Episódios de Let's Rock - Um podcast da Idade da Pedra

A arqueologia portuguesa em perspetiva (com Jacinta Bugalhão)

21 de outubro de 202653min
0:00 / 53:43

Em setembro, a paragem do túnel do Plano Geral de Drenagem de Lisboa, em Chelas, trouxe a arqueologia de volta às notícias. O presidente da Câmara responsabilizou os trabalhos arqueológicos por atrasos e prejuízos e defendeu que a lei passe a impor-lhes prazos. Neste episódio vamos além deste caso específico, e ficamos a saber como a lei funciona, quem decide o que se escava e como a arqueologia está integrada numa obra. Fica claro que a arqueologia fez, e continua a fazer, o que lhe compete e o que estava previsto, e que, neste caso dos achados pré-históricos em Chelas, não é responsável pelo atraso.

Quem nos esclarece é Jacinta Bugalhão, uma das pessoas que mais admiro na arqueologia portuguesa. É arqueóloga desde 1989 nos sucessivos organismos do Estado responsáveis pelo património, hoje o Património Cultural, I.P., e trabalhou em arqueologia municipal em Cascais. Dirigiu diversas intervenções arqueológicas em Lisboa e dedica-se ao estudo do urbanismo antigo da cidade e, em especial, da produção, consumo e comércio de cerâmica na Idade Média. É autora de mais de duas centenas de publicações, sobre a arqueologia de Lisboa, a história e a gestão da arqueologia, a arqueologia de género e a arqueologia subaquática, entre outros temas. Dedica-se ainda à atividade associativa e à intervenção cívica nadefesa do património cultural e da profissão de arqueólogo.

Quem responde pela arqueologia, e de que forma ela chega à sociedade, é uma questão que atravessa toda a conversa. Falamos da sua tese de doutoramento, um estudo sobre a arqueologia em Portugal entre 1970 e 2014, que reúneimensos dados sobre a sua evolução que permitem refletir e planear o futuro da disciplina e da profissão. Daí passamos ao presente e ao que ainda falta fazer. Eterminamos na Baixa de Lisboa, com a história feliz de uma escavação que foi pioneira na arqueologia urbana: o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, em cujas escavações nos anos 90 a Jacinta teve responsabilidades e sítio com o qual mantém até hoje uma ligação tendo sido coordenadora científica da renovação e musealização que hoje todos podemos visitar de forma gratuita e sempre guiada.