Episódios de ESPAÇO DO TERROR

1 HORA DE TERROR - 7 RELATOS REAIS | EP.239

05 de maio de 202644min
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Assuntos7
  • O Enfeitiçamento de JúliaO relacionamento com Ronaldo · A suspeita de bruxaria · O câncer e a morte de Júlia
  • Pegadas Misteriosas na NeveA descoberta das pegadas · A janela destrancada · O invasor na casa
  • As Máquinas da Fábrica AssombradaO turno noturno na fábrica · Barulhos e máquinas ligadas · Boatos sobre aparições
  • Avó Vânia e suas característicasA rotina do cachorro Carlinhos · A voz misteriosa no quarto · A oração na Sexta-feira Santa
  • Vida Morte EspiritualidadeA figura da morte · O mundo espiritual · A história de Vino e a bisavó
  • Experiências perigosas durante viagensA experiência no pedágio deserto · O aviso do pai · O menino na estrada
  • Confusão de bebês na crecheA casa antiga e os gatos · O choro de bebê no porão · A aparição dos gatos
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Vocês acham que a morte realmente vem nos buscar? Quero dizer aquela figura vestida de preto, aterrorizante para muitos e para outros, um sinal que remete finalmente à paz. Vocês acreditam nisso? Pergunto porque na minha família há uma história que nos faz crer, não apenas na morte como figura, como entidade real, mas também que existe um mundo inteiro lá fora e não conseguimos compreender.

Vou contar a história e vocês me dizem se acham que estou certa ou se tudo foi apenas coincidência. Em 2018, quando minha bisavó estava prestes a completar 90 anos, ela sofreu uma queda muito feia no quintal enquanto regava suas plantas. Foi algo muito ruim, terrível mesmo, porque não conseguiu se levantar e ainda faltavam quase duas horas para que alguém chegasse em casa.

Mas então apareceu Vino. Foi assim que o chamamos depois. Ele era um cachorrinho de rua, já idoso, com uns 10 anos, magro e muito feio, daqueles que dá para ver que nunca recebeu um carinho na vida. Do nada, ele surgiu na rua, entrou pelo portão da casa que é de grade, ouviu os gritos da minha bisavó e se aproximou. Minha bisavó não gostava de animais e com isso nunca me deixou ter um cachorro porque jurava ser alérgica.

Mas naquele momento, ela só pedia para que ele fizesse barulho e chamasse a atenção de alguém, pois seus gritos não iam longe. E Vino latiu, latiu tanto entrando e saindo da casa que minutos depois, um vizinho percebeu e veio ajudar minha bisavó que a partir de então ficou meses acamada. Mas depois disso, ela deixou o cachorro entrar em casa, o chamou de Vino e pedia que o deixassem dormir com ela, sempre ao pé da cama.

Imaginem só, antes ela não queria cães nem no quintal, e agora tinha um não só dentro de casa, mas ao seu lado o tempo todo. Ele até saía para tomar sol com ela, quando a levávamos para sua cadeira de balanço no quintal. Tornaram-se companheiros inseparáveis, e Vino parecia até adotar a fragilidade da minha bisavó. Nos poucos meses em que ficou ali, o cão envelheceu muito.

Se quando chegou parecia ter uns dez anos, no final parecia ter uns dezoito. Uma vez voltávamos para casa à noite, minha irmã e eu, e vimos algo muito difícil de explicar. Eu sei que muitos não vão acreditar, mas juro que foi isso que vimos. Atrás da casa avistamos uma figura muito alta, mais alta que o teto e toda de preto.

E eu juro que, a menos que fosse nossa imaginação, ela se parecia exatamente com a morte. Só faltava a foice para ser aquela figura de uma gravura antiga, de um desenho. Foi muito estranho porque nós duas vimos exatamente a mesma coisa. E em vez de sentirmos medo, pensamos na nossa bisavó. Corremos para dentro de casa ouvindo choros dos nossos pais. E nisso tememos o pior.

No quarto da minha bisavó, todos estavam chorando, mas ao redor do corpo divino. Acreditamos que Vino foi um anjo que veio para dar a minha bisavó seus últimos meses de felicidade. Um anjinho que talvez até trocou sua vida pela da sua companheira. E o mais incrível é que minha bisavó viveu mais três meses. Tempo suficiente para conhecer sua tatara neta.

Bom, essa é a minha história e espero que seja interessante para vocês. E como disse no início, quero saber. Vocês acreditam que a morte existe? Vocês acham que ela realmente vem nos buscar?

Gostaria de compartilhar uma experiência que ainda me pesa muito relatar. De alguma forma, quero fazê-lo para aliviar minha dor e minha raiva. Então não vou esconder nada, muito menos as opiniões que tenho sobre essas pessoas. Meu nome é Ana e tenho duas filhas. Ambas já são formadas, mas infelizmente não tiveram muita sorte no amor. Eu, graças a Deus, até hoje continuo casada com meu esposo. Estamos juntos há 40 anos.

A história que quero contar é sobre minha filha mais velha, a quem chamarei de Júlia. Minha menina sempre foi muito estudiosa. Ela sabia que não tínhamos muito dinheiro para dar a elas muitas oportunidades, então decidiu estudar contabilidade. Quando se formou, conseguiu rapidamente um emprego em um banco. Ela trabalhou lá por três anos, até se cansar do mal tratamento que recebia.

Ela acabou abrindo um pequeno escritório em nossa casa e em poucos meses conquistou uma boa clientela. Graças ao seu trabalho, minha filha pôde nos proporcionar uma casa melhor e paramos de nos preocupar com o que íamos comer. Aos 15 anos, ela teve uma decepção amorosa e, a partir de então, não quis mais saber de romances.

As coisas foram assim até que certa noite durante o jantar, ela nos contou que havia se apaixonado por um rapaz. Meu esposo e eu ficamos surpresos, pois além disso, Júlia nos disse que já estava saindo com ele havia três meses. Meu marido, que é super protetor e um pouco ciumento, perguntou por que ela não havia nos contado antes e se estava escondendo isso por alguma razão.

Na época, minha filha já tinha 30 anos e nos respondeu que era uma mulher adulta, que podia manter sua vida privada em segredo. Como morávamos na mesma casa, não queríamos brigar com ela, então, para acalmar as coisas, sugeri que fizéssemos um almoço para conhecê-lo. Organizamos o almoço para o fim de semana e o rapaz veio com sua mãe. Seu nome era Ronaldo e sua mãe se chamava Sara.

Ronaldo parecia bem apresentado e educado, mas desde o início notei coisas que não gostei. Ele não deixava minha filha falar em algumas ocasiões e criticava seu jeito de se vestir, de mastigar, entre outras coisas. Já Sarah era um verdadeiro doce, como costumo dizer. Ela elogiou a comida e até comentou que eu parecia muito jovem.

No entanto, percebi que ela observava cada detalhe da casa, como se estivesse avaliando nossos bens. Desde o começo, não gostei de nenhum dos dois, e meu marido também não. Após o jantar, tentamos conversar com Júlia. Perguntamos se ela tinha certeza de querer ficar com um homem como ele. Percebi que minha filha estava cega de amor, pois aos seus olhos, Ronaldo não tinha defeitos.

Pelo contrário, ela se sentia sortuda por um homem tão incrível ter se interessado por ela. Meu marido apenas disse que deveríamos rezar para que esse relacionamento não durasse muito. Mas infelizmente não foi assim. Após um ano de namoro, eles se casaram e se mudaram para outro estado. Minha filha mudou muito depois disso. Ela parou de nos visitar e também deixou de nos ajudar financeiramente com algumas coisas.

Para termos uma fonte de renda, abrimos uma lojinha de doces e colocamos alguns computadores para aluguel. Seis meses se passaram sem que havíssemos, até que finalmente veio nos visitar. Meu Deus, só de lembrar sinto uma dor no coração. Minha filha estava muito magra, quase pele e osso. Perguntei o que estava acontecendo e ela respondeu que não sabia, pois comia muito.

Ela disse que a sogra sempre levava comida para eles e que todas as noites preparavam para ela uma vitamina de chocolate muito doce. Mas ela nunca reclamava, pois ficava sem graça. Meu instinto de mãe me alertou, mas ignorei, até porque nunca acreditei em bruxaria. Pedi que minha filha fosse ao médico e fizesse exames.

Nessa visita, Júlia também nos contou que Ronaldo não trabalhava e, com isso, ela tinha que arcar com todas as despesas. Meu marido ficou furioso e disse que o papel do homem era sustentar a família, não o contrário. Como Júlia começou a se irritar, preferiu ir embora. Em outra ocasião, voltaram a nos visitar, mas desta vez acompanhados por Sara, que não desgrudava dela nem por um instante.

Minha filha não estava nada bem de saúde e essa visita foi algo que nunca esquecerei. Certa noite vi Sarah preparando a vitamina de chocolate, mas notei que ela colocava um ovo com a gema preta. Aquilo me causou repulsa e perguntei por que ela usava um ovo estragado. No início Sarah ficou nervosa, mas depois disse que eu havia me enganado, que o ovo estava bom e que eu poderia cheirá-lo para conferir.

Fiz isso e, para minha surpresa, o ovo realmente não cheirava mal. Acabei pedindo desculpas por tê-la ofendido com meu comentário. No dia seguinte, porém, vi novamente que o ovo tinha a gema preta. Eles ficaram três dias em nossa casa e, na hora de ir embora, minha filha desmaiou ao entrar no carro. Levamos Júlia ao hospital e, então, recebemos a pior notícia de nossas vidas.

Minha filha tinha um câncer de estômago em estágio avançado. Já não havia nada a ser feito. E nisso meu mundo desabou. O que mais me enfureceu foi que Ronaldo estava completamente tranquilo. Sara nos disse que Deus nos ajudaria e que ela faria o possível para cuidar de Júlia. Naquele momento, despertei o instinto de mãe Leoa e disse a Sara que ela não chegaria perto da minha filha, pois Júlia ficaria comigo.

Infelizmente, naquela mesma noite, minha filha faleceu. Foi o momento mais difícil da nossa família e até hoje não conseguimos superar essa dor. Ronaldo sequer chorou. Ele fez de tudo para que o enterro fosse rápido e assim que terminou, desapareceu. Sarah esteve muito perto de mim durante esse tempo. Me trazia bolos e coisas salgadas porque eu não tinha ânimo para cozinhar.

mas algo nela me parecia falso. Após o novenário, ela se despediu e, antes de ir embora, me recomendou os mesmos chocolates que sempre oferecia. A dor de perder minha filha tão jovem não saía da minha mente. Algo dentro de mim dizia que sua morte escondia um mistério. Uma noite sonhei com Júlia. Ela vomitava um líquido preto, igual ao das gemas daqueles ovos.

convulsionava e ao final disse apenas uma palavra, Sara. Já se passaram oito anos, mas nunca esquecerei o que minha filha sofreu nas mãos daqueles dois. Eles a enfeitiçaram até tirarem tudo dela, inclusive sua vida. Quero apenas alertá-los. Tomem cuidado com o que aceitam, mesmo de alguém que parece bondoso. Nunca se sabe quais são as verdadeiras intenções das pessoas.

Meu pai trabalhou ao volante a vida inteira, seja como taxista, caminhoneiro ou motorista de ônibus particular. Ele sempre viveu na estrada e dessa forma conheceu todo o país. Hoje quero contar algo que aconteceu comigo em uma das primeiras vezes que o acompanhei em uma longa viagem. Ele fazia mudanças para outros estados na empresa de um amigo dele, que infelizmente já não existe.

O trabalho era muito simples. Íamos até a base onde estavam os caminhões, depois seguíamos até o endereço indicado, onde uma equipe de carregadores enchia o caminhão com toda a mudança em menos de uma hora. Em seguida, pegávamos a estrada para outra cidade ou outro estado, e ao chegar ao destino, outra equipe de carregadores locais já esperava para descarregar tudo em poucas horas.

Às vezes aproveitávamos a viagem para trazer algo de volta, mas isso era raro. Na maior parte das vezes era um trabalho simples de ida e volta. Esse era o segundo emprego do meu pai, pois ele passava a maior parte do tempo trabalhando como taxista. Não estou exagerando quando digo que a vida dele era ao volante e por muito tempo enquanto eu crescia me imaginava assim também.

Eu não queria estudar porque tudo o que queria era dirigir como ele. Mas meu pai trabalhou duro para que eu tivesse outras possibilidades. Ele nunca disse que trabalhar dirigindo não era digno ou que não dava para ganhar bem, mas ele queria que eu tivesse opções. Mesmo assim, ele não se incomodava quando eu dizia, ainda criança, que queria ir trabalhar com ele.

Por isso, sempre que possível, ele me levava em viagens curtas dentro da cidade e depois, como mencionei no início da história, me permitiu acompanhá-lo em viagens mais longas. Eu tinha 13 anos quando fui com ele em uma dessas viagens de mudança. Precisávamos levar uma carga para um apartamento em uma área muito bonita do Rio. Não lembro exatamente o nome do lugar, mas era um bairro luxuoso e afastado do centro.

O prédio era novo e o apartamento devia ser enorme para caber tudo o que levávamos no caminhão. A segurança do local era bem rígida e nos fizeram esperar por algumas autorizações antes de começarmos a mudança, mesmo que os carregadores já tivessem a chave e estivessem prontos. No fim, começamos tão tarde que até eu ajudei a descarregar o caminhão, porque do contrário só conseguiríamos voltar no dia seguinte.

Passar a noite ali não era uma opção que podíamos pagar, e no caminhão não tinha espaço para dormir. Enfim, conseguimos e já era bem tarde quando pegamos a estrada de volta para casa. Aqui começa a parte da história que me leva a escrevê-la. Mas ao contrário de muitos relatos, onde há um mau pressentimento ou uma sensação estranha anunciando que algo ruim vai acontecer, nós estávamos muito felizes.

Meu pai me levou para jantar em um lugar que ele conhecia e que ainda estava aberto. Ele amava a comida de lá, porém eu não tive tanta sorte e achei até cabelo no meu prato. Mas como os donos do apartamento nos deram uma boa gorjeta, estávamos rindo à toa e nem liguei para isso. Então depois de comer começamos a viagem de volta. Peguei no sono por algumas horas e acordei por volta das três da manhã.

Eu havia prometido ao meu pai que ficaria acordado para conversar com ele e evitar que sentisse sono. Quando partimos, percebi que ele já estava cansado, mas ao acordar, vi que ele estava completamente desperto e focado no caminho de um jeito estranho. Perguntei se estava tudo bem. Ele respondeu que sim e disse para eu voltar a dormir. Respondi que ainda aguentava ficar acordado.

Chegamos a um pedágio completamente deserto e paramos ali. Meu pai desceu correndo para ir ao banheiro. Não havia absolutamente ninguém por perto e nenhum carro passando. Mesmo assim, ele me disse algo que, até hoje, acho muito estranho. Não desça por nenhum motivo. Mesmo que me veja do lado de fora, não abra a porta para ninguém.

Achei aquilo esquisito, mas no meio da madrugada, meio sonolento, tentei justificar na minha cabeça. Então, assim que meu pai entrou no banheiro, olhei para frente e vi uma mulher caminhando na nossa direção. Ela usava uma roupa preta muito grande e uma saia tão longa que cobria seus pés. Ela caminhava arrastando-os um a um, como se não conseguisse levantá-los.

De repente, inclinou exageradamente a cabeça e o corpo para o lado, como se tivesse acabado de me notar. E então, com aquele mesmo olhar estranho, sorriu. Ela aproximou-se devagar do caminhão e, sorrindo, fez um gesto com a cabeça. Depois li seus lábios. Abra, ela dizia.

Ela parecia uma velhinha simpática, mas não fiz nada. Apenas quis ignorá-la, torcendo para que ela não percebesse que eu estava ali. Ela foi até a porta do motorista e, por conta da altura do caminhão, parei de vê-la. Ouvi duas batidas e ouvi o barulho da maçaneta sendo forçada. Por sorte, meu pai levou a chave e deixou tudo trancado. Troquei de assento e tentei espiar pelo espelho, mas não vi nada.

Senti que ela havia se escondido debaixo do caminhão. Abri um pouco a janela, esperando sair para chamar meu pai e dizer que havia alguém ali. Assim que ele apareceu, gritei. Ele não fez alarde, apenas caminhou calmamente, abaixou-se para olhar debaixo do caminhão, depois foi até a outra lateral e verificou novamente. Então simplesmente subiu e disse.

Já foi, sem perguntar o que eu tinha visto. Isso me surpreendeu. Continuamos dirigindo e por volta das quatro da manhã, minha mãe ligou. Ela nunca dormia enquanto sabia que estávamos na estrada, ainda mais porque nesse dia eu estava junto. Meu pai atendeu e disse que estava tudo bem, que chegaríamos em uma hora e desligou. Então, algo aconteceu.

Meu pai diminuiu a velocidade e começou a olhar atentamente para a estrada como se procurasse algo. E de repente parou o caminhão. Antes que eu perguntasse o que era, vi. Um menino de uns dois ou três anos saiu do mato e parou bem no meio da estrada. Ele acenou com a mãozinha e disse. Ajuda, aqui, ajuda.

Meu pai apenas olhava fixamente. Toquei no ombro dele para perguntar se devíamos parar, mas ele me fez sinal de silêncio. Então em voz baixa ele disse, Das três às quatro não se abre para ninguém. Desde aquela noite nunca mais viajei nesse horário.

Isso aconteceu no último inverno aqui no Canadá. Não consigo me lembrar exatamente quando, mas sei que nevou muito naquela semana e mal saí de casa por causa disso. Eu trabalhava no que chamam de modelo híbrido, então às vezes era de casa e às vezes ia até o escritório. Por causa da neve, fiquei em casa a semana inteira e trabalhei de uma pequena escrivaninha no meu quarto.

Essa casa que eu alugava tinha apenas um andar e dois quartos. Nesse dia, acordei, fiz café e me sentei para trabalhar, praticamente sem sair da minha mesa até às 20 horas. O dia inteiro ventou e nevou muito. Quando finalmente me levantei, fiz o jantar, depois limpei a casa e saí para levar as lixeiras até a calçada.

Enquanto voltava para a porta da frente, percebi que a neve do lado esquerdo da minha casa parecia estranha. Em todos os outros lugares, ela estava acumulada e lisa, mas ali algo claramente tinha mexido com ela. Fui até lá para olhar mais de perto e rapidamente reconheci uma linha de pegadas na neve. Isso foi um pouco preocupante, pois estava muito perto da minha casa e não apenas nos arredores.

Segui as pegadas por toda a lateral da casa até que, de repente, elas desapareceram. No final, parecia que alguém havia se movimentado naquele ponto por um tempo e isso era exatamente do lado de fora da janela do meu quarto onde eu estava trabalhando. Isso foi extremamente assustador. Quero dizer, estava frio e ventava muito. Por que alguém estaria andando por aí e indo até a minha janela?

Felizmente, eu tinha deixado as persianas fechadas, mas ainda era possível enxergar um pouco pelas frestas. Bem do outro lado da janela estava minha mesa, então essa pessoa poderia estar me observando. Porém, eu esperava estar apenas exagerando. Voltei para dentro e me aqueci. Eu realmente não sabia o que mais poderia fazer sobre isso. Obviamente, quem quer que fosse já não estava mais lá, então não havia nada a ser feito.

Segui com minha noite e, por fim, fui dormir por volta das 23 horas. Antes de deitar, dei uma última olhada pela janela. Chequei três vezes se a janela estava trancada e fui para a cama. Dormi a noite inteira e a primeira coisa que fiz ao acordar foi ir até a janela e verificar novamente. Meu rosto sonolento despertou na mesma hora.

Havia pegadas frescas na neve de novo, bem ao lado da janela. Rapidamente coloquei meu casaco e botas de neve e corri para fora. As pegadas eram quase idênticas às de antes, indo até a lateral da minha casa e se acumulando bem embaixo da janela. Olhei ao redor para a camada intocada de neve cobrindo o resto do chão perto da minha casa, mas não havia mais sinais.

Voltei para dentro e acabei ligando para o número de emergências não urgentes e relatei o que estava acontecendo. Sabia que eles não poderiam fazer muita coisa, mas pensei que, pelo menos, se algo acontecesse, eles já estariam cientes da situação. Depois disso, tive que ir trabalhar. Tentei olhar pela janela de tempos em tempos, mas a neve foi cobrindo as pegadas lentamente e eu nunca vi mais nada.

Saí do trabalho novamente às 20 horas, então já estava escuro e muito frio. Levantei-me da mesa e fui até a janela, afastando as persianas e vendo a neve lisa e intocada. O alívio que senti foi imenso, mas meus olhos desceram um pouco. No instante em que soltei as persianas, meu coração quase parou. A trava estava destrancada e a janela não estava mais fechada.

Eu não podia acreditar. Tinha verificado três vezes na noite anterior e nunca mais toquei nela desde então. Um pouco nervoso com a situação, estendi a mão e segurei a maçaneta. A janela abriu com facilidade. Quem quer que fosse, tinha destrancado a janela da última vez que esteve ali, no meio da noite. Como eu não ouvi nada? Será que essa pessoa entrou?

Afastei-me e andei devagar pelo corredor. Meus olhos vasculhavam cada centímetro enquanto eu me dirigia lentamente à porta da frente. Peguei minhas chaves, calcei as botas e corri para o carro. Liguei para a polícia e esperei na entrada da garagem.

Acho que meu carro nem conseguiria sair da neve, mesmo que eu quisesse fugir. Dez longos minutos depois, um policial chegou e ele entrou para verificar se a casa estava segura. O tempo parecia se arrastar, mas esperei enquanto os minutos passavam. Quando já fazia quase cinco minutos, soube que algo estava errado.

Então, finalmente, o policial saiu, com um homem de aparência doida algemado. Tanto o policial quanto o homem estavam cobertos de sangue. Claramente eles tinham entrado em uma luta corporal. O policial disse que ele estava escondido dentro de um armário no corredor e o atacou com um estilete. O homem tinha 50 anos e possuía um olhar maligno. Minha vida ali nunca voltou ao normal e preferi alugar outro lugar.

Não sei o que teria acontecido se eu tivesse continuado por mais tempo dentro da casa. Por favor, curta e se inscreva se você estiver gostando. Agora continuamos.

Meu nome é Marcela e trabalhei em uma fábrica de roupas esportivas que já não existe. Por volta do ano 2000, em Campinas, essa fábrica tinha três turnos e eu trabalhava no turno da manhã. Felizmente, não precisávamos revezar os turnos, mas as horas extras eram uma vantagem. Podíamos ficar algumas horas a mais depois do nosso turno ou, se fosse possível, trabalhar o turno seguinte completo.

A maioria das mulheres que trabalhavam no segundo turno eram casadas, pois assim conseguiam levar os filhos para a escola. Eu preferia o turno matutino por comodidade, para poder estudar ou fazer outras coisas à tarde. Trabalhávamos em módulos de seis companheiras cada um. O trabalho consistia em uma mesa grande ao lado de uma máquina que montava as meias, dando-lhes a característica que tem quando as compramos nas lojas.

Essas máquinas realizavam a função usando formas quentes em formato de perna e giravam em certa velocidade. As meias entravam na máquina e eram aquecidas para adquirir a forma correta. Enquanto uma colega colocava as meias, outra as retirava e as colocava na mesa. As demais as organizavam, etiquetavam e embalavam.

Vale mencionar que essas máquinas precisavam ser ligadas manualmente e aquecidas por cerca de meia hora antes do uso. Mas o interessante começou quando, em uma ocasião, enquanto trabalhávamos no nosso módulo, duas colegas comentaram que haviam ficado para horas extras no turno da noite. Elas disseram que parecia muito tranquilo, pois havia poucas trabalhadoras e apenas quatro dos oito módulos estavam ativos.

Além disso, a produção era menos pressionada pelo encarregado. Parecia uma ótima opção para ganhar um dinheiro extra. Minha amiga Érica me olhou com um sorriso, insinuando o que eu já estava pensando. Ela também era solteira e achamos que seria uma boa ideia para aumentar nossa renda. Afinal, a fábrica ficava perto de nossas casas.

Como imagino que acontece em muitas fábricas, a supervisora passava pelos módulos perguntando quem queria ficar para horas extras e anotava os nomes em sua planilha. Decidimos que aceitaríamos essa oportunidade assim que surgisse. O dia chegou e quando apareceu a chance, fomos as primeiras a nos inscrever para aquela noite. Cheguei em casa e contei a minha família que havia decidido trabalhar algumas horas extras na fábrica.

Eles não gostaram muito da ideia, mas eu já tinha tomado minha decisão, então naquela noite sairia para trabalhar no turno noturno pela primeira vez. Tudo estava indo bem e, de fato, confirmamos que o ambiente era tranquilo. Apenas o segurança estava na guarita de entrada, além de dois colegas na área de etiquetagem de roupas, de onde recebíamos enormes sacos de meias já passadas pelo processo de branqueamento.

Algumas horas se passaram e, antes de fazermos uma pausa para um café, interrompemos a produção por alguns instantes. Algumas colegas disseram ter ouvido barulhos vindos da parte da fábrica onde os módulos estavam vazios. Os módulos ficavam a, no máximo, quatro metros de distância uns dos outros e, às vezes, eram separados por caixas de embalagem que iam se acumulando, dificultando a visão das mesas ao lado.

Mas como a produção estava baixa, o ambiente estava mais aberto e era fácil ver que todas as trabalhadoras estavam reunidas na mesma área. Por isso, aquilo nos chamou tanto a atenção. Os ruídos vinham do lado oposto, de uma parte mais escura e vazia. Ficamos muito intrigadas e decidimos ir verificar o que estava acontecendo. E para nossa surpresa, encontramos algo inexplicável.

Duas das máquinas de montagem estavam ligadas e girando como se estivessem esperando que alguém colocasse meias nelas. Algumas colegas gritaram assustadas, pois ninguém entendia o que estava acontecendo. Algumas trabalhadoras que já tinham ficado no turno da noite antes, disseram que nunca tinham presenciado algo assim, mas que havia boatos de que um homem aparecia e tocava as pessoas no ombro.

Nos banheiros, algumas colegas diziam ter visto uma menina que chamava por mamãe ou ouviam risadinhas, principalmente quando estavam sozinhas à noite ou de madrugada. Até aquele momento, nada de estranho tinha acontecido comigo. Chamamos nossos colegas para verificar, mas ao chegarmos lá, as máquinas já estavam desligadas e, ao tocá-las, percebemos que estavam completamente frias.

Então, como era possível que todas tivéssemos visto as máquinas girando e ouvido o barulho característico delas? Nunca soubemos a resposta. O que era certo é que, depois desse dia, nunca mais conseguimos trabalhar com tranquilidade no turno da noite, com medo de que algo parecido acontecesse novamente. Se precisávamos ir ao banheiro, íamos sempre acompanhadas.

Naquela noite, todas queríamos que o tempo passasse rápido e amanhecesse logo. Foi a primeira e última vez que trabalhei no turno noturno, pois após isso preferi fazer horas extras à tarde. Era uma função diferente, em que etiquetávamos e embalávamos roupas. Alguns anos depois, a fábrica foi fechada e transferida para outro local. Nunca soubemos o motivo.

Meu nome é Júlia e quero contar algo que nos aconteceu no ano passado. Não sei se é algo normal ou apenas um detalhe estranho, mas ainda me dá arrepios quando lembro. A história tem a ver com Carlinhos, o cachorro da minha avó. Ele sempre estava com ela no quarto, principalmente à noite quando ela rezava antes de dormir. Ele se sentava ao lado dela, tranquilo, como se entendesse cada palavra.

Minha avó dizia que os cachorros também tinham alma e que Carlinhos sabia que nesses momentos ela estava falando com Deus. Talvez ela dissesse isso brincando ou talvez não. O curioso foi o que aconteceu depois que minha avó faleceu. Carlinhos não mudou sua rotina.

Todas as noites, no mesmo horário, ele ia direto para o quarto dela e se acomodava no mesmo lugar de sempre, em frente ao sagrado coração que minha avó tinha na parede. Minha mãe dizia que o cachorro sentia falta dela e que talvez ainda esperasse que ela voltasse para rezar com ele. Era algo triste, mas também bonito, como se ele ainda estivesse a acompanhando. Até que aconteceu algo na sexta-feira santa do ano passado.

Minha mãe e eu estávamos voltando tarde para casa depois de ir ao mercado e dessa vez Carlinhos não nos recebeu, abanando o rabo como sempre fazia. Quando entramos na casa, algo nos fez parar imediatamente. Do quarto da minha avó, ouvimos uma voz. Por que tu disseste que Abba é meu refúgio e meu castelo, meu Deus em quem eu confio?

Ficamos congeladas, pois era a voz da minha avó, ou algo muito parecido. Não era exatamente igual, havia algo estranho no tom, mas o ritmo da oração, e as palavras eram exatamente as que minha avó repetia todas as noites. Minha mãe me olhou com os olhos arregalados. Não dissemos nada, apenas começamos a caminhar lentamente em direção ao quarto.

Nenhum mal te alcançará, nem praga tocará a tua morada, a voz continuava. Minha mãe ergueu a mão, empurrou a porta e naquele instante a voz parou por completo. Carlinhos estava lá dentro, sentado no mesmo lugar de sempre. Ele nos olhou e sem pressa voltou o olhar para o sagrado coração. Com quem você está, Carlinhos? Perguntou minha mãe em voz baixa.

Ele não se mexeu, nem sequer nos olhou dessa vez. Apenas permaneceu ali, com os olhos fixos na imagem. Ficamos paradas na porta, sem saber o que fazer. Não havia mais ninguém na casa, e não tínhamos um gravador, nem caixas de som com áudios antigos. Ainda assim, a voz da minha avó estava lá, rezando como fazia todas as noites. Desde aquele dia, nunca mais ouvimos a voz.

Não sabemos por que aconteceu justo naquela data, mas não temos coragem de entrar no quarto novamente. Deixamos que Carlinhos continue com sua rotina, pois talvez ele entenda o que aconteceu. Talvez ele nunca tenha estado sozinho.

Quando eu estava na faculdade, costumava cuidar da casa de uma família quando eles saíam para as férias anuais. Tive algumas experiências assustadoras e estranhas lá, mas a que quero contar hoje foi a que me fez parar de cuidar da casa para eles. Eu estava na casa dos 20 e tentava me virar financeiramente, então cuidar de casas era um dos vários bicos que eu fazia.

A família ia passar duas semanas de férias no exterior e ficariam sem comunicação. Se algo desse errado, eu teria que chamar a polícia ou parentes deles, dependendo da situação. Já havia tido algumas experiências esquisitas naquela casa antes, mas nunca assustadoras o suficiente para me afastar, pois eles me pagavam muito bem. Eu trabalhava em um abrigo de animais e entendia bem de cuidados com bichos, especialmente gatos.

A família tinha quatro gatos muito bem comportados. Nos primeiros dias, tudo correu bem. Eu dormia no quarto de hóspedes e ia para a faculdade a pé, já que eles moravam perto e isso me poupava dinheiro com estacionamento e alimentação. Depois de alguns dias, as coisas começaram a ficar estranhas. Meu namorado da época veio jantar comigo para fazer companhia, pois sabia que eu sempre ficava um pouco desconfortável naquela casa.

Ficamos no quarto de hóspedes assistindo TV e comendo até que ele disse que precisava ir embora. Achei que ele ficaria para dormir, mas naquela noite ele disse que tinha um forte pressentimento de que precisava dormir em sua casa. Ele me aconselhou a fazer o mesmo porque o sentimento dele era muito ruim. Naquele momento, era quase meia-noite e, para ser honesta, eu não queria voltar para minha casa.

Minha relação com minha família era complicada e não me dava bem com meus pais. Cuidar da casa dessa família era o único tempo que eu tinha longe de casa e não queria desperdiçá-lo. Meu único irmão, que também é meu melhor amigo, já havia saído de casa por causa do ambiente tóxico e, sinceramente, a casa não parecia mais um lar sem ele.

Eu disse a ele que ficaria bem e trancaria a casa depois que ele saísse. Ele ainda estava inquieto e tentou me convencer a ir embora novamente, dizendo que, embora já tivesse dormido lá antes, naquela noite a casa parecia estranha. Achei que fosse por causa da idade da casa, com mais de um século de existência, mas ela havia sido reformada recentemente, então me senti mais segura.

Após ele sair, tranquei todas as portas e janelas e ativei o alarme de segurança. Quando finalmente me deitei, a TV começou a ligar sozinha. Pensei que talvez tivesse sentado no controle remoto, mas o vi na mesa de cabeceira. Desliguei rapidamente a TV, mas logo ela ligou novamente, sem nenhum canal sintonizado. Apenas uma tela preta e branca.

Continuei desligando e ela continuava ligando. Comecei a ficar nervosa e acabei desligando a TV da tomada. Embora já tivesse tido experiências estranhas naquela casa antes, isso nunca havia acontecido. Decidi que era só um problema de fiação e fui dormir no sofá. No dia seguinte, meu namorado voltou e contei o que aconteceu.

Ele disse que eu deveria ter ido embora. Estava assustada, mas para ser sincera, ainda era melhor do que lidar com a minha família. Naquela noite, jantamos juntos e assistimos a um filme na sala. Preciso explicar a estrutura da casa para o próximo acontecimento. A casa tem dois andares. A entrada dava direto na sala e o segundo andar, na verdade, era o porão, que funcionava como uma sala grande com um quarto extra.

As escadas que levavam ao porão eram extremamente rangentes e assustadoras, algo que não entendi porque não foi consertado na reforma. Os gatos gostavam de ficar por perto, mas não necessariamente no colo. De todos os quatro, um era o mais jovem, com cerca de três anos, um pouco menor que os outros. Naquela noite, enquanto assistíamos ao filme, meu sangue gelou ao ouvir sons vindos do porão, como um choro de bebê.

Meu namorado olhou para mim, perguntando em silêncio se eu também estava ouvindo. Lembrei-me de que, às vezes, os gatos emitem sons parecidos com o choro de um bebê quando estão em perigo. Percebi que só contava três gatos. O mais jovem estava ausente. Desci até o porão e o encontrei preso no quarto extra. Ele era menor e mais enérgico e, de alguma forma, fechou a porta atrás de si.

O levei de volta para cima e continuamos o filme. Pausamos depois para alimentá-los, pois os donos tinham uma rotina rígida para as refeições dos gatos. A estação de comida dos gatos ficava na cozinha, que era a área de conexão com o porão. Depois da refeição, os gatos costumavam se afastar para dormir em algum quarto, um comportamento normal durante todos os anos que cuidei deles.

Terminamos o filme e fomos jantar, mas ouvimos de novo um choro vindo do porão, desta vez mais alto, pois estávamos mais perto. Sem ver nenhum gato por perto, desci as escadas chamando o nome do animal, mas com cada passo o choro ficava mais alto. Ao chegar no porão, o som parou abruptamente. Procurei em todos os lugares, mas não havia nenhum gato. O medo começou a tomar conta e subi as escadas correndo.

Ao voltar para a cozinha, senti um frio no corpo ao ver meu namorado com um olhar horrorizado, rodeado pelos quatro gatos. Ele me disse que, enquanto eu descia, os quatro apareceram ao mesmo tempo, vindos dos quartos. Nenhum gato esteve no porão o tempo todo. Empacotei rapidamente minhas coisas, coloquei-as na mochila e saímos da casa juntos.

No restante da semana, só voltei para limpar a caixa de areia e alimentá-los uma vez por dia. Sei que quebrei a rotina deles, mas naquela altura não me importava mais. No último dia, tranquei a casa, devolvi a chave no esconderijo, agradeci pela oportunidade e disse que não voltaria mais. Passei a odiar aquela casa e, olhando para trás, percebo que as experiências que tive ao longo dos anos pareciam estar se intensificando.

Ainda consigo me lembrar da ligação que fiz para meu irmão enquanto voltava para a casa dos meus pais depois do incidente. Me senti ainda pior quando ele revelou que também teve uma experiência naquela casa, mas escondeu de mim para não me assustar, já que sabia que eu tentava economizar para me mudar.