Alcalar: investigar e divulgar um grande celeiro (com Elena Morán)
Durante muito tempo Alcalar, classificado como monumento nacional desde 1910, era sobretudo conhecidocomo um conjunto de monumentos funerários. Hoje sabemos que é muito mais. É um povoado com cercade 25 hectares, no centro de um território que se estende da Serra de Monchique à Ria de Alvor. E é, sobretudo, um grande celeiro: um lugar que guardava muito para além das necessidades de quem o habitava.
Para saber mais sobre o povoado de Alcalar conversei com Elena Morán que há décadas se dedica a estudá-lo. Nascida em Madrid, licenciou-se em Pré-História e Arqueologia pelaUniversidade Autónoma de Madrid e doutorou-se pela Universidade de Sevilha. Foi, como tantos arqueólogos, nómada pela Península Ibérica, até Lagos se tornar o seu ponto de referência.
Em Lagos construiu uma carreira que junta investigação, gestão do património e museologia. Atualmente é diretora do Museu de Lagos. Esteve na coordenação científica e executiva de exposições de referência, entre elas as dedicadas à Rota da Escravatura e ao Mercado de Escravos. É investigadora integrada na Uniarq, no Grupo de Trabalho das Antigas Sociedades Camponesas, autora de livros e artigos e, desde 2024, membro correspondente do Instituto Arqueológico Alemão.
Nesta conversa, a Elena leva-nos conhecer sociedade que ergueu este povoado, o que nos dizem as diferenças entre quem foi enterrado de uma forma e de outra, como funcionava como centro de poder e centro de redistribuição de recursos. Falámos também dos desafios de abrir a pré-história ao público — dos chamados «objetos de sacrifício» à arqueologia experimental de «Um dia na pré-história», onde até uma cerveja se torna uma hipótese bebível. E falámos do muito que falta fazer, porque em Alcalar, nas palavras da Elena, «está tudo para escavar».
Sara Cura
Elena Morán
- Fabiano Zettel InvestigaçãoSalvaguarda e gestão do sítio · Necessidade de mais escavações · Reconstituição de habitação em Alcalar · Potencial para futuras gerações de arqueólogos
- Alcalar como centro de poderSociedade classista inicial · Território entre Serra de Monchique e Ria de Alvor · Produção e redistribuição de recursos · Diferenças nutricionais mínimas
- A pré-história humanaAtração de turistas de sol e praia · Mediação com públicos locais e regionais · Iniciativa 'Um Dia na Pré-História' · Comunicação através da experiência e toque · Desconstrução de mitos sobre a pré-história
- Missão e Identidade do MuseuConflito entre preservação e visitação · Objetos de sacrifício · Equilíbrio entre dar a conhecer e proteger · Programa de recuperação de sítios arqueológicos
- Investigação LulinhaAlcalar como povoado e celeiro · Mudança na percepção do sítio · Investigação sistemática e geofísica · Desafios da escavação
- Legado e descobertas arqueológicasEscala e profissionalismo nas oficinas · Tensão entre conhecimento científico e recriação histórica · Recriação de cerveja em Alcalar · Dificuldade em transmitir detalhes técnicos
- Carteirada e Hierarquia SocialDiferentes formas de enterramento · Monumentos funerários vs. grutas artificiais · Diferença social marcada
Olá, eu sou a Sara Cura e este é o Let's Rock, um podcast da Idade da Pedra. Durante muito tempo, Alcalar, classificado como monumento nacional desde 1910, era sobretudo conhecido como um conjunto de monumentos funerários. Hoje sabemos que é muito mais do que isso, é um povoado com cerca de 25 hectares, no centro de um território que se estende da Serra de Monchique à Ria de Alvor. Monumental para quem chegava de fora, mais discreto para quem vivia lá dentro.
E é sobretudo um grande celeiro, um lugar que produzia e guardava muito além das necessidades de quem o habitava. Para sabermos mais sobre o povoado de Alcalar, conversei com Helena Morã, que há décadas que se dedica a estudá-lo. Nascida em Madrid, licenciou-se em pré-história e arqueologia pela Universidade Autónoma de Madrid e doutorou-se na Universidade de Sevilha. Foi, como tantos arqueólogos, nómada pela Península Ibérica, até Lagos se tornar o seu ponto de referência.
Aqui, construiu uma carreira que junta investigação, gestão do património e museologia e é atualmente diretora do Museu de Lagos. Esteve na coordenação científica e executiva de exposições de referência, entre elas aquelas dedicadas à Rota da Escravatura e ao mercado de escravos. É investigadora integrada na UNIARC, no Grupo de Trabalhos das Antigas Sociedades Camponesas, autora de livros e artigos e desde 2024 membro correspondente do Instituto Arqueológico Alemão.
Nesta conversa, a Helena leva-nos a conhecer a sociedade que ergueu este povoado, o que nos dizem as diferenças entre quem foi enterrado de uma forma e de outra, e como este funcionava enquanto centro de poder e centro de redistribuição de recursos. Falámos também dos desafios de abrir a pré-história ao público, dos chamados objetos de sacrifício à arqueologia experimental da iniciativa Um Dia na Pré-História, onde até uma cerveja se torna uma hipótese bebível.
E também falámos do muito que falta por fazer, porque em Alcalá, nas palavras da Helena, está tudo para escavar. Vamos ouvi-la.
Olá Helena, muito obrigada por ter aceito o convite e vir aqui ao Let's Rock conversar comigo. Eu queria começar por fazer uma pergunta que corresponde a uma curiosidade, que é o facto da Helena nasceu em Espanha, portanto é espanhola, onde fez os seus estudos, e parte da sua carreira e depois acabou por fazer do Algarve a sua casa científica. A pergunta é: foi a pré-história recente algarvia que convenceu-a que este era o sítio certo para continuar a desenvolver a sua carreira profissional e académica?
Na realidade, sim, não é? A verdade é que cheguei por casualidade, não é? Por mero acaso ao Algarve, a Alcalá, E fiquei apaixonada, na realidade, pelo sítio de Alcalá e pouco a pouco por todo aquele entorno que implica aquele território de Alcalá e daquela envolvência da Baía de Lagos. E sim, foi uma escolha ficar aqui. E foi quase que imediato o ter decidido que já não continuava sendo nómada, porque até 97, que é essa data em que chego a Alcalá pela primeira vez, levava muitos anos, como quase todos os arqueólogos, pois de nómada pela Península Ibérica.
E foi nessa altura em que decido que vou fixar-me no Algarve, embora ainda continue alguns anos de nómada, mas já tinha este projeto como projeto principal e um ponto de referência que era o Algarve, em este caso, Lagos. Mas não, esse é o território de Alcalá.
Sim, pronto, Alcalá então foi um encontro que ficou para a vida. E este sítio é classificado como monumento nacional desde 1910, portanto conhecido há mais de um século, mas durante muito tempo era um conjunto de túmulos, digamos assim, pouco preservado, o terreno parcelado entre vários proprietários privados. A pergunta é: quando é que a investigação sistemática em Alcalar começou a mudar esta situação do monumento? E qual foi o momento em que se percebeu, devido precisamente a essa investigação, que o sítio era muito mais do que aquilo que se pensava ou daquilo que se conhecia?
Quer dizer, há aí um primeiro momento em que deixa de ser só aquele conjunto de espaços funerários, de monumentos funerários, que é o que está classificado desde 1910, que é uma altura em que José Arnault e Teresa Agamito, por uma parte, e Joaquina Soares, e Carlos Tavares da Silva, por outra, quase em simultâneo, identificam o que conhecemos como povoado de Alcalá. E posteriormente, as próprias intervenções de Rui Parreira em Monte Canelas, já no monumento 7 de Alcalá, e nas prospeções daquele território mais imediato ao povoado.
Portanto, começa a haver um panorama já diferente de do que era aquele espaço que não se limitava só àquele conjunto de monumentos classificados. A partir de 1997, que é quando eu passo a integrar este projeto, integro primeiro este projeto para escavar um monumento 7 em colaboração com o Rui Parreira e pouco depois começou a investigar no povoado já com prospecções sistemáticas de geofísica em colaboração com Helmut Becker e isso nos vai dar uma outra dimensão, não é?
E já começamos a ter entre cruzando toda todos os dados que temos das intervenções arqueológicas, que poderão não ser muito extensas, e diríamos que no povoado são cirúrgicas, mas a expressão que tínhamos do próprio território prospectado com esses procedimentos geofísicos nos iba dando uma expressão que era completamente diferente ao que até aquele momento se sabia de Alcalá. E creio que essa viragem depois está já nos finais dos 90, na transição para 2000, com todos aqueles trabalhos que se fizeram.
Sim, nos seus trabalhos e das equipas que estudaram Alcalá, o sítio é descrito como um centro de poder e uma espécie de embrião de Estado no extremo sudoeste da Europa, ou seja, uma das primeiras sociedades politicamente organizadas da Península Ibérica. Corrija-me se estou a dizer algo errado, mas para quem nos ouve e não conhece tão bem Alcalá, como é que explicamos isto numa linguagem mais do dia a dia? Ou o que é que tornava este lugar tão especial há milhares de anos?
Voltando à pergunta que me fez de porquê é um centro de poder, porquê falamos de sociedade classista inicial, não é? Sim, em primeiro lugar temos que olhar para todo um território que está enmarcado entre a Serra de Monchique e a Ria de Algor, a Baía de Lagos. De norte a sur y de Nascente para Puente, entre o Rio Arade e a ribeira de Bençafrien. Y en el centro de ese territorio tenemos un pueblado que se destaca, que ocupa un lugar central, que es este al que designamos como pueblado de Alcalá.
Este povoado, em toda a sua plataforma superior, porque ele tem uma disposição como de uma meseta, como uma mesa, em toda a plataforma superior está ocupado por fossas e, portanto, nós consideramos que é un grande celeiro. También hay otras fosas que son para acumulación de agua, son tanques para agua que están asociados a pequeños canales para captar esas aguas. Mas en su gran mayoría son fosas para guardar cereal. E esses espaços estão, digamos que, delimitados por outras, por fosos.
E depois, nas áreas de encosta, temos outras áreas também funcionais que estão bem definidas, onde hemos identificado espaços para cultivos. Y espacios para ahogado. Dentro de estas fosas que fueron excavadas se identificaron restos de cereal carbonizado, restos de productos consumidos, tanto de cereal convertido en em pão ou em papas, ou digamos misturado com outros elementos, digamos esses restos e outros produtos da horta, sejam sementes ou restos de plantas, de outras partes das plantas.
E isso nos permite ter uma ideia de que en aquel territorio ellos tenían una producción muy variada, tanto de productos de sequeiro como de regadío, digamos. Más también tenían cabañas variadas de animales domesticados como cabra o oveja principalmente, más también había puerco, también había bovidios. Mas também tinham restos consumidos de animais, de alguns menos, mas de animais caçados como gados, né? Bom, e em toda esta área que chega a ter cerca de 25 hectares, é grande, é muito grande, o que nós vemos é que há muitas áreas para produção, há muitas áreas para guardar toda essa produção e há escassas unidades de habitação, muitas poucas casas de habitação.
E isso nos permite identificar que realmente aquele Aquele espaço não era usado por poucas pessoas, mas por pessoas que tinham que ter algumas características para usar aquele espaço. Para além destas funções que acabei de dizer, de agricultura ou de O de gado. Também se identificaram as funções metalúrgicas, né, em este espaço. Nós interpretamos este grande celeiro como um local onde evidentemente não era para o consumo daqueles poucos habitantes, digamos, que que moraban en aquel espacio.
Interpretamos que era un local donde los pueblos que estaban en aquel territorio envolvente tenían la oportunidad de poder llevar parte de su producción para garantir las siguientes sementeras em caso de temporadas de máscoleitas, mas também onde se permitia que aquele centro funcionasse como um espaço de redistribuição da produção. Portanto, se permitia que os produtores tivessem acesso a uma produção variada dos recursos. Por que dizemos isto?
Porque analisando os restos antropológicos, pois que se hadden encontrado nos contextos das grandes sepulturas, que para sua construção foi necessário mão de obra, muita mão de obra, e portanto não foi feito por os 5, 8 que tiveram o privilégio de serem enterrados dentro, se comparamos com os 200 que se encontram, ou quase 200 que se encontram em sepulturas discretas, que são como são as grutas artificiais, que são localizadas em terrenos, em solos que são facilmente escaváveis por um par de pessoas.
Se nós compararmos os restos antropológicos, vemos que as diferenças nutricionais são mínimas. Portanto, vemos que tanto aqueles povoados especializados que que poderiam dedicar-se à agricultura, ou que poderiam dedicar-se a pastoreio, ou aos produtos da ria, enfim, todos eles acabavam por ter uma dieta variada e equilibrada.
Sim, sim. Helena, desculpe interromper, mas fiquei aqui com uma curiosidade. Helena, falou de algumas pessoas. Havia aqui distinções do ponto de vista hierárquico, digamos assim, indícios ou prenúncios de uma sociedade já hierarquizada, pelo menos no acesso ao monumento, ao Alcalar?
Portanto, nós quando falamos de que este espaço considerámos um grande celeiro Tinha poucas casas. Consideramos que aqueles que residiam neste espaço seriam aqueles que tinham funções de poder e que seriam aqueles que geriam este território e que geriam este celeiro, digamos, né? E portanto que teriam aquelas funções de de gestão do território, da produção e da redistribuição. Digamos que também, em que vemos que existem também essas diferenças sociais, em que temos vários tipos de formas de enterramento, muito monumentais, que estão localizadas imediatamente a norte de um limite, a norte do povoado, mesmo colado ao povoado, e que se conseguem destacar na paisagem porque são túmulos artificiais construídos com pedra de calcário e, portanto, são visíveis para quem chega de fora.
São discretos para quem olha desde, desde povoado, mas digamos que impressionantes para quem se aproxime, se chega, pois aproximando-se, digamos, em barco, não, por o lado nascente, digamos, não. Se entrasse, não No, no, no, no, no ha de ser desde povoado, más a llegar desde, desde naciente, por ejemplo, ¿no? Estas, esto es, digamos, que marca una diferencia a otras necrópolis como es Montecanelas, que también es conocida en la na bibliografia, mas que já está comparativamente a esta segregada mais para norte, mais invisível na paisagem porque são grutas artificiais escavadas que estariam provavelmente marcadas à superfície porque nós identificamos em nossa estratigrafia restos que indiciam que podiam ter digamos que tipo um monturo a marcar a entrada desse tipo de, mas nada que se assemelhe a um túmulo artificial como dos monumentos megalíticos.
Sim, sim.
Só esta diferença são em sepulturas que são, que têm estado em uso quase, bom, quase que não é simultâneo, então se está marcando que há uma diferença social de quem tumula em um lado e tumula em outro.
Exatamente, exatamente. E nós, é possível saber tudo isto de Alcalar devido obviamente a anos de investigação sistemática e cuidadosa, mas uma investigação que articula além da Arqueologia, claro, Geoarqueologia, Paleobotânica, Arqueozoologia, Geofísica, Conservação, e depois também tem ainda a parte da Reabilitação e da Museologia. Helena, que esteve envolvida nisto tudo, isto é uma investigação tão interdisciplinar, qual é que acaba por ser o papel do arqueólogo nisto tudo?
Porque Eu até pergunto isto porque quando comecei a ler sobre Alcalá houve uma coisa que me chamou a atenção, que foi, por exemplo, o processo de reabilitação do sítio, que foi muito complexo na estabilização do monumento, da conservação e restauro, e os arqueólogos envolvidos nisto tudo. Como é que é gerir tudo isto, tanta coisa diferente?
Quer dizer, o arqueólogo tem que estar integrado desde o início em todo o processo, não é? Isso é fundamental. E também me parece que é fundamental que saiba escolher bem cada elemento da sua equipa. Quer dizer, tanto quando falamos das áreas das ciências naturais e exatas, tem que saber escolher. E por quê? Porque vai ter que discutir como proceder e onde, saber colocar as perguntas, porque quem vai ter que interpretar todos os elementos, todos os dados, é depois o arqueólogo.
Exatamente.
Portanto, tem que ter confiança no trabalho e tem que poder discutir com confiança, às vezes da forma muito acessa, digamos, né?
Faz parte.
Mas faz parte, claro. Mas para isso é necessário certo grau de confiança, não? No âmbito da reabilitação dos monumentos, por exemplo, nós trabalhamos tanto com conservadores-restauradores como com equipa de arquitetura e de engenharia.
Exatamente.
Era fundamental, não? Porque, bom, se nos referimos ao Monumento 7, apesar de termos todo um projeto elaborado por os conservadores-restauradores Joaquim Garcia e Antónia Tinturé, e de termos escavado para poder consolidar a estrutura interna e termos intervencionado alguns dos elementos estruturais, né, de, no caso do início, na primeira fase, pelo conservador-restaurador Beloto, na fase mais recente já pelo Braga, não me lembro, Pedro Braga, né.
Foi quem fez aquele restauro no átrio intratumbular, não? Mas, seja como for, sabíamos pelos engenheiros que nós não poderíamos voltar a repor toda a pedra do túmulo do Kern porque não sabíamos como poderia responder o próprio túmulo, não? E portanto tinha, era preciso criar uma estrutura para suportar esse peso. Então se fez toda uma intervenção que, passados 26 anos, depois podemos dizer que continua a funcionar. A estrutura interna está seca, digamos, não teve alterações.
Funcionou bem, não é? E mas isto foi foi um processo de de estudo, de muita reunião, de muita conversação, de muita conversa com com todas com todas as partes, não é? E e de poder trabalhar no terreno, pois cirurgicamente para não escavar mais. E sempre, pois, passando todos os elementos necessários aos engenheiros, aos arquitetos. Portanto, tinha que haver um grau de confiança por todos os elementos.
E desse ponto de vista, portanto, houve todo esse trabalho e depois o Centro de Acolhimento e Interpretação abriu em 2000. Portanto, a Helena referiu há 26 anos, um trabalho feito há 26 anos, e de certa forma foi um projeto pioneiro e também muito exemplar em Portugal. A dada altura, lendo os vossos trabalhos, há uma, e especificamente sobre todo este processo de reabilitação e musealização, que realmente eu fiquei fascinada. Quanto mais li sobre isso, fiquei mesmo muito, muito fascinada com todo o trabalho que está por trás.
Há uma expressão que me ficou na cabeça, que é objetos de sacrifício. Eu achei esta expressão muito interessante porque realmente há um trabalho que visa apresentar o monumento ao público, musealizá-lo, conservá-lo, mas também musealizá-lo, e isso inevitavelmente vai degradar aquilo que se quer preservar. Talvez seja esta a ideia contida na expressão objetos de sacrifício. Como é que se gera esta contradição? Ou seja, quando vocês estavam a fazer o trabalho e todo o trabalho que tem sido feito, como é que se traça no planeamento e depois na gestão do monumento esta linha entre dar a conhecer, porque queremos muito dar a conhecer e devolver os monumentos à sociedade com acesso direto, porque há acesso direto ao monumento, e ao mesmo tempo proteger?
Para começar, não é necessariamente uma decisão do arqueólogo, não é? En este caso, ya estaba decidido cuando yo llegué y fue una decisión política, o mitad de política, mitad de técnica. Monumento 7 era uno de los monumentos que estaba mejor preservado en aquel conjunto de Alcalá, los clasificados de Alcalá. Por tanto, aquel que era mais fácil que na reabilitação fosse mais perceptível para os públicos, e portanto se pensou que era mais interessante começar por aquele, não é?
E porque se calhar se olhamos para o conjunto, o conjunto mais interessante não seria o momento 7 e 9, se calhar seria o conjunto, a anta número 1 e os dois tolos 3 e 4 que estão exatamente na parte oposta, do outro lado da estrada. Mas o que se pensou em seu momento, quando ainda era a tutela, chamava-se na altura IPA, e estava gerida por um economista, pelo Dr. Luís Calado, o que se pensou era que este investimento devia ser feito neste local, não é?
E, mas para isso, para poder dar resposta agora à sua pergunta de sítio de sacrifício, este sítio de sacrifício, e não era único, não, porque isso estava dentro de um programa mais amplo que atingia Alentejo e Algarve, e que incidia naqueles locais, sítios arqueológicos que estavam localizados em áreas de baixa densidade, que eram sítios para também um bocado para incentivar e para recuperar sítios que estavam mais fora das rotas turísticas.
Digamos que incentivar un poco la economía de estos locales. Y yo veo aquí una parcería entre el Ministerio de Cultura y el Ministerio de Economía a través de la Secretaría de Turismo. Entonces, en esa altura en que se crean estas Eu não me lembro como se chamava aquele programa, um programa de— não tenho a certeza. Havia um programa para recuperação destes monumentos e sítios. Sim, monumentos e sítios. Eu não me lembro muito bem qual era a designação, não é?
Mas o que era importante para esses sítios era que devia estar garantido que abertura ao público estivesse, digamos, estivesse ou tivesse garantida que iba a haber una conservación preventiva, unas obras de manutención garantidas, sí, y una intervención de urgencia se for preciso, certo? Se isto não estava acautelado pela tutela, então o sítio não podia estar, não podia ser submetido a uma pressão como implica abertura ao público, não?
Porque o sítio vai estar exposto a, bom, pois a todo o ambiente, a que seja, seja o sol, seja a chuva, seja o que for, não é? Mas também vai estar exposto Às pessoas, não é? Às pessoas, ao vandalismo, a tudo, não é? Mesmo que não seja vandalismo, pois ao pisoteio.
Desgasta sempre, a visitação desgasta sempre um monumento.
Sim, pronto, tinha que estar garantido que essa manutenção, essa conservação preventiva existia e iria existir sempre. Caso contrário, a melhor forma de conservar é reenterrar.
Certo.
Portanto, isso era o que estava na antecedência, digamos, disto, não é? Portanto, locais de sacrifício implica isto sempre, não é?
Certo.
Então foram como que demarcadas essas condições para encontrar ali o equilíbrio entre a preservação do museu e a sua digamos, socialização. E Helena mencionou a questão da Secretaria de Turismo. Ao calhar está numa região, no Algarve, não é? Todos nós sabemos que do ponto de vista turístico é dominada pelo turismo de sol, a praia. Mas também é verdade que o projeto de musealização e a divulgação é evidentemente pensada para os públicos locais e regionais, portanto devolver o monumento às comunidades e à sua memória histórica, mas eu perguntava se também tem como objetivo atrair estes turistas que vêm pelo sol e pela praia e se isso é conseguido, se se consegue chegar a este tipo de turista e atraí-lo Porque à partida não são turistas que se deslocam a esta região com interesse na arqueologia. Será que se consegue ir buscá-los?
Eu diria que no caso de Alcalá, sim. É um bocado ao contrário, não é? Neste momento se tem conseguido levar o turista, o turismo não, o visitante local e regional com a colaboração do Museu Deportivo, isso está garantido, né, porque fazem um excelente trabalho de mediação com os professores, com as escolas, tanto do ensino básico como secundário, e pronto, isso está garantido, né. Mas desde muito antes de existir o Centro de Interpretação, quando Alcalá não tinha Nem sequer uma placa na estrada, nem nos caminhos.
Nós sempre tínhamos visitantes estrangeiros porque existiam uns guias em alemão onde apareciam cada área.
Ah, sim?
Sério. Então sempre tínhamos visitantes. Os estrangeiros sempre, sempre foram lá. E os safaris que costumam passar por todos os hotéis no Algarve, fazem esta rota pelo interior e sempre vão a Alcalá. Portanto, Alcalá entra nesse percurso. Sim, o que é novidade é levar, digamos, às pessoas locais.
Isso é novidade, mas isso está a ser conseguido.
Isso se conseguiu com o Museu de Comunicação, com a mediação, não é?
E porventura até o mais o mais importante.
À partida queremos que um monumento seja visitado pelo maior número de pessoas, mas a ligação às comunidades que estão nas regiões circundantes realmente são as mais, diria eu, é uma opinião pessoal, mas são as mais significativas porque são as mais profundas. E Alcalá tem uma iniciativa que é bastante conhecida, que é Um Dia na Pré-História, que celebrou este ano, se eu não estou em erro, o vigésimo aniversário. Acontece todos os anos, atrai dezenas, se calhar até centenas de pessoas.
E o que eu gostava de saber é de onde é que veio esta, este, esta ideia, e também o que é que esta iniciativa, que em 20 anos certamente foi evoluindo e foi-se ajustando, o que é que esta iniciativa vos ensinou ou mostra sobre o que resulta e o que não resulta na na comunicação do sítio, ou eu diria depois num outro nível, na comunicação da pré-história, neste caso da pré-história recente, para os públicos.
Este ano tivemos 1400 pessoas.
Uau!
Sim.
E como é que vocês conseguem gerir tantas pessoas? Isso é uma grande organização, eu não tinha ideia. Eu pensava centenas, mas 1400 pessoas é muita gente.
E muita gente, sim. Acho que o ano passado ainda foram mais, não é? Mas sim, são muita gente. Não sei, você vê por ti mal consegue fazer milagres e desde os últimos se calhar oito, dez anos cada vez participam mais voluntários, não é? Porque isto começou como uma atividade pequenininha e um bocado caseirinha E depois ganhou uma proporção e com muita gente a querer participar voluntariamente. Pronto, então isto permite fazer outras coisas.
Bom, como surge a ideia? Pois um bocado por acaso, como acontece normalmente. Nós fomos convidados para presentar Alcalá en Sevilla, en un sitio que es coetáneo de Alcalá, en Valencina de la Conceição. Y en esas jornadas ellos hacían una serie de oficinas donde había, pues, entre otras cosas, tiro con arco, en fin, una serie de actividades en el ambiente de los túmulos. Nós hacíamos mitogira porque isso nos podia permitir pôr em prática algumas das coisas que nós íamos aprendendo com o próprio projeto e poder transmitir de uma forma mais simples e imediata o conhecimento que íamos adquirindo.
E então partilhamos esta ideia com o Museu de Portimão, que rapidíssimamente abrazó esta idea y comenzamos a trabajar en esto con algunas oficinas, oficinas que en algunos casos son muy simples porque hacer cerámica más o menos está controlado, más no hacemos idea para qué sirven los llamados crescentes que sempre associamos aos teares, mas que não fazem, na minha opinião, nenhum sentido. E então nós já experimentamos umas 4 ou 5 formas de fazer aqueles teares, mas poderíamos inventar outros 30 mais, que aquelas peças estar e não estar servem para o mesmo, não é?
Ok, ok. Passado 20 anos, continuamos a brincar com elas. Mas elas não estão a fazer nada e a dar-nos resultado. Portanto, essa oficina ainda não foi superada, não é? Mas as outras, pronto, são oficinas que efetivamente temos aprendido bastante, não é? Especialmente também com outras oficinas em que já não são desenvolvidas diretamente por nós, são por contrato. Trazemos gente para confissão de alimentos, e também para trabalhar com, com materiais, com matérias-primas para produção de ferramentas ou para explicar como se fazia a metalurgia, enfim, né.
E essas oficinas a dia de hoje, 20 anos depois, funcionam muito bem porque as pessoas que trazemos são muito profissionais e, portanto, desde a primeira vez que chegaram até agora, eles, que também vão aprendendo, né, com o passar dos anos, estão a fazer e estão a explicar todo o processo, né, que funciona em estes casos, né. O que é que acontece, e isso já é uma crítica que eu faço, não é, O que é que acontece? Passado uns anos, e com todo o êxito que teve Alcalá, e com toda a quantidade de pessoas, houve um ano que tínhamos 2 xamães, ou seja, já não havia forma, tínhamos tanta demanda que tínhamos 2 pessoas vestidas de xamã em Alcalá.
Llegábamos, hemos llegado a cosas muy exóticas, por decirlo de alguna manera. Pues no sé, en un primer momento pasábamos todas, cada uno de los años preparábamos todas esas actividades a partir de enero. Com muito cuidado, explicando tudo, porque quem estava à frente de cada uma dessas oficinas devia saber muito bem o que devia transmitir. Quando isto ganhou a proporção que ganhou, o que temos são, entre aspas, cuidadores de espaços, e não se está transmitindo nada.
Ou seja, aqui a escala, o aumento da escala provoca aqui uma certa tensão no cuidado da mensagem que se transmite, não é?
Sim, ou seja, neste momento eu que continuo a ir lá porque o museu nos pede para fazer as visitas acompanhadas e nós fazemos as visitas aos outros núcleos que normalmente não se visitam e também explicamos os monumentos, não é? O que eu sinto, sem tirar o mérito à equipa do Museu de Portimão, porque realmente trabalham muito e se esforçam imenso, mas o que eu vejo é que passamos de fazer ser uma, uma, um dia de Alcalá que servia para transmitir conhecimento, para, com, excetuando as oficinas que chegam de fora, as outras oficinas, é quase que uma feira da pré-história.
No Algarve estão muito de moda as feiras medievais, Sim, sim. E em Portimão têm a Feira da Pré-História, não é? E para mim, que sou investigadora do sítio, pois deixa-me um bocado triste, não é?
Sim, mas é uma tensão que é inevitável entre as atividades, as oficinas experimentais que se fazem com uma determinada escala de participação e que conseguem realmente transmitir conhecimento científico e depois com uma participação muito maior, pois nós, e aqui alinhatemo-nos, já vamos mais para o terreno da recriação histórica e já não estamos tanto na questão da oficina de arqueologia experimental. Esta tensão acaba por ser inevitável.
Pois, mas não se trata de ser dogmáticos ou de dar uma chapa a quem chega, não é? Ou de tentar Mas, mas há uns mínimos que devem ser transmitidos, não é?
Claro.
Ou pelo menos quando alguém faz uma pergunta, não é? Ou, por exemplo, nós sabemos que não podemos usar, quando fazemos o tiro com arco, não podemos usar as ferramentas em sílex porque o sílex é perigoso.
Claro, é perigoso, sim, sim, sim.
Pode matar alguém ou ferir alguém, mas sim que poderíamos estar usando os arcos com os tendões preparados e demais, porque já fizemos tantas recriações e de facto já se prepararam tendões que já poderíamos ter muitos arcos preparados e estar usando como deve ser, não é? E poder explicar isso às pessoas. Olha, este é um arco que foi feito desta maneira, mas na realidade é um bocado, pois isso, um parque temático, não é?
Sim, sim. Mas esta forma de, eu creio que a ideia inicial era que todos nós que trabalhamos em pré-história, não é, temos, temos alguma dificuldade em realmente partilharmos com os públicos o nosso trabalho, porque não é que haja referências, digamos assim, no imaginário, e a palavra, não é, o nosso discurso às vezes não chega e eu acho que até foi mesmo isso que teve na origem desta iniciativa. A Helena acha que esta realmente é a forma mais eficaz de nós conseguirmos comunicar a pré-história, ou seja, não só através da palavra, sejamos nós investigadores a conversarmos com os públicos, sejam os textos que temos nos museus ou nos folhetos, Mas esta forma de comunicação em que se vê e que se toca é de facto a melhor forma de comunicarmos a pré-história?
Eu tinha sempre a ideia que quando há comes e bebes é muito mais fácil.
Ah, mas isso é claro, não é? Porque isso à partida logo cria um bom ânimo nas pessoas. E a graça é que também é mais fácil, não é?
Y por ejemplo, una de las cosas que ya se aprendió en Alcalá es que las personas de Alcalá son normales. No eran unos brutamontes, eran personas normales como somos nosotros. Y no eran pequeñinos, que en serio, no sé cuándo dicen pequeñinos. Yo tenía metro y medio. Portanto, não sei a que se referem, não é? E quer dizer, é aquela coisa de conseguimos transmitir muitas, muitas coisas, normalizamos muito o que era, desconstrói mitos, acho que esse texto desconstrói mitos, não é?
Digamos que retiramos muitas, muita ficção que havia, não é? Porque Quando se fala em pré-história, se mete tudo no mesmo saco, né? E então pré-história é, não sei, desde que não fala até que são brutos e arrastam as pessoas pelo cabelo, não sei, a ideia que têm, não é? Tudo isso se retirou, mas se poderia aprender algumas coisas, não é? E eu me apercebo que essas pessoas saem aprendendo coisas da parte das ferramentas, de como fazer furinhos, coisas básicas, né?
As crianças saem emocionadas porque fizeram um furinho em uma pedra de uma maneira muito simples e tal, né? E aprenderam a fazer isso. Levam algo, riscaram e fizeram uns desenhos e tal, e aprenderam a fazer, não? Mas depois chegam a outras partes, então você está explicando que se calhar para fazer, pois não sei, para produzir a farinha é necessário Semear e que daquele trigo, que desse grão passa aqui, e com duas pedras por frisão sai aquele pó que depois vai permitir fazer aquela farinha, né?
Se calhar aqui estou exagerando um bocado porque não será o melhor exemplo, né? Mas são esses pormenores, né? Ou, por exemplo, nós não recriamos uma cerveja porque evidentemente em Alcalá não encontramos vestígios de cerveja, mas encontramos muitíssima cevada, não é? E, bom, encontramos cereal porque a cerveja se pode fazer com qualquer cereal, não é?
Certo.
Não necessariamente com cevada, mas A cevada implicava, implicava muita, implica um cultivo extensivo e intensivo, ou permite um cultivo extensivo e intensivo. E como sabíamos de outros locais onde existe efetivamente vestígios de cerveja, arriscamos com produtores daqui do Algarve a experimentar a fazer uma cerveja. Misturando Murta e misturando Camarinha. E depois dissemos a eles, façam uma cerveja como se fosse, como se quisessem fazer agora uma cerveja nova.
E portanto eles fizeram uma dupla coção e fizeram, juntaram os frutos quando eles consideraram, e desejaram repousar toda a noite. Estuvimos medindo o pH e verificamos a graduação. E depois fizemos o mesmo teste, ou seja, primeiro fizemos em laboratório, depois fizemos o teste no próprio chá, em um pote de cerâmica, em fogueira normal, portanto, e o resultado foi o mesmo. Então ficamos muito contentes porque, ah, que fixe, não é?
E como é que foram as provas?
E depois correu bem, não é? Porque a gente, aos públicos, passamos a cerveja feita em laboratório porque já tínhamos medo de que pudesse haver qualquer coisa no campo, não sei, e pudesse apanhar-se qualquer coisa. Daquelas cervejas, as pessoas bebiam a que foi produzida exatamente em laboratório, mas correu bem. Claro, quando estás em uma Dando cerveja, tu tienes que saber explicar cómo se faz, ¿no? Y explicar que no existe cerveza, que tú no encontraste cerveza, que tú tienes, sería, ¿no?
Más que probablemente bebías cerveza porque, qué sé yo, es fácil de hacer, ¿no? Y fermenta en un instante, por tanto, no estamos a hacer nada exótico, ¿no? Mas são aspectos que não se sabem transmitir, não é? E são essas coisas que deixam um bocado triste, não é?
Sim, Helena, o projeto— vamos, vamos nos encaminhando para o final da nossa conversa e vamos falar aqui de equilíbrios e futuro. O projeto tem 3 pilares, digamos assim: investigar, a investigação, não é? Sempre teve, aliás começou com a investigação, como deve ser, não é? As coisas nascem do trabalho de investigação. Salvaguardar e disseminar, difundir, divulgar, digamos assim. Mas acontece que estes 3 objetivos, que são sempre os nossos objetivos, eles disputam sempre os mesmos recursos, recursos esses que no nosso país, em Portugal, são sempre escassos.
Eu diria que não é só em Portugal, que é o tempo, é o financiamento e as pessoas que nunca chegam. A pergunta é, aliás, duas perguntas para terminarmos: como é que se consegue ir gerindo isso tudo? Ou se há alguma coisa que em algum momento ficou para trás ou fica para trás? Salvaguarda, investigação e divulgação. E a pergunta de futuro, se pudesse, ou se há ideia de fazer alguma coisa em Alcalá que ainda não foi feita, ou na investigação ou na musealização, o que é que seria?
Na salvaguarda estamos descansados, não é? Porque eu penso que a tutela, não? E e o município de Portimão tomam conta muito bem de Alcalá. Eu penso que não é que preocupar-se, aliás, o tanto povoado que também está classificado, foi classificado relativamente recentemente, e área de proteção. Portanto, isto indica o próprio interesse do município em avançar. Eu acho que isso está tudo acautelado. Há muitas coisas que ficaram para trás.
Sempre pensei que poderia escavar muitas mais coisas de Alcalá, que poderíamos continuar depois do monumento 7, nunca imaginei ir para o 9, embora foi uma surpresa. Sempre pensei que continuaríamos com o núcleo central, que é um núcleo maravilhoso, e para outro núcleo que está exatamente ao lado, onde tem um túmulo que está intocado, né, e que seria genial poder excavarla, mas na realidade, se tivera que escolher só uma coisa, gostaria de terminar a escavação de uma casa no povoado de Alcalá que eu iniciei há muitos anos e publiquei.
E que ficou por terminar, por terminar, que falta muito mais da metade por escavar. Esse é um desejo meu, mas também é um desejo do município de Portimão e do museu, porque eles gostariam de fazer uma reconstituição de uma habitação, sim, e seria Seria genial poder termos, fazer essa escavação. Não sei se alguma vez vamos conseguir.
Oxalá que sim.
Vamos ver.
Sim, e na realidade, sítios como Alcalá, teríamos décadas e décadas de investigação que dificilmente o sítio se iria esgotar, não é? Pela sua dimensão e riqueza.
A verdade é que Está tudo por escavar, porque a nossa intervenção no povoado foi mínima. Fizemos geofísica e uma intervenção muito cirúrgica em 4 pontos, né? Por isso está tudo por escavar. Aí muito espaço para muitas gerações.
Venham, venham essas gerações, Helena. Muito obrigado por esta conversa.
Eu que te obrigado a ti, Sara, pelo interesse.