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Naruhodo #475: Prêmio IgNobel 2026 - Parte 1 de 2

21 de setembro de 202648min
0:00 / 48:53

Chegou o tão esperado episódio duplo sobre o Prêmio IgNobel. Esta primeira parte da edição 2026 traz as categorias Biomecânica, Economia, Química, Medicina e Biologia. Confira!

Confira o papo entre o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza.

>> OUÇA (48min 54s)

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SOBRE O NARUHODO

Naruhodo! (@naruhodopodcast) é o podcast pra quem tem fome de aprender. Ciência, senso comum, curiosidades, desafios e muito mais. Com o leigo curioso, Ken Fujioka (@kenfujioka), e o cientista PhD, Altay de Souza (@altayals).

Edição: Reginaldo Cursino (@reginaldocursino)

Ilustração e Capa: Felipe Cruz (@felipecruzart)

http://naruhodo.b9.com.br

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REFERÊNCIAS

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PARTE 1

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PRÊMIO IG NOBEL DE BIOMECÂNICA 2026 [REINO UNIDO, EUA]

Matilda Brindle, Catherine Talbot e Stuart West, por elaborarem uma definição mais precisa de beijo — “interações não agonísticas envolvendo contato oral-oral direcionado, intraespecífico, com algum movimento dos lábios/peças bucais e sem transferência de alimento” — em formigas, aves, ursos-polares e seres humanos.

REFERÊNCIA: “A Comparative Approach to Kissing” [“Uma abordagem comparativa do beijo”], Matilda Brindle, Catherine F. Talbot e Stuart West, Evolution and Human Behavior, vol. 47, nº 6, 2026, artigo 106788.
doi.org/10.1016/j.evolhumbehav.2025.106788

PRÊMIO IG NOBEL DE ECONOMIA 2026 [EUA, MÉXICO, CANADÁ]

Paul Piff, Daniel Stancato, Stéphane Côté, Rodolfo Mendoza-Denton e Dacher Keltner, por reunirem evidências de que pessoas de classes sociais mais altas têm maior probabilidade de pegar doces destinados a crianças e de se envolver em outros tipos de comportamento antiético.

REFERÊNCIA: “Higher Social Class Predicts Increased Unethical Behavior” [“Classe social mais alta prediz maior comportamento antiético”], Paul K. Piff, Daniel M. Stancato, Stéphane Côté, Rodolfo Mendoza-Denton e Dacher Keltner, Proceedings of the National Academy of Sciences, vol. 109, nº 11, 2012, pp. 4086–4091.
doi.org/10.1073/pnas.1118373109

PRÊMIO IG NOBEL DE QUÍMICA 2026 [ÍNDIA, FRANÇA, JAPÃO, CANADÁ, EUA]

Sanchari Banerjee, Nathan Coussens, François-Xavier Gallat, Nitish Sathyanarayanan, Jandhyam Srikanth, Koichiro Yagi, James Gray, Stephen Tobe, Barbara Stay, Leonard Chavas e Subramanian Ramaswamy, por descobrirem que as proteínas do “leite” produzido por baratas vivíparas concentram três vezes mais energia do que as proteínas do leite de vaca.

REFERÊNCIA: “Structure of a Heterogeneous, Glycosylated, Lipid-Bound, in Vivo-Grown Protein Crystal at Atomic Resolution from the Viviparous Cockroach Diploptera punctata”, Sanchari Banerjee, Nathan P. Coussens, François-Xavier Gallat, Nitish Sathyanarayanan, Jandhyam Srikanth, Koichiro J. Yagi, James S.S. Gray, Stephen S. Tobe, Barbara Stay, Leonard M. G. Chavas e Subramanian Ramaswamy, IUCrJ, vol. 3, nº 4, 2016, pp. 282–293.
doi.org/10.1107/S2052252516008903

PRÊMIO IG NOBEL DE MEDICINA 2026 [JAPÃO]

O falecido Tokuji Unno, pelo estudo intitulado “Como assoar o nariz — um estudo aerodinâmico do ato de assoar o nariz”.

REFERÊNCIA: “How to Blow the Nose — An Aerodynamic Study of the Nose Blowing” , Tokuji Unno e Hiroshi Yajima, Nippon Jibiinkoka Gakkai Kaiho, vol. 80, nº 1, janeiro de 1977, pp. 11–17.
https://doi.org/10.3950/jibiinkoka.80.11

PRÊMIO IG NOBEL DE BIOLOGIA 2026 [BRASIL, AUSTRÁLIA]

João Miguel Alves-Nunes, Adriano Fellone, Selma Maria Almeida-Santos, Carlos Roberto de Medeiros, Ivan Sazima e Otavio Augusto Vuolo Marques, por pisarem cuidadosamente em diferentes partes de diversas serpentes peçonhentas — repetidamente, em diferentes temperaturas e em diferentes horários do dia — para tentar descobrir o que faz e o que não faz uma serpente peçonhenta morder um ser humano.

REFERÊNCIA: “Study of Defensive Behavior of a Venomous Snake as a New Approach to Understand Snakebite”. João Miguel Alves-Nunes, Adriano Fellone, Selma Maria Almeida-Santos, Carlos Roberto de Medeiros, Ivan Sazima e Otavio Augusto Vuolo Marques, Scientific Reports, vol. 14, 2024, artigo 10230.
doi.org/10.1038/s41598-024-59416-6

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PARTE 2

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PRÊMIO IG NOBEL DE FÍSICA 2026 [CANADÁ, EUA, CHINA, ARÁBIA SAUDITA]

Randy Hurd, Zhao Pan, Tadd Truscott e Kaveeshan Thurairajah, por suas tentativas teóricas e experimentais de projetar um mictório que não produza respingos.

REFERÊNCIA: “Splash-free Urinals for Global Sustainability and Accessibility: Design Through Physics and Differential Equations” , Kaveeshan Thurairajah, Xianyu (Mabel) Song, J.D. Zhu, Mia Shi, Ethan A. Barlow, Randy C. Hurd, Zhao Pan, PNAS Nexus, vol. 4, nº 4, abril de 2025, pgaf087.
doi.org/10.1093/pnasnexus/pgaf087

PRÊMIO IG NOBEL DE TECNOLOGIA 2026 [CHINA, CANADÁ, EUA, EGITO]

Justin Puma, Zhen Yang, Evan Johnston, Zixin Zhang, Xiaoyi Lan, Lingzhi Zhang, Hongyu Hou, Zixin He, Ali Afify, Megan Creighton, Jianyu Li e Changhong Cao, por serem pioneiros no uso de probóscides de mosquitos como bicos de impressão 3D de alta resolução, em um processo denominado “Necroprinting” (“necroimpressão”).


 

REFERÊNCIA: “3D Necroprinting: Leveraging Biotic Material as the Nozzle for 3D Printing”, Justin Puma, Zhen Yang, Evan Johnston, Zixin Zhang, Xiaoyi Lan, Lingzhi Zhang, Hongyu Hou, Zixin He, Ali Afify, Megan A. Creighton, Jianyu Li e Changhong Cao, Science Advances, vol. 11, nº 47, 19 de novembro de 2025.
doi.org/10.1126/sciadv.adw9953

PRÊMIO IG NOBEL DE OLFATO 2026 [POLÔNIA, ALEMANHA, SUÉCIA]

Ilona Croy, Tomasz Frackowiak, Thomas Hummel e Agnieszka Sorokowska, por reunirem evidências de que bebês têm um cheiro maravilhoso para seus pais, mas adolescentes não.

REFERÊNCIA: “Babies Smell Wonderful to Their Parents, Teenagers Do Not: An Exploratory Questionnaire Study on Children’s Age and Personal Odor Ratings in a Polish Sample” Ilona Croy, Tomasz Frackowiak, Thomas Hummel e Agnieszka Sorokowska, Chemosensory Perception, vol. 10, nº 3, 2017, pp. 81–87.
doi.org/10.1007/s12078-017-9230-x

PRÊMIO IG NOBEL DE CIÊNCIA DO SOLO 2026 [SUÍÇA, PAÍSES BAIXOS, ALEMANHA]

Franz Bender, Marcel van der Heijden, Atlant Bieri e Pia Viviani, por enterrarem 1.000 pares idênticos de cuecas em mais de 25 países e depois desenterrarem essas cuecas dois meses mais tarde.

REFERÊNCIA: “Assessing Soil Health with Underpants”, S. Franz Bender e Marcel G.A. van der Heijden, Science, vol. 387, nº 6737, 2025, p. 936.
doi.org/10.1126/science.adw0030

PRÊMIO IG NOBEL DA PAZ 2026 [EUA, ARGENTINA, AUSTRÁLIA]

Jaimie Arona Krems, Rebecka Hahnel-Peeters, Laureon Merrie, Keelah Williams e Daniel Sznycer, por documentarem que valorizamos amigos que são cruéis com pessoas de quem não gostamos.

REFERÊNCIA: “Sometimes We Want Vicious Friends: People Have Nuanced Preferences for How They Want Their Friends to Behave Toward Them Versus Others” Jaimie Arona Krems, Rebecka K. Hahnel-Peeters, Laureon A. Merrie, Keelah E.G. Williams e Daniel Sznycer, Evolution and Human Behavior, vol. 44, nº 2, 2023, pp. 88–98.

doi.org/10.1016/j.evolhumbehav.2023.02.008

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OUTRAS REFERÊNCIAS

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Naruhodo #151 - Especial Prêmio Ig Nobel 2018 - Parte 1 de 2

https://www.b9.com.br/shows/naruhodo/naruhodo-151-especial-premio-ig-nobel-2018-parte-1-de-2/

Naruhodo #152 - Especial Prêmio Ig Nobel 2018 - Parte 2 de 2

https://www.b9.com.br/shows/naruhodo/naruhodo-152-especial-premio-ig-nobel-2018-parte-2-de-2/

Naruhodo #202 - Especial Prêmio Ig Nobel 2019 - Parte 1 de 2

https://www.b9.com.br/shows/naruhodo/naruhodo-202-especial-premio-ig-nobel-2019-parte-1-de-2/

Naruhodo #203 - Especial Prêmio Ig Nobel 2019 - Parte 2 de 2

https://www.b9.com.br/shows/naruhodo/naruhodo-203-especial-premio-ig-nobel-2019-parte-2-de-2/

Naruhodo #254 - Especial Prêmio Ig Nobel 2020 - Parte 1 de 2

https://www.b9.com.br/shows/naruhodo/naruhodo-254-especial-premio-ignobel-2020-parte-1-de-2/

Naruhodo #255 - Especial Prêmio Ig Nobel 2020 - Parte 2 de 2

https://www.b9.com.br/shows/naruhodo/naruhodo-255-especial-premio-ignobel-2020-parte-2-de-2/

Naruhodo #302 - Prêmio IgNobel 2021 - Parte 1 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=tos9wQyGSTI

Naruhodo #303 - Prêmio IgNobel 2021 - Parte 2 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=D3QDkBx7_os

Naruhodo #355 - Prêmio IgNobel 2022 - Parte 1 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=KIx5uHKgHLs

Naruhodo #356 - Prêmio IgNobel 2022 - Parte 2 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=WIOVn1hDt8s

Naruhodo #401 - Prêmio IgNobel 2023 - Parte 1 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=4ZyMMzb1iSo

Naruhodo #402 - Prêmio IgNobel 2023 - Parte 2 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=Y9Hw6yw7sw8

Naruhodo #427 - Prêmio IgNobel 2024 - Parte 1 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=OC5NmqIbT9o

Naruhodo #428 - Prêmio IgNobel 2024 - Parte 2 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=oZi57dhEgQ0

Naruhodo #451 - Prêmio IgNobel 2025 - Parte 1 de 2 

https://www.youtube.com/watch?v=w65Zv-8V1K8

Naruhodo #452 - Prêmio IgNobel 2025 - Parte 2 de 2 

https://www.youtube.com/watch?v=ELyXyzSDP6A

Naruhodo #383 - Por que beijamos na boca? 

https://www.youtube.com/watch?v=PLXIShSn61Q

Naruhodo #75 - Cada pessoa tem um cheiro diferente? 

https://www.youtube.com/watch?v=whOteWgc5Oo

Naruhodo #338 - Por que fofocamos? 

https://www.youtube.com/watch?v=ij9ocesTc50

Naruhodo #466 - O que são sociedades individualistas e coletivistas? 

https://www.youtube.com/watch?v=bA5mJlK5uEE

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bit.ly/naruhodo-no-orelo

Participantes neste episódio2
K

Ken Fujioka

HostPublicitário
A

Altay de Souza

Co-hostjornalista
Assuntos5
  • A definição mais precisa de beijo em diversas espécies animaisinterações não agonísticas·contato oral-oral direcionado·sem transferência de alimento·beijo em formigas e ursos polares·evolução do beijo
  • Comportamento antiético de classes sociais mais altas em países individualistasmaior probabilidade de pegar doces·comportamento autocentrado·relação com ambição·experimentos com carros e pedestres·mentir em jogos para ganhar mais
  • Fatores que influenciam a mordida de serpentes peçonhentas em humanospisar em diferentes partes das serpentes·temperatura e horário do dia·cobras mais ariscas em regiões litorâneas·cobras jovens picam mais·fêmeas mais ativas à noite
  • Proteínas do leite de baratas vivíparas como fonte de energiaconcentram três vezes mais energia·proteínas glicolizadas·abordagem técnica por raio-X·aplicações industriais·produção de proteínas mais baratas
  • Estudo aerodinâmico sobre a melhor forma de assoar o narizassoar uma narina de cada vez·força razoável sem dano ao ouvido·inspirar e soltar o ar·eficácia três vezes maior·velocidade do ar ao assoar
Transcrição116 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
KFKen Fujioka

Prêmio Ig Nobel 2026, parte 1.

ADAltay de Souza

Naruhodo Podcast.

KFKen Fujioka

Bem-vindo ao Naruhodo Podcast para quem tem fome de aprender. Eu sou Ken Fujioka.

ADAltay de Souza

Eu sou Otávio de Souza.

KFKen Fujioka

E hoje é dia de quê?

ADAltay de Souza

Prêmio Ig Nobel. Bem-vindo ao Naruhodo Podcast para quem tem fome de aprender. Eu sou Ken Fujioka. Eu sou Otávio de Souza. E hoje é dia de quê?

KFKen Fujioka

Prêmio Ig Nobel. Ilustríssima ouvinte, ilustríssimo ouvinte do Naru Rodô, o Altair e eu temos duas mensagens para você. A primeira é muito, muito obrigado pela sua audiência. Sem ela, o Naru Rodô sequer teria sentido de existir. Você nos ajuda demais, não só quando ouve, mas também quando espalha episódios para familiares, amigos e, por que não, inimigos. A segunda mensagem é: existe uma outra forma de apoiar o Naru Rodô, a ciência e o pensamento científico, que é apoiando financeiramente o nosso projeto de podcast semanal independente, que só descansa no recesso do fim do ano.

Manter o Narodô tem custos e despesas: servidores, domínio, pesquisa, produção, edição, atendimento, tempo, enfim, muitas coisas para cobrir, e algumas delas em dólar. A gente sabe que nem todo mundo pode apoiar financeiramente, e tá tudo bem. Tente mandar um episódio para alguém que você conhece e acha que vai gostar. A gente sabe que alguns podem, mas não mensalmente, e tá tudo bem também. Você pode apoiar quando puder e cancelar quando quiser.

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ADAltay de Souza

Eu sempre falo todo ano que todos os outros episódios é uma desculpa para chegar nesse.

KFKen Fujioka

Finalmente é isso aí, finalmente!

ADAltay de Souza

De novo, reforçando, chupa a Copa, chupa a Copa, desgraça de bet do Satanás, que temos Brasil esse ano de novo.

KFKen Fujioka

Olha lá, Brasil no Nobel! Olha lá, já tem spoiler!

ADAltay de Souza

Pois é, não tava na Copa, mas tá agora.

KFKen Fujioka

É isso aí, tá certo. O Thaí, explica para quem estava morando em outro planeta e que não faz ideia do que seja o Prêmio Ig Nobel. Conta aí para os ouvintes do que ele se trata.

ADAltay de Souza

Então, esse foi o 36º Prêmio Ig Nobel, né? Então já tem 36 anos ininterruptos. E é um prêmio feito pela, por uma revista americana chamada Annals of Improbable Research, os Anais de Pesquisas Improváveis. E aí foi uma iniciativa que 36 anos atrás era visto como jocoso, né? Nos primeiros anos era muito mal visto você ganhar o Ig Nobel. Sim, tinha aquele espírito do Framboesa de Ouro, alguma coisa assim, né?

KFKen Fujioka

Isso, do cinema.

ADAltay de Souza

Isso, que é para filmes ruins, né? Mas o criador do prêmio, que é o Mark Abrahams, que inclusive ele é o mestre de cerimônias até hoje, né? Não era esse, não era para ser uma coisa jocosa.

KFKen Fujioka

Aquele senhorzinho que você vê de cartola, é isso?

ADAltay de Souza

Isso, exatamente. Ele é o editor da revista e a ideia era reunir pesquisas que eram bem feitas, bem construídas, com um bom método reprodutível mas que tivesse temas engraçados. E aí surgiu o tema, o moto, né, do Ignóbil, que são pesquisas que fazem você rir e depois pensar, né? E aí, ao longo dos anos, a galera comprou, a galera da academia comprou essa história. E aí hoje tem mais de uma edição do Ignóbil, tem em países diferentes.

O Japão, por exemplo, é muito empenhado em fazer Ignóbils locais, sabe, coisas do tipo. E aí virou um evento de divulgação. Aqui no Naru Rodô a gente divulga desde 2018, né? Todos os anos a gente tem esse episódio duplo sobre ignóbil, todos os anos. E aí, felizmente, o Brasil esteve várias vezes, né? Pelo menos a gente tem o potencial da zoeira, é muito bom, né? E de novo, chupa a Copa, desgraça!

KFKen Fujioka

Eu não tenho dúvida, eu não tenho dúvida que no quesito zoeira nós somos o número 1, Altair.

ADAltay de Souza

Sim, zoeira com qualidade, não é qualquer zoeira, com qualidade.

KFKen Fujioka

É, aqui é a zoeira com método científico.

ADAltay de Souza

Isso, exatamente, complicações.

KFKen Fujioka

Então tá certo. E aí, a cada ano eles premiam 10 categorias, certo, que não necessariamente são as mesmas todos os anos, embora algumas estejam presentes em vários deles, quase todos. E a gente vai dividir então esse episódio em 2, né, esse episódio duplo em 2, sendo que o primeiro a gente vai falar de 5 categorias e no segundo a gente vai falar das outras 5 categorias, correto, Altair?

ADAltay de Souza

Exatamente. Aliás, uma informação importante, essa é a 36ª edição. Em todas as outras edições anteriores, a entrega dos prêmios sempre foi nos Estados Unidos. Foi um prêmio criado nos Estados Unidos.

KFKen Fujioka

Verdade.

ADAltay de Souza

No Ignobe do ano passado, e aí claramente foi uma questão política que foi importante, alguns dos ganhadores não puderam entrar nos Estados Unidos, questões de visto, essas coisas. Então esse ano o prêmio foi na Suíça. Olha lá, foi feito lá. Inclusive, o ano que vem eles já divulgaram que vai ser na Bélgica, né? Então parece que eles vão começar a fazer na Europa.

KFKen Fujioka

Criou-se uma nova tradição aí.

ADAltay de Souza

Exatamente. E foi muito legal, tá? Então quem quiser, o prêmio é transmitido pelo YouTube, está o vídeo também da transmissão. Quem quiser ver, bem dividido, é bem divertido. Existem várias apresentações durante, é bem legal.

KFKen Fujioka

É verdade. Você consegue inclusive no post deste episódio ter acesso também as outras edições do Ig Nobel e também as transmissões no YouTube de cada uma dessas cerimônias, bem como os artigos originais que você pode ler também. Verdade. Sem mais delongas então, Reginaldo, música de premiação, porque vamos para a primeira categoria. Categoria Ig Nobel de Biomecânica. O Prêmio Ig Nobel de Biomecânica 2026 vai para o Reino Unido e os Estados Unidos, Matilda Brindle, Catherine Talbot e Stuart West, por elaborarem uma definição mais precisa de beijo: interações não agonísticas envolvendo contato oral-oral direcionado, intraespecífico, com algum movimento dos lábios/peças bucais e sem transferência de alimento em formigas, aves, ursos polares e seres humanos.

ADAltay de Souza

Tá aí, fantástico, não é? Não é importante?

KFKen Fujioka

Primeiro que eu não sabia que formiga se beijava.

ADAltay de Souza

Exato. E urso polar, você sabia? Urso polar beijava?

KFKen Fujioka

Não sabia, mas um mamífero eu ainda consigo entender mais isso, sabe? Dá para imaginar. É, as aves, forçando um pouquinho, também consigo. Agora, formiga, pois é.

ADAltay de Souza

E nós, né? E nós, inclusive temos já um Naruhodo sobre isso, que é o 383, que é por que beijamos na boca. E nesse episódio 383 eu falei mais uma parte mais antropológica do por que beijamos na boca, histórico e tal, restrito a humanos. Por quê? E nesse mesmo episódio, foi uns 2 anos atrás, eu falava, não se tem muita evidências de causa final. Causa evolutiva. Esse artigo é desse ano, saiu esse ano em janeiro, né, 2026, fazendo as hipóteses das causas finais.

Então agora finalmente podemos completar o episódio 383 com as causas finais do beijo. Sim, é uma coisa difícil de descobrir mesmo. Não são todas as aves que dão beijinhos, tá? Mas uma que dá assim com frequência, que já foi visto na natureza, é o albatroz. Já viu um albatroz?

KFKen Fujioka

Já.

ADAltay de Souza

Eles dão beijinhos, tá? Eles dão pitoquinhas, né?

KFKen Fujioka

Nunca tinha visto eles se beijarem, mas vou prestar atenção na próxima vez. Isso é então, e inclusive é aquele animal, é aquela ave que ronda os mares, não é isso?

ADAltay de Souza

Isso, e voa muito mal, tá? Ela pega o voo na hora de pousar, cada vez é uma festa assim, pousa tudo errado. É milagres da seleção, da aleatoriedade, da seleção natural, mas pelo menos são afáveis uns com os outros, né? E aí a ideia desse artigo era falar exatamente da evolução do beijo parece assim que o beijo surgiu como uma exadaptação do comportamento alimentar. Um organismo, sobretudo a mãe e o filhote, né, em várias espécies tem, é muito bem descrito que a mãe alimenta o filhote colocando comida na boca dele, né.

E aí eles queriam, isso não é o beijo, isso aí é alimentação, né, mas eles queriam ver exadaptações desse comportamento. Então em outros contextos, como esse comportamento é utilizado sem a transferência de alimento, né? Então são interações não agonísticas, como dito na definição que você tem. É uma interação que não é agonística, é o termo biológico para briga. Toda briga é um comportamento agonístico, ou não agonístico, é quando não é briga, tá?

Existem situações, aí é o caso das formigas, que formiga, entre aspas, dá um beijo, na verdade que elas estão brigando, né? Então tem disputas, né? E isso acontece muito com peixe. Tem espécies de peixe que brigam dando um beijo um no outro para empurrar, sabe? Pega com a boca porque não tem bracinhos, né? Então você dá uma mordida no outro. Então por isso que não foi contemplado os peixes, mas peixe, por exemplo, dá beijo, mas é briga, tá?

É para separar. E aí assim, pensando em símios, a gente vê em gorilas, gorilas é muito raro ter beijo. Se você ver chimpanzé, existe o beijo de afeto, por exemplo, quando um chimpanzé brigou com outro E aí é uma forma de reconciliação, né? Pode dar um beijinho, tá? Em bonobo, que é um outro tipo de símio, aí eles beijam o tempo todo, tá? A forma de interação entre bonobos é sobretudo contato sexual. Então eles beijam o tempo todo, durante o sexo, não, e tal, tá?

Bonobo é beijoqueiro total. Gorila e orangotango é mais raro ter esse beijo, mas o chimpanzé, ele tem esse beijo mais pró-social. Né, que é ligado ao sexo também, mas também é ligado ao apaziguamento.

KFKen Fujioka

Não necessariamente é sobre sexo.

ADAltay de Souza

Isso, não necessariamente, tá, mas algumas vezes sim também, né. Então, por exemplo, o próprio uso do beijo como parte da atividade sexual também é uma exadaptação do comportamento alimentar, né. E aí eles estabelecem hipóteses. Uma hipótese é porque inclusive tem um outro Prêmio Ig Nobel de 2020 Que inclusive tem um brasileiro, o Marco, que fez parte da pesquisa, que mostra que em populações onde você tem uma desigualdade mais alta, as pessoas beijam mais, né?

Então é uma forma de acessar a qualidade do parceiro, saúde, e aí tem a ver com a histocompatibilidade imunológica também, tá? Então quando você beija alguém na boca, você tem um acesso, claro que não é consciente, a uma característica da histocompatibilidade do parceiro, né? E se tem também trabalhos mostrando em símios que quando você tem beijo durante a cópula tem uma maior chance de fertilização por conta da excitação.

KFKen Fujioka

E o que, o que que é histocompatibilidade?

ADAltay de Souza

É o padrão da estrutura do seu sistema imunológico. Então, o quanto foi treinado o seu sistema imunológico para se defender de certos patógenos. A do ambiente. É como se fosse uma impressão digital que cada pessoa tem, né? E aí você tem uma teoria que pessoas que tenham o mesmo padrão de histocompatibilidade que você, você acha em tese mais atraente, tá? Isso tem a ver com o beijo, mas a gente consegue acessar isso pelo beijo e pelo cheiro também. Teremos um outro prêmio que fala disso também, né? Legal, gente, hein?

KFKen Fujioka

Que legal, rapaz! Essa eu não sabia, hein?

ADAltay de Souza

Pois é, inclusive foi resolvido esse ano, esse artigo saiu esse ano. Veja só que beleza, né? Então, parabéns aos etólogos, né, que é a minha área, né, que trabalharam com isso. Ainda eles deixaram muitas questões em aberto, ainda tem muitas, muitas coisas para serem pesquisadas, mas parece que já temos algumas hipóteses da causa final do beijo, né? Tinha que ser o ignóbil, na verdade.

KFKen Fujioka

Muito bom, tinha muito que ser, Altair, tinha muito que ser. E adorei essa definição mais precisa que eles deram, sem transferência de alimentos. Se transferir alimento é Aí já não é beijo, aí não é beijo, não, aí é alimentação mesmo, não vale. Então você pode conferir também no post deste episódio o link para o artigo em questão. Vamos então para a próxima categoria, categoria economia. Economia. E o Prêmio Ig Nobel de Economia 2026 foi para Estados Unidos, México e Canadá.

Paul Piff, Daniel Stancato, Stéphanie Côté, Rodolfo Mendoza Denton e Dacher Keltner, por reunirem evidências de que pessoas de classes sociais mais altas têm maior probabilidade de pegar doces destinados a crianças e de se envolver em outros tipos de comportamento antiético. Ora, ora, quem diria que as pessoas mais abastadas elas têm comportamento antiético mais comumente, Altair?

ADAltay de Souza

É, então, assim, na verdade esse é um estudo bem americano, né, bem da América do Norte assim, e é um estudo clássico de psicologia social. Foi bem legal assim resgatar um pouco do espírito da Psicologia Social, e é um artigo de 2012, tá? É um artigo já mesmo um pouco mais antigo, que a hipótese é essa mesmo, né? Que a classe social em países que são mais individualistas, né? Tudo bem que tem o México que é mais misto, mas Estados Unidos e Canadá é bem mais individualista a estrutura social, né?

E se você pegar países mais coletivistas, essa relação não é tão forte ou não acontece, tá? Então é focado a esse tipo de cultura. Então em países mais individualistas parece que quanto mais alta a classe social da pessoa, mais envolvida em comportamentos mais autocentrados e antiéticos ela é, tá? Então, pensando antiético como algo que não prioriza o coletivo, mas o individual mesmo, né? E aí tem uma variável mediadora dessa relação, que é a quantidade de atitudes positivas da pessoa frente à ambição.

Ambição é um termo importante aqui, tá? O quão ambiciosa é a pessoa Isso também aumenta essa relação, né? Então existe, quanto maior sua classe social, maior sua renda, sua classe social, maior a probabilidade de você se envolver em comportamento antiético, tá? Tem essa relação. Mas dependendo do seu grau de aderência a características ligadas à ambição, essa relação fica mais forte ainda, tá? Então não é só a renda também. E aí eles fizeram um total de 7 experimentos.

E aí você vai ver que é bem psicologia social, porque são coisas naturalísticas mesmo, tá? E aí essa criatividade da psicologia social. Então, por exemplo, um experimento perto da universidade lá tinha uma intersecção, sabe? Quando você tem o cruzamento de ruas, né? Então tem a rua que passa longitudinalmente e a transversalmente, é uma cruz, né? A rua que passa transversalmente, ela tem 4 faixas, é uma rua grande. Tá? E a rua que parece transversalmente tem duas faixas, tá?

Então é uma intersecção grande. E aí eles pegaram lá alunos que ficaram no cruzamento assim observando os carros que passavam. E aí eles verificavam 274 motoristas, carros que passavam. E aí o aluno anotava qual era a marca do carro, né, se era um carro caro ou barato, que ele tinha que verificar. Tentavam inferir o sexo da pessoa que tava dirigindo, e a idade dela, tá? Aí no primeiro dava uma faixa de idade. Aí a pessoa parava no, tipo, imagina que a pessoa parou no cruzamento, né?

E aí vinha um outro carro atrás e tentava cortar o carro que tava parado. Você já deve ter visto isso, né? O cara tá parado e aí um outro corta, né? Eles tentavam contar isso. Então eles ficavam 3 horas por dia lá no cruzamento vendo a marca dos carros e as características do motorista, e se um certo carro cortava ou não o outro. Uma variável binária, tá? Se cortou ou não, tá certo? E aí eles verificavam que quando o carro era mais caro, né, era de um tercio mais caro dos carros americanos, 30% dos carros cortavam o outro, tá?

Cortava o carro mais caro. Então aparecia um Porsche, sei lá, cortava todo mundo.

KFKen Fujioka

Tá?

ADAltay de Souza

Quando o carro era menos caro, né, só 5% dos carros cortavam. Então era 6 vezes mais provável você cortar o outro carro se o seu carro era caro, tá? Isso independente do sexo da pessoa e da idade dela, né? Não tinha relação, tá? Depois eles fizeram um experimento parecido, só que numa rua menor. Só que aí não era interação entre carros, é entre carros e pessoas. Então tinha uma faixa de pedestre, o carro parava e a pessoa atravessava.

Né? E aí eles também ficavam lá escondidinhos, né, vendo os carros passando, e eles anotavam a marca do carro, essas coisas. E aí eles viram se o carro dava passagem para pessoa atravessar ou não, sabe? A pessoa parava ali do lado, aí às vezes o carro passa, né, às vezes o carro para para pessoa passar, atravessar a rua. E aí a mesma coisa. Então esse dado é até mais chocante, né? Quando o carro era mais caro era dos carros mais caros americanos, 45% das vezes o carro passava direto e não deixava a pessoa atravessar. 45%, tá?

KFKen Fujioka

45%.

ADAltay de Souza

É, quando o carro era mais barato, é 0%, todos eles pararam. Então o efeito é robusto, o efeito é grande. Boa sacanagem, né? Aí depois, esses são dois experimentos. Aí depois eles fizeram experimentos mais próximos assim, menos naturalísticos. Por exemplo, tem um experimento com alunos aí dentro da universidade e tal, em que eles descreveram 8 situações, né? 8, por exemplo, colar na prova, tá? Então, 8 situações que podem ser antiéticas e qual a probabilidade de você participar de uma dessas ações, de 0 a 100%.

Então, ah, imagine uma situação que você não estudou e você teve a chance de colar na prova. O quanto provável você acha de você fazer isso? De 0 a 100%, tá? Dificilmente a pessoa põe 0, mas põe alguma coisinha, tá? Põe lá um pouquinho. E aí avaliaram as características de sexo, idade, renda da pessoa. E aí tinha um questionário do quão a pessoa, o quão ambiciosa era a pessoa também, tá, em relação a esses atributos. E aí aconteceu também que quanto maior a renda social da pessoa, maior a probabilidade dela se envolver nessas questões antiéticas.

E realmente, o quão ambiciosa é a pessoa aumentava ou diminuía essa relação também, tá? Então não é só a renda, mas tem essa característica de ambição, tá? Que é uma coisa bem americana, verdade seja dita.

KFKen Fujioka

Verdade, tem totalmente a ver com o tal do sonho americano, né?

ADAltay de Souza

Isso, tem essa coisa da cultura mesmo, né? Aí tem o outro experimento também. Veja que são vários experimentinhos, né? Tem um outro experimento em que eles fizeram um desenho de uma escada, uma escada mesmo, um desenho. E aí era como se fosse as classes sociais. Então tem aquela social mais baixa que tá embaixo na escada, aquela social mais alta que tá em cima da escada, tá? E aí eles pediam para pessoa se comparar. Por exemplo, imagina que você conheceu uma pessoa que está na parte baixa da escada, como que seria a sua interação com essa pessoa?

Então imagina, como é que você conversaria com ela? E se fosse uma pessoa da classe alta, tá? Aí eles fizeram esse tipo de atividade como se fosse uma ativação só, tá? Uma ativação, porque esse não era experimento. Aí a pessoa saía da sala e ia para uma sala de espera, e nessa sala de espera tinha um vidro com um monte de doces, vários docinhos, balas, tá? E nesse vidro de doces tinha um cartaz, né, que estava escrito assim: não mexa, porque esses doces serão servidos para crianças que estão fazendo o experimento na sala do lado, tá?

Essa que é a ideia, tá? E aí não falava nada, só deixava a placa lá, a pessoa olhava, né? E aí deixava a pessoa sozinha lá por 30 segundos, né? E aí eles contavam rapidinho, né? Só é só o tempo de espera entre um experimento e outro para trocar, né? E aí eles viam, eles tentavam, eles contavam quantos doces tinham antes e contava quantos doces tinha depois, né? Dá para saber se a pessoa pegou um, na verdade. Você tinha, a pessoa tá sozinha na sala 30 segundos, tinha 30 doces, depois ficou com 29, né?

O doce não sumiu. Não evaporou, né? Então, pois é, tá? E aí eles verificavam que as pessoas com classe, com renda mais alta, pegavam o dobro de doces das outras. Não era muito, tá? Não era muito. Então o rico pegava em média 1,17 doces, pegava um, tá? E o pobre pegava 0,6 doces, tá? Era menos, era pouquinho também. E o grau de ambição da pessoa também aumentava a probabilidade dela pegar o doce. Né, bons experimentos fantásticos aí, muito curiosos.

Então tem um outro também, aí várias situações eles exploraram. Tem o experimento 5, eles apresentavam para um grupo de pessoas uma história que era assim: imagina que você trabalha no RH de uma empresa e tem uma pessoa que você contratou e ela quer trabalhar na empresa por pelo menos 2 anos, só que o emprego dela, e você sabe disso, que o emprego dela vai ser extinto logo ela vai ser mandada embora em 6 meses, tá? E aí perguntava para pessoa se você manteria a mentira ou não, né?

Se você tentaria engambelar a pessoa, né? E aí acontece que quando a pessoa é mais rica, né, tem uma classe social mais alta, aumenta a chance dela manter a história, sabe? Compactuar com a empresa, né? Engambelar a pessoa, tá? O experimento que eu mais gostei é esse próximo, tá? Que é o experimento 6, que a Eles pediam para pessoa jogar um dado 5 vezes, tá? Só que é assim, a pessoa não jogava de verdade o dado, era imaginar um jogo, né, no computador que esse dado era jogado.

Então dentro do computador a pessoa apertava um botão e saía o resultado do dado, não era um dado real, tá? E aí pediam para pessoa fazer a soma dos valores. Então você joga lá, joga 5 vezes, anota o resultado e no final você soma. Tá? E quanto maior a sua soma, mais dinheiro você ganhava. Era tipo um jogo mesmo, você ganhava um dinheirinho, tá? Beleza. E aí o que acontece, o que as pessoas não sabiam, que como o dado era no computador, para todas as pessoas saía a mesma combinação.

Era roubado, não era aleatório, né? Então saía sempre nessa ordem, né? 3, 1, 2, 2, 4. Para todo mundo saiu a mesma ordem. E aí você soma, né? 3+ 1+ 2+ 2+ 4 dá 12, né? Então o que que a pessoa tinha que falar no final? Que saiu 12, e ela ganhava um dinheirinho relativo a 12 pontos, né? E aí eles verificavam lá o status social, variáveis da pessoa, para ver se a pessoa mentia, né? Falava um pouquinho a mais. E aí das 195 pessoas avaliadas, 31 delas falavam a mais, dava um pouquinho a mais para ganhar um pouco mais, dá uma roubadinha.

Falava mais que 12 para ganhar mais dinheiro, né? E aí são as 31 pessoas que tinham renda mais alta. Olha que alegria! Olha só, dá amostra de 195. Veja só que beleza, né? Difícil, né, gente?

KFKen Fujioka

Difícil.

ADAltay de Souza

E o último experimento era o experimento que você pedia para pessoa imaginar uma situação em que ela teve que ser ambiciosa, tá? Então tem essa ativação. Então eu peço para você imaginar uma situação que você teve que ser ambiciosa, né? E a partir daí você vai avaliar histórias, né? Então quando você tem essa pré-ativação, o seu grau de comportamento antiético aumenta. Para todo mundo, para todo mundo aumenta um pouco, mas para quem tem renda mais alta aumenta mais ainda, né?

Então esse grau de aumento é maior. Percebeu? São vários experimentos em situações diferentes para provar essa premissa, né? É um artigo legal, assim, clássico da psicologia social. Triste, hein, Ken?

KFKen Fujioka

Tomara que você não fique, né? E um estudo bem feito.

ADAltay de Souza

Então tomara que você não fique mais, não ganhe mais dinheiro. Tomara. Vai saber que o efeito do ambiente, né?

KFKen Fujioka

Eu saberei lidar com isso se eu ficar rico, Altair.

ADAltay de Souza

Ah, eu não saberia. Eu não confio em mim mesmo. O contexto muda muito, não sei, né? Porque, e uma coisa legal desse artigo, que ele coloca assim, que muitas vezes, e aí tem a ver com o nosso Naro Rodo Porque gostamos o que gostamos, né? Que quando, assim, classe social não tem a ver só com quanto você ganha, tem a ver com o grupo que você pertence. E muitas vezes, para ter estratégias de pertença a esse grupo, você abre mão de algumas coisas, e uma delas é da sua idoneidade, né?

Então, verdade seja dita, então é muito difícil ter esse autocontrole, praticamente impossível, tá? Então é isso que esse artigo mostra. Muito legal, né? Vários experimentinhos bacanas. Então parabéns aos autores, é isso aí.

KFKen Fujioka

Parabéns, Estados Unidos, México e Canadá! A próxima categoria é Química. E o Prêmio Ig Nobel de Química 2026 vai para Índia, França, Japão, Canadá e Estados Unidos: Sanchary Banerjee, Nathan Coulson, François-Xavier Gallat, Nithishi Satyanarayan, Janjan Srikant, Koichiro Yagi, James Gray, Stephen Tobey, Barbara Stae, Leonard Chavas e Subramanian Ramaswamy, por descobrirem que as proteínas do leite produzido por baratas— leite entre aspas, né— produzido por baratas vivíperas concentram 3 vezes mais energia do que as proteínas do leite de vaca.

Aí, Altair, essa moda de proteína que a gente tá vivendo quer dizer que baratas vivíparas são boas em proteína.

ADAltay de Souza

Você já tomou leite de barata?

KFKen Fujioka

Não tive essa felicidade, Altair.

ADAltay de Souza

É bem esquisito, né? Mas você sabia que barata dá leite? Estranho, né?

KFKen Fujioka

Eu não sabia, né? Para mim é só se for aquela gosma quando a gente pisa nela, né?

ADAltay de Souza

Aquele grude, né? Então, mas esse é um artigo de 2016, né? E é muito interessante mesmo. Tem muitos trabalhos já sobre, entre aspas, leite de barata, né? Porque tem a ver com padrão de reprodução delas. É, você tem organismos ovíparos, vivíparos e ovovivíparos, tá? O organismo ovíparo é o que bota ovo. A galinha, galinha ovípara, tá? Cobra e tal. Que bota ovo, né? E aí você coloca um ovo, esse ovo dentro do ovo já tem um embrião com alimento, e o embrião se alimenta do alimento que tá dentro do ovo, né?

Então quando você pega o ovo da galinha, só tem a gema e a clara. Aí se o ovo é galado, vai aquela gema vai virar o embrião e a clara vai ser o alimento dele, tá? Então é isso. Aí o organismo vivíparo é basicamente a gente. Tá, é quando o embrião se desenvolve dentro do organismo e o organismo alimenta ele. Sim, o organismo vivíparo se desenvolve, o embrião se desenvolve dentro da mãe, mas a mãe não alimenta ele. Então é como se ele tivesse um ovo e esse ovo é dentro da mãe, tá?

A mãe não bota o ovo, tá? Isso é o vivíparo, né? Então o ovo tem uma casquinha, o ovo não tem uma casca, tá? Mas tem uma clara em torno do ovo que alimenta. O embrião, tá? A mãe não alimenta por uma placenta ou algo do tipo, tá? E aí tem o ovo vivíparo, né, que os ovos são depositados no corpo da fêmea, mas não tem comida, é só proteção, tá? É só a fêmea oferece apenas proteção para o ovo. E aí a barata, né, tem várias espécies de barata, mas é uma barata específica, ela é desse tipo.

Então o ovo cresce dentro dela Né, então ela não bota o ovo, o ovo cresce dentro dela e ela acaba produzindo um tipo de, entre aspas, leite, que é na verdade uma proteína, né. E aí tem uma frase bonita do artigo, né, que são proteínas glicolizadas que adotam um enovelamento de lipocailina e ligam-se a lipídios e organizam-se para formar uma rede cristalina compacta, né. Isso é a definição do leite da barata. Tá? Então, na verdade, é um cristal, né?

É um tipo de cristal. E aí eles fizeram uma abordagem técnica super legal, né? Raio-X por difração, que eles verificam a barata viva. É a barata viva, bota a barata no raio-X para verificar o padrão dessas proteínas, do cristal das proteínas dentro delas.

KFKen Fujioka

Tem que ficar paradinha, né, Altair? Porque no raio-X tem que ficar paradinha.

ADAltay de Souza

É, mas você coloca ela no lugar pequenininho, né? Ela fica parada, tá? Então você vê a barata fêmea com os ovinhos Né? E aí você viu por raio-X de difração, você vê o padrão dessas estruturas dessas moléculas, né, dessas proteínas, tá, dessas cadeias de moléculas, né, que são as proteínas. E aí eles estudavam o padrão dessas proteínas nesse organismo vivo, e aí eles verificavam que essa, esse tipo de molécula, né, da, do, entre aspas, do leite da barata, tem 3 vezes mais proteína e calorias do que o leite da vaca.

Né? Então é fantástico, é muito calórico assim para sobrevivência. Então a nutrição dos embriões durante o desenvolvimento é muito, muito facilitada assim, é muito eficaz porque o organismo é pequeno, né? E aí isso tem muitas aplicações, na verdade, para você poder criar essas proteínas fora como alimentos super proteicos mesmo, tá? Tem importância industrial inclusive estudar isso, tá? Você não vai tirar o leite da barata, entendeu?

Mas você pode emular as proteínas. Verdade, em outra situação, inclusive tem uma linha de pesquisa sobre isso em química, em estudos disso em organismos, né, é biomarcadores ou bioproteínas para você poder produzir, por exemplo, proteínas do leite mais baratas com maior rendimento. Tem muita aplicação, é muito legal. Então recomendo verificar o leite de barata, se tem para vender em algum lugar. O problema, eu tenho medo agora que na internet vai aparecer: estamos fazendo leite de barata.

KFKen Fujioka

É uma mentira. Vamos começar a vender em garrafinha, Altair.

ADAltay de Souza

Em vez de whey, vai tomar leite de barata agora.

KFKen Fujioka

Exato. E aí ainda põe lá: contém 30 gramas de proteína.

ADAltay de Souza

Isso, por grama. 30 gramas de proteína por grama de pó do leite da barata. Ai, que vergonha. Mas o estudo é legal, tá muito bem feito. E eles foram, os ganhadores foram fantasiados de barata, né? Eles foram.

KFKen Fujioka

Olha só.

ADAltay de Souza

É, então é muito divertido, vale a pena ver o vídeo.

KFKen Fujioka

Tá certo então, parabéns para Índia, França, Japão, Canadá e Estados Unidos. Vamos para a próxima categoria que é Medicina. O Prêmio Ig Nobel de Medicina 2026 vai para o Japão. Japão, Altair. Falecido Tokudi Uno, pelo estudo intitulado Como Assoar o Nariz: Um Estudo Aerodinâmico do Ato de Assoar o Nariz.

ADAltay de Souza

Fantástico!

KFKen Fujioka

Tudo a ver com o Japão, hein? Como assoar o nariz de forma mais aerodinâmica.

ADAltay de Souza

Isso, estudo fantástico, viu? Tava em japonês, eu tive que ler, deu um pouco de trabalho, mas foi bom. É mesmo no título, é isso mesmo. O estudo de 1977, veja só, né? E é póstumo, né, porque o professor Tokuchi faleceu, né? Mas foi uma colega dele, a Miki Takahara, que recebeu o prêmio.

KFKen Fujioka

Ah, perfeito.

ADAltay de Souza

É um prêmio póstumo, né? Então já aconteceu algumas vezes de terem prêmios póstumos, tá? E aí é um estudo aerodinâmico de como assoar o nariz. Como é que você assoa o nariz, hein, Kim? Você já parou para pensar nisso?

KFKen Fujioka

Eu assou um de cada vez, um de cada vez, uma narina de cada vez.

ADAltay de Souza

É isso. E você dá aqueles estilos assim meio antigo, que dá aquela tipo quase uma catarrada, ou você usa um pano? Sabe aqueles cara que parece dar um tiro, parece um sniper, né?

KFKen Fujioka

Não tem essa capacidade. Gostaria, mas não tenho.

ADAltay de Souza

Você usa um papel, um pano, né? Então Inclusive, eles, o professor Tokuchi fez um tutorial de como assoar o nariz. Ele fez um estudo usando um pneumotacômetro. O pneumotacômetro é um aparelho que você coloca no nariz para ver a força da sua expiração, tá? É um aparelho muito comum. Não sei se você já fez esse exame no pneumologista, que é a espirometria.

KFKen Fujioka

Sim, sim, você tem que soprar, né? Você tem que soprar.

ADAltay de Souza

Exato, é você soprar com o nariz, é a mesma ideia, tá? Para ver a força da expiração e tal. Né? E aí ele verificou, fez várias medidas. Ele pegou 15 sujeitos, né, 15 pessoas. Cada pessoa suava com o lado do nariz diferente, né? E aí ele via a velocidade da expiração, o volume, o tempo e tal, né? E aí ele queria saber, tinha algumas perguntas de pesquisa importantes, né? Uma, se era mais eficaz assoar com os dois, as duas narinas, ou só uma, por exemplo, né?

E se você for assoar com uma, é melhor assoar daquela que tá mais comprometida ou menos?

KFKen Fujioka

Né?

ADAltay de Souza

Então às vezes, às vezes você tá com uma narina mais tapada que a outra, né? É mais eficaz fechar que tá mais aberta e assoar na tapada, ou o contrário? E será que, por exemplo, não sei se já aconteceu com você, quando você vai assoar o nariz, às vezes pode doer o seu ouvido, ou você sente alguma coisa no ouvido, né? Então será que assoar muito forte pode lesionar o ouvido, dá alguma coisa, né? É uma pergunta importante, tá?

KFKen Fujioka

Sim, eu chuto inclusive que sim.

ADAltay de Souza

Então, e aí ele fez um estudo, né, tipo bem de engenharia mesmo, né, de mecânica de fluidos assim, mostrando, por exemplo, a curiosidade que eu não sabia, né, é que quando você assou o nariz, você produz uma velocidade de ar de 1,8 litros por segundo. É muito, caraca, é muita força, né. Tem o espirro também, né, a velocidade do espirro passa de 200 km/h. Sabia? Quando você espirra, a velocidade do ar é muito—

KFKen Fujioka

você tá brincando?

ADAltay de Souza

Pois é. E a gente tem um episódio sobre isso, né, do se espirrar pode fazer mal, né? Tem aquele hábito que é meio perigoso de pessoas que apertam o nariz para espirrar, sabe? Que espirra para dentro. Não é muito legal fazer isso, tá? Já tem casos na literatura, foi muito raro, de pessoas que tiveram AVC, tá? Mas é raro. Então esse negócio Principalmente mulher, né, de espirrar para dentro. Não faz isso, de ficar com vergonha, né?

É, não, solta o espirro mesmo, não tenha vergonha, não tenha vergonha. E aí ele verificou, né, fez esses experimentos, e agora vamos fazer um tutorial de qual o melhor jeito de assoar o nariz, né? Em homenagem ao nosso querido Tokuji Uno. Primeira coisa, como quem bem fez, você assoar uma narina de cada vez é melhor, que concentra mais pressão.

KFKen Fujioka

Melhor, meu instinto, meu instinto.

ADAltay de Souza

Melhor, né? É assim, você, é importante você assoar com uma força razoável. Não precisa ser muito forte, mas não pode ser fraco, tem que botar uma força, porque ele verificou que isso não gera dano no ouvido, né? Não gera, tá? E aí a ideia, né, que aí a técnica, você antes, quando você assoa, porque às vezes você põe o pano no nariz ou papel e você assoa para fora, mas uma dica que ele dá é você inspira um pouco e depois solta.

KFKen Fujioka

Sabe? Então eu acho que eu já fiz isso intuitivamente também, viu, Altair?

ADAltay de Souza

Isso. Mas ele fala: faça isso como hábito, né? Vai facilitar. Então você dá uma inspirada e solta o ar, tá? Isso tem uma eficácia 3 vezes maior em média na expectoração. Olha só que beleza!

KFKen Fujioka

3 vezes maior!

ADAltay de Souza

Poxa, então alegria! Ó, não custa nada fazer isso aí. Então fica, está aqui registrado. A melhor forma de espirrar o nariz, tá? Um artigo descobriu, o artigo foi de 77. Olha quanto tempo levou para a gente descobrir isso, né? Isso é uma pepita. Isso é um negócio legal do Ignóbil, deixa os artigos, essas pepitas desenterradas, né? Isso é muito bom. Então, que lá vozeio tenha o professor Tokuchi, né? Grande contribuição para ciência mundial. E não estou exagerando, é verdade mesmo, tá? Isso é verdade.

KFKen Fujioka

Então tá certo, muitos parabéns ao professor Kudi Uno, né, essa homenagem póstuma a ele e ao Japão pelo Ig Nobel de Medicina. Vamos para a próxima categoria, categoria Biologia. E o Prêmio Ig Nobel de Biologia 2026 vai para Austrália e Brasilzinho.

ADAltay de Souza

Chupa, chupa, porra, chupa, Neymar!

KFKen Fujioka

João Miguel Alves Nunes, Adriano Felloni, Selma Maria Almeida Santos, Carlos Roberto de Bedeiros, Ivan Sazima, Otávio Augusto Vuolo Marques, por pisarem cuidadosamente em diferentes partes de diversas serpentes peçonhentas repetidamente, em diferentes temperaturas e em diferentes horários dia para tentar descobrir o que faz e o que não faz uma serpente peçonhenta morder um ser humano. Importantíssimo esse estudo, Altair!

ADAltay de Souza

E é importante mesmo, é importante mesmo, porque você tem salva-vidas, salva-vidas. Isso aqui é uma pesquisa que foi feito, o João Miguel, né, é um aluno de doutorado da biologia da USP, né. Então tem a colaboração da USP, da UNIFESP, do Instituto Butantã, que fica ali na USP mesmo. Né? E porque você tem muitas pesquisas aqui, o Brasil é referência mundial em pesquisas para soros antiofídicos, né, antipicadas e medicamentos, né?

Portanto, tem primazia mundial nisso porque a nossa biodiversidade, sobretudo de ofídeos, é muito grande. Mas faltavam estudos etológicos mesmo, né? Porque uma coisa é você foi picado e aí eu tenho um soro para tratar o a mordida da cobra, tudo bem. Mas outra coisa é que em que situações a cobra tem mais chance de picar você ou não, né? É um estudo comportamental etológico mesmo do ambiente, né? E aí o João Miguel resolveu fazer esse estudo, né, sistemático, e ele pisou cerca de 30 mil vezes. 30 mil!

KFKen Fujioka

Caramba!

ADAltay de Souza

E assim, verdade seja dita, ele não esmagou a cobra, tá? Não é coitada da cobra, inclusive Inclusive tem, inclusive mostra uma coisa que é uma seriedade da pesquisa nacional, que é importante mesmo. Se você entrar no link do artigo deles, né, inclusive o artigo foi publicado na Scientific Reports, que é quase a Science, tá, é uma revista muito boa. Se você olhar ali, ele vai ter um sinal de que o artigo foi retratado, certo? Mas aí você vai ler o motivo da retratação, é um motivo ético.

E aí vale a pena explicar isso porque até a gente até tem um lá no Rodô mais antigo, né, como fazer pesquisas de forma ética, que isso foi no meio da pandemia, tá. O que acontece, a pesquisa foi feita, era o João que coletava os dados, então ele que pisava na cobra, tá, eventualmente, tá. E aí o que aconteceu, ele foi picado uma vez, deu ruim, né. E aí ele teve que ficar em tratamento, mas teve que continuar a coleta dos dados, aí foi uma outra pessoa para ser o dar o pé para cobra, né?

E aí o que aconteceu? Quando a outra pessoa tava dando o pé para cobra, o que acontece assim: quando você vai fazer uma pesquisa, você tem que submeter a pesquisa ao comitê de ética, que eles avaliam todos os passos da pesquisa, né? E aí autorizam ou não fazer a pesquisa, tá? Aí assim, estava dito no comitê de ética que tipo eu, João Miguel, ia pisar na cobra. Só que aí o que aconteceu? Não posso pisar porque me picaram. Aí você tem que fazer um adendo para o comitê de ética dizendo, ó, não é mais o João Miguel que vai pisar, é o K-Fujioka que vai pisar na cobra, tá?

Só que eles avisaram isso, só que ao mesmo tempo que eles avisaram que ia trocar o experimentador, né, eles incluíram um novo grupo na pesquisa, que era um— porque eram cobras adultas, porque a cobra tem 3 fases, né, que é a cobra infante, que é bebê, o juvenil e o adulto, né? Eles tinham juvenis e adultos como experimentos, certo? Mas aí eles resolveram aproveitar, incluiu cobras filhotes também, né? Isso eles não avisaram no comitê de ética, essa parte.

Eita, não avisaram! E aí passou, coletou os dados e tal, e foi. Só que aí o comitê de ética falou, tava faltando essa parte, entendeu? Então isso não compromete o resultado da pesquisa, dos dados coletados, Mas tem essa parte que é importante. Então muitas vezes a retratação, né, que isso é uma coisa de divulgação que é importante avisar: quando um artigo é retratado, às vezes é fraude, né, tem graus de retratação. Às vezes é fraude a pesquisa, aí tudo bem.

Às vezes a pesquisa é feita assim, o dado não existe, é feito de forma antiética. Às vezes é por algum desvio na coleta, porque foi comunicado e não foi comunicado e não feito. Ou foi feito e não comunicado, tá? Então esse aviso que aparece, né, de retratação, é por causa disso, porque no meio da pesquisa foi coletado um grupo e não foi avisado o comitê de ética. E aí o comitê de ética pode dar um aviso para revista, chega assim, ó, esse grupo não foi coletado, né?

Pode fazer um aviso, tá? Então tá aqui, tem um disclaimer, tá? Então que isso não compromete o resultado, mas é uma coisa ética, na verdade, tá? Que é importante isso. Tá, que tem esses diferentes graus de retratamento. É importante, tá, o que não inviabiliza, mas tipo, ah, você foi mirim, entendeu? Você devia ter falado que ia coletar mais. Foi mirim, entendeu? Foi juvenil, verdade? É isso, tá bom? Então, tipo, não é para passar pano, mas é, mas o dado é interessante mesmo, sobretudo para o estudo comportamental do que leva uma picada de cobra, tá?

E aí assim, para picar 30 mil, pisar 30 mil vezes, né, Você tem que fazer vários controles. Assim, não era, de novo, você não vai esmagar a cobra, tá? Então eles faziam tipos de estímulo humano na cobra. Então o local onde você encostava na cobra, ou na cabeça, ou no meio do rabo, né? O tipo do dia, assim, é de manhã ou à noite, será que a cobra é mais ativa amanhã ou à noite, né? Cobras infantes, jovens e adultos, né? Então ele viu várias várias variáveis, né?

E tinha também a região de São Paulo onde existia a cobra, né? Então, aliás, uma informação de saúde pública importante: as cobras são muito mais ariscas em regiões litorâneas, tá? As cobras perto da praia são muito mais ariscas, elas têm muito mais chance de picar, tem muito mais acidentes. É, então, por uma coisa ambiental, enfim, né? E aí tem uma relação com o sexo da cobra. Então, por exemplo, durante o dia, né, as cobras picam numa certa frequência, tem uma maior probabilidade de picar se você encostar nela, tá certo?

À noite, o macho pica muito menos e a fêmea pica muito mais. Então a fêmea é mais ativa à noite, né? E de novo, a cobra não vai atrás de você para te picar, tá? Ela não vai, tá? Ela só, ela só, ela só pica você se ela se sentir acuada ou isolada.

KFKen Fujioka

Para se defender, né?

ADAltay de Souza

Fora o comportamento alimentar dela, e você não é presa para ela, você é muito grande para ser visto como presa, né? Ela só vai ter esse comportamento em defesa, tá? Como uma coisa defensiva. E aí tem uma problemática, né? Porque os jovens, as cobras jovens picam mais do que as adultas. Então cobras infantis picam muito mais, apesar de ter menos veneno, mas é perigoso da mesma forma. E ele estudou exclusivo, e principalmente a jararaca, que é uma cobra bem peçonhenta, tá?

O veneno dela é bem poderoso, né? E aí, em regiões litorâneas e também plantações, ela se camufla muito bem. As cobras se camuflam muito bem, então é difícil ver. Ninguém vai querer pisar na cobra, mas às vezes você esbarra com ela, tá? Ainda mais a jararaca, ela se isola bem. E aí eles acharam um dado interessante também, que cobras que vivem em cativeiro e cobras selvagens picam na mesma frequência. Então você não tem uma, tipo, uma domesticação, entre aspas, termo horrível, da cobra, tá?

Então a cobra pica com a mesma frequência dependendo do quanto você incomoda ela, né? E aí picar na cabeça é bem pior. Se o seu pé tiver mais perto da cabeça, mais chance dela picar, né? É o que faz sentido. Se a cobra for mais jovem, ela pica mais. E à noite as fêmeas picam mais do que os machos, né? E é interessante porque, apesar de ser um estudo relativamente simples, Não tinha dados sobre isso, não se tinha dados, né? Então é um estudo importante, importante mesmo para você fazer treinamentos, né, para fazer material público de divulgação e tal sobre esses animais, né?

Então você não precisa matar a cobra, mas é só respeitar o lugarzinho dela, vai dar tudo certo. Não é legal, gente? Muito melhor que Copa do Mundo, hein?

KFKen Fujioka

Muito melhor, muito melhor. Ainda mais essa.

ADAltay de Souza

Lembrando que esse artigo é de 2024. Saiu em 2024.

KFKen Fujioka

Ah, esse é recente então?

ADAltay de Souza

É recente também.

KFKen Fujioka

Esse é recente. Então parabéns para o João Miguel e seus colegas brasileiros. Isso é parabéns para Brasil e Austrália, não é isso? Orgulho do Brasil, mais um ignóbil na prateleira.

ADAltay de Souza

Isso.

KFKen Fujioka

E esse foi a última categoria das 5 primeiras das categorias premiadas no Ig Nobel 2026, Altair.

ADAltay de Souza

É isso aí. O que teremos na próxima?

KFKen Fujioka

Na próxima, daqui 2 semanas, você vai ouvir no episódio 476, a parte 2, com as categorias física, tecnologia, olfato, que eu acho que é assim uma das categorias mais originais que a gente já viu aqui, olfato, ciência do solo, e claro, o Prêmio Ig Nobel da Paz. Isso aí, teremos emoções, teremos emoções, teremos mais ciência de alta qualidade e alto senso de humor daqui para frente, certo, Reginaldo? Tá com você então a edição dessa segunda parte.

E até lá, Naru Rodô, ilustríssimo ouvinte! E você já sabe, aqui no Naru Rodô quem faz a pauta é você. Você tem alguma pergunta pra gente ou quer comentar algum episódio?

ADAltay de Souza

Escreva pra nós, podcast@narurodô.com.br. Repetindo, podcast@narurodô.com.br.

KFKen Fujioka

E lembre-se, mande nome completo e idade, profissão e a cidade de onde você está falando.

ADAltay de Souza

É isso aí. Naruhodo. Esse podcast é apresentado por B9.com.br.