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CURA — Você não está tentando superar. Você está se sabotando.

20 de agosto de 202630min
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Participantes neste episódio1
R

renandaniel

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Assuntos5
  • Superação de Término· SociedadeAutossabotagem na cura·Remoer vs. Elaborar·A importância do tempo
  • A Armadilha da Ação· SociedadeConfundir agir com curar·A busca por controle·Reabrir a ferida com ações
  • O Processo de Cura· SaudeTendência atualizante·A cura como processo natural·A metáfora da ferida
  • Luto e Perda· SociedadeO luto como processo·A terra em repouso·Cicatriz como marca
  • O Paradoxo da Mudança· SociedadeAceitação vs. Luta·O papel do repouso·Confiar no tempo
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
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São 2 da manhã e o dedo da Camila já está pairando sobre a tela. Ela sabe que não devia e ela prometeu para si mesma que não ia mais fazer isso, mas ali está ela, no escuro, no quarto, a poucos centímetros de abrir o perfil dele novamente, ver se ele postou algo, ver se ele parece feliz, ver se ele parece que sente falta dela e ela vai abrir, porque ela sempre abre. Deixa eu te apresentar a Camila. A Camila tem 31 anos e faz 2 meses o relacionamento dela acabou.

Uma relação longa, de verdade, com planos, com escova de dente no banheiro um do outro. E aí Acabou. E desde então, a Camila está fazendo uma coisa que ela chama de tentar superar. Ela lê tutorial de como esquecer alguém, ela relê as últimas conversas procurando o momento exato em que tudo desandou, e ela ensaia o que diria em uma última conversa. Ela olha o perfil dele, 5, 10, 15 vezes por dia e ela conta os dias. Já faz 2 meses, eu já deveria estar melhor.

E ela não está melhor, ela está pior e não entende exatamente o porquê. Porque na cabeça dela, ela está fazendo tudo certo. Ela está trabalhando nisso, ela está se esforçando para superar. Ninguém pode dizer que a Camila não está tentando. O problema, e ela ainda não sabe disso, é que tentar é exatamente o que está mantendo a ferida aberta. Deixa eu te dar uma imagem simples antes da gente continuar. Pensa num corte no seu braço, um corte de verdade, mas que vai sarar.

Se você deixar ele em paz, coberto, quieto, em uma semana ele fechou. Agora imagina que várias vezes por dia você retira o curativo e passa uma unha na ferida, só pra ver como está, só pra conferir se já sarou. Quanto tempo esse corte vai levar pra fechar? Provavelmente mais do que se você não ficasse fazendo isso. E não porque o corte necessariamente é grave, mas porque você não deixa ele em paz tempo suficiente para ele fazer o trabalho dele.

A Camila está passando a unha na ferida 15 vezes por dia e se perguntando por que não sara. Eu queria começar por aí hoje, porque tem uma frase que que eu acho de verdade uma das mais sábias que existem. E talvez você já tinha ouvido ou dito isso para si mesmo, ou sei lá, às vezes visto alguma parte dela num adesivo: a cura circula no meu corpo e na minha mente, eu colaboro com ela, descanso, cuido e confio. Esse descanso, cuido e confio é bem famoso, né?

E eu, particularmente, eu acredito nessa frase. E olha, né, o verbo que ela escolhe pra descrever o nosso papel: eu colaboro. Colaboro. Não diz eu faço a cura. Não diz eu forço a cura. Diz que a cura já está acontecendo, inclusive na Camila agora. E que o trabalho dela é colaborar, descansar, cuidar e confiar. 3 coisas que, repara, são o oposto exato de passar a unha na ferida 15 vezes por dia. E é justamente por essa frase ser tão certeira que eu quero olhar pra ela de perto hoje.

Porque a Camila também conhece frases assim. Mas mesmo assim, ela não descansa, não confia e reabre a própria ferida todo santo dia achando que está de alguma forma cuidando dela mesma. E olha, eu falei da Camila e de término, mas talvez a sua ferida tenha um outro nome. Talvez seja um luto por alguém que não está mais. Aqui uma decepção grande, uma amizade que acabou, um sonho que não deu certo e você não escolheu que acabasse.

Aquelas perdas em que você fez tudo que dava para fazer, já conversou, já chorou, já entendeu, já fechou as portas que dava para fechar, mas mesmo assim ainda dói porque chegou naquele ponto em que não sobrou mais nada pra fazer. Só falta uma coisa, e é a coisa mais difícil pra gente. Falta deixar o tempo agir. Então segura isso comigo, porque isso é o coração de hoje. Existem feridas que nenhuma ação cura, só o tempo vai curar.

E a nossa única tarefa E talvez uma das mais difíceis é deixar esse tema repousar um pouco. Por enquanto, fica só com essa imagem, tá? Uma mulher, às 2 da manhã, o dedo sobre a tela, prestes a arrancar mais uma vez o curativo da ferida que só precisava de uma coisa pra fechar. Ser deixado em paz. Porque tem uma coisa que ninguém contou para Camila, e talvez ninguém tenha contado para você também, e eu vou te explicar isso agora.

Mas vamos com calma, porque essa parte ela importa, importa muito. A primeira coisa que eu preciso te dizer, e que é a base de tudo, é: a sua mente sabe elaborar uma perda sozinha, do mesmo jeito que o corpo sabe fechar um corte sem você mandar. Existe dentro da gente um processo, né, a gente chama de luto, que pega uma perda enorme e aos poucos, com o tempo, vai digerindo ela, vai transformando essa dor aguda que tira o nosso chão em uma saudade que dá para carregar.

Você não precisa saber como se faz isso, do mesmo jeito que você nunca precisou saber como se cicatrizar, mas a parte de dentro sabe. O Rogers, né, que é o pai da ACP, abordagem centrada na pessoa, da psicologia, tinha um nome para essa força de vida que empurra a gente na direção da cura. Ele chamava de tendência atualizante. A ideia de que todo organismo vivo tem uma direção natural: crescer, se equilibrar, se curar. Uma semente, ela não precisa de uma aula para virar uma árvore.

Um coração partido, por mais que não pareça ali no auge da dor, também tem essa direção acontecendo dentro dele. A cura circula. Isso não é poesia, é como a gente foi feito. Então, onde está o problema da Camila? Se o luto, né, acontece sozinho, o que ela está fazendo de errado? E aqui é importante dizer que ela está confundindo duas coisas completamente diferentes. Elaborar e remoer. Elaborar é um processo natural, silencioso, que acontece quando você deixa a dor existir e o tempo passar.

Remoer é o oposto, é pegar a perda e ficar girando ao redor dela, revisitando, reabrindo e mantendo ela viva e fresca. E a Camila acha que ela está elaborando, mas o que ela faz todos os dias— checar o perfil, reler as conversas, ensaiar a última fala— não é elaborar, é remoer. É segurar a mão do processo e literalmente não deixar ele andar. E esse aqui é o primeiro insight que eu queria te dar hoje. Talvez você precise parar um segundo depois dele, tá?

Você não está demorando para superar porque tem algo errado com você. Você está reabrindo a ferida toda vez que age sobre ela, cada vez que a Camila abre o perfil dele, ela reencontra ele, e o cérebro dela, que estava começando a se acostumar com aquela ausência, leva um choque de presença de novo. É como se o luto voltasse pro dia 1. Ela não está avançando devagar, ela está andando e voltando para o começo, andando e voltando.

Todos os dias. Por isso parece que não passa, porque ela não deixa passar. E aqui eu preciso parar e falar uma coisa com a Camila e com você, se você se reconheceu nessa situação: não tem nada de errado com você por ainda doer. E aqui eu falo sério. Porque a gente vive num mundo apressado, que trata o luto como se fosse atraso. Ah, já foi 2 meses, supera. Ele não te merecia, vira a página. Como se existisse um prazo e passar dele fosse uma forma de fracasso, de perda de tempo.

E aí, além da dor da perda, você ganha um bônus cruel. A vergonha de ainda estar sentindo. Você se cobra por não ter superado no prazo que alguém inventou, mas primeiro, luto não tem prazo de tabela, e uma perda de verdade merece um tempo de verdade. Ainda doer não é fraqueza. É a medida de que aquilo realmente importou. E você soma isso com a vergonha de demonstrar que isso importou. E como a gente vai ver agora, o problema não é a dor.

O problema é o que a Camila faz com ela. Porque cada coisa que ela faz para parar de sofrer É sem ela perceber o que faz o sofrimento durar mais. E é sobre isso que a gente precisa falar agora. Mas presta atenção nessa parte, tá? Porque é aqui que quase todo mundo entende a superação de um jeito errado. A Gestalt diz que a gente é feito de partes. E dentro da Camila nesse momento existem duas partes puxando pra lados opostos. Tem uma parte que quer sarar, que está cansada de doer, que só queria acordar um dia leve e tranquila.

E tem outra parte mais barulhenta, mais aflita, que não consegue largar, que diz: eu preciso entender o que aconteceu, eu preciso de um fechamento, eu preciso saber se ele está sofrendo também. Eu não posso simplesmente deixar isso para trás. Essa parte, ela é urgente, ela é convicta e ela acredita de verdade que está ajudando. E a Camila obedece ela sempre. Então deixa eu te fazer uma pergunta, né, que ela nunca fez. E aqui vai revelar muita coisa.

Do que essa parte aflita está tentando protegê-la? Porque as partes da gente, mesmo as mais cansativas, as mais exaustivas, quase sempre estão cuidando de alguma coisa. E essa parte que não larga o término na Camila está protegendo ela de um sentimento muito específico. E muito difícil. A impotência de não ter nada pra fazer. Pensa comigo, a dor de um término, ela já é ruim, mas tem uma coisa ainda mais insuportável embaixo dela: a de que não existe um botão, não tem uma ação que resolva, não tem o que fazer, A não ser se esperar e doer.

E pra gente isso é quase impossível de aceitar. A gente é criado pra resolver problemas com ações. Então a mente da Camila, diante da dor que é que ação nenhuma resolve, faz o que ela sabe fazer. Ela inventa ações. Perceba, checar o perfil vira uma tarefa, analisar o que deu errado vira um projeto, buscar um fechamento vira uma missão. Tudo isso dá para ela a sensação dela estar fazendo alguma coisa, de estar no controle, de estar progredindo.

Eu tô agindo, logo eu tô progredindo. E essa sensação é um cobertor que ela joga em cima da verdade mais nua e crua, a de que ela não controla o tempo da própria cura. E aqui vem a parte mais dura, porque essa estratégia toda ela tem um custo que a Camila paga sem perceber. Cada ação que ela faz para superar mais rápido é exatamente o que mantém ela presa. Ela checa o perfil dele, E a cada visita é o dedo levantando o curativo, reencontrando a presença que ela precisava esquecer, dar um tempo.

Ela relê as conversas e a cada releitura é uma renovação do contrato, ensinando o cérebro que aquilo ainda é algo presente, ainda é urgente, ainda é agora, ainda precisa ser resolvido. Ela busca um fechamento. E olha, essa talvez seja a mais traiçoeira, porque parece maturidade. Mas na maioria das vezes, buscar uma última conversa, uma última explicação, é só um jeito disfarçado de manter uma comunicação aberta, de não desligar.

O fechamento que a gente tanto procura lá fora, no outro, quase nunca vem de fora. Ele vem de dentro, com o tempo. E a busca por ele muitas vezes é só uma forma de não deixar ir. E no topo de tudo isso, ela se cobra. Então já faz 2 meses, por que ainda dói? E essa talvez seja a mais cruel de todas, porque agora em cima da ferida ali original, a perda, ela abriu uma segunda ferida. A de se achar um fracasso por ainda estar em processo de cura.

A cobrança é uma pancada nova no mesmo lugar que ainda estava doendo. Deixa eu te mostrar como isso funciona na prática. Teve uma terça, semana passada, em que a Camila quase teve um bom dia. Ela riu de um áudio de uma amiga no almoço, se distraiu numa série à noite, E por horas ela foi ela novamente, sem aquele peso. O luto tinha andado um passo. E aí, na cama, meia-noite, o dedo foi sozinho pro perfil dele. Uma foto nova, ele sorrindo.

Em 3 segundos, o dia inteiro que tinha sido bom desabou. E ela estava de volta ao dia 1. Chorando como a primeira semana. Um passo à frente o dia todo. O mergulho pro começo em um toque de tela. É essa a conta que não fecha. Ela não está parada no luto. Ela está numa esteira, correndo pra frente e sendo puxada pra trás. Exausta e sem sair do lugar exatamente porque ela não para de agir. Você está vendo a armadilha? Checar reabre, reler renova, buscar fechamento mantém a linha aberta, se cobrar machuca.

Cada coisa que a Camila fez para fechar a ferida é uma mão que impede a ferida de fechar. Ela confunde agir com curar. E em um término, quase sempre a coisa mais difícil e mais poderosa que existe é não agir, é deixar repousar. Deixa eu te dizer de um jeito mais direto: você não está acelerando a sua recuperação, você tá reiniciando ela todos os dias. E é sobre parar, que é a coisa mais difícil e mais corajosa que você pode fazer, que eu quero falar agora, mas eu preciso que você chegue mais perto, baixa um pouco o volume do mundo.

Tem uma ideia e eu sempre vou muito devagar nela porque ela precisa ser assimilada com muito cuidado, porque ela é muito importante, e que é o que a psicologia entendeu sobre mudança. Ela vem da Gestalt, de um autor chamado Baser. É conhecida como Paradoxo da Mudança. E diz assim: a mudança acontece quando a gente para de forçar. Quando a gente aceita o que é, em vez de guerrear contra aquilo. Talvez, aliás, traz isso pra Camila.

A vida inteira ela resolveu as coisas agindo, se esforçando, indo atrás, e ela está tentando superar o término do mesmo jeito, com ação, com esforço, com estratégia. E o término é uma das poucas coisas da vida que não responde a isso. Ele não responde mais à ação, ele responde ao contrário. Ao repouso. O paradoxo aponta o propósito de tudo que a Camila tentou. Ele diz que ela vai sarar quando finalmente entender tudo ou resolver tudo.

Aliás, que ela não vai sarar quando finalmente entender tudo ou resolver tudo ou tiver o fechamento perfeito. Ela vai sarar quando parar de guerrear com o tempo da própria dor. Quando aceitar sem lutar que ela está de luto pela perda e que esse luto vai atravessar a vida dela devagar. E não, isso não se vence rápido. Deixa eu pausar isso, porque aí, só aí que aquela frase se cumpra inteira. Lembra dela? Vem comigo, ó: a cura circula no meu corpo e na minha mente.

Eu colaboro com ela. Descanso, cuido e confio. Olha como cada palavra vira um mapa exato para esse momento. Circula. A cura já está em movimento. O luto já está trabalhando, mesmo que ela não sinta. Colaboro. A Camila é assistente, não é a cirurgiã. Ela não faz a dor passar, ela dá as condições. E aí vem os 3 verbos, né? Descanso. Que é aqui Que aqui quer dizer, né, deixar a ferida repousar, parar de mexer, tirar a mão. É a coisa que a Camila menos fez e mais precisa.

Cuido. Ser gentil consigo. Não se machucar, não se remachucar. Não se cobrar prazo. Não se tratar como você trataria uma amiga de luto. E o terceiro e o mais difícil. Confio. Porque confiar é o que a Camila não consegue. E confiar aqui não é cruzar os braços e simplesmente desistir. Não é fingir que não dói. Confiar é o ato mais corajoso que existe em um término, porque é entregar a cura pro tempo, que é o único que sabe fazê-la.

É dizer, mesmo sem sentir, né, ainda, Eu não vou apressar isso. Eu vou deixar doer o tempo que precisa doer. E eu confio que um dia, sem força, essa dor aguda vai virar uma saudade mansa. E depois só uma lembrança. Talvez até uma lembrança carinhosa. Porque é isso que o tempo faz. Se a gente deixar. Ele não apaga. Mas ele assenta. Pense numa cicatriz antiga. Ela não dói mais, mas ela continua ali. Ela não apagou o que aconteceu.

Ela virou parte da sua pele, da sua história. Uma marca que você carrega, mas sem sofrer. É isso que o tempo faz com uma perda. Quando a gente deixa. Ele não te faz esquecer quem você amou, mas ele transforma aquela ferida aberta que sangra a cada toque em uma cicatriz que você carrega em paz. E ninguém nunca conseguiu apressar uma cicatriz. E quando a Camila faz isso, né, quando ela finalmente larga o telefone e para de reabrir e deixa a ferida em paz, o tempo começa a fazer, enfim, o trabalho que só ele faz.

Não porque ela se esforçou mais, mas porque ela parou de atrapalhar. E é o paradoxo inteiro numa frase, né? Ela supera mais rápido no dia em que ela para de tentar superar rápido. Fica aqui comigo mais um segundo no silêncio depois disso, porque eu não quero que esse deixar repousar vire uma tarefa que você precisa executar com capricho. Percebe que aí seria uma tentativa de controle novamente, só com um nome mais bonito? Não é uma técnica, é só um jeito diferente de estar com a sua própria dor.

E às vezes, muitas vezes, entender isso é sim o começo de tudo. Deixa eu te contar uma outra coisa e depois disso eu prometo que eu te deixo em paz, tá? Volta comigo lá pra tendência atualizante, a ideia do Rogers, porque é onde tudo isso mora. Ele dizia que a vida em qualquer organismo se move sozinha em direção à cura, dadas as condições. Dadas as condições. Repara nessa parte: a semente, ela não fabrica o próprio crescimento.

Ela recebe terra, água, tempo, e cresce. E tem uma imagem que eu queria deixar: um campo depois da colheita. A terra, ela fica ali parada, aparentemente vazia, sem produzir nada. Quem não entende de terra olha e acha que é desperdício, que deveria estar plantando já, aproveitando. Mas quem entende sabe aquele descanso da terra não é preguiça nem perda de tempo, é o que faz ela voltar a ser fértil. O repouso não é ausência de vida, é onde a vida se refaz.

O seu tempo de luto é esse tempo do campo em repouso, os dias em que parece que você não está evoluindo, em que você está só existindo, sentindo e deixando o tempo passar. Esses dias não são um tempo perdido, eles são repouso fértil onde a cura está acontecendo embaixo da terra, de uma forma que você não vê, do mesmo jeito que você nunca viu o corte fechar e ele fechou. E é por isso que eu não vou te dar um passo a passo, tá? E eu sei que você provavelmente esperasse, certo, Renan?

Então me dê 5 passos para superar um término. E olha, existe uma coisa que ajuda, e cuidar é cuidar bem de si. Isso faz parte, né? É, mas se eu te entregasse uma lista com ações para executar, eu te devolveria para o mesmo lugar, percebe? Agindo, forçando, mexendo na ferida. E a cura nessa situação mora justamente no contrário. Ela já sabe o caminho. Ela já está circulando em você e isso talvez te traga paz. Que talvez tivesse uma percepção de que você não fazer nada fosse... você estivesse parado.

Mas eu acho que a essa altura do episódio você já percebeu que não. E ela já tá correndo em você agora, enquanto você me escuta. O que eu tentei fazer esse tempo todo Fui tirar uma pedra do caminho só. Então não vou te dar técnicas, eu só vou tirar essa pedra do caminho, a pedra do eu preciso fazer alguma coisa para parar de doer. Então eu não vou fechar com uma resposta, eu vou fechar com uma pergunta, e é uma pergunta para você levar para sua própria questão.

Pra sua própria madrugada, pro seu próprio dedo ali pairando sobre a tela do Instagram. E se o que falta pra você sarar não for mais uma ação, mas sim uma tentativa de... de... Aceitar, de aguardar. Primeiro aceitar a situação, viver o luto e aguardar. Ser exatamente esse contrário, deixar em paz, tirar a mão da ferida e dar um tempo para o tempo fazer o que somente ele sabe fazer. Pensa nisso. Muitíssimo obrigado e até o próximo episódio.

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