Episódios de Só no Brasil

40. Acima de Qualquer Suspeita

20 de abril de 202643min
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Em 1995, um fax atravessou o oceano e mudou para sempre a história de um dos bancos mais tradicionais do Brasil. Era o início de uma trama que parecia saída de um filme absurdo demais, mas que acabou se tornando um dos maiores escândalos financeiros do país.

Entre promessas mirabolantes, reuniões com políticos nigerianos, mães-de-santo e uma sucessão de decisões inacreditáveis, um respeitado executivo se viu preso em uma história tão improvável que ninguém acreditaria.

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Participantes neste episódio2
P

Pedro Duarte

HostJornalista
V

Vitor Camejo

Co-hostJornalista
Assuntos3
  • Golpe do Banco NoroesteNelson Sakaguchi · Banco Noroeste · Fraude financeira · Aeroporto na Nigéria · Golpe 419
  • História do Fax e GolpesGolpes nigerianos · Mãe de santo · Documentos falsos
  • Judiciário e PolíticaExtraditação para a Suíça · Condenação de Sakaguchi
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Apesar de não parecer, esse programa é feito de fatos apurados e noticiados jornalisticamente. Olá, meus queridos ouvintes do Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste desse país, de dimensões continentais e natureza exuberantes. Estamos começando mais um episódio do Só no Brasil.

E aí, Vitor? Tô alegre o suficiente? Como é que você está? Tapa, tamo aí naquele picles. Naquele picles, doido por vir. Essa nossa dose aí de absurdos que o Brasil tem pra servir pra gente aí com seus deliciosos temperos. Como você vai contar a história, vem temperada com dendê, não é verdade? E o que mais? Pimenta, dendê. Coentro, Vitor. Tem que botar o coentro, que o coentro é...

ele é polêmico, né? Que é ou você ama ou você odeia. Eu não gosto de salsinha. Curiosidade, lá no Pará, cheiro verde é apenas o coentro. Você falou isso uma vez. Achei maravilhoso. Aqui é um conjunto de coisas, né? É isso, cada lugar é uma maravilha. Cheiro verde é só o coentro. Hoje aqui, Mito, a nossa história é especial, viu? Acho que no quesito absurdos, ela é uma das mais abundantes que já tivemos no solo Brasil. Olha!

Cuidado com a expectativa que você está gerando aí. Então vamos lá. Vamos. Nossa história começa ali em meados dos anos 90. O Banco Noroeste era um dos mais sólidos de São Paulo. Um banco de família com nome de tradição, propaganda na televisão e clientes fiéis que confiavam na robustez e na longevidade da marca.

Ainda era a época do talão de cheque. Que maravilha, hein? Que saudade. Do extrato impresso. Outras antiguidades que há pouco tempo vivemos. Uma vez eu tomei porrada porque eu desenhei num talão de cheque da minha mãe. Olha aí, rapaz. Eu era criança e achei lá, tava no talão. O que é esse caderninho bonito aqui? Aí comecei a desenhar. Pois é. Estamos falando também da época...

das agências bancárias abarrotadas, lotadas, de idosos que podiam ser sociáveis ou enfurecidos. Tinha apenas... Ainda tem. É a gente que não vai mais, mas ainda tem. É só isso. Sim. E o Noroeste pertencia a duas das famílias mais poderosas do país. Os Simonsen e os Cochrane.

Porque foi um nome bem tradicional brasileiro. É. Mais brasileiro que isso, não tem como, né? Acho que não tem, realmente. E aí eles tiveram todo tipo de negócio aí. Companhia aérea, exportadores de café, emissores de televisão. Enfim, eles faziam parte daquele público. Aquela panelinha da elite. Da elite. O topo do topo aqui no Brasil. É aquela galera que tem mais empresa do que amigos verdadeiros. Isso. Por aí, velho. Tem mais CNPJ do que amor.

E aí

Um dos principais diretores do banco se chamava Nelson Sagaguchi. Um cara tão sério que parecia ter nascido de terno. O cara já nasceu pagando imposto pro médico. Recolhendo ali na hora ali o... O cara acima de qualquer suspeita. Discreto, formal e obcecado por eficiência. Ele era o tipo de gente que faz planilha até pra organizar o café da manhã. Na verdade, o Excel tem medo dele. É isso que a gente tá querendo dizer aqui. É isso. O Excel humano. Engenheiro de formação.

Não dá para confiar em engenheiro, mas é. O cara que escolhe fazer engenharia sofrer durante todos aqueles anos. Ele fez carreira no mundo financeiro até virar diretor internacional do Banco Noroeste.

Era considerado um profissional de confiança absoluta daqueles que nem pegam troco errado no café. Falava inglês, francês, japonês. Viajava pelo mundo aí representando o banco em reuniões chiques com governos e fundos de investimento sem nunca afrouxar o nó da gravata. Olha aí, o cara é uma mistura de Excel com Duolingo. Hoje em dia ele estaria...

Tá afasado já, que não precisa nem aprender mais nada. Se eu chegar com o celular, o celular faz tudo. Mas enfim, né? O Saka Gucci, com esse perfil, era... Vamos chamar de Saka. Saka. De repente ficou um negócio mais íntimo. É o Saka GPT, né, velho? Saka GPT aqui que se faz tudo. Saka GPT. Era o responsável por gerenciar todas as contas internacionais e pelo funcionamento da agência nas célebres e obscuras Ilhas Caimã.

que é um lugar que o cidadão comum nunca vai saber se existe de fato ou não, ou se é só uma invenção, se é de milionário pra sonengar direito. A gente não sabe se é o nome de uma instituição ou é um lugar, entendeu, Vitor? É! Como é que funciona? É uma ilha, é um CNPJ, né? Tipo, é aquela mistura. Isso. De série, né? Que o Lost, a ilha de Lost encontra o Succession. Exato, tá aí. Todos eles são recebidos pelo Jeffrey Epstein. É basicamente isso. Nossa, que coisa horrível. Que inferno. Mas é isso aí.

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Um belo dia, em 1995, o Saka estava em seu arrojado escritório no centro de São Paulo quando, de repente, a máquina de fax apitou. Ô, beleza. Nunca tive um fax. Na minha casa não teve fax, não. Não chegou a ter isso aí, não. Tinha na oficina do meu pai. Porra, eu amava. Ah, é? Pois é, querido ouvinte, a gente tá aqui na época do fax. Só quem já recebeu um fax, sabe aquele barulho gostoso que essa máquina fazia?

E eu achava maravilhoso que o papelzinho era mole. Porra, eu era criança, eu achava incrível que saía o papel e o papel era mole. Eu ficava, meu Deus, papel mole. Maravilhoso, papel mole.

Por que que todo mundo é com papel molho assim? Não tive essa experiência. É muito bom. Você que era rico aí. Eu não tinha. Mas meu pai trazia, às vezes, impressões de impressora matricial do trabalho. Sim. Eu achei fantástico também. Mas enfim, vamos lá. Sou nostalgia. Ah, vamos lá. Sacagute. Sacagute estava lá no escritório quando chegou esse fatídico fax, né? Que mudaria a vida dele e de várias outras pessoas para sempre.

O documento vinha assinado por um tal de Tafida Williams, que se apresentava como diretor de orçamento do Ministério da Aviação da Nigéria. Oxi. Era um convite para investir num projeto gigante, a construção de um aeroporto na nova capital, Abuja. Coisa fina, Victor. Aquele tipo de fax que você recebe entre um café e outro e pensa, agora sim, está aí minha chance de brilhar no cenário internacional. Aquele convite para construir um aeroporto na Nigéria.

com a tranquila, com a corriqueira no cotidiano de um endinheirado mundial. Vamos fazer um empreendimento, um negócio, abre aquele catálogo de azulejo já pra escolher o revestimento do aeroporto. Isso é muito bonito. Já escolhe onde é que vai botar ali a casa do pão de queijo, com folhado e um café custando 55 reais. Planejar o aeroporto deve ser uma coisa muito, muito satisfatória. Nossa, não tenho experiências boas.

O pensamento é esse, né, Vitor? Se a gente colocar essa esteira aqui mais longe, se o som, na hora de chamar o passageiro e tal, ficar pior a qualidade do passageiro, pra poder você não... pra pessoa não ouvir e perder o voo. Eu acho que é assim que eles fazem. Bom, aí chegou esse convite aí, né? Um negócio multimilionário, com a chancela do governo nigeriano, e ali retorno garantido.

Claro, também era um pouco estranho, mas se tinha um cara experiente para avaliar oportunidades de investimento, esse cara era o Sakaguchi. Saka. Saka, exatamente. Não era uma coisa comum um gerente de banco ser procurado com ofertas de negócio. E resolveu marcar um encontro em Londres, ali pertinho. Meio do caminho, meio do caminho. Vamos, vamos. Exatamente, hein? Que rapaz com os representantes do governo nigeriano. E aí, algumas semanas depois, ele foi para Londres.

É. Caramba, que história maravilhosa, onde ele se reuniu com o presidente do Banco Central da Nigéria, Paul Oguma, e alguns políticos e empresários nigerianos em um hotel cinco estrelas. Pessoal, não joga fácil, hein? Não pode ser uma pousadinha, não. É sempre um negócio... Não.

A reunião foi ótima, a resenha foi boa, o negócio tranquilo, né? E parece que ia pra frente. Era firmeza mesmo, bastante promissor. O banco financiaria a obra e receberia o dinheiro com juros, né? Aquela operação padrão do banco. E até aí, tudo mais ou menos normal. Dias depois, já de volta ao Brasil, o Saka mandou os primeiros 4 milhões de dólares para os tais parceiros nigerianos.

Só que ele não contou nada pra ninguém, né? Nem pros donos, nem pros colegas, por quê? Porque ele tinha um plano. Ah, ah. Como ele era o chefe das operações internacionais e tinha acesso ao cofre, ele sabia esconder as transferências sem levantar suspeito. Ih, rapaz. Entendi. Quer dizer que você não sente nas Ilhas Caimã sem saber os paranauê esquisitos, né? Das transações financeiras. É que tu desbloqueia aquela fase secreta do Mario Bros ali, só que...

No mundo bancário, corporativo. No mundo da Faria Lima. Entendi. E aí tem duas versões pra essa história. Uma diz que o Saka queria lucrar com os juros, e aí ele pegava o dinheiro do Banco, emprestava pros nigerianos e depois devolvia tudo, ficando com o rendimento, entendeu? Aham. E a outra diz que ele tinha combinado de ganhar uma comissão por fora e que ia contar sobre a transação em algum momento ali.

tá, jogou na surpresinha da lotérica, né? Olha aí, ó, lancei um aeroporto na Nigéria pra vocês é tipo quando o gato te traz uma barata, né? Surpresa! É, o gato chegou com uma barata pra ti Nossa, gato com barata, eu não sabia disso até recentemente não, rapaz, os gatos cocam o terror e às vezes comem a barata, né? Eu tô aqui preocupado Não, ele te traz a barata, porque ele te ama Entendi Gato é bom demais, Deus é mais por isso que eu não tenho É uma oferenda Tá bom

vamos lá o lance é que o que já era uma fraude gigantesca, inicialmente se tornou simplesmente o maior golpe bancário da história do Brasil e um dos maiores do mundo aí o Daniel Vaucaro hold my beer tô chegando aí

Mas enfim, estamos com uma história de cada vez. Vamos lá. É, estamos nos anos 90. Estamos nos anos 90 aqui. O negócio foi ganhando proporções realmente absurdas e a gente vai entender como é que isso aconteceu. Porque eu acho que só no Brasil uma história dessas poderia acontecer do jeito que aconteceu. Veja você que o Brasil é tão absurdo que a história começou na Nigéria, mas só foi ficar doido aqui.

Até janeiro de 1998, o SAC usou a agência Caimã para enviar as tais transferências para os nigerianos sem dar satisfação para ninguém. Essas remessas iam ali no pingadinho, né? Ó que pingado gostoso. 5 milhões ali, 4 milhões. Aqui, o negócio ficou picado.

Assim é bom, né? Boa. E aí, Vitor, ele fez 93 transferências, sempre mantendo cada envio abaixo de 6 milhões de dólares, que é para não precisar da assinatura de outros diretores. Ou seja, ele explorou uma falha nos controles internos do banco. Olha aí, né? Está vacinando com a mão invisível do mercado nessa hora. Ele só... Ah, eu... Não, não preciso.

Assinatura invisível também, porra. É isso. E aí tudo foi correndo assim. Mas aí, Vitor, vamos voltar um pouquinho só. Um ano antes. Que é pra 97. O Santander fez uma proposta de compra ao Noroeste. Aham. O banco do SACA. Que SACA fazia parte, né? Não era dono.

E naturalmente, pra comprar, os espanhóis tinham que saber como é que o Noroeste ia das pernas. Ah, faz aquela velha audição, entendeu? Auditoria, claro, certamente. E aí entraram em ação os incríveis auditores, esses detetives da planilha, combatentes do desperdício do mundo financeiro. Claro. E aí? Os nossos super-heróis do mundo corporativo, armados ali com a sua calculadora HP.

Muito café, usado como único estimulante, sem mais nenhum. Nenhuma fé inabalável aí que nenhum número vai escapar deles. Seus reloginhos Cássio com calculadora também. Isso aí é bom demais. E esse homem aqui quem é? O Saka. Por que chama assim? Porque ele só saca, não deposita. Gostou dessa? Nossa senhora. Essa foi muito boa. Eu achei assim.

Eu achei qualidade. Eu não tenho muito. Eu não podia ficar sem fazer essa. Você tava na minha cabeça desde o início. Foi bom, não. Ia me dar até febre, velho. Você não fala? Foi demais. O humorista contou a piada. Todo mundo tá rindo e só você tá quieto. Pensando na morte da bezerra. Xiii, tá desconectado, né? Experimente a deliciosa Delvale Limonada e se reconecte.

Agite seu dia com uma das incríveis versões limonada sabor pink, tropical ou clássica. O toque cítrico que te reconecta. Clique no banner e saiba mais. Bom, aí os auditores começaram a checar as contas e descobriram lá o rombo na agência das Ilhas Caimã. Era quase metade do capital total do banco. Porra, saca, não brincou não. Porra!

Os auditores já levam pra calculadora, pro computador, pro café, procurando explicação. A única coisa que poderia dar um porquê era o respeitável diretor Nelson Sakaguchi. Mas aí ele tava de férias. Pô, não podia sair incomodado. Claro, de férias aonde? Na ilha de Calculão.

A tava de chapéu, óculos escuro, igual aquele meme do pica-pau na piscina, do perna longa. Igual aquele meme do perna longa na piscina. No dia zap, pra ir pra botar um trabalhador, mesmo durante as férias.

Tá vendo? Não tinha. Férias eram férias mesmo. E aí, quando ele voltou ao escritório, todo bronzeado, lépido e faceiro, ele ouviu dos auditores a frase que mais temia. Querido Saka, vamos conversar aqui sobre as ilhas Caimã, garotão. E aí, meu irmão?

Nossa, é aquela mensagem que gela o corpo inteiro do ser humano. Depois de muita pressão e uns bons gritos, ele contou sobre o negócio do aeroporto. Tentando aparentar a tranquilidade, ele disse que estava tudo em ordem, tudo em casa, era um ótimo negócio, esse dinheiro ia voltar sim com juros e tudo mais. Mas aí, como diria Galvão Bueno, foi se criando um clima terrível ali no Banco Noroeste. O famoso clima tense entre os brothers. É isso.

Queria saber do Saka por que ele tinha feito aquele investimento, afinal. Por que não tinha contado pra ninguém. Era um negócio tão surreal que ninguém sabia o que fazer. Cara, imagina essa cena, velho. Um monte de executivo de gravata suando frio. Sem saber se dava risada, se chorava. Se esticava mais uma lagartona em cima da mesa. Se ligava pra Interpol e denunciava tudo.

Eu acho que a opção 2 da surpresa é a mais aceitável. Porque ninguém pega e rouba metade do capital, desvia-se metade da... Sei lá, é demais. Noroeste agora, metade do capital. Agora o nome do banco é só Banco Nuro. O resto levaram até a metade da placa. No final do episódio vai estar sobar.

nem nada, nenhuma coisa o que ele também não contou é que a essa altura já tava dando um monte de problema também lá na construção do aeroporto entendeu? a obra na Númeria não deve ser muito diferente das obras aqui no Brasil entendeu?

Fazer um banheiro já é complicado. Imagine um aeroporto internacional que tem dois banheiros. Um feio. Deixa a palavra. Só pra você. Um pra interditar e outro pra deixar funcionando. Era só isso. E aí toda hora, Vitor, os sócios engenheiros mandavam aquele fax pedindo a transferência e dizendo vai demorar mais um pouquinho pra pagar.

Entendeu? Foi mal aí, mas o Gui tá aí que tá indo. Tá com problema aqui, pô. Isso. Nigéria tá época de chuva, agora chove muito essa época que atrasa. Perderam ligando falando que acabou o cimento, acabou a areia. Exato. Aí saiu o clássico. Rapaz, é impressionante. O cimento nunca dá, Paulo. Mais um milheiro de tijolo aqui. Mais um milhar de tijolo aqui que acabou. E aí o Sakaguchi ia mudando mais dinheiro, né? Sem ver um puto de volta mais confiante ali de que tudo ia dar certo.

E ele ia ter aquele baita retorno prometido. Uma observação aqui, na moral, que aeroporto que dá tanto dinheiro assim? Pô, é na Antibavária, ali, pô. 12 reais o amendoim, a unidade do amendoim. Né? Entendi. Ponezinho de ouvido superfaturado. Pão de queijo e café, 25 reais. Isso. 25? Pô, me fala onde é esse aeroporto aí, que eu vou lá comprar 25.

Tá barato demais, velho. 25 é muito bom. Inclusive, vou deixar a revolta aqui do artista que viaja pra fazer show, né? Tem que fazer isso. Você chega atrasado pra pegar o voo desesperado, cara, correndo, procurando teu portão de embarque. Na hora que tu tá lendo no placar ali, procurando, onde é que é teu portão? Na hora que tu tá chegando, a tela vira e fala você sabia que a taxa de embarque é 4,90? Tu já embarcou, tu já tá lá dentro.

Não, aí é foda. Isso. E fica dez minutos. É o anúncio do YouTube, não é errado também. É, isso é foda. Você tem que ficar esperando. É complicado. É suquinho de Brasil.

Vamos lá, voltando aqui, a revolta do aeroporto. Podia ser o nome? Se deixar, a gente fala de aeroporto até amanhã. E aí, rapaz, vamos dizer assim, arredondando aqui, né? De 5 em 5 milhões, a quantia desviada já tinha chegado a 242 milhões de dólares. Hoje em dia, isso aí equivaleria a mais ou menos 2 bilhões de reais. Foi uma coisa boa. Fazendo a conversão aí, ou seja, daria um milhão. Isso aí, a gente só corrigindo.

Sem levar em conta a inflação em cima. É, na verdade, tá aí com dólar assim que pouco. Aí nossos doutores aqui dos comentários, nossos economistas, engenheiros, diplomatas, nossos auditores, comentem aí quanto que dá essa conta aí que nós somos de humanas, viu, galera? Então você faz a conta aí. Se fossem estalecas, eu saberia te dizer, entendeu? Mas em bilhão de dinheiros, eu não sei.

Só que assim, longe de mim... Esse celular do Big Brother é impressionante. Eu gosto muito, galera. Desculpa aí. Mas ok. O ópio do povo. O meu ópio é o BBB. Certo? Mas vamos lá. Não quero me precipitar. Longe de mim. Estamos longe do fim do episódio ainda. Mas acho que o nosso amigo Saka se perdeu. Nasco.

É, eu também. Eu tava achando que ele tava querendo fazer a surpresa. Se bagunçou aqui. O aeroporto caro dá desgrama. Porra, só foi a galera do banco ali vendo o saco a chegar com aquela cartela Ação entre amigos.

Fã daquele videocassete. Botar uma grana. Um monte de nome de mulher assim, ó. Na cartela. Quem é tua mãe? Tem uma marilda? Porra, você... Marca a marilda aqui, ó. Aquele, hein? Cem milhãozinho aqui, ó. Na Regina. Volta a Regina aqui, ó. Escreve aqui.

Fazendo bolo de pote. Chegando aqui. Uma empadinha. Empadinha. Um croaçonho. Um croaçonzinho. Isso é bom demais. Sacamoto andando com um pano de prato no ombro, ali do lado, ali no banco. Sacaguste. Uma vasilha enorme. É isso mesmo.

Isso é um aeroporto caríssimo, parece até o aeroporto brasileiro na Copa. Sim. E os nigerianos justificavam essa inflação aí, dizendo que estavam sendo obrigados a pagar propinas para funcionários do governo, entre outros gastos essenciais, gastos extras, entendeu? O Sakaguchi era experiente e sabia que em grandes obras, às vezes acontecem esses contratempos aí, mas claro que aquela situação já estava bem estreita.

E aí ele continuou indo pro escritório Do Banco Noroeste, né? Por um tempo, como se nada tivesse acontecendo Aqui fazendo meu trabalho e tal Mas lá nos falava E outra coisa, né? Parece que chegaram Inclusive a pegar ele pelo Colarinho

Olha aí, hein? Um negócio... E um dia desse, pegaram ele pela colarinha e disseram, meu irmão, como é que tá esse negócio aí? Vai esclarecer essas transações. Não sabe como é. E o saca ali, ó, tentando despistar, explicando que, pô, a obra na Nigéria é muito complicada. É, mas...

Pô, e a outra coisa que os anos 90 pegou pra si e não devolveu pra gente, que hoje em dia não tem mais a possibilidade de a gente pegar um cara pelo colarinho assim, né? Ah, tem sim. Hoje em dia os caras andam só com aquelas camisetas tecnológicas, coladinhas no corpo. Não, o colarinho tem e é feito de poliéster, que é pra machucar sua mão se você pegar. Nem fique, tá pior, pô.

E é difícil hoje pegar o cara pelo colarinho, que o coletinho, aquele coletinho do banco, fofinho, não tem colarinho. É macio, parece um mousepad que o cara veste, né? Colete de day trader, fofo. Colete de day trader, que coisa... Realmente acabou com os coletes aí, viu? Mas pra mim tinha um colarinho de poliéster. O colarinho de poliéster, do terno de poliéster, era o trabalhador, né? Eu pensei baixo demais. Voei baixo.

Não, pode estar falando aqui de... É verdade. De grandes grifes, grandes marcas. É, vamos lá. Aí chegou uma hora, Vitor, que não deu mais, entendeu? O golpe estava ali, via quem queria, entendeu? Aí virou um caso de polícia mesmo. E que caso?

Afinal, não é todo dia que alguém subtrai 242 milhões de dólares. E aí o Sakaguchi foi denunciado e afastado e o banco contratou uma empresa especializada em rastrear e reaver dinheiro desviado nesse tipo de crime.

Pra você que não sabia, tem empresa disso aí, tá vendo? Aí, ó. Quando o pedreiro disser pra você que precisa de mais cimento, você contrata essa empresa aí pra ver pra onde foi. Que ela vai auditar as contas do Damião e saber pra onde que foi. Cada desse dinheiro aí. É, é um pedreiro Raimundo Nonato, que é o clássico pedreiro brasileiro. É.

E aí? Mas assim, voltando ao assunto, né? O problema é que, como o Sakaguchi era um dos maiores especialistas em transações internacionais, o cara tinha feito uma engenharia financeira super complexa e arrojada, justamente para o dinheiro não ser rastreado facilmente. Olha aí, rapaz, o nosso Pelé!

Da evasão de divisas. É o toque mevoi, amigo. Faz o toque mevoi. Tem horas que eu acho que ele é besta e tem horas que eu acho que ele é muito inteligente. Esse sacagote, ele deixa a gente complexo. E a história do sacagote está muito bem explicada também. É um podcast muito legal que é o No Rastro do Dinheiro, dirigido pelo Renato Matiz e apresentado pelo Beto Chaves. Essa série aborda vários casos, falando sobre a relação entre crime e lavagem de dinheiro. Fica a dica aí para os queridos ouvintes.

Que gostam de lavagem de dinheiro. Saca, meus amigos, ele enviou o dinheiro. Ele foi até para o gingeriano mesmo, que era o destino final, né? Mas ele conseguiu passar por diversos países sem que ninguém se desse conta. Os investigadores financeiros tiveram que penar muito para entender como o esquema funcionava, porque era um negócio realmente complexo.

Caralho, o maluco era a VPN da evasão de divisas ali. E nessa perseguição ao dinheiro, eles acabaram chegando aos tais nigerianos. Olha a galera lá que se encontrou em Londres. Os caras são bons, hein? São bons, hein? Pegou os caras. E não vai ser muita surpresa a gente revelar agora que não tinha aeroporto coisíssima nenhuma. Era tudo mentira.

Tudo caô, tudo golpe, famoso 171. Tava passando a perna no sacagote. Aí... Porra, sacagote, que macada. Não vamos esquecer que essa é uma época pré-Bitcoin, né? Que você não comprava, não tinha como mudar golpe em idoso, assim, pela SMS. Não tinha como entrar no WhatsApp dos senhores. É o golpe raiz, o golpe arte. Sim. O golpe ali artesanal, manufaturado, negócio bonito.

É, hoje o dia o cara bota um filtro de Brad Pitt e dá golpe. É um negócio... Isso, golpe do amor ali, mas não. Isso aí, meu amigo. Quando tu falou fax da Nigéria, eu confesso que eu...

Pô, a gente que viu o e-mail de Príncipe da Nigéria, toda hora tem... Hoje em dia é... É... É normal. Imagina só a firma do Nanotícia pro Sacagosto. Sacagosto era tudo mentira. Pô, os caras também... Achamos, cara. Vamos lá, vamos pra lá... Vamos lá pegar ele. Vamos como se não tem aeroporto? Porra! E não... É... A gente pousa lá em perto. E como chegar lá? Pega um transbordo, um ônibus. É... Tchau, tchau.

Ou seja, Victor, concluindo aqui, eles sugaram tudo o que podiam do Sakaguchi numa atuação que merecia talvez um Oscar do Estelionato. Havia documentos com o carimbo do governo da Nigéria.

Olha aí. Escritórios falsos. Que doideira. Assinaturas de autoridades que nunca existiram. Toda a comitiva que o Sakaguchi encontrou em Londres era fake. Tudo foi encenado. Tudo. Meu Deus. Eles eram nigerianos, ao menos? É, não sei.

O que é verdade? Caralho, o cara foi gaslightado. Será que o Sakaguchi sabia que estava tendo um golpe e aí estava roubando ele mesmo? Ele vai do gênio para o... Está complicado. Vamos lá, né? O tal presidente do Banco Central da Nigéria era, na verdade, um famoso golpista chamado Emmanuel Nunes Odiningue.

Perdoe minha pronúncia aí. Eu amo. Eu amo. A pronúncia é de nome nigeriano com sotaque francês. Do Pedro. Emmanuel? Porque tem nude. Entendeu? E o de ninguês. É.

Ele foi misterioso.

Falei lá em cima rapidamente, mas todo mundo sabe, quem viveu os primórdios da internet conhece o golpe do... Que você recebeu um e-mail, Vitor, com uma história criativa, né? Pouco verocímil, mas muito criativa, fala sobre uma forma quase milagrosa de você ganhar fortunas. Aquele clássico...

Príncipe nigeriano. O cara diz que é um nobre, cheio de grana, preso num banco. Aí ele precisa de uma ajuda para tirar o dinheiro de lá do país. Aí ele promete te dar uma fatia generosa da fortuna, desde que você adiante um mês para ajudar nesse processo.

É um clássico. Acho que um dos primeiros golpes da internet é esse aí. Tinha também o golpe do astronauta que entrava em contato com alguém por e-mail afirmando que estava preso numa estação espacial e precisava de dinheiro pra voltar pra Terra. Uma história mais maluca que a outra.

O Uber, fazer o Uber. O pessoal do Dinheiro Penta era Uber aí, dois passos pra cá. Mas assim, a gente fica falando, dando risada e perturbando assim, mas todo mundo tá sujeito a cair nesses golpes, pra vocês ficarem ligados aí. Certamente. Porque os caras são profissionais, pô. Os caras vão em cima. Inclusive, muita gente caiu nessas histórias. Mesmo a gente achando mirabolante, muita gente caía. Então...

A Nigéria era a capital mundial desse tipo de golpe. Era assunto para uma série chamada Só na Nigéria! Ou como diria Vitor aí, né? Só na Nigerá! É, mas... Me sacaniza minha pronúncia, rapaz. Sou um cara que fala idiomas. Tanto é que nesse tipo de trapaço aí passou a ser conhecida como golpe 419.

Que é o artigo do estelionato do Código Penal nigeriano. Tipo o nosso 171, entendeu? Ou seja, até chegar no estelionato, eles têm mais 300 crimes na frente, né? O nosso foi no 171 logo, né? Eles têm mais um monte de crime aí. É um patrimônio... Sendo que o 171 é um patrimônio brasileiro. Uma coisa muito nossa. Muito bonito isso que a gente tem de usar os artigos do Código Penal como gíria. É um nível... Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Meus Me

Muito bom. Instrução jurídica. É o nosso jeitinho aí, né? Agora, na década de 90, quando passaram a perna no sacagute, esses golpes 4-9 ainda não eram famosos assim como é hoje. Hoje já é semescomunho popular, né? Então você recebe e-mail de astronauta, aí você dá risada, kkkk. Mas, em meados da década de 90, você poderia pensar, rapaz, será que esse cara tá no meio do nada? Perdido nas estrelas e cabe a mim Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me Me

que recebia esse e-mail salvá-lo, você ia ficar pensando nisso. Ele ia dormir com a consciência. E aí você enviava os 500 reais, que por via das dúvidas, você estava ajudando. Sim. Lembrando que 500 reais nos anos 90 equivale a 4.500 reais hoje em dia.

Pra aliviar essa culpa aí de deixar o homem preso no espaço por via das dúvidas. Não, e outra. A juventude, Pedro, pode banalizar, porque hoje mensagens são muito fáceis. Nos anos 90, o peso psicológico de você receber um fax...

Você se sentiu escolhido. É porque o cara tinha que ter seu número. Meu Deus do céu. Todos os numerozinhos. É. É verdade, velho. Ele me mandou um fax, eu acho que ele me ama mesmo. Tinha o peso do papel impresso, né? É. É verdade. É. Um carimbo com tudo. É verdade. E tem uma coisa que acontece geralmente com as vítimas desses golpes de falsos investimentos super promissores e tal. Elas não conseguem parar. Elas continuam mandando mais dinheiro na esperança de finalmente obterem o retorno, entendeu?

Então, e aí os golpistas já sabem o que fazer pra manter você ali. Ficam só dando desculpinha e tal. Então, o negócio fica num jogo. Num jogo de carta marcada, assim, onde só um lado ganha, né? E o outro, às vezes, perde tudo. Assim como no amor. É isso. Nossa Senhora. Me surpreendeu agora aí. Não esperava por isso, não. Tá tudo bem aí, né, Luiz? Tá tudo tranquilo aí. Tá tudo certo.

Tudo tranquilo e sem blitz. Agora, o mais louco dessa história toda, ainda tem uma coisa mais louca, mais cabulosa ainda, talvez seja o momento em que entre cena uma nova personagem. Uma mãe de santo baiana.

É isso aí. Ah, não. Entendeu? O nome dela era Maria Rodrigues da Silva. E se você achou que a história não podia ficar mais maluca e aleatória, escuta isso aí. Desesperado pra reaver o dinheiro do banco, Sakaguti contratou a mãe de santo pra dar uma forcinha também ali do além, né?

Tá. Eu trago o seu dinheiro roubado em três dias. Os seus 200 e tantos bilhões. Faço pagar quem não paga. Mas aí, para você aí de casa não perder a conta, vamos aqui recapitular os elementos básicos dessa trama. Já temos o gerente Nissei.

o golpista nigeriano, o auditor espanhol, a mãe de Santo Baiana, agências nas Ilhas Caimã e dinheiro espalhado pelo mundo todo. Rapaz, é a Nações Unidas do que o financeiro, né? Pô, parece um grupo da Copa do Mundo. Japão, Nigéria, Espanha. Quem é a cabeça de chave? Bahia. Por que a Bahia entrou como um país aí?

Em algum momento dessa trama enlouquecida, essa mãe de santo começou a prestar algum serviço para o Sacagote. Por exemplo, ele chegava com documentos direto da Nigéria e pedia para ela avaliar se ele deveria mandar mais dinheiro. Porque ela simplesmente colocava a mão nos documentos e dizia pode mandar.

E aí, claro que ela cobrava, e muito por esse serviço financeiro e espiritual premium, né? Melhor dizendo aqui que era uma suposta mãe de santo, né? Já que a mulher tá nessa aí, é. Lembrando, meu amigo, que assim, estamos falando, falamos no início da história, Sakaguchi era um homem racional, poliglota, de terno, um businessman. Focava medo no Excel. Selfie man dos anos 80, exatamente. Só que, meu amigo, não existe ateu. Não tem, hein?

Quando tu toma um golpe. Tomou um desfalque de grana, meu amigo. Você dobra seu joelho. Você encosta a testa no chão. E ele acreditava mesmo. E vai que vai. Tudo que essa suposta mãe de santo aí falava, ele ia também. Ele fazia tudo que ela mandava, entendeu? Teve uma vez que ela disse assim. Você tem que ir no cemitério. Abrir uma cova. E encontrar uma boneca enterrada. E ele foi. Era tudo armado, obviamente. E ele foi.

Era bizarro. Ele tomou golpe de todo lado, meu irmão. Tomou golpe do dinheiro, tomou golpe do espírito. Nesse momento eu tô achando que ele não era gênio nenhum, não. Concluí aqui que nosso sacagote realmente tava... Foram quatro anos praticamente, né? Perdendo o dinheiro todo aí dos outros. Ela, a mãe de santo, fazia que nem os nigerianos, né? Ela sempre pedia mais dinheiro.

pro negócio, enfim, dá certo. O mesmo tipo mesmo. Ele caiu em dois golpes parecidos e diferentes. A outra metade do dinheiro do banco, então a gente já sabe pra onde foi, né? O mais surreal foi quando ela pediu dinheiro pra comprar 10 mil pombas brancas. 10 mil. E ele deu, né? Eu fico imaginando se ele conferiu assim, pô, tem 10 mil pombas mesmo? E aí... E a cena é ele sentado ali fazendo um, dois, três, quatro, cinco, aí a pomba fugia.

Finalmente ele viu algum ovo de pombo que é algo que ninguém vê. Ele ia ver ali. Sim. Cara, imagina o barulho. Meu Deus do céu. Que faz 10 mil pombas, velho. E era caro. O preço de uma pomba naquela época. Absurdo. Hoje em dia a gente é mais liberal.

Tem a pomba? Hoje em dia as pombas vêm sem dedo, alguém tinha que investigar porque as pombas estão sem dedo. Meu Deus do céu. E aí, Vitor, trabalho vai, trabalho vem, no fim das contas, ele transferiu cerca de 20 milhões de reais pra Maria Rodrigues. Nesse tempo todo que passou, não foi só com 10 mil pombas, não. Foi...

Entendi, ao todo 20 milhões. E ela morreu no curso do processo e nunca foi julgada, mas deixou como legado um dos golpes mais surreais da história financeira brasileira. Olha aí, velho, Dona Maria na Forbes. Milionária.

Ela deu golpe no golpe. É verdade. Só que foi golpe no golpe, no golpe, no golpe, né? Tudo começou com a falcatrua dos caras e ela foi, foi, foi. Que arte. O cara sabia tudo, velho. O cara diretor de banco em Nova York, não sei o quê. Transações, sabia todos os atalhos do Excel no teclado. Nem usava o mouse, sabe? Rapidinho assim, ó.

O cara sabia todos os negócios pra dar os golpes certos ali do Mortal Kombat, do Street Fighter. Nem terminou a história dele sendo orientado por uma mãe de santo picareta, perdendo tudo e pra gente se lembrar também que não pode confiar nunca nos gurus do mercado financeiro.

Pô, é, meu. O cara tá ali vendendo o curso aí no Instagram, né? Ganha seu primeiro milhão. E aí na DM tá vendo lógico, né? Consultando astrólogo. Ah, e como é que ficou o Sakaguchi? Sakaguchi respondia a processos tanto no Brasil, quanto na Suíça, por onde o dinheiro desviado... Porra, nem tava a Suíça na história. Apareceu a Suíça só pra processar o cara. O dinheiro era desviado por lá, pô. Passava por ali, entendeu?

enquanto aqui ele seguia em liberdade os suíços estavam de olho nele esperando um passo e falso, entendeu? só que ele nunca saia do Brasil, o que dificultava qualquer prisão, até que em junho de 2002 um advogado americano procurou ele dizendo ter uma solução pra ajudar, não é possível, eu não vou conseguir falar isso, vamos lá uma solução pra ajudar a recuperar o tal dinheiro do aeroporto e aí E aí

Inacreditavelmente, ele caiu como pardo. O que aconteceu? Ele entregou um avião para os Estados Unidos, cara. Acreditando que ia haver a oportuna perdida. Não é possível esse cara, velho.

Puta mundo injusto, meu. Que sacanagem, velho. Tem condição. Ao chegar nos Estados Unidos, ele foi preso pelo FBI e extraditado para a Suíça. Que surpresa, hein? Onde cumpriu pena por lavagem de dinheiro. Rapaz, eu vou te falar, hein? Eu acho que ele tomou um golpe mesmo, Vitor. Ele não tentou roubar nada, não, porque ele ficou com essa culpa na consciência. Puta mundo injusto, meu. Que sacanagem, velho. Eu só quero limpar o meu nome. É. Ele saiu da cadeia em 2004.

E voltou ao Brasil. Que pena, ele não viu o Brasil ser penta. Não viu, não viu. Não viu, passou o tempo lá. E aí por aqui ele teve que se virar pra sobreviver. Ele vendeu a casa, carro, pegou o dinheiro emprestado com a família e foi plantar legume em Atibaia. Que em alguma hora também tinha que entrar aqui na história Atibaia. Depois da Elegéria, Ilhas Caimã, Suíça, só faltava Atibaia.

Eu tô achando que vinha um Paraná, mas dessa vez foi a Tibaia aí. Boa surpresa. Gostou, antirói, pegou um caminhão velho e passou a vender seus legumes nas feiras e nos supermercados, tentando se reerguer, mas não deu certo. Até porque ele entendia mesmo era de finanças, mas não tinha malandragem. Entendeu? Aquela coisa do feirante, na hora certa. Aí, ele acabou fazendo de tudo um pouco, né? Foi corretor.

vendedor de produto químico e até contador. O que é um absurdo de ironia ele ser contador. Sim. Eu discordo, porque o trabalho do contador é fazer o dinheiro da pessoa ficar aqui. Então ele falou, vou devotar a minha vida para que o dinheiro nunca mais vá para lugar nenhum. É verdade. Fique.

Não, e assim, nada deixa um ser humano mais ansioso, nada ataca a minha ansiedade mais brabo do que a mensagem do meu computador só falando me liga assim que puder. Realmente. Meu computador só fala assim, me liga assim que puder, em caps lock, e não responde mais. Encaps lock é foda. Não, em caps lock é foda. É, não é foda? Cara, ele me ataca, ele me engatilha assim pesadamente.

Ai, porra, só no Brasil mesmo, hein? Em 2014, quase duas décadas depois, a justiça brasileira finalmente condenou o Sacagute por gestão fraudulenta. A pena foi de seis anos. Para a maior fraude bancária já descoberta no Brasil, ele ficou apenas seis anos preso, né? Ele chegou a ser condenado em segunda instância em 2020.

mas ainda recorre em liberdade. Ninguém sabe por onde... Sakaguchi, onde é que ele está, né? E se é que ele ainda está entre nós. Cara, só tem um jeito de descobrir. É mandar uma mensagem pra ele falando que tem uma solução. Isso. Pra resolver isso. Ele vinha aqui pra Salvador, entendeu? Que vai ter... Caramba, meu irmão.

E aí, Vitor, o que você acha aí? Você acha que ele... Rapaz... Cara, será que ele ficou com a parte da grana e sumiu? Eu não acho, não. Eu acho que ele... O que será que aconteceu? Eu acho que ele tá... Ele só errou. Eu acho que ele só errou mesmo. Só deu mole. É, que história triste. E tentou... Meu Deus. Arrumar, tentou arrumar e não conseguiu arrumar. É. E é isso. É isso. Ele se embolou todo ali e acabou, velho. O cara se perdeu na cabeça dele mesmo.

inclusive eu compraria legumes sacadentes. Nessa época o pessoal não tava aí tomando os remedinhos certos, às vezes era isso. Você tomar um S-Talopran, um Clonazepam, sei lá, entendeu? O cara não tava tão acabando. É muito nervoso. Eu fiquei nervoso a cada nova maluquice que acontecia com ele, não tem condição. É realmente um anti-herói. Ele é... Ele tinha que ser preso, porque ele fez o negócio, mas...

Dá pena. Não sei, querido ouvinte. É isso que eu sinto. Olha, Pedro, que história maravilhosa, hein? Mais um caos aí da nossa temporada nova. Coisa linda de meu Deus. E eu espero em Deus que apareça alguém aqui dizendo que conhece o Sacagosto. Sempre que a gente posta episódio assim, aparece alguém e conhece alguém. Então se você tem informações, ou se você apenas acha o que aconteceu, escreve aqui embaixo pra gente saber. Porque eu acho que eu sou muito bonzinho.

Não sei. Talvez esteja depois que vai escutar de novo e quero saber do ouvinte também. Mande. Vem, então a gente volta daqui a 15 dias no Só do Brasil Extra. Que tá se bombando. Sim! E tá mesmo, já tá com pauta saindo pelo ladrão já aqui no próximo Só do Brasil Extra. Vai ser bom, viu? É, tá uma loucura. Lembrando que a gente tá quinzenal por enquanto porque estamos preparando um negócio maravilhoso para vocês e Me dá praouter.

Não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo. Mas apoia, né? Apoia, porque sem apoio a gente não... Não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo com qualidade. Mas dá pra fazer um monte de coisa mais ou menos. Então é isso que a gente tá fazendo agora. Valeu, gente. Um beijo aí e até daqui a 15 dias. Valeu!

O Só no Brasil é uma produção da Pipoca Sal, com roteiro de Pedro Spreger e comentários de Pedro Duarte e Vitor Camejo. A direção é do Afonso Capelaro. A coordenação de produção é da Isabela Coelho. A edição de som é da Ana Burgos. As músicas originais são do João Jabás e do Luiz Rodrigues. A checagem de fatos é da Thaís Mandarino.

Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra para trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990 para CNPJ. Fala até uma concessionária BYD e faça um test drive. Consulte condições em byd.com.br. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

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