Eclipse | Aqui Não Entra Luz
No episódio de hoje do Tudo É Brasil, Francisco Carbone (@frankarbone) e Leandro Luz (@leandro_luz) comentam duas das principais estreias brasileiras da semana: "Eclipse", de Djin Sganzerla, e "Aqui Não Entra Luz", de Karol Maia.
+ 80 anos de Rogério Sganzerla <><><> Selecionados do 15º Olhar de Cinema <><><> Agenda Tudo É Brasil.
Este episódio foi editado e sonorizado por Fernando Machado (@femesmo). Juliana Estevo (@julianaestevo) concebeu a identidade visual e todas as artes do podcast. A pauta e a apresentação deste programa é de Leandro Luz e Francisco Carbone. Você escuta o Tudo É Brasil nos melhores tocadores de podcast.
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Links e indicações
- 15º Olhar de Cinema15º Olhar de Cinema · Yellow Cake · Nação Zumbi · 13 Dias, 13 Noites · A peça "Olga" · Opressão masculina · Direito ao reparo · Legado de Machik Lapdrön · Novo Olhar · Preparação para o inverno · Telúrica, A Íntima Utopia · Gonzalo Plata disciplina · Paixão e suas loucuras · Anistia 79
- Rogério Sganzerla 80 anosRogério Sganzerla · Tudo é Brasil (filme)
- Dica da SemanaTodas Elas em Uma · Hungria, a escolha de um sonho · Edifício Bom Fim
- Cinema BrasileiroZico · Tio Day 4 · Velhos Bandidos · To Die For · Retratos Fantasmas
- Recepção de Eclipse em FestivaisDjin Sganzerla · Cleo · Nalu
Alô Brasil, alô América do Sul, alô América do Sol e do Sal e de todos os nossos contingentes necessários. Alô idiotas também, alô topeiras, cineastas frustrados de todo o país, a burrice mais convencional e toda a mediocridade circundante, com as grandes exceções que são populares também. Eu quero dizer para vocês o seguinte, quem não é bom, quem não entendeu até agora não vai entender nunca.
Tem força de cidadãs e tem... Decretado... Hoje! Estado! Sim! No país! O dispositivo policial... Reforça todos os seus olhos! Julho é Brasil! Julho é Brasil! Isso significa tudo o Brasil!
Qualquer semelhança com fatos. Reais. Ou irreais pessoas vivas. Mortas ou imaginárias. É mera coincidência. Olá, ouvintes do Tudo é Brasil. Eu sou Leandro Luz e estou aqui com Francisco Carbone para mais um programa dedicado ao sistema brasileiro. E hoje a gente vai falar sobre um thriller feminista que acompanha uma mulher grávida vivendo duas grandes revelações na vida dela.
E também um documentário sobre a vida de mulheres em um tipo de cômodo inventado na moderna arquitetura brasileira do século XX. Francisco, quem não entendeu até agora não vai entender nunca. Rogério Gansela faria 80 anos em 2026.
Ninguém melhor do que sangue do sangue desse homem correndo nas veias do Tudo é Brasil da Semana. Então, estejam preparados para mais um petardo de Dins Ganserla. Chega daqui a pouco para vocês no Teb dessa semana.
Muito propício, né, Francisco, a gente falar de Gansela hoje. Quer dizer, acho que nunca é demais falar de Gansela, porque ele está na gênese do nome desse podcast. A gente já falou isso uma ou duas vezes aqui durante as gravações, ao longo dos episódios, mas para quem não sabe, Tudo é Brasil é o nome de um filme dos Gansela e saiu dali. Nasceu ali, né, essa ideia.
Sim, Lino Meirelles, nosso colega lá do Podcast Cinema Brasileiro, veio me perguntar essa semana de onde sai a abertura do programa. Eu fui falar, tudo é Brasil. Está lá, procure lá o que você achará lá. É uma mescla de bandido da luz vermelha com tudo é Brasil. Isso. Enfim.
Esganzerla sempre, Esganzerla sempre aqui com a gente. Leandro, muitas coisas essa semana, né? Tivemos, é isso, aniversário redondo de Rogério Esganzerla, 80 anos que ele faria anteontem. Anteontem não, transantontem, né? A gente está no dia 7 já. Ele faria aniversário dia 4. Então, estamos aí, todo mundo comemorando. Teve comemoração no Canal Brasil, tem comemoração no Circuito, né?
com estreia do filme novo da filha dele, enfim, de uma das filhas, Sinai também está por aí, fazendo filmes novos, não temos filmes de Sinai por enquanto, mas vamos de Jim. E temos muitas outras coisas, temos anúncio do Olhar de Cinema, que começa daqui a um mês, mais ou menos, a 4 de junho.
Mas saiu hoje, no dia da gravação, a programação do Olhar de Cinema, que está bem curiosa, né, Leandro? Não sei se você já conseguiu conferir a programação toda, mas está daquela de lamber os beiços mesmo, né?
Já vi. Tem diretores que eu acompanho muito, tô querendo ver logo esses filmes aí. Sim, tem diretores que a gente acompanha, tem filmes que a gente acompanha a vida deles, né, que tá acompanhando a vida deles por aí. Eles já chegam com o pé na porta, abrindo com o Thiago Mello e seu Yellow Cake, que tá vindo aí direto de Roterdã.
um filme que passou pelo Festival de Roterdã e vai abrir trabalhos no cenário brasileiro através da abertura do Olhar de Cinema desse ano. Vai acontecer lá na Ópera de Arame, como tem acontecido nos últimos anos.
Yellow Cake vai estar lá abençoando o festival o Thiago Mello, para quem não sabe é o diretor do Azogu e Nazaré um filme que para mim é dos melhores dos últimos anos acho o Azogu e Nazaré um filme importantíssimo se você ainda não viu aqui ouvinte do Tudo Brasil, corra atrás de Azogu e Nazaré grande filme protagonizado por Rejane Faria Rejane Faria, nossa musa de Marte 1
E Tânia Maria também, né? Nunca é de mais Marias, né? Então, gente, tem Rejane Faria, tem Tânia Maria no elenco. Tânia também, para quem ainda não associou o nome dela, aquela senhora adorável que acabou de ganhar uma PCA, foi entregue essa semana de melhor atriz, revelação, melhor revelação do ano por A Gente Secreto, né?
E na competitiva de longas brasileiros, Leandro, a gente tem vários filmes que a gente já tinha ouvido falar. Por exemplo, A Noite e os Dias de Miguel Burnier, do João Dumans, ele estava no Work in Progress de Tiradentes esse ano. Então, ninguém tinha visto ainda, mas o filme já estava passando para apreciação internacional lá fora.
O Fiz Um Foguete, Imaginando que Você Vinha, da Janaína Marques, passou em Berlim. Então, também já tinha uma preparação para a chegada desse filme. Agora, tem dois diretores aqui com os quais eu me identifico e acho que você se identifica muito também, Leandro, que eu não sabia que já tinham filmes novos prontos e que bom que essas pessoas têm filmes novos prontos. Eu estou falando de Pedro Diógenes com seu Adulto Homem.
E Marcos Corvelo, com reparação, empolgadíssimo para conferir esses dois novos filmes desses dois grandes artistas. Sim, desde que você começou a ouvir Tudo é Brasil, você escuta falar sobre o filme novo.
de Pedro de Hortines, que ainda não estreou o Centro de Ilusão. Mas a gente espera que o adulto homem seja um empurrãozinho que o Centro de Ilusão está esperando para estrear o nosso circuito, como a gente promete desde o programa 1.
Se a Trilusão, assim que tiver pra estrear, ele estará aqui no Tudo é Brasil. Então, aguardem. Sem dúvida. Só pra fazer um comentário sobre esse filme do Pedro, eu achei sinopse muito boa, né? É bem curtinho. Ela fala assim, o que podem dizer 20 rostos de atores que estão à espera de um teste de elenco?
Eu imagino que seja aí uma brincadeira, enfim. A gente conhece o Pedro, sabe que não vai ser um filme direto ao ponto, acho que vai ter muitas brincadeiras e nuances aí. Estou bem curioso por esse filme, viu?
Estou bem curioso, porque é isso, aparentemente esses dois diretores, como estou falando, são dois documentários, o Pedro falando sobre os bastidores do cinema, aparentemente, e o Marcos falando sobre a relação dele, da mãe dele, das cinzas do pai dele. Enfim, estou muito curioso para ver esses dois filmes e estou muito empolgado para ver o que esses dois grandes artistas têm para fazer para a gente.
Além desses filmes que eu já citei, a gente ainda tem Machita, da Mariana Machado e da Ana Maria Machado. Filme que passa ali, né? Na zona dos povos originários. Olhe Pra Mim, do Rafael Barbosa. Quase Inverno, do Rodrigo Grota. E Telúrica, A Íntima Utopia, da Mariana Lacerda.
São filmes que a gente, conhecendo o rigor do olhar de cinema nas suas seleções, a gente já consegue imaginar qual é a qualidade do que está vindo por aí nessa competição, né, Leandro? E a competição de curtas tem um filme que eu já tinha... Eu não sei se eu já tinha falado sobre... Não exatamente sobre esse filme, mas sobre esse projeto aqui no Tudo é Brasil, ou se eu tinha falado com você.
mas eu já tinha comentado com pessoas próximas que era, tipo, sim, temos um Afonso Shoa novo e que ele vai apontar por aí a qualquer momento. E apontou. O Olhar de Cinema traz disciplina. Novo média-metragem do Afonso. O último filme dele também tinha sido um média-metragem, sete anos em maio. E agora a gente tem disciplina. Mais um evento curiosíssimo.
saído de Afonso Shoa, essa pessoa sempre traz eventos pra gente. Eu queria também destacar, Leandro, que na mostra Novos Olhares, a gente tem um filme novo do Gustavo Vinagre, que também já correu internacional. Dirigido por ele, pelo Vinícius Couto, A Paixão Segundo GHB. Eu sou uma pessoa que sou muito empolgada com o cinema do...
do Gustavo Vinagre, acho que é um cinema que sempre se deve prestar atenção, eu gosto muito das coisas que ele faz, então eu acho que a gente tem mais um longa-metragem vindo aí para ficar atento, para ficar curioso, enfim, o olhar de cinema é uma amostra gigantesca, a gente está falando só dos...
destaques nacionais, mas tem muita coisa internacional passando, muita coisa latino-americana legal, a gente tem também uma exibição especial lá do Anistia 79, filme que ganhou os principais prêmios da morte de Tiradentes desse ano então vai ser uma vai ser uma pedrada o olhar esse ano, vai acontecer entre 4 e 13 de junho, ou seja como eu falei, já está chegando
É isso, Francisco. Muita coisa boa no olhar. Vamos acompanhar de perto e torcer para esses filmes chegarem logo para a gente. Vamos de estreias da semana, então? Vamos de estreias, Leandro, que essa semana tem cinco estreias. A primeira delas é Todas Elas em Uma, produção da Colbiarte Produções. É um musical que eu acredito que tenha alguma coisa a ver com religião.
porque a Colbiarte Produções é uma distribuidora ligada a filmes religiosos. Então, acho que esse pode ser um musical, alguma coisa de apresentações cristãs, alguma coisa assim. Além dele, a gente ainda tem uma biografia chamada Hungria, a escolha de um sonho, dirigido pelo Isaac Cavalcanti e pelo Cristiano Vieira, protagonizado pelo Gabriel Santana.
O filme tem sido bem divulgado, acho que nas redes sociais. Esse Hungria, ele tem cartaz e tudo para onde eu passo, onde as pessoas fizeram divulgação, aparece com bastante destaque. A estreia de Hungria. E a gente imagina que esse filme vai ter um circuito legal, porque ele está sendo bem divulgado, como eu falei. Além desses dois, teve uma adição de última hora, nos últimos dez dias foi adicionado aqui no filme B, um filme que eu estava nos bastidores aqui comentando com o Leandro.
que é o Edifício Bom Fim, dirigido pela Ligia Walper e pelo filho delas, o Thomas Walper Ruas. O Thomas é filho da Ligia com Tabajara Ruas, super cineasta do Sul. E eles dois estão lançando esse filme. O filme é um filme de terror. É curiosíssimo. Eu já vi o filme, vou mandar...
Depois dá um jeito de chegar no Leandro também, essa sessão. O filme é dividido em três episódios, vamos dizer assim, apresentados numa reunião de condomínio desse edifício Bonfim.
É lá que a gente fica conhecendo os personagens principais de cada um desses episódios e um pouco da personalidade deles. E aí a gente vai entender como que vai funcionar cada um desses episódios, porque é mediado pela personalidade de cada um. Então, a primeira história, a gente tem a história de um policial com a sua esposa grávida,
está prestes a dar luz e aí ele no meio de uma madrugada chama uma recebe uma ligação para uma missão, para uma tentativa de mediação de resgate com reféns das mais foras do comum
A segunda história é a história de uma jovem que precisa obrigatoriamente fazer uma trilha por conta do trabalho dela e ela encontra algo que ela não gostaria de encontrar nessa trilha e que vai mudar não só a vida dela, como a vida do casamento dela, do trabalho dela e por aí vai. E a terceira história é a história de um formando da faculdade, um rapaz que está de formatura... É bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom bom
programada, a formatura dele está prestes a acontecer.
E no episódio dele, a gente vai ficar sabendo tudo sobre no que ele está se formando, quais são as atividades que ele pretende exercer depois de formado e como é a relação entre ele e os professores. Não tem muito como ir além dessa sinopse desse terceiro episódio, porque esse terceiro episódio, a reviravolta é uma a cada dois minutos.
Então você vai se surpreendendo, você vai caindo o queixo e você vai não entendendo o que está acontecendo a cada nova virada. Enfim, se eu gostei de Edifício Bonfim, não sei dizer.
O que eu sei dizer é que filmes como esse precisam ser feitos, definitivamente. Porque é tão incomum o cinema de gênero aparecer no cinema brasileiro. Ok que a gente fala isso desde que o Tudo é Brasil começou há mais de um ano. E a gente já falou de alguns filmes de terror desde que a gente fala isso.
Mas se a gente leva em consideração que toda semana tem documentário no Tudo é Brasil, toda semana tem drama no Tudo é Brasil, quase toda semana tem comédia, tem filmes de grande apelo, mas o cinema de gênero é mais pontual, então que venha o mais Edifício Bonfim para a gente e que a gente possa entender que só errando é que a gente consegue acertar.
A gente falou de alguns filmes que a gente não gostou muito no ano passado, de gênero, mas a gente sempre fica feliz, eu e o Leandro sempre ficamos felizes quando um desses filmes invade as telas, porque é isso. Precisamos de filmes assim, espalhando a cultura do cinema mais artesanal, até nesse lugar de gênero, Leandro.
Pelo que você está falando aí, esse filme meio que apareceu, né? Ele podia ter, sei lá, né? A gente podia ter sabido dele com um pouco mais de antecedência, assim. Estratégia de lançamento, né? Até para poder, de repente, comentar aqui, né? Enfim, não consegui assistir ainda. Eu tenho a impressão de que eu não lembro se esse filme passou em algum festival, alguma coisa que a gente estava.
O nome dele não me é estranho, assim. Mas, de fato, ele chegou... Bom, é isso, tô sabendo quase que agora, assim. Vi algumas pessoas comentando sobre o filme, acho que no... Não sei, no Letterboxd, alguma coisa assim.
mas não dei muita bola, assim, hoje você falando, eu nem sabia que ele era de terror, né, senão eu teria, com certeza, com muito mais tempo, corrido para assistir, né. Só para... A Panda Filmes é que está lançando, ou seja, não é uma grande distribuidora, então isso também justifica o fato do filme estar chegando de uma maneira meio sorrateira pelo circuito, né. A gente espera que o filme tenha uma reverberação, porque...
Talvez eu não tenha gostado da forma como eles dizem o que eles dizem, mas eu adorei ouvir o que eles tinham para dizer, sem sombra de dúvida. Eu veria mais dois episódios de Edifício Bonfim. E pelo que você descreveu desse terceiro episódio, me pareceu que só ele daria um filme completo, né? Leandro, tipo assim...
O primeiro episódio, eles parecem, isso é uma coisa que eu acho que eu posso falar, eles são três episódios de terror, os três, e três de vertentes do terror diferentes.
Então, a gente está sempre se surpreendendo, porque a gente acha que o filme vai por um caminho que a gente... Ah, é terror, entendi. Então vamos para o segundo episódio. Só que ele vai para uma outra ordem do terror. E o terceiro episódio também. Então acho que tem uma vontade tão grande ali de sacudir o negócio que eu fiquei muito curioso vendo o tempo todo, fiquei muito estupefato olhando para aquilo que estava me sendo apresentado. Entendeu?
É, agora só antes de você continuar sobre as estreias, só para trazer um comentário antes que a gente devia ter feito e não fez.
Porque daqui a pouco você vai falar dos filmes da pauta de hoje. A gente vai começar a discussão. Então, antes da gente partir para elas, eu estava dando uma olhada no resultado de... É isso, de bilheteria e tal da semana. Ah, por isso é que você lembrou, Leandro. A gente não falou que no meio de Diabo Veste Prada 2, Michael, Rebarba Ainda de Mário, Devorador de Estrelas, Maldição da Mu, meu drama...
A gente tem Zico fazendo dinheiro pra caramba, né? Muita gente foi assistir Zico nesse final de semana, né? Muita, Leandro. O filme ficou na quinta posição entre os mais assistidos do país. Hoje sai uma matériazinha no filme B falando que, ó, que grande surpresa. O maior público de Zico foi no Rio de Janeiro. Pra surpresa de alguém, não. Enfim, mas foi um público em massa, né? Enquanto você tá ouvindo esse nosso programa...
provavelmente não, acho que fácil adivinhar que o filme já está se encarinhando para os 50 mil espectadores, porque até segunda-feira ele tinha feito quase 40 mil então, agora que você está ouvindo a gente, eu imagino que os 50 já tenham chegado se não está por aí no caminho já o que para um documentário é um hit absoluto
Absoluto, Leandro. Tipo, o último filme... Ele foi anunciado como a maior bilheteria de um documentário até agora. Acho que dificilmente vai ter um outro documentário de tanta bilheteria esse ano. O último documentário brasileiro que fez 100 mil espectadores foi o Retratos Fantasmas, porque era dirigido pelo Kleber Mendonça, filho.
Entendeu? A média de público para um documentário no Brasil, e se eu não me engano, Leandro, na época que o Retratos Fantasmas foi lançado, foi dito que era a maior bilheteria de um documentário desde Cássia. Olha quanto tempo que tem Cássia que foi lançado.
e eu acho que o filme vai ter grandes chances de chegar ali nesses 100 mil espectadores do Retrato dos Fantasmas que é um número exorbitante ele provavelmente a gente sabe que ele vai estar aqui entre os mais assistidos da semana que vem também, né, é fácil imaginar isso o Tio Day 4 também apareceu entre os mais assistidos, Velhos Bandidos também apareceu entre os mais assistidos Velhos Bandidos inclusive É bom
indo, se encaminhando para os 450 mil espectadores e To Die For fez uma abertura ótima para um filme que entrou basicamente só em salas em IMAX, eu acho que foi uma abertura, e dependendo da bilheteria dessas salas em IMAX, né, acho que foi muito bom, e o Zico, cara é isso, não me surpreendeu, na verdade, Leandro tipo, era o que a gente imaginava até que fosse fazer mesmo, que fosse fazer um barulhão bom
Para mim não surpreendeu, primeiro, por já imaginar que o filme iria mobilizar...
Um, a torcida do Flamengo, que não é pequena. E segundo, amante de futebol, no geral. Mas também porque a gente viu a notícia de que o filme teve um bom lançamento. E acho que esse é um exemplo interessante de como você lança um filme no circuito. Quer dizer, você dá a chance para as pessoas assistirem. E aí você tem esse resultado. Acho que eram 500 salas que o Zico entrou. 500 salas. Então, pô. 500 salas.
É isso. Mesmo sendo sobre o Zico, Flamengo, tudo isso. Se o filme tivesse estreado em dez salas, isso não teria acontecido, entende? Exatamente. O Circuito Brasileiro é propício a documentários sobre futebol, né? Tipo, da estreia do Tudor Brasil pra cá, eu acho que o Zico é o primeiro, mas teve uma época que estreava dois, três por ano.
Filmes sobre times. É porque agora essas histórias estão indo muito para o streaming. Toda semana, todo mês, a gente vê lançamento na Globoplay ou qualquer outro streaming de futebol. Eles agora fazem séries. Muitas séries, exato. Quando fazem...
Sim, porque provavelmente esses filmes de uma hora e meia que vão para o cinema, você vai ter material para três horas, né? E aí eles vendem agora para uma Globoplay e fazem quatro episódios em vez de fazer um filme só, fazem quatro episódios, meia hora cada um, está ótimo, né? Pois é, resolveu. Saiu do Ronaldinho Gaúcho, que entrou agora há pouco. Enfim, tem vários exemplos, né?
Mas é isso, Francisco. Eu não queria deixar passar isso aqui. A gente já pode voltar para as estreias. Mas, na verdade, antes de voltar, vou dizer rapidamente que o Tudo é Brasil está em todas as plataformas de streaming, tocadores de podcasts que vocês...
gostam, se vocês não, enfim, usam alguma que a gente não tá, por favor, fala com a gente, que a gente dá um jeito de colocar o podcast lá. Dizer também que vocês mandam sugestões de pauta, comentários, críticas, enfim, o que der na telha de vocês, lá pro nosso, pode ser lá por DM, no arroba Tudo Brasil Pode, pode ser comentando as nossas publicações no próprio Instagram, pode ser mandando mensagens aí no Spotify, enfim. A gente tem também o nosso e-mail, tudoebrasilpod, arroba gmail.com E aí
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Bom, as duas estreias que faltam que anunciar são as duas estreias que estarão na pauta dessa semana. Estamos falando de Aqui Não Entra a Luz, filme dirigido pela Carol Maia, que está sendo lançada pela Embaúba Filmes. E esse filme não é qualquer filme, esse filme ganhou o prêmio de melhor direção no ano passado no Festival de Brasília. Então chega com um cartaz imenso e merecido. Além de Aqui Não Entra a Luz, que é um documentário, a gente tem a ficção Eclipse, filme dirigido pela Filha do Homem.
Dins Ganserla, distribuição da Pandora Filmes, e com um elenco que eu acho que nessa abertura não cabe falar. Durante o episódio, a gente vai falando a quantidade de pessoas que aparecem em eclipse. São equivalentes a quase fazer um eclipse.
de estrelas aí do nosso circuito e aí Leandro, o que você achou desse novo filme de Gins Garzella é o primeiro filme dela desde Mulher Objeto, não é isso? é Mulher Oceano, né?
na verdade na verdade esses são os dois filmes dela ela tem um filme chamado Antes do Amanhã que ela dirige com André Guerreiro Lopes que é o fotógrafo aqui do do do Eclipse né e se eu não estiver também fotografou o André do Oceano conhecido como esposo de James Gazeta não sei se ainda o é mas até que tudo indique ainda são
Então, mas é isso, esses são os filmes dela, Mulher do Oceano de 2020, então demorou aí 5, 6 anos para lançar esse filme, eu estou falando 5 ou 6 porque o Eclipse está sinalizado aqui como de 2025 para mim, mas é isso, não sei se ele teve alguma exibição em algum lugar. Mostra de São Paulo, Leandro. Ah, Mostra de São Paulo, você viu lá inclusive?
Não, só vi agora. Ano passado era aquilo, a gente correndo, eu estava vendo uma quantidade desorbitante de filmes brasileiros. E eu lembro que Gilda Nomassi, que é uma das pessoas que está em Eclipse, tinha uns cinco filmes. E aí eu virei para ela e falei, Gilda, não tem como eu ver os cinco, eu vou ver alguns. Mas é isso, vimos Eclipse, vamos comentá-la a partir de agora.
Então, eu estou bem curioso, na verdade, para saber a tua opinião sobre O Eclipse, porque eu não acho que seja um filme simples e que as pessoas vão receber o filme da mesma maneira.
Talvez a gente tenha uma opinião parecida, talvez não. Não sei porque eu não faço a mínima ideia do que você achou. A gente não falou sobre ele antes de começar a gravar. Mas eu vou te falar que eu me surpreendi bastante com o filme. Eu não... Eu acho que ele é um filme meio... É um filme meio diferente do que a gente costuma ver.
Ainda que ele adote uma narrativa, vá lá, uma trama, uma historinha, falando mais do ponto de vista de trama, na verdade, tradicional,
Eu não acho que ele seja filmado de uma maneira tão tradicional assim. Eu acho que é um filme que tem alguns desvios, pensando no estilo adotado mesmo pela Jean e nos caminhos pelos quais ela percorre com o filme, de discurso, de composição mesmo, pensando em imagem e tal.
que eu fiquei bem... Na verdade, fiquei bem feliz de ter visto o Eclipse. Não acho que seja um filme perfeito. Não amei o filme. Até porque é um filme estranho também.
me lembro um pouco da conversa que a gente teve sobre o Papagaios, que também achei um filme meio estranho, e o Eclipse me parece ser um exemplo, ele não tem nada a ver com o Papagaios, mas que talvez guarde essa semelhança a partir desse ponto de vista, de ser um filme...
Parece um filme tradicional, mas na verdade, quando a gente olha bem para ele, ele não é. Então isso me deixou, enfim, me deixou feliz, né? Me deslocou um pouco o meu olhar, o que é raro, assim, não é tão frequente dentro do cinema brasileiro, dentro do cinema universal.
A maior parte das vezes a gente está vendo filmes ali que a gente sabe de onde vem, para onde vão, como são, estão associados ao quê. E o Eclipse fica com uma dificuldade de associá-lo a outras coisas, sabe? Isso eu acho sempre muito bom, independentemente se a gente gosta ou não do filme, enfim. No caso, eu gostei. Mas o que mais me chama a atenção é essa estranheza, né? Porque o Eclipse é um...
A gente consegue chamar de thriller, né? É um filme muito tenso, né? E acho que tem até uma trilha sonora muito presente, às vezes até um pouco excessiva, mas que está conduzindo e tentando garantir essa tensão o tempo todo.
E essa tensão está muito em cima dessa protagonista, da Jean, que protagoniza o próprio filme. Aliás, algo que eu sempre acho muito difícil, você dirigir e ser o protagonista do seu próprio filme, nunca é fácil. Acho que é que ela faz muito bem, porque acho que ela está muito bem, tanto como diretora como como atriz. E ela faz essa mulher, a Cleo, que está grávida.
Ela é uma mulher, entre aspas, bem-sucedida, tem uma boa carreira, um bom emprego, ela é astrônoma, o filme abre com ela descobrindo ali uma... Enfim, tendo uma descoberta no trabalho que vai proporcionar certos louros para ela. E ela é surpreendida por três coisas, na verdade. Primeiro, pela chegada da irmã, a Nalu, que é interpretada pela Lia Angaia, que vem...
abrindo os olhos dela para uma coisa super tensa, importante do passado dela envolvendo o pai. Então essa é a segunda transformação, a segunda inquietação da vida dela, essa informação sobre o pai. E a terceira que a própria...
visão dela sobre o próprio marido vai mudando também, conforme essa irmã, enfim, entra na vida dela e vai abrindo os olhos dela para algumas coisas, né, então é um filme que ele passa por questões muito, muito urgentes, mas eu não acho que seja um filme que se resuma...
ao assunto, se resuma ao seu tema. Eu acho que o filme constrói muito bem essa tensão e essas discussões por meio da imagem mesmo e do som. Acho que a forma dele caminha junto com a importância temática, todas as discussões que o filme quer trazer. Mas e tu? Leandro, eu demorei um pouco para... Por que isso?
Como o Leandro falou... Vou começar pelo fim, então. O filme termina com pré-letreiros e letreiros com uma música da Elza Soares. Naquele momento, eu já tinha compreendido o todo, mas aquilo dali é uma amarração total. Então, acho que hoje em dia, a última vez que a gente teve Elza Soares encerrando um filme...
tanto no cinema brasileiro quanto no Tudo é Brasil, esse filme era o Ainda Não É Amanhã e a música era A Mulher do Fim do Mundo e a gente sabia muito bem porque aquele filme estava encerrando com aquela música. Dessa vez,
O Eclipse termina com Dentro de Cada Um, da Elza Soares, música inclusive do mesmo disco de onde veio A Mulher do Fim do Mundo. E também a gente sabe, naquele momento que a gente está assistindo Eclipse, por que aquela música está se encerrando ali. Eu acho que aquilo amarra muito bem, mas não é sempre assim que a minha é...
que as minhas sinapses foram sendo construídas em relação ao filme. Porque, como o Leandro falou, o filme abre com a Cleo, ela já sabe que está grávida, ela está grávida. Essa gravidez é uma gravidez com algum risco.
Isso é informado logo no início, que ela precisa de repouso, não repouso absoluto, mas ela precisa não se estressar. E é tudo o que começa a acontecer a partir da chegada da Nalu, porque a Nalu traz essas revelações nada agradáveis em relação ao pai dela, como o Leandro falou, e que são coisas que mudam não apenas...
a relação que ela a forma como ela via o pai, mas a forma pregressa como isso era construído na memória dela então eu acho, e aí a partir disso a gente também começa a acompanhar a narrativa da Nalu e aí a gente fica durante uma boa parte do filme acompanhando essas narrativas meio apartadas
que a gente venha saber... Não sei se estou mandando algum spoiler, mas não é um grande spoiler isso também. A gente venha saber depois que essa fatia da Nalu aconteceu antes do começo do filme. Então, que a gente começa com meia hora de filme, mas que, na verdade, aquilo faz parte do bloco inicial que a gente não sabia.
é como se, tipo assim como Nalu chegou em Cleo, aí a gente fica sabendo isso a partir de meia hora
E aí aquilo começa a correr de uma maneira meio disforme, que a princípio me parece meio desagradável, porque a Nalu mesmo identifica isso de cara para a Cléo. Você está aí na sua vida toda perfeitinha, paulistana, bem vivida, bem nascida. E esse discurso da Nalu faz sentido porque a Nalu é o oposto disso tudo. Ela é uma mulher de origem indígena, é...
que mora numa região rural, ou seja, o extremo oposto de São Paulo, lida, ela é como se fosse uma administradora de uma fazenda, e lida de alguma maneira séria também, e acredito eu, bem-sucedida.
também com situações como eu posso dizer masculinas de alguma forma eu acho que o que o filme mostra a princípio apresentando as duas personagens é que Cleo e Nalu elas são bem sucedidas no que fazem em profissões que geralmente são atribuídas a homens
E a gente não tem muitos. E é muito interessante que, um pouco mais à frente, a gente fica sabendo que a Cleo escreveu um livro sobre mulheres astrônomas. Ou seja, ela está mapeando uma espécie de caminho para o futuro. E aí a Nalu, lá naquela realidade dela, na fatia dela da narrativa, acaba sofrendo.
uma emboscada, vamos dizer assim, que faz com que ela vá parar em São Paulo, reencontrar a irmã, e esses caminhos se cruzem, e aí as histórias passam a ser uma só. Lá pelas tantas, Leandro, o filme não é um filme curto, mas também não é um filme pequenininho, né? Ele tem mais de uma hora e quarenta de duração. Não é curto nem pequenininho?
Ele não é longo, mas também não é pequenininho. É isso. Ele tem uma duração meio que fora do comum, que é isso, mais de uma hora e quarenta. Então, antes da metade do filme, eu acho que eu comecei já a abraçar o filme.
que é entender por que essas duas narrativas estavam sendo contadas juntas, por que elas faziam sentido juntas e ao que elas estavam servindo, no fim das contas. Tendo isso em vista, eu fiquei o tempo todo achando que a narrativa da Nalu fosse interferir mais na da Cleo, e isso acontece pouco.
o filme passa a ocupar ecos da Nalu, entendeu? Olha, aqui está tudo bem, não aconteceu nada demais, as pessoas parecem que querem...
querem te encontrar. E aí eu fico numa expectativa de que as coisas vão se entrincheirar mais e não acontecem. Então, fiquei meio que à mercê de uma história servindo à outra, quando, na verdade, a gente estava acompanhando duas histórias.
duas histórias, né? A gente vê duas histórias, é apresentada duas histórias e, no fim das contas, uma das histórias meio que se apiquena para dar lugar a uma única.
Gostaria de ver mais da história da Nalu, melhor resolvida, melhor desenvolvida, melhor do que uma apresentação daquela história. Até porque é uma história que conta com Luiz Melo, Gilda Nomace. Eu queria mais ver essas pessoas ou reverberações dessas pessoas.
Mas, ao mesmo tempo, eu entendo que também é um filme sobre... É engraçado, né? O Leandro... Tem uma definição boa, né? Chamar esse filme de estranho e tal. E a gente vem de papagaios, como o Leandro falou. Mas eu acho que... As pessoas, na verdade, me prepararam para uma estranheza maior. Esse filme. E, no fim das contas, as coisas, para mim, são muito claras.
Eu ouvi de colegas do tipo, nossa, esse filme tem de tudo. Tem astronomia, tem onça, tem indígenas, tem masculinidade tóxica, tem abuso sexual, e eu fiquei com a cabeça meio troncha. E eu acho que as pessoas meio que estão, não vou dizer todas, mas eu acho que rolou meio que uma má vontade, porque para mim...
Quando as pessoas me falavam isso, eu falei ai, Jim, né? Jim vai fazer um salpicão aqui de assuntos e vai entregar pra gente. Cara, eu acho que as coisas todas conversam, absolutamente. A onça faz sentido. Tudo faz sentido. Eu acho a onça, inclusive, lindíssima. Botaria mais onça no filme, se o filme fosse meu.
E é isso, eu achei o filme muito mais simples do que eu estava imaginando. O filme tem uma bandeira muito forte, eu achei isso tão bonito da parte da Jean, porque é um filme sobre o hoje, absolutamente.
que a gente precisa ver, que a gente precisa debater, que é um filme que precisa ser visto precisa ser conversado o filme tá aí, tá em todos os lugares o filme tá em todos os dias, em todos os jornais em todos os portais de notícias tá aí, mulher sendo
assassinada por companheiro mulheres sendo estupradas é feminicídio é isso tudo e acho que é um filme super bonito e super feminino mesmo, entendeu? sem passar a mão na cabeça de ninguém ao mesmo tempo dando camadas para as coisas coisas que você falou não vou passar a palavra para você já não vou passar a palavra
e que eu concordei bastante. Passar longe de ser um filme perfeito, acabei de falar a história da Nalu, que eu queria ver mais, acho que o filme negligencia uma personagem, não consigo nem entender por que ela foi negligenciada, mas é um filme que, no fim das contas, as coisas fazem sentido estarem acontecendo ali, entendeu?
Eu gostei de ver aquilo. Aquilo é muito... Como você falou, a Jean está dirigindo muito bem. E está muito boa a atriz.
E o elenco é todo muito bom, né? Tem Sérgio Guizé, tem pessoas de estelares, assim, nível global, como Sérgio Guizé, até participação especial da minha amicíssima Júlia Catarini. Então tem de tudo no filme, tem todas as pedacinhos, assim. Ela botou a Eleninez para fazer uma participação afetiva no filme. Enfim, tem para todos os gostos, né?
Então, amigo, pegando algumas coisas que você falou, primeiro explicando a onça para os nossos ouvintes, porque acho que pode ter ficado um pouco abstrado para quem não viu o filme. Na verdade, o filme tem uma materialidade dessa onça no filme que no início a gente ouve uma reportagem dizendo que uma onça fugiu do zoológico. Ou melhor, não fugiu, mas que atacou o cuidador.
E aí, não fugiu, não, isso foi já invenção da minha cabeça, mas teve um ataque de uma onça a um cuidador, mas que tanto o cuidador como a onça estavam bem, né? Então, esse imaginário, ele nos chega a partir dessa, desse pedaço de jornalismo, né? Que alguém vendo alguma televisão, alguma coisa do tipo, né? Só que essa imagem da onça, ela vai começar a...
invadir o filme de outras maneiras de maneiras menos justificadas do ponto de vista da trama
mais justificadas por uma sensação, né? E por uma justa posição entre essa onça e essas mulheres, na verdade. Acho que é um pouco isso que o filme... Uma das coisas que eu acho que o filme quer fazer com essas imagens dessa onça, que a montagem usa de uma forma muito livre, muito espontânea ao longo do filme inteiro.
Eu concordo com você, Francisco, com o que eu falei no início. É um filme simples, sim, do ponto de vista da trama. A gente entende tudo o que está acontecendo, sabe onde o filme vai chegar nesse nível de resolução, de como as coisas vão... o desenvolvimento dos personagens e tudo mais.
Só que eu ainda acho um filme bastante complexo em termos de... É isso, assim, de direção mesmo, de estilo, do que ele provoca, de sensação. Porque eu acho que tem muita coisa ali que está subentendida.
muita coisa que joga com a percepção do espectador que não está dada. Eu acho que as informações que estão dadas no filme são as informações que vão implicar numa... Bom, por isso que eu chamei o filme de um thriller feminista, quer dizer, essas questões estão colocadas de uma forma muito evidente, essa defesa...
as mulheres e essa denúncia do machismo, da misoginia, que vai provocar abuso sexual, abuso sexual infantil, etc. Coisas que o filme aborda. Isso está muito evidente. Mas eu acho que o eclipse é muito mais do que isso. Eu acho que tem muita coisa que nos é contada e eu acho que tem muita coisa que nos é contada.
Pela forma do filme, não pela trama em si. Uma dessas coisas, eu acho que tem a ver justamente com essa relação entre as duas, né? Essas duas mulheres, essas irmãs. Porque eu acho que o filme constrói a relação dessas duas de uma maneira muito complexa, né? Como você falou no início, a gente tem uma sensação de que essa...
de que essa mulher, essa jovem mulher indígena, ou descendente de indígenas, que aparece na vida da Cleo quase que de repente...
a gente percebe essa mulher como uma ameaça, num primeiro momento, e parte disso se dá pela relação que a Cleo estabelece com o marido dela. O marido vai ser, na verdade, o grande incentivador dessa visão, de que essa irmã talvez seja, na verdade,
um perigo, né? Talvez ela traga algum... E, de fato, a Nalu, ela traz uma instabilidade, né? Eu acho que a Jean, bom, como diretora, como roteirista, né? Ainda que ela assine o roteiro ao lado de outra mulher, né? A Vana Medeiros. Mas eu acho que a Dijin estabelece muito conscientemente a Cleo como protagonista do filme. E acho que é um pouco por isso que a Nalu...
fica escanteada em alguns momentos, e eu acho que o mais problemático desse escanteamento é no final, porque eu acho que tem ali uma resolução que é um pouco interrompida para essa personagem, e a gente vai meio que subentender o que aconteceu, que não sei se eu acho exatamente bom para aquele final.
Mas, pro resto do filme, eu acho bom, assim. Eu acho interessante que a Nalu seja, na verdade, uma influência na vida da Cleo, né? Eu acho que elas não precisam dividir o protagonismo, assim. Eu acho que... Acho que a gente tá vendo esse filme pelo...
pelo ponto de vista da Cleo, né, e acho que isso é importante pro filme até, né, porque acho que traz uma complexidade pra personagem da Nalu, né, porque se não, se a gente entendesse, por exemplo, se a montagem escolhesse trazer esse momento de origem, entre aspas, né, da personagem pro início do filme, talvez a gente não tivesse estranheza com ela antes, né, a gente teria entendido tudo que ela sofreu.
tudo pelo qual ela passou, então a gente traria de antemão uma empatia com essa personagem que a gente não traz no início do filme, eu acho isso bom. Então, primeiro, essa relação entre as duas eu acho muito poderosa, eu acho tanto poderosa nesse momento pré-amizade se constituir, quando a Cleo ainda tem dúvidas sobre a Nalu, sobre se ela pode confiar ou não, o quanto ela pode trazer para a vida dela, afinal de contas a Nalu está trazendo para ela uma notícia horrorosa.
A Cleo está conhecendo, a partir do relato da Nalu, um pai que ela não conhecia. E o filme traz isso também, isso é muito interessante. Como uma pessoa pode ser percebida de forma oposta.
para uma pessoa ou para outra, é isso, o cara teve duas filhas, com duas mulheres diferentes, e essas duas filhas olham para esse pai e enxergam um pai completamente, uma pessoa completamente diferente.
E eu acho, Leandro, sem querer te cortar, que a subjetividade de cada uma dessas personagens é alterada a partir do relato da Nalu. Porque eu não acho que o filme coloque à toa aquelas cenas da Cleo lembrando da relação que ela tinha com o pai quando era criança. Porque é uma relação muito tátil. Então, a partir do momento que a gente tem a informação que a Nalu dá...
o espectador passa a ver aquilo de uma outra maneira. Então, o que é... Eu acho que é um filme... E aí, pegando... Cara, eu não vou estar falando sobre a Nalu. Tipo assim, é uma personagem, como você falou, que ela meio que funciona na margem da história da Cleo. Tem a cena da festa de aniversário do marido.
que é uma cena onde ela está sempre nos cantos, e ele fica perguntando o que ela está fazendo aqui ainda. E ela está nos cantos procurando coisas, experimentando roupas, abrindo gavetas e tal. E aí eu acho, Leandro, verdadeiramente, concordo com o que você está falando, mas eu acho que essa montagem da Analu talvez fosse mais benéfica se ela viesse ainda mais para o fim do filme.
porque eu acho que isso manteria essa nossa percepção dúbia em relação a essa personagem. Entendeu? É revelado, talvez...
ainda assim, cedo demais, qual era a natureza dessa personagem. Eu sei que é uma coisa complicadíssima, porque colocar ela nesse lugar seria vilanizar uma personagem que, no fim das contas, não é vilanizável. É uma personagem, como você falou, de descendência indígena. Eu acho que montar esse filme deve ter sido o Cão Chupando Manga.
Porque onde você coloca esse relato? Porque é isso, manter isso durante uma hora inteira de filme era manter essa personagem num lugar. É necessariamente positivo manter essa personagem nesse lugar?
ao mesmo tempo que tirando ela desse lugar, o filme perde um pouco dessa sombra que você habilmente coloca como positivo, que eu concordo. É uma personagem realmente que, tipo, qual é a dela? Chegou, foi super irônica e sarcástica, aquela primeira cena da Ana Lu, é isso? Você aqui, toda bonitinha, tendo a sua vida perfeitinha, você fica olhando, tá, meu amor, e aí? Sabe o que da vida da outra, tu?
Entendeu? Mas é isso, é um preço que o filme paga para... para... para... sei lá, para não... para não incomodar. Eu acho que talvez eu quisesse que Eclipse incomodasse mais. Não incomodar a mim. Incomodar, eu queria que ele incomodasse. E aí eu acho que o filme sabe...
que alguns botões não são apertáveis hoje em dia. Entendeu? E aí é melhor você criar uma meia cama de gato do que uma cama de gato inteira onde você possa acabar se machucando. Entendeu? Mas é isso. Eu percebo essas sutilezas do que as imagens que a Jean propõe, propõe.
É, pois é, mas acontece que eu gosto também das cenas...
da Nalu em sintonia com a Cleo. Tem uma cena que talvez seja a cena mais interessante do filme do ponto de vista de concepção visual, talvez seja uma cena de carinho e de cumplicidade entre as duas irmãs, que é aquela que elas estão deitadas no quarto.
você tem ali um recorte, uma iluminação que vem da janela, bem recortado no rosto delas, a câmera está numa posição meio de cima, é meio que um plongé com aquele brinquedinho que o marido dá para ela, para a filha que vai nascer. A gente descobre em algum momento que é uma menina, aliás, essa filha que deixa tudo ainda mais tenso no filme.
Ele dá um brinquedinho, tipo desses de ficar pendurado no berço, né? Feito de planetas, né? E a câmera filma essas duas mulheres, essas duas irmãs, com esse brinquedinho meio que em primeiro plano, assim. De certa forma, é um objeto que nos traz um acalento, né? Porque está relacionado ao bebê e tal, mas ao mesmo tempo traz a lembrança do perigo, né? Quer dizer, a gente entende esse...
esse brinquedo como herança do marido e a gente já, nesse momento do filme, já está desconfiando dele. Então eu acho muito inteligente a maneira como esse plano é construído e é um diálogo extenso, quer dizer que as duas estão num momento de cumplicidade. Então assim, mesmo quando a Analu perde essa nuance, que eu também concordo com você, acho que a nuance é muito boa e talvez esticar essa nuance pudesse ser mais interessante, esticar essa dúvida.
sobre essa personagem, mas ao mesmo tempo é isso, eu não consigo achar ruim, porque eu gosto também dos momentos de cumplicidade delas, que só pode se dar depois que elas já se tornaram aliadas, né, então assim mas eu acho que isso funciona muito também, porque eu acho a Jean muito boa, assim, né, a gente já viu a Jean atuando tanto no Mulher do Oceano quanto em vários filmes da mãe, né, cara, ela tá no Luz nas Trevas, tá no A Moça do Calendário tá no Halé, né, a gente viu a Jean bom bom bom
no Falso Aloura, do Carlão, a gente viu a Jean no signo do caos, do pai, enfim, a gente conhece a Jean como atriz, sabe o que ela pode fazer, acho uma atriz interessantíssima, queria até que ela trabalhasse mais, acho que, sei lá, vejo pouco a Jean, e aqui acho que é muito importante o registro dela, a interpretação dela, eu gosto também da...
da Lia Angaia, mas eu acho que eu gosto mais da Jean, acho que a Jean tá sei lá, acho que tá num registro perfeito, assim, pra personagem a irmã acho que em alguns momentos dá uma titubeada enfim, o Sérgio Guizé também acho que em vários momentos, na verdade ele fica meio caricato, assim e acho que é um problema talvez mais da atuação do que
do que do personagem, mas talvez seja uma questão de direção também, mas, enfim, meio difícil. Você citou vários nomes do elenco e faltou, ou pelo menos eu não ouvi você citando um, que é para mim um dos mais importantes aqui, que é a Selma Egrê. Ainda que ela tenha um papel muito pequeno,
todas as aparições da Selma Gris no filme eu acho que são espetaculares, ela faz a mãe do marido a sogra da Cleo que também é uma personagem muito esquisita ela está vivendo um momento difícil de saúde tem uma cena em que a Cleo ajuda ela numa visita, numa consulta
E depois a personagem vai ser pivô também de uma mentira, né? Que o marido conta pra ela, mas pro fim do filme. Ou uma mentira em partes, né? Enfim. E essa cena dela com a Selma Grimm. Engraçado que a Selma Grimm tá meio violenta, ela tá meio...
meio raivosa, né, e é estranho, assim, você não sabe se é por conta da doença, se é porque elas não têm uma boa relação, enfim, é uma atriz enorme, né, gigante, e acho que também está bem aqui, ainda que não seja um papel de grande destaque, né. É, a Selma contribui para a ambiguidade dessa narrativa, né, tipo, ela é uma mulher que não traz necessariamente luz.
para a história que está sendo contada. Ela traz outros elementos. Sim, tem muitas participações. Tipo, o filme tem... Eu citei o Luiz Melo, tem uma cena. A Gilda Aromar tem uma cena também. Enfim, tem muita gente. O pessoal lá naquela festa. Aparece Gustavo Vinagre na festa, do nada. A Gilda tem duas. Duas boas cenas, aliás.
Sim, sim. É, ela... Como ignorar, né? Enfim, é um filme com presenças muito fortes, é isso. São figuras que ampliaram o cinema nacional. E eu gosto da Jean desde sempre, né? Eu fui apresentado a Jean no Meu Nome é Jean D, filme do Bruno...
Bruno Safadí, que eu amo. Acho meu nome de Indi incrível. Acho que grande parte do que esse filme é grande é por causa de Dins Ganserla. Então, eu adoro ela, adoro a atriz que ela é. E acho que ela está especialmente bem mesmo no filme. Carrega esse filme. Carrega esse filme, né? Ela é... Os olhos se voltam para ela muito.
Enfim, é isso. Só pra fechar, Francisco, uma coisa que eu notei que eu achei curiosa, é um filme cheio de simbolismos, a coisa do eclipse, a coisa da onça, mas assim, eu fiquei pensando muito nesse nome, Cleo, pra essa personagem, aí eu fui dar uma pesquisada.
Bom, Cleo a gente imediatamente se relaciona com Cleópatra, né? E acho que a Dijin... Enfim, não vou ficar associando a Dijin ao imaginário da Cleópatra. Mas o que acontece é que esse nome, né? Cleópatra, eu fui dar um... Enfim, um Google rápido, assim. Pensando em significados de nome. Você sabe o que significa Cleópatra? Não. Significa glória do pai.
Glória vem de Cléo e pai vem de Patra. Nesse sentido, olha que coisa maluca, Glória do pai. O nome tem a ver com a ideia de título de honra, de linhagem. E é um nome que indica que a filha, no caso a Cleópatra, era o orgulho da sua família, que ela carregava a grandeza, a reputação dos seus progenitores. E...
Eu fiquei... Me pareceu um nome muito irônico, né? Pra atribuir a uma personagem como essa, né? Que, enfim... Absolutamente. Como você fala de legado, de linhagem, de honra, de nobreza, enfim... De família. Com esse parante.
Não, só vendo o filme mesmo, para pegar um pouco mais dessa sutileza, porque é isso, né? Ela é apresentada como sendo a preferida. Ao mesmo tempo, ela é Cleo. Ela não é Cleópatra. Ou seja, ela está apartada dessa palavra que tinha a ver com o pai. Enfim, mil desdobramentos, só a partir dessa tua pesquisa aí.
Vamos agora, então, para outra diretora. Vimos de Dins Gazzella, agora a gente vai para Carol Maia. Seu documentário Aqui Não Entra Luz. Tão poderoso, tão reverberante quanto Eclipse, não é, Leandro? Tipo, eu acho que você... Eu acho, não, você viu Aqui Não Entra Luz antes de mim, não foi isso? Eu vi o filme na Mostra de São Paulo, né?
E lembro, a gente comentou aqui no programa, né? Durante a cobertura da Mostra, eu falei... Não lembro se eu falei nesses termos, mas eu sinto que o Aqui Não Entra Luz talvez tenha sido o grande filme brasileiro que eu vi na Mostra. Acho que é um filme muito interessante. É um documentário... Não é exatamente novo, mas...
é contraditório que eu vou dizer mas eu não acho que seja um filme novo mas ele é único falo isso porque a Carol é uma diretora que resolve fazer a gênese do filme está no desejo dela investigar
a própria mãe, né? Então é um filme que só ela poderia fazer, né? E o grande barato do Aqui Não Entra Luz, né? Enfim, um pouco o jogo que o filme faz. É isso, né? Ela se coloca como narradora do filme. Então acho que tanto a narração como o texto são muito bons, né? Acho que eles conduzem bem o filme. E ela coloca isso de cara, né? Que é um filme que ela queria fazer com a mãe. E a mãe se recusa a dar depoimento.
E aí ela vai fazer um filme que talvez outras pessoas pudessem fazer, porque ela vai encontrar outras mulheres, outras pessoas, empregadas domésticas, Brasil afora. Mas o grande barato é que o filme está a todo momento tentando essa conexão mãe e filha, ou filha e mãe.
É como se a Carol estivesse buscando nessas outras mulheres um pouco dessa relação com a mãe. E que é uma relação que não é simples, é uma relação que tem o seu grau de estranhamento, conturbado, igual a qualquer relação pai-filho, mãe-filho. A própria ideia que a Carol tem da mãe...
é uma ideia que precisa ser trabalhada, e acho que no filme a gente vê um pouco isso, aquele diálogo, aquelas cenas finais do filme, eu acho que dão conta de mostrar essa complexidade entre mãe e filha.
mas o filme acho que ele é único por isso, porque só a Carol poderia fazer algo desse tipo nessa relação com a mãe mas ao mesmo tempo é um filme comum entre aspas, porque a gente já viu alguns documentários com estilo parecido juntando entrevistas material de arquivo narração, enfim mas independentemente disso, é um filme que traz esse e...
E se frescou de ter uma diretora falando coisas muito pungentes ali no momento de vida dela, no ponto da relação dela com a mãe.
e com a sacada que ela tem, de não só pensar nessas histórias, mas pensar na própria estrutura. Parte do filme também fala sobre... O título do filme é isso, fala dessa materialidade, desse cômodo inventado, dessa ideia absurda de se ter um cômodo como esse dentro de uma casa...
enfim, famílias de classe média, classe alta, até de classe baixa, enfim. É quase um filme resposta a Um Lugar ao Sol, né, Leandro, do Gabriel Oro Mascaro. Eu pensei muito no Lugar ao Sol vendo o filme, né? É o contracampo do filme. É como se o filme, até no título ele já está respondendo, né? Um título responde ao outro, né?
Um Lugar ao Sol e Aqui Não Entra Luz. Enfim, Um Lugar ao Sol, para quem não viu ainda, filme do Gabriel Mascaro, diretor de Boineon, de ano passado. Ele faz o Doméstica também, que aí já também entra nessa... Isso, diretor do Doméstica, e que explodiu ano passado em Berlim com O Último Azul. Ele fez esse filme que era um filme sobre...
donos e proprietários de grandes coberturas, de grandes metrópoles, né? Rio, São Paulo, Recife, e pessoas que vivem um pouquinho mais do que um lugar ao sol. E a Carol vai falar sobre as pessoas que vivem na parte de trás dessa vida, né? Que...
que a sensibilidade do Gabriel Mascaro transformou aquele filme num grande filme, e a da Carol Maia também. A partir desse... desse díptico entre esses dois filmes, é como o Leandro falou.
ela fez um filme absolutamente para tentar comunicação. E acho que eu comentei com você, Leandro, acho que eu saí da sessão, comentei com você, comentei com outras pessoas, com certeza, como esse filme me deu uma agonia profunda. Enquanto profissional de cinema, assistindo o desenrolar do filme em determinado momento, a Carol, nas narrações dela, falou assim, fazem cinco anos. Meu Deus do céu, como assim fazem cinco anos, meu amor?
Como assim, alguém está há cinco anos fazendo o mesmo filme, isso me deu uns nervos. Não negativamente falando, mas tipo de apavoramento mesmo. O pior é isso não é raro. Não, isso é zero raro. Na verdade, o que talvez seja raro é as pessoas passarem mais de cinco anos filmando, porque o que ela estava querendo dizer era isso, que ela tinha começado e já faziam mais de cinco anos e ela continuava filmando isso.
eu e Leandro a gente vai a festival e a gente ouve lá os debates, a pessoa ai não, eu tive a primeira ideia do roteiro em 2009 dá uma dor mas enfim é mais raro a pessoa passar 5 anos, 6 anos filmando isso não é tão comum mas
Não sei dizer se cabe a Malice que vem para o bem, porque, nossa, com certeza ela queria já ter lançado esse filme, aprontado esse filme há mais tempo. Mas acho que as coisas caminham todas, não apenas para que o filme seja o que é, como para que a gente tenha aquela cena final bárbara, que eu não vou reproduzir em nenhum.
nenhuma textura aqui. Acho que vale a pena todo mundo sair de casa hoje para ir ver, aqui não entra luz, para assistir a última cena que seja do filme. Que é... Que vale uns cinco filmes diferentes, aquela última cena, especificamente as últimas frases do filme. Porque eu acho que não apenas justificam o filme inteiro, como...
costuram esse filme para outros lados, para além do que uma sinopse poderia ir. Há a relação de poder entre os cenários, das grandes metrópoles, das pessoas, dos que têm, contra os que não têm, das trabalhadoras domésticas, e dos espaços que elas ocupam dentro da sociedade.
É isso tudo e muito mais do que isso. É isso tudo e também, como o Leandro falou, um acerto de contas, uma tentativa de reaproximação entre duas mulheres.
e que começa de uma maneira que não se imagina onde vai se dar, e que isso vai se desenvolvendo ao longo do próprio universo que a Clarol descobre, encontrando outras mulheres que são reflexos, que são da própria mãe.
São outras versões da mãe dela. São ecos, né? São ecos, é. São realidades muito diferentes, porque é isso, tem mulheres de grandes cidades, mulheres de cidades menores, que trabalharam para pessoas com...
com maior poder aquisitivo e que alcançaram um outro status e outras que não saíram do mesmo status, tem histórias literalmente fabulosas. É isso. Não sei dizer a quantas histórias Carol teve acesso, mas o que ela escolheu para pontuar o filme...
é certeiro do ponto de vista da ambição da narrativa.
da empatia que a gente cria com aquelas personagens, da comunicabilidade que elas estabelecem e que é facilitadora, e do quão diversos são aqueles mosaicos, daqueles mosaicos particulares quando colocados na mesma disposição. Enfim, eu acho tudo muito impressionante, porque...
Além de tudo, eu anunciei aqui que ela ganhou um prêmio de melhor direção no Festival de Brasília do ano passado com toda a licença, eu peço a Davi Preto, vencedor do prêmio de melhor filme por Futuro Futuro, no mesmo Festival de Brasília, mas tendo visto Futuro Futuro e aqui não entra a luz, eu acho, inclusive...
que fazia mais sentido, eu entendo em absoluto. Você vê a que não entra a luz, você sabe exatamente porque aquele filme ganhou um prêmio de melhor direção. Não há nenhuma dúvida dos motivos pelo qual isso acontece dentro de um documentário. Mas, tendo já visto o futuro futuro, eu fico, me pego pensando por que esses prêmios não foram decididos ao contrário. Porque, bom...
Porque, ponto um, eu acho Aqui Não Entra Luz melhor do que Futuro Futuro. E eu acho que Futuro Futuro tem um trabalho de direção que me parece mais chamativo. Então era fácil, eu acho, trocar a ordem dos prêmios. Mas na verdade o que eu me pergunto fortemente é porque Aqui Não Entra Luz também não ganhou o prêmio de melhor filme, além do prêmio de melhor direção. É um filme riquíssimo.
muito impressionante que um filme que parta de uma sinopse, que você imagine tão... que você saiba exatamente o que você vai ver a partir do momento do que você foi apresentado a ele, eu acho que eu acho que nesse sentido ele é diferente do Eclipse, Leandro porque eu acho que a gente é apresentado até por...
por um olhar pregresso que a gente tem de cima da Jean e de tudo que se relaciona à família dela, e eu concordo com você que é um filme que não é simplista, mas ele é um filme que se mostra mais claro, o Eclipse, do que a gente poderia imaginar a princípio. E o Aqui Não Entra Luz é um filme que, em tudo, parece que você vai ver.
um documentário novo brasileiro, e esse filme eu acho que esteticamente, ele tem uma riqueza que eu acho que talvez a Carol ela poder ela sofisticou o filme dela bem mais do que a gente estava esperando então por isso que um prêmio de direção é absolutamente faz jus ao que é apresentado fiquei muito impressionado mesmo e e...
E tendo visto depois, o filme depois do falecimento da minha mãe, e tendo consciência de que ela não viu nada do que eu fiz de cinematográfico, me impressiona muito. Principalmente essa última cena, essas últimas frases que elas trocam. Porque isso é uma relação que ou você tem ou você não tem. Tipo...
esse eco, né? É quem te deu a luz, literalmente. E você fazer com que essa pessoa seja apresentada a uma nova persona sua é algo muito poderoso, né? E é isso. A Carol, ela vem, além de tudo, de um universo que a gente foi apresentado que não tem modificação.
as empregadas domésticas elas são as novas escravas é a nova escravidão o secretariado doméstico no sentido de que se você é filho de escravo você continuará sendo escravo se você é filho de doméstico você continuará sendo doméstico principalmente se você é mulher bom
E a Carol foi lá e quebrou essa essa roda da vida. Eu acho isso muito poderoso, de todas as maneiras.
Não, é muito poderoso e mais ainda porque ela traz isso para o filme, né? Ela traz esse dado para o filme, então isso é muito legal. Fora que as pessoas que ela escolhe para entrevistar são muito carismáticas e têm histórias muito incríveis. Tem uma mulher do Maranhão, a mãe Flor, que em determinado momento vira e fala A minha bisavó foi escrava, mas eu nunca fui. Eu não gosto que fiquem me mandando muito.
É uma sequência de frases dela. E é um filme, e aí já tensionando um pouco esses dois filmes do Mascaro, por exemplo, que você trouxe, é um filme que vai fazer exatamente o oposto. Ela vai olhar...
enfim, não sei se de igual para igual, mas vai se colocar na mesma altura dessas mulheres, né? Eu acho que uma das coisas que me incomoda um pouco, sei lá, no Lugar ao Sol, por exemplo, não é nem o fato, a escolha inicial, que eu acho que tudo bem você escolher falar com as pessoas.
que moram nesses grandes, enfim, pessoas ricas, que moram ali nesses grandes apartamentos e têm aquela vida luxuosa e tudo.
O problema, pra mim, com esse filme do Mascar especificamente, que eu não gosto, é um pouco o deboche que ele usa, assim. E óbvio que parte desse deboche é um dado que vem das próprias pessoas, né? Que são horrorosas e risíveis, né?
Mas eu acho que os filmes do mais caro, e acho que o Domestika, o Domestika eu teria que rever. Na época que eu vi o Domestika, eu achei um filme bem interessante. Mas eu tenho dúvida se eu continuo achando, se eu continuo gostando do filme como eu gostei quando eu vi. Justamente por conta dessa, de eu achar o mais caro meio...
satisfeito com o que naturalmente sai daquelas pessoas, sabe? Acho que falta, pra mim não é suficiente, assim, o filme é divertido, a gente fica rindo dessas pessoas e tal, mas eu acho que falta uma elaboração, assim. E acho que a Carol, por outro lado, com Aqui Não Entra Luz, ela poderia ser acusada
por outros motivos de ser preguiçosa, no sentido de fazer um filme muito afetivo, de ter um relato pessoal, quantos documentários a gente não vê assim, né? Mas eu acho que ela escapa disso justamente por essas coisas que você acabou de descrever, Francisco. Eu acho que o filme traz uma sofisticação tão grande, sabe? Eu lembro que eu fiquei muito impressionado com o trabalho de som do filme. E se você quer algum argumento para ver esse filme no cinema e não em casa,
Até porque vai saber quando esse filme vai chegar em algum lugar, em algum streaming e tal, se é que vai chegar.
Mas o som do filme é incrível, cara. O que ela faz ali, né? Ela nem sempre tá casando imagem e som. Em vários momentos em que as coisas estão dizendo coisas diferentes. A imagem tá dizendo uma coisa, o som tá apontando pra outra. Tão se complementando. Ou tão tensionando. Acho um filme muito, muito, muito interessante.
É, acho que ela é isso, ela consegue fazer muita coisa muito bem nesse filme. A coisa da análise das fotos, a própria narração dela, se colocar como personagem, entrevista muito bem, enfim, em relação com a mãe, acho que tem muita coisa legal aqui.
as imagens das janelas que ela filma por meio de janelas dizem muito também. E são várias ao longo do filme inteiro. Então, é isso. Filmaço, incontornável na cinematografia contemporânea brasileira. O documentário, então, nem se fala. Então, é isso. Tem que assistir.
A gente está acostumado a ter um parâmetro de qualidade para documentário, Leandro, que não está longe de aqui não entrar luz não, que é a montagem. Tipo, quando a gente quer falar muito bem de documentário, e isso, inclusive, atrelo a mim também. A gente fala sobre a montagem.
Isso, isso, isso, tematicamente isso e isso. E é montado. Você fala muito e acertadamente sobre o som de Aqui Não Entra Luz. E a fotografia de Aqui Não Entra Luz, cara, eu acho impressionante. Tipo, são dois aspectos que a gente não costuma cuidar muito. O cinema não costuma dar muito verniz para a fotografia.
E para o som, talvez também. A não ser quando são documentários de ordem musical. Aí sim, de fato, o som tem muito trabalho. A gente falou semana passada sobre o Zico, sobre a qualidade do som do Zico. Então, está lá, está aqui também. E vou dizer para vocês que continuam na semana que vem. Mas é isso. Que bom que a gente está tendo filmes com essa...
com essa qualidade estética e técnica, tipo documentários que vão além até de outros que a gente já comentou aqui no programa, que sejam, às vezes, apenas, com muitas aspas, apenas, riquíssimos trabalhos de pesquisa e de montagem. Entendeu? É muito legal quando a gente vê um filme como... Não estou diminuindo, não, tá?
Eu acho que, por exemplo, Três Obais de Xangô é um belo filme. Sem sombra de dúvida, é um belíssimo filme. Mas esse filme está muito mais estabelecido, alicerçado, num trabalho de pesquisa e de montagem de excelência. Muito mais do que na captura de novas imagens. Eu acho que existem...
propriedade para se falar dessas duas possibilidades documentais, e eu acho que o Aqui Não Entra Luz ele vai numa vertente e outra tipo, uma pessoa que passou anos, literalmente meia década filmando, conseguindo material e trabalhando a iluminação desse filme de uma maneira Olha só
que impressiona, eu acho, que até uma pessoa que não tenha muito contato com isso, porque é muito evidente o que ela faz no campo estético do filme. Entendeu? Fico muito feliz mesmo de ver uma moça tão jovem, estreante assim, já com o pé na porta, como o Aqui Não Entra Luz. Parabéns, Carol.
É isso. Mais um programa, Francisco. Dois filmes dirigidos por mulheres. 57 foi, gente.
É isso, programão. Espero que vocês curtam esse programa que está indo nas vésperas do Dia das Mães. Então, para comemorar o Dia das Mães, a gente tem filmes dirigidos por mulheres. Olha só. É verdade. E os dois abordam a maternidade de maneira muito forte. Sim, sem dúvida. Programar-se para o fim de semana. Foi programado. Tudo programado, Francisco. Tudo certo. Sim, tudo pensado. Valeu, meu querido. Até semana que vem. Até semana que vem, gente.
Este episódio foi editado e sonorizado por Fernando Machado. Juliano Estevam concebeu a identidade visual e todas as artes do podcast.
A pauta e a apresentação deste programa, eu, Leandro Luz, divido com Francisco Carbone. Você escuta o Tudo é Brasil nos melhores tocadores de podcast. Morreu malvadeza durão, o criminoso ninguém viu. Fabuloso.