Uma relíquia do soul em sintonia

07 de maio de 20262h18min
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No ep de hoje, MB e Semayat recebem Carlos Dafé, um dos grandes nomes da música brasileira e uma referência que atravessa gerações. Nas palavras do Brown, esse é um episódio de colecionador. Dafé, que já caminhou lado a lado com gigantes como Tim Maia e tantos outros, ajudou a moldar um som que ecoa até hoje, inclusive na própria trajetória do Brown.
O papo vai longe: eles relembram momentos marcantes da carreira, dividem histórias engraçadas dos bastidores da música e constroem uma conversa leve, daquelas com clima de encontro entre velhos amigos. É também o encontro de fã e ídolo, cheio de respeito, troca e memória viva.
Mais do que uma entrevista, esse episódio é um registro histórico pra música brasileira, daqueles que a gente guarda.
Dá o play e vem ouvir esse encontro especial.

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Assuntos2
  • Carreira Musical de LexaServiço militar na Marinha · Influência do jazz e chorinho · Primeiros instrumentos: acordeão e violão · Aulas com Sr. Antônio · Influência de Luiz Gonzaga
  • Música e admiração por artistasParticipação em programa da TV Cultura com Nelson Gonçalves · Parceria com Tim Maia · Colaboração com Luiz Gonzaga · Gravação com Almir Sater · Trabalho com Lincoln Olivetti
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Eu sou da geração que pegou suas músicas de frente, assim, né? Consagrado, os mais velhos, a gente pegou de pá, nós curtimos muito, né? Era meio sagrado a música do Dafoe. Todo mundo tinha muito respeito. Por favor, leve esse verso. Foi sufocante pra mim, eu te perdi. Foi sufocante pra mim, te ver com outro. Foi sufocante pra mim, querida.

Como é que enganava o povo? Com futebol e carnaval. No outro dia, tava tudo caro. Você não tinha... Inflação, inflação, corruir o dinheiro do brasileiro. Corruiria, corruiria. A grande maioria das pessoas que vão estar nos ouvidos não faz ideia do que é isso que você tá falando.

Quem ficou comigo conversando? Michael Jackson. Olha aí. Ficou. A gente se despediu. Aí eu fui jantar. Aí o Dario Lopes, que era o grande líder, falou, poxa, mandei botar tua comida lá no forno. Ficar conversando, blá, blá, blá, blá. Você enrola o inglês de leve? Como é que é a comunicação? Rapaz, eu sou clínico geral. Minhoado. Se comunica. Me comunica.

Venha matar a saudade Venha matar a saudade Mas venha pra ficar Tipo assim, né? Agora vem cá, o detalhe Tô falando da época romântica Do bolero

Salve, rapa, salve, massa. Forte, leal de primordial. Abraça, esse é o Mano a Mano. Demais, bom demais, bom demais. Me quer ser Mano Oliveira. Como é que é, Mano Brau? Demais, demais.

Mais um episódio de colecionador. Veja a hora de começar esse episódio. Esse é de colecionador mesmo. E esse é pra mim. Isso aí. Vamos de scout, então. Então vamos. Bom, o nosso convidado de hoje nasceu no Rio de Janeiro. Em 1947. E cresceu em Vila Isabel. Um bairro da Zona Norte. Um bairro tradicionalíssimo. Inclusive de samba. Exatamente.

Ele é cantor, compositor, multi-instrumentista e é consagrado príncipe do soul brasileiro. Ele é um dos pilares do movimento Black Hill na década de 70. E a sua obra é fundamental sobre… É fundamental pra gente entender a identidade da música negra brasileira. E tudo que o nosso rítmico pode trazer. Sim. Então, vou trazer alguns álbuns de estúdio dele, tá? Vou trazer todos. Certo.

Pra que vou recordar de 1977? Venha matar a saudade de 1978. De repente, de 1983. O seu jeito de olhar de 1997. Bem-vindo ao baile de 2014. E o mais recente é o álbum Carlos da Fé Jazz's Dead, produzido pelo Adrian Young. Adrian Young.

E tem a colaboração também do Arthur Verokai, né, Brau? Que saiu recentemente, em 2025. Mas esse é um cara que colaborou com muitas pessoas importantes e muitos nomes que a gente conhece, gravou composições dele. Então, ele foi tecladista, arranjador e instrumentista da banda do Timaya. Além de ter sido um parceiro e amigo desse ícone também, nacional. Nana Caymmi gravou a canção dele.

Alcione gravou a canção dele Tânia Maria gravou canções dele E ele participou também do Bugnaip Que é o seu álbum Eu gravei a canção dele E ele participou da faixa Nova Jerusalém Também no Bugnaip Ele criou a faixa, né A partir de um teclado dele começou a música

Então a gente tá falando de Carlos da Fé. Seja bem-vindo, Carlos da Fé. Muito obrigado. Opa! Salve, Dom. Salze. Referência máxima. Obrigado. Sou bem. Eu gostaria, inclusive, de não deixar passar aqui. Bete Carvalho também gravou. Bete Carvalho. Elza Soares também. Sim. Fui músico da Elza, né? Agora vem a internava geração, o Bid.

Bid, Bambas e Biritas, junto com Marco Ribas. Bid da banda. Jorge. Funk com o Bulegúcio. Tem o Eduardo Brechó. Não, o Eduardo Brechó. O Eduardo é o... Nosso amigo. O Bid, ele ficava lá do outro lado me chamando. Lá na rua onde o Bid ensaiava, ele ficava... Ganja Man. Ganja Man. Ganja Man também. O show foi Tim Maia Racional, entendeu? Certo.

Aí eu fui lá, ensaiei, toquei aquele negócio todo, dancei. E aí, tudo bem? Não. Você não vai contar a história? As histórias que eu evidenciei quando o Timóia me pôs no racional. Não deu outra, não posso perder esse emprego, saí contando histórias. E esse disco aqui, o da fé, Fuse 9? Isso aqui é o começo da carreira, certo, mano?

Tem um... A carreira é a seguinte. Eu estava, nessa época, eu estava no Covo Fuzileiro Naval. Você serviu a Marinha. A Marinha. Só que eu estava entre...

a marinha e a vida civil. Eu não aguentava ficar só lá, entendeu? Até porque as informações que eu levei para lá foram bem chegadas, bem idas, né? Inclusive o seguinte, a banda que tinha lá, o conjunto que tinha lá, ele era tradicional. Ele só tocava um acorde perfeito maior, não tinha dissonância, entendeu? E eu cheguei lá cheio de...

Maria Morena Como é que é o acorde maior? Acorde maior e os dissonantes O dissonante foi o que você levou Eles tocavam só o que? Os acordes de maior Só o maior Aí o seguinte Dizia assim, tinha uma gíria O fulano é quadrado É quadrado Inclusive eu tenho um negócio desse Papo de maior Eu estava aprendendo a tocar violão E aí

Eu já tocava acordeon, órgão, piano, baixo, baixo, eu estava tocando violão. Só que eu só dava acorde dissonante, né? Eu não dava um acorde perfeito maior. Dó maior, ré maior, eu não sabia fazer. Essa influência do dissonante vem de quem?

Vem do jazz, vem do chorinho, entendeu? Vem das coisas que eu ouvi desde garoto, né? No rádio... Isso que eu quero perguntar pra você também, dessa raiz mais antiga, aí que você ouvia em casa. Aí o detalhe, o próprio, da música clássica também, né? Aí o detalhe, então, tem uma história que eu tava só acordado de bossa nova, né? De jazz e tal, e tô numa festa lá em Coelho da Rocha. Aí chegou um negão armado até os dentes.

Senhora dona da casa, senhor, senhor, dono da casa, senhoras e senhores, senhoritas e senhoritos, aí ó, assim, não vai zoar do negão, porque o negão é ele que manda, entendeu? Garoto do violão, dá um fi maior pra mim aí, eu falei, eu era afogado pra caramba, né? Se fosse numa outra situação, ih, rapaz, que manefi, rapaz, conhece não, hein? Acho que dá, que dá, deu.

Aí eu falei, mas perde o fi. Eu, é fá. Aí ele cantou, ela me disse-me assim. Aí você bate-se em palma com o pé, porque eu não podia parar o violão. Certo. Mas eu lembro, só que eu acompanhei ele só em acorde dissonante. Como também...

Tive também um aperto na TV Cultura, né? TV Educativa. Cultura era aqui em São Paulo. Como é hoje, até hoje, né? Marta Suplicy apresentava um programa aos domingos e era ao vivo. Eu fui um dos convidados. E Nelson, quem chega? Nelson Gonçalves.

Aí ele me viu com violão e falou assim, ô garoto, ô garoto, é o seguinte, ô meu violonista não veio, cara, me deu um bolo aí. Já me falaram que você é o Carlos da Ferra, você que é o Carlos da Ferra, já veio um negócio seu aí. Eu sou Gonçalo. É, mas você vai me acompanhar, tá? Eu falei assim, mas rapaz. Eu gosto desse cara. Pô, eu toquei, mas eu tocava no Acordeon, entendeu? No regional, acompanhava, né? Não, você falou, ô Nelson, eu não vou te acompanhar, eu vou te perseguir.

Eu só sei dar acorde dissonante. Ele, vamos tirar uma onda. Aí passei no teste. Tocou com o Nelson? Nelson, sabe? Depois eu fui tocar com o Tim Maia. Você não gosta dos acordes, né? Porque ele falou assim, não, garoto. Sinta o dedo, respira.

E pensa no amor. Fique tranquilo. Timaya falava isso. Pensa no amor. Eu pensava que era... Não, não, não, calma. Timaya. Pensa no dançarino, pensa no romance. Que negócio todo, aquele que parte. O vento da mina. Respira. Quer dizer, assim, a gente faz... Tendo escolas, né? Diversas. Como também eu tive...

E deparei com Luiz Gonzaga. Quando eu vi, eu estava na casa do Luiz Gonzaga. Um dos meus ídolos. Eu venho do Acordeon, né? Eu aprendi a tocar Acordeon, assim, no SUS, porque meu pai, autodidata, mineiro, né? Eu sou filho de mineiro, neto de baiano. Olha só que doideira.

Parecia a música do Chico, né? Isso. E o avô era paulista. E carioca, com o Chico Cidadão Paulistano, olha só. É. Então assim, desse jeito. E o Arco-Lodjão foi o seu primeiro instrumento? O primeiro instrumento, na real. Porque minha mãe nunca quis dar. A gente falou, pô, revólve ali. Não, não, não, revólve não. Porque era o negócio do mocinho e bandido. A gente ficava brincando de mocinho e bandido, né? E índio, aquele negócio todo. Aí ela, não, não. Aí ela chegou com uma gaita.

Aí meu pai pegou, é assim, ó, meu pai, autodidata, mas fera. Zé de Souza era o nome dele, e a apelidada de fala baixo, que ele era assim, não, o seu Mano Brown, entendeu? Você tá dizendo, senhora, senhorita, entendeu? Mas o velho, só, entendeu? Da manha. Aí Zé de Souza, aí... Liso. O que aconteceu? Ele pegava meu instrumento, tocava flauta também, a flauta de lata, né?

Depois saiu o cavaquinho, um pouco de cavaquinho Aí ele, o que aconteceu? Me deu uma bicicleta

Tomei uns 20 tombos e deixei a bicicleta para lá. Ia para a casa de um amigo dele, aos domingos, a gente ia para lá, realengo. O apelido dele era delegado, porque ele tinha um nível bom de dar na prefeitura. Aí a apelidade delegada, que tinha um bonito cheio de bicicleta para alugar. Porque a bicicleta nada, eu ficava vendo os velhos em tocar. Eles tinham uma base assim dos 40 anos, nem 50.

Ficava vendo eles tocarem, né? Vai brincar, garoto. Não, não, quero ficar aqui. Ficava vendo eles. Aí meu pai falou assim, ó, o negócio é o seguinte, tu não quer mais andar de bicicleta? Eu falei, não. Vou trocar por um acordeon aí com o delegado. Ele veio, foi dar bem a realengo de bicicleta, trocou por um acordeon. E aí começou ele. Tinha também lá o senhor Antônio, lá na rua H, que dava aula. E ele consertava o acordeon e dava aula. E meu pai pegou umas aulinhas lá e já começou, né? E sozinho em casa. Ele errava uma nota.

Eu e meus irmãos, né? A gente ficava zoando, né? Pura da cama, aquele negócio todo. Aí ele botava um charuto aqui, ficava aquele charuto no escuro, né? Tocando o acorde de um. Ele começou o cavaquinho, violão, daqui a pouco o acorde de um. Aí ele errava uma nota, aí um dia eu não aguentei. Porque a gente não podia corrigir os mais velhos.

Aí eu tremulo, né? Minha mãe tá lá na cozinha, fazendo um negocinho pra gente, né? Papá, aquele lanche da noite. Aí eu tremulo, pum, botei o dedo na nota. Falei, pai, o senhor me desculpa, perdão, pai. Quero corrigir o senhor, não. Mas nota que o senhor tá procurando. Aí ele, pá, ele... Ele falou assim, ué... Tá mexendo no meu instrumento, garoto? Aí minha mãe lá na cozinha, tá não, Souza? Tá não. Ela já. Ensina o garoto.

Aí, ensina o garoto, ele não vai obedecer? Está na Conceição? Quantos irmãos da fé? Nós vivos, quando vivos, nós éramos 11 irmãos. E depois veio também mais uma irmã, que foi a prima. Ela foi adotada, então ficamos 12. Um detalhe, aí ele falou assim, só vou ensinar uma vez. Do RMI faz aula assim, no baixo faz assim, maior e menor.

Foi como se estivesse me lembrando algo que eu já tinha feito em outra vida. E uma semana eu já estava tocando as músicas do rádio, umas três músicas do rádio, uns boleros, duas almas, que levou tudo. E tinha uma rinha de passarinho na janela do quarto lá, que era o Sartori, que era para Minas, trazia as iguarias, trazia aquelas coisas da roça, lá de Minas. E aí ficava gente lá para a briga de galo, mas aí falaram para ele assim, Souza...

Você está tocando muito, ele todo prosa, eu do lado dele. Doido para ele falar que era eu, mas eu vou falar, eu sou besta. Aí, rapaz, o repertório foi aumentando.

Souza, o repertório tá bonito. Aí ele falou assim, sou eu não, é o garoto. É o Zezinho, é o Zezinho. Zezinho do acordo. Aí começaram a chamar eu pra tocar na festa de aniversário, batizado, casamento. Às alturas tinham quantos anos? Tinha o quê? Dez anos. Nove, dez anos. Nove anos. Fenômeno. Entendeu?

Nove, dez anos, entendeu? Aí o detalhe... Mas eu já era folgado, rapaz, assim, musicalmente, porque eu tocava coisas difíceis, chorinho, as harmonias, inclusive eu escutava no rádio, o Sivuca, o Hermeto Pascoal... A gente perguntar isso. Entendeu? Orlando Silveira, Gaúcho, os acordeonistas que...

E também tinha outra linha Que é a linha popular Luiz Gonzaga Zé Gonzaga A minha avó rezou a espinhela da Marilheneis A minha avó falou, olha, isso aí não é espinhela não Isso aí é uma gravidez Rezou a espinhela Espinhela caída Não, isso aí é uma gravidez Aí o seguinte Obrigado

Aí minha avó acertou Era o Marquinhos Hamilton Porque tem o Lincoln Olivetti, né? Aí criaram o Marquinhos Hamilton Que veio produzir um disco meu Marquinhos Hamilton É esse aqui, olha O treino da gente, entendeu? Olha o detalhe O Abidia falou assim Aí botaram pra tocar pro Abidia Aí o Abidia falou assim Esse garoto, me deu um cascudo aí Quando crescer vai dar trabalho Uh-huh

Aí voltando a Luiz Gonzaga, o negócio da cor de homem. Estou eu na RCA, no disco de repente, a capa não está aqui, o disco não está aqui. Porque o disco, eu sei o que aconteceu, certo? Não sei o que aconteceu. Sei que aconteceu, né? Sumiu, sumiu. Sempre some essas relíquias. Nunca sabe como é que some, mas some. O que acontece com essas relíquias que acabam sumindo? Não sei o que aconteceu.

O detalhe, aí o Osmar Zan, diretor da RCA, falou assim, pô, você tá indo pro Rio? Eu tô aqui na Dona Veridiana, né? Tô indo, pô, vem cá, vai pela ilha, vou, pô, faz favor pra mim, cara, pô, leva uma carta na casa do Luiz Gonzaga, não tô te fazendo de boy, não, pô.

Pô, maior honra. Se eu chegar lá de boy, vai levar essa carta pro livro. Eu era doido pra conhecer o Luiz Gonzaga. Aí ele ligou, né? Ele ligou. Olha, vai pra sair o Da Fé. Pô, eu quero conhecer esse garoto. Aí olha só. Olha aí. Mas é o seguinte... Você já tinha ouvido falar do Da Fé, do Da Fézinho? Eu já tinha. Eu tava com música da novela, entendeu? Ah, não, aí já é outro tempo. Entendeu? É, aí o detalhe... Você tá fazendo uns recortes, assim, entendeu? Entendeu? É, o detalhe aí, de repente...

Meu carro estava lá no aeroporto, no estacionamento de lá. Ih, que nada, liguei para a mãe do Jorge Mário e Verônica e disse, arruma as crianças aí, que eu estou indo aí buscar vocês. E depois eu vou voltar aqui. Eu já estava na ilha, eu fui lá fora da ilha, para buscar lá no Vista Alegre, para voltar para a ilha para ir na casa do Luiz Gonzaga.

se arruma o direitinho, fomos, porque nós chegamos lá, que alegria dele e a esposa, poxa vida, com a minha chegada e com a família, né? Aí, de lanche para que bolo, até aí começamos a conversar, eu falando do repertório dele, né? E o que eu gostava pra caramba, inclusive que eu também gostava muito do Gonzaguinha, que eu participei de vários festivais estudantis, né? Que eu gostava muito do estilo do Gonzaguinha.

Aí, rapaz, é o seguinte, não deu outra, foi tocar uma safona pra ele e, assim, saiu laureado, assim, de alegria de ver um astro daquele, né, me elogiando, me prestigiando, assim, gostando, né, do meu jeito, também a musicalidade, né, isso aqui. Ele falou, você, você, ô, tô com aí todas, Fernando.

Depois o Almigneto me deu um apelido Depois do Nelson Mata que me chama de príncipe Almigneto falou que eu era o clínico geral Clínico geral Que foi em todas Graveu com o Almigneto também A honra Bom demais, né? Caneta de ouro Ele e o Chiquinho, inclusive tinha uma ciumeira danada

É, porque o seguinte, Almir morava no Rio, eu morava no Rio, mas eu passava a temporada aqui em São Paulo, inclusive eu morava lá na Paulista. Eu digo, orra, mil, na Paulista? Morava no Trianon, né? Lá no 17º andar, eu e o amigo Zé Rubi, que era lá do Rio, mas ele estava aqui também trabalhando, fazendo uns trampos aí. Falei, Zé, pô, vai vender show, pode dar fé, então fica aí.

Pesão bonito, mas a gente dormia numa esteira, né? Cada outro tinha uma só esteira, o banho era frio, né? Mas tava no treino, não. Você tá entendendo? Aí o detalhe, né? Aí eu inventei, inclusive, um fogão pra gente fazer comida, porque a gente tava gastando muito dinheiro na rua, né? Aí compra lata de salsicha, conta de feijoada, e abre ela, depois bota álcool, cozinha no álcool, pô, tudo certo. Aí o detalhe.

Sem dizer pra você o seguinte Nesse clima O que que aconteceu? Eu já tinha passado pela Chic Show E a Chic Show me chamando de novo Era pra gravar um disco Lá na gravadora deles No seno deles Foi justamente a época que nós nos encontramos Entendeu? Nós nos encontramos Na gravadora do Era do Biltão, não, era do O que aconteceu?

Do nosso amigo que tem a equipe de som. Zimbábue. Zimbábue. Zimbábue. É, o Ilha da Zimbábue. O Ilha Santiago. É, encontrei você lá. E, poxa vida, fiquei todo bobo. Que ano foi isso aí? Rapaz, isso aí foi nos anos 80. Entendeu? Vocês tinham... Estavam bombando vocês, entendeu?

Vocês estavam bombando. Eu comecei a me perder no tempo. Entendeu? Não tô lembrando. É. Aí tinha vocês e o De Grito de Júnior. É, 92. 90, ano 90, né? 92, 93. Isso mesmo. Inclusive o Netinho me levou pra...

Almoçar com ele lá no Boi que Ri Não tinha um boi O Gato que Ri Mas tinha um boi Uma churrascaria do boi Lá na república Tinha um boi legal Os caras me levaram nessa churrascaria Me levaram

Melhor chorar as carinhas até então Era lá Ele era da Zimbábue que levava o Racionais Pra fazer reunião lá e a gente ficava bobo E depois de lá o Eduardo também O Eduardo também era um lugar bom É claro, tinha um ou dois feijões com arroz Aquela que a gente Escolhia O cardápio E não era caro E era muito músico lá Mas o Eduardo também Era um lugar de encontro da rapaziada E aí

Muito pra curiosidade pessoal minha Você começou tocando acordeon Inspirado em Luiz Gonzaga e tal Músicas de época, né mano? E como é que entrou o funk? Como é que chegou o funk lá pra vocês Lá no Rio de Janeiro? Não, eu vou falar bem antes disso Eu já tava na parada Eu já tinha essa influência

Já tinha. Já tinha, porque o seguinte... Eu escutava muito rádio, né? Certo. E também tinha o pessoal da vizinhança. Era uma vizinhança mesclada, de pessoas de vários estados e nacionalidade também, entendeu? Lá no Parque Proletário da Penha. Vila Cruzeiro, em cima, Parque Proletário, embaixo. E nós tínhamos serviços de alto-falante. Do Vanil, tinha o Poeira, do Vanil, que era um cinema preto e branco. Que ano isso? Isso, em 1960.

61, 62, entendeu? Outro Brasil, né? 65, tá, porra, dá licença. Era no Brasil, Brasil brasileiro, certo? Se você gostava, era melhor ou... Melhor. O mundo democrático, entendeu? Respeito pra caramba, entendeu? Nas famílias.

das pessoas se respeitando. Eu tenho meu livro de uma pessoa caída da calçada, passando mal, ou morto, entendeu? Já vai em casa, pega o lençol, bota lá, e corta o vela. Essa é o pai nosso, a Maria, até o Rabequão chegar, entendeu, o clima era dessa forma. Rio de Janeiro era muito diferente. Era diferente, diferentíssimo. Inclusive o seguinte...

Criança era criança, bandido era bandido. Ó, rapa fora, hein? Aqui vou te dar uma castanha. Pode falar com teu pai, eu que te dou uma castanha. Aqui não. Era assim, entendeu? Poxa, tá, garotado. Não era assim, não. E era bença, bença dona fulana, bença seu fulano. Aquele vizinho, certo? Seu pai tá sabendo que você tá aqui?

Todo mundo cuidando. É, cuidando. Tá, ia lá na casa da gente, eu vi. Você acha que teve uma virada de chave em algum momento que mudou o comportamento? Ou foi vários momentos? Ou teve uma grande virada? Não, vem virando, vem virando no decorrer das décadas, entendeu? Vem virando. Sendo que agora foi mais brusca, entendeu? Esse negócio do mundo internético, entendeu? Não tava preparado, o mundo não tava preparado pra isso, entendeu?

E agora tem outra virada, né? Que é a inteligência artificial. Certo. Entendeu? Nem tá preparado pra uma, já tá vindo outra. Você tá entendendo? Mas é um detalhe, ó.

Agora Penha, né? Bom, Vila Isabel... Estava falando de como foi que o som... Você já tinha o funk na... Ah, sim. Mas vinha como? Isso chegou como lá? Porque é o seguinte, eu sempre gostei de músicas boas. Quem era os artistas que levou a chegar nesse som? Olha, eu ia pro cinema, eu via Ray Charles. Certo. Entendeu? Eu via The Praters, né? Eu via... Entendeu? Eu via, inclusive, Elvis Presley. Era no cinema que passava isso. No cinema, preto e branco. Como assim no cinema? É.

É o visto pré-lhe, entendeu? Porque na pré, antes do filme, depois... Não, era no meio do... Eles passavam o filme, o principal, né? Mas antes do principal, rolava sempre uma enquete, né? Eles punham sempre assim um informativo. Era tipo um informativo, certo? Aí a gente...

Inclusive do rock, né? A gente paga que era... Rock é do negro, né? A grande realidade é essa. O negro pensa que não, mas o rock é negro. E o Elvis Presley, inclusive, bebeu na fonte. Então a gente botava calça jeans também, né? Calça brincoringa. Não era nem jeans, era brincoringa, né? Coringa? Chamava o nome? É, o nome dela, tá? Tudo tecido. É brincoringa. Brincoringa. É brincoringa. Brincoringa. Que esse banco chama de jeans hoje. Isso. E aí com chiclete a gente também... Não.

A onda moderna Aí o seguinte Você vê as influências A gente só captando E outra coisa é o rádio O grande lance Inclusive de ouvir rádio Que eu sempre posso Eu homenageio Viva o sonoplasta Eu curto também Viva o sonoplasta Porque o sonoplasta, o que acontecia Não tinha televisão Lá na favela, inclusive Eufortable

O seu baiano que chegou com a televisão lá. Depois eu conto do seu baiano, certo? Era uma televisão pra tirar. Aí o detalhe. Então você ouvia o rádio, tinha as novelas, tinha a rádio e novela.

Aí tinha o Anjo, o Jerônimo, o Herói do Sertão, né? As novelas do rádio. E essa novela que hoje é das nove, das dez, né? Das nove, tá? Mas é o seguinte, aí que não sei o quê... E aquela tempestade... O cara com a folha de Flanders, entendeu? Tinha só um cara que fazia o sol, viu? Aí daqui a pouco também... Surreal pensar isso hoje.

O clássico, entendeu? Aí eu falei, pô, você é bom pra caramba. O cara fazendo o som com objetos do dia a dia, ali tirando o som ao vivo. E os sons, as vinhetas, entendeu? E o que que rolava? Do clássico ao jazz, ao choro, ao forró, ao popular, entendeu? Os boleros, a música latina, inclusive, era forte. Outra coisa, o rádio, ele era democrático. Ele tocava todos os gêneros, inclusive de...

dos países da América Latina. Qual, por exemplo? Os artistas da América Latina? Não, Argentina, Uruguai, Paraguai.

Portugal... Tocava bastante no Brasil? Tudo tinha vez. Não toca mais, né? Não, não. O dia que declararam, inclusive, a música cubana, certo? Declararam que quem ouvisse música cubana, quem tivesse acesso à música, era comunista. Aí pararam de tocar. Cantadinha espanhol já era um problema. Parou. Aí parou de tocar. Parou de tocar, entendeu?

E era proibido. Mas aí não adiantava mais. Já tava na veia. Já tinha aprendido a gostar. Até porque é África pura. É África pura. Mas ele estava preocupado com a mensagem, né? Justamente. Eu, inclusive, eu tenho esse disco, de repente, ele tem uma faixa que foi arriscada. Ele foi vendido. Ele vendeu, assim, cerca de 25 mil cópias, assim, em 15 dias.

Depois do lance da Besta. Esses assuntos te interessavam, o da fé? Na época? Qual que era a noção política que você tinha dessa pressão? Ou você não se interessava? Ou você passava longe pra não pegar ruim? É, ruim. Claro que eu me interessava. Certo. Porque eu sentia na pele.

A gente sentia na pele a discriminação, entendeu? A gente tinha em grupo, inclusive, assim, poxa, encosta na parede, em geral, filho de gente de família, de estudante, aquele negócio todo, entendeu?

Claro que a gente sentia outra coisa, ver parentes também, ver a rapaziada com pouca posse para estudo. Não só isso, também, já filho de pessoas também que não tinham muita cultura e também não tinham força para pôr na linha. Você estudou até quanto, Garfé? Eu fiz...

Um primário bom pra caramba E a dimissão, né? Depois eu fiz curso técnico Eu estudei no Senai Lá eu falo Era o profissional Era o profissional e tinha o propedeutico Olha só, olha o nome Como é o nome? Propedeutico Que é português, geografia, ciência, matemática Porque inclusive é o seguinte Como é que você vai fazer uma peça?

Entendeu? Se você não sabe matemática, não sabe medir. Cálculos. Entendeu? Agora só que tem um detalhe. Qual que era a sua profissão mesmo, de início? Eu fui lá estudar ajustador mecânico. Eu queria estudar torneiro, né? Mas isso era brabo, era uma profissão fórdica. Todo mundo queria, vou fazer tornearia, não sei lá. Por ordem, frezador, torneiro, ajustador, né?

Ajustador, era o mais... É, aí, bota... O ajustador, pá, tá aí o seguinte. Tô lá, né? E o... O instrutor... O instrutor, professor Talma, entendeu? Comunista. Comunista. Aí, um caboclo, né? Ele acabou, caiu de pá, tá aí. Daqui a pouco chegava lá, eu vi o rumbô, né? Falei assim, ia lá, pegaram me buscar. Aí... Eu vi ofortable.

Ô, Zé Carlos, vem cá, Zé Carlos. Ô, de novo, né, tem que te liberar, né? A professora lá do... Duas professoras que tinha escola de música atrás, numa rua atrás do Senai, né? Evaldo Lodi, lá em Triagem, no Rio, né? Perto da Mangueira, antes da Mangueira. Mas vizinho, né?

Aí ela criou um grupo orfeônico, entendeu? Onde a gente cantava as músicas afro, né? Assim, um grupo assim de 25 a 30 alunos, né? E eu cantava lá. Mas eu estou de olho no piano que está lá. O piano, entendeu? Um piadão. Aí eu falei assim, professor, posso lá dar um... Você toca, você... E aí

Acordeão. Eu sou doido pra... Eu já tocava na casa. Tinha um juizinho branco que me levava pra casa deles, lá na Pé. Tinha um piano. Tinha um piano. Tem semelhança? Pergunta de Lego, falou, mano. De acordeão? De acordeão com o piano? Tem, que é o seguinte, a tecla. E o desenho ali pra... Agora não, aqui do acordeão é baixo. Certo. Aqui já é tecla, entendeu? Mas já é uma base, entendeu? Certo. Aí o detalhe.

Aí eu, no piano, aí, pá, pá, pá, aí, após o dia foi chegando, né, pá, tá, aí vamos fazer um conjunto, vamos. Fizemos um conjunto vocal. Quem era o conjunto vocal da moda, na época? Os cariocas. Os cariocas. Tinha os outros tris também, né, por exemplo, Tri Nagô, tinha outros tris, mas assim... Tri Nagô? Nagô, é. Tri Iraquitã, entendeu?

Quer ver? Tem disco dessa rapaziada aí? Porque a molecada dessas alturas vai correr pra querer saber quem é. Trinagô, Trinagô, Trinagô, você sabe quem era, inclusive, sucesso no rádio? Esse pessoal lá da Bahia, o Matheus.

Ticoãs. Ticoãs. Entendeu? Tirilactam, entendeu? Ticoãs. É um negro e dois brancos. Isso. Mas a essência é negra, entendeu? Olha o detalhe. Aí, de repente, o que está acontecendo?

Os cariocas da Bossa Nova. Não era nem Bossa Nova, mas era uma música sofisticada, um samba sofisticado, com distribuição de vozes.

Aí, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá. Aí, o parente, pá, professor, olha, próximo concerto, vocês vão se apresentar. Olha, arruma uma gravata borboleta, camisa branca, né? O parente, pá, show. Aí, conclusão, eu virei um ídolo na escola, naquela escola, eu virei um ídolo. E o seguinte, por causa disso, eu fui perseguido. Na escola? Por um professor, Sarará.

Ele falou que eu que roubei a faixé, a cabaça, né? Que eu roubei a cabaça. Eu não roubei nada, rapaz. Porque na casa ninguém podia pegar nada, nem na rua. Na orelha, bota esse anel aí. Assim, bota aí. Vizinho lá, não, tá na Conceição. Ele achou. Na casa ninguém acha nada.

Põe aí. Era assim. Eu fui educado assim. Mas sabe o que acontece? Eu morava na favela. Morava no Parque Proletário da Penha. E eu negro. O seu pai fazia o quê? Meu pai foi funcionário público. Mas meu pai era autodidata não só na música, não. Ele mexia com as ferramentas, entendeu? De mecânica, de pedreiro, entendeu?

Clínico Geral. Clínico Geral, cerdão. Como sangue não é água, o fúbio pegando. Mas assim, no meu caso, o professor Tauman, o comunista, ele falou assim, tô bolado. Não foi uma bolada, era outra... A gira da época. É, da época. Ele falou assim, olha, pô, teu pai te botou na escola errada, rapaz.

de mecânica. Tu é ruim pra caramba o negócio de mecânica? Isso no Senai, professor. Ele tem que botar você.

Lá em Londres, lá na França, pra aprender o piano clássico. O cara já tinha se ligado na sua... O negócio é música, rapaz. É música. Mas olha só, aí sumiu o instrumento. Aí o seguinte, o professor lá falou que fui eu que roubei, aí não fui, fui pra casa chorando, meu pai, minha mãe, o que que tá havendo? Aí eu contei, meu pai, baixinho, aí foi lá, o cara grandão, ele...

Em casa ninguém rouba nada Não tem necessidade de outra coisa Educação já vem dos nossos antigos Mas o que que motivou esse cara A fazer ele levantar essa calúnia sobre você? Porque eu virei ídolo Racismo? O caso do... Ele é sarará? Ele não se via como... Não, ele não se viu Não se via como... Ah, o detalhe Mas você viu ele E outra coisa Eu acho

Como é que pode o neguinho lá da favela tocar piano? Tá demais. É, tá fora da caixa, né? Entendeu o clima? Tocar piano. Não dá pra ler, né? Não consigo te ler, né? Entendeu? Não consigo te ler, né? Eu vou agora aqui, vou mais pra cá, tá? Eu vou, o calendário, o negócio do piano, né? Aí eu tô, o Antunes, é Antunes, que trabalhava com o senador, senador Kaó.

Senador caó baiano Você sabe disso, né? É senador caó baiano, negro, entendeu? Negrão De que época? Da época de Leonel Brizola Mais ou menos Os anos 70 Não, 80 já Aí o seguinte, Zé Antunes falou assim Ligou pra mim Foi pra minha casa Não, foi pra minha casa não Foi pra minha casa Ok

Ô, da fé, tá fazendo o quê aí? Falei, de bobeira. Aí, pra ganhar três contos, bata uma roupa aí, bata uma roupa do estilo, vem aqui pra Câmara dos Vereadores. Entendeu? Vai tocar um piano aqui, que tem um coquetel aqui pra entrega de um diploma aqui. Já falei com o senador e tá liberado três mil pra você. Aí eu botei uma beca, né, pai? Fui lá.

gravata borboleta, certo? É, terno risca de giz, cabisa branca, sapato preto, meia preta, entendeu? Aí, educadamente, tô de braço cruzado ao lado do piano, esperando haver a hora pra atacar. O cidadão falou pra mim assim...

Cidadão Branco. Falou assim, eu não tenho nada, eu não tenho esse problema. Eu amo todos. Preparou antes. Eu sou filho de Deus. Humanista. Nós somos, entendeu? Eu falo isso numa música, num desse disco aí. Nas vezes corre o sangue da mesma cor. Aí o detalhe, ele falou assim pra mim, dá pra você me servir um drink aí?

Porra Caramba Eu esqueitei Fui lá, sentei o piano Você quer ouvir o quê? Aí ele Calma, amigo Tudo certo Eu tô te conhecendo Carro da fé Eu falo pra polícia que eu sou carro da fé Você vai adivinhar que eu sou carro da fé

Aí me prenderam assim mesmo Sabendo Sabendo Às vezes não ajuda muito Às vezes até atrapalha Eu sei como é que é Eu não nem sabia o nome

É igual no começo, né? Melhor não saber o nome, senão fica tudo mais caro. Tem uma época que os caras me abordavam, perguntavam o que eu fazia. Eu falava que era empresário. De quê? De confecção de camiseta. Porque a gente realmente tinha uma confecção, né? Então eu falava isso. Pra não ter muita pesquisa sobre as letras das músicas. Não ia ter que falar. Mas viu? Mas isso aconteceu com esse clima de eu sentar lá no pé? Eu ganhei um fã. Vários shows. Ele tava lá. Sabe o que acontece?

Eu sempre falo, gente, ninguém é obrigado a conhecer ninguém, certo? Ninguém é obrigado a conhecer ninguém. Ainda mais nessa galopante agora que a gente anda de várias informações. Informação a cada segundo. Tudo muda. Tudo muda. Muda mesmo. Já estava mudando, entendeu? Agora vem cá. Acho que a pessoa está focada num outro lance, entendeu? Num outro som, entendeu?

Entendeu, Brau? Tá focado em outro solo. Agora vem cá, vou falar de você, do teu estilo. Certo. Timar, claro, eu fui criado também ouvindo Moreira da Silva, Samba de Breck, né? Samba de Breck, tem o Breck, tem a fala, né? Já era meio rap, né? Claro! Depois veio Jair Rodrigues, né? Que é a música do solo Edson Menezes, entendeu? Deixa que diga, né? Mas antes já tinha, pessoal. Tinha uma cena de Samba de Breck? Tinha, tinha.

maior representante. Tem outros, tem outros. Inclusive meu amigo, tem outros, tem outros. Seu amigo, Moreira da Silva? Me salvou no Hotel Jandaya. É mesmo? Hotel Jandaya em São Paulo? É aqui em São Paulo. É um amigo meu, Joãozinho do Recife, vou tirar o chapão porque ele subiu, certo? Certo. Obrigado, viu, velho? Obrigado. Ele era um aprendiz de empresário.

E... Afoito. Aprendiz e empresário e afoito. Não, é isso. Já entendi tudo. Ele já com uma camisa, cara da fé, botou uma japonesa, uma francesa, entendeu? Aprendiz e empresário e afoito. Um anisei, botou assim, do anisei, né? Com a minha camisa, né? Com a camisa da fé, vamos para lá, vamos para cá. Aí tem um dia que é o seguinte, tem assim, três shows, aquela noite.

Eu te pago, quando terminar os shows eu te pago. Falei, tá legal. Aí, no segundo dia, mais dois shows, eu te pago tudo junto.

Aí, rapaz, é o seguinte, daqui a pouco, cadê Joãozinho? Sumiu. E sabe onde eu estava? Eu estava na suíte presidencial, tipo assim, na... E agora? Não, a despesa está aumentando. E vai pagar como? Aí, o seguinte, eu falei com o gerente lá do hotel, me tira daquilo, porque eu estou muito solitário lá, me bota no quartinho. Mais um milho de quê?

Estou muito solitário, foi ótimo. Aí encontrei quem na portaria? Moreira da Silva. Ah, lá. Fazendo a ficha técnica dele para entrar para o hotel. Isso acontece, tinha um esquema. Ficava no hotel, dava uma cantada lá e ficava tudo certo, entendeu? Tinha esse clima. E o Chãozinho me botou justamente lá para isso. Fazia um show, pagava a porta e ia embora. Nisso eu estou deitado.

Olhando televisão, e uma fome, né, pai? E com um dinheirinho, porque eu vim vender o De Repente, eu vim mostrar o De Repente, e estava ainda, era um compacto, eu não podia ir embora sem negociar. Aí eu tomava um café.

reforçado, né? Aí lá, tarde de noite, eu fazia o outro lanche, né? Às vezes jantava, às vezes não. Mas o dinheirinho tá ali, qualquer problema, eu tô com o dinheirinho ali, pra segurar minhas despesas. Aí eu tava no hotel de uma aba de estrela. No hotel de três estrelas, quatro estrelas, cinco estrelas, eu tava de uma aba de estrela. É que meia estrela?

Não tem aba, não tem aba Não tem as aba Aquela metade da aba era Era a aba do hotel Do hotel, entendeu? Muito pra caramba Aí o Josinho falou assim Ótimo, pô, dá licença Ele que tá me abrigando Olha o detalhe Não, aí não, aí não Encostou com o carrão Não

Táxi, sabe, bonito, né? Lá na porta do hotel. Não carrega nada, não. Aí, pá, me botou lá. Nisso, Moreira. Chega Moreira da Silva, a gente troca uma ideia. Ele falou assim, pô... Ele gostava de mim, inclusive, por causa disso aqui. Chapéu. Porque foi uma marca dele, né? Aí ele falou assim... Ó, tô em apartamento, tal, tal, tal, tal, tal, tal, tal, tal. Tá legal.

Liga pra mim, vai lá pra gente trocar uma ideia e comer um negocinho junto. Eu tava com vergonha, falei, eu não vou chegar junto, pô, não tô podendo chegar junto. Ah, rapaz, uma fome tremenda. Aí eu tô... Daqui a pouco, abri assim, uma porta. Era o camarim das vedetes, as... As ançarinas. Aí o seguinte, joia pra caramba, fruta pra caramba, dinheiro.

Aí o seguinte, deu vontade de pegar uma maçã, mas aí aquele encenamento da antiga do semestre de coisa de ninguém, puxei a porta devagarinho. De volta, né? E estou de volta para o meu recinto. Daqui a pouco... Falei, me descobriram, me viram. Entrei debaixo do coberto. Aí eu, alô. Ô, rapaz, não mandei você ligar para mim, rapaz?

Moreira da Silva. Moreira da Silva. Moreira da Silva. Ó, mandei fazer pra nós aqui uma macarronada com frango. Vem comer aqui comigo. E vamos ver o Flamengo e o Guarani.

Na televisão, né? Vai vendo. Ai, meu Deus do céu, que salvação, né? Que salvação. O Joãozinho nunca mais apareceu, cara. Quem me mandou para casa foi a Rosa Maria, cantora. Pãozinho do Lebron. Pãozinho do Lebron. Nossa Senhora, meu Deus do céu. Como eu amo São Paulo, cara? Conta as histórias. O Daffael, estou lembrando de uma música aqui que você fez. A gente nem entrou nas ideias das músicas ainda, né?

Pô, eu lembro que uma vez você tava em... Aquela música que você fez pro Tim Maia. Sufocante? É, sufocante. Sufocante. Inclusive ela tá no disco novo aí com o Bid e o Gabriel Moura. Certo? Agora aquela versão com o Tim Maia cantando...

A primeira vez que a gente ouviu aquilo, na época, você sabe que muita gente casou vindo aqui, pessoas nasceram, a humanidade se renova. Essa coisa de fazer música romântica, conta a história dessa música aí, mano. A história dessa música é o seguinte, o que acontecia nessa época aqui, né? Ele tá de volta, mas era assim, por exemplo, Mano Bravo vai gravar, Mano Bravo vai entrar das vendas.

Pô, tem que estar no disco do Bando Brown. O Timar era o cara? Não, aí era o cara, o Tim, né? Aí foi esse meu parceiro William. William? William Félix. Aí o Tim vai gravar, cara. Aí vamos ver se a gente encaixa com a música lá. Ó, tô com condomínio atrasado, escola das crianças, entendeu? Pô, que era um advance. Já levantava na frente, entendeu? Até antes de gravar.

Aí, vem aqui pra casa. Eu tô lá na vida da frente. Você pode fazer uma medida do dinheiro da época, de hoje, assim, mais ou menos? Você consegue fazer um paralelo? Um paralelo, por exemplo. Tipo hoje, seria quanto? Essa sufocante. Sufocante? Pra você ter uma ideia, ele me deu sete pau na edição. Sete pau de hoje. Sete pau de hoje. É, sete mil reais.

Ou 10. 10, 10, 10. Mas foi quando isso? Isso foi... Eu não me lembro da época. Mas foi... Acho que era outra moeda. Foi capa. Era não, era outra moeda. Era outra moeda. Era outra moeda. Cruzeiro. Entendeu? Cruzeiro. Cruzeiro. 84.

84, né? Foi cruzado também na época. Foi cruzado, porque eu ganhei no bicho aqui em São Paulo, ganhei 70 mil. Você ganhou no bicho? Cabeça. Outra história. Estava todo mundo duro no escritório que fechava show nosso. Salvei todo mundo. Mas o cara que eu mais ajudei me atrapalhou de eu ficar rico. Com outra milhares. Deixa eu falar.

O Valada Sufocante A Uira vem aqui pra cá Fui pra Niló Aí tava lá Com o piano, o violão O seguinte O Tim mesmo já falou pra mim O seguinte, aquele jeito dele O cara da fé, o que vende É música, olha aqui Do cotovelo, bicho Você tá entendendo a fé O que vende é isso Tem jeito O que vende é isso

A gente tem que fazer uma música de corno. Entendeu? É uma música de corno. Uma corno de cotovelo. Aí fizemos, né? Foi sufocante pra mim eu te perder. Foi sufocante pra mim te ver com outro. Olha aí. Foi sufocante pra mim, querida. Aí liguei pra ele. Na casa do Willian, eu mostrei pelo telefone. Ele... E aí

Foi só imastorado e a pó que é chuir. Não, por favor. Leve esse verso aí. Entendeu? Foi sufocante pra mim, eu te perdi. Foi sufocante pra mim, te ver com outro. Foi sufocante pra mim, querida. Aí ele, pô, vem pra cá. Vem pra cá. Ó, tem um amp aí? Tem. Tem, Luíra? Tem.

microfone, pedestal, tem violão de seis, violão de doze, traz tudo! Aí ele pegou, o pai dele era dono de loja de material de construção, né? Aí ele falou, vou pegar um carro com o meu pai lá, tava tudo na rua. Ele pegou, saiu escondido com um carro de coleção do pai, né? O pai tinha uns três carros de coleção, né?

Nem chama atenção, né? Chama esses carros de conexão? Você que gosta, né? Carro de exposição, imagina. Você tá entendendo? Aí fomos, equipamento, lá na Gávea. Aí botamos o carro lá no shopping, né? Da Gávea. E demos um dinheirinho pro pessoal ficar de olho no carro. Aí descemos com o equipamento. Chegou na portaria do Tim. O porteiro anunciou. O senhor, Tim, o carro da fé tá aqui. Ele, pô, deixa eu falar com ele.

Pô, Caldafé, demorou muito. Tim, vai vendo. Demorou. Aí o William, calma, calma. Tá bom, Tim. Eu volto amanhã. Mas volta mesmo, volto. Aí não vou levar equipamento mais, nem levei meu parceiro.

Fui com a fita cassete, a letra. Ele desmarcou o compromisso com você. O detalhe é... Vem amanhã, eu vou. Eu vou, venho. Aí subi com o Zé Roberto, que foi da turma da Praça da Bandeira, lá com o Heráimo, com o Tony Tornado, o Roberto, aquela turma. Tinha essa turma aí? É, teve essa turma. Meu compadre Murilo. Eles tiveram uma turma lá na Praça da Bandeira. É.

em Tijuca, entendeu? Aí o detalhe, aí subi com o Zé Roberto aí, aí eu cantei a música, a capela pro Zé Roberto no elevador, o Zé, o Tchim já ouviu isso, cara? Eu falei, já ouviu no telefone, pô, cara, se ele gravar isso aí, é o seguinte aí, é pum! Quem falou isso aí? O Zé Roberto, né? Aí subimos e tal, ele, pô, olha o cor da fé, tu veio e tu vai, pô, legal, eu tinha aqui a fita, e a letra, ele falou assim, ó,

Amanhã a gente escuta, tá? Amanhã a gente escuta, ele falou. É, amanhã a gente escuta. Jogou no meio assim, duas, duzentos e cinquenta fias, tá certo? Puta, meu. Aí eu falei, puta que porra. Não vai ouvir nunca. Amanhã a gente escuta. Certo. Aí o seguinte, passei a tarde, o dia, a tarde com eles, tá, e me despedi, fui embora. E eu sou todo, quem tá me produzindo, de repente.

paulistano, Ribeiro José Francisco, que era muito amigo, morava no Rio, lá no recreio, amigo do Fábio Júnior, ele estava produzindo o Fábio Júnior, produziu o Júnior Mendes, produziu o Dudu França, entendeu? Júnior Mendes. Júnior Mendes, filho da Deise Luce, radialista. Tem um disco dele aí.

Tem aí, pode buscar. Já era o Soul, entendeu? Era o Branco fazendo Soul. É, já era o Branco fazendo Soul. Que época, mais ou menos? É de 90. 90? É. 90 foi agora. Não, de 83. 80. Não, de 80. Com o nome de nego velho, né? 90 foi agora. De 80, de 80. Com o Junior Mendes, entendeu? Ah, o detalhe.

Atenção Linocris Linocris é da pesquisa Aí o Ribeiro O Ribeiro vai Falou assim, da fé O dixo já estava vendido Para a RCA

Aí você encontra comigo lá na RCA, lá na Santa Clara 50, a cobertura, que é a divulgação, que eu vou lá te encontrar, de lá a gente vai pra casa do Fábio Júnior, que ele quer escutar as músicas suas. Falei, que legal. Aí. Que legal, né? Que isso acontece. Você vai gravar, não é isso não, porque já vai entrar um negocinho que vai salvar a parte. Pô, aí quem ligou lá pra RCA?

Lá pra... Pra... Pra... Praquele departamento. O Tim Maia. Hum. Aí não sei quem falou assim pra ele lá. Só que ele tá aqui, Carlos da Fé, ele... Ih! Deixa eu falar com ele! Sabe o que aconteceu, velho? Quando ele fez aquilo com a gente, eu dei um gelo nele, eu sumi. Certo. Entendeu?

Sumi. Entendeu o clima? Mandou levar equipamento, mandou levar tudo. Pô, jogou no meio dele, 154, e sumimos. Aí ele pegou, falou, aí ele, ô, na fé, pô, você me abandonou, rapaz. Falei, pô, tu tá que nem a tua música, do Venho a Matar Saudade, por que você me abandonou? Falei assim, não, Tinho, sabe o que é? Eu tô fazendo aquilo que o mestre ensinou. O que o mestre ensinou?

O mestre falou um dia, quando eu cheguei para conhecer o mestre, o mestre mandou mim buscar lá em Vigário Geral, o mestre falou o seguinte, ó, tocar com o Tim Maia é só um trampolim. Pintou outra coisa, né? Corre atrás, vai à luta. Não fica só dependendo de Tim Maia, não. Ele mandou essa. Ele mandou. Aí ele pôs, tu é fogo, tu tem boa memória. Mas é o seguinte.

Mas tu vai pra onde agora? Agora eu vou me vingar. Vou me vingar. Me vinguei. Aí eu... Ajeitei, né? Colarinho. Eu vou pra casa do Fábio Júnior.

Ele cansou de ser. Pra que eu fico. Fábio Juno. Aí ele, Fábio Juno. Eu, Fábio Júnior. Ele, Fábio Juno. Eu, Fábio Juno. Fábio Juno. Fábio Juno. Aí eu fiquei insistindo, ele falou assim, tá bom, então escolhe. Aí o tempo deu o telefone, ele falou assim, era o Ribeiro, já tava lá comigo. Ribeiro, liga lá pro Fábio Juno, fala pra ele que eu só posso ir na casa dele amanhã.

Entendeu o clima? A minha fita já tá lá, rapaz. Já tá tudo lá. Tava lá só esperando, entendeu? Você tá vendo o clima? Aí fui. Ih, alegria. Aí o seguinte, ele tava no banheiro, né? Eu trai na fé, eu entrei, pai. Aí esticou a mão, apertou a minha mão. Eu estiquei também. Ele falou assim, não. Olha só. Olha só o que veio depois, olha. Os tempos agora atrás. Mas eu já tinha disciplina, certo? Chegou da rua, tem que lavar as mãos. Certo. Entendeu? Aqui, ó.

Ele falou, não, você apertou a mão aqui, apertou a mão ali, já apertou a mão no Corribamba, rapaz. Pode estar trazendo um negócio aí pra batatimar, rapaz. O vírus, o Covid, rapaz, o Covid, que veio anos depois do clima. 40 anos antes. Aí eu fui lá, lá veio a mão, ele falou, escolhe aí, tem toalha rosa, amarela, azul, preta, escolhe. E tem sabonete também virgem, aí eu fui lá.

Agora se... Aí apertou a mão, vamos lá na sala. Tomar um negocinho, tomar um uísquezinho, vai, vai, ele falou assim. Toca aquela música pra mim. Ele tava com dinheiro nessa época aí. Tava rico. Tava, tava. Bocazão, essa casa aí. Rapaz, ele já tinha tido um problema. Ele já tinha dado uma volta, uma confusão lá na... Ele tá... Foi contratado pela Som Livre, gravou o disco. O Deon assinou com outro contrato. Aí ele falou assim, Jola hoje!

Bate minha rescisão aí, como, Tim? Não é assim, não. Pô, tu mal saiu o teu disco. Não, não, não. Já enjoei daí. Já enjoei, já enjoei.

Aí eu vou aí, o João. Pô, não tem rescisão, não. Tá, não vai, não tem não. Aí foi. Chegou lá, tava o Pelé, negão, nosso amigo. Mas segurança, né? Também lutava as lutas marciais. Era o segurança. Era o segurança. Aí falou, Tim, pô, pelo amor de Deus, somos amigos, Tim. Não, não sei nada, não.

Se eu não conseguir, se ele não der a minha rescisão, agora eu vou buscar o Dick. O Dick era um pastor, um fila que ele tinha. Um cachorro. Um cachorro. Aí, sei lá, aquela porta entreaberta e aquela mãozinha tremendo. Dá ele aí. A rescisão. Era que era o... O João Araújo. Dá ele aí, dá pra ele aí.

assinou na hora, pra liberar o cara, pra liberar ele. João Laú já era o pai do Cazuza? Pai do Cazuza, e foi meu diretor na Som Livre também, em 74. 74? Em 72 eu fui na Philips, em 74 lá. Depois aí o Orno, em 76, 77, 78, 79. A sua primeira gravação é de quando? A minha primeira gravação é...

Um disco que eu queria trazer, que era do Pedrinho, Pedrinho, guitarrista, né? Num conjunto de diplomatas. Certo. Entendeu? Instrumental, de baile, claro, cantada também. Eu tocava baixo e fazia o repertório do Simunal.

O Toco, que era compositor lá de Padre Miguel, ele fazia o Johnny Matts. E tinha um branquinho magrinho, ele fazia o Ney Sedaca. Ney Sedaca. E o baile, né? E o namorado, aquele negócio todo. Sufocante. Mas aí, nós estamos negociando. Estamos negociando. Como é que foi a parada?

Ele não mandou eu tocar? Eu toquei, ele falou assim, aí, vou gravar. Vou gravar, mas vai ter que assinar com...

Com a Seroma. Sebastião Rodrigues Maia, né? Seroma é o nome dele. É, Sebastião Rodrigues Maia. Sebastião Rodrigues Maia. Sexta-feira tu veio buscar o cheque. Era o escritório dele? Era a editora dele. A editora. É. Vem buscar o cheque, entendeu? Sete mil. Ele mesmo batizava as empresas dele. Isso. Aí olha só o detalhe. Vitória Regia. Aí falei para o Mar, Dani. Ana Maria, eu dava o seguinte, ó.

Marca lá o teu salão de cabeleireiro, unha, negócio todo, né? Pé... Outra, vê lá a escola das crianças, vão adiantar tudo, o condomínio vão adiantar tudo, a gente vai dar uma geral no nosso carrinho, entendeu? E vou te dar um levado bom, você põe lá na poupança e outra você faz o que você quiser e já faz assim no assunto e fala assim, o senhor Zé!

Essa picanha é minha, guarda, quando eu voltar é minha, tá. Aí pá, tá, churrasco, né, tem que rolar, né. Fui pra lá, me cheguei lá. Aí já tava a casa cheia. Aí pá, pá, pá, vem, ele gosta de uma história, gostava sempre, gostava de uma história. A casa de timada tava cheia? Tava, e o detalhe, né. Quem é que frequentava essas épocas? Ah, muita gente, muita gente. O Edson Trindade.

Isso foi de épocas em épocas. Eu já estou numa outra época. Tinha pessoas também que a gente nem conhecia. Então, tem o seguinte. Teve um lance desse, que ele estava gravando as séries dele, do selo dele. Ele gravou com os cariocas e tal. Aí, aquele mesão, né?

tudo ali, né, rango pra caramba, bebida e tal, e ele deu camiseta pra todo mundo de presente, vinil de presente e tal, aí ele contou uma história, uma piada, né, aí todo mundo riu, né, mesmo um mané lá que não riu, né, e contou tá por cima, né. Não riu, contou tá por cima. É, foi assim, não deu bom. No pior, você não sabe. Se no pior, você não sabe.

Eu tinha show aquele final de semana Sexta, sábado e domingo Não rolaram os shows Foi Toró torrencial no Rio Aí eu falei Aí caiu o show Aí eu falei assim Vou lá no Tim Ele gostava, né? Nunca pedi, bicho

Ele mesmo, vem aqui, entendeu? Tem um levadinho aqui, entendeu? Aí, depois eu vou te contar, porque você vê aí, tudo prexinho, né? Eu vou te contar essa história, tá? Aí, aqui é o detalhe. Aí, falei, se não vai dar certo, não deu outra. Aí, bicho, ele falou assim, ô, Maza, o Maza, tecladista, você é meu produtor e meu músico, quem é que trouxe esse cara? Foi você?

Ah, é, né? Foi... Adriano! Solta os cachorros! Não gostou do cara. Pô, e não é, rapaz. Eu já falei... O cara era bom músico, pelo menos? Não, esse cara não é bicão, rapaz. Era bico. Bico mesmo. Bico de luz. E aí ele quis levar uma. Entendeu? Nem sabe exercer o personagem. Não, e contando história em cima do cara, da história do dono da casa. Tem que rir da piada do dono. O dono da casa tá te dando comida, tá te dando comida, tá te dando comida. Aí no personagem. Tá te dando camiseta, tá te dando...

Tenta roubar a cena dele. Foi demais, ele se passou. Não, aí a minha vez... Aí a minha vez ele falou assim... Ô, Adriano... Eu já tava preocupado. Eu falei, meu Deus do céu. Eu só fui cuidar passagem, cara. Pra ida. Como é que eu vou voltar? Tipo assim, quase isso.

Aí eu falei assim, Adriana, pega os dados da fé e faz um chequinho para ele aí. Na época foi um dinheirinho bom, tipo assim, R$ 1.500. Não foi mais, foi mais, faz um chequinho para ele aí.

Aí, legal, aí fui lá. Mas tem o sufocante. Sufocante. Ele mandou na sexta-feira, tá ficando tarde, tá contando história, pá, pá. Aí daqui a pouco o banco era na esquina, faltava o quê? 20 minutos. Meia hora pra fechar o banco. Meia hora pra fechar o banco. Aí ele pegou o cheque, né? Aí, pá, né?

Botou meu nome, Néza Carlos de Souza, artístico, né? Tinha uma... Aí é Carlos da Fé, bá, bá, bá. Agora, assinatura. Sebastião. No Rodrigo, ele parou no rô. Parou no rô. Falei, ai, meu Deus do céu. Parou pra pensar. Para não. Eu falei, ai, meu Deus do céu. Meu Deus do céu. Eu olhava descantamente... Eu descantamente olhava pra onde? Pro relógio. Aquele break dramático. Aquele break dramático. Parou de escrever. Aí parou. Aí ele falou assim... Carlos da Fé.

Fala a verdade. Foi sufocante pra mim eu te perder. Foi sufocante pra mim te ver com outro.

Isso é música de corno, né? Eu? É. Aí, você mostrou o Rodrigues Maia. Terminou. Rapidinho. Só pra ter certeza. Só me confirma, é isso mesmo? Eu me ouro, eu interpreto errado. Aí ele veio pro meu lado, chorando. Você só falou, é. É, eu não sinto bem, entendeu? Aí ele veio chorando, me deu o enxergue, falou assim, papai, corre pro banco, o banco vai fechar agora, vem cá, fala a verdade. Nós corno sofrem. E como? E corre. Me dá esse cheque.

Imagina, sexta-feira aí Já cheguei no banco Passando por baixo O cara fechou A gente ouviu e aprendeu Do início da sua trajetória Como instrumentista Então começou na flauta, foi para o acordeão Aí o Brau puxou sufocante Eu fiquei com vontade de ouvir mais Sobre o seu início na composição também Eufortable

A composição veio no tempo dos boleros, entendeu? Do tempo dos boleros, que eram canções com letras românticas. E eu sempre assim, metido a namorador, né? Não, porque que negócio? A gente tem que ter uma motivação, né? Cantar uma, cantar.

Ah, dessa época Tiju, dessa época eu não lembro Nenhuma, não lembro? Não, até porque Uma romântica Desse clima, né? Venha matar a saudade Venha matar a saudade Venha matar a saudade Venha matar a saudade Mas venha pra ficar Tipo assim, né? Agora vem cá, o detalhe Tô falando da época romântica

Do bolé. Do bolé. Aí, o que aconteceu? Tinha um conjunto de rumeiros, é aquela fase da música latina que eu falei pra vocês. Certo. Aquelas bolé, aquelas rumbas, né? Anos 60. Aí eu montei um conjunto.

Aí eu... E nessa época, paralelo à democracia do rádio, ao estilo latino, estava rolando também o rock and roll e o soul, entendeu? Inclusive tinha os conjuntos em que a gente se reunia, né? Botava um terno, uma gravata e tal, e tinha que ter uma luva, né? Mas ninguém tinha dinheiro para comprar um par de luvas. Então a gente faz uma vaquinha, compra um par, aí tu escolhe a mão que tu quer.

A mão sem luva. Essa aqui tem a luva, né? Aqui não tem, está escondido aqui. Esconde a mão. Aí fizemos um conjunto de rumeiros, que é o seguinte, cada quarteirão tinha um conjunto de rumeiros no bairro, certo? É mesmo? É, tinha um conjunto de rumeiros. E a roupa de babada... Era música popular, então. A influência cubana foi forte. Foi fortíssima. Olha aí. Entendeu? Cada quarteirão. Qual o bairro lá, Isabel? Venha.

Vários grupos de música cubana. Cubana. E dois bom goceiros, dois caras... Tem afinidade. Tem afinidade. E a rumeira, né? E a rumeira. Eu era apaixonado pela rumeira, né? Ah! Eu... Tinha umas meninas... E aí, o pai, né? Foi assim que eu ganhei a Marilda, inclusive. Claro, claro. Foi assim que eu ganhei a Marilda, quando eu toquei com a Rosa Soares, certo? Claro, claro. Entendeu, Clima? Cara, aí, de repente, fomos tocar na Ademilos, da Associação Atlético-Ademilos.

A fábrica da Demir, tinha um conjunto lá, mas estava voltando o acordeonista. Aí o Adaiuto, tem coisas que eu guardo legal, ele falou assim, cara, quer tocar no conjunto da fábrica? Eu falei assim, ué, é só me arrumar um emprego, porque nessa época, o músico tinha que trabalhar. Não podia viver, não, a música não sustentava não, entendeu?

Muitos até ousavam, passavam fome pra caramba, passavam aperto, entendeu? Aí, não, aí falou, vou falar lá com o senhor Diniz, aí no outro dia eu fui lá e já estava empregado. Estava empregado, aí comecei a tocar no comum da fábrica. Qual era o meu cargo lá? Eu trabalhava no almoxerifado. É tipo assim, um...

no meio das costureiras, tudo ao redor. Você está numa parada, numa lojinha, e ela pegava... O sutiã era por peça, entendeu? Era por peça, não é como hoje. Hoje eu vejo o sutiã, e eu digo, pô, perdeu o romantismo. Por peça, perdeu. Só acaba rápido, é descartável. Aí não, por peça, aquele negócio está aí.

E aí inventaram, às sextas-feiras, o ônibus da fábrica ia lá na Penha, lá no meu bairro.

Lá na favela, buscar o meu acordeon. Eu, com o acordeon, eu pegava... Aí já mudou até meu horário. Eu pegava cinco horas... Seis horas... Cinco horas da manhã. Mas o acordeon vinha junto. Porque meio-dia eu já estava liberado, certo? E na hora... Uma hora já estava liberado. Mas na hora do almoço, o que acontecia? Eu tocava o acordeon. De mesa em mesa, assim. Eu cantava o quê? Para as mulheres. Música romântica.

O romantismo, os boletos românticos. Eu ganhei... Tinha uma revista, papel bonito mesmo, certo? Papel cocheiro, né? Eu ganhei uma página na revista da Demilos. Para as poesias, entendeu? Para as minhas poesias. Só o romantismo, entendeu, Climano?

Você tá entendendo? Aí o outro vai... Disse que eu era ladrão. Deu clima. Romântico pra caramba, deu clima. Mas olha só o detalhe. Tiveram outras coisas, rapaz. Você vê eu estourado, né? Assim, estourado não. Assim, com acontecimento. Que eu senti, passei uma fase também.

baixista, aqui da Elza, lá no Rio dos Carvinhas, Osmar Milito, estou aqui com vários pianistas da noite, inclusive a Nana Caymmi, ela subia no palco.

Pediu o Tom, o Vinhas, para ela cantar comigo. Ela falou que era para ela gravar. Ela gravou Passarela e eu quero ver. Trabalhei em palcos também com o Alcione, o Emílio Santiago. E a base que nos acompanhava era o Grupo Senzala, que virou banda Black Rio, entendeu?

Era o grupo Senzar, o que virou Banda Black Heap. Aí eu larguei minha carteira assinada do Hotel Nacional, onde eu tinha Unimed, eu tinha INSS, e tinha um salário de 3 mil reais da época, de hoje. Só que é um dinheiro mais valorizado do que esse real aí.

E ainda tinha tempo de fazer outras coisas. Eu era rato de estúdio para fazer beck, aquele negócio, estava uma canja ali, outra canja ali. Você vê, para ir para uma boate em Padre Ema, tocar com o Senzala, eu cheguei lá tocando baixo e cantando, mas daqui a pouco já larguei o baixo, porque chegou o Jamil.

O Jamil foi para o baixo e eles queriam eu lá na frente. Eu fui cantar lá na frente. Eu cantava o meu repertório autoral, certo? Dali o irmão da Nanda Caim, o Dori Caim, foi dirigir a boate do Flávio Cavalcante e levou a gente para lá, entendeu?

onde começava às 6 da tarde, terminava às 6 da manhã a casa, com várias atrações, inclusive a comédia rolava lá, Chico Anísio, O Gordo, né?

Eu sei que tinha comédia, tinha Jacques do Pandeiro, né, e a família, né, tinha rapaz, o Miele, e o musical, a gente ficava um doido com o nosso musical, o detalhe. Lá no Hotel Nacional, que eu pedi demissão...

Na hora que lá era um show chamado Brasilian Follies, que era um show para gringos e turistas, mas especialmente o pessoal de fora, América e Europa. E eu cantava umas duas ou três, fui aumentando o repertório. Eu era baixista, acompanhante.

E na hora que eu cantava, o Caribeira da Rocha, que foi lá do Cassino da Urca, do tempo do Cassino, né? É acostumado com o Brasil, que era Jorge Goulart, né? Aí a minha voz agudíssima, né, bicho? Mas já com uma cadência, pá, né? Aí os pessoal, os gringos, inclusive, né? Mas já era o Michael Jackson, entendeu? Era o Michael Jackson, né? Aí, pra chegar nele.

Aí, conclusão, ele... Baixa o tom desse garoto, baixa o tom, baixa o tom, baixava o tom, pô, baixava o tom, né, continua, continua. Bom, na hora do jantar, a banda ia para o jantar, eu sempre retorra da tarde, sabe por quê?

Tinha o uniforme do conjunto, né? Azul, pata. Aí eu passava assim pra ver quem tava na plateia, né? Nas mesas, inclusive, né? Eu vi o Flanque Sinatra, vi lá examinério. Você viu o Flanque Sinatra? Eu vi, eu vi. Aí quem eu encontro, quando eu tô, pá, na corcova.

Jackson 5. Jackson 5. Jackson 5. O grupo. O grupo todo. O grupo todo. O Jackson... Tudo no mesmo... O Michael Jackson era na visão. E que nini... Original da época. É, aí... Rapaz...

Troca ideia, tá aqui. Eu disse que eles já tinham me visto lá no palco, aí tocando e cantando. Trocaram a ideia com... Aí conversamos pra caramba. Só que os moleques correram pra ver as mulatas, né? Quem ficou comigo conversando? Michael Jackson. Olha aí. Ele ficou.

Ficou, a gente se despediu, aí eu fui jantar. Aí o Darío Lopes, que era o banderleiro, falou, poxa, mandei botar tua comida lá no forno, ficar conversando, blá, blá, blá. Você rola o inglês de led? Como é que era a comunicação? Rapaz, eu sou clínico geral.

Se comunica. O Marco tinha quantos anos mais ou menos? Novinho, novinho. Tipo mais ou menos? Eu tinha 30 anos.

Entendeu? Eu tinha 30. Hoje eu tô com 78, fazendo 79 esse ano. Entendeu? Aí o detalhe. Aí quando eu chego pra jantar, aí o Dari, poxa, o Dari fala inglês pra cá. Conversou pra caralho com o Marco Jackson. Eu fiz 78, acabei de fazer. Entendeu? Caramba.

Começou pra caramba com o Michael Jackson Trocar uma ideia Falei dos discos dele Mas tu falou que aquilo Carlos da Fé Single Contra Bass K-Broad Aí conclusão Chegam Dois negão Fortão Segurança deles

Ô, mãe! Eu tô levando o Michael, Michael! Pegou o beco. Thank you! Ok, mãe. Michael foi pra lá. Ô, meu Deus. Precisa falar em igreja? Vou comunicar. Precisa falar em igreja? Não precisa falar em igreja. Ó, Michael. Lá. Thank you. Thank you. Ok, mãe.

A mesma coisa foi agora lá do Jazz Dad. Cheguei ainda comemorando o aniversário. Meu segundo aniversário, que o meu primeiro é 25 de outubro. Nasci 25 de outubro. Como meu pai era funcionário público da prefeitura, o pagamento atrasava, aí só podia registrar no dia que recebia. Mas aí tinha aquela conversa do povo da antiga, falando assim, ih, compadre. O negócio de registrar filho atrasado, pagou a musa, é mesmo?

Tinha essas ideias? Aí meu pai, tinha, aí meu pai, ah é Então ele vai nascer de novo Ele vai nascer de novo Nasci de novo, é duas datas, entendeu? Dois aniversários Aí o detalhe Mas você tá zoando, você comemora os dois? Eu comemoro, sabe por quê? Mas eu não comemorava não

Essa comemoração, a segunda comemoração, foi assim, eu estava num show lá no Teatro Nelson Rodrigues, lá no Rio Petrobras, aqui do lado, ali na Avenida, no Centrão mesmo, tem a Petrobras, tem o BNDES, e aí tem esse teatro, né? E eu fui fazer um show convidado.

E de repente, quando eu entrei na sala do... Entre camarim, né? Aí falaram assim... Da fé, apaga a luz aí. Eu apaguei. Aí muitos anos deviam que eu te junto. Apaga a vela aí. É, apaga aí. Eu? Qual é o 10 de novembro? Ah, é. Ai, começou.

Falei, aí, vai dar certo. Deu certo. Entendeu? É 25 de outubro e 10 de novembro. Tanto que eu consegui. Já morri várias vezes, viu? O homem falou assim, volta! Faz aniversário duas vezes. Volta, volta ainda. Não te chamei aqui, entendeu, Clima? Fiquei em coma, inclusive. Negócio de acidente de carro, né? Bati de carro. Bateu em mim. Teve essa fita aí? Teve essa fita. Quando foi? No auge do 177.

quase 78 já inicio 78 nós estávamos na produção do Venha Mata Saudade

E aí, de repente, estúdio tudo marcadinho, né? Pá, pá, tá aí. A gente não precisa relembrar tudo, né? Pra que recordar do que chorei? Pra que recordar do que chorei. Mas, porra, foi grave assim? Você nunca tocou nesse assunto. Gravíssimo, gravíssimo. Fui manchete de revistas e jornais no Brasil inteiro, entendeu? Aí, perdi a memória, legal. É mesmo.

Aí, mas é o seguinte, aí eu voltava, né? Onde eu tô? Aí eu olhava pra você aqui. Você recuperou legal. Conversava, claro, acupuntura, muita oração, entendeu? E de todos os segmentos, espírita, budista, católico, entendeu? Geral. As orações vieram fortes, entendeu? Eu fui recuperando, agora vem cá. Aí eu falei, quero gravar. Como é que vai gravar, rapaz?

Não, não, quero ir pro estúdio. Aí fui pro estúdio, Transamérica. Aí o arranjo, aí eu falei, para um instante. Sérgio Catarino, vem cá. Eu não trabalhava comigo. Era ele o Silvio. Como é que é essa música aqui? A música era minha. Ele cantava pra mim. Você não lembrava da música. É minha, eu cantava. Eu ia lá. Pode ligar, eu gravava. Gravei assim, entendeu? Sem lembrar da própria letra.

Não, a letra estava escrita. Sem lembrar da melodia. É, como cantar. Ele passava para mim. Demorou quanto tempo esse processo? Ah, bastante tempo. Inclusive o seguinte, nesse disco aqui, produzido pelo Gabu, se eu já quiser olhar, esse disco aqui, inclusive, vendeu para caramba. Ele me deu cerca de cinco shows, seis por semana.

Lá no Rio, certo? Ele não rolou... É, dos anos 90. Nesse disco aqui, inclusive, quando saiu o primeiro pelo Maurício...

E aí, em Perro, não estava indo aqui porque o divulgador, acho que tinha que pá, nunca se foi, entendeu? E sumiu o dinheiro, o negócio todo. Aí, a gravadora lá no Rio se interessou. Aí, traz para cá, perfil musical. Lá, gravava a Lene Andrade, gravava... Aí, traz da fé. Aí, tudo bem. Pô, rádio, seu Armando lá, tropical, né?

Arrebentou da verdade Mas é o seguinte Quando eu vim buscar o tape Fui no Maurício Buscar o tape Acho que ele tem um encarte Tem um encarte Não tá aqui Ele tem um encarte Olha o detalhe Você da roupa Olha lá Você que escolheu

Eu e minha digníssima. Dona Marilda, ela que deu os pitacos. E eu também, negócio de vestimento, assim, meu pai e minha mãe. Ó, durinho que nem coco, mas bonito e sem contar problema.

O problema todo mundo tem. Tu vai voltar, entendeu? Bonito. E de vez em quando eu vou lá na UBC. Agora não tem ido, certo? Mas de vez em quando o bicho pegava, eu ia lá na UBC, né? Eu nem o brasileiro de compositores. Aí para buscar um levado, né? Um vale, né? Mas toda vez que eu chegava lá...

Primeiro eu contava uma história, a pessoa, conta aquela, e daqui a pouco a pessoa, vem cá, tá precisando de alguma coisa? Não some não, hein? Vai alegrar, entendeu? Eu que tô cheio de problema, todo mundo cheio de problema, tu vai chegar também com problema, rapaz? Não! Conta uma história, entendeu?

É isso. Conta uma história, mas real. Fiquei inventando também não que mentira... Também não é bom. Viu que eu falei com a música do Jazz Dad, né? Música que eu falei pra escrever, né, Jorge? Pô, meu filho, mentira é feia, rapaz, não faço isso não. Não é bom. Da fé das suas composições, tem alguma que...

Tem um apreço especial, um carinho especial que tenha marcado a sua trajetória de alguma forma. Eu sei que é difícil escolher a composição, tá? Falando com compositor, com música, é muito difícil. Mas eu gostaria de ouvir se tem alguma das suas composições que você tem um apreço especial. Na real, posso falar pra você hoje em dia.

Seria uma ingratidão da minha parte Com as obras, entendeu? Porque agora mesmo Meu neto 15 anos, né? Ele já tá desde que nasceu Ele desmoixando O meu repertório E agora Que ele tá na flor da Ele falou pra mãe dele Puxa Manda umas coisas pra ele

O avô tem tanta coisa bonita, entendeu? Tudo diferente, entendeu? São várias etapas, entendeu? É diferente. Minha, minha, que você tem aquele carinho, aquele momento. Eu tenho. Minha, minha, minha. Eu tenho por todas. Eu tenho uma, algumas. Eu tenho por todas. Eu achava também que não. Eu gosto de todas igual e tal, mas sempre tem aquela, eu lembro dessa.

Quando saia eu me sentia muito bem, quando essa começava era o momento que eu curtia muito. Você não tem essa? Bro, o negócio é o seguinte, eu tenho todas as coisas. É pessoal isso. Como foram feitas, por exemplo, o Pra Que Vou Recordar o Que Chorei, que é o meu ritmo. Não! Poxa, a polícia lá no Rio falou, encosta! Tô com um amigo, cirurgião dentista, baterista. Foi doutor, encosta aí.

Aí eu saltei do carro dele e cantei. Não quero mais saber de ti, policial. Ih, é o da fé. Vai embora, cara. Desculpa aí. Tem outras, hein, da fé. Outros clássicos. Essa é uma, tem outra. Vem a Mata Saudade, a Cruz. Tudo era lindo. Essa aí. Existe uma barreira entre nossos corações. Era meio hino. Entendeu? Vou falar essas músicas. Eu sou da geração que pegou suas músicas de frente. Uhum.

Eu sei já, geralmente, mais jovem, não tanto. Mas eu sou aquela geração que pegou de frente, né? O seu som. Consagrado. Correto. Os mais velhos, a gente pegou de pá, nós curtimos muito, né? Era meio sagrado a música do Da Fé. Entendeu? Todo mundo tinha muito respeito. Correto, correto. Os caras que vim de... Pô, caras da fé, olha esse som. O cara, o DJ, quando ia tocar, olha esse som. Mano, olha esse som. O malandro, o mais velho lá, o perigoso, olha esse som.

Muitas vezes era o da fé. Hildon também tinha esse prestígio. Cassiano. É o tipo de prestígio que se tem, mano. Isso. Cassiano também, mas eu lembro muito você. Aham. Tipo, usufruir desse tipo de status, tá ligado? Tá entendendo. Com respeito assim do... Mesmo que eu falei, ele era meio sagrado.

Na verdade é o amor e muita paz. Você sempre teve esse lance, essa coisa meio pacificadora nas suas músicas? Tive, eu também tive. Tive também assim na... Eu tava falando do disco de repente, da faixa que foi riscada, né? Porque eu digo, só mesmo Deus pode mudar. Assim já não dá mais pra aguentar. Meu coração não te elegeu.

Quem sabe onde o calo aperta sou eu. Meu coração não te elegeu, olha aí. Em São João, o balão não pode subir para namorar as estrelas no céu do meu Brasil. Não é em São João. Ei, seu João, Figueiredo. Era o subliminar. Entendeu?

em São João, balão não pode subir pra namorar as estrelas no céu do meu Brasil. Mas a inflação sobe mais que avião, sai janeiro, entra janeiro e não pinta a solução. A verdade dói, deixa eu falar, até que eu não era de reclamar. Meu Deus do céu, pra que mentir? Desculpe andar mais pra engolir, porque é o seguinte...

Como é que enganava o povo? Com futebol e carnaval. No outro dia, estava tudo caro. Entendeu? Tudo caro. Entendeu? Tudo... Você não tinha... Fração, fração, corruia o dinheiro do Brasil. Corruia, corruia. Odafel, a grande maioria das pessoas que vão estar nos ouvidos não faz ideia do que é isso que você está falando.

Nessa época que a inflação corruiu o dinheiro, que o Brasil passava fome para poder pagar os juros... Deixa de fita, deixa de fita. Seja sincero. Acho que é no... Pra que eu vou recordar. Zé Marbita. Tem água, hein? Zé Marbita, tem. Deixa de fita, seja sincero. Ô, Zé Marbita, abra seu peito. Cantando na avenida você nem vê que amanheceu. Esquece até da vida, pensa que o mundo agora é seu.

Quero só ver quando a festa acabar, coragem pra trabalhar, pagar a fantasia e sentir no trem das cinco a nova alegoria. De quem é essa letra? É minha. É sua. Viu? Pô, isso é um protesto brabo. Claro. Deixaram passar? O Sérgio Cabral. Quando foi isso que você soltou isso? 77. Deixaram passar? Poxa.

Passou. Foi um milagre. Passou. A outra não passou. Tem essa do do seu João. Eu lembro que o Figueiredo foi aquele cara que começou a ceder um pouco. A pressão sobrou pra ele. Mas mesmo assim, entendeu? O outro riscaram a faixa. Ele foi muito pressionado. Ele era um general, mas ele cedeu muito.

Ele foi para apagar o lance do movimento black. Para apagar? Para apagar. Para com tudo. O exército deu em cima da UAN lá no Rio. Não era com a UAN no Rio, com a UAN americana, que mandou a UAN equiparar com tudo.

E aí a rádio, por exemplo, as discotecas também, rapaziada dos bares, esperava um disco naquele segmento da Soul brasileira. Não. Aí veio o samba. Mas é um samba diferente. Ele é um samba do meu jeito, como eu cantava na noite. Esse aqui seria meu primeiro disco.

Tem Passarela, que a Nana gravou. Me explica de novo esse barato que você está falando. Agora que eu estou ligando, conectando os pontos. Você era um artista de funk soul. Mas a perseguição fez você fazer um som diferente para poder... Para poder... Os caras estavam perseguindo o estilo do som funk? Porque tomaram um susto, né? Quando viram muitos negros reunidos num baile, outra coisa, todo mundo becado.

colorido, estava rolando aquela confusão lá nos Estados Unidos que era o direito do artigo. O direito civil. Faziam uma relação com o movimento Black Hill e os Black Panthers de alguma forma. Que época mais ou menos, só para tentar me entender. Foi nos 70, nos 75, 76, 77. É, entendeu? Essa época aí.

Aí, outra coisa, eles estavam tacando fogo lá, né? Aí eles vão tacar fogo aqui. Tanto que lá no Rio, é... Teve um baile que, na Vida Brasil, né? O clube que tem, da Marinha. Aí as pessoas subiam o viaduto, né? Pra ir pro baile, né? Em cima da Vida Brasil. Sendo que aí já não cabia mais ninguém.

Aí, onde a rapaziada ficou dançando? Em cima do viaduto. Outra lá em Guadalupe também teve um show.

O Dom Filó, com a equipe, né? E que, de repente, os soldados, que ali é área militar, os quartéis, né? Era de área militar. Outro dia não chegaram no quartel, né? Porque estavam no baile. Estavam curtindo o baile. Para com isso. Para. Para agora.

É... Outra... Eu tive perseguições, tive as perseguições, entendeu? Inclusive, fui posto dentro da mala de uma pala... Você? Ah, entendeu? Quando eu chegando em casa, com a mala cheia de roupa, que é a estreia do movimento, Seriana Bote Papagaio, lá e depois aqui em São Paulo.

Os caras já estavam de olho em nós. Aí, de repente, eu chego, aí o cara gritou assim, do outro lado, assim, Ei, me dá essa mala aí. Eu falei, não, me dá a mala, isso foi um assalto, né? Aí saí correndo. Aí, pou, pou, pou, pou. Tiro? Tiro. Tiro, aí, marido, marido, gritando. Ela vem, se depara com os caras, com a arma apontando pra mim. E a Verônica, com dois aninhos. Os caras não tinham reconhecido.

reconheceram nada. Reconheceram nada. Nem estavam afim de reconhecer. Isso acontece. Tu imagina. Tem um negro. Bonito. Chegando mais bonito ainda. No pano. Desculpa, bonito. Mais bonito ainda. Chegando no pano.

Num conjunto residencial, lá é Coab, aqui é Coab. Estava fazendo sucesso. Lá é Ceab, entendeu? Aí o seguinte, tocando na novela, tocando no rádio, na TV, direto, não quero mais saber disso. Porque atrai essas confusões, o sucesso atrai. Tocando, aí o detalhe, me jogaram dentro da mala de uma pala, mas eu tive que jogar a mala por cima do portão. Aí quando abriram a mala, decepção, não tinha arma, não tinha droga, só tinha roupa.

Entendeu o clima? E aí o seguinte, o falecido... Fiquei sabendo que ele faleceu agora. Um juiz que gostava pra caramba de música. Ele, inclusive, primo de Flávio Cavalcante, apresentador de TV. Flávio Cavalcante. Me levou na casa do Flávio, o Flávio me trouxe pra cantar. Primeira vez que eu vim tocar aqui foi no Chacria. Depois eu vim no Flávio Cavalcante.

Ele gostava de você, o Flávio Cavalcante? Gostava, gostava. Ele quebrava o disco do pessoal. Gostava, gostava. Porcaria, ele quebrava o disco quando ele não gostava. Gostava de mim. Tanto que eu... Esculachava o cantor e quebrava o disco. Quebrava. Ao vivo. E o Zé Fernandes também, certo? O Zé Fernandes era aquele calouro do Silvio Santos. Não, e lá do Flávio Cavalcante também. Ele era do Flávio Cavalcante. Do Flávio Cavalcante, ele quebrava o disco.

Eu disse, olha, sei o seguinte, cara, que quando eu vi, o bicho estava pegando, o juiz Francisco Horta botou para quebrar, aquilo ia bater na corredoria da polícia, mas eu comecei a pensar para caramba, eu falei, poxa vida.

Você vai trazer problema para mim, não só para mim, mas para quem anda comigo e outra coisa para a minha família. Eu estava no conjunto habitacional, mas dali eu saí a hora que eu precisasse sair, que eu tivesse que sair, como sair com outra vontade, porque não tem jeito, a gente não pode ficar. Até porque, o seguinte, tem uma cultura...

Eu não sei agora como tá, mas acho que não mudou muito não. Aquele negócio, por você morar ali naquele local, o povo acha que você tem que dar o disco pra ele, você tem que dar o convite pra ele. Não quer saber que você é um profissional. Aí vai, compra de uns caras, de umas pessoas que ele nunca viu, certo?

A prestigia. Você está entendendo o clima? Mas só que tem um detalhe. Algumas coisas nunca mudam. Não, não muda não. Só que tem um detalhe. Eu sou da massa. Eu gosto de andar. Eu gosto de estar no meio do povo. Eu vou mesmo. Pago o preço por ser assim. O povo sai de baixo. E outra coisa, hoje também está mudando a cultura. Porque é o seguinte...

Antigamente, eu ia nas comunidades, inclusive onde meus pais... Eu vim de cachaça no Morro do Macaco. Vim de cachaça lá no Cruzeiro. Entendeu o clima? Eu fui camelô lá, entendeu? Eu engraxava sapato.

ao sábado, entendeu? Ali no final da sala da penha, onde tem igreja, aí a light, né? Daqui a pouco, de noite, eu tava tocando acordeão no baile, aquele freguês que eu engraxei tava dançando e fazendo assim pra mim, ó, sábado eu tô lá, entendeu? É o slogan clínico geral, você já batizou e tá só ponteando. E o da fé?

Divulgador, que é o... É o cara... O cara catituador. Se catitua. Hoje seria um promotor? Seria uma coisa assim? É, o cara que catituava. Catituar. É, catituar. Do verbo catituar. É, entendeu?

Mas esse é o verbo da malandragem, né? Isso é gíria, não é? Não, isso é... É o verbo da profissional da parada. Existe isso? Porra, não. Aí o detalhe... Parece gíria, né? Deve ter virado gíria, entendeu? Mas é catituador, né? Catituador, entendeu? Aí o detalhe... Está estourado na novela...

Né, pá, aquele negócio todo bom. E aí, de repente, Murilo. Paulo Murilo, meu compadre, divulgador, carregou Caetano, carregou Gil, carregou, entendeu? Betânia, carregou Gal, carregou Tim Maia, carregou... Aí... Ficou meu divulgador. E meu amigo, e virou meu compadre, padrinho da Verônica. Ah, que firmeza.

Aí ele falou assim, ó, vai ter uma que remesse, naquela festa religiosa, né? Na igreja de São João. Vamos lá que vou falar pro DJ tocar tua música. Tudo era lindo que tava tocando na rádio, né? Era lindo! É, é uma carta de amor, entendeu? Essa é uma carta também que eu gosto pra caramba. Os cabelos molhados. Isso! Nós temos baile aqui, nossa senhora. É, galera. Eita, que emoção! E você é boa!

Ó, Tão João, eu sei. Você sabe, hein? Eu sei. Aí o detalhe. Que bom, né, rapaz? Que bom, né? Que bom, né? Aí o detalhe. Eu sei que... Tomei gosto. Falei, fui lá na Quermesse, lá em São João. Foi legal pra caramba. Lá na Penha, tem uma festa tradicional, entendeu? Onde eu vi...

É a festa da Penha, certo? Aí tinha o Jardim da Penha, o Parque da Penha, o parque aquele para as crianças brincarem, e depois sobe a escada, ou vai de escada ou vai de bondim, lá na igreja, né? Tanta promessa eu fiz lá, entendeu? Pedi para que eu chegasse lá.

Só de birra, abri uma conta no banco, cai embaixo quando olhei, e falei, ia a igreja aqui e ia para lá. Falei, olha, estou aqui. Olha o detalhe. Pô, você escolheu tão longe, né? Foi, a natureza me trouxe para cá. É minha aposentadoria, entendeu? Salário mínimo. Depois de trabalhar, desde moleque, cara. Entendeu? Sem meditar e tudo, pô, salário mínimo, entendeu? Pô, pagar autonomia, mas deixa isso para lá.

Aí estou... Deus me dá força para trabalhar. Olha o detalhe. Falei para a Marisa assim, vamos às crianças. Vamos no Parque da Penha.

Parque de diversões, né? Aí comprou os ingressos. É você, né? Que o Jorge Mara é igual o Cauê hoje em dia, né? Só que o Cauê tá mais moderno. O Cauê tá de plecão, né? Eu escolhi ele. Eu vou deixar a foto dele. Aí o detalhe. Comprava os ingressos das crianças, comprava os lanchinhos, a gente, cervejinha pra minha marido e tal.

Ia no serviço de alto-falante, botava o nome das músicas e botava aquela menina com a blusa rosa, entendeu? Aquela do cabelo encaixado. E o cara tocava, né? Você tá pago, tá lá, tem que tocar, entendeu? Alguém oferece alguém, entendeu?

aí tu acaba, que emoção sabe qual é a emoção? e você vê as pessoas cantando e tu no meio delas não saber que é você que canta é louco isso entendeu o clima? aí, pô, uma felicidade um dia, cheguei pra fazer o mesmo ritual quando eu fui entregar e você, vem cá, te peguei o que me pegou? tem disco seu lá na loja onde eu trabalho, rapaz?

Pô, Guimarães, cara, eu não podia imaginar que um artista fosse fazer isso. Mas isso é da antiga, o povo da antiga. Os artistas da antiga faziam isso. Por isso que eles puseram o nome de Catitua, entendeu? A Catitua. Inclusive tem o Genaro da Bahia. É um cara que é velhão. É tipo, seria um diretor de futebol ali. O cara que não canta, mas sabe pra caramba do meio ali. Não, e o cara que vai e bota o disco no ar. É o divulgador. É o autodivugador, ele vai lá e faz a cabeça do...

Nós temos um aqui em São Paulo, um cara que na época de vender CD, vender disco, ele era o rei disso aí, ele era o Nego Chique. Nego Chique. Nego Chique, né? Ah, deve ter sido. Ele era o rei de... Forte abraço, Nego Chique. Ele convencia o lojista a comprar o seu CD. Entendeu?

Ele sabia tudo sobre você e sobre a sua música E outra coisa, a mesma coisa é o divulgador Você viu que eu fiquei compadre do Murilo O Murilo foi meu compadre Porque é o seguinte, cara, não é mole Tu chegar na rádio, agora mudou Agora tem um negócio, o Jabal Ele se consolidou Era tipo um tipo de arte Entendeu? O divulgador saia da gravadora Com a faixa marcada Pela reunião lá na gravadora Quando chegava no rádio Emfortable

Ele, reunido com o pessoal da rádio, eles trocavam a faixa. Mudava a faixa. Tanto que, pra que eu vou recordar, umas cinco ou seis faixas desse disco decolaram. Você participava da escolha da faixa? Não. Não.

Claro, né? Não tinha que escolher, porque na rádio deu problema, inclusive. A rádio mundial lá no Rio ficou sem me tocar. Por quê? Dizendo que eu tava dando jabá pra tocar. Eu não tava dando jabá. Os caras tocavam porque gostavam do trabalho. Agora é claro. Não vou te enganar.

Vou enganar vocês. Um presentinho no Natal, nós mandamos. Não, Natal só não, rapaz. Você tá entendendo o que? Pô, te falar de dia das crianças. O cara tem família. Que ele salve. Não, e o Brau, Brau, Brau, outra coisa. Aquele cafezinho docinho pras crianças. Brau, Brau, Brau, outra coisa. Dói. Faz mal o parinho. Não, e dói, Brau. A gente sabendo que a gente tá com filé bion. Entendeu? E o amigo que te ajudou ali. Não tem nem carne moeda, entendeu?

Deu pra entender? Não, vamos mandar carne moída pro nosso amigo, pro nosso sol tocar bastante. Entendeu? Aí fazer o quê? Uma coisa... E eles falavam, pô, aí a música é boa. Deixa acontecer, né? Bem arranjada, aquele negócio todo. Aí fazer o quê?

Vamos voltar na parte da sufocante. Eu quero fechar essa ideia. Eu quero ver essa música consagrada na rua. Olha, sufocante é o seguinte. Como é que foi essa música pra sair? De quando saiu? Ela saiu nesse disco do Tim Maia. Aí eu...

Puxa vida, quase desmaiei Assim, no figurado, né? Quando eu vi Ela foi título do disco Na voz do homem Título do disco Como é que é a letra? Você fez tudo pra me agradar Fiz tudo pra me conquistar E eu te desprezando Pena que eu não entendi Querida

O tempo me deixou no ar E eu querendo te alcançar Você de mim se afastando Foi sufocante pra mim

Veja só, foi aí que descobri a dor da solidão Me maltratando, fiquei triste Em saber que não ias mais voltar E eu te adorando, foi sufocante pra mim Eu te perdi

Foi sufocante pra mim Te ver com outro Foi sufocante pra mim Querida Isso é busca de cor, né? É? Claro! Se eu tenho dúvida Me dê um cheque bonito Corre, corre!

Agora uma pergunta. O compositor dessa música do Tim Maia que falava assim... Fez meu coração sofrer Parece sufocante, né? Parece. Tá na onda, né? Tá na onda. A brisa, não é? De quem é essa música? Não sei, te juro. Tá ligado esse som aí? Tô ligado, tô ligado. Te dê amor verdadeiro.

Timaião. Opa. E a carabóide, mano? Ou sai de baixo. Vem cá. E eu que virei racional. Certo. Pô, eu tô acabando no Hotel Nacional, rapaz. Entendeu o clima? É verdadeiro. Com roupas coloridas. Com roupas coloridas. Daqui a pouco cheguei de branco lá no Hotel Nacional. No Timaião Racional. Tô de barro. Eu cheguei lá na casa dele. Porque eu nunca... Nunca mandonei, né? Porque aquele negócio...

Ele nunca brigou comigo, só porque eu não deixava. Quando eu sentia que ia sujar, eu ralava peito. Era a cabeça quente ele, mano? Era a moringa quente, o Timai? Não, rapaz, é só quando esquentavam ele, certo? O cara da entrevista é sobre você, mas perguntar sobre o Timai acontece, certo? Não, puxa vida, amor, honra. Falar de uma pessoa, inclusive, o seguinte, que foi meu amigo, entendeu? Verdadeiro, que nunca pediu nada, não tinha ele de longe, ele percebia que eu tava...

Ele falava assim, rapaz, tu nasceu pra ser músico da noite? Não, rapaz. Tem que ser carreira solo. Chegava lá e ele... Já sei. Te mandaram embora. Mandaram. Desfalhei. Ó, o seguinte, ó. Vai embora agora não. Deixava todo mundo. Daqui a pouco ele falou, ó. Toma esse chequinho aqui em branco. Aí.

Vai lá na Casa da Banha, compra cinco bolsas, a Tim Maia, e cinco bolsas para Carlos da Fé e sua trupe. Porque é o seguinte, era a República que eu tinha do barraco, lá em Vigar Geral, o estúdio, tem os amigos também que chegavam, inclusive chegou um de São Paulo, o Serginho Pozão, que foi trabalhar na casa do Tim, o Tim.

Pois não, toda hora é... Pois não, entendeu? Era um cara generoso, Timão. Era generoso, educado. Aí chegou um do Ceará, outro da Bahia. Aí, assim, virou uma república, todo mundo trabalhava no quintal, tomava conta, eu viajava, quando chegava, estava tudo em ordem. Mas cada um fazia um lance. Eu tinha ir para lá, de vez em quando. Gostava de ficar lá.

que era um espaço bonito, né? E muita árvore, né? Assim, inclusive, eu tive muita inspiração naquele terreno, certo? E de dormir, a gente dormia, não tinha um botão de flores, eu já estou floreando, certo? Já estou...

Eu sou em dócil, cara, não consigo, entendeu? Ficar... Tem uma linha. Você tem que me administrar, tá? Não, não, eu tô curtindo a vida. Aí o detalhe, a gente dormindo, não tem um botão de flor. No outro dia tá tudo florido. Foi uma época, inclusive, o seguinte, que eu onde tava com meus amigos, a gente via muitos movimentos extraterrenos, certo? Luzes e outra. Luz cala. Então, o negócio... Hum.

Havia certo consumo de substâncias variadas. Havia, havia o baseado, o cogumelo, a LSD, entendeu? Havia. Aguçava a visão. Aguçava. A visão além do... Abria a terceira visão. Exportar. A terceira visão, entendeu? Tem até um livro, A Terceira Visão. Tem um livro famosíssimo, que foi muito lido por nós. Agora é claro.

tinha também que estudar, né, Brau? Pesquisar e outra coisa, respeitar a natureza. Você se interessa por isso até hoje? Me interessa. Ufologia, cosmologia. Ufologia, tá tudo na natureza. A gente não pode sair dando tapa, porque tem algo aqui na nossa frente que a gente nem percebe que tem.

Até, por exemplo, aqui, por exemplo, tem uma música, que é Passarela, que a Nana Clamini gravou, que ela subia no palco pra cantar comigo, né? E ela tá aqui, ó. Se você gosta de samba, vem correndo, vem sambar. Carnaval se faz presente e a cuica vai roncar. Na Passarela eu vou, eu vou sapatear, pensando nela eu vou e a minha escola vai ganhar. Mostrei no camarim, já tava no palco cantando e todo dia cantando, e todo dia cantando até a Nana gravar, entendeu? Olha o detalhe.

Que passarela é essa? Esse cheio de cores. Quando eu ia daqui, eu vinha para São Paulo.

É, saia do Rio, na terça-feira de manhã, né? Eu dos Carlos Batera, no Carmo Anguia, dirigido ao Berdã, pai do William Magalhães e eu, né? A gente tocava com a Tânia Maria. Tânia Maria. É, na Catedral do Samba. E aí, assim, quando a gente ia pro Rio, que a gente ia no domingo, né? Quando terminava, a gente ia, aí, no meio do caminho, a gente parava, né?

E fazia um lanche, que negócio todo. Daqui a pouco passava assim, aí via uma planta bonita, diferente, ia lá e roubava. E aí fomos plantando lá, entendeu? Aquilo ficou bonito pra caramba, ficou diferentão, entendeu? Aí foi por isso que pintou essa letra. O Pra Que Eu Vou Recordar foi uma bailarina que se matou no Hotel Nacional.

E a outra também queria se matar. Um dos corpos de baile. As Mulatas, aquela popular, e As Mulatas, aquela clássica, aquela do teatro municipal.

O domingo era o dia mais alegre porque era o seguinte, da segunda era folga. Esse domingo foi uma tristeza tremenda. Estava assim, você imagina, cerca de 200 pessoas trabalhando no ambiente, certo? Aquela tristeza, ninguém... Foi a mesma coisa quando o cara disse que eu roubei o instrumento lá no Senai. O Senai fez greve de...

Eu perdi a linha de raciocínio. O que aconteceu nesse dia aí? Você diz lá do Hotel Nacional? Sim. Então, o seguinte, foi a bailarina que se matou. A bailarina clássica. E aí, chegaram para mim e falaram assim, da fé, dá um conselho para a Miriam, é a mulata, ela também quer se suicidar. Eu falei, mas poxa, como é que eu vou dar conselho? Tenho 30 anos, cara. Eu não tenho bagagem.

Ah, quer dizer, quando tu canta as coisas inéditas aqui na frente, elas cantam lá atrás no camarim, não quer dizer nada, né? Entendeu? Aí, pô, aquilo... Te pegou. Pegou, pegou, aí... Eu sempre acordei cedo, né? Véio não dorme, véio cochila, né? Mas eu, mesmo novo, sempre foi assim. Eu já durmo pensando no... Acordar cedo. O que é que eu vou fazer amanhã, entendeu? Certo. Entendeu? Aí o detalhe...

Aí cedinho, a moeda já fazia aquele... Hoje se chama isso de ansiedade, né? Ansiedade. Sempre foi assim mesmo? Desde jovem? Não, afoito. Afoito. Afoito.

Que é o ansioso que fala. É o ansioso. Mas ansioso, no bom sentido, correndo atrás. Querendo evoluir rápido. É, entendeu? Uma coisa da... Que não tinha... Brau, coisas que a gente conhece, que reclamam pra caramba, mas ficam de braço cruzado, pensando que vai cair do céu, cara. Entendeu? Não quer ralar, entendeu? Aí fica criado de outra forma, entendeu? Tem que ralar. Doía, inclusive, quando eu via.

Pai, meu pai, minha mãe falaram, olha, aqui não pode ter filho vagabundo, entendeu? Tem que trabalhar, estudar, se formar, aquele negócio, aquilo, pô, doeu na pele. Você levou pra vida. Eu cortava, cortava. Eu falei, não.

Porque aquele negócio tinha também, um pedacinho, uma garotada que não queria nada. Pai e mãe não tinham a culpa. A escola era melhor, Dafa? A escola era. Era melhor? Era, tanto que... Preparava melhor a pessoa? Até hoje eu aproveito as claridades que eu tive. Até hoje eu aproveito. Sua percepção é o que você acha que aconteceu na educação? Senão a pergunta política não é. Não, não. De cidadão. A desvalorização do profissional, entendeu?

Do professor? É, do professor, inclusive, de ser tratado como um ser humano que só engrandece, só traz coisa boa para a família. Você viu hoje alunos batendo em professores, cara, e pai e mãe passando a mão na cabeça. Não, não, peraí, o que é isso que está escrevendo o que aí? Não, não é nada, deixa eu ver. Não devo fazer bagunça na sala de aula. Ah, vamos lá, amanhã quero saber o que é isso. Aí, professora.

Será que passou só 200? Não! Passar mil! Mãe era assim, certo? Pai era assim. Passar mil, fazer outra coisa. Aí um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, doze. Ué, quem tá te ensinando isso? O que depois de sete, de sete a doze? Depois de sete, o que que é? É oito. Fala alto! O que que é? É oito!

Você está entendendo o clima? Então, a educação era outra, cara. Entendeu? Outra coisa, os nossos ancestrais, eles sofreram pra caramba, porque os ancestrais deles também sofreram pra caramba, certo? Mas vai... Foi havendo uma evolução. Agora, uma contrapartida, assim, de pessoas...

que não está nem aí para a hora do Brasil, para a hora da verdade e outra coisa. Como tem que ser a coisa. Não é massacrar ninguém, mas é orientar.

Pra que seja um cidadão, mesma coisa, Bá. Pra gente, poxa, muitas pessoas pensam que o que a gente faz, que é música, que é diversão, é realmente diversão. Mas sabe pra quem? Pra quem vai se divertir. Pra nós é uma resposta. Você tá me entendendo? E aí de nós, entendeu? Mesmo sabendo que não vai receber, que muitos casos, muitas das vezes eu já passei por isso, de saber que não ia receber.

E subir no palco e respeitar o público. E apagar os músicos do meu bolso. Entendeu? Mas é porque a consciência é da missão.

Não acontece umas inacreditáveis. Entendeu? Não dá pra falar umas que já passou também. E você tá entendendo? Tomar calote. Não, em VK. A casa lotada, o cara te chama, a família do cara te chama. Tipo, a casa lotada, né? Aí, tipo assim, nós estamos ali com, sei lá, 14 caras, todo mundo sai de casa pra receber, né?

O cara deixa a mulher em casa Sábado à noite A mulher querendo o carinho O cara deixa a mulher e vai trabalhar E volta sem nada Não, presta atenção Teu amigo Teu amigo branco

Quando eu falo branco, não é nada de racismo, não, gente. É só pra... Só pra ilustrar. É pra ilustrar. Só pra ilustrar. É, entendeu? Não, e outra coisa. Pô, me amo, cara. Papo de negão. Cafuru. A apelida dele, Cafuru. Aí o Cafuru... Cafuru. Estava comigo lá nesse dia que... Que contaram parabéns pra meio de novembro, né? Foi nesse dia.

Pô, casa cheia, o teatro cheio, porra. Eu tô com a banda, rapaz. Tô com a banda. Isso acontece. Se deu um problema pra mim, eu ia... Deu várias vezes, eu ia lá na Cicã, pegava um vale, certo? Agora o músico ia pegar vale aonde, entendeu? Pô, sabe o que a mulher falou lá? Vamos pagar com cheque. Não. É, cheque não. Falou que ia receber em... Em sete dias. Aí...

Eu falei assim, não, o cheque era pra sete dias. Pagar com cheque pra sete dias. Cheque cruzado. É, cheque cruzado. Cheque cruzado. Aí eu gritei, cheque não! Perigoso. Cheque cruzado, então, pelo amor de Deus. Olha o Tom, olha o Tom. Cheque não. Sabe por que eu guardei? Porque esse amigo meu, ele guardou, né? Cheque não!

Rapaz, fiquei maldiçoado Eu defendi A minha galera Porque eu fui nesse campo e peguei um vale Mas o músico vai pegar vale aonde Porque aquele negócio deixou Os ratinhos em casa

Esperando. Aí chega sem. Agora que negócio. Já cantei com pessoas da minha família, inclusive pai e mãe, né? Sepultados ou sendo velados. Entendeu? Por isso que eu canto. Inclusive nos sepultamentos, de amigos que eu fui, eu canto. Tem uma cultura da antiga, que é o gurufim, né? O gurufim onde as pessoas jogavam.

tomava uma pinga um café, comia uma brua contando histórias do falecido aquelas histórias que eu gosto não quero história triste não por favor, só história alegre não é para ele te rir espiritualmente

Ainda não foi. Quem vai, ainda fica ainda perambulando pra entender o que que tá acontecendo. Onde ele tá, entendeu? Aí se vê gente chorando, fica desesperado. Custa soltar... Sair desse plano aqui, entendeu?

Mas é isso aí, gente, puxa vida O da festa, ele tá com um disco no forno Certo, mano? Eu tô sabendo, você sabe o que eu sei Eu tenho que falar que um disco que tá sendo produzido Tá no forno, tá praticamente pronto Como é que tá o processo aí? Só inédita? É, só o sufocante que não é inédita Sufocante Essa aí, você tinha que gravar Só o sufocante E o Bidda fez um lance comigo Ele pegou e falou assim, canta aí, eu cantei Ele falou, só essa voz que vai ficar Eufortable

A primeira voz. Ele não deixou gravar outra. Ô, da fé, você tá num naipo, sabe o quê? Quincy Jones, malandro. Eu sou... Tá mais bonito que o Quincy Jones. Eu sou fãzaço dele. Você tá bem. Fãzaço dele. Você é um milionário, você é um milionário, cara. Puxa, muito obrigado. Que Deus me dê em dinheiro.

Não, não Não, não Graças a Deus Outra coisa, Brau, tanto que é o seguinte Tem gente que fala assim, pô, você é injustiçado Sou não, sou não Nada, rapaz, puxa vida Pô, Deus me deu uma dádiva Agora mesmo você vê só o desafio De fazer nove músicas em três dias Entendeu? Outro desafio, nessa contrapartida Eu tava fazendo aqui também com o Bid e o Gabriel Tá bonito pra caralho, tá mais novo Aí

Eu tenho uma pessoa que cuida de mim Eu tenho uma pessoa que sempre cuidou É assim que nós gostamos E outra coisa, vou te falar um negócio aqui O Rio de Janeiro tem problema, São Paulo tem problema Em Londres tem problema, Nova York tem problema Tudo lugar tem problema Agora a gente tem que saber Como é que a gente vai administrar a coisa Como sobrevivência

Eu passei a ter uns negocinhos que acontecem aqui, mas não é só aqui que acontece não, certo? Aí, pô, não vai embora nada. Você sabe o que está acontecendo no meu estado aqui? Eu estou reaprendendo, reaprendendo não, estou aprendendo a amar a minha mulher. Uau. Olha isso aí, é foda. Entendeu?

Amar minha mulher. Vou forte. E saber, perceber quem é ela na real. A mulher que briga comigo, que... Mas daqui a pouco... Vamos aí. Outra coisa, vem cá. Tira essa roupa. Tu não vai, não. Se sair daqui assim, tu vai ver só. Deu para entender? É melhor parar, hein? Entendeu o clima?

E outra coisa, né? Aqui cuidando, fazendo eu cuidar da saúde, eu venho desvendando coisas, inclusive no meu organismo, certo? Que não estavam... Porque assim, eu não estava dando sequência, certo?

não é nada desesperador, mas é o seguinte, tem que ter cuidado. Tem que ter cuidado. Eu lancei, inclusive, até da memória. Entendeu? Um negocinho aqui que mexe com a memória e mexe com a visão. Tanto que essa aqui eu estou a meio grau. Entendeu? Mas pelo cuidado que eu estou tendo, engraçado, eu estava pagando médico, pagando exame. Aí um próprio médico particular falou assim, não vai para o SUS.

Aí descobriram um rapaz assim, um médico, numa faixa de uns 40 anos. Ele descobriu a parada. Descobriu. Agora, nada desesperador. Olha aquele negócio. Se deixar passar, aí me espera. Aqui, entendeu? Aqui. Até porque eu estou distante. Estou distante. Estou lá em Diadema.

Lá eu também fico quietinho, certo? Outra coisa, eu vim por causa da minha amiga, da minha companheira. Eu tive que me reeducar, certo? Fui parando com muitas coisas, fui tirando do repertório. Porque além disso, dá até o outro lado, que é o seguinte, cara, que é espiritual, certo? Quando a gente pensa que não, rapaz, é por causa da missão, você está entendendo?

A gente vê crianças nos olhando, entendeu? A gente vê idosos nos olhando. A gente vê os dois extremos. O meio, tudo bem, mas aqui. Os dois extremos, que são as crianças e os idosos. Agora mesmo, ganhei mais um fãzinho de cinco anos, entendeu?

Aí, cinco anos. A mãe é musicista, o pai é musicista. O pai é o Sidão. Toca com o seu Jorge. É a filhinha dele de cinco anos, curtindo meu neto mesmo, entendeu? Desde pequenininha, agora com 14 anos. Agora ele falou, vovô.

Além do meu estudo, eu quero o seguinte, eu estou me preparando, eu quero ser back vocal. É só a banda, certo? Que legal. Entendeu o clima? E outras crianças que a gente vai vendo, outra coisa. Agora mesmo, quando eu estava vindo para cá, Jorge Maia presenciou. Ligou meu compadre, Jorge.

Jorge é um porra louca, mas, puxa vida, no bom sentido, né? Festeiro pra caramba, inclusive, é uma família legal pra caramba, sempre e sempre me deram força, né? E aí o Jorge estava onde? Hoje é dia de São Jorge lá no Rio, né? Então, em vários lugares, está tendo festejo. Ele falou assim, meu culpado, desculpa, vou entrar na sua privacidade. De vídeo.

Não aguento mais, a galera tá aqui, rapaz. Tô falando em você aqui, lá em... Cascadura. Cascadura, do bairro de Cascadura. Madureira, Cascadura, certo? Tô falando aqui com o Neó, ele tá massa, rapaz. Do pagode, pagode rolando em São Jorge. Todo mundo tá fecha de falar com ele, mas agora eu chamo a mãe de santo lá, rapaz. Que doidícia, rapaz.

A gente ser amado pelo povo. Claro, claro. Porra, rapaz. Homens falando, eu te amo, eu te amo. Puxa vida. É uma vitória, como você falou. Não tem dinheiro que pague.

Dinheiro acaba Dinheiro acaba, mano, é claro também Mas vamos ficar também Mas dinheiro resolve pra caramba Dinheiro é preciso, cara É preciso, entendeu? É preciso Mas acaba Mas ainda acaba Essa conta ninguém faz, não Só pensa no que ganha E vem cá, velho Me pergunta se eu já tomei vaia Já foi vaiado? Então não

Várias vezes. O primeiro mesmo, sabe onde foi? No Olari Atlético Clube. O lançamento do cast da Warner, que é com a banda Black He, Carlos da Fé, Frenética. Não, Frenética não estava, não. Lá foi só Carlos da Fé e a banda Black He. E é uma banda americana famosa da época, rapaz. Que veio fazer o show. Foi fazer o show na Olari.

Aí, pá, o couro comendo, pá, tá aí, eu cantei de alegria o dia, pá, os balanços, quando eu cantei, pra quê? Eu vou recordar o choreio? Que eu sou uma metida besta, entendeu? É uma batucadinha. Não, é, não, é, é o Nilson, é Nil, é Nil Bossa. Tanto que é o seguinte... Nem completa a batucada, né? E quando eu cantava na TV...

Eu já tinha dança... A dança... Em Câmara Lenta, entendeu? E o Pacho...

E tem o glissano Esse é um movimento que na teoria chama-se glissano Não Quero mais saber de ti Vou me recuperar Quero sorrir O que é o produtor desse som? Isso aí foi Mazola e o Liminha Dois brabos Mas é o seguinte A gente já vinha ensaiando Ao vivo, na noite Entendeu?

Foi uma música, inclusive, que me mandou embora. E uma frase já não basta Pra dizer tudo que sinto Quando bate o coração Isso aí da voz de Oliveira É, isso aí dela Eu fui baixista do Peri Ribeiro também Você pegou dela isso aí? Peguei dela

Porra, que sonjão. Vamos de umas festas muito bravas tocando caros da fé. Pouca luz. Aquele povo, aquele perfume forte, né? Água de colônia com shampoo. Pouca luz. Luz neon, né? Pouca luz, assim. A camisa branca explodia na luz, assim, da fézão tocando. E a luz negra?

Existe uma barreira entre nossos corações. Fala nisso. Aqui, aos 70 anos, abaixo da faixa de 70 anos, várias surpresas boas. Você vê, em 73, cheguei aqui sendo homenageado por um bloco. O Boniçoca Sou. Na rua Augusta, o Satoca Sou. Era um bloco? É o bloco.

Já te mandei fly dele E só tocava Só sou

Só a Soul Music. Aí o seguinte... 73 na rua. Eu sou padrinho do bloco. O pessoal dançava a flor, sou na rua? Na rua. Em volta ali do bloco? É do bloco. Que brisa. Eu vim... Saí de novo esse ano. Que ano era isso? 73. Ele tá aí, tá aí no ar. Mas se acontece aí, tem um lance de administração. Os caras não... Não sei, eu não posso me meter nessa seara. Aqui o detalhe. Entendeu? Olha o detalhe. Aí...

Dá homenagem ao bloco, né? Ainda fiz um intimista lá pro pessoal. Mergulhei na casa do Bid, que começou a produzir esse meu disco. E tô lá com o Bid e o Gabriel, daqui a pouco sou chamado lá nos Estados Unidos. Pra fazer um álbum lá, entendeu?

Aí levo três músicas, duas ou três, e contanto também regravar alguma coisa, né? Não. É isso aqui, a história é outra. Eu tive que musicar nove arranjos, né? É outra. Aí saiu, aí juntou as lojas daqui.

Pegou um vinil meu, que foi produzido pelo... O vinil. Eu sou o jeito de olhar. É esse, né? Não, é esse aqui, é isso. Aí, ele saiu em CD. Aí ficou a galera, os colecionadores. Pô, não vai sair em vinil. Aí juntou... Aí juntou... Sempre de bom gosto. Juntou três... Juntou acho que duas ou três lojas e fizeram em vinil. Ó, sem brincadeira.

A tarde de autógrafo começou tipo 10 horas da manhã, foi até meia-noite, entendeu? Porque tinha que fechar lá a galeria, certo? E com pessoas do Brasil e do estrangeiro. Eu, inclusive, autografei vários discos que já estavam encomendados, né? Ó, olha aqui, ó. The Family, Verônica, Cauê, Jorge Mário, olha lá. Que lindo.

Lá no Alta Boa Vista. Aí eu caio aí com ela. No colo aí. Mas ele já estava emburrado.

Sabe por causa de quê? A gente enganou ele dizendo que a gente ia pra praia com ele, né? Era só fazer umas fotozinhas, entendeu? Que a gente ia levar ele pra praia. Durou o dia inteiro, né? Não é? Isso acontece lá de onde a gente estava, lá de cima, via praia. Aí ele falou assim, pô, vocês estão me enganando.

O Cauê agora tá com 15. É impressionante a semelhança dele com vocês. Aí, rapaz. Impressionante. É o da fé com 15 anos. Isso. Agora vem cair ele pequenininho comigo. A mulherada. É seu filho? Ó. Moral. Moral. É meu avô. Aqui. Moral, hein.

É cheio de honra, né? Meu avô... Olha o detalhe aqui. A gente tá no carro, família, tudo mais. Ele falou assim, meu avô, todo dia ele veio comigo de carro naquela casa ali, ó. Ó. Ô, Cauê. Aqui, ó. Puxou quem? Ixi. Aqui. É, da fé. Vocês que inauguraram isso. Ô, Brau, vem cá, isso acontece. Rapaz.

Eu não diria assim que eu faria tudo de novo Da mesma forma, não sei Não sei, não sei Não sei, porque cada um tem um jeito Sabe como é que eu vejo? Pô, cara, a gente tem história pra contar, né? A gente tem coisa pra falar, né? Pô, tem, eu tenho Aí o pessoal fala, tu foi preso, cara? Fui Você foi preso na mangueira Você foi buscar lá? Foi buscar a manga, ué?

Mangarosa. Não é lá que é a Mangueira? Ou o nome, esse nome não tem nada a ver. Falaram que lá era a Mangueira, fui buscar a Mangarosa. É lá. A polícia falou assim, esteja preso. Eu peguei, puxei a carteira assim.

Marinha, é você mesmo que a gente quer. Ô, louco, não ajuda. Pode falar, Fihanna. Não, eu ia te dizer que... Você acabou de dizer que... Não sabe, né? Se faria tudo, o que faria diferente. Mas de tudo que você ainda vai fazer... Isso. Qual é o seu maior sonho? Olha, o meu sonho... São vários. Um deles o seguinte... É...

Deixar, assim... Minha família merece... Muita coisa boa, certo? Eu ainda não fiz aquilo que eu queria fazer para a minha família.

dá mais segurança para eles, entendeu? Dá mais conforto para eles, até porque... Eu descobri um lance também. A discriminação, ela é em todos os setores, inclusive o seguinte, no financeiro, na hora da gente receber. A mulher preta recebe menos, o homem preto também recebe menos, entendeu? O clima.

Sendo que a gente cria pra caramba. E a... Não é brincadeira, não. Certo. A gente já vem debatendo há algum tempo. A gente só está reforçando uma tese, como eu já venho falando. Entendeu? Já de alguns...

Alguns episódios. E aí, anos? Não. Já seria um outro programa só em cima dessa tese aí da fé. É um cara que tem meio e dez. Esse aí foi um mano a mano sensacional com Carlos da Fé. Eu ficaria aqui o dia inteiro desenrolando essa ideia com você. Obrigado, meu velho. Com certeza é motivo pra voltar, né? Muito obrigado. Sem maior viver. Muito obrigado. Esse foi um mano a mano com Carlos da Fé. Sem palavras.

Toca mano Super Gêmeos ativar Salve Gostei do detalhe do risco Deus mora nos detalhes Isso aqui é da malandragem Isso aí Muito obrigado Quando você grita Tinha em maia, calo da fé

Então vamos dançar, seja lá o que for Salve Santa de Sá Sarará, Crioulo, toca Carlos da Fé Jorge Bente, Maia, Erasmo Carlos, Commodores, 8 to win the fire Aí vem Commodores e 8 to win the fire Fala aí Tchau

Esse foi o Manamano, um podcast do Spotify. Apresentação, Mano Brau. Co-apresentação, roteiro e consultoria jornalística, Semayá Oliveira. Produção, Zamunda Estúdio, Bugnaip e Spotify. Pela Zamunda Estúdio, a produção executiva é de Ana Guerra. Direção, Fábio Ismeili.

Coordenação de produção, Ingrid Mabelli. Coordenação editorial, Renata Hilário. Captação, Careca Tulli, 2G, Moraça e Mude Rodrigues. Edição, Júlia Gemelli, Murilo Ruivo, Giovana Costa e Mude Rodrigues.

Cenografia, Ana Guerra. Música original, Fábio Ismeili. Motion graphics, Miguel Bezenbruck. Artista 3D, Gustavo Pedrosa. Maquiagem, Jade Benitez. Figurino, Semayá, Cidat Souza. Assistente de produção, Júlia Magalhães. Fotos, Petalalopes. Pela Bugnaip, a produção executiva é de Caire Jorge e Eliane Dias. Assistente de produção, Carol Castro.

Pelo Spotify, a produção executiva é de Camila Justo. Assistente de produção, Luísa Migueires. Marketing, Karina Morena, do Spotify. Yaru Macedo, da agência Droga5. Comunicação, Nicole Azevedo, do Spotify. Babi Ferreira e Ana Maxud, da agência Edelman. Jurídico, Janet Vasquez. Gestão de negócios, Jack Black. Vendas, Manoela Costa. Concepção Criativa, Gana.