Episódios de Só no Brasil

39. Portais, Grandes Portais

23 de março de 202636min
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No episódio 39, o Só no Brasil fala sobre uma das maiores obsessões estéticas das prefeituras brasileiras: os portais de entrada das cidades. O ponto de partida é São Luiz do Anauá (RR), onde um portal monumental, planejado para atrair turistas e receber um show milionário, virou símbolo de dívidas, obras inacabadas e suspeitas de corrupção.

Entre colunas exageradas, emendas parlamentares e promessas grandiosas, Pedro e Victor exploram como um simples arco de concreto pode resumir décadas de política, vaidade e improviso à brasileira.

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Participantes neste episódio2
P

Pedro Duarte

HostJornalista
V

Vitor Camejo

Co-hostJornalista
Assuntos1
  • Portais de entrada das cidadesSão Luís do Anauá · James Batista · Gustavo Lima · Emendas PIX · Corrupção em obras públicas
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Apesar de não parecer, esse programa é feito de fatos apurados e noticiados jornalisticamente.

Alô, distinto povo brasileiro, esse aqui é o Só no Brasil, de número 39. Você que duvidou, você que apostou contra. A odd era 4 pontos, nem sei como é que funciona isso, mas deu Só no Brasil. E eu sou o Pedro Duarte, como sempre aqui, nesse momento maravilhoso, nessa feira moderna chamada do Brasil. Vitor Camer. Olá, isso aí, Pedro. Todo dia é dia de feira, né?

No Brasil, especialmente hoje, nós estamos chegando nesse episódio cabalístico de número 39, quase quarentando, né? Assim como eu. Já entendo, eu entendo esse programa que também está na crise de meia-idade, já pensando em colocar um brinco, né? Fazer outra tatuagem, né? Ir pro mochilão aí pra Índia, passar a mal um mês aí e voltar se sentindo mais leve, porque se encontrou, né?

O 39 é cabalístico, é importante assim, né? O 39 tem alguma coisa assim? Não. Ou a gente só tá... Ah, entendi. Só a gente tá inventando o negócio mesmo. Então é um marco, agora é um marco, agora que a gente decidiu é marco, porque pra ser um marco basta a gente decidir, né? E hoje, Vitor, a gente vai falar sobre uma espécie de tatuagem feia, vamos dizer assim, né? Uma tatuagem institucional que se espalha há décadas pelo Brasil, que são os portais de entrada das cidades.

Ah, eu gosto demais. Muito bom. É tipo tatuagem feia mesmo, porque normalmente a cidade, ela entra num relacionamento tóxico, né? Com algum político.

E aí decide, por ilusão mesmo, que é uma boa ideia deixar marcado na pele, né? Aquele relacionamento aí toma, aí faz aquele portal, né? Formato de castelo medieval no interior de São Paulo. Ou uma cabana, né? Em algum lugar assim. É bonito demais. Bem-vindo e volte sempre aqui. Exatamente. É muito assim, né? Ah, então é isso, Vitor. O programa de hoje é sobre portais. Grandes portais.

Vitor, aproveitando esse nosso marco histórico que invitamos aqui, eu queria fazer um breve censo do Sol do Brasil. Nessa nossa jornada aqui chotesca por histórias muito brasileiras, a gente já andou por muitos estados da federação, né? Muitas cidades e tal. A gente, ó, Rio de Janeiro, né? Campeão de participação. Sim, se a gente tá no episódio 39, só no Rio foram 78.

É, isso é verdade, né? Tem que respeitar o Rio de Janeiro. Ainda no Sudeste, temos também São Paulo.

Sim. Essa locomotiva sem freio, né? Falamos de São Paulo aqui nos episódios sobre o estacionamento fake do Maron 5. Carreta Furacão, o roubo do século, PCC Legal, Mistério do Furinho, entre outros, né? Não lembro. É São Paulo e grande São Paulo e... É, exatamente. Entendeu? É isso mesmo.

Passamos também por Minas Gerais, que é um estado queridíssimo. Eu acho que não tem brasileiro que não goste de Minas Gerais. Não tem briga com ninguém.

Não, não tem hater, zero hater em Minas Gerais É isso Sobre Minas, por exemplo, a gente falou do ET de Varginha Como não esse caso, símbolo brasileiro Em Minas Gerais Realmente é uma tatuagem Bem feita essa tatuagem Do ET de Varginha Ecoa até hoje, nunca vai sair Depois a gente tem aí também O Distrito Federal Já foi a lenca principal do nosso episódio Nádia de Brasília

Aquele meio pandemia, um negócio meio bizarro, né? Foi também coadjuvante no voo da Moamba. E começou fora, mas acabou em Brasília. E... No Brasil, ele não se escreve sem Brasília, né? É, com certeza. Uma parte boa aí. Vem Goiás!

Victor, Goiás, que muita gente confunde com Brasília. Mentira, mas você entendeu o que eu ia dizer? Eu disse que ia ficar ali. Mas, enfim, o investigador de calcinha. É recente esse, inclusive. Sim, sim, sim. É, com certeza. E teve a sua Bahia, né, Pedro?

brindou com a malemolência, indignação das lágrimas do palhaço, do patati patatá, né? Os falsos patati patatá brasileiros. Fora as vezes que entram só no Brasil Extra, que eu acho que vale citar. Sim, algumas vezes apareceu já. Vamos lá, né? Só dar doido aqui, é bom demais. É uma terra abençoada mesmo por vários múltiplos, sincretismo da loucura.

E aí a gente segue pro Nordeste, vamos ficando por aqui. Maranhão deu as caras com os Laranjais Maranhenses. E também naquele caso do Brasil Metal. Boa, esse vídeo. Sim. Vitor brilhou aí. Vitor destilou conhecimento dele sobre o Metal. Esse é um dos meus favoritos. É um dos meus favoritos até hoje. Sergipe, tem Pernambuco. Rio Grande do Norte também veio forte, né? Com a Amsterdã brasileira.

Surra, rapaz, é mesmo. A Mapa, a gente já falou. O Aki, o Robisomem. Sim. É que é assim, dessa temporada, né? Paraná. Paraná, viu? Paraná algumas vezes já, hein? Paraná já apareceu bem. O Paraná, ele aparece mais no Extra, pelas questões exóticas, você não acha, não? Teve o Fred Kruger, o nosso papagaio Fred Kruger aqui.

Torcemos pelo bem dele até hoje aqui. Teve Santa Catarina. Pô, a gente rodou o país mesmo, hein? E... A gente fez uma... Vamos dizer assim, uma ponte nos Estados Unidos, né? No caso da Moamba. No caso da... A gente foi pra China também. Sim. Milionários é rico.

A gente foi pros ETs, como a gente já falou, então a gente foi até pra fora do mundo o sol do Brasil já foi. É brincadeira? Outras galáxias, tem Brasil até no espaço sideral, velho. É, e vamos dizer assim...

terreno etéreo, uma coisa diferenciada, a gente falou também do bruxo e do cacique cobra coral. Aí já não tem um terreno, é outro plano, né? Não, já falamos até da Rússia, né? Russo, já tivemos aqui. Pô, zero russo e um e dois, a gente conseguiu falar duas vezes. A Nettooth se uniu a uma das maiores lendas do futebol na busca pelo Hexa.

Não é, Rivelino? Lendas? Tô aqui! Então vista sua torcida e baixe o app da Netuse pra garantir o look 6 estrelas. Mais algum recado, Riva? Polegado é agora!

Mas enfim, vem tudo isso tudo pra dizer que hoje temos uma estreia aqui no Salão Brasil. Mais uma estrelinha da nossa bandeira brilha hoje no nosso peito varonil. E essa vez vai para Roraima. Roraima ou Roraima. O Brasil se pergunta qual é o correto. Eu? Roraima ou Roraima. Lá no Norte a gente fala Roraima. É Roraima.

Roraima? Não tem... Roraima. Moleque, de Minas pra baixo, só dá Roraima. A galera no Norte fica maluca. Não. Mas é Roraima que fala. É mesmo, velho? Porra, que maluquice isso. Não, é Roraima. Ô, é Roraima. Ai, ó. Até eu me confundi, eu acabei falando. Pô, é isso, né? É, só que o que a gente sabe...

É que o Sonobrasil já virou uma instituição, assim como a Caixa Econômica, assim como o Correios. A gente tem que estar em todo o município e também tem problema com dívida. Então, é uma coisa que é nossa. Se você chamar de Caixa Econômica, me remete muito aos anos 90, que hoje é só Caixa, mas não é Caixa Econômica Federal. Não, Caixa Econômica Federal. Eu chamo de Vale do Rio Doce até hoje. É brincadeira? É isso mesmo. Ou do Rio...

Marrom, depende, né? Infelizmente. É. Mas vamos lá, porque eu sou no Brasil. Segue adiante, segue firme e forte. Foguete não dá é. E a gente nem é coach pra falar isso. E vamos entrar, né? Entra aí no nosso foguete, porque vamos para a menor cidade do estado de Roraima.

Que é São Luís do Anauá. Caramba, a gente não vai só pra Roraima. A gente vai pra menor cidade do estado. É uma estreia da estreia, porque a gente escolheu, entendeu? Sim. Muito bom isso aí. Hoje, a pequena São Luís do Anauá vai brilhar. Exatamente.

Nos tempos mais primórdios, as portas da cidade faziam parte das muralhas de uma cidade ou vila fortificada. Elas eram mecanismos de defesa e às vezes vinham acompanhadas de torres, planqueantes, pontes levadiças e grades de ferro ou madeira. É isso aí, tem que ver esse teio aqui, mas vamos lá. Porque isso aqui é uma aula de Asia Finpire. É isso aqui, a gente tá jogando aqui um RPG agora.

durante o século XVIII XVIII começaram a ser lidas portas da cidade sem funções militares, elas podiam ter a função vou te interromper aqui já te dar os parabéns por você ter lido o século XVIII de cara

Sem ter parado pra contar. Às vezes eu dou uma contada. Às vezes eu dou aqui, ó. Esse aqui é 5. Aí é de 60 em diante. Aí o bicho pega. 60 em diante. Quando tem aquelas casas velhas, que tem uma porrada de letras. Não sei se no Nordeste tem. No Pará tem muito. As casas velhas, o cara quer mostrar o quão velha é a casa. Aí eles colocaram a data em algoritmo romano. É horrível de contar. O problema é quando tem letra antes do X. Aí é que começa a confundir as coisas.

Mas enfim, começaram a serguir as portas da cidade sem funções militares, né? Elas podiam ter a função de posto de controle adoneiro ou podiam ser meramente cerimoniais, comemorando vitórias em batalhas ou ocupações militares. O ser humano já chega no lugar querendo marcar território e abrir licitação, né? É isso. Rapaz, já comete-se um negócio, primeiro surge o advogado, as leis vão surgir só depois.

A gente agora vai dar um salto, né? Um salto para o momento das expansões das rodovias no Brasil e tal. E a partir da década de 50, o surgimento também de muitos municípios. Aí os portais se espalharam pelo país como um novo hit do cantor latino. Sim. Nos anos 90 e 2000. Ali, sem que a gente quisesse, a gente só aprende. Exato.

Enfim, né? Onde é que tá latindo agora, Vitor? Ele fez a harmonização, ficou diferente, não foi? Pois é, talvez por isso que a gente não sabe onde ele tá, né? Que a gente não reconhece mais, né? Ele pode estar a qualquer lugar, né? Às vezes ele tá quieto demais, ele aí surge com algum hit e a gente fica... Voltando ao assunto, chegamos a São Luís do Anauá, a menor cidade de Roraima. Roraima. Roraima. Porra!

Esqueci aqui, rapaz. Eu nunca... A menor cidade de Roraima tem pouco mais de 7 mil habitantes, segundo o censo de 2022, o que faz dela a menor cidade do estado também em termos populacionais. São Luís... Qual estado? Roraima, graças a Deus. Roraima. São Luís fica a mais ou menos 300 quilômetros de Boa Vista. É, papai. Que é a capital do estado.

E esse nome é em homenagem à capital do Maranhão, São Luís, e ao rio Anauá, que passa por ali. Logo...

É São Luís do Anauá. Pronto. Tem uma história mais fácil do que por que seu nome é Pedro? Aí eu tenho que explicar que não tem nenhuma história. Mas é isso aí. É homenagem a um apóstolo, né? E é isso mesmo. Minha família nem lembra disso. Mas, ó, e não é só no nome que essa cidade se conecta com Maranhão. Que já foi palco do nosso episódio laranjais, né? Sobre emendas PIX.

Sim. Eu só espero que a semelhança de São Luís do Anahuá com São Luís do Normal do Maranhão seja apenas o apreço pelo reggae. Música. Não é a alegria do reggae hoje ou a melancolia. Eu espero que o DJ Clayton Rasta apareça aqui em algum momento.

Alerta de spoiler hoje? Não, Victor. Nada disso. Não vamos debochar legal? Não teremos as pedras tocando aqui? Não. Hoje a gente vai falar da política. De um jeito ou de outro.

A cidade de São Luís de Anoá é relativamente nova. Foi fundada em 1982 e é cortada por uma única estrada, a BR-210, que é uma rodovia federal inacabada, conhecida como Perimetral Norte.

E na cavada já adivinha vir junto já, com rodovia, né? É, pô, no norte, eu como nortista sei que qualquer rua, qualquer avenida, qualquer estrada no norte está sempre na cavada. A gente nunca... Exatamente. O que é até inspirador, mostra pra gente que a gente nunca acabou, a gente sempre tem um... A gente sempre pode melhorar, entendeu? A gente sempre tá andando pra... É, pra guardar um pouco de esperança, né, Vitor? Tá, gente? Claro. É, então, vamos lá. Essa estrada, né, que tá falando aqui.

E essa rodovia foi projetada pra ligar a fronteira do Amapá com a Venezuela, passando por Roraima. Roraima. Pará. Falei certo. Pará, Amazonas e a fronteira com a Colômbia. Colômbia. Não, mentira. É Colômbia mesmo.

Tem acento ali, tá claro. Eu falei certo, Roraima, rapaz. Eu me confundi durante o episódio. Mas vamos lá para o ouvinte não ficar doido na cabeça. A construção da rodovia começou em 1973, mas foi abandonada por causa de dificuldades técnicas e altos impactos ambientais e sociais. É a diversidade da fauna amazônica, né? É. Porque tem tudo, meu amigo. Tem arara, tem macaco e tem até elefante branco. A gente consegue de tudo ali.

Tem. Pois é. Mas, esse breve desvio, pelo passado aqui que a gente fez agora, nos leva até o dia 10 de junho de 2025, quando uma denúncia anônima colocou o nome da pequena São Luís do Anauá no mapa dos escândalos nacionais. A caguetagem.

Via denúncia. Caguetagem é foda. Porra, aqui, vai. Deixa eu refazer aí, que eu nem... Eu nem... Boa, mas já dizia... Já dizia a bezerra da Silva. Caguita a imagem do cão.

A cagoetagem deu início a uma investigação que levantou que São Luís está quebrada, falida na bancarrota, numa piota, aparecendo comigo. O orçamento de São Luís era previsto ali de quase 52 milhões de reais. Mas a cidade deve estrondosos 38 milhões de reais, o que dá 74% do total do orçamento.

Eita! Jovem Pan vai pedir privatização de São Leijo do Anauá Tem que privatizar Tem que privatizar, privatiza a cidade Pra se ter uma noção do roubo nos cofres públicos É como se cada morador da cidade Incluindo idosos, crianças E bebês recém-nascidos Deversem mais de 5 mil reais

Olha aí, rapaz. Já nasce da evento, 5 mil reais. Ah, mas olha, como alguém que tem experiência nisso, eu digo que desse mal ninguém morre, viu? A gente fica aqui, só ir rebolando. O menino já nasce com certidão de nascimento, um cadastro no Serasa e uma promissória. Boa, já registra os dois ao mesmo tempo, né? É isso. É horrível, mas tem gente que tá colocando o filho no nome de um primo já, né?

O teste do pezinho, meu amigo, o teste do pezinho vem já no fiado, já vai. Fiado só paga depois, é brincadeira isso aí, velho. Porém, Vitor, não era para ser assim, porque São Luís é uma cidade que tem muitos amigos em Brasília. E olha só que interessante, recebeu cerca de 100 milhões de reais nas famosas emendas PIX entre 2021 e 2024, durante a gestão do prefeito...

James Batista. Olha aí, James Batista. Então quer dizer que recebeu o dobro do orçamento previsto praticamente. É, James. Além disso, outros 3 milhões e meio vieram de emendas estaduais, de acordo com a Assembleia Legislativa de Roraima. Roraima. Roraima, Roraima. Oxi, aí...

Olha, contando todas as emendas recebidas no período, é como se cada morador de São Luís tivesse ganhado mais de 14 mil reais. Eita, vamos já sumonar aqui a presença de Eduardo Suplicy, falando a renda universal básica. Porra, maravilhoso. Ele tá levantando essa pedra aí há vários anos, rapaz. Só que assim, aí é complicado, né? Porque...

Às vezes, a cidade deu aquela vacilada, né? Bebeu demais. Tomou um zopidem, fez umas compras na madrugada ali com... É isso. Doido de zopidem. Já aconteceu. Não vou mentir. Né? Notáveis, a gente descobre que já comprou uma passagem pra Belém a 2.500 reais, né? Nossa. Porque... Porque... Estava doidão, não acontece.

Pô, eu seguia um perfil que era trecos da meia-noite, que eram só coisas inúteis, eu parei de seguir, porque já não tem mais condição financeira pra nada. E só um miojo basta. Mas vamos lá. É mais ou menos assim, Vitor. Só que em vez de passadeira, tiarinha ali pro cabelo, e óculos de Túlio Gadeira, que é o...

Eu não entendi essa referência aí, rapaz. Não, tem um problema. Tem um cara aí que tem umas camisas, assim, o negócio é que usa esse material aí. São Luís do Anoá comprou um monte de obra gigante à prestação. Igual eu. Eu também faço isso. Pronto, estamos parecidos aqui.

Eu, escola municipal, posto de saúde, praça, conjunto habitacional, parque da vaquejada. Esses são alguns dos canteiros de obras que ainda estão abertos na cidade, todos com atrasos de pelo menos dois anos. E tem também, Vitor, agora sim um grande momento aqui, um portal. Um grande portal que deveria receber os visitantes de Anauá.

de braços abertos, que passa ali sobre a BR-210. Mas que, por enquanto, não tem data para acabar. Trata-se, meu amigo, de uma construção de 26 metros de altura, seguindo todas as diretrizes do famoso estilo greco-goiano de arquitetura. Entendeu?

Todo de concreto. Umas colunas, nada a ver com nada. Que beleza. Só porque sai o filme, tudo é brutalista. Mas não, é só greco-goiano que é diferenciado. Pua, bicho. Parece que só fizeram a frente do Templo de Salomão. Da Universal, cara. Parece realmente a entrada na casa do Gustavo Lima.

O salão que o Donald Trump tá construindo lá na Casa Branca. Pra gente ver, cara. Isso aqui é motivo de orgulho. A gente tem que ficar feliz que o interior do Brasil também se destaca no quesito gosto duvidoso. Não é só São Paulo que tem, não é só Goiânia que tem. Não. Nosso interior também vem aí brilhar. Poxa, colocando aí uma arquitetura esquisita pra gente ver.

Eu fico triste só que tem só 26 metros. Que eu não posso usar a escala campo de futebol. Que é menor do que o campo de futebol. Entendeu? Então é no máximo um campo de futebol só site. Um campo só de jogos com os amigos. É um campo menorzinho. Mas enfim, né? Mas Pedro, você pode usar o arco do triunfo. O arco do triunfo para ser chique. É metade do arco do triunfo. Porra! O arco do triunfo é em Paris. E aí nós temos aqui meio arco do triunfo.

Em São Luís do Anauá. É, não. Me parece que faz sentido, né? Uma cidade que nasceu ontem. Aproveitando pra falar, viu, Vitor, que as imagens desse arco maravilhoso, como eles deveriam ser e como ele está no momento, estão lá no nosso Instagram, arroba só no Brasil, underline no final. E a gente vai postar aqui agora, né? Sai o episódio e a gente posta pra você saber. Isso.

Não, eu só vou apontar pequenas coisas aqui nessa imagem. Sim. Estou vendo o 3D do arquiteto aqui. Hum. Que foi alguém que certamente nunca pisou na Amazônia. Ah, é. Com certeza. Porque, meu amigo, isso aqui, com essas plantinhas baixas, essas arvorezinhas, pinheiro, ele acha que tem pinheiro na Amazônia. E é uns pinheirinhos da altura de um caminhãozinho.

Isso aqui, meu irmão... E Pinheiro desgraça tudo, véi. Se botar, o Pinheiro é capaz de acabar com isso. Não, meu irmão, eles não têm ideia da força que o sol vai dar na cabeça da rapaziada aqui. Com esse descampado que eles abriram aqui no meio de Roraima, meu amigo. Não, e o mais maravilhoso é que tá escrito aqui, ó. São Luís do Anauá.

Welcome. É mesmo! Caralho, eu tinha visto isso não! Bem-vindo, welcome! Bem-vindo, welcome! O que eu gosto muito aí é você ver que a fiação é toda enterrada, não é exposta. É! É diferenciado de... Pra mim, parece que você tá entrando no resort. É um negócio esquisitado. É, parece muito a entrada do resort. Mas aí... Já a fiação subterrânea, o negócio... Maneiro! Que beleza!

Iniciada em junho de 2022, a construção do portal de entrada em São Luís foi anunciada pelo prefeito James Batista, do Solidariedade, como uma das obras que iriam modernizar a região. Era também parte de um plano para receber justamente o show do Gustavo Lima, na tradicional vaclejada da cidade. É brincadeira. Falou emenda Pix.

E esse portal tem a cara de Gustavo Lima. Eu vejo ele com um champanhe assim quebrando, sabe? Para inaugurar. É só ele com a tesoura grande. É. Não, ele vai se sentir em casa. Ele vai se sentir pelo menos na porta da casa, que o resto da casa ainda não fizeram ainda. Mas a fachada está parecida. 26 metros deve ser o tamanho da porta da casa do Gustavo Lima.

Se não é, ele vai aumentar agora aí. Porque ele vai... O antigo dono era um transformer que morava ali, velho. Aquela casa dele. Ai. O prefeito James explicou em entrevista ao G1 aqui, abre aspas. Nunca rimos o usual, o comum.

A qualidade de vida é a nossa meta. Atrair os olhos do Estado para o potencial turístico que temos e para as características que nos são peculiares. Realmente acreditamos que podemos dinamizar a economia local em função do turismo. Tem mais? Ah, James, sai de mim. A arquitetura será encantadora e suntuosa. Suntuosa merece um... Suntuosa.

As pessoas que aqui chegarem desejarão nos fazer outra visita para desfrutar o que apresentaremos. São Luiz será uma ilha dentro do estado em função das ações impactantes que implantaremos nos próximos meses. O show do Gustavo Lima.

Que tem dois T, Vitor. Eu não sabia, né? O chão do Gustavo Lima é só a ponta do iceberg. Obrigado, James. Fecha aspas. Obrigado, James. Caramba. E realmente foi a ponta do iceberg mesmo. Pena que a cidade é o Titanic, né, meu amigo? Exatamente.

Porque o show mesmo, Vitor, foi cancelado, entendeu? A justiça resolveu que ia cancelar logo depois das polêmicas envolvendo o valor cobrado no cachê do cantor, que era, módicos, 800 mil reais. Aí a justiça cancelou. Dá 100 conto por habitante.

Por um show do embaixador, pô, ainda ganha um portal escalafobético aqui. Parece bom. Eu faria esse acordo. Você faria esse acordo? É um investimento, né, Vitor? É um investimento. É brincadeira, velho. Cada um. Eu amo. É um dos melhores argumentos que tem, velho. Uma vez eu tava na...

É, uma vez eu tava procurando a jaqueta, tava frio aqui em São Paulo, aí eu fui procurar a jaqueta. E aí eu não sabia, tinha uma loja de rico lá no shopping, eu não sabia que o negócio era tão caro. Eu entrei, eu achei a jaqueta bonitona lá, entrei assim, não sabia. Aí quando eu entrei na loja, a mulher já veio me dando um cafezinho. Eu falei, pô, meu, que esse atendimento é muito bom, a mulher já me trouxe um cafezinho. Aí é diferente. E aí eu olhei a jaqueta, eu falei, quanto é que tá? Não tem preço aqui, moça. Quanto é? Ela falou, ah, essa aqui é 4 mil reais.

Eu falei, o que? Jaqueta 4 mil. E ela falou essa frase. Ah, mas essa jaqueta não é uma compra, é um investimento. E eu fiquei, não. Você não sabe nada de investimento, minha amiga. É, ela sabe. Quase eu perguntei se eu tinha que declarar no imposto de renda a jaqueta. Mas com certeza ela tem que debitar, que é uma questão de saúde. Você declara como gasto de saúde. Você gasta 4 mil reais num negócio. Quem sabe um dia, a gente vai chegar nesse nível. Olha aí.

Vamos lá. Estou olhando pra vocês, viu? Apoia-se.

Apoiadores, estamos pensando em vocês nesse momento, hein? Vocês podem realizar o sonho do investimento em jaquetas de couro. Hum, é... E couro, eu só lembro um perfume que tem, que é cheiro de couro. É um negócio estranhíssimo. É, tem sim. É a Nazaré Tedesco que faz o negócio. Você vai lá no nosso apoia-se, barra só no Brasil, ou no link aqui da descrição, apoiado a partir de 10 reais. Maravilhoso.

Mas, Victor, voltando aqui aos fatos, em entrevista ao G1, o atual prefeito de São Luís...

chamado de Chicão, do Progressistas, disse que pretende concluir as obras assim que possível, mas que a prioridade é a atual gestão do município. Ele falou que o plano para quitar a dívida de São Luís é seguir recorrendo às emendas parlamentares, porque só com a receita da cidade não dá. É, olha aí que maravilha. Temos aí um enorme safári de elefantes brancos vindo para Roraima, hein?

A natureza está se curando de novo, galera. Que bonito. É como eu vivo, que é você faz primeiro a dívida e depois trabalha, depois você corre atrás. Exatamente, exatamente. A cidade não tinha problema. Aí o cara fez a dívida. Não, é isso, que isso, velho. E a situação é tão grave, Vitor, que o Chicão decretou calamidade financeira no vigésimo primeiro dia do mandato da cidade.

Ele olhou assim, porra, bicho. Abriu assim, dívida com o INSS, Receita Federal, empréstimo consignado, fornecedores, serviços e até com a funerária. Tava tudo assim, naquele portfólio infernal da bancarrota da cidade. Cada gaveta que ele abria era um desespero. Eu sei como é esse sentimento. Isso aí é aquela quando tu tá na esperança de cair aquele pix que eu tô te devendo, rapaz.

Aí chega a notificação do banco, aí tu abre a notificação do banco, tá lá... Sexta, mix, plano carbono, menos 18,50. Ainda tira mais 18,50.

Eu tenho recebido muita ligação com... Dizeram o currículo que você enviou. Aham. Eu não mandei currículo nenhum, pô. Eu, amigo. Eu sigo desempregado, nunca desocupado, mas desempregado com orgulho. Com certeza. Entendeu? Eu já pedia pra me juntar de novo no município do lado ali, de onde a gente saiu. Sim. Vamos pedir pra voltar pra casa da mãe, sabe? Tipo, pô, zero jogo. Porra. Vamos botar a bola no chão, dar uma respirada. Né, pô, às vezes tem que se retrair um pouco. Vamos virar bairro de novo.

É melhor... Depois a gente tenta virar cidade outra vez. É, entendeu? As últimas notícias que temos de São Luís é que foi instaurada uma CPI na Assembleia Legislativa de Roraima para apurar desvios durante o mandato do prefeito James.

E do Chicão. É, não é bom, não vamos se precipitar, né gente? Vamos ouvir a galera primeiro pra saber o que aconteceu. Já a Câmara dos Vereadores de São Luís aprovou no dia 11 de novembro de 2025 a abertura de um processo de impeachment contra Chicão, atual prefeito, que está sendo acusado de infrações político-administrativas e atos de improbidade. Esse pedido se baseou em uma ação do Ministério Público de Contas de Roraima.

que investigou ao menos cinco contratos suspeitos que juntos somam sete milhões de reais. Mas de onde é que vocês tiraram sete milhões de reais numa cidade que tá devendo até a funerária, moleque? Tá devendo tudo, os caras não... É, mano.

Não tem dinheiro pra nada. Já surgiu mais sete? Já tá raspando taxa aí. Pois é. Um dos principais contratos sob suspeita é com a FB Empreendimentos e Serviços Limitados, que foi contratada por R$ 669 mil para ser a fornecedora de material de limpeza da Prefeitura.

Isso aí é, né, segundo a matéria do G1 de Roraima mesmo. G1 da... A empresa foi classificada pelo Ministério Público de Contas como fantasma. Oh, caramba! Com sede registrada em uma residência de madeira sem estrutura para operar e onde residia uma família. Que com certeza não sabia de nada do que estava acontecendo. Não sabia de nada, é. Tava achando, pô, a mulher abriu a porta...

Achando que ia ganhar o familhão ali do Luciano Huck. E era o Ministério Público, meu amigo. Ufa, é aquela que você abre a porta... Luciadora Maria!

Eita. Que assinou esse papel aqui? E é o promotor, puta merda. Rapaz, aí vem outro caso suspeito no mandato do Chicão. É o que envolve a empresa M Messias da Silva do Amazonas, contratada por 3 milhões e 300 mil reais para serviços de manutenção da frota municipal.

Quero saber o tamanho dessa frota aí, gente. Porra! São Luís da Nauá, hein? Isso aí, sabe o que é? É carro de uma marca francesa, que quebra muito. É uma marca francesa. É, aí a frota deve ser... Parte dos pagamentos da empresa foi feita com verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica Fundeb, o que configura desvio de finalidade. Ah, eu discordo.

Porque autoescola, o nome já diz, é escola também. Educação, se aprende na autoescola, é educação. Tá bom. Já a empresa Dimensão Comércio e Serviços Limitada foi contratada por 3 milhões para fornecimento de merenda escolar, mas não teve nenhuma comprovação de entrega dos produtos. Também tem suspeita de multeita e... Essa aqui eu queria ter visto também, velho.

Cadê, ó? 3 milhões aqui pra fornecer merenda escolar. E cadê os produtos? As crianças comeram.

É verdade. Porra, verdade. Aí, tá vendo? A defesa tá aí, claro. Eu ia contratar você, tava tudo resolvido. Ô, rapaz, eu fiz direito pra isso. É por isso que o advogado é uma função essencial à justiça, galera. Pra tudo se dá um jeito. Tá certo, então. E aí, Vitor, mais uma suspeita aqui, ó, no contrato no valor de 336 mil.

Foi com o escritório de advocacia. Eita, esse não vai dar jeito. E com a empresa de comércio e serviços contratada por 62 mil para fornecer cestas básicas e água potável que não tiveram comprovação de entrega. Mesma coisa. A cesta a galera comeu, a água o pessoal bebeu. E é isso.

Caramba, meu irmão. Meu amigo, merenda escolar, produto de limpeza, frota de automóvel, água, são os quatro cavaleiros do apocalipse dos esquemas brasileiros. Impressionante. Impressionante. Aí, seguindo aqui a matéria do G1 de Roraima, Chicão declarou aqui, abre aspas, a gestão está trabalhando com transparência.

Reitero que não passa de perseguição de quem não se conforma em ficar fora do mandato, pois em São Luís ele não vai mais saquear os cofres públicos, onde deixou um rombo enorme na cidade. Assim reafirmo meu compromisso de trabalhar e desconstruir um município saqueado pela ex-gestão. Fecha aspas.

Inclusive aqui, Pedro, isso que você leu aqui, são as aspas que estão no G1, mas assim, olha o que ele fala, assim reafirma o meu compromisso de trabalhar e desconstruir um município saqueado. Ou está errado isso aqui, ele fala que é desconstruir, não sei se é reconstruir, ou o jornal errou.

Ou o comunicado do prefeito tava com um ato falho aqui que Freud explica. Exatamente. Ou qualquer psicanalista desses hoje em dia aí que tem um monte na internet também. Pode... Fora o tom passivo-agressivo, né?

O famoso... Ah, sim. Tem gente que não sabe perder, né? Não sou de... Eu falo tudo na cara, não sou de dar indireta como certas pessoas. Ah, excelente, cara. Não, mas isso aí também tem muito... Querem me calar, né? Não querem me deixar trabalhar. Deixa trabalhar, me deixa trabalhar. É foda, né? A política é impressionante. E ela é assim desde sempre, né, velho? São as mesmas frases, a mesma coisa.

É muito bonito.

Olha, Victor, e aí, enquanto esse embrólio tá nesse embrólio aí, que a gente já sabe como é que funciona, São Luís do Anoar continua sem parque da vaquejada e sem portal. Quer dizer, o portal tá lá, com suas imensas e branquíssimas colunas greco-goianas, né? Afundando em um lamaçal, assim também como carros, motos e pedestres que têm que desviar o caminho por causa da bendita obra abandonada.

inacabado, interditado e ignorado o portal da estreia aqui do nosso programa é uma ruína simbólica de um futuro que virou um passado sem nunca ter pisado no presente que bonito, cara isso foi emocionante é o traje bonito traje bonito que chama cara, encerrou com a chave de ouro

esse episódio tão maravilhoso. Você, que é de São Luís da Nauá, tenha o nosso carinho, o nosso abraço. Porra. Brincadeira? É isso. Então é isso, né, Vitor?

Que é uma estreia impressionante. O tanto de problema que um portal consegue causar, né? Quando a pessoa quer, né? Supostamente, falando. É isso. Pedro, isso aqui tem tudo. Tem desvio de merenda escolar. Tem emenda Pix. Tem obra inacabada. Tem show do Gustavo Lima. Isso aqui é um portal para o Brasil. Não é um portal numa cidade de Roraima. É um portal para o coração do Brasil profundo. Pois é.

É isso. É isso. Infelizmente. Você quer roubar a minha novidade da traje boniteza? Não. Com a sua frase final? Que absurdo. Não deixa. Tchau, pessoal. Até a próxima semana. Vocês são lindos. Até o próximo Só no Brasil.

O Sona Brasil é uma produção da Pipoca Sound com o roteiro do Afonso Capelaro e comentários do Pedro Duarte e do Vitor Camelho. A direção é do Afonso Capelaro. A checagem de fatos é da Thaís Mandarino. A coordenação de produção é da Isabela Coelho. A edição de som é da Ana Burgos. A sonorização e a mixagem são da Pipoca Sound. As músicas originais são do João Jabás e do Luiz Rodrigues.