Episódios de O Verde é Pop, com Ricardo Cardim

Aprovação da Lei das Vagas Verdes

07 de maio de 20266min
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Ricardo Cardim, botânico e paisagista, apresenta análises e comentários sobre a agenda verde nas cidades. Quadro vai ao ar na Rádio Eldorado às quintas, ao vivo, às 07h45, no Jornal Eldorado; e em boletins às segundas e quartas, às 12h30 e 16h.

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Participantes neste episódio1
R

Ricardo Cardim

ConvidadoBotânico e paisagista
Assuntos1
  • Lei das Vagas VerdesAumento da área permeável urbana · Espaços de estar e descanso para a população · Proteção aos pedestres · Jardins de chuva · Permear árvores enforcadas por concreto e asfalto · Priorizar ilhas de calor urbanas · Substituição de vagas de veículos por espaços verdes · Obrigação de colocar árvores grandes · Mudanças climáticas de São Paulo · Super El Niño · Túneis verdes nas ruas da cidade · Arborização em linha contínua · Canteiros entre as vagas de carro · Corredor consecutivo de árvores grandes · Sombra contínua no asfalto e calçada · Redução da temperatura da cidade · Regulação do clima da cidade · Resiliência para as mudanças climáticas · Mobilidade sob sombra · Arborização isolada e fragmentada · Arborização eficiente · Copa contínua de árvores nas ruas · Resistência a ventos fortes · Túneis verdes · Resfriamento do asfalto e calçada · Diminuição da temperatura da rua · Ilhas de calor · Eventos climáticos extremos · Tempestades extremas
Transcrição17 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Com Ricardo Cardim. De olho aí na natureza, na nossa cidade. Oi, Cardim, bom dia. Bom dia, bom dia, ouvinte. Bom, semana passada a gente abordou um pouco um tema, que agora vamos trazer mais detalhes, a aprovação da Lei das Vagas Verdes em São Paulo. Você já pôde ler a lei e saber mais detalhes dela, Cardim?

Sim, pude ler com calma a lei. É um assunto que me interessa muito. Há muito tempo que eu venho falando desse assunto em meus canais. E eu fiquei um pouco preocupado, confesso a você, quando li com calma a lei, porque percebi lacunas que são importantíssimas de serem melhoradas. O que você destaca, então? Quais as principais?

Bem, essa lei é muito boa no que se refere ao que a gente precisa na cidade para aumentar a área permeável urbana, trazer mais verde urbano, espaços de estar e descanso para a população na calçada, proteção aos pedestres, trazer jardins de chuva tão necessários, ajudar a permear árvores que estão hoje enforcadas por concreto e asfalto.

e priorizar as ilhas de calor urbanas. Mas a questão é que a lei traz como a substituição de vagas de veículos por esses espaços verdes. Então tem que ter um tamanho mínimo de 5 metros de comprimento, até 20% da quadra.

e você vai colocar vegetação nesse espaço. Mas ela não fala da obrigação de colocar árvores grandes. A gente sabe pela ciência que árvores grandes são fundamentais na cidade para a regulação do clima. E aí vem meu ponto. O projeto não ataca como poderia as mudanças climáticas de São Paulo, que são uma urgência hoje, ainda mais considerando que a gente vai ter aí no segundo semestre um super El Ninho.

pelo que a ciência vem falando. O principal dessa lei, na minha opinião, deve ser criar túneis verdes nas ruas da cidade, porque São Paulo cresceu sem deixar espaço para sua arborização via de regra. Então, se trazer a arborização em linha, contínua...

Para a via onde estão as vagas de veículos, é possível. Isso já vem sendo feito em vários países do mundo. Que é você colocar as árvores grandes e jardins de chuva em canteiros, entre as vagas de carro e não sobre as vagas de carro. Isso muda tudo. Porque se a gente coloca essas árvores grandes nativas entre as vagas de carro, em, por exemplo, canteiros de um metro e meio de largura,

por um metro e meio de comprimento, ou seja, não precisam ser muito grandes, e com um jardim de chuva, você mantém o espaço da vaga, de cinco, seis metros, e aí você tem outra árvore grande, aí você mantém o espaço da vaga, outra árvore grande, e você cria...

um corredor consecutivo, periódico, de árvores grandes em determinada rua, criando uma sombra contínua, tanto no asfalto quanto na calçada, que é o que vai permitir reduzir realmente a temperatura da cidade, regular o clima da cidade e criar resiliência para as mudanças climáticas, ao mesmo tempo permitir o deslocamento sob sombra do pedestre, uma mobilidade que é a mais sustentável de todas.

Você diria que esses pontos são importantes que você está abordando, ou Cardim, podem ainda ser contemplados, talvez numa regulamentação, enfim, o que pode ser feito?

Essa é a minha esperança. Eu acho que o projeto como ele está hoje, ele cria uma arborização isolada, fragmentada. Ou seja, você vai ter, no lugar de uma vaga de veículo, ou duas, conforme a possibilidade, novas árvores ali, que podem ser também árvores anãs. Não tem uma obrigação de árvores grandes. Mas você não cria essa copa contínua de árvores nas ruas, que é o que a gente precisa para...

criar sobrevivência nessa cidade no século XXI, e também é o que é mais eficiente, inclusive, para resistir a ventos, porque quando você tem uma arborização com uma árvore do lado da outra, com copas intercruzadas, elas são mais resistentes aos ventos fortes e amortecem esses ventos fortes que protegem as construções e as pessoas, se a arborização estiver saudável.

Bom, então é importante ressaltar isso, porque a gente viu que tem ali uma limitação até do tamanho, né, Cardin? Tem uma métrica ali que eles fizeram na lei e o importante que você está ressaltando são os chamados túneis. Vamos explicar como é que funcionariam então esses túneis.

Exatamente. Eu acredito que a lei não deve focar em trocar vagas de veículos por áreas verdes, mas deve focar em criar uma arborização eficiente dentro da cidade, principalmente onde a cidade é árida.

E aí, como é que a gente consegue isso? É colocando essas árvores grandes entre as vagas de veículos. Você tem a vaga, você tem a árvore, você tem a vaga, você tem a árvore. E assim, consecutivamente, criando uma copa única na rua, criando um túnel verde, que é justamente o pedestre sempre andar sobre a proteção da sombra generosa de árvores generosas. E aí você resfria o asfalto.

e a calçada, e diminui a temperatura daquela rua, e se isso for feito de forma abrangente na cidade, regula, diminui a temperatura da cidade, e as ilhas de calor, que são o combustível dos eventos climáticos extremos, que cada vez São Paulo tem mais. Não é segredo para ninguém que hoje São Paulo não é mais a cidade da garoa, mas a cidade das tempestades extremas, que chegam a arrancar janelas inteiras de prédios antigos.

Muito bem, está aí uma análise minuciosa do Ricardo Cardinho sobre essa lei das vagas verdes aqui em São Paulo, aprovada recentemente pela Câmara Municipal. Cardinho, obrigado pela atenção. Até semana que vem. Obrigado, até semana que vem. Obrigado.

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