Episódios de Podcast de Psicologia

PROTEÇÃO — Você não se sente protegido. Você está em alerta.

12 de agosto de 202630min
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#proteção #segurançaemocional #ansiedade #gestalt #autoconhecimento #podcastdepsicologia #renandaniel

Participantes neste episódio1
R

renandaniel

Host
Assuntos5
  • Hipervigilância e Cansaço· SociedadeHipervigilância·Cansaço emocional·Alerta constante
  • Aceitação do que não se pode controlar· SociedadeDiferença entre estar alerta e se sentir protegido·Escudo de vigilância
  • Origem da Vigilância· SociedadeAprendizado de defesa·Sobrevivência infantil·Guerra que acabou
  • A Couraça Corporal· SociedadeCorpo em armadura·Tensão muscular crônica
  • Tendencia Atualizante· SociedadeCapacidade inata de equilíbrio·Descanso natural
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Repara nos seus ombros por um segundo. Só isso. Onde eles estão agora? Tem uma boa chance deles estarem um tiquinho mais alto do que precisavam. Um pouco rígidos, talvez tensos, segurando alguma coisa que você nem sabe que está segurando. E se você deixar eles caírem? Experimenta, solta. Você sente o quanto estava carregando sem perceber? Guarda essa sensação, porque ela basicamente é o episódio de hoje. Deixa eu te apresentar o Caio.

O Caio tem 37 anos e agora é meia-noite e ele está deitado. O corpo dele está cansado, cansado de verdade, sabe aquele cansaço nos ossos? Mas os olhos estão abertos porque a cabeça do Caio não desligou. Ele está fazendo o que faz todas as noites: rodando cenários. E se amanhã a reunião der errado? E se aquele email for entendido do jeito errado? E se a pessoa não responder? E se, e se, e se? O Caio não está com medo de nada específico.

Ele está com medo de tudo um pouquinho o tempo todo. E não é só à noite. O Caio atravessa o dia inteiro assim: ele entra em uma sala e sem perceber já leu as saídas, já mediu o clima, já sacou quem pode ou não ser um problema. Ele tem um plano B pra tudo e um plano C pro plano B. Pra qualquer um de fora, o Caio parece um cara tranquilo, competente, estável, que tem tudo sob controle. Por dentro, ele é uma pessoa que nunca Nem por um segundo baixa a guarda.

E tem um problema: o Caio está exausto. Não do trabalho, não das pessoas. Ele está exausto de uma coisa que ninguém vê: de sempre estar pronto, sempre alerta, sempre com um dedo no gatilho esperando o perigo que ele tem certeza certeza que vai vir. Eu queria começar por aí hoje, por esse cansaço de quem nunca descansa essa guarda. Porque tem uma frase que eu acho uma das mais bonitas que existem, e talvez você já tenha ouvido ou dito para si mesmo, quem sabe até em alguma oração, que diz mais ou menos: Eu caminho protegido, um escudo me envolve em qualquer situação.

E eu acredito nessa frase. Ela aponta pra um lugar real, um lugar de estar no mundo que muda tudo. E é justamente por levar essa frase a sério que eu quero fazer uma pergunta. O Caio também queria caminhar protegido. Ele quer isso mais que tudo. Então, por que, apesar de todo o esforço dele, de toda a vigilância, de todos os planos, de toda a guarda, ele não se sente protegido nem por um segundo? Pelo contrário, quanto mais ele vigia, mais inseguro ele se sente.

Tem alguma coisa aí que não fecha. E é aqui que eu quero que você venha comigo. A gente vai chegar nas razões, mas não agora. Antes de tudo, eu quero falar sobre uma diferença, e ela parece pequena, mas muda tudo, entre estar alerta e se sentir protegido. São duas coisas diferentes. O Caio é a pessoa mais alerta que existe. Ele lê toda a sala, antecipa todo risco, tem um plano pra tudo e mesmo assim ele não se sente protegido.

Como é que pode? Como é que alguém tão alerta o tempo todo se sente tão exposto? A resposta pra isso é a chave do episódio de hoje. Por enquanto fica só com uma imagem, tá? Um cara deitado à meia-noite, O corpo implorando pra descansar e a guarda em pé, firme, montando uma vigília sobre um perigo que talvez nem venha. O escudo levantado, o braço já cansado de segurar o escudo e nenhum inimigo à vista. Porque tem uma coisa que ninguém contou pro Caio, e talvez ninguém tenha contado pra você também, tá?

O escudo que ele ergue com tanta força, todo dia, a vida inteira, esse escudo não está protegendo ele, está cansando ele. E o escudo de verdade, o que ele tanto procura, não é feito de vigilância, é feito de uma outra coisa, uma coisa que ele ainda não teve oportunidade de olhar. Deixa eu te explicar melhor o que eu quero dizer. Vamos com calma porque essa parte é extremamente importante. Tem um nome para o que o Caio faz, tá?

Se chama hipervigilância. É quando o sistema de alarme da gente, aquele que deveria ligar só diante de um perigo real, fica ligado o tempo todo. Ligado no aeroporto, na fila do mercado, no sofá na casa em um domingo tranquilo. O alarme não desliga. E viver com esse alarme sempre tocando é extremamente exaustivo, porque o corpo trata cada momento como se fosse uma ameaça. E tem uma coisa que acontece no corpo quando a gente vive assim por muito tempo.

A Gestalt e outras abordagens da psicologia que olham para o corpo falam de uma espécie de Couraça, couro mesmo. Os músculos, né, que vivem tensos, os ombros rígidos, a mandíbula travada, a barriga dura, elas vão virando uma armadura permanente. O corpo do Caio virou um tipo de escudo dele. Ele anda o dia inteiro dentro de uma armadura de músculos tensos. E já nem lembra como é andar sem ela. Então deixa eu te dizer com todas as letras o que está acontecendo: o Caio não se sente protegido, o Caio está em alerta.

E são duas coisas diferentes. Sentir-se protegido é um estado de descanso, é poder relaxar, porque no fundo você confia que dá conta. Estar alerta é o oposto, é não poder relaxar nunca, porque você acredita que qualquer segundo o perigo chega e que só a sua vigilância segura o mundo de desabar. Estar em guarda é cansativo justamente porque é, porque parte, né, de uma crença A de que o perigo está sempre vindo e que a responsabilidade de impedir é toda sua.

E às vezes você acha que ainda não vai dar conta. E esse é o primeiro clique, o primeiro insight que eu queria te dar hoje. Talvez você precise parar um segundo depois dele, tá? O seu cansaço não vem do perigo lá fora. Ele vem do escudo que você nunca abaixa. Não é o mundo que esgota o Caio, é o braço dele erguendo esse escudo dia e noite, sem descanso, contra-ataques que na maior parte do tempo nem acontecem. E é aqui que eu preciso parar e falar uma coisa sobre o Caio.

E com você também, se você se reconheceu. Não tem nada de errado em você ser assim, tá? Eu falo sério. Porque a gente ouve muito que isso é paranoia, que é frescura, que é só relaxar. Como se fosse uma escolha boba, né? Que a pessoa insiste em não fazer. E não é. Ninguém escolhe viver em guarda. Essa guarda, ela foi aprendida quase sempre cedo, quase sempre em um lugar onde um dia você precisou mesmo ficar atento, alerta, onde baixar a guarda foi realmente perigoso, onde o único jeito de se proteger era prever um perigo antes que ele chegasse.

Então, essa vigilância que hoje ela te esgota Um dia ela foi sim inteligente, foi sobrevivência. Ela te protegeu quando você era pequeno em um mundo grande demais ou quando você estava em uma situação de risco. O problema é que ela nunca recebeu o aviso de que a guerra acabou. Ela continua de plantão, protegendo um perigo que muitas vezes já até ficou pra trás. É uma armadilha antiga servindo pra uma batalha que não é mais de agora.

Deixa eu te mostrar como isso aparece num dia comum. O Caio manda uma mensagem pra alguém importante. A pessoa vê e não responde na hora. Pra qualquer um, é um nada. A pessoa está ocupada, responde depois. Pro Caio, não. Naqueles minutos de silêncio, a cabeça dele já construiu 3 teorias sobre o que ele fez de errado, já ensaiou uma retratação e já ajustou um plano da reunião de amanhã por causa de uma mensagem que ficou 10 minutos sem resposta.

Repara no tamanho do esforço. Uma quantidade enorme de energia gasta pra ficar em alerta contra uma ameaça que não existe. Isso o dia inteiro, em dezenas de situações. Não é à toa que ele chega em casa arrasado e destruído de cansaço, sem ter feito aparentemente nada demais. E é aqui que eu quero que a gente olhe de perto pra uma coisa. Porque a vigilância do Caio, além de cansativa, tem um problema que ele nunca encarou: ela não funciona.

Ela promete uma coisa que ela não pode entregar. E o porquê disso é o que a gente vai falar agora. Mas eu preciso que você preste atenção nessa parte, porque é aqui que que quase todo mundo entende a proteção de um jeito errado. A Gestalt diz que nós somos feitos de partes. E dentro do Caio tem duas partes puxando pra lados opostos o tempo todo. Tem uma parte que quer de fato descansar, que está exausta e que só queria poder chegar em casa, soltar os ombros, respirar fundo e confiar que está e que vai ficar tudo bem.

E tem outra parte mais barulhenta e mais insistente que diz: não pode, se você baixar a guarda, aí é que a coisa acontece. Você só está seguro porque você tá vigiando. Essa parte é convicta, ela acredita com todas as suas forças que a vigilância é a única coisa entre o Caio e um desastre completo. E o Caio obedece essa parte sempre, porque ela fala com a voz do medo, e o medo ele é extremamente convincente. Então deixa eu te falar, deixa eu fazer a pergunta, né?

Deixa eu, vamos fazer juntos aliás, a pergunta que o Caio nunca fez. Em vez de Como eu calo essa parte vigilante? Que é o que você deve estar pensando agora. E se a gente se perguntasse: do que essa parte está tentando me proteger? Do que ela tá tentando proteger o Caio? Porque as partes da gente, mesmo as mais cansativas e inconvenientes, quase sempre estão cuidando de alguma coisa. E essa parte da vigia sem parar no Caio está protegendo ele de um sentimento muito específico.

O sentimento mais difícil que existe para ele e que talvez para você e para mim: a impotência. Pensa comigo, enquanto Caio está vigiando planejando, controlando e prevendo, ele se sente no comando, ativo, fazendo alguma coisa. Enquanto ele está fazendo alguma coisa, ele não precisa sentir a verdade mais assustadora de todas: a de que ele não controla quase nada. A vigilância do Caio é um— dá para o Caio, na verdade, uma sensação de controle.

E essa sensação é o cobertor que ele joga, né, em cima de um medo mais profundo: o medo de ser pequeno diante de um mundo que ele não controla, com diversos fatores que podem impactar ele o tempo todo. E olha que ilusão perfeita que a vigilância monta: quando dá tudo certo, o Caio pensa, sem perceber: ainda bem que eu tava atento. A vigilância leva o crédito. E quando dá errado, apesar de todo o controle, ele pensa: eu deveria ter previsto mais.

A vigilância nunca é a culpada. A conclusão é sempre vigiar ainda mais. É um sistema que aconteça o que acontecer, sempre decide que precisa mais dela mesma. Por isso, Caio nunca consegue afrouxar essa guarda. A própria guarda o convenceu e o convence todo santo dia de que ela é a única coisa segurando o mundo em pé. Por isso, baixar a guarda tão aterrorizante para ele. Porque baixar a guarda não é só arriscar o perigo lá fora, é encarar aqui dentro o quanto ele sempre foi impotente diante da vida.

A vigilância protege o Caio menos do mundo e mais dessa verdade sobre o mundo. E aqui Vem a parte mais dura, porque essa estratégia toda, a muralha, a guarda, o escudo erguido, ela tem um custo que o Caio paga sem perceber. O escudo que protege também isola. Pensa em uma armadura de verdade, ela Para a flechada, sim. Mas ela também te deixa pesado, lento, fechado. Você não sente o sol na pele com a armadura. Não sente o abraço, não sente o vento.

A mesma couraça que impede a dor de entrar impede a vida de entrar junto. E o Caio, ali sempre alerta, ele vive assim, protegido de ser ferido, e por isso mesmo, né, e por esse mesmo meio, anestesiado a qualquer toque, a qualquer sensação da vida. Ele não está seguro dentro da armadura, ele está sozinho lá dentro. E está cansado dessa situação. O escudo dele virou uma jaula. E tem um golpe final que é o mais cruel de todos. Toda essa vigilância, todo esse esforço monstruoso para estar seguro, ele nunca entrega segurança, porque você não consegue prever tudo, você não consegue controlar tudo.

É impossível. Então a parte vigilante do Caio está numa missão que ele nunca poderá cumprir: garantir que nada dê errado. E como ela, né, nunca cumpre, ela nunca descansa. O Caio está numa esteira infinita correndo atrás de uma segurança que desse jeito, né, por definição Ele nunca vai alcançar. Ele passou a vida inteira tentando se sentir protegido, ficando cada vez mais alerta. E quanto mais alerta ele fica, menos protegido ele se sente.

Deixa eu te dizer de um jeito mais direto, tá? A proteção que você procura não está do lado de fora, na muralha. Ela nunca esteve. E é sobre onde ela realmente mora e sobre o que muda quando você descobre isso que eu quero falar agora. Eu preciso que você chegue mais perto, baixa um pouquinho o volume do mundo, tá? Tem uma ideia que eu sempre trago, e eu trago ela devagar porque ela é delicada, que talvez seja uma das coisas mais importantes que a psicologia entendeu sobre segurança.

E ela vem da Gestalt, de um autor chamado Baser, e é conhecida como paradoxo da mudança. Diz assim, ó: a gente muda quando para de forçar, quando aceita o que é em vez de guerrear contra isso. Traz isso pro Caio. A vida inteira ele tentou se sentir seguro de um jeito: guerreando contra a insegurança, tentando eliminar todo o risco, prever toda ameaça, controlar todo o cenário. E quanto mais ele guerreava contra a possibilidade de algo dar errado, mais aterrorizado ele ficava com essa possibilidade.

Porque lutar contra uma coisa é uma forma de dizer o tempo todo que ela é insuportável. E tem uma coisa quase cruel nisso: quanto mais o Caio se blinda, né, contra a possibilidade de sofrer, mais frágil ele fica por dentro, porque ele nunca descobre o quanto ele aguentaria. Sabe o que dá segurança de verdade em uma pessoa? Não é nunca ter caído, é ter caído e descoberto que se levanta. É a experiência no corpo mesmo de já ter atravessado coisas difíceis e continuado em pé.

Mas o Caio se protege tanto de cair que ele se rouba justamente da prova que o deixaria mais tranquilo, a prova de que ele dá conta. A armadura não só isola, ela impede a pessoa de juntar as evidências de que ela é mais forte do que ela pensava. O paradoxo aponta pro contrário de tudo que o Caio tentou. Ele diz que a segurança não chega quando o Caio finalmente consegue controlar o mundo. Isso nunca vai acontecer. Ela chega no dia em que o Caio parar de precisar controlar o mundo pra se sentir em paz.

E isso ele vai fazer com autoconhecimento sobre a sua própria capacidade. Deixa eu aterrissar isso de alguma forma. Não é ficar descuidado, tá? Não é fingir que o perigo não existe. É uma outra coisa. É o Caio mudar o chão em que ele apoia a própria segurança. Até aqui, A segurança dele estava apoiada em uma promessa impossível: nada de ruim vai acontecer porque eu vou impedir. E como essa promessa é impossível, ele nunca descansa.

O que muda tudo é trocar essa promessa por outra, uma verdadeira: é, eu não sei o que vai acontecer, mas seja o que for, Eu vou conseguir lidar porque eu tenho a mim mesmo e eu sei das minhas capacidades. Presta atenção na diferença, porque ela resume tudo. A primeira segurança depende do mundo se comportar. A segunda depende só de você confiar na sua própria capacidade de Resposta de adaptação. Uma é uma muralha lá fora que sempre pode ser furada.

A outra é um chão firme dentro de você que vai com você para qualquer lugar. E aí, só aí, aquela frase do começo, lembra? Se cumpre de uma forma completa. Lembra dela? Eu caminho protegido, um escudo me envolve em qualquer situação. Ela é exata. Repara na palavra: um escudo me envolve. Não é uma muralha na frente, segurando, separando você do mundo. É algo que anda com você, que te acompanha em qualquer situação. Em qualquer situação, a frase diz.

E o único escudo que faz isso, que envolve a pessoa e vai junto pra todo lugar, não é uma armadilha, uma armadura, aliás, de músculos tensos que fica pesada e cansa o braço. É o chão de dentro, é a confiança construída sobre si mesmo, construída aos poucos, de que você tem a si. Esse escudo não impede da vida te tocar, tá? Mas ele te sustenta enquanto a vida te toca. Essa é a diferença entre a jaula e um escudo de verdade. A jaula, ela te isola do mundo.

O escudo te dá a base pra ficar no mundo inteiro, sem se estilhaçar. E quando o Caio encontra esse chão, quando ele começa a confiar que dá conta, Aconteça o que acontecer, ele finalmente pode fazer a coisa que a vida inteira pareceu suicídio pra ele. Ele pode se desarmar, pode soltar os ombros, não porque o perigo acabou, mas porque ele não precisa mais segurar o mundo inteiro sozinho. O escudo agora envolve ele por dentro e ele pode enfim descansar dentro da própria pele.

Fica aqui comigo mais um segundo, tá? No silêncio depois disso, porque eu não quero que isso vire uma tarefa. Não é uma técnica de relaxamento, é só um jeito diferente de entender onde mora a sua proteção. E às vezes entender isso já é o começo de tudo. Deixa eu te contar uma última coisa e depois eu te deixo em paz para refletir sobre isso. Tem uma ideia do Carl Rogers, que é o pai da ACP, né, que eu acho uma das mais bonitas.

E ela diz, né, que todo organismo vivo tem uma direção própria. Um movimento natural em direção a crescer, a se equilibrar e a se proteger de um jeito sábio. Ele chamou isso de tendência atualizante. E repara, um animal na natureza, ele não vive em pânico o tempo todo. Ele fica alerta quando precisa e descansa quando pode. O corpo dele sabe subir a guarda diante do perigo e sabe abaixar quando o perigo passa. Ele sabe essas duas coisas.

O seu corpo também sabe. Isso é o que eu quero que você leve hoje, tá? A vigilância eterna do Caio não é a proteção natural dele funcionando. É a proteção natural dele presa no modo ligado, sabe? Sem perceber o aviso de já pode descansar. O escudo verdadeiro nunca precisou ser construído do zero com esforço. Ele já estava lá, sempre esteve embaixo da armadura o tempo todo. A capacidade do Caio de lidar com a vida Sempre existiu.

Ele só nunca teve a chance de confiar nela, porque estava ocupado e aprendeu que deveria ficar segurando o mundo e prevendo tudo que possa acontecer. E é por isso que eu não vou te dar um passo a passo, tá? E eu sei que você talvez esperasse. Certo, Renan, então me dá 3 técnicas para abaixar a guarda. E sim, eu poderia inventar, mas seria a gente trair tudo que a gente falou aqui, porque uma técnica é mais uma coisa para você controlar, você percebe?

E o seu descanso não vai vir de mais controle. A direção ela já está em você e eu confio em você. A capacidade de se sentir seguro e conseguir descansar já está em você. O que você vai precisar é encontrar. O que eu tentei fazer esse tempo todo foi só ajudar a tirar uma pedra do caminho, a pedra do Eu só estou seguro se eu vigiar tudo. Então eu não vou fechar com uma resposta, tá? Eu vou fechar com uma pergunta, e é uma pergunta para você levar para fora desse episódio, para noite você acordado pensando, para o seu próprio corpo cansado que não desliga.

E se o escudo que você segura não for esse muro que impede o mundo de te tocar? E se ele for o chão firme de conhecer as suas capacidades, de confiar, de autoconhecimento e de só acreditar que você vai ser capaz de se adaptar e interagir com os problemas que vão surgir? Eu quero que você pense nisso com muita calma. Pensa nisso, tá? Muitíssimo obrigado e até o próximo episódio.