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🏃🏻‍♀️ A geração imediatista | #053

06 de maio de 202612min
0:00 / 12:16

O imediatismo virou padrão, e qualquer coisa que leva tempo passou a parecer um problema.

A dificuldade de esperar começa a se transformar em ansiedade, frustração e sensação de insuficiência.

Neste episódio, falo sobre como o excesso de estímulo molda o comportamento e reduz a tolerância a processos.

@tchela_daily

Participantes neste episódio1
M

Marcela

HostNarradora
Assuntos6
  • Imediatismo e Geração Z/MillennialsDificuldade de esperar · Ansiedade e frustração · Excesso de estímulo · Tolerância a processos
  • Dicas para Reduzir o ImediatismoEvitar estímulos durante esperas · Expor-se a processos lentos · Redefinir o que é progresso · Identificar busca por recompensa rápida · Aceitar que coisas importantes levam tempo
  • Lógica da DopaminaRecompensas rápidas · Notificações e vídeos curtos · Delivery e compras online · Acesso imediato à informação
  • Geração Ansiosa e Estímulo ConstanteTransição para a era digital · Dificuldade em lidar com o tédio · Impacto da inteligência artificial · Vício em redes sociais
  • Descompasso com a Vida RealTempo para construir carreira · Desenvolvimento pessoal e glow up · Consistência e persistência
  • Imediatismo em RelacionamentosAplicativos de relacionamento · Descarte rápido de interações · Dificuldade em construir relações
Transcrição32 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Alô, você tem um minuto? Tá podendo falar? Posso te ligar? Preciso te falar uma coisa. Oi, eu sou a Marcela, mais conhecida por aqui como Tchela, e bem-vindo a mais um episódio do Tá Podendo Falar. Hoje a gente vai bater um papo sobre a nossa geração, tá? E eu me coloco nisso porque eu acho que as gerações, vamos considerar Gen Z e Millennials, que eu imagino que você que tá me ouvindo nesse momento faz parte de uma dessas duas.

Nós somos uma geração extremamente imediatista. Então, assim, eu mesma, enquanto eu estava pesquisando algumas coisas e lendo alguns livros para montar esse episódio, me identifiquei o tempo todo com as coisas que eu estava descobrindo sobre nós, sobre a nossa geração.

E aqui a gente vai falar sobre o imediatismo, a gente vai falar sobre a nossa dificuldade de esperar e a nossa dificuldade de entender que as coisas acontecem no tempo delas. E a reflexão que vai permear esse episódio comum todo é a seguinte, será que a gente está ficando impaciente ou será que a gente só desaprendeu a esperar?

E é óbvio que uma coisa não pode ficar de fora desse episódio, que é a lógica da dopamina. Eu acho que todo mundo aqui já tá cansado de saber, de escutar sobre dopamina. A gente não vai falar das coisas mais clichês aqui. Mas eu li nos últimos tempos, assim, nos últimos meses, né? Dois livros que me ajudaram bastante a entender um pouco mais sobre essa lógica da dopamina.

E eu recomendo bastante esses dois livros. Um deles é A Nação Dopamina e o outro é A Geração Ansiosa. Geração Ansiosa eu li mais recentemente, que estava na minha listinha, e Nação Dopamina já faz um pouco mais de tempo, mas alguns pontos nesse livro me marcaram bastante e eu penso neles até hoje. Pensando em Nação Dopamina...

A ideia principal é muito simples. Basicamente, o livro explica, de um jeito super científico e teórico, que o nosso cérebro funciona com base em recompensas. E isso a gente já sabe muito bem. A gente vive na nossa rotina cercado de recompensas, e recompensas rápidas o tempo todo.

E aí entra a notificação, o vídeo curto, né? Eu tava dando alguns exemplos. A comida que você pede no delivery que chega em minutos. A resposta instantânea. O TikTok Shop, gente. Não sei se você já teve a experiência de fazer uma compra no TikTok Shop, mas assim, não tem atrito nenhum. Você simplesmente clica no produto.

e você praticamente já comprou ele, ele já tá chegando na sua casa. É uma loucura. Ou, por exemplo, o livro da Amazon que você compra, e no mesmo dia ele chega na sua porta. A gente às vezes esquece o quão bizarro é isso, assim, os nossos pais, avós, não tinham essa facilidade. E as tecnologias do jeito que elas estão hoje, enfim, essas startups surgindo...

Tudo isso foi desenhado para ser imediato, para facilitar ao máximo a nossa vida. E isso vai acostumando o nosso cérebro. No inconsciente, a gente começa a entender que esse é o normal. O normal é você querer uma coisa, estralar o dedo e um segundo depois ela está na sua frente. O nosso cérebro vai se acostumando com esses estímulos rápidos e, ao mesmo tempo, e aqui entra a parte mais perigosa, ele começa a rejeitar tudo o que exige mais tempo, tudo o que exige ali uma espera um pouco maior.

E o problema, no fim, não é ter acesso a coisas rápidas, é ter facilidade para conquistar as coisas, receber as coisas. O problema é quando isso vira o padrão na nossa cabeça. Porque aí qualquer coisa que foge disso começa a parecer difícil demais. É um projeto que demora mais, é uma relação que leva tempo para se construir.

Se a gente for entrar no mérito de relacionamentos, acho que isso aqui a gente tem muita coisa pra falar hoje, né? O imediatismo no quesito relacionamentos. Os aplicativos de relacionamento, a forma como as pessoas hoje conversam um pouquinho ali no Instagram com alguém. Ah, eu não gostei disso. Já descarta. Acho que esse é um comportamento bem comum. Pelo menos falando aqui do meu ciclo de amigas, eu vejo isso todos os dias. Me incluindo nessa, tá?

Mas enfim, eu acho que qualquer coisa que não traga um resultado imediato e uma recompensa imediata...

a gente já fica com preguiça, já acha que não vale a pena. E aí todas essas coisas que eram para ser simples, do tipo construir um relacionamento, não simples, vamos pegar outro exemplo, mas um projeto no trabalho, coisas que eram para ser um pouco mais tranquilas, começam a te gerar uma sensação de desconforto desproporcional. E não porque aquilo é difícil, mas porque aquilo não é imediato, como essas outras coisas que a gente tem como padrão.

Então é um cuidado muito importante da gente ter no dia a dia. Identificar quando a gente tá olhando pras coisas de uma forma muito imediatista. Quando a gente tá querendo as coisas muito fácil. E aí vamos entrar um pouco no segundo livro que eu comentei, que é A Geração Ansiosa. Eu recomendo muito. Esse livro, ele é super atual. Ele trata de temas que estão bem aquecidos no momento.

E basicamente ele fala que a gente tá vivendo numa geração que cresceu com estímulo constante. Assim, eu, falando por experiência própria, eu não sou da geração que nasceu com TikTok, Instagram, chat GPT existindo. Imagino que você que tá me escutando também não. Você provavelmente participou dessa transição. Talvez algumas de vocês mais jovens, outras mais recentemente um pouco mais velhas, enfim, depende.

De quando você nasceu. Eu tenho 27 anos, então eu peguei o lançamento do iPhone, eu peguei ali o começo das redes sociais e tô vendo o boom da AI, né? Como todas nós. Eu fico imaginando a geração que tá nascendo agora. Imagina as pessoas que vão nascer ou estão nascendo, estão indo pra escola com a inteligência artificial já existindo. É uma loucura. Tem até um pouco de pânico de pensar nisso.

Mas esse livro, da geração ansiosa, ele fala muito sobre esse estímulo constante, que a gente não nasceu com ele, mas a gente aprendeu a viver com esse estímulo constante e é como se a gente não soubesse mais ficar sem ele. Você já reparou? Já tentou fazer um detox de celular ou de redes sociais?

É muito difícil. Uma vez que a gente tem o estímulo constante, a recompensa imediata, é muito difícil tirar. E aí, isso é um papo para outro episódio também. Se você quiser escutar, eu fiz um episódio há umas semanas que se chama Minimalismo Digital, que a gente falou bastante sobre esse fator vício e dopamina nas redes sociais. Mas voltando para o raciocínio aqui. A gente vive um momento onde sempre tem uma novidade, sempre tem algo acontecendo e sempre tem algo mais interessante a um clique de distância.

Isso cria uma dificuldade enorme da gente conseguir sustentar o tédio, o silêncio, um processo mais longo, um filme de três horas. Você já tentou ir para o cinema e ver um filme de três horas nos dias de hoje? Eu vou te falar que é uma experiência um pouco difícil, tá? Basicamente, a gente não consegue mais sustentar qualquer esforço que não tenha uma recompensa imediata. E isso é extremamente perigoso.

E aí entra o descompasso com a vida real. Porque a vida real não funciona na lógica do imediatismo, do agora. Relações levam tempo pra serem construídas. Carreira leva tempo. Então, acho que a gente também tem algumas gerações entrando no mercado querendo ser promovidas em um ano, em seis meses.

E não é assim que o mundo funciona. Até o nosso desenvolvimento pessoal leva tempo. Sabe aquela história do glow up? Não sei se você já foi impactado por algum anúncio em rede social que é tipo, fique irreconhecível, tenha um glow up em três meses. Gente, isso não existe. Claro que é super legal, eu adoro fazer planos de ação, vamos fazer um glow up aí no sprint final do ano, eu fiz isso, tá? Então eu tô fazendo uma autocrítica aqui. Porque realmente não existe milagre no curto prazo.

E o reflexo disso aparece em situações de forma muito sutil. Vou dar um exemplo. Você abriu uma conta no Instagram para falar de receitas e você quer ter 10 mil, 100 mil seguidores em um mês. Ou outro exemplo. Você perde o interesse quando não existe um retorno imediato.

Então você se inscreve na academia, vai testar um novo esporte, mas, ah, primeiro mês não me adaptei, não tive um retorno visível, já vou cancelar. E um outro exemplo é quando você tem dificuldade de manter consistência. O imediatismo, ele tá muito linkado a isso de você ser cada vez menos consistente e persistente nas coisas. Por a gente querer o resultado imediato o tempo todo, a gente perde um pouco essa habilidade, essa resiliência de insistir nas coisas.

E aqui tem um ponto importante que eu falei no episódio de minimalismo digital e eu vou repetir aqui porque não é sobre a gente demonizar a tecnologia. A tecnologia não é a culpada disso tudo. Acho que tem boa parcela de culpa, né? O TikTok, o feed infinito, as plataformas de delivery que chegam em 10 minutos. Claro, mas enfim, tudo isso existe para facilitar a nossa vida também, muitas vezes. Então, não tem nada de errado com a tecnologia por si só.

É muito sobre a forma que a gente usa a tecnologia e como a gente deixa a tecnologia...

mudar a nossa percepção da vida. Então, acho que a forma de driblar um pouco isso é a gente ter cada vez mais consciência do tipo olhar para a nossa vida e para as nossas atitudes com algumas situações e tentar entender, poxa, será que eu não estou sendo um pouco imediatista aqui? Será que eu estou sendo meio influenciada por essa dopamina que eu recebo diariamente e aí está me fazendo ser mais impaciente nas minhas decisões, nas outras áreas da minha vida? Então, se questionar um pouco isso...

E ter sempre muita consciência do tipo, acho que aqui eu fui um pouco intolerante. E começar a perceber essas situações do dia a dia, acho que é o primeiro passo. É identificar quando a gente tá sendo imediatista. Depois que eu comecei a fazer esse exercício, eu passo o dia inteiro olhando pra uma situação e falo, nossa, acho que eu fui muito imediatista aqui, vou ter um pouco mais de paciência.

E aí, como vocês sabem, sempre temos um bloco aqui, uma parte do episódio justamente para trazer dicas práticas. E eu selecionei cinco ajustes que vão te ajudar a sair do automático, a ser uma pessoa menos impaciente e imediatista. E são ajustes que, assim, a gente não precisa mudar tudo de uma vez. São pequenas dicas que, se você for aplicando aos poucos e conseguir introduzir isso no seu dia a dia, eu tenho certeza que você vai se sentir um pouco mais tranquilo.

O primeiro é parar de interromper qualquer espera com estímulo. O que eu quero dizer com isso? Você está ali na espera do médico para ser chamado para a sua consulta. Com certeza, o seu primeiro instinto vai ser pegar o celular e preencher aquele espaço vazio com um estímulo.

Só o fato de você não fazer isso, de você esperar e viver aquele momento, aquela experiência, eu tenho certeza que já é um ótimo exercício pra você começar. A segunda coisa é se expor a processos mais lentos de propósito. Sabe o exemplo do cinema, do filme de três horas que eu dei? Esse é um bom exercício, é um bom processo lento que você pode se expor de propósito. Então vai um domingo no cinema ver um filme mais longo.

sem celular e vê como você reage. Ou pega uma tarde, senta no sofá, faz um chá, um café e lê um livro por mais tempo do que normalmente você faria. Faz alguma coisa sem se acelerar o tempo todo. Isso de sustentar uma tarefa sem trocar de tela o tempo todo já é um super exercício pra você ser um pouco mais paciente também. O terceiro é redefinir o que é progresso. Porque às vezes a gente fica tão pilhado em resultado, progresso, que a gente esquece desses pequenos avanços que a gente tem no meio do caminho. Então quando você tiver...

tocando um projeto, testando uma coisa nova, e você tiver com aquela sensação de preciso de um resultado imediato, tenta se metrificar por outras coisas, pela consistência de você aparecer lá todo dia e fazer um pouquinho mais, qualquer outra coisa que você possa se apegar que esteja relacionada ao progresso e não ao resultado final. O quarto é perceber quando você está buscando uma recompensa rápida.

No fim, acho que eu até já falei um pouco desse, né? Ali mais cedo no episódio. Mas é tentar identificar esses sinais. Quando você estiver nessa luta por uma recompensa rápida, para, respira, identifica que é isso que está acontecendo e saiba que você está só condicionada àquilo. E o quinto é aceitar que as coisas importantes levam tempo mesmo. Eu não sei quem falou isso, mas eu já ouvi uma frase muito boa em algum filme, talvez, que as coisas mais importantes levam tempo. Não adianta a gente ter pressa para as maiores conquistas da nossa vida.

Eu espero que esse episódio tenha sido útil de alguma forma. Se você já leu algum desses dois livros que eu indiquei, vamos continuar essa conversa. No aplicativo do The News, eu tô registrando todas as minhas leituras, dando nota, então vamos trocar figurinhas. É um espaço super legal pra gente trocar. Já me segue lá também, o meu perfil é Tchela. E eu vejo você num próximo episódio. Esse programa foi produzido por... TNS.

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