Episódios de Vozes do Palco

T2: Coletivo Teatro, Memórias e Além | Episódio 16 | Podcast Vozes do Palco

29 de setembro de 20261h28min
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No último episódio da temporada entrevistamos o nosso coletivo, o Teatro, Memórias e Além, que produz o Podcast Vozes do Palco, falamos o que mudou de uma temporada para a outra, nossas difiuldades e facilidades nos batidores da segunda temporada.O podcast existe graças ao trabalho em equipe de:Hellen Almeida: @hc.kryzGiovanni Felipe: @naturezaamorosaLaila Oliveira: @wtf_lailaoSereia Chagas: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠@sereiadeaguadoce⁠⁠⁠⁠⁠Valdeir Santana: @valdeir.vsfProduzido por Coletivo Teatro, Memórias e Além.Com apoio do CEU UirapuruVozes do Palco é um Projeto Contemplado na 22ª Edição do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais do Município de São Paulo - VAI ⁠ @ProgramaVAIsmc ​

Participantes neste episódio5
S

Sereia Chagas

HostApresentadora
V

Valdeir Santana

Host
G

Giovanni Felipe

Co-host
H

Hellen Almeida

Co-host
L

Laila Oliveira

Co-host
Assuntos6
  • Evolução da produção do podcast entre a primeira e segunda temporadamelhora de equipamentos·otimização do tempo de gravação·organização da equipe·desafios com espaço
  • Importância de entrevistar artistas independentes e dar visibilidadedisseminar informação·acolhimento aos artistas·criação de rede·visibilidade para artistas
  • Sonhos e perspectivas para o futuro do podcast Vozes do Palcoter um espaço próprio·rodar o Brasil com uma van cultural·produzir para outras pessoas·crescimento orgânico e novos editais
  • Experiências pessoais com a dança e sua relevância na vidalibertação através da dança·descoberta de novas linguagens·conexão com o corpo·dança como forma de expressão
  • Desafios e perrengues enfrentados na produção da segunda temporadaproblemas com som externo·logística de transporte·equipamentos de iluminação·lidar com comentários de ódio
  • Trajetória pessoal de Giovanni Felipe e sua conexão com a arteautismo e transtorno bipolar·arte como autoconhecimento e cura·experiências com eletroconvulsoterapia·mandalas e yoga como terapia
Transcrição132 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
VSValdeir Santana

Começa agora Vozes do Palco.

SCSereia Chagas

Olá, você está assistindo ou ouvindo o podcast Vozes do Palco. Este podcast visa entrevistar artistas independentes. Nesta segunda temporada estamos entrevistando artistas da dança. Meu nome é Cereia Chagas, eu sou uma pessoa não-binária, não tenho preferências de pronome, Sou uma pessoa parda, estou usando uma camisa que eu não sei a cor, disseram para mim que é ouro envelhecido. Estou usando uma calça marrom, tô com um turbante preto, um cabelinho black, que é o meu cabelo, uma barba meio rala, uma maquiagem com detalhes em branco, um brinco prata meio futurístico, loucão da vida.

E é isso, vamos começar o episódio de hoje. Hoje vamos entrevistar o coletivo Teatro Memórias e Além, que é o coletivo que produz o Vozes do Palco. Nossa! E vamos conversar entrevistando Lailão.

LOLaila Oliveira

Oi, gente, eu sou a Laila, lembram de mim? Sou uma mulher parda, estou utilizando hoje cabelos estilos dreadlocks castanhos com alguns cachos no final. Estou usando um sobretudo preto, um olhinho de gato de maquiagem, uso óculos quadrados e tô usando um brinco de argola prata.

SCSereia Chagas

Quem não assistiu a temporada passada, no episódio 3 a gente já conta um pouquinho das nossas trajetórias. Então se você quiser saber essa parte, vai lá assistir que tá lá, tá disponível já nas plataformas e tal. É muito legal, dá para dar risada, chorar. E é isso, a gente vai avançar um pouco nisso, né? Não vamos repetir o que a gente já falou e a gente vai falar um pouco sobre como que foi produzir essa segunda temporada, o que que mudou, O que mudou pra você de 2025 pra 2026?

LOLaila Oliveira

Ai, Sereia, eu acho que a gente evoluiu muito assim na questão de equipamento, de entender melhor a disposição das coisas. A gente adquiriu mais alguns equipamentos novos que ajudam muito, como a parte do cenário também. A gente fazia uma gambiarra enorme e aí agora a gente já tem alguns recursos novos. Como iluminação também, que mudou muito também. Então acho que a gente evoluiu muito da primeira temporada para a segunda temporada.

Eu acho que a gente também ficou— a gente já era organizado, mas acho que a gente ficou mais também. E é isso, acho que a gente evoluiu muito na questão de equipamento e saber fazer a gente já sabe.

SCSereia Chagas

E para você, quais foram os maiores desafios que a gente enfrentou nessa temporada?

LOLaila Oliveira

Espaço. A gente teve alguns desafios com o espaço que a gente tava antes. A gente tava no espaço do Prática Tatu. Inclusive, somos muito gratos pelo espaço que vocês deram pra gente. Agora a gente tá gravando no equipamento do Céu Irapuru, no teatro. Que aí agora é literalmente Vozes do Palco, no palco. Mas eu acho que essa questão de espaço realmente é a mais desafiadora ainda pra gente. Que a gente nunca tem certeza se vai ficar num lugar, se não.

SCSereia Chagas

E por que você acha que é importante a gente estar fazendo esse trabalho nesse ano, assim, entrevistando artistas independentes?

LOLaila Oliveira

Eu acho que com a primeira temporada a gente teve muita visibilidade, tanto pro nosso trabalho quanto pra... pros artistas mesmo. Eu acho que o foco do nosso trabalho realmente é esse, disseminar a informação, disseminar esses coletivos que tão meio escondidos ali, mas que atuam muito incrivelmente nos seus territórios. Então, acho que a segunda temporada... Acho que as linguagens que a gente tá trabalhando também é muito legal.

A primeira temporada a gente fez teatro, a segunda já é dança. Eu acho que o nosso trabalho é muito importante por isso, que dá visibilidade pra esses artistas. E falando enquanto artista independente também, eu acho que ter esse espaço de Você poder ir em um podcast, você ter o acolhimento que a gente dá quando a gente recebe nossos artistas, eu acho que é um diferencial do caramba. Então nosso trabalho é lindo.

SCSereia Chagas

E as trocas que a gente tem é muito legal também, né? Tipo nos bastidores, a gente conversa, a gente tá criando uma rede, né, com os artistas. Tá sendo muito gostoso isso.

LOLaila Oliveira

Sim, eu acho que essa é a parte mais legal assim do que mudou. Acho que bem pouquinho mesmo da questão da temporada passada pra essa, é que nessa temporada a gente já tem um pouco mais de tempo de gravação, que antes a gente tinha uma questão com os cortes e tudo mais. Nessa temporada a gente já tem um pouquinho, a gente conseguiu otimizar o tempo, né, de gravação, que antes a gente passava um dia inteiro gravando, hoje em dia a gente já passa meio período.

Mas ainda assim, essa questão do, acho que O que une mais a gente é a questão do corte, da gente não ser um podcast ao vivo. E essa questão do corte dá pra gente criar mais uma conexão ali com o artista. Então ele se sente sempre muito à vontade. Pelo menos todos que vieram até a gente até agora gostaram muito desse acolhimento, dessa parte da conversa, né? Ficam mais à vontade também pra na hora que chega aqui na frente da câmera conseguir falar mais tranquilamente.

SCSereia Chagas

Eu acho que é muito melhor que a gente não faça ao vivo, porque nossa, ia ser barbaridade.

LOLaila Oliveira

E aí sai cada barbaridade, mas é isso, deixa abaixo.

SCSereia Chagas

Sim, porque a gente também dá liberdade do artista falar, tipo, nossa, eu acho que eu falei uma besteira, talvez essa parte possa cortar, não gostei muito da forma que eu falei. Então acho que dá mais controle para o artista também do que ele falou, né? Do que, tipo, se fosse ao vivo já teria ido assim, tipo, falou alguma besteira ou falou alguma coisa que achou que não foi exatamente da forma que gostaria de ter falado, né? E aí, e também o terror de fazer ao vivo, né? Nossa, eu ia errar, eu já erro.

LOLaila Oliveira

Com certeza, não só você como a gente, quem tá atrás da câmera.

SCSereia Chagas

Sim, a gente ia travar assim. Não vamos nunca para o ao vivo, por favor, não peçam, tá bom?

LOLaila Oliveira

Já nem tentem.

SCSereia Chagas

Não, só se pagar muito, aí a gente pensa. E essa segunda temporada foi sobre dança, né? Fala um pouquinho sobre como a dança tá na sua vida, assim. Você gosta de dançar? Eu acho que você não esperava essa pergunta.

LOLaila Oliveira

Não, me pegou de surpresa. Eu gosto muito de dançar, apesar de não saber tanto, né. Eu sou uma pessoa bem travadinha, assim, questão de movimentos corporais. Tô desenvolvendo, comecei a fazer yoga agora. Agora a gatinha vai dar o nome dela. Mas eu achei muito legal essa temporada. Porque de teatro, a gente já tá... Uma linguagem que a gente já tá muito mais familiarizado, né. E agora dentro da dança, conhecer esses outros, essas diversas, múltiplas linguagens, né, que tem dentro da dança, os diversos ritmos.

Eu achei muito interessante, muito interessante cada uma delas. Mas pra mim, acho que a mais legal mesmo foi ter entendido um pouco mais sobre o universo de ballroom, que era um universo que eu achava muito interessante, mas nunca me aprofundei. E aí com os convidados, a gente teve mais esse entendimento. Eu achei isso muito legal, tanto é que agora também Quero ir mais em balsas, participar, eu achei muito legal. Mas na minha vida assim, eu danço mais socialmente assim, tipo, não tenho vergonha, sabe?

Gosto de dançar, me balanço e tal, não tenho vergonha nenhuma. Eu acho muito legal, muito libertador mesmo.

SCSereia Chagas

Dançar faz tipo liberta, né, a gente? Eu amo dançar também, mesmo desajeitada, mas é isso, sem se importar com o outro lá. Vou e danço, e é isso. Se gostar ou não gostou, problema seu, não tá pagando minhas contas. Às vezes nem eu tô pagando.

LOLaila Oliveira

É, antes eu era do tipo de pessoa que ia para o rolê e ficava ali com vergonha e tal, mas hoje em dia já vou, danço, já curto, acho muito legal.

SCSereia Chagas

Tem que ter vergonha não, só se joga.

LOLaila Oliveira

Se joga, hein?

SCSereia Chagas

Dentre as histórias que os convidados contaram nessa temporada, o que mais te impactou?

LOLaila Oliveira

Eu acho que uma das histórias assim que eu gostei muito de ouvir foi a do Douglas. Assistam o episódio do Douglas Acerbi. Eu achei muito bonito o jeito que ele trazia a criançada para poder brincar, que ele fazia tipo essas viagens com eles, né, tudo para proporcionar essa vivência para galera, tipo de espaços. Como ele explicou uma vez que ele foi num espaço e aí E falaram para ele que ele podia ficar se ele arrumasse. E aí ele super topou só para poder ter esse espaço.

Então, dentre as outras também, eu acho que cada história tem sua individualidade assim muito significativa. Mas a do Douglas eu achei muito legal, porque é muito difícil ter algumas oportunidades que nem ele levou algumas crianças para outros países, né? Eu achei isso muito, muito legal.

SCSereia Chagas

Achei isso e os perrengues dele levando, e os perrengues dele levando.

LOLaila Oliveira

Foi babado, assim, foi um episódio muito legal, achei muito interessante. E essa questão mesmo, né, da gente trazer esses artistas que a gente já conviveu também, né, que a gente já conhece e que a história deles precisa ser contada, né, mostrada. Então acho que cada um no seu individual ali foi muito legal. Também a da Casa de Pimentas com o Félix Pimenta também, que ele É um dos pioneiros aí de wrecking no Brasil. Achei muito legal cada história, assim, muito interessante.

SCSereia Chagas

E o que que você enxerga para o futuro assim do podcast?

LOLaila Oliveira

Ai, gente, a gente tá sonhando grande, mas eu acho que mais para frente a gente vai ter muito mais estrutura. Espero futuramente a gente conseguir ter o nosso próprio espaço. Se não for nosso próprio espaço, então o que vai ser a nossa Kombi pra gente rodar o Brasil? Porque a gente tem essa ideia, né, de querer rodar o Brasil e trabalhar. Não vou contar mais, senão vão roubar nossa ideia.

SCSereia Chagas

É verdade.

LOLaila Oliveira

Mas a gente tem algumas ideias muito boas, a gente quer rodar por aí com uma vanzinha cultural móvel, né. A gente tem muitas ideias, então acho que mais pra frente, trabalhando todas as linguagens possíveis dentro da cultura, dentro da arte. Acho que temos muitas e muitas mais histórias para contar. Espero muito que a gente tenha essa oportunidade de poder contar novas histórias de outros contextos, de que, mas, é possível realmente você conseguir viver e viver mesmo de arte, né? Não só sobreviver.

SCSereia Chagas

É, agora a gente vai mudar a pessoa da produção. Você vai escolher quem vai ser a próxima pessoa que vai ser entrevistada.

LOLaila Oliveira

A próxima pessoa, o Val. O Val de Axios, pode vir.

HAHellen Almeida

Vem, vem.

LOLaila Oliveira

Tchau.

SCSereia Chagas

E como mágica, Valdir. E aí, Val, como você tá?

VSValdeir Santana

Estou nervoso, detesto ficar na frente das câmeras, mas vamos que vamos.

SCSereia Chagas

Você não mudou do ano passado, né?

VSValdeir Santana

Não, não conquistei essa evolução espiritual. Meu nome é Valdeir, eu sou uma pessoa parda, tenho os cabelos pretos, estou usando várias roupas cinzas de diferentes tonalidades.

SCSereia Chagas

É isso. Para você, o que você acha que mudou no podcast de 2025 para 2026?

VSValdeir Santana

Vou tentar dar respostas não muito parecidas com o que a Laila falou, mas É isso, de fato, com a aquisição de outros equipamentos a coisa ficou bem melhor. A gente tinha probleminha sério com iluminação, com cenário até certo ponto, e isso melhorou bastante. Ah, é isso, acho que o número de câmeras também. A gente tinha uma câmera que não era muito compatível com as outras, né? Dava pra perceber uma diferença bem grande uma pra outra, e agora a gente tem tudo mais mais uniforme, né?

SCSereia Chagas

E para você que tá no som, quer até ver alguns desafios, né? Quais foram os maiores desafios que a gente enfrentou nessa temporada?

VSValdeir Santana

Os maiores desafios ainda é o fato da gente não gravar no local com áudio controlado, né? E no Educandário, que era onde a gente onde a gente gravou toda a primeira temporada e onde a gente começou a segunda, também tinha algumas questões, mas eram bem mais pontuais. Mas no céu foi um pouco mais complicado porque a gente tava gravando do lado de uma quadra, né, do lado de uma quadra onde tava rolando campeonato de vôlei. Então era som de apito, era som de torcida, era Enfim, é diferente de futebol, né?

Futebol tem um gol de vez em quando, tem um gol. Agora no vôlei tem ponto toda hora, né? Então enfim, essa dificuldade com som externo foi bem mais acentuada nessa temporada.

SCSereia Chagas

E para você, qual que é a importância da gente tá fazendo um podcast que entrevista artistas independentes?

VSValdeir Santana

Acho que é principalmente visando essa transmissão de informação. Porque, porque para quem tá interessado em arte, eu acho que até que você faça uma faculdade da linguagem específica que você conheceu, ainda que você faça um curso, né, uma graduação nessa, nessa arte escolhida, não te traz tanta informação, né? Tipo, Eu acho que essa, esse lance que a gente traz, que são histórias de pessoas que talvez venham de uma realidade parecida com a nossa, né, que não nasceu em berço de ouro, mostra possibilidades, mostra caminho e traz essas informações que muitas vezes o meio acadêmico não vai nem mencionar, né.

Então acho que essa Por essa parte, tem esse fator, faz uma importância interessante. Eu acho também, sem querer repetir muito o que a Laila falou também, mas é essa coisa de você dar o espaço para a galera poder falar também, né? Acho que é isso. Algumas artes deixam a trajetória muito, muito para trás. E aí com podcasts como o nosso a gente consegue trazer essas histórias um pouco mais para frente e que fazem diferença para quem está interessado em fazer alguma coisa parecida, tipo entender o caminho, o percurso até lá. Então acho que a importância é mais ou menos essa.

SCSereia Chagas

E a gente fez uma temporada sobre dança, né? O que você falaria da dança na sua vida? Você dança? Eu não imagino você dançando. Acho que eu já vi você meio dançando assim. Mas o que você diria da dança na sua vida?

VSValdeir Santana

Eu acho que olhando em retrospecto, talvez a dança tenha entrado na minha vida antes da música entrar na minha vida. Já fiz parte do projeto Meninos do Morumbi há uns bons anos atrás, e eu comecei na dança e fiz um pouco de percussão, depois voltei para dança, e era bem legal. Então dança é uma coisa que eu curto já tem um tempo, mas não sei De lá para cá, acho que eu tenho travado mais em relação a esse assunto, entendeu? Mas enfim, é uma linguagem que eu gosto.

SCSereia Chagas

E quais são as perspectivas assim para o futuro do podcast? O que você pensa assim que o podcast ainda pode conquistar?

VSValdeir Santana

Eu acho que vai ser muito legal quando a gente tiver condições de ter um local ainda mais preparado, né, com um pouco mais de estrutura, com com um pouco mais de controle de sons externos, né? E é isso, acho que continuar crescendo, né? Acho que a gente cresceu bem da primeira para segunda temporada, então que da segunda para terceira a gente também, de acordo com o YouTube, a gente cresceu 900%.

SCSereia Chagas

Aí, ó, é isso, muita coisa, é muito bom. Então espero que na terceira a gente cresça ainda mais, mais 900%.

VSValdeir Santana

Vamos embora!

SCSereia Chagas

Imagina! Nossa, eu tô sonhando! E agora você vai escolher a próxima pessoa que vai ser entrevistada, que também vai falar um pouquinho sobre os bastidores. Quem você escolhe?

VSValdeir Santana

Vou chamar o Giovanni então.

SCSereia Chagas

E magicamente, Giovanni!

GFGiovanni Felipe

Meu nome é Giovanni, eu sou uma pessoa parda. De pele clara. Tô usando um relógio no pulso esquerdo, digital. Tô com uma calça caqui, tô com uma camiseta verde florida, bem ousada. Eu tenho os cabelos com mullet enrolado, curto. Tô usando um brinco na orelha esquerda e tô com uma maquiagem tribal de cor branca feita pela Laila.

SCSereia Chagas

Seja muito bem-vindo.

GFGiovanni Felipe

Valeu.

SCSereia Chagas

Vou fazer uma pequena apresentação que eu escrevi, isso eu vou falar ela.

GFGiovanni Felipe

Bora.

SCSereia Chagas

Giovanni Felipe, ele é artista visual, ator, professor de yoga, explora a arte como um caminho de autoconhecimento e cura. É diagnosticado com autismo e transtorno bipolar tipo 1. Ele canaliza sua hipersensibilidade para criação artística. É, conta um pouquinho da sua trajetória para quem tá assistindo e não te conhece.

GFGiovanni Felipe

Beleza, eu costumo me perder no meio do caminho, mas vamos lá. Eu tenho uns 3 anos que eu me identifico como artista, mas desde criança, para me regular durante as aulas, eu gostava de ficar rabiscando os cantos do caderno. E eu me cobrava muito assim, eu me julgava pelos desenhos que eu fazia, nunca gostava do que eu tava fazendo. E me comparava com os outros. Eu tenho um primo também que tem a mesma idade que eu, eu tenho 28 anos, e ele sempre desenhou muito assim, seguiu no caminho um pouco da arte, fez tatuagem e tal.

E eu me inspirava bastante nele e outras pessoas que eu via, me comparava, e nunca gostei assim. E a escola sempre foi para mim muito ruim, foi uma prisão mesmo para mim, 11 anos. E uma forma assim de me regular era tá desenhando no canto do caderno, muitas vezes coisas repetidas, que foi ali que eu percebo que eu ganhei a qualidade que eu tenho nos meus desenhos. Assim, eu gosto de coisas repetidas, o autismo também tem isso, tipo, para autorregulação isso é muito bom, e para outras coisas, para se centrar também.

Então eu fazia muito isso nos cantos de caderno. Até me formar na escola, depois sair. Não quis fazer faculdade por conta de trauma com a escola, não gostava, sempre foi tóxico para mim. Eu não sabia disso, tipo, o nome disso, mas eu sabia que eu não queria fazer faculdade. Quando era pequeno, meu sonho até os 18 anos era ser pescador, e eu falava isso, eu tinha coragem de falar isso, qualidade do autista também ser bem sincero.

E por falar isso, eu sempre fui muito mirado. Eu sou uma pessoa privilegiada, estudei em escola particular. E ser pescador numa escola assim era tipo, não faz sentido, né? Então eu sofria bastante bullying. Daí saí da escola. Nesse período acho que foi quando eu comecei a ter meus primeiros episódios de euforia. Para quem não sabe, eu tenho transtorno bipolar tipo 1. Euforia, mania são episódios que a pessoa ela muda muito de humor.

Para mim é quase como se mudasse de pessoa, como se eu fosse outra pessoa. Então eu fico inconsequente, impulsivo, tenho tendências aos vícios, quero beber e fumar mais, e isso faz a vida ficar bem hardcore, bem hardcore mesmo. Seria me conhecendo no momento de euforia assim. É uma das poucas pessoas que ficou próximo de mim assim. Daí descobri isso um pouco depois da escola, a bipolaridade. Então tive os episódios de mania E eu fui, ação para mim a mesma coisa.

Pois tive episódio de depressão, depressão profunda, tive várias durante a vida também. E aí fui seguindo, eu sempre me conectei muito com a natureza. Naquele período de escola, meus melhores momentos da vida era estar no sítio, é da família, só que a gente ia duas vezes por ano lá, tipo nas férias, e era quando era feliz. Tava pescando, tava no meio do mato, tava fazendo o que eu gosto assim, perto do que eu gosto, que é a natureza.

Que mais? Aí foi seguindo, descobri isso, a arte nisso era riscar canto de caderno assim. Depois fui tentar fazer vestibular, falei não, vou tentar faculdade. Eu tava em euforia. E resolvi fazer um cursinho particular de uma escola bem conhecida. Entrei em euforia, saí em depressão. O que eu fazia também para me regular durante era ficar desenhando, riscando canto de caderno. Aí saí em depressão. Depois tive um momento marcante de uma das minhas depressões que ela não foi embora.

Eu comecei a tomar remédio psiquiátrico. Tem a média de 8 a 10 anos. Eu tenho 28, então depois que descobri a bipolaridade comecei a tomar essas medicações. Para quem é bipolar, a psiquiatria acredita que a pessoa precisa tomar remédio para o resto da vida, e é isso que os psiquiatras, a maioria acredita assim, a grande maioria. E eu sou contra isso, odeio tomar remédio, mas tomei. Tipo, se tiver que tomar, toma, porque faz parte.

Se eu tiver crise também eu preciso tomar, sei disso. Não gosto, me faz mal, mas me equilibra. Aí tive a minha depressão, que nenhum remédio, nenhum combo fez assim. Eu tomei quase todos os remédios da psiquiatria, até os mais fortes, remédios que me faziam desmaiar, baixar a pressão, ter alergias que podiam me matar, ter hemorroida, dor de barriga, dormir o dia todo. É, tem um currículo completo nessa parte assim. E aí fui fazer eletroconvulsoterapia.

Descobri que existia isso, foi no IPê, que eu posso citar nomes assim, que é Instituto de Psiquiatria, que é referência em São Paulo e no Brasil. Eu conheci lá, tive meu psiquiatra, fiz o ECT, fiz porque eu achei que fosse essa salvação assim, e realmente me melhorou, mas tirou da depressão profunda, mas eu me arrependo. Que eu vejo que tinha outros caminhos. Eu acredito, né, que já foi feito, que eu poderia ter sido tratado com mais amor assim, talvez desde criança, né, soubesse já do autismo, da sensibilidade.

Hoje eu me cuido muito com as mandalas. E aí depois desse tratamento comecei a melhorar. Foi em 2021, 36, 35 sessões, né. A 36ª minha mãe deixou eu não ir, que eu já fazia chorando as últimas, porque me traumatizou bastante. Eletroconvulsoterapia, pra quem não sabe, é tratamento de choque. Você é anestesiado, apaga, te dá um choque na cabeça, você convulsiona e depois volta pra casa bem atordoado. Tem uns efeitos colaterais fortes, tipo a perda de memória que eu tenho até hoje.

Depois desse tratamento eu comecei a me equilibrar aos poucos. Fiz um pouco de teatro durante o período que eu tava no ECT. É, não me considero um ator, seria falar, mas assim, não me vejo assim. Eu tô treinando, quero e tal, mas sou mais, me sinto mais como artista na parte desenho. E aí tem me feito bem o teatro. Eu fiz um pouco, fiz uma peça, apresentação junto com uma tia minha, foi bem legal, no espaço que eu gostei bastante, que eu gosto.

Chama Teatro Almadão. Acho que eu posso citar, né? Vai ser legal, o Vini vai gostar, o dono do espaço. Eu gosto bastante dele. E depois fui seguindo, trabalhei na Defesa Civil, fiquei um tempo lá, vi que não é meu caminho trabalhar em cargo público ou com pessoas que eu não admiro. Vi muitas coisas que eu achei errado. E eu sou uma pessoa muito honesta e que tenho alergia à mentira, assim, sabe? Me afasto de quem tem isso. Quando eu vejo assim, não consigo nem lidar de estar perto.

Tô aprendendo, mas até então assim não conseguia. Aí fiquei lá um ano e meio, entrei bem equilibrado, tava tomando as medicações, 2023. Em 2024 eu saí porque eu tava com ideação suicida. Quando eu falei que eu queria sair, me falaram, ah, pega um afastamento e tal, suas férias tá aí, já vai estar vencendo, você pega. Peguei, aí voltei e falei, vamos tentar. Aí já poucos dias fui pedir afastamento, afastaram, não, volta. Fui, aí falei, mano, não é meu caminho, tô com vontade de me matar.

Tive uma tentativa de suicídio antes disso, não lembro o ano por conta do ECT, eu tenho perda de memória, então não lembro que ano que foi, mas foi antes da pandemia. A arte me ajuda a lidar com isso, mas eu tenho necessidade de falar com pessoas sobre a morte também. Aqui do nosso lado tem tipo um— falaram que eu podia trazer um elemento, eu quis trazer essa caveira. É o crânio de um boi e que me conecta muito assim com coisas que pra mim não são negativas, como as pessoas tratam a morte hoje em dia, sei lá.

Eu acho sagrado, bonito e tem essa necessidade também, minha arte me ajuda nisso. Quando eu saí da Defesa Civil, eu tive um relacionamento de um ano com uma moça que me ajudou bastante no meu autoconhecimento. Desde a época do transtorno bipolar, lá 8 ou 10 anos atrás que eu tive meu diagnóstico, eu comecei a buscar terapia, psicólogos, psiquiatras, tava sempre. Conheci muitos psiquiatras, muitos psicólogos e gosto bastante, principalmente terapia.

Eu falo que se eu pudesse eu faria todo dia com pessoas diferentes. Então conheci muita gente, busco autoconhecimento desde lá. Eu sempre tive um chamado para esse despertar, iluminação, e ficava assistindo desenhos tipo aquele do Avatar, A Lenda de Aang, Essas coisas me chamavam muito. O centramento, a disciplina, conexão com a natureza, os animais. Isso também vem na minha arte, na minha vida, assim, conectado aqui. Me toca, me movimenta e também me estimula a viver.

Tive esse relacionamento que me ajudou bastante porque foi intenso, mas foi muito profundo, de bastante amor. E aí depois dele eu comecei a me empoderar mais. Junto com o curso de mandalas que eu resolvi fazer. Nessa época da Defesa Civil, tinha momentos que eu ficava sem fazer nada assim. Tipo, tem ocorrência tu vai, se não tem você fica de aguardo. Então eu desenhava, desenhava bastante. E eu desenhava num estado que eu tava sobrecarregado, era puxado pra caramba.

Mas eu ficava centrado na arte ali, tipo, tipo dentro do caldeirão fervendo assim, eu fazendo assim ali, cozinhando. E fazendo. E de lá saíram algumas artes que eu faço camisetas também, esses mandalas que eu faço estão em camisetas. Então nesse período que eu comecei aí, então na Defesa Civil eu já tava fazendo isso, e antes dela um pouco, durante o período do DCT, agora que eu tô lembrando, que eu comecei a fazer rabiscos, muitos de já mandalas, sempre preto e branco.

Eu percebo que reflete minha, a parte minha das sombras, acho que da vida puxada da depressão, vinha muito nisso. Eu sou muito bom no preto e branco, no meu trabalho no preto e branco, assim com os mandalas, é muito bom, eu reconheço. E aí, nisso eu fazia, fazia até cansar, fazia não querendo fazer e fazia. Aí, na Defesa Civil, fiz as coisas maiores, já começou a sair camiseta, vontade de fazer camisetas. Faço até hoje, vendo desde 2023, faz pouco tempo, mas faço.

Minha arte tem um sentido muito espiritual, sempre conecto com algo que não é material. Quando eu crio arte, eu costumo me emocionar, então eu choro. Muitas vezes acontece uma coisa bonita que é cair lágrimas no papel, e para mim tem muito valor. As pessoas nem sabem assim, as que tem eu não falo, e eu nem lembro quais foram, mas tem assim, então tem. Dessas águas que passam por mim. E aí eu fui seguindo nas camisetas, aí fiz um curso de formação para ser terapeuta com mandalas.

Eu tenho uma formação nisso, não me meto a terapeuta, mas eu dou oficinas, ensino as pessoas autoconhecimento através dos mandalas intuitivos, que são mandalas livres. Você não usa nenhum tipo de ferramenta, é só giz pastel, a folha quadrada e um círculo. E aí você coloca ali, expressa o que tá no seu inconsciente, aprende a interpretar. Isso me ajudou bastante no meu processo de empoderamento e de me perceber como eu tô no meu, na minha vida.

Quando eu faço um, eu vejo ali como eu tô no papel, é como um mapa, e funciona para as pessoas. Então também ensino. Fiz uma formação de yoga, sou professor de yoga. Isso foi antes dos mandalas, então tô começando a dar aulas. Tive bastante dificuldade em dar aula no começo porque tenho muita insegurança. De estar, eu me cobro bastante. Então tava dando aula para crianças numa ONG, criança, pessoal de 14, 15 anos. Eu me cobrava tanto que eu falava, puta, essas pessoas merecem mais do que eu tô dando para elas.

Assim, eu acabei desistindo. Agora eu tô voltando, tenho alguns alunos, um deles tá aqui no coletivo. Então eu junto tudo, tudo na minha arte, eu coloco yoga. Eu também me formei como reikiano. Então eu uso, para quem não sabe, o reiki é uma terapia que já, já é aceita pelo SUS, que é pela imposição das mãos. A gente tem a capacidade de enviar energia pelas mãos, acredito nisso, e já é provado que existe. Então eu me formei e uso nas minhas artes também, sabe, para aplicar amor, para mandar aquilo que a pessoa precisa ou que eu quero mandar para o mundo.

Então junto tudo. Quando eu vou dar oficina, eu coloco a yoga, Eu vou mentalizando um reiki pras pessoas, pro ambiente, ensino o que eu posso ensinar, que eu tenho ali condições. Sou uma pessoa extremamente amorosa, às vezes não comigo, muitas vezes, mas com os outros sempre tento ser melhor. E aí tô aprendendo esse caminho de pôr limites também, minha arte ajuda nisso. Eu acho que as coisas mais importantes da minha trajetória talvez eu tenha colocado aí.

Tem mais coisas íntimas assim, mas que eu tô aprendendo que também não devo falar. Eu sou uma pessoa que abre muito o coração e acho que é isso.

SCSereia Chagas

E você entrou no podcast nessa segunda temporada, né? Você chegou a assistir alguns episódios da primeira, né? Para você, como que foi entrar, tipo, estar na equipe, ver por trás das câmeras, como que é estar Tipo, como assistente de produção, como que foi?

GFGiovanni Felipe

Foi da hora. O primeiro dia eu lembro que foi desafiador porque eu queria fazer coisa, mas eu não sabia o que fazer. Aí eu tentava fazer o que alguém tava fazendo, enrolar fio, não lembro bem. Aí depois eu fui aprendendo assim coisas que eu faço. Uma coisa que eu gosto de fazer, por exemplo, é carregar as caixas. Eu gosto de fazer exercício físico, acho que o pessoal não curte tanto. E aí eu falei, poxa, então bora pegar isso aí, mano.

Eu gosto, gosto de suar, gosto de fazer esforço, tem essa coisa. E aí, bom, eu sempre carrego as caixas assim, gosto, e tento aprender a parte da tecnologia, mas eu não gosto de tecnologia, mas me esforço a isso. Acho muito bonito o trabalho, tipo, tá ali atrás das câmeras, tipo, Val, a Laila na maquiagem, acho da hora também. Então o que eu acho legal é que eu tô aprendendo tipo a ser profissional num ambiente que é mais leve, sabe?

Tipo, aqui são artistas, então dá pra gente trocar ideia, dá pra dar risada durante o trabalho. Não é um momento que eu tô pensando em me matar, porque todos os trabalhos que eu tive CLT me levavam à depressão, à ideação suicida, fugir do ambiente. Tô aprendendo que existe a possibilidade de trabalhar com algo que se gosta, que dá trabalho, mas que tem prazer assim. E aí, de fato, para mim vale a pena. Como sou uma pessoa privilegiada também, eu tenho essa oportunidade de ver como são pessoas que não são privilegiadas como eu.

E conviver assim tem muito— eu tenho aprendido bastante a ter a responsabilidade, mas também ter a leveza, aprender a socializar. Aqui no coletivo eu tô aprendendo. Também e na vida, que é um esforço que eu faço. Autista precisa fazer isso assim se quer se adaptar assim, quer melhorar. Tipo, eu já ouvi outros autistas falando, tipo, se você não fizer isso, vamos lá, a sociedade vai te engolir, sabe? Então a gente se colocar à prova, mesmo que a gente não queira sair para socializar, é bom e ajuda muito.

Daí eu tenho aprendido assim trocar ideia, às vezes fazer piada, que é uma coisa que eu sempre quis fazer, mas não sabia fazer. Então me ajuda de muitas formas na vida mesmo.

SCSereia Chagas

E para você, quais foram os maiores desafios de estarem, de estar na produção?

GFGiovanni Felipe

Eu acho que para mim pessoalmente eu não tive desafio, mas eu tenho, pela empatia que eu tenho, de ver o desafio dos outros e querer resolver e não saber o que fazer. Tipo, ver lá o som, lá o vôlei rolando e não poder fazer nada. E aí eu sinto isso, esse, eu sinto essa dor também. Eu tenho muito essa empatia que eu sinto as dores do mundo também. Isso é comum em pessoas com alta sensibilidade, eu também tenho. Daí acho que é isso assim, que tá lá para mim prazeroso acordar aí e não vejo algo grande assim desafiador que para mim pega.

SCSereia Chagas

E para você, qual que é a importância desse trabalho que a gente tá fazendo?

GFGiovanni Felipe

Então, eu acho do caralho isso que tá acontecendo, de eu tá me encaixando aqui, de poder tá vendo outros coletivos de artistas fazendo essa coisa dessa união assim, da conexão que fortalece, sabe, da comunidade. Acho que tem esse sentido para mim. Na minha arte eu tenho muito isso também, de querer juntar com as pessoas, fazer arte colaborativa, mas é desafiador também. Eu achava que era simples, sabe? Eu desenho no papel uma coisa, você desenha outra, a gente junta e vai vender.

Mas é muito difícil. E aqui tá acontecendo uma coisa que quando eu cheguei já tava na segunda temporada, eu vi já o crescimento, eu ficava, caramba! E eu sou muito sonhador assim. Por ser privilegiado, eu tenho a oportunidade de sonhar grande assim, sabe? Porque é mais provável que aconteça. Eu tenho suporte da minha família e tudo mais. Então, pra mim é muito bonito. E ver vocês assim crescendo e ver vocês sonhando com o pé mais na terra assim, sabe?

Tipo, um passo de cada vez e eu já sonhando lá na frente, uma coisa que provavelmente nem vai acontecer. Eu acho muito incrível, é um aprendizado muito grande pra mim. E de pensar que tem pessoas assistindo que vão poder também, tipo, sonhar com isso que o Val falou, né? Tipo, de outras pessoas terem como referência a gente. Para criar também os sonhos delas, realizar os sonhos delas, que é possível. E eu gosto de estar apoiando assim, gosto do cuidado, e é isso.

SCSereia Chagas

E nas histórias que a gente ouviu, que foram compartilhadas, né, nessa temporada, o que mais te impactou?

GFGiovanni Felipe

Teve momentos, pessoas que eu acho que eu participei da gravação, que me tocaram. Eu lembro coisas que o Didi falou, que foi a mais recente, que me tocou. Eu acho que na do rapaz que fazia, que fazia dança dos caboclinhos também, o Érico. O Érico também teve muitas coisas que me tocaram. E eu gosto disso, da pessoa tá aqui igual eu nesse estado falando e eu tá do outro lado observando assim. Eu tenho muitos despertares assim, os insights, e eu me comovo também.

Então teve um momento assim que eu não lembro especificamente Mas que eu gosto muito. Eu sou uma pessoa que gosta do olho no olho para aprender, e principalmente um a um, tipo mestre e discípulo. Acho muito legal essa relação de uma pessoa falando, outra absorvendo e perguntando e tendo a troca. E eu percebo hoje em dia que eu tenho esse padrão de buscar esse tipo de relação também, tipo com terapeuta, com amigos, pessoas que às vezes parecem tipo irmão mais velho.

Tipo um terapeuta também, ele falava, é como se eu fosse seu irmão mais velho. Faz sentido.

SCSereia Chagas

O que que você pensa assim para o futuro assim do podcast, da plataforma, né, que a gente vai criar com esse nome? Não só um podcast, né, já dando spoiler de coisas que a gente quer.

GFGiovanni Felipe

Eu acho a primeira coisa assim essa ideia de ter um espaço que seja nosso assim, eu acho incrível, e que é o que é o caminho. E depois explorar novas possibilidades, chamar mais artistas para estar junto com a gente fazendo Novas propostas, outras coisas também que possam agregar. Eu tenho muito, é, sonhos não faltam assim dentro de mim, mas é isso assim, ter uma casa própria, um espaço que dê para fazer outras coisas, eventos também e oficinas também junto com cada um aqui, é um artista que tem grande bagagem, experiência também para passar.

Eu acho legal isso. E ver o trabalho particular de cada um também indo, fazendo além do podcast, né, que a gente grava tipo às vezes uma vez na semana, às vezes fica um mês sem fazer. Então ver a vida seguindo também é legal. E mas o sonho também de ser a fonte de renda principal, sabe, o seu principal, e fazer uns bico depois, mas ter isso aqui como uma base, acho que também é um sonho. Bem legal.

SCSereia Chagas

Então é isso, agora a gente vai chamar a Ellen. Ellen! Eu!

HAHellen Almeida

Então eu sou a Ellen, eu sou uma mulher branca cis de estatura baixa, tô vestindo uma jaqueta de couro sintético com uma blusa de frio vermelha, a jaqueta é preta e uma saia barra vestido preto e o cabelo solto na altura do ombro, um pouco abaixo. Meu cabelo, ele é ondulado, tem algumas mechas meio manchadas, meio loira, meio sei lá que cor, e no geral ele é um pouco escuro.

SCSereia Chagas

Para você, o que que mudou da primeira temporada para a segunda?

HAHellen Almeida

Então, eu acho que, como todo mundo comentou, acho que uma das grandes mudanças que a gente teve foi a questão da estrutura que a gente conseguiu, né? Agora a gente tem muito mais recursos de iluminação, muito menos gambiarras. A gente ainda tem algumas gambiarrinhas, né? Mas a gente tem bem menos do que na primeira temporada. O cenário também, a gente mudou algumas coisas. Antes a gente usava luz, agora a gente usa tecido para dar uma colorida no fundo.

Teve essa questão também do transporte de equipamento, que a gente precisou alterar algumas coisas porque aumentou o número de de equipamentos, então a gente precisou ter uma estrutura de logística um pouco maior. Acho que a gente mudou muito também na forma como a gente consegue lidar com os B.O.s que surgem, né, com os problemas que vão surgindo ao longo do caminho. A gente, na primeira temporada, a gente gravou praticamente quase toda no mesmo lugar e tava tudo muito tranquilo e tal, e a gente teve que mudar de ambiente sair do espaço onde a gente tava para um outro.

E aí eu acho que esse foi um momento também de articulação com território, porque para mim uma das grandes coisas que a gente conseguiu fazer dessa vez foi respirar fundo. Não temos mais esse espaço por N motivos, mas a gente vai dar um jeito. E a gente conseguiu resolver super rápido, foi super tranquilo. A gente meio que voltou para casa, né? Porque o Céu Irapuru é o lugar onde a gente se conheceu praticamente, e é um lugar que a gente ocupou durante muito tempo e que ao longo dos anos acabou sendo um espaço que por N motivos também a gente acabou não conseguindo acessar tanto.

E eu acho que uma das mudanças que teve também foi a gente reassessar esse espaço, né, a gente reocupar esse espaço que durante muito tempo foi nossa sala de ensaio, foi nosso lugar de criação, assim. Então acho que as mudanças foram essas, assim. Além da gente ter também trocado a linguagem, entre aspas, né, tipo mudado de linguagem. Acho que sair do teatro, que é um lugar comum que a gente tá ali, né, a gente fazia teatro, a gente faz teatro, né, é uma linguagem que a gente conhece.

Então é mais fácil a gente perguntar algo sobre uma linguagem que a gente tem mais contato. E a dança já é uma coisa mais ali, tudo é muito descoberta, né? Então acho que essa também é uma das grandes mudanças que a gente teve nessa segunda temporada.

SCSereia Chagas

É, eu achei isso de ser de dança, a gente aprendia muita coisa enquanto tava escrevendo o roteiro, né? Tipo, a pessoa era de tal linguagem, tipo, nossa, mas o que que é isso? A gente tinha que pesquisar, entender o que a pessoa faz para entender, tipo, o que que a gente vai perguntar, né? E muita coisa a gente tava aprendendo enquanto tava entrevistando. Achava isso muito legal, né? Essas trocas. Músicas assim. Foi tipo uma temporada que a gente aprendeu bastante. Acho que foi muito louco isso, né?

HAHellen Almeida

É um dos desafios também que a gente teve, né, com relação a roteiro e tal, foi porque algumas das pessoas que a gente chamou são pessoas que também são do teatro. Então como que a gente não, não tipo traz o papo para o teatro, que é aquele lugar comum, né, e a gente explora mais a linguagem da dança? E aí eu acho que foi muito interessante isso também, tentar fazer esse exercício. Às vezes a gente acabava derrapando um pouquinho, né, puxando um pouco mais para o teatro, mas ao mesmo tempo acho que a gente conseguiu abarcar muito bem a linguagem assim da dança. E você, Sereia, o que que você achou assim?

SCSereia Chagas

Eu acho que a gente amadureceu muito como produção assim, e eu acho que a primeira temporada da gente ter passado vários perrengues preparou a gente para muita coisa. Eu acho que o fato também da primeira temporada, da parte assim da Secretaria de Cultura, a gente tem uma técnica que era tipo excelente, preparou a gente para muita coisa, né? Porque qualquer B.O. que a gente tinha, se a gente falasse para ela, ela já ligava para a gente, já falava e já tipo ajudava a gente a resolver.

E aí tipo, por algumas questões nessa temporada, a gente teve menos suporte da técnica, mas a gente já sabia o que fazer, né? Então tipo, tinha um B.O., a gente respirava fundo e A gente vai resolver, né? Teve a questão do espaço, né, que a gente gravava num lugar que já era familiar, que é tipo um lugar que eu faço parte, né, desde sempre. E aí, por questões X, a gente acabou não podendo mais usar o espaço por mais tempo, né?

Então, tipo, isso dificultou. Mas por conta da gente até, tipo, falou, ai, vamos tentar voltar para o espaço onde a gente começou tudo. A gente ficou até surpreso de que foi fácil até, né? De tipo, caramba, a gente resolveu isso mais fácil do que compra alguma coisa, sei lá, tipo. E foi muito legal isso de que a gente voltou a ocupar tipo mais o território, né, dessa. Então foi, mas teve esse desafio também de tipo, a gente conseguiu espaço fácil, mas aí tipo quando ia gravar o campeonato de vôlei, e aí tipo Como que grava que a cada 2 segundos?

E aí a gente só aceitou, né? Tipo, ah, não tem o que fazer, vamos incorporar isso. Tanto que até tipo a gente gravou um episódio, falou, aí talvez na pós é para resolver. A gente descobriu que não dava. Aí no episódio seguinte eu gravei uma chamada de, olha, aqui seria do futuro para falar que, olha, no episódio passado Nesse episódio vai estar rolando um som aí de fundo. E aí, e é isso, seja, vocês fiquem habituados que vai ter umas pessoas gritando aí.

Mas foi, eu acho que a gente amadureceu muito como produção. Acho que tipo por conta da gente ter adquirido tipo mais equipamentos, ficou tudo mais tipo prático, né, de montar, que era vários gambiarras. O pano do fundo a gente grudava com com fita, e às vezes caía assim no meio da gravação, e a gente ficava, ai, meu Deus! Mas, e que é uma coisa, né, tipo, a gente comprou tipo um suporte de fundo fotográfico que a gente não pensou na primeira temporada, né?

Tipo, que talvez se a gente tivesse pensado já teria tipo sido tipo um BO a menos. Mas é isso, né? A gente vai aprendendo enquanto tá fazendo. Eu acho que além disso, eu como apresentadora também amadureci um pouco assim de estar tipo mais solta. Eu acho que na primeira temporada, no começo, era travadona assim de não saber, de não saber lidar como estar na frente das câmeras. Não que eu saiba hoje, né?

HAHellen Almeida

É, eu também não sei.

SCSereia Chagas

Mas que aos pouquinhos estou aprendendo, né? E de que tá ficando mais solta, de que vai conseguindo soltar também o convidado. Eu acho que tipo uma das dificuldades que a gente teve essa temporada foi isso, né? As pessoas da dança, elas não falam tanto quanto as pessoas do teatro, né? Pessoas do teatro falam até pelo impronunciável. E aí a pessoa da dança, a forma dela se comunicar é pelo corpo, né? E aí tipo às vezes dava vontade de fazer a pergunta e falar, responde dançando pra pessoa.

Porque tipo tinha isso, acho que teve alguns episódios que parecia que tinha que mastigar assim pra pessoa conseguir responder, mas acho que é isso. Vamos pra próxima pergunta, né? Que eu acho que a gente já falou um pouquinho, mas vamos, acho que dá pra gente embarcar um pouquinho mais nesse lugar de falar quais foram os maiores perrengues assim dessa temporada.

HAHellen Almeida

Nossa, eu acho que é sem dúvidas assim a questão do som foi um perrengue grandão assim. Porque até uma coisa que eu comento assim, a gente quando fazia teatro no espaço do teatro, a gente não percebia o quanto o mundo ao redor é barulhento, né? Pra mim era o lugar mais silencioso da quebrada. E aí quando a gente começou, quando a gente falou gravando, que aí começou o barulho da quadra, eu falei, ah, é realmente. E é muito engraçado porque antes, no começo da temporada, quando a gente ainda tava no outro espaço, o nosso maior problema com som era, sei lá, aviões passando.

Porque parecia que a gente falava gravando e aí todos os aviões do planeta decidiam que eles iam passar em cima. E aí a gente mudou para um lugar que era do lado de uma quadra e aí a gente, ah tá, é realmente. Mas eu acho que também uma das coisas que a gente teve de perrengue foi com relação aos equipamentos de iluminação, que a gente tava com uma lâmpada de 20 kg, a lâmpada desse tamanho. E aí, tipo, nossa, qualquer piscada que eu dava, a lâmpada tombava a softbox, né?

E aí lá se foi uma lâmpada e uma softbox embora. Então, tipo, por conta disso assim, esses cálculos que a gente não tava prevendo, né? Mas eu acho interessante porque a gente conseguiu contornar muito bem as situações assim, apesar dos perrengues, né? A gente conseguiu contornar muito bem e sem alterar tanto, fazer remanejamento tanto assim de valores e coisas e tal. Tipo, acho que a gente avançou muito nesse sentido de conseguir dar conta de se virar.

Acho que um dos perrengues que a gente teve essa temporada foi a questão da gente começar a tipo sofrer hate com um dos convidados, que nitidamente foram hates racistas. E foi a primeira vez que a gente lidou com isso, porque até então a gente ou quase não tinha comentário, a gente acha que a gente nunca teve comentário negativo, né?

SCSereia Chagas

Não, na primeira temporada teve tipo só uma questão de que tipo uma pessoa comentou o nome morto de um dos convidados, né?

HAHellen Almeida

Que desnecessário.

SCSereia Chagas

É totalmente necessário. Foi só, eu acho que foi só essa questão. Mas na segunda temporada teve essa questão assim do hate, que eram vários comentários assim que a gente via que era racismo, que a gente teve que tipo bloquear os comentários assim porque tipo não dava para ficar respondendo, porque a vontade era de mandar todo mundo para PQP e de tipo de tentar ver medidas cabíveis, né, de tipo que eu não sei exatamente como reagir, né?

A gente ficou pensando assim, tipo, quando apareceu o primeiro, a gente assim, o que que é isso? Então assim, a gente super estranhou, né? Porque nunca tinha acontecido.

GFGiovanni Felipe

Sim.

HAHellen Almeida

E é uma coisa assim que vai assim, nossa, que surreal assim. Mas aí a gente para para pensar que não, não é surreal, é tipo muito comum assim você ver em outros lugares, né? Mas foi a primeira vez que aconteceu com a gente. E é isso, as pessoas acham que um comentário anônimo, entre aspas, um fake na internet, Tipo, não é rastreável. Só que é, né? Então é tudo aquilo que a gente faz online tem uma pegada, a gente deixa rastro, né?

GFGiovanni Felipe

Sim.

HAHellen Almeida

Então é um pouco isso. Eu acho até importante comentar isso porque a gente normalmente comentava, falava, né, no final, ah, fala bem, fala mal, mas fala. Só que não é bem assim também, né?

SCSereia Chagas

É também, não é terra sem lei, né? Então eu encerrava mesmo assim, né? Tipo, fale bem ou fale mal, mas fale da gente, não sei o quê. E aí depois desse episódio Guruja começou a falar, se você tem um comentário negativo, enfia dentro daquele lugar e se exploda. Porque tipo, para quê fazer um comentário desse?

HAHellen Almeida

Porque é isso, por exemplo, se for uma crítica construtiva para alguma coisa, tudo bem, né? Tipo, é um espaço democrático, a gente tá aqui para trocar ideia, né? Acho que a comunicação ela é muito importante, mas se for o hate pelo hate, ódio pelo ódio, a— eu me odiei agora porque eu falei hate. Nós temos a palavra ódio, por que que eu estou falando hate?

SCSereia Chagas

Mas tudo bem.

HAHellen Almeida

Se for o ódio pelo ódio, sabe, tipo só esses preconceitos, mano, guarda para você, se explode aí, é isso, né?

SCSereia Chagas

Acho que é um pouco nesse lugar, nesse lugar.

HAHellen Almeida

Então a gente já fez denúncias sobre os comentários, né, que rolaram, e já tá rolando aí as investigações e tal. Então é esse tipo de comportamento, por mais que seja mascarado pelo suposto anonimato, ele não vai ser aceito.

SCSereia Chagas

Né, com certeza, porque apesar da internet parecer terra sem lei, não é, né? E assim, a pessoa achar que pode comentar o que quiser porque ela criou um fake, ai, ai, crimes digitais ainda são crimes. Exatamente. Para mim, eu acho que foi, eu acho que a logística de transporte às vezes, acho que principalmente quando A gente usava o espaço, primeiro espaço que a gente usava, né, lá no Educandário, que a gente meio que não tinha limite de tempo, né.

Tanto que na primeira temporada teve episódio que a gente saiu 9 da noite. Misericórdia!

HAHellen Almeida

Na verdade foi 10, que acabou às 9, a gente saiu às 10, né.

SCSereia Chagas

E aí, tipo, nessa segunda temporada, tipo, em dado momento falaram, olha, vocês têm que sair até às 7. Aí da gente correr, né, O bom que, como a gente conseguiu adquirir uns novos equipamentos, adquiriu os cartões de memória que eram mais rápidos, a gente conseguia gravar mais tempo, né? Então, tipo, isso já agilizou muita coisa e foi bom, porque aí a gente foi vendo que a gente conseguia fazer em menos tempo, né? Mas aí, tipo, a gente tinha que encerrar e já correr para guardar tudo, para já carregar, para, tipo, chamar o carro para já levar as coisas embora, né?

Às vezes chamava e nada do carro aparecer, e a gente fica, meu Deus, a gente tem que ir embora, vão reclamar, vão vir aqui falar com a gente, não sei o quê. Eu acho que tipo por um tempo foi tipo um perrengue assim que eu ficava na minha cabeça assim, ai meu Deus, alguém vai reclamar. Porque tem o Luizinho, né, que é o responsável pelo Prática Tatum, que era o espaço que a gente usava. Eu ficava achando que iam reclamar com ele, aí ele ia ser tipo essa terceirização da reclamação, né.

E aí quando veio depois a gente, mas você só pode usar o espaço até 2 da tarde assim. Meu Deus, é impossível!

HAHellen Almeida

Porque a gente começava a gravar às 2 da tarde, né?

SCSereia Chagas

Na hora que a gente começava, a gente—

HAHellen Almeida

eu precisava de um segundo gravando, corta.

SCSereia Chagas

E aí, tipo, depois— e que no começo também tinha dificuldade de levar lá para o céu, Irapuru, porque tipo o carro ia lá para CPB, que você ficava assim, meu Deus, mas eu chamei aqui, por que que o cara foi lá do outro lado do universo? E aí às vezes tem que ficar explicando assim para o motorista, olha, você tá na portaria errada, você tem que dar a volta para vir para outra portaria. E aí eu acho que uma, essa questão da logística do transporte às vezes dá uma dor de cabeça assim, né?

Mas enfim. E eu acho que a questão da iluminação, eu acho que a gente não calculou também, né? Tipo, uma luz que parece que é mais pesada que um bebê, e a gente colocar no softbox assim.

HAHellen Almeida

É, a gente é realmente, é porque ela realmente, ela tinha o peso de um bebê, um bebê grande.

SCSereia Chagas

Sim, tipo, as luzes que estão aqui comparadas com ela parecem bebês, mas parece tipo que ele é, que a luz era pai dessa daqui, mas tipo É que não vai dar para ter a dimensão do tamanho assim, mas um grau de comparação era como se— imagina a luz maior no tamanho dessa, disso daqui, e a outra luz é desse tamanho aqui.

HAHellen Almeida

Então tipo, é, para quem não tá vendo, é como se a luz maior fosse do tamanho do crânio de um boi e a pequenininha fosse, sei lá, o tamanho do chifre praticamente assim em comparação. É, acho que dá para estabelecer essa relação.

SCSereia Chagas

E para você, qual que é a importância desse trabalho que a gente tá fazendo de entrevistar artistas independentes, de ser artistas que a gente conhece, que a gente tá sabendo da história? Tá sendo muito gostoso isso, né?

HAHellen Almeida

Sim, eu acho que até os artistas que a gente não conhece, porque algumas pessoas, porque a gente não é muito da dança exatamente, né? Então algumas pessoas que a gente entrevistou foram indicação de outras pessoas que falaram, olha, Tal pessoa tem um trabalho muito bom, e por aí vai. E aí a gente chamou. E assim, eu acho que a importância disso é muito do que para mim era a importância da primeira temporada também, que era trazer referenciais, né?

Porque a gente, como artistas periféricos e que não, como o Val falou, tipo, não nasceu em berço de ouro, Nosso referencial de quem faz arte é, sei lá, tipo, artistas que estão na mídia hegemônica, né, que estão fazendo shows para milhões de pessoas, milhares de pessoas, enfim, gravando seus álbuns e ou fazendo suas apresentações em grandes teatros pelo mundo. E Pina Bausch era uma referência da dança, que são essas referências que estão muito fora da nossa realidade.

E quando a gente traz pra conversar pessoas que são gente como a gente, ou sei lá, tipo, mais rico é tipo classe média, assim, que estão numa realidade mais próxima, eu acho que isso é importante porque aproxima a gente da possibilidade de viver de arte. Eu acho que é uma coisa que a gente precisa renovar sempre. Eu acho que a gente tem uma questão que é meio polêmica, Que muitas vezes eu acho que a gente fala sobre a CLT como se ela fosse um monstro, né?

E de fato, é você gastar o seu dia todo para ganhar dinheiro, para enriquecer uma outra pessoa e odiar o seu trabalho, é horrível, né? Mas ao mesmo tempo existem possibilidades de trabalho CLT que são muito legais, que são muito boas. E eu acho que tipo a gente como artista A gente deveria, tipo, lutar para que artistas também tivessem direito a CLT, que a gente não tivesse que ser PJ, que não tivesse que emitir nota fiscal para tudo, sem direitos trabalhistas, ou depender só de edital, ou depender só de, tipo, de captar recursos e ficar na mão da incerteza, assim.

Eu acho que isso é uma coisa que eu acho que seria importante da gente reforçar também, como essa nessa temporada, né, tipo, reforçar um pouco isso, que é direitos trabalhistas para todo mundo, né, inclusive para os artistas, só que sem a exploração pela exploração, né. Eu acho que a exploração do trabalhador ela não deveria existir. Aí já coloca aqui a bandeira soviética nesse sino aqui, pinta o boi aqui, ó, o fantasma do comunismo.

Não, mas é que eu acho que é importante pontuar. Eu até esqueci o que que você perguntou, mas acho que tem um pouco a ver com— talvez não tem a ver, mas é isso, me veio na cabeça, mas é isso. Eu acho que a importância do nosso trabalho tá nisso assim, de tipo, a gente vê que as coisas elas não precisam ser sucateadas, né? A gente pode ter— a gente não precisa ter 10 mil empregos para poder ser artista. Porque é possível trabalhar com arte, inclusive acho que a questão da produção da nossa própria arte desde a primeira temporada é uma coisa que tem surgido muito assim.

E nessa temporada, ouvindo, né, as pessoas falando, eu fico pensando muito na questão de como é importante também a gente falar sobre a formação das pessoas, como você começa o seu processo de formação como artista e você dá continuidade dele assim, ou dando continuidade a ele, tipo, ao longo da vida, né? E aí todas as pessoas passaram, de certa forma elas estão nessa coisa de, tipo, a dança ela é um processo continuado. Você não aprende balé com 7 anos e, tipo, nunca mais pratica, e do nada você vai rodopiar a vida toda, tipo, fazer meia ponta ou ponta inteira, não sei exatamente, não sou do balé.

É, e eu acho que é importante isso assim também, da gente ver que também é possível voltar a fazer depois de adulto, que é uma coisa que surgiu, por exemplo, nosso primeiro episódio com Jack. Então é isso de você saber que você depois de adulto, depois de ter esse corpo também marcado pela opressão do trabalho árduo e tipo cansativo numa área que você não gosta, você poder ter um trabalho árduo e cansativo na área que você gosta também, né?

É possível. Porque é isso, né? A gente precisa sempre constantemente lembrar que o trabalho artístico também é trabalho, né? E você, Sereia, o que que você achou?

SCSereia Chagas

Eu vou complementar o que você falou, né? A Jo Gomes falou sobre isso, né? Porque tipo, ela precisa estar correndo atrás de um monte de edital porque exatamente não tem essa segurança da CLT, né? Porque tipo, para sobreviver precisa tipo tá fazendo mil trabalhos. E eu acho que tipo, provavelmente muitos artistas têm essa aversão assim pela CLT e tudo mais, porque é isso, né? Todo trabalho CLT que ele teve não foi com a arte, né?

Foi sendo enriquecendo algum milionário aí que não faz nada da vida, não sabe nem o que que as pessoas que trabalham para ele fazem, provavelmente, né? Mas tá lá sendo enchendo o bolso de dinheiro com trabalhar a lei. E aí, tipo, os artistas não têm essa segurança e nunca trabalhou com arte, né? Porque eu acho que esses trabalhos que são CLT com arte exigem umas qualificações impossíveis quase, né? Pedem para quase você ter trabalhado para NASA para você conseguir, tipo, um trabalho decente que seja CLT no meio artístico, né?

É muita loucura isso. Às vezes eu assino, chega no meu email, é tipo um newsletter sobre oportunidades na cultura, né? E aí às vezes aparecem umas oportunidades assim que tipo falta pedir que você tenha junto uma reencarnação assim de um pica das galáxias, sei lá, tipo do Egito. Porque você fica assim tipo, pra quem que é esse trabalho? Quem que vai se qualificar pra trabalhar pra isso aí? Tipo, que é uns salários bons, mas você fica tipo, duas pessoas no mundo vão ter a qualificação para trabalhar naquilo ali.

HAHellen Almeida

E eu acho que é isso também, uma das coisas que a gente faz quando a gente traz pessoas como a gente, tipo gente comum, para falar sobre como elas sobrevivem ou querem sobreviver de arte, né? A gente ajuda um pouco a tirar a ideia de que a arte é uma coisa elitizada. A gente Começa um processo ali de deselitização da arte também, né? Porque é isso, a gente traz para o campo do trabalho real, né? Estamos falando com trabalhadores da cultura, trabalhadores da arte.

Tipo, não é a pessoa artista, ela não é porque ela tá ali só oceando, né? É um trabalho. E acho que a gente reforça muito isso, e eu acho isso muito importante. Para mim é uma das coisas mais importantes assim.

SCSereia Chagas

E a gente cresce, né? Por exemplo, eu cresci muito com isso de querer ser artista, mas a família falando, ai, mas você vai passar fome, ai, mas você tá desperdiçando a sua inteligência, que eu tenho vontade de mandar todo mundo para aquele lugar. Que eu fico assim, se você soubesse o tanto que eu preciso ler para estar no lugar que eu tô, querida, você ia falar, tipo, não desperdiça sua inteligência não. Provavelmente alguém que trabalha, tipo, num banco tem que pensar muito menos do que uma pessoa que tem que ler um edital. Com toda certeza.

HAHellen Almeida

É, tem todo esse rolê da desvalorização familiar e tudo mais, que acho que a gente até comentou no episódio de balanço da outra temporada, que é essa coisa justamente de tipo a família tá preocupada em você ter segurança. Quer dizer, via de regra espera-se que seja por isso.

SCSereia Chagas

Saúde mental, para quê?

HAHellen Almeida

E aí tipo é isso, nessa busca pela segurança a gente se priva de viver, e aí a gente vai sobreviver vivendo só se arrastando e deixando de fazer a coisa que a gente quer mais fazer, que é a arte, que dá para viver de arte, né? E é isso, acho que para mim é por isso que a gente tá aqui.

SCSereia Chagas

E acho que respondendo essa pergunta, é isso, acho que o tipo, a importância do nosso trabalho é mostrar que é possível, que tipo não estamos passando fome, estamos quase.

HAHellen Almeida

Calma lá, calma lá, que ainda não acabou.

SCSereia Chagas

Mentira, mas tipo, que a gente tá conseguindo, tipo, aos pouquinhos conquistando espaços, conseguindo viver de arte, que tá sendo uma delícia assim, de tipo, queria que minha mãe tivesse viva assim, tipo, eu acho que às vezes eu queria validar assim, tipo, chegar e falar, olha, consegui, tá? O senhor falou que eu não ia conseguir, aqui, ó, tô vivendo de arte, é, com vários perrengues, mas os perrengues que eu tô conseguindo lidar.

Mas é isso, vamos para a próxima pergunta. Essa temporada foi sobre dança, né? Tipo, como que a dança tá na sua vida?

HAHellen Almeida

Ah, claro, eu sou uma grande dançarina, né?

SCSereia Chagas

Não, zoeira.

HAHellen Almeida

Então, dança é uma coisa muito louca assim, porque eu comecei a fazer dança no vocacional, fiz vocacional dança um tempo. Era dança contemporânea, eu amei, sempre amei assim. Aí eu acabei entrando num curso e tive que sair. Aí essa foi minha primeira experiência. Aí eu comecei a fazer dança com a Samara, que é uma professora incrível da quebrada assim. Samara Amoras, beijo, diva! Que ela dava aula de vários ritmos latinos e tal, era incrível assim as aulas dela.

Aprendi direita e esquerda, muito do que eu sei com ela. A diva super paciente. Eu sou bem descoordenada, então para mim foi uma coisa incrível assim a paciência dela. E aí eu tive que sair porque tive que começar um curso, e aí tipo era à noite, não ia dar para fazer, que inclusive é o de audiovisual, que me fez estar aqui hoje. E aí assim vai, tipo, aí eu tentei fazer aula de dança do ventre, dança cigana, tipo vários tipos de dança.

E toda vez que eu começo a fazer dança, alguma coisa acontece, eu tenho que sair da dança. Então basicamente eu danço em casa sozinha, e aí alguma coisa acontece, eu tenho que parar de dançar e fazer outra coisa. Mas é uma linguagem que eu acho incrível, assim, eu acho que o teatro, antes, quando eu comecei, eu queria muito falar. Que eu sou uma pessoa que fala muito, nem dá para perceber, né? Mas é uma pessoa que fala muito, falo, falo, falo, falo.

E aí às vezes eu começava a sentir que existia alguma coisa ali que não tava, sabe? Você não precisa ficar falando tanto. E aí no teatro eu comecei a abraçar mais a ideia de falar menos e fazer mais com o corpo e tal. Hoje em dia eu tenho, tô revendo até meu lugar no palco assim, né? Tô vendo assim, tipo, se é de fato no palco nas partes mais externas, concepções de artes, enfim. Mas eu acho que a dança ela me ajuda muito a, quando eu tô no palco, tipo, eu não tentar falar tanto e não tentar, tipo, fakear coisas, né?

Tipo, as coisas elas acabam sendo mais do campo da sensação. Eu acho que a dança ela traz a gente para esse aterramento. Assim como a Laila, também estou fazendo yoga. E aí eu sinto que tipo, quando eu faço yoga na segunda-feira de manhã e sigo a minha semana, ela acontece de um jeito. Quando eu não faço, a semana desanda de um jeito assim meio esquisito assim. Porque eu acho que é isso, tipo, yoga não é dança, mas é uma coisa que te põe em contato com o seu corpo.

E eu acho que uma das coisas que essa temporada me trouxe foi pensar que, caramba, é uma coisa que eu esqueço às vezes, que é eu tenho um corpo. E aí eu acho que quando a gente ouve as pessoas falando sobre a relação delas com a dança, com o corpo, etc., a gente lembra que a gente tem um corpo e a gente lembra da possibilidade de que esse corpo também pode dançar. E aí para mim foi um pouco isso assim. E a minha relação com a dança é essa assim, às vezes eu esqueço que eu tenho corpo, aí eu vou lá, danço um pouquinho sozinha mesmo, e aí eu, caramba, eu tenho corpo, olha que legal! Então acho que é um pouco nesse lugar de aterramento. E você?

SCSereia Chagas

Para mim, a dança sempre esteve assim desde criança. Assim, eu lembro de eu pequena, eu tinha quebrado o braço, eu quebrei o braço direito. E aí eu com o gesso no braço, minha mãe tava fazendo uma festa em casa, eles estavam tocando axé e eu adorava dançar com eles. Assim, aí eu fui dançar e minha mãe ficava brigando comigo: para de dançar, menina, você tá com o braço quebrado! Aí eu ficava assim: o que tem a ver meu braço quebrado, tem o resto do corpo.

E ela ficava, não, você não pode dançar, você vai acabar machucando seu braço, não sei o quê. E eu cresci muito nesse lugar de ver minha mãe. Minha mãe sempre gostou muito de dançar. Tinha um espaço lá no centro de São Paulo em que ela ia toda segunda-feira dançar. Eu lembro que, tipo, ela saía, tipo, 8 da noite e ela só voltava de manhã no outro dia. Ela, tipo, antes de sair, ela falava assim, ó, tô indo dançar. E amanhã quando eu voltar, eu espero que você tenha ido pra escola.

E aí, tipo, e ela sempre voltava, tipo, iluminada assim, eu achava muito legal. E daí eu cresci com esse espaço da dança assim, minha mãe sempre dançou. E depois mais velha ela começou a fazer aulas de dança, começou a se apresentar fazendo dança do ventre. Isso já, tipo, quando já tinha meus 20 e poucos anos assim, que eu acho que depois que ela começou a fazer dança do ventre que ela começou a entender o porquê que ela era artista assim.

Foi só depois quando ela começou a ocupar os palcos. E eu sempre gostei de dançar, de sair para dançar. Gosto muito de às vezes sair sozinho para dançar e ficar a noite toda. Tem um lugar que eu gosto de ir que chama Nossa Casa Confraria das Ideias, que é lá em Pinheiros, na cidade de São Paulo. E nossa, coisa que eu mais gosto de ir para lá assim, tipo, só dançar a noite inteira assim de suar. E aí, tipo, no outro dia parecer que, tipo, caramba, foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida assim.

E às vezes as pessoas vêm te perguntar, tipo, nossa, você trabalha com dança e não sei o quê? Eu falo, não, só tô dançando, só tô sendo livre. É de ir num reggae também, nossa, e dançar, me acabar de dançar, de no outro dia ficar com dor até onde você acha que não existe músculo. É uma delícia. Eu cheguei a fazer Aulas no vocacional, né, de dança, dança contemporânea. Com a Gil Gomes, que foi uma das convidadas, eu fiz aula de dança afro, que ela dá aula, afro-brasileira, que a aula dela era incrível assim, porque tinha o começo da aula, era tipo uma parte didática, então ela explicava de onde que vinha a dança, o porquê da dança, e tinha uma conexão de que todas as danças que ela passava tinham a ver com alguma mulher.

Com a guerreira africana de algum país africano. E aí ela dava todo o contexto da dança, tipo, enfim, a Diogo Gomes é maravilhosa. Acho que um dos episódios que eu mais gostei assim da temporada, porque tipo fiz aula com ela e eu acho que a didática dela, a forma como ela fala, acho que nunca na minha vida eu vou falar tão bem quanto aquela mulher, que ela fala com uma, enfim, ela é fandona. Mas falando do meu espaço da dança, eu amo dançar, gosto muito de dançar.

Acho que tem muita conexão também com a música, né? Negócio de música, gosto muito de cantar. E algumas pessoas falam que eu canto bem, que eu tô aqui, né? Fazendo, fingindo que eu não canto bem, né? Eu sei que eu canto bem, que sou muito, que eu tenho que fazer mais, sou nesse lugar de multiartista e de que preciso voltar a focar mais na música. Eu tô sentindo um pouco de falta disso assim. De estar mais na música, de lançar alguma coisa minha, das coisas que eu escrevo, que eu escrevo e deixo guardado.

Tem que parar de fazer isso. O Gina, que é meu companheiro, às vezes fica falando, caramba, você escreve umas coisas mó legal, por que você não— cadê? Tem que fazer isso sair para o mundo. E aí eu fico assim, é verdade, nem guardo lá.

HAHellen Almeida

Sim, a gente— eu tava falando isso esses dias, que a gente tem que parar de tentar ser humilde. A gente não tem que ser humilde, a gente tem que fazer, tem que meter as caras e fazer. Eu acho que tipo tem um pouco a ver com esse trabalho mesmo. Tipo, a gente, todas as pessoas que passaram pelo Voz do Palco até agora são pessoas que meteram as caras e fizeram, né? Tipo, elas não ficaram assim, ah não, eu sou humilde, eu não sei fazer, ai, assim, encorajar assim.

Tipo, eu lembro muito da Bete, da primeira temporada, Bete, primeiro episódio da primeira temporada. Ela falava muito para as crianças do grupo Vital que elas tinham que parar de ser uma coisinha e se expandir e ser uma coisona, sabe? Eu acho que a gente tem um pouco desse lugar. E aí você foi falando, eu lembrei que quando eu fui fazer vestibular tinha uma prova escrita, né? E eu tinha que falar sobre a minha experiência como espectadora e eu falei sobre um espetáculo de dança.

Do Érico, que o Érico tava, que era a Sociedade dos Improdutivos, que era com a Associação Kissacroma. E foi um espetáculo de dança que assim, tipo, eu vi gratuitamente no céu, o Irapuru inclusive, que é onde a gente gravou parte dessa temporada, e que me tocou profundamente assim. Não tinha quase palavras, mas era o corpo falando. E para mim bateu de um jeito assim que anos depois, quando eu fui escrever sobre uma experiência como espectadora, eu escrevi sobre isso.

Então acho que a dança tem essa potência também de tipo, às vezes as coisas que a gente fala, elas vêm, entra por um ouvido, sai pelo outro, né?

SCSereia Chagas

Sim.

HAHellen Almeida

E a dança, como é uma coisa assim muito presentificada também, é o corpo ali presente, a gente acaba gravando mais a sensação. Então eu acho que tem um pouco disso assim.

SCSereia Chagas

Nossa, tem um espetáculo que eu assisti nesse, a Dança Croma, que era com a Malu Avelar assim, que, nossa, dava uma coisa, porque ficavam jogando laranjas assim no palco. E aí ela pulando assim, e aí tinha uns momentos que as laranjas iam para debaixo dela assim, mas ela tava pulando com uma precisão tão— era tá, tá, tá, que às vezes a laranja ia para baixo dela e a laranja se esbagaçava. Parecia que ela tinha toda, todo o peso do mundo assim, tipo nem se passasse um trator embaixo dela que ia derrubar ela.

Assim, era muito, acho que foi um dos espetáculos assim que eu assisti que até hoje assim até me arrepio de lembrar, porque tipo é muito foda, né, como o corpo pode estar presente de uma forma assim que você fica assim, caramba, eu quero isso para o meu corpo, quero um dia estar apresentando e meu corpo dizer coisas que eu nunca poderia falar com palavras. Enfim, né, fui longe pensando, você falou da sensacroma, Me veio esse espetáculo na cabeça.

E uma última pergunta agora: o que que você pensa assim, que você sonha para o podcast, para o Vozes do Palco assim?

HAHellen Almeida

Ah, coisas bem simples. Eu acho que é tipo nada muito fora da realidade, tipo a gente ter um espaço próprio com iluminação vinda do teto, né? Eu acho que Câmeras de vídeo controladas por uma controladora, né, vários microfones podão assim. Não, zoeira. Eu acho que é isso assim, tipo, uma sede própria para a gente conseguir deixar as coisas montadas e facilitar tipo essa logística. Acho que dentro de uma perspectiva de sonho, é uma coisa que eu acredito que possa ser real, assim, a gente consiga em algum momento fazer isso.

E eu acho que uma temporada de música, queria muito, quero muito, e que a gente tenha estrutura e tipo saiba como fazer de um jeito da hora, assim. E eu acho que também talvez o meu sonho principal assim seja tipo a gente não tratar mais linguagens específicas, mas tipo ser geral assim, tipo a gente não traçar uma língua, tipo não precisar encaixar tipo a primeira temporada foi sobre teatro, a segunda foi sobre dança, a terceira sobre X linguagem, a quarta sobre tal, mas tipo começar a trabalhar de uma perspectiva mais integral assim.

É porque a gente escreve edital, então a gente acaba afunilando, né, o objetivo. Mas eu acho que episódios como esse, por exemplo, que a gente conta como foi a parte técnica, eles são muito necessários, tipo, em outras linguagens também. Porque sem a parte técnica do teatro, da dança, enfim, de qualquer outra linguagem, não existe, né? Então acho que é essa perspectiva integrada de que o artista no palco ele não tá sozinho, mesmo que ele esteja fazendo monólogo.

Eu acho que é uma coisa que a gente gostaria muito que a gente integrasse, né, nas próximas temporadas. E você, Sereia, quais são suas perspectivas de futuro para o Vozes do Palco, sem dar spoiler?

SCSereia Chagas

Sim, né, tem muitos e muitos sonhos, né, que eu sou uma pessoa que a criatividade assim vai muito longe assim. Então eu penso em muitas e muitas e muitas coisas assim. E às vezes até é difícil colocar o pé no chão assim, né? A gente tipo, calma, vem aí, vamos trazer essa pipa para o chão. Porque às vezes os sonhos vão lá em cima assim, de pensar tipo, podcast pode conquistar muitas, não só o podcast, não, o nome Vozes do Palco pode se tornar muitas coisas, né?

Mas eu acho que a gente conquistar tipo um lugar próprio, de ter o estúdio, né, que todo mundo falou, de ter tipo o estúdio. E pensando assim da gente produzir para outras pessoas também, né, de produzir o nosso podcast, mas tendo esse espaço físico a gente vai conseguir produzir outras pessoas também, né. E aí eu acho que isso é tipo o caminho assim, né, de ter um trabalho, de ser algo mais fixo, né, de se tornar uma produtora.

Acho que é um sonho assim, né. Que acho que não tá tão longe, tá próximo até, e da gente conquistando editais maiores, né? A gente conquistou edital municipal, de subir nessa escadinha, né? Eu acho que a gente tá num caminho muito legal, né? É o podcast da primeira para segunda temporada cresceu 900%, assim, caramba! Na primeira temporada, tipo, acho que o episódio que mais tem visualizações é 13 mil, né, que é o nosso, aliás, que é o último.

E aí nessa segunda temporada, acho que é tipo 50 mil, tipo um pulo assim, né, tipo muito grande, e que dá um orgulho, né, do nosso trabalho assim, de falar tipo a gente tá chegando nos lugares, né. Então acho que da gente crescendo organicamente também, de e de criando essas conexões da temporada de música. Sonho assim de que eu quero muito que essa temporada aconteça, que a gente consiga fazer as coisas que a gente tá sonhando com essa temporada, né?

Que foi eu e o Val, somos as pessoas mais da música aqui, e de que eu fico pensando muito nas coisas que a gente pode criar assim nessa temporada de música. E acho que perspectiva até tipo para o meu futuro como artista assim, de estar criando mais coisas, né? Eu quero muito tirar do papel assim, tipo, a peça da minha mãe. E tipo, que eu fico assim, nossa, eu quero tanto por isso, por que que eu não tô trabalhando mais nela, né?

Tipo, é autocobrança, né? A gente fica tipo, ah, eu preciso, eu preciso. Mas que existe um anseio assim de que tipo, eu quero fazer acontecer. E às vezes eu fico pensando, não, mas vamos fazer com quando sair um edital. E tô colocando na minha cabeça que talvez tem que começar a trabalhar nisso antes, assim, de sim, de que muitos sonhos estão vindo aí. Acho que a ideia de sair pelo Brasil também, tipo, conseguindo entrevistar artistas de outros lugares e de artistas que não alcançam os mesmos lugares que artistas aqui de São Paulo.

Que aqui tem tipo um edital a fio e roda assim, né? Então tipo, mesmo que é muito difícil, não vou falar que é fácil, porque eu tava falando com alguém sobre isso esses dias, porque tipo existe uma barreira, porque o artista precisa ter um letramento, né? Ele precisa conseguir escrever de uma forma que a pessoa que vai ler hoje, que vai ler o projeto, falou: ah, essa pessoa escreveu certinho assim. Existem artistas magníficos que não sabem escrever projeto, né?

E que, tipo, muitos espetáculos, muitas coisas artísticas que têm o potencial, que você vê uns artistas, você fica: por que que essa pessoa não é conhecida no mundo todo? Que tem o trabalho fodástico. Então nem lembro mais do que, porque que eu cheguei nesse, nesse fio aqui. Mas eu acho que as perspectivas são, os sonhos são muito grandes assim. Então, ah, eu quero que a gente alcance pelo menos 50% do que eu sonho, que já é muita coisa.

Mas começando, acho que com o pé no chão, da gente ter o nosso espaço e a partir dele crescendo e crescendo. Às vezes eu fico sonhando assim, tem aquele Aquele prédio abandonado lá que era uma sorveteria. Meu sonho é aquele espaço se tornar um centro cultural, de ter o estúdio do podcast lá dentro e de ter mais coisas ali. Às vezes eu fico sonhando assim, ai, se eu ganhasse na loteria, eu ia comprar aquele espaço.

HAHellen Almeida

Ah não, eu vou ganhar essa semana, eu vou comprar lá para nós.

SCSereia Chagas

Mas são muitos sonhos, são muitos sonhos, e que Eu acho que com a conquista do primeiro edital comecei a ver que tipo esses sonhos alguns são possíveis sim de acontecer, que eu acho que tinha muita essa ideia de que parecia que ser muito distante o edital, né? Acho que desde lá de 2012 que a gente tava lá no comecinho, crianças, babies, eu com 17 anos, meu Deus.

HAHellen Almeida

Acho que a gente escreveu o primeiro projeto nessa época, né?

SCSereia Chagas

Foi, que tinha 2 milhões de ações, que ainda bem que a gente não— nossa, imagina se tivesse sido aprovado, a gente ia se ferrar para fazer tudo, era muita coisa.

HAHellen Almeida

E o pior é que a gente ia fazer, com certeza. Esse aqui é o pior, a gente ia fazer, que a gente era baby, né? A gente tinha tempo livre, que só tinha tempo livre, energia.

SCSereia Chagas

Não que eu não tenho energia hoje, eu não tenho. O Giovanni fica falando assim que eu tenho energia por mim, por ele, por 10 pessoas. Inclusive por mim, que às vezes acordo de manhã, eu tô assim, vamos expirar, um minutinho de silêncio. Aí eu fico assim, ah não, deixa eu pôr meu pé no chão porque eu tô já em Nárnia, já tô na lua. Mas é isso. E chegamos ao fim de mais um episódio, de mais uma temporada. Estamos muito felizes de de conseguirmos, né, realizar a primeira e segunda temporada, de termos recebido todos os artistas incríveis que a gente recebeu durante essa temporada.

Gostaria de agradecer aos parceiros, então, ao Prática Tatum, que a gente usou o espaço durante o começo da temporada, depois o Sairapuru também, que a gente finalizou a temporada lá. São, foram espaços essenciais para a gente fazer o nosso trabalho, que foram super solícitos, maravilhosos. Beijos a todas as pessoas que fizeram acontecer essas parcerias. Agradecer à Secretaria de Cultura que nos fomentou com esse edital pelo segundo ano.

E é isso, espero que tenham gostado dessa temporada. Se você estiver no YouTube, dá aquele like, se inscreva, Faça bons comentários. Se você for fazer um comentário preconceituoso, transfóbico, homofóbico, ou outras muitas palavras para preconceituoso, vamos tomar medidas cabíveis. Então não acha que você tá sendo anônimo comentando merda aqui, tá bom? Porque a internet é muito rastreável. Nas nossas redes sociais estamos como @vozesdupalco, Então segue a gente no Instagram, no TikTok, no X, que vão ter novidades por lá. Então é isso, beijinhos na bunda de todos e até a próxima temporada!

VSValdeir Santana

Esse podcast é um projeto aprovado na 22ª edição do Programa para Valorização de Iniciativas Culturais do Município de São Paulo, o Programa VAI, com apoio do Centro Educacional Unificado, CEU Irapuru. Este podcast é uma realização do coletivo Teatro Memórias e Além, Prefeitura da Cidade de São Paulo. Você ouviu Vozes do Palco.

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