MENTE LIMPA — Você não tem o pensamento. Ele tem você.
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- Pensamentos intrusivos· SociedadeMecanismos de fixação de pensamentos·Diferença entre ter e ser o pensamento·Ruminação como armadilha
- Gestão de Pensamentos Negativos· SociedadeParadoxo da mudança·Aceitação vs. Luta·Perceber o pensamento
- Mente como Passagem· SociedadeTendência atualizante·Evitar a represa mental·Não alimentar pensamentos
Lembra do último pensamento ruim que passou pela sua cabeça hoje. Não precisa ser nada grave. Pode ser um, será que eu falei besteira? Um, eu acho que ela ficou chateada comigo. Um, eu deveria estar mais adiantado na vida. Qualquer pensamento desses. Agora, repara numa coisa comigo. Alguns desses pensamentos, ele passa e você nem lembra depois de 5 minutos. E outros mudam pra dentro de você. Literalmente fazem as malas e escolhem o melhor quarto e passam o dia inteiro criando uma moradia na sua cabeça.
Por que uns passam e outros ficam? Deixa eu te apresentar a Marina. A Marina tem 33 anos. E agora é 11 da noite e ela está deitada, de olho aberto. Hospedando um pensamento, um só. Basicamente, ele chegou de manhã, foi um negócio pequeno, a chefe dela respondeu uma mensagem de um jeito um pouco mais áspero, mais seco, sem o obrigada de sempre, só um ok. Foi isso, um ok. E desse ok nasceu um pensamento: ela ficou brava comigo. Eu fiz alguma coisa de errado.
E esse pensamento, esse hóspede, ele não foi mais embora. A Marina passou o dia inteiro com ele. No almoço, ele estava lá. Na reunião, ele cochichava no ouvido dela. À tarde, ela releu a mensagem umas 10 vezes procurando algum tipo de pista. E agora, de noite, deitada, Ele já não é mais só aquele ok da chefe. Ele tinha crescido, tinha se ramificado. E agora era um: será que eu vou perder meu emprego? Será que eu sou ruim no que eu faço?
Será que todo mundo percebe e ninguém me fala? Um ok de manhã virou uma crise existencial à meia-noite. E olha que curioso. A chefe da Marina, a essa hora, está dormindo, tranquila. Ela mandou aquele OK no meio de 20 tarefas e sequer lembra que mandou. O pensamento que tomou conta da noite da Marina não existe pra mais ninguém no mundo. Ele mora com endereço fixo só na cabeça dela. E eu queria começar por aí hoje. Por esse hóspede que ninguém convidou.
E que simplesmente não vai embora. Porque tem uma frase que eu acho de verdade uma das mais sábias assim que existem, e talvez você já tenha ouvido ela ou algo parecido, ou até repetido pra si mesmo: pensamento negativo não faz uma morada em mim, ele chega, eu percebo e ele passa. Reconheceu essa frase? Eu particularmente, eu acredito nessa frase. Mais que isso, eu acho que ela descreve com precisão, e uma precisão impressionante, exatamente como funciona uma mente saudável: chega, percebe, passa.
É isso mesmo. E é justamente por ela ser tão certeira que eu quero olhar para ela de perto, porque a Marina também conhece essa frase e ela já repetiu essa frase, mas mesmo assim o pensamento fez morada, montou casa e pendurou um quadro na parede. Mas então por quê? Se essa frase está certa, e ela está, por que que é tão difícil viver ela? E é aqui que eu quero que você Venha comigo, a gente vai chegar nela, mas não agora. A frase, ela tem 3 movimentos: ele chega, eu percebo e ele passa.
E eu suspeito que a maioria da gente faz 3 movimentos também, só que outros: ele chega, eu agarro e ele fica. A diferença entre uma mente que se limpa e uma mente que, sei lá, entope, está escondida, né, no segundo movimento, no final das contas. Naquilo que acontece nos 3 segundos depois do pensamento chegar. Por enquanto, fica só com uma imagem: uma mulher deitada às 11 da noite servindo café pra um hóspede que ela não convidou, deixando ele redecorar a casa inteira, enquanto a pessoa que supostamente causou tudo dorme tranquila sem saber de nada.
Porque tem uma coisa que ninguém contou pra Marina, e talvez ninguém tenha contado pra você também: aquele pensamento não fez morada porque ele é forte, ele fez morada porque a Marina, sem perceber, Entregou uma chave pra ele. E o jeito de não entregar essa chave não é o que ela vem tentando fazer há anos. E na verdade é quase o contrário. Mas deixa eu te explicar. Então vamos com muita calma porque essa parte aqui importa e importa muito.
A primeira coisa que eu preciso te dizer vai contra tudo o que a gente costuma achar. A sua mente produz pensamentos ruins o tempo todo. Não porque tem algo errado com você, porque é o que a mente faz. Ela é uma máquina de produzir pensamentos o dia inteiro sem parar. E boa parte do que ela produz é rascunho, é ruído, é spam. Uma cabeça humana comum tem milhares de pensamentos por dia e um monte deles é negativo. Podem ser negativos, catastróficos, sem pé nem cabeça, e isso é normal.
Isso é uma mente funcionando, não é uma mente quebrada. Então pensa na sua mente como uma caixa de entrada, literalmente, de emails, que nunca para de receber emails. O dia inteiro cai coisa ali: lembrete útil, ideia boa, e também um monte de spam. E se der tudo errado? Você falou besteira. Todo mundo é melhor que você. Isso é spam mental. Chega pra todo mundo, o tempo todo. E ninguém acha que tem algo errado com o email por receber spam.
O problema nunca é o spam chegar. O problema é quando a gente abre a mensagem de spam, responde, encaminha pra si mesmo ou arquiva em uma pasta especial. A Marina não tem uma mente que produz mais pensamentos ruins do que as outras pessoas. Ela tem uma mente que abre cada um deles. Então eu queria aqui já tirar uma coisa da frente, tá? Ter pensamento negativo não é defeito de caráter, não é falta de positividade, não é você atraindo coisa ruim, uma coisa espiritual.
É só sua mente fazendo o toda mente faz. Se é assim, onde está a diferença, né? Porque o mesmo tipo de pensamento passa por uma pessoa e só passa e faz uma morada em outra, né? A diferença está numa coisa que a Gestalt e a psicologia trazem muito bem: existe uma distância enorme entre ter um pensamento e ser o pensamento, entre observar uma coisa passar pela sua mente ou virar aquela coisa. Quando o ok da chefe chegou, a Marina não pensou: olha, um pensamento de que ela está brava comigo passando pela minha cabeça.
Não, a Marina virou o pensamento. Ela não teve a ideia de que a chefe estava brava, ela passou literalmente a habitar um mundo em que a chefe estava brava, e aquilo virou um fato, virou realidade, virou o chão em que ela pisou o dia todo. O pensamento deixou de ser somente um pensamento e virou a verdade sobre a vida dela. A Gestalt Falaria em figura e fundo. Em um instante, aquele pensamento virou a figura, a coisa em foco mesmo, e engoliu o campo inteiro.
Não sobrou espaço pra mais nada. Perceba que todo o resto da vida da Marina, as coisas boas do dia, as pessoas que gostam dela, o trabalho que ela fez bem, tudo isso virou um fundo. Desbotado atrás daquele único pensamento gigante que tomou conta. E esse aqui é o primeiro clique, insight, que eu queria te dar hoje, tá? Talvez você precise parar um segundo depois dele. O pensamento negativo não é o problema. O que você faz com ele nos 3 segundos seguintes é.
O pensamento, ele chega pra todo mundo, tá? O ok seco gera aquela fisgada em qualquer um. A diferença entre a Marina e a pessoa pra quem aquilo passou batido e não está no pensamento está no que cada um, cada uma fez no instante seguinte. Uma percebeu: ah, isso é uma fisgada, é um pensamento, e seguiu a vida. A outra se agarrou. E aqui eu preciso parar e falar uma coisa pra Marina. E com você, se você se reconheceu nesse exemplo.
Não tem nada de errado com você por agarrar esse tipo de pensamento. E eu falo sério, tá? Porque a gente ouve muito, né? Ah, é só não dar bola, não pensa nisso. Como se fosse a coisa mais fácil do mundo. E a gente sabe que não é. A gente agarra os pensamentos por um motivo. A gente aprendeu que pensar muito em uma coisa, de certa forma, é um caminho pra resolver ela. De se proteger dela. De estar no controle. Agarrar parece responsabilidade.
Parece cuidado. Ninguém agarra um pensamento ruim por bobagem. A gente agarra porque lá no fundo acredita que segurar aquilo firme é mais seguro do que só soltar. E é exatamente aí que mora a armadilha. Por essa— porque essa crença, a de que segurar o pensamento é cuidar de si, é justamente o que entrega a chave pra ele. E é sobre isso que a gente vai falar agora. E aqui eu preciso que você preste muita atenção nessa parte, porque essa é uma parte que muita gente entende errado sobre ter essa mente limpa.
A Gestalt diz que a gente é feito de partes, e dentro da Marina, com aquele pensamento, tem duas partes puxando para lados opostos. Tem uma parte que quer paz, que só queria deitar, desligar a cabeça e dormir. E tem outra parte que não larga o osso, que diz: não dá pra ignorar isso, e se for verdade? E se ela estiver brava? A gente precisa resolver isso agora, de alguma forma. Essa parte, ela é convicta, é insistente, e ela realmente acredita que está ajudando.
E a Marina obedece essa parte. Ela fica com o pensamento, mastiga esse pensamento e tenta resolver. E aqui está a coisa talvez mais importante desse episódio de hoje, então segura aqui comigo. Todas as formas que a Marina usa pra se livrar do pensamento são na verdade formas de mantê-lo. E aqui, deixa eu te mostrar uma por uma. A primeira coisa que ela faz é discutir com o pensamento. Não, imagina, ela não deve estar brava, ela só estava ocupada.
Parece que ela está se acalmando. Mas repara, pra discutir com o pensamento, ele precisa se manter na sala. Ele senta na mesa de negociação e quem senta pra negociar com o hóspede está nesse exato momento hospedando ele. A discussão, ela não expulsa o pensamento, ela conversa com ele a noite toda. Então tá rolando ali uma conversa, literalmente. A segunda coisa que ela faz é tentar provar que o pensamento é falso. Então ela relê a mensagem 10 vezes procurando uma evidência de que está tudo bem, mas cada releitura é uma renovação do contrato de aluguel.
Quanto mais ela fica ali investigando, mais real o assunto fica. Você não dedica 2 horas de investigação a uma coisa que não importa. Ao investigar, isso é muito curioso, ela ensina o próprio cérebro que aquilo é importante, aquilo tá ganhando uma dedicação, é uma ameaça, merece atenção. E o cérebro obedece, fica mais alerta ainda. É como uma pessoa que ouve um barulho, sei lá, em casa de madrugada, e pra se acalmar levanta e vasculha cada cômodo, abre o armário, olha embaixo de cada cama.
Ela acha que está buscando segurança, mas o corpo dela aprende o contrário. Aprende que aquele barulho merecia uma operação de busca inteira. Então, da próxima vez que... da próxima vez, né, que ele disparar, o alarme vai ser ligado ainda mais rápido. A Marina relendo a mensagem 10 vezes é isso. Cada releitura é uma ronda ali pela casa no escuro. E você vai convencendo o seu cérebro de que ali existe sim um potencial perigo que precisa de ser vigiado e que precisa de dedicação.
E a terceira coisa, a mais interessante, é quando ela tenta empurrar o pensamento para fora. Então, o famoso: chega, vou parar de pensar nisso. E aqui tem uma coisa que a psicologia adora demonstrar. Faz um teste comigo aqui agora, tá? Durante os próximos 10 segundos, não pensa em um urso branco. Não pensa em um urso branco de jeito nenhum. E aí, o urso branco já apareceu? Ele sempre aparece, porque para você checar se ele é— se você não está pensando no urso, você precisa pensar no urso.
O ato de empurrar um pensamento É um jeito de segurar ele. Existe até um nome pra isso e uma frase que resume, tá? O que você resiste persiste. Toda energia que a Marina gasta tentando não pensar naquilo é energia mantendo aquilo vivo e justamente aceso ali no centro da sala da mente dela. Você está vendo a armadilha? Discutir mantém. Investigar mantém. Empurrar mantém. Os 3 caminhos que a Marina, né, conhece pra limpar a mente são, cada um deles, um jeito de deixar o hóspede ainda mais confortável, mais necessário e presente.
Ela está tentando esvaziar a casa gritando pro hóspede o quanto ela quer ele fora. E o hóspede se sente a cada grito mais no centro das atenções. E por que ela faz tudo isso? Por que ela simplesmente não deixa passar, né? Porque deixar passar, pensa comigo, parece perigoso. A parte insistente dela sussurra: Se você largar esse pensamento é porque não se importa, e aí algo de ruim acontece. Segurar o pensamento vira uma forma de sentir que está fazendo algo a respeito, de que está no controle e que está de alguma forma se protegendo.
Só que é um controle de mentira. E eu acho que a essa altura você— eu nem preciso repetir isso, né? A ruminação Ela vai se disfarçando de solução. Ela veste a roupa do eu estou pensando pra resolver, mas não resolve nada. Ela só grita. É uma roda de hámster que a Marina confunde com estrada, com caminho. Então, deixa eu te dizer de um jeito mais direto, tá? Você não está segurando o pensamento porque ele é importante. Ele parece importante porque você está segurando.
E é sobre como soltar, né, que provavelmente não é como você imagina, que eu quero falar agora. Mas aqui eu preciso que você chegue um pouco mais perto. Baixa o volume do mundo um pouco. E vem comigo, tem uma ideia e eu vou devagar porque ela é detalhada, ela é preciosa, que talvez seja uma das coisas mais importantes que a psicologia entendeu sobre mudar o que acontece dentro da gente. Ela vem da Gestalt, de um autor chamado Batesé Fé, e é conhecida como o paradoxo da mudança.
Diz assim, ó: a mudança acontece quando a gente para de forçar, quando a gente aceita o que está ali em vez de guerrear com aquilo. Parece simples, né? Mas a gente sabe que é muito difícil no dia a dia. Traz isso para Marina. A vida inteira ela tentou ter uma mente limpa lutando, empurrando o pensamento, discutindo com o pensamento, caçando o pensamento para expulsar. Fazendo força. E quanto mais força ela faz, mais atordoada fica a cabeça dela.
Porque, como a gente viu, a força é o próprio alimento do pensamento. O paradoxo aponta para o contrário de tudo que ela tentou. Ele diz que a mente não se limpa quando a Marina vence o pensamento. Ela se limpa quando a Marina Para de brigar com o que ele é. Deixa eu aterrissar isso aqui. Porque é aí, só aí, que aquela frase do começo vai se cumprir inteira. Você lembra dela a essa altura? Ele chega, eu percebo e ele passa. Repara na palavra do meio: percebo.
Não diz eu discuto. Não diz eu expulso, não diz eu provo que ele é falso, diz eu percebo. E perceber é uma coisa muito específica, muito diferente de tudo que a Marina vinha fazendo. Perceber é dar meio passo pra trás e ver o pensamento como um pensamento, não como verdade. Não como um inimigo. É olhar pra ele do jeito que você olha pra uma nuvem passando ou como um carro na rua. Ah, olha, um pensamento de que a chefe está brava está passando por aqui.
Só isso. Sem entrar nele, sem brigar com ele. Só notando que ele está ali. E acontece uma coisa quase mágica assim, quando você faz isso de verdade, quando você consegue fazer isso de verdade. No instante em que você percebe o pensamento como um pensamento, você não está mais dentro dele, você está ao lado dele, e muitas vezes do lado de fora. Ele, e aí ele vai perdendo o poder, porque o poder de um pensamento vem da gente estar dentro dele, confundido com ele.
No segundo em que a Marina consegue dizer, isso é um pensamento, não é realidade, perceba que ela deixou de ser o pensamento e voltou a ser a pessoa que tem o pensamento. E a pessoa é sempre maior que o pensamento. É a diferença entre estar— e essa diferença aqui, ela é preciosa, porque eu acho que ela é exata, tá? É a diferença entre estar dentro de uma tempestade e olhar a tempestade pela janela. A chuva ali é a mesma, os dois veem o mesmo temporal, mas quem está dentro se molha, tropeça, entra em pânico procurando um abrigo.
Quem olha pela janela vê a mesma chuva e pensa: Que temporal forte, vai passar. Não é uma pessoa, não é que a pessoa na janela seja mais corajosa, é que ela tem uma parede, né, de vidro entre ela e a tempestade. E essa parede é só uma, tá? Perceber que aquilo é um pensamento e não é o mundo desabando. Meio passo pra trás, olhando meio passo pra trás, a coisa muda completamente. E atrás de uma janela, né? E aí ele passa sozinho, não porque você expulsou, mas porque— aliás, não porque a Marine expulsou, mas porque ela parou de dar o quarto e comida pra ele.
Um pensamento que ninguém alimenta é como uma onda: sobe, atinge o pico e desce. Todo pensamento, ele faz isso naturalmente, se a gente deixar. O que impede a onda de descer é a gente ficar segurando ele lá em cima. E agora sim, a frase faz sentido. E olha como ela é bonita: Pensamento negativo não faz morada em mim. Repara, não diz ele nunca chega, ele chega. A frase até admite isso, né? Ele chega. Mente limpa e mente tranquila nunca foi uma mente sem pensamento ruim.
Isso não existe. E nem, sendo bem sincero, seria saudável. Mente limpa é uma mente que virou um lugar de passagem e não de moradia. O pensamento entra por uma porta e sai por outra, e você só acena para ele no corredor, sabe? Ele não faz morada, não porque você expulsa na marra, mas porque você simplesmente não oferece mais um quarto. Então, nesse sentido, fica aqui comigo mais um segundo no silêncio, tá? Depois disso, porque eu quero que— eu não quero que isso de nenhuma forma vire mais uma tarefa, mais uma coisa que você precisa fazer certo.
Não é uma técnica, é só um jeito Diferente de você se relacionar com o que passa pela sua cabeça. E às vezes, muitas vezes, isso é sim um começo produtivo pra tudo, tá? Então deixa eu te falar uma última coisa e aí depois eu te deixo em paz, tá? Tem uma ideia do Carl Rogers, que é o pai da abordagem centrada na pessoa, que eu sempre falo que é uma das mais bonitas da psicologia. Ela diz que todo organismo vivo tem uma direção própria, um movimento natural em direção a se equilibrar, a se curar, a fluir.
Ele chamou isso de tendência atualizante. E a mente entra nisso. Uma mente saudável, deixada em paz, tende naturalmente a se acalmar, a se limpar sozinha. Do mesmo jeito que um rio corre e... e corre e se limpa sozinho quando ninguém o represa. Repara na palavra represa, porque eu queria trazer isso aqui, esse exemplo. Eu gosto muito de exemplos, né? A água do rio, ela não fica turva porque o rio é ruim. Normalmente ela fica turva quando alguém constrói uma barragem.
E a água para, empoça, acumula. E a barragem, no caso da Marina, é o agarrar, é o segurar o pensamento, discutir com ele, empurrar ele. Cada uma dessas coisas é uma pedra na represa. Quando ela para de construir uma barragem, quando ela apenas percebe e deixa a água correr, o rio faz o que o rio sabe fazer desde sempre, ele se limpa sozinho. Ele não precisa, ela aliás, não precisa limpar a sua mente, ela precisa parar de entupir ela.
E é por isso que eu não vou te dar um passo a passo. E eu sei, talvez você estivesse na expectativa, certo, Renan, então me dá um exercício, as 3 técnicas para parar para deixar o pensamento passar. E olha, existem práticas boas para isso e talvez até vale procurar, mas se eu te entregasse agora, nesse momento, um passo a passo, eu correria o risco de transformar o perceber em mais uma tarefa para você escutar e tentar executar com esforço.
E aí você estaria de novo fazendo força, construindo uma barragem sem querer construir uma, só que com um nome mais bonito: a técnica do Renan. A capacidade de deixar passar, ela, eu acredito que ela já está com você. E não só eu acredito, toda a abordagem humanista da psicologia acredita. A sua mente, ela já sabe fluir, e eu confio em você. O que eu tentei fazer esse tempo todo Foi só, como sempre, tirar uma pedra do caminho.
A pedra do eu preciso lutar contra os meus pensamentos. Acho que a essa altura você já percebeu que esse não é o melhor caminho. Então, eu vou fechar com uma resposta. Aliás, eu não vou fechar com uma resposta. Olha aqui, eu já quase me induzindo a fechar com uma resposta. Eu vou fechar, como sempre, com uma pergunta. E é uma pergunta pra você levar pra sua próxima ansiedade, pra aquele hóspede que não vai embora. E se uma mente limpa, uma mente tranquila, não for uma mente sem nenhum pensamento ruim?
E se for uma mente que virou passagem? E não moradia. Pensa nisso. Muitíssimo obrigado e até o próximo episódio.