Naruhodo #470 - Temos livre arbítrio? - Parte 2 de 2
Nosso cérebro toma decisões antes mesmo de termos consciência delas? Se sim, seriam nossas decisões deterministas e o livre-arbítrio uma ilusão? O que a ciência tem a dizer sobre isso? Parte 2 de 2.
Confira o papo entre o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza.
>> OUÇA (54min 23s)
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Naruhodo! é o podcast pra quem tem fome de aprender. Ciência, senso comum, curiosidades, desafios e muito mais. Com o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza.
Edição: Reginaldo Cursino.
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Tem uma coisa que eu aprendi viajando que ninguém te ensina: a roupa errada custa mais que peso na mala.
É isso mesmo que você ouviu: tem peças que nem adianta você levar na viagem, porque não vai sair da mala.
Por isso, eu criei uma regra para mim mesmo é: só levar na viagem se não pega cheiro ruim, se não precisa passar e se aguenta firme na durabilidade.
E sabe quem é que cumpre tudo isso? Claro, as peças da INSIDER. É qualidade garantida e tecnologia que te deixa confortável e seguro.
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É isso, gente. Estamos enfrentando um momento importante e você pode ajudar a combater o negacionismo e manter a chama da ciência acesa. Então, fica aqui o nosso convite: apóie o Naruhodo como puder.
Altay de Souza
Ken Fujioka
- Boyds e comportamento emergenteMurmuração de aves · Regras de separação, alinhamento e coesão · Monjara e aquecimento global
- Etica e MoralVariabilidade comportamental · Má-fé e ansiedade da liberdade · Sofrimento como motivação
- Livre-arbítrio vs. DeterminismoIncompatibilismo e compatibilismo · Determinismo biológico · Simone de Beauvoir · Jean-Paul Sartre
- Paradoxos da vidaPreditor e caixas · Maximização de ganhos
- Entendimento e explicaçãoHans-Georg Gadamer · Experiência hermenêutica · Experimentalismo
Temos livre-arbítrio, parte 2. Bem-vindo ao Naruhodo, o podcast para quem tem fome de aprender. Eu sou Ken Fujioka.
Eu sou Altair de Souza.
E hoje é dia de quê?
Ciência e senso comum.
Ilustríssimo ouvinte, ilustríssimo ouvinte do Naruhodô, o Altair e eu temos duas mensagens pra você. A primeira é: muito, muito obrigado pela sua audiência. Sem ela, o Naruhodô sequer teria sentido de existir. Você nos ajuda demais, não só quando ouve, mas também quando espalha episódios pra familiares, amigos e, por que não, inimigos. A segunda mensagem é: existe uma outra forma de apoiar o Naruhodô, a ciência e o pensamento científico.
Que é apoiando financeiramente o nosso projeto de podcast semanal independente, que só descansa no recesso do fim do ano. Manter o Narodô tem custos e despesas: servidores, domínio, pesquisa, produção, edição, atendimento, tempo, enfim, muitas coisas para cobrir, e algumas delas em dólar. A gente sabe que nem todo mundo pode apoiar financeiramente, e tá tudo bem. Tente mandar um episódio para alguém que você conhece, conhece e acha que vai gostar.
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Tem uma coisa que eu aprendi viajando que ninguém te ensina: a roupa errada custa mais que peso na mala. É isso mesmo que você ouviu. Tem peças que nem adianta você levar na viagem porque não vai sair da mala. Por isso eu criei uma regra para mim mesmo: só levar na viagem se não pega cheiro ruim, se não precisa passar e se aguenta firme na durabilidade. E sabe quem é que cumpre tudo isso? Claro, as peças da Insider. É qualidade garantida e tecnologia que te deixa confortável e seguro.
Já é julho e você não experimentou Insider? Então use o endereço a seguir para ter o cupom NARURODO já aplicado ao seu carrinho de compras: creators.insiderstore.com.br/naruodo. Ou clique no link que está na descrição deste episódio. Insider, inteligência em cada escolha. Altair, chegamos à parte 2 desse episódio duplo sobre livre-arbítrio. Se você ainda não ouviu a parte 1, então você vai dar uma pausa nesse episódio, voltar para o episódio anterior, o episódio 469, que é a parte 1 sobre o livre-arbítrio, tá?
E aí você volta aqui para ouvir essa parte 2. Altair, que que a gente ouviu na parte 1? Só para relembrar os nossos ouvintes, nossas ouvintes.
É, a gente falou de várias coisas, né? Então foi uma introdução mais filosófica dos principais tipos de livre-arbítrio, né? Então, na verdade, teorias sobre o livre-arbítrio ou não. Então tem basicamente aquelas que são incompatibilistas e as compatibilistas, né? Aquelas que fazem uma separação entre tem livre-arbítrio e não tem, e aquelas que são principalmente a favor da falta de livre-arbítrio, mas tem um certo tipo de compatibilidade.
Então é possível não existir livre-arbítrio e mesmo assim você ser capaz de fazer alguma coisa, né? E daí a gente começa lá atrás, vai aproximando, chegando em momentos mais atuais assim. A gente tem, e aí como eu prometi, né, no primeiro episódio, a gente vai fazer defesa de um lado, tá? Vamos ficar de um lado assim. Não é, é claro que a ideia é estabelecer um certo tipo de raciocínio socrático, mas a ideia é que a gente colocar alguma baliza, tá?
Então aqui defendemos a ausência de livre-arbítrio, tá? Não existe livre-arbítrio, mas não quer dizer que você não possa fazer nada. E aí um argumento muito importante é assim: se a gente acredita que não existe livre-arbítrio, isso para os juristas, para o pessoal do direito, isso é muito grave, né? Por quê? Porque se não existe livre-arbítrio, isso não for bem estabelecido, você não é moralmente culpado por nada. Porque, por exemplo, quem— se você matar alguém e não tem livre-arbítrio, era para você matar mesmo, então a culpa não é sua, sabe?
Falando de um jeito bem solto, tava predestinado para matar.
É, exatamente. E aí, só que claro que não é assim. Existe a moralidade das ações, você pode ser imputado por ações. E aí a gente trouxe um raciocínio importante, que é a ideia de determinismo biológico. E muitas vezes as pessoas entendem determinismo biológico como algo ligado ao que o seu comportamento vai ser. Mas na verdade, o que a gente defende, que é o modelo de determinismo biológico mais moderno, é que o que é determinado para você é a variabilidade de possíveis comportamentos que você tem.
Então, por exemplo, você não vai ficar, você não vai virar loiro, desculpa, não vai, tá? Então assim, quando você nasce, existe um limite inferior e superior das suas máximas potencialidades. Você é determinado biologicamente num certo espectro. A ideia é que você tem possibilidade de variar dentro desse espectro. Então existe um determinismo biológico, existe, só que ele é no nível da variabilidade e não no nível da média, que é como a maior parte das pessoas pensa.
Sim, então, e aí entra a ideia da imputação, né, de jurisprudência, por exemplo, a imputação moral em você. Então assim, a gente defende que não existe livre-arbítrio total e restrito, não faz sentido isso existir, tá? Mas não quer dizer que você não possa variar dentro das suas possibilidades. Por quê? Porque o tempo futuro está para ser criado, né? O tempo passado já foi, o tempo presente você está vivenciando, e o futuro existe uma rede de contrafactuais que você pode agir.
Né? E aí, já entrando no foco do episódio mesmo, né, e puxando os autores finais do episódio passado, sobretudo a Simone de Beauvoir e o Sartre, né, que ele fala da Simone de Beauvoir principalmente pela ideia da moral da ambiguidade, né. Então você entender a ambiguidade do mundo é ter um certo tipo de moral sobre ela, né. Então, e isso resvala muito na relação entre a religião católica e a protestante, né. Porque na religião católica, por exemplo, você tem os mandamentos, né?
Você tem que seguir os mandamentos, mas Deus te dá o livre-arbítrio para você fazer o que você puder, né? Então você não é preso, tanto é que você pode ser um pecador, né? Você tem que escolher se ser batizado porque você nasce do pecado, como se isso já não fosse falta de livre-arbítrio, né? Todo mundo nasce com pecado, né? Meio sacanagem, mas enfim. Mas o cristianismo, ele tem essa pegada mais de em focar o livre-arbítrio mesmo.
Você, você pode fazer aquilo que você quiser, então a providência está aí para auxiliar você a seguir o caminho menos errado, tá? Mas, mas eu pessoalmente acho mais interessante, mais moderno na verdade, o raciocínio protestante, que parece que tem uma falta de livre-arbítrio muito maior, né? Porque a ideia de ser predestinado, então você nasceu para predestinação, mas não é uma predestinação tipo rasa, Aquela, ok, você já nasceu predestinado, que está, o seu destino está traçado, é só você seguir.
Não é isso, né? O modelo protestante da predestinação, ele é interessante nesse sentido, porque ele coloca, né, que é assim, você é predestinado, mas você não sabe como foi predestinado. Então, por exemplo, se você optar não fazer nada, você pode perder aquilo que foi a sua predestinação. Entendeu? Então você não sabe o resultado, sabe? Você não sabe a fórmula, né? Existe uma fórmula que te controla, mas você não sabe qual é. Então qual que é a sua solução?
Variar, né? A sua solução é tentar não ficar parado, né? Então nesse sentido, o modelo protestante ele gera até mais senso de agência na pessoa, né? E é por isso que o modelo protestante— aí o Max Weber diz muito bem, né? A ética protestante, a lógica do capitalismo, que você tem que o quê? Empreender, né? Tem que empreender. Exato, por isso que funciona, né? É muito interessante, sabe? Cobra juros mesmo, aquela coisa toda, sabe?
Então parece que é um modelo que te prende, mas na verdade te liberta a variar, a não ficar parado, né? Então isso é muito interessante. Isso tem a ver com uma coisa que um dos meus ouvintes falou, que é o paradoxo de Newcomb. Você já ouviu falar do paradoxo de Newcomb?
Já ouvi falar, mas agora não tô me lembrando do que se trata.
Então é um tipo de jogo Tá? E é um paradoxo. Então assim, ambas as soluções são razoáveis, mas dependendo da solução que você toma, isso vai implicar um certo tipo de noção de livre-arbítrio que você tem. Então, por exemplo, o jogo é o seguinte: imagina duas caixas, tá? Uma caixa transparente, então você vê o que tem dentro, e a outra é uma caixa fosca, você não vê o que tem, tá? Na caixa A você tem R$1.000, tem R$1.000 dentro da caixa, você tá vendo, existe, tá?
Não tem roubo. A caixa B é opaca, você não consegue ver nada lá dentro, tá? Aí a ideia, a ideia é a seguinte: qual caixa você escolhe, né? A caixa que tem R$1.000. E na caixa B, né, existe uma possibilidade de ter R$1 milhão. R$1 milhão é muito mais, hein? R$1 milhão, tá? Então imagina que a caixa é suficientemente grande, ambas as caixas, para caber R$1 milhão, tá? Não tem diferença de tamanho entre elas. Então a ideia é a seguinte, assim, a caixa A tem R$1.000 com certeza, porque eu tô vendo.
A caixa B, eu não sei se tem um milhão de reais ou nada, eu não sei, tá? Aí você tem que partir do pressuposto que existe uma entidade, um preditor, pode considerar, tem gente que considera um computador, uma pessoa, um vidente, tanto faz, tá? Existe uma entidade inteligente que tem uma taxa de acerto passada. Então, de todas as pessoas que já escolheram a caixa A ou a caixa B no passado, ela sempre acertou no passado. Não tô falando da sua escolha, mas no passado ela sempre acertou.
A taxa de acerto desse preditor é máxima, né, até aquele momento presente, tá? E aí esse algoritmo, essa pessoa, esse vidente diz o seguinte: esse algoritmo já previu qual caixa você vai escolher. Ele já previu, tá? Você só não pegou, mas ele já previu. Então ele fala assim, se Por exemplo, eu quero maximizar o meu ganho, então eu não preciso pegar uma caixa ou a outra, eu posso pegar as duas se eu quiser, tá? Então aí a inteligência fala o seguinte, né, esse ser fala o seguinte: se o ser previu que você vai pegar a caixa B também, né, na caixa B não vai ter nada, tá?
Se ele previu que você vai pegar a caixa B, quer dizer que na caixa B não tem nada. Se você pegar a caixa A, tem R$1.000, isso não muda. Tá? A questão é a caixa B. Pensa comigo, então essa, essa, esse vidente sabe qual caixa você vai pegar, só que ele não te fala, tá? E aí ele deixa você escolher, pega aí, né? Então aí, aí que é o paradoxo, porque, por exemplo, se você pegar as duas, se eu pegar as duas caixas, automaticamente, se eu acreditar que o vidente é verdadeiro, por quê?
Porque o vidente, ele é um vidente quase perfeito, porque ele acertou tudo no passado, menos Essa é a escolha atual. Eu não sei se ele acertou. Se eu pegar as duas caixas e o vidente previu, automaticamente não vai ter nada na caixa B, certo? Então eu só ganhei R$1.000, né? Mas se eu não acreditar no vidente e pegar as duas caixas, pode ser que tem R$1.100.000, R$1.000.000 mais R$1.000. Verdade, pode ser, né? Então, e se eu pegar só a caixa A, eu ganho R$1.000 também, percebe?
Só que aí, se eu pegar só a caixa A, eu tô acreditando que o vidente é correto E se eu pensar em pegar a caixa B, não vai ter nada mesmo. Percebe o paradoxo? Percebe que as duas opções são corretas? Eu podia pegar as duas ou eu podia pegar uma, né? Só que dependendo da minha escolha, e esse é o paradoxo, eu estou acreditando que o vidente é verdadeiro ou não. Então, na verdade, a gente tem dois modelos de livre-arbítrio, né? Um modelo mais probabilístico, que é você pensar na maximização do ganho, Então o que que seria a maximização dos ganhos?
Pegar as duas caixas. Se eu tô pensando estatisticamente, eu vou pegar as duas caixas. Se o vidente tiver correto ou não, pode ser que tenha um milhão ou não, mas pelo menos mil eu ganhei, peguei as duas. Se eu pegar só A, né, eu estou acreditando no preditor, ou seja, eu não tenho livre-arbítrio porque já foi previsto por ele.
Percebe? Repete essa última parte.
Então, ó, se eu pegar as duas caixas Peguei as duas caixas. Eu não acredito no vidente, eu não acredito. Então eu estou acreditando nas probabilidades. Pode ser que tenha um milhão, pode ser que não tenha na caixa. Agora, se eu pegar só a caixa A, eu estou acreditando que o vidente é correto, então não vai ter nada na caixa B. Logo, não tem livre-arbítrio para mim, certo? Percebe? Mas se eu pegar as duas caixas, também não tem livre-arbítrio, só que é um livre-arbítrio que não depende do preditor, depende da probabilidade.
Percebeu o paradoxo? Então, na verdade, não tem livre-arbítrio nenhuma das vezes. Mas onde que é a causa do livre-arbítrio? É num preditor anterior, nas suas decisões anteriores, ou numa flutuação estatística? Esse é o jogo, esse é o paradoxo, tá? Então, a ideia aqui é você pensar, né? Então, se não tem livre-arbítrio, você é uma mera, uma mera, um mero resultado de uma cadeia de explicações causais estatísticas da sua biologia, da sociologia, da história, né?
Ou de fato tem uma lógica causal maior por trás de você que fez você ser você, tá? Isso tem a ver, por exemplo, essa coisa da utilidade esperada, né? E aí entra a ideia de dois livros que a gente tem, né, que são dois livros inclusive citados pelos nossos ouvintes, né? Um deles na verdade foi citado, né? Tem o livro do Richard Sapolsky, que foi mais aqui no Brasil, fez um certo frisson porque foi publicado em português, que é o Determinados, né?
Então ele defende que não existe o livre-arbítrio, e ele defende inclusive o incompatibilismo duro, que não tem livre-arbítrio mesmo, não existe de forma nenhuma, não tem compatibilidade, não tem mesmo, tá? Todas as suas ações de hoje são resultado de causas passadas. Tá bom, tudo que você faz é conectado com causas passadas, tá? Então é isso, né? Só que aí eu gostei do livro do Sapolsky, ele é interessante mesmo, né? Então, só que ele não considera, por exemplo, um episódio que a gente fez, que é o 204, que a gente fala de uma teoria de um cara chamado Libet, que é o episódio 204, é aquele: se a gente vive no passado Porque a nossa percepção é sempre 300 milissegundos atrasado em relação à realidade, né?
O episódio 204 fala sobre a percepção de tempo. Então, na verdade, você sempre tá 300 milissegundos no passado. O estímulo chega, você processa, e aí dá a resposta, né? Então sempre a gente é um pouquinho atrasado. Isso pode ser um argumento a favor do livre-arbítrio, por exemplo, porque nesses 300 milissegundos dá para você fazer alguma coisa. Verdade. É, então, só que, só que o Sapolsky não considera isso. Ele fala que é só um ruído perceptual que a gente não dá conta, sabe?
Não tá. Então esse seria o livro a favor, é contra o livre-arbítrio. Na mesma época tem um livro de um outro biólogo que é o Kevin Mitchell, que ele defende o livre-arbítrio, né? E aí ele fez um livro chamado, não tem, eu acho que não tem em português, que chama Free Agents, Agentes Livres: Como a Evolução Nos Deu Livre-Arbítrio, né? Então os dois livros saíram na mesma época e é legal ler os dois assim, tá? Só que esse acho que, esse último acho que não saiu em português.
Aí ele fala o seguinte, ele coloca o argumento dele que a vida é um processo. Como a vida é um, a vida, tipo, ele fala assim que estudar o humano é ruim para entender livre-arbítrio, você tem que estudar outros organismos, né? Então quando você pega uma célula, pega uma celulinha unicelular, tá, uma bactériazinha assim com uma célula só. Se você parar para pensar, essa célula ela trabalha constantemente, ela tá agindo no ambiente, né?
A celulinha tá tentando sobreviver. Então ela age no ambiente com células, com organelas metabólicas, com sistema metabólico que tem uma, que onde ela funciona, né, que é uma forma de lutar contra a entropia do ambiente. Porque qual que é o objetivo do ambiente? Fazer você diminuir a sua atividade para se equalizar com o ambiente. Se você parar para pensar, quem você tá vivendo lutando contra o ambiente o tempo todo, o seu corpo tá gerando radicais livres que atacam o seu corpo o tempo todo.
Então é aquela frase desmotivacional: cada dia a mais é um dia a menos, né? Inclusive tem uma coisa que eu acho que você nunca pensou na sua vida, né? Então durma com essa, tá aqui, medite sobre isso. Seria o oxigênio uma substância tóxica que te mata em média em 80 anos?
É uma maneira de enxergar, né?
Então, porque qual que é a tendência do universo? É reduzir a entropia. Fazer você ter cada vez menos movimento para se equalizar com o mundo externo, né? Que é a tendência do universo. A gente vai perdendo energia, perdendo energia, até acabar. E quando acabar a entropia, né, quando o universo entrar em estabilidade, o tempo acaba. Não tem mais tempo, né? Todas as entidades físicas acabam porque não tem ninguém variando, tá? Então, na verdade, você pode pensar assim que a vida é algo que te dá movimento e gera um processo Ou na verdade você nasce dentro de um ambiente que é venenoso e tá tentando te matar o tempo todo, né?
São duas formas de ver a mesma coisa. Uma delas a favor do livre-arbítrio, outra contra. Então o Kevin Mitchell, ele defende isso do livre-arbítrio. Você nasce onde o seu corpo tem uma tendência a manter a atividade, a ficar brigando com o ambiente, né? Então ele entende a vida como um processo. E se a vida é um processo, você tem que lutar. E lutar é manter a atividade do jeito que for. Nesse sentido, você é livre para continuar vivo, tá?
Então esse é um jeito até filosófico de pensar como uma célula vive, né, basicamente, tá? Mas você tem o outro lado, Sapolsky fala: não, a gente é um ruído estatístico, a gente é um ruído estatístico. E aí, voltando no paradoxo de Newcomb, né, o Sapolsky, ele seria, por exemplo, você pegar as duas caixas. Então não importa, é uma questão estatística, pode ser que tem um milhão ou não. Eu não preciso de nenhum vidente me dizendo meu comportamento anterior, pega as duas caixas.
E o Kevin Mitchell dizendo que não tem essa, essa sua historicidade, a vida é um processo, você tem que lutar. Então usa a informação do vidente, tá? E aí você vai falar, mas tem uma resposta correta? Não, a questão é você meditar sobre as duas. É filosófico mesmo. Por quê? Porque você não é onipotente, você não sabe se esse vidente ele é acurado, né? Então você não sabe se na caixa B vai ter 1 milhão, não. Então qual que seria a solução?
Você abraçar o determinismo biológico baseado na variabilidade e tentar variar no máximo que você pode, né? Tentar variar no máximo que você pode. Então, nesse sentido, é acreditar no Sapolsky, mas usar o método do Kevin Mitchell, que ele fala: a questão é você tentar viver, né? Vive aí, né? Tipo, volta até no princípio protestante mesmo, né, que fala assim: se você é predestinado, você não sabe por quê, como você é predestinado.
O que que você não pode? Ficar parado. Porque se você ficar parado, claramente a sua predestinação não é ficar parado, porque você foi predestinado. Logo, você tem que fazer alguma coisa, entendeu? Então, percebe percebe? E mais do que isso, você precisa de religião para acreditar ou não no livre-arbítrio? Não, não. É uma postura intelectual mesmo, é uma postura intelectual. Já que— e aí eu entro com outro paradoxo para você, Kim.
Por exemplo, imagina que você pega um ratinho, coloca numa caixinha, tá? E nessa caixinha tem um botão, uma barrinha, que se o rato apertar ele ganha comida. Só que ele não sabe, é a primeira vez que ele é colocado na barra, tá? Na caixinha, primeira vez que ele é colocado. Ele não sabe que tem barra, que tem comida, ele não sabe nada, tá? O que que o rato vai fazer? Ele vai ficar explorando, ele vai ficar tentando, né? Aí, por acaso, imagina assim, que ele tava ali e apertou a barra, né, e caiu a comida, tá?
Ele tava motivado para pegar, apertar a barra? Então, a primeira vez que ele aperta a barra, não tem como ele tá motivado, que ele não sabe a regra, né? Só que ele foi predestinado. Então, nessa caixa, ele era predestinado a apertar, a ganhar comida apertando a barra. Só que ele não sabia, entendeu? Então como é que ele faz para ser predestinado em apertar barras? Ele tem que se movimentar. Então o nosso grande inatismo para todos nós é se comportar, fazer alguma coisa, sabe?
Então uma das piores coisas para a gente é deixar de fazer coisas, seja sair na rua. E volta nos nossos, todos os nossos últimos episódios assim, você se preocupar muito com que os outros pensam é uma forma de diminuir a sua entropia e fazer você perder tempo. De agir, de trabalhar na sua variabilidade. E isso é basicamente a ética da ambiguidade da Simone de Beauvoir. Assim, eu defendo muito, eu gosto muito dela, assim, muito.
Hoje em dia, mais ainda do que o papel, o modelo feminista dela, mais até, sabe? Esse livro, Ética da Ambiguidade, é o melhor livro dela para mim. Eu acho fantástico, né, mesmo, que abriga contra o ser e o nada do Sartre, né? Por exemplo, vou te dar um outro argumento, né, porque eu falei que esse episódio é de exemplos, né? Então Temos um, acho que todo mundo que ouve a gente sabe que o aquecimento global é um problema. Assim, não existe mais negacionismo. Aqui não mora negacionismo climático, tá?
Desculpe. E se você não tá morando em outro planeta, você deve saber do que que o Altair tá falando.
É, então temos até um Naruhodo sobre isso, tem um episódio, está na descrição, sobre o aquecimento global, que é um problema. Não tem como reverter, tem como diminuir o efeito, mas reverter não tem. A gente vai se ferrar, probabilidade 1, tá? Já estamos lascados, tá? Já estamos lascados, e por culpa nossa mesmo, tá? A verdade seja dita. E aí tem sido feitos muitos esforços para reduzir o impacto do aquecimento global, tá? Dados desse ano, sabe qual foi a iniciativa mais eficaz para reduzir o aquecimento global? Monjaro. Acredita? O GLP-1.
GLP-1 tá reduzindo o consumo de alimentos, né?
Isso. Então, só esse ano, só esse ano, já tem um relatório, está na descrição o relatório: 780 milhões de libras, libras esterlinas a menos, tá? Isso é uma economia vultosa. A galera tá comendo medo porque, então, qual que é o objetivo do cara ficar tomando GLP-1? Emagrecer, né? Emagrecer para atender outras demandas individuais. Então a pessoa atende essas demandas individuais, mas quando escala tem um efeito coletivo diferente, né?
Isso é explicado pela física e estatística. Então, por exemplo, você já viu, e eu acho muito bonito assim, se eu tivesse tempo, o meu grande hobby é ornitologia. Eu gosto de observar aves, sabe aquela coisa de ave com binóculo? Eu gosto. Aliás, recomendo muito o canal Planeta Aves, vejo todos os vídeos. O Menk também, eu quero muito que ele seja entrevistado, ele manda muito bem, o doutor em ornitologia. Gosto muito do trabalho dele.
Você já viu, deve ter visto quando você viaja para o campo, e tem muito, é uma ave que chama esturgião, faz isso, andorinhas e tal, que tem aquela revoada gigante e eles formam tipo uma nuvem de aves. Ou por exemplo, cardumes de peixes que andam todos coordenados, né? Quando você olha de fora não parece muito bonito, né? Então no final da tarde tem essa onda, né, de aves todas juntinhas assim viajando, parece uma nuvem. De repente todas elas vão para uma árvore e pousa.
Tudo de uma vez assim para dormir. É impressionante, né? Então quando você olha de fora essa nuvem de aves, né, você acha, nossa, parece que existe uma, né, uma regra entre eles, né? Porque é muito coordenado, é bonito mesmo, sabe? Eles não se batem e nada, né? Então durante décadas muitos matemáticos, físicos, até filósofos estavam estudando isso, né? O que que explica, né, essas aves serem tão coordenadas? Inclusive tem um texto que eu acho fantástico dos anos 30 de 1931, de um ornitólogo que dizia que isso era uma prova de que as aves tinham telepatia, elas comunicavam umas com as outras mentalmente, né?
Essa era uma prova. Então o povo sempre fica pensando explicações mais calafobéticas, né? Mas na verdade a solução veio em 86, na verdade em 81 foi um cientista japonês, mas isso foi popularizado em 86 por um autor que é o Craig Reynolds. Né, que é um físico, e ele descobriu, né? E ele descobriu e ele criou um conceito chamado Boyd. Você já ouviu falar o que é um Boyd?
Eu já ouvi falar.
O Boyd, B-O-I-D-S, né? O Boyd. O Boyd, um Boyd é um algoritmo de vida artificial. Então, vida artificial, assim, é, isso é ligado a algoritmos de agentes. Então você pega um computador mesmo, poucas linhas de código, você impõe algumas regras para pequenos agentes e coloca eles atuando, tá? E aí o que que o Boyd descreve é assim: cada agente, cada ave tem as suas regras, não existe uma regra global. A regra global emerge a partir das regras dos indivíduos, das bolinhas, dos agentes, né?
E aí esse fenômeno das aves voando é chamado murmuração. Murmuração, essa nuvem delas, tá? Murmuração, né, que ele chama, que é um comportamento emergente a partir das regras individuais. Então, quais são as 3 regras de um Boyd que ele usa isso para descrever o comportamento das aves, né? Então imagina que você é uma ave no meio de uma nuvem de aves. Você tem que ter 3 regras basicamente para você mesmo, tá? Separação, você tem que ter uma certa distância dos seus vizinhos.
Para não bater, né? Alinhamento, alinhamento, você tem que estar indo na mesma direção que os outros em média, né? E coesão, que é ter mais ou menos a mesma velocidade dos outros, tá? Então se você coloca vários agentes, todos com essas 3 regras, separação, alinhamento e coesão, eles vão cooperar. Ou seja, a cooperação emerge da atuação dos indivíduos separados, certo? Qual que é isso? Esse algoritmo é tão poderoso que ele serve para explicar movimento de ave, de peixe, tráfego de pessoas, manifestação, um monte de coisas, tá?
E aí eu volto no exemplo, né? Um exemplo prático é isso. Por que que o aquecimento global diminuiu a partir do consumo de monjaro? Porque a regra individual que estrala, né? Então muitas vezes a gente fica pensando em: não, temos que melhorar a consciência coletiva das pessoas. Sabe, tem que melhorar a consciência coletiva das pessoas. É importante no longo prazo para você criar um sujeito social, mas no dia a dia a pessoa não muda.
Ela muda com regras simples, com regras bobas que favorecem elas mesmas, né? Então isso é muito interessante, porque se cada indivíduo prestar atenção no seu próprio comportamento com base em regras simples, você tem um efeito coletivo que vale para todo mundo. É basicamente você tentar ser o básico de uma boa pessoa. Se você tenta ser uma boa pessoa, não precisa de religião, de nada. Se você é uma boa pessoa, tá, que que é ser uma boa pessoa?
Não vou encher o seu saco, né, vou tentar criar uma distância mínima, vou tentar respeitar sua autoridade, né. Se todo mundo fizer isso, o efeito global é total, é monstruoso, percebe?
Então, então você tá dizendo que assim isso impactaria todas as outras pessoas a partir da mais próxima.
Exato. Não, é como, como o murmurar de aves ou cardumes de peixes, é a mesma coisa. Então não existe livre-arbítrio, não existe livre-arbítrio, mas não quer dizer que você não possa variar em função de regras simples, né? Então o problema são as culturas. Quando, quando peixes, aves, assim como é muito homogêneo, essa regra emerge muito rápido, né? Mas por exemplo, as pessoas consomem GLP-1 lá a mão de aro Independente de religião, tudo, né?
Se todo mundo, se fosse mais barato, todo mundo tomava, né? Só que aí tem esse efeito coletivo no todo, a gente vê esse efeito. E aí as pessoas são livres para tomar Monjaro? Quem não, né? Esse é o negócio, esse é o negócio, né? Esse é o negócio. Mas aí, por exemplo, por que que vacina o povo resiste? Porque o benefício não é próximo, é distante, percebe? E aí tem o nosso Naruhodo sobre por que preferimos certas marcas a outras.
Se toda vacina ajudasse a emagrecer, né?
Porra, não é? Se toda vacina resolvesse impotência, acabou, acabou. Tava tomando 1 litro do bagulho já, né?
Mesmo que fosse só um efeito colateral, né?
Exatamente. A videoviagra, o vídeo, o próprio Monjaro, né?
Que na verdade as primeiras versões eram todas para diabetes, para tratamento de diabetes.
E aí estrala, né? Então Então todos esses medicamentos ou processos que tem uma consequência individual próxima, o indivíduo se vê, vê o frame positivo disso, ele adere, mas vai ter um ganho coletivo, vai ter um. E é por isso que é muito fácil você ficar vendendo chocolate. É por isso que hoje, e é verdade, que você vai concordar comigo, hoje é o mundo do entretenimento. O mundo hoje é entretenimento, é a base da sociedade de mercado, é entreter.
Né? Por quê? Porque tem ganho próximo para tudo. E é por isso, por exemplo, que a gente tá no raio da Copa, desgraça do Satanás. Todo mundo vendo o jogo e eu fico puto, é sério. Sorte que eu não sou juiz, sabe? Sorte que eu não sou juiz federal, porque eu interditaria toda essa casé TV, essas bosta aí, sabe? Por quê? Porque no meio do jogo, e a galera não sabe o quanto isso é deletério, o quanto, o quanto que ataca mesmo, né? É que no meio do jogo, não sei se você— eu não perco tempo vendo jogo, mas eu vi um, sabe, que, que, que, quanto eu me arrependo do tempo que eu perdi, sabe.
No meio, no meio do jogo, quem é sério, os comentaristas induzindo as pessoas a apostar, fazendo odds, sabe. Isso é desonesto, desonesto.
E falando, olha só, as odds estão boas neste momento, hein.
Então eu quero que todo mundo faça essa seguinte imaginação. Imagina lá os caras lá, os comentadores, todos eles cheirando cocaína. Falou, agora é uma boa hora para cheirar cocaína. Exatamente a mesma coisa, exatamente a mesma coisa. Não tem nenhuma diferença, nenhuma diferença. A questão é um julgamento moral, o quanto que é aceitável ou não. Isso mostra que a gente acabou como civilização, a galera não estar cônscia desse tipo de coisa.
E mostra que a gente não tem livre-arbítrio cacete nenhum, né? Claramente, porque a gente acha que o nosso comportamento individual, como a gente não é onipotente, acha que a gente tem que pegar as duas caixas, né? E não tem uma entidade que, por exemplo, são seus amigos ou você mesmo no passado, né, que criava as regras para controlar. Você era o vidente, quem? Vocês da publicidade eram os videntes que previam o comportamento das pessoas e faziam elas acreditarem que pega as duas caixas que vai dar certo.
Só que você sabe que você não botou um milhão na caixa B, né? E a pessoa abre a caixa, não tinha nada. Puts, não tinha mesmo, que azar!
Sabe?
Não percebe que já foi tudo predestinado. Ai, que preguiça, meu Deus do céu! E aí me faz lembrar de um autor da sua área, da área de comunicação, autor que eu sei que você não deve ter lido na graduação, porque o cara era bom, né? Não era o Kotler, né? O cara era bom, que era o Hans-Georg Gadamer. Gadamer era foda, o cara assim, ele era meio, tinha coisas, mas tem textos bons, tá? Tem um texto dele que chama Verdade e Método. Né, que tem uma frase que eu nunca esqueci desse texto, que ele coloca assim, abre aspas: cada individualidade é a manifestação de um viver total, embora não seja a totalidade do viver.
Não parece uma frase para você falar no sarau? Não parece? Então, exatamente, né? Só que tem, é exatamente uma frase estatística, né? Então, cada individualidade é a manifestação de um viver total, embora não seja a totalidade do viver. Exatamente uma definição desse livre-arbítrio, dessa falta de livre-arbítrio, compatibilístico, né, ou compatibilista. E dá para reler essa frase do jeito estatístico. Então, usando a linguagem estatística, é o mesmo que você falar que cada estimativa é uma manifestação do estimador, embora não seja a totalidade do parâmetro.
É a mesma coisa, tá? Exatamente. E é interessante essa, assim, que quando eu olho o seu comportamento, o seu comportamento é uma parte do viver total, mas não é a totalidade do viver, porque tem variabilidade. Você poderia ser coisa outra o tempo todo, né? Mas não quer dizer que você poderia ser qualquer coisa, mas você poderia ser coisa outra dentro de uns limites assim, né, pré-estabelecidos. Isso que é a diferença muito importante entre indeterminação e não previsibilidade, tá?
O seu comportamento é previsível, só que ele é indeterminado naquele momento, tá? Mas existe um espectro. Então você sempre pode ser mais do que você é. Esse é o drive, essa é a mensagem, tá? Se a gente fosse aves dentro de uma revoada de aves, né, de um murmúrio de aves, você poderia ter como regra isso para sua vida. Assim, você sempre pode ser mais do que o que você é. E quando eu digo mais, não quer dizer melhor, não quer dizer progresso, não quer dizer evolução, tá?
Não para com esse argumento liberal. Você pode ser diferente do que você é o tempo todo. Você sempre pode ser diferente. Aumente a variabilidade do seu comportamento. Isso é se abrir à alteridade, isso é a lógica da ética da moralidade, ética da ambiguidade da Simone de Beauvoir, tá? É fundamental. E o Gadamer descreve isso muito bem, né, que ele coloca que a diferença entre entendimento e significado. Então você entender uma coisa é diferente de captar o significado de uma coisa, né?
Entender é uma coisa cognitiva. Eu dou exemplo até da terapia, tá? Eu sei que você é uma pessoa inteligente, e aí você faz terapia há algum tempo. Tá? Eu tenho certeza, ó, nem preciso falar com seu terapeuta, tá? Eu tenho certeza que várias coisas que você é, você sabe explicar. Você sabe explicar por que que você é várias coisas, tá? Assim, claro que anos atrás acontecia com mais frequência, mas hoje acho que acontece menos do seu terapeuta falar uma coisa que te pega pelo pé 100%, assim, nada.
É mais fácil aqui do Narodô eu te falar alguma coisa, nunca pensei nisso, do que na terapia, né? Então muitas vezes você consegue explicar os porquês. Ou seja, você tem entendimento, mas não quer dizer que você tem o significado, porque você não simboliza o bagulho. Você não só para, você não consegue parar de pensar e sentir o rolê, entendeu? Esse é o negócio. Isso é a totalidade do viver, sabe? Que eu concordo com você, eu tenho dificuldade também, é uma merda, né?
E é verdade. Por quê? Porque o significado, né, é uma fusão de horizontes, é uma fusão de diferentes horizontes. O entendimento é algo mais formal mesmo, uma descrição formalista. Né, que aí a diferença entre um texto, o texto bruto. Então quando você, quando você entende uma coisa, é como se você pudesse escrever um texto, escrever um texto que explica, né, é uma coisa distante, tá. É diferente de você ser um interpretador. Quando você é um interpretador de um fenômeno, por isso que computador, o computador entende coisas, mas não significa coisas, tá.
O significado é você juntar horizontes. É você juntar o horizonte. Por exemplo, quando você faz uma explicação do porquê você é de um certo jeito, por que que você escolheu essas palavras e não quaisquer outras? Isso é o significado. Tem um horizonte linguístico e tem um horizonte histórico. É você conseguir, você conseguir se localizar na história, na sua história também, sabe? Isso cria um diálogo, né? E aí o que o Gadame chama de experiência hermenêutica do conhecer.
E aí a ideia, e aí ele coloca um conceito que é o experimentalismo. Quando eu falo isso, que você tem que saber variar, é o experimentalismo. O que que é o experimentalismo, né? É você perceber que a sua experiência da vida muda dependendo de quais perguntas você faz para você mesmo. A questão não é explicar, mas é o que você pergunta para você mesmo a cada momento.
Tá, você consegue me exemplificar isso?
Por exemplo, imagina, sei lá, você tem alguma coisa em você que você não gosta e você entende todo o processo causal do porquê você é assim. Tá, você pode até explicar factualmente. Imagina que é verdade, tá? Tem um condicionante histórico, cultural, familiar que fez você ter uma certa crença sobre você mesmo que você não gosta, tá bom? A questão é, a questão é, a partir daí, o que que você faz com isso? Que perguntas você faria para você mesmo?
Não é mudar, não é mudar, porque mudar você tem explicação já, certo? Assim, imagine que isso não muda. O que você quer responder de perguntas dado que isso existe? Isso varia muito, porque aí é olhar para frente mesmo, sabe? Isso é o experimentalismo, né? Então aí você pensa a ideia do significado, né, que é diferente de uma explicação. A explicação é estanque, a explicação é aquilo parado no tempo. O significado não é um objeto, mas é um evento probabilístico.
Quando eu dou um evento probabilístico, então quando eu dou uma explicação, por exemplo, explicação de prova: quais foram as causas da Revolução Francesa? Isso é uma explicação, é parado no tempo, tá? O que que é um significado? É quando eu transformo isso num evento probabilístico. Você está dando uma explicação agora, não quer dizer que você não possa mudar de ideia depois, sabe? Você localiza essa explicação no tempo, ou seja, você sabe o quão errado você tá a cada significado que você dá, porque é um objeto probabilístico.
Se é probabilístico, tem incerteza. Então é você abraçar, soltar e se queimar. É basicamente isso, sabe? Tipo, essa explicação, aí você sente tudo bem. Nossa, então eu entendi. Não entendeu nada, porque tempo corre. Você pode ser muitas outras coisas, você sempre pode ser diferente, percebe? Então, de novo, eu volto no exemplo dos boides, das aves. A galera sempre fica botando culpa nos outros, sabe? No capitalismo, nas coisas.
Não, o negócio é individual, o negócio é individual. Então, por exemplo, por que que tem— e a gente vai ter episódios mais para frente— porque tem vários eventos que a gente chama de coletivo, mas é individual. Tem várias decisões individuais que a gente transforma em decisão política, isso é um ataque ao tecido social. Eu vou dar um exemplo que eu até falei nos 3 elementos e teve uma galera que não entendeu e não vai entender mesmo, que faz sentido não entender, tá?
Que é, por exemplo, não monogamia. Não monogamia é uma decisão individual, é uma decisão da ave, tá? É uma decisão da ave que a gente tá aplicando como se fosse um princípio da nuvem de aves, do murmúrio das aves. Vai dar errado, né? Por quê? Porque aí tem a ver com a semiótica da rede social. Então, por exemplo, todas as vezes, pode achar uma exceção, todas as vezes que se fala, por exemplo, de não monogamia em rede social, é para alavancar o indivíduo que está falando como um ser político.
Não é porque, porque é colocado como uma verdade absoluta, o que claramente não faz nenhum sentido, tá? Você, porque você dizer, por exemplo, eu dizer eu sou não monogâmico, é um erro de categoria porque exclui o outro. Eu, eu, na verdade, um determinismo biológico do jeito errado, ou um determinismo social do jeito errado, né? Você não é, você não pode ser monogâmico ou não monogâmico se você não tá em interação com outro, porque é um relacionamento.
Então bota uma IA então para se relacionar, percebe que não faz sentido, né? Você confunde explicação com significado, né? Erra tudo, gera o quê? Doença mental. Aí gera o quê? Polarização, né? Todo mundo fica coringando, um porque quer ser católico demais e o outro porque quer ser namastê gratidão demais, entendeu? Tá tudo errado. Então, porque o que que acontece nesse caso? Que vai gerar necessariamente polarização. Porque, e de novo, a questão não é que o tema não seja importante, é que é apresentado como se fosse o princípio do conjunto dos objetos e não de cada um individual.
Então E aí a gente vai ter um episódio mais para frente para não monogamia. Mesma coisa da fofoca, que eu já falei em episódios, que é um ataque ao tecido social você transformar fofoca num fenômeno coletivo, né? Sobretudo em rede social, que é quando você fica explanando pessoas que você nunca viu, nunca viu na vida. Isso gera dano social, a volta para o indivíduo que é o alvo da fofoca. Por isso que gera suicídio, gera vários problemas.
Tem que ser proibido, coibido mesmo, sabe? Então a fofoca é uma coisa menos ruim Quando é analógico, quando é eu com você, que a gente não faz fofoca em rede social, não é para fazer fofoca, tem que ter regulação para isso. Então, por exemplo, monogamia e não monogamia não é tema para coletividade, é um tema para as regras individuais baseadas em relações analógicas, entendeu? É tema para os indivíduos criarem significado, não para ter uma explicação política.
A maior asneira que existe é falar que não monogamia é um movimento político. Na verdade está alavancando pessoas do mesmo jeito que islamismo, que movimentos sectaristas teocráticos. É a mesma coisa, só tá trocando de lado, sabe? Não faz nenhum sentido. Você perde mais ainda do seu livre-arbítrio, da sua falta de livre-arbítrio.
Você diminui a sua variabilidade.
Essa afirmação de que não monogamia é um movimento político, não é nem ser contra, ele é conceitualmente errado, porque você confunde É a mesma relação de equivalência você falar que ser católico é um movimento político. Então temos que lutar por um Estado laico, apesar de ele só ser no papel, né? O Estado laico é você não ter influência no Congresso de entidades religiosas. Eu sou totalmente contra religião. Religiosidade, beleza, a manifestação da sua crença no divino, aí é uma coisa analógica, individual, pode ser sua regra pessoal para estar dentro da nuvem das aves.
Tranquilo, mas você não pode transformar isso no movimento. Se transformar isso no movimento, o Brasil é um país descaradamente cristão, né?
Quer dizer, historicamente, o laicismo ou a laicidade colocada na Constituição é uma piada, né?
Exatamente. Mas, por exemplo, o movimento ateísta também é ruim, porque a ideia é a defesa da religiosidade, né? E do Estado laico, onde as decisões coletivas não pode ter como regra das aves questões ligadas a direitos reprodutivos, não direito reprodutivo, mas coisas ligadas à escolha de parceiros, por exemplo, porque é uma decisão individual. Então, por exemplo, o que que seria extremamente produtivo, né? É você criar política pública.
Essa diferença entre política e filosofia. Então, não monogamia, por exemplo, é uma decisão filosófica, é o jeito como eu penso. Quem, tá? Filosofia é o jeito de pensar, é o jeito como eu penso, tá? Eu acho que para mim essa é uma decisão pessoal, não adianta ficar fazendo panfleto disso. Sabe, isso é transformar uma questão política numa questão individual. Isso polariza, tá? Então, por exemplo, não monogamia não é discussão de rede social, é uma discussão na escola.
Então, o que que seria, por exemplo, algo válido? É uma política pública. Então vamos lutar para ter jurisprudências, jurisprudências, por exemplo, que você pode aceitar todos os tipos de casamento. Então, por exemplo, se nós dois e sei lá quem quer casar, vamos casar em 5 pessoas. Pode, pode casar do jeito que você quiser, tá? E aí vai ter respaldo legal, vai ter respaldo jurídico, financeiro, ético, tudo, né? Acabou, não precisa mais ser monogâmico e não monogâmico, volta a ser uma decisão individual, percebe?
Não importa, né? Quando você cria a diferença, né, do código de ética e de conduta, quando você cria a regra de conduta, ó, é possível na nossa sociedade fazer uniões, você pode se unir do jeito que você quiser. Percebe que a questão de não monogamia fica irrelevante? Completamente irrelevante. É isso que temos que lutar pelas— de novo, é a questão do Boyd. São regras simples onde você pode variar ali dentro e gerar muita variabilidade na coletividade, entendeu?
É tipo você pensar que a liberdade é você fazer tudo que você quer, não faz sentido. As pessoas precisam de regras, só que essas regras têm que ser simples. Você não precisa ficar lendo 320 autores para fazer um episódio, mas isso é problema meu, tá? A questão não é essa. A questão é, e finalmente fechando o episódio, a ideia de pensar em livre-arbítrio estrito não faz sentido. É muito mais um exercício intelectual do que algo da realidade material.
De fato, temos várias camadas de falta de livre-arbítrio, seja a histórica, social, a biológica, determinismo biológico, mas no nível da variabilidade, não no nível médio, tá, que não faz sentido. E dado isso, o que que a gente faz, né? Começar a separar claramente O que que é filosofia e o que que é política? Política são as regras de conduta da nossa sociedade, que deveriam ser laicas, totalmente laicas, tá? Sem nenhum tipo de instituição, regras como as regras dos boides, tá?
Somos aves e temos que fazer aquela nuvem. Você não vai bater no seu coleguinha, você vai manter a direção dele e vai manter mais ou menos a velocidade deles. Dentro desse espaço que você criou, você pode ser o que você quiser. É isso. Só seja uma pessoa legal, sabe? E perceba que ser uma pessoa legal é incompatível com ser feliz. E aí a felicidade volta como a consequência de ser legal e não a causa. Eu sou feliz, por isso sou legal.
Tá errado. Vai estar numa bolha qualquer lá reproduzindo ideologia, sabe? Agora, claro que todo mundo reproduz ideologia, mas a ideia de reproduzir uma ideologia mais inclusiva, né, onde você abraça— a questão não é ser feliz, a questão é que você consegue controlar o quanto você sofre. E esse sofrimento é o combustível motriz da sua motivação.
Quer dizer, eu preciso sofrer para querer viver.
Exatamente. Senão, que é o ratinho explorar dentro de uma— é sério, quem imagina que você é um rato num ambiente artificial dentro de um laboratório, você vai ter medo o tempo todo. O rato dentro de um laboratório, mesmo que nasce no laboratório, ele sempre vai ter medo. Eu já trabalhei com ratinhos no laboratório. Imagina se colocar o ratinho dentro da caixa, mesmo apesar de todo aquele medo, Ele continua explorando a caixa. Essa é a tendência dele, sabe?
Num ambiente tóxico, sabe? Num ambiente que vai matá-lo em algum tempo da vida dele, ele tenta explorar, ele tenta descobrir, ele tenta resistir. Aí é a grande Simone de Beauvoir fechando, né, da ética da ambiguidade. Você tem a obrigação moral de não parar. Essa é sua obrigação moral: não pare. Você não tem, você não tem o direito de parar. E quando eu falo movimentar, não é trabalhar mais, não é nessa coisa de ascender, de empreender, não é isso.
Não tem a ver com evolução, não tem a ver com progresso, tem a ver com sentido, tem a ver com esse sentido de não parar. Você pode escolher procrastinar, até aí não tem problema, mas você se torna, você não nasce. Aquela que a Simone de Beauvoir fala, né, que a mulher não nasce, ela se torna. Mas as pessoas são assim. Você se tornou o quem? Você não nasceu quem? Você se tornou, mesmo apesar disso ter sido, entre aspas, predestinado.
Mas você poderia ser milhares de outros quens. Mas você é esse, sinto muito, né? E não quer dizer que amanhã você não possa ser milhares de outras pessoas.
Fora as mudanças que acontecem no mesmo quem, né?
Exatamente. Então veja que é um cenário complexo, probabilístico, e na verdade isso não pode te assustar. Pô, vamos jogar, né? Joga aí, sabe? Vamos tentar mais, vamos tentar mais. E a questão é isso: seja uma pessoa legal, sabe? Pense como um boy mesmo, tipo Cria um espaço, tipo, não bata no coleguinha, observe a direção dos outros e crie uma distância segura desses outros. E aí você vai ver que quem olhar de fora vai ver um movimento muito legal, por exemplo, reduzindo o aquecimento global, melhorando as desigualdades a partir de coisas bobas, né?
Então isso, e aí a minha área, o que que os cientistas têm que fazer, né? Estudar a diferença entre decisão e escolha. Essas decisões coletivas como elas emergem a partir de comportamentos individuais paradoxais. Por exemplo, ninguém esperava que você tomando, começar a tomar mongeiro diminui o aquecimento global, porque vai diminuir o consumo, e aí tem uma cadeia de coisas. Isso pode ser estudado, temos que ter doutorados nessa área de complexidade e tal.
E aí que volta no nosso narrodo sobre interdisciplinaridade, que é muito importante. Temos que formar pessoas para isso. E aí eu fecho com uma conversa que a gente teve, quem é, uns dias atrás, né, que eu até te perguntei, lembra? Que a gente tava no Itacaia, né? Eu perguntei assim, na sua área de planejamento, né, que você trabalha com isso há décadas, como que o GPT impactou, né? E aí você falou, ah, não impactou muito, mas impactou nos júniores, né?
Porque o GPT, ele é um bom funcionário júnior, só que aí não vai ter mais júniores.
E como é que faz se você não tem júniores? No futuro você não vai ter middle management também, né?
Ninguém, não vai ter ninguém, né? Então vai acabar com a área. E esse, então, então na verdade não é que, na verdade seria redefinir o júnior, né? E talvez a ideia de redefinir o júnior volta na universidade, né? Que seria redefinir, por exemplo, o que que você aprende na universidade. Você aprender coisas coletivas, você integrar mais a comunicação, não. E aí essas brigas aí é minha culpa mesmo, briga de departamento, sobretudo dessas áreas de humanas.
É uma perda de tempo gigante, que é começar, tipo, de novo, volta episódio 183, 184, quebrar as exatas humanas biológicas. Então, se você fosse refazer sua graduação, tinha que ter muito mais estatística. Programar hoje é mais fácil, mas tinha que ter muito mais estatística, mensuração, você ser capaz. E aí volto no Gadamer, a questão, ao invés de você ser um planner baseado em explicações, que é o que você tem quando você se forma, você criar significado.
Que é você parar de pensar num objeto e sim em eventos probabilísticos, integrando diferentes áreas, né? Então, na verdade, é para você virar sociólogo, psicólogo, biólogo, tudo, ter aula de tudo mesmo, ter uma formação interdisciplinar. Aí você vai ser um júnior capaz de fato de integrar as LLMs e gerar um resultado ainda mais satisfatório, percebe? Essa é a saída.
Tomara, viu, Thaís, porque realmente eu estou preocupado com a não formação de novas pessoas, né, que vão estar preparadas para assumir compromissos, responsabilidades maiores lá na frente. Mas tem que passar pela experiência de resolver problemas menos complexos antes, né?
Isso, não, mas é mais integrados, né, cada vez mais integrados. E de novo, a solução já existe, a questão é implementar. E a questão é o docente, o docente tem que se recapacitar totalmente. Ele vai ter que mudar completamente para poder se adequar a esse tipo de demanda, tá? Então você vai ter que ter numa sala, por exemplo, na sala de comunicação, tem que ter o comunicólogo, psicólogo, biólogo, todos juntos. Você vai ter que ter aula com todos para poder integrar, para criar esses modelos complexos mesmo, sabe?
E de novo, é totalmente factível. Eu visualizo isso. Não é assim, não é simples, mas dá para fazer e o custo não é tão alto. A questão é o começo, a formação das pessoas, das primeiras levas. E aí a coisa melhora, né? Mas ao mesmo tempo, isso é um fenômeno individual mudando as regras das aves, né? Mas a questão também é a nossa luta constante para redução da desigualdade, porque senão qual vai ser a solução para ter uma nova geração de júniores?
Guerra. Vai ter a guerra, tem uma quebra, né? Eu prefiro evitar isso, tá? Eu também.
Eita, eu também, Altair, eu também.
Mas já que não temos livre-arbítrio, mas não quer dizer que não dá para fazer nada, tem que ter muita coisa a ser feita.
O que que é a sua recomendação final então?
Então pense na variabilidade. Você é uma das, de novo, a grande mensagem: significado não é um objeto, mas um evento probabilístico. Amanhã, quando a gente tá gravando agora, quando você for dormir amanhã, você pode ser muito mais do que você é hoje. E muito mais não no sentido de melhor, muito mais no sentido de diferente. Tenha isso em mente, sempre pode ser diferente, sabe?
No sentido de mais possibilidades mesmo, né?
Porque elas existem, não é uma questão, isso não é questão de fé, não é questão de fé, isso é fato, fato. Muitas vezes você abre mão disso, que é o que a Simone de Beauvoir e o Sartre chamam de má-fé. Má-fé é aquela pessoa que finge não ter escolha, é quando você finge que não tem escolha E aí você escapa da ansiedade da liberdade. Que isso, não seja otário, toca, sabe? Toca, é isso.
Mas é, o ser humano é tão maluco que cria até fantasmas para atrapalhar sua própria liberdade de escolha.
Exatamente, exatamente. Isso nos mantém em comunidade por causa da linguagem e tal, mas é uma prisão eterna e que a gente tem que lutar isso contra isso continuamente. Então lembrando, você não escolhe o quanto você vai ser feliz Mas você escolhe o quanto você sofre. E a partir daí, talvez você seja um pouquinho feliz. Essa é a meta para nossa vida.
É isso daí, então. Final desse episódio duplo que vai dar o que falar sobre livre-arbítrio, Altair. Acho que vai explodir algumas cabeças aí, viu, Altair?
É, vamos ver, né? O base rate tá sempre garantido, né?
Então tudo bem. Tá certo, então. E Naru Rodô, ilustríssimo ouvinte. E você já sabe, aqui no Naru Rodô quem faz a pauta é você. Você tem alguma pergunta pra gente ou quer comentar algum episódio?
Escreva pra nós: podcast@narurodô.com.br. Repetindo: podcast@narurodô.com.br.
E lembre-se, mande nome completo, idade, profissão e a cidade de onde você está falando.
É isso aí. Naruto. Esporte Bet é apresentado por B9.com.br.
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