PERSY - assimpod #28
Ator, dublador e diretor de dublagem, Luiz Carlos Persy deu voz a personagens marcantes como Voldemort, Joel de The Last of Us e Gandalf de O Hobbit.No ASSIMPod, ele fala sobre sua trajetória na atuação e na dublagem, os bastidores da construção de personagens icônicos, sua experiência no cinema com A Própria Carne e os desafios do mercado atual diante da inteligência artificial e das vozes sintéticas.Persy também comenta sobre o curso de dublagem que ministra no Rio de Janeiro e a importância da formação de novos profissionais para o futuro da área.Uma conversa sobre técnica, interpretação e a força da voz no audiovisual.#ASSIMPod #Persy #LuizCarlosPersy #Dublagem #Podcast #Cinema #TheLastOfUs #HarryPotter #Voldemort #Gandalf #Dublador #Audiovisual
- Trajetória de Carol GattazInfância e formação familiar · Estudo de Direito · Início no teatro · Formação como ator · Carreira na dublagem · Trabalho como arquiteto · Pintura como hobby
- Construção de Personagens na DublagemVoldemort · Joel (The Last of Us) · Gandalf · O Esqueleto (He-Man) · Marlon Brando (Corleone) · Ian McKellen (Gandalf) · Peter Jackson · Mário Monjardim · Lauro Fabiano · Damião Carlos Wilson · Maria Helena Croft · O Ateneu (obra) · Os Padrinhos Mágicos · O Poderoso Chefão · O Senhor dos Anéis · O Hobbit · He-Man · A Própria Carne · Sin City · Cápsula (filme) · Rastro Neural (curta)
- Desafios do Mercado de DublagemInteligência Artificial e vozes sintéticas · Naturalidade no texto e interpretação · Adaptação de roteiros e legendas · Diferenças entre teatro e dublagem · A importância do curso de dublagem
- Produção de CarnesExperiência no cinema · Criação do personagem · Processo de atuação e fisioterapia · Frank Miller · Marv (personagem)
- Arte e Expressão PessoalPintura · Arquitetura · Visão de mundo e sociedade
Bom dia, boa tarde, boa noite. Mais uma vez, muito obrigado pela sua audiência e nosso Assim Pode. Não esquece, antes de começar a assistir o nosso vídeo, de ir lá no Instagram, Assim Associação, começar a nos seguir, dar um like nesse vídeo, se inscrever no nosso canal, porque hoje a gente tem uma personalidade aqui que você não vai querer ficar passando um videozinho pra frente.
Hoje você vai querer assistir do começo ao fim, não é, Marçalinha? Olha, anota essa placa, porque eu vou dizer só uma coisa. Não, espera aí antes de você começar, porque a hora que você soltar a placa, eu não vou mais ter chance de falar nada. Porque o que acontece? Hoje eu resolvi mudar o meu cabelo. Então foi ótimo, porque eu mudei o meu cabelo sem querer ter mudado o meu cabelo.
Tá embaçado, cara. Tá embaçado, né? Então, graças a Deus que a gente tem uma estrela do tamanho da estrela. Ninguém vai prestar atenção. Ai, que horror falar isso, né? Vamos ao que interessa. Voldemort. Todo mundo conhece. Quem não conhece, vai lá procurar. Eu vou falar o outro. Gandalf.
Joel! Joel, fala direito. Joel, Joel, viu? O velho da própria carne.
e o mais fresco que a gente estava aqui debatendo se podia ou não eu ainda não podia falar mas é o seguinte, deixa eu fazer uma coisa que eu anotei uma colinha aqui porque eu queria só lembrar quem ele era porque a gente é velho então a gente vai esquecendo mas ele era aquele que tinha o objetivo de conquistar o castelo de
o greyscore o esqueleto hoje a gente recebe gente Luiz Carlos Percy ator dublador diretor de dublagem
Gente, pra quem não... O que a gente fala, né? Pra quem não conhece o rosto na voz, vai conhecer hoje. Pra quem já conhecia, vai ter o prazer de ver. Prazer enorme de estar te recebendo aqui. Obrigado, Marcelo. Obrigado por aceitar nosso convite. É uma honra enorme pra assim, pra nossa instituição, pra mim e pra Marcela. É verdade. Tá com você aqui hoje. Eu tô...
E nós vamos falar de tudo pouco, né? Vamos falar de tudo pouco porque não tem pouco. A luta da Tatá é a gente conseguir seguir a nossa pauta, o nosso roteiro. A gente vai tentar mais uma vez, porque na verdade tem muito assunto, né?
Uma pessoa assim, a gente aqui antes de começar a conversa já estava se deliciando com todo o papo que estava rolando. Então a gente quer que hoje o papo continue, sabe? Eu tenho que me controlar, eu falo muito. Não, a ideia é essa. A ideia é essa, microfone aberto. É por isso que aqui é o Assim Pode, Assim Você Pode Falar. Muito, Assim Você Pode Falar o que você quiser, o que você tiver a fim de contar. E aliás, para a gente começar, porque as pessoas querem ouvi-lo, não querem nos ouvir.
O pessoal aqui quer saber do Marcelo, é da Marcela. Não sei. Mas veja só, eu queria que você começasse falando...
Como a gente sempre abre dessa forma. Que você se sentisse à vontade para falar um pouco da tua história. O que nasceu dentro de você. Um dia você foi uma criança, um adolescente, um adulto. Que com certeza a sua criança e seu adolescente ainda moram dentro do seu coração, dentro de você. O que te levou a ser o que você é hoje na sua profissão, no seu mundo artístico. Para a gente chegar aonde você chegou. Então, fica à vontade. Bom, é...
Eu sou fruto de uma família pequeno-burguesa, cresci em Copacabana, estudando em colégio público. Não tenho na família nenhum artista. Meu pai...
por diletantismo, pintava, mas era apenas isso, era funcionário público, minha mãe ida, então não havia nenhum incentivo, eu gostava de desenhar, mas não havia, pô, garoto desenha, não, havia...
um futuro pré-programado, que era, você vai fazer o quê? Medicina, Direito ou Engenharia? Eu quero ser arquiteto, eu queria ser arquiteto. Vai morrer de fome. Como meu pai era advogado, eu resolvi fazer advocacia, que já tenho aqui, meu pai.
porque não havia muito experimento. Poxa, eu tenho tendência para engenharia, eu tenho tendência para direito, para medicina. Medicina eu sabia que não. Nunca gostei. É, não é? Não quero ver. Tem gostado de sair. Tem gostado de abrir. Tem alguns pré-requisitos. Eu nunca gostei de abrir. Em peixe. Então, não quero ver os órgãos do peixe.
Acho que quando ele chega, ele dá como produto. Pronto no prazo. A posta. Engenharia e direito. Não tem nenhum engenheiro na família. Eu vou para direito. E fui estudar direito. Com o passar do tempo, eu cheguei a fazer dois anos e meio, são cinco, cursei dois anos e meio de direito.
Mas em algum momento, e já trabalhando, estágio e trabalho, não é diretamente ligado ao direito, mas enquadrado, digamos assim. Enquadrado no que daqui você vai fazer o seu futuro. Vai ser advogado, tem essa formação, e vamos embora ver o que acontece.
De repente eu comecei a ver que a minha formação ia ser de barman, porque eu ia para a faculdade, chegava na faculdade, olhava, bom, antes de tudo eu vou comer ali um sanduíche, tomar uma coca. Então uma coca, um sanduíche, comia e tal. Aí chegava alguém, pronto, choro, andou, andou. E quando via, e acabou a aula, ou chegava atrasado, eu comecei a perceber, bom, não é para mim, algo está errado, não está me...
Não está me atraindo. Será que a vida é isso? Será que é isso que é ser? A formação é essa? Você ir empurrando, receber um canudo, eu sou alguma coisa aí, e aí vai tateando. Você já está sem prazer agora? Como é que vai ser? Nessa época eu trabalhava como caixa no Banco Nacional.
O Brasil inteiro eu conhecia pelo Ayrton Senna. Ayrton Senna, o bonezinho da Ayrton Senna. E eu entrei como caixa e tal, e fiquei oito meses só como caixa. Porque o banco começou a claudicar, começou a tropeçar.
E o tesoureiro, na época, perguntou, vem cá, quem quer ser mandado embora? Tem um nome? Demissão voluntária. Demissão voluntária, tal, não sei o quê. Opa! Eu! Aqui! Pimba! Peguei a grana e saí e falei, pô, bicho, está tudo errado. Está muito errado.
vou tirar aí um tempinho enquanto está com essa graninha, dá para mim uns dois meses de rescisão, vou ver o que eu quero da vida. E aí são coisas que acontecem que a gente pode chamar de sorte. Para mim, ser ator ou ser artista, quer dizer...
Artista não, porque, vamos pensar assim, quero ser bailarino, você vai procurar uma escola de dança. Isso sempre houve. Quero ser escultor, vai procurar uma escola de arte que tenha escultura.
Mas quero ser ator. Isso pra mim era estar andando na rua, um diretor de uma novela, ou te olhar e... Você é... Aquelas coisas, né? Da Paula Arósio, né? Sei! Coberta no mercado. Né? Então eu achava que era isso. E aí eu tava um dia, era um dia inclusive nublado.
ali em Ipanema. E aí eu, pô, não tenho nada pra fazer, o tempo tá feio. Vou dar uma volta na praia. Eu sempre gostei dessa solidão que ali a minha, aquela região proporcionava, arpoador, poder ficar olhando aquele mar, né?
As professoras da minha escola e colégio diziam, ele vive no mundo da lua. Eu gostava, ficava naquela contemplação e pá, voava. Cara, arte na alma, na verdade, né? Veja bem, mas não havia... Cara, vem cá, vamos ver qual é. E aí eu encontrei um colega na praia, sentei com ele e tal, ele sozinho também, sentado ali também, contemplando. Aí sentei com ele...
E aí, como é que tá? Tá maneiro, cara. Agora eu comecei a fazer teatro. Caceta. O que é isso?
É um teatro. É um colégio chamado Divina Providência, que é no Jardim Botânico, em frente à Globo Antiga, a sede, a Vênus Platinada, que chamava ali no Jardim Botânico, na Lopes Quintas. O colégio ali, ah, estou fazendo ali um curso com o Damião.
Não, você sabe sim, você já viu em cinema e tal, mas você não está reconhecendo, não deve estar lembrando. Não, tudo bem. Mas como é que é isso? É legal, pô, é maneiríssimo. Vem cá, isso aí é bom para timidez? Aí ele, pô, você vai ter que ficar no palco, claro que... Como é que faz? Quer ir comigo? Falei, quero. Estava com uma graninha para ela experimentar.
Aí fui, cheguei, fiquei aterrorizado na primeira aula, completamente aterrorizado. Não fiz nada, fiquei olhando. Reconheci o Damião Carlos Wilson de algumas participações que ele fazia no cinema. Não vou me recordar. Fiquei dos filmes da década de 80, né? E voltei.
Continuei. Se aterrorizou, mas falou, vou voltar. Alguma coisa mexeu muito comigo. Não posso explicar. Não tenho como definir. Mas alguma coisa mexeu muito. Não foi expulsivo. Foi excitante.
vendo aquilo, vendo as pessoas fazendo aquelas coisas primárias ainda. Era uma turma muito grande, por curiosidade. Olha, eu devia ter umas 20 pessoas. Devia ter umas 20 pessoas. Isso mexe na dinâmica, né? Você vendo aquele monte de gente. Eu ia a teatro, sozinho.
A gente morava ali na Francisco Sá, tinha o Teatro da Praia, que hoje em dia é uma igreja. E eu ia a teatros, assistia peças pelo meu próprio Deleide. Mas não era um conhecedor. Não tinha... Eu lia romances, romances no sentido... Sim, novelas. Novelas, mas não texto teatral.
Acho que eu nunca tinha lido um Shakespeare na vida. Tinha lido contos em cima. Ou revista em quadrinho, que até tinha. Macbeth, Hamlet, revista em quadrinho. Adaptada. Beleza. E aí aquilo me excitou e eu comecei a ir. Comecei a ir. E assim, fui, fui, fui. Resolvi abandonar o direito. Ah, não dá. E aí o meu pai...
Que era o meu grande amigo e de uma influência absurda na minha formação pessoal. Por mais antagônico que fosse a visão dele, com a minha atitude ali de querer fechar a faculdade, vou trancar a faculdade. Não vou abandonar, não. Vou trancar. E ele me dizia, cara, termina a faculdade. Eu até me arrependo. Um pouquinho. Eu sou um poço de arrependimento.
Então, eu dizia pra ele Eu chamava ele O nome dele era José Pereira da Silva Então eu chamava ele José Pereira Eu não tinha nome de pai Era muito amigo O negócio, você tem que mergulhar Você tem que ir muito fundo Não dá pra ficar Dividido Ser Olá
trabalhar em alguma coisa e fazer teatro. Vou ter que me virar nisso aí, não sei como, mas eu vou ter que... Porque é sério o negócio. Tem que estudar, tem que ler texto, tá, tá. Ele, cara, mas tem que ter um certo. Na época eu ficava, pô, naquela... Naquela...
naquele duelo com o meu cara, mas tem que ter o certo. Porque eu vejo, eu via, próprio Damião, a dificuldade da vida que ele tinha. De às vezes ficar ferrado. Aí pegava um trabalho, ficava bem. Era um sobe e desce, vida de artista. Montanha-Russa.
E aí ele me chamou para fazer uma primeira peça, ele me chamou para o tablado, fiz todo ano com ele lá no tablado, e ele me chamou, fiz uma peça de fim de ano, uma coisa simples e tal,
Quando na primeira apresentação as pessoas encostavam em mim, meu Deus, você está gelado. Eu nunca senti algo tão profundo, tão forte. E a minha sensação era assim, nunca mais eu faço isso. Terror.
Mas aí começa a peça, você começa a falar, a agir, a queita, tal. De repente eu comecei a sentir um negócio, eu não quero descer do palco. Eu quero mais, eu quero mais, eu quero mais, eu quero mais. E foram quatro apresentações. E aí ele resolveu fazer uma peça chamada O Ateneu, que é um livro do Raul Pompeia, um romance do Raul Pompeia. Eu já tinha lido, relemos tal, não sei o quê.
E ele me deu lá um personagem, que era o Bedel, o João Numa. E isso assim, muito rápido. Um ano e meio de teatro estava, de repente. E éramos 43 atores, sendo 40 homens e 3 mulheres. Que era bem o livro, né?
Alunos, a esposa, uma cozinheira, que era a ambição da garotada, e a filha do diretor. Eram as três personagens femininas do livro, inclusive. E aqueles 40 rapazes ali com as suas tramas pessoais e se cruzando. Um dia, no...
A gente começou a frequentar um bar ali no Leblon. Nós estávamos ali conversando e tal. E o Damião vira-se para mim e diz. Você não pode fazer esse papel que você está fazendo. Tímido, né? Pequeno ainda, né? Sem mínima segurança. Porque ninguém entende o que você fala. Aí eu disse para ele.
Se em um mês eu não melhorar minha voz, eu saio da peça. Eu falava assim. A minha voz tinha esse fiado natural. Eu botava o meu S num lugar errado e... Ah, é bonitinho, é bonitinho. E tu vai. Feito um patolino. Ele tinha razão.
Ninguém entendia quando eu falava, não me lembro os textos, mas devia ser um... Quase um pato Donald. Devia ser um negócio terrível, um chiado. Aí eu procurei uma fome, a Maria Ana Croft, que acredito já tenha falecido, era já uma senhora na época, e ela, como uma feiticeira, foi me trabalhando.
E Mii In, como ela era diretamente ligada a teatro, ela não era apenas uma fonoaudióloga para melhorar sua voz no seu dia a dia, ela ia te ensinando. Você vai ter que gritar?
Ah, meu personagem vai gritar. Então, põe aqui. Põe a voz aqui, põe a voz aqui. Você vai ter sussurro. Dirigindo. Ah, vai. Acho que é bom, né? Então, bota aqui. Então, pá, pá, pá, pá, pá. Pra você não acabar com a tua voz. Pra você não gritar. E até pra fazer um negócio assim. Sem usar a garganta. Céu da boca, céu da boca, céu da boca.
Então, foi trabalhando e tal. O papel eu perdi, porque hoje em dia vendo eu não teria realmente o peso que o papel necessitava. Quem fez foi... Ai meu Deus.
Enfim, depois foi o Otávio Miller substituindo, mas começou com outro, que agora me foge o nome dele, um grande ator também. Que tinha o peso que o papel precisava, que já era um ator, né? O nome veio e fugiu. Mas eu fiz a peça lá, o auxiliar desse cara e tal, não sei o que. E foi a minha primeira grande experiência em teatro, porque nós ensaiamos durante oito meses.
Caramba. Era uma coisa que era meio que da época. Você reunia uma galera e começava a ensaiar. E no processo de ensaio, você ia. Figurino, como é que a gente vai arrumar? Aí levava livro de ouro pra família. Tá, vintinho, tá, dezinho, cinquentinho, cinquentinho.
E ia rodando, eram uns 43, e aí vendia ingresso antecipado para a pré-estreia, e esse dinheiro ia entrando, compra tecido, manda fazer cenário figurino, a peça estreou e nós ficamos um ano em cartaz.
E estreou num CIEP, que é aquele colégio que o Brizola tentou implementar no Rio de Janeiro. E era lá no Morro do Pavão, Pavãozinho. Então era interessante porque você chegava e tinha que subir um elevador. Com todos os moradores daquela comunidade. Porque às vezes chegava com galinha. Só que a peça fez um sucesso astronômico.
porque tinha um bom elenco, e nós ensaiamos oito meses, então nós criamos aquela escola. A gente vivenciou aquela escola. A nossa atuação ali em cena era muito verdadeira. As rixas eram quase reais, os amores eram quase reais.
O coleguismo era real. Então, a peça foi agradando, foi agradando, a gente foi fazendo a peça, foi fazendo, foi fazendo. De repente, estava um ano em cartaz, com o público subindo. Então, você via Caetano Veloso chegando para assistir a peça junto com o pessoal da comunidade, subindo e assistindo e aplaudindo de pé e sendo um espetáculo.
Então, dessa experiência, aí eu fui, agora eu vou fazer realmente, agora eu vou estudar. E aí entrei para a faculdade de teatro e tal, e foi, né? Então, quer dizer, eu acho que esse primeiro momento foi muito bacana. Você teve uma formação antes da formação, né? É como se você só fosse para a faculdade já mais ou menos só para... Já, já chegamos na...
Para dar aquela... Ali foi o momento que você falou, sou um ator. É. Quero ser. E o seu pai, quando viu isso acontecer? Encantado. Todo mundo encantado. A mudança da sua voz, como foi isso? Eles viram, talvez pela primeira vez, aquele menino. É porque eles viram aquele menino que vivia no mundo da lua, super focado.
interessado, estudando, cara, ele tá lendo. Que legal. A gente lia. Mas, de repente, a gente começou a só... Eram 24 horas por dia de mergulho naquela vontade de querer ser bom ator. É aquele entendimento e aquela compreensão. Eu acho que na cabeça de um pai, quando ele...
se depara com essa situação, ele começa a entender o que ele não estava conseguindo entender, talvez alguns passos antes. Aquilo que ele deseja para um filho, principalmente nessa época, né? Era sempre o trio, engenharia, medicina e direito. Aí, pô, você tem um artista em casa, e olha, eu vou te falar uma coisa aqui que você estava relatando.
Teu pai realmente era diferenciado nesse ponto. Sem dúvida. Porque ele te acolheu. Sem dúvida. Normalmente eu achei que você ia falar que tomou uma chibatada. Não, sem dúvida. Porque a gente está falando aí de uma época em que era inadmissível. Estamos aí em 1982.
pensado, me lembrou um pouco do papai. Nosso pai, assim, me parece bem curtinho. Ele também é artista, compositor, músico, sempre foi desde pequeno, mas ele fez direito, se formou em direito. Qual a idade dele? Hoje ele é mais velho, ele tá com 8,6. Pois é, já é da geração.
Se eu fosse da geração dele, eu teria terminado o direito. Isso aí. E talvez a partir dali, já tendo uma formação... Porque você falou uma frase que o papai conta que o pai dele falava pra ele. Filho, tem que ter um certo.
bem a música, mas tem, porque meu avô também era funcionário público e tocava à noite. Então ele sabia que tem que ter o certo. Porque não vai pingar. Não vai pingar, só o complemento, beleza. E você abraçou, eu vou fazer o que o minha alma tá gritando pra eu fazer. Foi, foi. E eu acho que ele viu, ele, minha mãe, a família viu, caramba, ele tá com uma dedicação que eu nunca vi.
Em nada. Era uma coisa de louco mesmo. E a faculdade, metade da minha turma era de atores do Ateneu. Nós fomos, migramos. Foi um curso aberto pelo próprio Damião numa faculdade.
que tinha no Rio de Janeiro, que também fechou a faculdade da cidade. Nossa, que legal. Então, ainda por cima é isso. Teve essa coisa. Mas fizemos prova, e aliás, um mês de provas. Não houve preferência. Esse já era. Não. Foi, pá, pá, pá, pá. Entramos e aí veio a coisa do curso e a formação em geral. O outro...
Salto que eu acho que também me auxiliou foi que, logo no início da década de 90, 91, mais ou menos, eu já ator, já formado, já tendo feito vários espetáculos adultos e infantis, eu comecei a dar aula de teatro na Martins Pé, na escola que tem lá no Rio, de teatro.
Ali eu acho que foi a minha grande formação. Porque quando eu vi a minha turma, você prepara a aula, você faz tudo. Mas de repente eu comecei a ver, caramba, isso aqui que eu estou fazendo funciona para eles dois. Mas não funciona para aquele... Ele é lindo. Como é que eu vou fazer para aquele cara ali? Chegar onde eu... E aí você começa a ver os problemas e começa a ver os problemas... E aí
Seus! Porque você... Se eu vou pedir pra... Eu tenho que resolver em mim. Então, aquilo foi me mexendo. Foi me mexendo. Como é que eu vou extrair toda a verdade que eu preciso no texto? E foram dez anos. E fazendo teatro. E aí, ali, eu comecei a dirigir algumas peças com os alunos. Então, tudo foi acontecendo de uma forma...
Eu vou dizer assim, lenta. Porque não foi... Eu preciso de uma carreira para... Eu, com 33 anos, eu era professor da Martins Pena, fazia alguns trabalhos em TV, aquelas participações pequenas, por grana e teatro, pelo prazer. Não, mas então você já tinha uma carreira. Tinha, mas eu não... Eu já estava sólida, inclusive.
Você olhar agora por essa prisão... Pois é, mas é aquilo, quando eu lembro... Quando eu fui fazer... Um amigo meu chegou lá em casa, eu já com 33, ele chegou lá em casa e... Percy, olha aqui. Meu pai mandou de Cambuquira, Caxambu, o pai dele morava lá, em Minas. Caxambu, Cambuquira, não lembro. Tá aqui o jornal, ele comprou lá, acho que era o dia, a última hora, não me lembro, que ele comprou lá.
que tem um anúncio de uma empresa de dublagem procurando atores sem experiência em dublagem para ela compor um elenco próprio. E aí eu, na minha descrença, isso aí é carta marcada, cara. Isso aí é só para chamar. Teste para o filme tal, você chega. Aí entrava o cara, porra, já conceituado. Teste para peça tal.
Teste pra... As coisas... Vai lá, bicho. Tem que ir pra uma furada. Mete essa. Cara, não custa. Não, a gente já tem. Vamos lá. Tá bom, vamos fazer o currículo. Currículo, não sei o que. Levamos. Papel pardo, envelope. Sim.
Entregou o currículo lá, beleza. A gente liga. Acabou aí, hein? Aí ligaram. Ah, vai ter uma sabatina aqui pra ver, conhecer, pra selecionar, né, pra um curso interno de formação de dublador. Beleza. Dietal, beleza, fui, cheguei lá. Tinha lá uma sabatina.
E aí é aquilo. A nossa... Essa nossa obsessão da nossa rapaziada de ler, estudar, debater, de ouvir alguém falar porra, ali fulano, quem é fulano? Quem é fulano? Anota. Peça tal, peça tal, texto tal, deixa eu procurar Biblioteca Nacional. É, não, não. Opa! Isso aí, na correta da informação. Tá, não sei o que e tal.
Ele chegou, distribuiu um texto e estava lá. Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá. E no final tinha E.A.P. Aí eu olhei, pô, isso aqui é o Corvo do Edgar Allan Poe. E eu li. Legal. Os umbrás e tal. É, conheço. Ah, legal. Eu já tinha lido bastante Edgar Allan Poe. Sim.
Aí entrou lá o dono da empresa falando, blá, blá, blá. Aí vocês receberam um texto e tal. Alguém saberia dizer quem é o autor? Porra, a gente garampou o caraca. Todo mundo vai. Oito vão levantar, tem umas cem pessoas. Dez vão levantar a mão. Eu vou ficar aqui na reboca. E aí fez-se aquele silêncio. Aí o criou, começou. Cri, cri, cri. Aí eu, que tão de saco.
Edgar Allan Poe Aí Eu ganhei o cara O cara olhou Edgar Allan Poe Você conhece? Eu já li isso E tem um texto dele Que eu gosto muito Que é Os crimes da rua mora
que tem um detetive, um dos primeiros detetives, antes do Sean Rose. É considerado o pai dos histórios de policiais. Exato, exato. Que é o Dupan. Gostava do texto, né?
Inclusive tem um texto que eu adoro Os Crimes da Rua Morte Pois é, Crimes da Rua Morte Que tem um detetive Dupan, pronto Acabou Se o filho dele não entrar Eu entro Já estou no mínimo um segundo E a corrida ainda está rolando Aí recebi o telefone E a corrida ainda está rolando
Aí fui fazer, eu e esse meu colega, fomos fazer o curso. O curso de um mês, mas duas vezes por mês e pauleira. Com o Lauro Fabiano, que também já faleceu, que se tornou um grande amigo, jogava um ping-pong sério. Nunca consegui ganhar dele, nunca consegui ganhar dele. Jogava um ping-pong sério. Aí fui selecionado e fui contratado.
E aí começou, apanha daqui, apanha dali, né? Porque é uma técnica. Você, sendo ator, tem que ter o registro profissional pra ser dublador de ator. Mas você tem que ser um bom ator. Não basta ter o registro profissional. Aquele cara que tirou o registro profissional em 86...
Não iria dublar, era ainda um neófito, ainda estava aprendendo, não tinha ainda algumas experiências necessárias, de vida até.
E aí fui apanhando aqui, apanhando ali e tal. E dali, aos poucos, eu fui entrando, fui entrando, fui entrando. E quando me vi, estava dublando Herbert Richard nas grandes empresas. Abraçado, contratado. E aí foi. E aí começaram a surgir os primeiros papéis. O primeiro grande papel que eu peguei foi graças ao...
também, o Mário Monjardim, que duplava o Salsicha do Scooby-Doo, né, e o Pernalonga, ele era, apesar, também um grande amigo, grande amigo, que foi o cara que me botou, digamos assim. Ele gostou do meu trabalho, e começou a me dar muita chance e a me ensinar aqueles pulos do gato. Aquele refinhozinho, meandrezinho.
Aí você vai pegando a verdade. Você vai saindo da radiofonia. Porque tem isso, né? Aquela coisa de, mas o que é que você está fazendo aqui, Laura? Vai embora agora mesmo. Essa radiofonia, né? Que algumas pessoas acham que é a voz. Nossa, a sua voz é tão linda. Você tem que ser dublador. Mas dublador não tem que ser voz linda.
Nem bonita. Ele tem que saber, ele tem que ter verdade naquilo que ele fala. Não importa se ela vai ser bonita ou feia. E ele foi me dando essa bossa. E aí ele me deu um teste para um desenho animado que era Os Padrinhos Mágicos. Que era um desenho animado que virou uma coqueluche.
E ali foi um grande treinamento. E aí os papéis foram aparecendo naturalmente, de acordo com o resultado. Mais um papel ali, papapá, Corleone, Marlon Brando.
O Manombrando ainda O Vitor Que ele usava Eu usei Eu ia perguntar E aí tem um negócio interessante Foi o primeiro trabalho que eu tive que Botar Uma sensação de estar ali com Mercúrio na mão Vai cair
Porque o Marlon Brando, ele tinha, ele bota um desgaste na voz. Mas não é o que chegou a nós. A coisa das primeiras dublagens. Bem carregada. É sutil. E ele é assim, a verdade.
Ah, é natural. A voz dele é estranha, né? A voz dele é assim. Então ele fazia um negócio meio aqui. Só que aí eu fiquei, caramba, se eu fizer o que eu tô vendo, se eu for nele, eu vou ser crucificado. Porque eu vou dizer, caralho, cadê o Corleone? A gente tá... Então foi a primeira vez que eu tive que ser marlombrando, mas...
Corleone popular. O que se espera do Corleone. Nós aqui no Brasil. Então foi um trabalho difícil de fazer. Deixa eu te fazer uma pergunta em cima disso, porque isso é algo que eu fico pensando hoje. Existe uma grande preocupação de opinião pública e popular por conta da forma como as pessoas hoje têm o direito de se manifestar por mídia social, já diferente. Naquela época lá.
era um boca a boca que você mal sabia. Quando você vai fazer um trabalho, por exemplo, que é tão técnico, você tem essa preocupação sua como profissional de atingir o teu maior nível perante a opinião dos seus pares, como eles vão te avaliar, ou do público mesmo, como resultado final. Porque, veja, pra quem tá do lado de cada televisão, um cara como eu, como um, ele, tô ouvindo.
só o fato de você estar lá, estar doblando, pra mim, de forma alguma eu vou estar julgando, não tem como, condição de julgar, se você poderia estar fazendo melhor, se você poderia estar fazendo pior, só se estiver muito ruim ou muito fora do padrão, o cara comum percebe. Mas você está ali, esses mínimos detalhes, aquela coisa que você falou, o Mercurio está aqui pra... Porque você está preocupado, evidentemente, em botar o teu melhor trabalho, mas... Pô, cara...
O cara que me colocou aqui vai me ver. O fulano de tal tá me avaliando. O diretor do filme original pode vir a tomar conhecimento da dublagem brasileira. É pra esses caras que você olha e fala... É pra todo mundo. É pra todo mundo. E pra mim.
que também eu acho que entra nessa química aí claro o principal é falar eu vou fazer o meu melhor uma coisa é porque é muito técnico é muito específico e é só você ali dentro do conhecimento que você adquiriu que é o que você falou, que se você vai saber mesmo pra você que tem o teu sarrafo em algum lugar quanto isso vai ser satisfatório pra você Olá
Mas é aquilo, a gente está falando aqui do Vitor Corleone. Não estamos falando, por exemplo, do pai do Timmy Turner, que era o personagem que eu fazia no Padrinhos Mágicos, que ninguém tinha feito. É verdade. Era novo. Talvez se amanhã forem redublar, talvez o camarada... Porque eu segui bastante da minha interpretação sobre o que eu vi ali.
próximo do que eu estava vendo. Ninguém sabe como é o original daquilo. É verdade. O cara que vai ouvir, vai ouvir, vai... E aí, por exemplo, o Salsicha, eu acho que é um exemplo do Scooby-Doo, está sendo redublado, está sendo produzido e tem um novo dublador, que busca muito o que o Monjardim fazia, assim como o Scooby-Doo, busca muito o que o Drummond... São homenagens. Eu acho que é verdade.
Se resolver mudar, aí fica esquisito. Fica esquisito. Aí fica esquisito. E esse fica esquisito, eu acho que eu nunca tinha visto o poderoso chefão original, até entrar no estúdio para dublar. Então, quando eu vi ali, que eu ouvindo... Passa de novo, porque ele começa com um certo discurso, né?
A primeira coisa que ele fala é sobre o rapaz que está pedindo para ele matar alguém que violentou a filha dele. A filha dele, né? Ele está recebendo o casamento. E aí ele faz um discurso. Você nunca veio aqui, blá blá blá blá blá. Eu sou padrinho do seu filho. Mas aí ouvindo aquilo, eu falei, caramba, não é o que eu ouvia quando era jovem, criança até. Não sei. Não é. Mas todo mundo...
que vai brincar de mafioso, vai, Javão, carreta! Ah, meu filho! Verdade! O pessoal carrega, porque é mono. Então eu não podia anular. Não, vou fazer o que eu tô, viu? Não sei nem se o diretor, ouvindo, não ia falar. Não, se bota aí aquele... E eu conversei com ele, Marcelo.
Conversei com ele, aí botei o algodão, então de vez em quando tinha que parar e trocar. Mas o algodão era fundamental, mesmo que eu não fizesse ele aqui, tudo carregado. Mas o algodão era necessário pela dificuldade da fala normal que ele também tinha lá. Mas houve essa adequação. Deixa eu botar um pouco de...
de mim, de marlombrando e de público. Da expectativa pública. Foi um trabalho difícil. E eu não vou nem dizer que tenha sido difícil pelo trabalho de dublar, mas por causa do histórico. Eu estava aqui pensando quando você estava explicando e eu pensando, cara, não é um peso ruim. É um peso de responsabilidade.
Eu tenho uma pergunta burra. Eu sou uma pessoa das perguntas burras. É uma curiosidade burra mesmo. Porque eu fico pensando, assim, olhando do ponto de vista da dublagem. Então, vamos pegar esse exemplo, vamos pegar um outro que eu também gosto muito, que vai sair um outro registro, uma outra coisa, que é o Gandalf, por exemplo. Os Os Anéis. Peter Jackson, de Livro.
quando você tá fazendo o trabalho da dublagem assim a a minha às vezes eu eu eu teria o impulso de te perguntar assim o que foi ser dirigido pelo Peter Jackson não tem caso é entende que eu quero dizer assim o quanto ia porque o Peter Jackson dirigindo William McKellen ele tira um Gandalf
né que quando você vai colocar o seu no lugar ele é seu e e aí você a relação com imagina tem um diretor de dublagem vai fazer esse esse papel né então quanto do seu é é seu em relação ao do Ian ou como é que essa linha ela você você consegue traçar ela com tanta naturalidade cruz ela é paralela né porque
Semana passada foi levantado um debate na minha aula de dublagem, que eu tô lá no Rio, exatamente sobre uma aluna me perguntou, Percia, você acha que é bom, a gente deve fazer...
Mais nós ou mais o papel? Porque me falaram para eu variar um pouco mais, para não fazer muito eu dependendo do papel. E aí tem uma coisa que eu penso assim, tem vários colegas na dublagem que fazem personagens diversos.
mas que você reconhece instantaneamente, quando ele começa a falar em qualquer... Pode ser um personagem aqui, outro ali, tal. Atores distintos, mas que se colocam muito. E temos colegas que vão mais no que está vendo ali na hora. Até para se, às vezes... Não, esse ator eu dublo muito.
Mas nesse filme, ele não está como ele estava nos dois últimos ou três. Ele fez ali alguma composição que eu vou tentar. Essa é mais a minha onda. Eu procuro ir mais no que eu... Então, quando eu olho o Ian McKaylin, que eu fiz no Hobbit e não no Senhor, na trilogia, né? Eu vou no Ian McKaylin.
Porque ele tem uma coisa que é muito profunda e ele respira. Claro. Isso, porra. E consegui... Aí eu vou lá no Monjardim.
Olha pra lá, meu filho, esquece o texto, esquece. Leu aqui, entendeu, olha pra lá e vai. E aí você vai no cara. Essa é a minha onda. Então, eu dublando o Gandalf, eu vou na composição do Emma Kelly. Me emprestando inquestionavelmente. Quando eu vou fazer o Lord Voldemort...
Eu vou no trabalho do... É. É. Peraí. Ai, que horror. Ai, que horror. Ele ia... Não, não é. Será que a gente tem anotado aqui? Não, peraí. How Fine. How Fine. Pelo amor de Deus. Na composição que ele faz aquela coisa cansada. Que não é o Gandalf.
E aí eu gosto disso. E às vezes o papel é o cara comum, que pra mim é o mais difícil de ser feito. O bancário. O trabalhador comum. Não é herói, não é vilão. É o cara comum. É o drama familiar. Sim. É porque ele não é um personagem.
Ele não tem uma caricatura. Ele não é uma caricatura. Não é uma fantasia. Não é o Voldemort. É, isso. E também não é o padrinho. É o cara comum. Que chega em casa, a comida está fria. Que reclama com a esposa, mas também não tem... Esse cara, pra mim, é dificílimo. Falar o natural.
Aquele que muita gente vai se identificar. Hoje o dia hoje foi cansativo. Porra, se encontrar. Você não está falando do monstro que vai chegar e vai fazer, temos que ir embora. O mundo não é. É o banal.
E agora que você falou isso, esse banal na dublagem, ele é diferente do banal do palco? Atuando assim? Entende o que eu quero dizer? Eu entendo e adoro a pergunta. Eu antes de... eu não paro de refletir. Eu sou chato comigo. Então assim...
Eu sou de uma época de teatro, que a gente fazia a peça no... Um teatrão, teatro grande, em Vila Lobos, Carlos Gomes, teatro grande do Rio, como aqui, enfim, teatro. Não vou chegar ao teatro municipal, mas teatrão. Aqui em São Paulo tem na Brigadeira, vai estar no teatro.
Hoje em dia tem. Hoje em dia o pessoal tem microfone. É verdade. Então você tem... O teatro tinha essa coisa do não ter microfone. É verdade. Mas eu já vi onde ele vai. Vai, por favor. Porque eu estou apaixonada pela resposta. Deixa ele responder. Então, havia uma... E aí, Maria Helena Croft, a minha professora de voz. Você tinha uma... Tinha que ter uma projeção de voz maior. Só que aí...
É aquele negócio. Mas o sussurro não existe no teatrão? O teatrão que eu estou falando não é o tamanho, não. É a amplitude do espaço, que por sua vez tem uma boa acústica. Exato. Mas você não tinha o microfone para dizer, não faça isso. Você faz isso hoje em dia, todo mundo vai ouvir. No teatro você não tinha. E o sussurro no alto? Agora, vou sussurrar.
E ali, na boca de cena, eu falseando, mas não vou sussurrar lá atrás. Vou sussurrar e vou lá pra frente e sussurro ali na frente. Até pra plateia, se for essa a proposta. Agora, eu estou falando de um Carlos Gomes, de um João Caetano, de Vila Lobos. Mas eu posso estar falando de um Cândido Mendes, que é um teatro.
Aí eu não tenho nada. É papinho. A minha voz é cotidiana, é o normal. Eu assisti uma peça certa vez, que chama Confessionário, era o nome da peça, e era um confessionário. Tinha dez capim, se não me falo a memória.
Você entrava numa cabine, tinha aquele negócio de confissão, de padre, e aqui tinha um padre, e aí você, perdão, você ouvia as confissões. O cara tá aqui. O cara não vai chegar pra você...
Ontem eu matei! Sai, você jogava pra fora. O confeccionário. O cara vai. Sabe, seu padre? Ontem eu fiz uma loucura. É teatro! O teatro é o local. Como você vai... Né?
encenar o espetáculo, primeiro vai depender desse... Não, nós vamos fazer na praia. Porra, acústica nenhuma. Não, mas ficou. Mas aí como é que você vai fazer? Então você vai ter que chegar no público. Falar no público. Eu agora vou fazer o seguinte. Eu vou matar o rei. Vou casar com a rainha. E vou tomar a coroa. Vocês vão ver. E aí vou... É um outro teatro.
Mas é teatro. Enfim. Não teve teatro dentro de casa recentemente? Você ia na tua casa, aí tu põe na tua sala, o cara vai gritar. Não, ele vai fazer o teatro ali na tua frente, o que tiver que ser feito ali, com esse tom, que tá mais do que o audível, não é verdade?
Você falando, eu fico pensando muito... Você me parece, se eu estiver falando uma bobagem, fica à vontade, está falando bobagem. Mas, assim, essa dinâmica muito shakespeariana, né? Porque Shakespeare... Shakespeare, você... O sussurro, o ator, quando a gente lê o texto cru, me parece uma opção de interpretação. Porque ele está o tempo todo, os personagens dele, exprimindo os pensamentos, né? Sim, sim, sim.
Então, isso que você está trazendo me parece que dialoga muito com isso. Então, por exemplo, quando o Macbeth está lá maquinando o que ele vai fazer, como ele vai fazer. Então, ok, eu vou maquinar isso de uma forma de... E lá no... Ou eu vou maquinar, entende? Pois é. Projetando a minha voz. Lá naquele teatro dele, lá no Globo, o cara chegava na beira do palco. Será que eu faço isso? Será que eu faço aquilo? Para todo mundo ouvir. Mas o Peter Brook...
Peter Brook, ou seja, agora se for Peter Brook ou Harold Bloom, um dos dois, disse numa entrevista, o ideal de Shakespeare hoje em dia é com microfone, porque aí você pode fazer isso aí do Macbeth.
Pra ninguém ouvir. E todo mundo vai ouvir. Pensando alto... É o balão de pensamento do quadrinho, sabe? É uma coisa muito que eu relaciono com isso. Agora, você... Teatro... Elisabetano... Então tá mais divertido fazer teatro com microfone, de uma certa forma, nesse sentido. Digo, você tem... A tecnologia permite você trabalhar no âncio de uma interpretação. Ah, sem dúvida.
E a dublagem permite, porque a tua distância é aqui, né? Quando eu comecei, você ainda não podia ter esse sussurro. Ah, era tudo meio plano, assim? Porque eram vários ao mesmo tempo. Então o microfone, o técnico ali e tal, era um canal. Um canal? É. Então você não tinha jogo. Então o jogo, quem fazia era nos nós.
Quem vai falar, chega, afasta o outro, entra, fala, tal, tal. Uh, era assim? Aí tinha um sussurro. Você tinha que sussurrar, mas tinha que dar uma emitida. Porque se você fizesse aqui, o cara puxa, desperdi. Não captei. Tá numa... Tá pra pegar o papo. Não dá pra pegar isso. Se vai gritar, o pessoal me dizia Perci,
Se afasta mais do microfone. Percy, se afasta. Percy, sai do estúdio. Por causa do grito. Não tinha como segurar. Mas não é pra gritar. A pessoa tá lá. As veias tão aqui. Eu vou ficar fingindo.
Vou cantar. Segura aí, bicho. Segura aí. E essa naturalidade do texto também, como que você trabalha? Foi uma coisa que eu mais apanhei, né? Porque eu fico imaginando as traduções, assim, eu falo porque eu faço adaptação de quadrinhos também, né?
E até uma coisa que aconteceu comigo, que foi muito legal, eu fiz uma versão, tem uma coleção de quadrinhos do Frank Miller, chamada Sin City, muito legal, né? Ah, eu fiz. Ah, então. Eu fiz o Marvel. Ah, você fez o Marvel. Na primeira. Na primeira, então. Puta, então essa história é pra você.
Porque o que acontece? Eu fiz a tradução dos quadrinhos Quando a Deville lançou em 2005 E vários dos textos que eu coloquei no quadrinho Foram para o cinema Foi muito legal, eles aproveitaram Mas meu ponto não é onde eu quero chegar Quando eu fui convidada para fazer o trabalho Eu já tinha ficado super feliz Porque é uma mulher traduzindo Frank Miller Num texto que é super, né?
masculinizado vamos fazer o mínimo e o mar foi aquele personagem que você sabe quem é tinha uma cena e eu me lembro assim que quando eu conversei com o editor o leandro Delmanto que é um editor de quadrinho até hoje um cara dos mais foda que a gente tem
Enfim, eu pedi uma coisa pra ele, eu falo, meu, eu quero liberdade pra trabalhar os balões do jeito que eu vou manter, é o Frank Miller, é o Frank Miller. Mas a gente tem maneiras de falar, porque eu tenho horror aquela coisa daquele texto que ninguém diz. Você vai lendo o balão e ele não tem nenhuma naturalidade, ele não tem nenhuma sonoridade. E o balão que eu mais gosto nessa história, não vou me lembrar do texto inteiro, porque faz 20 anos isso, né?
Mas assim, eu lembro que quando foi lá para a editora, né, ele até me ligou e falou, meu, se for muito legal. Quando o Marv vai matar lá o reverendo, que não sei o quê, que ele fala, ah, você vai matar um reverendo, eu não lembro agora quais são as frases. Mas o Marv, ele diz assim, né, e no quadrinho eu fiz questão de escrever a palavra. Olha, não sei o que, não sei o que, mas isso aqui, mas esse olho vai ser do caralho, como se fosse uma palavra só.
Isso era uma coisa que ninguém fazia. E foi uma coisa que ficou muito marcada nessa tradução, tanto que na época as críticas foram legais. Onde eu quero chegar com isso? Quando a gente vai para o cinema trabalhar as traduções, trabalhar as adaptações, muitas vezes você tem a tendência a ouvir o texto engessado, antinatural. Então, um do caralho, por exemplo, é como se fosse um balão de história em quadrinhos, não sei, até na dublagem. Sim.
Então, isso é uma coisa também que, para você, ela... Como que foi? Você tinha liberdade o suficiente para pegar aquele texto e falar isso não é dito dessa forma, não tem a sonoridade que deveria ter. Temos. Não me recordo o nível de palavrões que na época foi liberado, é bem provável que o do caralho não tenha entrado.
É bem provável. Também acredito que sim. Mas é porque a expressão do caralho, a gente brasileiro sabe o que quer dizer, mas você não vai poder falar isso e você tem que achar uma forma de reproduzir. Na nossa língua. A gente aqui, dublante, hoje em dia você pode meter. É, hoje em dia. Caralho. Porra. Pode.
Pode, pode. Tô aproveitando. Pode. Pode. Agora, eu lembro, acho que era o Enfio que tinha o Duca. Era o Enfio que tinha. Ele falava, ô, isso é Duca. Que é do caralho. Acho que era o Enfio, um personagem dele qualquer que fazia. Isso é Duca. Isso não precisava nem tudo. Nem tudo. E era, revista, tinha lá.
Fradinho, tinha o Fradinho, que era um frado escroto, um frado sacana, era um barato. Agora, por exemplo, posso beber um copo d'água? Isso está natural.
Beber já me lascou no R que ninguém fala. Mas pode estar lá no texto. Pode. Verdade. E normalmente está lá, assim. Posso beber um pouco d'água?
E quando eu comecei, tinha muito disso ainda. Dessa radiofonia. Dessa coisa da novela de rádio. Ainda tinha uma coisa. A TV, o cinema, já estava na bossa. Sim. Mas a dublagem, até hoje, ainda tem isso. Ainda tem um certo rigor. Um rigor ainda aparece. Certo. Eu detecto muito que é porque...
você não decora o texto. Porque quando você entra no processo de decorar o texto,
E quando eu digo decorar o texto, eu estou partindo da premissa que você, para decorar, você tem que entender. Claro. Você não vai decorar. Eu preciso que ela... Não é leitura. Não é uma coisa, sou palavras soltas. Sim. Por que ele está falando isso? E assim o texto vai se tornando natural. E aí, na hora de falar, você não vai dizer, eu posso beber um pouco d'água? Você vai dizer, posso beber um golinho?
Posso pegar uma aguinha? Tem um copo d'água? Você vai amaciando. Mas na dublagem você está com aquele texto ali, você não tem tempo de decorar.
É imediato. Você entrou, olhou, vê a cena, olha, lê, tal, pede pra dar mais uma olhada, tal, treina, dá uma ensaiada, pá, pá, pá, vai. Mas só que tem uns textos maiores que aí você tem que ler, né? Você tá falando e tá aqui, é um negócio meio complexo. É a tela preta que você tava falando, aquela... Não, eu tô falando até com boca. Tô vendo boca. Tá vendo boca.
Mas você não está vivendo a motivação daquele texto, né? A minha motivação meio que ainda está travada ali na leitura. Então saiam... Vem cá, eu posso beber um pouco d'água? Por mais que eu finja, porque ele está nervoso, o cara está sofrendo um inquérito. Será que eu posso beber um pouco d'água? Saiam, não saiam... Eu posso beber um pouco d'água? Dá para beber um pouco d'água?
E é isso que eu mais peço para os meus alunos. Ensaiar. E ensaiar não é ver se começou e terminou junto, se a pausa está... Ensaiar é você tirar a cara do texto, da tela, imaginar-se nessa situação...
e treinar essa fala. Como seria essa fala? Eu falando isso aqui nessa situação. Esse personagem, por exemplo, Joel, do The Last of Us, foi isso o tempo todo, desde o game.
Porra, essa fala aqui, como é que eu vou falar isso? Treina, ensaia, tal, tal, tal, e pá, e pá. Pra ser absolutamente natural. Ah, mas aí você tá falando um negócio muito legal, porque isso significa que depois que você pega a manha do personagem, você já vira o cara. A coisa já é melhor. É bem diferente de você pegar um filme aleatório, vamos dizer, que vai ser aquele personagem e tal. Aí ele fica muito mais uma leitura do que uma criação, né?
De uma certa forma. É mais difícil. Você quando pega um personagem e faz uma série... Você vai construindo. Você vai, pá, não sei o quê. Infelizmente, você não tem condição de chegar e falar vamos regravar os dois primeiros episódios, porque agora eu estou nele. Não, já foi, já está mixado, já vai entrar no ar. Você está no oitavo, no décimo, sei lá. Ou, por exemplo, uma coisa que eu tento fazer.
Vou fazer um personagem que eu nunca fiz num filme. Um ator que eu nunca fiz, pesquisar, pesquisar, enfim. Começa. Terminei? Ok, acabamos, tal. Vamos refazer os dois, três, quatro primeiros anéis, loops. Porque agora eu tô com ele. Tá. Pra não... Posso refazer? Porque agora eu tô... Agora eu... Sim. E é uma diferença real.
causa uma diferença. Com certeza. Você já começa com ele vivo. Não está tateando ainda. Agora, às vezes tem loucuras, tem ritmos que não permitem. Não dá. Tem mil nuances. Você não tem o controle. É difícil. Não, é uma merda. Porque foge um... Cara, eu acredito assim.
Há muitos anos eu não faço uma novela, nada, né? Questões até pessoais. Há muitos anos. Mas é meio isso também. Vambora, vambora, vambora. Tem que gravar 20 cenas num dia. Então é meio que... Ninguém decora. Como é que é? Kiu! É assim, assim, assim, assim. É assim, assim, assim, assim. A minha mãe morreu.
Eu estou muito triste. Eu ganhei na loteria. Eu estou muito feliz. E fica... E fica um negócio mesmo. Tá bom. Eu não consigo. Eu não tenho nem... Estou sendo radical. Eu não sei. Deu para captar. Mas a coisa é muito... Essa pizzaria. Que acaba virando um pouco...
Tudo que é... Enfim, eu sou arquiteto. Me formei. Fui fazer com 33 e entrei também. 35. Rolou a arquitetura, então, no meio do rolo? Que legal. Mas fui fazer, me formei e tal. Legal. Eu já estava trabalhando. E aí eu percebi o quê? Porra.
Eu já dublava, já estava, quando eu me formei, já dublava, já tinha dublado, já era, até na faculdade, o pessoal... Eu tinha essas coisas. Até professor. Pô, faz aí, faz aí.
O pessoal te pedia muito pra imitar. Porque com a voz, né? É foda. Você falou o verbo, agora entende. Você usou o imitar. Imita o Joe. Como assim imita? Sou eu, é. Mas imitar o professor, imitar o diretor. Fazer uma brincadeira.
Nunca fui bom nisso. É, e não dá, não tem. Não dá pra fazer essa mistura. Não, tem colegas que imitam colegas. É, isso. E você tá aqui... Tem uns caras que tem esse... Pra dar aquela trollada. É um prazer que a pessoa tem de coisa. Eu nunca fui de ficar...
naturalmente porque é diferente não é uma coisa comum você tem um colega de sala não é porque é um doblador profissional velho é claro é legal
Mas ninguém aliviava na prova. Que é o que interessa. Regulador. Metia lá umas páginas de cálculo violentas e a nota vinha 9.7, 9.4. Era notão. Eu fui dedicado ao negócio. Agora, quando eu me formei, já fiz uma pós.
em restauro de arquitetura. Nossa, que lindo! É lindo, lindo. Casas velhas. Maravilhoso. Fiz um curso de restauro de azulejo. Fui, né? Fui buscando um caminho legal. Só que aí, você vai buscando... Não é... Eu vi casa cair. Antes de ser restaurada.
Porque é tanta burocracia para liberar, vai chover e tal, caiu. Caiu aquela que estava se querendo. E vi coisas muito bacanas. Formas de garantir que aquilo não caísse. Técnicas extraordinárias. Muito bem. Agora, a vida cotidiana...
do arquiteto, é como a vida cotidiana do dublador. Você não vai pegar toda hora um Joel, um Voldemort, um Gandalf. Você vai pegar a cozinha, blá blá blá, a merda, que você... Não, mas eu quero dourado aqui, uma faixa dourada. Uma faixa dourada. Aí você... Eu falei, pô... É minha esposa. É um filete do lado.
um casal e a mãe, a esposa do...
proprietário lá, a proprietária, ela trabalhava com esse negócio de caquinho de azulejo. Ela fazia uns desenhos maravilhosos. Aí eu projetei e falei, e aqui na parede da cozinha, na frente e tal, a senhora vai fazer um desenho com os seus caquinhos e tal, é a sua obra aqui na cozinha e tal. O marido, não, não.
Vai não, azulejo assim, a senhora foi lá escolher aquele azulejo que tava com a faixinha. Não, não, não. Pô, business por business, vai ficar aqui no meu, que eu já tô, então eu não vou lutar.
E eu adoro arquitetura. Eu sou apaixonado por arquitetura. Por pintura. Você pinta? Pinto muito. Tenho várias telas pintadas. Estão só na minha casa, como num estúdio que eu trabalho lá no Rio. Tenho várias telas. Onde a gente vê? Tem exposto pra gente ver? Alguma exposição permanente? Está lá no Beck Studios. Tem uma exposição permanente lá.
Cosme Velho. Que legal. Ainda tem mais isso. Mas isso é o meu prazer. É o prazer. É o prazer. Uma pintura pesada até. E uma colega, a civil, que está lá, está lá no beck. As pessoas veem e tal. E aí ela... Ela disse... Perguntou para a dona do estúdio, que é a Mayra Góes, que é o grande amigo.
Então, se pintou isso tudo, né? Aí é fogo, aí é... A gente tem que botar mesmo pra fora, senão fica doido. Agora eu tô muito curiosa, eu preciso ir lá ver essa exposição. Porque é a minha visão de mundo. É a minha visão da nossa sociedade. Com a...
A minha deturpação, a minha visão artística, livre. Sim. Ali dá para exprimir tudo, expressar tudo. Embora adore, eu adoro uma puta pintura realista, mas não é a minha praia. Mas é...
Olha, a gente tá, infelizmente, caminhando. Não, mas, cara, antes de terminar, rapidinho. Não, não vai terminar nada. A gente vai furar um pouco. Eu sei que ele tem horário, mas eu preciso... Porra, cara, três? Quatro? Tá difícil hoje. Cinco? Não, precisa. Muito legal, cara. Muita rolê. Tatiana vai ficar brava de novo.
dá pra ir no livrinho com gente como ele. Não dá. Tem que ter marcado ficar... Trazer uma garrafa de café. A gente não quis ser tão abusado. A gente não quis ser tão abusado. Mas a gente vai pro Rio, né? Eu me amarro, cara.
Cara, que caralho. Que rolê está sendo? Eu faço os podcasts que às vezes é 4 horas e meia. E blá, blá, blá. E acaba com... Com coisa para ser dita. Não é interessante isso, não. É que eu gosto muito desse ofício.
Fala sobre a... Você sabe o que acontece, Percy? A gente brinca no nosso meio que a gente tem no DNA. Quando você tem no DNA, quando você tem realmente muito amor no que você está fazendo, já faz parte, você se descobriu já há muitos anos, é diferente. Isso é nítido em você. A gente está aqui acostumado a lidar com gente que cria, com artista, legal. Só que assim, você não é só uma pessoa que cria, que recria.
É diferente, dá pra ver da tua história, quando você começou a contar eu falei, puta cara, é aquele cara que nasceu já mordido, né? Nasceu mordido com o bicho da arte, você não se encantou por alguém e um dia resolvesse ser aquilo porque você já não colocou. Nunca tive um ídolo. Deu pra perceber, nitidamente.
E aí é diferente, né? É outra pegada. E ainda me vejo nessa busca. Aquilo que eu tava te falando. Você me perguntou, é difícil essa coisa do ter da naturalidade? Ainda apanho. E quando eu gravo alguma coisa, que eu ouço o gravado ali, né? Vamos ver se... Deixa eu fazer de novo. Mas é porque o teu sarrafo com você... Tá falso. Que isso? Não, pra mim tá falso.
É vendável? Vai pro ar? Vai. Mas tem que ser uma verdade. Mas porra, mas... Você quer ir embora pra casa com aquela sensação de... Isso é a condição... Cansei. Cansei. Cansei. Suei. Esgotou ali. Eu digo pros meus alunos, não dá pra sair do estúdio. Fiz. Porra, fiz o quê?
Se você não saiu cansado é porque você não estava lá. Eu tenho uma visão um pouco assim. Exato. Você tem que sair meio desgastado. Você tem que sair meio ferrado. Você chorou, você riu, você gritou, você sussurrou. E você vai sair levinho? Caraca, eu não entendo. Eu não entendo.
Eu preciso te perguntar duas coisas. A gente tem que ir pro final, mas eu não vou poder ir embora sem. Tem algum personagem, qual você se divertiu muito fazendo, e um que foi um saco, você pode falar assim? Você fala, nossa, eu quero que você trabalhe... Não, assim, um saco. Alguma coisa que, sei lá. Eu não saberia dizer o personagem que foi um saco, e não tô aqui defendendo produção nenhuma. Não, não, não. É que eu não me lembro, assim.
Eu acho que um saco é você pegar uma produção, um enlatado, a sensação que você tem é que ele foi empurrado. Olha, vocês vão dublar esse filme, mas tem que dublar isso também, isso aqui, esse lixo, esse lixo que tá no dinheiro do ano, tem que ser gasto, então tem que dublar. Aí tu pega aquele negócio, a produção é ruim, o roteiro é ruim, a ideia é ruim, o ator é ruim.
E aí você tem que... Ah, vamos embora. E para me divertir...
Todos os filmes bons que eu fiz nessa existência, eu me divir... E até os medianos, até novela. Eu fiz recentemente uma novela portuguesa. Olha só. Sotaque português. E eu tendo que botar o sotaque brasileiro. Não carioca, mas brasileiro. Um coroa surfista com a minha idade.
Uma novela. Uma novela, tipo mexicana. Mas tem papéis que são gostosos de fazer, são divertidos. Gandalf é maravilhoso. Voldemort, Joel. E o... O esqueleto. Você chegou, acho que você não deve ter assistido. Porque eu tinha na época do Rimet, sei lá, 11, 12...
Você não via a Riveg. Não, não. Mas sabia. Lógico. Eu tenho a força, eu sabia. E o Bardavir sabia do esqueleto. Aquela coisa do esqueleto. Aquela voz que ele fazia. Porque o esqueleto era foda. Ele era muito engraçado. Ele era muito engraçado.
E aí eu fico pensando nisso. Se eu fosse dessa profissão e tivesse que fazer hoje, caísse no meu colo, eu ia ficar pensando, puta que pariu. Eu pensei um pouco, puta que pariu. Eu assisti essa merda. Foi também o tal do Mercúrio.
porque o Himen é diferente de um grande personagem novo que surgiu sei lá o e-mail
A maioria deu 50 pra baixo. É. Tá tudo ligado. Tá tudo ligado. E de uma certa forma, a gente acaba... Mexe um pouco com a gente quando é alguma coisa que fez parte da tua vida. Você não ia chegar... Você chega lá. Você acompanhou o He-Man. Aí você chega lá pra ver o He-Man. O esqueleto, o esqueleto. Aí entra o esqueleto. O que é que você tá fazendo aqui? Não, eu ia correr do cinema. Virou um filme de terror. Cadê o esqueleto?
O cara mudou o gênero Cadê o esqueleto? Cadê o esqueleto? Então, vamos, traz o Bardavir Porque eles estão todos aqui comigo o tempo inteiro A sensação que eu tenho é essa Eles me acompanham e eu Solicito De vez em quando, Newton da Mata Vem cá que eu tô precisando de uma naturalidade Aqui, tô precisando de um Gaiatice aqui, monja Tô precisando de uma sobriedade aqui, Lauro E assim eu vou Olá Olá
chamando essa figura para... Você sabe que eu estava vendo. E aí eu fui meio que na bossa do Bardavi. Desculpa. Imagina, perdão. Na bossa do Bardavi, mas... Sim. A minha interpretação, quando eu digo interpretação, a minha compreensão do texto. E na hora de isso ser transformado em vida, em representar...
Entrava a química também com o Bardavi. Para fazer a coisa próxima do que ele fazia, para que você se emocione quando ver o filme. Ai, vai ser muito louco. Meus filhos já estão enlouquecidos. Até porque você está numa produção que eu vi, um dos filmes que eu mais vi na minha vida.
é eu gosto de umas coisas assim muito loucas também tá é círculo de fogo né você fez o Ron Perlman não é você que faz o fogo dragão é não é robôs versus caju são filme do
pelo menos eu vi ali, tá no seu fandom, né? É o personagem do Ron Perlman, sabe? Que é um... ele negociava partes de Kaiju, que eram aqueles monstros que lutavam contra os robôs, os Jägers.
o caraca pacífico rim é do ai meu Deus como é que o nome do diretor de aí o diretor de a forma da água Frankenstein agora é o grande doutor é e você nem lembra né mas a gente a gente faz três quatro né então às vezes é um
Eu esqueço de dezenas. Ah, eu faço uma ideia. Só de ler ali o teu currículo, eu já fiquei... Gente! Não dá pra contabilizar. Mas pra, olha, pra gente fechar, porque eu não podia deixar você embora sem falar da própria carne, né? A própria carne. Me conta. Olha, porque assim, eu tenho uma relação pessoal com a própria carne, né? Você deu trabalho recente igual. Por conta do trabalho das graphic novels e tal. E tava contando antes da gente entrar. Vocês chegaram a se conhecer? Não.
Não, a gente não se conheceu Nem se falou, né? Não, não nos falamos Mas foi um lance Que eu fiquei muito assim Comovida, porque eu tava comentando com ele Que eu nunca tinha tido Um texto meu lido por um ator profissional E eu fiquei muito honrada
de você ter sido o primeiro. Eu chorei até quando o pessoal me ligou e falou, escreve. Eu falei, meu Deus, como é que eu vou escrever para esse homem? Isso é que é muito legal, porque eu pensei o texto todo, inclusive o personagem, em torno da sua criação. Então, foi uma responsabilidade enorme para mim, dar uma gênese para a sua criação ali.
E ali não é dublagem. Ali é foda. Ali, mano, você criou aquele cara. Ali foram de cara duas sessões de fisioterapia barra pesada. Imagina, porque ele ficou todo torto. Ele foi o personagem. Eu fiquei todo torto.
Meu joelho ficou desse tamanho. No fim do programa. Não, não, não. A gente vai. Fazer mais um podcast, mais uma segunda roda. É sacanagem. Eu queria que você trouxe alguma coisa. Eu trouxe de presente pra ele.
você vai aproveitar para entregar eu quero eu quero eu quero eu quero eu tenho entregando fechado para você ter um gostinho de abrir mas eu posso eu eu pedi eu pedi pedir para o Ia ainda não chegou vamos mandar aí beleza aí um dia chegou lá em casa um pacote
Aí quando eu abri... Não, era um livro. Aí eu abri... Nossa, não é a capa. O que é isso? Aí estava lá... Como é o nome? É o livro do make-off do filme. Make-in-off. Aí eu... Porra, eu estava lá.
Eu queria um texto Eu quero saber por que disso Por que daquilo De todos os personagens E aí agora Tá tudo aí Eu tô muito feliz Você não faz ideia Porque olha Quando eu falo você Porque eu sei que
Ele é uma criação sua, né? O velho, né? A vida que você dá, todos os trejeitos, sabe? A maneira que você... Mas teve... O texto já dizia, ele está à toa. Tem indicações. Aí o Iami falou, olha o Frank Miller, e eu fui. Vi até gente na rua que tinha esse problema.
E ficava meio atrás, olhando, para buscar a naturalidade. E no começo, em casa, eu fazia, né? E eu ficava meio...
Pô, esse negócio aqui tá meio Quasimodo. Meu nome é meio Igor. É, Igor, pô. Mestre! Mestre! E aí eu fui... Eu fui limpando. Fui tolindo, tolindo, tolindo, tolindo, tolindo, né? Pra chegar lá. E foi um bom barato. Fui demais. Olha, a gente vai ter que cortar teu cabelo, bicho!
Corta aí. E aí o Ian também. Pegou a tesoura e... Foi o Ian? Sem dó. Não, porque as meninas estavam com... Tentando com cuidadinho e tal. Não. Então ficou uns buracos. Era para o lado. E aí eu terminei. Primeiro dia.
Não, terminei esse corte e tal, não foi nem o primeiro dia, acho que foi um dia antes, uma coisa assim. Outro dia, não sei. Terminou, já fui direto no shopping, comprei uma touca pra não ser preso. Porque eu tava saído do hospício. Matava muito.
E com a barba aqui. Eu vi você na internet. Eu falei, pô, eu te vi aqui e falei, não, tá com o visual mais suave. Não, mas o personagem pedia aquele visual. Mas eu fui fundo, cara. Eu vou mesmo. Eu fico doido. Em busca dessa verdade. Qualquer.
Você levou o sair cansado às últimas consequências, no caso. Saiu com 10 sessões de fisioterapia contratada. Tava tudo liquidado, o joelho desse tamanho, inchado. Tava todo ferrado. Fui na fisioterapia, o cara não deu jeito. O cara veio, quase me mexendo. E filmando. Vambora. E eu ficava.
Durante, acabava a cena, eu dava uma desmontada e tal. Já voltava. O pessoal não chegava nem muito de per si. Chegava de fazendeiro, vamos. Era uma coisa de... Não tira, não. Não tira ele do universo, não. Foi mesmo. E a gente percebe. Porque o personagem é tão transtornado. Que a gente percebe que a dor é um elemento presente na vida dela. Ah, sem dúvida.
então isso é uma coisa que eu tentei trazer sabe para para para HQ que faz parte dele meio house assim claro tá vivendo a linha de todo o dade do que a dor fazia parte dele né então fazendeiro tem muito isso mesmo né e enfim é eu eu eu eu
Te agradeço demais. Espero que você goste do que você vai ler. Porque você está lá no topo da inspiração. E, meu, a gente vai precisar fazer isso de novo, hein? Pelo amor de Deus. Vamos lá nos três. Vamos. Vamos. O convite já está feio. O compromisso já está feio. A gente está no Rio direto.
tem uma sala deliciosa pra gente fazer lá, se você topar de a gente fazer depois, sair o esqueleto, eu quero depois ter a oportunidade de falar sobre os seus curtas, tem umas coisas muito legais, você fez um de ficção científica, que é maravilhoso. Eu fiz um longa muito bacana, que foi a Cápsula, que eu faço também um...
Um personagem belíssimo, belíssimo, que ele vive dentro da sua cabeça. Belíssimo o papel, produção, o roteiro do Ribamar Nascimento. Roteiro craneado, roteiro psicologicamente...
Bom! E com ele também fiz um curta, que foi o rastro neural, também. Que é o de ficção científica. Super bacana. Super bacana. Então, a gente quer falar disso tudo. Então, você está topado mesmo? Estou topado, claro. Então é isso, gente. A gente vai encerrar infelizmente, porque hoje realmente foi foda. Percy, você tem Instagram aberto? Como é que é a tua vida? Então é o seguinte, gente.
lcpersi, né? arroba gmail.com arroba gmail verifica se é esse lá o Instagram, pro pessoal que se seguiu no Instagram é o lcpersi arroba lcpersi no Instagram pra vocês que quiserem ir, né? já sair daqui agora e já ir lá se começar a seguir já tá o compromisso mas eu não sou um cara também de
Mas é porque eu sou assim, quando eu vejo... Às vezes eu vejo um vídeo de uma pessoa que eu... E eu já quero seguir, porque qualquer coisa que ela postar, mesmo que seja uma vez ou outra, você tem aquele contato. Você já está sabendo um pouquinho sobre ela. E já tem um... Hoje a gente molhou o bico, a gente teve a oportunidade de conhecer, pelo menos, como tudo começou, porque falar dos seus trabalhos, em um episódio eu esqueço.
Não tem como mesmo. E aí fica bom, porque fica aquele gostinho de quero mais. É verdade.
Então, você, por gentileza, que está nos ouvindo agora, nos assistindo, agradeço mais uma vez a sua audiência. Foi legal demais. Não esquece de se inscrever no nosso canal, seguir o nosso Instagram, assim, associação, seguir o Percy. E a gente te espera até a próxima. E está o compromisso, hein? A gente já deixou no compromisso já com você aqui. Lá no Rio, a próxima. Porque a próxima, quando a gente estiver no Rio de Janeiro, a tacar aqui... Nossa, a gente podia fazer lá na galeria. Porra.
Podemos entrar em contato Você acha que rola um espaço lá? Dá pra falar com a Maíra Nossa, ia ser bem legal Você passa pra produção e já entra em contato Então tá A gente se vê até a próxima Mais uma vez por si Obrigada Gente, um abraço E até a próxima