Episódios de Naruhodo

Naruhodo #465 - O que é interdisciplinaridade?

04 de maio de 202655min
0:00 / 55:05

Você já parou pra pensar como as maiores descobertas da história aconteceram quando áreas do conhecimento se encontraram? Neste episódio, mergulhamos na interdisciplinaridade — e por que pensar fora da própria caixinha pode ser a chave para entender o mundo.

Confira o papo entre o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza.

>> OUÇA (55min 06s)

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Naruhodo! é o podcast pra quem tem fome de aprender. Ciência, senso comum, curiosidades, desafios e muito mais. Com o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza.

Edição: Reginaldo Cursino.

http://naruhodo.b9.com.br

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A primeira é: muito, muito obrigado pela sua audiência. Sem ela, o Naruhodo sequer teria sentido de existir. Você nos ajuda demais não só quando ouve, mas também quando espalha episódios para familiares, amigos - e, por que não?, inimigos.

A segunda mensagem é: existe uma outra forma de apoiar o Naruhodo, a ciência e o pensamento científico - apoiando financeiramente o nosso projeto de podcast semanal independente, que só descansa no recesso do fim de ano.

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É isso, gente. Estamos enfrentando um momento importante e você pode ajudar a combater o negacionismo e manter a chama da ciência acesa. Então, fica aqui o nosso convite: apóie o Naruhodo como puder.

bit.ly/naruhodo-no-orelo

Participantes neste episódio2
A

Altay de Souza

Hostjornalista
K

Ken Fujioka

HostPublicitário
Assuntos6
  • O que é interdisciplinaridade?Definição de interdisciplinaridade · Diferença entre multi, inter e transdisciplinaridade · História da interdisciplinaridade · Jean Piaget e cognição incorporada · Ivani Fazenda e a crise das ciências · Educação escolástica vs. interdisciplinar
  • Ciência e auto-observaçãoDefinição de ciência como uso do método científico por agente que se auto-observa · A importância da auto-observação na ciência · Ciência como ferramenta e realismo das entidades
  • Ian Hacking e o looping effectIan Hacking e sua contribuição para a filosofia da ciência · O conceito de looping effect e sua aplicação · A relação entre ciência, sociedade e identidade · Crítica ao uso de diagnósticos como rótulos
  • Pensamento complexo e transdisciplinaridadeEdgar Morin e os sete saberes necessários para a educação do futuro · O que é pensamento complexo · A importância da transdisciplinaridade para resolver problemas complexos · A relação entre privilégio e pensamento complexo
  • Exemplo transdisciplinar: condicionamento de ratos e sociedadeExperimento de Skinner com ratos · Esquemas de razão e intervalo · Analogia com a sociedade e o trabalho humano · A relação entre biologia, psicologia e sociologia
  • Apoio ao NaruhodoImportância do apoio financeiro para podcasts independentes · Plataformas de apoio: Orelo, Apoia-se, Patreon
Transcrição148 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O que é interdisciplinaridade? Bem-vindo ao Naruhodô, podcast para quem tem fome de aprender. Eu sou Ken Fujioka. Eu sou o Taíde Souza. E hoje é dia de quê? Terem sem senso comum.

Ilustríssimo ouvinte, Ilustríssimo ouvinte do Naruhodô, o Altair e eu temos duas mensagens pra você. A primeira é muito, muito obrigado pela sua audiência. Sem ela, o Naruhodô sequer teria sentido desistir. Você nos ajuda demais não só quando ouve, mas também quando espalha episódios pra familiares, amigos e, por que não, inimigos.

A segunda mensagem é existe uma outra forma de apoiar o narodô, a ciência e o pensamento científico, que é apoiando financeiramente o nosso projeto de podcast semanal independente que só descansa no recesso do fim do ano.

Manter o Naro Rodô tem custos e despesas, servidores, domínio, pesquisa, produção, edição, atendimento, tempo, enfim, muitas coisas para cobrir. E algumas delas em dólar. A gente sabe que nem todo mundo pode apoiar financeiramente, e tá tudo bem. Tente mandar um episódio para alguém que você conhece e acha que vai gostar. A gente sabe que alguns podem, mas não mensalmente, e tá tudo bem também.

Você pode apoiar quando puder e cancelar quando quiser. O apoio mínimo é de R$ 15,00 e pode ser feito pela plataforma Orelo ou pela plataforma Apoia-se. Para quem está fora do Brasil, temos até a plataforma Patreon. É isso, gente. Estamos enfrentando um momento importante e você pode ajudar a combater o negacionismo e manter a chama da ciência acesa. Então fica aqui o nosso convite. Apoie o Naro Rodô como puder.

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ou clique no link que está na descrição deste episódio. Insider, inteligência em cada escolha.

Altair, temos pergunta de ouvinte, Altair. Sim, esse episódio foi muito engraçado, Ken, porque ele é um episódio originado de uma pergunta recente. O e-mail chegou há pouco tempo, mas na verdade foi meio que uma coincidência. Foram três pessoas e lugares diferentes, que eu acho que não se conhecem, falando do mesmo tema.

E aí calhou, assim, e falei, poxa, fechou uma guest out interessante. Então temos uma ouvinte, que mandou um e-mail regular, temos uma pergunta de uma apoiadora no nosso grupo de apoiadores, na mesma época, na mesma semana, e na minha disciplina, que eu dou na Unifesp, numa delas, eu tenho um grupo que eu coloco todos os alunos.

E aí um aluno, aleatório, veio com a mesma pergunta. No grupo de vocês, no Discord, é isso? No grupo, sem nenhum... Não estava sendo dito nada. A pessoa trocou essa pergunta. Então eu senti um chamado do acaso para poder juntar isso. Então vamos ver o que vai dar esse episódio hoje.

Tá certo, então. O e-mail que a Altair mencionou veio da Mariana, que é bióloga natural de São Carlos, São Paulo, que trabalha como técnica de laboratório numa cidade próxima, que é Araraquara. Ela diz que quando ainda mora em São Carlos, a gente é companheiro dela de viagens, Altair. E por isso ela agradece imensamente o trabalho que a gente faz e o tempo que a gente dedica pra esse projeto.

A gente é que agradece o tempo que você dedica pra gente e a atenção que você dá, viu? A Mariana começa assim, estou escrevendo, pois atualmente estou envolvido em alguns projetos profissionais que diferem um pouco da minha atuação principal.

Eu sempre trabalhei com pesquisas em biologia e como essa área é bem ampla, tive oportunidades em trabalhar com comportamento animal, biologia molecular, evolução, bioinformática, etc. Mas sempre tive uma quedinha pela pedagogia. Como meu curso possibilitou minha formação na licenciatura, já tive a oportunidade de dar aulas e atualmente estou com um projeto de formação de professores de ensino básico a partir do tema vacina. Olha que bacana.

Entrei nesse barco depois de ser aluna do Altair, na disciplina de estatística, outro assunto que também tenho certa paixão e que me permitiu ver a ciência para além do que estava acostumada. Pois bem, estudando a respeito do meu novo projeto, me deparei com o termo interdisciplinaridade, que já me era conhecido, mas que sempre acho difícil de explicar.

Na hora já pensei, vou procurar um naruhodô. E apesar de já ter ouvido vários episódios e tenho certeza que é um assunto que de forma indireta os permeia, não encontrei nenhum exclusivo pra ele. Então cá está a minha questão. Afinal de contas, o que é a interdisciplinaridade?

Um termo que me parece ser usado de forma tão corriqueira e ingênua em tantos contextos, mas que após algumas leituras me fizeram pensar que é um tema tão urgente nesses contextos em que vivemos, onde a ciência precisa ser repensada como incertezas e não como certezas. Um tema que parece estar conectado com essa maneira de se fazer ciência que o Altair tanto afirma. Ciência é o uso do método por aquele que se auto-observa.

O que vocês acham, pessoal? Como a interdisciplinaridade nos ajudaria a repensar sobre o mundo e o nosso papel nele? Olha só que e-mail da Mari, hein, Alta? Já estou chamando de Mari. Muito bom e-mail. Aí tem o comentário da Mariana Santorini no grupo de apoiadores do Naro Rodo. E ela diz o seguinte. Vocês lembram de algum episódio, pessoal, que fala sobre interdisciplinaridade? Essa é a dúvida que ela jogou no grupo.

Eu ainda não ouvi todos, mas dos 250 para frente eu não lembro. Ouvi os episódios sobre juntar exatas humanas e biológicas e eles ajudam muito a entender o início da discussão sobre o tema. Mas tem umas ideias bem interessantes dos textos da Ivani Fazenda que vão de encontro com o método Galinha com a teoria da incompletude. Não sei se é um viés meu, mas achei.

que tinha relação. E aí, vem a mensagem anônima, ou com um avatar do Discord, que é a Escorpiã Alpinista.

Que diz o seguinte, hoje estava lendo um texto da Ivani Fazenda, olha ali a Ivani Fazenda de novo, sobre interdisciplinaridade. No primeiro capítulo do livro, a autora discorre sobre a crise das ciências e ela solta a seguinte frase, a ciência questionada em suas objetividades não encontra pátria nas atuais subjetividades. A verdade paradigmática da objetividade tem sido substituída pelo erro e pela transitoriedade da ciência.

Essa provisoriedade da verdade e da ciência vai nos permitir anunciar a possibilidade de um real encontro entre ciência e existência. Achei bacana e queria compartilhar. Ainda bem que existe esse grupo para conversar.

Essas pessoas não se conhecem. Foi na mesma semana. Então é um inconsciente coletivo atuando, Altair? Pois é. É o chamado do acaso. O chamado do acaso. Altair, afinal de contas, o que a ciência tem a dizer sobre interdisciplinaridade e todas essas questões que os ouvintes levantaram, Altair?

São questões profundas, né? Acho que você consegue perceber. Você já ouviu falar desse termo, pelo menos? Claro, claro que sim. De forma, assim, solta, né? Agradeço muito o e-mail da Mariana, né? Muito bem escrito. E a Ivani Fazenda, fantástica. Assim, já tinha lido vários trabalhos dela, os livros dela, clássica já. Uma professora da PUC. Tem um grupo de pesquisa, já trabalha há décadas sobre isso. Inclusive, já vou pedir o anúncio.

Se alguém tiver o contato dela, vamos entrevistá-la, tá? Eu sei que ela já está aposentada e tal, mas gostaria muito de conversar com ela.

com a Ivani fazendo. Ela não será a primeira aposentada que a gente está entrevistando. Exatamente. Se você tiver contato dela, mande pra gente.

O livro dela sobre interdisciplinaridade é fantástico, muito bom, muito didático e tal. Ela já fez aparições no YouTube, em vários canais, com entrevistas, mas seria muito legal tê-la aqui também. Claro. Então, primeira coisa, vamos começar por definições. De fato, como a Mariana, as Marianas e a Escorpião é alpinista, é porque a galera no grupo do Discord botam apelidos, até eu tenho apelido, então a gente fica assim mesmo.

A ideia desse episódio é explicar o que é interdisciplinaridade e a diferença da multidisciplinaridade e da transdisciplinaridade. São coisas um pouco diferentes e, na verdade, são partes de um processo. Isso reflete uma problemática...

que é presente inclusive nos episódios do Naruhodô. E tem uma coisa que em nenhum lugar eu dei a referência, e foi de propósito. Então essa definição de ciência que eu trago, da Mariana, muita gente perguntou sobre isso anteriormente. Essa definição que você dá de ciência, ciência é o uso do método científico por um agente que se auto-observa.

Você tirou essa definição da onde? Eu me recusava a falar. Porque tem muita gente que gosta da punheta do autor, sabe? Ah, se é esse autor, então você gosta desse, desse, desse, desse, sabe? Tipo time de futebol. E eu evitava sistematicamente dar o autor. Porque, na verdade, isso é a adaptação do pensamento de um autor que será trazido hoje. Porque agora esse pensamento faz mais sentido dentro desse contexto. Certo.

Eu acho, né, pro quem é meio óbvio, que a tendência dos episódios é ser interdisciplinar, de fato. A gente agrega o conhecimento de várias áreas pra responder as perguntas, né, isso é de praxe. E acho que por isso que acabou emergindo esses três comentários de lugares diferentes. De uma aluna do curso, de alguém do grupo, dos apoiadores, e, né, enfim. Então, vamos às definições. O que é interdisciplinaridade? É a combinação de múltiplas disciplinas acadêmicas em um projeto ou atividade.

É a combinação. A combinação não é a mescla. Você não vai criar uma coisa nova. Então, por exemplo, o Ken Fujock é publicitário, eu sou psicólogo. A gente vai fazer um trabalho que agrega criar uma mensagem publicitária baseado em conhecimentos da psicologia. Isso é uma coisa interdisciplinar. Certo.

Mas isso não muda nenhuma das nossas áreas. É só uma colaboração. É uma combinação. A interdisciplinaridade é o passo mais fácil. Ela acontece em todo momento, principalmente na carreira profissional. Você resvala. Você tem momentos interdisciplinares. Apesar da nossa formação não ser. Certo.

Então, você pensar uma educação dividida em português, história, geografia, matemática, não é interdisciplinar. Os momentos onde você vê interdisciplinaridade pode ser na prova, pode ser no vestibular, tem alguma questão que junta, sei lá, uma questão de química e uma questão de física. Mas um ponto pacífico que a gente tem hoje, a nossa educação hoje não é interdisciplinar. Ela é escolástica. Ela é dividida nas cadeirinhas.

E por que ela é dividida assim, nas disciplinas? Por quê? Por uma demanda histórica. Por uma demanda histórica que vem da Revolução Industrial e da Revolução Francesa, que a gente tinha que escolarizar as pessoas. E o objetivo da educação nesse contexto de escolaridade para o trabalho não é gerar emancipação, é criar operário. Isso a gente já pegou em vários episódios.

então eu não preciso que você pense sobre o que você sabe, eu preciso que você faça eu preciso que você trabalhe lembra do que é trabalho? trabalho vem de tripólion que quer dizer tortura e aí tem uma coisa que eu não falei antes você lembra né? tem uma outra coisa a palavra tripólion ela gera tortura, mas ela gerou o verbo tripudiar

Tá. O que é o verbo tripudiar? O verbo tripudiar é eu passar a perna em você de um jeito especial. Então eu passo a perna em você fazendo você acreditar que o que eu tô te dizendo é verdade. Eu não tô te coagindo. Tá. Tripudiar é enganar alguém.

Entendeu? Então, eu faço você acreditar que o trabalho enobrece. Isso é um tripólion, é uma tortura que te engambela e, ao mesmo tempo, figurativamente te enobrece. É perverso, né, Kim? Então, nesse sentido, a educação tem que ser dividida em matérias.

Porque eu não quero que você seja um ser emancipado. Eu quero que você aprenda matemática para trabalhar como contador, como engenheiro. Eu quero que você aprenda história para dar aula para as crianças. Esse tipo de coisa. Então, o mercado, a prerrogativa de uma sociedade onde você tem pessoas que vendem sua força de trabalho e pessoas que agrupam essa força de trabalho porque são detentores dos meios de produção, é o meio pelo qual a educação se dá.

Isso é inescapável. Nessa lógica, isso é inescapável. É possível individualmente você escapar? É, mas como um todo é muito difícil. Então, assim, existem tentativas de fazer uma educação interdisciplinar, mas isso bate na nossa própria história e na sociologia econômica que a gente tem. Sociologia política e econômica que a gente tem também. O que você quer dizer com sociologia política e econômica?

É a maneira como a gente pensa a economia. Então você pensar que a economia parte de uma prerrogativa que uma nação rica é uma nação que gera trabalho e logo você vai ter quem emprega e quem é empregado, a sociedade desigual, esse tipo de coisa. E isso vai determinar o modelo de educação no final das contas. Faz todo sentido, porque tem um fim. Então você não aprende para ser uma pessoa melhor, você aprende para construir algo e aí ser melhor. Talvez.

Talvez, talvez. Quem sabe? Então, o que acontece? Logo, essa discussão, e aí a grande Vani Fazenda, a grande representante aqui no Brasil, passa pela pedagogia, pela educação. É um tema da educação. E aí é um problema também da nossa sociedade, desgraça, que a área de pedagogia é uma das mais importantes. Tem muita pesquisa legal pra ser feita em pedagogia. Muito mesmo.

Teremos entrevistas com pedagogos Em breve também É muito legal mesmo E recomendo que vocês acompanhem Tem muitas iniciativas legais A pedagogia fica meio isolada Enquanto área do conhecimento Ela conversa pouco com outras áreas Pouco com as áreas de exatas, de biológicas Elas conversam só do ponto de vista da sala de aula Mas não da sociedade

Tem uma dificuldade de agregar isso. E aí tem a ver com a própria... Tem um episódio sobre como são feitos os artigos científicos, como é a vida de cientista, o trabalho do cientista. Tem certas dificuldades. Mas aí eu quero trazer... Quem foi o primeiro? Não o primeiro, né? Mas quem foi o mais famoso que começou a cantar pedra que é importante a interdisciplinaridade? Inclusive deu a primeira definição mais moderna. Foi o Jean Piaget.

Piaget, monstro, hein? Grande Piaget. Grande Piaget. Sou fãzaço do Piaget, né? Então ele fala, né? A primeira definição de interdisciplinaridade, lá nos anos 60. Ele fala que interdisciplinaridade é o intercâmbio mútuo e a integração recíproca de várias ciências.

E ele pensa na lógica da epistemologia genética das criancinhas. Criança não aprende matemática, física, história, química. Ela aprende. Ela interage com o mundo. Ela pega tudo junto. Então, quando a criança aprende a pegar o bonequinho, a puxar a cordinha, ela está usando física, química, biologia, tudo. História, tudo junto.

Então é muito interessante ver Que o conhecimento das crianças pequenas É incorporado Ela é uma coisa interdisciplinar de fato Mas isso é perdido posteriormente É perdido por conta de uma educação Que é escolástica E mais do que isso é dualista Separa sua mente e seu corpo

Então você pensar que uma criança, sei lá, de 8, 9 anos, tem que ficar sentada 4 horas, sendo que o corpo dela emana por movimento. Se você pega uma criança pequena, com 6, 7, 8 anos, ela fica pulando, correndo, quer gastar energia. Sem dúvida. Você deixar ela sentada numa sala o tempo todo, é meio tenso.

é meio difícil, e numa sociedade hoje que é mais tecnologicamente ativa e por conta da demanda de mercado você expõe as pessoas a cada vez um spam atencional menor por essa lógica das telas que também afeta as crianças claro que a criança vai ser o satanás na aula é óbvio, não tem como não ser satanás, a criança não dá conta, ela não consegue ser tipo esquizóide pra separar o eu da escola do eu da casa, da vida, não faz nenhum sentido né?

Então, o Piaget coloca isso, e aí tem um conceito muito interessante que depois outros pesquisadores pegaram, a partir do Piaget, que chama cognição incorporada. A cognição incorporada vem a partir do conceito de interdisciplinaridade do Piaget, que é o seu corpo, ele não tem matemática, física, história, geografia. O seu corpo tem o conhecimento.

E aí ele tem o conhecimento dito transdisciplinar. Então assim, a interdisciplinaridade é quando você combina áreas diferentes para um projeto ou uma atividade, é a parte mais fácil. Aí você tem a parte intermediária que é a multidisciplinaridade. A multidisciplinaridade é quando você combina disciplinas e pessoas trabalhando, mas sem necessariamente interligar.

É a sprint, por exemplo. Quando você faz uma sprint, é um momento multidisciplinar. Você pega pessoas de várias áreas e elas têm um projeto para fazer juntas. Mas elas não saem da sprint sendo outra pessoa. Subjetivamente, talvez. Talvez você pegue alguma coisa que mexa com você. Mas enquanto profissão, enquanto ofício, eu posso fazer parte de uma sprint sua e eu não saio com o seu trabalho.

Claro, você tem aprendizados como tem em qualquer processo, mas você continua sendo o profissional que você entrou, né? Exatamente. Claro que se você faz várias, isso vai te agregando um certo know-how. Sim. Então, tanto a interdisciplinaridade quanto a multidisciplinaridade é uma coisa que tem uma combinação e acaba.

Mas a meta final é a transdisciplinaridade. A transdisciplinaridade, que é a meta que o Piaget coloca e que outros pesquisadores colocam, é uma abordagem científica que usa, que visa a unidade do conhecimento.

Não é um conhecimento novo que é maior do que os outros. Não é isso. Não é criar um metaconhecimento. É amarrar todos eles. É eu criar um novo senso de conhecimento do mundo a partir da integração de outras áreas.

Em outras palavras, é criar um novo senso de observação. Então, voltamos na definição de ciência. Ciência é o uso do método científico. Quando eu uso o método científico, eu posso ser interdisciplinar ou multidisciplinar. O uso do método científico por um agente que se auto-observa. Esse agente tem que ser transdisciplinar.

Esse é a gente. Então, eu pego a matemática, física, história e combino. Em mim. Certo. E como eu combino? A partir da minha auto-observação. Então, por exemplo, quando você faz uma sprint, você pega lá pessoas de três áreas diferentes, pra resolver um problema, você não tá sendo transdisciplinar. Tá sendo só multidisciplinar. Tá bom. Transdisciplinar é assim. Eu vou fazer o projeto. E eu pego os trabalhos de outras pessoas e combino em mim.

Eu crio um metaconhecimento capaz de amarrar os conhecimentos dos outros. Aí você vai me perguntar, não, mas isso é muito difícil de fazer. No final do episódio eu vou dar um exemplo. Aqui é totalmente possível. Eu diria que esse papel da transdisciplinaridade ela está muito em cima...

De mim e da minha sócia, numa sprint dada, por exemplo. Que é juntar esses conhecimentos específicos, separados, numa coisa só e transformar numa coisa coesa.

Isso, mas isso em você. Tem que acontecer dentro de você. Você vai ter que deixar de ser publicitário. Você vai virar o quem? Sem dúvida. Nessa hora precisa deixar de ser mesmo só um especialista. É, mas não é nessa hora. Isso vai acontecer com você. Você vai virar essa coisa aí, amorfa. Essa que é a ideia. A transdisciplinaridade é um estado de alteridade.

Mas é um estado de autoridade por um período específico ou você está falando de uma transformação de vida? É uma educação, é uma pedagogia. A ideia é criar a transdisciplinaridade no agente. Ele pode ter qualquer coisa. Ele pode fazer qualquer coisa. Então é um cruzamento de fronteiras entre disciplinas acadêmicas e escolas de pensamento. Que é uma nova pedagogia.

só que isso você leva a vida inteira então por exemplo, você não vai ter mais ensino médio você está até agora gera esse senso de observação para a sua vida toda então você não se educa mais para ser o funcionário da JWT ou o que quer que seja é para você ser o Kim Fujioka, do jeito que você puder ser e toda a sua variabilidade perceber o que isso demanda uma nova sociologia política e econômica

para que essa possibilidade se dê. Ela é possível? É. Mas só é possível nas camadas mais privilegiadas. Sem dúvida. Então se eu tenho aquelas educações lá que eu pago as escolas de 10 mil reais por mês, o problema não é nem pagar 10 mil reais por mês. Na verdade, eu tenho que criar uma escola onde tenha os filhos dos bacanas para que eles se conheçam entre eles. E eles criam uma network que mantém a legitimidade deles nas próximas gerações.

Não é porque eles são espertos ou burros, não tem nada a ver. É só manter os grupos coesos.

E tem que criar um network entre os alunos e entre os pais. Total, total. Você vai criar uma gleba. Você vai criar uma gleba, exatamente. Então, inclusive, existe um tratado, não é um tratado, mas um chamado da transdisciplinaridade que foi feita pela Unesco uns anos atrás, uns 10, 15 anos atrás, que é a abertura de todas as disciplinas para aquilo que as atravessa.

Então, de fato, parece um negócio meio tilelê mesmo, parece uma coisa quase messiânica, sabe? Você ser capaz de pegar o conhecimento de todas as áreas e agrupar em você mesmo. E agora eu consigo tirar o que eu estava escondendo de propósito, mas eu consigo tirar a camada por cima? O protocolo galinha é basicamente isso.

ele é meio que uma metodologia mais simples para você criar em você a transdisciplinaridade. Então, você estimular gratidão, atividade física, lazer, inspiração, novidade, humildade e alteridade, é um exercício constante sua vida toda. Para gerar em você essa transdisciplinaridade. Por isso que eu bato em vários episódios a necessidade de você voltar no ensino médio.

Não é para você aprender coisas novas, é para você ressignificar o que você já viu. Isso vai gerar essas diferentes linguagens. E esse exercício da transdisciplinaridade, ele evolui a cada vez que você coloca em prática.

É o seu dia a dia. É você quem. Mas há uma evolução. Isso que eu quero dizer. Mesmo que aconteça a transformação, é provável que colocar isso em prática torne você cada vez melhor nisso também. Isso. Muito bem. Isso se junta com dois episódios, aliás. Que é o episódio 394 sobre o Maslow. A ideia de motivação. Então, se você usa o método científico Yeah. Yeah. Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah

e você é um sujeito que se auto-observa, automaticamente você se motiva. Você começa a ser interessado pelo mundo e não pelo consumo do mundo. Você se torna um antropólogo e não um consumidor do mundo. Isso o Maslow descreve brilhantemente, vai ser um novo episódio mais pra frente, que é sobre o sujeito de auto-atualização.

O sujeito de autoatualização é um conceito muito importante do Maslow, que é o sujeito que se automotiva. Isso relaciona também com o episódio 404, porque algumas pessoas gostam de terminar coisas e outras não. Tem toda essa bobagem do povo, que na verdade é privilegiado, que fica falando de educação, fala assim, temos que desenvolver soft skills e hard skills. Puta bobagem, caô do cacete isso aí. Todo conhecimento é conhecimento, não tem soft e hard, sabe? Não tem nada a ver.

Mas na verdade, se você fosse resumir em uma coisa, qual é a competência, adulto e criança, tanto faz, qual é a competência mais difícil para você desenvolver outro em dia, hoje em dia? Mais difícil e mais importante. Qual é? É a sua capacidade de organizar a ambivalência.

Essa é a competência. Pode pensar na sua filha, seu afilhado, do sobrinho, sei lá. A competência mais difícil de desenvolver em alguém no mundo complexo que a gente tem hoje é a capacidade de você organizar a sua ambivalência. Ambivalência do mundo em relação a você. É você entender a injustiça do mundo e ao mesmo tempo ter um certo tipo de gratidão por existir. Isso é difícil.

Mas é difícil para um cacete, mesmo. Porque o que acontece? O mundo sempre foi caótico. O mundo sempre foi uma zona. Tinham coisas diferentes acontecendo no mundo o tempo todo. Só que agora a gente sabe. No passado, quando não tinha internet, só tinha cartas. Você não sabia que o mundo era uma treva.

mas hoje você sabe, e aí você não dá conta você não dá conta dessa informação distante e aí isso atrapalha o seu senso de existência então, você lidar com essa ambiguidade é um negócio muito difícil, que é o que o Piaget coloca que é uma chave da transdisciplinaridade o Piaget coloca, a Ivani Fazenda coloca o Edgar Morin, Edgar Morin é um grande teórico também, filósofo da ciência que estuda a complexidade eles falam que a gente tem que desenvolver o pensamento complexo Yeah Yeah Yeah

E aí o que seria o pensamento complexo? Que também a minha bronca, a gente tem um episódio mais antigo, que é o que são pessoas superdotadas, crianças superdotadas. E superdotação não tem nada a ver com uma coisa que você tem a mais do que os outros, é um saco. Mas tem uma coisa que eles colocam, todos esses tiktok de superdotação, altas habilidades que eles falam, que o superdotado tem que ter o pensamento em árvore. Você já ouviu falar disso, Ken? Não.

Então, ainda bem que não caiu na sua bolha esse chorume. Eles falam assim, não tem assim, dez traços do TDAH, dez traços do autismo, não tem essas essas regras prontas? Tem também de quem é superdotado e alta habilidade. Aí uma das coisas que eles falam é que assim, que o superdotado, altas habilidades, ele tem o pensamento ramificado. Pensamento em árvore. Isso é um baita de um caô.

porque na verdade isso você pode ensinar pra qualquer pessoa qualquer pessoa tem possibilidade de ter um pensamento em árvore que é por exemplo, você pensa um fenômeno de novo, é a sua sprint a sua sprint é uma metodologia por exemplo, de como desenvolver pensamento ramificado então eu quero resolver um problema vou inventar eu quero imaginar uma cidade e eu quero fazer as pessoas economizarem água

na cidade. Perceba que é um problema multidisciplinar, não é? Tem um aspecto de desperdício, tem um aspecto físico, aspecto biológico, tem um aspecto psicológico, comportamental, tem tudo. Então, o pensamento complexo seria você decompor um problema como se fosse um microscópio e um telescópio.

Olhar pra perto e pra longe. E decompor isso em pequenos problemas menores. Você pega esse problema complexo, decompor em problemas menores, e aí você vai descobrir se você tem a resposta, ou quem sabe o que você precisa saber de cada coisa. Perfeito. O que é isso que a gente já viu no Naruhodô? As quatro causas.

Entende? Então assim, o pensamento ramificado é coisa super dotada, meu pau de óculos, gente. Isso é uma pedagogia que se ensina pra todo mundo. Se você não consegue ter pensamento ramificado, é porque você não tem tempo pra pensar. Isso denota a nossa desigualdade, a falta de privilégio.

Porque você não tem tempo nem pra comer, nem pra dormir direito. Você vai ter tempo de ficar pensando, se desconectando do objeto. Como se fosse um microscópio. Isso é pensamento de gente privilegiada. Entendeu? Por isso que essa discussão de altas habilidades, pra mim, assim, em geral, é meio a discussão de privilégio. Concordo. E aí volto muito na discussão do Edgar Morin. Tem nas referências, tem um texto muito bom, que ele estuda a complexidade, né?

Tem um texto fantástico, que chama Sete Saberes Necessários para a Educação do Futuro.

E aí ele fala que todo problema que você tem, todo problema transdisciplinar, multidisciplinar, todo problema, você olha para aquele problema. Aí você vai tentar estabelecer ordem, que é tentar entender o que está acontecendo, ordem, desordem, interação e reorganização.

Tenta pensar isso nas suas sprints. Dia 1. Dia 1, lá de manhã. No primeiro dia. É a ordem. A gente tem que tentar entender o que está acontecendo. Ordem, depois você tem a desordem, que é bagunçar tudo, expandir. Depois você vai ter uma interação e depois uma reorganização. Então esse ciclo, ele acontece o tempo todo. Você tem que aprender a estabelecer isso.

entre as coisas isso bate muito com a ideia do Piaget que adaptação é assimilação mais acomodação o Piaget coloca pras crianças, mas o Edgar Morin coloca pra todo mundo e aí a ideia desses sete saberes necessários pra educação do futuro é você ser capaz, pela educação de gerar atores sociais para atacar problemas complexos

Então o objetivo é isso, é gerar os atores sociais pela pedagogia. Então a pedagogia transdisciplinar ela é pra isso, é pra criar agentes que pensam em si mesmos gera essa auto-observação interna e os produtos dessa auto-observação servem sempre pra coletividade, não serve pra atender a demanda do detentor dos meios de produção.

serve para atender o coletivo. O narodô, de novo, é um exemplo disso. A gente paga para fazer o narodô. É fato. A sua hora é muito cara. A sua hora é muito cara. Não seja modesto. A sua também. Mas dane-se. Você entende. Você sabe as décadas de experiência que você tem no mercado. Você podia comprar mais caro a sua hora. Podia. É verdade. É isso, gente. É esquisito fazer o quê? Tem ganhos. Tem ganhos secundários. Sim, sem dúvida. Mas isso é muito inspirado no Edgar Morin.

porque você pensa nessa pedagogia para alteridade a partir da auto-observação com utilização do método

Isso é um processo interno. Não é para você ficar fazendo stories no TikTok e no Instagram. Não é isso. Você sabe muito bem, eu também sei, que quando a gente desliga aqui, as coisas batem pesado. É isso. O grinding diário, a galera não repara. Ela só vê o resultado, mas não vê o grinding. Só vê o champanhe que nós tomamos, não vê o tombo que nós levamos.

Isso, exatamente. As pingas que eu tomo, nós estamos no som que eu levo. Exatamente. E aí, encaminhando um pouco mais agora, percebemos que essa problemática da transdisciplinaridade é uma questão fundamental. A gente ser capaz de gerar atores sociais capazes de resolver problemas complexos a partir da sua auto-observação, com a utilização do método, é fundamental para entender aquecimento global, por exemplo, para entender dinâmicas de conflito entre países, que são questões complexas.

Não tem conversa. O aquecimento global, principalmente, coisas do tipo. É fundamental a necessidade dessas pessoas. Só que a conjuntura atual, baseada na desigualdade e na polarização, impede exatamente que essas pessoas apareçam. Percebe que é uma coisa contraditória?

é um conflito então a Ivani Fazenda coloca isso muito bem no texto dela, e aí vem o autor que eu quero, da onde eu me inspirei essa definição de ciência não é necessariamente dele, mas eu me inspirei nele que é um grande pesquisador que eu gosto, eu li tudo dele que é o Ian McDougall Hacking Ian McDougall Hacking ele faleceu, fiquei muito triste quando ele faleceu, porque cara bacana, foi professor da Universidade de Toronto vários anos, Stanford você conheceu ele pessoalmente? conheci, conheci conheci

Gente fina demais, puxa Gente, boa praça, pelo menos ele foi muito reconhecido Na área, pelo menos fiquei feliz por isso Ele faleceu em 2023 Então é mundialmente conhecido nessa área Filosófica e tal Ele tem alguns conceitos que eu gosto bastante Eu pessoalmente, vou confessar Eu tenho uma bronca com a formação em filosofia Filosofia é fundamental É muito importante, é maior legal Só que a graduação em filosofia tem um problema Porque você aprende a pensar, mas não usa isso pra nada Sabe? Então você fica tipo Punhetando ideias Yeah

Mas como é que você faz? Sabe? Eu sou mais experimental. Eu venho da psicologia mais experimental, sabe? Então, eu dou primazia a ensinar pra você primeiro um experimento. Ó, gera os dados. Vai lá ver o mundo. Depois você volta e eu te dou a teoria. Tá? Porque se eu te dou teoria demais, você vai chegar racionalizando demais, vai... Não dá certo. Vai pensar demais, vai misturar você com o que tá acontecendo, sabe? Aí daí você vem meio cru, vai lá, né? Aí depois eu te ensino a técnica.

O método é esse. Coleta os dados. Faz uma vez. Você entendeu? Teve contato com a realidade? Agora a gente converta a teoria. Eu, pessoalmente, acho isso melhor. Essa interação mesmo com o mundo. E o Earhack também. Então, ele tem um conceito que chama realismo das entidades. O que é o realismo das entidades? A ideia não é acreditar se as coisas são verdade ou não. A ideia não é pensar numa verdade com V maiúsculo. Mas você pensar as coisas como ferramentas.

Então, por exemplo, se eu tenho uma ideia que eu consigo usar como uma ferramenta e operar no mundo, e tem resposta, ela tem uma certa garantia de verdade. Então, por exemplo, as pessoas pensam a verdade como se fosse algo concreto, né? Tipo, uma pedra, uma montanha, um carro, né? Isso é a verdade. Todo mundo põe a mão. Uma coisa que dá pra pegar, né? Isso. Mas se você pensar, por exemplo, o algoritmo das redes sociais, tipo, condicionando a gente a ter posicionamento político, isso não é real.

É uma ideia. Mas essa ideia, quando você opera no ambiente, ela ganha status de verdade porque ela funciona. Sim. Rola. Então, isso é o realismo das entidades. Por isso, é um conceito muito moderno, que gera essa noção de que as comunidades de pessoas, aí tem a ver com o Jean-François Lyotardi também, que a gente explicou em episódios anteriores, a lógica das comunidades, que fala muito que pessoas... O que é real? Pessoas querem pertencer a grupos.

Se pessoas querem pertencer a grupos, a partir do momento que elas juntam, o grupo é real. Se a gente quer fazer parte do mesmo grupo, a gente tem a mesma ideia, se junta, o grupo se tornou real. Por pelo fim. E se a característica do meu grupo anular a existência do seu, temos polarização, que virou real também. Entende? Então as entidades ganham noção de realidade, de verdade parcial, a partir do uso delas. E é por isso que eu sou mais experimental, entendeu? Sim.

Vamos usar uma técnica. Funcionou? Deu efeito? Então parece que tem um certo status de verdade e dá pra pensar em cima. Em vez de só ficar e se ir. Eu não gosto disso. Pessoalmente. E aí ele tem um contexto, um conceito chamado looping effect. Que é muito moderno. O efeito de loop. E aí ele usou muito isso com o conceito de autismo. Então, olha que foda. Que lavózinho eu tenho. Que cara foda. Ele falava assim. O looping.

O efeito de loop era assim. Então imagina que eu sou um pesquisador dentro da universidade, ninguém me conhece, estou encastelado. Eu estudo autismo. Estudei autismo, fiz minhas pesquisas e tal. Imagina que são pesquisas bem feitas. Fiz minhas pesquisas bem feitas e tal. E aí eu criei a etiologia do autismo.

Eu peguei lá várias crianças, adultos, fiz testes, publiquei artigos, ninguém ficou sabendo. Só a comunidade acadêmica. Ninguém ficou sabendo. Aí eu cheguei, ó, existe uma nova doença, uma nova etiologia, uma nova característica, que é o autismo, e ele é assim, tem as características ABC. Aí eu publico isso. Aí isso fura a bolha, sai da universidade.

Tá. Quando sai da universidade, cai na mão do jornalista, o jornalista publica. E aí, quando o jornalista publica, uma pessoa lê, por exemplo, nossa, eu sou assim. Tem a ver comigo. E aí a pessoa se identifica com isso. Ah, mas eu também, eu também, eu também. Então, cria um grupo de pessoas que se identificam. Entende? Cria um grupo de pessoas que se identificam com o autismo.

O que é o efeito de loop? Eu sou pesquisador, eu criei o conceito formal, isso saiu da universidade, as pessoas abarcaram esse conceito e começaram a tomar como parte delas. A partir do momento que eu te dou um nome, você é autista, a partir do momento que eu te dou um nome, isso te modifica. Muda o seu senso de verdade. E ao mesmo tempo que muda o seu senso de verdade, muda a definição que eu dei. E aí o que começa a acontecer? Tem o efeito reverso.

Então, por exemplo, se eu continuo estudando dentro da universidade e as pessoas lá fora usam esse termo autismo, depois volta para mim. Pode aparecer uma pessoa e fala assim, não, eu sou autista, mas eu não me identifico com essa definição. Na verdade, tem essa. Então, você gera pressão em mim de volta para eu mudar a definição. Então, você percebe que a verdade vem da universidade para fora e de fora para dentro? Sim.

Esse é o efeito de loop. Tanto é que você ouve muito isso, né? Muitas pessoas falam assim, eu recebi o diagnóstico e isso me deu paz. Né? Sim. Isso é ambivalente. Te deu paz por quê? Porque você acredita que a etiologia é verdadeira. Só que é verdadeira a partir da sua submissão a esse conceito. Né? Ou seja, você tá abrindo mão de parte de você mesmo. Inclusive da parte que te incomoda. Aí é muito cômodo, né, gente? E aí, qual é o nome disso? Serviço. Eu estou te oferecendo um serviço.

entendeu? Ó, ok, você tem umas coisas esquisitas, você é meio esquisitinho, você tem uns problemas existencial. Eu vou te dar a solução, eu vou dizer que isso é autismo. Te dei. Nossa, resolveu todos os meus problemas, que vitória, então agora eu não preciso pensar. Eu sou autista. Então o que a gente tem que fazer? Se juntar, criar um status de autismo como verdadeiro para lutar pelos direitos do autista e mudar a realidade objetiva. Olha que foda! Uau!

Não é fantástico? O Ian Hack é foda, não é? Esse é o meu perfecto. Então, assim, não estou desmerecendo o movimento da neurodivergência, não estou desmerecendo. Existe um core duro, verdadeiro desse movimento. Mas existem as pessoas de fronteira que são só esquisitas, gente. Você não pode usar... E aí é o que ele coloca mesmo, né? De você colocar características etiológicas de doença...

como atributos de verdade da identidade dos sujeitos. Isso denuncia uma sociedade doente.

por que você é autista e isso não é esquisito? ou chato? qual o problema de você ser chato? porque chato não ganha legitimidade não vira verdade parece que não é verdadeiro percebe a ambiguidade? a verdade nesse sentido filosófico e no sentido concreto também de você poder operar então se eu chego pra você, quem? eu sou chato então se dane, eu falo, não, eu sou autista aí você me respeita entendi então se eu chego pra você

Percebe? Quando eu uso o termo, vira verdade porque eu opero no ambiente. Eu adoro o Ian Haki. Cara, foda. Eu sei que vai ter gente que tem o diagnóstico de autismo e vai ficar puto comigo, mas desculpa. Você tem que atancar a ambivalência dessa crítica. E isso vale pra TDAH, pra autismo, narcisismo.

Às vezes o cara é cuzão, ele não é narcisista. Às vezes o cara é machista, ele não é narcisista. Não precisa pôr o DSM na cabeça do cara. Porque às vezes se você bota o DSM, você tira dele a capacidade dele mudar. Eu nasci assim, eu sou narcisista desde que nasci, não vou mudar. É, porque facilita um comportamento mais acomodado. É claro, é claro. Por quê? As pessoas querem ser felizes. E a felicidade vai na contramão da organização da ambivalência na sua vida.

Percebe? Complicado, né, Ken? Percebe como a gente vive numa sociedade complexa? E a importância da transdisciplinaridade? E a Hacker é foda. Não Contente, recomendo dois livros dele. Fantásticos, os melhores, assim. Pra mim, né? A Emergência da Probabilidade, que ele faz um estudo das definições de probabilidade, fantástico. E a Sobre a Domesticação das Chances. Excelente livro também. Eles são mais estatísticos, mas são muito bons, muito bons.

E o Ian Hacker também coloca uma coisa, esse episódio é um pouco em homenagem a ele, eu gosto dele, ele ganhou vários prêmios e tal, ele tinha uma perspectiva da filosofia da ciência mais histórica, que isso é raro, é relativamente raro, que ele colocava assim, que a ciência não pode ser desconectada do tempo histórico, da historicidade daquele momento. Então o Descartes só foi o Descartes e criou a lógica cartesiana porque ele viveu naquela época.

No século XVII. E aí veio o conceito de paradigma. O que é um paradigma na filosofia da ciência? Do Thomas Kuhn. O paradigma é assim. É uma constelação de crenças, valores e técnicas que criam um arquétipo para problemas que são fontes de debate em uma comunidade científica. Então, um paradigma é um conjunto de ideias que um conjunto de pesquisadores tem.

Então, tem os pesquisadores discutindo uma coisa e tem um conjunto de ideias em debate. Esse conjunto de ideias, valores e técnicas gera um arquétipo. O arquétipo seria, por exemplo, você é positivista, você é funcionalista, você é, sei lá, sabe esses nomes que você coloca? Você é de humanas, de exatas... Quando você fala que você é de humanas, você está adotando um certo paradigma.

da sua formação. Humanas exatas, biológicas e tal. A ideia de paradigma é isso. O que o Ian Hacke coloca, que é muito interessante, é você dar um caráter histórico para o paradigma. O fato da gente entender as coisas como entende hoje, na ciência, tem a ver com a história. A história determina a maneira como a gente pensa o conhecimento. O conhecimento não existe em si. Ele também é historicamente determinado.

então isso vale para o looping effect o looping effect existe porque é uma coisa real hoje a lógica das comunidades do Jean-François Lyotard existe porque tem uma historicidade hoje que perspassa a economia a história, a geografia e todas as outras áreas

Então, essa ideia de um conhecimento científico transdisciplinar baseado na história mostra que você muda o tempo todo. Você tem que mudar o tempo todo conforme você se adequa à história e à realidade dos eventos, porque você não é onipotente. Percebe como é poderoso o conhecimento transdisciplinar?

E é uma tentativa, assim, é uma tentativa queixotesca de eliciar isso nas pessoas, por meio dos episódios. Então, quem ouve vários episódios, e o Ken é uma das pessoas que ouviu todos, praticamente, dá para ser como teste empírico, a ideia é que, ao longo dos anos, ouvido Narodô, você vai começar a se interessar por outras áreas. Áreas que você nem pensava. Se eu ouvi uma coisa, você vai, nossa, tem a ver. E isso gera um senso de auto-observação interno também.

e agora eu consegui concluir finalmente a definição de ciência ciência é o uso do método científico por um agente que se auto-observa acho que a luz do pensamento transdisciplinar essa definição é mais moderna e faz mais sentido para os nossos ouvintes sem dúvida

E aí, para terminar, eu quero mostrar um exemplo. Vamos fazer um exemplo de um fenômeno interpretado de forma transdisciplinar. Tá bom. Vamos lá, Ken. Coragem. O fenômeno é o seguinte. Simples. Vamos pensar um fenômeno simples. Que é você pegar... Imagina que você pega um ratinho e coloca numa caixinha.

Tá na caixa de Skinner. Então, imagine, na sua cabeça, é o pensamento filosófico mesmo. Tem uma caixa que tem um botão, você aperta o botão, sai a comidinha. Você bota um ratinho dentro da caixa, o rato não sabe o que é uma caixa, não sabe o que é a barra, não sabe nada. Você bota ele lá, ele tá até meio assustadinho. Quando você coloca um ratinho na caixa, o comportamento inato dele, o inatismo dele é explorar. Assim como qualquer pessoa. Quando eu te boto numa sala vazia, você vai dar um andar.

Então o ratinho começa a explorar ali, eventualmente por acaso ele bate na barra Quando ele bate na barra, sai uma comidinha Aí ele pega Ele não sabe ainda que apertar a barra gera comida Aí eu faço um gráfico que é assim No eixo X eu coloco o tempo E no eixo Y eu coloco o número de vezes que ele aperta a barra No eixo Y o número de vezes No X o tempo Yeah

Aí ele foi e apertou uma vez, eu marquei. Aí ele continuou mexendo, ele apertou de novo. E depois ele apertou de novo, apertou de novo. Aí eu vejo, ao longo do tempo, que o intervalo entre as apertadas vai diminuindo. Isso quer dizer o quê? Isso é uma indicação de que ele está aprendendo. Quanto menor o tempo entre uma apertada e outra, maior a relação que o rato está criando entre a barra e a comida. Percebe?

Consegue entender? Ela foi configurada pra isso, então. Isso. E você fez um gráfico pra mostrar isso. Quanto menor o atraso entre as apertadas, é uma indicação de que o rato tá criando uma relação entre a barra e a comida. Você não precisa chegar pro rato e falar Senhor rato, você está aprendendo? Você tem uma indicação externa desse aprendizado, que é o tempo entre as apertadas que vai diminuindo. Isso é uma curva de aprendizagem.

Tudo bem? Perfeito. Então, o que eu já fiz? Eu peguei um ser biológico, coloquei numa caixinha e usei um gráfico, que é uma coisa de exatas, para demonstrar um processo psicológico básico do rato. Perceba? Já juntei duas áreas. Vamos avançar. Então, esse esquema que o rato está condicionado, que é apertei a barra, ganhei comida, é chamado esquema de razão.

apertei a barra, ganhei comida. Agora, pense comigo. Você consegue entender que comportamento, apertar a barra, é uma coisa aditiva? Ela sempre vai somando? Por mais rápido que eu aperte a barra, eu sempre vou apertar 1, 2, 3, 4, 5, eu aperto aditivamente. Eu nunca vou apertar 1, 2, 4, 8, não tem como você fazer múltiplas apertadas. Tem como você apertar rápido, mas não múltiplas. Então, os esquemas de razão...

Se eu coloco lá o rato na caixa e começo a ver o gráfico dele apertando, você concorda comigo que vai ser uma relação linear? Vai ser uma linha? Sim. A cada uma unidade de tempo ele aperta uma vez. Vai ser uma linha. Sim. Concorda? Uma relação linear. Existe um outro tipo de condicionamento que é assim, é o condicionamento por intervalo. Então, eu vou colocar um intervalo de 10 segundos. O rato aperta a barra uma vez, ele tem que esperar 10 segundos e apertar de novo. Se ele apertar com 5 segundos, reseta o tempo.

Ou seja, ele tem que aprender a dar um intervalo. Certo. Ele tem que aprender. Aperta uma vez, espera 10 segundos, aperta de novo e ele ganha comida. Perfeito. Ou seja, são dois condicionamentos diferentes. Um rato está por razão e o outro por intervalo. Ok. Agora, faça uma imaginação intelectual. Eu treinei bem os dois ratos. Eles estão bem treinadinhos. Uhum.

Eu pego o rato que está sob razão, que apertou a barra e ganhou, eu coloco ele na caixa. E ele está com fome. E ele está bem treinado. Como você acha que vai ser o comportamento dele? Ele já conhece a caixa, ele já está treinado, e ele está com fome. Eu coloco ele na caixa. Como você acha que ele vai se comportar? Acho que ele vai atrás da comida. E como? Como? Como?

Ah, ele vai fazer o que ele aprendeu. Vai empurrar a barra ou coisa do jeito. Isso. Só que como que ele vai apertar? Ele vai apertar a barra loucamente. Sim. Vai apertar muito. Porque cada vez que ele aperta, ele ganha. Sim. Ele não anda ali naquela linha reta, ele vai apertar loucamente. Aham. Ou seja, ele vai ser um rato ansioso. Fritado. Sabe? Porque ele vai ficar apertando, apertando, apertando até saciar.

essa que é a ideia o rato que é condicionado por intervalo ele não pode ser fritado porque senão ele nunca ganha ele não ganha comida, ele tem que saber fazer pausa como que você acha que vai ser o comportamento dele dentro da caixa? espero que mais paciente ou seja, isso, exato ele aperta uma vez ele aperta uma vez, ele dá uma olhadinha aí ele volta, aperta de novo, dá uma olhadinha você percebe, onde está a ansiedade? tá dentro do rato, tá no ambiente ou tá nos dois?

É, tá meio que nos dois, né? O ambiente ajuda a provocar a ansiedade. Muito bem, muito bem. Além da própria biologia dele. Sem dúvida. Além da própria biologia dele. Ou seja, não tem diferença entre biológico e social. Não tem diferença. Você separar os dois é uma ódio à ignorância. Por quê? Porque o condicionamento emerge dessa interação.

Seria o mesmo erro do dualismo. Separar essas duas coisas. Exatamente. Logo, mostra que a nossa formação escolástica é uma ódio e ignorância. Você aprende para dar dinheiro para o detentor dos meios de produção e não para conhecer o mundo como ele é de verdade. E agora fazendo uma ponte até mais extrema. Então imagina, aí a pessoa vai chegar, mas eu não sou um rato.

O que é você no celular, no Candy Crush? O que é você no celular? Na rede social. Você é um rato. Desculpa. A gente é um rato. Você é um rato. O rato da meta. E eu consigo fazer um gráfico do seu número de likes pelo tempo. Eu consigo saber que esquema você está sendo condicionado no uso dos algoritmos, dos apps.

sinto muito, azar o seu, não tem Durkheim, não tem Marx, não tem Max Weber. Eu discordo totalmente do Durkheim, que ele fala que não importa o comportamento, ele fazia a troça da psicologia. Tudo bem que a formação é ruim, mas a psicologia em si não. Ele falava que a psicologia não importa, o que importa é a força dos meios sociais. Se você entende isso, é o que determina. Chupa! Claro que não. Existe uma contra-força também dessas equações, desses princípios básicos do comportamento.

Agora, pensa como esse exemplo é heurístico. Então, o rato condicionado por razão, ele vai ficar fritado lá, apertando o tempo todo. Sim. O rato que é condicionado por intervalo, ele vai saber se é acurado. Ele vai saber apertar na hora certa. Certo. Então você já tem modelos de ansiedade e um outro modelo mais ou menos adaptativo. Imagina a vida de um Uber.

O que é a vida de um Uber? É que você ganha por desempenho. Quanto mais você faz, mais você ganha. Ele é o rato por razão. Ele está sobre o condicionamento por razão. Você trabalha no escritório, por exemplo, trabalha na agência. E você não sabe nada das regras da agência, mas você sabe que você tem que esperar a hora certa, na reunião certa pra falar o negócio certo.

você está sobre esquema de intervalo. Percebe? Então, na verdade, o que é a nossa sociedade? A nossa sociedade, pensando sociologicamente, é a divisão entre o detentor dos meios de produção e quem vende a sua força de trabalho em PA para quem ganha em PG, que é o capital.

É basicamente, o que é a nossa sociedade? Pensando comportamentalmente. É a divisão social em pessoas que trabalham por razão em intervalo. É isso. Gente que trabalha para produzir, em PA, e pessoas que contratam várias pessoas que trabalham em razão para trabalhar por intervalo. Que é jogar o dinheiro no banco e esperar render. Sim. Porra, gente!

juntamos todas as áreas esse é o pensamento transdisciplinar é isso tá certíssimo e aí você consegue pegar métodos de várias áreas pra integrar, pra atacar problemas complexos então qual é o método da sociologia e aí volta no episódio da teoria de completude de Godel dos sistemas e dos discursos

Eu quero fazer o trabalho com um indivíduo, eu posso fazer esses gráficos mesmo do seu comportamento em redes sociais e tal. Eu quero ver o pensamento sociológico, o que está nos discursos das pessoas. Faça uma etnografia, faça uma pesquisa de conteúdo, faça um grupo focal. E a ideia é integrar isso mesmo.

O pensamento interdisciplinar, transdisciplinar, ele integra isso. Você tem que saber todos os métodos. Não é ficar restrito na sua área. E aí você vai conseguir desenvolver o pensamento complexo em árvore. Que não é coisa de superdotado. É coisa de privilegiado. Esse que é o negócio. Eu me considero privilegiado porque eu desenvolvi isso. Mas isso não é talento. Isso é esforço. São 10 anos fazendo isso, Ken. Você sabe disso também.

Não é só em mim, mas em você. É que você fala menos que eu, mas você fala mais em outros lugares. Percebe a problemática? Que é uma discussão fantástica.

Total. Eu não sabia onde isso ia dar, viu, Antônio? Quase sempre você não sabe, né? Quase sempre você não sabe. Mas quando eu li o que é interdisciplinaridade, eu falei, meu Deus, onde que isso vai levar?

O Peiote foi doido. O Espírito não ter sido tão ruim quanto o de Godel. Acho que foi mais inteligível. Foi. É mais fácil. É mais fácil. É mais tranquilo. Tá certo, então. Mas aí fica um fechamento para os nossos ouvintes, que é assim...

Não, tudo bem. Eu ouvi todas essas coisas, me deu uma certa angústia. Tipo, como é que eu faço? O que dá pra fazer? Eu falo, ó, o método mais simples é você ouvir o episódio sobre as quatro causas e tentar aplicar o protocolo galinha, de fato. E sem pensar no resultado próximo. Ah, você é uma pessoa melhor. Você não vai. Você só vai se pôr em movimento.

Se você conseguir sistematicamente ser um sujeito que usa o método científico, o uso do método científico por um sujeito que se auto-observa, você vai colher os frutos disso estocasticamente. Não em função da felicidade, mas em função da verdade que você vai criar a partir da sua interação no mundo. Porque você vai ver o resultado disso, já dizia o grande Ian Hacking. Então esse episódio é uma homenagem a ele. Puta cara foda, eu gostei dele. Eu gostei dele, achei ele foda. Doutor Ian Hacking.

isso, obrigado que lavazinha eu tenho e agradeço muito as Marianas e a Scorpion Alpinista pela possibilidade de fazer esse episódio que eu julguei interessante é isso daí, não sabia onde ia dar e deu num lugar muito bacana obrigado e... Naro Rodô Ilustríssimo 20

E você já sabe, aqui no Naruhodô, quem faz a pauta é você. Você tem alguma pergunta pra gente ou quer comentar algum episódio? Escreva pra nós. podcast.naruhodo.com.br Repetindo. podcast.naruhodo.com.br E lembre-se, mande nome completo, idade, profissão e a cidade de onde você está falando. É isso aí. NARUHODÔ

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