Luiza Trajano revela a nova aposta da Magazine Luiza para crescer no Brasil #EP46 De frente com CEO
- Lideranca FemininaPreparação e autoconfiança da mulher · Superação de desafios como mulher CEO · Inteligência emocional e bom senso na maternidade · Legado para o filho como CEO
- Carreira de PocahMotivação para começar a trabalhar cedo · Influência familiar e empoderamento feminino · Desenvolvimento como vendedora e gerente · Inspiração intergeracional na empresa
- Mudanças no Mercado DigitalEvolução da loja eletrônica e digital · Multicanalidade e retirada em loja · Renascimento da loja física · NRF e tendências do varejo
- Organização de LojasIntegração do antigo com o novo · Espaço de encontro e convivência · Ecossistema de marcas do Magalu · Parceria com YouTube e teatro
- Rotina de Guilherme BenchimolRotina matinal e rituais da empresa · Conciliação de agenda e compromissos externos · Almoços com equipes de destaque · Equilíbrio entre vida profissional e familiar
- Prêmios e ReconhecimentoPrêmio Personalidade do Ano (Câmara do Comércio Brasil-EUA) · Prêmio de Reputação (Espanha/América Latina) · Cidadania honorária em estados do Nordeste · Responsabilidade social e representatividade
- Recomendações para EmpreendedoresEmpatia e tratamento com o próximo · Capacidade de aprendizado e 'fuçatividade' · Acreditar em si e nas pessoas · Importância da venda e do propósito
Olá, pessoal! Hoje no De Frente com o Seu vamos entrevistar ela, que é uma das maiores empresárias do Brasil. Luísa Helena Trajano, presidente do Conselho da Magazine Luiza e presidente do Grupo Mulheres do Brasil. E viemos até a sede da Magalu, aqui em São Paulo, para entrevistar Luísa Trajano direto do escritório dela. Vem com a gente! O De Frente com o Seu começa agora!
Este episódio conta com patrocínio da Falcone. Luísa, seja muito bem-vinda ao De Frente com o Senhor. Obrigada, é um prazer estar aqui com vocês. O prazer é nosso, é uma honra fazer uma entrevista com a senhora aqui direto do seu escritório, que fica na sede da Magalô, aqui em São Paulo. Muito obrigada por nos receber. E para começar, vamos falar um pouquinho da sua rotina aqui no escritório, Luísa.
E deixa uma rotina, exatamente. Você consegue vir presencial todos os dias, tem horário para sair ou terminar. Conta para nós como é a rotina de Luiz Helena Trajano. Minha rotina é super variável. Eu vou de A a Z em coisas muito diferentes, mas minha rotina, assim, normalmente, a segunda-feira eu chego muito cedo, porque a gente tem um rito há muitos anos. Então, segunda-feira eu chego aqui às 7h, 7h30, porque todos nós reunimos lá embaixo, que você vai conhecer o salão grande.
onde a gente cantou o hino nacional, o hino da empresa, já há 30 e tantos anos, e também mostra os resultados, cada semana discute temas. Isso é feito em todo lugar, nas 1.500 unidades nossas. Aqui às 8h30, tem shopping que é às 10h, mas toda segunda todos passam por esse, que a gente tem há mais de 30 anos já. Então, segunda eu chego cedo, é um dia que eu procuro ficar.
Mas aqui internamente eu não saio muito, eu não sei quando tem alguma coisa, mas é um dia de muito despacho aqui dentro. Mas eu não entro muito na parte operacional da companhia mais. Eu sou uma presidente de conselho diferente, porque eu sei o que passa aqui, eu dou palpite, tem coisas que eu entro para ajudar, mas não como resultado.
como CEO da empresa, aquela responsável. Eu faço parte do conselho da empresa, mas um conselho diferente, porque você vê que eu estou na operação, mas uma operação também diferente. Então, segunda-feira é isso, mais ou menos, mas eu sempre tenho compromissos fora. Depois das seis horas, eu tenho o Grupo Mulheres Brasil, eu sou convidada para muita coisa, né? Tenho uma assistente que só marca a agenda, porque ela passa o dia inteiro fazendo isso.
E procuro estar nos lugares diferentes também. Não fico selecionando só lugar grande, essas coisas. Aí, terça-feira, normalmente, terça-feira eu levanto cedo, 5h20, e eu faço ginástica duas vezes por semana, das 6h às 7h na minha casa Pilates. Porque se eu não fizer depois das 7h, aí eu fico me enrolando.
E aí, normalmente, quando eu não tenho uma reunião fora, como eu tenho amanhã, eu vou para Sorocaba, porque eu estou ajudando um pouco no Marketplace, na associação comercial. Então, eu não venho para cá, porque eu já vou direto. Uma vez por mês, eu almoço com a equipe de destaque das áreas, que não é diretor nem gerente. São pessoal de base, isso há muito tempo. Então, ontem eu almocei com 40 pessoas, que era destaque aqui. Sexta-feira passada, eu almocei na nossa, nós temos uma matriz muito legal em Franca.
onde a gente tem quase 3 mil funcionários, que eu almocei com o destaque de lá. Então é uma forma de eu não ficar dentro de um aquário, de eu estar com a equipe sabendo por que eles são premiados. Então, assim, isso já há muito tempo. Então, aí eu fico umas duas, três horas com eles.
porque eles contam a história, porque é que for, eu tiro foto, tiro foto individual. Então, é uma forma de eu estar com eles também e de não ficar distante da ponta, né? Muito bom. E pelo que eu vejo aqui, você também é uma pessoa muito família, mesmo com essa agenda toda tarefada como presidente do Conselho da Magalô. Como é que funciona essa rotina com a família hoje?
Hoje meus filhos já estão todos grandes, duas moram fora com os netos, né? É diferente. O mais difícil é quando está tudo. Eu tive três filhos em três anos e meio. Eu nunca peguei culpa, porque eu dei o melhor de mim e sabia que não era o melhor que eles iam poder existir.
Mas assim, eu sou a mesma pessoa que você me vê aqui, que você me vê no café da manhã da minha casa, que você me vê na minha casa da represa, eu posso estar com uma roupa menos executiva. Muito novinha eu comecei a trabalhar, eu fiz um pacto, eu não precisava ficar mudando de papel e ficar seguindo o checklist. Isso me ajuda muito com essa idade. Então assim, eu não sou agora, eu sou a presidente, agora eu sou a Luiz Helena, não, agora eu sou a amiga. É a mesma coisa que eu sou.
mesma pessoa, lógico com agendas diferentes mas com a essência, o jeito a forma de lidar, se eu não estiver bem eu vou falar pra você que eu não estou bem se eu tiver que chorar, eu choro eu não visto uma capa isso me ajudou muito
não seguir esse perfil de, agora você é presidente, você não pode falar que você errou, isso me ajudou muito a chegar nessa idade e me sentir inteira. Muito bom, inclusive é inspirar os profissionais que trabalham hoje com você, né, Luísa? Não só eles, como os empreendedores, agora mesmo eu falo, Luísa, como é que é levar propósito e empresa? Eu falo, eu levo junto, porque as pessoas ficam nessa, e viu que deu certo, né? Poderia não dar, e não estou falando que é a única receita.
Luiza, você comentou que começou muito cedo a trabalhar nessa pequena loja lá em Franca, que hoje conhecemos como Magalu, que foi criada pelos seus tios. Você começou com 12 anos lá, né? O que te motivou a começar a trabalhar lá e a se manter nessa empresa familiar? É interessante. Eu luto pela mulher não é nem por causa da minha família, porque a minha família, a mulher já era forte quando eu nasci.
Então, assim, eu já fui criada, eu não fui criada para casar, onde na época se fazia enxoval desde que nasceu a menina, né? Então, assim, eram quatro irmãs muito unidas. A minha mãe teve só eu, a minha tia só um, outra tia só um, e a minha tia que fundou empresa nenhum. Então, na realidade, a gente foi criada muito esse conjunto de família, né?
A minha tia tinha uma inteligência muito grande, empreendedora, e a minha mãe uma inteligência muito boa e emocional. Inteligência emocional. Então, eu podia ter esses dois mundos. Então, falando agora como que era, com 12 anos, até por ser sozinha, eu gostava muito de dar presente. Até hoje eu adoro dar presente.
E aí minha mãe falou, você gosta de dar presente? Gosto, vai trabalhar e ganha, e vai comprar o presente. Então, assim, eu escutei poucos não, porque era família empreendedora, não é? Ai, não pode, não tem. Porque o que é ser empreendedora? É ter solução.
Então, eu fui trabalhar por causa disso. E, na época, eu comprei muito presente e ainda guardei a primeira poupança minha. E vi que eu tinha jeito de ser vendedora, de gostar de gente, de atender. E eles também viram que eu tinha jeito para isso. Aí, todas as férias eu fui.
Eu fazia isso. É interessante que depois meus primos começaram a ir, depois meus filhos foram e eu tive uma coisa interessantíssima. Hoje eu tenho uma neta que já está na GV e com 12 para 13 anos ela procurou uma loja e foi fazer isso.
E também comprou um batom pra avó, comprou não sei o que pra isso. E eu nunca fiquei pregando isso. Mas é uma coisa interessante como você inspira outras, né? Sem você perceber. O trabalho é uma coisa muito gostosa. Aí com 18 anos eu já fui fazer faculdade à noite e já sumi.
papéis assim, não de diretora, não tinha esse plano de carreira, estou me preparando para fazer isso. Eu fui ser vendedora, depois eu fui ser gerente de loja e fiquei muitos anos nisso, onde eu estou voltando agora para a galeria. Estou atendendo cliente, estou ficando lá, estou fazendo um escritório para mim, até que com a inteligência artificial, o que vai sobrar é a ponta mesmo. Esse atendimento mais humano, né? Não, não, é estar junto com onde acontecem as coisas.
E essa galeria é a nova loja, né? Que vocês criaram no final do ano passado. Onde a Livraria Cultura, a gente tem... É um novo conceito de loja, né? Você entra pela Pinacoteca, do outro lado você entra pelo digital. Então, é um encontro do antigo com o novo. Eu pus muitos lugares das pessoas sentarem. Então, as pessoas vão se encontrar. Tem um café muito legal.
E tem uma livraria também que nós impusemos as cinco empresas, que era a nossa. Então, é um ponto de encontro. E as pessoas querem se encontrar novamente, apesar de estar lá muitas vezes no celular ou de estar lá muitas vezes... Mas elas levam a família. É impressionante como... E era um lugar muito forte para ser.
para a cidade de São Paulo, e a gente manteve muita coisa lá. Manteve o Canguru, manteve onde estava escrito de varia cultura, o teatro chama Eva Hesse, que é uma tendência também, você dar o moderno, mas não terminar com o antigo. Então, lá é um novo estilo de loja, de departamento, e que a gente está aprendendo a lidar com ela. Mas qual o objetivo com essa nova loja, Luísa?
Bom, aí tem um ponto na Paulista, que para nós era muito importante, e surgiu a livraria. E nós temos um ecossistema hoje. Nós temos a Cabum, nós temos a Estante Virtual, nós temos a Época Cosmético, nós temos a Netshoes, nós temos várias empresas que nós podemos mostrar fisicamente. Porque você sabe que a gente conseguiu ter marcas famosíssimas lá, porque quando você tem o físico, você consegue mostrar o ecossistema. Então, um dos objetivos...
É a primeira loja de ecossistema nosso física. Que agora a gente tá aprendendo pra pôr muito. Por isso que chama Galeria Magalu. Tem o teatro e tem, durante o dia, você tem, nós temos a primeira parceria com o YouTube, de ter uma sala do YouTube lá pra que tenha os influenciadores. E à noite nós temos um teatro normal. É sempre esse encontro dos dois. É uma experiência nova. Muito bom. E vocês preveem?
abrir em outras regiões. Nós temos mais de 20 lojas que tem tamanho para fazer isso, mas primeiro a gente está consolidando, aprendendo, e também é um investimento maior. Vamos voltar ainda um pouquinho sobre a sua carreira, Luiz, até porque você se tornou CEO em 91, certo, da Magalô? De direito, mas eu já era de fato.
Era outra coisa que eu achei muito importante, eu falo muito, quando você passa a ser de direito, você acha que não muda muito, mas muda muito. E você levou um tempo para chegar, né? Foram mais de 20 anos trabalhando ali como vendedora, fazendo outras funções. Por direito, sendo diretora comercial. A testa já era comercial. Até se tornou por direito. Por direito.
Você se sentia preparada quando você recebeu esse convite? Eu não sou muito igual às mulheres que acham que nunca ela está preparada, não. Eu sou filha única, eu me acho, eu fico trabalhando muitas mulheres de falar, preciso me preparar, preciso me preparar. Você não vê homem falar isso. Então, assim, eu tenho trabalhado muitas mulheres. Eu sempre achei que eu estava preparada.
senão eu teria sumido também. Mas qual foi o seu maior desafio como uma mulher empresária e CEO também na época? Eu venho de uma família que a mulher sempre trabalhou, então meu modelo não é aquele modelo. E assim, eu estava contando agora mesmo, assim, a minha mãe tinha muita inteligência emocional, como eu te falei. Quando eu tive o primeiro filho, ela falou, não tem receita.
Bom senso, muito amor e a coisa mais importante da sua vida. Não pegue culpa. E eu não sou muito de pegar a culpa e ensino as mulheres a não pegar, porque você dá o melhor de você. Agora, se tivesse uma receita, eu ia parar e ia fazer. Porque não tem coisa num mundo melhor do que você ter filhos encaminhados, um propósito, é uma maior fortuna sua.
Mas não tem receita, então eu fiz aquilo que o meu coração mandou. Muito bom. Inclusive, seu filho hoje é o atual CEO da Magazine Luiza. Ninguém acredita que eu nunca falei para ele ser o CEO do Magazine Luiza. Só quem convive muito comigo que sabe disso. Lógico que você sendo mãe, você se envolve muito mais. Ia nos eventos. Desde pequena eu levei eles nas coisas junto.
Você acaba tendo uma ligação com o negócio muito grande, porque eu também comecei cedo. Não que eles começaram, ele foi estudar fora, eu morava em Franca ainda, ele veio fazer GV, entrou muito novinho, trabalhou oito anos no mercado, fora. E eu nunca falei, você vai ter que trabalhar no Magazine Luiza. Mas também, fim do ano eles trabalhavam, porque eu trabalhava, eles queriam trabalhar no fim do ano, eles e meus sobrinhos.
Sobrinhos que eu digo, filho dos outros, que eram o filho únicos. E trabalhava. E um belo dia ele falou, eu vou para ir para montar um digital, para montar um site. Eu já tinha a loja virtual, que em 91 a gente criou a loja eletrônica, traz para a sua cidade a loja do ano 2000, que já funcionava. Primeiro com TV e vídeo, depois com multimídia.
que já era uma loja que não tinha produto exposto, né? Muito antes do tempo, e ele falou... Muita gente na época da Nasdaq chegava para mim separar aquelas 15 lojas para poder entrar na Nasdaq. Porque era muito separado o digital. Então, quando chegou a Nasdaq, eu já tinha uma experiência. Ele falava, eu não acredito nisso. Porque a gente se falava muito, né? Porque ele já estava no mercado, estava numa empresa, num fundo, numa empresa de tecnologia.
no fundo. Então ele falava, eu não acredito que a alma funcione fora do corpo. Eu acho que ele ficou meio com medo de eu separar. Ele veio pra montar o site e ficou tomando conta disso, que a gente montou em 2001. Então foi muito antes. Você pode ver que nós somos uma das poucas empresas que nascemos físicas.
que tinha muito tempo físico, e temos até o cloud hoje, temos tudo na nuvem nossa, numa nuvem nossa, e mantivemos a loja física, que eu acho que fomos muito criticados um período, mas hoje a gente sabe que você vai na NRF, as lojas físicas estão retomando com nova roupagem, não é igual, eu falo muito para os empreendedores, mas é uma nova roupagem, você compra...
na internet nossa, em Belém do Pará, que você em duas horas vai numa das lojas nossas e retira o produto. Então, essa multicanalidade é estar junto aonde o consumidor quiser. A gente sempre acreditou nisso, sofremos, porque tem época que eu brinco que a NRF, quando eu ia pra lá, quando eu vou até hoje, mas assim, teve ela...
Botou a loja física doente, levou para a UTI, enterrou e agora ressuscitou. Porque nesses dois anos todo mundo fala em loja física novamente, uma nova forma. A NRF é a maior feira de varejo que existe, né? Você sabe disso? Eu vou há 20 anos e eu vi toda essa passagem. Toda essa transformação digital. Não, e toda também a morte e a ressurreição da loja física.
Muito bom. E falando digital também, hoje o e-commerce ele supera em questão de vendas? É interessante, sempre superou, né, desde quando começou a pegar, principalmente pós-pandemia, mas a loja física é uma grande referência.
Se você for na galeria, você vai ver o tanto que as pessoas gostam de estar numa loja física, mas pode comprar na internet. Legenda, voltando a falar de liderança, você foi presidente de 91 a 2008, por ali. Qual foi o seu maior desafio como CEO da Magazine? Ah, foram vários, né? Primeiro, assim, dar uma nova cara de profissionalização. A família foi para um conselho da família. É todos entender que a empresa precisava ter uma...
Apesar de a gente ter sido sempre muito séria, nunca pegamos dinheiro da empresa, nunca foi cabide de empresa da família, nunca tivemos duas gavetinhas, era uma família muito séria. Mas dá um pouco mais de estruturação de governança, sem perder, porque eu sempre acreditei muito na empresa familiar.
Então, os primeiros tempos foi isso. E eu também sentia muito que o mercado ia ter uma grande mudança. Então, em 92, eu já tirei todas as salas da companhia, quando ninguém falava nisso. Então, é um desgaste quando você faz uma coisa, as pessoas estavam acostumadas em salinha, gerente e tal, e que você faz uma coisa muito antes do tempo.
Então foi pesado, teve muitos desafios de mostrar. Eu lembro que eu recebia, nossa, isso é novo. Eu mudei salário de vendedores que era só amarrado em margem. Teve empresa que colocou atendente, eu não acreditava. Mudar um salário, uma lei nossa, é um desafio grande. Criamos a loja eletrônica.
e também entramos muito, eu sempre acreditei que pessoas eram muito importantes, então entramos sempre para que tenha, faz 32 anos que nós temos entre as cinco melhores empresas para trabalhar, no primeiro ano a gente entrou em 97, é um desafio quando você é uma empresa do interior, que ninguém fala nisso, você entrar, se foi a melhor coisa que eu fiz, porque eles dão um relatório muito bom e a gente procurava melhorar.
todo ano e hoje a gente é terceiro, segundo, primeiro. Mas em 2003 foi a primeira vez que uma empresa de varejo no mundo ganhou em primeiro lugar. Então assim, foi uma festa para nós e ao mesmo tempo como é que a gente vai continuar.
Era outro desafio. Você está perguntando o desafio, era outro desafio. Muito bom. E falando em conquistas, aqui no seu escritório a gente vê muitos prêmios. Qual foi a mais marcante da sua história? É interessante, porque todo prêmio eu sou muito grata, por mais simples que ele seja. E ao mesmo tempo eu sou muito responsável, porque eu represento uma minoria de mulheres que estão em uma liderança forte. Além de tudo, eu sou uma pessoa que sou vista como muito...
protagonista do Brasil. Então, assim, eu tenho essas duas responsabilidades que eu mesmo trouxe para mim, de ser protagonista, de defender o Brasil, de estar com o Brasil e de estar lutando pelo Brasil. Então, assim, ao mesmo tempo que eu sou agradecida, cada diploma que eu recebo, a cada coisa que eu recebo, aumenta a minha responsabilidade. Agora, teve alguns que foram muito marcantes, né?
tem um prêmio que é dado pela Câmara do Comércio Brasil e Estados Unidos que eu fui há 20 anos atrás, quando eu fiquei sócia do Nibanco que o Pedro Moreira Salles estava recebendo o título e chama o homem do ano, então é recebido por um empresário brasileiro e um empresário americano, uma festa lindíssima eu fui toda tímida lá a primeira vez, tinha acabado a parceria com ele recebendo o prêmio E aí
E nunca pensei que 20 anos depois eu estava recebendo, mudou para a personalidade do ano, eu estava recebendo o prêmio, e a gente gosta muito dele, ele com a família lá, e mais de 80 mulheres do Brasil. Então, assim, é um marco você mudar de um prêmio para aquele, e um prêmio que há 20 anos você nunca sonhava que você fosse receber. Então, assim, não que o prêmio seja diferente, é um prêmio surpreendente, né? Porque não era um prêmio para a empreendedora do ano, ou para a empreendedor do ano.
Era um prêmio assim. E eu acho que é um prêmio que me exige muito, que eu tenho muito cuidado. Eu acho que você ser ético não é fácil. Você pula fácil de um lado para o outro. É o prêmio de reputação. Então, assim, eu fui uma das primeiras mulheres que entrou entre as dez finalistas. Entre as dez. E eu estou há nove anos seguida entre a primeiro lugar, que também é um prêmio feito na Espanha, na América Latina, e que é difícil uma pessoa ficar nove anos seguidos.
Então, mais uma vez, eu tenho um compromisso por ser mulher, por estar numa lista entre todos os líderes. Então, é um prêmio, não é fácil você, num momento de muita dificuldade de mercado, você manter. Mas a vida inteira eu teve muito cuidado. Eu falo que você é uma corda bamba, que você pula de um lado para o outro facilmente. Mas todos os prêmios que eu ganho na minha cidade, que eu ganho fora, que eu ganho...
Eu sou cidadã de quase todos os estados do Nordeste.
Falta um só pra me receber. Qual? O Maranhão, que eu não fui ainda, mas já era pra me ir. Mas eu sou cidadã de quase todo o estado. Você imagina a minha responsabilidade de me tornar pernambucana, de me tornar, então, assim, do norte, né? Menos Amazonas, eu recebi de quase todos. Tem lugar que eu recebo do estado, mesmo aqui no estado de São Paulo.
E eu recebo da cidade também. Então, assim, é muito compromisso, né? Eu me vejo muito compromissada com cada prêmio que eu recebo. Muito compromisso e muito trabalho para chegar até aí, né, Trajano? Quais são as características? Você olhando para si, que você pode até dar como conselho para quem quer ser um líder de sucesso, um empresário de sucesso, para receber não só esses prêmios, mas também gerar impacto. É empatia.
É tratar os outros como você gostaria de ser tratado. É a única coisa que você pega no nosso crachá. Vocês podem ver que hoje vocês me esperaram um pouco, mas tinha gente para atender, tinha gente para... Desde a hora que vocês chegaram aqui. Então, assim, a gente se coloca muito no lugar do outro. Nós somos proibidos de ser metido. Meus filhos nunca saíram de um lugar sem dizer muito obrigada. Então, assim, eu acho que essa característica de gostar de pessoas, de achar que as pessoas são capazes de chegar.
Eu acho de acreditar nas pessoas. Eu mandei uma carta quando meu filho teve o primeiro emprego falando nisso. Acredite em você mesmo. Acredite que pau que nasce torto não morre torto, senão não teria educação. Tenha uma missão, desculpa por ela. Eu acho que é muito importante. E como empresária...
é desenvolver a capacidade fuçativa, é querer aprender tudo, é não perder oportunidade, é tudo que surgir, eu estou em tudo. Então, assim, a sorte só aparece para quem está assim, eu brinco que tem uma característica que eu gosto muito, fuçativa, mas não é fuçar na vida dos outros, é querer aprender. Então, eu estou entrando na inteligência artificial já faz muito tempo.
Não é fácil para mim como é fácil para uma jovem, mas eu vou treinando. Eu comprei tablet logo que saiu, todo mundo falava isso não vai para frente. Então, assim, eu cuido das minhas redes sociais, as meninas me ajudam, mas eu estou aprendendo, não é fácil você lidar. Então, hoje, estou em vários lugares. Estou na saúde, estou não sei aonde, estou não sei aonde.
Muito bom, é se atualizar com a tecnologia, é cuidar da imagem. É ser uma imagem verdadeira, não é querer passar uma coisa que não é. Muito bom. E eu fiquei com uma curiosidade aqui, porque a gente falou de prêmios, mas eu também vi ali uma foto sua com Silvio Santos. Foi parceiro também, vocês já fizeram o negócio juntos. Qual foi a parceria mais marcante na história da Magalu? É interessante. Quando a gente era muito menor, vamos falar de mídia agora.
Quando a gente era muito menor no interior, as nossas concorrências, eu brincava assim, no intervalo dela tinha o Jornal Nacional, nos veículos mais importantes, só tinha as coisas mais importantes. Mas a gente não tinha nem loja suficiente para ter...
para ter uma campanha nacional. Então, naquele momento, a gente tinha... O Gugu foi importante, porque nós fomos para o Gugu, para estar os domingos nacionalmente. Depois, a gente... Aí a gente começou a crescer um pouco. O Faustão foi muito importante como parceria.
porque ele parecia que ele era sócio nosso, quando a gente chegou em São Paulo com 50 lojas, já tínhamos chegado em vários lugares, a gente sempre fez muita parceria com o fornecedor, com todo mundo, então o Faustão tem um carinho muito grande pelo Faustão, eles achavam até que ele era sócio da empresa.
que ele falava com tanto carinho. Hoje o Luciano Huck, nós temos uma parceria, como a gente teve com outras pessoas. E com o Silvio Santos, como era empreendedora, mesmo agora que ele faleceu, as filhas dele chamaram cinco empreendedores que ele gostava muito para fazer um jantar e para falar que ele queria voltar com a porta, sem importa, aquela que dá o dinheiro, com alguns deles, e ela chamou para contar isso, nos deu o presente.
que de presente tinha essa cartinha escrita que ele queria isso. E o Silvio Santos era um empreendedor que sabia lidar com a camada de classe mais simples, de uma forma inteligente, muito legal, e que traçava todo mundo muito bem. Muito bom falar em empreendedorismo. Hoje, por acaso, na sua visão, Trejano, está mais fácil ou é mais difícil empreender no Brasil?
Eu acho que depende. Eu acho que está muito mais fácil, porque a gente teve muitas conquistas. Eu trabalhei muito pela pequena e média empresa, então hoje o simples é uma coisa boa. Hoje a pessoa pode registrar uma pessoa com um funcionário só. Ela tem muito mais oportunidade. Paga imposto? Paga, mas ela existe.
porque antes o pequeno não existia, porque ele não podia pagar e não tinha forma de ele pagar o que o grande paga. Então, nesse aspecto, eu acho. Acho que tem dinheiro disponível na Caixa Econômica, no Banco do Brasil, mas ainda luto muito por crédito escorre ser diferente. Usam a mesma forma de análise de crédito que usava na época e hoje poderia ter uma análise muito mais descentralizada, é o que a gente está fazendo.
lutando para que isso seja mais descentralizado, porque agora tem muitos cursos.
O Sistema S dá muito curso, o Sebrae tem curso de tudo que tem, então tem muito mais facilidade de dar o acesso à capacitação. Mas eu acho que a parte ainda, porque precisa da capacitação e do capital de giro. Apesar de ter, ela tem mais dificuldade. Mas já tinha antes, não é que não tinha esse. Mas antes não tinha nem a capacitação e nem as oportunidades que tem hoje. Por outro lado, enfrenta um júri de 15%. E aí
Enfrenta instabilidade, enfrenta burocracia ainda muito grande. Então, assim, enfrenta muitas dificuldades ainda. O mercado que veio digital, que fez todo mundo, enfrenta o mercado global, que tem a China aí, que ajuda e atrapalha muito. Então, assim, existem evoluções e existem dificuldades, como tudo na vida. Como em toda época também. Toda época, é. Só que eram diferentes.
Você fundou em 2013 o Grupo Mulheres do Brasil. Conta um pouquinho o que motivou a criação desse grupo. Eu sou muito compromissada de ser protagonista da sociedade. Apesar de eu ter sido convidada para ser, numa época, para ser presidente, para ser...
para ser senadora e tal, eu nunca me filiei a partido. Eu não sou contra a partido, convivo com políticos muito, mas eu acredito que políticas públicas que mudam o país. Então, eu sempre fui muito ligada, até pelas causas que eu defendo, que é desde a desigualdade, vou para o sertão há mais de 12 anos. Então, assim, sou muito a favor da...
da Igualdade para Todos, você vê o programa de trainee que deu tanto que falar. Então a empresa sempre teve propósitos junto com o Lula. Então, muito Lula. Mas eu acredito muito que uma sociedade civil organizada, ela era capaz de fazer isso. E surgiu a oportunidade de ter o Grupo Mulheres do Brasil, que trabalha, sim, negócios e que trabalha outras coisas, mas nós trabalhamos muito forte a violência, porque hoje nós temos 140 mil mulheres.
em quase todos os continentes. Em todos os continentes temos. E a gente está lá firme. E nós trabalhamos muito, os brasileiros que mudam daqui, trabalhamos muito todas as nossas áreas, trabalhamos muito na vacina, unidos pela vacina. Então, me tornei até muito conhecida da área de saúde, participo de vários eventos de saúde, e o grupo também é uma referência hoje nisso.
Então, assim, a gente começou com 40 mulheres na Visagem Brasília. Eu tinha certeza de algumas coisas, que a gente tinha que fazer acontecer, não precisava só ter reunião, diagnóstico, e que a gente tinha que ter mulheres de todas as camadas. Então, nós temos mulheres de todos os tipos e começamos já com mulheres de comunidade, que representam a mulher. Então, assim, a gente já teve muitas conquistas.
Muitas, inclusive em políticas públicas, acabamos de ajudar a aprovar agora a cota para mulheres em conselhos de administração de empresa pública e mista, que é uma grande conquista por ambos os lados. Ter uma mulher no conselho é muito bom.
E a gente prova muita coisa, tem muita conquista para a sociedade. Então, eu acredito, o grupo nasceu dessa crença nossa, que a sociedade civil organizada, e quando ela assume que o país é seu, ela pode fazer muita coisa. Nós vamos fazer um grande evento agora.
4 e 5 de agosto, onde nós vamos fazer o primeiro summit de profissões nas mulheres. Então, nós vamos ter gente do jurídico, de arte, de comunicação, de educação, de saúde, vendo o que pode ser feito pra gente ter mais mulheres em alto nível.
Nesses 13 anos eu vi o tanto que a gente evoluiu como mulheres, como evoluímos, mas a gente ainda tem uma conquista, e não é ser contra o homem, pelo contrário. Uma das nossas premissas, nós não somos contra os homens, mas a gente fala muito para os homens, o tanto que é importante sentar numa mesa os dois lados.
E onde vai ser feito esse evento? Aqui no Center Norte. E a nível nacional mesmo, né? Todas as profissões juntas trabalhando. Agro e também a profissão de serviços gerais que a gente tem que ter. As pessoas que trabalham, as mulheres que trabalham, que são as que mais precisam também. Encargos mais simples, né? Muito bom.
A senhora também tem iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino. No ano passado, lembra que a senhora chegou a inaugurar um aqui, inclusive no Magalô. Conta um pouquinho mais sobre isso. Eu sou muito voltada ao marketplace. É uma área que eu ajudo um pouco. Eu sou muito da operação, de fazer acontecer, de pôr a mão na massa. E o marketplace, as pessoas, é muita oportunidade para as pequenas e médias empresas poder estar com visibilidade.
E se existe uma empresa que nasceu pequena, foi média, foi grande, e é muito grande, é bem grande hoje, é o nosso. Se existe uma empresa que a gente investiu, nós. Então, o Marketplace tem uma identidade. Nós criamos uma comunidade de mulheres de negócios, Luísa. Luísa é o nome, o nome é meu, e eu estou muito junto.
Então, foi um segmento que a gente achou que a gente podia entrar muito forte. Nós temos 3 mil mulheres já nessa comunidade de negócio. Então, lá tem coach, nós damos dica, tem palestra, tem live, tem tudo. E a gente passa a experiência nossa e troca, muita troca, porque a comunidade no digital é uma troca.
Então a gente criou e agora a gente vai criar outras comunidades. Nós estamos com a equipe do Silvio Meira nos ajudando, vamos criar comunidade de quem gosta de maquiagem, de quem gosta de... é interessante. Agora ainda não é só para mulheres, essa é só para mulheres de negócios.
Ou a que já tem negócio ou a que quer ter negócio. Ou a que teve e não deu certo. Muito bom. O que mais de novidade a gente pode esperar de Luísa Trajano para esse ano? Nós vamos lançar primeiro com a Netshoes, os apaixonados por corridas. Porque a Netshoes está investindo muito nessa área de saúde e corrida. Que deve ser logo. Ainda falando sobre negócios, então, Luísa, você chegou a comentar numa entrevista que o Brasil tem o que você chama de espírito de startup.
Que conceito é esse, Luiz? Explica um pouquinho pra gente. Como é que uma pessoa monta uma startup? Quando ela tem jeito pra isso, quando ela tem vontade pra isso e quando ela acredita que vai dar certo.
E ela tem esse jogo de cintura, porque a startup é assim. Você faz dez coisas ao mesmo tempo, você faz isso ao mesmo tempo, você tem hora de chorar, tem hora de rir. Você tem que estar aí, só para aguentar firme um período. E se você analisar o povo brasileiro, eles têm muito esse perfil. Esse perfil de se adaptar.
rapidamente, você viu que teve a Covid, quando começou a Covid, eu tinha feito um trabalho antes, para ver, para falar que o digital era bom, procurava boutiques e coisa que estava fazendo, porque fazia propaganda, eu pensei, nossa, vai demorar muito ainda para entrar, estava muito separado ainda, de repente, a Covid entrou, o magazine que estava adiantado, se ele não tivesse saído, ele tinha sido alcançado.
Então, assim, essa coisa de fazer rápido, de ir atrás, de buscar, de falar que não sabe, isso tudo é bem de startup. É um espírito empreendedor diferente. Menos conservador. Que é o startup. Muito bom. Considerando que a gente está no ano de eleições, Copa do Mundo, qual o Brasil que você espera no próximo ano, Trajano?
Olha, eu sou muito ligada ao Brasil, todo mundo sabe disso, o Magazine Luiza Cantuíno Nacional nas suas unidades toda segunda-feira. Eu amo esse país, eu acredito nele. Não gosto do juro, mas amo o país. Mas assim, o que o grupo Mulheres do Brasil busca, e eu particularmente...
é que a gente tivesse um planejamento estratégico para os próximos 10, 12 anos no Brasil de educação, de sustentabilidade, de negócios, e tudo muito bem claro para que a gente buscasse 15 anos disso e onde a gente sabia o que a gente pudesse contar. Eu acho que isso é um grande... E que tivesse um pouco menos...
Sempre você vai ter divisão, mas um pouco menos de divisão no mundo, não é aqui. Porque eu acho que o mundo caminha para um lado que vai ser bom para os meus bisnetos, para os meus netos que eu já tenho. Então, é isso que nós estamos buscando, inclusive, que é esse evento nosso que nós vamos fazer. É buscar como o Grupo Mulheres do Brasil. Nós estamos trabalhando para pular para 50 mulheres em alto, porque hoje nós temos 18% de mulheres em política. E você pode ser de qualquer partido para estar lá.
para a gente indicar você. Só que você tem que fazer um pacto com a democracia, com a igualdade para todos, com a educação, com a saúde para todos. Desde que você assina que você tem um pacto, nós não importamos qual é a partida. É isso que eu sonho. Que as pessoas tenham compromisso com as causas.
e que a gente pense que é um Brasil bom demais, gente. Nós temos água, que a maioria do mundo não tem. Nós não temos nem... O que nós temos aqui de problemas sérios, de terremotos, de coisas? Nós não temos isso. Nós estivemos no sul ou em alguma região de chuva. Olha que o povo se uniu para poder fazer isso.
Uma união total. Eu voltei para o sul depois de um ano. O que foi feito pela comunidade? As comunidades fizeram por lá. Então tem esse espírito de estar junto. Mesmo que a gente não saiba que tem. E olhando para Magazine Luiza, o que você espera da empresa no próximo ano?
Acho que a gente teve várias novidades, né? A gente montou a cloud, que é a primeira cloud da América Latina. A gente tem um marketing preso forte. Agora a gente reinventou a loja de departamento e botamos o ecossistema lá. A gente precisa agora consolidar tudo isso que a gente fez. A gente criou agora a maior influência, a maior...
A Lua agora virou uma tendente no WhatsApp, a primeira do mundo. Então, você coloca na Lua assim, se eu tirar foto do seu sapato, fala, Lua, eu quero encontrar um sapato igual esse. Ela vai procurar, ela virou a tendente que está sendo feito hoje, mas no WhatsApp, que é aquilo que o povo pode... Fomos a primeira empresa do mundo.
a criar uma tendente global. E ela vai até o fim, ela recebe, ela faz tudo. Você sabe que o WhatsApp é uma coisa fácil das pessoas mexer. Então, nós estamos consolidando muita coisa que foi criada, mesmo nesses dois anos, de mais dificuldade. Muito bom. O nosso tempo está acabando, por isso que eu estou indo para o nosso último bloco, que é sobre lições de liderança, Trajano. E a primeira pergunta é, o que você aprendeu com a sua tia, que foi a fundadora do Magazine Luiza, sobre liderança, que você aplica até hoje?
Pagar em dia é obrigação. Você cumprir seus compromissos é obrigação. Porque uma liderança que não faz isso, que ela não dá o exemplo, não é legal. A minha tia nunca deixou pagar um dia atrasado e nunca achou que o que você trata você precisa cumprir mesmo se não tivesse no papel. Além de que trabalho, trabalho e trabalho resolve muito. E assim, era um espírito de liderança, de dar o exemplo.
Quer dizer, ela nunca falou uma coisa que ela não fosse. Isso é uma coisa que eu aprendi muito. Você não vai ver eu falar uma coisa que eu já não fiz. E também aprender a pedir desculpa, aprender a dizer que errou, e aprender que você não é perfeita. Também isso foi muito, aprendi junto. Muito bom. E falando agora do bem-estar, que é algo que está sendo muito valorizado nas empresas, vem NR1 no próximo mês por aí.
Como você define a cultura da Magazine Luiza hoje? Mudou muito nesses últimos anos ou tem algo que permaneceu? A única coisa que permanece, tive muito medo quando você sai de 20 bilhões para 40 numa pandemia. Porque assim, nós temos uma cultura muito forte, muito forte. Não quer dizer que é a melhor, mas ela é muito forte. Nós estamos há 29 anos entre as melhores empresas para se trabalhar.
E crescemos muito. Temos 1.500 unidades. Eu te confesso que uma coisa e as outras me perguntam muito assim, o que te perdeu o sono? Era realmente perder essa cultura quando o crescimento foi exagerado. Mas hoje a gente é muito forte.
Os que estão na empresa sabem que ela é uma força e nós temos as pessoas que não querem. A gente acabou de comemorar 30 anos, muitos. A gente faz uma viagem interessantíssima quando o funcionário faz 30 anos. Nós já fazemos isso há mais de 10 anos. A gente leva eles todos, e foi desde as pessoas mais simples de loja como o diretor daqui, que fez 30 anos. Estou dizendo, todo ano a gente faz isso.
E a gente leva eles com pai, mãe, sogro, sogro, irmão, sobrinho, filhos, netos. Leva a família toda. Quem eles quiser levar. Mas pra onde? Faz cinco anos que a gente descobriu o Foz do Iguaçu. Acabaram de chegar, sábado. E assim, a mãe que anda de avião pela primeira vez e é o convívio de todos. É uma cultura forte mesmo. A gente faz com 20, com 15, depois de 15 anos, daí alguma coisa. E celebra. Sempre junto com a família.
Ou eles estão em vídeo celebrando ou eles vão junto. Muito bom. Falando em questão de viagem, o que faz você desconectar como líder no dia a dia? É um filme? É um livro? É um passeio? Além da ginástica, né? Que você faz toda essa aula. Você sabe que eu sou interessante? Se eu estou fazendo ginástica, eu estou inteira na ginástica. Se eu estou assistindo uma coisa, eu estou inteira. Eu não sou uma pessoa que fico levando as coisas.
Ao mesmo tempo, a minha cabeça funciona. Não sei se você está entendendo. Eu não sou uma pessoa que fica...
Você vê que agora mesmo o pessoal estava... Eu falo calma para o meu pessoal, porque tem uma coisa atrás da outra. Calma, calma. Eu trabalho muito essa calma interior em mim. Se eu estou com você, eu estou inteira com você. Agora mesmo se eu estiver almoçando com a nossa diretora, eu vou estar inteira.
Eu aprendi a fazer isso. Isso me ajuda a não ficar ligada 24 horas e estar ligada a todo momento no que eu preciso estar ligada. Isso tem ligação também com a religião? Porque eu vejo que aqui também tem artigos religiosos. Você busca isso também, Trigiane? É interessante. Eu fui criada na religião católica, mas eu sou muito mais espiritual do que religião. Mas eu acredito...
na força espiritual. Eu tenho uma forma de lidar com isso. Eu escrevo quando eu preciso, entrego e agradeço também. Então, eu tenho vários blocos de escrita. Isso que não é diário, mas é uma forma de comunicar com a minha energia espiritual com o que você acredita. E falando também ainda sobre liderança, Trajano, qual foi o seu maior erro como líder? Eu tenho uma forma de ver os erros diferentes. Primeiro, eu não tenho um compromisso total com a perfeição.
E erro, eu acho que eu vou errar sempre e tenho duas coisas para falar de erro. Primeiro é redirecionar o erro rápido. Assumir que você errou sem ficar falando foi fulano, foi por causa do júri, foi por causa de não sei o quê. E segundo...
é procurar não ter ele de novo, é dar espaço para novos erros. Agora, lógico, tem momentos muito difíceis, é que você tem que ter uma força, mas eu trabalho, assim, quando eu estou com muita dificuldade, eu divido a minha dificuldade. Eu falo, olha, está difícil, vamos juntos, não estou sabendo isso, não estou forte para isso.
Isso me ajuda muito também, porque quando você fala isso, você não fica um mito que não erra, que você tem que resolver tudo. Não é porque eu sou presidente da empresa ou vivi em muita fase que eu não preciso da... Eu acredito muito que as somas do QI, os QIs, dão muito mais força do que o meu QI sozinho. Então, isso ajuda muito você viver. Porque se você vive num mundo que você não pode falar que você errou. E para o homem foi muito difícil, viu?
A hora que você entende que o homem foi criado num mundo totalmente mecânico, ele não podia falar que não sabia, ele não podia falar que estava com uma filha doente. Aqui você tem que ser profissional. Com coisa que você separa a sua vida numa parede que não tem passagem. Foram vários erros e continua tendo vários erros. Para fechar nossa entrevista, porque infelizmente o nosso tempo acabou, qual conselho você pode dar para quem deseja empreender e ter sucesso no Brasil? Primeiro saber que leva um tempo.
saber que ele não vai ter 5 por 2, que ele vai ter 7 por 7. Porque é muito difícil, você fica 24 horas ligando, e você leva uns 5 anos para encontrar um caminho, assim, dentro daquilo que você escolheu. Primeiro você tem que gostar do que você faz.
porque você paga preço de qualquer jeito que você escolha. Empreender é um preço alto. Você tem que mudar muito o seu modo de vida, você não tem aquele sossego que você está pronta. Segundo, não misturar a gavetinha da sua empresa com a gavetinha do seu particular. Porque quando você põe tudo na mesma gaveta, o fluxo de caixa quebra uma empresa rápido.
E por último, gostar de vender. Porque a venda é a locomotiva de qualquer negócio. Não fica com vergonha não, porque senão não vai pra frente.
Muito bom, Trejano. Foi ótima a nossa entrevista. Muito obrigada. Obrigada, equipe. Por me receber aqui. Eu e toda a equipe. Muito sucesso para você e para todo o time da Magazine Luiza e também do Grupo Mulheres da Brasil. Tudo de bom para você. E até a próxima pauta. É mesmo, já estava acostumando. Vamos lá. E para você que nos acompanhou até aqui, muito obrigada pela sua audiência e espero você no próximo De Frente com o CEO. Até lá.