A FRENTE DE ESQUERDA NO RS COM EDEGAR PRETTO | DO LADO DE CÁ #124
Na edição #124, Edegar Pretto discorre a respeito da aliança dos partidos PT e PDT em apoio a pré-candidatura de Juliana Brizola ao Governo do Rio Grande do Sul, além de dividir os desafios e aspectos da composição da nova frente política e a compartilhar mais detalhes sobre a pré-candidatura a vice-governador do Estado.
Este episódio do podcast Do Lado de Cá, apresentado pelos jornalistas Juremir Machado da Silva e Laís Escher, é uma produção do Estúdio RAO, do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e região.
SEMPRE ÀS QUARTAS-FEIRAS, ÀS 18H!
APRESENTAÇÃO: Laís Escher
PRODUÇÃO: Laís Escher
TÉCNICA: Diego Dorneles e Rafaela Nunes
EDIÇÃO: Diego Dorneles
COORDENAÇÃO DE PODCASTS: Laís Escher
DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO: Guilherme Daroit
SindBancários: Diga sim para quem defende você!
Juremir Machado da Silva
Laís Escher
Edegar Pretto
- Aliança PT e PDT no RSJuliana Brizola · Edegar Pretto · Eleições Rio Grande do Sul · Frente de esquerda · Tática eleitoral nacionalizada · Reeleição de Lula · Olívio Dutra · Tarso Genro
- Estratégias eleitorais e perfil de candidatosConhecimento do eleitorado · Construção de imagem unida · Diferenças partidárias · Programa de governo participativo · Eleições 2022
- Violência contra a mulherCasa da Mulher Brasileira · Combate ao feminicídio · Violência doméstica · Independência econômica da mulher · Divisão de tarefas domésticas · Dona Otília · Ministra Márcia Lopes
- Mudancas ClimaticasTragédia ambiental no RS · Legislação ambiental · Desenvolvimento econômico e sustentabilidade · Protocolo agrícola 365 da Embrapa · Gestão de recursos hídricos · URGS · Emater
- Atuação de Lucia na políticaExtrema-direita · Centro-direita · Eduardo Leite · Gabriel Souza · Zucco · Bolsonarismo · Defesa da democracia
- Solidão como questão de saúde públicaDesmonte das estruturas públicas · Privatizações · Gestão da saúde regional · Equipamentos de saúde subutilizados · Investimento em saúde
Tchau!
Estamos começando mais um do lado de cá, aqui do Sindicato dos Bancários, na Rua da Ladeira. E hoje, Laís Efer, o nosso convidado é o candidato a vice-governador do estado do Rio Grande do Sul, pela chapa PT, PDT e mais toda a frente de esquerda, Edgar Preto. Pois então, agora a gente está sumindo assim.
Chegando nos grandes, como a gente diz. E pré-candidato, vamos respeitar. Tem esse pequeno detalhe. Com certeza. Enegaro Preto, muito obrigado por aceitar o nosso convite. Muito obrigado também pelo convite que vocês me fizeram, Juremir, Laís e todos que estão acompanhando. Eu já tinha recebido esse convite anteriormente e, em função das agendas, não tinha conseguido estar aqui com vocês. Então...
Agora que consegui, eu também estou muito feliz e honrado com o convite. Obrigada. Já está sentindo o resultado dessa aliança? Foi um processo demorado, um processo difícil. Abandonar uma pré-candidatura, entrar numa aliança, aceitar o novo papel. Está sentindo já algum tipo de resultado em função dessa aliança, que é uma aliança inédita, ao menos para o século XXI.
Estamos num processo de transição, eu tenho dito as coisas, não acontece assim automaticamente, até porque foi uma decisão, como você disse também, Juremir, demorou um certo tempo. Nós aqui defendemos por um período que a nossa tática eleitoral era mais correta naquele momento. Nós, eu digo, o Partido dos Trabalhadores, as organizações que se firmaram junto conosco e os demais partidos.
Nós tínhamos uma frente já constituída, né? Seis partidos políticos, dois minutos e vinte e quatro segundos de tempo de televisão, a gente conta isso porque numa campanha é importante. Isso conta muito. Conta muito, né? Muito mobilizado já estava à nossa frente, estávamos com a caravana Levanta Rio Grande, que nós constituímos também para ser...
um chamado a quem quisesse nos ajudar a elaborar um programa de governo, uma nova proposta para o Rio Grande do Sul. Estávamos numa grande mobilização, já tinha feito alguns encontros regionais, nossos partidos participando. Eu sentia, Juremir e Laís, um clima de pré-campanha.
que já se assemelhava ao que foi o final da campanha de 22. Quando eu tinha, eu e o Pedro Ruas, constituímos a nossa frente política menor, não tínhamos o PSB naquele momento ainda. E... Eu acreditava, acredito...
E nós tínhamos todas as condições de irmos para o segundo turno. E nós tínhamos como certo que essa frente constituída, respaldada por nossa base partidária, nossas bases dos partidos, ela iria ter esse curso até o final. O que eu tenho dito, Laís Juremir, é que a nossa tática eleitoral foi nacionalizada.
tinha uma mesa de negociação também a nível nacional, e nós com a consciência de que nas prioridades, além de um projeto novo para o Rio Grande do Sul, é a reeleição do presidente Lula por tudo o que significa para o Brasil, para os brasileiros, e também a voz que hoje o presidente Lula representa mundo afora na defesa do que é essencial para nós.
Nós tínhamos essa consciência de que a prioridade é também a eleição do presidente Lula. Nessa mesa de negociação nacional, chegou a esse momento em que o PDT também nacionalizou a sua tática eleitoral do Rio Grande do Sul e colocou a candidatura da Juliana Brizola como prioridade para fazer qualquer outro movimento junto com o presidente Lula.
Então nós, de um lado, defendíamos essa tática eleitoral do Rio Grande do Sul, que também era melhor para o presidente Lula, porque é um palanque mobilizado, um palanque potente, com o nosso campo político argumentado nesse primeiro momento. E...
Fomos trabalhando mesmo assim, porque o presidente Edinho sempre nos dizia, cada passo que a gente dava na nossa pré-campanha, ele dizia, toque adiante, toque adiante. Uma campanha mobilizada, mesmo numa negociação, sempre é bom a gente estar fortalecido. E nós tocamos a nossa campanha.
Então, a gente também fez questão de repassar essa energia, essa força para a nossa militância, estava tudo muito bem arranjado até então. Nós continuávamos, obviamente, sonhando com a possibilidade do PDT estar conosco, compondo a nossa chapa, o PDT caminhando conosco já no primeiro turno.
Tanto é que a nossa vaga de vice ainda estava por preencher. E eu dizia para os companheiros e companheiras do nosso partido, dos partidos que estavam conosco, vamos deixar a vaga de vice até o último momento nessa possibilidade. Porque eu olhava a nossa pré-candidatura com seis partidos, um bom tempo de televisão, e olhávamos para a candidatura da Juliana e vimos o PDT, só ela por enquanto, só o PDT.
mobilizando a candidatura da Juliana e que sempre se apresentou muito bem nas pesquisas que eram feitas até aqui. E chegou então o momento que nós fizemos essa defesa da necessidade de nós agregarmos ao PDT e agora ao Avante oito partidos políticos.
Essa foi a minha primeira decisão, que eu fiz de novo uma rodada de diálogo com as nossas lideranças. O Olívio Dutra é sempre meu querido companheiro e uma espécie de conselheiro que eu tenho com muito orgulho, desde sempre, porque era uma relação que ele tinha com o Adão Preto, meu pai, que era para além da política, eram amigos, ele era amigo da minha família.
Era um parceiro. Quando o meu pai faleceu, o Lívio Dutra era presidente do PT. E coube a ele, uma semana depois que o meu pai foi enterrado, ele chamou os que estavam no mandato do meu pai, porque ele faleceu na metade do...
sexto mandato, a representação de organizações que sempre compuseram uma espécie de conselho político do mandato Adão Preto. Eu e o meu irmão mais velho estávamos nessa reunião e o debate foi o Livre Dutra coordenando quem vai dar sequência ao legado do Adão Preto.
Aquele coletivo indicou a mim para ser candidato em 2010, deputado estadual. Então esse vai ser o meu candidato, nós vamos caminhar juntos, eu vou ajudar com o que eu posso. E quais eram os conselhos do Olívio dessa vez? O Olívio acreditava muito firmemente, nós vamos continuar, o PT do Rio Grande do Sul tem uma representação importante, tu foi bem na última eleição, nós fomos bem na última eleição. Eu lembro, Juremir, faltava...
Faltava três dias para a eleição. No dia da eleição de 2022, eu apareci com 15% e o atual governador com 38% dos votos. Três dias depois, nós praticamente empatamos. Então, a mobilização que nós fizemos, como diz o mestre Olívio, de baixo para cima...
Nós construímos um movimento que nem os institutos de pesquisa não conseguiram captar, porque era para além dos partidos políticos, era de organizações, era de lideranças políticas que têm uma influência, que têm um peso em uma eleição, mas não são organizadas em partidos políticos. Esse foi o sentido da mobilização que fizemos lá atrás. E o Olívio Dutra, eu e tantos outros, o Tarso Genro também, eu conversei muito com ele, o Raul Ponte, a relação que eu tenho com movimentos sociais, com entidades, acreditavam.
que como olhavam o retrato de agora, comparando com o retrato de 22, o retrato estava mais bem organizado, o retrato estava mais bonito, digamos assim, politicamente. E tu entende que isso produziu uma mudança positiva dentro do partido, porque a gente viu muita mobilização enquanto estava acontecendo essa que tu chamou de nacionalização, quando ainda estava em discussão aqui. A gente percebeu que houve mobilização. Como é que tu interpreta isso? Para o PT hoje, vocês saíram fortalecidos no Rio Grande do Sul depois dessa?
Eu acho que o PT está mais fortalecido. Está mais fortalecido. Aliás, o resultado da eleição de 22 já nos deu uma potência maior. Nós fomos de 8 para 12 deputados, contando a Bruna que se elegeu na nossa federação, hoje está no PSB, a Bruna Rodrigues. Fomos para 12, se contarmos os dois do PSOL, fomos para 14 deputados e deputadas.
a maior bancada a nível nacional da mesma forma. Então já do resultado de 22, o PT, na minha opinião, mesmo não tendo indo para o segundo turno, saiu, de certa forma, mais fortalecido do que entrou na eleição. Sim, porque em tese tu eras, para muitas pessoas, um novo quadro, vamos dizer assim. Eu até achava que eu era conhecido, Laís. Pois eu ia falar, eu ia falar. Fui vendo a campanha que ninguém me conhecia. Fui vendo a campanha que ninguém me conhecia.
Fui vendo quantos votos, né? Tu é o mais votado em municípios do Rio Grande do Sul. Eu fiz...
Na primeira eleição eu fui mais votado na minha bancada com 69 mil votos, depois em 2014 eu fui para 73, na última quase 92 mil votos. Fiz uma votação que nenhum outro deputado do PT tinha chegado próximo a essa votação. Fui presidente da Assembleia Legislativa, então a gente tem que, bom, eu sou conhecido.
E tu vai para uma campanha para o Executivo, tu vê que ninguém te conhece. Tu tem que começar a dar os passos do zero. É diferente, né? Totalmente diferente. Para presidente da República, tem meia-nomes que a gente acha que são muito conhecidos. Não, mas o problema é que ele ainda não é conhecido. Não é conhecido do povo, né, Jeremias? Eu aprendi também nas campanhas para o Executivo, em 22, que em torno de 40% do eleitorado, ele não vive a política no dia a dia. Não tem filiação partidária, não se afirma.
com referência a nenhum partido político. Escolhe uma hora lá, na última semana, começa a olhar os programas de televisão e ali forma uma opinião. Eu viajo bastante pelo Brasil, volto e me pergunto para alguém assim, quem é o prefeito aqui da cidade? A pessoa diz, de qual partido? Pois é. Que partido é? Não lembro.
É uma parte importante, é quase a metade, né? 40%, 35%, 40% do eleitorado não vive a política como a gente vive, como os demais vivem. Então, é uma construção. Comecei com 4% e lá no final é que nós chegamos a quase 27% na eleição passada. Então, nós já tínhamos um conhecimento maior. Eu também já tinha mais conhecimento e as pessoas já tinham me visto em algum lugar.
Tem a impressão que eu já te vi em algum lugar, aquela pergunta que sempre diz pra gente quando encontra na rua. Então eu, a escolha que nós tivemos primeiramente foi de...
nos agregarmos, então, ao PDT, sem ainda eu ter definido qual seria a minha posição, porque eu achava que o mais importante, como eu sempre digo, é o coletivo. É o projeto coletivo e não individual. E chegaste a pensar em não ser o candidato a vice no momento em que ficou decidido que tinha que acontecer a união com o PDT?
Eu não tinha presente que eu seria candidato a vice ainda. Eu não tinha... Bom, eu não tinha feito nenhuma consulta pros meus, nem pros mais próximos, nem pros meus irmãos, que é o primeiro de casa, né, que a gente troca a primeira ideia. O que eu queria mesmo era levar ao PDT a candidatura da Juliana os seis partidos.
E foi o que consegui fazer, nós conseguimos fazer. Obviamente que isso foi muita conversa. O PSOL hesitou um pouquinho. O PSOL hesitou e foi muito importante a minha decisão de ser candidato a vice também pelo PSOL.
Me aproximei muito das lideranças do PSOL. A gente, quando vive o dia a dia do nosso partido, das nossas pautas, a gente caminha no cumprimento daquela agenda nossa, né? E muitas vezes não tem a oportunidade também de olhar para os lados, sentar, conversar. E nesse exercício democrático que eu também fui obrigado a fazer...
Eu conheci as pessoas, como eu não conhecia ainda, e tive gratas surpresas, entre elas uma relação franca e muito próxima que eu consegui estabelecer com o PSOL. E foi essa decisão deles também de caminharem conosco para o PDT.
que surgia a frase, se o Edgar for candidato a vice, para nós facilita. A prioridade do PSOL, a nossa querida Manuela Dávila, candidata a senadora, mas também para fazer uma migração com a sua base, me diziam os dirigentes, facilita se tu for candidato a vice.
Os seis partidos que estavam comigo, PT e mais cinco, eu fiz uma rodada individual, me pediram, Edgar, continue liderando a nossa frente. É muito importante também para a nossa paz social, você está no palanque representando esta frente.
E aí fui chamado no Palácio do Planalto, uma conversa com o presidente Lula, ele já me deu um abraço e me disse, Edegar, eu quero que você seja vice. Tem que ser nosso vice. Aí já fica difícil, eu estou dizendo. Aquele poder de sedução. É que o Lula faz uma lógica muito prática, né? Como é que nós vamos levar toda a nossa base a fazer campanha para a Juliana se você não estará no palco?
Aí não convence. Então eu preciso, nós precisamos que você seja o nosso candidato a vice. E pra mim não é nenhum demérito ser candidato a vice numa chapa com a Juliana, pela importância que ela tem, pela relação também de confiança que eu tenho com ela. Fui colega deputado, três mandatos consecutivos.
Quando eu fui presidente da Assembleia, a Juliana foi membro da mesa diretora, então vivemos ali um momento próximo, temos histórias muito parecidas. Eu falei quando eu fui na sede do PDT que o meu pai era mais brisolista do que pedetista, mas ele foi lá no início e militou.
no PDT. Então, temos uma história que vem de muito longe. Então, fizemos esta frente e aí eu tomei, a partir desses diálogos, a decisão de me colocar como vice. Eu acho que é um mérito. Como você disse na abertura aqui, Juremir, nós nunca tivemos aqui no Rio Grande do Sul numa eleição de segundo turno, no primeiro turno, uma frente aqui.
grande como essa, tão sonhada. Essa é a primeira que eu quero dar propriamente. Eu falo olhando para você, porque eu sei que você também escreveu, também teorizou a possibilidade dessa frente. Então eu me sinto muito bem ter ajudado, ter contribuído para escrever essa história ou essa página da história.
do campo democrático e popular no Rio Grande do Sul. Estou me sentindo muito bem. É um momento de transição, não acontece automaticamente, nem pode ser, porque as pessoas são pessoas, são seres humanos que pensam. Pessoas que estão comigo, que votam em mim. Eu sempre digo que é uma base crítica, não é fácil.
se manter com uma representação da base social que eu orgulhosamente represento, que o meu pai representava, uma base que se organiza, que faz a caminhada pensando não só no individual, mas no coletivo, no projeto maior, no projeto de Brasil, no projeto de Estado.
de bem-estar social. Eu aprendi desde pequeno a caminhar nessa direção. Não tem lugar para vaidades, não tem espaço para plano individual. O coletivo sempre é mais importante. Eu acho que esse foi o grande resultado que nós conseguimos produzir. E eu estou orgulhoso de ter participado dessa construção. Agora o resultado...
Ainda veremos, mas eu acredito firmemente que nós podemos chegar numa vitória eleitoral. O presidente Lula não vence as eleições no Rio Grande do Sul desde 1998. Eu quero muito que o presidente Lula vença as eleições aqui no estado, para a gente mostrar também para o Brasil.
que o nosso querido e amado Rio Grande do Sul tem faísca, tem chamas importantes, democrática, do legado também que nós produzimos de quem lutou antes de nós. É um símbolo importante uma vitória do presidente Lula e nós também termos a possibilidade desse campo unido, oito partidos políticos, numa frente ampla, também inaugurar um novo momento para um mandato de governador no Rio Grande do Sul, no caso governadora.
E como serão, assim, o que tu enxerga dos desafios com os oponentes, como dizia o Olívio, né? O que a gente vai enfrentar? Tu já teve a oportunidade de trabalhar no outro campo.
na Assembleia Legislativa, fazendo conciliações, e muitas pessoas se diziam surpresas na época. Poxa, como um cara do MST, a gente consegue conversar? Então, como é que tu enxerga que isso vai ser usado na campanha, e como é que vai ser o desafio nesse sentido?
Aqui no Rio Grande do Sul nós temos os três campos identificados, né? A extrema-direita, centro-direita, se assim dá para dizer. Eu chamo o nosso campo de... o campo democrático e popular, que a gente dá uma estendida um pouco maior, né? Além da esquerda, centro-esquerda. Muito caracterizado esse centro também na liderança do atual governador, do Eduardo Leite, né? Aqui está...
está o projeto vencedor aqui no Rio Grande do Sul já há 12 anos. O que eu sinto, Laís, é que há por parte da sociedade, por parte das pessoas, um certo cansaço desse projeto aí de 12 anos, e que não conseguiu trazer resoluções assim, regional, municipal, que as pessoas pudessem sentir, realmente fez diferença, fez uma grande diferença esse projeto na minha vida.
Como o atual governador não é o candidato, eu acho que as pesquisas estão revelando que, na minha opinião, é um retrato hoje. O candidato, o vice do atual governador, o Gabriel, acho que os números que apresenta é um pouco o sentimento da população. A população quer mudar, quer um novo projeto para o Rio Grande do Sul. E aí quem está com essa possibilidade?
É a extrema-direita e é o campo que nós constituímos. Eu seria, se fosse candidato a governador, o mais experiente, porque de todos aqueles que ali estão, só eu que concorri na eleição de 2000 e...
E 22. Curioso isso mesmo. É, então, não nos enganamos que será uma eleição fácil, não será fácil, porque, por várias razões, mas nós tivemos que nos agarrar em pautas, Júlio Amir, que era pacificada a defesa da democracia. Todos que estavam na política, praticamente todos, ninguém ousava.
contestar as normas democráticas, o Estado Democrático de Direito, as instituições, a importância que tem. E a partir do golpe na presidenta Dilma, na criminalização da política...
do nosso partido do PT, a prisão do presidente Lula, a gente passou a se agarrar a defender o que é o básico numa sociedade organizada, defender as normas, defender as instituições, defender a democracia. Então pode ter passado essa sensação, esse sentimento que nós somos o representante do sistema.
Quando não é institucionalidade, o que tu vai fazer? Então não tem outro jeito a não ser a gente politizar o debate dessa eleição. Falar com as pessoas sobre isso. Falar o que representa.
A extrema-direita, o fascismo, hoje representado pelo presidente dos Estados Unidos, que tem na extrema-direita brasileira os seus fãs, né? Idolatram a política norte-americana. Ao ponto, Juremir e Laís, de que quando nós sofremos o maior ataque econômico da história do Brasil, que foi a imposição, o tarifácio dos Estados Unidos, essa gente que hoje é candidato se abraçou na bandeira dos Estados Unidos, os ditos...
patriotas que andavam por aí na frente dos quartéis, enrolados numa bandeira do Brasil, no momento que o Brasil mais precisou, que o nosso Estado mais precisou. Os dados da Fierg são reveladores. Comprometeu mais da metade da nossa exportação.
para os Estados Unidos e mesmo assim, se abraçaram na bandeira do Donald Trump, na bandeira dos Estados Unidos, trocaram de bandeira. Então nós temos que politizar o debate e mostrar por que a inflação sobe, por que a gente paga o preço de uma guerra que nós não estamos em guerra.
O que está trazendo de ruim para o mundo a postura dos Estados Unidos, que também tem o seu pensamento enraizado na extrema-direita aqui no Rio Grande do Sul, representado aqui na candidatura do Zucco, um legítimo representante dessa ideia do bolsonarismo, o cara patriota, Deus, pátria, família.
que tem no seu currículo, que estava participando junto com o Bolsonaro das motossiatras, de ter andado com o seu capitão do jet ski, de ter feito pescaria. Nós temos que perguntar para os gaúis, será que isso é currículo para alguém ser governador desse estado?
Então o debate vai ser um pouco mais profundo, vai ser um pouco mais demorado as conversas, não só para conquistar o voto, mas para a gente politizar esse debate do que está acontecendo no mundo e os reflexos que tem no Brasil e aqui no Rio Grande do Sul, governo do presidente Lula.
que eu tenho a honra de ter sido parte até mês passado, avançou muito, evoluiu muito, mas a gente tem que reconhecer as pessoas ainda não estão com o sentimento de que sua vida melhorou ou que a sua vida está melhorando. Porque quando o Lula chegou, me permita, Juremir, não estava 0x0 para a população. Se fazer uma analogia com o jogo de futebol, estava 7x1 contra o povo. O que fez o Temer, o que fez o Bolsonaro...
Foi uma goleada contra o povo trabalhador especialmente. E nós, eu acho que não conseguimos passar essas dificuldades quando o Lula sumiu. Então, quando as pessoas votaram no Lula, que o Lula ganhou as eleições, passou-se um sentimento que o Lula de 2010 voltou. Mas o Brasil de 2010 não era mais o Brasil de agora. O Brasil de agora não era mais o Brasil de 2010. Muitas questões têm que ser refeitas. 33 milhões de brasileiros passando fome sem tomar café, sem almoçar e sem jantar.
Então hoje o Bolsa Família, o Pé de Meia, Gás do Povo, tantos programas para os mais vulneráveis, passou a ser um programa que foi conquistado, que nós temos que dar razão. É uma conquista porque o presidente Lula voltou, mas só o programa voltou porque tem um novo presidente. Tu viu a pesquisa, 80% das famílias brasileiras estão endividadas.
Esse é um dos grandes problemas do país no momento. Dívidas que passam, por exemplo, pelas bets. Dívidas de juros. Também, mas eu vi, Juremir, ali na pandemia, ali 20, 21.
quando o Bolsonaro abandonou os mais vulneráveis, no supermercado uma senhora com o carrinho cheio de compras pagou e pediu para parcelar em quatro vezes a compra que ela fez. Quatro vezes, quatro meses para pagar aquela compra. Eu olhei para o carrinho dela e fiquei pensando, como é que ela vai fazer a compra do próximo mês? Então...
Ficou claro, a inflação em quatro anos de Bolsonaro foi 30%, a inflação dos alimentos 67%. Então uma parte importante do trabalhador se endividou no cartão de crédito, no cheque especial, comprando comida. E os juros não pararam de subir. É legal, andar juntos, uma aliança, pode ser muito importante. Agora depois isso já foi feito.
Agora, depois tem a caminhada, e aí tem detalhes relevantes, do tipo, ninguém pesado pede ninguém, marchar juntos requer um certo traquejo. Eu tenho observado algumas reações que me parecem andando nesse sentido, por exemplo, desde as fotos...
da Luciana Agenro, Manuela Dávila e Juliana, fotos em que elas aparecem assim, abraçadas, alegres, passam uma imagem assim de união. E prestei muita atenção na carta que saiu no 1º de maio, a carta ao povo gaúcho. Ela me pareceu uma carta bem calibrada na medida em que expressa coisas relevantes para o PT, para o PDT, para o PSOL.
E aí o que eu te pergunto é como é que foi a confecção dessa carta, no sentido justamente de poder andar juntos e contemplar as aspirações de todo mundo.
Eu acho que é essa maturidade, Juremir, que nós todos precisamos ter e estamos com esse sentimento. Nós não somos iguais. Se fôssemos iguais, nós seríamos um partido só. Então nós constituímos uma frente com diferenças, que eu acho também positiva. As nossas diferenças também nos potencializam. Então é uma carta que precisou ser...
ter duas, três redações até chegar naquele equilíbrio que todos se sentissem contemplados, nessa diversidade que nós também representamos, que na minha opinião é saudável. Mas eu também, Júlio, gostei da carta, acho que ela ficou adequada para esse primeiro momento.
E há sim um clima recíproco de unidade. Aliás, esqueci de citar a Juliana. Eu vi um desses cortes nas redes sociais. Num desses encontros, ela fez um elogio a ti, um elogio intenso, um elogio bastante, digamos, qualificador.
Gostei também, fiquei muito feliz, ela foi generosa na fala que ela fez lá na sede do PDT, no dia 1º de maio, quando nós assinamos a carta. A Juliana fez uma referência importante, me deixou muito sensibilizado, porque ela disse algo que eu não tinha me dado contra, ela disse que não é qualquer homem que dá lugar para uma mulher ocupar um espaço na política. Me deixou refletindo, eu vi muita gente olhando e se emocionando com a fala que ela fez.
Ela falou também do resultado da eleição de 22, que eu participei, que fiquei sem ir para o segundo turno por 2.441 votos, isso significa quatro votos a mais em cada cidade, agora mais estruturado, mais mobilizados. Ela chegou a dizer, sentiu o Edgar que estava...
com a campanha mais fortalecida do que estava nossa, e essa decisão, e justamente, acho que a Fez conseguiu sintetizar em poucas palavras ali, o que é a grandiosidade dos passos que nós demos para chegar até aqui. Agora nós estamos na elaboração, ou na fusão, dos nossos programas, né Jeremia e Laís, nós tínhamos uma caravana Levanta Rio Grande, que já estava...
como eu digo, campo afora aí buscando diálogo com as pessoas, numa intensa mobilização, muita gente, setores que não são do nosso campo, mas que vinham discutir conosco, desde as universidades, institutos federais, empresas regionais, organizações ligadas à saúde, à educação, e sistemas que são mais caros, estavam muito mobilizados na nossa caravana Levanta Rio Grande, que não era...
para ter um Rio Grande da briga, levanta Rio Grande do grito, era alcançar a mão, é um convite à reflexão, ao diálogo, e que nós estávamos produzindo. O PDT também vinha nessa construção, e agora, em cima das linhas desta carta que foi apresentada, será a elaboração do nosso programa de governo, que os nossos dirigentes partidários agora estão debruçados aí, a fazer, na minha opinião, tem que ser o mais participativo possível. E existem muitas diferenças assim?
Só um recado. O pessoal da produção pediu para o senhor vir um pouquinho mais para o meu lado. Muito bem. Já ia esquecer. Muitas divergências nesses planos? Vocês já têm alguma ideia de... Enfim, assim... Tem que conciliar muita coisa?
Bom, a nossa questão, a minha palavra que eu dei ao PDT, quando nós nos recebemos ali na sede do nosso partido, é que nós estávamos unidos, ali o PSOL ainda não tinha tomado a definição, não estava conosco, já estavam cinco partidos.
Com o tempo esse que eu já me referi à televisão e disse aos companheiros do PDT, nós temos prioridades. Uma das nossas prioridades é a reeleição do presidente Lula, então nós queremos ver o PDT mobilizado conosco. A base do PDT, prefeitos, vereadores, parlamentares, tem que abraçar essa também, que é uma causa nossa, para ser uma causa também do PDT, verdadeiramente.
e um projeto novo para o Rio Grande do Sul. Tem essa complexidade do PDT ter estado no governo do Eduardo Leite, mas há uma concordância de que nós precisamos evoluir e evoluir bastante. Eu estou muito decidido, com muita disposição, de nesse diálogo, nosso programa de governo, possa expressar um novo projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul.
Quais são os pilares desse novo projeto? O que é fundamental? Na carta, por exemplo, eu achei interessante que aparecem coisas como defesa do meio ambiente, combate ao feminicídio, valorização da mulher. É uma carta que valoriza coisas tradicionais do PDT, por exemplo, a educação, que é sempre importante, mas também aponta para coisas muito atuais.
Acho que o governo do Rio Grande do Sul, nos desafios que temos hoje, não pode ser um espectador do que acontece a nível nacional e nem internacional. Há grandes mudanças acontecendo no mundo, mesmo aqui no nosso território, Mercosul, onde a gente está nessa ponta do nosso país, agora com o acordo da União Europeia, o Mercosul vai ter muito protagonismo.
E se a gente não aproveitar esta agenda e botar o Rio Grande do Sul em um outro patamar de destaque nesse cenário, nós vamos perder economicamente. Então, acho que abre aí grandes oportunidades e que um governante de um estado como o nosso não pode ficar...
Olhando, tem que participar, não pode perder nenhuma oportunidade. A minha defesa é que o governo próximo tem que recuperar a capacidade de fazer gestão, porque houve um desmonte nas estruturas.
públicas do nosso estado, naquela ideia que bastava vender, bastava privatizar, bastava entregar para a iniciativa privada, que tudo ia voltar a funcionar maravilhosamente bem, venderam uma ideia que as privatizações iam resolver os problemas das finanças do nosso estado, e não resolveu, os serviços foram precarizados.
e não se faz gestão na área que é essencial para todos e todas que para nós também a questão da saúde o estado abdicou o estado abriu mão o governo abriu mão de fazer gestão na saúde nas regiões ao ponto que tem cidadãos e cidadãs lá da minha região que sai de ronda alta que vão fazer um tratamento vão fazer um exame especialista em São Borges e corre 300 quilômetros 150 até 400 150 quilômetros para fazer um exame
Porto Alegre recebe diariamente 1.500 veículos com placa branca da saúde identificados como serviço de saúde todo santo dia. Eu vejo, eles ficam muitos ali em volta da praça. Exato, eu moro ali perto do...
Eu saio para caminhar ali naquela pracinha retangular da Jerônimo de Ornelas, é apinhado de carros. Eu fico olhando assim, a prefeitura XY. E muitos equipamentos, Laís e Juremir, que não têm e não estão sendo utilizados. O município, o hospital conquista lá de uma emenda, da bancada, ou de um parlamentar da região, um equipamento moderno, última geração, com a enorme capacidade, estão ali usando 20%, porque não há uma organização.
Então equipamentos da saúde que podem ser melhor utilizados, a diminuição da distância, especialmente para médias e alta complexidade, tem que ser resolvido na região. Se o Estado abdicar disso, os municípios sozinhos não conseguem. Constitucionalmente os municípios têm que investir 15% no orçamento de saúde, e o Estado tem em média 22%. A União está fazendo a sua parte, o que diz respeito ao orçamento.
os municípios mais do que podem e o Estado não está cumprindo a lei. Além de não estar investindo recurso constitucional, não tem organização, não contribui com essa organização, com essa gestão da saúde. Então o governo federal tem boas possibilidades e o governo do nosso Estado não pode perder nenhuma dessas possibilidades. Estou falando da saúde porque tem.
perguntar aqui agora, quantos você não conhece da família que está esperando uma cirurgia, que está esperando um tratamento, está esperando um exame que faz lá 300 quilômetros, não sabe se ele tem que buscar lá depois, se vai vir para a Secretaria de Saúde, se vai para o hospital, atrasa o tratamento e estamos pagando com vida. Estamos pagando com vida o não cumprimento do que está na concessão e principalmente de fazer gestão numa área que é fundamental.
Sim, do campo da saúde a gente poderia ficar fazendo um programa único aqui, porque tem inúmeros temas. Eu queria perguntar sobre um outro que, para mim também, de certa forma, acho que é a saúde, que é o combate aos feminicídios. Tendo trabalho com a frente parlamentar que tu já tiveste, como é que vocês pretendem enfrentar esse problema, visto que as coisas estão ficando cada vez piores para as mulheres no estado do Rio Grande do Sul?
Lá, eu estou chegando agora numa atividade que eu estava com a ministra Márcia Lopes, ministra das Mulheres do Brasil, do governo do presidente Lula, que esteve aqui. E acompanhei lá no Centro Vida, onde vai ser construída a Casa da Mulher Brasileira. O Rio Grande do Sul terá duas casas. Isso é uma luta que vem lá de 2014, 13, 14, que ainda não foi colocada em prática.
São quase 20 milhões de reais que já está disponibilizado para o Estado. Estava lá a secretária de Planejamento, acho que não, secretária de Obras do Estado, além da secretária de Política para as Mulheres, e todas comprometidas em fazer com que esse calendário seja cumprido. Infelizmente é um ano de eleições, mas o dinheiro está disponível.
Estou contando isso porque a primeira questão, Laís, é ter decisão política dos governantes de enfrentar esse tema. E colocar no orçamento. E colocar no orçamento e fazer uma política transversal, porque não é só uma secretaria sem orçamento, uma secretária, por mais bem intencionada ou secretário, que vai dar resolução a isso que é tão complexo. Tem que todo o governo participar de alguma forma.
Não é importante tratar da questão da violência doméstica, do feminicídio, do machismo na educação? Óbvio que é. Na saúde, da mesma forma. Na questão econômica, da mesma forma. A mulher, com a sua independência econômica, ela tem menos possibilidade de ter que se submeter à violência doméstica. Se ela tiver o seu orçamento, ela dona do seu nariz economicamente, ela vai impedir.
a convivência com o homem agressor. Eu acho que é isso, é uma decisão política, é orçamento, é prioridade, e a gente fazer um diálogo com a sociedade, especialmente com os homens, que é o que eu me dedico ao longo desses anos.
Eu tenho dito que uma das causas da minha vida é o combate à violência contra as mulheres, porque trago o ensinamento da dona Otília, minha mãe, que fazia sempre em casa um papel que parecia tão normal, que a gente hoje pensa não é normal de fazer os meninos dividir a tarefa doméstica com as meninas. Minha mãe era uma agricultora e eu vou para a roça com o pai e com vocês, então aqui em casa quem levanta da cama, arruma a cama, quem toma café, não fez, lava a louça.
Então, os homens passarem a dar o primeiro passo é muito importante. Qual é?
se colocar como divisor de tarefas em casa, porque se o homem em casa não dividir com a companheira o trabalho doméstico, os cuidados com o filho, ser um pai ativo, fica só para a mãe. E se ficar só para a mãe, ela não vai ter condições de ter um emprego decente, de se formar, de ser dirigente de uma empresa, de ser governadora, de ser deputada, vai ficando sempre um passo atrás na mesa.
em que se tome as decisões. E essa é uma causa minha. Não se colocar na frente das mulheres, mas chamar homens, que é a grande maioria. A grande maioria dos homens não agridem, a maioria dos homens não compactam com o desrespeito, com a violência, mas estão calados. Se os homens que têm esse entendimento se levantarem, se colocarem ao lado das mulheres, fazerem um cerco aos homens agressores...
A violência vai se sentindo pressionada, o ato da violência. Então, acho que é um casamento, sociedade civil convencida, organizada, mobilizada, junto com o governo que tem essa como uma das prioridades. Desculpa, Jeremias, que eu te cortei.
Saiu pesquisa e a aliança de vocês já aparece em primeiro lugar, tanto para primeiro turno quanto para segundo turno. Já houve tempo suficiente para as pesquisas refletirem esse passo que foi dado? Precisa ainda mais tempo?
E o que realmente a chapa agrega? A gente estava conversando antes de começar o programa, você estava dizendo que não é uma coisa só de somar 2 mais 2, eu somo os meus votos com os teus, é mais complexo do que isso. O que é realmente que se espera? Qual é a imagem, a mensagem que essa união pode dar no sentido de construir uma possibilidade real de vitória?
Eu tenho dito para a Juliana e com meus companheiros e companheiras, temos que botar nossa pré-campanha na rua, logo mais a campanha. Nós ainda estamos nessa fase do ajeitamento, de fazer o calendário, qual é a prioridade das agendas, como é que a gente vai concluir o programa de governo, como é que a gente faz essa fusão, essa transição das propostas, mas eu acho que é as pessoas nos vendo, nos vendo realmente unidos.
Agora, quando eu vinha pra cá, eu encontrei uma pessoa que eu não conhecia e disse, Edgar, eu estou contigo. Tu desistiu? Então, as pessoas, tem muita gente que ainda não sabe se eu não vou ser mais candidato, por que que eu saí. Então, eu preciso contar esse caos. Eu acho que a pesquisa última...
em que colocou a Juliana na frente dos demais candidatos, é uma sinalização, mas não está nem perto da potência que nós teremos verdadeiramente se apresentar e construir essa caminhada agora com essa unidade partidária, unidade programática de projetos para o Rio Grande do Sul. Acho que é no curso.
no curso dessa caminhada que nós vamos nos identificarmos para a população. Não é automático, não é somar. Se eu tinha 15%, se eu tinha 20%, somar com 20% da Juliana ou com 25%, que vai dar 35% e vai dar 40%. Não é assim essa soma, não é automático, ela tem que ser construída. Eu acho que ela vai ser construída. Acho que as pessoas vão compreender a necessidade dessa unidade ter acontecido e de ser uma chapa vitoriosa.
E eu perguntei antes de uma das pautas, mas tem outra que também acho muito urgente, que é no que tange o clima, as mudanças climáticas. Como é que, frente ao executivo estadual, vocês pretendem lidar com esse tema? Porque eu acho que é muito urgente, é emergente. Ninguém fala muito ativamente sobre isso.
Eu acho que inclusive é um gargalo que vocês têm, né? Porque é algo que mexe diretamente com todos os setores da sociedade também. Queria saber mais ou menos como anda essa conversa, porque é um tema que fica sempre secundário, assim. É.
Eu até fiz uma reflexão, agora que estamos na passagem dos dois anos da maior tragédia ambiental que aconteceu no Rio Grande do Sul, eu fiz a pergunta, o que mudou? Nós estamos mais preparados ou não estamos mais preparados para lidar com um próximo evento como esse, se ele virá?
E a conclusão é que ainda não estamos, que não fizemos ainda grandes mudanças a nível de Rio Grande do Sul. Até os negacionistas, que não acreditavam na possibilidade da tal da mudança climática, agora estão dizendo que estavam errados. Mas não basta só reconhecer, tem que agir. Então, toda a legislação que foi flexibilizada em 2019, não houve nenhuma mudança, não adaptaram absolutamente nada, parece que não houve essa compreensão.
Então tem a questão da legislação, como é que a gente casa desenvolvimento econômico e sustentabilidade, aquilo que você disse, eu tenho a abreviar dizendo desenvolvimento econômico, a proteção ao meio ambiente.
Elas não são adversárias, são irmãos. Obviamente que tem uma complexidade. Eu vejo os membros do governo do estado e o próprio governador fazer viagens internacionais para ver modelos que acontecem, mas não falam com a URGS, não falam com a nossa universidade, que vem estudando, que vem alertando, chamando atenção para esse tema há quantos e quantos anos. Então, acho que a gente tem que dar um mergulho aqui na nossa realidade e ver a produção acadêmica, científica, que já tem produzida no nosso Rio Grande do Sul por...
pessoas que estudam, que se aprofundam já há algum tempo sobre essa questão. E a gente tem que ter uma nova relação agora com a questão climática. No Rio Grande do Sul, eu acompanho esse tema da agricultura, por exemplo, já foram quatro anos consecutivos que houveram perdas de produção por falta de chuva.
E aí veio 24, a grande enchente. E nós vamos continuar, infelizmente, nessa vulnerabilidade. Nós vamos continuar plantando da mesma forma? Nós vamos continuar usando o mesmo calendário agrícola que utilizava-se há 50 anos atrás? As coisas mudaram, nós temos que estar convencidos que mudou. E não falta já iniciativas, pesquisas já e prática. A Embrapa desenvolveu, e eu lá no governo federal, como presidente da Conab, vim acompanhando.
E nós queríamos, e quem sabe será, ter o Rio Grande do Sul como o primeiro passo, a primeira ação do tal da ação 365 que a Embrapa desenvolveu no Rio Grande do Sul.
que é um novo protocolo agrícola, 365, que é para a gente ter já de início a necessidade de cuidar do solo todos os dias do ano. Cobertura verde, plantar de novo com curvas de níveis. O Rio Grande do Sul foi pioneiro no plantio direto, que foi muito importante, mas hoje a Embrapa identifica que o solo gaúcho está compactado, porque você não ara mais, você não perfila o solo.
Só abre ali onde é que bota a semente, bota o secante, bota o agrotóxico, mata as pragas, abre uma frestinha, bota a semente e pronto. Bota o adubo e pronto. Depois mais veneno. Então a identificação é comparado ao solo gaúcho, que o solo do Mato Grosso, que hoje é o estado que mais produz, nós temos um déficit de calcário de 40%. Está faltando calcário no estado que tem alta produção de calcário. Então o governo...
fazer um programa massivo de distribuição de calcário e retorno imediato no próximo ano, porque esse protocolo já está comprovado. Todas as cooperativas da CCGL, Juremir, já estão colocando em prática esse protocolo e o resultado é, colhe-se o resultado entre 30% a 40% a mais, aumenta essa produção.
E a planta tem uma resistência da mesma forma de 30% a 50% a mais com a falta de chuva. Porque se tu abrir o solo, se tu botar o calcário, mais massa verde, a raiz do milho, da soja, consegue 20, 30 centímetros para dentro do solo e busca água a mais lá. Então o melhor local de armazenar água é no solo. Não, mas é o programa de irrigação, temos que irrigar. Se a gente vai irrigar tudo, não vai ter água suficiente.
Quem é da agrofloresta sempre diz que a água se planta. A água se planta, exatamente isso. Então, óbvio que nós temos que ter um programa robusto de irrigação. Mas a gente tem que ter outros protocolos porque nós não vamos conseguir irrigar.
Todo o nosso campo agrícola gaúcho, nem daqui a 20 anos, que sabe, não teremos condições, não terá nem água. Então como é que a gente prepara o solo para armazenar esta água? Então essa é um pouco mais complexo, mas ele tem demonstrado resultado nesse novo protocolo da Embrapa. Então é uma questão...
da legislação ambiental, dos cuidados com o meio ambiente, e a gente ouvir quem já pesquisou, ouvir a ciência, ouvir quem já tem um caminho jandado. Resgatar as instituições técnicas como Emater mesmo, completamente sucateado. Edgar, já estamos terminando, passou voando aqui o nosso tempo.
Queria te perguntar o seguinte, a esquerda está unida, a direita, por enquanto, está dividida. Tem a chapa do Zucco, tem a chapa do Gabriel, que é centro, mas pode ser centro-direita ou pode ser direita. Tem a chapa do Maranata.
Vocês trabalham com a possibilidade de, em algum momento, a direita se unir? Por exemplo, já andaram falando que o Gabriel poderia desistir. Ele disse que não. Ele até fez uma provocação, o Gabriel Souza. Ele disse que ele vai desistir no dia em que o Zucco ou vencer num debate. Então, ele está ali dizendo que está na campanha.
Mas existe também o risco de a candidatura dele ser, como se diz na política, cristianizada. Daqui a pouco o pessoal começa a dizer, olha, vamos ver quem realmente tem chance de ganhar e os votos se transferem. Mas vocês especulam sobre a possibilidade de vir a ser uma chapa só? Ou o adversário que faça como quiser, vocês estão centrados em preparar o projeto de vocês?
Júlio Amiro, obviamente, a gente tem que observar todos esses movimentos, né? Tem que observar esses movimentos que eu também não acredito ainda nesta possibilidade de fusão das duas candidaturas, a direita e extrema-direita, se fundirem, né? Até porque o projeto que o Gabriel representa desses 12 anos é o projeto vitorioso até aqui, ao longo desse período, né? É o projeto vitorioso. Eu dizia, quando eu era pré-candidato a governador...
e eu não tinha escolha de adversário. E é verdadeiro, continuo achando isso, porque de um lado há um cansaço do projeto que aí está e do outro lado não há confiança na população para apostar num governo que represente o que foi o governo passado de Bolsonaro. Então nós estamos preparados para enfrentar esse cenário de duas ou três candidaturas do outro campo.
Mas, obviamente, o que nós temos que fazer é cuidar dos nossos, né? Nós, unidos, nós trabalhando na mesma direção, com mobilização, com participação da sociedade, eu acho que nós representamos uma força extraordinária com possibilidade de vencer as eleições.
Muito bem, estamos terminando. Muito obrigado. Passou rapidinho, Jeremias? Foi rápido. Poderia conversar muito mais. Te desejamos aí boa sorte na campanha. Te parabenizamos aí pela coragem e pela sinceridade em expressar como é que foi tudo isso. Muito obrigado.
Muito obrigado, obrigado Laís, obrigado Juremir e todos que vão acompanhar essa nossa conversa. Sempre à disposição e é o que nós vamos fazer Rio Grande afora. Teremos muitos diálogos importantes, não só com quem pensa o que a gente pensa. Eu tenho dito, não somos iguais, somos uma frente política. E é um pouco o retrato dessa diversidade que representa o nosso Estado. Então nós vamos inaugurar um novo momento para o nosso campo, um novo momento para a política gaúcha. E se Deus quiser vai ser um resultado positivo. Muito obrigado.
Laís, aquela ficha antes da gente terminar. Ficha técnica, não podemos esquecer de agradecer e registrar os nossos colegas que trabalharam também neste episódio, junto comigo e com o professor na produção, a Rafaela Nunes. Na técnica, o Diego Dornelis e a Rafaela Nunes. Na coordenação de estúdio, eu. A coordenação foi comigo e a direção de comunicação é do Guilherme Daroitte. É isso. Muito bem, o do lado de cá fica por aqui. Nós voltamos na próxima semana. Até lá. Tchau.
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